Bolsonaro/Hugo Chávez

Por que Bolsonaro pode tentar mas não vai conseguir imitar Hugo Chávez | Analítico - O Globo

Bolsonaro em cerimônia da FAB em 2019, Chávez no Foro de São Paulo em 2012: venezuelano teve apoio militar para expandir poder

A julgar por seus atos, estratégias e objetivos traçados, o presidente Jair Bolsonaro pode ter horror em público ao falecido ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, mas almeja um poder onipotente e onipresente, nos moldes do conquistado pelo líder bolivariano. Um poder ao qual todos os demais poderes estejam absolutamente subordinados, e um respaldo incondicional das Forças Armadas, para que sejam parte da máquina política a serviço do presidente.

Mas o Brasil não é a Venezuela, em muitos e diversos aspectos. Vale enumerar alguns deles. Desde o início da autoproclamada revolução bolivariana, a grande maioria dos militares foi cooptada pelo governo chavista. Essa relação simbiótica acentuou-se depois do golpe de Estado contra Chávez, em 11 de abril de 2002. Um erro gravíssimo da direita venezuelana, que lhe custou caro. 

Chávez era um militar respeitado dentro dos quartéis. Esse comprometimento dos militares com a revolução teve momentos de auge, por exemplo, após o então presidente vencer um referendo popular sobre sua continuidade no poder, em 2004, com quase 60% dos votos. Era a época das missões bolivarianas em saúde, educação e habitação, entre outras. Os militares se incorporaram a todos os âmbitos do governo. Inclusive no comando da estatal Petróleos da Venezuela, de onde nunca mais saíram. 

A trajetória do líder bolivariano é totalmente diferente da do presidente brasileiro. Chávez chefiou duas tentativas de golpe, foi preso e posteriormente absolvido por um governo democrático. Elegeu-se presidente derrotando os principais partidos políticos da Venezuela e, com o apoio militar e os recursos do petróleo  a Venezuela continua tendo a maior reserva de petróleo do mundo — construiu uma estrutura de poder que ainda hoje continua sendo imbatível. Isso se explica, segundo especialistas como Steven Levitksy, coautor de "Como as democracias morrem", porque o fator militar continua sustentando um governo profundamente autoritário, repressor e corrupto, como é o do presidente Nicolás Maduro

Na Venezuela, as Forças Armadas aceitaram ser parte do jogo antidemocrático do chavismo. Aceitaram a tutela cubana, os abusos de todo tipo, até mesmo serem alvo de sanções externas e denúncias na Corte Internacional de Haia. Primeiro, por lealdade a um líder que respeitavam. Com o passar do tempo, por falta de alternativa e cumplicidade com esquemas de corrupção. Na Venezuela, não existe um Centrão para equilibrar forças dentro do governo. A oposição vive mais uma crise e os poderes Legislativo e Judiciário, como foram desde o início da revolução, são funcionais ao presidente. 

O resultado é conhecido: um país em ruínas, mergulhado numa crise humanitária sem precedente. O chavismo continua no comando, apesar da fome, drama nacional, já ser sentida dentro dos quartéis.

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