Os MORTOS-VIVOS: Bial, Ciro, Leda, Gentili...

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Governo bolsonazóide expõe mentalidade CRIMINOSA, IGNORÂNCIA,  extrema ESTUPIDEZ e muita BURRICE.
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O NECRARCA e o candidato de centro
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Técnica de enfermagem diz usar UMA AGULHA para aplicar DEZ DOSES da vacina
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O que acontece com as doses das vacinas AstraZeneca e Janssen que países europeus decidiram NÃO USAR por causa de PREOCUPAÇÕES com sua SEGURANÇA?
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Derrotar a GUERRA CULTURAL e construir o FUTURO 
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NÃO faz NEM deixa fazer:
Bolsonaro impôs um APAGÃO DELIBERADO de governo
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Emissões globais de CO2 terão aumento histórico em 2021, diz Agência
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Prefeitura de OSAKA pede ao governo japonês estado de emergência por covid-19
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Um Morto–Vivo chamado Ciro Gomes

Por Cláudio Furtado

O que fez Ciro Gomes um quadro nacional da política brasileira - o qual era considerado progressista e até esquerdista - se bandear tão vergonhosamente para o lado dos políticos reacionários.

Ciro passou todo o período do governo do Partido dos Trabalhadores fazendo alianças com este partido ou estando no governo como ministro (Ministro da Integração Nacional do Brasil no governo Lula).

Ciro já defendeu Lula na farsa conhecida como Mensalão e na Operação Política Criminosa chamada de Lava Jato. Inclusive defendeu Dilma no Golpe Parlamentar, Midiático, Jurídico, etc, que foi dado nesta honesta presidenta.

Mas após toda esta história, não mais que de repente, Ciro inicia um ataque sem precedentes a Lula e ao Partido dos Trabalhadores.

O que será que aconteceu?

Alguns dizem que Ciro está apostando em uma opção “Nem Nem” (Nem Lula e Nem Bolsonaro). A tal da 3ª via. Mas será que é isso mesmo? Difícil afirmar!

Essa desculpa do “Nem Nem” em verdade parece ser mais uma bomba de fumaça para não ficar aparente os reais motivos que estão por trás desta postura ignóbil dele.

Não podemos negar que Ciro é um cara inteligente e sagaz. Com certeza ele sabe que são remotas suas chances para se eleger como presidente. As pesquisas atuais mostram isso claramente. Talvez por isso ele resolveu tomar um caminho diferente.

Ciro se tornou o agente responsável por provocar instabilidade na relação do Partido dos Trabalhadores com a sociedade.

Podemos até dizer que ele é o agente responsável por fazer uma Guerra Hibrida contra o Partido dos Trabalhadores. Tentando de todas as formas inviabilizar a vitória em 2022 de um candidato do PT para presidência.

Caso seja realmente isto que esteja acontecendo, pois é difícil saber com exatidão os objetivos de Ciro, mas caso seja isso, o que me intriga seria quem o contratou para tal tarefa.

O que vemos acontecendo com ele é uma “Tabatização” extrema, tornando-o não só um opositor as pautas da esquerda, mas também um inimigo do país, pois esta desestabilização que ele vem provocando pode inclusive favorecer aquilo que os progressistas estão lutando para que não ocorra, que seria a reeleição do Genocida que desgoverna o país.

É impressionante como uma viajem para Paris, ou para Portugal - não sei mais para onde ele realmente foi – transformou Ciro numa versão caricata de um Lenín Moreno versão tupiniquim. Tenho muita curiosidade em de saber quem ele encontrou nesta viagem, pois esse encontro conseguiu mudar radicalmente a história deste político. Da água para o vinho. Melhor dizendo, dá água para o esgoto. Fétido esgoto.

No cultuado filme B de terror/comédia dos anos 80 - “A volta dos mortos vivos” – os zumbis se alimentavam de cérebros. Resta saber de que está se alimentando este novíssimo Morto-Vivo da política Brasileira. Com certeza nesta viagem ao exterior ele encontrou mais do que pontos turísticos para visitar. Ao que parece encontrou uma nova forma de nutrir seu imenso e insaciável ego.

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Educação e Política: Danilo Gentili como a solução "Tiririca – pior que tá não fica"

Por Rodolfo Fiorucci

Um dos maiores intelectuais da Educação do último século, Edgar Morin, criou um conceito para caracterizar os sujeitos diplomados, mas não educados: o “Especialista Ignorante”. 

Os psicólogos norte-americanos, David Dunning e Justin Kruger, da Cornell University, chamam esse fenômeno de “Síndrome da Superioridade Ilusória”. 

Ambos refletem aqueles sujeitos que até passaram pelos bancos escolares e conseguiram um diploma de ensino superior, mas que nada ou quase nada evoluíram como sujeitos providos de cognição e inteligência. Esse fenômeno é mais intenso em membros da classe média, com destaque para os que ocupam posições de destaque (médicos, advogados, engenheiros, servidores do judiciário, dentistas etc). São pessoas que até conhecem as técnicas e procedimentos de uma profissão, mas que exibem uma atrofia cognitiva em quase todos os outros aspectos da vida. 

Por ocuparem cargos e funções que garantem certo poder aquisitivo e padrão de consumo, imaginam que estejam aptos a opinar sobre qualquer tema. Pior: acreditam que o status quo seja balizador de profundidade racional e científica. Mormente manifestam verdadeiras aberrações opinativas sem qualquer fundamento razoável, espalhando impropérios, fakenews e desinformação aos borbotões. 

Leem pouco, informam-se pela GloboNews e congêneres e reproduzem as “opiniões” dos jornalistas de cativeiro que trabalham nessas empresas midiáticas que são uma espécie de departamento de comunicação e marketing do Mercado Financeiro. 

Em resumo, não são educados pelas escolas (que só focam em conteúdos e não em aprendizagens) e tampouco pelos meios de comunicação. 

São apedeutas políticos, econômicos, sociais e científicos (vide, por exemplo, os médicos cloroquiners e os juristas “lavajatistas”), limitados intelectualmente e, portanto, facilmente manipulados por discursos moralistas (Anticorrupção, Família, Deus, Pátria, Meritocracia). O mesmo ocorre para as classes populares que têm ainda esse discurso reforçado pela classe média muitas vezes entendida como “intelectualmente” superior.

É o cenário perfeito para o que Alcir Lenharo chamou de “sacralização da política”, situação em que estratagemas similares aos das religiões são usados no debate político, apelando para alegorias morais, sacras e movimentando paixões, fé e sentimentos num campo que deveria ser racional. Aliado a isso, cabem os alertas de Raoul Girardet em Mitos e Mitologias Políticas, pois facilmente nesse cenário surge a imagem do Salvador, o Messias ou o Mito, aquele que artificialmente imbuído dos valores morais e cristãos levará o povo à redenção. Girardet explica que esse Salvador não se ancora em ciência e livros, mas em discursos e valores emotivos e de fé para arrebanhar seguidores.

Chegando ao poder essas figuras “míticas” formam o que Benedito Croce classificou como Governo dos Asnos Zurrantes, formado por figuras incultas e ideologizadas ao extremo, contando com uma base social que os representa. No brasil essa base está em todas as classes sociais, já que os sujeitos  não são educados em escolas e universidades, mas apenas instrumentalizados. 

O problema desse processo é obvio: a inépcia dos governantes néscios leva o país ao caos econômico e social, minando as esperanças de um povo limitado e crente em salvadores representantes da “nova política”. A desilusão com o Mito em vez de recuperar a crença na política profissional como único caminho possível, conduz, no mais das vezes, ao esculacho e aos temerosos “votos de protesto”, o que afunda ainda mais a política e o país num poço sem fundo. 

É aí que essa figura atroz da extrema direita brasileira, Danilo Gentili, pode insanamente aparecer. Depois de se golpear o país, de se criar um imaginário de ódio contra o campo progressista que defende políticas de desenvolvimento harmônico para todos e de se empossar um Mito salvador inconsequente e inepto, à população o caminho mais fácil parece ser o escracho. Abre-se a porta para que jogadores de futebol, apresentadores de TV ou humoristas se coloquem como possíveis soluções. Assim a solução Tiririca “pior que tá não fica” assume novos contornos que podem se resumir à figura de um Danilo Gentili, Luciano Huck e afins. 

E isso não é piada. Na Ucrânia essa desilusão política levou ao poder o humorista Volodymyr Zelenskiy, eleito depois de dizer que não tinha propostas de governo pois “se não tem promessa não tem decepção”. Também se negou a debater na imprensa e fez campanha por redes sociais. Já tivemos (temos) a experiência de um candidato fujão, que não debateu, despreza a imprensa e se elegeu por fakenews de redes sociais.

Gentili representaria um grau de putrefação ainda mais asqueroso desse processo, pois juntaria toda a carga de boçalidade típica da extrema direita num tom de piada, na maioria das vezes de muito mal gosto, o que já o levou a tomar vários processos, inclusive de racismo. Aliás, Gentili, indagado sobre qual seria sua plataforma de governo, recorreu à mesma fuga do presidente ucraniano, dizendo que sua base seria a “realidade”. Mais vago e vazio que isso impossível, pois do contrário, sua base política seria o mundo fantasioso das fadas ou do gabinete do ódio?

Fiquemos atentos!

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O necrarca e o candidato de centro

Por Lelê Teles

Todos o sabemos, o Brasil está sendo presidido por um Necrarca (Necro+arkhe = senhor da morte).

E essa não é apenas uma digressão morfológica, mas uma questão conceitual.

Creio que chamar o presida de Thanatus, como já o fizeram alguns, é impreciso. Thanatus é a morte propriamente dita, já o nosso Necrarca é aquele que dita a morte.

Dito isto, digo mais.

O Brasil já foi presidido por dois ciganos, JK e Washington Luís. Também já foi comandado por um Jaburu Usurpador, de origem libanesa.

Já tivemos diversos presidentes católicos e fomos chefiados por um FHC confessadamente ateu.

Como o Brasil é um país múltiplo e diverso, os empresários da fé, esses homens de bens e de bufunfas, acreditam que se aproxima a hora de emplacar o primeiro presidente terrivelmente evangélico.

Porém, apesar de já figurarem nas câmaras de vereadores Brasil afora, e já contarem com deputados estaduais, federais e até senadores, os evangélicos ainda não encontraram um nome que vá além do seu rebanho.

O irascível Silas Malafaia, uma espécie de Ciro Gomes de púlpito, não é consenso nem entre os evangélicos.

No entanto, para a minha surpresa, abro os jornais e só vejo o desespero dos bilionários que comandam a mídia e o mercado em busca de um candidato de centro.

Surpreso com a novidade e propenso a religiar tudo, fui à floresta consultar o meu oráculo, o sapiente Cacique Papaku, para saber se esse candidato de centro seria um espírita ou um babalorixá.

Papaku sorriu da minha ingenuidade política.

Explicou-me que, nessa diegese, o centro é um lugar imaginário entre a direita e a esquerda, e me aconselhou a procurar uma entidade, no seio da floresta, para esclarecer minhas dúvidas.

Subi no meu pangaré rocinante e rasguei a vegetação agreste com os peitos.

Um dia inteiro a cavalo dentro da mata - pocotó, pocotó, pocotó -, o silêncio sendo quebrado a trotes, as aves amuadas nas árvores, o mugido mudo do gado magro e o sol gritando surdo no céu: “sai do mei que lá vai fogo”.

Pocotó, pocotó, pocotó; as fustigações abrasivas tostando a pele de um e o pelo do outro.

No caminho, lembrava que Ciro Gomes arvorara-se a ser esse tal candidato de centro, não sendo ele kardecista e nem macumbeiro; “estanho”, pensei.

A noite sendo.

Ao surgir as primeiras estrelas no céu, apeei o rocinante esbaforido no tronco de um angico, improvisei um cocho de cabaça seca, despejei nele toda a água do cantil e segui mata adentro.

Mais hora e meia de caminhada, os lábios crispados de ressecamento, a cabeça enfurnada em forno, as pernas bambas com dores láticas e o facão cortando caminhos: chape, chape, chape...

“Pai Ciro, do alto dos seus 4%, acredita que o Necrarca (30% ou mais) não irá ao segundo turno, que será disputado entre ele e Lula. Como se vê, trata-se de uma questão de fé, ou de má fé, não de aritmética”.

Esses são meus pensamentos pensando sozinhos, o excesso de sol causa vertigens e delírios.

Finalmente, ouvi o gorgolejar da água em rodopios, num esfregar sensual e sinuoso por entre os lisos seixos de pedras.

Rasgando a árida e sépia paisagem, o riacho serpenteava, iluminado pelo luar do sertão (“não há, oh gente, oh não...”), as margens pedregosas e chapadeiras. E o pensamento pensando:

“Na verdade, Ciro sabe que não tem a menor chance, ele não nasceu ontem, e o que pretende é sabotar mais uma eleição do Petê. Com essa conversa mole de que Bolsonaro está fora do jogo, Ciro abre caminho para bater, sem dó e nem dor, no nosso Lula Livre, sua terrível obsessão”.

Mais quarenta minutos de caminhada água adentro e lá estava o poço encantado indicado pelo Cacique Papaku, quase redondo: a água vestida de uma coloração ferrosa, provocada pela sedimentação das folhagens, refrescada pela umbrosa sombra ciliar; o véu da cachoeira lacrimando.

A água, que batia com força nas pedras, libertava os cristais liquefeitos e se expandia, formando um souvenir de arco-íris; duas borboletas amarelas adejavam em volta, um sedento papa-capim equilibrava-se numa pedrinha musgosa e lambia o líquido saciante.

Sentada sobre uma pedra seca, mas dentro d’água, estava ela: espelho na mão, escovando os cabelos longos e anelados com um pente de relva, as costas nuas, o busto nu, a cintura delgada equilibrando uma saia longa.

“Eparrey”, eu gritei em saudação. “Quem vai aí?”

“Sophia”, ela respondeu.

“Sophia de quem?”, redargui.

“Sophia de Iansã. Quem vem lá?”, inquiriu a magnífica criatura.

“De minha parte é espírito de luz. Venho por indicação do venerando Mestre Cafuna e do honorífico Cacique Papaku”, respondi.

“Mergulhe”.

Mergulhei. O corpo inteiro transparecendo na limpidez da água, emergi já na pedra onde Sofia esperava-me sentada e danei a falar:

“Na direita já temos um candidato raiz, o Necrarca, apoiado por seus Thantus fiéis e inseparáveis; a esquerda pertence a Lula; isso coloca Ciro no centro, me parece uma boa posição...”

“Alto lá”, cortou-me a entidade, “no momento, Ciro é candidato a candidato do centro, ele não está em disputa com o Necrarca e nem com Lula, a refrega de Ciro é com os anões Danilo Gentili e Mamãe Falei, com o minúsculo Luciano Huck e com o ínfimo Mandetta. Nesse cenário, Ciro corre sério risco de ficar pelo caminho e ser derrotado pelo comediante”.

“Mas Ciro sempre terá Paris”, obtemperei.

“O problema é que Paris nunca terá Ciro, o pária”, redarguiu o ser encantado, “espírito obsessor, Ciro tenta emplacar como vice o mindinho ACM Kid, aquele sujeito que bravateou um dia que surraria Lula; serão surrados os dois, nas ruas e nas urnas.”  

Disse isso e mergulhou, sereiamente.

Como que num encanto, seu corpo se liquefez e ela desapareceu; tudo ali era água, a entidade não deixou vestígio.

Vestido em sua curtíssima tanga de penachos, Papaku me observava do alto da cachoeira, sorridente.

“É isso”, pensei comigo, “assim como fizeram com Heloisa Helena, Marina Silva e Cristovam Buarque, os bilionários se divertem batendo palmas para os delírios de Ciro, ele é útil enquanto faz do seu ressentimento uma arma para tentar destruir a reputação do sapo barbudo, mas ninguém leva o sujeito a sério, é uma espécie de aríete com o qual tentam arrombar a porta, mas uma vez a porta aberta, ele não entra”.

Temo que, percebendo sua inviabilidade eleitoral, sem um discurso unificador e posicionado na periferia do centro, Ciro tente dar uma faca em si mesmo, emulando a estratégia do Necrarca.

Não funcionará.

Jamais existirá um cirismo, porque em Ciro não se vê um projeto, mas apenas a projeção do seu ressentimento, o cabra é um pote até aqui de mágoa.

Suspeito que o destino de Ciro é virar meme, entrar para o anedotário nacional e viver para sempre no folclore dos políticos brasileiros, uma espécie de mula sem cabeça engravatada.

Palavra da salvação.

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Derrotar a guerra cultural e construir o futuro

Por Márcio Tavares

A cultura, pensada como a expressividade, a sensibilidade, produção de códigos de significado e de obras de arte, ou seja, em um sentido amplo e emancipatório, detém no Brasil uma participação decisiva para a formação da nossa identidade nacional, pela garantia da nossa integridade como nação. É por meio da cultura que se forma um povo, que se conforma um sentimento de que, com nossas diferenças, estamos no mesmo “barco da história”. Em suma, não há nação sem cultura e sem arte. Por isso, quando retomamos a democracia nos anos 1980, o legislador incluiu em nossa Constituição a cultura como um direito e o Ministério da Cultura foi criado. 

As políticas culturais, a liberdade artística e de expressão e o direito pleno à fruição cultural são conquistas democráticas. Em vista disso, ameaçar e asfixiar a produção cultural e artística significa desprezar o que nos faz uma democracia, e, igualmente, intimidar e inviabilizar a nossa capacidade de atuação como comunidade, como coletivo que diversamente constrói um sentido comum. E esse é o objetivo de Jair Bolsonaro e seu governo: desestabilizar as liberdades, esmagar os direitos populares e erigir um sistema autoritário e reacionário. A cultura é alvo porque jamais se enquadraria em um projeto regressivo desses.

Tradicionalmente, uma das primeiras ações de ditaduras e de pessoas de viés autoritário quando chegam ao poder é buscar silenciar os artistas e fazedores de cultura. A tentação do arbítrio sempre incorpora a censura e a perseguição aos cultores como parte de seu programa.  O atual governo brasileiro flerta com a desintegração nacional, com o massacre do povo pela fome e pelo vírus. 

O desmonte das políticas culturais, sobretudo as construídas a duras penas durante os governos de Lula e Dilma, são elemento central do governo de extrema-direita. Para eles, é essencial para eles calar a cultura. A chamada “guerra cultural” é primordial para os bolsonarismo em seu afã de perpetuação no poder e, também, está implicada em um compromisso geopolítico com a recolonização do país, a partir da submissão nacional aos interesses estrangeiros, sobretudo dos Estados Unidos.

A extinção do Ministério da Cultura e sua substituição por uma secretaria desvalorizada, comandada por gente desqualificada para a gestão, e desnutrida de suas capacidades administrativas e de elaboração de políticas públicas, tem efeito simbólico e prático na ofensiva bolsonarista contra a cultura brasileira. Os sucessivos cortes orçamentários, a descontinuidade de projetos e ações, a inviabilização de instrumentos de apoio e fomento são instrumentais na guerra cultural do governo, bem como são a censura aos editais calcada no combate à valorização da diversidade cultural. A tolerância da extrema-direita com o dissenso e a diferença é nenhuma.

Recentemente o Fórum dos Secretários Estaduais de Cultura denunciou em carta aberta que a operacionalidade da lei Rouanet estava sendo bloqueada pelo governo federal. Efetivamente, desde a posse de Mário Frias, o instrumento de incentivo fiscal praticamente zerou a sua atuação. Nenhum projeto é apoiado e, com isso, muitos artistas, produtores e gestores passam dificuldades para sobreviver, instituições culturais se encontram inviabilizadas e podem fechar as portas. Ironicamente, a ofensiva bolsonarista contra a lei Rouanet, obriga a esquerda a defender o mecanismo, que desde sua criação se firmou como principal forma de fomento à cultura no país. Historicamente, o Partido dos Trabalhadores buscou reformar a legislação para que a discricionaridade dos departamentos de marketing das empresas para indicar os recursos para o setor fosse reduzida em favor do Fundo Nacional de Cultura, que poderia ser um instrumento mais democrático de distribuição dos recursos públicos. Entretanto, atualmente, torna-se imperativo defender que o incentivo fiscal funcione em sua plenitude para que possa irrigar importantes ações e instituições culturais. 

A paralisia na lei Rouanet se repete no audiovisual. O Fundo Setorial do Audiovisual foi uma conquista de primeira grandeza para a produção cultural brasileira, êxito dos governos de Lula e Dilma junto do setor. É um instrumento de fomento com fonte de recursos garantida e permanente, o Condecine. O FSA permitiu que a nossa produção cinematográfica explodisse nos últimos anos em quantidade e qualidade. Nossos filmes e nossas séries começaram a ser assistidos dentro e fora do país, recebendo atenção e premiações. O setor começou a ganhar projeção simbólica e econômica, algo que somente a música brasileira havia atingido nessas proporções. Contudo, mesmo com tantos resultados positivos a apresentar, hoje, há no fundo recursos de mais de 2 bilhões de reais disponíveis, porém o governo Bolsonaro usa de subterfúgios para impedir a aplicação desses valores para a produção audiovisual. O que explica isso é a decisão ideológica e, como veremos, geopolítica de conter nossos cineastas e realizadores.

Em termos econômicos, a cadeia produtiva do audiovisual empregava mais que a indústria automobilística no país até 2019. Todos os dados de produção e de resultados em prestígio e assistência eram crescentes até a chegada de Jair Bolsonaro ao governo. O crescimento resistiu aos primeiros anos de desgaste das políticas após o golpe de 2016. Isto é, era uma cadeia produtiva cada vez mais importante para a nossa economia e com um gigantismo simbólico em seus produtos. O Brasil começou a se enxergar cada vez mais nas telas de cinema. 

Aliás, é interessante observar que o único ramo do mercado nacional de arte e cultura que não é dominado pela produção nacional ainda é justamente o de filmes e séries. Enquanto, na maioria dos países, a produção artística e cultural estadunidense é mais consumida em quase todas as áreas, por aqui só esse nicho é liderado por eles. Contudo, desde que o Brasil passou a ter uma produção estruturada nesse setor, a ocupação das produções nacionais ganhava espaço progressivamente no país e nos médio e longo prazos a participação estadunidense poderia ter uma competição sustentada da produção nacional. Até porque o brasileiro gosta muito de se ver nas telas e se interessa por nossas histórias.

É muito sabido e estudado que desde a década de 1930, ao menos, a produção cinematográfica faz parte de uma estratégia de projeção global dos Estados Unidos, de seus talentos, de sua criatividade e seus valores. Assim, é desinteressante por razões econômicas e geopolíticas que essa produção perca importância e espaço em qualquer lugar. Com a chegada do streaming, esse predomínio norte-americano também se aplica na difusão de conteúdo, com a maioria das plataformas sendo daquele país. As tentativas de regulamentação desse setor são bloqueadas desde 2016. O deputado Paulo Teixeira apresentou uma iniciativa para regulamentação do VOD – vídeo on demand – no país que sofre imensa oposição das plataformas, com lobby pesado pela manutenção da desregulamentação. Esse tema, aliás, poderia ser transposto para as plataformas de música, que praticamente não beneficiam os artistas. O governo de Michel Temer e o de Jair Bolsonaro atuaram e atuam para responder aos interesses estrangeiros nessa área e prolongar a desregulamentação que prejudica os nossos fazedores.

Enquanto os EUA têm uma política ofensiva nessa área, entendendo o quanto ela é estratégica – aliás uma tônica do país desde a Guerra Fria, há um livro interessantíssimo de Frances Saunders sobre o tema que recomendo –, por aqui os governos erigidos desde o golpe vêm entregando ao estrangeiro nosso mercado para o audiovisual, perdendo a oportunidade de uma projeção benéfica do país no mundo e de possibilitar que o nosso povo possa ver seus temas e dilemas nas telas com maior presença.

 Faço essa menção à geopolítica para referendar a tese de que a cultura é um tema central e que deve estar no centro de qualquer projeto de desenvolvimento, pois ela consta assim em todos os países centrais do capitalismo. Como o projeto de Bolsonaro é o contrário disso, é um projeto de destruição e recolonização nacional, ele trata de maltratar e asfixiar o setor cultural, buscando inviabilizar ao máximo a expansão da produção e a sobrevivência de artistas e cultores. A própria lei Aldir Blanc, como sabemos, aconteceu apesar de Bolsonaro em um esforço do parlamento associado com os fazedores de cultura. Aliás, a lei de Benedita da Silva encontra-se agora em necessidade absoluta de prorrogação dos seus prazos de execução e do uso dos recursos disponibilizados e o governo Bolsonaro não move uma palha em auxílio do setor. E isso não é à toa: como vimos, a guerra cultural é estruturante para o bolsonarismo e seus interesses de perpetuação do poder.

A visão mesquinha de Bolsonaro a respeito da cultura joga o país para baixo, aumentando a instabilidade e prejudicando dramaticamente nossas possibilidades de futuro. Uma vez que todos sabem que a economia da cultura e a indústria criativa são parte indispensável de qualquer política de geração de emprego, renda e crescimento econômico. Até o início da pandemia, de acordo com a UNESCO, tínhamos mais de 7,2 milhões de trabalhadores nesse setor, mostrando sua importância – normalmente não considerada nesse aspecto. Desde o começo da pandemia, mais de 800 mil postos de trabalho foram perdidos na área. 

Países como a Coreia do Sul, o Reino Unido e a França planejam investimentos públicos maciços em cultura como uma de suas estratégias de retomada econômica e como forma de projeção no mundo pós-pandemia. No Reino Unido se fala em “new deal” para a arte, na Coreia do Sul o “k-pop” é visto como estratégico para a projeção do país, na França o governo Macron intenciona reativar a economia pós-pandemia com investimentos massivos em “criatividade”. Aliás, a saída em quase todos os lugares, com governos à esquerda ou à direita, tem sido reativar os investimentos públicos em arte e cultura. O futuro dos empregos e do desenvolvimento passa, sem dúvidas, pela economia da cultura. 

Além disso, há o valor intangível, simbólico, que excede em muito qualquer resultado de outra ordem que o investimento em cultura possa ter. Mesmo que os resultados econômicos não fossem tão expressivos como são, o investimento público em cultura, pesado, se justificaria pela importância que o setor tem para a formação de comunidades democráticas, livres, vibrantes, cosmopolitas e que respeitam a diversidade. Ou seja, a cultura constrói um povo, comunidades e atua de forma decisiva para evitar o florescimento de conflitos e do ódio.

Portanto, é preciso combater a “guerra cultural” e para combatê-la precisamos compreender a que interesses ela serve para a extrema-direita bolsonarista. Ela é estratégica no projeto deles. Diante disso, há só uma saída para o setor cultural nesse momento de perseguição: mobilização intensa, nos meios possíveis diante da pandemia, para combater o autoritarismo bolsonarista, contando com a solidariedade dos demais movimentos sociais e políticos. Para o campo progressista, se torna evidente que é preciso englobar a cultura como um vetor político estruturante na construção de um projeto de desenvolvimento equitativo e sustentável que vem das bases, que busque reconstruir a nossa democracia, reunir o nosso povo ao redor de valores solidários e que intencione projetar o nosso país no mundo com aquilo que temos de melhor para oferecer: a diversidade e a criatividade da nossa gente. Defender a cultura hoje é garantir o nosso futuro amanhã.

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Análise: Leonardo Sakamoto - Não faz nem deixa fazer: Bolsonaro impôs um apagão deliberado de governo

Ansa
Imagem: Ansa
Leonardo Sakamoto

Colunista do UOL

20/04/2021 10h59

O Brasil ultrapassou, nesta segunda (19), a marca de 375 mil mortos por covid-19. No mesmo dia, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou que o desmatamento na região registrou o pior mês de março dos últimos dez anos.

A análise do comportamento do governo Bolsonaro diante da crise ambiental deve ajudar a CPI da Pandemia no entendimento de que o descontrole da doença não é fruto de omissão diante de responsabilidades constitucionais, mas de um apagão deliberado de gestão.

Tanto no combate à pandemia quanto no enfrentamento à destruição ambiental, o governo abre mão de seu papel de prevenir e fiscalizar e atua de forma agressiva para impedir que qualquer ator público ou privado ocupe o vácuo por ele deixado.

Como o presidente já afirmou, ele acredita que a melhor forma de acabar com o coronavírus é garantir a contaminação em massa e, a partir daí, formar uma imunidade de rebanho. Por isso, é contra a adoção de qualquer medida que impeça a sua propagação.

Governadores, prefeitos, médicos, cientistas que, diante da catástrofe humanitária, agiram para reduzir o contágio foram duramente atacados por Bolsonaro. O presidente chegou a ir ao Supremo Tribunal Federal pelo direito de impedir a adoção de isolamento social. O efeito colateral desse comportamento são centenas de milhares de mortos.

Da mesma forma, desde que assumiu o cargo, Bolsonaro vem atuando para enfraquecer as instituições voltadas ao monitoramento e controle ambiental, principalmente o Ibama e o ICMBio. Eleito com o apoio de pecuaristas, madeireiros e garimpeiros que atuam de forma ilegal, ele ataca fiscalizações que prejudiquem os interesses desses aliados.

Qualquer tentativa de interferência em sua estratégia por parte de governadores, de lideranças indígenas e quilombolas, de organizações da sociedade civil são respondidas com discursos violentos. O presidente chegou ao absurdo de culpar os povos tradicionais pelas queimadas na Amazônia em discurso na Assembleia Geral da ONU no ano passado.

Essa negligência violenta, que não faz e impede que outros façam, precisa ser alvo de escrutínio por parte dos senadores da comissão parlamentar de inquérito que investigará as ações do governo federal durante a pandemia. Mais do que uma omissão, que trabalha no limiar entre a incompetência e do cinismo, isso é perversão, com uma ação clara e consciente no sentido oposto a salvar vidas.

Para evitar interpretações que coloquem em dúvida esse modus operandi, a CPI contará com o caso do desmatamento na Amazônia para mostrar que não se trata de pura negligência, mas de um projeto de país violento e excludente, que encara a morte como efeito colateral aceitável de seus objetivos.

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Emissões globais de CO2 terão aumento histórico em 2021, diz Agência

Segundo a AIE, a demanda por combustíveis fósseis deve crescer 4,5% em 2021 - Getty Images
Segundo a AIE, a demanda por combustíveis fósseis deve crescer 4,5% em 2021 Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

20/04/2021 10h45

Atualizada em 20/04/2021 10h45

As emissões globais de CO2 (gás carbônico) caminham para o segundo maior aumento anual de todos os tempos em 2021, de acordo com dados da AIE (Agência Internacional de Energia). O relatório anual foi divulgado hoje e aponta que o aumento das emissões será de quase 5%, que representa 1,5 bilhão de toneladas.

Segundo a AIE, a demanda por combustíveis fósseis deve crescer 4,5% em 2021. O consumo de carvão deve ser 60% maior do que todas as energias renováveis combinadas.

EUA saúdam compromisso do Brasil sobre desmatamento, mas pedem 'ações imediatas'

A estimativa leva em consideração que mais de 80% desse crescimento se concentre na Ásia, com a China respondendo por mais de 50% do crescimento global.

A demanda por carvão nos Estados Unidos e na União Europeia também está se recuperando, mas ainda deve permanecer bem abaixo dos níveis anteriores à crise, de acordo com a Agência.

Os números apresentados no relatório também apontam que as terceiras ondas da pandemia da covid-19 estão prolongando as restrições, o que amplia a demanda por energia elétrica a nível global.

De acordo com a AIE, o consumo deve aumentar 4,5% em 2021, ou mais de 1 000 TWh. O número é quase cinco vezes maior do que o declínio em 2020, cimentando a participação da eletricidade na demanda de energia final acima de 20%.

Quase 80% do aumento projetado na demanda em 2021 ocorre nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento, com a China, sozinha, respondendo por metade do crescimento global. A demanda nas economias desenvolvidas permanece abaixo dos níveis de 2019.

O panorama apresentado pelo relatório aponta que a demanda de petróleo também está se recuperando, com o setor de aviação ainda lento. A expectativa é que o consumo fique abaixo do pico de 2019.

As energias renováveis estão acelerando, com a energia eólica e solar registrando aumentos recordes, segundo a AIE. A eletricidade renovável deve crescer mais de 18% em 2021, sendo responsável pela maior parte do aumento no fornecimento de energia global.

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Técnica de enfermagem diz usar uma agulha para aplicar 10 doses da vacina

Do UOL, em São Paulo

20/04/2021 10h18

Atualizada em 20/04/2021 12h13

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma técnica de enfermagem dizendo que utiliza a mesma agulha de seringa para aplicar dez doses da vacina contra a covid-19 em moradores de Altamira, no Pará. A Prefeitura do município confirmou a veracidade do vídeo ao UOL, mas ponderou "que houve foi uma falha de comunicação, e não de procedimentos" pois a profissional da saúde teria ficado nervosa ao ser questionada sobre as aplicações do imunizante.

Agora, o idoso está fazendo tratamento profilático para reduzir o risco de ser infectado pelo HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis em razão do possível compartilhamento de agulha usada na imunização.

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A gravação foi feita por um homem enquanto o idoso é vacinado, que questiona "por que doeu tanto assim?". Alguém no fundo do vídeo diz que a "agulha está ruim" e a técnica de enfermagem explica: "agora, colocaram nós na televisão [dizendo] que a gente não podia fazer do jeito que estávamos fazendo, então agora, essa agulha ela faz dez furos aqui ó, entendeu? É uma norma deles lá, então a gente não pode estar trocando a agulha".

A Secretaria Municipal de Saúde, através da Coordenação de Imunização, disse ao UOL que "todos os materiais utilizados nas aplicações das doses de vacina são descartados após o uso. Tanto as seringas como as agulhas descartáveis são utilizadas uma única vez", detalhando que isso ocorre com todas as pessoas imunizadas no município.

A nota da Secretaria explica que o Manual de Normas e Procedimentos para a Vacinação do Ministério da Saúde e também a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) indicam que é "proibido deixar o frasco da vacina agulhado, para facilitar a aspiração no frasco de vacina".

E completa: "É orientado, então, que a cada aspiração com as seringas descartáveis, o profissional perfure a borracha em locais diferentes evitando a parte central da tampa, e é assim que a Coordenação de imunização orienta os profissionais que estão aplicando as doses de vacina".

De acordo com a pasta, a técnica de enfermagem — que não teve a identidade revelada — teria ficado "acuada com os questionamentos" realizados pelo idoso e a pessoa que estava filmando e, equivocadamente, "passou uma informação que não procede e que coloca em questão o compromisso e a ética com que todos os profissionais de saúde estão atuando na linha de frente da covid-19".

A secretaria ainda destacou que um enfermeiro que estava no local disse que o idoso filmado usou a última dose do frasco que tinha no isopor, por isso, a profissional coloca a agulha várias vezes no frasco e retira durante o vídeo. "Ao final do expediente, todos os frascos utilizados são devolvidos para o setor de imunização para serem conferidos e ser feito o descarte correto", finaliza a nota.

Idoso faz tratamento

Rafael Abucater, médico e filho do idoso, disse ao Jornal da Record que "após ver o vídeo [da imunização] pedi que o meu pai fosse até uma unidade de pronto-atendimento relatar o ocorrido aos profissionais da saúde do local para que fossem tomadas as devidas providências. [Ele fez] Um teste rápido para HIV, uma profilaxia contra sífilis e iniciou o tratamento profilático contra o HIV, esse tratamento vai durar 28 dias".

A secretaria informou à emissora que não é possível determinar quantas pessoas teriam sido vacinadas pela técnica de enfermagem pois não consegue individualizar as aplicações das doses pelos profissionais. Segundo a emissora, o vídeo da aplicação será periciado e a técnica de enfermagem foi afastada do cargo.

Osvaldo Damasceno, diretor de vacinação da Secretaria de Saúde do município, explicou que a técnica de enfermagem é uma das mais antigas e experientes da cidade.

"A gente não considera que seja possível que ela tenha feito ou esteja fazendo a aplicação em mais pacientes com uma mesma agulha. A gente tem um problema de comunicação porque as pessoas são habilitadas para a fazer a parte técnica, mas, às vezes, não conseguiu explicar".

Ainda para a emissora, Jocilane Gomes, coordenadora de imunização da prefeitura, afirmou que não há indicação para o reúso da seringa. Ao simular o processo de aplicação de uma dose vacina com uma enfermeira para a reportagem, a profissional da saúde, aparentemente, coloca o imunizante na seringa, mas a descarta sem aplicar em alguém.

Jocilane negou que uma dose do imunizante tenha sido jogada fora ao exemplificar a imunização à reportagem. "Nessa prática utilizamos kit de agulha e seringa esterilizadas e também fizemos uso de um frasco vazio. Dentro desses frascos podem sobrar resíduos que nem podem ser aspirados", alegou.

UOL questionou a Secretaria de Saúde sobre abertura de sindicância para apurar o caso e aguarda um novo retorno da pasta.

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Vacinas contra covid: O que acontece com as doses das vacinas AstraZeneca e Janssen que países europeus decidiram não usar?

Apesar de haver falta de vacinas contra a covid-19 no mundo, doses têm se acumulado em alguns países - Getty Images
Apesar de haver falta de vacinas contra a covid-19 no mundo, doses têm se acumulado em alguns países Imagem: Getty Images

Redação - BBC News Mundo

20/04/2021 09h55

Atualizada em 20/04/2021 10h23

Enquanto alguns países lutam para obter mais vacinas, outros se perguntam o que fazer com as doses que encomendaram, mas não usarão mais por causa de preocupações com sua segurança.

Vários países restringiram o uso das vacinas Oxford-AstraZeneca e da Janssen (Johnson & Johnson) devido a um risco muito pequeno de coágulos sanguíneos.

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A Dinamarca parou totalmente de distribuir a AstraZeneca, gerando uma onda de interesse nas doses que não serão usadas naquele país.

A República Tcheca fez uma oferta para comprar "todas as vacinas AstraZeneca da Dinamarca". Estônia, Letônia e Lituânia também manifestaram interesse.

Por que isso está acontecendo?

Há uma preocupação crescente com os casos raros, e às vezes fatais, de trombose, especialmente em pessoas mais jovens. No entanto, os reguladores de saúde em todo o mundo insistem que os benefícios gerais da vacina na prevenção da covid-19 superam os riscos de efeitos colaterais.

De acordo com dados do regulador de medicamentos do Reino Unido, se 10 milhões de pessoas receberem a vacina AstraZeneca, a estimativa é que 40 apresentem coágulos. Cerca de 10 pessoas morreriam, ou seja, o risco é de um em um milhão.

É praticamente o mesmo risco de morrer em um acidente de trânsito durante uma viagem de 400 km.

Mesmo assim, as autoridades sanitárias da Dinamarca tomaram a decisão de interromper o uso da vacina AstraZeneca. Explicaram que havia outras vacinas disponíveis, que a epidemia estava sob controle no país e que estavam agindo com cautela em resposta a um "risco conhecido de efeitos adversos graves".

A decisão significa que 2,4 milhões de doses da AstraZeneca que a Dinamarca concordou em comprar serão retiradas de circulação.

O uso da vacina da Janssen também foi suspenso na África do Sul. Essa vacina havia sido escolhida para uso no país africano após estudos mostrarem que proporcionava maior proteção contra a variante local da covid-19.

A AstraZeneca, que é menos eficaz contra essa variante, já havia perdido popularidade na África do Sul, o que também resultou em vacinas não utilizadas.

Para evitar o desperdício, a África do Sul vendeu um milhão de doses de AstraZeneca para distribuição em 14 países africanos.

Essas vacinas podem ser usadas em outro lugar?

Em teoria, sim. Os países estão dispostos a vender ou doar vacinas de que não precisam mais.

No dia 15 de abril, o diretor para a Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS), Hans Kluge, sugeriu que a Dinamarca estava tentando fazer exatamente isso.

"Eu entendo que o Ministério das Relações Exteriores dinamarquês está pronto, ou já está procurando opções, para compartilhar as vacinas AstraZeneca com os países mais pobres", disse Kluge em um comunicado.

E alguns vizinhos da Dinamarca se ofereceram para receber as doses indesejadas.

"Temos menos vacinas do que pessoas dispostas a serem vacinadas", disse a primeira-ministra da Lituânia, Ingrida Simonyte. "Portanto, a Lituânia expressou sua disposição de receber tantas doses da AstraZeneca quanto a Dinamarca estiver disposta a compartilhar."

Em um tuíte, o ministro do Interior tcheco, Jan Hamacek, disse que instruiu um diplomata a declarar o interesse do país em "comprar todas as vacinas AstraZeneca da Dinamarca".

O governo da Dinamarca ainda não fez comentários.

Nesse ínterim, essas vacinas serão mantidas em armazenamento. As vacinas da AstraZeneca e da Janssen têm a vantagem de poderem ser armazenadas em temperatura de geladeira, o que as torna mais fáceis de transportar do que a vacina da Pfizer, que deve ser armazenada a -70 graus.

No entanto, as vacinas têm um prazo de validade, que varia de acordo com o fabricante do imunizante.

Quantas vacinas não foram utilizadas?

Não há registro global, mas os dados regionais fornecem uma visão geral. A Dinamarca, por exemplo, recebeu 202.920 doses de AstraZeneca até 15 de abril, mostram números do Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDP).

Destas, 150.671 doses foram administradas e 52.249 permaneceram sem uso.

O quadro é semelhante em toda a Europa, onde vários países limitaram as vacinas AstraZeneca e Janssen aos idosos.

Os dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos também mostram que muitos Estados americanos têm doses em excesso.

Mais de 20% das vacinas adquiridas ainda não foram administradas em estados como Alabama (37%), Alasca (35%), Vermont (27%) e Carolina do Norte (24%).

Especialistas em saúde dizem que a capacidade não utilizada sugere que algumas áreas podem estar com residentes que não estão dispostos a ser vacinados.

Existe um plano para compartilhar as vacinas restantes?

Sim. Chama-se Covax.

É um consórcio internacional que visa garantir que as vacinas sejam compartilhadas de forma justa entre todas as nações, ricas e pobres. É liderado pela OMS com a participação da Aliança Global de Vacinas (Gavi) e da Coalizão para Inovação na Preparação para Epidemias (Cepi).

Até o final de 2021, a Covax espera entregar mais de 2 bilhões de doses em 190 países.

Parte desse esquema envolve a redistribuição do excedente de vacinas dos países ricos para os pobres.

Por exemplo, o Reino Unido, que comprou cerca de 450 milhões de doses, prometeu doar a maior parte de seu "excedente" aos países mais pobres. Outros países mais ricos fizeram gestos semelhantes de solidariedade.

Porém, eles têm enfrentado críticas porque, até o momento, nenhum explicou exatamente quando terão as doses excedentes e quantas pretendem doar.

Pelo menos por enquanto, os países ricos estão se concentrando na vacinação de suas próprias populações, ao mesmo tempo em que fornecem recursos financeiros para o programa Covax.

Como e quando as vacinas excedentes poderão ser compartilhadas?

Ainda não se sabe.

A BBC perguntou à Gavi se tinha um registro de quantas vacinas excedentes os países haviam prometido à Covax. Esta foi a sua resposta:

"Dado o contexto de fornecimento limitado de curto prazo, as doses doadas de países com excesso de oferta e alocadas de forma equitativa por meio da Covax serão uma parte importante da solução para obter acesso rápido e equitativo globalmente. Estamos conversando com várias economias de alta renda sobre o compartilhamento de seus doses excedentes e estamos ansiosos para anunciar nossos primeiros acordos em breve."

Portanto, existem acordos para compartilhar vacinas excedentes, mas ainda não há informações concretas sobre quando e quem recebe o quê, o que é frustrante para muitos.

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Prefeitura de Osaka pede ao governo japonês estado de emergência por covid-19

7.abr.2021 - Pedestres usando máscaras de proteção contra a covid são vistos em frente à Torre Tsutenkaku em Osaka, no Japão - Kyodo via Reuters
7.abr.2021 - Pedestres usando máscaras de proteção contra a covid são vistos em frente à Torre Tsutenkaku em Osaka, no Japão Imagem: Kyodo via Reuters

Em Tóquio

20/04/2021 07h00

A prefeitura de Osaka, sul do Japão, pedirá hoje ao governo central a adoção de um novo estado de emergência devido ao aumento de contágios de covid-19, informaram as autoridades locais.

"Acredito que é o momento de tomar medidas enérgicas durante um curto período de tempo", afirmou o governador de Osaka, Hirofumi Yoshimura, à imprensa.

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"O fluxo de pessoas e o ritmo acelerado das variantes estão provocando ondas de contágios", advertiu Yoshimura, que pediu o fechamento de centros comerciais, parques de diversões e grandes lojas.

Yoshimura também pediu à população que recorra ao teletrabalho ao afirmar que, em caso contrário, "não poderemos frear o fluxo de pessoas" infectadas.

Atualmente, Osaka impõe o fechamento de restaurantes e bares às 20h.

Yoshimura anunciou que pediu ao ministro que supervisiona a resposta ao coronavírus, Yasutoshi Nishimura, que aplique um novo estado de emergência, pois as medidas adotadas até agora "não são suficientes".

O pedido formal de Osaka passará pelos trâmites formais durante a tarde e provavelmente será aprovado à noite.

Osaka é o segundo município mais populoso do Japão, com mais de oito milhões de habitantes.

Tóquio e outras áreas também devem adotar medidas com a esperança de evitar a crise que afeta o sistema de saúde de Osaka, onde não há mais leitos para pacientes com covid-19 em estado grave.

No início do mês, Osaka proibiu o revezamento da tocha olímpica nas ruas da cidade e organizou uma cerimônia em um parque sem espectadores.

O aumento dos contágios acontece a pouco mais de três meses do início dos Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados no ano passado devido à pandemia.

O Japão decretou estado de emergência sanitário pelo coronavírus no início de janeiro e suspendeu a medida no dia 1º de março em Osaka, e três semanas depois em Tóquio.

As novas variantes do vírus, no entanto, provocaram uma disparada das infecções e a campanha de vacinação acontece em um ritmo lento.

Até o momento, o Japão aprovou apenas a vacina da Pfizer, destinada por enquanto a profissionais da saúde e iodos.

Apenas 25% dos 4,8 milhões de profissionais da saúde e pouco mais de 13 mil idosos receberam a primeira dose da vacina.

O governo do Japão afirma que terá doses suficientes de vacinas em setembro para imunizar todas as pessoas com mais de 16 anos no país, que tem 125 milhões de habitantes.

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Cúpula do Clima:

Bolsonaro ensaia FARSA e faz chantagem BARATA, diz Ciro

Ciro Gomes grava vídeo com crítica à política ambiental do Governo Bolsonaro - Reprodução
Ciro Gomes grava vídeo com crítica à política ambiental do Governo Bolsonaro Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

20/04/2021 10h31

O ex-governador do Ceará e terceiro colocado nas últimas eleições presidenciais, Ciro Gomes (PDT), disse hoje que Jair Bolsonaro 'ensaia uma farsa' para a Cúpula de Líderes sobre o clima, que será realizada a partir de quinta-feira (22).

Em vídeo divulgado em seu perfil de Twitter, Ciro fez críticas à polícia ambiental do governo, dizendo que o mundo vai ver escancarada "a cara covarde e mentirosa de Bolsonaro".

O que é a Cúpula de Líderes, na qual Biden deve pressionar Bolsonaro

Citando a carta enviada na última semana ao presidente dos Estados UnidosJoe Biden, Ciro Gomes diz que Bolsonaro "já começou a ensaiar a sua farsa" com um "amontoado de mentiras sobre ações passadas e intenções futuras".

"E ainda faz chantagem barata", diz Ciro, sobre o pedido do presidente brasileiro por recursos financeiros para ajudar na política ambiental do país, principalmente em relação à Floresta Amazônica.

Na carta, Bolsonaro se compromete a acabar com o desmatamento ilegal no Brasil e disse que o governo federal quer "ouvir as entidades do terceiro setor, indígenas, comunidades tradicionais e todos aqueles que estejam dispostos a contribuir para um debate construtivo e realmente comprometido com a solução dos problemas".

Ciro Gomes ainda diz que Bolsonaro mente por dizer que está comprometido com a preservação futura da floresta e omite dados sobre o desmatamento no Brasil.

Ele citou um levantamento do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que registrou o maior desmatamento para o mês de março nos últimos 10 anos.

A troca do superintendente da PF (Polícia Federal) na Amazônia, Alexandre Saraiva, após a apresentação de notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também foi lembrada por Ciro Gomes como contradição. 

"Na mesma semana que mandou a carta, demitiu o delegado Saraiva da PF", disse.

Segundo Ciro Gomes, a política ambiental do governo expõem "mentalidade criminosa, ignorância e muita burrice".

"É um absurdo que não entendam que nossa floresta tem muito mais valor em pé do que derrubada", disse.

Em contato com o UOL, a Secom (secretaria de comunicação) informou que o Palácio do Planalto não irá se manifestar sobre as declarações de Ciro.

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