GERAL X
Apenas UMA dose de vacinas AstraZeneca/Oxford ou da Pfizer/BioNTech reduz infecção em até 65%, revela estudo
Como Exército reagirá a possíveis punições da CPI a ministros militares


Chico Alves
Colunista do UOL
23/04/2021 04h00
A CPI da Covid será instalada na terça-feira e entre as autoridades que deverão responder aos questionamentos dos senadores sobre as falhas do governo federal no combate à pandemia deverão estar o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o ex-ministro da Casa Civil e atual titular da pasta da Defesa, Walter Braga Netto. Ambos são generais - o primeiro da ativa e o segundo da reserva.
Pazuello terá que explicar ações questionáveis, como a demora na compra de vacinas, o desperdício de testes para a covid-19 que foram comprados e não distribuídos, a falta de oxigênio em hospitais do Amazonas e várias outras.
Heitor Martinez revela testes negativos antes de ser internado com covid
Mari Monts
Do UOL, em São Paulo
23/04/2021 12h00
Heitor Martinez está em fase de recuperação após passar 13 dias internado com covid-19, na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro. O ator, de 52 anos, recebeu alta no dia 16 de abril e conversou com o UOL sobre seu estado de saúde.
Estou na recuperação da capacidade pulmonar e motora, fundamental para não ficar com sequelas. Ainda tomo remédios e faço fisioterapia todos os dias, assim como exames regulares.
Heitor Martinez agradece médicos após alta: 'Nós vencemos a covid!'
O ator, que fará parte da sexta fase da novela da Record "Gênesis", disse que o primeiro sintoma foi a tosse. Apesar de ter acompanhado a evolução do quadro, ele não foi diagnosticado com covid no primeiro momento.
Fiz três exames de covid [PCR] e todos deram negativo. Fui ao hospital uma semana depois e fiz uma tomografia que ficou constatada a doença e a inflamação de 25% do pulmão. Fui internado na semana seguinte com 50% do pulmão comprometido.
Aliviado por estar em casa, Heitor confessou que seu único pensamento durante os 13 dias no hospital era de cura, apesar de sentir medo todos os dias do agravamento da doença: "Mas estava muito bem assistido e amparado pela equipe da clínica São Vicente, minha família e amigos".
Além disso, o ator faz um alerta e pede para as pessoas redobrarem os cuidados:
Estamos no auge da pandemia e não gostaria que ninguém passasse o que passei. Qualquer sintoma é um sinal de alerta. Tive sorte mesmo me cuidando bastante. Use máscara, não aglomere, fique em casa se puder. Se informe, consciência social é determinante para deter as contaminações.
"Gênesis"
O ator dará vida a Labão, na sexta fase da novela "Gênesis", da Record. Essa temporada da trama terá foco na história de Jacó (Miguel Coelho) e, de acordo com a coluna do Flávio Ricco, do portal R7, deve estrear em julho.
As gravações da novela foram paralisadas devido ao agravamento da pandemia no fim de março. Heitor disse que ainda não tem informações sobre o retorno ao trabalho, mas se prepara para o novo papel:
O foco é me recuperar totalmente para finalizar esse trabalho como deve ser, com energia e entrega.
Líder opositor russo Alexei Navalni encerra greve de fome de 24 dias
Sob risco de morrer, blogueiro preso desde janeiro viu grandes atos em seu favor na Rússia
O líder opositor russo Alexei Navalni, preso desde janeiro, encerrou sua greve de fome de 24 dias nesta sexta (23). Ele afirmou que o protesto gerou "grande progresso", em referência aos atos em seu favor e à repercussão internacional do caso.

Segundo o opositor, em post no Instagram, "os médicos nos quais eu confio emitiram um comunicado dizendo que nós alcançamos o suficiente para que eu encerre minha greve de fome". Na quinta (22), um grupo de médicos apoiadores de Navalni afirmou que ele poderia morrer a qualquer minuto.
É incerto se ele recebeu, nesse período, algum tipo de alimentação líquida ou por veia.
No dia anterior, dezenas de milhares de russos foram às ruas para protestar contra a prisão de Navalni, um blogueiro de 44 anos que começou a promover campanhas contra a corrupção estatal em 2017, chamando a atenção com enormes atos organizados via internet. Cerca de 1.600 pessoas foram detidas, mas houve menos violência policial do que nos atos do início deste ano, logo após a detenção do ativista.
Ele foi preso em um aeroporto de Moscou no dia 17 de janeiro, quando voltava de 150 dias de tratamento médico na Alemanha —ele fora envenenado na Sibéria, em agosto de 2020, pelo que cientistas disseram ser o agente neurotóxico de origem soviética Novitchok.
Navalni, seus apoiadores e até o governo de Joe Biden, que chamou o presidente Vladimir Putin de assassino, acusam o FSB (serviço secreto russo) pelo ataque. O Kremlin nega.
A prisão foi determinada por uma tecnicalidade, o fato de o ativista em coma em Berlim não ter batido ponto com seu oficial de condicional. Ele cumpria uma sentença suspensa, fruto de uma condenação por fraude considerada pela Corte Europeia de Direitos Humanos forjada.
Em fevereiro, foi julgado e mandado para cumprir o restante da pena, dois anos e meio, numa colônia penal a 100 km de Moscou. Sem acesso regular a advogados e médicos, começou a greve de fome.
Na semana passada, 15 kg mais magro e com sinais vitais falhando, Navalni foi internado em um hospital em Moscou. Segue sem ser atendido por médicos de sua confiança. “Não retiro minha demanda de ver um médico relevante. Estou perdendo a sensibilidade em partes dos meus braços e pernas, não entendo o que é isso e quero ser tratado", escreveu.
Ele comemorou, contudo, o fato de ter sido examinado duas vezes por um time de médicos civis, não do sistema prisional. "Dois meses atrás, estavam rindo dos meus pedidos de ajuda."
Navalni é uma crescente dor de cabeça para Putin e virou peça no jogo de pressões entre o Kremlin e o Ocidente patrocinado por Biden, que recrudesceu a retórica contra o líder russo após anos de complacência de Donald Trump —atribuída ora à incompetência, ora à suposta ajuda virtual que teve de hackers russos em sua eleição em 2016.
O fim da greve de fome de Navalni ocorre, curiosamente, no mesmo dia em que os russos disseram ter iniciado a saída de suas tropas de exercícios perto das fronteiras da Ucrânia, que geraram grande tensão com os EUA e a Otan (aliança militar ocidental). Como personagem político, a densidade eleitoral de Navalni é quase nula, nunca tendo saído do traço em pesquisas independentes.
Mas seus vídeos com denúncias, de qualidade jornalística duvidosa mas bastante efetivos na forma, são amplamente vistos e tocam na desconfiança básica da classe média russa ante seus governantes.
O ativista ampliou seu escopo de atividade mirando o partido de sustentação do Kremlin, o Rússia Unida. Promove campanhas em favor de quaisquer candidatos que se oponham à sigla e teve sucessos pontuais.
Foi na preparação de uma eleição local em Tomsk que ele foi envenenado. O grande desafio será a eleição parlamentar de setembro, na qual o Rússia Unida apresenta baixa aprovação em pesquisas. Isso é um dos fatores que ensejou a campanha judicial, num país em que este Poder é alinhado ao Executivo, contra Navalni. É notável de sua influência também que milhares tenham se disposto a ir às ruas em seu favor:
Quando atos não são autorizados, como era o caso na quarta, a polícia pode prender quem quiser.
Enquanto isso, cresce o cerco interno à mídia independente, que mingua e se esconde em cantos da internet na Rússia —há poucos grandes jornais, sempre lidando com a pressão do Kremlin, e praticamente toda a TV é estatal ou alinhada ao governo. Nesta sexta, o Roskomnadzor, órgão regular de mídia russo, classificou o site Meduza como "agente estrangeiro", o que é quase uma pena de morte para o negócio.
Uma lei de 2012, feita na esteira de grandes protestos contra a nova eleição de Putin, mirou ONGs, indivíduos e órgãos de mídia que tenham financiamento externo. Eles podem operar, mas são sujeitos a inspeções financeiras draconianas. O Meduza é baseado na Letônia, para onde sua fundadora, Galina Timtchenko, fugiu em 2014 com medo da repressão russa. Com reportagens investigativas e artigos de opinião contrários ao regime, o site tem grande capilaridade, com colaboradores espalhados pela Rússia.
Agora, essas pessoas podem sofrer achaques legais. No começo do ano, a tradicional Rádio Europa Livre, americana, foi tachada de agente estrangeiro e agora enfrenta um processo que pode resultar em US$ 150 mil em multas, inviabilizando sua operação na Rússia.
Menino de 4 anos abandonado sem comida e água é resgatado no interior do RJ

Daniele Dutra
Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro
23/04/2021 08h01
Uma criança abandonada foi encontrada na manhã de ontem em condições precárias na cidade de Volta Redonda, a cerca de 131 km do Rio de Janeiro. O menino de 4 anos estava sozinho, trancado em casa, sem comida, água e luz. O choro desesperado e as batidas na porta chamaram a atenção dos vizinhos, que acionaram o Conselho Tutelar da Região, por volta das 9h.
A Polícia Militar e a proprietária do imóvel — que estava alugado — localizado no Morro da Paz, bairro de Santo Agostinho, também foram acionados pelo Conselho para irem até o local e abrir a porta. "A criança estava trancada e em condições realmente precárias dentro do imóvel. Retiramos o menino e o encaminhamos para a sede do Conselho, para que ele recebesse as medidas protetivas", informou o conselheiro tutelar Bruno Nicolau.
Henry: Polícia só concluirá inquérito após análise de telefone de Jairinho
A denúncia por abandono de incapaz e cárcere privado foi registrada na 93ª DP de Volta Redonda e o menino passou por exame de corpo de delito. Nenhum tipo de violência ou agressão física foi identificada. A criança estava magra e foi encontrada com muita fome e sede. Ele morava no imóvel alugado há cerca de um mês com a madrasta e o pai, que ainda não foram localizados. Já a mãe do menino é falecida.

Segundo relatos da vizinhança, os responsáveis são usuários de drogas e essa não foi a primeira vez que o menino ficou sozinho. Em outras situações, eles deixavam a criança com alguém e voltavam dias depois. Dessa vez, decidiram deixá-lo trancado em uma casa. Segundo o conselheiro que encontrou o menino, a residência não tinha fogão, geladeira, cama, água e nem comida para o preparo: "Acredito que aquela criança estava há dias nessa situação, mas a vizinhança só percebeu que ele poderia estar sozinho porque estava chorando muito, de forma desesperadora e batendo na porta", relatou Bruno.
O menino passa bem e está sob tutela de um parente próximo que foi localizado pelo Conselho. A partir de agora vai receber um acompanhamento com assistência social, psicológico e um auxílio médico. Bruno reforça a importância das pessoas realizarem a denúncia: "Toda criança que estiver sofrendo maus tratos, violência física e psicológica é de suma importância que a população faça uma denúncia. É anônima, segura e funciona 24h por dia". Os telefones são: (24) 99963-0010/(24) 99938-1589 ou o disque 100.
Covid: Com 91,3% dos idosos vacinados, Rio vai atrás dos faltosos

Rai Aquino
Colaboração para o UOL, no Rio
23/04/2021 09h44
Atualizada em 23/04/2021 10h34
A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou na manhã de hoje que o próximo passo na campanha de vacinação será ir atrás dos idosos que ainda não se imunizaram contra a covid-19. De acordo com a prefeitura, 91,3% dos idosos foram vacinados contra o novo coronavírus. Hoje e amanhã, o município imuniza quem tem a partir de 60 anos, encerrando o calendário de vacinação dos idosos.
"As unidades de saúde, toda a prefeitura, começam agora uma cruzada para identificar os idosos que ainda não se vacinaram. Agentes comunitários de saúde, médicos, e profissionais das equipes de saúde da família vão intensificar a busca ativa a todos o idosos acamados que não se vacinaram e a qualquer idoso na cidade", disse o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.
Eduardo Paes afirma que rodoviários serão vacinados contra a covid-19
Na apresentação do 16° Boletim Epidemiológico da covid-19 no Rio de Janeiro, Soranz avisou que a partir de agora, os idosos podem procurar as unidades de saúde para se vacinar em qualquer dia. Ele reforçou a necessidade da aplicação da segunda dose.
É a primeira dose que a gente está aplicando ainda. É necessário que os idosos retornem para tomar a segunda dose. Tem 90% dos idosos vacinados, mas não pode sobrar nenhum sem vacinaDaniel Soranz
Atualmente, a capital fluminense aplicou 1.333.935 de doses da vacina contra o novo coronavírus. Isso significa que 19,8% da população carioca já foi imunizada contra a doença. Mas a aplicação da segunda dose chegou a apenas 342.366 pessoas.
"A gente vai ser uma das primeiras capitais a ter vacinado os idosos acima de 60 anos (...) Encerrar os idosos acima de 60 anos para a gente é uma grande marca, uma grande conquista", comemorou Soranz.
Doses no limite
Como tem dito em outras semanas, o secretário municipal de Saúde do Rio alertou que a cidade está com o estoque de vacinação "no limite". O município tem aplicado cerca de 35 mil doses por dia.
Chegam as doses, a gente aplica. É uma decisão da prefeitura trabalhar sempre nesse limite. Se acontecer qualquer falha na entrega ou interrupção na entrega de novas doses, obviamente, temos que interromper o calendárioDaniel Soranz
O secretário reforçou que as vacinas necessárias para aplicação da segunda dose de quem já foi imunizado estão reservadas. Ele diz esperar que a cidade receba cerca de 150 mil doses dentre os 5 milhões do imunizante Oxford/AstraZeneca que a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) irá entregar hoje.
Afetado pela covid, Zimbábue libera caça e 500 elefantes podem ser mortos

Colaboração para o UOL, em São Paulo
23/04/2021 11h37
Autoridades do Zimbábue anunciaram ontem que o país vai vender direitos de caça para sacrificar até 500 elefantes. A decisão ocorre, principalmente, porque as receitas de turismo diminuíram em decorrência da pandemia do coronavírus, enquanto os custos operacionais da Gestão de Parques e Vida Selvagem do país seguiram ativos.
O anúncio, divulgado pela CNN Internacional, acontece poucas semanas depois dos elefantes africanos da floresta serem declarados como uma espécie em perigo crítico de extinção e os elefantes-da-savana terem a existência considerada em perigo. A caça ilegal é um dos fatores que contribuem para a diminuição das espécies.
Cadela abandonada passa por transformação e ganha novo lar na Tailândia
Tinashe Farawo, porta-voz da Gestão de Parques e Vida Selvagem do Zimbábue, afirmou que a queda na receita do turismo foi um dos principais motivos para a venda dos direitos de caça.
"Comemos o que matamos", disse Farawo. "Temos um orçamento de cerca de US$ 25 milhões para nossas operações, que é gerado, em parte, por meio da caça esportiva, mas você sabe que o turismo está praticamente morto no momento devido à pandemia do coronavírus."
A decisão, entretanto, surpreendeu o Centro de Governança de Recursos Naturais. Simiso Mlevu, porta-voz do grupo defensor do meio ambiente e dos direitos humanos do Zimbábue, reprovou a permissão da caça de elefantes e a chamou de "assustadora".
"Condenamos veementemente a caça de troféu — uma prática que agita os animais selvagens e aumenta os conflitos entre humanos e vida selvagem", afirmou.
"Ao contrário dos argumentos do governo de que a caça de troféu visa ajudar na conservação, a prática é motivada pela ganância e muitas vezes o dinheiro nem é contabilizado. Há uma necessidade de medidas mais inovadoras e ecológicas para melhorar a geração de receita com safáris fotográficos e turismo em geral ", acrescentou Mlevu.
A venda de direitos de caça de elefantes não é uma prática exclusiva do Zimbábue. Em dezembro, 170 elefantes selvagens de "alto valor" foram colocados à venda pela Namíbia para financiar o combate a uma seca no país.
Sem repudiar cloroquina, Queiroga completa mês no cargo repetindo Pazuello


Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
23/04/2021 10h36
Quando o general Eduardo Pazuello foi defenestrado do Ministério da Saúde, o presidente da República resolveu inovar e, veja só, colocou novamente um médico para tocar a pasta há um mês, no dia 23 de março. Percebam que eu não disse "comandar", porque, como todos sabem, o verdadeiro ministro, o formulador da catástrofe, aquele que deve ser o alvo principal da CPI da Pandemia, é Jair Bolsonaro.
Alertamos no mês passado que, mais do que uma mudança de rumos, a troca por Marcelo Queiroga foi uma tentativa de lavagem de marca. Afinal, a imagem do governo precisava de um tapa após pessoas sufocarem em Manaus por falta de oxigênio, agonizarem em hospitais por falta de leitos de UTIs e morrerem por insuficiência de doses de vacina, já vez que o governo se negou a compra-las no momento certo.
Para quem acreditava que tudo seria melhor que um Pazuello, também avisamos que colocar um médico mais discreto e que não nega a ciência, mas que topa se sujeitar às loucuras presidenciais, poderia ter um resultado tão ruim quanto. Pois, deixando de lado a agressividade e a loucura, ele teria mais legitimidade para manter as coisas como estão. Como o amplo uso de remédio ineficazes e perigosos no tratamento da covid-19.
A entrada de Queiroga mudou pouca coisa neste primeiro mês. O doutor pode até não ser um terraplanista, mas está longe de não agir como um. O que mostra que Pazuello, mais do que um sobrenome, tornou-se uma categoria que explica muita coisa. Queiroga, até agora, se mostra um Pazuello.
O fato dele ter aceitado manter olavistas que são considerados piadas entre seus pares respeitados comandando áreas importantes do Ministério da Saúde diz que a tal "liberdade" que ele teve do presidente para montar equipe é preocupante. Diz mais ainda ele sistematicamente passar pano para as aberrações do seu chefe, que continua promovendo aglomerações e atacando o uso de máscaras.
Sem criar polêmica, Queiroga simplesmente avisou nesta semana que o fim da vacinação do grupo prioritário, mais de 77 milhões de pessoas, foi adiada de maio a setembro, o que, na prática, isso empurra uma parte do restante da população para 2022. Apesar do tamanho do que isso significa (a prorrogação da pandemia no Brasil), o informe, repassado de forma técnica e sem os bolsonarismos de Pazuello, pouco repercutiu.
No último lance bizarro, o chefe da Saúde, em uma entrevista a Paulo Cappelli, no jornal O Globo, nesta sexta (23), afirmou que prepara um protocolo com a utilidades de substâncias que estão sendo usadas pelos médicos no tratamento à covid-19. E, como era de se esperar de alguém que reproduz o desejos do presidente, vai incluir aqueles comprovadamente ineficazes, como a cloroquina e a ivermectina.
"Hoje há consenso amplo de que essa medicação em pacientes com covid grave, em grau avançado, não tem ação, embora em pacientes no estágio inicial, existem alguns estudos observacionais que mostram alguns benefícios desses dois fármacos que você citou [cloroquina e ivermectina]. É uma questão técnica que médicos avaliam e, aí, tomam a decisão em relação à prescrição", afirmou.
Diante da saudável incredulidade do repórter, que pediu os estudos, Queiroga respondeu que eles são vários e ele não iria nominar - até porque, se fizesse, eles seriam devidamente refutados entre médicos não-charlatães. E ainda teve a pachorra de comparar os medicamentos usados na farsa bolsonarista do "tratamento preventivo" com outros que aplacam os sintomas de condições mais graves da doença, como corticóides.
Perguntado sobre o fato de Bolsonaro ter alertado, em dezembro, que quem usasse a vacina da Pfizer poderia virar "jacaré", Queiroga mostrou que, além de cardiologista, também é especialista em passar pano.
"O presidente é excelente comunicador e tem uma maneira própria de se comunicar com a população brasileira. Talvez quando o presidente falou isso, ele estava alertando acerca da importância de se verificar segurança não só das vacinas, mas de todos os medicamentos", afirmou também na entrevista.
Bolsonaro, que tinha negado 70 milhões de doses desse imunizante no ano passado, diante das críticas, comprou 100 milhões dele no mês passado. Essa demora custou vidas. Queiroga defende que o chefe não pode ser culpado por isso, apesar de Jair ter, orgulhosamente, rechaçado as vacinas.
E sobre a promoção de aglomerações e o não uso de máscara por parte de Jair, o quase-ministro da Saúde, disse que o chefe tem usado máscara sim e que não vê desestímulo.
"Quem tem que julgar a conduta das pessoas é a História. Não sou eu. Minha função não é ficar vigiando as atitudes do presidente da República", disse ele na entrevista.
Errado. A História julgará sim o presidente como alguém que, deliberadamente, mandou seu próprio povo à morte para proteger de forma ineficaz e estúpida a economia e tentar facilitar sua reeleição em 2022. Bolsonaro não gosta, mas quem faz isso tem um nome.
Mas quem tem e deve julgar a conduta do presidente e dos ministros, inclusive a dele próprio, é o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. E neste momento. A questão é se as nossas instituições serão capazes disso ou entregarão a responsabilidade aos tribunais internacionais e à História. Se fizerem isso, terão a mesma utilidade de um médico que receita cloroquina para covid-19.
'É inadmissível que se percam', diz secretário de SP sobre testes em galpão
Do UOL, em São Paulo
23/04/2021 09h47
Atualizada em 23/04/2021 11h28
O secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, afirmou hoje que é "inadmissível" que se percam os testes para a detecção da covid-19 que estão perto de perder a validade em um galpão do Ministério da Saúde.
É inadmissível que se percam testes, sobretudo em momentos de abertura da sociedade
Edson Aparecido, secretário municipal de Saúde de São Paulo, em entrevista à GloboNews
Em nova disputa com Doria, Bolsonaro critica Butanvac: 'Mandrake de SP'
No final de 2020, o jornal "O Estado de S. Paulo" revelou que cerca de 7 milhões de testes para a covid-19 estavam parados em um galpão do Ministério da Saúde no aeroporto de Guarulhos (SP). Para evitar que fossem perdidos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) prorrogou de oito para 12 meses a validade desses testes, que venceriam entre dezembro e janeiro.
Desse total, ainda há mais de 2 milhões de testes estocados no galpão do Ministério da Saúde, de acordo com reportagem da TV Globo exibida na noite de ontem. O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Benjamin Zymler já determinou que a pasta distribua imediatamente esses testes antes do vencimento.
Ainda à GloboNews, o secretário afirmou que a testagem da população é muito importante para que se possa detectar casos da covid-19 e evitar que a pessoa contaminada propague o vírus.
No caso da capital paulista, Aparecido disse que quando um paciente recebe diagnóstico positivo nas unidades de saúde municipais, a prefeitura também faz o teste nos familiares que vivem com o paciente para fazer um isolamento mais eficiente.
"A testagem é muito importante, sobretudo em momentos que você tem de viver com a chamada abertura dos setores da economia, porque você testa e mesmo que ela seja uma testagem dirigida, você consegue fazer um processo de isolamento importante", declarou.
Aglomerações e 3ª onda da covid-19
O secretário criticou aglomerações e festas clandestinas que ocorrem na capital e afirmou que se as pessoas não se conscientizarem, o país pode enfrentar uma terceira onda da covid-19 no início do segundo semestre.
Se as pessoas não se conscientizarem disso não há a menor duvida, nós vamos enfrentar, no inicio do segundo semestre, uma terceira onda de casos, internações e óbitos. Então, precisa haver uma conscientização.
Edson Aparecido
O secretário afirmou que a Prefeitura e o governo estadual trabalham no sentido de mostrar para as pessoas que a pandemia não acabou, além de fiscalizar e autuar estabelecimentos que promovem aglomerações. No entanto, esse esforço tem sido insuficiente para evitar a realização de festas e baladas clandestinas.
"É evidente que em locais como esses, com grande circulação, vamos ter que adotar medidas mais firmes, mais duras, porque se não nós teremos a reincidência da doença. E o mais grave, o eventual surgimento de novas variantes com grau de letalidade maior, com transmissibilidade maior. A sociedade, as pessoas, precisam ter muito claro que a pandemia não passou", declarou.
Vacinação na capital
O secretário afirmou ainda que a cidade de São Paulo deve terminar a vacinação da população com 60 anos apenas no mês que vem. Pelo calendário anunciado pelo governo do estado, o último grupo dessa faixa etária (de 60 a 62 anos) começará a ser vacinado em 6 de maio.
Segundo ele, o aumento na imunidade da população só deve começar a ser notado após essa fase, quando deverá começar a vacinação das faixas etárias com mais pessoas.
"Na medida em que você vai reduzindo a faixa etária, o número de pessoas é muito maior", declarou.
Aparecido disse que a Prefeitura está consolidando um estudo que aponta diminuição nos afastamentos de profissionais de saúde devido à covid-19. A categoria foi a primeira a ser vacinada contra a doença.
'É inadmissível que se percam', diz secretário de SP sobre testes em galpão
Do UOL, em São Paulo
23/04/2021 09h47
Atualizada em 23/04/2021 11h28
O secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, afirmou hoje que é "inadmissível" que se percam os testes para a detecção da covid-19 que estão perto de perder a validade em um galpão do Ministério da Saúde.
É inadmissível que se percam testes, sobretudo em momentos de abertura da sociedade
Edson Aparecido, secretário municipal de Saúde de São Paulo, em entrevista à GloboNews
Em nova disputa com Doria, Bolsonaro critica Butanvac: 'Mandrake de SP'
No final de 2020, o jornal "O Estado de S. Paulo" revelou que cerca de 7 milhões de testes para a covid-19 estavam parados em um galpão do Ministério da Saúde no aeroporto de Guarulhos (SP). Para evitar que fossem perdidos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) prorrogou de oito para 12 meses a validade desses testes, que venceriam entre dezembro e janeiro.
Desse total, ainda há mais de 2 milhões de testes estocados no galpão do Ministério da Saúde, de acordo com reportagem da TV Globo exibida na noite de ontem. O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Benjamin Zymler já determinou que a pasta distribua imediatamente esses testes antes do vencimento.
Ainda à GloboNews, o secretário afirmou que a testagem da população é muito importante para que se possa detectar casos da covid-19 e evitar que a pessoa contaminada propague o vírus.
No caso da capital paulista, Aparecido disse que quando um paciente recebe diagnóstico positivo nas unidades de saúde municipais, a prefeitura também faz o teste nos familiares que vivem com o paciente para fazer um isolamento mais eficiente.
"A testagem é muito importante, sobretudo em momentos que você tem de viver com a chamada abertura dos setores da economia, porque você testa e mesmo que ela seja uma testagem dirigida, você consegue fazer um processo de isolamento importante", declarou.
Aglomerações e 3ª onda da covid-19
O secretário criticou aglomerações e festas clandestinas que ocorrem na capital e afirmou que se as pessoas não se conscientizarem, o país pode enfrentar uma terceira onda da covid-19 no início do segundo semestre.
Se as pessoas não se conscientizarem disso não há a menor duvida, nós vamos enfrentar, no inicio do segundo semestre, uma terceira onda de casos, internações e óbitos. Então, precisa haver uma conscientização.
Edson Aparecido
O secretário afirmou que a Prefeitura e o governo estadual trabalham no sentido de mostrar para as pessoas que a pandemia não acabou, além de fiscalizar e autuar estabelecimentos que promovem aglomerações. No entanto, esse esforço tem sido insuficiente para evitar a realização de festas e baladas clandestinas.
"É evidente que em locais como esses, com grande circulação, vamos ter que adotar medidas mais firmes, mais duras, porque se não nós teremos a reincidência da doença. E o mais grave, o eventual surgimento de novas variantes com grau de letalidade maior, com transmissibilidade maior. A sociedade, as pessoas, precisam ter muito claro que a pandemia não passou", declarou.
Vacinação na capital
O secretário afirmou ainda que a cidade de São Paulo deve terminar a vacinação da população com 60 anos apenas no mês que vem. Pelo calendário anunciado pelo governo do estado, o último grupo dessa faixa etária (de 60 a 62 anos) começará a ser vacinado em 6 de maio.
Segundo ele, o aumento na imunidade da população só deve começar a ser notado após essa fase, quando deverá começar a vacinação das faixas etárias com mais pessoas.
"Na medida em que você vai reduzindo a faixa etária, o número de pessoas é muito maior", declarou.
Aparecido disse que a Prefeitura está consolidando um estudo que aponta diminuição nos afastamentos de profissionais de saúde devido à covid-19. A categoria foi a primeira a ser vacinada contra a doença.
Uma dose de vacinas reduz infecção em até 65%, revela estudo

23/04/2021 09h27
A probabilidade de ser infectado pelo novo coronavírus diminui drasticamente após a inoculação da primeira dose da vacina da Pfizer/BioNTech ou da AstraZeneca/Oxford. A informação é de um estudo britânico que concluiu, também, que a primeira aplicação dessas vacinas protege tanto pessoas mais velhas e mais vulneráveis quanto os mais jovens e saudáveis.
O trabalho conjunto do Office for National Statistics (ONS) e da Universidade de Oxford descobriu que há forte resposta imunitária em todas as faixas etárias depois da primeira dose de uma dessas vacinas. Segundo o estudo, divulgado em pré-publicação nesta sexta-feira (23), as inoculações tanto com a vacina da Pfizer quanto com a da AstraZeneca foram tão eficazes em indivíduos com mais de 75 anos e/ou em pessoas com problemas de saúde latentes, quanto em pessoas mais novas e/ou mais saudáveis.
'É inadmissível que se percam', diz secretário de SP sobre testes em galpão
O estudo, incluído em dois artigos que ainda não foram revistos, é baseado em testes realizados em cerca de 370 mil pessoas da população do Reino Unido e já é um dos maiores feitos até hoje, uma vez que fornece mais evidências em um cenário real sobre as vacinas usadas em território britânico e sua eficácia contra a infecção pelo SARS-CoV-2.
Os pesquisadores indicam que, ao reduzir as taxas de infeção, as vacinas não vão apenas prevenir as internações hospitalares e as mortes por covid-19, mas também permitir a quebra das cadeias de transmissão e, assim, reduzir o risco de um potencial ressurgimento da doença à medida que o Reino Unido vai aliviando as restrições.
A equipe de pesquisadores afirmou ao The Guardian que essas conclusões foram fundamentais para a decisão do governo britânico de priorizar a vacinação de uma primeira dose às pessoas mais velhas e aos grupos mais vulneráveis.
"Não houve evidência de que as vacinas fossem menos eficazes entre os adultos mais velhos ou aqueles com problemas de saúde de longo prazo", explicou Koen Pouwels, um dos autores do estudo.
Ao serem analisados os resultados dos testes de covid-19 da população em estudo, entre dezembro de 2020 e abril de 2021, concluiu-se que 21 dias após a primeira aplicação - o tempo que o sistema imunitário demora para criar uma resposta - as novas infecções pelo novo coronavírus diminuíram cerca de 65%. Isso significa que as pessoas que foram vacinadas com uma única dose das vacinas Oxford/AstraZeneca ou Pfizer/BioNTech tiveram 65% menos probabilidade de contrair nova infecção.
Contudo, as primeiras vacinas foram mais eficazes contra infecções sintomáticas do que assintomáticas, em comparação com a taxa de infeção na população não vacinada. Ao fim de três semanas após a aplicação da primeira dose, os casos de doença com sintomas diminuíram 74% e dos assintomáticos, 57%.
A investigação foi mais além: uma segunda dose da Pfizer pode proteger até 90% contra a infecção pelo vírus. A aplicação das duas doses, ou seja a imunização completa com a vacina da Pfizer aumentou mais a proteção, reduzindo as infecções sintomáticas em 90% e as assintomáticas em 70%. Essa análise não foi feita com pessoas que receberam as duas doses da AstraZeneca, já que ela foi aprovada mais tarde e ainda não é possível avaliar o impacto da segunda dose na imunização da população.



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