MARIANA - BRUMADINHO

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General BRAGA NETTO mostra que Bolsonaro colocou um CHEFE de TORCIDA na Defesa

Em defesa da Amazônia, artistas do Brasil e dos EUA pedem a Biden que não feche acordos com Bolsonaro

Joe Biden e Jair Bolsonaro

247 - Um grupo de 36 artistas pediu, por meio de uma carta aberta, que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, não feche acordos com Jair Bolsonaro "até que o desmatamento seja verdadeiramente reduzido, os direitos humanos sejam respeitados e a participação significativa da sociedade civil seja atendida".

"Compartilhamos suas preocupações de que ações urgentes devem ser tomadas para enfrentar as ameaças à Amazônia, ao nosso clima e aos direitos humanos, mas um acordo com o Bolsonaro não é a solução", ressalta o texto. 

"Encorajamos você [Joe Biden]  a continuar o diálogo com povos indígenas e comunidades tradicionais da Bacia Amazônica, com governos subnacionais e a sociedade civil, que têm soluções e desenvolveram propostas para sua consideração, incluindo a Plataforma Climática da Amazônia, antes de anunciar quaisquer compromissos ou liberar quaisquer fundos", dizem os artistas no documento. 

"Desde que Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro de 2019, a legislação ambiental foi sistematicamente enfraquecida e as taxas de desmatamento triplicaram. As terras indígenas, que são as mais protegidas da Amazônia, foram invadidas, desmatadas e queimadas impunemente. Os direitos dos povos indígenas, guardiões da floresta, foram violados por Bolsonaro e seu governo", diz um outro trecho do texto.

A carta é assinada por artistas brasileiros como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Fernando Meirelles, Marisa Monte, Sonia Braga e Wagner Moura, além de norte-americanos como Orlando Bloom, Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Kate Perry e Roger Waters, entre outros. Carta foi divulgada às vésperas da realização da Cúpula do Clima, idealizada por Biden e que será realizada esta semana nos EUA. 

Leia a íntegra da carta. 

Carta dos artistas do Brasil e dos EUA ao Presidente Joseph Biden

Estados Unidos, Brasil, 20 de abril de 2021

Proteja a Amazônia

Caro presidente Biden,

Obrigado por seu compromisso de agir pelas mudanças climáticas, pela conservação das florestas e pelo respeito aos direitos e à soberania dos Povos Indígenas. Escrevemos para você hoje como artistas e músicos dos Estados Unidos e do Brasil para expressar nosso apoio e solidariedade aos Povos Indígenas e organizações da sociedade civil na Bacia Amazônica —e ao redor do mundo— que expressaram profunda preocupação com relação a possíveis acordos ambientais com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Instamos sua Administração a ouvir nosso apelo e a não se comprometer com nenhum acordo com o Brasil neste momento.

Proteger a Floresta Amazônica é essencial para soluções globais para lidar com as mudanças climáticas. No entanto, a integridade deste ecossistema crítico está se aproximando de um ponto de não retorno devido às crescentes ameaças à floresta tropical e aos seus guardiões pelo governo Bolsonaro, incluindo desmatamento, incêndios e ataques aos direitos humanos.

Desde que Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro de 2019, a legislação ambiental foi sistematicamente enfraquecida e as taxas de desmatamento triplicaram. As terras indígenas, que são as mais protegidas da Amazônia, foram invadidas, desmatadas e queimadas impunemente. Os direitos dos povos indígenas, guardiões da floresta, foram violados por Bolsonaro e seu governo.

Estamos preocupados que seu governo possa estar negociando um acordo para proteger a Amazônia com Bolsonaro neste momento. Embora estejamos aliviados que a secretária de imprensa da Casa Branca Jen Psaki tenha declarado recentemente que não haveria nenhum acordo bilateral anunciado na Cúpula dos Líderes do Clima no Dia da Terra, ainda estamos apreensivos.

Nós nos juntamos a uma coalizão crescente de mais de 300 organizações da sociedade civil brasileira e norte-americana, povos indígenas, membros do Congresso dos Estados Unidos e legisladores brasileiros para pedir a seu governo que rejeite qualquer acordo com o Brasil até que o desmatamento seja verdadeiramente reduzido, os direitos humanos sejam respeitados e a participação significativa da sociedade civil seja atendida.

Compartilhamos suas preocupações de que ações urgentes devem ser tomadas para enfrentar as ameaças à Amazônia, ao nosso clima e aos direitos humanos, mas um acordo com o Bolsonaro não é a solução.

Encorajamos você a continuar o diálogo com povos indígenas e comunidades tradicionais da Bacia Amazônica, com governos subnacionais e a sociedade civil, que têm soluções e desenvolveram propostas para sua consideração, incluindo a Plataforma Climática da Amazônia, antes de anunciar quaisquer compromissos ou liberar quaisquer fundos.

Agradecemos sua liderança em tomar as medidas necessárias e urgentes para lidar com a emergência climática que enfrentamos coletivamente.

Respeitosamente,

Mark Ruffalo
Leonardo DiCaprio
Joaquin Phoenix
Jane Fonda
Rosario Dawson
Orlando Bloom
Katy Perry
Uzo Aduba
Alyssa Milano
Alec Baldwin
Marisa Tomei
Philip Glass
Roger Waters
Frances Fisher
Misha Collins
Laurie Anderson
Sigourney Weaver
Katherine Waterston
Ed Begley Jr.
Wendie Malick
Barbara Williams

Sonia Braga
Caetano Veloso
Gilberto Gil
Alice Braga
Wagner Moura
Fernando Meirelles
Walter Salles
Marisa Monte
Maria Gadú
Andrea Beltrão
Patrícia Pillar
Débora Bloch
Marcos Palmeira
Bela Gil
Fernanda Abreu

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Opinião: Olga Curado - Bolsonaro será "puxado pelo beiço" na Cúpula do Clima e na CPI

Presidente Jair Bolsonaro - Adriano Machado/Reuters
Presidente Jair Bolsonaro Imagem: Adriano Machado/Reuters
Olga Curado

Colunista do UOL

20/04/2021 12h56

Atualizada em 20/04/2021 13h07

Mais do que discurso se comprometendo em reduzir o desmatamento, o capitão terá, nos seus minutos de holofote durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima, nos dias 22 e 23 de abril, que apresentar datas, números e programas de ação.

A retórica da diplomacia e um texto bem-feito pelos escribas do Itamaraty não bastam para convencer o mundo das boas intenções e da capacidade do governo brasileiro em conter a depredação ambiental, que agora, em março, alcançou recordes históricos. O capitão será "puxado pelo beiço", como se diz no interior do Tocantins, quando se quer levar o boi renitente.

Ex-amigo e agora distante crítico, o deputado Julian Lemos (PSL-PB) assegura que não haverá mudança previsível do capitão, que responde sempre com paixão insuflada pelos filhos, cuja palavra é o seu Norte.

"O maior inimigo dele é ele mesmo. É uma pessoa ingrata", sentencia o deputado, ao analisar a tentativa de o capitão voltar ao PSL para ser candidato à reeleição em 2022, exigindo como condição que o ex-amigo seja expulso do partido.

O capitão queima pontes porque acredita, na sua impulsiva leitura dos fatos, que não precisará retornar, e vai montando a estratégia baseada nas correntes de vento. Mas ele não nega a própria essência.

As crenças do capitão são definidas seguindo a lógica dos seus interesses imediatos e da conveniência do momento. Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, irá recepcionar 40 líderes para discutir a pauta da preservação do meio ambiente, como um tema mundial, e cobrará do Brasil o cumprimento da sua responsabilidade no cuidado com a Amazônia.

Receberá acenos com pouca convicção. E o capitão dirá que o Brasil não é réu. O vice-presidente Hamilton Mourão tem na ponta da língua que o Brasil é responsável apenas por 3% das emissões... É um ensaio. Vai que cola.

Por outro lado, líderes empresariais brasileiros criam o seu plano próprio para lidar com os riscos do negacionismo ambiental, fruto do aprendizado do negacionismo da covid-19, que reduziu o acesso do Brasil às vacinas. Desenham soluções para demonstrar ao mundo a convicção de que a pauta ambiental não é debate ideológico. Também reconhecem que esperar a ação do governo do capitão é contar com o ovo que a galinha não botou.

O capitão é antiquado. Aferra-se a informações há muito superadas pelos fatos. Coloca-se como os inquisidores do século XVI, que ameaçavam tornar herege o pai da ciência Galileu Galilei, que afirmava estar o sol no centro do sistema solar, e não a Terra. Assim, o negacionismo levou muita gente para a fogueira. No Brasil, milhares de brasileiros estão nos cemitérios, nas UTIs, nas filas de espera por tratamento.

Mas o capitão "será puxado pelo beiço". Será levado pela CPI lenta e gradualmente, até que chegue à porta do matadouro e aí irá negociar clemência. Entregará o que tiver para se manter de pé. E haverá soluções contábeis, mágicas, de ocasião, como foi o encontro de contas para salvar a maior parte das emendas parlamentares do orçamento e garantir aos deputados os bilhões que lhes deem a simpatia das suas bases eleitorais na disputa de 2022. São agora R$ 16,5 bilhões para os gastos dos deputados.

Não se pode dizer, porém, que o capitão deixará de espernear. Tem a diligente despachante, a doutora Lindôra Araújo, acossando os governadores, a serviço de Augusto Aras, o procurador que sonha com uma cadeira no STF (Supremo Tribunal Federal). A doutora quer saber como os governadores gastaram o dinheiro que o governo federal, por obrigação legal, repassou a estados e municípios.

Afinal, indaga a despachante, por que os governadores desmontaram os hospitais de campanha ano passado, se agora faltam leitos? É a lógica do capitão, que se imiscui no raciocínio tortuoso da instituição, que se curva ao medo do capitão.

A incúria, inépcia, incompetência gigantesca do Ministério da Saúde em manejar a pandemia não poderia ser imaginada. Foi depois, quando se negou a comprar vacina, quando não aceitou as regras da contaminação do vírus, que se desenhou a tragédia. Não antes.

Espernear, fazer espuma, gritar, xingar - embora apenas provoquem desgaste, com perda de energia desnecessária por parte de quem tenta conter a balbúrdia - estão no script do capitão. Mas ele não é o único roteirista.

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Mariana: pesquisadores encontram metais tóxicos em peixes do Rio Doce

Arquivo - Rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em novembro de 2015 - Eduardo José/Facebook
Arquivo - Rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em novembro de 2015 Imagem: Eduardo José/Facebook

17/04/2021 14h13

Estudos desenvolvidos pela Rede Solos Bentos Rio Doce constataram que os rejeitos despejados pela Samarco aumentaram significativamente a presença de metais e metalóides nas águas, no solo e também nos peixes, que servem de alimento para boa parte das pessoas que vivem nas regiões próximas às margens do Rio Doce.

Joint-venture da Vale e da BHP Billiton, a Samarco é a empresa responsável pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em novembro de 2015. A barragem integrava o Complexo Minerário de Germano. Na tragédia, cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeito escoaram ao longo do Rio Doce, causando impactos socioambientais em dezenas de municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.

As análises feitas pelos pesquisadores tiveram início antes mesmo de os rejeitos, ricos em ferro, alcançarem o estuário do Rio Doce. "Assim que soubemos do rompimento da barragem iniciamos a coleta de amostras, de forma a termos material para complementar posteriormente o estudo", disse à Agência Brasil o coordenador da Rede SoBen Rio Doce e professor do Departamento de Oceanografia da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), Ângelo Bernardino.

Impactos

A chegada dos rejeitos no estuário do rio durou entre 12 e 15 dias. Novos estudos, para acompanhar os primeiros efeitos desse lançamento de rejeitos no ecossistema, começaram a ser feitos pelo projeto, financiados pela Fapes (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo). "Comprovamos então o impacto desses rejeitos nos ecossistemas lacustres e na bacia do rio, assim como no estuário. Acredita-se que houve impacto sensível também na região marinha próxima", disse o coordenador dos estudos.

"Ainda em novembro de 2015, dias após a chegada dos rejeitos, vimos perda de biodiversidade. Cerca de 30% dos organismos que ali estavam, não estavam mais. Registramos um aumento muito rápido na concentração de metais e metalóides que não estavam lá, e vimos mudanças no ecossistema e no habitat do fundo do Rio Doce. Os estudos dos impactos iniciais foram publicados em 2017. Desde então, continuamos acompanhando o que acontece por ali", acrescenta o professor

Risco ecológico

Os estudos mostraram que o acúmulo e a presença em grandes concentrações de metais colocavam o estuário sob grande risco ecológico. Esse risco decorre não apenas da concentração individual de metais, mas de suas combinações toxicológicas com outros materiais, uma vez que os rejeitos não ficam inertes após serem depositados no fundo dos estuários.

Processos bioquímicos são naturalmente alterados no fundo do estuário em função de presença ou ausência de oxigênio. Essas oscilações, no entanto, acabam sendo alteradas com a chegada dos rejeitos e com as reações causadas pelo ferro vindo da barragem com outros materiais encontrados ao longo do rio. "Esses elementos deixam então o fundo do rio e os solos para serem liberados na coluna d'água, de forma a contaminar também a fauna", detalha Bernardino.

"Vimos então a hipótese sendo verificada: ao se tornar biodisponível, parte desses elementos se acumularam na fauna, em especial nos peixes que são consumidos pelas populações locais", completou.

Segundo o pesquisador, foi constatada a presença de manganês, metal que, ingerido de forma mais constante, pode resultar em efeitos adversos à saúde humana, causando distúrbios neurodegenerativos, como Alzheimer e Mal de Parkinson, além de toxicidades cardiovasculares e danos ao fígado. "Verificamos também o incremento de vários outros metais [além do manganês] em tecidos de peixes do Rio Doce, como o Bagre, muito consumidos apesar de a pesca estar restrita na região", disse.

"A situação é complicada porque muitas pessoas que vivem ali não têm a menor condição de consumir outra proteína, que não a dos peixes", completa.

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EUA: Guia morre após ser atacado por urso e guardas abatem o animal

Carl, 40, era um guia florestal apaixonado por atividades ao ar livre - Reprodução/Facebook
Carl, 40, era um guia florestal apaixonado por atividades ao ar livre Imagem: Reprodução/Facebook

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/04/2021 12h48

Um guia florestal, de Montana, nos Estados Unidos, morreu no sábado (17), dois dias depois de ser atacado por um urso, enquanto pescava em uma reserva natural do estado. Guardas florestais, que investigavam o caso, também sofreram uma ameaça do animal e optaram por abate-lo.

Carl Mock foi encontrado com ferimentos graves no rosto e no couro cabeludo, na última quinta (15), após ser atacado pelo urso. O guia foi levado a um hospital, na cidade de Idaho Falls, onde foi submetido a duas cirurgias. Entretanto, o homem de 40 anos não resistiu aos procedimentos médicos e morreu em decorrência de um derrame.

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De acordo com o Departamento de Peixes, Vida Selvagem e Parques de Montana, Carl estava sozinho no momento em que foi atacado e carregava consigo um spray de defesa contra ursos. No entanto, conforme reportado pelo jornal New York Post, não ficou claro se ele conseguiu fazer uso do defensivo durante o ataque.

O urso macho, principal suspeito de ter atacado Carl, pesava no mínimo 190 kg e avançou contra um grupo de sete guardas florestais, que investigavam o ocorrido, na última sexta (18). Devido ao risco de outro ataque, os guardas optaram por abater o animal.

Uma carcaça de alce foi encontrada a cerca de 45 metros do local onde o urso foi baleado. Com isso, os investigadores levantaram a hipótese de que o urso atacou Carl para defender sua fonte de alimento.

Em uma página de doações online, feita para ajudar a família de Carl arcar com as despesas médicas do ataque, o guia foi lembrado como uma pessoa apaixonada por atividades ao ar livre. "Ele é um amigo leal que ajudaria qualquer um de nós da maneira que pudesse", escreveu Keith Johnson, organizadora das doações.

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YouTube remove vídeo de Bolsonaro sobre tratamento ineficaz contra covid-19

A live semanal do presidente Jair Bolsonaro do dia 14 de janeiro deste ano foi removida pelo Youtube - Reprodução/Facebook/Jair Messias Bolsonaro
A live semanal do presidente Jair Bolsonaro do dia 14 de janeiro deste ano foi removida pelo Youtube Imagem: Reprodução/Facebook/Jair Messias Bolsonaro

De Tilt, em São Paulo*

20/04/2021 13h33

Atualizada em 20/04/2021 15h33

O YouTube removeu, pela primeira vez, um vídeo do canal do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no qual o mandatário fala sobre o tratamento ineficaz contra a covid-19. A plataforma confirmou a informação para Tilt e explicou que "o vídeo foi removido por violar a política de informação incorreta sobre a covid-19 do YouTube, que foi atualizada na última semana".

O vídeo removido do canal de Bolsonaro no YouTube foi publicado no dia 14 de janeiro deste ano e fazia parte das lives semanais feitas pelo presidente nas redes sociais. Apesar da remoção no YouTube, o vídeo ainda está disponível no Facebook, rede também utilizada pelo mandatário para compartilhar informações do governo.

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A live estava disponível neste link do YouTube, que agora mostra a seguinte mensagem: "Este vídeo foi removido por violar as diretrizes da comunidade do YouTube".

O YouTube removeu a live do dia 14 de janeiro deste ano feita no canal do presidente Jair Bolsonaro  - Reprodução/YouTube - Reprodução/YouTube
O YouTube removeu a live do dia 14 de janeiro deste ano feita no canal do presidente Jair Bolsonaro Imagem: Reprodução/YouTube

Na live semanal, com 1h06 de duração, o presidente estava ao lado da intérprete de libras e do então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. Na época, Manaus passava por um colapso na saúde com falta de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), crise no abastecimento de oxigênio e com recorde de mortes pela doença.

Ao longo do vídeo, Bolsonaro disse que o também questionou o protocolo do Ministério da Saúde feito pelo ex-ministro da Saúde e médico Henrique Mandetta sobre indicar o uso de hidroxicloroquina apenas para casos graves da doença. Para o mandatário, os medicamentos do "kit covid" não "fazem mal", contrariando a indicação de médicos e especialistas sobre os riscos do tratamento sem eficácia científica comprovada.

Quero repetir aqui a história. Guerra do Pacífico. Os soldados chegavam lá feridos, não tinha sangue, não tinha doador. Colocaram o que na veia do cara? Água de côco. E deu certo. Se fosse esperar uma comprovação científica teria morrido quantas pessoas na Guerra do Pacífico que não morreram? É a mesma coisa o tratamento precoce da covid-19 com hidroxicloroquina, ivermectina, a tal da Annita, mais azitromicina, mais vitamina D. E não faz mal isso aí. E, se lá para a frente for comprovado que não faz surtir efeito, o que não vai acontecer porque, repito, neste prédio que eu estou aqui, mais de duzentas pessoas contraíram covid, foram tratadas precocemente e nenhuma foi para o hospital.

Bolsonaro também criticou outras medidas indicadas por especialista para evitar a disseminação da doença como o isolamento social e o uso de máscaras.

"E alguns falam 'não tem comprovação científica', oh cara, mas não tem efeito colateral. (...) Tem dado certo, a hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, Anitta, zinco, vitamina D. Procure o seu médico, se ele falar que está errado, procure outro médico. Mas se você vai tomar um vermífugo, como a ivermectina, que muita gente está dizendo que dá certo, por que você vai falar que não vai tomar porque não tem comprovação científica ainda. Mas a observacional existe e tem dado certo. A carga viral [nos doentes] tem diminuído", afirmou o presidente sem trazer nenhum estudo que baseie sua fala.

Questionados por Tilt, o Palácio do Planalto informou que "não irá se manifestar" sobre o caso.

Posição da plataforma

Segundo um porta-voz do YouTube, a plataforma aumentou as políticas de desinformação sobre a covid-19, removendo vídeos que divulguem o uso de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento ou prevenção da doença.

"Como parte de nosso trabalho contínuo para apoiar a saúde e o bem-estar da comunidade de usuários do YouTube, expandimos nossas políticas de desinformação médica sobre a COVID-19. A menos que haja contexto educacional, documental, científico ou artístico suficiente, a plataforma passará a remover vídeos que recomendam o uso de Ivermectina ou Hidroxicloroquina para o tratamento ou prevenção da COVID-19, fora dos ensaios clínicos, ou que afirmam que essas substâncias são eficazes e seguras no tratamento ou prevenção da doença. A atualização está alinhada às orientações atuais das autoridades de saúde globais sobre a eficácia dessas substâncias. Desde o início da pandemia, o YouTube já removeu mais de 850 mil vídeos por violarem as políticas
de conteúdo da plataforma sobre o coronavírus."

Além da hidroxicloroquina e da ivermectina, a plataforma lista que serão removidos os vídeos que contenham os seguintes conteúdos:

  • Tratamento
  • Prevenção
  • Diagnóstico
  • Transmissão
  • Diretrizes sobre distanciamento social e autoisolamento
  • A existência da covid-19

Segundo a Ansa, mesmo com a nova política da plataforma, pelo menos outros três vídeos compartilhados no canal do presidente ainda estão disponíveis na plataforma. São as lives de 9 de julho de 2020, 10 de dezembro de 2020 e 15 de abril de 2021.

*Com informações da Ansa

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Pandemia atinge um novo pico e casos batem recorde

Jamil Chade

Colunista do UOL

20/04/2021 16h52

Resumo da notícia

  • Semana que terminou no domingo somou 5,2 milhões de novas contaminações no mundo, superando pico de janeiro de 2021
  • Brasil tem quase 25% das mortes, com 20,3 mil óbitos e continua a liderar em números absolutos na semana
  • Explosão de contaminações na Índia e patamar elevado no Brasil e EUA explicam novo recorde

A pandemia da covid-19 bateu um novo recorde e supera o pico até então atingido em janeiro de 2021. Em seu informe semanal, a OMS (Organização Mundial da Saúde) indica que a semana que terminou no domingo somou 5,2 milhões de novos contaminados, uma marca inédita.

Com os dados, o mundo registrou sua oitava semana consecutiva de alta em casos de contaminações. Há apenas dois meses, a OMS registrava 2 milhões de novos casos por semana. Mas a explosão de infecções, principalmente na Índia e Brasil, mudou a trajetória da curva. O período também foi o quinto consecutivo de aumento de mortes, que já superam 3 milhões de vítimas.

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Segundo Tedros Ghebreyeus, diretor-geral da OMS, o mundo precisou de nove meses para atingir 1 milhão de mortos. A marca dos dois milhões, porém, só precisou de quatro meses e, agora, em três meses a marca de 3 milhões foi superada.

Tedros ainda apontou como, nas últimas semanas, um número alarmante de internações ocorreu entre adultos entre 25 e 59 anos de idade, provavelmente por conta de falta de distanciamento social e da proliferação de variantes do vírus, mais perigosas.

O Brasil continua na liderança entre os locais com mais mortes. Foram 20,3 mil, entre as 83,3 mil registradas no mundo. A taxa brasileira registra uma queda marginal de 2% em comparação à semana anterior. Mas o país segue sendo o local com o maior número absoluto de óbitos.

A segunda colocação em mortes é da Índia, com 7,8 mil novos óbitos na semana, contra pouco mais de 5,1 mil nos EUA.

Em termos de novos contaminados, a Índia lidera, com 1,4 milhão de novos casos em apenas sete dias. Nos EUA, foram 477 mil, contra 459 mil no Brasil, uma queda de apenas 1%.

Na segunda-feira, Tedros indicou que o mundo tem instrumento para colocar a pandemia sob controle "em questão de meses". Mas, para isso, tais medidas precisam ser implementadas. Tedros ainda também pede que governos e empresas promovam uma transferência de tecnologia para que vacinas possam ser produzidas em diferentes do mundo.

Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS, alertou que as constatações apontam para uma mudança nas idades afetadas, com um número de adultos e jovens cada vez mais contaminados. Segundo ela, porém, os maiores contatos da população não ocorrem por proliferação de festas. "Não é isso. São pessoas que saem de casa para trabalhar e trazer alimentos para casa", disse.

Segundo ela, o temor é de que, sem um apoio dos governos para que pessoas fiquem em casa e diante das variantes, há um risco real de que as contaminações possam "decolar".

"Há uma maior internação entre pessoas com menos de 40 anos. Estamos vendo uma mudança de idade e isso está sendo gerado por maior mistura de pessoas", disse. Para ela, variantes e necessidade de sair de casa é uma "mistura preocupante".

Em uma declaração publicada nesta segunda-feira, o Comitê de Emergência da OMS afirmou que "continua preocupado que o mundo não sairá da pandemia a menos que, e até que, todos os países tenham acesso a suprimentos apropriados de diagnósticos, tratamentos e vacinas, independentemente de sua capacidade de pagamento e da capacidade e recursos financeiros para vacinar rápida e efetivamente suas populações".

"As desigualdades dentro e entre todos os países estão retardando o retorno à vida social e econômica normal", alertam os especialistas da entidade.

Entre as medidas, a OMS pede que haja um esforço de solidariedade global para aumentar o acesso às vacinas, apoiando a Covax e engajando-se na transferência de tecnologia.

Enquanto as vacinas não estão disponíveis para todos, a OMS ainda recomenda que as doses sejam destinadas de forma prioritária para garantir que as populações mais vulneráveis sejam atendidas.

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Sentença no caso Floyd é vitória inédita nos EUA contra violência policial

Cadeado escrito "Vidas negras importam" é visto em protesto durante o primeiro dia do julgamento do ex-policial Derek Chauvin pela morte de George Floyd - Octavio Jones/Reuters
Cadeado escrito "Vidas negras importam" é visto em protesto durante o primeiro dia do julgamento do ex-policial Derek Chauvin pela morte de George Floyd Imagem: Octavio Jones/Reuters
Kennedy Alencar

Colunista do UOL

20/04/2021 18h23

Histórica, a decisão no caso George Floyd rompe a tradição de impunidade contra a violência policial nos EUA em relação aos negros e tem efeito global sobre o racismo estrutural de diversos países, como é o caso do Brasil.

O policial Derek Chauvin, que asfixiou George Floyd por mais de 9 minutos, recebeu uma sentença extremamente dura em relação a três acusações, algo inédito por contrariar a tradição de entendimentos brandos adotados em julgamentos anteriores sobre violência policial.

Em resumo, o júri entendeu por unanimidade que Chauvin assumiu o risco de matar Floyd, agindo de forma premeditada nesse sentido ao se ajoelhar no pescoço da vítima por tanto tempo. A duração da pena ainda será definida, mas tende a ser bastante longa e exemplar (provavelmente por volta de 40 anos).

Nos EUA, a vida negra vale menos do que a branca. Se você é negro, tem mais chance de ser vítima de violência policial. Aqui no Brasil é a mesma coisa.

O assassinato cruel de George Floyd em 25 maio do ano passado desencadeou uma onda de manifestações no país que só pode ser comparada à luta pelos direitos civis nos anos 60. Na época, houve repercussão planetária.

No Brasil, em pleno governo Bolsonaro, a violência ganha corpo. No entanto, tem sido cada vez maior a consciência de setores organizados da sociedade civil de que a violência policial afeta mais os negros e pobres do que os brancos e ricos. É preciso combater isso.

O veredito no caso George Floyd traz, na prática, a oportunidade para um ponto de inflexão em relação ao racismo estrutural e à violência policial no mundo inteiro. Nos EUA, já houve mudanças legislativas para combater a truculência das polícias. O governo Joe Biden, por exemplo, deverá ter mais chance de aprovar no Senado lei já votada na Câmara que reforma as polícias americanas e suas práticas violentas de abordagem.

No mundo inteiro, haverá maior pressão para que ocorram políticas públicas semelhantes. O modus operandi das polícias brasileiras se confunde, muitas vezes, com o de esquadrões da morte. No caso do Rio de Janeiro, a brutalidade policial é cotidiana nas comunidades carentes.

Nesse contexto, a decisão de hoje no caso de George Floyd reforçará a necessidade de criar reformas estruturais em sociedades marcadas pela violência e de forte tradição escravocrata, como são a americana e a brasileira.

No momento em que o presidente Jair Bolsonaro tenta armar a população e estreitar laços com as polícias militares estaduais, é salutar ver no cenário internacional uma onda diferente. Hoje é um dia a ser celebrado, pois ele traz esperança de um futuro melhor. Além da pandemia, as manifestações contra o racismo estrutural foram fundamentais para a vitória de Joe Biden sobre Donald Trump na eleição presidencial de novembro passado. Como Trump passou nos EUA, Bolsonaro passará no Brasil.

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Ao liberar Lula para 2022, STF corrige erro histórico e abuso da Lava Jato

Ex-presidente Lula, em entrevista ao UOL - UOL
Ex-presidente Lula, em entrevista ao UOL Imagem: UOL
Kennedy Alencar

Colunista do UOL

15/04/2021 21h02

Com a decisão do STF que anula condenações de Lula e confirma a sua elegibilidade para disputar a eleição de 2022, o Supremo Tribunal Federal corrige um dos principais abusos da Lava Jato: a perseguição judicial ao petista que o tirou da disputa presidencial de 2018.

Com placar de 8 a 3, a decisão é realmente histórica. Em 2018, o STF avalizou decisões da Lava Jato que mudaram a história do Brasil, alijando Lula da disputa eleitoral e pavimentando o caminho para a eleição de Jair Bolsonaro.

A demonização da política em geral e do PT em particular foi uma obra eficaz da Lava Jato, que, como mostraram conversas de seus integrantes obtidas pela Operação Spoofing, tinha preferência eleitoral pela vitória de Bolsonaro e o objetivo político de impedir a volta do PT ao poder.

O STF confirmou a decisão do ministro Edson Fachin que julgou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para analisar os processos relacionados a Lula. Ou seja, os integrantes da Lava Jato, especialmente o então juiz Sergio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, burlaram regras de distribuição do processo penal a fim de atrair os casos de Lula para a jurisdição de Curitiba.

Isso contraria o princípio do juiz natural, algo essencial no devido processo legal, como ensinou o ministro Alexandre de Moraes ao colega Nunes Marques, que deu, mais uma vez, um voto afinado com os interesses de Bolsonaro.

Moro e Dallagnol combinaram uma estratégia para a condenação do ex-presidente. Numa democracia, todo réu tem direito a um julgamento legal e imparcial.

A decisão desta quinta-feira do STF, o segundo round travado numa discussão que continuará na semana que vem, confirma que Moro e Dallagnol não poderiam ter julgado e investigado Lula. No próximo round, haverá debate sobre a suspeição de Moro, decisão recente da Segunda Turma do STF que considerou o então juiz parcial nos casos do petista.

Fachin argumenta que a confirmação da incompetência tornaria sem efeito o julgamento da suspeição. Mas ministros do STF entendem que o plenário não teria o poder de mudar a decisão da Segunda Turma.

O placar de 8 a 3 nesta quinta-feira indica que, provavelmente, Fachin perderá essa batalha e Moro continuará suspeito em relação a Lula, o que seria um trunfo político importante para o ex-presidente.

Do ponto de vista eleitoral, a candidatura de Lula se torna praticamente inevitável. Bolsonaro sofre uma forte derrota, porque o ex-presidente é o candidato com mais chance de derrotá-lo, como já sinalizam pesquisas.

Outros presidenciáveis também saem perdendo, porque, com o petista no páreo, diminuiu a margem de manobra para que cheguem a um eventual segundo turno.

A Lava Jato também é outra grande derrotada. Está em curso no Supremo um movimento para correção dos seus abusos. É mais um falso alarmismo o discurso de boa parte da imprensa de que a Lava Jato está ameaçada por causa das vitórias jurídicas de Lula. As decisões tomadas pelo STF dizem respeito somente ao ex-presidente. Outros condenados pela Lava Jato terão de sustentar seus casos para obter eventuais anulações e correções de sentenças.

A Lava Jato está ameaçada, sim, pela corrupção da lei processual penal. Moro, Dallagnol e seus companheiros são os maiores responsáveis por terem jogado fora uma oportunidade de ouro de combater a corrupção endêmica. Não se combate crime cometendo crime.

Hoje, o STF fez justiça e história, corrigindo erros recentes que contribuíram decisivamente para jogar o país no abismo.

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General mostra que Bolsonaro colocou um chefe de torcida na Defesa

Ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto - ADRIANO MACHADO
Ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto Imagem: ADRIANO MACHADO
Leonardo Sakamoto

Colunista do UOL

20/04/2021 17h30

Bolsonaro queria alguém à frente das Forças Armadas que lhe entregasse declarações para pressionar o Congresso e o STF e excitar seus seguidores de extrema direita. Pelo visto, conseguiu.

Na cerimônia de troca do comando do Exército, nesta terça (20), o novo ministro da Defesa, general Braga Netto, mostrou que valeu a pena toda a dor de cabeça de Jair para substituir a chefia dessa pasta e a cúpula militar no dia 29 de março. Naquela segunda-feira tumultuada, o presidente foi acusado de instrumentalizar os militares em nome de um autogolpe.

Braga Netto, que deixou a Casa Civil para assumir o cargo, deu declarações que podem ser lidas como aviso aos ministros do Supremo Tribunal Federal e aos parlamentares para não criarem problemas ao seu querido chefe. Especialmente no momento em que a CPI da Pandemia vai investigar as omissões e perversões de Jair que ajudaram a erguer uma montanha de mais de 375 mil cadáveres.

"É preciso respeitar o rito democrático e o projeto escolhido pela maioria dos brasileiros para conduzir os destinos do país", afirmou o general em discurso.

Vivêssemos sob um governo que respeita a Constituição, isso seria uma platitude. Com um presidente que, semana sim, semana não, testa os limites das instituições, precisando ser contido pelos freios e contrapesos da República, a declaração ganha outro significado.

"O Brasil precisa estar unido contra qualquer tipo de iniciativa de desestabilização institucional que altere o equilíbrio entre os poderes e prejudique a prosperidade do Brasil. Enganam-se aqueles que acreditam estarmos sobre um terreno fértil para iniciativas que possam colocar em risco a liberdade conquistada em nossa nação", também disse Braga Netto.

Não chega a ser hipercodificado como um daqueles tuítes do vereador Carlos Bolsonaro voltado a entreter a base do presidente, mas vai no mesmo sentido, dando a entender ao bolsonarismo-raiz de que as Forças Armadas estão alertas e em prontidão para defender Jair. E, de quebra, enviando um escamoteado #ficadica aos Poderes Legislativo e Judiciário.

Mesmo que isso não tenha sido endossado pelo Comando do Exército, agora sob o general Paulo Sérgio Nogueira, é claro que a declaração provoca frisson na imprensa. E gera um burburinho que ajuda a desviar o foco do principal (o massacre promovido pelo presidente ao permitir que o coronavírus faça o que bem desejar com a população brasileira) e outros incômodos (como a denúncia de desvio de recursos públicos pelo primogênito do presidente que é motorista de quadriciclo).

Com a dança de cadeiras na Defesa e nos comandos das Forças Armadas, Jair queria os militares participando mais ativamente daquilo que, na sua opinião, é a guerra mais importante de nossa história recente. Evitar milhares de mortes por covid-19? Não, a autopreservação de seu clã. Para isso, precisa de subordinados de farda que não tenham medo de fazer comentários não-republicanos.

Quando o presidente reclamou que faltava "demonstração de apreço do Exército", ele estava se referindo, principalmente, a engajamento simbólico do então comandante da força, general Edson Pujol. Bolsonaro sempre exigiu um tributo de seus subordinados, ou seja, a defesa de sua persona na mídia e nas redes sociais. Ressente-se que as Forças Armadas não faziam isso com a frequência de ministros militares do Palácio do Planalto, como o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno.

Uma declaração de um ministro da Defesa ou um comandante do Exército que se meta indevidamente em uma discussão política tem mais poder do que horas de robôs contratados para encher com fake news o debate público. Até por que, por trás dessa declaração, há divisões de infantaria e um país com uma cicatriz semiaberta por 21 anos de ditadura militar.

Basta lembrar a interferência do então comandante do Exército, general Villas Bôas. Em abril de 2018, ele pressionou o Supremo Tribunal Federal, pelo Twitter, a negar um habeas corpus para Lula - o que veio a acontecer. O ex-presidente acabou preso, o que influenciou nas eleições daquele ano.

Desde que assumiu, o presidente vem comendo instituições. Receita Federal, Coaf, Procuradoria-Geral da República, Polícia Federal, de acordo com a necessidade de autopreservação. Agora, foi mais um passo nesse sentido, com pessoas mais próximas a ele no Ministério da Defesa, atuando na construção simbólica que deseja. Não vai dar um autogolpe com o Exército. Mas, por ora, nem precisa. Quer só mais uma fábrica de medo.

Por fim, vale se debruçar em uma frase de Braga Netto: "Enganam-se aqueles que acreditam estarmos sobre um terreno fértil para iniciativas que possam colocar em risco a liberdade conquistada em nossa nação".

Vejamos: em fevereiro de 2018, moradores de comunidades pobres da Zona Oeste do Rio de Janeiro foram "fichados" por militares. Parados de forma pretensamente aleatória (aleatoriedade do tipo "porta giratória de agência bancária"), eles foram fotografados com seus documentos e eram obrigados a aguardar enquanto a Polícia Civil, à distância, checava os antecedentes criminais.

A apresentação de documentos em abordagens é prevista em lei. Mas fotografar e reter a pessoa é uma bizarrice inconstitucional. As Forças Armadas, que estavam à frente da intervenção federal de Michel Temer no Rio, se justificaram dizendo que contavam com amparo para tanto no decreto que autorizou o uso de militares na cidade. Pena que "bom senso" não seja algo passível de decreto.

Dizer que isso é um ataque frontal às liberdades individuais é chutar um cachorro que já está morto há tanto tempo que entrou em decomposição, fedendo amplamente. O totó, para quem não se lembra, se chamava Democracia.

O nome do interventor federal na Segurança Pública no Rio de Janeiro? General Braga Netto.

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Bolsonaro e aliados no Congresso avançam para vender os Correios, que dão lucro bilionário

247 - A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (20), por 280 votos a 165, o regime de urgência para o Projeto de Lei 591/21, que autoriza a exploração dos serviços postais pela iniciativa privada, inclusive os prestados hoje em regime de monopólio pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A medida é considerada por parlamentares da oposição como a privatização dos Correios, estatal 100% pública.  

Segundo informações da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o governo Jair Bolsonaro vai entregar uma empresa que tem projeção de lucro líquido de mais de R$ 1,5 bilhão em 2020 (o balanço ainda não foi divulgado oficialmente) e que emprega 99 mil trabalhadores pelo país, no momento em que o número de desempregados no país ultrapassa os 14 milhões de pessoas.

"Ao vender uma empresa que tem lucro bilionário, com possibilidade de demissão de milhares de trabalhadores, para em tese dar mais opções ao consumidor, na verdade, o governo Bolsonaro destrói a mais antiga empresa pública do país, que completa no dia 20 de março, 358 anos", diz a CUT. 

Um levantamento da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) mostrou que uma encomenda que custa nos Correios R$ 43,00 é até 12 vezes mais cara em empresas privadas como DHL e Fedex. A encomenda entregue por essas empresas, numa mesma localidade, custava em torno de R$ 600,00 e pelos Correios R$ 43,00.

A diferença na qualidade do serviço prestado entre os Correios e empresas privadas foi também constatada. Segundo o secretário de comunicação da Fentect, Emerson Marinho, as empresas privadas Mercado Livre e Magazine Luiza, em menos de um ano, atuando nos serviços de entregas de encomendas, tiveram o dobro das queixas do que as registradas pelo serviço dos Correios.

Argentina reestatiza e Portugal revê privatização com ‘apagão’ de entregas

A privatização dos serviços postais foi um desastre na Argentina e Portugal. Tanto que o país vizinho ao Brasil, reestatizou seu serviço. Já Portugal estuda uma forma de rever o processo de privatização.

“Esses países começam a  rever seus modelos de privatização porque houve o que chamam de 'apagão postal’, em virtude das empresas privadas não fazerem entregas de correspondências nas províncias distantes dos grandes centros, tanto em Portugal como na Argentina”, afirma Emerson Marinho.

Segundo ele, após vender o ‘filet mignon’ que é o serviço de entregas de encomendas, deve ser desidratado o serviço postal com garantia de entrega. "A partir do momento de quem o capital privado for o acionista majoritário, este serviço poderá ser extinto”, diz Marinho. 

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Biden diz que condenação é 'passo gigante', mas cobra reforma na polícia

Biden destacou que quer assinar a Lei George Floyd o quanto antes - Mandel Ngan/AFP
Biden destacou que quer assinar a Lei George Floyd o quanto antes Imagem: Mandel Ngan/AFP

Colaboração para o UOL*

20/04/2021 21h08

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse hoje que a condenação de Derek Chauvin, policial culpado pela morte de George Floyd, é "um passo gigante no caminho para a justiça nos EUA" e reafirmou o compromisso com uma reforma policial.

"Foi um assassinato à luz do dia que arrancou as cortinas para que todos pudessem ver todas as injustiças desse sistema. Mostrou o joelho no pescoço de todos os americanos e a dor que todos os negros enfrentam todos os dias. O assassinato gerou um protesto que não víamos desde os anos 60, protestos que uniram as pessoas de diversas gerações e raças para dizer: 'chega, é o bastante!' Chega desses assassinatos sem sentido," disse Biden, em entrevista coletiva na Casa Branca, após a condenação de Chauvin.

Obama elogia decisão sobre caso Floyd, mas alerta: "Não podemos descansar"

Biden também destacou a importância de uma reforma na polícia americana. "Precisamos que o Congresso aja, precisamos de uma reforma na polícia. Existe uma lei no nome dele (George) . Não é possível que leve um ano inteiro para aprovar isso. Eu quero assinar essa lei o quanto antes," afirmou.

Lei George Floyd

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou em março um projeto de lei que proíbe táticas policiais polêmicas e facilita processos contra policiais que violarem os direitos constitucionais de suspeitos, mas as perspectivas da medida no Senado são incertas. O texto continua emperrado no Senado.

Democratas impulsionaram a "Lei George Floyd de Justiça no Policiamento" na Câmara por 220 votos a 212, com o apoio de um único republicano. "Quantas pessoas mais têm que morrer, quantas pessoas mais têm que ser agredidas em vídeo" antes de as reformas policiais virarem lei, indagou a deputada democrata Karen Bass, que redigiu a legislação com o presidente do Comitê Judiciário da Câmara, Jerrold Nadler.

Ela disse que o projeto de lei "responsabilizará" a polícia quando direitos constitucionais forem violados, mas que também apoiará as forças locais da lei fomentando melhorias no policiamento comunitário, especialmente em bairros de minorias. Uma das cláusulas mais controversas mudaria a "imunidade limitada" da polícia, abrindo mais o caminho para processos pelo uso excessivo de força.

Policial é condenado pela morte de George Floyd

O ex-policial Derek Chauvin foi condenado hoje pela morte de George Floyd, homem negro que morreu após ser asfixiado por nove minutos no estado de Minnesota, nos Estados Unidos. A decisão unânime é do júri popular que analisou o caso.

Chauvin foi condenado por assassinato não intencional em segundo grau, assassinato em terceiro grau e homicídio culposo. A promotoria decidiu revogar a fiança para o crime de homicídio culposo. O ex-policial saiu do tribunal algemado.

A sentença de Derek Chauvin deve ser anunciada em oito semanas. Segundo o juiz Peter Cahill, que leu o veredito, os argumentos do ex-policial serão analisados "dentro de uma semana", mas há outras etapas técnicas como a solicitação de um relatório de investigação pré-sentença.

Somadas as condenações, Chauvin pode ficar preso por até 75 anos. Só a condenação por homicídio não intencional em segundo grau tem pena máxima de até 40 anos, segundo informações da CNN dos EUA.

*Com informações da Reuters

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Reportagem: Rubens Valente - Às vésperas da Cúpula do Clima, postagem de Salles ridiculariza indígenas

Ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) postou, em rede social, mensagem ofensiva a indígenas que usam telefone celular - Reprodução/redes sociais
Ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) postou, em rede social, mensagem ofensiva a indígenas que usam telefone celular Imagem: Reprodução/redes sociais
Rubens Valente

Colunista do UOL

20/04/2021 16h21

Atualizada em 20/04/2021 21h52

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ridicularizou, em uma postagem na rede social Instagram na manhã desta terça-feira (20), indígenas que utilizam telefones celulares. No "story" da conta do ministro, que é seguida por 344 mil perfis, foram divulgadas três fotos de indígenas utilizando ou carregando telefones celulares. A primeira imagem tem como texto: "Recebemos a visita da tribo do iPhone".

As fotos têm círculos vermelhos para destacar os telefones nas mãos dos indígenas.

Após a publicação da informação pela coluna, a única parlamentar indígena do Congresso, a deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR), pediu espaço, em sessão virtual na Câmara dos Deputados no início da noite desta terça-feira (20), para repudiar a "chacota" do ministro.

"Eu quero falar o seguinte, seu ministro: nós podemos usar qualquer tecnologia, nós podemos assumir qualquer cargo e qualquer posição e nem por isso vamos deixar de ser indígenas. Nos somos cientes dos nossos direitos e por isso que nós manifestamos publicamente que é obrigação do Estado defender os direitos dos povos indígenas e seus direitos constitucionais", disse Joênia.

A publicação de Salles ocorre às vésperas da Cúpula do Clima, encontro virtual organizado pelo presidente norte-americano Joe Biden com cerca de 40 líderes mundiais de quinta-feira (22) a sexta-feira (23). As atenções internacionais se voltam para o governo de Jair Bolsonaro, que vem batendo repetidos recordes de desmatamentos e queimadas, que impactam povos indígenas de diversas partes do país, quadro agravado pela pandemia do novo coronavírus.

A publicação também é feita logo após o Dia do Índio, que foi lembrado nesta segunda-feira (19) em diversas manifestações no país, incluindo a Esplanada dos Ministérios, onde a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) estendeu faixas para denunciar o governo Bolsonaro.

Apesar de dizer, na publicação, que "recebeu" indígenas, inexiste na agenda oficial do ministro qualquer encontro com liderança indígena entre a segunda-feira (19) e a terça-feira (20). Também não foi divulgado texto, pela assessoria do ministério, sobre eventual encontro entre Salles e indígenas.

A coluna encaminhou perguntas ao ministro Ricardo Salles por meio da assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente. Se houver resposta, este texto será atualizado. As perguntas são as seguintes:

-O ministro recebeu alguma liderança indígena no dia de ontem?;

-O ministro acredita que indígenas não podem utilizar telefone celular?;

-Qual o objetivo político-ideológico do ministro ao ridicularizar indígenas por ocasião do Dia do Índio, comemorado ontem?;

-O uso de telefone celular por indígenas é, para o ministro, um fato desabonador?;

-O ministro acha que o uso de um telefone celular torna um indígena "menos indígena", é esse o seu raciocínio?;

-Se é esse o raciocínio, o ministro se tornaria "menos branco" quando usasse um cocar na cabeça ou empunhasse uma borduna?

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Opinião - Paul Krugman: Qual é o segredo do sucesso de Biden?

O partido do presidente está, finalmente, confortável na própria pele

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The New York Times

Interrompa-me se você já ouviu esta antes: um novo presidente democrata herdou um país em crise. Sua primeira grande iniciativa política é uma lei de alívio em curto prazo destinada a abrir caminho para sair da crise. Ele acompanha essa lei com propostas para abordar problemas de prazo mais longo e, se possível, mudar a sociedade americana para melhor. Seu partido detém maiorias na Câmara e no Senado, mas ambas as suas iniciativas enfrentam oposição ferrenha dos republicanos.

Eu poderia estar descrevendo os primeiros meses do governo Obama ou do governo Biden. Mas há uma enorme diferença entre eles: apesar de Barack Obama ter começado sua presidência com altos índices de aprovação pessoal, suas políticas não tiveram forte apoio público. A aprovação pública das políticas de Joe Biden, em comparação, é quase surrealmente alta. Por quê?

Para ver do que estou falando, compare as pesquisas sobre a Lei de Acesso à Saúde —Obamacare— com as pesquisas sobre o Plano Americano de Empregos de Biden.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, acompanha com a Nasa a decolagem de um helicóptero - Reprodução/Twitter

A primeira teve aprovação líquida negativa durante todo o governo Obama. Sua imagem não melhorou até que o governo Trump tentou matá-la, e mesmo então enfrentou reprovação avassaladora dos eleitores republicanos.

Parte da resposta, certamente, é a política de identidade. Sejamos claros aqui: a versão moderna do "só Nixon poderia ir até a China" talvez seja "só um velho branco pode vender um novo New Deal".

Outro fator que funciona a favor de Biden é o fechamento das mentes dos profissionais republicanos. Mesmo antes que as teorias da conspiração assumissem o controle, os políticos republicanos viviam em uma bolha mental; em muitos aspectos, o Partido Republicano moderno é mais parecido com um culto do que com um partido político normal.

E nesta altura os republicanos parecem tão afundados no culto que esqueceram como falar com as pessoas de fora. Quando eles denunciam toda ideia progressista como socialismo, declaram cada político de centro-esquerda como marxista, criticam os "criadores de empregos" e insistem em chamar seu adversário de "Partido Democrata", estão falando consigo mesmos e não convencem a ninguém.

Se você quiser ver a surdez dos republicanos em ação, olhe para o recente ataque da senadora Marsha Blackburn ao plano de empregos. Não é realmente sobre infraestrutura, ela proclamou, porque gastaria centenas de bilhões de dólares em cuidados dos idosos. E ela aparentemente imaginou que os eleitores achariam que ajudar os idosos é uma coisa ruim.

Biden, então, se beneficia por ter uma personalidade não ameaçadora e uma oposição que esqueceu como apresentar argumentos políticos persuasivos. Mas a popularidade da economia de Biden também reflete a eficácia de um partido que está muito mais à vontade em sua própria pele do que estava 12 anos atrás.

Ao contrário dos republicanos, os democratas são membros de um partido político normal —basicamente um partido moderadamente de centro-esquerda que se parece muito com suas contrapartes de todo o mundo livre. No passado, entretanto, os democratas pareciam ter medo de abraçar essa identidade.

Uma coisa notável sobre os anos de Obama, em retrospectiva, era a deferência dos democratas pelas pessoas que não compartilhavam seus objetivos. O governo Obama cedeu aos banqueiros que advertiam que qualquer coisa de tom populista minaria a confiança, e aos críticos do déficit que exigiam austeridade fiscal. Ele desperdiçou meses em um esforço inútil para conseguir o apoio republicano para a reforma da saúde.

E juntamente com essa deferência havia a relutância a fazer coisas simples e populares como dar dinheiro às pessoas e taxar as corporações. Em vez disso, a equipe de Obama tendia a favorecer políticas sutis que a maioria dos americanos nem sequer percebia.

Agora a deferência sumiu. Wall Street claramente tem muito menos influência desta vez; os assessores econômicos de Biden evidentemente acreditam que se você construir uma economia melhor a confiança virá por si só. A obsessão pelo bipartidarismo também se foi, substituída pela apreciação realista da má-fé republicana, que também tornou o novo governo desinteressado nos pontos de debate do Partido Republicano.

E a antiga relutância evaporou. Biden não só está sendo grande, está sendo óbvio, com políticas altamente visíveis em vez de sinais comportamentais.

Além disso, essas políticas diretas envolvem fazer coisas populares. Por exemplo, os eleitores constantemente disseram aos pesquisadores que as empresas pagam muito pouco em impostos; a equipe de Biden, animada pelo fracasso do corte de impostos de Trump, está disposta a dar ao público o que ele quer.

Por isso o 2021 de Biden não está sendo nada parecido com o 2009 de Obama, e os republicanos não parecem saber o que os atingiu.

É claro, as pesquisas podem mudar. O apoio popular ao estímulo de Obama, nunca muito forte, despencou diante de uma recuperação econômica lenta. Os eleitores poderão azedar com a economia de Biden também, se ela decepcionar.

Mas todos os indícios são de que estamos rumando para um sucesso econômico, com o PIB (Produto Interno Bruto) crescendo no ritmo mais rápido desde 1984. Se isso acontecer, as políticas de Biden poderão ser ainda mais populares do que são hoje.

Como tudo isso se traduzirá em votos é algo a ser visto. Mas os primeiros indícios são de que Biden conseguiu o que Obama nunca fez: encontrar uma maneira de tornar as políticas progressistas realmente populares.

Traduzido originalmente do inglês por Luiz Roberto M. Gonçalves

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