CUIDADORES

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Saúde mental piorou para 70% dos cuidadores brasileiros durante a pandemia

Cuidadores não profissionais relatam que foram impactados de forma negativa pela pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) - iStock
Cuidadores não profissionais relatam que foram impactados de forma negativa pela pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

19/04/2021 14h37

A pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) trouxe impactos significativos na vida dos cuidadores não profissionais. É o que aponta do Índice de Bem-Estar do Cuidador não Profissional de 2020, realizado pelo Embracing CarersTM, programa global apoiado pela farmacêutica alemã Merck.

O estudo foi realizado em 12 países: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Austrália, Brasil, Taiwan, Índia e China, e incluiu nove mil cuidadores não profissionais— aquela pessoa com algum vínculo afetivo com quem está sendo assistido e que não tem necessariamente formação na área nem remuneração.

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Segundo o estudo, 64% dos cuidadores não profissionais afirmaram que a pandemia tornou mais difícil o papel de cuidador; no Brasil, o número sobe para 68%. A situação financeira piorou para 54% dos cuidadores experimentassem uma piora na situação financeira, e 76% deles no geral (83% apenas no Brasil) disseram que o cansaço aumentou de forma excessiva.

Suporte emocional

Um dos pontos levantados pelos entrevistados foi o surgimento de uma nova função: com as incertezas e o clima de medo da pandemia, 57% deles afirmaram que precisaram assumir também o papel de suporte emocional na relação. Em comparação com os outros países, o Brasil está em terceiro lugar com essa afirmação (65%), ficando atrás apenas de Índia e China.

As habilidades também tiveram que mudar nesse período, já que 68% dos cuidadores ouvidos apontaram que precisaram de mais orientação e treinamento sobre como usar a telemedicina, ferramentas online e aplicativos móveis para manter os cuidados de saúde em dia.

Isso teve ainda um impacto direto na quantidade de horas "trabalhadas": no geral, eles gastaram 46% a mais de horas com as pessoas que cuidam durante o pico da pandemia.

Saúde mental deteriorada

É comum encontrarmos cuidadores que deixam de realizar suas atividades do dia a dia como se alimentar corretamente, dormir pouco e até socializarem menos com suas famílias para se dedicar à pessoa que está sendo cuidada.

Essa dedicação excessiva— que pode ser integral e durar por longos anos— acaba causando desgaste físico e mental no cuidador. É comum que desenvolvam uma condição conhecida como estresse do cuidador, ou seja, uma tensão emocional decorrente do "trabalho" que exercem.

Durante a pandemia, a pesquisa da Merck mostrou que esse estresse se agravou. Entre os ouvidos, 61% afirmam que a saúde mental deles piorou durante o período (70% apenas no Brasil). O isolamento social, pouco tempo com os amigos e parentes, além do medo da contaminação pelo vírus, foram as principais razões mencionadas para isso.

Como saber se tenho o estresse do cuidador?

Se você cuida de algum idoso ou pessoa incapacitada no momento, e acredita que está sobrecarregado e se sente esgotado, é importante averiguar esses sintomas e checar o que está acontecendo. O estresse do cuidador causa irritação, frustração, tristeza e falta de perspectiva.

O cuidador ou a cuidadora se sente sozinho, desprotegido, com insônia, apresenta perda ou excesso de apetite e, em alguns casos, forte depressão. É comum relatarem um cansaço que não passa, descuidam da aparência e não tem tempo para si.

"É difícil termos uma estimativa de quantas pessoas são atingidas, já que os cuidadores, muitas vezes, não reconhecem os sintomas de alerta. A maioria acha que essa situação é algo normal, não procura ajuda e acaba sofrendo sozinho. Há um esgotamento sem perspectiva de cura ou evolução, pois não é como cuidar de uma criança. E ao final dos cuidados, no caso dos idosos, ainda há a possibilidade de perder a pessoa", explica Valmani Cristina Aranha, psicóloga e especialista em gerontologia e diretora da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia)*.

Outra questão que deve ser levada em conta é a dificuldade de aceitar a troca de papéis. Frequentemente, os cuidadores podem ficar confusos ou inseguros ao se tornarem responsáveis pelos seus pais, cônjuges ou amigos. E a falta de recursos financeiros e apoio também contribuem para aumentar ainda mais o sofrimento e a angústia.

Identificando o problema

O diagnóstico geralmente é realizado de forma indireta pelo geriatra ou médico que atende ao idoso/doente. Esses especialistas podem perceber que o cuidador também precisa de cuidados por causa dos sintomas apresentados e relatos do paciente.

"O estresse se apresenta inicialmente como uma forma de alarme e é mais leve. É comum esses cuidadores terem insônia ou falta de paciência nessa fase. Depois, o organismo do cuidador passa a dar respostas ao estresse: surgem as doenças como elevação da pressão arterial, taquicardia, enxaqueca ou gastrite. E, em seguida, há uma exaustão extrema que exige tratamento", relata Cristina Borsari, psicóloga e coordenadora da psicologia hospitalar da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Veja, a seguir, alguns sinais que merecem atenção:

  • ansiedade e/ou depressão;
  • perder o contato com amigos;
  • estar sempre exausto;
  • irritação frequente;
  • sem energia;
  • negligenciar a própria saúde;
  • dores no corpo;
  • sentir culpa quando está longe;
  • ficar sempre preocupado e com pensamentos negativos;
  • falta de concentração;
  • dores frequentes de cabeça ou estômago;
  • imunidade baixa;
  • falta de tempo para o lazer.

O que pode ser feito para diminuir a sobrecarga

Histórias como a de Claudia são bastante comuns, mas algumas atitudes no dia a dia diminuem os impactos emocionais que levam o cuidador a ter mais problemas de saúde —emocionais e físicos. O primeiro passo é estabelecer uma rotina de cuidados reais, ou seja, fazer o que é necessário e não buscar a perfeição.

É fundamental dividir as tarefas e admitir que precisa de ajuda para dar apoio à pessoa assistida.

"É importante manter os exames de rotina em dia. É preciso sempre conversar com o médico sobre sintomas de depressão e ansiedade. Vale participar de grupos de apoio para desabafar e desenvolver o hábito de pedir ajuda e aceitar ser cuidado(a) também", completa Cristina Alves.

Outra questão é conseguir ter tempo para o lazer e evitar o isolamento. É fundamental manter relacionamentos com outras pessoas, não apenas com quem é assistido. Geralmente, os cuidadores passam longas horas cuidando do outro e esquecem que precisam de pausas ou de realizar atividades que tragam prazer como leitura ou assistir um filme. É necessário também manter a atividade física, tentar realizar um alimentação equilibrada e dormir bem.

Em alguns momentos, o cuidador percebe que está no seu limite. Muitos sentem uma depressão intensa e/ou mudam de comportamento, ficando mais irritados ou propensos a agressões ou desrespeito ao idoso ou pessoa doente.

"É muito importante cuidar de quem cuida. O cuidador pode perder a capacidade de lidar com essa situação. E é necessário averiguar se a pessoa não precisa buscar uma institucionalização para que o idoso ou doente tenha mais atenção e os cuidados necessários. É uma alternativa para melhorar a qualidade do cuidado, mas deve ser uma decisão individual", finaliza Aranha.

* com informações de reportagem de Samantha Cerquetani publicada em 17/07/2020.

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Estresse do cuidador: o que fazer para diminuir a sobrecarga de quem cuida?

iStock
Imagem: iStock

Samantha Cerquetani

Colaboração para VivaBem

17/07/2020 04h00

Cuidar do outro pode ser gratificante, mas exige tempo, paciência e leva a muitas mudanças na rotina. O cuidador, muitas vezes, fica responsável pela higiene pessoal, por levar ao médico, ficar de olho nas medicações e preparar a alimentação de um familiar idoso ou pessoa incapacitada por algum problema de saúde.

Como nem sempre a família tem condições de arcar com um profissional, é comum que essa função seja realizada por alguém que tenha um vínculo afetivo com quem está sendo assistido.

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Veja 9 cuidados essenciais para ter com um idoso acamado

Essa situação envolve muita dedicação —às vezes até integral e por longos anos— causando um desgaste físico e até mesmo mental do cuidador. É comum que desenvolvam uma condição conhecida como estresse do cuidador, ou seja, uma tensão emocional decorrente do cuidado.

Muitos cuidadores deixam de realizar suas atividades do dia a dia como trabalhar, não se alimentam corretamente, dormem pouco e passam por muito estresse para cuidar de um ente querido que está impossibilitado.

"Estima-se que 30% dos idosos tenham algum grau de dependência. Por isso, eles precisam de um cuidador. Geralmente, são mulheres, com escolaridade baixa e vivem com a pessoa que está sob seus cuidados. E como não são treinadas para lidar com essa situação, algumas vezes acabam prejudicando a sua própria saúde", explica Paulo Camiz, geriatra e professor da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Diversos estudos mostram que homens e mulheres responsáveis pelo cuidado prolongado de parentes apresentam taxas mais altas de doenças, resposta imunológica suprimida e até mortes mais precoces.

"Alguns idosos com demências, por exemplo, ficam agressivos, são teimosos e não aceitam a situação. Os cuidadores —profissionais ou familiares— ficam mais suscetíveis a problemas de saúde como dores no corpo, depressão e ansiedade", destaca Cristina Alves, diretora-superintendente da Acirmesp (Associação dos Cuidadores de Idosos da Região Metropolitana de São Paulo).

Como saber se tenho o estresse do cuidador?

Se você cuida de algum idoso ou pessoa incapacitada no momento, e acredita que está sobrecarregado e se sente esgotado, é importante averiguar esses sintomas e checar o que está acontecendo. O estresse do cuidador causa irritação, frustração, tristeza e falta de perspectiva.

Crise depressiva - iStock - iStock
Imagem: iStock

O cuidador ou a cuidadora se sente sozinho, desprotegido, com insônia, apresenta perda ou excesso de apetite e, em alguns casos, forte depressão. É comum relatarem um cansaço que não passa, descuidam da aparência e não tem tempo para si.

"É difícil termos uma estimativa de quantas pessoas são atingidas, já que os cuidadores, muitas vezes, não reconhecem os sintomas de alerta. A maioria acha que essa situação é algo normal, não procura ajuda e acaba sofrendo sozinho. Há um esgotamento sem perspectiva de cura ou evolução, pois não é como cuidar de uma criança. E ao final dos cuidados, no caso dos idosos, ainda há a possibilidade de perder a pessoa", explica Valmani Cristina Aranha, psicóloga e especialista em gerontologia e diretora da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia).

Outra questão que deve ser levada em conta é a dificuldade de aceitar a troca de papéis. Frequentemente, os cuidadores podem ficar confusos ou inseguros ao se tornarem responsáveis pelos seus pais, cônjuges ou amigos. E a falta de recursos financeiros e apoio também contribuem para aumentar ainda mais o sofrimento e a angústia.

Identificando o problema

O diagnóstico geralmente é realizado de forma indireta pelo geriatra ou médico que atende ao idoso/doente. Esses especialistas podem perceber que o cuidador também precisa de cuidados por causa dos sintomas apresentados e relatos do paciente.

"O estresse se apresenta inicialmente como uma forma de alarme e é mais leve. É comum esses cuidadores terem insônia ou falta de paciência nessa fase. Depois, o organismo do cuidador passa a dar respostas ao estresse: surgem as doenças como elevação da pressão arterial, taquicardia, enxaqueca ou gastrite. E, em seguida, há uma exaustão extrema que exige tratamento", relata Cristina Borsari, psicóloga e coordenadora da psicologia hospitalar da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Veja, a seguir, alguns sinais que merecem atenção:

  • ansiedade e/ou depressão;
  • perder o contato com amigos;
  • estar sempre exausto;
  • irritação frequente;
  • sem energia;
  • negligenciar a própria saúde;
  • dores no corpo;
  • sentir culpa quando está longe;
  • ficar sempre preocupado e com pensamentos negativos;
  • falta de concentração;
  • dores frequentes de cabeça ou estômago;
  • imunidade baixa;
  • falta de tempo para o lazer.

Dedicação e cuidados em tempo integral

Em 2016, Claudia Azevedo, 50, passou a cuidar de sua mãe, Maria Moreira, 85, após ela ter um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Por conta do derrame, a idosa ficou totalmente paralisada e passa todo o tempo na cama.

De repente, a rotina de Claudia mudou completamente: ela teve de aprender a trocar fraldas e dar banho na pessoa que sempre cuidou dela.

Cuidadora - Thinkstock - Thinkstock
Imagem: Thinkstock

"É uma rotina estressante, fico sempre atenta na expectativa de que algo aconteça com ela. Não tenho tempo para mim, pois recebo pouca ajuda. Não tive escolha e a minha mãe agora é a minha responsabilidade", afirma.

Com o passar do tempo, Claudia, que também realizou uma mastectomia em 2012 após um câncer de mama, percebeu um desânimo frequente. Ao procurar ajuda, foi diagnosticada com transtorno de ansiedade e depressão. Ela sente falta de ter mais tempo para se cuidar e conseguir ter outros relacionamentos.

"Faço terapia em grupo e tratamento psiquiátrico para conseguir ter qualidade de vida e dormir melhor. Também tenho problemas na coluna e de artrose, já que pego muito peso. Eu a levanto da cama com frequência para que não tenha feridas no corpo. Mas, não faria nada diferente, faço tudo o que posso por ela, não deixo que se entregue ou fique triste com a situação", relata.

O que pode ser feito para diminuir a sobrecarga

Histórias como a de Claudia são bastante comuns, mas algumas atitudes no dia a dia diminuem os impactos emocionais que levam o cuidador a ter mais problemas de saúde —emocionais e físicos. O primeiro passo é estabelecer uma rotina de cuidados reais, ou seja, fazer o que é necessário e não buscar a perfeição.

É fundamental dividir as tarefas e admitir que precisa de ajuda para dar apoio à pessoa assistida.

Felicidade - iStock - iStock
Imagem: iStock

"É importante manter os exames de rotina em dia. É preciso sempre conversar com o médico sobre sintomas de depressão e ansiedade. Vale participar de grupos de apoio para desabafar e desenvolver o hábito de pedir ajuda e aceitar ser cuidado(a) também", completa Cristina Alves.

Outra questão é conseguir ter tempo para o lazer e evitar o isolamento. É fundamental manter relacionamentos com outras pessoas, não apenas com quem é assistido. Geralmente, os cuidadores passam longas horas cuidando do outro e esquecem que precisam de pausas ou de realizar atividades que tragam prazer como leitura ou assistir um filme. É necessário também manter a atividade física, tentar realizar um alimentação equilibrada e dormir bem.

Em alguns momentos, o cuidador percebe que está no seu limite. Muitos sentem uma depressão intensa e/ou mudam de comportamento, ficando mais irritados ou propensos a agressões ou desrespeito ao idoso ou pessoa doente.

"É muito importante cuidar de quem cuida. O cuidador pode perder a capacidade de lidar com essa situação. E é necessário averiguar se a pessoa não precisa buscar uma institucionalização para que o idoso ou doente tenha mais atenção e os cuidados necessários. É uma alternativa para melhorar a qualidade do cuidado, mas deve ser uma decisão individual", finaliza Aranha.

Revisão técnica: Cristina Borsari.

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Veja 9 cuidados essenciais para ter com um idoso acamado

iStock
Imagem: iStock

Bárbara Therrie

Colaboração para VivaBem

22/05/2020 04h00

Diversas doenças podem levar um idoso a ficar acamado, o que requer cuidados importantes por parte do cuidador, familiar ou da equipe que o atende. Se o idoso ainda for consciente, é essencial ter uma rotina e fazer um planejamento de todas as atividades que vão acontecer durante o dia.

"Quando falamos de uma pessoa acamada, nos referimos a alguém que teve suas expectativas em relação à velhice interrompidas por uma grave doença que lhe causou o que todos querem evitar: a dependência. Portanto, o maior cuidado que devemos ter é com a saúde emocional deste idoso", afirma Karen Elise de Campos, gerontóloga e docente do curso de cuidador de idoso do Senac São Paulo.

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Por esse motivo, é fundamental conhecer a personalidade do idoso, saber as vontades dele e o que mais o agrada. "Há idosos que podem estar na cama totalmente imóveis, mas cuja parte cognitiva está preservada. Dessa forma, eles têm vontades e capacidade de decidir o que querem assistir, vestir e comer. No entanto, há aqueles que não possuem essa autonomia por problemas de comprometimento cognitivo. Sendo assim, o cuidador pode tomar as decisões por aquela pessoa", explica Eliana Elvira Pierre Lima, enfermeira e autora do livro "Cuidador de Idosos: Práticas e Reflexões do Cuidar com Cuidado".

Diante de tantas responsabilidades, lidar com um idoso acamado pode ser bastante desafiador. Por isso, o cuidador ou familiar deve ter autocontrole, ser atencioso, proativo e capaz de se colocar no lugar do outro, segundo Priscila Nathalie Reiko Landim, geriatra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

Ainda de acordo com a médica com título de especialista em geriatria pela SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), o cuidador deve ser capaz de administrar remédios, acompanhá-lo em consultas, agendar exames, realizar cuidados de higiene íntima, banho, alimentação, auxiliar na locomoção e identificar problemas de saúde básicos com o intuito de transmitir os sinais e sintomas a um profissional de saúde que, por sua vez, fará um diagnóstico e conduta apropriados.

A seguir, pedimos para as três profissionais elencarem cuidados essenciais para se ter com um idoso acamado.

  • Formação de escaras

As escaras, termo popular para falar das úlceras por pressão ou úlceras de decúbito, são lesões na pele provenientes da pressão que sofrem do corpo contra uma superfície. Todas as regiões que possuem ossos protuberantes ocasionam uma pressão sobre o músculo e a pele, o que pode prejudicar a irrigação do sangue naqueles locais. Com isso, a pele pode descamar e formar essas lesões. Elas podem surgir em diversas regiões como: cabeça, orelha, costas, região do quadril, cotovelos e calcanhares.

Para prevenir a formação das úlceras, a orientação é mudar o idoso de posição a cada duas horas e fazer um rodízio no sentido horário. Por exemplo, às 10h virar o corpo para o lado direito, ao meio-dia virar para o esquerdo, às 14h deixá-lo de barriga para cima e assim por diante. É indicado colocar um travesseiro ou um acolchoado entre as pernas, e almofadas e protetores nos calcanhares, na região dos joelhos e prestar atenção se as orelhas não estão dobradas quando ele fica de lado.

A pele do idoso é muito fina, por isso o lençol deve estar bem esticado. Ele deve usar roupas leves, de tamanho ideal, para que não enruguem e causem mais pressão. Nos idosos muito magros, é importante ficar atento, pois ele pode deitar em cima da pele e causar o que chamamos de cisalhamento —nós temos três camadas de pele, quando a primeira é mais flácida, ela pode deslizar sobre as outras e causar feridas e hematomas.

Também é recomendado usar um hidratante corporal —sempre verificando se o paciente tem sensibilidade ou alergia a algum produto—, para massagear a região ativando a circulação. Como a pele de idoso é bem sensível, é necessário que a fricção seja suave, mas capaz de proporcionar oxigenação para possibilitar a chegada dos nutrientes no local.

  • Como deve ser o quarto

Quarto arejado - iStock - iStock
Imagem: iStock

O quarto precisa ser arejado e ter boa ventilação. Quando o ambiente fica por muito tempo fechado, a concentração de bactérias, vírus, ácaro e outros microrganismos é maior, aumentando o risco de contaminação. No caso da covid-19, é importante usar álcool em gel ou líquido 70% para a limpeza de todos os objetos. A limpeza do quarto deve ser diária, evite a vassoura, prefira o aspirador de pó. Para limpar o chão, use um pano com água com algum produto que ajude a desinfectar o local, como água sanitária diluída.

O ambiente precisa ter o mínimo de objetos para evitar o acúmulo de sujeira. Para casos em que os idosos usam fraldas, a dica é colocar um forro plástico entre o colchão e o lençol. Assim, caso a fralda vaze, não atingirá o colchão. O colchão também pode ser limpo com aspirador de pó a cada 15 dias e colocado no sol junto com os travesseiros para realizar a desinfecção natural.

As roupas de cama devem ser trocadas diariamente, não só pela questão de higiene, mas de proteção. Elas devem ser lavadas com água e sabão, preferencialmente neutro, para evitar qualquer tipo de irritação.

  • Higienização

Idosos acamados têm mobilidade reduzida, por este motivo apresentam dificuldades para ir ao banheiro e realizar as tarefas de autocuidado. As trocas de fralda devem acontecer pelo menos a cada quatro horas. Assim que o idoso evacuar, ele deve ser limpo com água, uma toalha umedecida ou lenço umedecido próprio, que não tenha produtos químicos.

A escovação dos dentes deve ser feita após todas as refeições com uso de enxaguante bucal não-alcoólico. Se houver prótese dentária, avaliar sua retirada e higiene. Sempre observar se há alguma lesão na língua e nas bochechas, pois a prótese pode causar algum tipo de incômodo. Mesmo que o paciente use sondas, a higiene oral deve ser mantida.

As unhas devem estar sempre curtas e lixadas para evitar que se machuquem ou mantenham sujidades sob elas. A aparência do idoso diz respeito a sua personalidade e identidade. Por essa razão, aspectos como cor, tamanho e estilo de cabelo e barba —no caso dos homens— devem ser preservados segundo a escolha do paciente, quando possível.

  • Banho

O banho é um momento delicado, pois muitos idosos ficam constrangidos por estarem despidos. Nesses casos, é necessário discrição. O tipo de banho, se no chuveiro ou na cama, dependerá do estado de cada paciente. Antes de começar, o ideal é deixar todas as roupas e materiais organizados. Os banhos no chuveiro devem ser dados com o auxílio de uma cadeira de banho e um box adaptado com barras de proteção as quais o idoso poderá utilizar para se apoiar, garantindo mais segurança.

O banho pode ser um momento de muita dificuldade para alguns, devido às limitações e às dores que eles podem sentir na hora que são tocados ou que a água cai. É uma situação que exige delicadeza, paciência e disposição do cuidador. Na medida do possível, promova a autonomia do idoso oferecendo o sabonete líquido. Coloque na mão dele e peça para ele fazer a higienização. O cuidador deve estar disponível para auxiliar na limpeza onde ele não conseguir. Para situações de evacuação involuntária, busque sempre consolá-lo para que ele se sinta o menos constrangido possível.

A temperatura da água deve ser agradável, não deve ser muito quente devido à pele delicada. Caso o banho tenha que ser feito na própria cama, providenciar o aquecimento do ambiente antes de iniciá-lo, forrar a cama com um material impermeável, ter agilidade, retirar todo o resíduo de xampu e sabonete e secar todo o corpo adequadamente com uma toalha macia.

  • Alimentação

Idoso sendo alimentado - iStock - iStock
Imagem: iStock

A alimentação do idoso acamado deve ser orientada por uma equipe, com fonoaudiólogos, nutricionistas e médicos. Por ter várias complicações que prejudicam a deglutição, os líquidos e partículas sólidas dos alimentos podem ser broncoaspirados, ou seja, ao invés de ir para o estômago podem ir para o pulmão causando infecções.

A alimentação deve ser bem preparada e higienizada, dê preferência os legumes, frutas e verduras. Evite produtos industrializados, elabore um cardápio para não ter muitas repetições e promova uma alimentação balanceada e rica em nutrientes.

É primordial se atentar ao posicionamento adequado do paciente, seja na cama, poltrona, ou colocando-o na cadeira de rodas e levando-o para a cozinha ou sala. Sempre ofereça líquido após as refeições para evitar o risco de engasgamento, preferencialmente sucos naturais e água.

A textura dos alimentos vai depender do grau de disfagia, o distúrbio de deglutição que dificulta a efetiva condução do alimento da boca até o estômago, pois irá determinar a consistência da dieta. É fundamental prestar atenção ao volume do alimento disponível na colher, cortar em pequenas porções e comer em um ritmo lento. Sempre estimule a autonomia do idoso e permita que ele se alimente sozinho, quando possível.

  • Atividades de entretenimento

Os idosos devem ser estimulados a fazer o que gostam e seja apropriado a sua condição atual. Não é recomendado estimulá-los a fazer algo que não tenham mais capacidade de executar. Se houver dificuldade visual e ele gostava de leitura, por exemplo, o cuidador pode usar lupas ou material de letras grandes ou ainda realizar a leitura em voz alta para ele. As gerações atuais de idosos gostam e querem o acesso à tecnologia. Eles podem realizar visitas a museus, parques, assistir concertos, espetáculos e cerimônia religiosas, tudo de forma virtual.

  • Exercícios físicos

Os exercícios físicos devem ser orientados pelo médico e/ou fisioterapeuta e podem ser aplicados e supervisionados pelo cuidador, após sua capacitação. Praticar atividades ensinadas em vídeos da internet podem trazer graves sequelas ao corpo do idoso.

Caso ainda haja uma certa mobilidade do paciente, avaliar junto a um profissional da área de saúde a necessidade de uso de dispositivos de auxílio de marcha como andador e bengala, minimizando o risco de quedas e complicações. Reduzir a imobilidade pode minimizar contraturas musculares, além de auxiliar em uma melhor expansão pulmonar, evitando complicações inerentes a estas situações. Algo que também pode ser feito dentro de casa é uma caminhada, sempre com o apoio do cuidador e respeitando as limitações do idoso.

  • Medicação

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Imagem: iStock

O cuidador ou familiar não deve ter dúvidas em relação à medicação. É necessário que ele faça todas as perguntas para quem prescreveu: se pode dar o medicamento com água, suco, com a comida, quando tempo leva para fazer efeito, por quanto tempo deve seguir a prescrição, o que fazer se o idoso fingir que tomou e depois você encontrar o comprimido em algum lugar. Enfim, deve tirar todas as dúvidas e registrar.

A condição da pessoa cuidada pode melhorar ou piorar de acordo com a prescrição. Cada remédio pode ter sua peculiaridade em relação ao armazenamento, por isso é importante ler a bula para compreender melhor como guardar. Sempre verifique a validade.

Parece óbvio, mas todo cuidado é pouco: o cuidador não pode aceitar a oferta de medicamentos não prescritos pela equipe de saúde, já que isso pode causar danos irreversíveis ao idoso.

  • Cuidados com a covid-19

Os cuidados para proteger o idoso acamado contra a covid-19 são os mesmos do restante da população, mas a atenção deve ser redobrada. O ideal é que, se o cuidador não reside com o idoso, troque de roupa e use avental ao chegar na residência.

Ao chegar na casa, ele deve lavar as mãos até a região próxima aos cotovelos, o rosto, manter os cabelos presos, usar touca e ficar de máscara —trocando-a a cada duas ou três horas. É indicado o uso de um sapato exclusivo ou um propé no calçado, aquela capa protetora de sapato.

Sabemos que neste momento quanto menos contato pessoal melhor. Os idosos em situação de vulnerabilidade se apresentam mais sensíveis e emotivos, sentem falta do toque, mas o afeto pode ser transmito pelo olhar e pela sensibilidade do cuidador. É importante que seja um momento de expressão verbal de afeto e carinho.

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Coronavírus: 6 erros que você não deve cometer com idosos no isolamento

Idosos fazem parte do grupo de risco e devem ficar em casa para se proteger do coronavírus - iStock
Idosos fazem parte do grupo de risco e devem ficar em casa para se proteger do coronavírus Imagem: iStock

Fernanda Teixeira Ribeiro

Colaboração para o VivaBem

03/04/2020 04h00

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), toda a população mundial está vulnerável à infecção pelo coronavírus. No entanto, pessoas com mais de 60 anos, sem exceção, estão no grupo de risco da covid-19 e, caso infectadas, têm chance maior de desenvolver complicações que podem levar à morte.

"Isso não tem a ver com o idoso ser saudável ou não, como se alimenta ou se faz exercícios: depois dos 60 anos o sistema imunológico vai ficando gradualmente mais comprometido, por isso pessoas acima dessa idade estão no grupo de risco", explica a geriatra Maisa Kairalla, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

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Apesar do risco, muitas famílias ainda encontram dificuldades de manter os idosos em casa para protegê-los. A rotina de quarentena não é nada fácil, especialmente quando o idoso não concorda com o isolamento. O VivaBem conversou com especialistas sobre as dificuldades mais comuns na hora de negociar a rotina com os mais velhos e enumerou algumas atitudes que prejudicam o diálogo.

1. Mentir

Inventar histórias —como dizer que o idoso será preso ou multado se sair na rua — pode parecer uma solução fácil, mas tem consequências psicológicas muito negativas, segundo a psicóloga especialista em gerontologia Valmari Aranha, professora no Centro Universitário São Camilo. "A mentira pode causar perda de confiança: o idoso que é enganado hoje pode duvidar, futuramente, da comunicação de um diagnóstico, por exemplo", diz. É importante entender que, nesse momento em que somos bombardeados por informações de todos os lados, não expor o idoso a histórias falsas também é uma forma de cuidado.

idoso cozinhando - iStock - iStock
Aproveite o isolamento para aprender receitas de família com o idoso. Isso fará com que ele se sinta produtivo Imagem: iStock

2. Tratá-lo como incapaz

"Tirando exceções, como demência, o idoso é um cidadão como qualquer outro, com condições cognitivas para ser informado e decidir sobre o melhor para si. Idoso não é criança. Existem pessoas de todas as idades que são 'teimosas'", diz Kairalla. Abordar o isolamento não apenas como uma maneira de proteger a si mesmo, mas também de contribuir para a saúde pública e toda a família, é uma maneira de mostrar que o idoso não está passivo diante da pandemia, que também tem responsabilidade nesse batalha. "O isolamento é uma escolha em prol da vida, da própria, das pessoas queridas e da sociedade. Encarar como uma escolha consciente em vez de obrigação é uma forma de preservar a autonomia", explica Aranha.

3. Poupá-lo da realidade

Na tentativa de não querer impressionar o idoso ou de evitar que ele fique ansioso com as notícias, muitos tentam ocultar a gravidade da pandemia. No entanto, para a própria segurança da pessoa, é importante que ela saiba os motivos do isolamento e o real risco de morte caso o sistema de saúde não consiga atender todos os casos que precisem de internação. "Devemos desmistificar a ideia de que os idosos são frágeis. Muitos são experientes, já vivenciaram perdas, têm muito mais recursos do que imaginamos para lidar com a realidade", diz Valmari. Entenda que ser realista não significa ser alarmista. E, mais uma vez, o idoso precisa encontrar coerência entre o que ouve da família e o que vê pela televisão, por exemplo.

4. Repassar notícias que estimulam pânico

É possível falar sobre hábitos de proteção e explicar por que cuidados são necessários nesse momento sem cair no excesso de informação. Por exemplo: revelar que em diversos países as pessoas estão resguardadas em sua casa para não ficarem doentes é uma notícia que pode fazer com que o idoso entenda a gravidade da situação. Você não precisa gerar pânico e comentar sobre os corpos sendo empilhados na Itália para convencê-lo a ficar em casa. Além disso, seja em casa, seja por telefone, é possível conversar sobre outros assuntos além da pandemia. Falar sobre o dia, contar o que está fazendo na quarentena e dividir pensamentos são formas de mostrar proximidade.

5. Sugerir tarefas improdutivas para "ocupar" o idoso

Tentar entreter o idoso com tarefas inúteis para passar o tempo dentro de casa pode contribuir para deixá-lo mais ansioso. "Incentive-o a cuidar de plantas ou realizar tarefas domésticas que realmente são necessárias. Jogos de tabuleiro que estimulam a mente também são alternativas melhores que apenas ver televisão ou fazer tarefas que ele percebe que não adiantam, como dobrar roupas esquecidas no armário", diz Aranha. Nesse contexto, caso a família esteja dividindo espaço, pode ser a chance de aprender com o idoso a costurar, preparar uma receita de família ou ouvir uma história.

idoso jogando xadrez - iStock - iStock
Jogos de tabuleiro estimulam o cérebro e ajudam a passar o tempo no isolamento Imagem: iStock

6. Confundir isolamento com abandono

"Não poder entrar em contato próximo com os filhos e netos não significa não vê-los ou não conversar com eles. As pessoas podem e devem sempre se falar sempre por telefone e aplicativos e, se possível, até mesmo se verem à distância", diz Kairalla. Para a geriatra, é importante que o idoso entenda que o distanciamento não significa que será excluído da rotina familiar e social. "O contato com crianças, mesmo sem sintomas, é uma forma importante de transmissão, por isso é realmente importante limitar contatos físicos no momento —e explicar bem o motivo desse afastamento."

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Kalache ironiza drive-thru de vacinação e fala em 'genocídio' de idosos

Do UOL, em São Paulo

27/03/2020 17h50

Atualizada em 27/03/2020 22h26

O Ministério de Saúde anunciou no final de fevereiro a antecipação da campanha nacional de vacinação contra a gripe, em um esforço no combate contra a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Dessa forma, no dia 23 de março, gestantes, crianças até seis anos, mulheres até 45 dias após o parto, idosos e profissionais da área da saúde começaram a receber vacina.

Mas o drive-thru disponibilizado em diversos pontos do país como uma alternativa para acelerar as aplicações expôs graves diferenças sociais, especialmente entre idosos. É o que afirmou hoje Alexandre Kalache, gerontólogo que dirigiu o programa de envelhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante mais de uma década, no UOL Debate de tema "A classe médica reage ao coronavírus".

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"Drive-thru para quem? Para a classe média? Aqui no Rio de Janeiro, estamos vendo milhares de idosos que se aglomeraram para tomar vacina. Será que não devíamos começar com os profissionais de saúde, para saber como organizar isso? Ninguém está perguntando a voz do idoso", questionou.

Ainda segundo Kalache, é importante lembrar que 83% dos idosos dependem única e exclusivamente do SUS. "Vamos nos ater a esses 83% que não tomam vacina no drive-thru porque não têm essa hipótese de pegar um Uber ou possuem um carro para isso."

Em sua argumentação, o gerontólogo pediu mais atenção às populações de idade mais avançada, especialmente de baixa renda.

"Há um preconceito imenso de declaração em cima de declaração, começando pelo presidente (da República, Jair Bolsonaro). Isso equivale a um genocídio. A minha opinião, representando os idosos: nós vamos gritar, sim, da mesma forma que gritamos quando éramos jovens contra a ditadura. Não é só para nos proteger, mas para proteger a sociedade brasileira", explicou.

O debate ainda apresentou a necessidade de diferentes métodos para vacinar as pessoas em massa em curto prazo. Para Kalache, o cuidado com as vacinas e, em especial, com o SUS, "não é para proteger os velhinhos, mas nossa saúde".

"Os Estados Unidos são incapazes de ter um sistema de saúde universal. Nós tínhamos e agora está sendo desmantelado. Em qual sistema de saúde vou me vacinar se fecharam o posto da Rocinha?", perguntou.

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Coronavírus: ida ao supermercado ou farmácia exige cuidados; veja quais

Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em São Paulo

20/03/2020 10h50

A recomendação é clara: se puder, não saia de casa. Idosos, pessoas que estão no grupo de risco (diabéticos, asmáticos, com problemas cardiovasculares e imunodeprimidos, entre outros) e com sintomas devem evitar mais ainda as saídas.

Compra online nos supermercados

É bom frisar que as compras online são mais indicadas nesse momento, mas, no caso de quem está saudável e precisa ir ao mercado comprar mantimentos ou à farmácia, alguns cuidados devem ser tomados para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

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"O mercado tem muitos produtos que vêm de várias regiões do país e passam pelas mãos de diversas pessoas. É um lugar de fácil contaminação", diz André Ricardo Ribas Freitas, médico epidemiologista e professor na Faculdade São Leopoldo Mandic.

Um estudo publicado no periódico medRxiv revelou que o vírus pode ser detectado no ar por até 3 horas, até 4 horas em cobre, até 24 horas em papelão e de dois a três dias em plástico e aço inoxidável. Outra pesquisa, publicada no periódico Journal of Hospital Infection, mostrou que um coronavírus relacionado ao que causa Sars pode persistir até nove dias em superfícies não porosas, como aço inoxidável ou plástico.

O que fazer no mercado

Antes de tudo, escolha um horário em que o mercado provavelmente está mais vazio e prefira um perto da sua casa. No local, encare suas mãos como sempre sujas. Isso quer dizer que você deve evitar a todo custo colocá-las em seus olhos, boca ou nariz antes de lavá-las com água e sabão. Na farmácia, a mesma coisa.

"Ela pode usar uma alternativa extrema de usar uma luva descartável e tirar assim que sair do supermercado ou simplesmente lavar a mão assim que sair de lá", sugere Freitas.

É importante também manter uma distância de, no mínimo, um metro de outro indivíduo, e na hora de pagar, evitar dinheiro e preferir cartões.

Ao chegar em casa

É aqui que os especialistas começam a dividir opiniões. Renato Kfouri, médico infectologista, primeiro secretário da SBIM (Sociedade Brasileira de Imunizações), acha um exagero limpar todos os itens comprados ao chegar em casa.

"Independentemente se o vírus vive duas, quatro, seis horas, ele só contamina pelo contato. Então, se você mantiver a regra de higiene básica, de lavar as mãos e os alimentos sempre, não irá se infectar", diz. Kfouri ainda ressalta que, até onde se sabe, a comida in natura não transporta o vírus. "Não pegamos gripe comendo alguma coisa. Com a covid-19 deve ser igual".

Já Oscar Bruña-Romero, professor do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), pensa diferente. Em um comunicado, ele afirmou que é preciso, sim, limpar os itens.

O professor diz para lavar os alimentos crus em água corrente e mergulhar as verduras e frutas em uma solução contendo água sanitária diluída em água. "Observe no rótulo da água sanitária a diluição ideal e o tempo necessário para deixar o alimento em imersão. Se não tiver essa informação no rótulo, busque outra marca, pois alguns produtos não devem ser utilizados em alimentos". Depois disso, enxágue com bastante água.

Bruña-Romero também recomenda passar álcool 70% em embalagens de alimentos que serão armazenadas.

Freitas é da mesma opinião e recomenda que, ao chegar em casa, é bom tirar os sapatos e trocar a roupa. "Chegou, tira essa roupa, coloque para lavar e tome um banho", diz. Segundo ele, as medidas devem ser drásticas. "O domicílio tem que ser um bunker, livre de coronavírus."

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Idoso também joga videogame, e é tratamento de saúde: conheça a gameterapia

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Bruna Alves

Colaboração para VivaBem

01/05/2020 04h00

Encarar um tratamento de fisioterapia é sempre difícil e cansativo, mas necessário. Dentre as diversas funções, a fisioterapia ajuda pacientes com problemas cognitivos (dificuldade no processamento de informações), quem tenha fraturado algum membro do corpo ou até para prevenir doenças.

No entanto, embora seja importante para reabilitação e desenvolvimento, os idosos costumam sair das sessões exaustos. Por isso, há até quem diga que é a pior parte da recuperação.

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Mas já imaginou se junto com a fisioterapia convencional, você também pudesse se exercitar e obter bons resultados de reabilitação jogando videogame? É o que propõe a gameterapia, que não substitui a fisioterapia convencional, mas contribui para uma boa recuperação de maneira lúdica e agradável.

Como surgiu?

A gameterapia, como o próprio nome sugere, é um recurso da fisioterapia a base de jogos de videogame. A técnica, que foi desenvolvida em 2006 no Canadá e chegou ao Brasil em meados de 2007, já conta com jogos digitais próprios, criados para funcionar como sensores de movimento, promovendo a reabilitação física e cognitiva.

No Brasil, ela pode ser encontrada, normalmente, apenas em clínicas especializadas ou hospitais de alta referência.

A nova técnica pode ser aplicada em qualquer idade para tratamentos fisioterapêuticos, principalmente nas áreas de neurologia, ortopedia e gerontologia.

Como funciona?

Não tem segredo. Como qualquer jogo de videogame, com a diferença de que esses são escolhidos pelos profissionais, o paciente vai apenas "jogar". Ou seja, ele interage em uma realidade virtual para executar uma função. Entretanto, será uma fisioterapia muito mais prazerosa do que a convencional, concorda?

Durante o jogo, o paciente fará diversos tipos de exercícios, cada um com objetivos diferentes, mas todos simulando movimentos reais, que são capturados pelos sensores.

Na prática, a pessoa vai sentar ou ficar em pé e ser guiado pelos personagens durante o jogo. Todo o processo é controlado e avaliado pelo especialista. Os games de Nintendo Wii e Xbox têm sido bastante utilizados nesse tipo de terapia —que conta com jogos de pingue-pongue, boliche, corda bamba, caminhada e por aí vai.

"A gente consegue ver, através das nossas escalas de avaliação, o que muda depois da terapia feita com os games, que acaba sendo usada como reabilitação de doenças neurológicas", explica Fabíola Albieri, fisioterapeuta especialista em neurologia e geriatria.

Vantagens da técnica

Uma das principais vantagens da gameterapia é o estímulo. Segundo os especialistas, a técnica estimula os idosos a querer praticar os exercícios com maior frequência e a interação com o game pode permitir uma maior mobilidade, já que o foco principal passa a ser jogo, e não a dor em si. Isso traz ao paciente sensações prazerosas que, até então, eram basicamente relacionadas ao esforço.

"Sua grande vantagem é que, através de diversos tipos de jogos é possível propor atividades para recuperar a amplitude de movimento de uma articulação; propor atividades que controlem o movimento em pacientes com doença de Parkinson ou outras doenças que geram distúrbios do movimento, treinar o equilíbrio em idosos, reduzindo o risco de quedas e até mesmo em pacientes com demência", exemplifica Tiago da Silva Alexandre, fisioterapeuta e presidente do departamento de Gerontologia da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia).

Além disso, a gameterapia também vem sendo utilizada na recuperação de pacientes que sofreram fratura de fêmur, nas artroplastias de quadril e joelho e no pós-acidente vascular cerebral (AVC).

Alguns benefícios do tratamento com gameterapia são:

  • Melhora no movimento das articulações e mobilidade;
  • Melhora do equilíbrio corporal;
  • Redução do risco de queda em idosos;
  • Capacidade de prestar atenção em mais de uma coisa ao mesmo tempo (realizar multitarefas);
  • O idoso consegue focar e desenvolver melhor suas atividades rotineiras;
  • Os pacientes ficam mais felizes com esse tipo de fisioterapia e melhoram até mesmo seu humor. Se bem planejada, a técnica, ainda, pode favorecer os exercícios para ganho de força muscular e cardiovascular.

Melhora das funções cognitivas

Em gerontologia, os exercícios de dupla tarefa também ganham destaque. Do ponto de vista cognitivo, o treinamento realizado por meio dos jogos de memória, atenção, raciocínio lógico, tomada de decisão, estratégia e outras habilidades trazem uma 'leveza' ao tratamento.

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"Você está treinando essas funções cognitivas de uma maneira lúdica. Então, a teoria é que se você fica bom num jogo da memória, você consegue transpor o benefício da memória para sua vida real", destaca Fábio Porto, neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O especialista, afirma, ainda, que o fato de os idosos gostarem do tratamento faz com que eles se esforcem e interajam para fazê-lo da melhor forma, o que nem sempre acontece na fisioterapia convencional.

Na ortopedia, a técnica também tem sido utilizada para trabalhar a força, ganho de movimento e amplitude para o membro voltar ao que era antes, ou se não for possível, melhorar de maneira significativa. Para obter resultados mais satisfatórios, alguns especialistas acrescentam o uso de caneleiras (pesos) durante os jogos.

Não confunda com óculos de realidade virtual

Os especialistas dizem que é comum confundir os óculos de realidade virtual com a técnica, mas não se trata da mesma coisa, embora ambos tenham a tecnologia como base.

"Os óculos te propõem uma realidade 3D, mas não é tão interativo como o videogame, que você se movimenta. Mas ele também é usado, e entra apenas como realidade virtual, não como a gameterapia", afirma Albieri.

E a dificuldade com a tecnologia?

Toda dificuldade pode ser tratada, e com a terceira idade não é diferente. Mas veja bem, isso não quer dizer que todos vão se adequar à tecnologia, mas sim, que todos os que quiserem, e que tiverem as aptidões necessárias, sim, esses podem aderir à gameterapia.

No entanto, Vanessa Tamborelli Frakas, fisioterapeuta do Residencial Club Leger, em São Paulo, ressalta que é necessário que o paciente tenha uma boa visão, audição e um bom cognitivo para entender o objetivo do uso do jogo na terapia, mas isso é avaliado pelo profissional, que deverá escolher o tratamento mais adequado para cada um individualmente.

Contudo, de maneira geral, as plataformas de games são simples, intuitivas e fáceis de serem aprendidas. Além disso, a sessão é acompanhada o tempo todo pelo profissional, que pode ajudar e instruir o paciente —sempre que necessário.

"O que na verdade ocorre é a não-adaptação ao método, devido à pouca familiaridade com os meios digitais, mas isso não deve impedir de se tentar. Existe um grande preconceito com relação a essa população, por conta da crença de que não há uma boa adaptação aos meios digitais ou a aparelhos com alta tecnologia, porém isto é infundado", afirma Natan Chehter, geriatra da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

É importante ressaltar que não se trata apenas de sentar na frente de uma tela e jogar videogame. Existem estudos que apontam a eficácia do método com os jogos certos e a postura do paciente. Logo, se uma pessoa simplesmente jogar, não obterá nenhum resultado satisfatório.

"Há pessoas que têm risco de se machucarem, piorarem a condição física ou de causarem uma lesão quando fazem um movimento errado. Os pacientes não podem fazer movimentos sem auxílio, sem apoio, sem alguém vendo de perto o que está acontecendo", explica Porto.

"Querendo ou não, isso aproxima o idoso da realidade do mundo, porque muitos não estão acostumados com essa interação. O paciente acaba falando que essa realidade virtual aproxima até da família, porque eles jogam com os netos", finaliza Albieri.

6:19

Videogame melhora a saúde de idosos

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Casa de repouso: como escolher a melhor opção para um idoso?

Getty Images
Imagem: Getty Images

Resumo da notícia

  • As casas de repouso são opções de moradia para idosos
  • Os cuidadores precisam se atentar se o local é regularizado e oferece uma equipe capacitada para atender o familiar
  • Uma questão bem relevante é saber como funcionam as visitas

Cuidar de um idoso exige bastante paciência, tempo e dedicação. Muitas vezes, o cuidador é uma pessoa bastante próxima e tem um vínculo afetivo com quem necessita de assistência constante. Alguns idosos ainda precisam de cuidados em tempo integral para realizar as atividades mais simples do dia a dia como comer ou tomar banho.

É comum que os cuidadores relutem bastante e cheguem no seu limite antes de procurar ajuda profissional e decidir colocar o idoso em uma instituição de longa permanência (ILP) —conhecidas popularmente como casas de repouso. Essas instituições são residências para idosos que podem precisar de cuidados médicos constantes ou apenas ajuda para tomar banho, por exemplo.

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"A decisão de institucionalização do idoso deve ser discutida com toda a família. O momento ideal é quando os familiares já não conseguem mais tomar conta do idoso, com dificuldade para ofertar os cuidados necessários", explica Paulo José Fortes Villas Boas, geriatra e colaborador da Frente Nacional de Fortalecimento às Instituição de Longa Permanência da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia).

De acordo com o especialista, as causas mais frequentes de institucionalização do idoso são: restrição física e imobilidade, incontinência fecal e quadros de demências com alteração de comportamento, além de ausência de suportes sociais e baixa renda.

"Em certas situações, a institucionalização se faz necessária quando há necessidade de reabilitação, ausência temporária do cuidador domiciliar, estágios terminais de doenças e dependência elevada", completa Villas Boas.

Mas, o que deve ser levado em conta na hora de escolher o local em que o ente querido passará a maior parte de seus dias? Confira, abaixo, algumas dicas para avaliar uma casa de repouso e definir qual é a melhor opção para o idoso.

1. Equipe multidisciplinar

Geralmente, os idosos estão mais frágeis e apresentam diversas doenças, além de dependência para se locomover e realizar atividades diárias. Por isso, podem precisar de profissionais de diversas áreas da saúde como enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos e de assistência social.

Casal de idosos - uol - uol
idoso Imagem: uol

Vale a pena checar no local quais profissionais ficam na instituição todos os dias ou semanalmente. Além de qual acompanhamento o idoso receberá no dia a dia.

"Pelas exigências da Anvisa, não há a necessidade de ter uma equipe multidisciplinar, apenas uma enfermeira. Geralmente, há um médico responsável, mas nem sempre há a visita regular desse especialista, como alguns locais oferecem", diz Paulo Camiz, geriatra e professor da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

2. Instituição regularizada

É fundamental escolher uma instituição regularizada. Por isso, o local precisa ter um estatuto registrado, registro de entidade social, regimento interno e o alvará de funcionamento da vigilância sanitária local. A documentação pode ser obtida na própria instituição ou junto à autoridade de saúde da região. Vale a pena ver se ela tem um cadastro no Conselho Municipal do Idoso.

Durante a admissão, é realizado um contrato entre a instituição de longa permanência para idosos e o residente e/ou familiares. Nesse documento é especificado os direitos e as obrigações da entidade em relação ao idoso. É importante ler com atenção todos os itens.

3. Observe as instalações

Antes da institucionalização, é importante observar as instalações do local. Isso garante que os idosos sejam tratados com respeito e dignidade. Entre os requisitos, é preciso checar se a casa de repouso oferece segurança e dá privacidade. Por isso, é importante que os cuidadores e familiares chequem se a limpeza está sendo realizada de forma adequada.

Também é preciso verificar o ambiente —se há iluminação, corrimãos, piso antiderrapante, barras nos banheiros, escadas, luz de vigília e indicações visuais. Já os quartos precisam ter campainhas, espaço para manobra de cadeira de rodas, guarda-roupas individuais e também ver o número de camas por quarto. No refeitório vale conferir a disposição das mesas, como são servidas as refeições e o armazenamento de alimentos.

Cuidador de idoso - iStock - iStock
Cuidador de idoso Imagem: iStock

"Visite a ILP em diferentes horas do dia e interpele os profissionais sobre as condições de trabalho e o cuidado fornecido. Converse com os residentes sobre o cuidado ofertado. Veja também se há um planejamento para casos emergenciais", indica Villa Boas.

4. Respeito à individualidade

O idoso precisa ter um local adequado para guardar e usar os seus objetos pessoais. Ele também necessita ter liberdade para realizar as interações sociais e é fundamental que as suas práticas religiosas, por exemplo, sejam respeitadas.

"É importante realizar visitas em diferentes horários e observar o carinho e a paciência no cuidado ao idoso. Imagine seu familiar ali naquele momento onde estão todos juntos e veja se o perfil dos residentes é parecido com o perfil do seu ente querido", explica Vinícius Neves, administrador do Residencial Club Leger.

5. Fique de olho na alimentação oferecida

Outra questão importante é averiguar como são preparadas e servidas as refeições. Há idosos que possuem restrições alimentares, como é o caso de pessoas com diabetes ou hipertensão. Nessas situações, é preciso ter atenção redobrada com a dieta. É necessário que ocorram pelo menos seis refeições diárias —café da manhã, almoço e jantar e lanches intermediários. Cheque se as refeições são elaboradas por um nutricionista.

Idoso sendo alimentado - iStock - iStock
Imagem: iStock

A instituição deve seguir as normas de higiene e rotina adequadas que garantam a limpeza, diminuam o risco de contaminação e o preparo correto dos alimentos. "É importante averiguar se a casa possui alvará sanitário e se as questões técnicas da cozinha estão corretas. Mas com o passar dos anos, o idoso pode sofrer perda do paladar, o que torna o sabor do alimento muito importante, além da preocupação com o aspecto nutricional, essencial no processo do envelhecimento", destaca Neves.

6. Cheque o funcionamento das visitas

Visitar o idoso que está em uma casa de repouso é muito importante para manter o vínculo afetivo, diminuir a saudade e ter certeza que ele está sendo assistido adequadamente. Por isso, antes da institucionalização, é fundamental saber como funciona a rotina das visitas —horários, dias permitidos, frequência semanal e número permitido de visitantes.

Outra questão importante é ter a visita liberada, sem a necessidade de agendamento. Mas, com a pandemia, ocorreu uma mudança nas visitas —algumas foram suspensas ou diminuíram bastante para evitar o contágio pelo Sars-CoV-2 dos residentes. Isso porque os idosos estão no grupo mais vulnerável à infecção por covid-19.

"O fato de possibilitar visitas sem restrições, com exceção dessa fase de pandemia, conta pontos a favor das instituições. Se ela libera a visita por 24h, aponta que não tem nada a esconder dos familiares", destaca Camiz.

Quantas pessoas moram nessas instituições e quais são os valores?

Ainda não há um número exato de quantas pessoas vivem em instituições de longa permanência no país. De acordo com o último levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica), realizado em 2011, existiam mais 70 mil idosos em casas de repouso. E a maioria estava vinculada às redes filantrópicas.

"Um importante aspecto observado é a inexistência de cadastro único das ILPs no Brasil. Porém, calcula-se que tenhamos mais de 5.000 instituições com mais de 300 mil residentes. No censo de 2018 do Sistema Único de Assistência Social, foram avaliadas 1.451 instituições de caráter público ou filantrópico com cerca de 78 mil residentes", completa Villa Boas.

A maioria das famílias de classe média e alta recorrem a instituições privadas. E os valores variam bastante de acordo com os serviços oferecidos —entre R$ 600 a R$ 15 mil. Há casas de repousos que oferecem quartos compartilhados ou individuais e também ocupação mista entre homens e mulheres.

Já outros, considerados de alto padrão, oferecem aulas de zumba, jogos, sessões de cinema e até mesmo passeios externos. Tudo isso interfere no valor da mensalidade.

"O governo oferece muito poucos residenciais para idosos para quem não consegue arcar com as despesas. Há poucas instituições nesse sentido, mesmo com o crescimento exponencial da quantidade da população idosa o Brasil", opina Camiz.

Quando a hora chega

Desde setembro do ano passado, o artista plástico Vado Mesquita, 61, resolveu internalizar a mãe e as duas tias. Ele conta que a decisão não foi fácil, mas percebeu que isso era o melhor para todos naquele momento.

"É um processo muito angustiante. Procurei um local que acolhesse as três, tivesse uma área externa com jardim, bons profissionais e uma instalação adequada. Realizo visitas frequentes e elas fazem diversas atividades manuais, aulas de música, caminhadas e leituras", diz.

Mesquita destaca a importância de buscar o local com calma, uma vez que essas instituições costumam ser caras. "Muitos cobram taxas extras para incluir serviços. Pedi recomendações a amigos, conhecidos, profissionais de saúde que cuidavam delas e pesquisei muito. Depois, fui conhecer alguns antes de optar pelo residencial", afirma.

Lidando com a culpa

Após institucionalizar o idoso, é comum que os cuidadores sintam remorso, culpa, medo e até alívio. Mas essa decisão envolve questões muito individuais. Segundo os especialistas, o cuidador precisa lembrar que a decisão de institucionalizar foi tomada justamente para que todos se sentissem melhor e os idosos tivessem os cuidados adequados.

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Segundo Juliana Emy Yokomizo, psicóloga e colaboradora do Proter (Programa Terceira Idade) do IPQ (Instituto de Psiquiatria Hospital das Clínicas) da Faculdade de Medicina da USP, cada pessoa deve buscar sua própria maneira de lidar com esses sentimentos.

"Algumas possibilidades para isso são: manter uma rotina de visitas ao idoso, dando atenção maior a datas especiais para ele, como aniversário e feriados. Além de conhecer e manter contato com os profissionais da instituição. Vale falar do assunto com amigos e familiares e procurar ajuda profissional quando necessário", afirma.

A psicóloga reforça que o familiar pode sentir que está abandonando aquele indivíduo ou que não deu conta das responsabilidades como cuidador. "Mas, geralmente, o cuidador não deixa de ser cuidador, ele só não estará mais na 'linha de frente', no entanto ainda cuidará do gerenciamento geral como pagamento da instituição, compra de medicamentos e levar a consultas médicas", afirma Yokomizo.

Após esse período de adaptação à mudança, é importante que o cuidador possa retomar atividades e rotinas que costumava fazer antes e que lhe davam prazer. Se, ainda assim, houver dificuldades, um suporte psicológico pode ajudar nesse processo.

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