2022-2026

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O mundo do novo presidente | O HAITI é o FUTURO de toda América Latina?

Por Pedro Doria

O mundo em 2026 será muito, muito diferente do mundo hoje. Na quarta-feira à noite, seis presidenciáveis publicaram um manifesto pela democracia. Começamos cedo a falar das eleições de 2022, mas isso tem motivo de ser. Não é normal ficar discutindo as possibilidades de um golpe de Estado. Temos, porém, um presidente que nos empurra para esse debate. Refletir sobre que comando o Brasil terá a partir de 1º de janeiro de 2023 é fundamental. Pois: ele descerá a rampa do Planalto num mundo muito diferente daquele em que começará seu mandato.

A McKinsey, uma das principais consultorias do mundo, soltou em fevereiro um relatório sobre o trabalho no mundo após a pandemia. A conclusão é óbvia: tendências que já existiam em 2019, como trabalho cada vez mais remoto, aumento do comércio eletrônico e automação de inúmeras atividades se aceleraram. Mas é importante entender o que isso quer dizer com um pouco mais de detalhe.

Em economias desenvolvidas, entre um quinto e um quarto da força de trabalho trabalhará remotamente pelo menos três dias por semana. Quando não os cinco. Isso quer dizer que, nos cálculos dos executivos de grandes empresas ouvidos, o espaço de escritório pós-pandemia deverá diminuir 30%.

Escritórios ficam em centros de cidades, e uma cadeia de serviços se forma ao redor. De transporte público a restaurantes. Na outra ponta, trabalhar remotamente não quer dizer apenas trabalhar em casa. Empresas e pessoas podem alugar espaços em coworkings, ambientes profissionais, com ampla infraestrutura tecnológica, e a conveniência de ser perto da casa das pessoas. É o início de uma descentralização das cidades que mudará por completo a lógica do urbanismo guiado pela invenção dos carros que predominou no século 20.

Outras tecnologias entrarão nesse jogo. O 5G não é só internet mais rápida, é a explosão da internet das coisas. Veremos mais e mais robôs, mais e mais automação. O supermercado que não precisa de caixas, o bueiro que alerta a prefeitura antes de entupir e, claro, o táxi ou Uber sem motorista. São, todas, tecnologias que já existem e começarão a ser implementadas durante o mandato do próximo presidente.

A expectativa, este número é também da McKinsey, é que haja 20% de queda em viagens de negócios. Virarão videoconferência. É a maior fonte de renda dos setores de hotelaria e aviação. O de hotelaria concorrerá cada vez mais, também, com os Airbnbs da vida.

Toda estrutura de e-commerce, num país como o Brasil, teve de se reinventar ao redor de um serviço de correio com inúmeras deficiências. Isso quer dizer que explodiu o número de pequenas empresas, às vezes de indivíduos, que oferecem o serviço de entrega no trecho final. Aquele que vai para a casa da pessoa. Assim como os mesmos restaurantes que fecham as portas por todo lado num canto reinventam a ideia de seu negócio no outro, virando cozinhas que entregam. Que serão muito úteis para as pessoas que trabalham em casa ou no coworking do lado.

Não será nos próximos cinco anos — mas a história das fábricas da Ford que fecharam se repetirá mais e mais. Operário é uma das profissões em via de extinção.

E nem sequer tratamos da revolução em energia limpa, uma das indústrias pipocando para explodir nos próximos anos. Tampouco se falou da fluidez com que pagamentos serão possíveis de indivíduo a indivíduo — o WhatsApp Pay acaba de ser aprovado.

Haverá cada vez mais trabalho autônomo. A descentralização transformará o espaço urbano, e a desintermediação facilitará que dinheiro troque de mãos. E empregar gente boa no mundo todo já se tornou corriqueiro na Terra sem fronteiras ou escritórios.

Fique atento a candidatos obcecados com soluções do século 20.

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Saiba o que é histerese e como isso pode afetar o futuro do seu emprego

Crise prolongada desperdiça talentos e compromete a capacidade de reação da economia brasileira
Carolina Nalin e Cassia Almeida
02/04/2021 - 07:09 / Atualizado em 02/04/2021 - 11:13
Lojas fechadas por restrições na pandemia. Demora na vacinação dificulta retomada da economia Foto: Marcia Foletto / Agência O Globo
Lojas fechadas por restrições na pandemia. Demora na vacinação dificulta retomada da economia Foto: Marcia Foletto / Agência O Globo

RIO - Desemprego, recessão e, agora, histerese. Para descrever a crise prolongada pela qual atravessa a economia brasileira – em 2020, o país encerrou a pior década de crescimento econômico da sua História, crescendo mísero 0,3% ao ano em média, a menor taxa desde 1901 – os economistas tomaram emprestado um termo da física.  

A histerese ocorre quando algo que tem caráter transitório se torna permanente. Quando o comportamento de uma matéria depende de sua trajetória precedente.

É só pensar numa mola.

Se você a esticar com muita força e por muito tempo, ela ficará deformada e não voltará a se comprimir. Perderá sua capacidade de reação. É isso que alguns especialistas veem na economia brasileira hoje. O país está crescendo tão pouco e há tanto tempo que perdeu a capacidade de gerar empregos de boa qualidade.

Brasileiros que estão desempregados há um longo período ou trabalhando em áreas aquém de sua capacitação também vivem essa situação, de incapacidade de reação. Esses trabalhadores ficam desatualizados e terão mais dificuldade de se reinserir no mercado de trabalho, mesmo que a economia volte a crescer com força no futuro.  

– Para o jovem, gera-se um efeito permanente, na literatura chamado de cicatriz do desemprego – explica a economista Julia Braga, professora da UFF.

Especialistas afirmam que a alternativa, para o trabalhador, é procurar se atualizar e buscar áreas mais dinâmicas do mercado, como tecnologia ou o setor de saúde. Para o país, o governo tem que adotar políticas públicas de requalificação profissional de forma mais estruturada.

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Crise prolongada deixa jovens num limbo, sem emprego e sem perspectivas: ‘Dá uma sensação de potencial desperdiçado’

No Brasil, agora é regra haver muita gente desempregada. Desde fevereiro de 2016, esse contingente nunca foi inferior a dez milhões
Carolina Nalim e Cássia Almeida
02/04/2021 - 04:30 / Atualizado em 02/04/2021 - 15:25
Crise prolongada deixa jovens num limbo, sem emprego e sem perspectivas Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo
Crise prolongada deixa jovens num limbo, sem emprego e sem perspectivas Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo

RIO —  Em plena recessão de 2016, quando a economia brasileira encolheu 3,3%, Shayenne dos Santos Monteiro se formou na Faculdade de Enfermagem. Mesmo com a pandemia, aos 28 anos, ainda não conseguiu trabalhar na profissão. Foi babá e cabeleireira, trabalho que vem mantendo, enquanto ainda tenta ser enfermeira, fazendo estágio não remunerado e capacitação:

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— Coloquei currículo em hospital de campanha e nada. De um tempo para cá, nem a rejeição chega. A gente faz o cadastro, nem a recusa enviam mais. Não dão conta de todos os currículos que chegam. Só entra com indicação, tem muita gente desempregada.

. Foto: Criação O Globo
. Foto: Criação O Globo

Um ano antes de Shayenne, Vinícius de Almeida, de 31 anos, formou-se em Relações Internacionais. Outro ano recessivo, quando o Produto Interno Bruto (PIB) retraiu 3,5%. E também nunca conseguiu trabalho na sua área. Fez mestrado, mas acabou desistindo da profissão. Hoje cursa Direito e estuda para concursos públicos:

— Tenho uma sensação de tempo perdido, investimento e potencialidades desperdiçadas. Quando terminei a faculdade foi trágico, os empregos desapareceram. Logo no mestrado vi que não tinha mais futuro, terminei com a única finalidade de utilizar o título para contar pontos para concurso — conta.

Ele continua:

— Queria dar alívio para os meus pais com as contas, poder sustentar uma família sem dificuldades, ter um imóvel ou poder alugar um. Tive que adiar muita coisa, até deixar de sonhar.

Longa procura

Há uma denominação para o efeito prolongado de uma recessão econômica no mercado de trabalho, diz Julia Braga, economista e professora da UFF. É histerese, termo roubado da física que, na economia, indica que, mesmo que o país cresça, o desemprego continuará alto por muito tempo.

— Para o jovem, gera-se um efeito permanente, na literatura chamado de cicatriz do desemprego. Esse efeito tende a impor na vida desse jovem outras reincidências de episódios de desemprego e uma penalidade salarial — diz Julia.

No Brasil, agora é regra haver muita gente desempregada. Desde fevereiro de 2016, esse contingente nunca foi inferior a dez milhões. Hoje, são 14 milhões, o dobro dos 7 milhões registrados em 2014, o melhor momento do mercado de trabalho recente.

Braulio Borges, economista da LCA Consultores e da Fundação Getulio Vargas (FGV), vem estudando esse fenômeno de desemprego elevado por muito tempo. No fim de 2019, 27,3% dos desempregados procuravam trabalho há dois anos ou mais.

No agregado do último trimestre daquele ano, o patamar chegou a 25%. Hoje, caiu um pouco, para 22,9%. Desde o primeiro trimestre de 2018, cerca de 3 milhões de pessoas buscam vaga há dois anos ou mais.

— Vamos perdendo capital. Muitas as habilidades são adquiridas pelas pessoas no ambiente de trabalho. Essas habilidades vão mudando o tempo todo. Hoje se ensina programação para as crianças. Há 15 anos, não eram todos que precisavam saber mexer no Excel. Essas habilidades mínimas exigidas vão se elevando, gerando uma massa de pessoas que depois não consegue se reinserir no mercado de trabalho.

No Brasil, agora é regra haver muita gente desempregada. Desde fevereiro de 2016, esse contingente nunca foi inferior a dez milhões Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo
No Brasil, agora é regra haver muita gente desempregada. Desde fevereiro de 2016, esse contingente nunca foi inferior a dez milhões Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

  O engenheiro elétrico Alex Pacheco, de 33 anos, terminou a faculdade em 2016. De lá para cá, foram quatro anos desempregado, ou com trabalho temporário de corretor de imóveis e alguns projetos na sua área. Foi chamado para um concurso na sua especialidade uma semana antes de estourar a pandemia, há um ano:

— Mesmo tendo iniciado um trabalho na área em que me formei, tenho certeza de que perdi uma década. Por ser do ramo de tecnologia, se você não está se atualizando o tempo todo, fica atrasado.

Esses três jovens entraram no mercado no meio de uma recessão, o que reduz as chances de encontrar emprego. Borges calcula que a taxa de desemprego de equilíbrio no Brasil é de 9,5%. Ela está acima de 10% desde o início de 2016 e agora superou 14%.

Duas crises seguidas

 Além disso, Pacheco se desencantou com a profissão:

— Hoje ganho metade do que um engenheiro do setor privado ganharia, não é nem o piso da profissão. E se for disputar uma vaga numa grande multinacional com um recém-formado, com certeza a preferência vai ser por este. Minha intenção é migrar para Direito e tentar carreira de magistratura ou promotoria.

Como explica Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, nunca, nos últimos 30, 40 anos, vivemos uma crise sem que a economia tivesse se recuperado da anterior:

— Entrar numa crise sem ter saído de outra aumenta o efeito histerese, esse desemprego estrutural, exatamente no momento em que há uma reconfiguração do mundo do trabalho,  com a quarta revolução industrial.

Julia chama atenção para o envelhecimento da população ocupada, que vem desde 2015, com queda no número de pessoas com menos de 40 anos.

— O tempo que o jovem permanece desempregado subiu na pandemia, e já havia aumentado na crise de 2015. Agora passamos por uma recessão de efeito duplo, porque além do impacto no PIB há mudanças como o trabalho remoto e a automatização.

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Reportagem: Kennedy Alencar - Guimarães é cotado para substituir Guedes; efeito Mourão conteve Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro ao lado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, durante visita à agência-barco da Caixa na Ilha do Marajó (PA) - Alan Santos/PR
Presidente Jair Bolsonaro ao lado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, durante visita à agência-barco da Caixa na Ilha do Marajó (PA) Imagem: Alan Santos/PR
Kennedy Alencar

Colunista do UOL

01/04/2021 19h53

Caso decida demitir Paulo Guedes do Ministério da Economia, o presidente Jair Bolsonaro tem um nome em primeiro lugar na lista de cotados para a substituição: Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal.

Com o andar da carruagem no governo, Guimarães soube contemplar interesses de Bolsonaro e tem pontes no Congresso. Seria um ministro que uniria confiança do presidente e apoio político.

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A desconfiança já tomou conta de Guedes. Ele acha que Guimarães é a cobra que ele próprio criou e que poderá picá-lo.

Perdeu terreno

Bolsonaro baixou a bola na relação com os militares da ativa depois de um aviso que levou em conta a história recente do Brasil. Se insistisse em humilhar mais Fernando Azevedo e Silva (ex-ministro da Defesa) e os comandantes da Três Forças que decidiram sair dos cargos nesta semana, o presidente poderia reforçar um movimento perigoso contra ele.

A ameaça ao presidente tem nome e sobrenome: Hamilton Mourão. A erosão de apoio militar a Bolsonaro é uma realidade. O gabinete do vice-presidente é local de romaria dos chorumes.

Vaga no Supremo

Com a iminente aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello, o presidente Jair Bolsonaro tem discutido nomes para a segunda indicação que fará para o Supremo Tribunal Federal.

Nesta semana, o primeiro da lista é o advogado-geral da União, André Mendonça, "terrivelmente evangélico" e leal ao presidente.

Depois, vem o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins, que tem bom trânsito com políticos e arregimentou apoio no entorno do presidente.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, também está no páreo. Mas Bolsonaro acha que seria cobrir um santo e descobrir outro. Não é fácil arrumar um engavetador-geral tão empenhado, como tem dado provas Aras em meio à pandemia.

João Otávio de Noronha, ministro do STJ e amigo dos filhos do presidente, continua lutando pela indicação ao Supremo. Mas está em quarto lugar na lista presidencial.

Sentimento conhecido

Cármen Lúcia justificou perante assessores o pulo que deu do barco da Lava Jato. Ela mudou o voto e endossou a decisão da Segunda Turma do STF que decretou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro nos casos que envolvem o ex-presidente Lula.

A ministra se disse "traída" pela bagunça que Moro e Deltan Dallagnol fizeram ao corromper a lei processual penal.

Cabeça de ponte

O novo ministro da Justiça, o delegado federal Anderson Torres, é visto por Bolsonaro como um canal para aumentar a influência do presidente nas polícias Civil e Militares dos Estados. Ex-secretário da Segurança Pública do Distrito Federal, Torres recebeu entusiasmado apoio da bancada da bala, sobretudo do ex-deputado federal Alberto Fraga, amigo de Bolsonaro.

Quem dá mais

O sentimento pró-Bolsonaro nas Polícias Militares tem levado alguns governadores a analisar com mais boa vontade as reivindicações de reajuste salarial da categoria.

Ciúme federal

A influência no governo exercida pelos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), está incomodando alguns filhos de Bolsonaro.

Preço a pagar

Do ponto de vista político-eleitoral, Ciro Gomes (PDT) jogou certo ao endossar um manifesto pró-Democracia com outros postulantes de direita à Presidência da República. É o caminho que restou com a volta de Lula ao jogo.

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