EXASPERANTE - DICOTOMIA

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A exasperante hipótese da reviravolta e a diferença entre suspeição e impedimento

Por Juarez Tavares e Carol Proner 

Não será uma semana fácil, assim como não têm sido as anteriores, mas nesta teremos algo determinante: o Supremo Tribunal Federal exercerá absoluto protagonismo no deslinde de importantes questões nacionais. 

O dia 14 de abril já era esperado pelo julgamento dos recursos da PGR contra a decisão monocrática do ministro Edson Fachin, a decisão que anulou todos os processos contra Lula que tramitam na 13ª Vara Federal de Curitiba. Para o mesmo dia 14, o presidente da Corte agendou julgamento sobre a instauração da CPI da Pandemia, o que torna a pauta estreita para dois temas fundamentais.

O Brasil é campeão de mortes pela Covid-19, campeão de contágio e de falta de vacinas ao mesmo tempo em que o flagelo da fome já atinge 19 milhões de pessoas. Não há dúvida de que a CPI da Covid tem absoluta prioridade mas, seja como for, é imperativo que o “Caso Lula” também tenha fim. E tenha fim conforme a Constituição, o Estado Democrático de Direito e o Devido Processo Legal. 

Paira no ar a possibilidade de “reviravolta no colegiado”, conforme palavras de Fachin à Revista Veja referindo-se à possibilidade de anulação do que fora decidido pela Segunda Turma do STF no julgamento do HC que reconheceu a parcialidade e a consequente suspeição do ex-juiz Sérgio Moro em processos contra Lula. 

Lembremos que, na decisão monocrática, o ministro declarou a perda de objeto do HC 164.493 por reconhecer a extensão das nulidades, com fundamento no arti 21,IX do Regimento Interno do STF. 

Pois bem, eis algo que é exasperante como mera hipótese jurídica, mas também pelos efeitos políticos. Vejamos: 

Do ponto de vista jurídico, o ponto central da controvérsia está na diferença entre suspeição do juiz e de sua incompetência. 

Inicialmente caberia distinguir entre impedimento e suspeição. O impedimento se inclui entre os elementos negativos dos pressupostos processuais, enquanto a suspeição diria respeito à higidez e integridade do procedimento. De qualquer modo, uma vez declarado suspeito o juiz da causa, seriam nulos todos os atos por ele praticados desde o momento em que se mostrem presentes os motivos da suspeição (art. 564, I, CPP). Quando se tratar da incompetência, serão nulos apenas os atos decisórios (art. 567). 

Uma questão que se coloca diz respeito à preferência das duas declarações, de suspeição e de incompetência. Como a competência constitui a medida da jurisdição, e a incompetência, portanto, também um pressuposto processual negativo, tal como no caso do impedimento, poder-se-ia pensar que tivesse preferência em seu reconhecimento (RIESS, Peter. Die Strafprozessordnung und das Gerichstverfassungsgesetz, Grosskommentar, Berlin: De Gruyter, 1999, p. 296 e ss.). 

Assim, uma vez reconhecida a incompetência do juízo, ficaria prejudicada a arguição de suspeição. Ocorre, porém, que o Código de Processo Penal dispõe expressamente que, em caso da existência de mais de uma exceção (de suspeição e de incompetência), a de suspeição terá preferência a qualquer outra (art. 96), salvo se sobrevier por motivo superveniente. 

É que o acusado tem direito subjetivo, em um processo penal democrático, a ser processado e julgado por um juiz imparcial, independentemente da competência ou incompetência do juízo. Assim, mesmo que se reconheça a incompetência do juízo, isso não implica a perda de objeto da arguição de suspeição. Ao estabelecer a preferência para a declaração de suspeição, a regra do código nada mais faz do que se ajustar aos princípios de um Estado democrático de direito e dos pactos internacionais de proteção de direitos, que serão plenamente atendidos à medida que, no caso de juiz suspeito, sejam declarados nulos todos os atos processuais e não apenas os atos decisórios. 

A não decretação de suspeição por força de um entendimento de que a declaração de incompetência lhe seria antecedente fere não apenas a regra legal, mas também até mesmo a lógica do sistema. Se os atos praticados por juiz suspeito são nulos, e esses atos congregam não apenas as decisões, mas também os atos instrutórios e qualquer outro despacho, por exemplo, a busca e apreensão e a prisão preventiva, não poderiam subsistir em novo procedimento a ser presidido por um juiz competente, que, segundo a regra do código, poderia aproveitá-los. 

Seria absolutamente incoerente que a ordem jurídica declarasse suspeito um juiz, mas deixasse de lado essa suspeição, uma vez afirmada sua incompetência, e ainda pudesse aproveitar os atos nulos não decisórios. Os atos absolutamente nulos jamais podem ser aproveitados. A regra de preferência da suspeição, por isso mesmo, é irretocável. 

Do ponto de vista político, uma pergunta que serve como resposta: e já não são suficientes os irreparáveis danos trazidos pela Operação Lava Jato às eleições de 2018 e ao próprio país? 

Recentes pesquisas indicam que o ex-Presidente Lula, mesmo após feroz campanha difamatória no bojo da fraudulenta operação de combate à corrupção, aparece entre os primeiros nas intenções de votos. Mesmo tendo sido duramente acusado, condenado e aprisionado por um conluio que envolveu procuradores, juiz e mídia corporativa, o ex-mandatário aparece como favorito em alguns cenários, e isso como efeito da restituição, pelo STF, dos seus direitos políticos. 

Uma importante matéria publicada no jornal francês Le Monde no dia 10 de abril merece a nossa reflexão a respeito de como o mundo nos vê. A matéria, assinada por Nicolas Bourcier e Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) da universidade Sciences Po de Paris, traz os detalhes da transação lesiva aos interesses nacionais por intermédio do discurso do combate à corrupção. Os autores mencionam o início da trama já em 2007, tendo Sério Moro cumprido um papel decisivo no contexto do Projeto Pontes para operar dentro do poder judiciário a flexibilização de provas em casos de corrupção. 

Segundo Bourcier e Estrada, referindo-se aos integrantes da Operação Lava Jato: “Eles entregaram tudo o que os americanos precisavam para detonar os planos de autonomia geopolítica brasileiros, cobrando um preço vergonhoso: que parte do dinheiro recuperado pela aplicação do FCPA voltasse para o Brasil, especificamente para um fundo gerido pela própria "lava jato". Os americanos, obviamente, aceitaram a proposta. 

O jornal francês também esclarece os ganhos políticos da Lava Jato que, depois condenar Lula e tirá-lo de jogo nas eleições de 2018, possibilitou ao ex-juiz colher os louros de seu trabalho ao aceitar ser ministro da Justiça do novo presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, os norte-americanos puderam se gabar de pôr fim aos esquemas de corrupção da Petrobras e da Odebrecht, junto com a capacidade de influência e projeção político-econômica brasileiras na América Latina e na África.  

Esta não é a primeira matéria que enquadra a Lava Jato no cenário geopolítico regional das chamadas guerras híbridas e, por vezes, parece que os detalhes processuais do caso nos fazem perder a dimensão do que realmente está em jogo no voto de cada Ministro. 

Portanto, o que será decidido a partir do dia 14 vai muito além do caso Lula e do direito de participação popular em 2022. O que se discute essencialmente é a restituição do autorrespeito, pelo STF, do judiciário como poder soberano diante de ofensivas transnacionais de novo tipo. 

E pela ordem jurídica, o que se discutirá fundamentalmente é o não retrocesso a um direito subjetivo e inalienável: o de ser julgado por um juiz imparcial. O pleno da Corte não é instância recursal em relação à Turma e nem mesmo o colegiado, na sua máxima plenitude, pode reescrever a história: a regra de preferência da suspeição, como já dissemos, é irretocável e os atos praticados por um juiz suspeito são absolutamente nulos e jamais podem ser aproveitados.

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Após divulgação de conversa entre Bolsonaro e Kajuru, plenário do STF deve confirmar instalação de CPI

Supremo quer instalação de CPI da Pandemia

247 - A divulgação de uma conversa pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) em que Jair Bolsonaro revela a intenção de usar a CPI da Pandemia para perseguir governadores, prefeitos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), causou indignação na Corte Suprema e os magistrados deverão confirmar a liminar do ministro Luís Roberto Barroso, que determinou por meio de liminar que o Senado instale o colegiado, durante sessão do plenário do tribunal, marcada para esta quarta-feira (14). A informação é da coluna da jornalista Bela Megale, de O Globo

A avaliação dos ministros do STF é que a divulgação do diálogo surtiu efeito contrário do esperado por Bolsonaro, uma vez que qualquer recuo significaria ceder à intimidação que o ex-capitão tenta colocar sobre a Corte para impedir a abertura da CPI que visa apurar supostos crimes e omissões do  governo federal no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

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De 'O Diário de Anne Franke' a 'O pianista', dez filmes que tratam de nazismo

Os premiados 'A escolha de Sofia' e 'A lista de Schindler' estão em seleção disponivel no streaming
O Globo
12/04/2021 - 04:47

A estreia do eleogiado "O protocolo de Auschwitz" -  baseado em história real de dois judeus que fugiram do campo de concentração com ajuda de outros prisioneiros para poder contar ao mundo as atrocidades cometidas no local - inspiram uma lista com outros filmes sobre o tema.

'O diário de Anne Frank’

Muitas foram as adaptações do mais famoso diário escrito durante a ocupação nazista na Europa, mas a versão humanista do mestre George Stevens (1959) obteve o melhor resultado ao imprimir um ritmo propositalmente moroso à narrativa, de tal modo que faz o público experimentar a sensação de tempo estagnado e claustrofobia de Anne Frank. O longa foi indicado a oito Oscar (incluindo filme e direção) e levou três (atriz coadjuvante, fotografia e direção de arte). Telecine Play.

‘Fugindo do inferno’

O diretor John Sturges, um craque na diversão escapista, pegou um elenco estelar, liderado por Steve McQueen, e transformou essa história real num filme (1963) divertido e cativante. São três horas imperceptíveis que celebram a resistência das forças aliadas em meio à truculência nazista. Foi indicado ao Oscar de melhor montagem. Apple TV.

‘O Expresso de Von Ryan’

A abordagem realista do diretor Mark Robson é um dos etrunfos dessa aventura eletrizante protagonizada (1965) por Frank Sinatra, que entrega uma de suas melhores performances como ator. O projeto foi indicado ao Oscar de efeitos sonoros. Oldflix

‘A escolha de Sofia’

 O filme do diretor Alan J. Pakula foi o responsável pela popularização da expressão “escolha de Sofia”, que passou a significar tomar uma decisão difícil, que requer, às vezes, um sacrifício pessoal. Apesar de ter levado o Oscar de atriz coadjuvante por “Kramer vs. Kramer” em 1979, Meryl Streep ganhou o seu primeiro por atriz principal neste filme, e foi assim que se iniciou o mito em torno de seu nome, com três premiações em 21 indicações. Netflix, Telecine Play, Now.

‘A lista de Schindler’

Baseado em uma história real, é o filme que rendeu o primeiro Oscar de direção a Steven Spielberg e também marca seu amadurecimento artístico. O longa (1993) estrelado por Liam Neeson levou sete Oscars, incluindo o de melhor filme, e evoca com perfeição a importância de agir e de tentar mudar, de alguma maneira, uma situação desumana e brutal. Netflix, Telecine Play, Apple TV.

‘A vida é bela’

 O belo filme (1997) dirigido, cooescrito e estrelado pelo italiano Roberto Benigni demonstra como a fantasia é vital para se criar esperança e escapar de uma realidade extremamente violenta. Para isso, Benigni se inspirou na ótima filmografia do mestre Charlie Chaplin. O longa foi indicado a sete Oscars, levando três: filme internacional, ator para Benigni e trilha sonora para Nicola Piovani. Telecine Play, Oldflix, YouTube.

‘Matemática do diabo’

A cineasta Donna Deitch usou como norte o seriado “Além da imaginação”, de Rod Serling, para transportar o espectador para realidade de um campo de concentração pelos olhos da personagem Hannah, interpretada por Kirsten Dunst. Donna Deitch ganhou com o filme (1999) o Daytime Emmy, prêmio da Academia Nacional de Artes e Ciências da Televisão de Nova York. YouTube.

‘O pianista'

O emocionante filme (2002) que rendeu o Oscar de melhor diretor para Roman Polanski é inspirado na biografia do pianista Wladyslaw Szpilman, que foi forçado a morar e se esconder no Gueto de Varsóvia durante a ocupação nazista. O longa recebeu sete indicações ao Oscar e, além da consagração de Polanski, ganhou os de ator (Adrien Brody) e roteiro adaptado (Ronald Harwood). YouTube.

‘O menino do pijama listrado'

O comovente livro de John Boyne ganhou uma abordagem sensível e pungente nas mãos do diretor Mark Herman (2008). Temas como a esperança, a amizade e, principalmente, a inocência contrastam, com equilíbrio, com os tempos terrivelmente sombrios da Alemanha do período nazista. Claro TV, Apple TV, YouTube.

‘O filho de Saul’

O virtuosismo técnico do cineasta húngaro László Nemes (2015) fica a serviço de uma abordagem nada sentimental, e até certo ponto desumanizada, para tratar a culpa. Ao mesmo tempo, ilustra um triunfo moral e ético sobre a crueldade dos campos de concentração nazistas. Vencedor do Oscar de melhor filme internacional. Claro Video, Apple TV, YouTube.

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'O protocolo de Auschwitz', filme emocionante sobre atrocidades no nazismo

Bonequinho aplaude sentado longa sobre judeus que fugiram de campo de concentração
Mario Abbade
12/04/2021 - 04:55
O filme é uma coprodução entre Alemanha, Eslováquia, Polônia e República Tcheca. Foto: Divulgação
O filme é uma coprodução entre Alemanha, Eslováquia, Polônia e República Tcheca. Foto: Divulgação

Apesar dos inúmeros filmes sobre atrocidades cometidas pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial, o tema não se esgota, inclusive porque ainda existem muitas outras histórias que  não chegaram ao conhecimento público. “O protocolo de Auschwitz” é mais uma produção que investe nesse filão ao contar a saga de Freddy e Walter - dois jovens judeus eslovacos que foram deportados para Auschwitz em 1942. Em 10 de abril de 1944, eles conseguiram escapar. O que torna a trama mais interessante é a motivação da dupla: divulgar evidências para comprovar as brutalidades que aconteciam em Auschwitz.

O projeto dirigido e coescrito por Peter Bebjak foi o escolhido para representar a Eslováquia na disputa pelo Oscar de melhor filme internacional. O longa não entrou na lista final, mas tem tantas qualidades dramatúrgicas e estéticas que merecia melhor sorte. Bebjak acerta em não sustentar a proposta em um viés sentimental. Ele detalha a fuga de Freddy e Walter e as crueldades sofridas pelos outros prisioneiros por terem ajudado a dupla, sabendo equilibrar o medo, numa chave psicológica, com a violência física sem cair no exagero.

Esteticamente, Bebjak investe num acinzentado escuro, quase sem cor, para retratar o ambiente nefasto do campo, em que a claridade vai aumentando conforme os fugitivos se aproximam da liberdade. A câmera fechada e muitas vezes posicionada na altura dos ombros dos personagens visa a dar uma ideia de claustrofobia e desorientação. Nos créditos, Bebjak usa discursos atuais de presidentes e ex-presidentes para ilustrar que xenofobia, racismo e homofobia continuam presentes, assim como eram na época da Alemanha nazista.

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Laerte fala sobre medo da morte por Covid-19 e conta sofrer de síndrome da impostora

Cartunista, que prepara um romance gráfico, reflete sobre os dez anos desde que anunciou transição de gênero e sobre a relação com o corpo aos 69 anos
Maria Fortuna
14/03/2021 - 04:30 / Atualizado em 14/03/2021 - 18:15
Laerte Coutinho após internação por Covid-19: 'Uma parte de mim pensou que fosse morrer' Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Laerte Coutinho após internação por Covid-19: 'Uma parte de mim pensou que fosse morrer' Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

O lado mais dramático de Laerte pensou que ela fosse morrer no hospital, onde ficou internada por dez dias com Covid-19. O mais racional, focado no atendimento médico de ponta que recebia no Instituto do Coração, em São Paulo, martelava que iria escapar. A cartunista está acostumada com essa dicotomia interior. Diz que a culpa pode ser do signo. Ela é gêmeos e não consegue "se fixar em lugar nenhum". A prova mais concreta dessa dualidade talvez seja sua própria existência, transformada após um processo de transição de gênero que se tornou público em 2010.

O fato é que a face otimista da artista, ainda bem, venceu a peleja, e ela sobreviveu para continuar tacando fogo no parquinho. Não só pelo que representa sua própria figura, mas também pela verve ácida com que escancara as feridas sociais e políticas do país por meio de tiras, charges e quadrinhos.

A cartunista, que ajudou a fundar o moderno humor gráfico paulistano e criou personagens emblemáticos como os Piratas do Tietê, ainda sente a rebarba do coronavírus em forma de cansaço. Mas já retomou o desenho, condutor de sua relação com a vida e com o mundo. Também recobrou o romance gráfico baseado em sua experiência sexual e política entre 1960 e 1970.

Nesta conversa, Laerte diz sofrer com a síndrome de impostora e conta sobre sua relação com o corpo aos 69 anos.

O que passou pela cabeça quando estava no hospital?

Pensava: "Gente, e se eu morrer agora, quem vai cuidar da minha gata?". Brincadeira. Estava preocupada com ela, mas sabia que meu filhos estavam cuidando. Fiquei considerando morrer, mas não com muita intensidade. Acho que sou meio resistente à ideia de que vou morrer. Chegavam notícias de pessoas que ficaram 40, 50 dias internada, e eu: "Como vou sair daqui?".

A cartunista Laerte, que se recuperou após dez dias internada com Covid-19 Foto: Edilson Dantas / O Globo
A cartunista Laerte, que se recuperou após dez dias internada com Covid-19 Foto: Edilson Dantas / O Globo

A experiência dos médicos dentro do Incor é rica e tranquilizadora. Não sei como está agora, que as UTIs estão passando por situações críticas. Ficar ali tem esse lado assustador, a gente pensa em tubos entrando, arames passando, estruturas teatrais, mas não foi o que aconteceu. Fiquei conectada a sensores. Estava monitorada porque a progressão da Covid, no ponto em que eu estava, podia se agravar ou atenuar, que foi o que aconteceu. É para isso que serve a UTI, não é uma sala de espera do velório.

Você esperava a comoção que houve em torno da sua internação?

Fiquei comovida. É um conforto, ajuda a superar. Claro que não se vence o vírus com tapinhas nas costas ou bons fluídos, mas você se sente mais poderosa para enfrentar, o corpinho responde de outra forma. E também tinha aquela parte de mim achando que não mereço uma coisa dessas. Conhece a síndrome da impostora, né? Sofro com ela... Pensava: "Será que essas pessoas não estão me enganando?" Ou: "Será que eu estou enganando essas pessoas?" Porque... o que eu fiz, né?

A síndrome da impostora seria o lado mais difícil da sua existência com que tem se confrontado atualmente?

Sim. Tenho me preocupado e trabalhado isso na análise. Não é pouca merda, não... Nem é simples. O mantra é esse: "Tenho medo que as pessoas descubram que sou uma fraude". Eu não sou uma fraude, mas vai me convencer disso (risos)... É uma luta permanente em busca de um tipo de segurança.

Outro dia, alguém me mostrou um filminho de um estudo sobre pessoas que têm dificuldade em reconhecer suas limitações. Quanto mais despreparada ou limitada para uma determinada coisa, mais ela tem dificuldade em averiguar que essa limitação existe mesmo. Como não tem nem conhecimento nem disposição para ter conhecimento, se acha o máximo, supercompetente para aquele tipo de coisa. Uma espécie, assim, de Sergio Moro (risos).

Por outro lado, tem a pessoa que tem conhecimento, competência, talento para fazer aquilo, mas tem dificuldade de reconhecer que sabe. Aí se enquadra a tal da síndrome da impostora.  É um universo difícil de lidar.

Desde que fez a transição de gênero, você tem nas roupas que veste uma forma de expressão. Como é não poder usar esse artifício na rua durante a quarentena?

Uso em casa mesmo. O que não tenho feito desde que começou a pandemia é comprar roupa, só máscaras (risos). Não gosto de comprar on-line. Tenho que olhar, sentir, ver como fica. Não me arrumo como se fosse para uma balada, mas como gosto, informalmente, nesse que é meu modo de vestir há dez anos, com roupas femininas. Às vezes, minha mãe pergunta: "Você nunca mais vai usar calça?". Respondo: "Não!". Gosto de sentir coxa com coxa.

Sua mãe lida bem, parece ter um humor...

Tenho essas conversas amenas com minha mãe. Ela acompanha tudo desde de primeiro dia, ofereceu vestidos dela. Quando eu disse: "Mãe, vai sair na imprensa que me visto de mulher, e é verdade, viu?". Ela falou: "Ah, é? Tenho uns vestidos que podem te interessar". Essa é a minha mãe, mas que também se preocupou com o país em que a gente vive, me mandou tomar cuidado ao sair na rua. Minha mãe tem um humor bárbaro, espero ter herdado isso dela....

Fez dez anos desde que anunciou publicamente a sua transição de gênero. Que impacto isso teve na sua vida?

Mudou tudo e nada. Porque passei a ter uma presença feminina em público, mas, ao mesmo tempo, não me tornei uma mulher. Continuo sendo a mesma pessoa, só que no feminino. Me flexiono no feminino, me represento no feminino. Mas não me vejo como uma mulher, me vejo como uma mulher trans. São essas coisas da modernidade...

Continuo sendo a mesma pessoa, que faz o mesmo trabalho. Mas meu trabalho mudou, porque a ordem das preocupações sociais, culturais e sexuais em torno do mundo e do nosso país também mudou. Vou pensando as coisas e reconsiderando, meu pensamento muda. Para piorar, sou de gêmeos (risos)...

Então, meu modo de construir as histórias também mudou. É isso, é um baile que acontece aqui dentro de mim, das coisas que mudam e das coisas que não mudam. Me dá o prazer dessa dança?

Seu personagem Hugo virou Muriel ao mesmo tempo em que você fez a transição. No quer ter essa "companhia" te ajudou nesse processo?

Quando trabalhava com personagens, uma coisa que me agradava era quando ele ganhava vida própria. Parece clichê de autora de quadrinhos, mas é verdade, acontece. Quando ele reflete de uma maneira completa e harmoniosa, quando há sintonia entre criadora e criatura, acontece de ele te surpreender. Quando você percebe, já fez. E você pensa: "De onde saiu isso?".

Foi o que aconteceu com o Hugo. Eu já vinha usando o travestimento como um recurso farsesco para ele. Hugo precisava fugir da polícia? Se vestia de mulher. Daí, gostava. Mas tudo estava no contexto da farsa, da comédia. Até que, um dia, ele fez isso: botou uma peruca, um vestido, se depilou e saiu na rua falando: "Às vezes, uma pessoa tem que se montar".

Achei aquilo tão surpreendente... e mandei a tira assim mesmo. E ela foi reconhecida por pessoas trans imediatamente. Entenderam que quem fez aquela tira é trans também ou estava muito perto de ser (risos). Daí, fui convidada a participar de grupos de crossdressers, era assim que se chamava. Acabei, de diversas formas, me somando a essa população. E compreendendo que é uma população enorme, que sofre de diversas maneiras. Mas aí já é outra conversa...

A morte do seu filho, Diogo, também foi um deflagrador para a sua transformação...

A morte do meu filho foi em 2005. Vinha num processo de busca, de mudanças meio radicais desde 2003, incluindo a questão de gênero. Quando ele morreu, dei um breque, não me senti à vontade para continuar nessa trajetória. Aguardei mais cinco anos até chegar num ponto em que falei: "Chega! Quero isso e vou fazer". A morte do Diogo me fez acelerar as mudanças na expressão do quadrinho. Abandonei meus personagens e mudei a forma de construir os roteiros e as piadas nas águas dessa tragédia. Então, alguns processos congelaram, outros, se aceleraram.

Que medos tem hoje? Porque, como muitos homens da sua geração, deve ter sido criado para não ter medo. No entanto, a transição de gênero te coloca no lugar da população mais violentada do país...

É verdade. Acontece que entre esses dois modelos clássicos de masculino e feminino existe um grande índice de comportamentos e possibilidades que é o que a maior parte das pessoas frequenta. Para mim, ser um menino, um homem, significava jogar futebol, ter um time e tal, mas eu fazia isso de maneira flexível também. Pedia para a minha mãe me ensinar a cozinhar, a costurar, queria fazer bonequinhos. E ela nunca se furtou a isso, nunca disse que era coisa de menina.

Minha mãe, ao mesmo tempo em que é formada numa linguagem de gênero mais tradicional e conservadora, também é informada, inteligente e progressista, combina essas coisas todas. Quando me dispus a viver a transgeneridade, a vivenciar esse espelhamento em modelos femininos, não fui tentar ser a Shakira ou a Madonna. Meus modelos femininos eram... Sei lá, pensa na Rita Lee.

Eu não estava atrás de uma coisa extremamente estereotipada feminina. Mas de pessoas que me falassem ao sentimento e ao intelecto dentro dessa feminilidade. Rita Lee é um exemplo desses, é mulher, feminina, um tipo de pessoa que dá vontade de ser. Audaciosa, criativa, com respostas corajosas.

Como anda sua questão com o corpo? Chegou a pôr silicone?

Não tomo hormônio, mas há anos tomo finasterida. Em princípio, por causa da minha próstata, depois, para diminuir a testosterona e tentar ficar com mais cabelo. É um bloqueador de testosterona e um dos efeitos dela é a possibilidade de ginecomastia em homens. Estou apostando minhas fichas nisso (risos). Porque já decidi que não vou fazer implante, nem cirurgias de modelagem de corpo. Não na minha idade. Dificilmente também vou fazer algum tipo de reposição hormonal que não seja finasterida, algo leve.

No documentário "Laerte-se", você conta que sempre ocultou de si mesma a clareza de seus desejos...

Escondi que tinha tesão em homem durante décadas. Agora, não escondo mais, o que não tem é homem. Ao mesmo tempo, tem a dinâmica da minha vida, não tenho mais namorado, vontade de ter uma "parceiragem" de vida. Estou satisfeita morando e vivendo sozinha. Com a pandemia, esse sozinha virou também isolada. A minha política de encontros e acontecimentos na área afetiva ou sexual também parou. Não estou exatamente sentindo falta, estou indo em frente, aguardando o que vai ter. Não estou com ansiedade nem receio.

Você parece uma pessoa profunda. Conseguiu descobriu o sentido da vida?

Já descobri várias vezes (risos). Não gosto do termo profundo. Tem um canto em latim, o "De profundis": "Das profundezas clamo a ti, ó senhor...". É a concepção da vida como uma coisa no fundo do poço, longe da luz, da glória, da vibração, do sagrado. Tipo, aqui das minhas profundezas imploro o seu olhar, a sua luz e a sua atenção. Acontece que não me vejo nas profundezas.

Independente do que eu acho da Humanidade, da sociedade, do capitalismo, do para onde a gente vai ou não, não me vejo longe da luz, nas profundezas. Tive uma fase católica na infância, até uns 12,13 anos. Veio a adolescência e questionei tudo, perdi a fé. Uma fé que talvez nem tivesse tido. Uma fé ligada a uma situação de criança, sem compromisso adulto. Uma crença num sistema de crenças. Gosto até hoje dessa mitologia católica. Acho interessante, rica e, muitas vezes, comovente... Esse culto todo a santos, mártires, um Deus, figura masculina, velho... E tem o filho, que é homem também. É uma família que não tem uma mulher. A coisa mais mulher que tem ali é uma pomba (risos).

Não estou aqui fazendo uma crítica, dizendo "que horror". Tô tentando entender como isso representa um modelo de a gente se entender com o sagrado também. É possível se entender com o sagrado sem ser religiosa. Quando entendi isso, já na fase adulta, percebi que o sagrado não é uma coisa proibida para quem não acredita em Deus. Porque não tem Deus. Eu não tenho mais há muito tempo...

Então, não estou nas profundezas... Nem sei se estou no que a gente entende como uma situação profunda. Dizem: "Ah, fulano é muito profundo, fica pensando, elaborando". Não sei se elaboro tão fundo. Elaboro muito no raso também. Por exemplo, não acho que tenho uma área de conhecimento, uma expertise que seja marcante. Nem desenhar, nem pintar. Eu meio que voejo por todas essas áreas. Gosto de conhecer coisas, pensar e conversar sobre elas, aprender. Mas não aprendo no sentido do pré-sal (risos). Fico mais nadando com os golfinhos.

Em matéria de vida, sente um progresso que vem da experiência?

Não. Porque não tenho uma meta, entende? Não quero comprar uma casa, não tenho modelos muito claros. Por exemplo, a convivência com meus filhos não seguiu um manual muito nítido, era meio no instinto, ao sabor das ideias e dos sentimentos que tinha naquela hora. Acho que fiz tanta besteira, cometi tantos equívocos na vida que fico atenta para não cometer mais. Mas não sei a minha vida é uma coisa muito clara no sentido de um aprendizado, um aperfeiçoamento. Gostaria que fosse, mas temo que não.

Já sentiu uma fagulha de algo que chamam de "gênio"? No sentido de uma visão instantânea das coisas do mundo como são? Porque suas tiras meio que são isso... A gente olha e diz: "Caramba, como ela consegue dizer tudo?"

A palavra gênio, para mim, descreve algo muito específico. Um tempo atrás cheguei na seguinte ideia: Gênio é uma pessoa que produz uma coisa que você não sabe de onde ela tirou. Existem mestres que fazem coisas que a gente vê e pensa: "Isso é muito bem elaborado". Mas, de certa forma, a gente enxerga de onde veio, por onde a pessoa passou e como elaborou aquilo.

Agora, quando o sujeito vem, apresenta um negócio e você fala: "Que catzo! De onde essa pessoa tirou isso? É incrível!". Daí vem a ideia de algo genial, na minha opinião. Para mim, Caetano Veloso é isso. As coisas que ele apresentou e me marcaram profundamente, marcaram por isso. Eu ficava pensando: "De onde isso veio? Como é possível?".

De que modo vem a sua inspiração? Sente que vem do inconsciente?

Às vezes, ela vem de algo que não acho que seja inconsciente, uma espécie de mandala da sorte (risos). Acho que uma série de acasos se combinam para que uma determinada ideia seja plasmada numa tira e aconteça daquela forma. Aí, penso: "Poxa, foi boa essa tira".

Eu, de certa forma também fico pensando: "De onde que tirei isso?". Sei de onde tirei, claro, mas gosto dessa coisa meio surpreendente que, às vezes, o trabalho apresenta. É uma das coisas mais legais: essa capacidade de, de vez em quando, dar uma rasteira em mim mesma.

O que você faz para manter o humor, inclusive para criticar políticos que tiram o humor da gente?

Tiram o meu também! Mas não acho que depende de ter uma receita ou fórmula. É meio que você tem ou não tem. Quem falava isso? Acho que era o (Paulo César) Pereio (ator) que dizia: "Ou é fácil ou é impossível".

Enxerga luz no fim desse túnel?

Se você está me perguntando se acho que o Brasil vai superar o fascismo, o bolsonarismo, acho que sim. Não é fácil porque a gente tem percebido que o componente que propiciou a eleição dessa pessoa é muito encontradiço no Brasil. Não é a marca principal do povo brasileiro, mas, infelizmente, é uma característica que vem se revelando.

Talvez a gente tenha sido negligente em perceber, tenha feito alguma força para não entender o que estava se passando. Mas, agora, é uma realidade inquestionável, ninguém tem como negar. Existem pessoas que votaram no Bolsonaro e votariam de novo. Quantas são essas pessoas? O que fazer com elas? Hostilizá-las, segregá-las e tentar derrotá-las na queda de braço ou tentar ganhar essa gente?

Supondo que haja aliados, adversários e inimigos em graus de distância, a tarefa melhor seria transformar adversários em aliados e inimigos em adversários para não virar uma luta de morte, né?

Qual charge mais deseja desenhar?

Vou bancar a chata e pular essa pergunta. Não sei responder.

Você não gosta muito de ser objeto de atenção, de investigação, não curte dar entrevistas. Ao mesmo tempo, percebo um interesse seu em responder as perguntas. Como é viver nessa dicotomia?

Já tentei entender tudo através dessa chave... como se chama? Astrologia... (risos). Eu sou de gêmeos, não tem jeito, não tenho como me fixar em lugar nenhum. Atualmente, não levo tão a sério a astrologia e nem acho que todas as pessoas de gêmeos são desse jeito. Mas me sinto assim. Sou ambígua, me sinto de um jeito e, também, do outro. Isso nem sempre resulta em equilíbrio. Às vezes, resulta em confusão e desnorteio.  Não tenho muito o que fazer a não ser ir em frente.

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Kajuru manda recado a Kassio Nunes: "sabemos o seu preço"

Senador Jorge Kajuru e o ministro do STF Kassio Nunes Marques

247 - O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) mandou recado a Kássio Nunes Marques, ministro indicado por Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF). "Kassio, nós sabemos seu preço", tuitou, compartilhando uma reportagem da revista Época que sinaliza que o magistrado seria o único que votará contra a instalação da CPI.

Kassio Nunes vem sendo algo de duras críticas por ter liberado a realização de cultos e missas diante da maior crise sanitária da história do País, enquanto outros ministros da Corte posicionaram-se contra a medida. 

Ainda no Twitter, Kajuru compartilhou uma entrevista de Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS). Para o ex-ministro da Saúde, a CPI "vai pegar fogo". "Como se fosse um posto de gasolina", acrescentou o senador. 

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Kajuru diz que avisou Bolsonaro da gravação 20 minutos antes de publicá-la

Suplente de Kajuru está entre os candidatos mais ricos de Goiás

247 - Com vinte minutos de antecedência, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) avisou ao presidente Jair Bolsonaro que publicaria nas suas redes sociais a conversa sobre a CPI da Covid que tivera com ele na véspera. A informação é do jornal Estado de S.Paulo.

“Avisei ele hoje 12h40, que a conversa nossa seria publicada a uma hora da tarde. E assim eu fiz”, disse Kajuru. Na conversa, Bolsonaro diz temer que CPI investigue só o governo federal e instrui o senador a incluir Estados e municípios.

De acordo com a reportagem, questionado se o presidente saberia que estava sendo gravado, o senador afirmou que Bolsonaro conversou “sabendo que a conversa poderia ir ao ar”, como já fez “seis, sete, oito vezes” antes.

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Lula esculhambou com a aglomeração de Bolsonaro e da direita - Moisés Mendes

Por Moisés Mendes

Lula e Bolsonaro

Por Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia

A reaparição de Lula desmontou a aglomeração dos que se divertiam, entre empresários, jornalistas de direita, pensadores liberais e agregados, escolhendo o que seria o candidato de centro para enfrentar Bolsonaro.

Um candidato arrumadinho, cheiroso, fofo e que pudesse ser apresentado como uma opção moderada, mas avançada em costumes e abnegada em relação a meio ambiente e outros temas caros aos progressistas.

Lula esculhambou com o roteiro que vinha sendo cumprido e que atendia também aos interesses de Bolsonaro, do Centrão, da direita tucana, de grileiros, milicianos e militares.

A reaparição de Lula redesenha circunstâncias, e o futuro passa a ser incerto para todos eles. Se não fosse a presença de Lula, a CPI do Genocídio poderia incomodar e fazer estragos, mas nem tanto como agora.

Com Lula assombrando a direita, qualquer dano passa a ser potencializado. Se não fosse Lula, o embate de Bolsonaro com o Supremo talvez tivesse as mesmas feições do confronto que vem desde o ano passado, com a ameaça do jipe, do cabo e do soldado e apenas sem Sara Winter.

Com Lula, temos um Bolsonaro estressado, acossado, combalido, já sem forças para brigar com o STF. Lula reapareceu e descompensou Bolsonaro.

Se não fosse a presença ostensiva de Lula, os militares do alto comando mandados embora poderiam ficar mais um tempo com Bolsonaro, como vinham ficando, com alguns desgastes, mas sem rupturas.

Com a sombra de Lula, Bolsonaro ficou mais inseguro e precisou forçar a fidelização de quem está por perto, com ou sem farda.

Se não fosse Lula, a sabotagem que leva ao genocídio da pandemia teria as mesmas consequências humanas, sociais e econômicas que vinha tendo.

Mas agora são acrescentados à tragédia humana os estragos políticos nos redutos da extrema direita, tudo por causa de Lula. A pandemia descontrolada, com Lula por perto, deixa de ser um projeto de matança e vira um problema para Bolsonaro.

Com Lula assombrando o fascismo, Bolsonaro virou um apressado atrás de vacinas e, daqui a pouco, mais um vacinado.

Se não fosse Lula, Bolsonaro continuaria dizendo bobagens, mas não diria que está se lixando para 2022. Bolsonaro é um sujeito atordoado pela presença de Lula e só pensa em 2022.

A partir de agora, Bolsonaro não enfrenta mais um candidato imaginário que a direita tentava inventar como sua fantasia centrista.

Lula também descompensou a imprensa. Muita gente ainda paga, e paga muito bem, para ler os analistas que anunciaram o retorno de Lula à política como um fato pró-Bolsonaro.

Não são ingênuos, nem desinformados, são parte da torcida da direita trabalhando para a extrema direita.

Os analistas de direita de Globo, Folha e Estadão anunciaram que, depois do processo de suspeição de Moro, quem mais deveria comemorar era Bolsonaro.

Venderam a tese da polarização, segundo a qual Lula iria favorecer a estratégia de Bolsonaro ao livrá-lo de enfrentar um moderado de centro. Mesmo que as pesquisas reafirmem que esse candidato não existe.

Por tudo isso, são articuladas as próximas manobras para que Lula deixe de assustar Bolsonaro e os que ajudaram a inventar o genocida. Anunciam, como tática do terror, que o Supremo pode reverter a suspeição de Moro.

A grande imprensa aposta na reversão e, em nome do delírio de um nome centrista, acaba trabalhando no desespero para Bolsonaro.

Globo, Folha e Estadão são hoje os maiores aliados da extrema direita, só por causa do medo provocado por Lula.

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Ex-médicos da Prevent Senior dizem que operadora obrigava a trabalharem com Covid e a receitar medicamento capaz de dar hepatite

Denúncias de médicos complicam situação de uma das maiores operadoras de saúde

247 - Médicos que trabalharam na linha de frente da Covid-19 na Prevent Senior, uma das maiores operadoras de saúde do país, afirmaram ter sido pressionados para receitar medicamentos sem comprovação científica contra a doença: cloroquina, azitromicina, ivermectina e a flutamida, indicada apenas para câncer de próstata. Esses remédios fazem parte do chamado "kit covid" e já foram receitados em várias ocasiões por Jair Bolsonaro. Os profissionais de saúde da operadora relataram que foram obrigados a trabalhar mesmo estando infectados. As mensagens foram trocadas em aplicativos de grupos da Prevent que confirmam o relato dos profissionais. A informação foi publicada pela GloboNews e reproduzida pelo portal G1

Um dos médicos foi demitido após se recusar a dar essas medicações. "Eu deixei de prescrever por um único dia acreditando nisso e acabei sendo chamado à diretoria com orientações bem claras de que eu deveria prescrever a medicação e o que ficava implícito era que se não prescrevesse a medicação você estaria fora do hospital. Voltei a prescrever a medicação por ter sido obrigado a prescrever. A autonomia, na verdade, é zero, você não tem escolha de deixar de prescrever. Se você não prescreve, você vai ser demitido", afirma um deles.

Uma segunda médica disse que a prescrição do "kit covid" foi uma orientação padrão para todos os pacientes. “Ao menor sinal de síndrome gripal, a orientação era que prescrevesse. Se o paciente teve uma coriza, você tinha que prescrever o kit. Bastava ter um único dia de evolução, algumas horas de evolução, paciente chegou, descreveu os sintomas, você tinha que entregar o kit. Eles contabilizavam o número de kits".

Outra médica pediu demissão por não concordar com essas práticas. "Todo plantão que eu ia lá sempre tem alguém que dizia, ‘olha, eu tenho que prescrever, qualquer sintoma gripal eu tenho que passar para o paciente. Então, não tem escolha, não. É diário mesmo. Então se tinha um paciente internado, aí eu deixava uma prescrição, aí vinha alguém de cima e falava ‘não, faltou tal coisa’. Ia lá, mexia na minha prescrição e colocava outra. Então isso chegou a acontecer. E aí eu acabo não exercendo aquilo que eu estudei".

Médicos infectados

Dois dos médicos afirmaram que foram obrigados a dar plantões mesmo estando infectados com o novo coronavirus. Um deles enviou o resultado do teste e a escala de plantões nos dias seguintes, comprovando que ele trabalhou mesmo infectado.

"Aconteceu algumas vezes, inclusive comigo. Eu estava com Covid, tive o diagnóstico, enviei a mensagem para o meu coordenador, avisando que estava com Covid, mandei o exame pra ele, ele pediu que eu fosse para o plantão mesmo assim para repetir esse exame lá (na Prevent Senior). O exame foi feito lá também, confirmou novamente que estava com Covid, mas ele pediu para eu continuar trabalhando mesmo assim. Não tinha escolha de poder ir para casa e continuei realmente trabalhando com um Covid", contou.

Denúncia ao MP-SP

No dia 24 de março, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma investigação com o objetivo de investigar a prescrição de medicamentos não-indicados na rede Prevent Senior. Naquele dia a Promotoria recebeu uma denúncia anônima de que "os médicos da direção da empresa estão solicitando a prescrição obrigatória para todos os pacientes internados com Covid-19 de medicações não comprovadas cientificamente", e citou a "flutamida" e o "etanercepte".

De acordo com o denunciante, "a Prevent Senior está induzindo seus médicos a prescreverem as medicações citadas sem consentimento livre e esclarecido dos familiares dos pacientes, sem estar enquadrado em nenhum estudo científico e sem protocolo institucional".

O etanercepte é um remédio para o tratamento de artrite e psoríase. A flutamida é um inibidor de hormônios masculinos, usado exclusivamente no tratamento do câncer de próstata.

A representação ao MP foi acompanhada de fotos de diálogo em um grupo de médicos da Prevent. Um diretor da operadora escreveu: "Bom plantão a todos e enfatizo a importância da prescrição da Flutamida 250 mg de 8 em 8 horas para todos os pacientes que internarem".

Outro lado

Em nota, a Prevent Senior afirmou que "jamais coagiu médicos a trabalhar doentes" e que respeita a autonomia de seus profissionais.

"A Prevent Senior jamais coagiu médicos a trabalhar doentes, o que foi atestado recentemente por vistorias de conselhos de classe. Todos os profissionais prestadores de serviço afastados, aliás, continuaram a receber salários", continuou.

"Sobre os tratamentos, a empresa dá aos médicos a prerrogativa de adotar os procedimentos que julgarem necessários, com toda a segurança e eficiência e sempre de acordo com os marcos legais, notadamente seguindo as diretrizes do Conselho Federal de Medicina. Entretanto, como a Prevent Senior não teve acesso aos supostos documentos obtidos pela Globonews, não pode esclarecer detalhadamente os questionamentos", complementou.

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Conversa de bandido, afirma Pimenta sobre intenção de Bolsonaro em mudar objetivos da CPI da Covid em conversa com Jorge Kajuru

Deputado Paulo Pimenta

247 - O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) criticou Jair Bolsonaro pela intenção em mudar o objetivo da CPI da Covid, conforme ficou demonstrado em uma conversa gravada pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO).

"Conversa de Bandido. Tem que mudar objetivo da CPI, diz Bolsonaro em telefonema a Jorge Kajuru @congemfoco", afirmou o parlamentar no Twitter

No diálogo, Bolsonaro afirmou que é necessário "fazer do limão uma limonada", em referência à pretensão de perseguir ministros do Supremo Tribunal Federal, governadores e prefeitos com a CPI. 

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No momento mais grave da pandemia, escolas municipais de SP retomam aulas presenciais a partir de hoje

247 - Com o fim da fase emergencial do Plano São Paulo, do governo do estado, as escolas municipais da capital voltam a receber alunos hoje. As instituições privadas da cidade estão autorizadas, mas nem todas decidiram pelo retorno presencial. Já na rede estadual, as aulas retornam na quarta-feira (14). A informação é do portal UOL.

A decisão da volta às aulas foi anunciada sexta-feira (9) pela gestão de João Doria (PSDB). Em março, um decreto do governo estadual já havia tornado a educação um serviço essencial, autorizando assim o funcionamento das escolas em qualquer fase do Plano SP. As atividades presenciais não são obrigatórias, e os alunos continuarão com atividades remotas.

Segundo o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, hoje e amanhã as escolas da rede reabrirão para orientar e comunicar os pais sobre o retorno, além de organizar os alunos em rodízios. 

A opção por reabrir as escolas ocorre no momento em que o números de mortes em decorrência da Covid-19 bate recordes. Apenas neste domingo (11) foram 510 óbitos. 

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