Cientistas com Credibilidade em Baixa
'A ciência foi capturada pela luta de classes', diz autor de ‘Dez lições para o mundo pós-pandemia

SÃO PAULO - A ciência deve sair vitoriosa da pandemia, mas ainda não está claro se isso significa que ela será mais respeitada, afirma o cientista político e analista Fareed Zakaria.
Autodeclarado otimista, o comentarista da rede de TV CNN diz que governos estão aprendendo boa parte daquilo que descreve em seu último livro, "Dez lições para o mundo pós-pandemia" (Editora Intrínseca).
O que o mundo não está aprendendo, porém, pode comprometer planos para uma saída estratégica da catástrofe socioeconômica provocada pelo vírus.
Na opinião de Zakaria, doutorado em política internacional pela Universidade Harvard, duas das pragas que estão potencializando a pandemia são o populismo e a desigualdade.
Para ele, não não está claro ainda se ambas sairão fortalecidas ou enfraquecidas desse período, e ambas contribuem para a perda de confiança na ciência.
Na sua visão, a ciência está sendo usada politicamente para jogar a elite urbana contra uma classe de trabalhadores excluída da revolução digital.
Em entrevista ao GLOBO, Zakaria fala sobre como acredita que a pandemia está mudando o mundo e, em contrapartida, como a geopolítica está moldando a história da Covid-19.
Em que medida a história desta pandemia está repetindo a história de outras? Quais são as diferenças?
É uma questão importante.
Historicamente, quando olhamos para trás, o aspecto mais importante dessa pandemia será o fato de que a ciência venceu, e venceu muito rápido.
Essa é a primeira pandemia para a qual fomos capazes de produzir uma vacina nos primeiros poucos meses.
Em nove meses surgiram as primeiras vacinas clinicamente aprovadas.
Em poucas semanas, foi sequenciado o genoma do vírus e compartilhadas.
E as vacinas são extraordinariamente eficientes.
Cinco vacinas foram aprovadas no ocidente, após testes clínicos muito rigorosos, envolvendo provavelmente 100 mil pessoas.
Nenhum dos vacinados foi internado.
A história real é do triunfo da ciência.
O segundo aspecto é que essa foi primeira pandemia para a qual tivemos a capacidade de continuar a trabalhar e produzir algum grau de atividade econômica, apesar dos fechamentos, por causa da emergência da vida digital.
Então, quando analisarmos isso no futuro, esses provavelmente terão sido os fatores mais importantes na história dessa pandemia:
o triunfo da ciência e a emergência do mundo digital.
O senhor menciona o presidente Bolsonaro, negativamente, em dois capítulos de seu livro. Por que o Brasil virou um estudo de caso tão interessante?
Eu diria que tem um terceiro em que não menciono Bolsonaro diretamente, mas é pertinente no caso dele, porque é sobre o papel do Estado e sua eficiência.
O Brasil, para começar, não tem um Estado muito eficaz.
Mas uma boa liderança boa realmente faz a diferença.
A Grécia também não tem um Estado eficaz, mas possui um primeiro ministro muito inteligente e energético, que agiu logo e com vigor, escutando os cientistas.
Bolsonaro fez exatamente o oposto.
De diversas formas, ele fez tudo errado.
Ele é um estudo de caso de alguém que lidou mal com a pandemia desde o primeiro dia e nunca melhorou.
Boris Johnson [primeiro-ministro britânico] é um lider populista que lidou mal com a pandemia, mas depois mudou. Ele aprendeu com seus erros.
O Bolsonoro insistiu numa atitude anticientífica, se alinhando a pessoas ignorantes contra os cientistas, explorando o que eu chamaria de divisão de classes, uma divisão entre especialistas que tendem a ser egressos de uma educação urbana e uma população rural com menos escolaridade.
Em vez de tentar aplacar essa divisão, ele tentou acirrá-la e torná-la pior.
No cenário internacional, Bolsonaro agiu para minimizar a importância da cooperação global, minimizar a importância de tentarmos encontrar abordagens comuns para a pandemia e para problemas como a mudança climática.
Essa é uma estratégia tola, porque o Brasil precisa de cooperação internacional para obter vacina na quantidade que precisa.
Então, em todas as áreas, o que se viu foi Bolsonaro não apenas adotar a política com a qual é confortável — um populismo nacionalista raivoso de confronto — mas insistir nela mesmo que ela não estivesse funcionando e lhe retornado benefícios.
Para mim, isso foi uma surpresa.
Há outros líderes que têm inclinações similares a Bolsonaro, mas que se ajustaram.
Mesmo Trump, no fim de seu mandato, adotou uma estratégia bastante diferente em relação à Covid-19.
Bolsonaro me lembra uma famosa frase de Alexis de Tocqueville sobre a aristocracia da França antes da Revolução Francesa:
"Eles não aprenderam nada e não se esqueceram de nada".
Eles nunca foram capazes de aprender com os próprios erros e deixar de lado as políticas erradas para adotar outras novas.
Isso é o que Bolsonaro faz.
É estranho, porque em alguns aspectos, ele foi um político eficaz.
Mas nesse caso ele está não apenas errando mas sendo ineficaz.
Os cientistas estão tendo dificuldade em se fazer ouvir em muitos países, mas ainda existe um certo otimismo de que eles sairão da pandemia mais respeitados do que entraram. O senhor acha que isso é o que acontecerá?
Acho que não, porque acho a questão da confiança na ciência acabou se deixando levar pelos problemas de divisão de classe que eu mencionei, e é algo que está crescendo em todas as sociedades.
De um lado da divisão estão as elites urbanas escolarizadas, que aliás estão se saindo muito bem durante a pandemia porque em geral tem empregos ligados à economia digital.
Do outro lado estão as pessoas menos escolarizadas, com menos habilidades tecnológicas, ou rurais, que possuem grande ressentimento em relação às elites urbanas.
O problema do aconselhamento científico é que ele se deixou capturar por essa luta de classes.
Em lugares como Oklahoma, o estado com maior votação pró-Trump, há uma estimativa de que 50% das pessoas que teriam direito a se vacinar, não buscaram a vacina ainda, nem planejam buscar.
Isso não está acontecendo só nos EUA, acontece no Brasil.
Na França, entre 30% e 40% do público diz que não pretende se vacinar e não confia no conselho de especialistas.
Existe um ressentimento novo e confrontativo, que certamente é pior em lugares onde os líderes o encorajaram esse conflito de classes.
Não é por acidente que está acontecendo em lugares como o Brasil e os EUA, porque líderes como Trump e Bolsonaro encorajaram isso.
Isso faz parte de uma nova realidade, e infelizmente as forças estruturais continuam a alimentar e acirrar essa divisão.
Nos EUA, há uma lacuna que tem de um lado aqueles que prosperaram e conseguiram funcionar normalmente durante a pandemia — advogados, contadores, empresários, médicos, jornalistas, acadêmicos... —, aqueles que passaram a usar videoconferência e conseguiram manter alguma renda.
Do outro lado estão aqueles que fazem trabalho braçal, não só cerebral — pessoas que precisam sair de casa para fazer seu trabalho real.
Essa lacuna se tornou pior durante a pandemia, e o ressentimento direcionado aos especialistas e à classe à qual pertencem, as elites urbanas, provavelmente está crescendo, não diminuido.
Como a pandemia afetou o espectro político global? Além de Trump, outros líderes populistas autoritários perderão terreno?
É uma questão interessante.
Eu tenho olhado com atenção para isso, mas eu diria que a realidade é diversa, não existe um cenário muito claro.
Eu acho que isso acontece proque as forças do populismo são muito poderosas, principalmente no Ocidente.
Há alguns lugares onde forças populistas foram forçadas a recuar em eleições.
Trump perdeu para Biden e Bolsonaro parece ter perdido um bocado de popularidade.
Se Lula se candidatasse hoje, as pesquisas sugerem que ele venceria.
Por outro lado, na Europa, foi Macron quem perdeu muita popularidade.
Na Alemanha, a coalizão do governo de situação, com os Democratas Cristãos, perdeu popularidade.
Isso aconteceu, em parte, porque administraram mal a resposta à pandemia e se atrapalharam nas campanhas de vacinação.
Aparentemente, nos lugares onde se demonstrou competência, as chances de combater o populismo aumentaram.
Mas os tecnocratas supostamente competentes que não conseguiram ser competentes de fato sofreram grande revés.
As falhas da vacinação na União Europeia serão um golpe duro porque eles apostaram nisso.
O argumento deles era:
"Nós entendemos a ciência e sabemos administrar as coisas.
Nós não temos o apelo emocional do populismo, mas entregamos resultados práticos".
O problema é que quando você não entrega os resultados, coloca-se numa situação difícil.
Por isso, eu digo que o cenário é diverso, e não dá para começar a cantar vitória sobre o populismo ainda.
Mesmo os EUA, um lugar onde o populista Trump perdeu para o pragmático Biden, são um país divido em 50% para cada lado.
Quem quiser derrotar o populismo têm que entender que não existe mágica contra ele.
É preciso entender os anseios das pessoas e responder adequadamente a elas.
Como o senhor vê o problema da desigualdade em relação à pandemia. O sr. acha que desigualdade provocada pela agora pode recuar?
Essa é a mais preocupante tendência acelerada pela pandemia.
Ela não começou com a pandemia, algumas das forças por trás dela existem em todos os lugares, mas é a tendência mais preocupante que foi piorada pela pandemia.
Como eu expliquei, a desigualdade está crescendo internamente nos países, com a elite digital em contraposição à classe trabalhadora não digital.
Mas existe também a desigualdade global.
Nas últimas duas ou três décadas, tivemos uma era de ouro de redução da desigualdade global.
Entre 400 milhões e 500 milhões de pessoas saíram da miséria no planeta nesse período, mas uma grande parte delas está empobrecendo de novo agora.
Os países mais ricos do mundo conseguiram resistir e surfar a onda da pandemia muito melhor que os países pobres.
Veja os EUA, que acabaram de lançar um pacote de alívio de US$ 1,9 trilhão contra a Covid-19, vão gastar mais ainda em infraestrutura.
Poucos outros países do mundo podem fazer isso.
A Europa pode, o Japão pode, e só mais um punhado de países.
Enquanto isso, países como Brasil, Índia, Turquia e Indonésia vão enfrentar muito mais limitações, crises de endividamento e cortes de orçamento.
Eu suspeito que estamos entrando em uma era de desigualdade, com a situação piorando em um ritmo que não vemos há muitas décadas.
Isso ocorre à medida que os ricos estão conseguindo empréstimos para sair da crise, enquanto os pobres têm de cortar gastos.
Como a pandemia vai afetar a geopolítica? O senhor acha que ela vai ampliar a polarização entre EUA e China, por exemplo?
Não acho que a pandemia tenha atuado criando um novo mundo, mas acelerou mudanças que já estavam em curso.
A rivalidade EUA vs. China, por exemplo, já estava crescendo.
O que a pandemia fez, primeiro, foi acelerar o grau com que esses dois países seguem adiante.
A economia da China já se recuperou.
Os números saindo agora são impressionantes, com crescimento de 50% a 60% em varejo e produção industrial neste trimestre, em comparação com o ano passado.
Na China a vida está essencialmente normal.
Você não pode entrar ou sair do país facilmente, mas lá dentro as pessoas não estão mais nem usando máscaras, cinemas estão abertos, tudo voltou ao normal.
Nos EUA, a vacinação está indo muito bem e acho que logo o país vai estar em uma posição forte com relação à saúde pública.
E deve assumir a posição mais forte com relação à economia, porque tem capacidade de emprestar e gastar.
Então, os dois países estão seguindo adiante, enquanto a Europa está atolada em uma campanha de vacinação confusa, e o mundo em desenvolvimento enfrenta dificuldades tremendas.
Por isso eu descrevo no livro que vemos a emergência desses dois países em um jogo só deles.
E também começamos a ver a tensão entre eles se elevar e crescer.
Isso está agora englobando praticamente todas as dimensões da relação entre China e EUA.
Então eu acho essa é a forma que veremos o mundo tomar adiante:
uma nova polarização, complicada pelo fato de que ela se dá em um mundo muito interdependente, diferentmente da velha polarização entre EUA e União Soviética, que mal tinham relação um com o outro.
O ano mais forte do comércio entre EUA e União Soviética movimento US$ 5 bilhões.
A China e os EUA hoje movimentam US$ 5 bilhões por dia.
Então é um tipo muito diferente de bipolaridade, pelo qual não acredito que venhamos a ter o mesmo tipo de Guerra Fria, mas estamos vivendo num mundo polarizado que está ficando muito tenso.
Os países que têm dinheiro estão reagindo à crise econômica da pandemia com pacotes de estímulo. Isso era uma solução apontada também para lidar com outra crise, o aquecimento global. O senhor acha que esses pacotes podem ajudar a atacar também o problema do clima?
Isso vai depender de nós.
Eu digo no fim do livro que a pandemia perturbou muito o planeta, mas também abriu muitas possibilidades de mudança.
Cabe a nós decidir se vamos aproveitá-las.
A pandemia realçou um fator importante em lidar com alguns desses desastres naturais, sejam eles ameaças maiores de pandemias ou ameaças da mudança climática: a prevenção.
A pandemia nos fez perceber que a prevenção é muito melhor do que deixar o problema vir para depois reagir.
Veja o custo que a pandemia teve, comparado ao custo de algumas medidas de prevenção que poderiam ter sido tomadas.
Então, nós conseguimos ver os benefícios, mas temos uma realidade com os nacionalismos, a realidade da competição.
O que deveria acontecer é a pandemia realçar para nós que esses são desafios globais, que não podem ser enfrentado pelos países por conta própria.
A pandemia e a mudança climática são assim, e precisamos de mais cooperação global.
Já existe algum impulso nesse sentido que já estamos vendo.
As pessoas estão começando a entender.
Eu digo no livro que talvez isso seja a vingança da Natureza.
Para um mundo desenvolvimentista, que se desenvolve sem parar, sem refletir, sem fronteiras sem limites, estamos vendo a vingança da Natureza.
E temos que entender que a crise do clima também é, de sua maneira, uma outra reação da Natureza, se não uma 'vingança'.
Então, evidentemente existe um argumento aí, e alguns o compreendem.
Outros, mais limitados, preferem se retrair em egoísmo, fechando fronteiras.
Qual postura será tomada eu não posso prever, porque como seres humanos, nós ainda temos livre arbítrio.
Mas eu digo com certeza que a coisa certa a fazer é entender isso como um aviso para estender a mão e encontrar uma maneira de cooperar, para lidar com essas ameaças e desafios, porque não podemos derrubá-los sozinhos.
Há países que estão fazendo isso, mas o desafio é que será preciso realmente ter quase todos os países do mundo trabalhando juntos nisso.
Com a pandemia, não estaremos seguros até todos estarem vacinados.
Com o aquecimento global precisamos ter ao menos de todos os países grandes na jogada.
Eu sou um otimista por natureza.
Então estou observando os países onde se vê ação positiva saírem da pandemia, e acho que isso é real.
O seu livro foi lançado originalmente em outubro passado. Se o estivesse escrevendo agora, incluiria alguma outra lição a ser aprendida na pandemia?
A coisa mais importante que meu livro não cobriu é que que tivemos uma segunda onda que foi muito reveladora.
O que ela revelou é que, apesar de ser importante ter um Estado competente e funcional, que é um fator crucial para responder à pandemia, o Estado é importante, mas a sociedade também é.
Os países da União Europeia lidaram com a primeira onda da pandemia muito bem, melhor que os EUA e o Reino Unido, e certamente melhor que o Brasil.
Mas depois de algum tempo, eles passaram por uma segunda.
Por quê?
Aconteceu que as pessoas na Europa ficaram cansadas de escutar aos governo e começaram a desafiar e violar as regras de distanciamento social.
Em agosto, a França decidiu voltar a fazer o que os franceses tradicionalmente fazem, comemorações em bares, restaurantes, viajar para o sul e para o campo.
A Alemanha decidiu que iria comemorar o Ano Novo como de costume.
Tudo isso levou a grandes picos de infecção.
No extremo Oriente, por outro lado, vimos as pessoas manterem a disciplina e continuarem escutando a s autoridades.
O que isso me fez perceber é uma disparidade entre as sociedades caracterizadas como mais coletivistas ou mais individualistas.
A diferença crucial é que as sociedades coletivistas, aquelas que encararam a resposta à pandemia como um projeto nacional comum, saíram-se bem.
Taiwan, Vietnam, Coreia do Sul e Cingapura estão entre os exemplos.
Existe clichês e caricaturas sobre o Oriente em oposição ao Ocidente, mas é verdade que as sociedades ali mostraram um bocado de coesão nacional, como numa situação de guerra.
Nesses países o senso de comunidade sempre foi muito enfatizado.
Neste caso, o individualismo do Ocidente, que normalmente pode ser uma vantagem, significou que não vimos a resposta à pandemia como um esforço coletivo.
O uso de máscaras faciais é uma boa metáfora para aquilo que estamos vendo, porque a máscara que você veste não protege tanto você quanto ela protege a pessoa com quem você interage.
Então, o pacto comum que fazemos é:
"eu visto a máscara para proteger você, você a veste para me proteger, e juntos estaremos seguros".
Esse é o espírito necessário para abordar uma pandemia.
É mais fácil fazer isso no Oriente, onde se pensa em termos coletivos, e difícil no Ocidente, onde pensamos essencialemnte em termos autocentrados.
O senhor acha que o planeta está efetivamente aprendendo as lições que elenca no livro?
Acho que estamos fazendo algum progresso.
A maneira com que a administração Biden lida com a pandemia em comparação com a administração Trump.
Dá para ver que aprenderam algumas lições e estão se dando melhor.
Quando Biden assumiu em janeiro, os EUA estavam vacinando entre 600 mil e 700 mil pessoas por dia.
No meio de março teve um dia em que vacinamos 4,5 milhões de pessoas.
Os EUA vacinaram naquele dia mais gente do que foi vacinada na Itália nos últimos três meses.
Os EUA estão mostrando que o Estado pode ser competente, que a boa liderança faz diferença.
Uma das previsões que eu fiz é que as pessoas começariam a olhar para além dos mercados financeiros e reconhecer que o mercado livre não é uma solução única para todos os problemas.
Estamos vendo isso com os pacotes de alívio contra a Covid-19 na Europa e nos EUA.
A lição com a qual eu mais me preocupo, porém, é as pessoas se darem conta que estamos vivendo perigosamente.
Nós provocamos desmatamento em escala maciça, matando o hábitat natural de espécies no mundo todo.
Nós passamos a usar uma quantidade enorme de energia, jogando 50 bilhões de toneladas de CO2 no ar todos os anos que ficarão na atmosfera por milhares de anos.
Nós tratamos os oceanos da forma que vêm sendo tratados.
Quando fazemos tudo isso, estamos criando riscos muito significativos, e precisamos encontrar uma maneira mais sustentável de viver.
Precisamos crescer, inovar e avançar, mas tendo em mente que só temos um planeta.
Essa é a lição que espero que aprendamos.
É a mais difícil de aprender, porque a que requer a maior mudança, mas a mais importante, porque se não a entendermos, talvez não haja tempo para correções.
Como um brasileiro escancarou o racismo no futebol australiano

Escravo, cachorro negro, negro sujo, chimpanzé, macaco. A coleção de xingamentos racistas foi acumulada pelo brasileiro e australiano Héritier Lumumba, de 34 anos, ao longo dos 11 anos que jogou futebol australiano — esporte mais popular do país, uma mistura de rugby e futebol americano — e foi um dos astros do campeonato local. As injúrias vinham dos próprios colegas de clube. Na maior parte do tempo, o jogador, nascido na Zona Norte do Rio de Janeiro, atuou pelo Colingwood, um dos principais times do país.
As denúncias de Lumumba explodiram o clube recentemente. Uma investigação independente chegou à conclusão que havia racismo sistêmico na instituição. Três dias após a publicação, Eddie Mc Guire, homem influente da mídia australiana e presidente do clube há mais de duas décadas, renunciou ao cargo.

Mas não foi fácil como o parágrafo acima deixa a entender. As denúncias começaram em 2013, quando Lumumba era destaque do time e respondeu, no Twitter, uma piada do presidente do clube sobre aborígenes e o filme King Kong. Ele havia comparado um jogador de origens indígenas ao gorila, dizendo que ele seria uma boa opção para promover a estreia do musical.
— Ele fez essa piada e ninguém no clube ou da liga falou nada. Foi como se nada tivesse acontecido. Não foi uma coisa dita por qualquer um na rua, saiu do cara que é considerado um dos mais poderosos no país. E, para mim, quando se combina uma posição como a dele, de poder, com racismo, é algo muito perigoso. E as pessoas ao meu redor trataram como se fosse nada — conta Lumumba, por telefone, ao GLOBO.
A reação à ação de Lumumba nas redes o surpreendeu.
—Foi o começo de outro grau de racismo que tive que enfrentar. Pessoas em posição de liderança falaram que eu estava errado e que o traí. Tentaram me empurrar essa história de que foi “mimimi” da minha parte. Pelo que eu reparo, racistas têm as mesmas perspectivas no mundo inteiro — avalia o ex-atleta, que tem advogados atualmente em conversa com a equipe jurídica do Collingwood, para avaliar uma indenização. Graças ao episódio, ignorado depois de pouco tempo na época, ele deixou o clube no ano seguinte, e seguiu jogando até dezembro de 2016.
Já aposentado, ele voltou ao tema no ano passado, quando a onda de protestos do movimento “Vidas Negras Importam” chegou à Austrália. Ao questionar, também via redes sociais, as postagens da liga australiana e de clubes, como o próprio Colingwood, pedindo respeito e apoiando os protestos, o brasileiro relembrou sua história. E o novo momento da sociedade desencadeou uma onda de acontecimentos em que sua dor foi reconhecida.
No dia 31 de janeiro, o jornal “Herald Sun" vazou um relatório nomeado “Do Better” (Faça Melhor), documento desenvolvido a pedido do próprio Collingwood, para investigar práticas discriminatórias dentro do clube e, em geral, na Australian Football League (AFL). Produzido por duas professoras acadêmicas a partir de 35 entrevistas feitas ao longo de seis meses, o relatório foi categórico ao diagnosticar o racismo institucional.
“Ficou claro que funcionários, jogadores, ex-jogadores e torcedores têm experienciado incidentes de racismo e a resposta de Collingwood para esses incidentes foi, na melhor das hipóteses, ineficaz, ou, na pior, agravou o impacto dos incidentes racistas (...) Os contínuos fracassos em a esse respeito falam de um racismo sistêmico dentro do Collingwood Football Club que deve ser tratado se as coisas quiserem mudar”, dizia o relatório.
Angola e Brasil
Fiho de uma diáspora, Lumumba cruzou um longo caminho, tal qual aqueles que o antecederam: fugido da guerra civil que ocorria na Angola, seu pai veio para o Brasil e foi parar na comunidade da Serrinha, em Madureira. Lá, conheceu a mãe de Lumumba, manauara que morava no Rio. Foi entre a comunidade e o bairro de Vila Isabel que o atleta passou os primeiros dois anos e meio de vida, até a ONU oficializar a situação do pai como refugiado e oferecer a Austrália como asilo. O futuro jogador, a mãe e o irmão embarcaram alguns meses depois.
— Faço parte da primeira geração das pessoas consideradas afro-australianas, porque, antes dos meus contemporâneos, não tinha uma grande quantidade de afrodescendentes se socializando. Quando cheguei, o país estava abrindo as fronteiras, por conta das leis da ONU — relembra ele.
Ao assinar com o Collingwood, no final de 2004, uma semana depois de fazer 18 anos, descobriu, logo de cara, mais uma forma em que o racismo pode se expressar.
— Na primeira entrevista que dei, fizeram uma matéria dizendo que eu podia estar pedindo esmola nas ruas e favelas. Isso com menos de um mês de contrato assinado. Eram várias forças me alcançando com a discriminação racial. A mídia, os torcedores, os colegas de time, os adversários — conta ele, que fez questão de ser entrevistado para um jornal brasileiro por um negro, e se mostrou curioso sobre os episódios de racismo que o repórter já havia passado na carreira. Só assim, segundo Lumumba, seria possível contar sua história da maneira certa.
Nos anos em que morou na Austrália — hoje ele vive em Los Angeles, nos EUA, com a família —, sempre retornou ao Brasil de férias, mas, depois de encerrar a carreira, tirou da gaveta o passaporte brasileiro e comprou uma passagem só de ida para o Rio, dividindo por alguns meses o tempo também com Salvador, na Bahia, onde tem família.
— Sempre me identifiquei mais com minhas origens africanas do que minha nacionalidade australiana, conquistada pela jornada do meu pai, fugido de uma guerra civil, gerada pelo imperialismo, que, no fundo, é racismo. A minha história é simplesmente uma continuação da dos africanos atravessando o Atlântico e chegando ao Brasil. Para me sentir humano, eu tinha que “aquilombar”, ir atrás da minha cultura. E eu sempre voltei à Serrinha. Em qualquer lugar do mundo temos que achar espaços que respeitem nossos direitos e humanidade.
Jovens marcam festas no Rio por grupos de mensagem e debocham da fiscalização que combate à Covid-19

RIO — Eram 6h do domingo retrasado quando a mensagem mais aguardada no grupo de uma festa clandestina foi postada. Nela, os organizadores informavam o ponto de encontro: ao lado da estação do metrô Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca. No local, quem não tinha comprado ingresso antecipado deveria aguardar uma van para ser levado ao endereço da balada. Somente a “lista amiga”, que permitia pagar mais barato, tinha 35 nomes. Numa casa com piscina, DJs, drinques e aglomeração, o evento transcorreu em clima de rave por 14 horas — das 8h às 22h de domingo. Nenhum fiscal apareceu para acabar com a farra.
Nas últimas semanas, repórteres do GLOBO entraram em grupos de WhatsApp em que jovens marcam eventos à revelia das regras sanitárias. Neles, os participantes também falam das medidas restritivas — em geral, criticam — e comemoram quando conseguem ludibriar a fiscalização, no momento em que o Rio enfrenta um dos piores momentos da pandemia. Neste domingo, dia 4, no estado, 682 pessoas aguardavam na fila por uma UTI. São 15 dias seguidos do aumento da média móvel de mortes e 37.687 óbitos desde o ano passado.


Mas, só neste fim de semana, foram três festas flagradas pela prefeitura, uma delas em um barco. As máscaras não têm vez entre essa turma e, quando muito, são usadas por garçons e seguranças. Nas conversas pelo aplicativo de celular, debocha-se até do álcool em gel na entrada de alguns lugares. Apesar da proibição de vídeos e fotos, imagens compartilhadas pelos participantes mostram que, no domingo, dia 28 de março, dançarinos dividiam o palco com um DJ. Na pista coberta, os convidados não ficavam a um palmo um dos outros.
Como a fiscalização tem apertado o cerco, os organizadores só divulgam o endereço dos eventos para quem comprou ingresso antecipado — normalmente pago pelo PIX. As casas alugadas tanto podem ficar em bairros conhecidos como em chácaras longe do Centro. Uma das táticas, diz a prefeitura, é promover as festas em áreas com influência do crime organizado, principalmente milícias:
— Também tivemos um fenômeno de migração de festas para outros municípios e para áreas de influência do crime organizado, na tentativa de dificultar a fiscalização — explica Breno Carnevalle, secretário de Ordem Pública.
Até profissional da Saúde
A cada evento, os organizadores criam artimanhas para tentar escapar dos fiscais. Nesses espaços, regados a bebidas e, em alguns casos, a drogas, é como se a pandemia não existisse, diz João, um frequentador que conversou com o GLOBO e pediu para usar nome fictício. Desde dezembro, ele vai a festas clandestinas nos fins de semana de folga. Funcionário da área de Saúde, ele atua com pacientes internados com Covid-19.
— Comecei a ir como válvula de escape do estresse do dia a dia. Acho que a maioria vai por isso. Há muita gente que trabalha com Covid-19, e mesmo assim, vai às festas.
Por trabalhar na linha de frente do combate à pandemia, João foi vacinado e assegura que as idas a festas têm sido “ocasionais”. Mesmo assim, admite viver um impasse toda vez que chega ao hospital e vê os doentes:
— Você colabora para a propagação da doença. No começo, estava muito agoniado, mas, depois de um tempo, a preocupação diminuiu. É como uma montanha-russa: quando estou na festa esqueço do mundo lá fora; mas, quando volto, me sinto culpado.
As discussões nos grupos de mensagens beiram o absurdo. Há os que dizem acreditar, erroneamente, já estarem imunes ao vírus, sobretudo, por estarem muito expostos. Há até quem argumente que o uso de drogas “criaria uma camada protetora nas paredes das vias aéreas”. Eles também defendem a vacinação dos mais jovens porque “os idosos não saem de casa”. A decisão dos prefeitos Eduardo Paes, do Rio, e Alex Grael, de Niterói, de apertar as regras sanitárias desencadeou críticas. “Falam tanto das festas, mas acho que acabamos nos tornando mais resistentes ao vírus”, arrisca um integrante.
Segundo a Secretaria municipal de Ordem Pública, 101 eventos foram suspensos este ano: média de mais de um por dia. O secretário Breno Carnevalle compara o trabalho a um jogo de “gato e rato”:
—É a concretização do negacionismo. Até denuncias falsas são usadas como contrainformação.
Um fenômeno que acontece também em São Paulo, onde o “Comitê da Blitze” desmontou, em pouco mais de um mês, mais de 700 festas clandestinas em todo o estado. Ontem, a polícia fechou um evento com mais de 130 pessoas na capital paulista. Segundo a Vigilância Sanitária, não são apenas jovens que se aglomeram, mas também adultos e idosos.
Caso Henry: testemunha diz que outro menino teve mudança de comportamento ao conviver com Dr. Jairinho

RIO — Neste domingo, dia 4, o “Fantástico”, da TV Globo, mostrou mais uma testemunha que será ouvida pela polícia nas investigações que apuram a morte do pequeno Henry Borel, de 4 anos, que já chegou morto ao hospital no dia 8 de março. Ela é amiga de uma ex-namorada do médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), padrasto do menino. Em entrevista para a TV, ela conta que desconfiou das atitudes do vereador com o filho de sua amiga, um menino de 8 anos.
— Percebi que o menino estava com umas manchinhas roxas. Um pouquinho na barriga, um pouquinho na perninha. A segunda vez eu escutei a mãe falar que tinha acordado de madrugada, como se ela tivesse sido dopada de remédio. Ela levantou com as pernas pesadas, e ele (Jairinho) estava dando banho na criança — narrou a mulher, que preferiu não ser identificada.
Ela contou ainda que a criança teve uma mudança brusca no comportamento, passou a ficar triste, ter medo e a acordar gritando, embora Débora, a mãe do menino, tenha negado qualquer tipo de agressão em seu depoimento dado na delegacia. A mãe confirma que ele sofreu, por exemplo, uma fratura, mas sugere que foi um acidente.
Já a amiga, questionada se ela tinha certeza do que estava falando ou se era uma lembrança de ouvir dizer, respondeu que conhece a criança desde a barriga da mãe, que convivia com ela e sabia da alegria que o menino sentia e da tristeza que passou a sentir.
— A mudança de comportamento da criança foi muito brusca. Ele passou a ter muito medo, dormia e do nada acordava gritando — relatou ao “Fantástico”.
Traumas
As investigações chegaram ainda à história de outra criança, uma menina, hoje de 13 anos, que há dez dias prestou depoimento da Delegacia da Criança e do Adolescente. A mãe dela, uma cabeleireira de 31 anos, que prefere não ter o nome revelado, deu uma entrevista ao GLOBO, publicada sábado. Ao “Fantástico”, a também ex-namorada do vereador se emocionou.
— Comecei a pensar: ‘Será que se eu tivesse feito alguma coisa, isso teria sido evitado?’ — disse, referindo-se à morte de Henry.
Ela contou que a filha, que tinha 3 anos à época, chorava e vomitava ao ver Jairinho. A cabeleireira revelou na 16ª DP (Barra da Tijuca) que a menina chegou a ter a cabeça afundada por ele em uma piscina.
Ao "Fantástico", a cabelereira afirma que, em depoimento, a filha diz que se lembra de entrar num lugar — ela não sabe descrever —, mas que tinha uma cama e uma pisicina, e que ele a afundava. Além das agressões na piscina, a filha deu detalhes de agressões que ela não tinha conhecimento. Segundo o relato, o vereador ficava em pé na barriga da menina quando ela estava deitada, além de torcer o braço e a perna dela.
O “Fantástico” também ouviu os advogados de Jairinho. Ele nega a agressão a outra criança e diz que colabora com a investigação sobre a morte de Henry.
Morto no dia 8 de março, Henry passava aquela madrugada com a mãe, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, e o padrasto, o Dr. Jairinho.
Ele havia passado o fim de semana com o pai, o engenheiro Leniel Borel de Almeida.
De acordo com depoimentos prestados por Monique e Jairinho, na 16ª DP, eles assistiam a uma série na televisão, quando, por volta das 3h30, encontraram Henry caído no chão, com olhos e mãos gelados e olhos revirados.
Os dois então levaram Henry para o Hospital Barra DOR, mas as pediatras que o atenderam na emergência garantem que ele já chegou morto à unidade e com as lesões descritas pelo Instituto Médico-Legal (IML):
hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente, e equimoses, hematomas, edemas e contusões.
Ângela Diniz, Weinstein e Rambo | Opinião - O Globo
Por Marcello Serpa
Faz tempo que caiu a ficha que o roteiro dos últimos milênios foi escrito por um homem.
Fomos nós, homens, que criamos as escrituras e as leis, dominamos a política, cultura, economia, ciência, definimos os dogmas e códigos que determinam o comportamento social.
Como um complemento do homem forte e guerreiro, colocamos a mulher num pedestal, um lugar tão idealizado quanto conveniente. A mulher frágil, casta, a mãe sagrada, virgem, protetora do lar e da família, a Cinderela sempre à espera do príncipe, a musa inspiradora do gênio masculino, a tal grande mulher que sempre está atrás do grande homem.
O cânone masculino, de tão onipresente e dominante, fez muitas mulheres, tirando algumas bruxas incineradas aqui e ali, acreditarem na eternidade do papel que lhes fora designado. Qualquer tentativa de mudar a narrativa era rechaçada como se “feminismo” fosse algo perversamente contra a ordem natural das coisas.
Aos poucos, elas foram se livrando do trabalho caseiro. Primeiro, substituindo no mercado de trabalho os homens ausentes que, ao ir para suas guerras, acabavam a morrendo nelas. Trabalho e estudo superior deixaram de ser exceção. Logo começou a luta pelo direito de votar, trabalhar livremente, divorciar-se, arbitrar sobre seu corpo e sua sexualidade.
O feminismo é uma luta sem fim, uma série de pequenas conquistas que, somadas ao longo do tempo, resultam numa revolução. Não é à toa que logo nasce o #metoo, provocando a queda de predadores como Weinstein, Epstein e João de Deus. Senhores poderosos fazendo gracinhas sexuais sem graça, apertando uma bunda aqui e outra ali, vão perdendo seus cargos e empregos. São punidos por ser ignorantes ou arrogantes demais para perceber que os tempos mudaram, que as mulheres não aceitam mais as “paquerinhas” de quem, numa posição de poder, se acha acima de todas.
Cansadas do banco de passageiro, estava na hora de elas assumirem a direção e a criarem suas narrativas.
Cindy Gallop, publicitária inglesa, lançou uma plataforma chamada “Make love not porn”. Ela percebeu como a influência da pornografia pesada criou uma geração de analfabetos sexuais com acesso livre a “zilhões de filmetes” criados por homens para uma audiência de homens. Eles são tutoriais de um sexo acrobático, mecânico e muitas vezes agressivo, uma atividade aeróbica onde só o ato importa, não o antes nem o depois. Longe de ser uma conservadora pudica, ela incentiva uma visão mais feminina da pornografia.
De Londres, veio a serie de TV “I may destroy you”, criada, dirigida e estrelada por Michaela Coel. O estupro da personagem expondo a cultura predatória de homens covardes e inseguros. A série é uma master class sobre a palavra mais importante hoje nos relacionamentos entre os sexos, pessoas e gêneros: consentimento. O que é, seus limites e as zonas nebulosas que existem entre um sim e um não.
Branca Vianna e Flora Thomson-DeVeaux criaram o podcast “Praia dos Ossos”, sobre o assassinato de Ângela Diniz por Doca Street em 1976. O crime foi cruel; o primeiro julgamento, hediondo. Mídia e sociedade destruíram a imagem da vítima, uma mulher forte e independente, que recusava o papel que lhe era imposto pela tradicional família brasileira. Condenaram a vítima para inocentar o assassino. É um tratado sobre a escalada do feminicídio no Brasil. Não foi coincidência que mês passado o STF enterrou a tese da “legítima defesa da honra”. A série sueca “Beartown” e o filme “Bela vingança” expõem de forma clara e contundente o mal que o privilégio masculino pode causar em meninas que chegam perto demais de homens/meninos embriagados pelo excesso de testosterona.
Não sou feminista, apenas um pai de 3 mulheres que acredita que nós, homens, devemos ouvir, entender e aprender algo sobre elas e, por tabela, muito sobre nós mesmos. Que deixar de lado os “Rambos”, “Velozes e Furiosos” e “007s” para dar atenção a conteúdos maravilhosos, criados, produzidos e estrelados por mulheres, pode ser surpreendente.
Quem sabe aprendemos também a nos relacionar melhor, dentro e fora do quarto, com essas mulheres mais poderosas e autoconfiantes que estão ao nosso lado. Fugindo do velho roteiro e longe das idealizações do passado poderemos, no mínimo, aprender a respeitá-las.
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