GERAL DILMA

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Dilma rechaça comparação com Bolsonaro e aponta apoio da mídia ao "governo da morte"

As saídas da crise passam por Dilma

247 - A ex-presidente Dilma Rousseff voltou a condenar neste sábado (10) a repetida tentativa da Folha de S. Paulo de comparar o golpe de Estado que a derrubou em 2016 às eventuais pedaladas fiscais que o governo Jair Bolsonaro pode cometer sobre o Orçamento de 2021.

O jornal, segundo Dilma, "faz uma analogia grotesca ao insistir na tese da pedalada fiscal, comparando minha gestão com a de Bolsonaro. A tese é antiga, mas não esconde o óbvio: o apoio da mídia, conservadores e empresários à agenda neoliberal do Governo da Morte".

De acordo com a ex-presidente, no Orçamento de 2021, Bolsonaro "submete o povo à barbárie com a redução dos investimentos públicos.  Faz isso enquanto eleva os investimentos militares e garante dinheiro para emendas parlamentares. O governo abandona o povo justamente quando o país passa por uma situação de calamidade nacional sem precedentes".

Leia a nota na íntegra:

"Mais uma vez a Folha inventa analogias históricas inexistentes e semelhanças insustentáveis entre a realidade atual e os fatos ocorridos quando do processo que levou ao Golpe de Estado que me destituiu ilegalmente em 2016. Manipula os fatos para reescrever a História. De maneira cínica, compara o meu governo ao de Jair Bolsonaro.

Como se, na minha gestão à frente da Presidência da República, tivesse eu maquiado o projeto de Orçamento da União, como fez agora o governo sob os auspícios de Bolsonaro e Paulo Guedes.

O Palácio do Planalto submeteu ao Congresso uma peça de ficção, com dotações orçamentários absolutamente insuficientes, tanto para as chamadas despesas obrigatórias quanto, sobretudo, para discricionárias. Apenas para o financiamento do SUS, Bolsonaro cortou R$ 28 bilhões em relação ao Orçamento de 2020. Os recursos para a área de educação também foram reduzidos.

Tudo isso ocorre em meio a mais grave crise sanitária da história do Brasil. Mais de 4 mil vidas são perdidas diariamente pelos erros cometidos pelo governo de plantão. Somos o país que tem um governo omisso, negligente  e pode ser responsabilizado  por um morticínio, enquanto assistimos ao crescimento da montanha de mortos – quase 350 mil óbitos desde o início da pandemia.

É estarrecedor que o jornal traga de volta o falso debate sobre as subvenções do Plano Safra, como aponta na edição de sexta-feira, 9 de abril. A Folha volta à tona com essa tese de que houve, em meu governo, uma “operação de crédito” do Banco do Brasil à União. Isso é um desserviço ao país.

Tal acusação, surgida no inconsistente processo de impeachment – comprovadamente um Golpe de Estado a que eu e a Nação fomos submetidos – não tem qualquer base jurídica. Desde 1992, a Lei 8.427 autoriza a União a subvencionar operações de crédito rural. Essa norma atribui ao Ministério da Fazenda a competência de estabelecer as regras para operacionalização da subvenção, por meio de portarias.

Além disto, a Lei de Responsabilidade Fiscal, parágrafo 2º do artigo 26, distingue expressamente a concessão de empréstimo, financiamento e refinanciamento (operações de crédito) da concessão de subvenções. Durante todo meu governo seguimos o previsto na Lei 8.427/1992.

Como mostrei durante o processo de impeachment no Senado, na operação do Plano Safra não havia um único ato meu, como presidenta da República. Exatamente como previsto na legislação. Isto foi confirmado pela perícia do Senado Federal. Não houve ilegalidade na operação do Plano Safra em meu governo. Atribuiu-se um crime antes da  tipificação da tese de que haveria um crime. Nunca houve qualquer base jurídica para o impeachment. Por isso foi um Golpe de Estado. Isso não apenas levou à prisão de Lula como resultou na eleição de Bolsonaro. Isso é um fato, independente da posição da mídia hegemônica.

Era falsa, na época, e continua sendo falsa, hoje, a acusação de que eu pratiquei alguma irregularidade – muito menos crime de responsabilidade – em relação ao Plano Safra ou a qualquer outra acusação.

Tudo foi forjado para sustentar o insustentável: um impeachment sem que eu tivesse cometido crime de responsabilidade. Foi um argumento fabricado para dar aparência legal a um Golpe de Estado. Algo que já foi desmoralizado e que a Folha continua recorrendo para tentar reescrever a História, limpar a sujeira que protagonizou e enganar os leitores.

Em 2015, mesmo diante da necessidade de promover ajustes e da sabotagem promovida pelo Congresso que, sob a batuta de Eduardo Cunha, inaugurou as pautas-bomba, o Orçamento que elaboramos e implementamos manteve-se alinhado às prioridades do meu governo.

Nossa proposta de lei orçamentária tinha como objetivo elevar os investimentos em educação e saúde, aplicando o disposto na Constituição, dando continuidade ao enfrentamento da pobreza, assegurando a promoção dos direitos trabalhistas e sociais de brasileiras e brasileiros. Tudo para melhorar as condições de vida do povo. Buscamos conciliar a continuidade dos avanços sociais com ajustes nas contas públicas, sem gerar paralisia e sem diminuir direitos. Mas fui bloqueada por aqueles que não tem compromisso com o país.

O que o governo Bolsonaro está fazendo hoje com o Orçamento é o contrário de tudo isso. Submete o povo à barbárie com a redução dos investimentos públicos.  Faz isso enquanto eleva os investimentos militares e garante dinheiro para emendas parlamentares. O governo abandona o povo justamente quando o país passa por uma situação de calamidade nacional sem precedentes.

Para se submeter aos ditames da agenda neoliberal e servir cegamente à violência da emenda do Teto dos Gastos, cuja adoção era um dos objetivos do Golpe que me derrubou, Bolsonaro e Guedes cortaram despesas obrigatórias – como Previdência, abono salarial, seguro-desemprego e outras. O Congresso retirou dessas áreas nada menos que R$ 26,5 bilhões do orçamento, sob o silêncio cúmplice da equipe econômica.

Agora, Bolsonaro conduz a máquina pública à completa paralisia. Os cortes orçamentários nas despesas discricionárias – em educação, ciência e tecnologia, e apoio ao emprego e à renda – são um acinte. É um ataque à sociedade brasileira.

Tudo isso ocorre em meio à pandemia. E produzirá uma explosão ainda maior no desemprego e na fome – cujos índices já são escandalosos. O país tem 19 milhões de miseráveis que passam fome, uma população de 14 milhões de desempregados e 116 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. Tudo é o resultado do Golpe de 2016, que setores da mídia, das classes empresariais e das forças políticas conservadoras apoiaram e endossaram.

Os cortes de investimentos em saúde pública e na proteção social são um escândalo. Bolsonaro quer reduzir brutalmente gastos com saúde em especial no atendimento às vítimas da pandemia e nas condições de vida dos que mais precisam. Faz isso enquanto promove uma brutal redução do auxilio emergencial – de R$ 600 para R$ 250.

O Orçamento de Bolsonaro é uma fraude contábil. Atende ao mercado e aos especuladores – mantém a agenda de austeridade fiscal a qualquer custo, com o apoio da Folha e da mídia conservadora – enquanto martiriza os pobres e os trabalhadores.

Repito. Na mais grave crise da história do país, em meio a uma tragédia sem precedentes, o governo bolsonarista adota um Orçamento da Morte. O resultado é o aprofundamento de um colapso social que estamos vendo desde o Golpe de 2016: o aumento da miséria, da fome e da desigualdade.

O compromisso do jornal Folha de S.Paulo deveria ser com os fatos e a História. Não com a agenda que está levando a Nação ao abismo".

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“Lula é o centro. Não tentem inventar um centro que não existe”, diz Jean Wyllys

Lula e Jean Wyllys

247 - O ex-deputado federal Jean Wyllys afirmou à TV 247 que o ex-presidente Lula “é o grande candidato” à presidência para a eleição de 2022. O petista, para Wyllys, é o centro do debate político brasileiro e não há outra saída que não passe por ele.

Segundo o ex-parlamentar, alimentar a narrativa de que outros presidenciáveis como Ciro Gomes ou Luciano Huck são de centro é uma “desinformação”. Ele lembrou que o setor da sociedade representado por estes nomes deu apoio a Jair Bolsonaro em 2018 e também ajudou a promover o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff em 2016. “Lula é o centro das questões, é o centro das atenções, é o centro das soluções. Não há outro centro. Não tentem inventar um centro que não existe. Mandetta, Ciro Gomes, Luciano Huck, Amoêdo; essas pessoas não são centro, essa é uma desinformação que a imprensa presta. Essas pessoas são a direita, e uma direita inclusive que deu o braço à extrema direita em 2018. Deu o braço à extrema direita em 2016 para perpetrar o golpe e deu o braço em 2018. Minha mãe dizia um ditado muito interessante: quem se mistura com porcos, farelo come. A direita se misturou com o banditismo. Ela não tinha candidato e se prestou a apoiar um fascista, apologista da tortura, expulso das Forças Armadas por indisciplina, que considera que a ditadura matou pouca gente, um racista confesso, um homofóbico abjeto, um mentiroso compulsivo. A direita sabia disso”.

Para Wyllys, porém, a esquerda não está preparada para enfrentar a máquina de ódio bolsonarista em 2022, e mais: ela está sendo contaminada por este mecanismo. “Ela está enredada pela máquina de ódio. Ela está afetada pela máquina de ódio. Está afetada e, como produto dessa máquina de ódio, se odiando e cultivando o ódio dentro dela mesma, como uma coisa autodestrutiva e divisionista. A militância digital do Ciro, por exemplo, é muito violenta contra os petistas, e os petistas são muito violentos contra os críticos de Lula. Os antipetistas que não são bolsonaristas também estão muito violentos. Eu acho que as esquerdas não estão preparadas, não sentaram para entender de maneira clara o fenômeno da desinformação”.

Wyllys propôs, portanto, que a esquerda brasileira se reúna com personalidades da comunicação para entender e traçar estratégias de combate às fake news e à produção de ódio nas redes. “Nós temos nesse campo exceções como o Felipe Neto, que é um cara que entende da comunicação digital. Há outras pessoas que entendem e a gente precisa reunir essas pessoas que entendem de comunicação digital, que entendem do fenômeno das fake news, que entendem o processo não só do ponto de vista da recepção, mas do endereçamento”.

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Pimenta: "caso do menino Herry chocou o Brasil", e onde está Damares, "protetora das crianças"?

247 - O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) repercutiu pelo Twitter neste sábado (10) o caso do assassinato brutal do menino Henry Borel, de apenas quatro anos, e cobrou da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, um posicionamento.

"O caso do menino Henry chocou o Brasil.

Até agora o país espera uma manifestação da Ministra Damares, que se diz protetora das crianças e tem opinião para tudo.

Será que ela está calada por ordem do chefe, já que Dr. Jairinho era apoiador de Bolsonaro? 

Por onde anda Damares?", questionou o parlamentar.

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"Reposta genocida” de Bolsonaro à pandemia deixou o Brasil “em um oceano de fome e doenças”, diz Dilma ao The Guardian

247 - A ex-presidente Dilma Rousseff a “reposta genocida” de Jair Bolsonaro à pandemia de Covid-19 deixou o Brasil “à deriva em um oceano de fome e doenças”. “A realidade é pior do que qualquer coisa que eu poderia ter imaginado. É como se estivéssemos à deriva. Estamos à deriva em um oceano de fome e doenças... É realmente uma situação extrema que estamos testemunhando no Brasil”, disse Dilma em entrevista publicada neste sábado (10) pelo jornal inglês The Guardian.

 “Estamos vivendo uma situação extremamente dramática no Brasil porque não temos governo, nem administração da crise”, disse  a ex-presidente ao jornalista Tom Phillips. Para ela, a sabotagem de Bolsonaro no que diz respeito as medidas restritivas e de isolamento social, na vacinação da população, além de não ofertar um apoio econômico adequado aos mais pobres, contribuiu para a criação de uma tragédia de “proporções catastróficas”.

“Não estou dizendo que o Brasil não teria sofrido mortes [com uma resposta diferente] – todos os países sofreram”, ressaltou ela. “Estou dizendo que parte do nível de mortes aqui se deve fundamentalmente a decisões políticas incorretas, que ainda estão sendo tomadas”, completou. 

No texto, Tom Phillips ressalta que “Dilma concorda que Bolsonaro não é o único culpado pela calamidade Covid que abalou seu país e o mundo. Ela também responsabiliza as elites econômicas, chefes militares, magnatas da mídia e políticos que ajudaram os extremistas de direita a ganhar o poder apoiando sua destituição do cargo e depois aplaudindo a queda de Lula e a ascensão de Bolsonaro. Líderes mundiais, incluindo Donald Trump, também lidaram com a pandemia de forma desastrosa”. Para Dilma, “as pessoas terão que ser responsabilizadas pela catástrofe que foi engendrada no Brasil”. 

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Mercadante: “Brasil está preso num mata-burro: não sai da pandemia, nem entra na recuperação”

Aloizio Mercadante

247 - O presidente da Fundação Perseu Abramo e ex-ministro Aloizio Mercadante traçou em entrevista à TV 247 um caminho de saída da crise econômica e sanitária atravessada pelo país.

Para ele, o cenário internacional é favorável, considerando a recuperação dos maiores parceiros econômicos do Brasil: “Com essa recuperação forte da China, as commodities já aumentaram 40% dos preços. Já houve uma melhora nas commodities que o Brasil exporta. Com a vinda dos Estados Unidos, e a economia americana vem com tudo com as políticas do Biden, vamos ter um cenário externo breve e muito bom, que o Brasil pode aproveitar com muita eficiência”.

Para tal, é necessário “ganhar tempo” no combate à pandemia: “Para achatar a curva, é necessário o distanciamento e acelerar a vacinação, o que Bolsonaro não fez. Não contratamos, desprezamos, tratamos mal parceiros históricos, por isso que estamos nessa situação. O Brasil está preso num atoleiro que é um mata-burro. Quer dizer, não sai da pandemia, nem entra na recuperação. Estamos presos nisso. E um presidente que acha que estamos muito bem e ataca aqueles que tem razão. Se houvesse um lockdown nacional, que para tudo por um período, o vírus desaparece, você achata a curva e aí você pode ir flexibilizando com cuidado”, avaliou Mercadante.

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'Absurdo dos absurdos', diz Bolsonaro sobre decisão do STF que permitiu fechamento de cultos durante a pandemia

247 - Jair Bolsonaro voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) pela decisão que que autorizou estados e municípios a fecharem igrejas e templos religiosos durante a pandemia para conter o avanço da Covid-19. Segundo ele, a medida é um “absurdo dos absurdos”. 

“Essa política de lockdown, toque de recolher… Sergipe permite o confisco de propriedade privada. Eu sou o ditador? Tudo tem um limite. Eu e todo o meu governo estamos ao lado do povo. Não abusem da paciência do povo brasileiro. Lamento os superpoderes que o STF deu a governadores e prefeitos para fechar salas, igrejas de cultos religiosos, é um absurdo dos absurdos, a Constituição não vale mais, vale o decreto do governador”, disse o ex-capitão neste sábado (10) durante uma transmissão nas redes sociais, de acordo com a CNN Brasil

Bolsonaro também comparou o isolamento social a uma forma de ditadura. "Com o toque de recolher, você não pode ir para a praia, não pode fazer mais nada, não é para salvar você, e uma política, no meu entender, para sufocar a economia, e desgastar o Brasil de vez. Se ficar em casa o dia todo, você vai morrer de fome", disse. 

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Covid-19 terá avanço nas regiões Sul e Centro-Oeste nas próximas semanas

Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia, para o 247 - Em matéria publicada pela jornalista Regina Castro, a Agência Fiocruz de Notícias faz um alerta preocupante: Sul e Centro-Oeste tendem a cenário crítico nas próximas semanas de avanço da Covid-19. Ela nos mostra também que, segundo o perfil demográfico, as faixas etárias de 30 a 39, de 40 a 49, e 50 a 59 anos continuaram sendo aquelas com aumento mais notável de casos da enfermidade: respectivamente, 1.218,33%, 1.217,95% e 1.144,94%. Além da manutenção do rejuvenescimento da pandemia no Brasil, a comparação entre a Semana Epidemiológica 1 (3 a 9 de janeiro de 2021) e a 12 (21 a 27 de março) sinalizou um aumento global da doença de 701,58%.

Enquanto Bolsonaro esbraveja contra a instalação de uma CPI que vai expor as vísceras do seu descaso para com a doença, os pesquisadores da instituição chegaram à conclusão de que quando se trata dos óbitos, a comparação entre as semanas epidemiológicas 1 e 12 mostrou um crescimento global de 468,57%. As faixas que mantiveram crescimento superior ao global foram 20 a 29 (872,73%); 30 a 39 (813,95%); 40 a 49 (880,72%); 50 a 59 (877,46%); e 60 a 69 anos (566,46%).

Responsáveis pela edição do Boletim noticioso, os pesquisadores do Observatório Covid-19 Fiocruz verificaram que a faixa etária de 20 a 29 anos, que durante a Semana Epidemiológica (SE) 10 teve aumento inferior ao aumento global (256%), após uma atualização dos dados, passou a apresentar crescimento de 876% naquela semana (7 a 13 de março). Agora na análise mais recente (SE 12), o crescimento foi de 740,80%, também maior do que a média global (701,58%). Ou seja, um quadro calamitoso, quando o mundo já assiste o arrefecimento da Covid em países que melhor cuidaram da pandemia.

Ainda de acordo com o boletim, as maiores taxas de incidência de Covid-19, foram observadas nos estados de Rondônia, Amapá, Tocantins, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e no Distrito Federal.  

Já as taxas de mortalidade mais elevadas foram verificadas nos estados de Rondônia, Tocantins, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal. Esse padrão coloca as regiões Sul e Centro-Oeste como críticas para as próximas semanas, o que pode ser agravado pela saturação do sistema de saúde nesses estados.

Um quadro preocupante é o da imunização. Segundo observaram os pesquisadores, o Brasil ainda está distante dos valores necessários para que o país tenha “uma situação de maior controle’. As primeiras doses das vacinas foram disponibilizadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), até o período em análise, para 13% da população acima de 18 anos e as segundas doses para apenas 3,68%.

Uma das saídas do quadro agudo implicaria a adoção da medida que provoca urticária em Bolsonaro. Os estudiosos da doença apontam como exemplo de boas soluções contra o avanço da pandemia no Brasil, as medidas de bloqueio adotadas em Fortaleza, na região metropolitana de Salvador e no município de Araraquara. Os impactos positivos dessas medidas em países como Itália e Espanha também são citados como exemplo no documento.

Segundo o Boletim, múltiplos fatores contribuíram para este novo patamar da pandemia. Para enfrentar o atual cenário, os pesquisadores ressaltam que é fundamental a combinação de diferentes medidas, envolvendo as não-farmacológicas, o sistema de saúde e as políticas e ações de proteção e assistência social para redução da vulnerabilidade e do impacto social. E, por fim, sugerem o que se apresenta como a solução mais urgente, porém a menos viável, no momento, do ponto de vista político. Mestre em atacar as esferas de poder de municípios e estados, é muito pouco provável que Bolsonaro concorde em segui-la, embora os pesquisadores seja claros:

“É preciso que haja convergência e integração dos diferentes poderes do Estado brasileiro (Executivo, Legislativo e Judiciário), assim como os diferentes níveis de governo (municipais, estaduais e federal), com participação das empresas, instituições e organizações da sociedade civil (de nível local ao nacional) para o enfrentamento deste momento bastante crítico e grave da pandemia”, alertam.

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A Ucrânia revisitada: guerra, russofobia e o Gasodutistão - Pepe Escobar

Por Pepe Escobar

Soldado ucraniano perto de Donetsk

Por Pepe Escobar, para o Asia Times

Tradução de Patricia Zimbres, para o 247

A Ucrânia e a Rússia talvez estejam à beira de uma guerra - com consequências funestas para a totalidade da Eurásia. Vamos ao que importa e mergulhemos de cabeça no nevoeiro da guerra.

Em 24 de março, o presidente ucraniano Zelensky, para todos os fins práticos, assinou uma declaração de guerra contra a Rússia, com o decreto Nº 117/2021.

O decreto determina que retomar a Crimeia da Rússia é agora a política oficial de Kiev. Foi exatamente isso que levou uma fileira de tanques de guerra ucranianos a serem despachados rumo a leste em vagões-plataforma, após o exército ucraniano ter sido saturado pelos Estados Unidos de equipamentos militares, incluindo-se aí veículos aéreos não-pilotados, sistemas de guerra eletrônica, sistemas anti-tanque e sistemas portáteis de defesa aérea (MANPADS).

O mais importante é que o decreto assinado por Zelensky prova que qualquer guerra que venha a se seguir terá sido provocada por Kiev, desmascarando as proverbiais acusações de "agressão russa". A Crimeia, desde o referendo de 2014, é parte da Federação Russa.

Foi essa (itálicos meus) declaração de guerra de fato, levada muito a sério por Moscou, que provocou o aumento das tropas russas enviadas à Crimeia, avançando em direção à fronteira russa com Donbass. É significativo que nessas tropas esteja a excepcional 76ª Brigada da Guarda de Assalto Aéreo, conhecida como os paraquedistas de Pskov e, segundo um relatório de inteligência a que tive acesso, capaz de tomar a Ucrânia em apenas seis horas.

Claro, não ajuda em nada o fato de que, em inícios de abril, o Secretário da Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, que acabava de deixar seu cargo anterior no conselho da fabricante dos mísseis Raytheon, ligou a Zelensky para prometer "apoio inabalável dos Estados Unidos à soberania ucraniana". O que se encaixa na interpretação de Moscou de que Zelensky jamais teria assinado seu decreto sem receber luz verde de Washington.

Controlando a narrativa

Sevastopol, quando a visitei em dezembro de 2018, já era um dos locais mais defendidos do planeta, impenetrável até mesmo a ataques da OTAN. Em seu decreto, Zelensky identifica Sevastopol, especificamente, como um dos principais alvos.

Mais uma vez, estamos de volta a 2014 e aos assuntos não resolvidos do pós-Maidan.

Para conter a Rússia, o combo Deep State dos Estados Unidos/OTAN precisa controlar o Mar Negro - que, para todos os fins práticos é hoje um lago russo. E, para controlar o Mar Negro, eles têm que "neutralizar" a Crimeia.

Se alguma prova adicional fosse necessária, ela foi fornecida pelo próprio Zelensky na terça-feira desta semana, em um telefonema para o secretário-geral da OTAN e dócil fantoche Jens Stoltenberg.

Zelensky pronunciou a frase-chave: "A OTAN é a única maneira de pôr fim à guerra em Donbass" - o que significa, na prática, a OTAN expandir sua "presença" no Mar Negro. "Uma tal presença permanente seria uma poderosa dissuasão para a Rússia, que continua a militarização em larga escala da região, prejudicando a marinha mercante". 

Todos esses desdobramentos cruciais são e continuarão a ser invisíveis para a opinião pública, no que se trata da narrativa predominante, controlada pelo hegêmona.

O combo Deep State/OTAN vem insistindo 24/7 que o que vier a acontecer em seguida será devido à "agressão russa". Mesmo se as Forças Armadas Ucranianas vierem a lançar uma blitzkrieg contra as Repúblicas Populares de Lugansk e Donetsk. (Fazer o mesmo contra a Crimeia seria suicídio em massa com firma reconhecida).

Nos Estados Unidos, Ron Paul tem sido uma das únicas vozes a afirmarem o óbvio: "Segundo o braço midiático do complexo militar-industrial-parlamentar-midiático dos Estados Unidos, a movimentação das tropas russas não é uma resposta a claras ameaças partindo de um vizinho, e sim apenas mais uma "agressão russa".

O que implica que Washington/Bruxelas não têm um plano de jogo claro, nem em termos táticos e, muito menos, em termos estratégicos, mas apenas o total controle da narrativa.

E tudo isso alimentado por uma russofobia hidrófoba, magistralmente desconstruída pelo indispensável Andrei Martyanov, um dos maiores analistas militares do mundo.

Um sinal possivelmente esperançoso é que, em 31 de março, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, o General Valery Gerasimov, e o chefe do Estado-Maior conjunto, o General Mark Milley, conversaram ao telefone sobre os proverbiais "assuntos de interesse mútuo".

Dias mais tarde, foi divulgada uma declaração franco-alemã pedindo a "todas as partes" que revertessem a escalada militar. Merkel e Macron parecem ter entendido a mensagem passada na videoconferência com Putin, que deve ter sutilmente aludido ao efeito gerado pelos kalibrs, kinzhals e outras armas hipersônicas caso haja um endurecimento e os europeus venham a sancionar uma blitzkrieg de Kiev.

O problema é que Merkel e Macron não controlam a OTAN. Mas Merkel e Macron, pelo menos, têm plena consciência de que, caso o combo Estados Unidos/OTAN venha a atacar forças russas ou detentores de passaportes russos que vivam em Donbass, a resposta devastadora terá como alvo os centros de comando que coordenaram os ataques.

O que quer o hegêmona?

Como parte de seu show de coelhinho da Duracell, Zelensky fez um outro gesto bastante estranho. Nesta última segunda-feira, ele visitou Catar acompanhado de uma delegação solene e fechou uma série de acordos não limitados ao gás natural liquefeito, mas incluindo também voos diretos entre Kiev e Doha, o arrendamento ou compra por Doha de um porto no Mar Negro e fortes "laços de defesa militar" - o que talvez seja um encantador eufemismo para uma possível transferência de jihadis da Líbia e da Síria para lutar contra os infiéis russos em Donbass.
Como que por acaso, Zelensky encontra Erdogan da Turquia na próxima segunda-feira. Os serviços de inteligência de Erdogan controlam os  substitutos dos jihadis em Idlib, e suspeitíssimos fundos de Qatar ainda fazem parte do quadro. Seria possível afirmar que os turcos já estão transferindo esse "rebeldes moderados" para a Ucrânia. A inteligência russa vem monitorando meticulosamente toda essa atividade.
Uma série de discussões informadas - ver, por exemplo, aqui e aqui - estão convergindo quanto ao que talvez sejam os três principais alvos do hegêmona em meio a toda essa bagunça, antes de chegar à guerra propriamente dita: provocar uma cisão irreparável entre a Rússia e a União Europeia sob os auspícios da OTAN, esmagar o gasoduto Nord Stream 2 e aumentar os lucros da indústria armamentista para o complexo industrial-militar.

A pergunta-chave, então, é como Moscou conseguiria aplicar um golpe Sun Tzu sem ser atraída a uma guerra quente em Donbass.

No terreno, as perspectivas são sinistras. Denis Pushilin, um dos principais líderes das repúblicas populares de Lugansk e Donetsk, afirmou que as chances de a guerra ser evitada são "extremamente pequenas". O franco-atirador Dejan Beric - que conheci em 2015, e que é reconhecidamente um especialista - espera um ataque de Kiev para inícios de maio.
O extremamente polêmico Igor Strelkov, que pode ser chamado de um expoente do "socialismo ortodoxo", um cáustico crítico das políticas do Kremlin, que é um dos muito poucos chefes militares que sobreviveram a 2014, afirmou em termos inequívocos que a única chance de paz é o exército russo assumir o controle do território ucraniano, ao menos até o rio Dnieper. Ele ressalta que uma guerra em abril é "muito provável" e que, para a Rússia, uma guerra "agora" é melhor que uma guerra depois, e que há uma possibilidade de 99% de Washington não lutar pela Ucrânia.

Strelkov tem razão pelo menos quanto a esse último item: Washington e a OTAN querem uma guerra lutada até o último ucraniano.

Rostislav Ischenko, o principal analista russo sobre assuntos da Ucrânia, que tive o prazer de conhecer em Moscou, em fins de 2018, argumenta de forma persuasiva que "a situação geral diplomática, militar, política, financeira e econômica exige terminantemente que as autoridades de Kiev intensifiquem as operações de combate em Donbass".

"Por sinal", acrescentou Ischenko, "os americanos não ligam a mínima se a Ucrânia resistirá por algum tempo ou se ela será destruída em um instante. Eles creem que só têm a ganhar em ambos os casos".

Temos que defender a Europa

Suponhamos que o pior venha a acontecer em Donbass. Kiev desencadeia sua blitzkrieg. A inteligência russa documenta tudo. Moscou imediatamente anuncia que vai usar a plena autoridade conferida pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para obrigar o cessar-fogo nos termos do Minsk 2.

Em uma questão de 8, ou no máximo 48 horas, as forças russas reduziriam a estilhaços o aparato da blitzkrieg e mandariam os ucranianos de volta a seu cercadinho, localizado a aproximadamente 75 quilômetros a norte da zona de contato estabelecida. 

No Mar Negro, por sinal, não há zona de contato. O que significa que a Rússia pode enviar todos os seus submarinos avançados, além da frota de superfície, a qualquer ponto do "lago russo": eles, seja como for,  já estão de prontidão.

Mais uma vez, Martyanov dita a lei ao predizer, referindo-se ao grupo de mísseis russos desenvolvidos pelo Novator Design Bureau: "Esmagar o sistema de comando e controle ucraniano é uma questão de umas poucas horas, seja próximo à fronteira ou no estratégico e operacional interior ucraniano. Em termos básicos, a totalidade da "marinha" da Ucrânia vale menos que a salva de artilharia 3M54 ou 3M14 que será empregada para afundá-la. Creio que uns dois Tarantuls serão o suficiente para acabar com ela, em Odessa ou em suas redondezas, e então dar a Kiev, em especial a seu distrito governamental, um gostinho do que são as armas standoff modernas".

A questão absolutamente central, que não pode ser enfatizada o bastante, é que a Rússia não (itálico meu) irá "invadir" a Ucrânia. A Rússia não precisa e nem quer invadir. O que Moscou certamente fará é apoiar a república popular Novorossiya com equipamentos, inteligência, guerra eletrônica, controle do espaço aéreo e forças especiais. Nem mesmo uma zona de espaço aéreo interditada será necessária, deixando clara a "mensagem" de que caso um caça a jato da OTAN se aventure próximo à linha de frente, ele seria sumariamente abatido.

E isso nos traz ao "segredo" aberto, sussurrado apenas nos jantares informais de Bruxelas e nas chancelarias de toda a Eurásia: os fantoches na OTAN não têm colhões para entrar em conflito aberto com a Rússia.

Uma coisa é ter cães ladradores como a Polônia, a Romênia, a gangue do Báltico e a Ucrânia com seu script sobre a "agressão russa" amplificado pela mídia empresarial. Em termos factuais, a OTAN teve seu traseiro coletivo chutado sem a menor cerimônia no Afeganistão. Quando teve que combater os sérvios, em fins da década de 1990, eles tremeram na base. E, nos anos 2010, eles não ousaram lutar contra Damasco e as forças do Eixo de Resistência.

Quando tudo o mais falha, o mito prevalece. Entra em cena o exército dos Estados Unidos, ocupando partes da Europa para "defendê-los" contra - quem mais seria? - aqueles insuportáveis russos.

Essa é a rationale por trás do DEFENDER-Europe 21 anual do exército dos Estados Unidos, sendo realizada de agora até fins de junho, mobilizando 28.100 soldados dos Estados Unidos e de 25 aliados e "parceiros" da OTAN.

Este mês, homens e equipamentos pesados posicionados em três postos do exército dos Estados Unidos situados na Itália, Alemanha e Holanda, serão transferidos para diversas "áreas de treinamento" em doze países. Ah, as alegrias das viagens, sem lockdowns nos exercícios ao ar livre, já que todos foram vacinados contra a covid-19.

Gasodutistão über alles

O Nord Stream 2 não tem muita importância para Moscou. Ele, no máximo, é um inconveniente para o Gasodutistão. Afinal, a Rússia não lucrou um rublo sequer com o ainda inexistente gasoduto no decorrer da década de 2010 - e mesmo assim se deu muito bem. Se o NS2 for cancelado, há planos de redirecionar o grosso dos carregamentos de gás russo para a Eurásia, em especial para a China.

Em paralelo, Berlim sabe perfeitamente bem que o cancelamento do NS2 representará uma grave quebra de contrato envolvendo centenas de bilhões de euros. Para começo de conversa, foi a Alemanha que pediu que o gasoduto fosse construído.

energiewende (política de "transição de energia") da Alemanha vem se mostrando um desastre. Os industriais alemães sabem muito bem que o gás natural é a única alternativa à energia nuclear. Não lhes agrada muito a ideia de Berlim vir a se tornar um mero refém, condenado a comprar gás de xisto ridiculamente caro do hegêmona - supondo-se que o hegêmona seja capaz de entregar esse gás, uma vez que seu setor industrial de fraturamento hidráulico está em frangalhos. Merkel explicando à opinião pública alemã por que eles terão que voltar a usar carvão ou comprar gás de xisto dos Estados Unidos vai ser um espetáculo digno de ser assistido.
No atual momento, as provocações da OTAN contra o NS2 prosseguem inabaladas - com navios de guerra e helicópteros. O NS2 precisava de uma permissão para trabalhar em águas dinamarquesas, que só foi concedida há apenas um mês. Mesmo que os navios russos não sejam tão rápidos quanto os anteriores, de propriedade da Allseas com sede na Suíça, que recuou, intimidada pelas sanções dos Estados Unidos, o Fortuna russo vem avançando consistentemente, como observado pelo analista Petri Krohn: um quilômetro por dia nos dias melhores, e pelo menos 800 metros por dia. Uma vez que só faltam 35 quilômetros, o trabalho não deve levar mais que 50 dias.

Conversas com analistas alemães revelam um fascinante jogo de sombras na frente energética entre Berlim e Moscou - para não mencionar Pequim. Compare-se isso ao que vem ocorrendo em Washington: os diplomatas da União Europeia queixam-se de que não há absolutamente ninguém com quem negociar as questões referentes ao NS2. E mesmo supondo-se que venha a haver algum tipo de acordo, Berlim inclina-se a admitir que o julgamento de Putin é correto: os norte-americanos "não são capazes de acordos". Basta dar uma olhada no histórico.

Por trás do nevoeiro bélico, entretanto, um cenário vem surgindo: o combo Deep State/OTAN vem usando Kiev para tentar uma ofensiva desesperada de último minuto para enterrar de uma vez por todas o NS2, e assim também as relações entre a Alemanha e a Rússia. 

Ao mesmo tempo, a situação vem evoluindo no sentido de um novo alinhamento possível, bem no coração do "Ocidente": Estados Unidos-Reino Unido contra Alemanha-França. Alguns excepcionalistas da anglosfera são certamente mais russofóbicos que outros.

O encontro tóxico da russofobia com o Gasodutistão não terminará mesmo  que o NS2 venha a ser concluído. Haverá mais sanções. Haverá uma tentativa de excluir a Rússia do SWIFT, o sistema internacional de pagamentos bancários. A guerra por procuração na Síria será intensificada. O hegêmona partirá para um vale-tudo para continuar criando todos os tipos de provocações contra a Rússia.

Que linda operação balance-o-cachorro para distrair a opinião pública interna da maciça impressão de dinheiro que mascara o colapso econômico que assoma no horizonte. Enquanto o império desmorona, a narrativa é gravada em pedra: é tudo culpa da "agressão russa".

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Imposto às grandes fortunas para financiar um auxílio digno e permanente - Emir Sader

Por Emir Sader

As duas maiores preocupações dos brasileiros hoje são defender-se do vírus e da fome. O governo é o maior obstáculo para que se possam defender de ambos.

No caso do vírus, o Instituto Butantan e a Fiocruz fornecem, na medida do possível, as vacinas para a vacinação, que avança lentamente, apesar de todo o empenho do SUS. Os governadores tratam de importar vacinas, enfrentando todas as dificuldades impostas pelo governo e pela 

Anvisa, em particular.

Mas a vacinação é a única via para tratamos de sair desta situação. Já que não há empenho nenhum do governo para que a circulação de pessoas diminua.

Grande parte da população, os trabalhadores, tem que sair todos os dias para trabalhar ou para buscar formas de sobrevivência. Aglomeram-se nos pontos de ônibus e de trens, para ir e voltar, abarrotados de gente. Certamente é aí que se dá a grande maioria das contaminações. Certamente hoje são os trabalhadores e as trabalhadores a grande maioria das vitimas da covid-19.

Com o auxílio merreca que o governo libera, depois de três meses sem nenhum auxílio, não permitirá que nenhum trabalhador deixe de sair, podendo ficar em casa, para proteger-se mais e proteger aos outros. O governo fica na armadilha da necessidade de dar um auxílio, mas alegando que não pode superar o teto de gastos. O Congresso aprovou um orçamento propício para cortes ainda maiores dos recursos para políticas sociais.

Temos uma via para desbloquear esse impasse, mesmo nos marcos do atual governo. Foi se criando um consenso, em muitos países do mundo, da necessidade de taxar as grandes fortunas. O FMI, o governo norte-americano, o G-8, entre outros, propõem taxar as grandes corporações. 

A esquerda deveria concentrar seus esforços na apresentação de projeto de lei unificado de imposto às grandes fortunas, promover mobilizações populares e tratar de fazer aprovar uma lei de taxação das grandes fortunas, para obter recursos que permitam auxílios emergenciais dignos e prolongados para a massa da população.

Pode ser um elemento que ajude o povo a superar este momento tão difícil para a grande maioria e possa, inclusive, se defender melhor da pandemia, podendo não sair todos os dias para buscar formas de sobrevivência. Aí se criará no Brasil o clima para uma verdadeira reforma tributária, socialmente justa, em que quem ganha mais, paga mais. 

Para isso é necessário um longo e sistemático trabalho político da esquerda, para provar que no sistema atual, quem paga mais são os que ganham menos. Que a grande maioria dos impostos são indiretos, penalizando os mais pobres. Que uma reforma tributária não tem como objetivo fundamental simplificar os impostos, mas torná-los mais justos. Objetivo fundamental para que o Estado tenha recursos para a reconstrução do País. E para que se combata, também na tributação, o caráter de País mais desigual do continente mais desigual do mundo.

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Globo & Google: de tubarão nacional a sardinha global da gigante de tecnologia - Roberto Moraes

Por Roberto Moraes

Por Robero Moraes

O acordo anunciado ontem entre a Globo e Google (veja aqui) traz evidências sobre a dominação tecnológica das Big Techs americanas no ocidente. A Globo vai de tubarão nacional a sardinha global da gigante de tecnologia.

Um caso clássico da dependência revisitada com a Globo deixando só de apanhar da Google, perdendo receitas e aumentando despesas e dando murro em água e passa a aceitar a dominação da Big Tech, Google, a mesma que controla o poderoso YouTube. 

É a Globo se submetendo às veias abertas da América Latina do saudoso Eduardo Galeano. Que nessa fase da dominação digital depende do que eu chamo da "plataforma-raiz", no caso, o trilionário Google, a que todos setores econômicos, corporações e indivíduos, acabam se submetendo. 

Google, contra a qual a Globo lutava até ontem, sem resultado. A Big Tech hegemônica das buscas na internet, dos vídeos on-demand do YouTube e das clouds, as estranhas nuvens que não estão no ar e sim, no território, onde a gigante de tecnologia desossa os nossos dados já extraídos, para ganhar valor nos negócios tocados pela máquina trituradora de algoritmos sob o comando da Inteligência Artificial (IA). 

Isso que a Globo anunciou não é parceria é contrato de dependência e extrativismo de dados. Colonialismo digital. Esse contrato mira garantir a dominação do espectro nacional que estava se diluindo. 

Na essência, o velho acordo do hipercapitalismo de laços entre o gigante do império e a elite econômica nacional de outrora. Neocolonialismo digital que ao invés de entregar o pau brasil e o ouro, entregam  ao império os nossos dados. 

O contrato garante ao império digital global, o controle dos nossos mercados no varejo e a manipulação política no controle sobre o Estado nacional. Não se enganem essa "parceria" é o acordo Time Life revisitado seis décadas depois e mira também limitar e podar aquilo que se chama de mídia alternativa aqui nos trópicos.

Os acertos da Globo com a Google Cloud é só o começo, mas já levará para longe, algumas centenas de empregos de gente qualificada na área de tecnologia da informação. Colonialismo digital na veia. Sim, há quem não queira enxergar o que está em curso. Entregar comida ao tubarão, desde que este deixe as migalhas para a elite econômica nacional. 

Não há progresso nisso. Há mais submissão. Trata-se de etapas predatórias do esgarçamento do capitalismo contemporâneo. Como temos insistido, ele possui base tecnológica-digital que já exerce a dominação global sob o controle das Big Techs e do Deep State dos EUA, onde se encontra com a hegemonia financeira de Wall Street do mercado de capitais e dos grandes fundos financeiros globais.

Os Marinhos? Há mais de meio século o acordo já erra esse. Aceitar ser cabeça de sardinha, desde que  com poder de manipular os mercados e o controle da política (Estado) no Brasil. Essa nova etapa da dominação da tecnologia apenas atualizou o acordo. Agora com um novo agente: a Big Tech, Google. 

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O governo e seus aliados evangelicamente terríveis: sepulcros caiados - Gilvandro Filho

Por Gilvandro Filho

Por Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia

O que o bolsonarismo fez com o Brasil? Essa pergunta surge, fatalmente, centenas de vezes por dia. A cada pronunciamento do “presidente” (com inúmeras aspas) da República, insanamente aplaudido por hordas de amalucados que o louvam e o chamam de mito. A cada triste recorde de mortes na pandemia de Covid-19, um genocídio para o qual não há outro nome mais apropriado.

Dá pra entender a dimensão da coisa ao ver o nível de destruição da Natureza, num setor espezinhado sob o comando de criminosos ambientais. Ao nos vermos isolado do mundo, párias que hoje somos pela falta de respeito que ganhamos de quase todo o planeta. Ou ainda diante da tentativa escancarada de destruição da cultura e do pensamento, “perigos” para o autoritarismo e para as ditaduras.

Responde à pergunta a contaminação da Justiça brasileira, com o crescimento da presença dos religiosos em postos onde o Estado mais precisaria ser laico. Ainda não chegamos lá, mas corremos o risco de vermos se ampliar a praga de gafanhotos que é o sabujismo vergonhoso e incondicional. Hoje, com apenas um ministro terrivelmente evangélico colocado no Supremo Tribunal Federal por um literal messias, já deu para se ver o que poderá acontecer em um futuro breve.

Outros desse mesmo tipo virão. Se nada acontecer em prol do bom senso, da razão e da frágil democracia brasileira. Um dia podem ser um grupo. A qualquer hora poderão conquistar maioria para aprovar até mesmo barbaridades maiores que a já absurda abertura de templos religiosos alçados à condição de atividades essenciais em tempos de pandemia.

Talvez nem precisem que todos sejam evangelicamente terríveis para alcançarem o nirvana da irresponsabilidade e da vergonha. Acólitos sempre existirão para dar votos inexplicáveis e inconsequentes em favor do opróbio e do genocídio. Foi assim o voto não evangélico, mas igualmente terrível, o 2 do placar do time perdedor na goleada histórica e desmoralizante.

Na seção dessa quinta-feira (8), o STF evitou a chance de ouro de sermos ainda mais desacreditados e enxovalhados pelo mundo. Iríamos, acredite-se, ceder a um exército liderado por meia dúzia de pastores apavorados, menos com a vida dos seus fieis do que com a queda dos seus negócios. Um grupo que alimenta uma forte base de apoio para o governo e, ao mesmo tempo, se alimenta dele e das benesses que, por reciprocidade, recebe e louva. Farisaísmo bíblico. Dos dois lados. Por fora, aparência que engana; por dentro sepulcros caiados, “cheios de ossos de mortos e toda espécie de imundície” (Mateus 23:27).

Não à toa, o governo mandou o Advogado-geral, que até um dia desses era ministro da Justiça, se expor ao ridículo com suas alegações inacreditáveis em favor da insanidade e da ilógica. Elementos que são pilares do governo ao qual ele serve.

Liberar o funcionamento de igrejas em meio à pandemia, nem na Idade Média, rebateu o ministro Alexandre Moraes. Mas tentou-se. Seria trágico e nada tem de cômico. Não foi dessa vez, mas o sinal de alerta foi ligado, pela ousadia da intenção.

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A pandemia e o pandemônio - Ribamar Fonseca

O Brasil está vivendo, ao mesmo tempo, uma pandemia e  um pandemônio. Com mais de 300 mil mortos pela covid o país se tornou o epicentro da doença no mundo,  enquanto o Presidente da República, cuja negligência no combate ao vírus é apontada como a principal causa do alto índice de mortalidade, se mostra empenhado em lançar a população contra governadores e prefeitos, provocando um verdadeiro pandemônio com ameaças de golpe, demissão de ministros e uma produção gigantesca de fake news que confunde a cabeça dos mais tolos. A confusão é tamanha, sobretudo depois da mudança nos comandos militares, que as vezes fica difícil saber o que é mentira e o que é verdade.  E o país  do carnaval e do futebol, assistindo à destruição de suas grandes conquistas,  das suas mais importantes estatais, o desemprego em massa  e o seu retorno ao mapa da fome, substituiu a alegria pelo choro, sofrendo a dor das milhares de  vidas perdidas.

Com a permanência de Bolsonaro no Palácio do Planalto as perspectivas são mais sombrias ainda, porque ninguém consegue vislumbrar, na linha do horizonte, um fio de esperança de alguma mudança a curto prazo. Mas – cabe a pergunta – por que o país chegou a essa situação  terrível? Existem vários responsáveis, mas os principais são a mídia corporativa, à frente a Globo, e a Lava-Jato. A Globo  desenvolveu uma raivosa campanha antipetista ao longo dos últimos dez anos, fazendo a cabeça de parte da população e preparando o terreno para Bolsonaro, que teve sua caminhada para a Presidência da República facilitada pelo então juiz Sergio Moro, que removeu o principal obstáculo à sua ascensão ao poder: Lula. E com seu discurso radical, que prometia metralhar os petralhas, sob os aplausos entusiásticos da multidão enlouquecida,  Bolsonaro conquistou os votos dos que se tornaram antipetistas. Mas, segundo uma máxima atribuída a Confúcio,”é possível enganar todo o povo durante algum tempo; é possível enganar parte do povo durante todo o tempo, mas ninguém  consegue enganar todo o povo durante  todo o tempo”.    

Até hoje Bolsonaro não governou, deixando o país  à deriva, sem rumo, perdendo as posições mundiais conquistadas nos governos petistas e tornando-se praticamente um pária internacional. Tem-se a impressão de que ele brinca de presidente, posando de pop star, deslumbrado com os aplausos. Ninguém pode contrariá-lo ou sequer dizer que ele é feio, razão porque troca ministros com certa facilidade. Na verdade, parece completamente perdido no poder, constituindo-se no maior adversário de si mesmo, provocando frequentes crises que o deixam enfraquecido. E agora,  isolado pelos militares da ativa depois de demitir os comandantes que não embarcaram no seu projeto ditatorial e sem o guarda-chuva do presidente norte-americano, procura equilibrar-se no escorregadio apoio do Centrão, cujos líderes seguram na gaveta as dezenas de pedidos de impeachment. Até quando ninguém sabe, sobretudo porque é cada vez maior a pressão interna e externa pelo seu afastamento diante da sua omissão no combate à pandemia, que a cada dia aumenta o número de vitimas fatais.

Além de todos os problemas que deixou acumular, que se  refletem na economia inclusive com o fechamento de fábricas de veículos, Bolsonaro também perde o sono com seu pior pesadelo: Lula, que recuperou os  direitos políticos e cresce nas pesquisas de intenção de votos.  Neste ponto ele se une a outros adversários do ex-presidente petista para impedir o seu retorno ao Palácio do Planalto. O ministro Edson Fachin, do STF, que surpreendeu todo mundo ao anular as condenações de Lula por incompetência da Justiça de Curitiba, já dá sinais de que se arrependeu, havendo a possibilidade de voltar atrás da sua decisão  na plenária da Corte Suprema do próximo dia 14, quando a questão será julgada a pedido da PGR. O plano de Fachin, na verdade, ao anular as condenações de Lula, não foi reparar uma injustiça mas esvaziar o julgamento da suspeição de Moro. Deu tudo errado, porém, porque Gilmar Mendes manteve o julgamento e o ex-juiz foi declarado suspeito. É possível que o plenário da Corte derrube a decisão de Fachin, com o voto dele mesmo,  mas se isso acontecer o Supremo se desmoraliza de uma vez, pois ficará caracterizado mais uma vez o  comportamento político  do Judiciário em todas as instâncias. 

Na verdade, as  forças que se mobilizaram para impedir Lula de concorrer às eleições presidenciais de 2018, com a decisiva participação de Sergio Moro, são as mesmas que voltaram a se mexer com a decisão de Fachin. E através do PGR Augusto Aras tentam manietar de novo o líder petista usando o Supremo Tribunal Federal como instrumento político, a exemplo do que fizeram com a Lava-Jato, mas ninguém acredita que o novo comandante do Exército repetirá o gesto de intimidação do ex-comandante Villas-Boas.  Considerando a surpreendente  posição antipetista de ministros  indicados pelos governos petistas, responsáveis em parte pelo afastamento de Lula das eleições passadas, parece difícil um prognóstico sobre o resultado do julgamento do dia 14,  mas qualquer que seja o veredito não há dúvida de que ele terá reflexos diretos na sucessão presidencial de 2022 e, consequentemente, no futuro do país. Os ministros da Suprema Corte, portanto, devem pesar com espírito patriótico as consequências do seu voto, pois a História os julgará caso Lula seja novamente impedido de concorrer, permitindo que o Brasil prossiga em sua marcha de caranguejo, andando para trás. 

O país, na realidade, está vivendo um impasse: se o Congresso não votar um dos mais de 100 pedidos de impeachment, mantendo Bolsonaro no Planalto, será preciso construir novos cemitérios para enterrar as vítimas da Covid e os mortos de fome; e se, finalmente, afastarem o capitão o general Mourão assumirá o cargo, o que aparentemente será o mesmo que trocar seis por meia dúzia, pois o vice só é diferente do titular no tamanho. A cabeça é a mesma. Pelo menos é o que ele sugere com suas declarações endossando todos os atos e palavras de Bolsonaro.  De qualquer modo, o Congresso e o Supremo precisam fazer algo para mudar essa situação dramática em que o país está vivendo, onde o Presidente da República, ao invés de assumir seu papel na condução da Nação, gasta o seu tempo negando a gravidade da pandemia e arengando com governadores e prefeitos. O Brasil precisa de um presidente de verdade, que defenda a vida e os interesses do seu povo, liderando, sobretudo, as ações de combate  a esta doença terrível que vem dizimando a população. 

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