DESIGUALDADE: +q Renda Mínima e Taxação de FORTUNAS

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CPI e IMPEACHMENT
podem ADIAR eleição e GOLPEAR Lula
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DUVIVIER:
o frouxo BIAL recebeu FASCISTA General VILAS-BOAS com sorriso no rosto.
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Bolsonaro é o MAIOR CULPADO pelos CRIMES na pandemia no Brasil, indica estudo publicado na revista SCIENCE 

Brasil precisa mais que renda mínima e taxação de fortunas para combater desigualdade, diz Eduardo Moreira

Economista Eduardo Moreira, em debate com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, se diz favorável a medidas, porém entende que medidas pontuais não necessariamente se descolam dos interesses neoliberais

Eduardo Moreira
Eduardo Moreira (Foto: Divulgação)

André Rossi, da RBA - O problema da desigualdade social no Brasil não vai ser resolvido apenas com medidas pontuais, por mais que elas sejam necessárias.

É preciso ir além, mexer nas ESTRUTURAS ECONÔMICAS e SOCIAIS que PERPETUAM a grande diferença de QUALIDADE de vida entre pobres e ricos.

Foi o que apontou o economista Eduardo Moreira, convidado do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), Wagner Santana, o Wagnão, em live realizada na terça-feira (13).

Wagnão introduziu o debate destacando que a desigualdade social não está presente apenas no bolso.

“Muitas vezes as pessoas associam desigualdade a um conceito econômico.

Se uma pessoa ganha um salário mínimo ou nem isso, ou se ganha 30 salários.

Mas a gente sabe que não é isso.

Nós temos ELEMENTOS de desigualdade habitacional, alimentar, sanitária, educacional, de oportunidade de trabalho, de acesso à saúde, mobilidade, cultura, gênero, raça, renda, regional, tributária e assim vai.”

Antes de passar a palavra para Eduardo Moreira, o presidente do sindicato lembrou que o Brasil é o SÉTIMO PAÍS mais DESIGUAL do MUNDO. 

“Só não somos mais desiguais que a África do Sul, Namíbia, Zâmbia, República Centro-Africana, Lesoto e Moçambique. 

NÃO É para os nossos amigos HERMANOS da América LATINA que a gente tá perdendo, não é para os hermanos da AMÉRICA CENTRAL.

Estamos perdendo para economias muito FRÁGEIS da ÁFRICA ”, destacou.

Desigualdade é o problema

Eduardo Moreira deu sequência acrescentando que “em alguns índices, por exemplo na desigualdade de renda, o Brasil é o país mais desigual do mundo democrático.

Tem outro índice, que mede um pouquinho diferente, em que o Brasil só perde para Botsuana”.

Logo a seguir, o economista refutou um dos argumentos neoliberais mais comuns sobre o tema, de que desigualdade não é o problema, o problema é a pobreza.

“Tem todo aquele argumento de que é só a gente subir a maré, deixar quem é bilionário, bilionário, e só fazer quem ganha menos, ganhar mais. 

Matematicamente, não fecha a equação se você não tirar de pessoas que acumulam tanta riqueza pra distribuir a renda.”

Para explicar, ele faz a conta: 

“No Brasil, os 50% mais pobres ficam com 10% da renda gerada.

A gente tá falando de 105 milhões de pessoas. 

Elas ganham, em média, em torno de R$ 500. 

Se a gente colocar cerca de mais R$ 1 mil por mês, vezes 12 meses, dá R$ 1,230 trilhão.

Só que isso são 10% do que você tem de gerar a mais. 

Quanto que são os 100%?

Vai dar cerca de R$ 12 trilhões. 

Então, o Brasil teria de ir para um PIB de R$ 20 trilhões.

Se tudo der certo e a gente começar a crescer 3% ao ano, todo ano, em décadas a gente não chega”, conclui.

“É impossível você resolver a questão do povo pobre brasileiro, se não mudar essa parte da equação que é os 50% mais pobres ficarem com só 10% da renda.

A gente tem de atacar a desigualdade para resolver a pobreza”.

Moreira destacou ainda que o valor de R$ 1,5 mil por mês é um número aleatório, um “chute”, apenas para dar referência.

“Só um número para ter na cabeça, provavelmente chegaríamos a conclusão de que (esse valor) não daria a dignidade que a gente acha que todo mundo deveria ter”, completou.

Abalar as estruturas

O economista segue o raciocínio afirmando que não existe democracia saudável onde a desigualdade social é grande. 

“Não há nenhum país do mundo onde as duas coisas andem juntas.

Quando mais desigual, mais quem concentra riqueza, concentra poder.

Por exemplo, poder político.

Aí eles usam esse poder para criar cada vez mais dificuldade para que essas pessoas mais pobres, ou microempresários, ou que estão começando as carreiras, possam competir com elas.

Elas criam barreiras, muralhas em torno de seus impérios.”

Na esteira da fala de Eduardo, Wagnão lembrou recente levantamento da revista Forbes, que mostra que o Brasil passou a ter 20 novos bilionários no ano passado, mesmo em tempos de pandemia.

“Foi de 45 pra 65. Era uma quantidade de dólares acumulados da ordem de 120 bilhões e passou para 290 bilhões, aproximadamente.

Isso é um quinto do PIB brasileiro”, disse.

“Se esses novos bilionários destinassem 0,5% da sua fortuna ao ano (para redistribuição de renda), isso geraria 122 milhões de novos empregos.

Empregos decentes, de carteira assinada.”

Para reduzir essa desigualdade social, Eduardo Moreira pede ousadia.

“A gente tem de tomar cuidado de imaginar que a solução é cobrar imposto sobre grandes fortunas.

É claro que tem de ter isso, mas nosso objetivo tem de ser muito mais, porque isso não muda nada estruturalmente. 

Provavelmente essa turma vai arranjar uma maneira de deixar o dinheiro numa conta que tá dentro da empresa, que não cai dentro do que a lei mostra”, disse o economista.

“A gente tem de ser super ambicioso no sentido da mudança estrutural que a gente tem de ter aqui”.

Concentração

“Claro que a gente precisa ter uma renda mínima no Brasil, mas essa não pode ser a meta.

Isso é meta de neoliberal.

Neoliberal tem como meta pegar todo mundo que é mais pobre, dá R$ 1 mil e deixar trabalhando pra eles e aceitando o que eles fazem.

Não pode.

Mil reais é emergência.

A gente tem de querer que todo mundo possa exercer sua vocação, se nasceu para ser um poeta, um violinista, médica, arquiteto, ele tem de ser isso.”

“Se pegar Austrália, Suíça, Nova Zelândia, Holanda, Noruega e outros países, o 1% mais rico não tem mais do que 8% da renda.

Não tem como ser de outro jeito.

Os Estados Unidos estão vivendo uma situação caótica. 

Viraram o país com mais taxa de pobreza da OCDE, porque é o país mais desigual.

Como consequência, não estão entre os 30 países com melhor saúde no mundo, entre os 30 países mais seguros do mundo, entre os dez países que têm os melhores sistemas de educação do mundo.

E é, disparado, o maior PIB do mundo”.

Pandemia

O líder metalúrgico colocou a pandemia no debate da desigualdade social, lembrando que o que está acontecendo no Brasil é consequência de mazelas de um passado escravocrata que o país ainda não resolveu. “Ela aparece na quantidade de negros pobres mortos, que é muito maior do que a de brancos. Morre o companheiro que mora na favela, que mora geralmente nas periferias, que não tem acesso a saneamento, luz, água potável, não tem acesso a um salário decente, saúde”, afirmou.

Ele revelou temor de que o Brasil muito em breve esteja vivendo um período de saques feitos por pessoas desesperadas, em busca de alguma coisa pra comer. “Hoje temos 116 milhões de pessoas em condições de insegurança alimentar. O cara come agora e não sabe se vai comer amanhã. Dezenove milhões literalmente passam fome. E aí a gente vai falar de auxílio emergencial para essas pessoas, que não chega a 25% do que seria uma cesta básica pra alimentar quatro pessoas.”

Lockdown

Eduardo Moreira acrescentou que “no Brasil, a gente vai viver o caos econômico porque não cuidou da pandemia. As grandes economias do mundo, quando fizeram lockdown, era verdadeiramente uma quarentena. As pessoas não podiam sair de casa, e elas tinham todo o apoio para não sair de casa, enquando a estrutura para combater o vírus estava sendo montada. Preparando os hospitais, aprendendo sobre a doença, se estruturando pra poder saber o que fazer com uma coisa totalemente nova, é por isso que para. E quando vem, está preparado para receber”.

O economista disse ainda que o que o Brasil fez aqui em nenhum lugar do mundo é considerado lockdown. “Com a desculpa de que não podia parar a economia. O que aconteceu? A economia está parada até hoje. Qual a confiança que a pessoa vai ter com a pandemia descontrolada?”

Wagner acrescentou citando quais as profissões que tiveram mais mortes por covid-19. “Justamente a do pessoal mais pobre”: motorista de caminhão, faxineiro, vendedor de varejo, vigilante, motorista de ônibus, caixa, frentista. “E é Caged, ou seja, só carteira assinada, não estão os motoboys, os entregadores do IFood…”, pontua.

Cilada do Brasil

A questão bancária também entrou na análise sobre desigualdade social.

“Qual a grande cilada no Brasil? Quando você produz alguma coisa, seja no campo ou em qualquer lugar, tem uma taxa de retorno do investimento.

Tem o quanto compra de semente, o quanto gasta de adubo, fertilizante, ou o quanto colocou de chapa da aço, energia, aluguel.

Tem o custo, por quanto vai vender lá na frente e tem o retorno, que é quanto o investimento valorizou ao longo do tempo.

No Brasil, quem é mais pobre, tem uma taxa de empréstimo tão alta, que eles nunca conseguem ter o dinheiro mais barato do que eles conseguem empreendendo e investindo em retorno”, diz.

“Ou seja, dominam o processo produtivo, mas não são donos do capital, porque o financiamento não chega em uma taxa que permite eles comprarem e se apropriarem do capital.

Os bancos servem como um fosso, uma grande muralha, para impedir que aqueles que não têm, passem a ter acesso ao capital. Seja ele terra, máquina, conhecimento ou o que você quiser imaginar.”

Assista na íntegra: 

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CPI e impeachment podem adiar eleição e golpear Lula

Lula e Bolsonaro

Novo golpe no PT?

A CPI da Pandemia pode ou não representar golpe institucional da direita para adiar as eleições de 2022, barrando, mais uma vez, potencial vitória eleitoral de Lula? As pesquisas eleitorais preliminares dão o candidato do PT de barbada diante do caos sanitário que a administração bolsonarista produziu, calculadamente, com sua política negacionista de desconsiderar a realidade para acreditar na fantasia; fantasiar a realidade é uma das artimanhas políticas dos fascistas; elegem a mentira como verdade retórica repetitiva de uma comunicação manipuladora etc; se o bolsonarismo fantasia calculadamente a realidade, mesmo que esta esteja evidente nas mais de 350 mil mortes pela Covid-19, por que não calcularia e executaria confronto institucional para justificar adiamento da eleição em nome de falsa estabilidade democrática vestida de golpe? Constrói-se ficção política tal qual a falsa estabilidade econômica neoliberal só existente nos livros textos de economia; como o capitalismo é verdade em forma de instabilidade, a teoria na prática vira mera retórica na pandemia e na recessão neoliberal.

Cobrança antecipada

Politicamente, Bolsonaro está sendo já antecipadamente cobrado pela sociedade pelos erros; a CPI é a fatura do estrago político e econômico bolsonarista inquestionável; para Bolsonaro, o negócio, agora, é fazer do limão uma limonada como disse ao senador Kajuru: ameaça crise institucional que melaria a CPI e alteraria calendário eleitoral; adiaria, novamente, a disputa com Lula em 2022; em 2018, a artimanha de barrar Lula, incriminando-o por meio da Operação Lavajato, foi sucesso; agora, como a lavajato se desmoralizou completamente, qual seria a nova artimanha? Seria ou não ensaio geral de mais uma primavera golpista de guerra híbrida? O senador Kajuru está se prestando a esse jogo em dobradinha com Bolsonaro; confessou que deu recado do presidente ao senador Randolfe Rodrigues de que ia quebrar a cara dele; seria ou não um golpe de marketing para polarizar, artificialmente, guerra institucional entre Executivo e Legislativo, em que o STF seria chamado a pacificar? Favorece ou prejudica a CPI da Pandemia, se o resultado dela for impasse institucional, cujas consequências jogariam com o interesse de Bolsonaro de impedir, novamente, Lula?

Jogo da provocação

Reação agressiva de Bolsonaro à CPI da Covid é aparência ou essência? Os ataques aos senadores, aos governadores , principalmente, ao STF, que determinou instalação da CPI da Covid, são ira do guerreiro ferido, talvez, de morte, ou encenação? Os esforços da base bolsonarista para melar o jogo estão a todo o vapor; porém, é ou não de se perguntar: por que Bolsonaro mandou o senador Kajuru dizer ao senador Randolfe Rodrigues que atuará, violentamente? Vai se recorrer a quem: às forças armadas ou às milícias? Fica ou não no ar o germe de mais uma guerra bolsonarista com ares de fake news? Trata-se ou não de apostar no diversionismo desviando a atenção das mortes em ascensão, para criar pretexto golpistas? O fato concreto é que cresce o fantasma da candidatura de Lula; pesquisas que atestam ascensão política irresistível dele afundam a popularidade do presidente na pandemia, enquanto Lula vira foguete.

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Duas décadas de fracasso dos EUA | Guga Chacra - O Globo

Por Guga Chacra

Membros da Marinha dos Estados Unidos carregam um camarada ferido por explosão em helicóptero de evacuação médica na província de Kandahar, no Sul do Afeganistão

Os Estados Unidos entraram no Afeganistão para derrotar a Al Qaeda e derrubar o regime do Talibã. Foi um fracasso total. Vinte anos mais tarde, a rede terrorista fundada por Osama bin Laden ainda possui bases espalhadas por partes da África e do Oriente Médio, dominando certas áreas da Síria e do Iêmen. Já o Talibã voltou a se fortalecer e muitos avaliam que inevitavelmente voltará ao poder quando as tropas americanas se retirarem do território afegão no aniversário de duas décadas dos atentados terroristas de 11 de Setembro.

A decisão dos EUA de se retirar foi corretamente tomada por Donald Trump. O republicano certamente foi o pior ser humano a ocupar a Casa Branca na história recente, mas tomou algumas decisões acertadas sobre o Afeganistão. Deu início a um ainda não concluído processo de paz entre o governo e o Talibã e decidiu encerrar de uma vez por todas a mais longa guerra da história americana. Joe Biden apenas adiou por alguns meses a retirada que ocorre tardiamente.

Não havia sentido algum os EUA permanecerem no Afeganistão. Qual seria o objetivo final americano? Ficar pela eternidade para evitar o retorno do Talibã ao poder? Gastando mais bilhões de dólares dos contribuintes em um conflito que custou US$ 2 trilhões? Não havia como manter uma ocupação perpétua em uma distante nação na Ásia Central. O risco de um atentado terrorista nos moldes do 11 de Setembro ser organizado a partir do território afegão é extremamente reduzido.

Grupos como o Estado Islâmico e a Al Qaeda podem planejar estas ações de qualquer lugar através das redes sociais. O mundo mudou bastante nestes 20 anos. Além disso, a maior ameaça terrorista aos EUA atualmente é de grupos supremacistas brancos baseados dentro do próprio território americano. O terrorismo doméstico, ao menos momentaneamente, é mais perigoso do que o jihadista. Ambos devem ser combatidos, mas não há argumentos para defender que isso seja feito através de uma ocupação do Afeganistão.

É verdade que o Talibã talvez volte a dominar o poder em Cabul. O presidente Ashraf Ghani está enfraquecido. Uma pena. Trata-se de liderança democrática, que avançou em uma série de áreas. Hoje a situação das mulheres afegãs se tornou incomparavelmente melhor do que na época do Talibã. Será importante tentar preservar de alguma forma estes direitos. Mas os EUA não podem ser responsáveis por todos os países do mundo. Caso contrário, deveriam ocupar a Arábia Saudita, onde há apartheid contra mulheres.

Os EUA, sem dúvida, possuem responsabilidade direta pela situação no Afeganistão. O Talibã existe em grande parte porque os americanos armaram os mujahedin para lutar contra as forças soviéticas no Afeganistão nos anos 1980. A Al Qaeda também deriva destes grupos apoiados por Washington. Nos anos 1990, porém, os jihadistas substituíram os comunistas como grandes inimigos dos americanos.

Com o atentado de 11 de Setembro, George W. Bush, deu início a uma guerra no Afeganistão justificada pelo abrigo do Talibã à Al Qaeda. Talvez tivesse obtido mais sucesso se não houvesse decidido invadir também o Iraque. Nunca saberemos. Só sabemos que o resultado do conflito no Afeganistão resultou na morte de mais de 2 mil americanos e dezenas de milhares de afegãos, incluindo mulheres, crianças e idosos.

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Maioria dos pacientes de Covid internados em UTIs do RJ não tem sobrevivido, apontam dados do Ministério da Saúde

Nas últimas oito semanas registradas, 61,5% dos infectados que deram entrada em leitos de terapia intensiva morreram, segundo informações do Sivep-Gripe. Nesta quarta, RJ ultrapassou a marca de 40 mil mortes
Arthur Leal
14/04/2021 - 17:48 / Atualizado em 14/04/2021 - 19:14
Hospital Modular de Nova Iguaçu, inaugurado há onze dias: esperança para diminuição na fila por leitos de UTI Foto: Brenno Carvalho em 3-4-2021 / Agência O Globo
Hospital Modular de Nova Iguaçu, inaugurado há onze dias: esperança para diminuição na fila por leitos de UTI Foto: Brenno Carvalho em 3-4-2021 / Agência O Globo

RIO — Em meio a um cenário de alta ocupação nos leitos de UTI do estado, fila por vagas na regulação, e também de diversos relatos sobre escassez de insumos como sedativos tidos como imprescindíveis para a intubação de pacientes, o Rio de Janeiro tem registrado, nas últimas leituras, uma quantidade bem maior de mortes do que de curas de pessoas internadas com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em vagas de terapia intensiva, segundo dados extraídos do Sivep-Gripe do Ministério da Saúde.

Um levantamento feito pelo GLOBO com os dados do MS de pacientes graves desde 2020 revela que entre 14 de fevereiro e 4 de abril (últimas oito semanas atualizadas), houve registro de 5.401 pacientes internados em UTIs Covid em hospitais públicos e privados. Destes, 3.326 (61,5%) morreram, e 2.075 (38,4%) receberam alta. O sistema sofre com atraso de notificações, mas, segundo matemáticos ouvidos pela reportagem, a margem de oito semanas permite enxergar um cenário mais próximo da realidade.

Se levado em consideração todo o período da pandemia no RJ, do início, em meados de 15 de março de 2020, até a última atualização, do dia 4 de abril de 2021, é possível notar que, neste panorama geral, também há mais mortes do que curas de pacientes internados em terapia intensiva com casos de SRAG no Rio. Os registros dão conta de que, neste período, foram 34.294 internados em UTIs cadastrados no sistema. Destes, 19.062 (55,5%) morreram e 15.232 (44,4%) foram curados.

Procurada, a Secretaria estadual de Saúde ainda não se manifestou sobre os dados em questão.

Fila por leitos de UTI cai quase à metade em uma semana, mas ainda é grande

O número, tanto de pedidos de internação, quanto da fila por leitos de UTI, são índices que, nos últimos dias, tem apontado para um cenário um pouco mais otimista. Segundo os dados do painel do governo estadual, em sete dias, houve uma queda de cerca de 49% na quantidade de pessoas que aguardam por vagas de terapia intensiva: eram 674 no dia 7 de abril, e são 344 nesta quarta-feira, de acordo com a última atualização. Outras 37 esperam por leitos de enfermaria. Em relação às solicitações de internação para UTIs, o último pico, que chegou a 292 solicitações em 24 horas no dia 6 de abril, agora já chega a 128 nesta quarta-feira. A ocupação nos leitos de UTI do estado é de 86,7%.

Nos últimos 30 dias, a SES afirma que o estado passou a contar com 736 novos leitos para tratamento da Covid-19, o que pode estar contribuindo para a diminuição da fila. Estes números foram apresentados na tarde desta terça-feira, durante coletiva do secretário de Estado de Saúde, Carlos Alberto Chaves. Segundo ele, as vagas foram abertas nas redes federal (293), estadual (280) e municipais (163). Ao todo, afirma a pasta, o Rio conta com 3.550 leitos (1.580 de enfermaria e 1.970 de UTI) exclusivos para coronavírus.

40 mil mortes e 25 dias com alta na média móvel de óbitos

Nesta quarta, o estado registrou 300 mortes e 4.039 novos casos de Covid-19. Ao todo, já são 688.797 infectados e 40.091 vidas perdidas desde o início da pandemia. Com estes números, o RJ chega ao 25º dia seguido com aumento na média móvel de mortes, que é de 17% em relação a duas semanas. A média móvel agora é de 3.253 casos e 258 óbitos por dia.

Março foi considerado o pior mês da pandemia no Brasil pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), representa a classe dos Oficiais de Registro Civil do país. No mês passado, segundo dados que constam no portal da transparência do Registro Civil, 48% de todas as mortes por doença em território nacional tiveram como causa a Covid-19. No Rio, 30,3% das mortes por doença tiveram ligação com o novo coronavírus.

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Claudio Castro nega que secretário de Saúde não sabia da criação do Comitê Científico

Carlos Alberto Chaves afirmou nesta terça-feira que ficou sabendo do grupo apenas depois da publicação no Diário Oficial
O Globo
14/04/2021 - 19:20 / Atualizado em 14/04/2021 - 19:24
Em live, Migowski e Guili Pech pregam contra a 'ditadura da medicina'
Foto: Reprodução
Em live, Migowski e Guili Pech pregam contra a 'ditadura da medicina' Foto: Reprodução

RIO — Em nota enviada nesta quarta-feira, o governador em exercício Claudio Castro afirma que o secretário de Saúde Carlos Alberto Chaves tinha conhecimento da criação do Comitê Científico. Nesta terça-feira, Chaves negou ter participado da criação do Comitê Científico do governador Claudio Castro. No comunicado, o Palácio Guanabara ainda aifrma que " é ilação dizer que este comitê promoverá políticas de tratamento precoce"

"É importante esclarecer que o secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, sempre teve conhecimento da criação do comitê, o qual está dentro da estratégica de enfrentamento à Covid-19.. É importante frisar que este comitê não está subordinado à Secretaria de Estado de Saúde, já que o tema tem repercussões que extrapolam os limites delegados à pasta, havendo a necessidade de ampliação do escopo de trabalho e debates. O Governo do Estado reitera o respeito à ciência, às boas práticas clínicas e, sobretudo, o reconhecimento aos milhares de pesquisadores espalhados pelo mundo que estão se dedicando na busca por soluções e alternativas para o enfrentamento à Covid-19.", diz trecho da nota.

 O GLOBO revelou que a maioria dos escolhidos por Castro é defensora do tratamento precoce da Covid-19 com medicamentos sem eficácia. Em coletiva de imprensa convocada nesta terça-feira para comentar as ações da pasta, Chaves disse ainda que não possui vinculo com nenhum deles e ainda não conversou com nenhum dos escolhidos pelo governador.

— Quem me conhece sabe disso. Não tive nenhuma participação e nem sabia. Não tenho vínculo com ninguém. Soube hoje. Se é político ou não vocês decidam. Eu sou técnico e não me envolvi nisso. Não tive tempo, estava levando vacinas. Não tenho tempo para isso, tenho tempo para salvar vida e correr atrás — disse

Ao ser questionado se o Comitê terá algum papel na secretaria, Chaves negou:

— Comigo não.

Procurado pelo GLOBO, Carlos Alberto Chaves não retornou o contato até a publicação dessa reportagem.

UFRJ diz 'não compactuar' com crenças de professor defensor de 'tratamento precoce' que preside o comitê

RIO — Depois que o governador Cláudio Castro escolheu o infectologista Edimilson Migowski como presidente do novo comitê científico estadual de enfrentamento à Covid-19, O GLOBO questionou a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde o médico leciona, sobre a controvérsia que ele criou ao defender soluções sem eficácia comprovada para a doença, como o tratamento precoce à base do antiparasitário nitazoxanida. Por nota, a reitoria da universidade pontuou que o professor se posiciona por ele próprio e que não compactua com as crenças dele.

"Não houve indicação da UFRJ para o Governo do Estado", diz ainda o comunicado.

A UFRJ escreveu também que a questão da prática clínica é regulamentada pelos conselhos regionais e federal de Medicina, não pela universidade.

 "Na UFRJ, ele não é médico. Não temos protocolos com medicação precoce em nossos hospitais", diz a instituição.

Segundo a universidade, Migowski é ligado ao Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ). De acordo com a plataforma Lattes, Migowski tem títulos de mestrado em Pediatria e doutorado em Doenças Infecciosas e Parasitárias, ambos pela UFRJ. O currículo informa que Migowski mantém, desde 2002, os cargos de Professor Adjunto e Chefe do Serviço de Infectologia Pediátrica da UFRJ. Ele foi diretor do IPPMG/UFRJ de 2011 a 2017.

Nas redes sociais, Migowski defende o uso da nitazoxanida, um vermífugo, como tratamento prévio para sintomas de Covid-19. No ano passado, o governo federal chegou a dizer que o remédio reduziria a carga viral em pacientes infectados, mas em janeiro o Ministério da Saúde informou à Câmara que decidiu não incorporar a nitazoxanida ao tratamento da doença.

Em outubro, Migowski fez uma live com o médico Guili Pech, que também faz parte do comitê. O tema foi “A ditadura da medicina baseada em evidências e o uso da nitazoxanida”. Em março deste ano, um perfil de Instagram chamado "Fique Bem", também administrado por Migowski, divulgou uma live intitulada "Lockdown é para gestores incompetentes".

Num outro post desta conta, publicado no mesmo mês, o infectologista Mauro Schechter, também da UFRJ, chegou a convidar Migowski para um debate sobre as terapias defendidas pelo hoje presidente do comitê científico estadual de combate à pandemia.

Covite para debate

"Edimilson, várias vezes lhe convidei para um debate público sobre tratamento de Covid-19. Somos ambos infectologistas, ambos professores da UFRJ. Aguardo sua resposta" escreveu ele. Segundo Schechter, Migowski nunca respondeu ao convite.

Os únicos métodos de prevenção à Covid-19 preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são o uso de máscara, a higienização frequente das mãos e o distanciamento social. Outros pesquisadores da área de doenças infecciosas pleiteram publicamente a restrição das atividades comerciais para conter o contágio do vírus. Entre eles, o infectologista da UFRJ Roberto Medronho, ex-presidente do comitê científico criado pelo governador afastado Wilson Witzel.

A indicação de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 também já foi repudiada por pesquisadores renomados do ramo de infectologia, como Celso Ramos, da UFRJ, ex-membro do comitê científico de combate à Covid-19 da prefeitura.

— É uma questão de muito tempo atrás, que na década de 1970 já tentávamos combater. O Brasil tem índices altíssimos de resistência a medicações antimicrobianas, e uma das causas disso é o uso reiterado delas. Costumo dizer que o uso desses remédios se dá por três vias: por via oral, via venosa e por via das dúvidas, que é a mais comum. Por via das dúvidas, 'pimba', vamos dar para ver se ela faz alguma coisa — disse o especialista ao GLOBO.

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Opinião: Mauricio Stycer - Grosseiro, Bial diz que só entrevistaria Lula com detector de mentiras

Em entrevista ao "Manhattan Connection", Pedro Bial diz que só entrevistaria Lula ao vivo com a ajuda de um polígrafo - Reprodução
Em entrevista ao "Manhattan Connection", Pedro Bial diz que só entrevistaria Lula ao vivo com a ajuda de um polígrafo Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Colunista do UOL

15/04/2021 01h10

No comando de um programa de entrevistas na Globo, Pedro Bial é um entrevistador inteligente, curioso, frequentemente gentil e eventualmente deslumbrado.

São características que combinam com o perfil do "Conversa com Bial", cujo elenco de convidados inclui artistas, estudiosos das mais diversas áreas e autoridades. Além de figuras da própria Globo, convocadas para conversas de promoção de atrações da casa.

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Há cinco anos no ar, o "Conversa com Bial" chama a atenção por contar na retaguarda com uma dezena de excelentes profissionais, formada por jornalistas de diferentes áreas, que sugerem temas, personagens e perguntas ao apresentador.

No seu momento de maior destaque até hoje, em dezembro de 2018, o programa exibiu entrevistas com mulheres que fizeram as primeiras denúncias públicas sobre abusos sexuais cometidos pelo médium João de Deus.

Na linha de frente desta atração, Bial parece bastante à vontade e satisfeito, apesar do horário tardio em que o programa é exibido.

Por tudo isso, me parece inaceitável a grosseria gratuita que o apresentador cometeu com o ex-presidente Lula nesta quarta-feira (14), em entrevista ao "Manhattan Connection", na TV Cultura.

Bial disse que só entrevistaria Lula se pudesse contar com um detector de mentiras (polígrafo) durante a conversa.

O apresentador Lucas Mendes perguntou: "Tem algum convidado que não vai no seu programa?" Bial respondeu: "O Lula já até disse que gostaria de fazer o programa comigo, mas tinha que ser ao vivo. Pode até ser ao vivo, mas teria que ter um polígrafo acompanhando todas as falas dele".

Todo entrevistador está sujeito a ouvir mentiras do seu entrevistado. Para evitar esse problema, ou ao menos atenuá-lo, precisa se preparar bem para a conversa. E também deve ter a disposição para confrontar o entrevistado quando percebe que está ouvindo algo que não é verdade.

Bial não teria dificuldade nenhuma de entrevistar Lula ao vivo e confrontá-lo com eventuais mentiras. A grosseria expressa mais a falta de disposição de fazer a entrevista do que, realmente, temor que o ex-presidente diga alguma mentira. Afinal, se acontecesse, não seria a primeira vez que um entrevistado diria mentiras em seu programa.

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Amplie os horizontes para encontrar sua alma gêmea - Jairo Marques

Duas séries recentes, Soulmates (Amazon) e The One (Netflix), abordam temáticas muito semelhantes: os dilemas, delícias e complexidades de poder encontrar, com método científico, sua alma gêmea, aquele “serumano” ideal, que não liga para o seu bafo matutino e lhe desperta desejo até cortando as unhas dos pés.

São diversas as experiências e histórias da carochinha contadas em prosa, verso e música do Fábio Jr. relatando as maravilhas de esbarrar com aquela pessoa capaz de fazer uma chuva de canivetes se transformar numa brisa de algodão-doce, aquele amado incansável em companheirismo, compreensão e tesão que chega para nunca mais ir embora.

As reflexões contidas nas séries, embora superestimadas e levadas ao extremo das situações —como o de saber que sua alma gêmea é um assassino sanguinário—, ajudam a pensar em como esse tão almejado encontro romântico pode não ser assim tão iluminado e cheio de coraçõezinhos.

Guardamos experiências próprias, laços emocionais únicos, vivências e momentos exclusivos todos os dias e é com essa bagagem nos sentimentos e na cabeça que partimos rumo às nossas buscas e desacertos afetivos.

Muitas vezes, por acreditar demais que a tampa da panela precisa se encaixar perfeitamente em nossas ambições e sonhos, perde-se a oportunidade de aproveitar aromas, sabores e texturas que o curso natural dos dias vai apresentando com caçarolas meio amassadas ou até meio enferrujadas.

Um aparte inclusivo aqui: pessoas com deficiência, como é o meu caso, costumam ter, aos olhos alheios, não almas gêmeas a seu lado, mas almas caridosas, almas elevadas, almas puras, capazes de dividir o fardo de condições físicas, sensoriais ou intelectuais incomuns, o que é uma enorme bobagem, evidentemente.

Encantos, atração, conexões se dão por construções de cumplicidade e dedicação que se aprofundam não por meio das perfeitas manifestações do corpo e de habilidades sensoriais, mas por elementos mais simples —ou, talvez, bem mais complexos— como a maneira de encarar os desafios, a energia que se dá ao acolher alguém ou a forma como você trata uma criança.

Cena da série Soumates, da Amazon, que aborda maneiras científicas de encontrar a alma gêmea Foto: Reprodução

Das dezenas de lições pandêmicas possíveis, compreendo que uma é justamente potencializar os conceitos de almas gêmeas, saindo do campo meramente romântico e olhando mais para ligações de empatia, de acolhimento e de prazeres que podem sustentar a mente, a alma e aplacar angústias, inquietações e medos.

Desse modo, um amigo que consola, que alegra, que liga à noitinha para te fazer companhia e para te adoçar as amarguras —e também para receber de você carinho e consideração—, tem grandes chances de ser uma alma gêmea.

Aquele seu cachorro carentão, que fica embaixo da mesa babando e se coçando enquanto você se desespera porque não ouve nada da reunião online, pode ser uma alma gêmea das mais sintonizadas. O mesmo vale para seu gato que dorme à espreita na porta enquanto você toma banho.

Os maiores parceiros da existência podem ser nossos filhos que falam “eu te amo” após pedirmos umas cem vezes, mas que sempre falam. Podem ser, neste momento, profissionais de saúde que amparam nossas dores e desesperos até o fim.

Quanto mais estendermos as possibilidades de afinidades e acalentos que podem nos completar, nos consolar e nos empurrar para mais um dia e suas esperanças, menos ficaremos na inquieta dependência de achar que apenas um ser iluminado, perfeito e parceiraço, que talvez nem exista fora da imaginação, irá nos realizar.

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Governo federal é o maior culpado por erros na pandemia no Brasil, indica estudo publicado na revista Science

Trabalho sai na mesma semana em que o Senado prepara CPI para investigar equívocos do governo federal na resposta à Covid-19
Rafael Garcia
15/04/2021 - 04:30 / Atualizado em 15/04/2021 - 09:13
Cemitério Parque Taruma, em Manaus, Amazonas Foto: BRUNO KELLY/Reuters / BRUNO KELLY/Reuters
Cemitério Parque Taruma, em Manaus, Amazonas Foto: BRUNO KELLY/Reuters / BRUNO KELLY/Reuters

SÃO PAULO - O fracasso brasileiro no combate à pandemia pode ser parcialmente atribuído a falhas de gestores públicos em diferentes lugares, mas o peso do governo federal tem um tamanho proporcionalmente muito maior na tragédia. A conclusão é de um estudo assinado por dez cientistas do Brasil e dos EUA, liderado pela demógrafa Márcia Castro, professora da Universidade Harvard, publicado na revista Science, vitrine da ciência mundial.

O trabalho, que mapeou o espalhamento da doença com detalhes no Brasil entre fevereiro e outubro do ano passado, sai na mesma semana em que o Senado prepara uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) para investigar a responsabilidade por equívocos na resposta à epidemia. Alavancada por outros estudos realizados antes, a pesquisa mostra houve grande variedade na qualidade da resposta à pandemia, e isso é uma marca típica de problemas de "omissão" e "erro" do governo federal, porque o Ministério da Saúde e o SUS são os grandes responsáveis por atenuar as desigualdades regionais nas políticas de saúde.

"Apesar de nenhuma narrativa única explicar a diversidade do espalhamento do vírus no Brasil, uma falha maior em implementar respostas ágeis, coordenadas e equânimes no contexto de desigualdades locais marcantes alimentou a disseminação da doença", escrevem os pesquisadores que apontam cinco ingredientes capazes de explicar por que o país foi tão mal na resposta à pandemia.

Se o primeiro ingrediente da falha foi a própria desigualdade já instalada no país, outros são problemas mais relacionados ao momento político que o país vive.

O segundo problema foi a falta de bloqueios que pudessem evitar o espalhamento da doença entre municípios e estados, porque o Brasil é um país grande e relativamente bem conectado. O terceiro ingrediente foi o fator político em si, porque cidades e estados governados por aliados do presidente Jair Bolsonaro tomaram menos ações, e a polarização ideológica prejudicou a adesão a medidas.

O quarto elemento (o mais bem documentado no estudo de Márcia Castro) é a falha de testagem e acompanhamento da epidemia, com várias cidades tendo começado a registrar alta nas mortes por Covid-19 antes da alta de casos.

— Isso tem a ver com questões de notificação e de falha na vigilância, porque não faz sentido que seja assim. Os casos precisam aparecer antes das mortes — diz Castro, lembrando que se estima que o vírus tenha circulado por mais de um mês no país antes de ser detectado.

O quinto ingrediente, finalmente, foi a falta de sincronia nas medidas de distanciamento e contenção do vírus. A falta de uma política nacional de distanciamento social ajudou o vírus a encontrar sempre um refúgio onde pudesse crescer, explicam os cientistas.

Munição para CPI

Questionada sobre a possibilidade do uso de seu estudo como instrumento para a CPI da pandemia, Márcia Castro afirma que as conclusões tiradas ali não foram produzidas com finalidade jurídica, e que este não foi o único estudo científico a apontar as origens dos problemas na política brasileira contra o coronavírus.

— O que estamos mostrando são associações e correlações, mas nenhum desses trabalhos vai apontar uma causalidade definitiva — diz a cientista. — Mas mesmo não sendo uma causalidade, esses trabalhos se unem num quebra-cabeça, bem complicado, em que todos convergem para a mesma coisa.

Entre os trabalhos citados pelo estudo de Castro está o levantamento produzido pela sanitarista Deisy Ventura, da USP, que compilou atos administrativos do governo federal e declarações de Bolsonaro e ministros sobre a Covid-19 para avaliar sua atuação na pandemia. Para a pesquisadora de Harvard, há alguns elementos, como a subutilização da estrutura de saúde do país, que são evidências gritantes de omissão.

— Não há como negar que a rede do SUS não esteja sendo usada e que a estrategia de saúde da família não é envolvida. Os agentes estão até hoje sem treinamento e sem equipamento de proteção — afirma. — Se os estudos tivessem chegado a conclusões diferentes, seria outra situação, mas essas coisas não são subjetivas. É ciência. Os números estão aqui e não dá para negar.

Apelo por ação

O estudo da Science termina em tom de apelo, afirmando que a situação atual da pandemia agora é ainda mais preocupante, dada a demora do país na campanha de vacinação e à emergência de  variantes mais contagiosas do vírus, como a P.1.

"Sem contenção imediata, medidas coordenadas de vigilância epidemiológica e genômica e um esforço para vacinar o maior número de pessoas o mais rápido possível, a propagação da P.1 provavelmente vai emular o padrão mostrado aqui (no estudo), levando a uma perda de vidas inimaginável", escrevem os cientistas.

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Duvivier rebate ataque de Bial contra Lula: “grosseiro é pouco, é um frouxo”

247 - O escritor e humorista Gregório Duvivier usou suas redes sociais nesta quinta-feira (15) para criticar o ataque gratuito do jornalista Pedro Bial contra o ex-presidente Lula, ao dizer que só entrevistaria o petista com um detector de mentiras. 

Duvivier chamou Bial de “frouxo” e destacou que o global já entrevistou  “general com sorriso no rosto”, sem citar diretamente Villas Boas, que já ameaçou o STF caso a Corte concedesse liberdade ao petista.

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"Salve-se quem puder": uma radiografia da deprimida economia da Venezuela

A administração de Nicolás Maduro (foto) apresenta as sanções como a origem de todos os problemas do país - Manaure Quintero/Reuters
A administração de Nicolás Maduro (foto) apresenta as sanções como a origem de todos os problemas do país Imagem: Manaure Quintero/Reuters

Em Caracas

15/04/2021 10h30

Crise, hiperinflação, queda do poder aquisitivo, sanções econômicas... a Venezuela, que observou a fuga de cinco milhões de seus 30 milhões de habitantes, está em um abismo difícil de sair.

"Estamos em uma situação de salve-se quem puder", afirmou o economista Asdrúbal Oliveros para resumir a situação econômica atual, também afetada por um novo surto de covid-19.

Política

O presidente Nicolás Maduro é quem manda na Venezuela, apesar do reconhecimento de Juan Guaidó como presidente encarregado por 50 países, incluindo Estados Unidos, que tenta pressionar a saída do herdeiro do falecido Hugo Chávez com sanções.

"É uma ficção", disse à AFP o chanceler, Jorge Arreaza, sobre o poder de Guaidó. "Quando um (governo) europeu quer falar com a Venezuela, liga para mim. Há um Estado, um governo que funciona".

Uma mudança de governo não está no horizonte de curto prazo, concordam os analistas.

Sanções

A administração de Maduro apresenta as sanções como a origem de todos os problemas do país.

"Quando uma pessoa não recebeu em 2017 seu tratamento de HIV, quando uma pessoa não foi vacinada em dezembro ou janeiro, de quem é a responsabilidade?", perguntou Arreaza, antes de afirmar que multinacionais como Phillips e Siemens negam assistência técnica ou peças de reposição para o sistema elétrico e de saúde.

"As sanções complicam o trabalho das autoridades, mas também servem de desculpa para o caos econômico", afirmou um observador europeu que pediu anonimato.

A oposição defende a manutenção das sanções, mas alguns representantes concordam que prejudicam mais o cidadão comum que o governo.

Petróleo

A produção de petróleo, que chegou a 3,3 milhões de barris diários, é atualmente de pouco mais 500.000 barris, de acordo com os números oficiais. O governo também atribui a questão às sanções.

José Toro Hardy, ex-diretor da estatal PDVSA, refuta a versão. "O dano começou muito antes de 2017. A indústria petroleira se deteriorou gravemente pela falta de investimento, de manutenção".

A Venezuela, com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, foi obrigada a importar gasolina do Irã, apesar de ter quase 20 refinarias.

Estado reduzido

O PIB (Produto Interno Bruto) é calculado em 48 bilhões de dólares para 2020, o que representa uma queda de mais de 80% na comparação com 2013.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) prevê uma nova contração em 2021.

A Venezuela passou do grupo das 30 maiores economias do mundo à posição 100. "O tamanho do Estado foi drasticamente reduzido", explica Oliveros, em referência ao modelo rentista que sustentou elevados subsídios nos preços da gasolina, energia elétrica e alimentos.

As importações também foram divididas por 10 desde que Maduro chegou ao poder, destaca o especialista.

Economia informal

Com a queda da economia, o setor informal disparou no país. "As pessoas têm mais de um emprego, vendem tortas, trabalham como taxistas, compram algo dos Estados Unidos e revendem", aponta Oliveros.

"Há uma economia de procura", explica.

Oliveros destaca ainda a "economia paralela criminosa, com a exportação do ouro, narcotráfico, etc".

Por exemplo, o contrabando de gasolina se expandiu no país, com exceção de Caracas.

Coronavírus

A segunda onda da covid-19 começou a afetar a Venezuela quando a economia iniciava a abertura, após meses de confinamento.

O surto, que as autoridades chamam de "mais agressivo" e vinculam à variante brasileira do vírus, provocou o colapso de hospitais e clínicas.

O governo reconhece apenas 177.000 casos e mais de 1.800 mortes provocadas pela covid-19, mas ONGs e a oposição questionam os números e alegam um elevado nível de subnotificação pela falta de testes de diagnóstico.

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Brasil vive 'catástrofe humanitária' por resposta falha contra covid-19, diz ONG

Arquivo - Enterro de vítima do coronavírus no Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo; doença já causou mais de 360 mil mortes no país - Robson Rocha/Agência F8/Estadão Conteúdo
Arquivo - Enterro de vítima do coronavírus no Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo; doença já causou mais de 360 mil mortes no país Imagem: Robson Rocha/Agência F8/Estadão Conteúdo

No Rio de Janeiro

15/04/2021 09h45

A atuação caótica de autoridades brasileiras no enfrentamento da crise do novo coronavírus, sem uma ação "coordenada e centralizada", levou o país a uma "catástrofe humanitária", denunciou hoje a ONG Médicos sem Fronteiras (MSF).

"A falta de vontade política para agir de forma adequada ante esta pandemia é responsável pela morte de milhares de brasileiros", apontou a organização.

SP: Conselho de secretários cobra kit intubação: 'vamos entrar no caos'

Desde o começo da pandemia, o novo coronavírus já causou mais de 360 mil mortes no país, balanço superado apenas pelos Estados Unidos. Nas últimas semanas, a crise de saúde se agravou, a ponto de causar 66 mil óbitos apenas no mês de março e uma média diária de 3 mil mortos na última semana.

"Na semana de 5 de abril, 11% dos novos casos de covid-19 foram registrados no Brasil, assim como um quarto das mortes", assinalou a organização, para a qual "essas cifras ilustram a incapacidade das autoridades de gerenciar a crise sanitária e humanitária no país e de proteger os brasileiros do vírus, principalmente os mais vulneráveis".

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) continua minimizando a gravidade da pandemia e fazendo críticas às medidas restritivas decretadas por governadores e prefeitos. Especialistas observam que, diante da ausência de uma coordenação nacional, as medidas locais se tornam confusas, ineficazes e pouco respeitadas pela população.

"No Brasil, os problemas de saúde pública são instrumentalizados pelo poder político", assinalou o presidente internacional da MSF, Christos Christou. "Em consequência, as medidas sanitárias que devem ser tomadas com base em fatos científicos se associam mais a opiniões políticas, em vez de serem um marco de proteção dos indivíduos e de suas comunidades".

O Senado deu ontem o primeiro passo para instalar uma CPI a fim de apurar eventuais "omissões" do governo Bolsonaro na luta contra a pandemia.

"A falta de planejamento e coordenação entre as autoridades de saúde federais, estaduais e municipais teve consequências fatais", destacou Pierre Van Heddegem, coordenador da unidade de emergência para a resposta à Covid-19 da MSF no Brasil.

"Não apenas os pacientes morrem sem poder ter acesso à saúde, mas também as equipes médicas estão exaustas e sofrem com graves traumas psicológicos e emocionais devido às condições de trabalho", acrescentou.

A MSF, presente no país desde 1991, mobilizou equipes em oito estados brasileiros no começo da pandemia e apoia "mais de 50 estabelecimentos de saúde", focando no atendimento aos pacientes mais vulneráveis. Em 2021, a organização mantém equipes em três estados do Norte duramente afetados pela pandemia: Rondônia, Roraima e Amazonas.

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