GERAL VIII
Clima une Biden, Putin e Xi
ÍNDIA bate RECORDE MUNDIAL com quase 315.000 casos de covid-19 em 24 horas
CE: Cidade segue EXEMPLO INTERNACIONAL para tentar frear contágio de covid
Doria: "Nós, nesse momento, temos um presidente da República que é um PSICOPATA"
Malu Gaspar, do Globo, atribui a Walter DELGATTI a ANULAÇÃO dos processos contra LULA
O que leem os chineses?
O genocídio indígena e a perversa fundação do capitalismo no mundo - Juan Manuel Dominguez
Por Juan Manuel Dominguez
Por Juan Manuel Dominguez
O declínio radical da população indígena na América começou assim que os conquistadores pisaram no novo continente. O choque dos primeiros momentos da conquista refletiu-se claramente na curva demográfica. De nada adiantaram as leis que tentaram pôr um fim nos maus tratos e na matanza sem escrúpulos dos europeus que pisavam o solo americano. Essas leis tinham mais a função simbólica de legitimar a ocupação, tentando dar um viés de evangelização e educação, ao brutal saqueio e assessinato em massa dos povos que povoaram o continente desde tempos ancestrais.
A religião foi tão importante para a legitimação da barbárie, que o primeiro argumento da igreja para explicar a diminuição da população indígena foi a de um “castigo divino” pelos séculos de paganismo. Argumento similar seria utilizado para legitimar o processo de comercialização da população africana arrastada desde sua terra natal para trabalhar como mão de obra escrava nas terras previamente saqueadas e concedidas aos que logo se tornaram a oligarquia dominante em território americano. Eles seriam com o tempo os encarregados de consolidar a colonização através da imposição a ponta de fuzil da língua, da história e da religião provenientes da europa imperial.
Para o despovoamento na América, juntou-se a epidemia de morte, produzida pela guerra de extinção que os conquistadores travaram contra certos grupos, mais a debilidade resultante dos abusos sistemáticos que os europeus exerceram sobre a força de trabalho e a reprodução das espécies. conseguiram sobreviver, bem como ao mal-estar produzido pela destruição indiscriminada dos sistemas econômicos nativos; tudo isso teria um impacto adverso no desenvolvimento econômico colonial.
A brutalidade com que foi instaurada a colonização é a principal causa da pobreza e da desigualdade no continente hoje. O desprezo dos colonizadores pelas culturas e as economias indígenas, somado ao desprezo pelos africanos trazidos para trabalhar a terra, criaram uma sociedade baseada na subjugação e na exploração das raças submetidas ao jugo europeu. Seus rastros estão à vista de todos hoje, na cartografia de territórios onde a pobreza e a marginalidade tem cor e cultura própria.
“A Boca do Inferno”, o genocídio indigena em Potosí:
No livro “As veias abertas da América Latina”, Eduardo Galeano conta os horrores da colonização espanhola, entre os quais, talvez o mais perverso de todos, é o que foi executado na região de Potosí, hoje parte do Peru e da Bolívia.
“Em 1581, Felipe II havia afirmado, perante a audiência de Guadalajara, que já um terço dos nativos da América havia sido aniquilado e que os que ainda viviam eram obrigados a prestar homenagem aos mortos. O monarca disse ainda que os índios foram comprados e vendidos. Que dormiam ao ar livre. Que as mães mataram seus filhos para salvá-los do tormento nas minas.” (Eduardo Galeano, As Veias Abertas de América Latina)
“A escravidão greco-romana foi realmente ressuscitada em um mundo diferente; Ao infortúnio dos indígenas dos impérios aniquilados da América hispânica deve-se acrescentar o terrível destino dos negros retirados das aldeias africanas para trabalhar no Brasil e nas Antilhas. A economia colonial latino-americana possuía a maior concentração de força de trabalho conhecida até hoje, o que possibilitou a maior concentração de riqueza que qualquer civilização já teve na história mundial.” (Eduardo Galeano, As Veias Abertas da América Latina)
“Essa violenta maré de ganância, horror e bravura desceu sobre essas regiões ao preço do genocídio nativo: as investigações recentes mais bem fundamentadas atribuem ao México pré-colombiano uma população que oscila entre 25 e 30 milhões, e estima-se que havia um número semelhante de índios na região andina; A América Central e as Antilhas tinham entre dez e treze milhões de habitantes. Os índios das Américas somavam nada menos que setenta milhões, e talvez mais, quando conquistadores estrangeiros apareceram no horizonte; um século e meio depois, eles haviam sido reduzidos, no total, a apenas três milhões e meio. Segundo o marquês de Barinas, entre Lima e Paita, onde viveram mais de dois milhões de índios, restavam apenas quatro mil famílias indígenas em 1685. O arcebispo Liñán y Cisneros negou a aniquilação dos índios: “É que eles se escondem - disse - para não pagar impostos, abusando da liberdade de que gozam e que não tinham na época dos Incas”.(Eduardo Galeano, As Veias Abertas da América Latina)
“Em três séculos, a rica colina de Potosí queimou, segundo Josiah Conder, oito milhões de vidas. Os índios foram arrancados das comunidades agrícolas e conduzidos, com suas mulheres e filhos, em direção ao morro. De cada dez que marcharam para as terras altas congeladas, sete nunca voltaram. (…) Os espanhóis lutaram centenas de quilômetros em busca de mão de obra. Muitos dos índios morreram no caminho, antes de chegar a Potosí. Mas foram as péssimas condições de trabalho na mina que mataram mais gente. O dominicano Fray Domingo de Santo Tomás denunciou ao Conselho das Índias, em 1550, logo após o nascimento da mina, que Potosí era uma “boca do inferno” que anualmente engolia índios aos milhares e milhares (…). Os chefes das comunidades tinham a obrigação de substituir os moribundos mitayos por novos homens entre os dezoito e os cinquenta anos.” (Eduardo Galeano, As Veias Abertas da América Latina)
“A "mita" era uma máquina de triturar índios. O uso do mercúrio para a extração da prata por amálgama envenenou tanto ou mais que os gases tóxicos do ventre da terra. Isso fez cabelos e dentes caírem e causou tremores indomáveis. Os "mercúrios" rastejavam mendigando pelas ruas. Seis mil e quinhentas fogueiras ardiam à noite nas encostas do Cerro Rico, e nelas se trabalhava prata com o vento que o "glorioso Santo Agostinho" mandava do céu. Por causa da fumaça das fornalhas não havia pastagens ou plantações em um raio de seis léguas ao redor de Potosí, e a fumaça não era menos implacável nos corpos dos homens.” (Eduardo Galeano, As Veias Abertas da América Latina)
“Não faltaram justificativas ideológicas. (…) Um vice-rei do México considerou que não havia melhor remédio do que trabalhar nas minas para curar o “mal natural” dos povos indígenas. Juan Ginés de Sepúlveda, o humanista, afirmou que os índios mereciam o tratamento que receberam porque seus pecados e idolatrias constituíam uma ofensa a Deus. O conde de Buffon afirmou que os índios, animais frígidos e fracos, não registravam "nenhuma atividade da alma". (Eduardo Galeano, As Veias Abertas da América Latina)
No Capítulo XXIV do Capital, Marx explica o processo pelo qual gerou as pré-condições para o desenvolvimento do regime capitalista de produção. Contrariando o discurso hegemônico que apresentou esses eventos como idílico, o autor sustenta que a "acumulação originária" constituiu um processo expropriação violenta, conquista, escravidão e assassinato em que "grandes massas homens [e mulheres] são repentinamente e violentamente privados de seus meios de produção a ser lançada no mercado de trabalho como proletários livres e privados de todos os meios de vida ”(Marx, 1867: 609). Essa visão permite-nos pensar o capitalismo como um modelo social que tem como pedra fundacional o processo colonizador da América e um começo e da África e Oriente depois. Durante longos anos uma precária ideia de um "mérito europeu" baseado na superioridade intelectual e moral, prevaleceu em todos os sistemas de ensino instaurados ao redor do planeta, na força da pólvora, para legitimar a supremacia económica da metrópole por sobre os povos dominados e as civilizações por eles devastadas. Os remanescentes desse passado de barbárie subsistem ainda hoje no discurso dos que ainda hoje negam que a acumulação de riqueza por parte da Europa teve como fator fundamental a supremacia bélica. Ou seja, a fortuna europeia está baseada na violência e no latrocínio dos povos de outros continentes, e sua “supremacia cultural” está baseada no extermínio das identidades que não tiveram os recursos para defender seu direito a existir. Não existe uma proporção de mérito “moral ou intelectual” elementar para justificar o domínio e a expropriação das riquezas em territórios alheios por parte da europa, o único argumento que prevalece e que, dia trás dia, a história desvenda, é a supremacia bélica, e, claro está, os impulsos belicistas e imperialistas dos europeus perante um mundo desprevenido e desprotegido. Esse é o mais sólido argumento para justificar o predomínio que em essa terra tem a língua que utilizo aqui, para escrever essas linhas, e o desaparecimento das línguas que já povoaram esse território, e que hoje são parte de uma história ainda por explorar para assim entender o presente desigual que se abate sobre esse mundo, hoje à vera de uma pandemia que está levando consigo os corpos dos povos racializados e segregados durante o processo colonial.
A veloz “desconstrução” dos serviços públicos no Brasil - José Álvaro de Lima Cardoso
Por José Álvaro de Lima Cardoso
No debate sobre as contrarreformas em geral, o primeiro aspecto que jamais deveria ser esquecido, é que todas elas (previdenciária, trabalhista, Estado), incluindo a PEC 32/2020, vieram na esteira de um crime de grandes proporções contra o Brasil, que foi o golpe de Estado, em curso. Esse golpe teve como momento crucial o impeachment da presidente Dilma Roussef em 2016, mas não se limita a ele. O resgate do golpe não é nenhum capricho ou questão moral: é que o golpe está transformando profundamente a sociedade brasileira - para pior - por isso deve ser resgatado. Resgatar o fato é fundamental para a precisão da análise e, consequentemente, para as ações a serem encaminhadas.
A PEC 32/2020 vem num conjunto de medidas encaminhadas pelo menos desde o golpe de 2016. O aspecto central da referida PEC é que ela revê uma concepção de Estado, mais ou menos aceita, de que alguns direitos são constitucionais e devem ser providos pelo Estado de qualquer maneira. A partir das medidas da reforma administrativa, aquilo que a gente conhece como direito constitucional desde, pelo menos 1988, a reforma administrativa quer transformar, na prática, em mera “prestação de serviços”. Como outra face da mesma moeda, esta concepção classifica os direitos do servidor, como “privilégios”. Nesse contexto, a estabilidade no emprego é “o cúmulo da regalia”, “servidores não fazem nada e recebem salários milionários”, etc. Segundo essa concepção de Estado, é necessário esmagar salários e direitos para melhorar a eficiência do Estado.
A operação de rápido desmonte dos serviços públicos, como os golpistas vêm fazendo, requer total ausência de transparência e debate. Se as medidas são aprovadas a toque de caixa no Congresso Nacional, sem aprofundamento do debate e sem a população saber direito o que está acontecendo, o lado mais poderoso aprova a versão que quer. Por isso o governo federal, no intuito de aprovar a reforma administrativa, mente muito, mente descaradamente. Mentir, aliás, parece ser uma especialidade dos promotores do golpe.
Como uma grande parte da população vive na miséria, e a classe média está empobrecendo rapidamente, qualquer comparação com o setor privado, torna os direitos do funcionalismo público, um rosário de “privilégios”. Um professor que ganha R$ 4.500,00 passa a ter seu salário considerado verdadeira “fortuna”. Um gari de empresa pública, com 15 anos de casa, que ganha R$ 4.000,00 é um autêntico “marajá”. A mídia que divulga essas coisas não menciona, claro, que o salário mínimo necessário para uma família de 4 pessoas, calculado pelo DIEESE é R$ 5.315,74, valor correspondente a 4,83 vezes o mínimo vigente no país.
Dentre as várias mentiras que se conta, no debate sobre Estado nacional, uma é de que a privatização irá resolver o problema fiscal do governo. Mas o fato é que não há saída para o problema financeiro no Brasil, se não se resolve o problema da dívida pública. O governo arrecadou com privatizações no ano passado, menos de R$ 100 bilhões, torrando ativos fundamentais para a população brasileira. Mas só os gastos com o pagamento de juros e amortizações da dívida pública chegaram à cifra impressionante de R$ 1.381 trilhão.
O conjunto das medidas a partir do golpe, desmonta o Estado tal qual hoje o conhecemos. As medidas principais são:
1.PEC do teto ainda em 2016 (EC 95), que congelou gastos primários do governo federal. Só se pode corrigir os gastos pela inflação do ano anterior;
2. Continuou com a terceirização ilimitada, aprovada no governo Temer (março de 2017). Medida que acabou com a terceirização apenas nas atividades meio e abriu a possibilidade de terceirizar tudo. Uma escola, portanto, passou a poder terceirizar professores, ao invés de contratar diretamente;
3.Passa pela contrarreforma trabalhista (aprovada em julho de 2017) que, além de rebaixar os direitos de toda a classe, estavam preparando para medidas específicas no setor público);
4.Segue com a contrarreforma da previdência (aprovada em novembro de 2019) que dificultou o acesso ao direito e diminuiu o valor das aposentadorias;
5.Continua com as privatizações, alimentada pela mesma concepção de Estado mínimo. Por exemplo, o Banco do Brasil, que estão preparando para privatizar, irá fechar neste ano, 361 unidades e demitir 5 mil funcionários;
6.Segue com a PEC 32/2020 e outras medidas.
Na lista acima foram lembradas algumas das medidas principais. Mas há muitas pequenas medidas complementares, com menor visibilidade, que a sociedade não consegue nem acompanhar. Com esse conjunto de medidas principais, e outras complementares, a intenção é mudar radicalmente a relação do Estado com a sociedade. Acabar com o pouco que tem de Estado de bem-estar social no país.
Exemplo de medida aparentemente sem importância para o setor público é o fim da política de ganhos reais do salário mínimo. O servidor público pode pensar “isso nada tem a ver comigo”. Mas essa medida afeta toda as relações econômicas. O salário mínimo é referência de toda a economia, inclusive para o setor público, especialmente prefeituras. O salário mínimo é um preço que influencia a distribuição de renda como um todo, exercendo o papel de alicerce salarial da economia.
Bolsonaro estava falando sério, quando afirmou, em março de 2019, numa reunião na sede da CIA: (...). O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa. Para depois nós começarmos a fazer”.
Ricardo Barros (PP-PR) ataca educadores e mente, mente, descarada... Mente! - Rodolfo Fiorucci
Por Rodolfo Fiorucci
O Deputado Federal paranaense, Ricardo Barros (PP-PR), o mesmo que votou contra o processo de cassação de Eduardo Cunha e foi acusado de receber propina de R$ 5 milhões para intermediar negócios com a Copel, protagonizou cenas de horrores na manhã de hoje, na CNNBrasil.
Na “genial” análise do deputado, “não existe nenhuma razão para o professor não estar ‘dando’ aula, nenhuma!”. Ele afirma isso no pior momento da pandemia no Brasil, com média de mais de 3 mil mortes/dia. E complementa: “só professor não quer trabalhar”.
Ricardo Barros sequer tem a dignidade de falar a verdade. A maneira como ele coloca a questão faz parecer que os professores e servidores da educação não estão trabalhando. Quase os chama de vagabundos. Sugere, de forma mentirosa, que os professores não estão lecionando! Diz que o Brasil é o “segundo país do mundo que não teve aula na pandemia”, concluindo com esse fétido embuste: “Brasil não teve aula nenhum dia”.
Ignora que desde o início da pandemia os professores e educadores não pararam de lecionar. Tiveram que aprender a lidar com tecnologias, lecionar online, desenvolver metodologias pedagógicas e laboratoriais para dar conta das demandas da educação. E mesmo o curto período de adaptação em que ficou sem aula, está sendo reposto pelos calendários acadêmicos. Ricardo Barros é uma tempestade de mentiras contra os professores e a educação.
Além disso, os educadores viraram assistentes sociais, arrecadando alimentos, celulares, tablets, computadores etc para atender aos estudantes e seus familiares, além da comunidade escolar. Tudo isso porque o país foi abandonado à própria sorte na pandemia da “gripezinha” que já matou quase 400 mil pessoas e está defenestrando sua economia.
Todos (as) educadores (as) desse país estão em frangalhos, extenuados, estressados, ansiosos e/ou depressivos, lidando com situações desumanas tanto na vida familiar como no trabalho, com o bafo da morte em cada um de seus cangotes. Além de observar o abandono do governo no que se refere aos estudantes, à educação e à ciência. Ademais, aguentam ataques imorais, antiéticos e tacanhos como esse promovido pelo deputado.
Ricardo Barros teve a pachorra de comparar a situação dos professores brasileiros com a dos europeus, “esquecendo” que estamos no país com a pior gestão do mundo na pandemia, sem vacinas, sem planejamento, sem orientação científica, sem presidente competente e com muitos deputados contaminados pelo bacilo da imoralidade política.
Os professores e professoras desse país aguardam ansiosamente para o retorno presencial das atividades, pois ninguém está contente com a situação. Porém, sabem que isso é impossível sem vacinação. Ao contrário da postura do deputado e do governo federal, a escola é lugar de ciência, e essa recomenda o mínimo de inteligência para lidar com a pandemia e evitar mortes. Algo inteligente e científico, por exemplo, seria ter comprado 70 milhões de doses de vacina quando foram oferecidas ao Brasil, e não mentir e atacar professores.
Ademais, chama as diretoras e diretores de escolas de analfabetos digitais e praticamente acusa-os de prevaricação ao afirmar que eles impedem a modernização tecnológica das escolas, pois têm medo de serem substituídos por funcionários mais competentes. Assevera que os professores (as) estão apenas esperando aposentar e não querem aprender mais nada. Se eu fosse os diretores (as) e professores (as) das escolas entraria com processo contra o deputado por danos morais, calúnia e difamação. Acionem seus sindicatos!
Ele vai além nas inverdades. Cria uma lenda de que há um programa do governo de acesso à internet e digital. Isso pouco depois do presidente Bolsonaro vetar a Lei que previa a disponibilização de tablets para os estudantes. Muitas instituições tiveram que recorrer a doações de equipamentos para conseguir ofertar educação a todos os estudantes. Se as escolas fossem depender do suporte do governo para atuar, realmente a fala mentirosa do deputado seria verdade: até hoje estaríamos sem aulas.
Como um oráculo que tudo vê, Ricardo Barros afirma, peremptoriamente, que todas as escolas têm condições sanitárias de retorno. Qual a fonte que prova isso, deputado?
Um exemplo: na rede federal, os Institutos Federais estão recebendo 1/18 de 40% do orçamento anual, o que está estrangulando as instituições que mal pagam os fornecedores, precisando os diretores assinar reconhecimento de dívidas quase todos os dias. Como, Deputado, escolas sem orçamento, sem pagamento de fornecedores, sem condições de comprarem itens de proteção sanitária e sem vacinação estão aptas a retornarem presencialmente? Isso na rede federal, imagine o restante.
Para Barros, não é a inépcia do governo em combater a pandemia que prejudica as crianças (e o resto de todo o país), mas os professores. Na mente púbere do deputado, provavelmente habitam as fantasias infantis do homem do saco, coelhinho da Páscoa e professor doutrinador malvadão.
E qual a mágica solução do deputado para providenciar o retorno das aulas presenciais? Cobrar o governo para comprar vacinas, vacinar os professores, estimular o uso de métodos sanitários e de isolamento no país em que mais morre gente de covid no mundo? Não! A solução para ele é votar projeto de lei que coloca a Educação como serviço essencial, contrariando as jurisprudências que entendem serviço essencial como aquele diretamente relacionado à manutenção da vida.
Com essa medida tosca pretendem “resolver” a questão da educação. Não tocam no problema de orçamento, financiamento, vacinas etc, mas apenas na arbitrariedade quase nazista de levar educadores e estudantes para as câmaras de gás da atualidade: as salas de aula.
Reitero, Ricardo Barros quer colocar nas costas dos educadores o peso da incompetência do governo do qual ele é líder no Congresso. Que resistamos a mais esse ataque e não nos portemos como gados que caminham passivos para o matadouro.
Queiroga adia fim de imunização contra Covid do grupo prioritário para setembro
Cronograma previa conclusão do grupo em maio; ministério apresentará novo plano de datas
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, revisou o calendário de vacinação contra a Covid-19 e adiou o fim de imunização do grupo prioritário em quatro meses, de maio próximo para setembro. A informação foi divulgada em entrevista coletiva nesta quarta-feira (21).
Na estimativa do Ministério da Saúde, fazem parte do grupo prioritário 77,2 milhões de pessoasno Brasil.
“A previsão é que isso ocorra antes, até porque o esforço [em obter mais contratos] deve resultar em novas doses de vacina. Não posso dizer taxativamente que tenhamos 40 milhões, 35, milhões e 45 milhões em maio porque depende da chegada de insumos no Brasil.”
A Folha já havia mostrado em reportagem que o cronograma mais recente publicado, de março, esbarrava em entraves como a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a entrega de insumos para a produção do imunizante e na própria falta de contratos selados, além de um grande gargalo de entregas agravado pelo fato de o governo brasileiro ter demorado a negociar com múltiplos fornecedores.
O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello havia previsto em 15 de março que o grupo seria vacinado até o mês de maio. "É provável que em maio já tenhamos vacinado os grupos prioritários. A partir daí, são todas as outras idades e grupos sociais", disse na época.
A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Francieli Fontana, explicou que todo esse grupo deve receber a primeira dose até a primeira quinzena de junho e a segunda até setembro —a vacina da Astrazeneca e da Universidade de Oxford, uma das duas usadas no Brasil por ora, exige três meses de intervalo entre as doses, enquanto outro imunizante, a Coronavac (Instituto Butantan e Sinovac), exige três semanas.
Ela explicou que existem fatores que podem interferir, como a entrega das vacinas por parte dos produtores. Para tratar da questão, disse que toda semana há reunião com o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), Fiocruz e Butantan.
“Anteriormente não tinha sido divulgado um cronograma final de vacinação dos 77,2 milhões de brasileiros devido à irrregularidade das entregas. Nesse momento, estamos com uma entrega mais regular. Faz diversas semanas que a gente encaminha sempre um quantitativo”
Francieli afirmou que uma nova versão do plano será divulgada nesta semana. Nela, os trabalhadores da limpeza urbana entrarão no grupo prioritário.
A coordenara disse ainda que as gestantes que estão contempladas para receber a vacina contra a Covid-19 são as que já estão dentro de um dos grupos prioritários por ter alguma comorbidade associada.
Diante do aumento das mortes por Covid enre grávidas e puérperas, a pasta estuda que todas as gestantes possam fazer parte do grupo. Não há por ora, entretanto, estudo que assegure a segurança da vacina durante a gestação.
Nesta quarta-feira (21), o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski deu cinco dias para que o governo federal preste informações sobre o cronograma de recebimento de doses de vacinas para Covid-19.
Queiroga disse que o calendário seria atualizado dentro do prazo estabelecido pelo ministro do STF.
Na entrevista, Queiroga celarou ainda que está prevista a chegada de 1,5 milhão de medicamentos do chamado "kit intubação" até maio, com a primeira remessa desse lote na próxima semana. Com a lotação das UTIs com doentes de Covid, medicamentos como relaxantes musculares e sedativos começaram a escassear ou mesmo faltar em alguns hospitais.
O ministro afirmou que atua diferentes frentes para conseguir mais medicamentos do kit, incluindo um pregão internacional sem fixação de preço para a aquisição de novos insumos. “Temos adotado uma série de ações para aumentar a oferta. Também contamos com o apoio da indústria nacional, OMS/OPAS, e com a solidariedade de outros países que farão doações dos insumos ao Brasil”.
Queiroga disse que pedirá a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) para fazer uma avaliação do Regn-Cov2, medicamento aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para casos leves e moderados da Covid-19.
Ele explicou que a comissão faz uma análise de incorporação do medicamento ao SUS, avaliando qualidade científica e disponibilidade econômica. O prazo máximo para o parecer é de 180 dias.
“Esse medicamento pode ser só uma novidade, o que a Conitec irá fazer é separar o que é novidade e o que é inovação. Inovação é o que pode mudar a história natural das doenças, é um medicamento novo e precisamos saber mais.”
Clima une Biden, Putin e Xi

A ameaça das mudanças climáticas é um dos raros tópicos em que os EUA não entram em atrito com a China e a Rússia. Os países, adversários geopolíticos, mantêm um bom diálogo na área ambiental. Os líderes chinês, Xi Jinping, e russo, Vladimir Putin, participarão da Cúpula do Clima organizada pelo presidente Joe Biden, que começa nesta quinta de forma virtual devido à pandemia. Chineses, americanos e russos sabem que o tempo para o planeta se salvar está se reduzindo. Podem estar em conflito em uma série de outras questões, mas não quando o tema diz respeito ao meio ambiente.
No fim de semana, os EUA e a China divulgaram um comunicado conjunto dizendo que as duas nações “estão comprometidas a cooperar uma com a outra para enfrentar a crise climática, que precisa ser combatida com toda a seriedade e urgência que é demandada”. Um recado claro de união nesse tópico, apesar da rivalidade dos dois países na área econômica, geopolítica e de direitos humanos. Basta observar o tom conflituoso no recente encontro dos chefes da diplomacia chinesa e americana no Alasca. Os dois governos, porém, entendem que a questão ambiental deva ser tratada em conjunto porque diz respeito ao futuro do planeta. Ambos podem vencer ou perder juntos.
O mesmo vale para Putin, que participará do encontro apesar de ter sido chamado de assassino por Biden, além de seu governo ter sido alvo dias atrás de mais sanções americanas por ações cibernéticas e também interferência nas eleições presidenciais dos EUA. Quando o tema é o aquecimento global, no entanto, o tom muda. Seu porta-voz, Dmitry Peskov, afirmou que a cúpula do clima é “um evento multilateral, voltado para o clima e ecologia, que a Rússia considera importantes prioridades”.
Um consenso como esse entre as grandes potências é extremamente raro. Existiu nos tempos recentes no combate ao terrorismo jihadista da al-Qaeda e do Estado Islâmico e na necessidade de firmar um acordo no campo nuclear com o Irã. Nste último caso, nos anos de Donald Trump, houve um rompimento com a decisão do então presidente americano de se retirar do acordo com Teerã, batendo de frente não apenas com russos e chineses, mas também com aliados ocidentais como França, Reino Unido e Alemanha.
A união entre Washington, Pequim e Moscou, além da quase totalidade dos países europeus, africanos, asiáticos e latino-americanos, em torno da necessidade de redução das emissões de carbono demonstra a importância do tema. Após anos no qual houve um embate entre o consenso científico e o negacionismo, impulsionado por algumas figuras políticas como Trump, parece que chegamos a um ponto no qual não há mais discussão sobre o risco para todo o mundo. Biden sabe disso e terá o combate às mudanças climáticas como a sua prioridade nos quatro anos de governo, sendo inclusive a base de seu programa econômico de trilhões de dólares.
Diante deste cenário, Jair Bolsonaro participa extremamente isolado da cúpula. Com um histórico de negacionista, tenta adotar um tom mais ameno agora que não existe mais Trump no campo anticiência. Não será uma tarefa fácil. É como a Arábia Saudita tentar se mostrar livre em um evento sobre a defesa da liberdade de imprensa.
O que leem os chineses?

Já foi o tempo em que os chineses tinham poucas opções de leitura e o “pequeno livro vermelho” de Mao Tsé-tung estava sempre ao alcance. Obrigatória durante um dos períodos mais caóticos da história recente da China, a Revolução Cultural (1966-1976), a coleção de frases do líder comunista tornou-se peça de colecionador, e hoje a oferta é extremamente variada, apesar da censura no país. A literatura com variados tons de vermelho ainda tem lugar nas listas dos mais vendidos, mas o que move os leitores chineses é principalmente o senso prático e a busca por conhecimento.
O melhor exemplo disso é o escritor e ilustrador Chen Lei, autor de uma série de livros que explicam de forma resumida temas variados, da economia global à poesia da dinastia Tang. Dos trinta livros nas lista dos best-sellers de não ficção em fevereiro, nada menos que onze foram de Chen Lei, segundo apuração da OpenBooks, uma consultoria de Pequim especializada no mercado editorial chinês. É um fenômeno sem precedentes desde os Beatles, brinca o presidente internacional da consultoria, James Bryant.
— Na cultura chinesa atual, as pessoas têm muita motivação em dominar vários tópicos de conversa. Não só para ter o que falar em festas, mas no trabalho. Se você está interagindo com um cliente é bom ter conhecimento sobre o mundo de uma forma mais profunda do que apenas pelo que sabe das mídias sociais. Há um enorme interesse em aprender.
Embora as vendas de livros na China tenham sofrido em 2020 o primeiro declínio em décadas, causado principalmente pelo fechamento de livrarias físicas durante a pandemia, o último trimestre já mostrou uma recuperação e a receita anual chegou a 97 bilhões de yuans (R$ 83 bilhões). Cerca de 70% do mercado ainda pertence ao comércio online, mas graças a um programa de subsídios do governo, as livrarias físicas tiveram um renascimento no país.
Diplomacia: Pingue-pongue, clima e a “reinvenção” das relações entre o Brasil e a China
Mesmo com o impacto da pandemia, que levou mais de 1.500 delas a fecharem as portas, outras 4 mil foram abertas no período, segundo a agência estatal de notícias Xinhua. Só em Pequim surgiram 639 novas livrarias em 2020. Com design convidativo e atrações diversas, viraram espaços de convivência, com ideias inovadoras que combinam livros eletrônicos e físicos, além de acordos de cooperação com o governo que incentivam os leitores a compartilharem as obras com bibliotecas públicas quando chegam à última página.
— As livrarias na China são como as bibliotecas em outros países. Os pais vão com os filhos e passam horas sentadas no chão lendo para eles.
Dos trinta livros na lista dos mais vendidos em fevereiro, seis são de autores estrangeiros, entre eles o best-seller global “Sapiens: uma breve história da humanidade”, do israelense Yuval Noah Harari, “A menina da montanha”, volume de memórias da americana Tara Westover, e “Uma breve história do tempo”, do físico inglês Stephen Hawking. Entre as obras chinesas, fora a série de Chen Lei, as melhores colocadas são bem diferentes entre si: o humorístico “Gafe” (em tradução livre), do maior nome da comédia stand-up no país, Li Dan, e “A ascensão da China”, do general Jin Yinan, professor da Universidade do Exército chinês. O tema é altamente popular no país, na onda de autoconfiança dos últimos anos.
A relação é só de fevereiro e naturalmente há variações a cada mês. Mas mesmo assim fornece um retrato das preferencias dos leitores. Na lista dos livros de ficção, o gosto dos chineses pelos clássicos deu a primeira colocação a "O Sonho do Quarto Vermelho", de Cao Xueqin o grande romance chinês do século 18, para muitos o maior de todos os tempos. Em segundo lugar aparece o romance histórico “A Rocha Vermelha”, protagonizado por Jiang Zhujun, a mais conhecida mártir da revolução comunista. Ambos são livros que muita gente gosta de ter em casa, ou compra para dar de presente, como demonstração de sintonia com as tradições nacionais.
De obras mais recentes, “Momentos que compartilhamos”, de Zhang Jiajia, que começou escrevendo “histórias de ninar” para adultos no Weibo, o Twitter chinês, e tornou-se um roteirista e diretor de sucesso no cinema. Também aparecem três livros de Liu Cixin, autor de ficção científica que foi traduzido no Brasil e tem fãs ilustres, como o ex-presidente americano Barack Obama.
Entre os estrangeiros, um que tem vaga cativa há anos entre na lista dos preferidos é “Cem anos de solidão”, do colombiano Gabriel Garcia Márquez. O sucesso, diz James Bryant, se explica por dois motivos: primeiro, o livro “é tão famoso que todos gostam de dizer que o leram”; além disso, o seu enredo “se encaixa bem em conversas sobre a sociedade”.
A maioria das editoras tem controle total ou parcial do Estado. A censura é exercida na fonte, já que cada editora sabe que sofrerá consequências se deixar passar algo indesejável. Uma base de dados eletrônica com palavras sensíveis é usada para fazer uma peneira antecipada. O mesmo também se aplica às empresas privadas de internet e seu crescente mercado de literatura online, que no ano passado foi avaliado em 37,2 bilhões de yuans (R$ 31,9 bilhões).
Nas livrarias chinesas, não é tão fácil achar autores brasileiros. Mas alguns conseguiram emplacar vendas razoáveis nos últimos anos. Numa lista fornecida pela OpenBook dos brasileiros mais vendidos na China de 2015 para cá, os campeões são Paulo Coelho, com oito títulos, seguido do escritor de literatura infantil Ilan Brenman, com três.
Bryant, cuja consultoria monitora o mercado editorial chinês há vinte anos, diz que um dos nichos mais promissores do mercado editorial chinês é o de livros infantis, principalmente os voltados para crianças em idade pré-escolar. Isso porque os pais chineses gastam muito em livros para seus filhos nessa fase, quando podem introduzi-los em assuntos que consideram importantes antes que o tempo deles seja tomado pelo currículo escolar. A grande oportunidade de vendas para livros infantis é até 5 ou 6 anos, explica Bryant.
— A China importa livros infantis do mundo inteiro, há uma preferência por livros que são populares em outras culturas. Isso representa uma oportunidade para autores do Brasil. Um best-seller infantil pode ser a chance de apresentar o Brasil aos chineses.
Índia bate recorde mundial com quase 315 mil casos de covid-19 em 24 horas

Do UOL, em São Paulo*
22/04/2021 08h22
Atualizada em 22/04/2021 08h31
A Índia bateu um novo recorde de casos diários de covid-19. O país contabilizou hoje 314.835 novos casos da doença, o maior número já registrado no mundo desde o início da pandemia do coronavírus, segundo dados do Ministério da Saúde indiano.
Nas últimas 24 horas o país também registrou 2.074 mortes, o que eleva o balanço oficial da epidemia no país a quase 185 mil vítimas.
Cemitérios e crematórios da Índia sobrecarregados por onda de covid
A Índia registra 15,9 milhões de infectados pela covid-19 desde o início da pandemia e é a segunda nação com o maior número absoluto de casos, atrás apenas dos Estados Unidos (31,9 milhões de casos). O Brasil é o terceiro país com maior número de casos (14,1 milhões).
O número de casos e mortes na proporção por sua população (quase 1,4 bilhão de habitantes), no entanto, continua sendo consideravelmente menor na Índia que em vários países.
A segunda onda da covid-19, atribuída sobretudo a uma "dupla mutação" do vírus e a várias aglomerações que favoreceram a contaminação, demonstrou a crise no sistema de saúde indiano.
Vários hospitais e clínicas de Nova Déli fizeram um apelo desesperado ao governo central para que proporcione urgentemente oxigênio a centenas de pacientes em estado grave.
No início da semana, o governo de Nova Déli impôs um lockdown na cidade de mais de 20 milhões de habitantes para conter a disseminação do vírus. A metrópole é governada por um partido que faz oposição ao premiê nacionalista Narendra Modi e acusa estados aliados do primeiro-ministro de não repassarem estoques de cilindros de oxigênio.
Lar do maior fabricante de vacinas do mundo, o Instituto Serum, que produz localmente a vacina da AstraZeneca, a Índia já aplicou a primeira dose em cerca de 130 milhões de pessoas, porém isso representa menos de 10% de sua população.
CE: Cidade segue exemplo internacional para tentar frear contágio de covid

Pedro Philippe
Colaboração para o UOL, de Fortaleza
22/04/2021 04h00
Seguindo o exemplo de países que se saíram bem no combate à covid-19, o município de Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza (CE), passou a testar em massa sua população para acompanhar os infectados e tentar evitar que não contaminem amigos e familiares.
Nascida de uma parceria com a unidade local da Fiocruz, a ação, que começou em janeiro, chega a fazer 350 testes por dia, já examinou 25% da população de 53 mil habitantes e foca na prevenção.
Taxa de transmissão da covid no Brasil continua alta, aponta estudo
"O Brasil se preocupou em construir hospitais e novos leitos de UTI, que são essenciais para atendimento ao doente, mas fizemos muito pouco para prevenir a doença", diz o médico Carlile Holanda Lavor, responsável técnico pela instituição no estado.
Segundo especialistas, a testagem em massa ajuda autoridades a implementar medidas mais acertadas no enfrentamento da crise sanitária, enquanto a falta de testes atrapalha a formulação de uma estratégia para combater a pandemia. O Brasil é um dos países com mais casos confirmados de covid que menos testam a população — o que leva à subnotificação de casos.
As primeiras semanas de trabalho do secretário de saúde municipal, Josete Malheiros Tavares, em janeiro, coincidiram com o início da segunda onda da pandemia no Ceará. A pasta buscou a Fiocruz-Ceará, cuja sede no estado é em Eusébio. O órgão instruiu a administração a mapear as localidades mais afetadas pelo vírus e então acompanhar e monitorar os casos. Mas havia um problema.
"Existia um padrão de solicitar o exame entre o quinto e o sétimo dia de sintomas. Depois disso, a gente podia levar mais 15 dias para receber um resultado. Cumpria um papel meramente estatístico: dizia se o paciente tinha ou não a doença", diz Tavares.
Não havia nenhum esforço que o município pudesse fazer pra monitorar a situação, minimizar os riscos de transmissão e mudar a complicação do quadro do pacienteJosete Malheiros Taves, secretário de Saúde de Eusébio (CE)
Quando fez a proposta de agilizar os exames, o secretário ouviu do médico a seguinte pergunta: "Se eu lhe entregar os exames, você vai fazer o que de diferente das outras cidades do Brasil? Para que vai lhe servir esse exame antecipado?".
Prefeitura e Fiocruz combinaram o seguinte: por um lado, a administração municipal reorganizou o trabalho das 25 equipes de saúde para realizar coletas, inclusive nas residências, e acompanhar todas as pessoas próximas os moradores de Eusébio com covid-19. Por outro, o laboratório conduziu uma força-tarefa para entregar os resultados dos testes em pelo menos 24 horas.

"Os países que conseguiram conter a proliferação foram aqueles onde a população e o governo estavam unidos. O Brasil tenta ter um sistema único de saúde, mas cada município e cada estado faz seu sistema", afirma Lavor. Para ele, é ineficaz cada estado brasileiro adotar um modelo diferente de lockdown diferente, em períodos distintos.
O Brasil caminhou pouco na linha da prevenção. Além da vacina, que é importantíssima, a gente precisa aprender a prevenir. O Vietnã praticamente não contou óbitos. Justamente porque eles trabalharam junto às famílias para que a doença não se espalhasseCarlile Holanda Lavor, responsável técnico pela Fiocruz-CE
Inaugurada em 2008 em Eusébio, a Fiocruz Ceará forma pesquisadores na área de saúde da família e trabalha para construir um polo industrial farmacêutico no estado. Ao lado do Rio de Janeiro e Paraná, a unidade cearense é um dos três laboratórios da Fiocruz que processam exames de swab (cotonete) — e atende outros dez estados.
Alzira Frota, coordenadora de epidemiologia da Secretaria de Saúde de Eusébio, tomou recentemente a segunda dose da vacina. Antes disso, perdeu um sobrinho e uma cunhada, que morreram de covid-19 neste ano.
A enfermeira explica que uma das atribuições das equipes dos postos de saúde mudou. Médicos e farmacêuticos prescrevem os remédios que o paciente precisa tomar, instrui sobre as medidas de isolamento na casa e acompanha a família. "Não tem como ter distanciamento em uma casa com três cômodos e seis pessoas morando nela. Essa é a nossa realidade", afirma Alzira.
Em 31 de janeiro, a cidade registrava 101 pessoas com covid na fase aguda em isolamento e duas pessoas internadas. Anteontem, o município contabilizava 1.249 pessoas infectadas na fase aguda da doença, com 32 internações hospitalares.
Se não fosse a Fiocruz, nós estaríamos numa situação muito pior. Antes da parceria, a gente demorava dias para conseguir acessar o resultado de um exame. Já aconteceu de a gente receber o resultado 21 dias depois da morte do paciente por covid-19Alzira Frota, coordenadora de epidemiologia da Secretaria de Saúde de Eusébio
Em 2021, foram realizados 9.050 casos testes de covid-19 na cidade, que totaliza 2.662 casos confirmados de infecção e 51 óbitos até anteontem (20). Em todo ano passado, foram realizados 6.106 exames — houve registro de 2.008 casos de infecção e 72 óbitos.
"Mas agora estamos no olho do furacão", diz Tavares, reconhecendo que "esse número vai aumentar ainda". O município aplicou a segunda dose da vacina a 2.200 pessoas.
Um dos maiores desafios é conseguir a colaboração da sociedade. O secretário diz que em janeiro um evento religioso com mais de cem pessoas aconteceu na zona rural da cidade. "Todas as pessoas desse evento adoeceram e seis pessoas de uma mesma família morreram."
Mesmo com o chamado da prefeitura para que os moradores realizem exames, muitos só procuram atendimento médico apenas com sintomas graves, depois de seu estado ter se agravado em casa. "Nosso esforço diuturno é para evitar um número maior de mortes, mas eu considero que a gente tem um esforço razoável e diferente do que tem sido feito na maioria das cidades do Brasil."
Doria: "Nós, nesse momento, temos um presidente da República que é um psicopata"

247 - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou Jair Bolsonaro pelo comportamento negacionista em relação à pandemia que já matou pelo menos 381 mil pessoas no Brasil. De acordo com o chefe do Executivo paulista, "nós, nesse momento, temos um presidente da República que é um psicopata. Só não sei avaliar em qual nível, em qual grau".
"Ele deveria ser avaliado por uma junta médica de psiquiatras e psicólogos. Este pensamento tristemente negacionista, que impede de sentir compaixão pelas pessoas.... Isso não é normal, extrapola a questão política", afirmou Doria em entrevista ao jornal Valor Econômico.
"É uma questão de doença, de psicopatia. Nós, nesse momento, temos um presidente da República que é um psicopata. Só não sei avaliar em qual nível, em qual grau. Gostaria muito do parecer da junta médica, para dizer qual é o nível de psicopatia e loucura que tem o presidente do Brasil", acrescentou.
Bolsonaro é alvo de mais de cem pedidos de impeachment no Congresso Nacional e boa parte deles têm relação com o gerenciamento da crise do coronavírus. Ele recomendou estimulou aglomerações, saiu às ruas sem máscaras, recomendou à população medicamentos sem comprovação científica e sabotou a importação de insumos da China para a produção de vacinas no Brasil.
De acordo com a plataforma Worldometers, são 14,1 milhões de infectados pelo coronavírus no País, o terceiro maior número, atrás de Índia (15,9 milhões) e Estados Unidos (32,6 milhões). O Brasil tem 12% de sua população vacinada com ao menos uma dose de alguma vacina.
CPI da Pandemia
O ministro do Supremo Tribunal Federal Luis Roberto Barroso havia determinado ao Senado a instalação da uma CPI da Pandemia, medida confirmada pelo plenário da Corte. Consciente dos problemas de gerenciamento da crise, Bolsonaro queria mudar os rumos da Comissão Parlamentar de Inquérito, com o objetivo de perseguir governadores e prefeitos, além de ter pedido impeachment de ministros do Supremo, conforme um diálogo gravado e divulgados pelo senador Jorge Kajuru (GO).
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), futuro relator da CPI da Covid, tem em mãos um ofício no qual o governo federal orientou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) a divulgar e indicar a prescrição de cloroquina ou hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19.
Malu Gaspar, do Globo, atribui a Walter Delgatti a anulação dos processos contra Lula

247 – A jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, escreve artigo nesta quinta-feira, em que diz a anulação dos processos contra o ex-presidente Lula, que foi preso político durante 580 dias para que fosse possível eleger Jair Bolsonaro, garantindo assim a entrega de recursos naturais, como o petróleo, e a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários dos brasileiros, "não apaga a história". Malu tenta sustentar a tese de que não se declarou a inocência do ex-presidente, com a decisão histórica do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a incompetência de Sergio Moro. Ela também afirma que tal reversão só foi possível graças às mensagens obtidas pelo hacker Walter Delgatti, de Araraquara. O que as mensagens revelam, no entanto, e a culpa da própria mídia no conluio com a República de Curitiba
"Dessa vez, as investigações foram mais longe. Renderam 295 prisões, 140 delações premiadas, a devolução de R$ 4,3 bilhões aos cofres públicos e impulsionaram um processo de impeachment. Mas, como nos outros casos, o dia da desforra chegou. A revelação dos desvios indicados nas mensagens de celular trocadas por procuradores — e captadas ilegalmente por um hacker — criou um clima favorável à anulação de condenações e denúncias", escreve a jornalista.
Segundo ela, no Brasil, quando o assunto é corrupção, a história se repete. "Escândalos abalam a política, as investigações apontam culpados e, mais cedo ou mais tarde, os processos são sepultados por decisões judiciais que raramente entram no mérito das acusações", aponta.
"A segunda, e mais importante, é que a história não se anula, muito menos a canetadas. Por mais que se queira esquecê-la ou distorcê-la, de tempos em tempos ela volta a nos assombrar. Quando isso acontece, acumulam-se os prejuízos, aumenta a insegurança jurídica e se reforçam narrativas políticas cada vez mais simplistas e muitas vezes irresponsáveis. A história cobra um preço alto quando se ignoram suas lições. Quem paga somos todos nós. E não só com dinheiro, mas com um pedaço do nosso futuro.", diz ainda a jornalista.
De fato, segundo os maiores juristas do Brasil e do mundo, Lula sofreu um processo de lawfare internacional, com a colaboração do jornal O Globo, para que o Brasil se tornasse um país mais pobre e periférico. Esta história ainda vai assombrar por muitos anos O Globo e seus colaboradores, que apoiaram os golpes de 1964 e 2016. Reportagem recente do jornal Le Monde aponta como a República de Curitiba atuou a serviço dos Estados Unidos e contra os interesses do Brasil.

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