Ameaça Militar
'Altas patentes da ativa estão em silêncio eloquente', diz historiadora Heloisa Starling

RIO - A inédita troca simultânea dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, semana passada, colocou historiadores brasileiros como Heloisa Starling em estado de alerta.
A professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais, coautora de "Brasil: uma biografia", se pergunta, por exemplo, se existem fissuras nas Forças Armadas, e se a tentativa do presidente Jair Bolsonaro de contar com respaldo militar para seu projeto político tem adesão nas baixas patentes.
"O silêncio dos quartéis tem sido muito eloquente.
Todas as altas patentes na ativa estão em silêncio, o que é muito bom para a democracia", afirmou a historiadora, em entrevista ao GLOBO.
Heloisa não vê risco de golpe, mas faz uma ressalva:
"o projeto autoritário do governo corroi por dentro a democracia. A novidade é essa".
Qual é a sua avaliação sobre a crise entre o presidente Jair Bolsonaro e a cúpula militar?
Os sentimentos são vários.
O Brasil vive numa montanha-russa, a cada dia temos um solavanco maior, sem respiro.
Um dos pensamentos que tive foi me perguntar como é possível que, num momento em que mais de 300 mil brasileiros morreram, se faça uma reforma de ministério.
Ao invés de todas as forças do governo federal estarem voltadas para o enfrentamento da pandemia e para dizer à sociedade que a vida de cada brasileiro vale igual, o governo faz uma reforma e arruma uma crise com as Forças Armadas?
Isso é muito assustador e dá a dimensão do grau de degradação do país.
Muitos nos perguntamos o que realmente está acontecendo.
Que precedentes históricos devem ser levados em conta na hora de analisar o estremecimento da relação entre Bolsonaro e a agora ex-cúpula das Forças Armadas?
Se você olhar, do governo Deodoro da Fonseca até o governo Geisel, você tem umas 15 tentativas de intervenção militar no Brasil, duas deram certo e liquidaram a democracia:
o Estado Novo, em 1937,
e a ditadura militar, em 1964.
Desde a redemocratização, não temos esse quadro de tensão entre Planalto e Forças Armadas.
Se o ministro da Defesa precisa dizer que as Forças Armadas são uma instituição do Estado republicano, isso significa que alguém estava forçando para que não fosse.
Por outro lado, as Forças Armadas são politicamente heterogêneas.
Isso inclui diferença de arma, geração e carreira; também possui interesses próprios e capacidade de promovê-los.
GOSTARIA DE ENTENDER O QUE ESTÁ ACONTECENDO DENTRO DELAS.
No período Geisel, por exemplo, o projeto de abertura era defendido por um setor, mas houve uma reação muito forte contra essa abertura.
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Essa reação culmina com uma tentativa de golpe militar em 1977, com SYLVIO FROTA, através de um pronunciamento que buscou insuflar as tropas contra Geisel.
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Ele era uma das lideranças mais importantes do setor mais reacionário das Forças Armadas.
Às vezes, me parece o mesmo filme.
No manifesto, Frota faz a defesa do alinhamento incondicional com os EUA, ataca Geisel pela aproximação com a China e por críticas a Israel.
Seriam provas de uma “escalada socialista” no Brasil, como ele diz.
Também reclama que Geisel é complacente com as críticas da mídia às Forças Armadas e permite propaganda subversiva.
Tem um caldeirão ideológico no pronunciamento dele que vale a pena olhar.
Recém promovido a capitão, o general Augusto Heleno era seu ajudante de ordens.
A senhora se pergunta se o discurso e as pretensões de Bolsonaro de politizar as Forças Armadas têm algum respaldo dentro do mundo militar ativo?
Minha dúvida é:
tem fissuras hoje nas Forças Armadas?
Se sim, quais são essas fissuras?
Tem alguma cunha sendo metida dentro das Foças Armadas, no sentido de buscar adesão nas baixas patentes para um projeto de poder?
Isso já aconteceu no passado, tivemos a revolta dos marinheiros, dos sargentos, entre outras.
Na ditadura, tivemos fissuras, que vieram dos setores mais ideológicos das Forças Armadas.
Não quero saber se tem partidários do presidente Bolsonaro, quero saber se tem fissuras.
Até agora, o que a senhora responderia a essa pergunta?
Se ligarmos para o passado, para entender o que estamos vendo hoje, ele nos dirá que as Forças Armadas não são homogêneas, já se dividiram, existe uma tradição de intervenção política, e já se manifestaram de diferentes maneiras.
Posso supor que a força institucional, pelo que tudo indica, está sendo demonstrada.
Mas e as patentes inferiores?
O presidente tem uma atuação frequente, uma presença que não é comum entre chefes de Estado em formaturas militares.
Até agora, o silêncio dos quartéis tem sido muito eloquente.
Bolsonaro não tem tropas ao seu redor, tem muito militar da reserva.
Todas as altas patentes na ativa estão em silêncio, o que é muito bom para a democracia.
O general (Pedro Aurélio) Góis Monteiro, um dos mais importantes da história do Exército brasileiro, responsável pela grande modernização das Forças Armadas nos anos 30, dizia que o Exército é o grande mudo.
Temos de lembrar do Góis Monteiro, enquanto estiver mudo, é bom.
Semana passada, representantes do governo comemoraram o golpe de 1964...
Existe uma ideia de que Bolsonaro constantemente evoca a ditadura.
Mas não é a ditadura, ele evoca um momento da ditadura, os anos 70, o período mais violento e repressivo.
Se você observar a história dele e dos generais que estão em torno dele, são todos formados nos anos 70, por coronéis instrutores que vieram da repressão à luta armada, principalmente no Araguaia.
A nostalgia não é da ditadura, é do porão.
Quais são os riscos que a democracia brasileira corre hoje?
A vertente dessas pessoas que mencionava antes foi derrotada por Geisel nos anos 70, derrotada pela abertura e o início da transição democrática.
Eles poderiam, e aqui estou especulando, alimentar um projeto messiânico.
Isso significa um projeto de poder, no mínimo, autoritário.
Estamos lidando com um pensamento muito autoritário, e não é uma aventura, tem uma história.
O presidente disse que joga dentro da Constituição, mas que outras autoridades atuam no limite.
O projeto autoritário do governo corrói por dentro a democracia.
A novidade é essa.
Todas as vezes que a democracia sucumbiu no Brasil foi por força de golpe de Estado.
Hoje, temos um processo de corrosão, dentro das instituições, das agências.
Cada vez que as instituições reagem a esse projeto, por exemplo o Supremo Tribunal Federal (STF), elas se enfraquecem.
Isso esgota a energia das instituições.
Exauridas, elas vão perdendo capacidade de reação.
Outro mecanismo de corrosão são gestões muito incompetentes dentro de agências do Estado, como foi a do Ministério da Saúde.
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Lembro que em janeiro de 2019, Bolsonaro tinha acabado de tomar posse, e fez um discurso num jantar em Washington no qual ele diz que seu governo não vai construir nada, vai desconstruir.
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Tem método, e está em ação.
Hoje, esse projeto de poder está acuado?
Não vejo esse projeto acuado, ele está em pleno funcionamento.
Tenta-se impor, ainda, uma nova língua que parece saída diretamente das páginas do livro “1984”, de George Orwell: a apropriação das palavras e a inversão de seu significado.
Ditadura militar significa liberdades democráticas; os inimigos da democracia se dizem vítimas de ditadura; liberdade de expressão virou licença para delinquir.
É um processo lento, e não ocorre apenas no Brasil. Acontece na Hungria, na Polônia, Venezuela, os Estados Unidos de Trump, Índia.
Tem um padrão, um modo como governantes com vocação autoritária, eleitos democraticamente, agem para corroer por dentro as instituições democráticas.
O que me preocupa é que as instituições não se defendem sozinhas.
Falta uma reação da sociedade, mesmo na pandemia, a sociedade pode ser criativa, e não se pode falar só na internet, é preciso falar na cena pública.
Existem, por exemplo, movimentos para defender um luto para os brasileiros mortos na pandemia.
A sociedade também deve dizer que a democracia é um valor e não abriremos mão dele.
É preciso pensar formas de expressar o respeito à nossa democracia.
Como diz a música de Aldir Blanc, uma estrela é um incêndio na solidão. A democracia não acontece na solidão.
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Governo nas cordas - Paulo Nogueira Batista Jr
Por Paulo Nogueira Batista Jr

Que mês, leitor, acabamos de vivenciar! Março de 2021 entrou para a história brasileira.
Não me recordo de termos passado por um mês tão agitado em termos sociais, econômicos e políticos.
O mais impressionante, claro, foi o agravamento alarmante, para não dizer ATERRORIZADOR, da crise de saúde pública associada à Covid-19.
Não preciso descrever o quadro, que é de conhecimento geral.
A propagação descontrolada do vírus, com aumento exponencial do número de casos e mortes, acabou de enterrar as chances de uma recuperação significativa da economia brasileira.
Uma economia que já não vinha bem sofreu mais um baque.
É verdade que as projeções ainda estão indicando crescimento econômico em 2021.
A pesquisa semanal feita pelo Banco Central junto a bancos, empresas não-financeiras e consultorias registra expectativa mediana de um aumento da ordem de 3% para o PIB.
Esse dado é enganoso, porém.
A taxa interanual (ano calendário sobre ano calendário) carrega um carry-over(herança estatística) de cerca de 3,5% em 2021.
Isso significa que uma taxa de crescimento de 3% corresponderia a uma queda da atividade ao longo do ano.
Ou seja, comparando-se o quarto trimestre deste ano sobre o mesmo período do ano passado haveria pequena redução do PIB.
Com a economia em retração, o mercado de trabalho sofre inevitavelmente.
O desemprego, o subemprego e o trabalho precário estão em níveis recordes e devem aumentar, pelo menos no curto prazo.
O desemprego aberto, definido de forma restrita, atinge mais de 14 milhões de brasileiros.
A taxa de desocupação chegou a 14,2%, a mais alta da série histórica do IBGE iniciada em 2012.
A pobreza e a miséria se espalham pelo país.
A única chance de reverter esse quadro – a ampla e rápida vacinação da população – não está no horizonte imediato. Uma tragédia.
É preciso ressalvar que diversos países, até mesmo desenvolvidos, também não estão se saindo nada bem no enfrentamento da pandemia.
O Brasil não é o único fracasso.
Foram significativos, por exemplo, os tropeços de países da União Europeia.
Qualquer governo brasileiro, por melhor que fosse, teria grande dificuldade de fazer face à pandemia.
Mas quem se anima a negar que o governo Bolsonaro tem sido de uma INCOMPETÊNCIA SINGULAR?
INCOMPETÊNCIA CRIMINOSA que está levando a centenas de milhares de mortes.
Mortes que poderiam ter sido evitadas.
Coube-nos desgraçadamente viver a MAIOR CRISE da nossa história com o PIOR GOVERNO da nossa história.
O presidente da República é visto por um número crescente de brasileiros, e com razão, como o principal responsável pela tragédia.
Bem sei, leitor, que as pesquisas de opinião ainda estão indicando apoio ao governo.
Algo como 25% a 30% dos entrevistados consideram Bolsonaro bom ou ótimo como presidente, o que é ESTARRECEDOR, considerando tudo que aconteceu.
Porém, esse apoio está em queda desde o início do ano e deve continuar caindo.
Na política, a reviravolta em março foi dramática.
As decisões favoráveis a Lula no Supremo Tribunal Federal recolocaram o ex-presidente no tabuleiro político, elegível, com direitos políticos recuperados.
Lula aparece, de repente, no favorito para as eleições de 2022.
Enquanto isso, o governo federal, que parecia forte em fevereiro, está nas cordas.
Ficou claro que boa parte das camadas dirigentes brasileiras se deu conta, ainda que com ATRASO VERDADEIRAMENTE INACREDITÁVEL, do desastre que Bolsonaro representa para o País.
A carta aberta sobre a crise de saúde pública com severas críticas à atuação do governo, assinada por banqueiros, empresários e economistas, é um sinal disso.
A turma da bufunfa teve um acesso de lucidez.
A demora é indesculpável, claro.
Paciência.
Como dizia aquele letreiro de motel na Barra da Tijuca, antes à tarde do que nunca.
Importante notar, também, que a mídia corporativa, ou a maior parte dela, se descolou do governo.
Tenta-se ainda preservar Paulo Guedes e a sua agenda econômica, mas com convicção decrescente.
Como não reconhecer que atuação do ministro da Economia se caracteriza por uma mistura altamente problemática de ideologia radical com inépcia política e administrativa?
Fica cada vez mais difícil ignorar que o fundamentalismo ultraliberal da equipe econômica é parte integrante do desastre.
Não é por acaso que Guedes é ministro de Bolsonaro.
A base de apoio parlamentar do governo parece abalada e TALVEZ tenha começado a se DESFAZER.
O centrão, que é a peça-chave, dá indicações de que poderá abandonar o barco bolsonarista.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, chegou a ameaçar o governo com “remédios políticos amargos, alguns fatais” se continuarem os erros “primários, desnecessários e inúteis”.
Um lembrete de que o centrão NÃO carrega ALÇA de CAIXÃO.
Para culminar, veio à tona uma crise militar, levando a substituição do ministro da Defesa e dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, que relutavam a subordinar-se incondicionalmente aos desatinos do presidente da República.
O apoio das forças armadas, que parecia o principal trunfo do governo, já é incerto, para dizer o mínimo.
Tudo isso é muito positivo.
Bolsonaro não foi nocauteado, mas está cambaleante.
É bem possível que não sejamos obrigados a esperar as eleições de 2022 para nos livrarmos deste governo lastimável e perigoso para o País.
Sob comando de Ricardo Salles, ICMBio destrói sinalização de trilha que vai do RJ ao RS | Ancelmo - O Globo
Por Nelson Lima Neto

O ICMBio, órgão responsável pela gestão das 334 unidades de conservação em todo o país, sob o comando do ministro Ricardo Salles, destruiu a sinalização do projeto Caminho da Mata Atlântica (CMA), no Parque Nacional da Tijuca, no Rio, e removeu placas sem qualquer justificativa, comunicação prévia ou consulta às Câmaras Técnicas.
A demarcação e sinalização da trilha de mais de 4.000 km, que liga o Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, vem sendo construída há anos por centenas de voluntários, montanhistas, ONGs e parceiros e ajuda a proteger nossas tão maltratadas florestas. O Caminho da Mata Atlântica tinha apoio oficial do ICMBio até Salles assumir o ministério.
A governança do CMA fez uma nota de repúdio em resposta à ação do Ministério do Meio Ambiente e enviou um ofício à diretoria do parque, mas até agora, segue sem resposta. É mais um passo da boiada que passa por cima da participação social e da conservação da natureza.

Enquanto isso...
As trilhas que integram o projeto Caminho da Mata Atlântica em Guabiroba, Santa Catarina, um dos maiores atrativos do município, receberam placas com mapa do trajeto, informações como altimetria, dificuldade, distância, duração e histórico, pela Secretaria de Turismo. São elas a Trilha do Morro São José, a Trilha da Gueba e a Trilha das Minas Abandonadas. “As trilhas de Guabiruba são hoje um dos principais atrativos turísticos do município e estão se desenvolvendo e recebendo cada vez mais visitantes. Por isso, é importante tomar os devidos cuidados na hora de se dirigir à mata, principalmente neste momento de pandemia”, explica o secretário de Turismo Andrei Müller sobre o crescimento do ecoturismo na cidade.
Rio completa 15 dias de aumento na média móvel de mortes por Covid-19 e tem quase 700 à espera de UTI

RIO — O Rio completou neste domingo 15 dias seguidos de aumento na média móvel de mortes da Covid-19. Segundo dados da secretaria estadual de Saúde, foram confirmados 58 novos óbitos e 1,3 mil casos da doença. Desde o início da pandemia, 37.687 pessoas perderam a vida para o coronavírus e ao menos 658,5 mil foram contaminadas.
A média móvel passa a ser de 2.567 casos e 225 mortes por dia. Em relação aos números de duas semanas atrás, houve um aumento de 86% na quantidade de óbitos, o que indica uma tendência de crescimento na intensidade do contágio por estar acima da marca mínima estipulada de 15%.
A fila por um leito de UTI apresentou uma pequena queda, mas continua em um patamar alto.Neste domingo, 682 pacientes aguardam por uma vaga de UTI na rede pública de saúde do Rio. Se somados com as pessoas que esperam um leito de enfermaria, o número chega a 917 pessoas. A ocupação dos leitos de UTI estão em 89,5%.
Apenas duas das nove regiões de saúde do estado estão com a taxa de ocupação de terapia intensiva abaixo de 80%: Baixada Litorânea e Médio Paraíba. A situação é mais crítica na região Centro-Sul, onde não há mais vagas de UTI disponíveis. Na Metropolitana I — que abrange a capital e a Baixada Fluminense — a taxa de ocupação está em 92%. Somente a cidade do Rio 94% das vagas já preenchidas
Segundo a SES, a mediana para um paciente conseguir um leito de enfermaria ou UTI diminuiu nas últimas 24 horas. Para conseguir um leito de terapia intensiva é de 22 horas e 20 horas para enfermaria. O cálculo leva em consideração o tempo em que 50% dos pacientes consegue uma vaga em leito destinado para o tratamento de Covid-19. Em todo o estado, 81% das enfermarias para tratar pacientes com Coronavírus e 89% das UTIs estão cheias.
Rio tem cinco regiões com risco 'muito alto' para Covid-19
O estado do Rio tem cinco das nove regiões de saúde classificadas como "alto risco" para a disseminação da Covid-19. Segundo a análise dos técnicos da Secretaria estadual de Saúde (SES), o tempo para o esgotamento dos leitos de UTI da região Metropolitana 1 — formada pela capital e Baixada Fluminense — é de cinco dias. Essa foi a região com a maior pontuação de risco entre as áreas do estado. Em todo o Rio, a previsão dos técnicos é que os leitos de terapia intensiva podem se esgotar em seis dias. Os dados foram divulgados no fim da tarde desta sexta-feira, dia 2.
"Esta 24ª avaliação apresenta a pior situação de risco analisada até o momento", afirma a nota técnica.
Também estão classificadas com risco "muito alto" as regiões Norte, Médio Paraíba, Centro Sul e Baixada Litorânea. Na avaliação divulgada no último dia 24 de março, as regiões do Médio Paraíba e Norte estavam com a classificação de risco "alto".
"Todas as 9 regiões do estado apresentam taxa de ocupação de leitos de UTI acima de 80%, apontando para uma situação crítica no atendimento aos casos graves. Em relação à taxa de ocupação de enfermaria, todas as regiões também apresentam esgotamento de leitos com taxas acima de 70%, inclusive com leitos improvisados, como na região Centro Sul", diz trecho da nota técnica.
A avalição do corpor técnico da secretaria estadual de Saúde compara a semana epidemiológica 11 (de 14 a 20 de março) com a 09 (de 28 de fevereiro a 06 março) de 2021.
Recorde de atendimentos foi no fim do mês
Ao analisar a procura de pacientes nas UPAs da rede estadual do Rio, os técnicos apontaram que o dia 29 de março foi a data com maior atendimentos de Sindrome Gripal nas emergências, com 986 casos. Já na segunda quinzena do mês, foram em média 795 atendimentos, um aumento de 48% em relação aos 15 dias anteriores.

Com o ampliação na procura por atendimento na rede pública, também houve um crescimento nos pedidos de internação no Rio.
"As solicitações por leitos apresentam maior variabilidade diária, mas que reflete uma tendência de aumento desde o início de março, em que o último dia registrado (31/03/2021) apresentou um aumento de 224%, comparado com o dia 01/03/2021. A partir do dia 15 de março, observamos uma maior velocidade no aumento do número de pessoas na fila de espera, que no último dia de avaliação apresentou um aumento de 609% de pessoas em fila de espera." dizem os técnicos.
Medidas de restrições sugeridas
De acordo com a classificação de risco, os técnicos apontam que medidas devem ser tomadas para tentar conter o avanço da pandemia. Os critérios e medidas de isolamento foram definidas já para o primeiro boletim, divulgado no início de julho de 2020. Em caso de "Risco muito alto", as medidas que devem ser tomadas são:
- Suspensão de atividades econômicas não essenciais definidas pelo território, avaliando cada uma delas (Também para o "risco alto")
- Definição de horários diferenciados nos setores econômicos para reduzir aglomeração nos sistemas de transporte público. (Também para o "risco alto")
- Adoção de quarentena, como expõe a Portaria 356/2020 (a), conforme avaliação do gestor.
Em comunidades do Rio, salto no número de infecções por Covid-19 ultrapassa o dobro da média da cidade

RIO — A demanda crescente no centro de testagem da Maré e o movimento de ambulâncias na UPA do Complexo do Alemão são consequências evidentes. Nesta nova escalada da Covid-19 no Rio, nos dez bairros onde os moradores vivem predominantemente em favelas, o salto nas notificações da doença foi mais que o dobro do registrado na média da cidade. Segundo dados extraídos do painel da prefeitura, o aumento foi de 105,3% em março deste ano em comparação com o período de 31 dias imediatamente anteriores. Enquanto isso, no município como um todo, em estado de alerta, o crescimento foi de 45,5%. Apesar da diferença significativa, o detalhamento dos números revela ainda o que ONGs e lideranças locais advertem há mais de um ano: a real dimensão da pandemia nas comunidades continua mascarada, sobretudo, pela escassez de exames para detectar o coronavírus.
Em Acari, Cidade de Deus, Complexo do Alemão, Gardênia Azul, Jacarezinho, Mangueira, Manguinhos, Maré, Rocinha e Vidigal, foram 702 casos notificados mês passado, contra 342 entre 29 de janeiro e 28 de fevereiro. Apenas o Complexo da Maré respondeu por 43,7% (307) do total. O que pode indicar o quanto de subnotificação há nas outras comunidades, uma vez que o conjunto de favelas da Zona Norte do Rio é o único com um programa estruturado de testagem dos moradores, numa ação que abrange também o Complexo de Manguinhos.
Modelo de ação
A iniciativa, que ajuda a traçar um quadro mais fiel da pandemia nesses dois territórios, integra o projeto Conexão Saúde — De Olho no Corona, que reúne instituições como Redes da Maré, Fiocruz, Dados do Bem e SAS Brasil, entre outras, em uma das mobilizações da sociedade civil que têm coberto o vácuo de políticas públicas para o enfrentamento da doença nas comunidades. No centro de testagem montado próximo à Avenida Brasil, a capacidade é de 120 exames PCR por dia, além de testes rápidos sorológicos. Quantidade que tem se esgotado rapidamente nas últimas semanas.
— Hoje (terça-feira passada), acabaram ao meio-dia. A demanda cresceu, e têm chegado de adolescentes a idosos, muitos com sintomas ou que tiveram contato com pessoas doentes — conta Everton Pereira da Silva, um dos coordenadores da testagem.
As amostras colhidas ali e em tendas móveis são analisadas pela Fiocruz, com resultados que alimentam também boletins quinzenais sobre a Covid na região. O mais recente ratifica a preocupante aceleração da doença: no período de 9 a 22 de março, o número de novos casos na Maré (132) foi 144% superior ao das duas semanas anteriores, entre 23 de fevereiro e 8 de março (54). Em Manguinhos, a curva é a mesma. Foram 33 casos, mais de quatro vezes os seis infectados do período anterior.
Tem crescido ainda o número de famílias que recorrem a outro serviço do Conexão Saúde: o Isolamento Seguro, que busca dar condições adequadas para pessoas com o coronavírus cumprirem a quarentena. Na semana passada, eram 38 famílias atendidas, chegando a 200 no mês. Entre elas estava a de Pâmela Carvalho, de 28 anos, que recebeu o diagnóstico positivo quando se preparava para distribuir cestas básicas na comunidade, no último fim de semana.
— A primeira reação foi um desespero, como medo de ter infectado outras pessoas. Depois, comecei a sentir dores nas costas, prostração, tosse e coceira pelo corpo — conta ela, que imediatamente procurou o Conexão Saúde. — Logo uma enfermeira e uma assistente social me ligaram. Além disso, recebi um guia de como fazer o isolamento, tive atendimento médico por telemedicina e ganhei kits de limpeza e higiene. Para não precisar cozinhar, diariamente também é entregue na minha casa café da manhã, almoço e jantar. Tem sido uma ajuda fundamental. Meu companheiro testou e deu negativo.
Coordenador do Isolamento Seguro, Henrique Gomes explica o impacto das medidas num espaço de favela.
— Buscamos entender as dificuldades dos moradores para fazer o isolamento. Muitas vezes, as casas têm poucos cômodos, e os moradores dependem do trabalho diário para se sustentar — diz Henrique, lembrando que o repique da Covid-19 veio num momento de hiato no auxílio emergencial do governo federal, levando a Redes a intensificar novamente a campanha de arrecadação para a distribuição de cestas básicas.
Números x realidade
Em outras comunidades, até o monitoramento dos casos e óbitos, muitas vezes, continua sendo feito por organizações da sociedade. É o caso do Painel Unificador de Covid-19 nas Favelas, uma iniciativa de ONGs como a Rio On Watch e da Fiocruz, que tenta dar um panorama da situação em 230 comunidades do Rio e da Baixada. A metodologia inclui relatórios locais, painéis como o da Voz das Comunidades e dados dos CEPs dos infectados divulgados pela prefeitura. Nas comunidades mapeadas, já são 33.921 casos e 3.593 óbitos pela Covid.
No Complexo do Alemão, por exemplo, até 23 de março, no Painel Unificador, tinham sido registrados 1.388 casos e 94 mortes pela doença. Nos dados oficiais da prefeitura, até a última quarta-feira, havia 266 infectados e 54 óbitos. E, de acordo com a pesquisadora Renata Gracie, do ICICT/Fiocruz e integrante do Painel Unificador, os obstáculos no acesso à assistência de saúde e à testagem não são os únicos motivos para essas diferenças que escamoteiam a realidade do coronavírus nas favelas.
— Os endereços dos domicílios em favela também são mais difíceis de georreferenciar devido à estruturação das ruas e à ausência de informação nos parâmetros do restante das áreas urbanas mais consolidadas. Mais de 50% dos endereços em favela não possuem informações de CEP. Os endereços fornecidos em alguns casos são de comércios próximos às favelas e de associação de moradores, muitas vezes, fora das delimitações de favelas — ressalta.
Na vida real, onde também é mais difícil conter aglomerações, profissionais de saúde de UPAs como a da Rocinha e da Cidade de Deus temem não dar mais conta da demanda. Em Manguinhos, com a UPA fechada há quase três meses, foi preciso montar uma sala de oxigenação na Clínica da Família. E no Alemão, a média de 30 pessoas que buscavam testes na Clínica da Família Zilda Arns algumas semanas atrás, segundo funcionários, agora não fica abaixo de 100. Na última segunda, houve um pico de 157.
À UPA local também não para de chegar gente. Na terça-feira, Maria de Fátima Albuquerque Manhães, de 63 anos, levou o filho, de 27, com dores nas costas e na garganta, a ponto de quase não conseguir falar. O temor era pela evolução do quadro do filho e pela sua própria saúde.
— Tenho medo de adoecer agora, quando estou prestes a me vacinar — dizia ela, em frente à UPA, de máscara e um frasco de álcool em gel na mão.
Jeferson Miola: "as Forças Armadas continuam no centro da política nacional, e isso não deveria ser aceito"

247 - O jornalista Jeferson Miola, em entrevista à TV 247, avaliou a reforma ministerial promovida por Jair Bolsonaro, que atingiu seis ministérios, e principalmente a demissão dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica.
Para ele, Bolsonaro e as Forças Armadas são um só corpo, que formam o Partido Militar, assim denominado pelo jornalista, e os detentores das armas continuam no centro da política brasileira. Bolsonaro é, segundo Miola, uma peça de um “poder oculto” formado por militares que mandam no atual governo e definem os rumos do país. Caso Bolsonaro perca sua utilidade, poderá ser descartado pela cúpula das Forças Armadas.
De acordo com o jornalista, as mudanças feitas por Bolsonaro, tanto nos ministérios quanto na cúpula militar, têm por objetivo “estabelecer uma aparente contradição” entre as Forças Armadas, Bolsonaro e o Centrão. Ou seja, a finalidade das alterações é dissociar a imagem dos militares de Bolsonaro e da política suja representada pelo Centrão. “Do meu ponto de vista, isso não representa um descarte do Bolsonaro ou uma condição mais terminal do seu governo, e tampouco representa um distanciamento das Forças Armadas do governo, e isso também que é dramático e trágico: as Forças Armadas continuam sendo o centro da política nacional, e isto é, do ponto de vista democrático, algo que não poderia ser aceito. Nós deveríamos fazer um convite muito gentil aos generais para que eles voltem aos quartéis, de onde eles jamais deveriam ter saído para interferir e atuar na arena da política”.
O processo, segundo Miola, pretende ainda uma repaginação das Forças Armadas e a busca por um novo Cavalo de Tróia, como foi Bolsonaro em 2018. O general Carlos Alberto dos Santos Cruz e o ex-juiz Sergio Moro se encaixam no perfil.
Negacionistas fazem buzinaço em frente a hospital e profissionais de saúde reagem: 'Respeite os pacientes'

247 - Negacionistas da pandemia decidiram fazer um buzinaço contra medidas de restrição no combate ao Covid em frente ao Hospital Municipal de Guaratuba, no litoral do Paraná, no sábado (3).
Eles ainda defendem o uso de "tratamento precoce", com medicamentos sem eficácia para a doença. A informação é do G1.
O ato foi realizado neste sábado (3) e organizado pela Associação Comercial e Empresarial de Guaratuba (Acig).
Profissionais da saúde reagiram estendendo cartazes com os dizeres “Silêncio, respeite os pacientes” e “Números têm nome”.
“Me entristeceu muito ver pessoas que lá atrás me ligaram de noite pedindo ajuda para um familiar com Covid, e outros que eu sabia que haviam perdido familiares”, criticou o secretário municipal de Saúde, Gabriel Modesto, ao G1.
“Foi difícil ver a forma como alguns nos receberam, com palavras contrárias, esquecendo que somos nós que estamos lá a qualquer horário lutando por eles”, completou Modesto.
Dilma Rousseff: “Neoliberalismo brasileiro é da época dos dinossauros”

247 - A ex-presidente Dilma Rousseff examinou o neoliberalismo brasileiro e sua intensificação até os dias atuais, quando crescem demandas por mais intervenção estatal diante do caos sanitário imposto pela pandemia da Covid-19.
O Brasil, apontou a ex-presidente, em entrevista à TV 247, é um dos únicos países onde a ideologia é tão presente que até mesmo na questão da vacinação o setor privado é visto como peça-chave.
“Os deputados da Câmara compartilham de uma visão de mundo. Pacheco e Lira são a favor de tentar resolver a questão da pandemia abrindo para o setor privado a possibilidade de comprar vacinas. Que mundo é esse que alguém acredita que isso é algo normal. Uma farmacêutica preferirá vender para um grupo de empresários ou para governos? Não é possível imaginar que isso é sério, que resolve o problema da vacinação. Não porque é o setor privado, mas porque o poder de compra de um governo é 100 vezes maior que o poder de compra do setor privado. Algum país ficou discutindo a participação do setor privado na compra de vacinas?”, questionou.
O papel do Estado
Para Dilma, sem o Estado não há como enfrentar situações como uma pandemia, que exigem grandes mobilizações. “O neoliberalismo brasileiro é da época de caçadores e coletores, é primitivo, quase da época dos dinossauros. Hoje não há dúvida que o Estado é necessário, que não tem como se tratar de uma pandemia, como enfrentar a saúde pública, se não se tem Estado. O Stiglitz, que foi chefe da assessoria econômica do Clinton, foi a público dizer que 40 anos de neoliberalismo, de diminuir o papel do Estado, foi responsável pelo fracasso dos países ocidentais no enfrentamento da pandemia”.
A questão da vida
Dilma condenou a gestão da pandemia por parte de governantes como Jair Bolsonaro e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), que em fevereiro lançou um vídeo chocante dizendo que as pessoas devem contribuir “com a sua vida” para “que a gente salve a economia” durante a pandemia de Covid-19.
“Hoje tem uma questão central no Brasil, que é a questão da vida. Temos de resolver essa questão, que implica em doença. Para doença, precisamos de vacina e isolamento social. Aqui no Rio Grande do Sul, estamos no epicentro da pandemia no Brasil. O que acontece com os governantes? Eles flexibilizaram. Tem o prefeito daqui de Porto Alegre que diz para as pessoas têm de aprender a dar suas vidas pela economia. O Bolsonaro conseguiu atemorizar todos que falam em lockdown”.
Maduro diz que variante brasileira da Covid deveria chamar “mutação Bolsonaro” (vídeo)

247 - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que a variante brasileira do novo coronavírus deveria ser chamada de “MUTAÇÃO BOLSONARO”. A informação é do DCM
“Ele é o culpado por abandonar o seu povo, por ser LOUCO, INSENSÍVEL, PSICOPATA, NÃO se IMPORTA com os brasileiros.
O Brasil é o epicentro mundial da variante mais perigosa da covid”, afirmou Maduro.
Natalia Pasternak: "A questão dos templos religiosos é algo que nem deveria discutir se deveria abrir"

247 - A microbiologista Natalia Pasternak criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes, em liberar a realização de cultos religiosos.
Em entrevista à CNN Brasil, a pesquisadora disse que realizar cultos religiosos quando o Brasil passa pelo pior momento da pandemia não deveria nem ser uma possibilidade, pois templos com aglomerações são locais propícios para a proliferação do vírus e deveria ser papel dos próprios líderes religiosos a estimular a realização dos cultos por outros meios.
"A questão dos templos religiosos no geral é algo que nem deveria discutir se deveria abrir.
Deveria estar sendo passado uma mensagem clara para a população de que, infelizmente, nesse momento, não é possível abrir porque são locais que chamam aglomerações e contribuem para o contagio", afirmou Natalia.
Segundo ela, os líderes religiosos deveriam assumir o papel e explicar por que não é possível realizar os cultos presencialmente.
"Os próprios lideres deveriam usar suas posições para passar a informação correta.
É pena que alguns não o façam e que haja um jogo político se aproveitando dessa situação", disse.
Nova Zelândia aumenta salário mínimo e eleva impostos para os mais ricos

247 - O governo da Nova Zelândia, comandado por Jacinda Ardern, aumentou o salário mínimo para 20 dólares a hora (17,5 euros), numa medida que vai abranger cerca de 175 mil trabalhadores.
A medida beneficia também os trabalhadores que recebem o seguro-desemprego e afastados por doenças.
Além disso, o governo também elevou a taxa de imposto para os mais ricos que ganham mais do que 180 mil dólares (153 mil euros) por ano para 39%.
Serão cerca de 2% dos neozelandeses, e a medida trará mais 550 milhões de dólares (468 milhões de euros) em receita.
Muitos dos trabalhadores essenciais neozelandeses que se mantiveram em actividade durante o confinamento recebem o salário mínimo.
Em 2020, os sindicatos tinham pedido um aumento do salário para estes trabalhadores.
“É muito importante para eles.
Parte é o dinheiro, parte é a dignidade de se sentirem recompensados pela comunidade pelos sacrifícios que fizeram”, disse o dirigente sindical John Crocker à televisão neozelandesa TVNZ.
Jacinda Ardern disse que as mudanças são o cumprimento de uma promessa pré-eleitoral e que representam “melhorias reais e que deviam já ter sido feitas há muito tempo para o apoio às pessoas mais vulneráveis”.
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