FUNDAMENTALISMO é assim, com 5 mortes ou 5000
Opinião: Ronilso Pacheco - Templos abertos: Fundamentalismo ignora 4.000 mortes em nome dos 'costumes'


Ronilso Pacheco
07/04/2021 15h57
O fundamentalismo reformado (de igrejas calvinistas) e (neo)pentecostal estão longe de qualquer semelhança da mensagem de Jesus.
Seu cuidado com as pessoas está cada vez mais comprometido com qualquer coisa —inclusive com a morte— desde que preserve o que consideram ser a "pauta dos costumes" deles.
É impossível pensar no ponto que o Brasil chegou nas últimas semanas letais da pandemia sem que se leve a sério as implicações da base religiosa-teológica que esses grupos têm proporcionado.
Já não há mais fé nem sensibilidade religiosa. Eles são os fornecedores da "consciência tranquila" de quem governa um país em que o número de mortes só aumenta diariamente.
O STF (Supremo Tribunal Federal) julga hoje (7) se libera ou não a realização de missas e cultos presenciais em meio ao agravamento da pandemia de covid-19 no país.
O julgamento acontece após decisão do ministro Kassio Nunes Marques, cuja liminar permite a abertura dos templos. A liminar de Nunes atendeu à ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) proposta pela Anajure (Associação Nacional dos Juristas Evangélicos).
A Anajure alega ter tomado sua decisão de propor a ADPF a partir dos casos que recebeu com o seu Observatório das Liberdades Fundamentais, que eles definem como tendo o objetivo de "reunir denúncias de violações às liberdades civis fundamentais, especialmente liberdade religiosa, de expressão e de movimento".
No entanto, grande parte dos casos dispostos no site da associação (neste momento há 55) trata de restrições impostas por governantes e autoridades sanitárias a instituições religiosas por não mais que 20 dias. Há casos em que a restrição mais radical é de apenas duas semanas.
O Brasil está perdendo mais de 4.000 vidas em 24 horas, e a Anajure está considerando isso, esse período de duas semanas, uma violação do direito à liberdade religiosa. Não preciso dizer que não há (ao menos com destaque) um único caso de violação de terreiro no Rio de Janeiro, por exemplo (e aconteceram vários neste último ano).
Quando a Anajure repete, para todos os casos, indistintamente, que "o nosso ordenamento jurídico confere robusta proteção às manifestações de religiosidade, assegurando a realização de cerimônias religiosas e afastando ingerências estatais", ela está reafirmando que a cerimônia é mais importante que a vida. Isso é mero fundamentalismo, nada de religião, muito menos de Evangelho.
Fundamentalistas reformados X (Neo)pentecostais
A única distinção real entre fundamentalistas reformados e (neo)pentecostais é como um enxerga o outro. Tradicionalmente, conservadores reformados veem a si mesmos como a "teologia mais pura", refinada, os ilustrados (pode ler "donos da verdade"), uma elite teológica que, no mundo inteiro, arrasta um legado racista e senso de superioridade.
Com este olhar, fundamentalistas reformados olham para pentecostais como gente de teologia "pobre", sem consistência teológica (qualquer um pode virar pastor), que cresce nas periferias justamente porque lá estão as pessoas mais pobres, pretas e, na percepção deles, manipuláveis e sem conhecimento bíblico para resistir aos "falsos pastores".
Fundamentalistas neopentecostais e pentecostais, por sua vez, veem a si mesmos como "defensores dos valores morais", querem se impor como os verdadeiros representantes dos evangélicos, devido os seus megatemplos e quantidade de membros.
Desprezam os reformados como gente que tem muito "estudo", muito "conhecimento", mas não têm representatividade, não estão perto das pessoas simples, do povo, não estão nas favelas, nos morros, nos presídios. As lideranças fundamentalistas (neo)pentecostais zombam da falta de influência que reformados teriam junto ao poder.
Mas, quando o projeto é morte e desprezo pela vida que não se encaixa no seu próprio interesse, não se engane, eles estão abraçados. Este fundamentalismo reformado e (neo)pentecostal não possuem qualquer compromisso com a vida. É por isso que a Anajure é capaz de ignorar a morte de mais de 4.000 pessoas em 24 horas e continuar sua campanha por templos abertos a todo custo.
Essa gente vai continuar caçando comunistas, marxistas, "ideologia de gênero", tratando o aborto como se fosse a única pauta importante no país, condenando a homossexualidade, acusando "cristofobia" e fingindo defender a família.
O fundamentalismo é assim, seja com dez mortos em 24 horas, seja com 5.000.
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Análise: Ronilso Pacheco - 'Viúvas de Trump' travam guerra político-cultural após eleição de Biden

Ronilso Pacheco
Colunista do UOL
26/03/2021 04h00
Os Estados Unidos vivem hoje verdadeira batalha político-cultural, fruto de uma reação ultraconservadora, com políticos republicanos e eleitores fiéis a Trump que não baixaram a guarda após a vitória do democrata Joe Biden.
É como se a invasão do Capitólio em 6 de janeiro fosse apenas um prenúncio de que a direita extremista, cristã e com seus supremacistas brancos está disposta a "tomar os EUA de volta" e inviabilizar o país para quem não é conservador, cristão ou branco.
Morre mais gente do que nasce no Brasil, e Bolsonaro agora teme protestos
Isto significa que não está em questão um debate de ideias e propostas apenas divergentes ideologicamente.
A lógica é de ataque deliberado a direitos de minorias, retorno às condições de voto à época da segregação e padrão cristão conservador determinando impositivamente o que deve ser vivido por todos
Mobilização cristã contra minorias
No dia 25 de fevereiro, a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados) aprovou o projeto da Lei da Igualdade, que em linhas gerais proíbe a discriminação com base na orientação sexual e identidade de gênero.
Agora o projeto está no Senado e o seu futuro é absolutamente incerto. A aprovação na Câmara levantou forte movimento dos conservadores americanos, principalmente os movimentos cristãos evangélicos e católicos, que estão nacionalmente mobilizados para impedir que o projeto passe.
Teoria Crítica Racial
Ao mesmo tempo, conservadores e supremacistas brancos estão em uma verdadeira caça às bruxas contra a TCR (Teoria Crítica Racial). O conceito e movimento surgiram na década de 80, entre intelectuais negros de importantes universidades americanas, principalmente da área do Direito.
A TCR se tornou fundamental ao propor que nenhuma dimensão da vida social na realidade dos EUA (educação, saúde, economia, segurança) poderia ser compreendida de maneira total e justa, sem que as implicações do racismo e a influência do período escravocrata e de segregação fossem levadas em consideração.
Pois agora a TCR passou a ser atacada diariamente, e cresce cada vez mais o argumento de que o conceito funciona como uma espécie de "racismo reverso" e estaria dividindo o país, semeando ódio à nação.
No último dia 17, Ron DeSantis, governador da Flórida, proibiu o uso da TCR nas escolas e em workshop de treinamento de agentes de segurança. Imediatamente, vários outros prefeitos e governadores republicanos se inspiraram na ação de DeSantis. A aposta conservadora é um currículo baseado em uma "educação cívica" (alguém pensou nas escolas cívico-militares?).
Na Georgia —estado que foi crucial para a vitória de Biden graças ao voto dos eleitores negros e que elegeu seu primeiro senador negro na última eleição, o pastor Raphael Warnock—, os legisladores propuseram uma medida que reduziria significativamente o acesso ao voto.
Com maioria branca e republicana, o projeto foi visto como uma resposta rápida dos conservadores para impedir o surgimento de um "novo Warnock".
Acesso ao voto e George Floyd
Esta é a mesma disputa que está no Senado neste momento. Há uma verdadeira batalha em torno do projeto chamado de Lei do Povo, mais conhecido por lá como HR1 (House of Representative), que busca ampliar o direito a voto e mudar as leis de financiamento de campanha.
O projeto é considerado uma ameaça por republicanos —novamente brancos conservadores e religiosos entram em cena—, porque, conforme disse o próprio senador republicano Ted Cruz, permitiria que milhões de imigrantes ilegais votassem, e esses votos dificilmente iriam para o Partido Republicano.
Tudo isso deve ser somado ao clima em torno do julgamento do ex-policial Derek Chauvin, que assassinou George Floyd e inflamou um movimento antirracista mundial. A fase de seleção do júri chega ao fim esta semana e terá início a fase das declarações de acusação e defesa.
No entanto, a reação conservadora e extremista está conseguindo gritar cada vez mais alto e mais à vontade em defesa de Chauvin, afirmando que se tratava de um policial "cumprindo o seu dever", enquanto Floyd se recusou a obedecer e teria morrido não pela ação do policial branco, mas por drogas que ele teria consumido, causando-lhe uma overdose.
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Análise: Ronilso Pacheco - Nomeações no Ministério da Educação forjam projeto teocrático no Brasil


Ronilso Pacheco
Colunista do UOL
17/03/2021 04h00
No dia 10 de março, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, despertou o alerta da comunidade da educação ao indicar a professora Sandra Lima Vasconcelos Ramos para comandar o órgão do ministério responsável pela coordenação de materiais didáticos.
O alerta se dá pelo histórico de Sandra Ramos, com sua defesa da "Escola Sem Partido", sua batalha contra a chamada "ideologia de gênero" e sua tentativa de tornar o criacionismo uma teoria reconhecida e ensinada na grade curricular das escolas.
A presença de Sandra Ramos desperta em mim um outro alerta: o Ministério da Educação está se enveredando por um caminho teocrático. Em outras palavras, uma orientação religiosa cristã fundamentalista está se impondo no Brasil, ainda que sutilmente
Ensino domiciliar x Diversidade na escola
Sandra Ramos vai se juntar a Carlos Nadalim, que é secretário de Alfabetização, discípulo de Olavo de Carvalho e herança da era Weintraub. Nadalim é árduo defensor tanto dos "valores cristãos" quanto do chamado homeschooling, o ensino domiciliar.
É verdade que existe um grande debate em torno do homeschooling e sua efetividade. Mas a questão do campo extremista olavista no governo é outra: é impedir que crianças tenham contato com uma educação plural e crítica e que sejam expostas a uma diversidade que não é tolerada no campo conservador.
O homeschooling seria a ruptura com a educação que é considerada "muito de esquerda" e "anticristã" e, no limite, influenciada por "ideologias comunistas". É a fuga para as montanhas, é impedir os filhos de aprenderem com uma escola em uma sociedade "deteriorada" ou "infiel".
Não é por acaso que o grupo, incluindo o próprio ministro, tem como inimigo comum o educador Paulo Freire, referência quase que unânime no mundo quando o assunto é educação. Além de um educador revolucionário, Freire é um nome importante para a Teologia da Libertação, que cristãos conservadores consideram "marxismo cultural" disfarçado de teologia.
Por que a aposta em escolas cívico-militares
Sandra Ramos também se junta à assessora especial de Milton Ribeiro, Inez Borges, cujo histórico de militância na chamada "educação cristã" é conhecido. Em um encontro evangélico de 2017, Inez afirmou que "a pedagogia começou a ser tratada de forma científica, desvinculada da igreja e da família e deixando a educação nas mãos do Estado".
Inez é profundamente envolvida com a organização Visão Nacional para a Consciência Cristã, de orientação conservadora. Ela chegou a gravar vídeo convidando para o encontro Consciência Cristã 2021, que aconteceu em fevereiro.
Não é por acaso que essas pessoas estejam em lugares estratégicos, assim como Benedito Aguiar Neto, presidente da Capes, fundação do Ministério da Educação com poder de decisão sobre financiamento de pesquisas e eventos acadêmicos. Presbiteriano e ex-reitor da Universidade Mackenzie, Benedito chegou ao MEC ainda na gestão Weintraub e foi um dos primeiros passos para garantir o controle e a vigilância de pesquisas e atividades que divulgariam conhecimentos que diferem do conservadorismo cristão.
Sem dúvida, um braço fundamental do projeto "teocrático" da educação está a cabo da construção das escolas cívico-militares, em que a administração e condução pedagógica é feita em parceria entre professores e demais funcionários civis e militares. Só no ano passado, em meio à pandemia, o governo federal implantou 51 escolas deste modelo.
A adesão ao projeto é voluntária. No entanto, o investimento prometido pelo Ministério da Educação e a promessa de que a escola passe a ter média de desempenho alcançado pelas escolas técnicas militares do país, transforma a proposta em uma escolha "dourada", desejada por muitos prefeitos e diretores de escola.
Entre os objetivos das escolas cívico-militares, estão "a promoção de educação básica de qualidade; o atendimento preferencial às escolas públicas em situação de vulnerabilidade; o desenvolvimento de ambiente escolar adequado". E a pergunta inevitável é: por que uma escola pública precisa se tornar "cívico-militar" para ter esse atendimento?
Uma parte da resposta está no próprio manual das escolas cívico-militares. O que é posto como disciplina rígida e exigência de maior compromisso dos alunos é na verdade uma formatação militarizada da vida estudantil, em que as noções de "autoridade", "disciplina", "hierarquia" e "valores" são diretamente forjados pela perspectiva cristã conservadora de garantir a supremacia cristã na sociedade.
Com dificuldades de interferir na "disciplina" das escolas públicas e enquadrar professores e matérias que seriam vistas como "esquerdistas", o MEC do governo Bolsonaro aposta nas escolas cívico-militares para que a autonomia dos professores nas aulas sejam neutralizadas pela disciplina, a ordem e o "bom comportamento" sob rígido controle militar, e cristão, fora da sala de aula.
Análise: Ronilso Pacheco - Como o bolsonarismo traduz violência em um tipo de 'liberdade de expressão'


Ronilso Pacheco
19/02/2021 04h00
A prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) na terça-feira (16) ganhou as manchetes. Ele foi preso por ordem direta do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, depois que o deputado publicou um vídeo em que atacava diretamente os ministros da Corte.
Preso em flagrante, Daniel ainda teve tempo de gravar e publicar um vídeo enquanto policiais estavam à sua espera na sala de sua casa e manteve uma altivez de quem estava não apenas convicto, mas também apoiado em sua ação. E estava.
Nas redes sociais, apoiadores bolsonaristas de Daniel reivindicavam a ilegalidade da prisão, alegando que Daniel havia apenas exercido o seu direito à liberdade de expressão. E esta é a questão principal a ser levantada aqui: em que momento um ataque deliberado à Suprema Corte do país, junto com o louvor público à ditadura militar e seus torturadores, passou a ser nada além de "liberdade de expressão"?
Segundo Jason Stanley, pesquisador da universidade de Yale e autor do livro "Como o Fascismo funciona", uma das características do fascismo é fazer com que a linguagem de ideais democráticos assumam sentidos opostos e corrompidos, e a liberdade de expressão reivindicada é usada para suprimir discursos. É exatamente este o ponto.
O bolsonarismo animou a ideia de que expressões como "liberdade de expressão", "direitos humanos" e "democracia" não devem ser combatidas, mas ressignificadas, e é tudo o que tem sido feito.
Direitos humanos passaram a ser a escolha de quem deve ser tratado como humano ("vagabundos" não seriam humanos). E armas: ter armas se tornou a principal bandeira dos direitos humanos bolsonarista.
A democracia bolsonarista é nitidamente a defesa de uma governabilidade conservadora cristocênctrica fundamentalista. A defesa da democracia se resume à "manutenção da ordem", em tese, como era feita na ditadura militar, com repressão, violência, tortura e intimidação.
Liberdade de expressão portanto é poder ser —sem culpa— preconceituoso, misógino, racista, homofóbico e truculento. Todo rechaço é lançado na caixinha do "politicamente correto". Não há constrangimentos em elogiar a escravidão, a ditadura, considerar pessoas gays como fruto de famílias disfuncionais, humilhar quilombolas e indígenas e defender "surra" a ministros do STF.
Curioso saber que, mesmo no auge da ditadura, em que o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado e os militares tentaram sustentar a versão de suicídio, jamais, em qualquer situação, um defensor da ditadura ousou ridicularizar o jornalista ou rasgar em público um artigo assinado por ele, mostrando desprezo por sua vida e importância.
Em 2018, o deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ) quebrou em público (ao lado de Daniel Silveira) uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco, assassinada no mesmo ano. A satisfação de Amorim —usando camiseta com a estampa de Bolsonaro— e Silveira no ato é um exemplo emblemático de que alusão à violência e desrespeito à vida não causam constrangimento no bolsonarismo.
Amorim chegou a mandar emoldurar os fragmentos da placa quebrada e pôs pendurada em seu gabinete. O deputado considerou que o fragmento da falsa placa é o "símbolo da restauração da ordem no Rio de Janeiro". Em um mundo normal, a "restauração da ordem" seria inconciliável com a banalização e desprezo pelo assassinato de alguém. No mundo bolsonarista parece ser.
A julgar pela recente entrevista do general Villas Bôas, transformada em livro e publicada pela editora da FGV, o projeto almejado pelos quadros bolsonaristas tem sido desenvolvido com sucesso. No livro, o general afirma que Bolsonaro "deu ênfase ao combate ao politicamente correto" e que a população brasileira estava "carente de valores universais".
A insistência de Bolsonaro na flexibilização do porte e posse de armas no Brasil, o uso de projéteis para desenhar o símbolo do Aliança Pelo Brasil, partido que bolsonaristas ainda tentam emplacar, diz muito sobre a retórica da violência assumida com prazer e arrogância. Difícil explicar como num país de mais de 240 mil mortos pela pandemia, o assunto que vem do governo sejam armas e não vacinas, plano de vacinação e esforços em continuar vacinando.
O caso de Daniel Silveira expressa mais do que o sequestro do sentido da liberdade de expressão. O caso é uma emergencial luz vermelha sinalizando que, muito em breve, não saberemos mais se a democracia, a liberdade e os direitos humanos defenderão a vida ou a morte.
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'Vitória do negacionismo', diz diretor do Butantan sobre covid-19 no Brasil
Colaboração para o UOL
07/04/2021 08h26
Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, disse que a atual situação do coronavírus no Brasil se deve ao negacionismo. Em entrevista a O Globo, o hematologista afirmou que a falta de responsabilidade do governo federal contribuiu para a crise e os números alarmantes de mortes por dia. Ontem, o Brasil registrou 4.211 mortes nas últimas 24 horas, primeira vez que superou o patamar dos quatro mil óbitos, segundo dados do consórcio de imprensa, do qual o UOL faz parte.
Na avaliação do médico, uma das soluções deveria ser o cumprimento do isolamento social, o que não tem acontecido. "Não temos uma adesão nacional e um discurso único. Temos muitos discursos, inclusive os contrários a isso. Discursos de autoridades importantes da República que dizem que as pessoas não têm que ficar em casa", pontuou.
Em dia de recorde de mortes, Bolsonaro diz que resolve "problema do vírus" se pagar imprensa
Na entrevista, Covas disse haver um duplo comando da epidemia no Brasil, o da ciência e o do negacionismo
Hoje o Brasil é campeão do mundo na epidemia, e isso significa uma vitória do negacionismo. Estamos perdendo a batalhaDimas Covas
Na visão do hematologista, o vírus está correndo solto de "uma forma muito tranquila" e a inércia sobre a situação provoca o aumento agressivo de óbitos. "A falta de um discurso unificado e de um entendimento correto do que é a epidemia é fatal", completou. Em uma tentativa de frear o avanço da covid-19 e preservar a saúde dos brasileiros, o Butantan, desenvolvedor da vacina CoronaVac, atualmente aguarda insumos da China para a produção de novas doses. A expectativa é entregar 46 milhões de imunizantes para o Ministério da Saúde até o fim de abril.
Em seu trabalho no centro de pesquisa, Covas notou uma politização da pandemia e da corrida pela imunização. Por estar em São Paulo, onde o governador João Doria (PSDB) se coloca como oposição ao governo federal, o instituto sofreu pressões externas. "O fato de o Butantan não ter sido contratado no ano passado, ter sido preterido quando ofereceu vacinas ao ministério? Houve uma questão política que atingiu fortemente o Butantan. O governo do estado de São Paulo veio em defesa e usou das armas da política para isso. O fato é que o Butantan neste momento é a espinha dorsal da vacinação no Brasil", disse.
Além da CoronaVac, o instituto está desenvolvendo a ButanVac. A nova vacina ainda aguarda aprovação da Anvisa para começar os testes em humanos, mas já traz esperança por ser eficaz contra a variante P1, que foi descoberta em Manaus (AM) e é a que mais tem infectado a população de São Paulo.
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Pior está por vir, mas colapso pode ser evitado, diz médico que prevê 100 mil mortes por covid no Brasil em abril
Paula Adamo Idoeta
Da BBC News Brasil, em São Paulo
07/04/2021 19h16
O Brasil deve enfrentar um mês de abril mais mortífero do que março na pandemia, ainda em consequência do relaxamento das medidas preventivas a partir do final de 2020. Mas tanto a população quanto os governos podem, com ações e medidas preventivas a partir de agora, evitar que novos picos devastadores do coronavírus nos atinjam novamente durante o inverno.
A análise é do médico libanês Ali Mokdad, professor do Instituto de Métricas de Saúde e Avaliação (IHME, na sigla em inglês) da Universidade de Washington, instituição americana que na última semana divulgou projeções preocupantes para o Brasil.
América do Sul é região que mais preocupa por avanço da Covid, Brasil em especial, diz Opas
O instituto estima que o Brasil deve registrar mais 100 mil novas mortes por covid-19 apenas neste mês de abril - um terço a mais do que as cerca de 66 mil mortes causadas pelo coronavírus no já devastador mês de março.
No cenário mais provável, levando-se em conta uso de máscaras pela população, mobilidade social e ritmo da vacinação, o instituto americano estima que o Brasil vai contabilizar um total de 562,8 mil mortes até 30 de junho.
No pior dos cenários estimados pelo IHME, esse total pode chegar a 597,8 mil mortes.
"Esperamos que os casos (de coronavírus no Brasil) comecem a cair nesta semana. (Mas) o pior ainda está por vir, porque as mortes demoram mais - elas continuarão a subir e só cairão depois de algumas semanas", diz Mokdad em entrevista à BBC News Brasil.
"Além disso, o que é muito preocupante no caso do Brasil é que o surto ocorreu durante o verão, e, se tratando de um vírus sazonal, se fizermos uma projeção de longo prazo, pode ocorrer uma nova alta no inverno de vocês. É isso que nos preocupa."
A seguir, veja as principais ponderações de Mokdad (que iniciou sua carreira trabalhando nos CDCs, centros de controle de doenças dos EUA) sobre por que este mês ainda vai ser tão devastador no Brasil - e como a vacinação e o uso de máscaras melhores podem trazer alento nos meses seguintes.
'Um abril terrível'
As estimativas do IHME sobre a covid-19, feitas para todas as regiões do mundo, se baseiam em pesquisas de opinião sobre adesão ao uso de máscaras e confiança nas vacinas, bem como em dados sobre mobilidade da população e sobre aquisição de imunizantes por parte dos governos.
As projeções para o Brasil chamam a atenção em comparação com o resto do mundo e também com outros países que enfrentaram altas taxas de contágio e mortes - como EUA, Reino Unido, México e Índia - porque, para aqui, a expectativa é de uma curva de mortes ainda inclinada nos próximos meses.
"Esperamos que a mortalidade caia na terceira semana de abril, até o começo do inverno, quando os casos e mortes vão subir - mas não tanto quanto agora, porque haverá mais pessoas vacinadas do que agora", prevê Ali Mokdad.
Mas a situação do inverno pode ser agravada caso abra-se brecha para o surgimento de mais novas variantes perigosas - que emergem em áreas onde o vírus consegue circular livremente.
"Vocês (brasileiros) ainda terão um abril terrível e potencialmente também um terrível inverno, caso haja uma nova variante que torne a vacina menos eficiente", prossegue Mokdad.
"Temos de ser muito cuidadosos. Será preciso conter as infecções e as variantes, para ter um inverno mais ameno e um próximo verão de celebração."
O inverno preocupa os infectologistas porque a estação mais seca e fria, com menos ventilação dos ambientes, traz condições ainda mais propícias para a circulação do coronavírus.
"O vírus é sazonal. No inverno passado, se pensarmos na Argentina, que tinha medidas rígidas em vigor e uso de máscara na casa dos 90%, mesmo assim a infecção cresceu", explica o médico.
'Honestamente, o governo não tem levado a pandemia a sério'
O fato de o Brasil estar tendo seu pico da pandemia justamente nos meses quentes do ano deixou Mokdad mais alarmado. Segundo sua avaliação, ainda estamos pagando o preço do relaxamento das medidas de distanciamento social no final do ano passado, que facilitou o avanço da perigosa variante P.1, originada no Brasil.
A conclusão vem da análise de dados de mobilidade gerados pelo deslocamento de celulares.
"O que aconteceu no país foi um relaxamento nas medidas de distanciamento social: o governo não colocou medidas em vigor a tempo, e as pessoas relaxaram, voltaram à vida normal, como se não houvesse covid-19. A nova variante fez com que as infecções ocorressem mesmo em comunidades onde 60% ou 70% das pessoas já haviam sido infectadas", diz Mokdad.
"Isso significa que infecções prévias não oferecem boa imunidade contra essa nova variante. Pessoas infectadas antes podem se infectar de novo. E isso significa também que as vacinas não serão tão eficientes, o que também preocupa."
"Agora, as pessoas mudaram seu comportamento, reduziram sua mobilidade e estão usando mais máscaras, então os casos estão baixando. (...) Em dezembro, basicamente, estava todo mundo se movendo em níveis iguais aos de antes da pandemia", diz o médico.
"O uso de máscaras (segundo pesquisas de opinião) estava em 58% em dezembro, e agora subiu para 69%. (...) A questão de longo prazo para o Brasil é: será que os brasileiros conseguirão manter essa melhora de comportamento para conter o vírus, ou permitirão um novo surto, como esperamos que aconteça no inverno?"
"E o grau desse surto dependerá de comportamentos a partir de agora e de ações do governo. Infelizmente para o Brasil, honestamente, o governo não tem levado a pandemia a sério."
Como evitar um inverno tão desastroso quanto o momento atual
O caminho trilhado a partir de agora, diz Mokdad, vai determinar se teremos um inverno com um número gerenciável de casos, ou um colapso semelhante ao que vivemos no momento.
"É porque a quantidade disponível de vacinas para o Brasil no momento não é suficiente para garantir imunidade de rebanho até o inverno. Por isso, todos nós neste campo de trabalho estamos dizendo aos países ricos: 'se vocês têm mais vacinas do que precisam, por favor mandem-nas ao Hemisfério Sul, porque é onde os casos vão aumentar no inverno, enquanto nós, no Hemisfério Norte, entraremos no verão'. Então é no Hemisfério Sul."
O aumento da oferta de vacinas ajudaria a conter a circulação do vírus e a prevenir o surgimento de novas variantes, que, mais potentes, podem prejudicar os esforços de vacinação em todo o planeta.
" É do interesse nacional de países ricos impedir o avanço do vírus no mundo inteiro. Nenhum de nós estará seguro até que todos nós estejamos seguros. E o único jeito de controlar as variantes é controlando as infecções, e para isso precisamos vacinar em áreas onde a infecção tende a aumentar - e no momento é no Hemisfério Sul, em lugares como Brasil, Argentina, Chile e África do Sul."
'O peso econômico do vírus'
Mokdad concorda que manter a mobilidade baixa vem com um custo econômico, sofrido principalmente por quem é impedido de trabalhar pessoalmente.
"É um equilíbrio difícil e delicado entre abrir economicamente e salvar vidas - principalmente (no caso de) populações pobres, que precisam trabalhar para poder comer. Nos preocupa muito que essa balança penda em direção à economia. (Porque) precisaremos planejar para conviver com este vírus por muito tempo", diz o pesquisador.
"Se você disser para alguém em São Paulo 'fique em casa por duas semanas para conter o vírus', você está oferecendo uma cesta de alimentos para ela comer nesse período? É o principal desafio que os países estão enfrentando."
Dito isso, Mokdad opina que os governos "não podem se eximir" da obrigação de promover o fechamento das atividades não essenciais neste momento.
"Alguns países fecharam das 5h da tarde às 5h da manhã e mantiveram os negócios funcionando. As medidas precisam ser mais sérias (do que isso)", diz.
"E a liderança é muito importante. Aqui nos EUA, o presidente (Joe Biden) usa máscara todas as vezes que aparece. O presidente anterior (Donald Trump) nunca usava máscaras. E isso faz muita diferença para as pessoas que votaram nele, para suas bases. É muito importante que a liderança use máscara - uma máscara boa ou duas máscaras, para mostrar que isso faz diferença."
Vacinação e boas máscaras: as armas disponíveis
Um dos fatores que jogam a favor do Brasil, no momento, é o nível alto de aceitação das vacinas, diz Mokdad. Em 20 de março, pesquisa do Datafolha apontou que 84% dos brasileiros tinham intenção de se vacinar.
É mais do que nos EUA, "onde a aceitação fica em torno de 75%", afirma o médico. "O fator que ajuda o Brasil no momento é a vacinação. O que prejudica é a sazonalidade, a mobilidade (alta) e uso de máscaras (insuficiente). E essas questões vão influenciar o tamanho do surto nos próximos meses."
"Vacinem o máximo que puderem, é uma corrida contra o tempo, antes do inverno. E melhorem o uso de máscaras. Nem todos têm acesso às vacinas no Brasil, mas todos podem ter acesso a máscaras. Se você encorajar o público a usar máscara, vai reduzir muito a transmissão. E se você já está usando máscaras, meu conselho é: passe a usar uma máscara melhor ou use duas máscaras. (...) Eu por exemplo sempre uso duas máscaras (ele mostra uma do tipo cirúrgica por baixo de uma de pano). Porque, dependendo do formato do rosto, sobram espaços nas laterais das máscaras. Uma segunda máscara fecha essa brecha. Em um país como o Brasil, no momento em que está chegando o inverno, certamente vocês se sairão muito melhor se usarem máscaras melhores."
A projeção do IHME aponta que, em um cenário em que todos usassem máscaras no Brasil, seria possível evitar 55 mil mortes até julho.
Como ficam as escolas?
O funcionamento seguro de escolas, na opinião de Mokdad, terá de ser avaliado em âmbito local - e depende tanto das medidas de segurança adotadas pela própria escola quanto dos cuidados tomados por todos da comunidade.
"Sim, as crianças têm menos risco de morrer de covid-19, mas elas podem pegar covid-19. E sim, as escolas que seguem protocolos podem ser abertas com segurança, mas a questão é por quanto tempo", opina ele.
"No Brasil, a questão não deveria ser 'devemos abrir ou não a escola?', sabendo que muitos jovens estão fora da escola há tanto tempo. A questão deve ser: por quanto tempo conseguiremos mantê-las abertas, se as abrirmos agora?"
"E isso vai depender da circulação do vírus na comunidade. Se você proteger as crianças e as escolas e fizer tudo direitinho, reduzindo as chances de o vírus ser pego na escola, mas a criança voltar à comunidade, pegar o vírus lá e mandar ela de volta para a escola, a escola pode passar a ser um foco de espalhamento do vírus."
Brasil e outros países em situação preocupante
Além do Brasil, a situação da pandemia causa preocupação em outras partes do Hemisfério Sul, como países sul-americanos e África do Sul, pela iminência do inverno, e países asiáticos, que também têm observado o surgimento de novas variantes do coronavírus.
"A Índia tem uma nova variante circulando ali e no Paquistão e Bangladesh, o que fez aumentar muito a nossa projeção de mortes, apesar de o clima lá estar ficando mais quente (por estarem no Hemisfério Norte)", diz Mokdad.
"Então estamos preocupados com muitos países, porque o vírus está em alta circulação. Por conta disso haverá novas variantes (mais resistentes), o que significa que infecções prévias não darão imunidade e as vacinas ficarão menos eficientes."
'Com bom comportamento, boas coisas virão'
Apesar das projeções preocupantes, Mokdad se esforça para passar uma mensagem positiva.
"Neste momento, levando em conta a disponibilidade de vacinas, esperamos que pouco mais de um terço da população brasileira esteja vacinada até julho. É uma boa notícia", afirma.
Embora destaque que é preciso levar em conta que as vacinas podem ser menos eficientes diante de novas variantes, ele ressalta que a vacinação em massa será o caminho para a normalização.
"É muito importante que o público saiba que, se fizermos tudo direito - usarmos bem as máscaras, tomarmos as vacinas - é muito provável que possamos voltar a alguma normalidade, embora não 100% ainda, porque não temos imunidade de rebanho. Mas no mínimo podemos ter uma estação de infecções muito menor (no inverno)."
"E pessoas vacinadas podem ver umas as outras, ver seus netos. Com bom comportamento boas coisas virão, mas todos temos de fazê-lo e todos temos de ter paciência. Não podemos nos dar ao luxo de comemorar prematuramente, e temos de aprender a conviver com este vírus, que vai ficar com a gente por muito tempo, infelizmente. Talvez tenhamos de mudar nossos comportamentos de acordo com a estação - no inverno, ser ainda mais vigilantes com o uso de máscaras e evitar aglomerações, e no verão talvez possamos relaxar mais, até todos estarmos vacinados ou até existir um bom medicamento contra covid-19, algo que até o momento não existe."
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Opinião: Leonardo Sakamoto - Bolsonaro pede para 'não chorar o leite derramado' diante de 341 mil mortos


Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
07/04/2021 20h07
"Não vamos chorar o leite derramado", afirmou Jair Bolsonaro nesta quarta (7). É surpreendente a naturalidade com a qual ele chama uma montanha com 341.097 cadáveres de "leite derramado".
Apenas nas últimas 24 horas "derramaram-se" mais 3.733. Ou melhor, ele ajudou a derramar.
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Mas não é a primeira vez que o presidente atinge em cheio, com suas declarações, quem está de luto em decorrência da covid-19. "Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?" é outro exemplo, dado no dia 4 de março, em São Simão (GO),
Segundo ele, medo da covid é coisa de "maricas" por que "todos nós vamos morrer um dia". Sim, vamos. Mas ele não precisa apressar esse dia D e essa hora H.
Bolsonaro poderia ter ido pelo caminho racional de enfrentamento à pandemia, como o resto do mundo civilizado.
Preferiu abraçar o obscurantismo, satisfazendo a sua base mais fiel, que mantém sua popularidade longe da faixa de impeachment.
Adotar o caminho sensato obrigaria Jair a sentar-se para articular o enfrentamento da doença com governadores e prefeitos que são seus adversários políticos.
Sua natureza bélica nunca permitiria isso. Ele ama a guerra.
O próprio resumiu isso muito bem quando foi questionado sobre a defesa que fazia da "pílula do câncer", um remédio sem eficácia para o tratamento da doença - sim, a cloroquina e o vermífugo não foram seus primeiros lances de charlatanismo.
"Sou capitão do Exército, a minha especialidade é matar, não é curar ninguém. Mas apresentei junto com mais alguns colegas e aprovamos", afirmou em junho de 2017.
O presidente gastou seu português nesta quarta para repetir, mais uma vez, que "não vai ter lockdown".
Nem precisaria dizer.
Com o auxílio emergencial de fome que está pagando, entre R$ 150 a R$ 375, as pessoas não vão conseguir ficar em casa para evitar o vírus.
Apesar das insinuações de que usaria o que chama de "meu exército" contra o isolamento social, a sabotagem do lockdown está vindo como decorrência de seu governo ter criado fome através do atraso no pagamento do benefício e do seu tamanho pífio.
O presidente negou à população o direito à vida a partir do momento em que passou a defender o contágio amplo e rápido de toda a sociedade como forma de criar imunidade contra o vírus.
As famílias de 341.097 brasileiros certamente discordam disso.
Mas com declarações como a de hoje, ele nos lembra que também nega o direito à morte com dignidade.
Não apenas com a falta de vacinas, de oxigênio, de leitos, de medicamentos para intubação, mas com mortos sendo encarados como danos colaterais que precisam ser ignorados por um bem maior.
No caso, sua reeleição.
Após falar a declaração que abre este texto, o presidente ainda disse, em Foz do Iguaçu (PR):
"Estamos passando ainda por uma pandemia que, em parte, é usada politicamente. Não para derrotar o vírus, mas para tentar derrubar o presidente".
É impressionante como constrói a narrativa para tudo girar em torno do seu umbigo, como fosse alvo de uma conspiração, quando, na verdade, boa parte dos pedidos por seu impedimento foram apresentados para evitar que outras milhares de pessoas não se tornem "leite derramado" em vão.
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Empresa admite culpa após cliente morrer esmagado em poltrona no cinema
Colaboração para o UOL, em São Paulo
07/04/2021 12h22
A empresa britânica Vue Entertainment admitiu culpa após um jovem pai ter sido esmagado até a morte em uma poltrona elétrica reclinável em Birmingham, no Reino Unido, em março de 2018. De acordo com o The Sun, a companhia reconheceu que falhou em garantir segurança para o cliente.
Ateeq Rafiq, de 24 anos, morreu esmagado ao tentar procurar suas chaves e o telefone embaixo de sua poltrona. O assento reclinável tinha um apoio para os pés que caiu sobre ele. Sua esposa Ayesha Sardar tentou segurar o apoio e alertou a equipe no local sobre o acidente.
Jovem de 23 anos é vacinada nos EUA antes do pai, de 62, que mora no Brasil
De acordo a publicação, os funcionários do cinema tentaram por 15 minutos liberar Rafiq do assento, mas os botões que acionavam o apoio para os pés não funcionavam. Os paramédicos finalmente chegaram e levaram o homem para o hospital. Ele morreu por falta de oxigênio no cérebro.
A empresa se declarou culpada por não garantir que as pessoas não estivessem expostas a riscos à sua saúde e à segurança e por não fazer uma avaliação de risco adequada em relação ao uso das poltronas elétricas no cinema.
O inquérito da morte de Raqif apontou que no assento faltava uma barra que permitiria sua libertação.
A sentença do caso foi adiada para o dia 20 de julho.
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"Em qualquer lugar morre gente", diz Bolsonaro, após mais um dia com 4 mil mortes

247 - Um dia após o Brasil registrar novo recorde de mortes diárias, com mais de 4 mil óbitos pela Covid-19, Jair Bolsonaro afirmou que “em qualquer lugar morre gente”, ignorando que, atualmente, morre muito mais gente no Brasil do que em outros lugares do mundo.
“Estamos passando ainda por uma pandemia que, em parte, é usada politicamente.
Não para derrotar o vírus, mas para tentar derrubar um presidente.
Todos nós somos responsáveis pelo que acontece no Brasil.
Qual país do mundo não morre gente?
Infelizmente morre em tudo o que é lugar.
Queremos é minimizar esse problema“, afirmou.
O número de mortes de brasileiros na terça-feira, 6 - 4.195 (segundo o Conass) - foi maior do que 133 países tiveram em um ano de pandemia.
Da mesma forma, mesmo tendo apenas 2,7% da população mundial, o país concentra 37% dos óbitos de todo o planeta.
Brasil registra 3.829 mortes por Covid-19 em 24h
O Brasil registrou 3.829 novas mortes pela Covid-19 em 24 horas, segundo dados do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) desta quarta-feira, 7. Com isso, o total de mortos chegou a 340.776.
Foram registrados também 92.625 novos casos da doença, totalizando 13.193.205 desde o início da pandemia.
É a oitava vez em que o Brasil registra mais de 3 mil mortes por dia. A marca foi ultrapassada cinco vezes no mês de março e três vezes nos 7 dias do mês de abril.
Mais de 4 mil mortes por Covid
O Brasil registrou 4.211 mortes por Covid-19 na terça-feira, 7, batendo pela primeira vez a trágica marca de 4 mil óbitos anotados em um só dia. A média móvel de mortes no país foi para 2.775.
Só o estado de São Paulo registrou 1.389 mortes em 24 horas na terça, um recorde também para o local.
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