COVID-19 : o PIOR ainda está por VIR.
Bolsonaro ofende jornalista, ataca STF e ameaça governadores com Exército

247 - Na véspera da instalação da CPI do Genocídio, que vai apurar a condução do governo federal no enfrentamento á Covid-19, Jair Bolsonaro chamou um jornalista de “idiota”, fez ataques ao Supremo Tribunal Federal e ameaçou usar as Forças Armadas contra governadores que insistam na adoção de medidas restritivas para conter o avanço do coronavírus. “Não estiquem a corda mais do que está esticada”, disse Bolsonaro nesta segunda-feira (26), durante viagem à Bahia.
Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, Bolsonaro disse, ainda, que o papel das Forças Armadas é garantir o cumprimento da Constituição. “[Os governadores] estão seguindo o artigo quinto da Constituição? Está sendo respeitado o direito de ir e vir, o direito de a pessoa ter um emprego, ocupar o tempo para exercitar a sua fé? É só ver se isso está sendo respeitado ou não”, disparou.
O ex-capitão também criticou o STF por ter autorizado que estados e municípios adotassem medidas restritivas próprias sem precisar do aval do governo federal. “É inconcebível os direitos que alguns prefeitos e govenadores tiveram por parte do STF É inconcebível. Nem estado de sítio tem isso”, disse.
Ele também atacou verbalmente uma repórter que o havia questionado o fato dele ter posado para uma foto em Manaus com uma placa escrito “CPF cancelado”, que faz referência a pessoas assassinadas por milícias. “Não tem o que perguntar, não? Deixa de ser idiota”, disse Bolsonaro à jornalista.
"O pior ainda está por vir", diz epidemiologista Wanderson Oliveira sobre pandemia

247 - O epidemiologista e ex-secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde Wanderson Oliveira afirmou nesta segunda-fiera (26), em entrevista ao "Jornal da CBN", que o pior período da pandemia de Covid-19 no Brasil "ainda está por vir".
De acordo com o especialista, a tendência é que os números de casos e mortes em decorrência da Covid-19 aumentem no país com a chegada do inverno. "A questão é que nós teremos uma probabilidade de uma nova recrudescência da pandemia em meados de 20 de junho, mais ou menos, por causa do inverno. Nós fizemos com que o vírus se comportasse de uma maneira atípica num período que não era esperado ter esse aumento de casos. Se você observar o que foi o verão no hemisfério norte entre junho e agosto de 2020, era daquela maneira que nós precisávamos ter vivido".
Segundo Wanderson Oliveira, nem mesmo a vacinação será capaz de conter um novo pico da doença, visto que o país deveria ter vacinado ao menos todas as pessoas acima de 50 anos até maio. "A vacinação que estamos fazendo é para, em 2022, a gente ter, talvez, um verão muito menos trágico do que tivemos agora. [Para a] imunidade coletiva, nós precisamos ter uma vacinação que atinja de modo homogêneo pelo menos entre 70% e 85% de toda a população. Se eu não posso vacinar as pessoas com menos de 18 anos, a população que pode receber vacina representa em torno de 74%. Eu não creio que teremos essa proporção ainda em 2021, quiçá em 2022".
Glenn Greenwald diz que chamar Bolsonaro de genocida é 'ofensivo' e 'estúpido'

247 - O jornalista Glenn Greenwald, em entrevista ao jornal paranaense Gazeta do Povo, afirmou que julga "ofensivo" e "estúpido" classificar Jair Bolsonaro como "genocida", mesmo sendo ele responsável por milhares de mortes no Brasil em decorrência do negacionismo e da péssima gestão da pandemia no Brasil.
Para Greenwald, chamar Bolsonaro de "genocida" é o mesmo que comparar o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump ao ditador Adolf Hitler. "As pessoas não se satisfaziam em criticar Trump pelo que ele merecia ser criticado. Trump defendia políticas que eu não só desaprovava como considerava perigosas. Mas não bastava dizer isso. Era preciso compará-lo a Hitler. Você tinha de dizer que ele era ditador, supremacista branco, que ele foi chantageado pela Rússia, que era um agente russo infiltrado. Rótulos malucos e extremistas tinham de ser colocados nele e, se você não fizesse isso, acabava acusado de ser um apoiador de Trump. Um dos motivos para eu ser contrário a essa abordagem é que ela é desonesta. Trump não é um Hitler. E acho que é ofensivo usar o Holocausto e Hitler para se referir a alguém que não é, de forma alguma, capaz de tentar fazer o que fez de Hitler um ser tão unicamente mau, como matar milhões de pessoas por causa da sua raça e religião. Intelectualmente eu considero isso ofensivo, historicamente eu considero isso ofensivo. E também acho que é estúpido. Porque quando você usa retórica extremista, as pessoas perdem a confiança no que você está dizendo".
"Assim, quando chega a hora de realmente fazer soar o alarme para coisas realmente horríveis, as pessoas ignoram, porque essas palavras são ditas tão a esmo que perdem a força. Acho que isso acontece muito com palavras como 'racismo', 'misoginia'. Se você as usa exageradamente, elas perdem a força", completou.
Mesmo fazendo críticas a Bolsonaro, o jornalista disse ser falsa a afirmação de que o ocupante do Palácio do Planalto trabalhe diretamente pelas mortes dos cidadãos brasileiros. "No Brasil o que acontece é algo bastante semelhante. Se você é de esquerda, não basta dizer que acha que Bolsonaro gerencia muito mal a pandemia e que, por isso, pessoas morrem. É nisso que acredito. Não basta dizer que ele preferiu crescimento econômico e defender sua popularidade política a proteger a vida das pessoas. Acho que essa também é uma crítica válida. Mas chamá-lo de genocida, como se houvesse um ato intencional de pôr fim à vida de um grupo por causa de sua raça, etnicidade ou religião, o que seria um genocídio de verdade, é errado. Não serei coagido a dizer algo que não é verdade. E também acho que, quando você faz isso, consegue um monte de apoio. Se você vai para o Twitter e chama Bolsonaro de “genocida”, consegue 5 mil retuítes e 25 mil likes. Seu cérebro lhe diz: “você está fazendo algo de bom. Continue fazendo isso”. Esse é um dos efeitos nocivos das redes sociais. Acho que esse foi um dos motivos para a vitória de Bolsonaro e Trump. Os críticos foram tão irresponsáveis e tão descuidados com a verdade que ele se tornou uma figura admirável para as pessoas que ainda não estavam convencidas a votar nele. Então essa obsessão da esquerda em usar linguagem exagerada, sem se importar com o fato de ser ou não verdade, só porque isso faz com que eles se sintam bem, é ofensivo, desonesto e é sobretudo estrategicamente estúpido".
Embaixador diz que editorial da Folha sobre Cuba causou indignação

247 - Em carta à Folha de S.Paulo, o Embaixador Rolando Gómez González, encarregado de Negócios da República de Cuba no Brasil, diz que editorial do jornal calunia o país.
"A verdade está nos fatos.
A Embaixada de Cuba acompanha o portal de notícias da Folha diariamente, por ser um meio transcendente no cenário informativo do Brasil. Mas nos deixou indignados o editorial "Nuances da ditadura" (22/4), que calunia o nosso país. Não vale nem a pena discutir o termo "ditadura" do título.
Poderia ser objeto de esclarecimentos em outro momento.
Temos um sistema político que goza de ampla participação popular, desde a adoção de suas leis, incluindo a Constituição, até o aproveitamento dos direitos primordiais de todos os cidadãos, sem exclusão, ao trabalho, à moradia e aos serviços e direitos, como a saúde, a educação, a segurança. Em todos os planos, a dignidade plena.
Não temos crianças nas ruas pedindo dinheiro ou trabalhando nem desnutrição infantil. Todos estudam e são felizes. Um projeto diferente que merece respeito e é apoiado e defendido pela imensa maioria do povo cubano. Se a Revolução Cubana não fosse profundamente livre e democrática não estaria no poder, nem os cubanos haveriam resistido mais de 60 anos a bloqueios e agressões, nem praticado a solidariedade com o mundo, nem saberíamos apreciar a dignidade que nos mantém e a vida que se nos negam.
As referências à “sempre claudicante economia cubana”, “um país que vivenciou décadas de fracassado planejamento estatal”, sem mencionar a causa principal de nossos problemas, ignora e deturpa nossa realidade.
As penúrias econômicas de Cuba e a angústia de seu povo pela escassez e dificuldades têm como causa essencial a guerra não convencional nem declarada dos Estados Unidos da América e de seus aliados contra Cuba, cujo principal expoente é o "bloqueio" genocida que pretende, em vão, render nosso povo pela fome e doenças.
Seu propósito estava claro em um documento oficial do governo norte-americano que perdeu o sigilo e que dizia que “o único modo previsível de tirar apoio interno (ao governo cubano) é mediante o desencanto e a insatisfação que surjam do mal-estar econômico e das dificuldades materiais… Há que empregar rapidamente todos os meios possíveis para debilitar a vida econômica de Cuba… uma linha de ação que… consiga os maiores avanços na privação à Cuba de dinheiro e suprimentos, para reduzir seus recursos financeiros e os salários reais, provocar fome, desespero e a queda do governo”.
Esse propósito qualifica como genocídio na Convenção das Nações Unidas para a prevenção e a sanção desse delito de genocídio, que entende como tais os atentados graves contra a integridade física ou mental dos membros de um grupo humano e a submissão intencional do grupo a condições de existência que levarão a sua destruição física total ou parcial (Art.1.b y 1.c).
Esse bloqueio criminal causou danos imensos à economia cubana em 60 anos, superiores, a preços constantes de ouro, a um trilhão de dólares. Seu caráter extraterritorial e violador do direito internacional e da carta das Nações Unidas gerou a condenação quase unânime da comunidade internacional. Também por seu caráter injusto, abusador e eticamente inaceitável.
Fomos, antes da Revolução, uma ilha neocolonizada, monoprodutora, monoexportadora, analfabeta, submetida ao desígnio ianque. A Revolução a transformou. Nossos indicadores de saúde, de educação, de segurança; nossos resultados científicos e esportivos; a felicidade das nossas crianças; a igualdade de oportunidades para todos... Tudo são conquistas a que não renunciaremos, apesar das graves consequências do bloqueio e das agressões contra nosso projeto revolucionário. Pelo bem de Cuba e dos cubanos.
Não conseguimos ter uma economia robusta sobretudo pelo bloqueio e agressões desde o início da Revolução, porém alcançamos uma economia capaz de defender-se da primeira potência militar e econômica do mundo e manter e consolidar conquistas sociais que hoje são um idílio, inclusive para países desenvolvidos.
Analisem os indicadores de desenvolvimento humano do nosso país e os resultados frente à pandemia. Eles falam por si só."
Embaixador Rolando Gómez González, encarregado de Negócios da República de Cuba no Brasil (Brasília, DF)
Na Espanha, homem é preso após transmitir Covid-19 de propósito a 22 pessoas

Um morador da ilha de Mallorca, na Espanha, foi preso sob suspeita de agressão após ir ao trabalho e à academia, apesar de apresentar sinais de covid-19. Ele está sendo acusado de infectar 22 pessoas com o novo coronavírus, informa o jornal britânico The Guardian.
Policiais da ilha espanhola começaram as investigações no final de janeiro deste ano, após um surto da doença na cidade de Manacor. Em comunicado à imprensa neste sábado (24/4), citado pelo jornal, a polícia afirma que recebeu relatos de um funcionário que “foi infectado, mas escondeu a doença”.
Dias antes de o surto ser detectado, o acusado começou a apresentar sintomas que preocupavam seus colegas de trabalho, mas não ele não aceitou votar para casa.
No final do expediente, ele fez um teste PCR, mas não esperou pelo resultado, retornando no dia seguinte ao seu trabalho e, em seguida, foi malhar na academia, segundo o The Guardian.
Mesmo após o gerente e os colegas insistirem para que ele voltasse para casa porque estaria infectando todo mundo – mais tarde revelou ter tido 40º C de febre –, o morador de Mallorca ignorou a todos e passou o dia andando em seu ambiente de trabalho, abaixando deliberadamente a máscara ao tossir e zombando dos companheiros, dizendo que ia infectar a todos com coronavírus, de acordo com o jornal.
Quando o resultado do PCR saiu no final do dia, deu positivo, causando preocupação entre os colegas que também fizeram o teste. Cinco deles testaram positivo e acabaram transmitindo para os familiares, incluindo três bebês de 1 ano, conta o The Guardian.
Na academia, três pessoas que tiveram contato direto com o rapaz também foram infectadas e transmitiram o vírus para familiares.
A polícia, citada pelo periódico britânico, afirma que as ações do espanhol intransigente resultaram num total de 22 infecções, embora nenhuma exigisse tratamento hospitalar. O homem foi preso sob suspeita de agressão.
Putin reescreve a lei da selva geopolítica - Pepe Escobar
Por Pepe Escobar

Por Pepe Escobar, para o The Saker
Tradução de Patricia Zimbres, para o 247
A fala de Putin à Assembleia Federal Russa - um Estado da Nação de fato - foi o golpe de judô que deixou particularmente atordoados os falcões da esfera atlanticista.
O "Ocidente" sequer foi mencionado nominalmente, mas apenas de forma indireta, com uma deliciosa metáfora, O Livro da Selva, de Kipling. Questões de política externa só foram tratadas ao final, como se por um quase esquecimento.
Por boa parte da hora e meia de sua fala, Putin se concentrou em assuntos internos, detalhando uma série de políticas que mostram o estado russo prestando auxílio aos mais necessitados - famílias de baixa renda, crianças, mães solteiras, jovens profissionais, pessoas carentes - indo, por exemplo, desde exames médicos gratuitos até a possibilidade de uma renda básica universal em um futuro próximo.
É claro que Putin teria também que tratar do estado altamente volátil das relações internacionais do momento presente. A maneira concisa que ele escolheu para tal, contrapondo-se à atual russofobia da esfera atlanticista, foi surpreendente.
Primeiramente, o fundamental. A política russa "visa a assegurar a paz e a segurança para o bem-estar de nossos cidadãos e para o desenvolvimento estável de nosso país".
Mas se "alguém se recusar a entrar em diálogo, preferindo um tom egoísta e arrogante, a Rússia sempre encontrará maneiras de defender sua posição".
Ele destacou "a prática de sanções econômicas ilegais e politicamente motivadas", conectando-a com "algo muito mais perigoso" e, na verdade, tornado invisível na narrativa ocidental: a "recente tentativa de organizar um golpe de estado na Bielorússia e o assassinato do presidente daquele país". Putin fez questão de enfatizar que "todas as fronteiras foram cruzadas".
A conspiração para matar Lukashenko foi descoberta pelos serviços de inteligência russos e bielorrussos - que detiveram diversos agentes apoiados por quem mais? Pela inteligência norte-americana. O Departamento de Estado dos Estados Unidos, como seria de se prever, negou qualquer participação.
Putin: "Vale a pena apontar as confissões dos conspiradores detidos no sentido de que um bloqueio de Minsk vinha sendo preparado, para atingir sua infraestrutura urbana e suas telecomunicações e o completo fechamento de toda a rede de energia elétrica da capital bielorrussa. O que, incidentalmente, significa preparação para um ciberataque maciço".
E isso leva a uma verdade muito incômoda: "Ao que tudo indica, não foi por acaso que nossos colegas ocidentais rejeitaram inúmeras propostas apresentadas pelos russos no sentido de estabelecer um diálogo internacional no campo da informação e da cibersegurança".
"Assimétrico, rápido e duro"
Putin observou que "atacar a Rússia se transformou em um esporte, um novo esporte, uma competição para ver quem faz os ataques mais estridentes". E então Putin partiu para um Kipling total: "A Rússia é atacada por todos os lados sem qualquer motivo. E, é claro, tabaquis (chacais) subalternos de todo o tipo ficam correndo em círculos, como o Tabaqui corria em torno de Shere Khan, o tigre - é tudo como no livro de Kipling - aos uivos, e prontos para servir seu soberano. Kipling era um grande escritor".
A metáfora - contendo diversas camadas - é ainda mais surpreendente por ecoar o Grande Jogo geopolítico de fins do século XIX entre os impérios britânico e russo, do qual Kipling foi protagonista.
Mais uma vez Putin teve que enfatizar que "realmente não queremos queimar pontes. Mas se alguém interpretar nossas boas intenções como indiferença ou fraqueza, e tiver a intenção de queimar totalmente essas pontes, ou até mesmo explodi-las, essa pessoa deve ficar sabendo que nossa resposta será "assimétrica, rápida e dura".
Então, aqui vai a nova lei da selva geopolítica - reforçada pelos Senhores Iskander, Kalibr, Avangard, Peresvet, Khinzal, Sarmat, Zircon e por outros cavalheiros respeitados, hipersônicos ou não, a serem mais tarde elogiados oficialmente por serviços prestados. Aqueles que cutucam o Urso a ponto de ameaçar "os interesses fundamentais de nossa segurança se arrependerão do que fizeram, como há muito tempo não se arrependem de coisa alguma".
Os surpreendentes desdobramentos das últimas semanas - a cúpula China-Estados Unidos no Alasca, a cúpula Lavrov-Wang Yi em Guilin, a cúpula da OTAN, o acordo estratégico Irã-China, a fala de Xi Jinping’s no fórum de Boao – agora fundem-se em uma nova e dura realidade: a era de um Leviatã unilateral impondo sua vontade de ferro chegou ao fim.
Dirigindo-se aos russofóbicos que ainda não entenderam a mensagem, um imperturbável, calmo e contido Putin viu-se na contingência de acrescentar que "claramente, temos suficiente paciência, responsabilidade, profissionalismo, autossuficiência e autoconfiança na correção de nossa posição, e bom-senso ao tomarmos decisões. Mas espero que ninguém pense em cruzar as chamadas linhas vermelhas da Rússia. E por onde passam essas linhas nós mesmos determinaremos em cada caso específico".
Voltando à realpolitik, Putin, mais uma vez, teve que enfatizar que os "cinco estados nucleares" têm "responsabilidade especial" de discutir seriamente "questões relacionadas a armamentos estratégicos". É uma questão em aberto se o governo Biden-Harris - por trás do qual posta-se um coquetel tóxico de neocons e imperialistas humanitários - irá concordar.
Putin: "O objetivo dessas negociações poderia ser a criação de um ambiente de coexistência livre de conflito, baseado em segurança igualitária, cobrindo não apenas as armas estratégicas, como mísseis balísticos intercontinentais, bombardeiros pesados e submarinos, mas também, como eu gostaria de ressaltar, todos os sistemas ofensivos e defensivos capazes de solucionar tarefas estratégicas, seja qual for seu equipamento".
Assim como a fala de Xi no fórum de Boao foi dirigida principalmente ao Sul Global, a de Putin enfatizou que "estamos ampliando nossos contatos com nossos parceiros mais próximos da Organização de Cooperação de Xangai, dos BRICS, da Comunidade dos Estados Independentes e também com nossos aliados da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, e elogiou os "projetos conjuntos do sistema da União Econômica Eurasiana", vistos como instrumentos práticos para resolver os problemas de desenvolvimento nacional".
Resumindo: integração em andamento, com base no conceito russo de "Grande Eurásia".
"Tensões beirando níveis de tempos de guerra"
Agora, compare-se tudo o que foi dito acima com a Ordem Executiva (OE) da Casa Branca declarando que "tratar da ameaça russa" é uma questão de "emergência nacional".
O que está diretamente relacionado com a promessa do Presidente Biden - aliás, do combo que controla seu fone de ouvido e o teleprompter que diz a ele o que fazer - ao Presidente Zelensky da Ucrânia, de que Washington "adotaria medidas" para apoiar o sonho irrealista de Kiev de vir a retomar Donbass e a Crimeia.
Há vários pontos alarmantes nessa OE. Ela priva qualquer cidadão russo de plenos direitos sobre propriedades que ele possua nos Estados Unidos. Qualquer residente nos Estados Unidos pode ser acusado de ser um agente russo engajado em prejudicar a segurança dos Estados Unidos. Um sub-subparágrafo (C) detalhando "atos ou políticas que prejudiquem processos ou instituições democráticas nos Estados Unidos ou no exterior" é vago o bastante para permitir a eliminação de qualquer tipo de jornalismo que apoie as posturas russas em assuntos internacionais.
As aquisições de títulos da OFZ russa foram objeto de sanções, bem como as de uma empresa envolvida na produção da vacina Sputnik V. Mas a cereja desse bolo de sanções talvez seja que, de agora em diante, todos os cidadãos russos, inclusive aqueles com dupla cidadania, podem ser impedidos de entrar no território dos Estados Unidos, exceto quando portadores de uma rara autorização especial além do visto de entrada comum.
O jornal russo Vedomosti observou que em uma atmosfera de tamanha paranoia, os riscos para grandes empresas como a Yandex ou o Kaspersky Lab aumentam a cada dia. Mesmo assim, essas sanções não foram recebidas com surpresa em Moscou. O pior ainda está por vir, segundo pessoas que conhecem o Beltway por dentro, dois pacotes de sanções contra o Nord Stream 2 já foram aprovados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
O ponto crucial é que essa OE vê como ameaça potencial à "democracia americana" qualquer pessoa que traga informações sobre as posições políticas da Rússia. Como o importante analista político Alastair Crooke observou, esse procedimento "é geralmente reservado a cidadãos de estados inimigos em tempos de guerra". Crooke acrescenta: "Os falcões dos Estados Unidos estão dobrando furiosamente a aposta contra Moscou. As tensões e a retórica estão beirando níveis de tempos de guerra".
Não se sabe ainda se o Estado da Nação proferido por Putin será seriamente examinado pelo tóxico e lunático combo de neocons e imperialistas humanitários incumbidos de achacar simultaneamente a China e a Rússia.
Mas o fato é que algo extraordinário já começou a acontecer: uma espécie de reversão da escalada militar.
Mesmo antes da fala de Putin, Kiev, OTAN e o Pentágono parecem ter entendido a mensagem quando a Rússia enviou dois exércitos, maciças baterias de artilharia e divisões aéreas para as fronteiras de Donbass e para a Crimeia - para não falar das poderosas forças navais transferidas do Mar Cáspio para o Mar Negro. Nem em sonhos a OTAN poderia igualar essa capacidade.
Fatos ocorridos em outros países falam por si sós. Tanto Paris quanto Berlim ficaram aterrorizadas com a possibilidade de um ataque de Kiev dirigido contra a Rússia, e lançaram-se a um furioso lobby para se contrapor a essa ameaça, passando por cima da União Europeia e da OTAN.
Então alguém – pode ter sido Jake Sullivan – deve ter sussurrado no aparelho auditivo do Boneco de Teste de Colisão que não se pode andar por aí insultando o chefe de um estado nuclear e esperar manter sua "credibilidade" global. Portanto, depois daquele agora famoso telefonema de "Biden" para Putin, veio o convite para a cúpula das mudanças climáticas, na qual as promessas altissonantes serão em grande parte retóricas, uma vez que o Pentágono continuará a ser a entidade mais poluidora do planeta Terra.
Então, Washington talvez tenha encontrado uma maneira de deixar aberta pelo menos uma via de diálogo com Moscou. Ao mesmo tempo, Moscou não tem a menor ilusão de que o drama Ucrânia/Donbass/Crimeia tenha chegado ao fim. Apesar de Putin não o ter mencionado no Estado da Nação. E apesar de o Ministro da Defesa Shoigu ter ordenado uma reversão da escalada militar.
O sempre inestimável Andrei Martyanov comentou, deliciado, o "choque cultural quando Bruxelas e o Distrito de Colúmbia começaram a suspeitar que a Rússia não 'quer' a Ucrânia. O que a Rússia quer é que aquele país apodreça e imploda sem que o excremento liberado por essa implosão respingue na Rússia. Que o Ocidente tenha que pagar pela faxina dessa gigantesca cagada também está nos planos russos para o Bantustão Ucraniano .
O fato de Putin não ter mencionado o Bantustão em sua fala corrobora essa análise. No que se refere às "linhas vermelhas", a mensagem implícita de Putin continua a mesma: uma base da OTAN no flanco ocidental da Rússia simplesmente não será tolerada. Paris e Berlim sabem disso. A União Europeia tenta negar. A OTAN sempre se recusará a admiti-lo.
Sempre nos vemos obrigados a retornar à mesma crucial pergunta: se Putin conseguirá, contra tudo e contra todos, chegar a uma manobra combinada Bismarck-Sun Tzu e construir uma entente cordiale (o que é muito diferente de uma 'aliança') duradoura entre a Rússia e a Alemanha. O Nord Stream 2 é uma peça fundamental desse motor - e é isso que vem deixando enlouquecidos os falcões de Washington.
Aconteça o que acontecer a seguir, para todos os fins práticos a Cortina de Ferro 2.0 está de volta, e voltou para ficar. Haverá mais sanções. Tudo foi jogado contra o Urso, só faltando a guerra quente. Será imensamente divertido ver de que forma, e usando de que medidas, Washington irá se engajar em um processo "diplomático e de reversão da escalada militar" com a Rússia.
O Hegêmona sempre conseguirá encontrar uma maneira de desencadear uma campanha maciça de relações públicas e acabar se gabando de seu sucesso diplomático em "dissolver" o impasse. Bem, certamente que isso é melhor que uma guerra quente. Caso contrário, os reles aventureiros do Livro da Selva já foram avisados: se tentarem alguma gracinha, estejam prontos para um encontro "assimétrico, rápido e duro".
Jair & Sons à beira de um ataque de nervos - Paulo Henrique Arantes
Por Paulo Henrique Arantes
Por Paulo Henrique Arantes
Jair tem medo, como fica estampado em seu rosto a cada pronunciamento. Não é necessário ser versado em psicologia ou psiquiatria para identificar traços de psicopatia em Jair, além de um infantilizado intelecto – já o fizeram com propriedade os psiquiatras Guido Palomba e Nelson Nisenbaum, entre outros.
Não deve ser fácil para um homem de personalidade imatura superar as nuvens cinzentas do desespero. Quatrocentos mil mortos, uma CPI aterrorizante, a economia em frangalhos, um líder popular adversário de volta à cena eleitoral, um Congresso chantagista com uma centena de pedidos de impeachment na gaveta, os filhos investigados, o isolamento perante o mundo.
No mais recente capítulo da novela sobre o cerco judicial que se arma contra Jair & Sons, exposta em outra bela tacada do Intercept Brasil, a Polícia Civil do Rio de Janeiro relatou conversas grampeadas de milicianos ligados a Adriano da Nóbrega em que fica sugerido (ou evidente) o relacionamento do grupo com o presidente da República.
Como lembra à coluna o criminalista Conrado Gontijo, “as relações da família Bolsonaro com milicianos já foram objeto de inúmeras reportagens na imprensa. Aparentemente, são inegáveis”.
Por envolver possíveis crimes praticados pelo presidente, o tema deve tramitar no Supremo Tribunal Federal. Para tanto, a Polícia Civil fluminense tem de encaminhar seu relatório ao Ministério Público do Rio de Janeiro, que, por sua vez, precisa remetê-lo à Procuradoria Geral da República. E logo.
Sem conhecer pormenores do caso – ele apenas leu a reportagem do Intercept Brasil -, Gontijo diz não poder afirmar que a “casa de vidro” referida pelos milicianos na conversa interceptada seja de fato o Palácio do Planalto ou o Palácio da Alvorada. Cautela é predicado sempre bem-vindo.
De outra parte, cegueira pode ser uma opção. Quem não percebe em Jair & Sons hábitos e preferências típicos dos truculentos milicianos cariocas pode pecar por ingenuidade, mas quem os ratifica peca por cumplicidade.
O policial e miliciano Adriano da Nóbrega foi morto pela polícia baiana em fevereiro de 2020, quando estava foragido. O ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) fora homenageado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em 2005, quando estava preso acusado de homicídio, por iniciativa do deputado estadual Flávio Bolsonaro, cujo gabinete empregou a mãe e a ex-mulher dele. O então deputado federal Jair Bolsonaro, no mesmo ano, também o homenageou na tribuna da Câmara.
Violência, policiais corruptos e milicianos compõem o submundo em que Jair & Sons são mais influentes e do qual são porta-vozes. Sem disfarce. Conforme explicou ao Brasil 247 o jornalista Bruno Paes Manso, autor do livro “A República das milícias”, o método miliciano, e também do tráfico, é bem conhecido: prestação de “assistência” a preço alto aos habitantes-eleitores de territórios dominados.
Com tudo às claras, Jair & Sons estão acuados, temerosos e enfurecidos. Seus seguidores, como a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), partem para o tudo ou nada e tentam “milicianizar” as polícias como um todo, a exemplo do que se viu em Salvador, quando um policial enlouquecido foi morto por colegas e a parlamentar disseminou, de modo grosseiramente fake, que se tratava de um herói alvejado quando defendia o direito de ir e vir da população. Ecos do desespero.
O negacionismo - Alex Saratt
Por Alex Saratt

Fenômeno curioso vem tomando forma e ganhando conteúdo. Vou, à guisa de melhor definição, chamá-lo de neonegacionismo, política, discurso e narrativa aparentemente mais sofisticada, dialógica e argumentativa, mas que no fundo guarda os mesmíssimos elementos do negacionismo tosco, bruto e virulento que caracteriza a fala bolsonarista.
Diferente de seu estágio mais primário, o neonegacionismo não combate frontalmente as questões levantadas pela Ciência, ao contrário, as admite e as afirma, mas desloca o debate para o campo da Política propriamente dita, tergiversando e relativizando as constatações científicas. Também se mostra sensível e comprazido com as demandas sociais ou subjetivas que o problema da pandemia traz consigo. Com uma postura de diálogo e discursiva voltada ao conjunto da sociedade, procura legitimar uma atitude de interesse geral, geralmente inconteste dada a veracidade inexorável de suas premissas e máximas.
O neonegacionismo é, portanto, insidioso, penetrante no tecido e mentalidade societária, afinal tenta - e consegue - passar uma noção de que suas arguições são a expressão inquestionável dos fatos e sentimentos de uma maioria ou totalidade (algo tão ao gosto do fascismo).
Os neonegacionistas assumem a gravidade da pandemia ou a necessidade da vacinação ou a justeza de reivindicar o fechamento de escolas, mas pragmático que se apresenta acaba se escorando nas alegações de que não é possível simplesmente parar o funcionamento da economia ou que bom seria ter vacinas à disposição ou que as crianças não podem sofrer com a exclusão escolar (em especial, as mais pobres, que passaram a existir para os mesmos que apoiam as políticas de redução do Estado, de Direitos, Inclusão e de Bem Estar Social).
O neonegacionista aceita regras, normas, protocolos, mas logo adiante diz que são impraticáveis, que a situação está normalizada, que há exagero e até mesmo algum tipo de conspiração contra os esforços do Governo que apóiam. Para ele, o problema da saúde pública não tem nada de novo (o que é uma verdade, mas que tem explicações históricas) e que, portanto, o que há agora é histeria e tentativa de instalar o caos. A excepcionalidade da pandemia não altera em nada o quadro, é só um "dadozinho" insignificante.
O neonegacionismo é, em suma, afável aos desavisados e crédulos. Problemas complexos são reduzidos a raciocínios simplistas, não raro sofismáticos e demagógicos, com o fito principal de engambelar a platéia. Enquanto fala manso, o neonegacionista crava a faca lentamente. São eles os promotores das carreatas (???) pela reabertura de escolas dentro do conforto e segurança de seus carrões; falam em vacina, mas defendem Cloroquina; estão solidários aos trabalhadores, mas estribilharam quando do auxílio emergencial; manipulam dados, estatísticas e não tem pudor em divulgar fake news desde que feito de modo cordato e em defesa da liberdade de expressão.
O neonegacionismo é a nova roupa do Imperador. De neo só o fato de ser a mais recente manifestação de uma velha prática que conduz a sociedade a uma fascistização medonha e de consequências ainda desconhecidas. Não se deixe enganar, o perigo desses sujeitos e concepções é muito maior, porque nada pior do que um inimigo dissimulado.
O cara da casa de vidro - Lelê Teles
Por Lelê Teles

"If you live in a glasshouse, don't throw stones" - Peter tosh
O cara da casa de vidro tem uma arma como travesseiro.
O cara da cara de vidro tem medo até do vidraceiro.
A casa de vidro do cara, tá sempre com a cortina fechada, tá na cara que a paz da casa do cara é somente uma cara fachada.
Sempre com a cara fechada, cheio de nióbio e rabugem, cospe na cara dos caras no portão onde grafenos mugem.
Nem a ema vai com a cara do inquilino Zero-Zero, as garças fogem pro lago, toda vez que o disgramado surge de bermuda e chinelos.
O vidro da casa do cara a qualquer momento pode quebrar, tem cara ligando pro cara, tentando livrar a cara dos caras do amigo do lar.
Milícia à domicílio, grita o país inteiro; "se mora numa casa de vidro, não apedreje o telhado alheio".
O cara da casa de vidro, precisa aguçar os ouvidos e ouvir a multidão a gritar.
A casa do cara caiu, assim que Lula saiu ameaçando pra casa voltar.
Haverá no futuro um debate e, cara a cara com o seu rival, veremos como reage o necrarca da cara de pau.
A cara do cara da casa de vidro é fria e sem expressão, e a família desse indivíduo é a cara da contravenção.
Os filhos não moram com o cara, a família tem muitas moradas, e todas muito caras: é cara essa rapaziada.
E entre esses "cem-tetos", quem poderia imaginar?, o garoto mais esperto tem um palácio particular!
Tem cloro aqui na piscina, onde estátuas arrancam os cabelos, o palácio do crepúsculo se torna pra saúde um pesadelo.
Logo de cara o cara encara a cara mortífera da morte: "venha cá, minha cara, desejo-lhe boa sorte".
Vira a cara pra vida, num ato de desdém, distribui arma e excita seu exército de homens de bens.
O gado tá indo pro brejo, tudo vermifugado, cada vez tem menos moxos no coxo daquele cercado.
Mais de cem pedidos de impeachment, quase 400 mil mortos, acorda que a corda começa a apertar os vossos pescoços.
O cerco vai se fechando, vai se desmanchando o mito; fecham-se as janelas, a lama chega até as canelas do cara da casa de vidro.
Palavra da salvação.
Bolsonaro compartilha fake news já desmentida em 2019
Em vídeo, um apoiador de Bolsonaro faz uma tradução errada do espanhol para o português e dá a entender que a imprensa brasileira manipulou uma reportagem para prejudicar a imagem de Bolsonaro. A autora da matéria, no entanto, desmentiu a versão

247 - Jair Bolsonaro compartilhou na manhã desta segunda-feira (26) pelo Twitter uma notícia falsa que já havia sido desmentida em 2019.
Em vídeo, um apoiador de Bolsonaro que diz morar na Espanha mostra uma reportagem do jornal El País sobre a participação do ocupante do Palácio do Planalto no Fórum Econômico Mundial de Davos, com o título em espanhol: "Bolsonaro anima a los ejecutivos de Davos a invertir en el nuevo Brasil". Já o título mostrado na versão em português do mesmo jornal é: "o breve discurso de Bolsonaro decepciona em Davos".
A diferença entre as chamadas das matérias é usada pelo bolsonarista para evidenciar uma suposta manipulação da imprensa para prejudicar Bolsonaro.
A autora da reportagem que leva o título em espanhol, Alicia González, no entanto, já havia explicado que, apesar da semelhança com o português, a palavra "animar" significa em espanhol "pedir". Ou seja, o título da matéria não se trata de um elogio: "Bolsonaro pede a executivos de Davos que invistam no novo Brasil”, na tradução correta. "Está fazendo uma tradução ruim do espanhol, um falso cognato. 'Anima' significa 'pede' e não 'convence' investidores", explicou Alicia.
Vacina de Oxford: por que segunda dose é mais demorada? Quais as reações?
Danielle Sanches
Do VivaBem, em São Paulo
26/04/2021 15h58
Quando começamos a executar o calendário de vacinas de uma criança, já sabemos que serão meses de atenção e acompanhamento. Isso porque, para cada imunizante, há um esquema diferente tanto no número de doses como no intervalo entre elas para que os efeitos no sistema imunológico sejam satisfatórios.
Com as novas vacinas contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2) isso também acontece. As vacinas atualmente disponíveis no Brasil —CoronaVac e Oxford/AstraZeneca— preveem duas doses em intervalos diferentes para alcançar a tão desejada imunidade contra o patógeno.
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Estudos clínicos dão o norte
Tanto a vacina de Oxford como a CoronaVac escolheram como regime vacinal a aplicação de duas doses —um esquema chamado de primário.
"É essa a quantidade de estímulo necessária para o organismo desenvolver uma resposta imunológica satisfatória com a tecnologia que esses imunizantes usam", afirma Socorro Martins, presidente do Comitê de Imunizações da Sociedade Paraibana de Pediatria e membro do Departamento Científico de Imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) em Campina Grande, na Paraíba.
É importante dizer que nenhuma das orientações é feita ao acaso. Tanto a vacina de Oxford como as outras têm recomendações de intervalos entre a primeira e a segunda dose com base em estudos clínicos feitos durante o desenvolvimento da vacina.
Assim, quando os testes clínicos são iniciados, os laboratórios fazem a opção por analisar alguns cenários específicos para avaliar a resposta do organismo. Com a vacina britânica, optou-se por acompanhar a resposta imunológica após um mês e três meses de aplicação da segunda dose.
"O resultado foi que, em um espaço maior de tempo, a resposta do organismo foi melhor", afirma Natália Pasternak, doutora em microbiologia e presidente do Instituto Questão de Ciência.
Com esses dados em mãos, e pensando que há uma escassez de vacina no país, a orientação foi esperar mais tempo para tomar a segunda dose. "Com um intervalo maior, temos tempo para produzir mais vacinas enquanto seguimos com o plano de imunização", afirma Pasternak.
E as reações adversas?
Algumas pessoas têm apresentado resistência em tomar a vacina de Oxford por medo das notícias recentes de que o imunizante provocaria coágulos no corpo.
De acordo com Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), é importante esclarecer que esse efeito adverso é extremamente raro. "No universo dos milhões de doses que já foram aplicadas no mundo todo, os casos relatados foram poucos", afirma.
Segundo ele, a trombose relatada após a aplicação da vacina é diferente da trombose clássica que conhecemos. "A vacina seria como um gatilho para uma doença autoimune, que a pessoa já possui, mas desconhece, e que provoca uma queda no número de plaquetas no sangue, aumentando o risco para o surgimento de trombos", afirma o especialista.
Ele ainda reforça que mesmo as pessoas que já tiveram trombose podem tomar a vacina, já que, pela natureza rara da reação, esses indivíduos não estariam mais predispostos ao problema.
"A segurança das vacinas contra o coronavírus é semelhante às outras vacinas com as quais estamos acostumados", afirma. "Sempre existem riscos, mas os benefícios, o número de mortes que serão evitadas, superam o número de eventos adversos relatados até aqui", acredita.
No geral, as reações comuns e esperadas são dor de cabeça, cansaço, febre, dor e vermelhidão no local da aplicação. No caso da vacina de Oxford, os eventos adversos considerados raros (ou seja, que não acontecem com frequência) incluem a trombose e o choque anafilático.
China censura a vitória histórica de Chloé Zhao no Oscar
De Pequim
26/04/2021 05h58
A cineasta Chloé Zhao, nascida em Pequim, venceu no domingo o Oscar de melhor filme e melhor direção por "Nomadland", mas seu triunfo não aparece nesta segunda-feira nas redes sociais chinesas.
Zhao se tornou a primeira asiática e segunda mulher a vencer o Oscar na categoria de melhor direção. "Nomadland" é um drama sobre pessoas com poucos recursos que percorrem os Estados Unidos em caminhonetes.
Mas todas as publicações recentes com o seu nome e a menção a "Nomadland" desapareceram misteriosamente da rede social Weibo, o Twitter chinês, ao meio-dia desta segunda-feira.
A imprensa chinesa mantém o silêncio sobre sua vitória.
Inicialmente aclamada pela imprensa estatal pelo sucesso de seu filme, Zhao virou alvo de ataques de nacionalistas chineses nas redes sociais, que desenterraram entrevistas da diretora em que ela parece criticar o país natal.
Os cinemas chineses também adiaram a estreia do filme.
Chloé Zhao parece ter feito referência aos problemas no discurso em que aceitou o prêmio: "Pensei muito recentemente sobre como seguir adiante quando as coisas se tornam difíceis".

Antes da eliminação das publicações, o Weibo estava repleto na manhã de segunda-feira com mensagens que elogiavam Zhao, enquanto outras denunciavam a censura.
Apesar dos esforços da censura de Pequim, nas ruas da capital chinesa era fácil encontrar pessoas orgulhosas com o triunfo de uma cineasta do país na premiação do cinema americano.
"Ela é o orgulho do povo chinês (...) É muito raro que um chinês receba um Oscar", declarou à AFP Yan Ying, uma engenheira.
Imunização com vacina vencida: irresponsabilidade, incompetência ou crime?


Gustavo Cabral
Colunista do VivaBem
26/04/2021 12h36
Na última semana, surgiram notícias de que pessoas foram vacinadas com doses vencidas do imunizante da Oxford/AstraZeneca. Mas como uma falhas desse tipo pode acontecer e quais os perigos disso para quem recebeu a vacina?
O erro é de dar um nó em nossas cabeças, inadmissível, pois todos as embalagens contendo os imunizantes têm a data de validade das vacinas. Esse tipo de falha é uma soma de falta de atenção, incompetência e/ou crime, pois jamais um município poderia aplicar na população uma vacina que esteja fora do prazo de validade. Porém, por mais que a falha seja dos municípios, o vencimento das vacinas é um problema que não é provocado só por eles.
A logística de distribuição das vacinas começa no Ministério da Saúde, que administra o PNI (Programa Nacional de Imunização) e deve garantir a entrega dos imunizantes aos estados cerca de três meses antes da data de vencimento, para haver tempo hábil de as vacinas serem distribuídas para os municípios e disponibilizadas à população. Caso estados e/ou municípios recebam vacinas muito próximas de perder a validade, eles deveriam denunciar a falha do Ministério, pois um bom planejamento da distribuição e aplicação das vacinas é a chave para controlar a pandemia e, consequentemente, evitar que mais vidas sejam perdidas e todos possam voltar a rotina normal no futuro.
A dificuldade em distribuir essas vacinas três meses antes do vencimento começa por toda essa burocracia para o licenciamento das vacinas contra a covid-19, além da produção em larga escala sem parar e importação de outros países. Com tantos processos, é natural que levem meses para as vacinas chegarem ao Brasil e serem distribuídas. Portanto, só mesmo com equipes técnicas competentes e responsáveis, que entendam de logística e conheçam o país além de seus escritórios confortáveis, os imunizantes podem chegar aos municípios com um prazo de validade aceitável.
Outro grande complicador é a falta de vacinas no Brasil. Os municípios precisam aplicar a primeira dose e guardar parte do lote de vacinas para garantir a aplicação da segunda dose —e qualquer erro de controle do estoque ou de cálculo pode fazer com que os imunizantes percam a validade. E, repito, a falha não está em guardar os lotes para a segunda dose, mas sim na falta de mais vacinas.
Infelizmente, os municípios são obrigados a estocar parte dos lotes pois, se não receberam mais vacinas para segunda dose, o imunizante pode não ser aplicado no tempo limite —e não sabemos o que acontece se a segunda dose não for aplicada no momento certo (que é de três a quatro semanas para a CoronaVac e de quatro a doze semanas para vacina da AstraZeneca).
É fundamental que o governo federal garanta o encaminhamento suficiente de vacinas para que as segundas doses sejam aplicadas no tempo correto e, ao mesmo tempo, entregue mais vacinas para a população receber a primeira dose. Porém, infelizmente, aparentemente o que o governo federal mais faz é gerar desorientação social e política, em vez de se preocupar em ações para controlar a covid-19.
Obviamente, como já falei no início, um erro não justifica o outro. Por isso, não podemos colocar toda a culpa no ministério da Saúde e tirar a responsabilidade de quem está na "ponta da agulha", ou seja, das secretarias de Saúde, que não averiguaram a validade das vacinas e aplicaram na população imunizantes vencidos. Ou pior, será que averiguaram e vacinaram mesmo assim? Estranho pensar nisso, não é? Será que municípios poderiam estar mais preocupados com a repercussão negativa em deixar vacinas vencerem do que na proteção da sociedade? Pensariam que não seriam descobertos?
Outra questão: quem não conhece uma ou várias pessoas que ocupam cargos políticos estratégicos e estão ali por serem primo, cunhado ou amigo do prefeito? Ou assumiram, por indicação política, um cargo que não têm condições de ocuparem?! Enfim, são assuntos complexos que fazem o sistema organizacional brasileiro estar como está, doente!
O que pode acontecer com quem tomou vacina vencida?
Os estudos científicos não trazem resposta para isso, até porque ninguém no mundo deveria receber uma imunização fora do prazo de validade. Mas, basicamente, a vacina pode não funcionar ou, pior ainda, gerar efeitos colaterais indesejados e graves.
A formulação de uma vacina pode conter um vírus inativado ("morto"), enfraquecido ou apenas pedaços dos vírus, além de substâncias que geram estabilidade nas formulações vacinais e outros componentes que ajudam a estimular o sistema imunológico. Tudo isso feito em boas práticas laboratoriais e com tempo muito bem definido para que as formulações vacinais continuem em condições práticas de imunização. Dessa forma, perder a validade da vacina é perder todo o rigor científico dela —e expor a sociedade a algo que ninguém merece: a insegurança, a ineficácia vacinal e/ou algum efeito colateral que não podemos prever.
Por fim, quero ressaltar que, embora o cartão de vacinas não traga a data de validade do imunizante, ele registra o lote da vacina que a pessoa recebeu. Dessa forma, ao saber que algum lote vencido foi aplicado, olhe o cartão de vacina de quem foi vacinado e verifique se a pessoa foi imunizada com um produto vencido. Caso sim, procure imediatamente os responsáveis em seus municípios e busque orientação.
Porta dos Fundos vence processo que o acusava de ofender cristãos em especial
TJ-RJ julgou que pedido de indenização de R$ 2 milhões, ou R$ 0,02 para cada católico no Brasil, não procedia
O grupo de humor Porta dos Fundos e a Netflix venceram um processo contra a Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, que acusou as duas produtoras de ofender a fé católica com o especial de Natal "A Primeira Tentação de Cristo".
O TJ-RJ, Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, julgou que não procedia o pedido do Centro Dom Bosco para que o especial fosse retirado do ar e os produtores pagassem uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais —"R$ 0,02 para cada brasileiro que professa a fé católica", segundo os advogados do Centro.
"Um esquete humorístico que utiliza figuras históricas e religiosas como pano de fundo não possui o condão de vilipendiar ou abalar os valores da fé cristã, que são muito mais profundos. Assim, mantendo-se as rés dentro do espectro da legalidade, entendo que também não merece amparo o pedido de indenização por dano moral", afirma um trecho da decisão.
A juíza, no entanto, também afirmou que não condenaria o Centro Dom Bosco a pagar os honorários de advogados e custas e despesas processuais do Porta dos Fundos, como por vezes acontece com a parte derrotada em processos do tipo. Segundo ela, "não foi comprovada má-fé" por parte dos acusadores.
Opinião: Comissão Arns - Apartheid de negros e a gestação da morte: o caso de Thiago Duarte

Comissão Arns
26/04/2021 10h24
Por André Alcântara e Paulo Sérgio Pinheiro
Na manhã de 8 de abril, o jovem negro Thiago Aparecido Duarte de Souza, 20 anos, com comprovado retardo mental, foi baleado pelo cabo PM Denis Soares. Thiago faleceu em 20 de abril, após ficar internado no Hospital Geral de São Mateus. Nesse mesmo dia, o juiz José Paulo Camargo Magano acolheu a denúncia feita pelo promotor Osias Daudt e concedeu a prisão domiciliar de Thiago nos seguintes termos: "Ante a gravidade do réu, que se encontra internado em tratamento pelo tiro na face e visando resguardar sua higidez física, defiro que a prisão seja cumprida de forma domiciliar no endereço".
O goleiro e outras curiosidades
O que ocorreu de grave nesse caso? A preparação da morte de Thiago pelo Estado.
Desde o momento em que o cabo Denis abordou o jovem - que não ofereceu qualquer resistência à prisão ilegal e recebeu um tiro a queima roupa no rosto - a morte foi gestada. O inquérito policial se reduziu ao depoimento do PM, que tentou justificar seu abuso de força. Faltaram diligências do delegado na produção de provas, como oitiva de outras testemunhas e coleta de imagens de câmeras, o que somente foi solicitado pela Defensoria Pública e autorizado pelo juiz, 12 dias depois do crime - será que as imagens ainda estão lá?
Até o dia da morte de Thiago, constam no processo apenas dois depoimentos de pessoas envolvidas no caso: o cabo que atirou e o jovem negro Fernando Silva, 27 anos, amigo de Thiago, acusado de roubo e preso. Fernando disse que Thiago não estava armado e não reagiu. O cabo Denis alegou legítima defesa à resistência de Thiago. A promotoria acolheu, sem mais, a versão do cabo.
A morte foi o ponto final de uma sucessão de violações de direitos de Thiago, que se estenderam mesmo no hospital. Desde o sábado, 10 de abril, sua mãe, senhora Queli, diarista, e seu pai, o pintor Wilson, tentaram incessantemente visitar o filho no hospital. Mas foram sempre impedidos por suposta gravidade do fato, a partir da narrativa do cabo. Afinal, em 11 de abril, conseguiram uma autorização judicial para a visita, condicionada à autorização do hospital e da escolta militar. Novamente, a visita familiar à Thiago foi negada pelo hospital, sob a justificativa de Thiago estar no andar de pacientes infectados pela Covid-19.
A assistência médica ao preso é dever do Estado, previsto nos artigos 10 e 41 da Lei de Execuções Penais, sendo um direito fundamental previsto no artigo 6º da Constituição Federal. Mas as informações médicas foram inconstantes e vagas. No hospital, Thiago transitou entre os andares da UTI, das intervenções cirúrgicas e o 3º andar, destinado aos pacientes com Covid-19, conforme informações dadas pelo hospital nas diversas tentativas de visita.
Na guia de encaminhamento do corpo de Thiago emitida pelo hospital ao Instituto Médico Legal (IML), consta erroneamente no campo "Síntese de história clínica e exames complementares de relevância" que "foi uma tentativa de assalto a um policial à paisana no dia 08.04.2021". Mais uma alegação falsa, para soar como verdadeira: o vício da acusação inicial contra Thiago agravou-se pelo preconceito manifesto da equipe médica, que, em vez de passar informações clínicas, usa dados do fato criminal, já registrado no boletim de ocorrência (BO) e no processo criminal.
A única solução para esclarecer a situação trágica que foi a detenção, a hospitalização e a morte de Thiago seria uma apuração séria, eficaz, que buscasse a verdade real, objeto do processo penal, sem racismo, com juízes e promotores cumprindo seu dever de fiscalização da atuação policial, especialmente no que tange à produção de provas. O próprio Ministério Público (MP) também deveria ter agido como autoridade investigadora, juntando declarações de testemunhas favoráveis à inocência do jovem, conforme noticiado pelos familiares. No entanto, em todo o processo, agiu contrariamente a seu dever, desqualificou a doença mental de Thiago e o manteve preso.
No estado de São Paulo, o risco relativo de uma pessoa negra ser morta em uma ocorrência policial é três vezes maior do que o risco para brancos nas mesmas circunstâncias. Mas não foi o cabo Denis o único responsável pela morte de Thiago. Também compartilham essa responsabilidade o juiz, o MP e o hospital onde ele esteve internado.
André Alcântara é advogado, secretário-executivo da Comissão Arns.
Paulo Sérgio Pinheiro é integrante da Comissão Arns, cientista político, ex-ministro da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, foi membro e coordenador da Comissão Nacional da Verdade.
Nosso DESTINO
é a ESTUPIDEZ
Em 1964, o Brasil ficou impossível para Celso Furtado - que os outros países, agradecidos, acolheram
Um mês e meio depois do golpe militar de 1º de abril de 1964, o economista Celso Furtado teve de deixar o Brasil.
Seu nome estava na primeira leva de brasileiros com os direitos políticos e civis cassados.
De uma lista aberta pelo presidente deposto João Goulart e pelo deputado Leonel Brizola, Celso era já o 26º.
Entre os motivos para isto estavam sua passagem pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina), a criação e presidência da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) e ter sido o primeiro ministro do Planejamento do país.
No Brasil dos generais, o ex-pracinha Celso Furtado não podia ser deixado à solta.
Estava com 43 anos.
Seu primeiro destino foi Santiago do Chile.
Mas não passou muito tempo por lá.
Tinha convites de três universidades americanas para lecionar economia: Harvard, Columbia e Yale.
Escolheu Yale, onde ficou de setembro daquele ano a junho de 1965, e só saiu porque o governo brasileiro pressionou a congregação para não renovar seu contrato.
Foi para Paris, contratado pela pós-graduação da Sorbonne, em ato assinado pelo presidente De Gaulle, para ensinar economia do desenvolvimento.
Somente em 1968 teve 15 convites para ser paraninfo de turma.
Em 20 anos de Sorbonne, Celso formou futuros presidentes da República e ministros de Estado, publicou livros e trabalhos, falou para governos e privou com potestades como Bertrand Russell, Jean-Paul Sartre, James Baldwin, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Octavio Paz, Jürgen Habermas — alguns, seus amigos.
As cartas que mostram essa extraordinária trajetória estão no livro recém-lançado “Celso Furtado - Correspondência Intelectual 1949-2004”, organizado por Rosa Freire d’Aguiar.
Os militares o condenaram a levar seu conhecimento a plateias alheias ao seu coração.
O que o Brasil dispensou, o mundo, agradecido, acolheu. Nosso destino é a estupidez — vide hoje.



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