A MISSÃO DE LULA
Lula terá terceiro mandato e a missão de limpar a imagem do Brasil no mundo, diz Ascânio Seleme, do Globo

247 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltará ao poder, depois de ser reabilitado pelo Supremo Tribunal Federal, que anulou suas condenações e declarou o ex-juiz Sergio Moro parcial e suspeito.
Quem prevê é o jornalista Ascânio Seleme, um dos principais articulistas do jornal O Globo, em artigo publicado neste sábado.
"Ao confirmar a suspeição do ex-juiz Sergio Moro depois de tê-lo considerado incompetente para julgar Lula, o Supremo Tribunal Federal reabilitou política e moralmente o ex-presidente autorizando-o a se candidatar e muito provavelmente se eleger outra vez em 2022.
Não, não haverá tempo para que uma candidatura de centro ou centro-direita surja e cresça a ponto de superar Lula e conseguir vaga no segundo turno.
Apenas João Doria pode surpreender.
Luciano Huck ficou no espaço.
Luiz Mandetta não se consolidou.
Moro se dissolveu.
E os demais pré-candidatos que apareceram neste espectro eram apenas balões que nem sequer ensaiaram uma alternativa", escreve o jornalista.
"O cenário não deixa muita dúvida.
O desgaste de Bolsonaro, que deve seguir e ser ainda ampliado pela CPI da Covid, o debilitará política e eleitoralmente, mas dificilmente a ponto de tirá-lo do segundo turno", escreve Ascanio. "Ninguém, a não ser as forças mais retrógradas do país, quer dar mais um mandato ao capitão baderneiro. A experiência foi desastrosa politicamente e trágica do ponto de vista sanitário. O Brasil precisa recuperar sua saúde, sua economia, sua autoestima, o prestígio que um dia teve no mundo. Estes objetivos certamente seriam alcançados, em escalas diferentes, por Doria, Ciro ou Haddad. Os três são melhores, muito melhores do que Bolsonaro, sob qualquer ângulo que se olhe, e o derrotariam num segundo turno. Mas pelo que se desenhou com a decisão do STF, caberá a Lula a tarefa", finaliza.
Lula parte para o terceiro mandato
Ao confirmar a suspeição do ex-juiz Sergio Moro depois de tê-lo considerado incompetente para julgar Lula, o Supremo Tribunal Federal reabilitou política e moralmente o ex-presidente autorizando-o a se candidatar e muito provavelmente se eleger outra vez em 2022.
Não, não haverá tempo para que uma candidatura de centro ou centro-direita surja e cresça a ponto de superar Lula e conseguir vaga no segundo turno.
Apenas João Doria pode surpreender.
Luciano Huck ficou no espaço.
Luiz Mandetta não se consolidou.
Moro se dissolveu.
E os demais pré-candidatos que apareceram neste espectro eram apenas balões que nem sequer ensaiaram uma alternativa.
A centro-esquerda e esquerda tinham Fernando Haddad e Ciro Gomes.
Haddad é Lula.
Ciro não deve ser páreo para um Lula que volta revigorado pelo STF.
À direita o candidato será mesmo Bolsonaro?
Talvez sim. Talvez não.
A direita liberal pode encontrar em Lula argumentos para fugir do capitão que muito prometeu em 2018 e pouco entregou.
As reformas neste governo não avançaram.
Mesmo a reforma da Previdência, aprovada em 2019, foi muito mais mérito de Rodrigo Maia e da Câmara do que de Bolsonaro e do Palácio.
Além disso, as constantes ameaças às instituições atrapalham o capitão muito mais do que o ajudam.
O presidente ficará com a extrema-direita, isso com certeza.
Neste espaço, só resta ele.
Trata-se de uma área tão árida do campo que somente olavistas convictos e puxa-sacos rematados conseguem por ela transitar à vontade.
Com eles seguirá parte do eleitorado que se enrola em bandeiras do Brasil e pede o fechamento do Congresso, do Supremo.
São minoria, mais velhos e saudosistas ou mais ignorantes e menos informados.
Serão acompanhados também pelos que ainda olham para Lula e para o PT e só enxergam corrupção.
São muitos, mas as pesquisas revelam que a maioria já percebeu que a alternativa é pior.
O cenário não deixa muita dúvida.
O desgaste de Bolsonaro, que deve seguir e ser ainda ampliado pela CPI da Covid, o debilitará política e eleitoralmente, mas dificilmente a ponto de tirá-lo do segundo turno.
Esta talvez seja a única forma de Lula não conquistar um terceiro mandato.
Se houver um segundo turno entre ele e qualquer outro candidato que não seja o capitão, suas chances de vencer diminuem muito.
Como é pouco provável que isso ocorra, Lula e Bolsonaro deverão ir para o segundo turno.
E aí, antes de dizer com quem vai o eleitor, é importante observar como se guiarão as forças políticas, os partidos e seus líderes.
Mesmo os partidos que hoje apoiam o governo no Congresso terão de fazer cálculos para decidir com que seguir num segundo turno entre os dois.
Se Bolsonaro não estiver muito isolado em 2022, talvez tenha uma meia dúzia de partidos coligados em sua campanha.
Mas nesta contabilidade, não se pode dar por certo nem mesmo o apoio do PSL, que só existe por obra do presidente.
O Centrão, de DEM, PP, MDB e outros, sabe muito bem para qual canoa deve pular se a sua estiver fazendo água.
E a canoa de Lula já abrigou o Centrão antes.
Os partidos que formam esta amálgama podem se dividir até o limite do primeiro turno, depois seguem com quem for vencer.
À esquerda, nenhuma dúvida.
Talvez Ciro Gomes viaje outra vez a Paris, como já disse que fará na hipótese de ter como opção o PT.
Ciro vai, mas o seu partido, o PDT, fica.
Seus eleitores também, ou alguém imagina que na ausência de Ciro pedetistas votarão por descuido em Bolsonaro?
Os demais partidos que contam, PSOL, PSB, Rede, PCdoB, devem ir com Lula já no primeiro turno.
Os demais desaguarão no PT em seguida.
Mesmo que Doria anteveja um provável fracasso e prefira disputar um segundo mandato em São Paulo, o PSDB deve ter candidato próprio.
Mas no segundo turno não piscará ao emprestar seu apoio à Lula contra Bolsonaro.
Ninguém, a não ser as forças mais retrógradas do país, quer dar mais um mandato ao capitão baderneiro.
A experiência foi desastrosa politicamente e trágica do ponto de vista sanitário.
O Brasil precisa recuperar sua saúde, sua economia, sua autoestima, o prestígio que um dia teve no mundo.
Estes objetivos certamente seriam alcançados, em escalas diferentes, por Doria, Ciro ou Haddad.
Os três são melhores, muito melhores do que Bolsonaro, sob qualquer ângulo que se olhe, e o derrotariam num segundo turno.
Mas pelo que se desenhou com a decisão do STF, caberá a Lula a tarefa.
A BELEZA DA CPI
Há muitos céticos quanto ao resultado da CPI da Covid.
Tantas deram em nada e a coisa agora pode ir pelo mesmo caminho, dizem.
Acho que esta não, sobretudo porque o objeto da investigação são os inequívocos malfeitos do presidente e de ministros.
As que ficaram no caminho, até sem relatório final, não tinham a gravidade desta.
Mesmo que fique menor do que o esperado, a beleza desta CPI é a abundância de luz que ela jogará sobre a tragédia patrocinada pelo governo Bolsonaro.
De terça-feira em diante este será o assunto número 1 do país.
Os olhos da Nação estarão virados para o Senado.
A exposição sobre os membros da comissão será de uma grandeza solar.
Qualquer bobagem será anotada.
Todos os acertos serão contabilizados.
A CPI é política. Seus membros também.
O QUERIDINHO
Engana bem o general Braga Netto.
No período em que comandou as forças de intervenção no Rio, em 2018, foi tratado como o queridinho da cidade por empresários, políticos e mesmo alguns jornalistas.
Braga já tinha feito amigos civis em 2016, quando chefiou a segurança da Olimpíada.
Aos olhos de muitos parecia um general arejado, moderno, gente dos novos tempos.
Bobagem, aquilo era apenas uma fantasia que o general usou temporariamente no lugar da farda.
RESPEITO É BOM
O ex-queridinho disse no nefasto discurso feito na posse do novo comandante do Exército que “o projeto escolhido pelos brasileiros merece respeito”.
Boa general, correto.
O problema é que o projeto escolhido foi abandonado pelo governo que radicalizou para atender apenas aquela parcela de malucos embandeirados que vão para a rua pedir a intervenção militar.
Para que serviriam os ditados se não houvessem verborragias como esta do general?
Por isso, caro Braga Netto, “não merece respeito quem não se dá ao respeito”.
LIBERDADE
Além da ameaça dissimulada à CPI da Covid, o general Braga Netto voltou a falar em liberdade.
Disse estarem enganados os que acreditam que podem “colocar em risco a liberdade conquistada por nossa Nação”.
Se não tivesse outro destino, diria que a mensagem de Braga foi acertada, já que o Brasil não está disposto a devolver a liberdade que conquistou quando se livrou de outros generais que tomaram o poder pela força.
DOUTOR ZERINHO
Flávio Bolsonaro botou banca. Vai advogar no Distrito Federal. Uma maravilha, gente. Seu primeiro cliente poderia ser a rede LavLev, que em Brasília tem filiais na Asa Norte, no Sudoeste, na Octogonal e no Cruzeiro.
MARINA E A PERERECA
Lula tem razão.
Ele e Gleisi assinaram artigo na “Folha” mostrando sua preocupação com o meio ambiente e batendo na política criminosa de Bolsonaro para o setor.
Mas é bom não esquecer que o maior ícone ambientalista nacional, a ex-senadora Marina Silva, pediu demissão do Ministério do Meio Ambiente no governo Lula por falta de “sustentação política” para tocar sua pauta.
Também não custa lembrar que Lula sempre se queixou da “poderosa máquina de fiscalização” ambiental.
Por isso disse, no longínquo 2010, que o Brasil não podia “ficar a serviço de uma perereca”.
Criticava a paralisação das obras do Arco Metropolitano do Rio em favor da preservação de um anfíbio que habitava um charco por onde passaria a estrada.
BLABLABLÁ
De qualquer modo, não dá para comparar os pecados ambientais de Lula com os crimes que os vilões mentirosos Jair Bolsonaro e Ricardo Salles cometem diariamente contra o meio ambiente brasileiro.
Por isso, aliás, pouca gente levou a sério o discurso hipócrita do presidente na Cúpula do Clima.
Na prática, o governo faz exatamente o contrário do blablablá pronunciado.
Anitta tem razão, difícil explicar no exterior esse que ela chamou de “desgoverno de bosta”.
CHAUVIN
Se o assassinato de um homem negro por sufocamento tivesse sido cometido no Brasil há um ano, o policial Derek Chauvin a esta altura já estaria de volta à ativa ou, no máximo, cumprindo alguma função burocrática numa delegacia ou num quartel.
Logo após o crime, sobretudo se ele tivesse sido filmado, Chauvin seria afastado das ruas e mantido em casa ou detido no quartel, mas com remuneração garantida.
Mesmo que a nossa BONDOSA JUSTIÇA visse dolo na ação do policial, se o assassino tivesse bons advogados, usaria os inúmeros recursos disponíveis e permaneceria NA BOA ATÉ O CRIME PRESCREVER.
QUESTÃO DE AGENDA
Ernesto Araújo alegou ter um “compromisso inadiável” para não participar de uma live organizada na quarta-feira por OLAVISTAS NOTÁVEIS, se é que isso existe. Talvez tivesse que buscar um filho no colégio ou restaurar uma obturação. Fora isso, agenda vazia.
NÃO MANDA NADA
Em razão de nota publicada aqui na semana passada, o presidente executivo da Fetranspor, Armando Guerra, ligou para explicar que a entidade não manda patavina nenhuma na desordem do setor no Rio. Se mandasse, 20 empresas não teriam fechado as portas entre março e dezembro do ano passado, não teria havido R$ 2,8 bi em perda de receitas e R$ 1,5 bi de prejuízos no mesmo período.
A estupidez triunfante
Entre a classe política é fácil encontrar canalhas. Já os canalhas explícitos são relativamente raros. Canalha explícito é aquele cara de uma incompetência tão aperfeiçoada que nem sequer consegue disfarçar a maldade. Entre estes, se destaca uma sub-classe: o canalha explícito absoluto. O canalha explícito absoluto não só não consegue mentir, como acredita genuinamente que as suas ideias horríveis são ótimas. Assim, ao invés de as tentar esconder, esforça-se por divulgá-las. Basta lembrar Donald Trump encorajando os americanos a ingerirem lixívia, ou Jair Bolsonaro promovendo o livre comércio de armas de fogo.
Por estranho que pareça, ideias horríveis sempre encontram quem se identifique com elas. Em qualquer país do mundo, pelo menos dez por cento da população está disposta a defender projetos e ações indefensáveis. Quaisquer que sejam: pena de morte, segregação racial, pedofilia, canibalismo, Romero Britto ou até mesmo o bacalhau com natas.
Os canalhas explícitos absolutos conseguem por vezes alcançar o poder porque as pessoas normais não acreditam que eles acreditem no que afirmam acreditar: “Quando fulano defende o canibalismo não está a defender o canibalismo”, explicam, para justificar porque decidiram votar em fulano. “Fulano está apenas a afrontar o politicamente correto. Só diz isso para irritar os veganos. Votei nele porque adoro irritar os veganos.”
Desastrosa ingenuidade. Acontece que, ao elogiar o canibalismo, fulano estava mesmo defendendo o direito de pessoas comerem outras pessoas. Assim, mal alcança o poder, a primeira coisa que fulano faz é legalizar o canibalismo. A seguir, dentro da mais estrita legalidade, almoça os inimigos entre duas cervejas. Mais tarde, ao jantar, de terno e gravata, degusta educadamente as queridas pessoas normais.
As queridas pessoas normais estão fartas dos políticos de sempre. Querem sinceridade. Exigem dos políticos que digam a verdade. É como esperar que, num restaurante, questionando o proprietário sobre a qualidade do peixe, este nos alerte, muito sério, para as condições precárias em que o prato foi confeccionado, concluindo: “Eu jamais comeria aqui”. Imaginemos agora que o proprietário do restaurante seja um canalha explícito absoluto. Nesse caso, exaltará alegremente os defeitos do peixe. Ainda assim, haverá quem escolha o restaurante, fascinado com a rude franqueza do proprietário.
Canalhas explícitos absolutos sempre existiram. Não há nada de inédito na estupidez triunfante. A única novidade é que hoje, graças à internet e às redes sociais, é muito mais fácil propagar ideias idiotas. Vídeos bobos, por exemplo, são o quindim das redes sociais. A gente sabe que aquilo nos faz mal, mas fica difícil resistir. E, depois da primeira trinca, não há como não ir até ao fim. Sei do que falo: outro dia perdi uma hora assistindo a vídeos de gatos pulando de susto diante de pepinos. Eu e minha filha de três anos.
Não sei se a Humanidade está ficando menos inteligente, como asseguram diversos estudos, ou se temos essa sensação apenas porque a estupidez agora é televisionada.
E lá vou eu ver os vídeos dos gatos.
Com décadas de atraso, EUA reconhecem Genocídio Armênio | Guga Chacra - O Globo

Ao reconhecer o Genocídio Armênio, Joe Biden corrige um erro de seus antecessores que, ao longo de mais de um século, não fizeram o reconhecimento deste crime contra a Humanidade. Era uma vergonha a posição de sucessivos presidentes americanos que, antes de chegarem à Casa Branca, condenavam a atrocidade, mas se calavam quando assumiam o poder. O medo sempre foi o de irritar a Turquia, que não assume que o genocídio ocorreu.
O não reconhecimento do Genocídio Armênio equivale a não reconhecer o Holocausto. E veja como condenamos corretamente aqueles que questionam o genocídio de 6 milhões de judeus em escala industrial pelo regime nazista. Afinal, centenas de milhares (entre 800 mil e 1,5 milhão) de armênios foram mortos pelas forças otomanas durante a Primeira Guerra Mundial. Os que se salvaram tiveram de buscar refúgio no que hoje é a Síria e o Líbano. Parte deles posteriormente emigraria para a América junto com sírios e libaneses. A presença deles na região da Anatólia foi eliminada em uma limpeza étnica. O país Armênia existe, mas era a porção integrante do Império Russo, não do Otomano.
O temor em reconhecer o Genocídio Armênio se deve, em teoria, à importância geopolítica da Turquia, integrante da Otan, além de ter fronteira com o Irã, Iraque, Síria, União Europeia e países da ex-URSS (Azerbaijão, Armênia e Geórgia). Ainda assim, os EUA poderiam ter feito o reconhecimento. Argentina, Líbano, Síria, Canadá e França reconhecem o genocídio há anos e mesmo assim mantiveram relações com Ancara. Trump, Obama, Bush, Clinton, Bush pai, Reagan, Carter, Ford e Nixon foram covardes.
Imaginem se a Alemanha não reconhecesse o Holocausto ou o Porajmos (Genocídio dos Ciganos, como são conhecidos os roma)? Imaginem se os presidentes americanos não reconhecessem o genocídio dos judeus na Segunda Guerra? É literalmente o que acontecia em relação aos armênios até este sábado, 24 de abril, que é data que marca ao redor do mundo o genocídio dos armênios.
Os armênios são um povo levantino, como os judeus, os cristãos grego-ortodoxos e os muçulmanos sunitas.
Além de suas vilas na Anatólia e na região de Ierevan (atual Armênia), sempre viveram em grandes cidades do Levante, como Istambul, Izmir, Beirute, Aleppo, Damasco, Jerusalém (onde possuem um dos quatro quadriláteros da Cidade Antiga, ao lado dos judaico, cristão e muçulmano) e Alexandria. É um povo com milênios de História e um dos primeiros a adotar o cristianismo. Em sua imensa maioria, seguem a Igreja Apostólica Armênia, que é autocéfala. Há uma minoria que entrou em comunhão com o Vaticano e são conhecidos como armênios católicos.
O genocídio marcou toda a comunidade armênia.
Basta conversar com armênios na diáspora, hoje espalhada por EUA, Brasil, Argentina e França.
Todos terão um parente próximo morto pelas forças otomanas.
Era óbvio que Recep Tayyp Erdogan ficaria contrariado com o reconhecimento.
Mas a postura do líder turco não pode servir de justificativa para covardia.
Brasil perde com maioria contrária a Moro no Supremo | Opinião - O Globo

‘Vossa excelência perdeu’, disse o ministro Gilmar Mendes ao colega Luís Roberto Barroso no bate-boca constrangedor na sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, ao reunir votos suficientes para confirmar a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro numa das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na prática representa o sepultamento da Operação Lava-Jato.
Gilmar está certo: Barroso perdeu. Mas quem venceu não foram Gilmar e os seis ministros que votaram com ele na sessão encerrada em tumulto na quinta-feira, sem a proclamação do resultado. Quem venceu foram, além obviamente de Lula, todos os demais 174 condenados em virtude das 179 ações penais deflagradas pela força-tarefa da Lava-Jato no Paraná, assim como os réus daquelas ainda não julgadas.
Todo o edifício jurídico de provas e denúncias elaboradas pela Lava-Jato, as dezenas de delações e acordos de leniência assinados, as confissões, os R$ 14,8 bilhões em multas, os R$ 4,3 bilhões devolvidos aos cofres públicos, as penas de prisão cumpridas — tudo agora estará sujeito a revisão, mediante a conclusão, referendada no plenário do STF, de que a relação de Moro com os procuradores era espúria.
Mesmo que depois se venha a dizer que a suspeição valia apenas para Lula, ela se tornará um argumento poderoso na mão da legião de advogados de defesa, especializados nas duas manobras que garantem a impunidade no Brasil: a anulação de provas e a protelação de processos até a prescrição dos crimes. É a mesma legião que, sob o argumento de defender o Estado de Direito, se transformou num lobby articulado em favor das chicanas judiciais que fazem do Brasil terreno fértil para corrupção.
As condenações de Lula, proferidas depois de investigação e denúncia que produziram provas eloquentes — entre elas, a confissão do próprio empreiteiro que lhe deu de presente a obra no triplex no Guarujá —, foram confirmadas em duas instâncias e no STJ por dez juízes diferentes. Soçobraram por uma dessas tecnicalidades em que os advogados são especialistas: quase cinco anos depois da denúncia, o ministro Edson Fachin decidiu que Lula não poderia ter sido julgado em Curitiba. Era uma tentativa de evitar o exame da parcialidade de Moro na Segunda Turma do Supremo, que poderia fazer desmoronar todo o resto da Lava-Jato.
A manobra de Fachin não funcionou. Depois de ter segurado por dois anos seu voto sobre a parcialidade, em poucas horas Gilmar levou-o à turma e, numa votação expressa, Moro foi declarado suspeito. No plenário, formou-se quinta-feira maioria para confirmar a decisão. Só não foi confirmada porque, em meio ao bate-boca, o presidente do STF, Luiz Fux, decidiu dar a sessão por encerrada, enquanto o ministro Marco Aurélio encetava pedir vista.
Pode até haver motivos jurídicos para justificar a decisão tomada pelo plenário. Mas, no mundo real, longe do universo estéril das discussões acadêmicas, o efeito está claro: como seu principal símbolo, a Lava-Jato acabou. A operação que pela primeira vez levou para trás das grades empresários e políticos do mais alto escalão virou história. Com ela, o país desperdiçou uma oportunidade de amadurecimento institucional, uma possibilidade de substituir a impunidade e o capitalismo de compadrio seculares por um ambiente de negócios mais justo, mais maduro e mais eficiente. Quem perdeu não foi só Barroso, como afirmou Gilmar. Quem perdeu foi o Brasil.
Moro termina na lata de lixo da História, diz Cristina Serra

247 – A jornalista Cristina Serra, uma das principais articulistas da Folha de S. Paulo, afirma que o ex-juiz Sergio Moro, condenado por parcialidade e suspeição pelo Supremo Tribunal Federal, e apontado por reportagem do Le Monde como um personagem que traiu o Brasil atuou a serviço dos Estados Unidos, terminará seus dias na lata de lixo da história, em artigo publicado neste sábado.
"A Vaza Jato mostrou que o ex-juiz Sergio Moro sugeriu pistas, informantes e estratégias aos procuradores da Lava Jato, ou seja, tramou fora dos autos como chefe da investigação. Violou o direito básico do réu a um juiz imparcial e desprezou o código de ética da magistratura", escreve Cristina.
"O ex-presidente Lula, impedido por Moro de concorrer em 2018, está livre para disputar em 2022. E Moro irá para o lugar reservado aos canalhas: a lata de lixo da história", finaliza.
Viúva de Moro, Globo diz que Lava Jato acabou, após derrota do ex-juiz no STF
Jornal da família Marinho lamenta derrota do ex-juiz parcial e suspeito no Supremo Tribunal Federal

247 – O jornal O Globo, dos irmãos Marinho, publicou editorial neste sábado, em que lamenta a derrota do ex-juiz Sergio Moro, condenado por parcialidade e suspeição na perseguição empreendida contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi mantido como preso político durante 580 dias para que não pudesse disputar e vencer as eleições presidenciais de 2018.
"Pode até haver motivos jurídicos para justificar a decisão tomada pelo plenário. Mas, no mundo real, longe do universo estéril das discussões acadêmicas, o efeito está claro: como seu principal símbolo, a Lava-Jato acabou. A operação que pela primeira vez levou para trás das grades empresários e políticos do mais alto escalão virou história. Com ela, o país desperdiçou uma oportunidade de amadurecimento institucional, uma possibilidade de substituir a impunidade e o capitalismo de compadrio seculares por um ambiente de negócios mais justo, mais maduro e mais eficiente. Quem perdeu não foi só Barroso, como afirmou Gilmar. Quem perdeu foi o Brasil", escreveu o editorialista.
No entanto, a despeito da posição do Globo, reportagem do Le Monde aponta Moro como um personagem que traiu o Brasil atuou a serviço dos Estados Unidos.
"Editorial do Globo mente e desinforma", diz Marco Aurelio de Carvalho, coordenador do Prerrogativas
Uma vez mais, o editorial do Globo mente e desinforma .
Os efeitos do julgamento que confirmou a constrangedora e criminosa suspeição do ex-juiz Sérgio Moro apenas recairão sobre os processos que envolvem o ex-presidente Lula.
A referida decisão foi uma demonstração de vitalidade das nossas instituições e da capacidade de reacreditação do nosso Sistema de Justiça.
O jornal O Globo colaborou de forma decisiva para que alguns agentes do Estado, coordenados por um “juiz-herói”, corrompessem regras básicas do nosso Estado de Direito.
Aplaudidos pelos colunistas-torcedores do Jornal, os “meninos dourados” de Curitiba ( Deltan e cia… ) , violaram a paridade de armas, o direito de defesa, as regras de competência, inúmeros vetores éticos e o devido processo legal de um modo geral.
O editorial lança, também, uma grave acusação ao Ministro Fachin, acusando-o de agir estrategicamente para obter determinado resultado.
Grave e muito preocupante!
Fica a lição de que o direito pode até ser um instrumento de poder, mas é também um poderoso instrumento de Justiça!
O Globo confirma, definitivamente, que os que não sabem perder não merecem ganhar…
A propósito, abaixo segue a nota oficial do Grupo Prerrogativas sobre a votação da última quinta-feira:
O grupo Prerrogativas, composto por juristas, professores e professoras do direito, advogadas e advogadas, acompanhou com atenção a sessão de julgamento do plenário do STF desta quinta (22/4/2021), na qual formou-se maioria de sete votos a dois em prol da confirmação da decisão da 2ª Turma do Tribunal que havia proclamado, em 23/3/2021, a parcialidade/suspeição do então juiz Sergio Moro ao processar, julgar e condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 13ª Vara Criminal de Curitiba.
Para os integrantes do grupo Prerrogativas, os pronunciamentos majoritários dos ministros na sessão de ontem concretizaram um significativo ponto de inflexão no sentido da recuperação plena da missão institucional do Supremo como guardião da Constituição da República, sobretudo no que se refere à defesa da integridade dos direitos fundamentais nela inscritos. O plenário da Corte também cuidou de resguardar a integridade das normas procedimentais, ao promover a conservação da competência regimental de uma de suas Turmas. A decisão de ontem sinaliza que o processo judicial não é um vale-tudo, em que se admitam manobras desatinadas para impor determinados pontos de vista. O plenário do STF emitiu, assim, uma mensagem nítida em favor do devido processo legal.
Outra observação relevante que se extrai dessa sessão de julgamento do plenário do STF é o isolamento a que foi submetida uma minoritária tentativa de converter o debate jurídico num espetáculo canhestro de irresponsável politização. Não parece haver no Supremo mais espaço significativo para esse tipo de desvio, fundado na retórica sensacionalista que persegue adversários e concebe a sobrevivência de falsos heróis.
Enquanto a maioria dos ministros e ministras ontem primou pela apreciação estritamente técnica e fundamentada em normas jurídicas, houve quem desbordasse completamente desses limites. Em nada contribui para o aperfeiçoamento das instituições o recurso exasperado da corrente vencida e dos seus apoiadores a argumentos estranhos ao critério jurídico, muito menos o uso lastimável de investidas contra a integridade e a honradez dos ministros e ministras vencedores, que exercitaram seu encargo com absoluto compromisso e altivez.
Ao ratificar a anulação de abusos judiciais praticados por um juiz suspeito, a maioria do plenário do STF não arreda um milímetro da observância do princípio da moralidade. Ao contrário, o aplica de modo acertado. Nisso não há debilitação do combate à corrupção, antes o seu fortalecimento, com o expurgo de inaceitáveis desvios ilegais.
O ocaso da Operação Lava Jato descortina a trilha insensata percorrida por seus protagonistas que, associados de maneira irregular e clandestina ao juiz da causa, converteram a sua atuação num obstinado complô persecutório de inspiração política. Os procuradores da Lava Jato e o então juiz Moro consideravam-se acima das normas legais, como se fossem agentes de uma cruzada moralizante. E nessa condição, com apoio midiático incondicional, cometeram toda sorte de excessos e abusos, especialmente contra o alvo preferencial e simbólico que elegeram: o ex-presidente Lula.
Na sessão de ontem, a maioria do plenário do Supremo emitiu uma resposta contundente ante tais deformações institucionais patrocinadas pela Lava Jato. Ministros e ministras que votaram para confirmar a odiosa parcialidade de Sergio Moro como julgador de Lula, devidamente assentada no veredito regular da 2ª Turma do Tribunal, rejeitaram o expediente tentador e falacioso do moralismo prepotente. E contestaram de forma cabal a ilação desonesta de que estariam a corroborar atos de corrupção, ao cumprir a sua elevada tarefa de julgar de acordo com o Direito e proteger regras legais e a prevalência da Constituição.
Com a decisão de ontem, pode-se afirmar que a maioria dos integrantes do STF delimitou adequadamente a sua missão, ao prestigiar a estabilidade procedimental e os valores de sobriedade, prudência e equilíbrio no exercício da função judicial, superando deploráveis esforços de subversão do papel da Corte, que ainda insistem em submetê-la a desígnios oportunistas, fomentados pela manipulação midiática.
Bolsonaro corta verba para o Meio Ambiente no dia seguinte à promessa de dobrar orçamento

Não durou um dia a promessa feita por Jair Bolsonaro e o ministro do meio Ambiente, Ricardo Salles, de dobrar o orçamento do governo para investir no combate ao desmatamento na Amazônia. O compromisso, destacado na manhã da quinta-feira no discurso do presidente aos líderes estrangeiros na Cúpula do Clima, foi descumprido à noite, com a sanção do Orçamento de 2021.
"Apesar das limitações orçamentárias do governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados às ações de fiscalização", disse Bolsonaro.
“Com relação ao orçamento, o número preciso não é possível estabelecer agora, porque justamente nessa semana se está definindo o Orçamento junto ao Congresso Nacional. Porém, o que é possível dizer, é que o que houver de disponibilidade, o presidente vai dobrar o recurso”, afirmou.
Nesta sexta-feira, porém, a realidade se impôs. Segundo levantamento do Instituto Nacional de Orçamentos Públicos sobre as rubricas da peça orçamentária, o corte de recursos no ministério de Ricardo Salles foi R$ 240 milhões de reais, ou 35% do total programado inicialmente para a pasta a título de despesas discricionárias. Até verba carimbada para o combate ao desmatamento foi vítima da tesoura.
As ações de controle e fiscalização ambiental, conduzidas pelo Ibama e pelo ICMBio, perderam R$ 11,6 milhões na tesourada. A rubrica "prevenção e o controle de incêndios florestais em áreas federais prioritárias" ficou com menos R$ 6 milhões.
O monitoramento da cobertura da terra e risco de queimadas e incêndios florestais, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, sofreu um corte de R$ 10,152 milhões em seu orçamento deste ano.
Na entrevista coletiva em que apresentaram o orçamento em detalhes, os técnicos do ministério da Economia se empenharam em ressaltar o fato de que nenhum recurso do Meio Ambiente foi bloqueado. Mas não comentaram os cortes.
George Soares, secretário de Orçamento, disse apenas que "qualquer necessidade do ministério será apresentada à Junta Orçamentária, e aí terá que ser feita uma suplementação, retirando é claro de outro (ministério ou programa)".
Até agora, o Ministério do Meio Ambiente não comentou.
Os cortes fazem parte do pacote preparado por Ministério da Economia e Casa Civil para consertar o Orçamento de 2021, que chegou às mãos de Jair Bolsonaro “inexequível” e com um estouro no teto de gastos de cerca de R$ 30 bilhões.
Na mesma peça, Bittar cortou despesas obrigatórias com a Previdência Social e incluiu R$ 29 bilhões em emendas parlamentares sob responsabilidade do relator, o que gerou um impasse: ou vetava o texto, provocando o Congresso, ou mantinha o texto como estava, correndo o risco de sofrer um processo de impeachment por crime de responsabilidade.
A necessidade de fazer cortes motivou uma batalha dentro do governo: de um lado, Guedes querendo cortar tudo. De outro, líderes do Congresso e os chamados "ministros políticos", defendendo a manutenção das emendas.
Depois de três semanas de negociações, Bolsonaro retirou do Orçamento despesas de R$ 29,8 bilhões, o que recompõe o pagamento das despesas obrigatórias com Previdência e benefícios sociais.
Além do Meio Ambiente, outros ministérios sofreram cortes importantes, como Desenvolvimento Regional, Infraestrutura, Saúde, Defesa e Educação. Outras emendas parlamentares também entraram na tesourada, o que pode gerar novo estresse com o Congresso.
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Crematórios lotados sugerem grave subnotificação de mortes por Covid-19 na Índia

As imagens que surgiram essa semana nas televisões indianas pareciam ter sido tiradas de um filme de horror: crematórios em cidades de todos os portes da nação de 1,3 bilhão de habitantes funcionando 24 horas por dia, cremando milhares de corpos de vítimas da Covid-19, em uma representação trágica da segunda onda da pandemia. A Índia registra 16,2 milhões de infecções, com uma média móvel de infecções diárias acima de 200 mil há uma semana.
Contudo, chama a atenção o número de óbitos por Covid-19 confirmados diante de tantas infecções: 186 mil, desde o início da pandemia. Para efeito de comparação, a Índia tem uma média móvel de 281,7 mil novos casos diários confirmados - quatro vezes maior que o Brasil, com 60,2 mil. Sua média móvel de mortes diárias, no entanto, representa 70% da brasileira: 1.802 contra 2.579.
Essa questão foi levantada ainda em setembro do ano passado em artigo na revista Lancet, quando pesquisadores apontaram para o baixo índice de confirmações médicas da causa da morte, não apenas em casos de Covid-19, mas de forma geral.
— Entre os óbitos confirmados no sistema de registro civil, apenas 22% foram certificadas por um médico e apontam a causa da morte —declarou ao Lancet Giridhara Babu, epidemiologista na Fundação de Saúde Pública da Índia.
Na época, a Índia registrava 3,6 milhões de casos e 65 mil mortes, sendo que 65% dos óbitos vinham de apenas quatro estados, Maharashtra, Tamil Nadu, Karnataka e Delhi, onde todas as mortes são certificadas por um médico. Por outro lado, algumas regiões não apresentavam qualquer caso confirmado.
Essa disparidade aparece ainda na comparação entre o total de mortes por Covid-19 e o número de cremações — em algumas áreas, como na cidade de Jamnagar, no estado de Gujarat, há 100 vezes mais cremações por coronavírus relatadas do que óbitos oficiais pela doença, como mostrou levantamento feito pelo Financial Times.

O jornal também mostra que, entre seis cidades de quatro estados — Gujarat, Uttar Pradesh, Madhya Pradesh e Bihar —, pelo menos 1.833 pessoas morreram de Covid-19 nos últimos dias com base nos dados de cremações, mas só 228 (12,4%) foram oficialmente contabilizadas no mesmo período.
Outro fator apontado é a qualidade dos testes, que dificulta uma comparação nacional dos cenários regionais. À revista Lancet, Rijo John, analista de saúde pública no Centro de Pesquisas de Políticas Públicas em Kerala, destacou a disparidade entre os modelos, incluindo alguns conhecidos pela grande quantidade de “falsos negativos”.
— Tudo é muito obscuro. Parece que ninguém entende a situação de maneira clara, e isso incomoda muito — afirmou a professora de bioestatística e epidemiologia na Universidade de Michigan Bhramar Mukherjee, à Reuters.
Segundo pesquisa realizada por ela sobre a primeira onda da doença, o número real de casos na Índia foi 11 vezes maior do que os números oficiais. Sobre os óbitos, até cinco vezes maior, uma tendência que parece se repetir agora.
'É difícil olhar'
Desde fevereiro, especialistas e autoridades da saúde alertam para a iminência de uma segunda onda. Ao mesmo tempo, o governo federal não parecia tão preocupado.
— Estamos na fase final da pandemia da Covid-19 na Índia, e para termos sucesso nesta etapa precisamos seguir três passos: manter a política longe da Covid-19, acreditar na ciência por trás das vacinas da Covid-19 e garantir que nossos entes queridos sejam vacinados na hora — declarou o ministro da Saúde, Harsh Vardham, sem fazer qualquer menção a práticas de distanciamento social ou sobre um eventual lockdown.
A declaração veio no dia 7 de março, quando a Índia registrava 18 mil casos diários — cerca de seis semanas depois, o cenário era bem diferente. Com mais de 300 mil infecções por dia, o sistema de saúde indiano entrou em colapso, com falta de insumos básicos, como oxigênio. As filas de espera para vagas em UTIs e enfermarias aumentam a cada dia, e as autoridades sanitárias dos locais mais atingidos, como a capital, Nova Delhi, foram obrigadas a ampliar a capacidade dos crematórios.
Jitender Singh Shunty, que dirige uma clínica em Delhi, disse que 60 corpos foram cremados em um só dia, e ainda havia 15 outros esperando.
— Crianças que tinham 5 anos, 15 anos, 25 anos sendo cremadas. Recém-casados sendo cremados. É difícil olhar — declarou Shunty à Reuters, em palavras que se repetem pelo país e que aumentam as questões em torno dos números reais da pandemia e do papel do governo central na crise.
Para analistas, as ações (ou a falta delas) por parte do premier Narendra Modi foram determinantes para que a segunda onda atingisse o país com tanta força. Sem defender medidas duras e nacionais, como um lockdown, Modi não atuou para evitar grandes aglomerações, como em festivais religiosos e mesmo comícios de seu partido, ou mesmo para defender o uso de máscaras.
Palavras como a do ministro Vardham contribuíram ainda para passar a ideia de que a pandemia estava no fim, e a população foi deixando os cuidados de lado. O ritmo de vacinação também se mostra mais lento do que o ideal, ampliando uma crise que deve ter impactos políticos ao premier.
— O primeiro ministro é o responsável. Ele não fez nada para parar a Covid nem deixou outras pessoas fazerem algo para pará-la — declarou à CNN Mamata Banerjee, ministra-chefe no estado de Bengala Ocidental. Ela defende abertamente a renúncia de Narendra Modi.
O país, que está entre os maiores produtores mundiais de imunizantes, já vacinou 113,5 milhões de pessoas com a primeira dose e é o terceiro país do mundo em números absolutos de doses administradas na população. Mas o país fica atrás inclusive do Brasil na proporção da população que tomou ao menos uma dose, 8,23%. Na segunda-feira, o governo anunciou que todas as pessoas acima de 18 anos estarão elegíveis para receber a primeira dose a partir do dia 1º de maio.
Em janeiro, a Índia começou a enviar imunizantes para países estrangeiros como parte de sua muito alardeada "diplomacia de vacinas". Agora, diante do aumento de casos, o país suspendeu temporariamente todas as exportações da AstraZeneca Oxford e permitiu a importação de vacinas estrangeiras. O Instituto Serum, o maior produtor indiano, pediu aos EUA que permitam a exportação de matérias-primas de vacinas para aumentar sua produção.
Após descoberta de nova variante da Covid-19 na Índia, Alemanha e Irã restringem viagens ao país

Sputnik - Autoridades da Alemanha e do Irã anunciaram limitações temporárias no tráfego de passageiros com a Índia, onde uma nova variante do vírus SARS-CoV-2, com mutação tripla, foi descoberta no início desta semana.
A decisão dos dois países vem em meio ao avanço acelerado da Covid-19 na Índia. Nas últimas semanas, o país tem relatado uma explosão do número de casos diários da doença. Apenas na sexta-feira (23), mais de 346 mil novos casos de Covid-19 foram confirmados no país asiático. A piora instalou um caos hospitalar no país, incluindo a escassez de oxigênio para pacientes em diversas regiões.
Na quarta-feira (21), uma variante do vírus, denominada B.1.618, foi descoberta no estado indiano de Bengala Ocidental, no leste da Índia, aumentando ainda mais a preocupação das autoridades com a atual situação da pandemia no país.
Em reação, neste sábado (24), o ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, afirmou em entrevista publicada pelo jornal Bild, que seu país limitará as viagens com a Índia.
"Para não prejudicar nossa campanha de vacinação, precisamos limitar significativamente nosso tráfego de passageiros com a Índia", disse o ministro. A partir da noite do domingo (25), apenas cidadãos alemães poderão cruzar a fronteira da Índia para a Alemanha.
Além disso, Spahn também afirmou que a Alemanha adicionará a Índia à sua lista de países de alto risco em breve. Todas as pessoas com mais de seis anos que viajam de tais países devem fazer um teste de Covid-19 e isolar-se na chegada ao território alemão.
Já o Irã anunciou que proibirá totalmente o tráfego aéreo com a Índia, bem como com o Paquistão, a partir da noite do domingo (25), de acordo com o porta-voz da Organização de Aviação Civil iraniana, Hassan Zibakhsh.
"As limitações de voos se aplicam a 41 países", disse Zibakhsh, conforme citado pela agência de notícias iraniana Mehr.
Cientistas indianos acreditam que a nova variante descoberta no país tem transmissão mais rápida do que qualquer outra anteriormente conhecida e infecta adultos e jovens da mesma forma.
A Índia, um dos principais fabricantes de vacinas do mundo, tem uma das campanhas de vacinação contra a Covid-19 mais avançadas do mundo, em números absolutos. Conforme o painel do site Our World in Data, o país já aplicou pelo menos uma dose de vacina contra o novo coronavírus em mais de 115 milhões de pessoas. A Índia, porém, tem a segunda maior população do mundo, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, o que dificulta a tarefa de imunização coletiva.
O país é um dos mais impactados pela pandemia até agora, sendo o segundo colocado em números absolutos de casos da doença - atrás apenas dos Estados Unidos -, com cerca de 16,6 milhões de casos confirmados. Quase 190 mil indianos morreram de Covid-19 desde o início da crise. Os dados são da Universidade Johns Hopkins.
Marceneiro, estofador, faz-tudo: arquitetas abrem as agendas e revelam contatos de seus profissionais de confiança

RIO — Como em tempos de pandemia ficar em casa é (ou deveria ser) uma prioridade, a preocupação com um lar mais bonito, confortável, funcional e acolhedor ficou mais evidente e fez com que muita gente repensasse os espaços em que vive e que, em muitos casos, passaram a ser também local de trabalho. Com tantas ofertas de serviços e produtos no mercado, qualquer indicação vale ouro. Se for feita por profissionais acostumados a pequenos e grandes projetos de construção, reforma e decoração, a indicação vale mais ainda.
Por isso, pedimos que cinco arquitetas que atuam na Zona Sul compartilhassem parte de suas agendas. Ladrilheiro, eletricista, fornecedor de revestimentos (piso, papel de parede e cortinas), vidraceiro, marceneiro, engenheiro que comanda uma equipe de bombeiros hidráulicos, pintor de paredes, estofador, montador de móveis e faz-tudo estão entre os indicados pelas cinco.

A arquiteta Babi Teixeira contou com os serviços irrepreensíveis do ladrilheiro Luiz Gonzaga (99988-3931) e do eletricista José Severino da Silva (98143-1923) tanto em projetos de clientes quanto na obra que fez em seu próprio apartamento, no Leblon.
— Conheci o senhor Luiz através de uma cliente bem detalhista e exigente. No projeto que fizemos, sugeri a troca do piso de toda a área social. Ele foi o profissional contratado por ela. Quando vi o resultado, fiquei maravilhada. Peguei logo o contato e nunca mais larguei o senhor Luiz. É um profissional comprometido, pontual e que cobra um preço justo. Além disso, ele tem uma equipe que faz tudo — diz.
Mas Babi faz um alerta importante:— Vale a pena ressaltar que toda obra de médio a grande porte deve ter um profissional administrando projetos, equipes e materiais. Um gestor, que pode ser um arquiteto ou engenheiro, para gerenciar os serviços. Isso pode significar, inclusive, economia de custos e redução de prazos de execução.
Marceneiro e arquiteta trabalham juntos há 20 anos
A arquiteta Andrea Chicharo tem entre seus contatos um telefone precioso: o de um bom marceneiro. Há cerca de 20 anos, ela começou uma parceria de sucesso com o profissional Osmar Rigoti (27-98802-5375). Andrea (@andreachicharo) confia a ele 90% dos projetos de seu escritório, que fica em Ipanema.
— É uma tranquilidade poder contar com bom acabamento e pontualidade. Em um projeto recente, no Leme, a equipe do Rigoti fez toda a marcenaria, com exceção da cozinha e da copa — conta Andrea.

Ela acrescenta que um dos pontos fortes do profissional é seguir rigorosamente os seus desenhos.—Trabalhamos em total integração. Para o projeto desse apartamento no Leme, pedi amostras das madeiras e de cores de laca para mostrar aos clientes antes de confirmar as escolhas — diz a arquiteta.
Já o engenheiro Luis Fernando Lyra (99975-3826) e sua equipe de bombeiros resolvem todos os problemas de parte hidráulica e de esgoto.
— Conto com eles para diagnóstico e resolução de problemas de colunas e tubulações — diz Andrea.
Para a pintura das paredes, ela costuma chamar Wanderley Silva (96467-1174), que, além de indicar o produto certo para cada superficie, seja madeira, parede ou ferro, ainda é expert em texturas e cimento queimado.De revestimentos a vidros para um belo toque final.
De revestimentos a vidros para um belo toque final

Acostumadas com grandes e pequenas obras, as arquitetas Bianca Rubim e Renata Palazzo, do escritório Stilo (@stiloarquitetura), estão sempre em busca de profissionais que atendam tanto no quesito preço quanto no de qualidade do serviço.
— É muito importante conseguir parcerias que possibilitem cumprir as metas de orçamento dos clientes, que andam cada vez mais apertadas. Um bom fornecedor nos dá alternativas —diz Bianca.
Para revestimentos e acabamentos em espaços residenciais e comerciais, a dica da dupla é o profissional Luciano Cruz (99905-3062 ).
— Ele fornece pisos laminados, vinílicos, cortinas de tecido, persianas e papéis de parede, entre outros itens essenciais para a decoração da casa. Nesse sentido, é um excelente parceiro para repaginarmos os diversos espaços em que trabalhamos. No projeto de um quarto de bebê instalamos uma cortina de tecido linho poliéster, um material que traz sofisticação e aconchego e tem acabamento semelhante ao do linho, junto com uma cortina de tecido opaco para garantir o bloqueio da luz externa — explica Bianca.
Ela acrescenta que que a equipe comandada por Luciano está sempre disposta a encontrar materiais de acabamento que atendam à demanda de seu escritório de arquitetura, que fica em Copacabana.
— Geralmente, solicitamos amostras do material que estamos imaginando e eles oferecem ao cliente várias opções, para escolhermos em conjunto com os demais elementos do espaço. Flexibilidade, pontualidade e bom relacionamento são alguns dos diferenciais do Luciano —diz Bianca.

Rafael Libonatti (96494-7875) é o vidraceiro de confiança que realiza os serviços nos projetos da dupla. Ele foi descoberto por Renata e Bianca em um grupo de indicações formado apenas por arquitetos no Facebook. Renata lembra que elas experimentaram os serviços de Libonatti em um momento muito difícil da economia, em que o mercado imobiliário estava em crise:
—Estávamos buscando um novo parceiro para uma obra com um orçamento desafiador e precisávamos contar com um bom trabalho e preço competitivo. Foi uma excelente surpresa conhecê-lo. Ele trabalha com uma equipe qualificada que consegue nos garantir tranquilidade nas soluções técnicas e na instalação. A boa comunicação e a agilidade para fornecer respostas, tanto de orçamentos como para solucionar problemas, são diferenciais. Nas obras, sempre podemos resolver de imediato qualquer impasse que surge. Isso é essencial para um bom resultado.
Marido de aluguel para fazer de tudo um pouco na casa

Um dos contatos de ouro da agenda da arquiteta Sabrina Charpinel é um faz-tudo. Aquele profissional que joga nas 11 e que resolve pequenos problemas ou demandas que surgem no dia a dia. Para a moradora do Jardim Botânico, esse cara é Paulo Lemos (99165-9166):
—É aquele famoso marido de aluguel. O trabalho do Paulo é ótimo, porque ele é muito organizado e cuidadoso. A cobrança costuma ser por diária.
Para renovar os sofás, ela indica o estofador Edson da Silva (24-98805-6703).
— O Edson é de Petrópolis, mas atua lá e cá. É ótimo porque tenho muitos clientes que estão nesse eixo, principalmente nesse período em que as pessoas estão em home office. Recentemente, ele fez os sofás da mesma família num apartamento de Copacabana e numa casa em Secretário — diz Sabrina.
E para não ter que quebrar a cabeça com móveis comprados pela internet, ela sugere o montador Marcos Santana (99772-6361).
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Saiba como eliminar o mau cheiro da geladeira

Limpar a geladeira semanalmente é essencial para afastar bactérias e odores desagradáveis. Mas muita gente esquece dessa tarefa essencial e não consegue se livrar do mau cheiro no eletrodoméstico que é a estrela de qualquer cozinha. Confira a seguir um passo a passo preparado pelo Shoptime para acabar de vez com os odores indesejados do eletrodoméstico.
1. Descarte
Antes de mais nada, é preciso verificar o que pode ir para o lixo e o que continua na geladeira. E tudo o que for voltar para o eletrodoméstico deve ser limpo de maneira adequada.
2. Higienização da parte interna
Desligue a geladeira da tomada e coloque os alimentos em recipientes que preservem sua temperatura. As peças soltas devem ser higienizadas primeiro. O ideal é lavá-las na pia, com o uso de uma esponja, do lado não abrasivo, para não riscar as peças, e com um lava louça que tenha o poder de eliminar as bactérias. Depois, basta enxaguar as peças e deixá-las escorrendo enquanto é feita a limpeza da parte interna do eletrodoméstico. Para isso, separe uma mistura de 2 colheres de sopa de bicarbonato de cálcio e 1 litro de água quente. Lave com pano úmido e seque bem com outra flanela. Isso ajudará a eliminar os odores indesejáveis da sua geladeira. Atenção: não use sabão ou detergente, pois eles podem deixar cheiro, e o odor pode ser absorvido pelos alimentos.
3. Derramou, limpou
O importante é limpar logo que algum líquido, especialmente, seja derramado dentro da geladeira. Isso porque, caso ele seque, fica mais difícil removê-lo. Outra dica é garantir que tudo esteja bem embalado ao ser armazenado no eletrodoméstico. Além disso, reforce a limpeza das bordas de potes antes de guardá-los.
4. Parte externa em dia
A sugestão é dividir essa etapa da limpeza em duas categorias: semanal e sazonal. A primeira engloba a higiene das portas e bordas do eletrodoméstico. Para isso, use um pano umedecido com detergente neutro e água. Preste atenção nas áreas ao redor das alças, em que há contato com a mão. Já nas higienizações sazonais, opte por dar mais atenção às vedações da porta, utilizando água quente e detergente neutro. Seque bem com um pano limpo. Ao final, verifique se as vedações encaixam corretamente.
5. Cada coisa em seu lugar
Com tudo limpo, é hora de começar a organização. As geladeiras mais novas são projetadas para que cada tipo de alimento seja guardado no local adequado. Isso porque, vários estudos mostram que, assim, se preserva a comida por mais tempo, evitando que ela estrague antes da hora. Na porta da geladeira, por exemplo, priorize os produtos que tombam e são menos sensíveis à temperatura, como condimentos, molhos, refrigerantes e sucos.
6. Comida estragada nem pensar
Alimentos que passam da data de validade exalam odores desagradáveis e ainda podem contaminar os que estão em bom estado. Por isso, crie o hábito de verificar se há alguma comida estragada na geladeira. E, caso você precise descongelar alimentos, use um prato de baixo dele, para que o líquido eliminado não suje a sua geladeira.
Sargento foi afastado de banda do funeral de príncipe Philip por estrelar filmes pornôs

Veio à tona só agora que um dos membros da banda do exército que tocou no funeral do príncipe Philip foi afastado horas antes da cerimônia por ter estrelado filmes pornográficos ao lado da namorada.
O sargento Harry Sutton havia sido escalado para liderar a Band of the Grenadier Guards ao Castelo de Windsor, mas acabou sendo substituído depois que os oficiais descobriram o material adulto, compartilhado num site de assinatura, protagonizado por ele e sua parceira, Gemma Nixon.
"Harry ficou totalmente arrasado", disse uma fonte ao jornal The Sun. "Ele não tinha feito nada ilegal, mas entendeu por que o exército tomou essa decisão. Foi feito um julgamento de que algumas pessoas podem achar o que ele fez desagradável. Foi uma decisão difícil, mas o exército não queria que nada prejudicasse o dia solene do duque de Edimburgo."
Morre menina de 6 anos agredida por mãe e madrasta em Porto Real

RIO — Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, a menina de 6 anos que foi agredida e torturada pela mãe e a madrasta em Porto Real, no Sul Fluminense, morreu na madrugada deste sábado. De acordo com o boletim médico do hospital particular onde estava internada, a criança sofreu uma parada cardiorrespiratória por volta das 3h30 e não resistiu. Ainda segundo o boletim, Ketelin chegou na unidade de saúde, transferida do Hospital Municipal São Francisco de Assis, na última segunda-feira, com quadro de politraumatismo e coma arreflexo, apresentando múltiplas lesões corporais agudas e crônicas. Nas últimas 24 horas, o estado da menina se agravou, com ''deterioração das funções vitais''.
No início da semana, Ketelen foi levada para o Hospital Municipal São Francisco de Assis após ser espancada pela madrasta, Brena Luane Barbosa Nunes, de 25 anos, e a mãe da menina, Gilmara Oliveira de Farias, de 27 anos. Segundo informações, as agressões começaram na sexta-feira (16) e se estenderam até segunda-feira. Elas moravam no bairro de Jardim das Acácias, em Porto Real.

— Ketelen era uma criança boa, respeitadora... Seis aninhos. Uma criança muito amável que me chamava de tia. Ela (Gilmara) só deixava a criança dentro do quarto. Ela e a Ketelen estavam aqui a passeio. Eu falei para ela não trazer porque a Brena não gosta de criança, nunca gostou — conta a mãe de Brena, madrasta de Ketelen, que mora na mesma casa que a filha e presenciou as torturas sofridas pela menina. Segundo ela, os espancamentos começaram na sexta-feira (16) e só acabaram na noite de domingo (18). A mãe de Brena não conseguiu chamar socorro antes por medo da filha, que a ameaçava e a agredia.
Segundo ela, Brena sempre teve um comportamento agressivo com namoradas e familiares. Esta, entretanto, é a primeira vez que vê um caso de agressão a uma criança:
— Essa é a primeira vez que ela faz isso (bate em uma criança). Ela sempre teve esse comportamento agressivo. O relacionamento dela com a Gilmara era marcado por brigas. Antes dela, Brena namorou outra mulher, e era assim também.
Uma vizinha de Brena reforça o comportamento violento da mulher, relatando agressões à própria mãe e à avó, de 86 anos.

— A própria mãe dela foi na minha casa duas vezes pedir socorro porque tinha sido agredida pela filha. Brena jogou uma televisão na cabeça da própria mãe. Ela tava em perigo na mão da própria filha, e eu a socorri. Isso aconteceu duas vezes. A mãe chamou a polícia, mas nada aconteceu. Brena bateu até na própria avó, de 86 anos. Elas também são vítimas porque, pelo que eu conheci da Brena, ela era um monstro. Era para estar presa há muito tempo — afirma Roberta Rodrigues de Oliveira, de 46 anos.
A mãe de Brena, porém, afirma que as agressões a Ketelen aconteciam em conjunto, muitas vezes comandadas por Gilmara.
— As duas são culpadas (pela morte). Tanto a mãe quanto a madrasta. Nao estou culpando uma só e deixando a outra livre, não. Gilmara que mandava a Brena bater na menina, ou então as duas batiam — conta a mãe de Brena, contando ainda que a menina era deixada trancada em um quarto sem comer: — A Gilmara deixou a menina sem comer. Eu dava comida para menina escondido. Dava café, fazia pipoca, comprava guaraná...
Para a mãe de Brena, a filha e a nora devem pagar pelo crime e permanecer atrás das grades:
— Eu não quero vê-las livres. Não criei filha pra matar criança, não! O que minha filha vez não tem justificativa! Eu a eduquei! Elas têm que pagar pelo que fizeram, não podem sair da cadeia. Não quero que saiam.
Assim como a mãe de Brena, os moradores do Jardim das Acácias, em Porto Real, também querem justiça.
— Moro a quatro casas de distância da casa da Brena. Se eu tivesse ouvido ou visto algo, teria denunciado. Teria colocado a cara. Mas eu nunca vi essa criança, ela ficava presa. Ninguém de fora ouviu porque elas fechavam a boca da criança e aumentavam o volume da TV — conta Roberta, completando: — A vizinhança está revoltada. Todo mundo revoltado. Chego até a passar mal de nevorso ao pensar que isso aconteceu com uma criança de seis anos.
Na última quarta-feira, a Justiça decretou a prisão preventiva das duas agressoras. Na decisão proferida após a audiência de custódia, o juiz Marco Aurélio da Silva Adania frisa a gravidade das lesões sofridas pela vítima, que é filha e enteada das acusadas.
Ao optar por mantê-las presas, o magistrado também enumerou detalhes da violência contra a menina na casa da família. Segundo a mãe da madrasta, as agressões começaram no fim da noite de sexta-feira e continuaram por pelo menos 48 horas. Foram "socos e chutes por diversas vezes", além de a vítima ter sido "arremessada contra a parede e contra um barranco de 7 metros de altura, e de ser chicoteada com um cabo de TV", sendo submetida a "intenso sofrimento físico e psicológico", conforme afirma o juiz na decisão.
O magistrado ressalta ainda que as duas presas confessaram o crime à 100ª DP (Porto Real), responsável pelas investigações. Também pesou contra as mulheres o fato de que o socorro só foi acionado na manhã de segunda-feira, quando a menina já não apresentava nenhuma reação — "talvez por temerem seu falecimento", diz o juiz.
Por fim, foi destacado o histórico de violência por parte da madrasta, que tem, entre outros crimes, uma passagem na polícia por agredir fisicamente a mãe. "A prisão das flagranteadas merece ser mantida para a conveniência da instrução criminal, diante do fato de que as testemunhas/vítimas, por certo, sentir-se-ão amedrontadas em prestar depoimento estando estas em liberdade", argumenta o magistrado.
Na audiência de custódia, a madrasta da menina informou à Justiça ter sofrido "violência no ato da prisão" — resposta para um questionamento de praxe neste tipo de procedimento. O juiz Marco Aurélio da Silva Adania determinou, então, que cópias dos autos fossem remetidas à Corregedoria Geral da Polícia Militar e à Auditoria Militar, "para apurar eventuais agressões praticadas".
Consultoria de arquitetura on-line faz sucesso na pandemia

RIO — De tanto olhar para a própria casa durante a pandemia, ficou quase impossível não mudar pelo menos um móvel de lugar. Alguns conseguiram reformá-la sozinhos, outros precisaram buscar ajuda. Segundo a Arquiteto de Bolso, plataforma de consultoria on-line para reforma, a procura por arquitetos no meio virtual aumentou 300% de abril a dezembro do ano passado. As irmãs e decoradoras de interiores Viviane e Vanessa Visentim, sócias fundadoras da Trato Na Casa, que oferece consultoria de decoração presencial, no Rio, há três anos, e à distância, desde o início da pandemia, sentiram essa procura. Viviane diz que, de abril até dezembro do ano passado, o número de atendimentos remotos chegou a 300, com reformas dentro e fora do Brasil, tudo feito diretamente de seus escritórios, em Laranjeiras.
— Poder trabalhar com clientes de outros países abriu ainda mais o leque de oportunidades. Sentimos que ter cativado esse espaço no virtual até mesmo antes da pandemia foi essencial para termos uma grande cartela de clientes no isolamento — conta.
O serviço de consultoria por ambiente da Trato é feito em dez dias, desde o primeiro contato com o cliente até a finalização da reforma. Viviane acredita que a rapidez do serviço, a campanha de preço acessível no início do projeto on-line e o atendimento remoto ampliaram ainda mais as possibilidades.
A designer de interiores Ciça Rego Macedo, sócia do Sambaiba Arquitetura, que começou no Leblon, junto com a arquiteta Luiza Lemgruber, tem experiências no mercado de consultoria on-line desde 2017. Hoje, ela conta que a demanda do escritório é tão grande que a maior parte das consultorias é feita à distância. Com clientes fora do país, ela ressalta os desafios do profissional, que precisa estar antenado com o mercado do exterior.
— É entender como funciona a mecânica de outros países, a medida, os valores, as melhores lojas. Não é tão fácil quanto parece — afirma ela.
Apesar do sucesso, Ciça destaca dificuldades devido à pandemia:
— A produção das indústrias não tem acompanhado a grande demanda do mercado. Ambos precisam andar juntos para o trabalho funcionar.
Quem também precisou se adequar ao on-line foi Viviane.
— No início, percebemos algumas dificuldades dos próprios clientes para medir o espaço. Por isso, explicamos cada informação que pedimos no formulário para a criação do projeto. Deu supercerto — lembra a decoradora.
A jornalista Daniela Poggi, moradora da Gávea e cliente da Trato, diz por que considerou a experiência boa:
— Além do preço acessível, de a consultoria ser on-line e das opções de decoração serem adaptadas à realidade, poder fazer as compras de casa e contar com a cartela de profissionais de confiança da própria arquiteta foram pontos essenciais. Não precisei buscar nada.
No Leme, a arquiteta Amanda Haydon, dona da Haydon Arquitetura, também teve ótimas experiências com os clientes. Ela conta que o atendimento on-line foi uma necessidade da pandemia, mas já o considera parte essencial do negócio, que existe desde 2019. O sucesso foi tanto que Amanda chamou até uma amiga, Natália Ávila, que mora em Aracaju (SE), para ajudá-la na execução dos projetos. Hoje, com a parceira à distância, ela afirma que o número de atendimentos dobrou em comparação com a fase inicial da empresa.
— Procuramos encontrar uma dinâmica que funcionasse para qualquer escala de projeto, tendo em vista que, na pandemia, a cada momento a situação muda. E funciona. Hoje fazemos projetos até para a Áustria — comenta.
Dados do Ministério da Saúde mostram aplicação de 1,2 mil doses vencidas da AstraZeneca

Metrópoles - Até 160 cidades em 23 estados aplicaram vacinas vencidas contra a Covid-19 na população, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde. Os microdados de vacinação compilados pela pasta apontam que 1.254 pessoas foram inoculadas com doses de lotes do imunizante da Oxford/AstraZeneca cuja data de expiração já tinha passado.
Para chegar a informação, o (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, cruzou as informações oficiais sobre vacinas aplicadas com os registros de envios de imunizantes para as unidades da federação, onde constam a data de vencimento para cada lote.
Felipe Neto revela nova arma da articulação do ódio e alerta: “Preparem-se para o novo mundo da mentira”
“Está acontecendo [...] o futuro do DEEP FAKE está chegando”

247 - O youtuber Felipe Neto criticou um programa de computação que imita voz. O programa lhe foi oferecido por uma startup norte-americana, segundo o youtuber.
“Eles oferecem um serviço que clona a minha voz. Desse modo, eu poderia ter áudios meus e até podcasts inteiros sem precisar fazer nada, somente escrever”, afirmou.
“Está acontecendo [...] o futuro do Deep Fake está chegando”, ressaltou.
“Em breve, muito em breve, a articulação do ódio vai começar a viralizar áudios de inimigos falando coisas horríveis, tudo feito por computador. Será impossível saber se é real ou não. Em seguida, serão vídeos. Preparem-se para o novo mundo da mentira”, afirmou.
A “casa de vidro caiu”, diz Adnet, após grampos revelarem que Bolsonaro foi procurado por milicianos
Jair Bolsonaro era chamado nas conversas dos amigos do miliciano Adriano da Nóbrega de “Jair”, “HNI (PRESIDENTE)” e “cara da casa de vidro”. “É treta braba no reino dos milicianos”, comentou Xico Sá

247 - A “casa de vidro” caiu, comentou o humorista e apresentador Marcelo Adnet no Twitter, após a publicação da reportagem do site The Intercept, que revelou grampos comprometedores contra Jair Bolsonaro, nos quais milicianos tentam recorrer ao presidente.
Logo após a morte de Adriano da Nóbrega, ex-Capitão do Bope e chefe da Milícia Escritório do Crime, cúmplices do miliciano tentaram recorrer a Bolsonaro, que nas conversas por telefone era chamado de “Jair”, “HNI (PRESIDENTE)” e “cara da casa de vidro”, em referência “aos palácios do Planalto, sede do Executivo federal, e da Alvorada, a residência oficial do presidente, ambos com fachada inteiramente de vidro”, como explica a reportagem de Sérgio Ramalho.
“A conexão entre o chefe do escritório do crime e o Jair, que a Justiça não quer que você saiba! A casa de vidro caiu! Vivemos sob o jugo do Milicianato”, postou Adnet ao divulgar a matéria.
Outro que ironizou as revelações foi o jornalista Xico Sá: “O cara da casa de vidro. Belo título para um romance policial. Mas não tem nada de literatura. É treta braba no reino dos milicianos”.
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