Aos FATOS

*

Um terço das mortes no mundo: 3 gráficos fundamentais para entender a pandemia no Brasil

Getty Images
Imagem: Getty Images

Matheus Magenta

Da BBC News Brasil em Londres

02/04/2021 08h15

A tragédia da pandemia no Brasil atingiu números tão alarmantes que fica cada vez mais difícil dimensionar as mortes que acontecem no país e ainda compará-las ao resto do mundo. Além disso, grupos que negam a gravidade da pandemia se valem de comparações ora com dados proporcionais, ora com dados absolutos.

De todo modo, é possível afirmar hoje que o Brasil concentra um terço das mortes diárias por covid no mundo, mesmo com 3% da população mundial. Além disso, morreu mais gente em março no Brasil do que na pandemia inteira em 109 países, que soma 1,6 bilhão de habitantes.

Sindicato cobra prioridade na vacina e ameaça greve no transporte

Além disso, dados oficiais de hospitais brasileiros apontam que o número de mortes por covid-19 já pode ter passado de 443 mil, quase 120 mil a mais que as estatísticas divulgadas pelo governo Bolsonaro. A mesma estimativa aponta que morrem cerca de 4.000 pessoas por dia no país.

A BBC News Brasil apresenta abaixo três gráficos para ajudar a entender a situação do Brasil e como ela se compara a outros países. Mortes diárias, mortes ao longo da pandemia inteira, velocidade da vacinação e quando o Brasil deve chegar a 500 mil mortes por covid.

1. Hoje, Brasil tem 3% da população mundial e 33% das mortes por dia no mundo

A população mundial soma quase 7,8 bilhões de pessoas. Em 31 de março de 2021, foram registradas 11.769 mortes por covid em todos os países do mundo juntos.

O Brasil, com 212 milhões de habitantes, representa 2,7% do total da população. Em 31 de março de 2021, morreram 3.869 pessoas por covid.

Um terço das mortes no mundo: 3 gráficos fundamentais para entender a pandemia no Brasil - BBC - BBC
Imagem: BBC

Ou seja, a cada 100 pessoas no mundo, 3 são brasileiras. E de cada 100 mortes diárias no mundo, 33 ocorrem no Brasil.

2. Covid matou mais em março no Brasil do que na pandemia inteira em 109 países juntos

Um dos principais argumentos das pessoas que minimizam a gravidade da pandemia no Brasil passa pelo tamanho da população. Afirmam que não é justo comparar o Brasil com países com menos habitantes.

Ou seja, segundo essa perspectiva, o Brasil, terceiro em número total de mortes, certamente estaria entre as nações com mais mortos por ser a sexta mais populosa do mundo.

E se o tamanho da população entrar na conta, o Brasil será o 17º em pior situação, atrás de países como Estados Unidos, Itália, Portugal, Reino Unido, Espanha e México.

Mas especialistas apontam que esse tipo de comparação esconde a situação atual do país, e mistura dados de países em fases diferentes da pandemia.

Então, seguem abaixo duas comparações levando em conta o tamanho da população e a situação atual do país.

Um terço das mortes no mundo: 3 gráficos fundamentais para entender a pandemia no Brasil - BBC - BBC
Imagem: BBC

A. Em março, morreram mais pessoas de covid-19 no Brasil do que em 109 países juntos durante a pandemia inteira. Foram 66.573 mortos no Brasil, país de 212 milhões de habitantes. Em 109 países, que somam 1,6 bilhão de habitantes, foram 64.571 mortes ao longo de 12 meses.

Esse grupo de países inclui 36 países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais alto que o do Brasil e 26 com mais de 20 milhões de habitantes. Entre estes estão Coreia do Sul, Austrália, Malásia, Nigéria, Gana, Angola e Vietnã.

B. Na comparação da taxa atual de mortes a cada 1 milhão de habitantes, o Brasil tem a sexta pior situação do mundo, atrás apenas de Hungria, Bósnia e Herzegovina, Seychelles, República Tcheca e Bulgária. Todos têm menos de 11 milhões de habitantes.

3. Brasil ocupa 18ª posição em ranking de vacinação

Há diversas formas de comparar o ritmo de vacinação entre os países. Em números totais, o Brasil estaria na quinta posição, com 18 milhões de doses distribuídas. Mas, como mencionado acima, mesmo aqueles que minimizam a gravidade da situação defendem que as comparações levem em conta o tamanho da população.

Nesse caso, o Brasil despenca para a 18ª posição global, com 9 doses para cada 100 habitantes. O líder é Israel, com 116 para cada 100 pessoas.

Esses números não consideram quem recebeu uma ou duas doses (que garantiriam a plena eficácia da vacina). Até agora, o Brasil já vacinou 7% da sua população com pelo menos uma dose. O Reino Unido vacinou 45%, o Chile, 35%, e os EUA, 29%.

Um terço das mortes no mundo: 3 gráficos fundamentais para entender a pandemia no Brasil - BBC - BBC
Imagem: BBC

Na comparação do ritmo atual de vacinação, o Brasil está em 13º lugar. São vacinadas duas pessoas a cada 1.000 habitantes por dia. No Uruguai, são 10 a cada 1.000.

4. Projeções do futuro próximo: 500 mil mortes até maio?

A falta de dados precisos sobre a situação da pandemia, algo que o Brasil enfrenta desde março de 2020, dificulta muito a análise do que acontece hoje e do que pode vir a ocorrer daqui um mês, por exemplo.

Mas há modelos matemáticos que tentam, com todas as limitações de falta de dados e incertezas, apresentar um retrato mais próximo da realidade que os dados oficiais.

Oficialmente, o Brasil ultrapassou encerrou o mês de março com a marca trágica de 321 mil mortos por covid-19 durante a pandemia. Mas registros hospitalares brasileiros apontam que o número de pessoas que morreram em decorrência de casos confirmados ou suspeitos da doença no país pode já ter passado de 443 mil.

Esse número foi divulgado em 1º de abril por Leonardo Bastos, estatístico e pesquisador em saúde pública do Programa de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ele lidera análises de nowcasting ("previsão do agora") numa parceria que envolve o Mave, equipe da Fiocruz de Métodos Analíticos em Vigilância Epidemiológica, e o Observatório Covid-19 BR, grupo que reúne cientistas de diversas instituições (como Fiocruz, USP, UFMA, UFSC, MIT e Harvard).

As estimativas apontam que morreram 4.000 pessoas por dia no Brasil nesta semana por casos suspeitos ou confirmados de covid em hospitais do país.

E a tendência é que a situação continue piorando. O Imperial College de Londres aponta que a taxa de contágio do país atualmente está em 1,12. A pandemia só recua quando esse número fica abaixo de 1.

Projeções do Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, apontam que é bastante provável que o pior cenário se concretize e o Brasil passe de 516 mil mortos por covid até 9 de maio.

A subnotificação, entretanto, aponta que isso pode ocorrer já em abril, caso a situação não melhore.

*

*

Marcelo Tas mente após entrevista de Lula e é desmoralizado por Cynara Menezes

Marcelo Tas

247 - Um dos responsáveis pelo discurso de ódio no Brasil, o comunicador Marcelo Tas postou uma informação falsa ao comentar entrevista que o ex-presidente Lula concedeu ao jornalista Reinaldo Azevedo nesta quinta-feira (1) e passou vergonha após ser desmoralizado por Cynara Menezes, que o desmentiu. 

Tas disse que Lula mentiu ao citar que Obama o elogiou quando era presidente dos EUA. “Nesta ocasião, o Obama não era presidente, ex-Presidente. Você é tão acostumado a não ser questionado que mente e nem sente. Sua "marolinha", além da cooptação do seu governo com empreiteiras destruiu a vida de muitos. Tenha coragem de encarar os fatos. Se dê ao respeito.” disparou.

Cynara Menezes rebateu a fala do comunicador com um print de uma reportagem, comprovando que sim, a fala de Obama foi proferida enquanto presidente dos EUA. 

Ela ainda criticou a postura de Tas: “quem mente é você. o ódio ao PT é uma desgraça para o jornalismo”.

*

Opinião: Olga Curado - Live do Dia da Mentira mostra a verdade sobre quem é Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na live desta quinta-feira (1º) - Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na live desta quinta-feira (1º) Imagem: Reprodução
Olga Curado

Colunista do UOL

02/04/2021 13h28

Atualizada em 02/04/2021 19h42

Em três minutos de análise da live do capitão neste 1º de abril, a imagem do autoritário, despreparado, desorganizado e egoísta. São esses os atributos que podem ser identificados quando se assiste à fala do capitão. Como desdobramento dessas qualidades, estão a infantilidade, a impaciência e a dissimulação.

Não é preciso percorrer os 58 minutos de exposição para entender do que se trata o capitão-deputado.

Joinville chega a mil mortos por covid e jornal vê "motivos para comemorar"

Fico em três minutos sem analisar as mensagens, as palavras em si, mas em relação ao conjunto dos sinais da sua comunicação.

Cabelo à escovinha, úmido, como quem saiu do banho para o "programa", mostra que tem preocupação em se apresentar bem, mas os ombros levantados e ligeiramente projetados para a frente demonstram tensão e falta de segurança - possivelmente está com os pés cruzados sob a mesa, um ensaio de movimento de quem vai pular em cima do outro.

Além disso, coloca-se ligeiramente à frente dos dois "parceiros de live", sentados ao lado dele, indicando que é o chefe. Uma postura típica que tem reforço numa fala recorrente de quem "quem manda aqui sou eu".

A cabeça projetada para a frente, como o queixo ligeiramente erguido, mostra, além da arrogância a vulnerabilidade, a insegurança. Como se a sua grande missão fosse a de desmentir e de desqualificar quem o contesta. Esse modelo que é impresso e se reproduz nas suas redes sociais, o "seu" exército, cuja atuação se baseia na intimidação.

A postura autoritária aparece também na maneira como apresenta os coadjuvantes do seu programa. Dá os nomes de cada um, porém, ao fazê-lo, não olha para eles e nem abre espaço para os dois fazerem quaisquer gestos, apontando com o dedo polegar - eu mando!

Numa manifestação inequívoca de autoritarismo, introduz "um dos mais novos ministros" sem lhe dar qualquer importância, num movimento de mão, como se estivesse empurrando para o lado algum objeto, revela desdém, mas que alimenta o servilismo de Roma, o tal ministro da Cidadania, que se apoia com as duas meias-mãos na mesa e mantém um sorriso beatífico de quem se sente ungido por mãos divinas a pertencer ao centro do poder.

A falta de repertório, a pobreza de vocabulário e estrutura de discurso denotam despreparo. Isso fica evidente nos primeiros três minutos da live e vai se repetindo monotonamente ao longo de quase uma hora. Ao anunciar a presença do presidente da Caixa, observa que o auxílio emergencial, uma das suas pautas, "tem tudo a ver coma Caixa também". Tem dificuldade de elaborar frases simples que contenham uma informação completa, como por exemplo: a Caixa Econômica Federal realiza os pagamentos dos beneficiários do auxílio emergencial.

O capitão-deputado tem pressão, é impaciente, quer se livrar dessas histórias de pandemia, de gente morrendo, de hospitais lotados. Nada disso o sensibiliza. Mas tem uma tarefa a cumprir e isso é representado pela mesa de "trabalho" cheia de bilhetinhos para alguém que não consegue ter uma linha de raciocínio estruturada, precisa ser alimentado pouco a pouco com informações em doses homeopáticas.

Quando inicia a sua transmissão olha para o conjunto da papelada à sua frente - dizendo que tem muita coisa importante para falar - mas está meio sem rumo - olha de um lado a outro e pega a primeira folha de papel sobre a mesa, numa ordem em que o capitão consegue entender o que vem primeiro, mas tudo apresentado de maneira telegráfica, em informação, mas contendo afirmações. São o ponto de partida para um discurso genérico. Ele não consegue elaborar raciocínios complexos ou juntar informações de maneira integrada.

E vai para a leitura, informando que "o governo federal continua liberando recursos para leitos de UTI". É interessante observar que, ao terminar de fazer a frase sucinta, joga o papel sobre a mesa, descartando, como se o assunto não tivesse a menor importância. Mostra uma certa impaciência e despreparo - sem trazer números, descrever processos, ou indicar concretamente como são realizadas ou coordenadas essas ações. Não tem paciência para os fatos. Portanto, não tem "faltado leito". Porém, para afirmar o que a realidade desmente, apela para a cumplicidade do novo-ministro Roma, olhando para ele pela primeira vez, apoiando-se no servilismo do funcionário que anui. A insegurança, mesmo com a roupagem de uma falsa convicção, aparece. Não posso mentir sozinho, diz sem falar. Que afundemos todos juntos! Reitera sem palavras.

O capitão precisa sempre de uma pequena plateia para garantir a ele mesmo um reforço de confiança. Tem o cercadinho do lado de fora do Palácio da Alvora, que o vitamina e os puxa-saco do WhatsApp. São essenciais para que ele fale com convicção. Não possui autoconfiança, precisa de claque, de alguém abanando a cabeça e babando ovo. Muito inseguro.

É contraditório essencialmente porque não tem recurso de organização lógica. Ainda sobre os leitos de UTI, diz que não está faltando, e se desdiz meio minuto depois, "mas se estiver faltando é falta de planejamento por parte dos interessados". Nesse sentido, reproduz um padrão recorrente, que é o de transferir responsabilidade quando há algum problema para cuja solução é cobrado, isentando-se.

É deliberadamente vago, recurso bem ao gosto do populismo: "o governo não mede esforço" para resolver a situação. Nunca demonstra concretamente os processos, ou descreve os resultados. Mantém a fala em abstrato, permitindo que, a partir daí, se criem slogans e histórias - na sua maioria fruto de imaginação paranoica - alimentando um público com perfil semelhante: despreparado, infantil, raivoso e autoritário.

O capitão-deputado por 27 anos tem o modelo mental perverso dos insensatos, dos tolos determinados, dos ignorantes, que usam uma meia informação para desmentir a realidade. Não falta seringa, comemora, lembrando que sofreu "pancada", com o Pazuello - sócio na tragédia, mas que "hoje ninguém fala que falta seringa". Sim capitão, não falta seringa porque não tem vacina. Seringas são usadas para aplicar a vacina.

A maneira do capitão-deputado se expressar, ligeirinho, às vezes tropeçando na própria língua, mostra a pressa de quem quer se livrar de um tema sobre o qual não tem conhecimento necessário, incapaz que é de analisar. Fica na pressa. Foi assim que mandou as pessoas que queriam vacina "comprar na casa da mãe". O capitão se vale do senso comum, da percepção ligeira, da obviedade e daí a impaciência quando lhe pedem explicações. Não as tem. Usa os palavrões como vocabulário de apoio.

A cena montada no Palácio da Alvorada para a live do capitão reformado revela com precisão como funciona a cabeça dele. Os papéis com os "lembretes", que são a pauta do programa, ficam enfileirados numa lógica confusa. Porque pega um que está no meio de uma sequência, indicando que os assuntos têm uma prioridade aleatória, ao gosto do chefe. Vai de pedaço em pedaço de papel, olhando aqui e ali, fazendo escolhas pontuais, porque não tem a capacidade para olhar o todo, a partir da sua complexidade, dentro de uma organização integrada.

Outro ponto importante que estrutura a imagem que pretende projetar e fortalecer é a de "coitadismo". Conta que é vítima de pancada, de massacre contra si pelos de sempre, a mídia, em especial.

Uma estratégia básica de vilões, quando são pegos com a mão no butim, é tentar se passar por vítima. Assim, cria algozes e distrai o público do que é está acontecendo. Na vitimização, o vilão conta que busca soluções, mas que é "impedido" - ele lembra que foi castrado - criando também um discurso em que os malfeitores são sempre os outros.

Mas é pura prestidigitação. O vilão não consegue esconder a sua natureza. O "não estou nem aí" - quando fala sobre leitos de UTIs é visível, ao se referir à compra de "material para entubação". Sim, o corpo fala. Com um gesto padrão de quem se "livra do problema", joga o papel em que está o lembrete sobre as ações do desgoverno dele, passa ao tema seguinte sem parar um segundo que seja para mostrar apreço, respeito por aqueles que são os personagens mais trágicos da pandemia: os doentes, os mortos, os parentes, o povo exposto à insanidade da gestão da pandemia.

Sim, o capitão deputado não está nem aí. Em apenas três minutos confirma, ao vivo e em cores: autoritarismo, despreparo, desorganização. Na contramão da realidade, usa o tempo para criar inimigos e fugir à responsabilidade. Até que a sociedade diga: capitão, não estamos mais aí para você.

*

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

________________________* QUARKS, LÉPTONS e BÓSONS ________________________* COMUNISMO de DIREITA e NAZISMO de ESQUERDA. É o FIM da PICADA...! ________________________* http://www.nano-macro.com/?m=1

9