ESTRELA "VULCÂNICA" - "ARROTOS" da Batalha

*

Nasa celebra aniversário do Telescópio Hubble com nova imagem de uma estrela “vulcânica”

por
atualizado em
26 de abril de 2021 @ 21:18
A estrela gigante AG Carinae. Crédito: Hubble/Nasa/ESA

Para comemorar o 31º aniversário do lançamento do Telescópio Espacial Hubble, os astrônomos da Nasa e da ESA divulgaram uma nova imagem impressionante para celebrar as conquistas deste observatório lendário.

A imagem recém-lançada do Hubble, obtida em luz visível e ultravioleta, mostra a AG Carinae, uma estrela Luminosa Azul Variável (LBV) localizada a 20.000 anos-luz da Terra. Esta estrela é absolutamente gigantesca, contendo uma massa 70 vezes maior que o nosso Sol.

Como um globo ocular olhando para nós, AG Carinae é uma estrela gigante cercada por uma nuvem de gás e poeira em expansão conhecida como nebulosa. Incrivelmente, essa nebulosa mede cinco anos-luz de largura — uma distância maior do que a que separa nosso Sol de Proxima Centauri, nosso vizinho estelar mais próximo. A AG Carinae sofreu uma erupção violenta em seu passado, resultando na feição proeminente.

As camadas avermelhadas da nebulosa contêm gás hidrogênio brilhante misturado com gás nitrogênio, enquanto as áreas azuladas são densos bolsões de poeira. Os ventos dentro da estrutura “viajam a até 1 milhão de quilômetros por hora, cerca de 10 vezes mais rápido do que a nebulosa em expansão”, explica o comunicado de imprensa do Hubble. “Com o tempo, o vento quente alcança o material expelido mais frio, penetra nele e o empurra para longe da estrela.” O efeito resultante formou a cavidade circular vista na imagem acima.

A concha em rápida expansão é o resultado da camada externa da estrela sendo lançada para o espaço. A quantidade de material embalado dentro da nebulosa é aproximadamente igual a 10 vezes a massa do nosso Sol. As LBVs podem estar entre as maiores e mais brilhantes estrelas da galáxia, mas têm vida excepcionalmente curta, morrendo após 5 milhões a 6 milhões de anos. Nosso Sol, em contraste, está na metade de sua vida de 10 bilhões de anos.

Acredita-se que as explosões de LBV acontecem em várias ocasiões durante a vida de uma estrela. A causa tem a ver com a tensão constante entre a pressão da radiação empurrando para fora e a imensa gravidade puxando para dentro. Como o comunicado de imprensa do Hubble explica, esta “queda de braço resulta na expansão e contração da estrela”, e a “pressão externa ocasionalmente vence a batalha, e a estrela se expande para um tamanho tão imenso que explode suas camadas externas, como um vulcão em erupção.” A estrela sobrevive ao grande arroto e o processo se renova.

Eventualmente, no entanto, essas estrelas provavelmente encontrarão seu destino em uma supernova catastrófica, na qual toda a estrutura é lançada para o espaço. Essas explosões resultam na morte da estrela, mas as explosões de supernovas são a principal fonte de elementos pesados ​​no universo — o que significa que os humanos não estariam aqui sem eles.

Feliz aniversário, Hubble! E continue nos surpreendendo.

*

Especialistas relatam que casos de Covid-19 na Índia estão MUITO SUBNOTIFICADOS

por
atualizado em
28 de abril de 2021 @ 17:18
Um local de cremação em Allahabad, Índia, em 27 de abril de 2021. Crédito: Sanjay Kanojia/AFP (Getty Images)

Os números de Covid-19 na Índia, que já não são bons, parecem estar sendo muito subnotificadosAté o momento, o país, que tem 1,4 bilhão de habitantes, consegue processar apenas 2 milhões de testes por dia.

Há vários relatos que dão conta da subnotificação. O especialista em medicina comunitária, Dr. Hemant Shewade, disse à CNN que mesmo antes da pandemia, estimava-se que apenas 86% das mortes eram oficialmente contabilizadas pelo governo, enquanto apenas 22% das mortes registradas receberam uma causa oficial de morte. Muitas mortes envolvendo o novo coronavírus estão provavelmente sendo registradas como decorrentes de outras causas ou nem sendo classificadas.

O cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, também disse à CNN que a taxa de exames positivos nacional da Índia chega a taxas de 15%  até 30% em cidades como Delhi, sugerindo que muitos casos estão sendo deixados de fora da contagem oficial, seja porque os indivíduos infectados em questão são assintomáticos, pobres ou não conseguem ter acesso ao teste.

Swaminathan acrescentou que pesquisas sorológicas anteriores em outros países indicaram taxas de infecção “pelo menos 20 a 30 vezes mais altas do que o relatado”, o que significaria que a Índia poderia ter experimentado até 529 milhões de casos até agora.

De acordo com o New York Times, oficiais da cidade de Bhopal relataram apenas 41 mortes relacionadas ao coronavírus em meados de abril, mas os “principais enterros e cremações ligados à Covid-19” da cidade contabilizaram 1 mil mortes no mesmo período. Uma contagem reduzida semelhante foi relatada em Lucknow, Mirzapur e Gujarat. O Dr. GC Gautam, cardiologista de Bhopal, disse ao jornal: “Muitas mortes não estão sendo registradas e estão aumentando a cada dia. Eles [funcionários do governo] não querem criar pânico.”

O primeiro-ministro Narendra Modi, líder do partido de extrema direita Bharatiya Janata, tem minimizado o vírus regularmente e, em vez disso, parece mais interessado em controlar as críticas nas redes sociais. Enquanto isso, o sistema de saúde indiano entrou em colapso, com falta de equipe e de praticamente todos os suprimentos e equipamentos necessários. Os hospitais indianos estão recusando centenas de doentes devido à falta de leitos ou oxigênio. O grande número de mortos é assustador nos crematórios de Nova Delhi e outras cidades, onde enormes piras funerárias funcionam 24 horas por dia.

“Em Delhi, pelo menos 3 mil pessoas foram a funerais na semana passada”, disse Max Rodenbeck, chefe da sucursal do The Economist no Sul da Ásia, na segunda-feira, à CNN. “Há um crematório em Delhi, que é um grande terreno no parque, e estão sendo construídas 100 novas piras funerárias…Isso, novamente, na maior cidade da Índia e que recebe mais atenção. O que acontece além de Delhi é horrível.”

“Saberemos apenas mais tarde qual foi realmente o número de pessoas infectadas”, disse Swaminathan à CNN na segunda-feira.

Rupal Thakkar, 48, morreu em um hospital particular em Ahmedabad em meados de abril, depois que seus níveis de oxigênio despencaram. Seu irmão, Dipan Thakkar, disse ao Times que sua morte foi registrada como uma “morte cardíaca súbita” e que “foi um choque para toda a vida. Por que um hospital privado seria conivente com o governo para ocultar o número real de mortes? Foi um crime organizado. Foi um ato ilegal.”

Acredita-se que grande parte da tragédia na Índia seja devida a uma nova variante do coronavírus conhecida como B.1.617. Ela possui inúmeras mutações, algumas das quais podem torná-la mais contagiosa do que a cepa original. As vacinas existentes para Covid-19 parecem ser eficazes contra ela. Mas, apesar do status da Índia como uma potência farmacêutica que produz cerca de 60% das vacinas do mundo, mais de 90% da população ainda precisa tomar a primeira dose.

O governo do presidente norte-americano Joe Biden disse à Modi’s na segunda-feira que os EUA enviarão à Índia “suprimentos relacionados a oxigênio, materiais de vacinas e medicamentos”, e no domingo anunciou que doaria 60 milhões de doses da vacina da AstraZeneca a outros países (muitas delas com destino à Índia). Embora especialistas em saúde pública atribuam parte da campanha de imunização malfeita à complacência depois que a pandemia na Índia parecia estar diminuindo em setembro de 2020, de acordo com a PBS, o país está com escassez de suprimentos para vacinar sua própria população depois que produtores assinaram tantos contratos de exportação.

Swaminathan disse à PBS que a Índia está vacinando atualmente cerca de 2 milhões de pessoas por dia, mas a taxa deveria ser de 6 a 7 milhões, e a Índia “precisa aumentar muito a capacidade de fabricação”. O banco de investimento UBS estima que, no ritmo atual, apenas um quarto da população da Índia receberá a vacina até o final de 2021, de acordo com o Wall Street Journal, e alguns hospitais privados podem cobrar entre US$ 10 e US$ 32 a dose, bem além do orçamento de muitas famílias de baixa renda.





“Se tivéssemos dados mais precisos em termos de casos, infecções, bem como mortes, então, é claro, estaríamos muito mais preparados e também anteciparíamos as necessidades de recursos de saúde”, disse Bhramar Mukherjee, professor de bioestatística e epidemiologia da Universidade de Michigan, à CNN.

“[Dados incorretos] não mudam a verdade.

Só torna pior para os formuladores de políticas antecipar as necessidades.”

*

Sputnik abre processo contra Anvisa por espalhar fake news contra a vacina russa

Agência Sputnik - Na segunda-feira (26), a Anvisa decidiu não recomendar a importação excepcional e temporária da vacina russa Sputnik V devido à falta de dados e ao risco de doenças por falhas na fabricação.

Fabricante da vacina Sputnik V declarou nesta quinta-feira (29) que está iniciando uma reclamação legal por difamação contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil por espalhar informações falsas sobre o inoculante russo.

Na segunda-feira (26), o vice-diretor de pesquisa científica do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, fabricante do imunizante, Denis Logunov, destacou que a Federação da Rússia realiza o controle de série de tudo que é produzido pelo Centro Gamaleya e por outros fabricantes.​

​Apesar da decisão da Anvisa de não recomendar a importação excepcional da vacina Sputnik V, o governo russo disse que continuará o diálogo sobre o imunizante com o Brasil.

*

Haddad: TVCultura virou o gabinete do ódio do Doria

247 - O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, usou suas redes sociais para condenar mais um ataque de Diogo Mainardi contra um entrevistado, desta vez o advogado criminalista, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Mainardi mandou Kakay tomar no c*, após o advogado fazer a defesa do Estado Democrátido de Direito. 

Recentemente, Mainardi chamou Haddad de "poste de ladrão" e "imbecil” durante participaçã o do petista no programa. 

*

Samsung ultrapassa Apple e se torna a maior fabricante de smartphones

Aakriti Bhalla, da Reuters - A Samsung tomou de volta da Apple a coroa de maior fabricante de smartphones do mundo, respondendo por um quinto das vendas globais no primeiro trimestre, disse a empresa de pesquisa de mercado Canalys.

A chinesa Xiaomi teve seu melhor desempenho trimestral de sua história: as remessas subiram 62%, para 49 milhões de celulares, e a fatia de mercado para 14%, levando-a para a terceira posição - atrás apenas de Samsung e Apple.

No geral, as vendas globais aumentaram 27%, para 347 milhões de unidades no primeiro trimestre, com a economia chinesa se abrindo após a pandemia e o rápido lançamento da vacina nos Estados Unidos elevando as esperanças de recuperação econômica.

A sul-coreana Samsung vendeu 76,5 milhões de smartphones no trimestre, e abocanhou 22% do mercado, disse a Canalys. A empresa divulgou nesta quinta-feira (29) um aumento de 66% no lucro trimestral em seu negócio de dispositivos móveis, graças às vendas robustas de sua linha de smartphones Galaxy S21. 

A Canalys afirmou que a Apple vendeu 52,4 milhões de iPhones de janeiro a março, caindo para a segunda posição, com 15% de participação no mercado. 

Esse resultado veio após a empresa impressionar os consumidores chineses no trimestre de dezembro com seu novo iPhone 12 5G. A Apple afirmou na última quarta-feira (28) que as vendas totais para a China quase dobraram. 

As vendas de smartphones no trimestre de março para as marcas chinesas Oppo e Vivo também aumentaram, disse a Canalys.

A Huawei, ex-número 1 e que segue acorrentada pelas sanções dos EUA, ficou em sétimo lugar, com 18,6 milhões de unidades, depois de vender sua marca Honor no ano passado.

*

“Ou a Anvisa apresenta provas das acusações que fez contra a Sputnik, ou está mentindo”, diz Cynara Menezes

247 - A jornalista Cynara Menezes, em participação no programa Bom Dia 247 desta quinta-feira(29), cobrou explicações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a não autorização de importação da Sputnik V, vacina russa contra a Covid-19, alegado problemas de biosegurança.  “A Anvisa tem obrigação de apresentar provas. Em todos os lugares que as pessoas tiveram a audácia de questionar a decisão da Anvisa apontaram que ou a agência descobriu uma coisa que ninguém no mundo descobriu ou ela cometeu um erro grave”, disse Cynara. 

“Nos últimos dias, a Sputnik, pelo perfil dela no Twitter, vem sedo muito dura em relação a Anvisa e  tem acusado a agência brasileira de fake news. Eles negam que exista este adenovírus replicante na vacina, dizem que não é verdade e que a Anvisa inventou isso. É muito grave a acusação”, ressaltou a jornalista. 

“É claro que a Anvisa precisa responder, precisa apresentar provas. Para ser o único país do mundo que fez este tipo de questionamento da vacina russa, a Anvisa tem obrigação de apresentar provas”, cobrou. 

*

SUS gastou quase R$ 1 bilhão com internações relacionadas às queimadas na Amazônia, diz Fiocruz

Queimadas aumentam no Amazonas

Sputnik - O SUS (Sistema Único de Saúde) gastou R$ 960 milhões com internações hospitalares devido a problemas respiratórios causados ou agravados por queimadas na Amazônia Legal entre 2010 e 2020.

O estudo, realizado pela pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o WWF-Brasil, analisou dados dos cinco estados da Amazônia Legal que concentram os piores índices de incêndios florestais: Pará, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Acre.

"Entre janeiro de 2010 e outubro de 2020, foram registradas 1.252.834 internações hospitalares por doenças do aparelho respiratório para todos os estados analisados. Em geral, todas as unidades da federação apresentaram tendência decrescente da taxa de morbidade hospitalar por doenças respiratórias de 2010 a 2015, assumindo em seguida comportamento estável até outubro de 2020", indicou a nota da Fiocruz, conforme publicado pelo portal UOL.

De acordo com a pesquisa, as hospitalizações de baixa complexidade custaram R$ 774 milhões ao SUS, nos cinco estados, ao longo da última década.

Para as internações de alta complexidade nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), o sistema de saúde precisou de R$ 186 milhões para atender a demanda de internações.

O estudo diz que os valores diários de poluentes nestes estados são "extremamente elevados" e contribuíram para aumentar em até duas vezes o risco de hospitalização por "doenças respiratórias atribuíveis à concentração de partículas respiráveis e inaláveis finas [fumaça]".

"No Amazonas, 87% das internações hospitalares no período analisado estão relacionadas às altas concentrações de fumaça [partículas respiráveis e inaláveis]. O percentual foi de 68% no Pará, de 70% no Mato Grosso e de 70% em Rondônia", informou a nota.

*

Empresária com contrato de R$ 4,4 mi com Itamaraty será anfitriã de almoço com Bolsonaro

247 - A empresária Karim Harji, que receberá para um almoço com mulheres executivas nesta sexta-feira em São Paulo, é presidente da agência in.Pacto, recentemente contratada para cuidar da comunicação corporativa da Apex, ligada ao Itamaraty. A informação é do jornalista auro Lardim em sua coluna no portal O Globo. 

Após vencer a licitação, a in.Pacto assinou contrato de R$ 4,4 milhões com a Apex. A vigência, iniciada em fevereiro, é de um ano.

O jornalista ainda informa que Karim convidou Bolsonaro para almoçar com empresárias paulistas, depois de críticas ao presidente pelo último encontro com empresários, que ocorreu sem mulheres.

*

Kakay: "Mainardi, Olavo, Moro e Bolsonaro se merecem"

Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e o jornalista Diogo Mainardi

247 - O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, emitiu uma nota pra responder à agressão do jornalista Diogo Mainardi, que insultou telespectadores e mandou o criminalista "tomar no c***", numa emissora pública de São Paulo, a TV Cultura. De acordo com o advogado, Mainardi "abusou do direito de ser indelicado e agressivo no programa". "Ele merece meu mais profundo desprezo", disse. 

"No final, ele se mirou em um de seus ídolos, o tal Olavo de Carvalho, e me agrediu verbalmente", disse Kakay. "Talvez ele precise de tratamento para superar a queda e a desmoralização dos seus ídolos, como insinuou o Haddad quando foi ao programa, ou talvez seja mesmo só essa figura patética e decadente. O Brasil é um país triste hoje em dia por ter um presidente do nível do Bolsonaro. O tal Diogo finge que é um crítico do Bolsonaro, mas são pessoas do mesmo naipe. Ele, Olavo, Moro e Bolsonaro se merecem", acrescentou.

Leia a íntegra na matéria publicada no Brasil 247 sobre a agressão de Mainardi contra Kakay:

"Um dos convidados do Manhattan Connection nesta quarta-feira (28), o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, foi xingado por Diogo Mainardi ao final da edição, recebendo um bip que cobriu sua fala. 'Como diria Olavo de Carvalho, vai (piiii)', disse o jornalista, logo após o âncora, Lucas Mendes, agradecer a Kakay pela presença no programa", informa o blog Telepadi. A leitura labial identifica a frase “Vai tomar no c…”. Mendes emendou: “Boa noite, sem Olavo de Carvalho”. Assista a cena logo abaixo.

"Não me recordo de ter visto um anfitrião dizer isso a um convidado em um programa de TV, o que dirá em uma emissora que carrega Cultura no nome e princípios públicos no seu estatuto. Ainda que o canal tenha tido o cuidado de encobrir o xingamento, o nome feio aí é o de menos.  Trata-se de uma postura inesperada para um programa norteado por ideias e argumentações", escreve ainda a jornalista Cristina Padiglione, responsável pelo blog.

Kakay foi insultado por que defendeu o estado de direito e condenou os abusos cometidos pelo ex-juiz Sergio Moro, recentemente declarado suspeito e parcial pelo Supremo Tribunal Federal e também apontado como agente de interesses internacionais, em reportagem especial do jornal francês Le Monde.

“Antonio Carlos, eu não estou a fim de ouvir as suas baboseiras. Você pra mim representa o atraso do desenvolvimento do Brasil”, começou Mainardi.

“Eu quero te responder, Diogo”, reagiu Kakay: “Uma vez eu estava conversando com Chico Anysio e ele me disse que quase todo humorista é mal-humorado. Eu não conheço muito a sua vida, mas acho você um humorista. Mas o humorista que é mal-humorado, ele tem que ter uma inteligência rara, e você ficou só no mau humor. É muito difícil, entendeu? A sua acidez, eu não sei onde ela leva.”

*

Lula derrota Moro e mídia se finge de morta: cadê a autocrítica? - Mario Vitor Santos

Por Mario Vitor Santos

STF, Sérgio Moro e o ex-presidente Lula

az já mais de um mês que a mídia de direita brasileira mergulhou num mutismo, uma espécie de luto sem objeto, um estado de negação diante do corpo presente. Esse recalque foi inaugurado espetacularmente em 23 de março, terça-feira, dia da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estampou sobre a face do ex-juiz Sergio Moro a tarja de magistrado parcial, suspeito no caso da condenação do ex-presidente Lula por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do famigerado “triplex” do Guarujá. 

O luto é prolongado e deve eternizar-se. Faz agora apenas sete dias que a mesma sentença vem de ser confirmada, agora pela maioria do plenário do STF, a mais poderosa instância do Judiciário.

A amarga realidade emerge. A verdade inimaginável se materializou perante o país e o mundo, lavrada em votos, com sabor intragável: a Operação Lava-Jato foi uma conspiração voltada para subverter a democracia. Houve tempo para isso, mas a instituição que estava também sentada no tribunal, junto a Moro, até agora não deu as caras para fazer uma autocrítica, faz-se de desentendida.

A instituição no banco dos réus é a mídia de direita brasileira: os grupos Globo, Uol-Folha, Estado, Abril, Jovem Pan, Record, Band e outros, reunidos naquilo que levou o experiente, viajado e internacionalmente premiado jornalista estadunidense Glenn Greenwald à seguinte constatação:

“Eu nunca conheci um país com uma imprensa local tão estruturalmente fraudulenta como a brasileira”.

O que houve para provocar tanto silêncio da mídia de direita diante de um caso tão rico de situações sensacionais? Deixemos a imprensa aqui e abramos um grande parêntese. Primeiro vamos rever o ocorrido nessa saga judicial e existencial, com traços de romance real de desgraça e renascimento após a visita de uma espécie de “providência divina”. 

*

AVISO: Se você quiser saltar a memória dos episódios da Lava-Jato e ir direto para a participação da mídia, desça para o parágrafo que começa na expressão “E aqui termina...”.

A decisão do STF ao declarar Moro um juiz suspeito foi gravíssima e raríssima, de um alcance sem precedentes na história dos tribunais superiores brasileiros. Como se sabe, o manto da Justiça abriga sob si um território privilegiado do corporativismo, onde prolifera o compadrio. 

No Judiciário o que vale acima de tudo é a regra das “famílias”: irmão protege irmão, juiz dá a mão a juiz. As corregedorias, encarregadas de punir abusos judiciais, operam na contramão do que deviam: só agem em casos extremos, seu maior trabalho sendo o de lançar processos no esquecimento, numa roda de troca de favores.

 Para se ter uma ideia da raridade da decisão do Supremo, de 2010 a 2019, 52 processos de suspeição de juízes foram levados ao STF. Nenhum teve acolhimento. Desta vez, porém, foi diferente, no ponto máximo daquilo que o ministro Gilmar Mendes classificou como o “maior escândalo judicial da história”.

A suspeição de Moro, líder supremo da Lava-Jato, “operação” agora já providencialmente sepultada, foi resolvida em 23 de março, por diferença de apenas um voto e só na última instância, depois de os três julgamentos anteriores, a começar pelo do próprio Moro, atestarem a pureza do julgador do Paraná.

Sempre requerida pelos obstinados defensores de Lula, a acusação de parcialidade percorreu uma longa estrada no Judiciário do piso ao teto. Sempre foi negada. Além do próprio Moro, na 13ª Vara Federal de Curitiba, deram ficha limpa a ele todas as instâncias de recurso: a 8ª turma (três juízes) do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, e a 5ª turma (cinco ministros) do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. Sempre por unanimidade. Aportou no STF em novembro de 2018, onde dormia desde dezembro do mesmo ano, com o voto de dois ministros contra a suspeição e nenhum a favor. 

 A vitória final da suspeição no STF pôs a nu, portanto, os caminhos da Justiça, humilhou as decisões das instâncias anteriores e só foi tomada em tons dramáticos: pela margem mínima, de virada como se diz, pelo voto da última juíza, Carmen Lúcia, que inverteu voto de dezembro de 2018 sobre o juiz Moro, de insuspeito para suspeito.

Para ultrapassar todos os obstáculos e alcançar este resultado, num caso de tantos desdobramentos sobre a ordem política, os advogados de Lula tiveram que provar muito mais do que a já improvável parcialidade de um juiz. Na verdade, valeram-se de suor e acaso para demonstrar com abundância de provas (poderia ser de outro jeito?) a existência de uma imensa conspiração.

Provaram à corte suprema que a Lava-Jato atropelou qualquer limite legal, revelando-se numa associação criminosa destinada a congregar por caminhos ocultos as forças de centenas de agentes do Estado recrutados em mais de uma dezena de órgãos estatais. 

Parte desse contingente dedicou-se de fato à investigação legal de casos de corrupção volumosos, em diretorias da Petrobras. Outra parte agiu à sombra, em porões de um submundo criado por Moro, Dallagnol e seus acumpliciados reunidos naquilo que este último denominava como “time”. 

Usaram primeiro leis, autorizações judiciais, convênios e acordos legais entre órgãos. Era apenas a fachada de uma outra conspiração que ultrapassava a lei e corria por trás, nas entranhas, por funcionários públicos metamorfoseados numa espécie de “deep state” tropical, com agentes infiltrados em órgãos vitais da máquina do Estado. Os operadores eram arregimentados entre burocratas transformados em espiões e arapongas, em ramificações informais e hierarquias a serviço daquela que veio a ser conhecida genericamente como a “República de Curitiba”.

Oculto, sob a mania servil de um juiz enviesado, disposto a usar recursos os mais ousados (ainda não se sabe de todos) e a disfarçá-los, o polvo da conspiração pôde enfocar um objetivo político, maior do que as investigações e punições dos casos de corrupção. A meta dessa república era usar seu poder para impor a narrativa da existência de uma quadrilha comandada pelo que veio a ser o troféu, o gozo sublime da operação Lava-Jato: a condenação e a prisão, de Lula. A modelagem da narrativa da condenação fora já ensaiada com sucesso no chamado mensalão, o qual também se valeu de negócios normais, depois distorcê-los para acusar líderes petistas de formar e chefiar uma organização criminosa.

Lula precisava ser caçado para neutralizar sua influência inicialmente na luta contra o golpe que vitimou a presidenta Dilma Rousseff, há cinco anos, e então destruiu a economia e a sobrevivência dos brasileiros.

Todos os objetivos foram atingidos, com as consequências sabidas. O ex-presidente foi preso, amargou 580 dias na cadeia da Polícia Federal em Curitiba. Surgiu uma Vigília Lula Livre, vanguarda de um movimento maior pelo Brasil. Em seguida, Lula foi visado, com a ajuda do mesmo STF, para impedir de todas as formas sua candidatura na eleição presidencial em 2018. A Lava-Jato queria, além da prisão de Lula, colocar seu Partido dos Trabalhadores na ilegalidade. 

Para acabar com Lula, os agentes da Lava-Jato nos órgãos policiais espionaram ilegalmente seus advogados, cometeram invasão generalizada de privacidade, de domicílio, confiscaram bens de seu neto, humilhou, impediu o pranto pelo irmão, pelo próprio neto, matou pela pressão a esposa e ex-primeira-dama Marisa Letícia. Alternaram-se operações autorizadas pela Justiça com bisbilhotagem, plantação de provas, coação cruel de réus e testemunhas, obtenção de denúncias por meio de torturas psicológicas e chantagem contra cidadãos inocentes sobre os quais não havia acusações. 

Sem controle, apoiado por uma nova legislação e a complacência da mídia, o polvo da Lava-Jato reinou absoluto. Estendeu um tentáculo em cada órgão relevante da burocracia: Ministério Público Federal, Polícia Federal, Receita Federal, Advocacia Geral da União, Controladoria Geral da União, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Departamento de Recuperação de Ativos Financeiros (DRCI), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), com ramificações e operadores específicos congregando parte ou a totalidade de instâncias do próprio Judiciário, como o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o Tribunal de Contas da União, o Superior Tribunal de Justiça e o próprio Supremo Tribunal Federal.

Em cada aparelho desses, um destacamento foi mobilizado: juntaram-se dezenas de magistrados auxiliares, juízes substitutos, diretores, delegados, agentes, economistas, contabilistas, carcereiros, chefes de carceragens, pareceristas, auditores, peritos e técnicos de diversas especialidades.

Para o trabalho dessa gente valia tudo: inviabilizar a vida de qualquer um que tivesse negócios com Lula, com o Instituto Lula, com as empresas investigadas no âmbito da operação e com as empresas de suas relações, muitas vezes sem qualquer autorização judicial.

Os tentáculos do molusco judicial abraçaram estruturas de escritórios de advocacia especializados em arrancar delações premiadas (amparadas por monstrengos legais postos de pé, infelizmente, com a assinatura pela presidenta Dilma Rousseff, no ano anterior à oficialização da Lava-Jato). Para obter delações, montou-se uma espécie de DOI-Codi de escritório ou de parlatório. Montaram-se escuderias para obtenção de confissões mediante tortura psicológica e às vezes física, a depender das condições carcerárias dos “arrependidos”. Enquanto isso, do “lado de fora”, os colunistas da mídia, em coro com líderes de partidos de direita e até de esquerda não-petista, babavam exigindo que o PT facilitasse a tarefa por meio de sua auto-inculpação. Quem não se lembra da então onipresente “autocrítica”?

Operavam a favor da Lava-Jato até mesmo, dependendo do caso, departamentos jurídicos de empreiteiras, escritórios de advocacia de acusados e potenciais delatores, com o apoio do setor jurídico e outras estruturas da própria Petrobrás. O polvo Lava-Jato pariu filhotes no Rio e no Distrito Federal, com versões cariocas e brasilienses mais ou menos convincentes de Moro e de Dallagnol. 

A conspiração vazou as fronteiras do país para o exterior. Por canais oficiais misturados a colaborações ilegais, em linhas diretas, mas por baixo dos panos, sem cobertura de convênios internacionais, com, por exemplo, o Ministério Público da Suíça e o FBI, a polícia federal americana. 

Isso para citar apenas os órgãos mencionados nas conversas reveladas entre os procuradores de Curitiba até agora. Após a prisão de Lula, em 2017, por exemplo, o procurador-chefe da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, comemorou dizendo que se tratava de um “presente da CIA”. Será que a CIA teve participação?

A hipótese é mais do que plausível na sucessão temporal. Edward Snowden, o analista de sistemas da CIA e da então secreta Agência Nacional de Segurança (NSA) estadunidense revelou em 2013 um vasto esquema global de vigilância mantido por Washington, inclusive privilegiadamente no Brasil, e direcionado à Petrobras. O caso gerou protestos e o cancelamento de uma visita aos EUA da presidenta Dilma Rousseff, também espionada pela NSA.

Pelo vazamento em 2016 de outro perseguido político, Julian Assange, do Wikileaks, soube-se que Moro ministrou em 2009 treinamento “para juristas” no Departamento de Estado estadunidense. Como juiz e depois como ministro, Moro voltou diversas vezes aos EUA, em “visitas técnicas a órgãos de investigação” cercadas de mistério e curiosidade.

Quando essa montagem atingiu condições operacionais em 2013 e 2014, com a finalização do arcabouço legal dando poderes ainda maiores ao Ministério Público, o país foi submetido a uma blitz em inédita extensão: mais de oitenta fases operacionais, mais de mil mandados de busca e apreensão, de prisão, de condução coercitiva, em busca de operações financeiras que a Polícia Federal alega terem chegado a R$ 8 trilhões.

No imbróglio foram levadas à bancarrota centenas de empresas de todas as dimensões, investigadas e bloqueadas total ou parcialmente milhares de pessoas físicas e jurídicas. Foram colhidos na enxurrada todo o setor de petróleo e petroquímica, empreiteiras de expressão transcontinental e seus grupos, o programa nuclear brasileiro e pequenos prestadores de serviço, políticos aliados, parentes de investigados e seus conhecidos. 

A mancha acusatória incluía criminosos de verdade, mas também inocentes desavisados. Resultou a condenação do país ao atraso econômico, contração do PIB, alienação de estatais, aumento da desigualdade, da pobreza e da fome. O Brasil, que antes avançava, cedeu espaço, se desindustrializou e desnacionalizou. Seu PIB decresceu de 2,5% a 3,4% do PIB, segundo estudos da consultoria da GO Associados (o equivalente R$ 142 bilhões ou R$ 187 bilhões), mas outro cálculo, da RC Consultoria, citado pelo Poder360, aponta uma redução do PIB em dólares de 45% entre 2011 e 2020. Só entre 2014 (último ano antes do boicote de Eduardo Cunha e do empresariado) e 2020, o PIB brasileiro decaiu um trilhão de dólares. Houve beneficiários dessa destruição, os competidores internacionais do Brasil, principalmente os EUA, fora e dentro do país, grandes patronos e receptores do produto do lawfare.

Nada desse enredo ciclópico e estonteante existiria, porém, sem sua peça fundamental, o primeiro cérebro, a origem ideológica, a célula da vida, meio e fim de todo o processo de manejo das informações (e acima de tudo, das emoções): os meios de comunicação.

*

 E aqui termina o extenso parêntese aberto no início desse texto: diante da reviravolta sensacional da Lava Jato nos tribunais, resta abordar o grande sujeito ainda oculto desse enredo: o imenso poder coligado dos meios de comunicação. Falta esclarecer como os meios de comunicação alimentaram e foram alimentados pela máquina da Lava Jato e as razões de seu luto silencioso.

A mídia de direita brasileira ensaiou, perseguiu, pariu e batizou a Lava-Jato. Quando digo mídia conservadora brasileira refiro-me aos principais, mais poderosos e tradicionais veículos. Àqueles mencionados parcialmente lá em cima, somam-se as revistas IstoÉ, Exame, Época, IstoÉ, para citar apenas a fração mais influente. 

Os canos de esgoto no Jornal Nacional expelindo notas de dinheiro, as capas tenebrosas da Veja e outras revistas, ao longo de meses e anos, amplificadas pelos cartazes, sem trégua, sem dar vez e voz ao outro lado, sem dar espaço ao real contraditório, nem tempo, nem folego para uma defesa em igualdade de condições.

Com todas as características dramáticas, os sofrimentos pessoais e sua importância histórica e política, ao final, como fica as responsabilidades pelo que fizeram ao país, às pessoas e mesmo ao mundo? Ali Kamel, Merval Pereira, Míriam Leitão, Sérgio Dávila, William Bonner, Eurípides Alcântara, Ricardo Noblat, Eliane Cantanhêde, nada a reparar? 

Agora, quando a farsa foi desmontada no STF, após o vazamento das conversas gravadas por Walter Delgatti Neto, a mídia de direita tenta sair de fininho, recuperar a pose. Seus comandantes escafederam-se, volatilizaram-se, fingem-se de mortos. Nenhuma palavra até agora sobre seu próprio papel, o da mídia, como se ela não estivesse presente no calor das operações, como se não tivesse tido nenhum papel.

O país sabe que teve. Está na hora da autocrítica transparente. Um ajuste de contas precisa ser feito, para que a democracia não esteja permanentemente sob ameaça de sequestro pela mídia de direita. Falta uma comissão da verdade para os meios de comunicação na Lava-Jato. Injustiças e iniquidades históricas não acontecem só na África do Sul ou nos EUA. 

Aqui também há líderes heroicos encarcerados injustamente. Em especial agora, diante não apenas da ausência completa de autocrítica, mas quando além disso mais uma vez, depois do fim oficial da Lava-Jato, a mídia de direita age em bando, no mesmo sentido, sem nada alterar.

Parece estar em vigor uma ordem coletiva de silêncio e de mudança de assunto nas redações. Pode até soar descabido, mas no momento há na verdade uma queima de arquivos, uma injustiça contra repórteres que se empenharam na operação e agora são demitidos ou sacrificados sozinhos aos leões. É uma fase, portanto, em que o lavajatismo se disfarça, ao mesmo tempo em que não só está vivo como segue realizando graves ações coordenadas e despercebidas (fique atento a texto sobre outro esse assunto que logo será publicado).

Vossa excelência, ministro Barroso, perdeu, mas não se engane, se depender do “mediafare” dos reacionários, o tormento do(s) Mandela(s) brasileiros voltará sorrateiro.

*

Um breve balanço sobre a situação no Oriente Médio - Lejeune Mirhan

Por Lejeune Mirhan

Uma série de questões, fatos e notícias tem sido amplamente divulgadas e que envolvem a região do Oriente Médio, onde vivem meio bilhão de árabes, mais israelenses, turcos e iranianos (é o que chamo de Oriente Médio expandido ou Ásia menor como é chamada em algumas regiões e na Bíblia). Vou tentar dar um giro por lá, registrando os principais fatos, vários deles contribuindo para a elevação da tensão na região.  

Retirada das tropas estadunidenses do Oriente Médio 

O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou no dia 14 de abril, a completa retirada das tropas do Afeganistão e do Iraque, o que já era esperado e prometido desde janeiro de 2009, quando Obama tomou posse em seu primeiro mandato. Trump, que tomou posse em janeiro de 1917, havia dito a mesma coisa. Mas, nada foi feito de concreto até agora. 

Pelo menos 10 mil soldados seguem presentes no Afeganistão e pelo menos mais outros cinco mil em cinco bases militares ainda estão no Iraque. Apesar do parlamento iraquiano ter decidido por unanimidade exigir dos EUA completa desocupação de seu território em janeiro de 2020. 

Vocês sabem que eu não estou entre aqueles analistas internacionais que dizem que não há diferença nenhuma entre Biden e Trump, que é tudo igual, tudo a mesma porcaria. Eu não estou entre os que analisam desta forma. Eu sou marxista, sou dialético, as coisas mudam e as coisas se transformam. A correlação de forças no mundo está sendo alterada. Venho dizendo há tempos que vivemos um mundo em transição, da unipolaridade de 1991 para a multipolaridade, que ainda não se consolidou.  

A retirada do Afeganistão é a mais emblemática. Do Iraque, de fato, seria uma questão de tempo. No Afeganistão eles já tiveram 100.000 soldados. Eles gastaram, em 20 anos, que completa agora em outubro de 2021, cerca de dois trilhões de dólares. Essa é a maior e mais longa ocupação militar que os Estados Unidos já fizeram em toda sua história. Para dominar um dos países mais pobres do mundo, cujo PIB é de menos que 20 bilhões de dólares! 

No caso do Afeganistão, a retirada – que é um fato positivo – deve começar no mês de maio e vai se completar em quatro meses, até setembro, quando está prevista a completa desocupação, de forma que toda a segurança nos dois países, será feita exclusivamente pelas forças desses mesmos países. Há quem diga que no caso afegão, os talibãs, que ocupavam o poder até outubro de 2001, devem voltar ao poder central.  

A pergunta que sempre se faz é por que eles ocuparam um país pequeno e sem papel econômico algum.  Por causa da geopolítica, de uma estratégia de dominação regional e também, dizem, eles sempre acreditaram que ali seria o centro que emana terrorismo para o mundo inteiro. Que ali é o berço da Al-Qaeda. 

Aliás, a Al-Qaeda foi formada pela CIA. Bin Laden é de uma família riquíssima da Arábia Saudita. Tem parentes nos Estados Unidos, que são amigos da família Bush no Texas. E essa família mantém comércio de petróleo nos Estados Unidos. Eles são muçulmanos de orientação sunita. E por que a CIA financiou e treinou esses guerrilheiros do Afeganistão, vinculados à Al-Qaeda, ao Osama Bin Laden? Porque, a União Soviética ocupou o Afeganistão em 1979, a pedido do governo do Afeganistão.  

Então, não foi uma invasão. Igual ao que ocorreu no Líbano, que pediu para a Síria colocar soldados no país, para poder evitar a guerra civil de 1990. Quando acabou a guerra civil nesse ano, depois de 15 anos de guerra, o exército Libanês não seria suficiente para garantir a paz e por isso chamaram o país vizinho, amigo, o Líbano que um dia pertenceu à Síria. Isso não caracteriza uma invasão. 

A Rússia ficou no Afeganistão por dez anos, de 1979 até 1989. Alguns autores dizem que o Afeganistão foi o Vietnã da antiga União Soviética. Os Estados Unidos perderam no Vietnã. A União Soviética, perdeu também. Saiu em 1989, o ano que caiu o muro de Berlim. Portanto, o chamado bloco socialista, estava desmoronando e, aí, eles retiraram-se do Afeganistão. Nesses dez anos, os guerrilheiros que atacavam os soldados do exército vermelho, todos anticomunistas, evidentemente, eram financiados, treinados e armados pelos Estados Unidos. 

Eles eram chamados na imprensa estadunidense de “Warriors freedom”, ou “Guerreiros da Liberdade” (sic). Então, foram “Guerreiros da Liberdade”, em um certo período e viraram terrorista no outro período. Não é estranho isso? Vejam como tudo é relativo. Saddam Hussein, entre 1980 e 1988, atacou o Irã, na tristemente famosa Guerra Irã-Iraque, onde morreram um milhão de pessoas.  

Nesse período que ele atacou o Irã, ele era chamado nos Estados Unidos de presidente Saddam. Ele tinha dado golpe de estado com oficiais baatistas em 1979. Em 1988, depois que terminou a guerra contra o Irã, ele passou a fazer duras críticas e oposição aos Estados Unidos. Aí a imprensa passou a chamá-lo de ditador Saddam. 

Rússia defende a Síria 

A segunda grande novidade é o ataque que a Rússia fez na Síria no último dia 19 de abril, em dois acampamentos de terroristas, que são financiados pela Arábia Saudita. Esses terroristas e mercenários são fortemente armados. Para se ter uma ideia, uma metralhadora, fuzil de repetição, aquele Ak-47, Kalashnikov, custava no mercado paralelo, antes do início da tal primavera árabe em 2011, US$200 dólares apenas.  

Hoje, para você comprar uma metralhadora dessas Ak-47 você gastará pelo menos US$ 1.500,00. Por que o seu preço foi inflacionado? Porque a Arábia Saudita jogou dois bilhões de dólares para financiar a derrubada do governo do Dr. Bashar Al Assad, com apoio dos Estados Unidos. 

A Al-Qaeda, na Síria, chama “Frente Al Nusra”, que também é financiada pela Arábia Saudita e pelos Estados Unidos, que lhes dão treinamentos e equipamentos. Os Estados Unidos também têm soldados, coturnos em solo sírio. Eu consultei vários amigos sírios e libaneses sobre quantos soldados eles ainda têm lá. Não tem uma precisão. Fala-se de dois a quatro mil.  

Biden ainda não anunciou a retirada desse contingente de soldados. Mas eles vivem em dificuldades, porque eles estão acossados pelo próprio exército sírio. E esse acampamento de terroristas foi atacado pela aviação russa. Temos registro de que eles mataram pelo menos 200 terroristas. Tenho um amigo sírio que sempre diz que eles foram conversar com os seus ancestrais.  

Mas, foram eliminados também 24 picapes com metralhadoras pesadas. Picapes Toyota, tudo isso foi estraçalhado, virou pó. Isso é muito interessante, porque vai enfraquecendo aquilo que já está muito fraco, que é o chamado Daesh ou Isis, na sigla inglesa, que é o famoso Estado Islâmico, que está com seus dias finais.  

Eu sempre digo que esse grupo Daesh não é nem Estado e não é Islâmico. Não é Estado, porque não governa nada. Praticamente já foram todos expulsos do Iraque e da Síria. E também não é islâmico, porque o livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão, não diz que tem que cortar cabeças de cristãos. Ao contrário. O livro sagrado diz que é dever fundamental dos muçulmanos protegerem cristãos e judeus. 

Eleições na Síria 

Ainda sobre a Síria, eu quero registrar que em maio terão eleições. No meio desse cenário de muita destruição e ainda ações terroristas, a Síria está sendo reconstruída e vão realizar eleições nesse período e nessas condições difíceis. Muitas cidades sírias, como Palmira, Maalula, Alepo, Homs, quase tudo foi inteiramente destruído, prédios inteiros derrubados. Então, uma situação difícil. Mas, teremos eleições. 

O presidente, Dr. Bashar al-Assad, médico oftalmologista, formado na Inglaterra, um muçulmano, um árabe que fala vários idiomas. Não é e nunca foi hostil ao ocidente. Como também a China, por exemplo, não é hostil aos Estados Unidos. Por que, então, os Estados Unidos querem derrubar o Bashar? Porque ele é anti-imperialista, porque ele defende a soberania nacional síria, a autonomia, a independência da Síria e de todos os países árabes. Registro que no dia 17 de abril comemorou-se na República Árabe Síria o seu 75º ano de sua independência nacional.  

Os Estados Unidos levaram para o Oriente Médio só destruição. Destruíram a Líbia e mataram o seu presidente. Destruíram o Iraque e mataram o seu presidente. Destruíram a Síria mas não conseguiram matar o seu presidente, ainda que o objetivo fosse esse. Eles perderam essa guerra e vêm perdendo espaço no Oriente Médio. 

A Rússia está ocupando esse espaço. Agora vemos a China plantar seus dois pés naquela região, por causa do acordo com o Irã. E os Estados Unidos estão recuando, vão agora retirar as tropas. Vão ficar cada vez mais isolados na região.  

Os únicos países que mantém relações com Israel e os EUA, são aquelas monarquias do Golfo Pérsico, que são sete, todas governadas por monarcas  de extrema-direita. Algumas delas são feudais, como a Arábia Saudita, que nem Constituição possui, não tem partidos políticos funcionando. 

A eleição na Síria será no dia 26 de maio. Dr. Bashar registrou no dia 21 de abril a candidatura no equivalente ao nosso Tribunal Superior Eleitoral. Até agora tem mais dois pré-candidatos e é provável que ainda teremos mais outros dois. Uma eleição com cinco candidatos, que é o que o Brasil tinha no período entre 1945 e 1960, quando ocorreram eleições no país a cada cinco anos.  

E, arrisco afirmar aqui, que o Dr. Bashar será reeleito para mais um mandato de sete anos, e já no primeiro turno. Meu palpite é que ele obterá mais de 75% dos votos válidos. Ele é muito popular e muito querido pelo povo. 

Eleições na Palestina 

Vamos ainda comentar muito sobre as eleições na Palestina ocupada. Não ocorrem eleições por lá desde 2006, portanto há 15 anos. A Palestina vive a mais longa ocupação de um país por outro, na história moderna, desde que criou-se o Estado de Israel a partir de 14 de maio de 1948. Nestes 73 anos a ser completado em maio próximo, os palestinos foram ficando com cada vez menos terras sob o seu controle.  

De qualquer forma, quero apresentar o calendário do processo eleitoral. A data das eleições parlamentares será no dia 22 de maio – sábado. Os dois partidos mais fortes para essas eleições legislativas – uma espécie de Câmara dos Deputados – são o A Fatah e o Hamas, que é mais forte na Faixa de Gaza e não integra a OLP.  

Em seguida, no dia 31 de julho – também sábado, ocorrerá a sucessão na Autoridade Nacional Palestina – ANP, que funciona como uma espécie de Estado da Palestina, hoje sob a presidência de Mahmoud Abbas, de 85 anos. Não sei se ele se candidatará a mais um mandato. Ele que é um dos últimos remanescentes da fundação da OLP em 1965, junto com Yasser Arafat.  

Por fim, no dia 31 de agosto – sábado, teremos eleições para o Conselho Nacional Palestino – CNP, que funciona como uma espécie de parlamento no exílio. O CNP é o órgão máximo de decisão da Organização para a Libertação da Palestina – OLP. Palestinos em todo o mundo escolhem seus representantes, que funcionam como deputados. O CNP tem funções distintas do que o Parlamento palestino tem, cuja eleição será em 22 de maio. 

Vamos acompanhar de perto esse processo sucessório e daremos notícias em nossas colunas nos jornais e em nossos comentários nos programas semanas que temos nas TVs por streaming.  

*

As sanções norte-americanas à Rússia - José Luís Fiori

Por José Luís Fiori

Por José Luís Fiori 

Segundo Halford Mackinder, “quem controla o ‘coração do mundo’ comanda a ‘ilha do mundo’, e quem controla a ‘ilha do mundo’ comanda o mundo”. A ‘ilha do mundo’ seria o continente eurasiano, e seu coração estaria situado – mais ou menos – entre o mar Báltico e o Mar Negro, e entre Berlim e Moscou.
(J. L. Fiori. A geopolítica anglo-americana. In: História, Estratégia e Desenvolvimento. Petrópolis: Vozes, 2014, p. 141).

Halford Mackinder (1861-1947), o pai da geopolítica anglo-americana, formulou no início do século XX uma teoria sobre a distribuição espacial do poder mundial e traçou uma estratégia correspondente de conquista e controle anglo-saxão do poder global. Sua teoria e estratégia foram na verdade uma sistematização e racionalização daquilo que a Inglaterra já vinha fazendo desde o fim das Guerras Napoleônicas, quando o Foreign Office inglês definiu, pela primeira vez, a Rússia imperial dos Romanov como principal concorrente do poder britânico na Europa, na Ásia Central e, inclusive, na América. A mesma estratégia que depois se manteve no século XX, com relação à Rússia comunista de Vladimir I. Lênin a Mikhail Gorbachev, e segue vigente hoje, com relação à Rússia nacionalista e conservadora de Vladimir Putin.

No século XIX, esta preocupação britânica foi a verdadeira origem da chamada Doutrina Monroe, que foi de fato formulada e sugerida aos americanos pelo ministro das Relações Exteriores da Inglaterra, George Canning, e que depois de ser rejeitada pelo presidente James Monroe, foi apropriada e anunciada por ele como sendo de sua própria lavra, no seu discurso ao Congresso americano, de dezembro de 1823.[i]

No final do século XIX, e em particular durante o século XX, essa estratégia de isolamento da Rússia adquiriu uma nova dimensão, e um objetivo mais específico, a partir da “primeira unificação” da Alemanha, em 1871, como fica quase explícito na visão de Mackinder, que aparece na epígrafe deste texto: não permitir jamais que a Rússia e a Alemanha estabelecessem entre si algum tipo de aliança estratégica ou de interdependência econômica que lhes permitisse hegemonizar a Europa, e, como consequência, controlar o poder mundial.

A mesma ideia foi retomada pelo diplomata americano George Kennan, em seu famoso telegrama de 22 de fevereiro de 1946, no qual defendia a necessidade de “contenção permanente” da URSS, ideia que foi referendada por Winston Churchill em seu famoso discurso no Westminster College, na cidade de Fulton, Missouri, em 5 de março de 1946, quando propôs a criação de uma espécie de “cortina de ferro” separando a Europa Ocidental da URSS e seus países aliados da Europa Central.

Essa mesma doutrina estratégica está sendo retomada agora – de forma ainda mais radical – pela nova administração democrata de Joe Biden e seu chefe do Departamento de Estado, Antony Blinken, com relação à Rússia de Vladimir Putin. Houve aumento das sanções, das ameaças e da pressão militar em cima exatamente do eixo que conecta o Mar Báltico com o Mar Negro, e que envolve interesses estratégicos diretos da Alemanha e da Rússia em torno da Ucrânia e da Crimeia, na região do Mar Negro, e em torno da Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia, na região do Mar Báltico.

É essa mesma estratégia de bloqueio e distanciamento entre Rússia e Alemanha que explica o veto cada vez mais agressivo dos norte-americanos ao projeto de construção do gasoduto “Nord Stream 2”, que começa na cidade de Vyborg, noroeste da Rússia, e chega até a cidade de Greifswald, no nordeste da Alemanha, passando pelo fundo do Mar Báltico, com 1.230 km de extensão e um custo previsto de U$ 10,5 bilhões. Este gasoduto já está instalado em 95% da sua extensão, e ao ser concluído dobrará a capacidade do Nord Stream 1.

Este foi concluído em 2011, com uma capacidade para 55 milhões de metros cúbicos de gás por ano, e com a instalação do novo pipeline, passará para 110 milhões de metros cúbicos por ano. O projeto desse gasoduto do Mar Báltico inclui sua alimentação terrestre na Rússia, sua parte submersa e inúmeras ligações através da Europa Ocidental, e foi financiado por um consórcio liderado pela empresa russa Gazprom, associada com as alemãs Uniper e Wintershall, a austríaca OMV, a francesa Engie e a anglo-holandesa Shell.

Nos seus quatro primeiros meses, o governo Biden já praticou mais duas rodadas de novas sanções contra todas as empresas e governos envolvidos no projeto, e ameaçaram transformar seu veto numa “linha vermelha” intransponível, com ameaças ainda mais graves e destrutivas do que as que já foram feitas, sobretudo com relação ao governo da Alemanha. Nessa sua geopolítica, os EUA contam com o apoio da Polônia, da Ucrânia e dos países bálticos e nórdicos, além de uma parte significativa dos governos e forças políticas da própria União Europeia.

Apesar disso, a Rússia tem insistido na natureza exclusivamente comercial de seu projeto conjunto com os alemães, até porque a Alemanha já recebe o gás russo através do próprio Nord Stream 1, além de outros dois pipelines que atravessam a Ucrânia e a Turquia, sem que esses projetos tenham sido vetados no momento de sua construção. No entanto, deve-se lembrar que essas “autorizações” aconteceram antes da intervenção militar russa na Síria, que consagrou um novo patamar na correlação de forças militares entre a Rússia e os Estados Unidos, e, em particular, com relação às forças da OTAN.

Pelo lado da Alemanha, entretanto, o panorama aparece mais complexo e indefinido, e neste momento os olhos estão postos nas eleições gerais do próximo mês de setembro, quando será eleito(a) o(a) substituto(a) de Angela Merkel, chanceler desde 2005. E a posição alemã frente ao seu projeto do Nord Stream 2 tem estado no epicentro das discussões eleitorais: o Partido Socialdemocrata apoia majoritariamente o projeto, mas hoje é apenas a terceira ou quarta força política da Alemanha, mas o próprio Partido Democrata-Cristão de Angela Merkel está dividido com relação ao tema; e os Verdes, finalmente, que são a segunda força política do país, opõem-se terminantemente ao projeto do gás russo.

A chanceler, Angela Merkel, não vê diferença entre o projeto do Nord Stream 2 com relação aos demais gasodutos que já fornecem gás russo aos alemães e europeus, e considera que a oposição americana atual envolve questões políticas e geopolíticas que transcendem os campos econômico e energético propriamente ditos. O mesmo pensa Gerard Schroeder, antigo chanceler socialdemocrata e atual dirigente do consórcio Nord Stream AG, que lidera o projeto do gasoduto, que considera que o Nord Stream 2 é uma alternativa energética eficaz e “limpa” ao uso do carvão e da energia nuclear, e que resolverá o problema da escassez energética da Alemanha por várias gerações. Além disso, Schroeder considera que o gás russo fracking gas é menos caro, de melhor qualidade e menos agressivo ecologicamente do que o fracking gas americano.

Nessa mesma linha, mas utilizando uma linguagem ainda mais agressiva, o ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, denunciou as sanções americanas como uma “severa intervenção nos assuntos internos da Alemanha e da Europa”,[ii] e o ministro de Relações Exteriores alemão, Helko Maas, chegou a tweetar que a “política de energia europeia tem que ser decidida pelos europeus, não pelos Estados Unidos”.[iii] Assim mesmo, o projeto está “no ar” e é provável que se manterá assim até as eleições gerais do mês de setembro, apesar de que os russos estejam avançando por sua própria conta para concluir os cerca de 150 km que ainda faltam para completar a construção desse gasoduto russo-alemão. Mas não há dúvida de que a solução do impasse parece cada vez mais embaralhada pelo aumento das tensões geopolíticas e militares entre Estados Unidos e Rússia, e, portanto, seu desfecho é imprevisível, ou pelo menos deverá ser adiado ainda por algum tempo.

Enquanto isto, entretanto, os produtores de gás liquefeito americano conseguem ir conquistando e se estabelecendo dentro do mercado europeu, expondo uma vez mais a relação direta que existe entre a geopolítica e sua luta pelo poder, e a conquista e monopolização dos mercados mundiais de petróleo e de gás pelas grandes empresas produtoras e exportadoras de petróleo e gás.

É como reconhece e denuncia a Associação de Negócios do Leste da Alemanha (OAOEV), quando declara que “na prática, a América quer vender seu gás liquefeito na Europa e suas sanções americanas visam expulsar seus competidores do mercado europeu”.[iv] Uma lei de ferro que transcende esta conjuntura imediata, e que se repete todos os dias no mundo do petróleo e do gás, e em toda a “economia de mercado capitalista.[v]

Notas

[i] Fiori, J.L.; “ O poder global dos Estados Unidos: formação, expansão e limites”, in Fiori J.L. (org), O Poder americano, Vozes, Petrópolis, 2004, p, p:73.

[ii] “Germany, EU, decry US Nord Stream sanctions”, Deutsche Welle, 21 December 2019.

[iii] “Ukrania and Russia look to strike new gas deal amid US sanctions threats”. CNBC, 16 December 2019.

[iv] “Nord Stream 2 gas pipelines faces sanctions under Us defense bill”. Deutsche Welle 12 December 2019.

[v] “Os ‘grandes predadores’ que estão na origem do capitalismo junto com os grandes e sistemáticos ‘lucros extraordinários’ foram a verdadeira mola propulsora do capitalismo, por cima da economia de mercado na qual se produzem e acumulam apenas os ‘lucros normais’, incapazes por si só de explicar o sucesso originário europeu, na acumulação e concentração da riqueza mundial”. (Fiori, J. L. Formação, expansão e limites do poder global. In: ______. [Org.]. O poder americano. Petrópolis-RJ: Vozes, 2004, p. 31).

*

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

________________________* QUARKS, LÉPTONS e BÓSONS ________________________* COMUNISMO de DIREITA e NAZISMO de ESQUERDA. É o FIM da PICADA...! ________________________* http://www.nano-macro.com/?m=1

9