NOTION

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“Trump é o pior criminoso da história da humanidade”, diz Noam Chomsky

Lia Vainer Schucman: Brasil é um país supremacista branco

O secularismo europeu e seu objetivo civilizatório

Ascensão do CAPITALISMO RENTISTA pode significar a MORTE da DEMOCRACIA liberal, alerta Guido Mantega

Freixo cobra impeachment imediatamente após foto do 'CPF cancelado' e grampos de milicianos

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Análise: Quase um milagre! Como um só app ajudou a organizar minha vida na pandemia

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Thiago Varella

Colaboração para Tilt

25/04/2021 04h00

Sem tempo, irmão

  • Notion é um aplicativo para gerenciamento de tarefas e projetos
  • Criado em 2013, muita gente passou a usá-lo durante a pandemia
  • Dá para ter desde compras de mercado até atividades acadêmicas num só lugar

Organização nunca foi meu forte. Quando Tilt me pediu para testar o Notion, achei que seria mais um aplicativo que não faria muita diferença. Mas, no fundo, motivado por esse período pandêmico caótico que todos estamos vivendo, achei que seria bom dar um crédito a um app que prometia organizar meus compromissos.

Todos os anos compro uma agenda que acaba sendo usado como caderno anos depois, de tão vazia que as folhas ficam. O celular até ajuda, mas confesso que sempre tive muito mais informações importantes perdidas em emails ou conversas de WhatsApp do que em aplicativos específicos ou em uma agenda do Google.

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Fora isso, sou casado e tenho duas filhas gêmeas de dois anos. Faço home office, escrevo para alguns veículos, administro a casa com minha mulher, divido as contas com ela, as responsabilidades com as meninas e ainda inventei de iniciar um mestrado em plena pandemia. Seria uma missão difícil para o aplicativo.

O Notion já existe desde 2013, mas parece ter sido descoberto na pandemia —quadruplicou sua base de usuários desde 2019. O valor da empresa que faz o app já saltou para US$ 2 bilhões (algo em torno de R$ 10 bilhões).

Eu usei a versão gratuita, que dá direito a páginas e blocos ilimitados, compartilhamento com até cinco pessoas e sincronização entre aparelhos. Para meu perfil, foi suficiente. Mas é possível ter uma conta com todos esses recursos com direito a upload ilimitado de arquivos, compartilhado com quantas pessoas você quiser. Ela custa US$ 5 por mês (R$ 27 na cotação atual).

Há ainda uma versão "Teams", ideal para integrar grupos de pessoas (custa US$ 10, ou R$ 54), e "enterprise", que tem uma pegada mais empresarial, cujo preço não está disponível no site.

Integração

Para esse tipo de aplicativo, uma boa integração entre o app do celular e o computador é fundamental. Eu sei que vários outros têm isso, mas no Notion ela funciona muito bem.

Eu uso o aplicativo no meu smartphone (um Android) para consultar meus compromissos a qualquer hora e também para que o aparelho me avise sempre que eu precisar. Para colocar os dados, uso o Notion no computador (um MacBook). Em casa, temos mais de um notebook e várias vezes já precisei usar o da minha mulher para consultar algo. Neste caso, usei o programa pelo navegador.

O Notion não é apenas uma agenda, uma lista de afazeres, um bloco de notas ou uma planilha de dados. É tudo isso. Essa foi outra característica que mais me atraiu nele. As funcionalidades são inúmeras e agora, com cerca de duas semanas de uso, sem dúvida não uso nem metade do que o aplicativo tem a oferecer.

O software também disponibiliza templates (visuais) para diversas funções —usei bastante para criar meu próprio método de organização. O único ponto negativo é que está tudo em inglês. Eu falo o idioma, mas acredito que para alguém que não domine a língua esse seja um problema.

Afinal, como usei o app

De cara, comecei com uma "to do list" (lista de afazeres) genérica com apenas atividades urgentes que eu precisava completar em, no máximo, dois dias. Por incrível que pareça, em 48 horas, consegui "ticar" todos os elementos da lista, que, claro, é constantemente atualizada e nunca fica completamente finalizada.

Notion - lista de compras - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Depois, criei uma outra lista, desta vez, com compromissos com data e horário marcados. Reuniões de trabalho, consultas médicas minhas e das meninas. Tudo foi colocado lá, com direito a alerta no celular uma hora antes do evento.

Para facilitar minha visualização —lembre-se que sou bem desorganizado— também fiz uma agenda mensal e coloquei os mesmos eventos nela. Aproveitei para colocar a data de vencimento de algumas contas também e o deadline de alguns trabalhos.

Por falar no assunto, criei uma planilha com as pautas que estão aprovadas e preciso entregar e um arquivo de texto com ideias de reportagem que tive durante a semana. O bacana é que, às vezes, tenho um insight na cama e logo pego o celular para não perder a ideia.

Também testei o aplicativo durante uma reunião. Costumava anotar tudo em um bloco de notas genérico e achei que o aplicativo facilitou mais a organização do que foi discutido.

Venho usando o Notion também como lista de compras, compartilhado com minha mulher. É prático e funciona melhor que a lousa que a gente colocou na cozinha, mas tem um pouco de preguiça de usar.

Por fim, também criei uma planilha de gastos pessoais. Simples: ela soma as despesas automaticamente e permite marcá-las em gastos pessoais, da casa ou outro.

Notion - lista de gastos - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Com certeza, ainda vou descobrir muitas outras utilidades para o app, como uso de gráficos, lista de textos para ler do mestrado e de reportagens que a gente acha na internet, entre outras. Mas, sem dúvida, é um app que já faz minha vida mais organizada e, por isso, não vai sair dela tão cedo.

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Opinião: Chico Alves - Bolsonaro paralisa o Brasil ao fazer maior 'toma lá, dá cá' da história

Bolsonaro em encontro no Planalto com Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara e líder do centrão. - reprodução
Bolsonaro em encontro no Planalto com Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara e líder do centrão. Imagem: reprodução
Chico Alves

Colunista do UOL

25/04/2021 09h57

"Nosso governo paga um preço de aprovações de matérias nunca visto antes na história".

A frase foi escrita em um grupo de WhatsApp em dezembro pelo então ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, personagem muito próximo do presidente Jair Bolsonaro. Se o comentário — uma crítica ao 'toma lá, dá cá' coordenado pelo ministro Luiz Eduardo Ramos (na época titular da Secretaria de Governo) — já era verdadeiro há cinco meses, agora ainda mais.

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A diferença é que o preço do apoio deu um salto estratosférico.

Diante do governo que passou o primeiro ano e meio de mandato atarantado por não ter base no Congresso, o centrão exigiu dote jamais visto para selar uma parceria. Resultado: para chegar ao desejado montante de emendas parlamentares, o governo Bolsonaro canibalizou serviços essenciais da máquina estatal.

A dotação de R$ 35 bilhões de emendas para deputados e senadores está mantida a custa de cortes em áreas fundamentais como Saúde, — que mesmo em meio à pandemia perdeu R$ 2,2 bilhões —, Educação — alvo de achatamento da ordem de R$ 3,9 bilhões — e Desenvolvimento Regional, subtraído em R$ 9,4 bilhões.

Como se sabe, por causa dessa tesourada não será feito o Censo, apesar da obrigatoriedade legal. Como consequência, o Brasil ficará sem o principal instrumento para planejamento de políticas públicas. É como se o governo federal fosse um carro que Bolsonaro decidiu dirigir de olhos vendados. Os efeitos dessa barbeiragem serão sentidos por todos os brasileiros.

Muitos outros serviços essenciais foram afetados, como as ações de combate à pandemia, que perderam R$ 485 milhões, ou o Fundeb, que terá R$ 585 milhões a menos que o previsto.

No fim das contas, para manter a chamada governabilidade, em várias frentes Bolsonaro e sua equipe abriram mão de governar.

Talvez isso faça sentido para cabeças como a do ministro Paulo Guedes, que deu várias demonstrações de que não compreende a importância do Estado e que valoriza tão pouco o funcionalismo.

Mas para milhões de brasileiros que dependem do governo, o corte de alguns serviços é notícia trágica. Especialmente em meio à crise gerada pela pandemia.

Não deixa de ser irônico que a rendição incondicional ao centrão parta justamente do presidente que se elegeu falando em acabar com o 'toma lá, dá cá'. Essa bandeira foi abandonada há muito.

Em vez disso, Jair Bolsonaro foi na mão inversa. Acaba de executar sem nenhum pudor o maior escambo político de todos os tempos.

(Trilha sonora incidental: "Se gritar pega ladrão", na interpretação do general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional)

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Morre menino de oito anos que foi baleado na cabeça em festa escolar no Rio

Kaio Guilherme foi baleado na cabeça na sexta-feira (16) enquanto participava de uma festa na escola onde estudava

Rio de Janeiro

O menino Kaio Guilherme da Silva Baraúna, de 8 anos, morreu na noite de sábado (24). Ele estava internado desde o último dia 17 em estado grave no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Pedro 2º, em Santa Cruz. Kaio foi baleado na cabeça durante uma confraternização na escola onde estudava na Vila Aliança, em Bangu, na zona oeste do Rio.

Nas redes sociais, familiares e amigos lamentaram a morte de Kaio e prestam solidariedade à família. Ainda não há informações sobre o enterro. A tia do menino, Raiane Baptista, de 25 anos, disse que a família está abalada.

Kaio Guilherme da Silva Baraúna, 8, atingido na cabeça por bala perdida no Rio
Kaio Guilherme da Silva Baraúna, 8, atingido na cabeça por bala perdida no Rio - Thais Silva no Facebook

“Ainda estamos sem entender. A última imagem que tenho dele é ele indo para a escola de bicicleta para aula de reforço. Era um menino muito inteligente, carinhoso. Era apaixonado pelo Vasco e estava muito feliz por ter visto seu time vencer”, conta Raiane.

Na terça-feira (19), Kaio passou por exames neurológicos e os resultados foram inconclusivos. Neste sábado (24), foram realizados novos procedimentos para conferir o fluxo sanguíneo do menino, que confirmam a sua morte.

De acordo com familiares do menino, não tinha nenhum confronto na comunidade no momento da confraternização na escola. A mãe do menino, Thaís Silva, de 29, é professora da unidade escolar e estava no local quando ele foi atingido pela bala perdida.

Kaio foi baleado na cabeça, na tarde de sexta-feira (16). O menino aguardava na fila para fazer uma pintura artística quando a mãe o viu caído no chão. As investigações seguem na 34ª DP (Bangu). A Polícia Civil informou que aguarda o boletim médico do hospital.

“Diligências continuam em busca de informações que ajudem a esclarecer o caso e identificar a origem do disparo que atingiu a criança. Os agentes também vão coletar depoimentos de novas testemunhas ao longo desta semana”, informou nota da Polícia Civil.

“Ninguém ouviu nenhum barulho de tiro, nada. Estamos todos muito abalados. Tenho uma filha de três anos e o Kaio era como se fosse irmão dela”, lamenta Raiane.

Um levantamento da plataforma Fogo Cruzado revela que 100 crianças foram baleadas na região metropolitana do Rio entre 2016 e 2021.

Ainda de acordo com a plataforma, até o dia 18 de abril deste ano, já são 6 crianças baleadas no Grande Rio, duas delas morreram.

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Cerimônia do Oscar ficou mais ágil e enxuta, mas com cara de Globo de Ouro

Distanciamento social proporcionou clima intimista, com mais emoção que glamour

A atriz Regina King, uma da apresentadora do Oscar
A atriz Regina King, uma da apresentadora do Oscar Chris Pizzello-25.abr.2021/Reuters
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Para um ano peculiar, um Oscar peculiar. A cerimônia de 2021 desviou do padrão a que estávamos acostumados. No lugar do gigantesco Dolby Theatre, a ação se concentrou em um salão da Union Station, uma histórica estação de trem no centro de Los Angeles.

Os indicados não estavam mais acomodados nas primeiras fileiras de um auditório, mas espalhados por mesas –com distanciamento social e nenhuma aglomeração.

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O diretor Steven Soderbergh, um dos três produtores do evento, prometeu que ele seria "mais cinema e menos TV". Não conseguiu. Apesar da abertura emular os créditos iniciais de um longa, com letreiros com os nomes dos apresentadores, o que se viu foi algo parecido com a entrega do Globo de Ouro, o primo pobre do prêmio da Academia. Sem as piadas cáusticas daquela festa, pois os tempos não estão para brincadeira.

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Chloe Zhao recebe o prêmio de Melhor Direção por "Nomadland" Todd Wawrychuk/Reuters

Por outro lado, a 93ª entrega do Oscar logrou uma façanha e tanto: um clima intimista, quase familiar. Dessa vez, nada da orquestra interromper o discurso de agradecimento do vencedor —aliás, nem orquestra havia, só um DJ.

Soderbergh disse que queria dar tempo para os premiados contarem suas histórias, e deu certo. Sem medo de serem gongados do palco, quase todos aproveitaram bem o tempo, sem abusar da paciência do espectador. Uma inovação que poderia ser mantida no próximo ano, se tudo voltar ao normal.

O ritmo também foi bem mais ágil que o habitual. Esta já é a terceira edição sem um anfitrião fixo, e o rodízio entre os apresentadores funcionou melhor do que nunca. Cada um conduziu um único bloco, e cada bloco trouxe apenas dois prêmios. Sem enrolação, mas com espaço para os indicados serem introduzidos com calma —e também para a emoção do vencedor aflorar.

As apresentações das canções indicadas sempre geraram discórdia. Em anos anteriores, eram encurtadas, ou juntadas em medleys. Dessa vez, foram todas executadas na íntegra. Só que antes da cerimônia em si, durante o chamado “pré-show”, em segmentos pré-gravados entremeados às entrevistas no tapete vermelho.

Deu certo: as performances não tiveram produções suntuosas nem contaram com o calor da plateia, mas foram de alta qualidade. As músicas em si, nem tanto. Provavelmente, serão todas esquecidas em pouco tempo.

Sem números musicais, a ordem habitual das premiações também foi alterada. Os primeiros troféus entregues foram os de roteiro, original e adaptado —talvez para nos lembrar que um filme sempre começa pelo roteiro? Melhor diretor, geralmente um dos últimos prêmios da noite, saiu já no quarto bloco para a favoritíssima Chloé Zhao, de "Nomadland".

As apresentações dos concorrentes a melhor filme, que eram espalhadas durante o programa, também foram arquivadas. Outra decisão acertada, pois funcionavam como um breque de mão no ritmo da cerimônia. Mas o prêmio humanitário Jean P. Hersholt, entregue ao produtor Tyler Perry, comeu minutos preciosos. A Academia deve ter batido o pé.

No final, a entrega do Oscar de 2021 foi condizente com o estranho período que estamos vivendo. Filmes-espetáculo de grande apelo popular, como o "West Side Story", de Steven Spielberg, ou o "Duna", de Denis Villeneuve, tiveram suas estreias adiadas para o final deste ano.

Com um cardápio minguado, cheio de títulos de baixo orçamento, a cerimônia da Academia também cortou seus excessos. Foi pequena, despretensiosa e adequada para o segundo ano da pandemia.

Tomara que tenha sido apenas uma exceção. Que, em 2022, a festa esteja de volta a seu lar oficial, o Dolby Theatre. Muito do que se fez neste ano pode ser incorporado de vez, como os discursos relaxados e a atenção especial a cada indicado.

Mas fizeram muita falta o glamour, os efeitos especiais e até as gafes. Afinal, estamos falando do Oscar, o mais exagerado de todos os prêmios.

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Freixo cobra impeachment imediatamente após foto do 'CPF cancelado' e grampos de milicianos

Deputado afirma que “o Congresso não pode continuar omisso diante de tantos crimes” contra Jair Bolsonaro. “É preciso abrir o processo de impeachment imediatamente”, ressalta

(Foto: ABr | Divulgação)

247 - O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) cobro que o Congresso dê abertura a um processo de impeachment contra Jair Bolsonaro “imediatamente”, após “tantos crimes” contra o presidente. “O que tem que ser cancelado é o mandato de Bolsonaro. O Congresso não pode continuar omisso diante de tantos crimes. É preciso abrir o processo de impeachment imediatamente”, postou Freixo no Twitter.

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Apenas neste final de semana, uma reportagem do The Intercept revelou grampos em que milicianos tentaram contatar alguém chamado de “Jair”, “presidente” e “cara da casa de vidro” e Bolsonaro posou sorridente para uma foto em que havia uma placa com a expressão “CPF cancelado” - usada por grupos de extermínio para se referir a assassinato.

“Essa é uma linguagem de dono de milícia, não de chefe de Estado”, denunciou Freixo ao postar a foto do CPF cancelado. “Milícia é mais do que um artigo no Código Penal, é um modelo de sociedade. É um projeto de poder político que nasce no RJ e está sendo nacionalizado pelo bolsonarismo. É a subordinação do Estado aos interesses do crime”, acrescentou.

Neste sábado, ao compartilhar a reportagem, ele escreveu: “Temos na presidência um sujeito que pode estar diretamente envolvido c/ a fuga e proteção do miliciano Adriano da Nóbrega. Procuradores federais que, ao contrário de Aras, respeitam o dever institucional da PGR precisam reagir, e a Câmara tem que abrir o processo de impeachment”.

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Xi Jinping recorda mártires da revolução e mantém aceso espírito de militância dos membros do Partido Comunista da China

O presidente da China e Secretário Geral do Partido Comunista, Xi Jinping fez homenagem aos revolucionários chineses na Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi

(Foto: Rádio Internacional da China)

Rádio Internacional da China -  O secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh), Xi Jinping, visitou hoje (25) de manhã o Parque Comemorativo da Batalha de Xiangjiang da Longa Marcha do Exército Vermelho, situado na vila de Caiwan, na cidade de Guilin, Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, sul da China. Ele ofereceu flores aos mártires e visitou o Memorial da Batalha de Xiangjiang, a fim de recordar os mártires revolucionários e dar continuidade ao espírito do PCCh.

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A seguir, Xi Jinping inspecionou o trabalho da revitalização rural e da governança de nível básico na aldeia de Maozhushan, na vila de Caiwan.

Durante a visita, o líder chinês foi à beira do Rio Lijiang para entender as medidas conjuntas da administração quanto à proteção ambiental.

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A resiliência do Partido Comunista da China está baseada no apoio do povo, indica pesquisa de Harvard

O Centro Ash para Governança Democrática e Inovação da Escola de Governo John F. Kennedy, da Universidade Harvard, fez uma pesquisa e concluiu: a taxa de satisfação do povo chinês com o governo central, dirigido pelo Partido Comunista, foi 93,1%, em 2016

Xi dirige reunião sobre o estudo da história do Partido Comunista da China
Xi dirige reunião sobre o estudo da história do Partido Comunista da China (Foto: Xinhua)

Rádio Internacional da China - O Centro Ash para Governança Democrática e Inovação da Escola de Governo John F. Kennedy, da Universidade Harvard publicou o relatório "Compreendendo a Resiliência do Partido Comunista da China: Investigação de Longo Prazo sobre Opinião Pública China”, em julho do ano passado. O documento mostra que a taxa de satisfação do povo chinês com o governo central foi 93,1%, em 2016.

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Três especialistas da instituição realizaram oito investigações na China de 2003 a 2016, entrevistando quase 30 mil chineses nas zonas urbana e rural. Eles concluíram que, desde 2003, a satisfação do povo chinês com seu governo melhorou quase em todos os aspectos. E a satisfação das pessoas no interior e nas regiões pobres aumentou significativamente.

O relatório indica que, no geral, quanto mais alto for o nível de governo, maior será a satisfação do povo. Porém, o povo também estava mais satisfeito com as administrações de base. Por exemplo, a satisfação com a governança nas vilas aumentou de 43,6%, em 2003, para 70,2%, em 2016.

A impressão das pessoas sobre as autoridades locais também mudou positivamente. A publicação aponta que mais e mais pessoas pensam que as autoridades locais são "sábias" e "solucionam problemas práticos", e cada vez menos pessoas pensam que elas "apenas falam, mas não atuam" e "em prol dos interesses dos ricos".

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Ascensão do capitalismo rentista pode significar a morte da democracia liberal, alerta Guido Mantega

247 - O ex-ministro do governo Lula, Guido Mantega, acredita que o sistema capitalista atual, baseado no rentismo e na precarização do trabalho, pode levar à morte da democracia liberal. 

Em artigo publicado na Folha, Mantega diz que a precarização do trabalho sob o sistema atual leva à perda de direitos dos mais pobres, o que traz consequências negativas para a democracia.

Além disso, o ex-ministro apresenta um balanço negativo do crescimento econômico nos últimos anos: “No Brasil, caso se confirme a previsão de um PIB negativo de 5% neste ano, a economia do país terá ficado estagnada nesses dez anos, com crescimento anual de no máximo 0,2%. Não se trata só de mais uma década perdida, mas a de pior desempenho desde a que inaugurou o século passado, segundo o IBGE”, diz. 

Para ele, a estagnação se deve ao fim das políticas de bem-estar social: “Desde então, a cada década o investimento no mundo fica mais fraco —no Brasil caiu de 20,5% do PIB em 2014 para 15,4% em 2019”.

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Lia Vainer Schucman: Brasil é um país supremacista branco

Para Lia Vainer Schucman, o mito da democracia racial reforça a ideia de supremacia branca

247 - Lia Vainer Schucman, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), deu uma entrevista à página Ecoa, do Uol, onde explicou o que entende quando diz que existe em ação uma ‘supremacia branca no Brasil’.

Quando questionada sobre o fato de famílias brancas não discutirem o racismo e outras questões de identidade, Schucman, que é estudiosa da branquitude brasileira há décadas, disse que o conceito começa na educação familiar: “"Em Blumenau nós somos trabalhadores", "o alemão é trabalhador", "temos origem italiana, nossos ancestrais não sei o quê". Os brancos estão falando da superioridade racial branca o tempo todo. É mentira que branco não tem ancestralidade, eles passam o dia inteiro falando de sua ancestralidade em um grau de superioridade, tipo "nossos antepassados europeus, que aqui chegaram e trabalharam duro". Existe esse mito familiar europeu nas famílias do sul, do sudeste do Brasil”, disse. 

A professora acrescenta que a forma que justifica a ‘superioridade’ é justamente a da democracia racial, que insiste na existência de uma igualdade racial: "Ao dizerem que as pessoas brancas estão onde estão porque é mérito e não porque elas têm vantagem na estrutura, porque pertencem a uma raça, estão acabando de afirmar que há supremacia branca. Se temos oportunidades iguais e só os brancos chegaram lá é porque eles trabalharam duro. Se os outros trabalharem duro, também vão chegar. Isso é a supremacia branca".

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O secularismo europeu e seu objetivo civilizatório

Em protesto contra presidente francês, Emmanuel Macron, manifestantes queimam bandeira fa França em Peshawar, Paquistão. 28/10/2020
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Leonardo Sobreira, 247 - Diante dos recentes ataques terroristas na França e na Áustria, as lideranças políticas destas nações vêm se portando de maneira extremamente intransigente.

Emmanuel Macron, após o atentado em Nice, disse que “mais uma vez são os católicos que são agredidos em nosso país”, e que a França se encontra “sob ataque terrorista”.

Sebastian Kurz foi além, dizendo que o atentado em Viena evidencia “uma luta entre a civilização e a barbárie”.

A divisão defendida por estes líderes entre um mundo católico e civilizado, e um outro, islâmico, agressivo e bárbaro, ingavelmente, é uma ótima estratégia para se mobilizar apoio popular sobre políticas contra a imigração. 

No entanto, quando analisamos as declarações mais a fundo, percebemos que elas evidenciam justamente o que há de errado na maneira como o princípio do secularismo é enxergado.

No secularismo, quando visto como um princípio que enfatiza a neutralidade das instituições públicas em relação a qualquer tipo de interferência religiosa, as religiões acabam sendo rebaixadas para uma espécie de submundo onde tudo que lá ocorre é irrelevante para a esfera pública.

Qualquer contribuição sensata que a religião possa oferecer à política é automaticamente descartada. 

Isso ignora instâncias importantes onde avanços sociais foram mobilizados por religiões. A teologia da libertação na América Latina, o ‘xiismo vermelho’ no Irã que levou à Revolução de 1979, a tradição de assistencialismo aos mais pobres no siquismo... Nada disso possui relevância alguma quando se diz que religião e política não devem se misturar.

As declarações de Macron e Kurz, mesmo que tenham sido dadas no calor do momento, ilustram perfeitamente esse menosprezo. 

O mais importante, no entanto, é notar a maneira na qual, ao relegar a religião, princípios como “civilização ocidental” e “racionalidade” vêm à tona. Em outras palavras, o secularismo, ao invés de expressar neutralidade, é um conceito extremamente normativo. 

Ao declarar guerra contra a barbaridade que são os ataques terroristas, o que temos que ter em mente é justamente o projeto implícito nesta empreitada de defesa de valores que não representam em ponto algum a tão dita neutralidade. 

O que na realidade está sendo defendido por estes líderes é o rebaixamento para ainda mais baixo das religiões, e a consequente exclusão de maneiras alternativas de se enxergar o âmbito social que não sejam tecnocráticas.  

O terrorismo islâmico, é claro, está longe de ser uma maneira de se exibir uma visão de mundo verdadeiramente religiosa, e deve ser condenado nos termos mais fortes. O problema é quando, nesta condenação, nos cegamos ao ódio e aceitamos em troca da segurança a repressão religiosa. 

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“Trump é o pior criminoso da história da humanidade”, diz Noam Chomsky

247 - O filósofo e linguista Noam Chomsky afirmou em entrevista à revista The New Yorker que em 350 anos de história a democracia norte-americana nunca esteve tão ameaçada como agora. “O presidente disse que se não gosta do resultado de uma eleição simplesmente não deixará o cargo”, disse em referência às declarações feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de que não aceitará o resultado da eleição presidencial caso seja derrotado pelo democrata Joe Biden. Para ele, Trump,  é “o pior criminoso da história da humanidade”.  

“Nos 350 anos de democracia parlamentar, não houve nada como o que estamos vendo agora em Washington”, disse o filósofo. Para Chomsky, “é difícil encontrar um presidente americano que tenha se dedicado mais a enriquecer e capacitar os ultra-ricos e o mundo corporativo – e é por isso que eles ficam felizes em tolerar suas travessuras”.

Ainda segundo ele, Trump está empurrando o planeta para uma situação de perigo extremo em função de seu negacionismo quanto à questão climática. “A política de Trump vai destruir a perspectiva de vida humana na Terra”, alerta.  

Confira a íntegra da entrevista de Noam Chomsky a Isaac Chotiner.

Nos últimos quatro anos, estivemos em um período novo e estranho da história americana? Ou estamos vendo uma continuação da história americana que está em linha com o que sempre foi?

Claro, é o mesmo país. Não passamos por uma grande revolução, mas os últimos quatro anos estão totalmente fora de linha com a história das democracias ocidentais. Agora, está se tornando quase estranho. Nos 350 anos de democracia parlamentar, não houve nada como o que estamos vendo agora em Washington. Eu não tenho que te dizer. Você lê os mesmos jornais que eu. Um presidente que disse que se não gosta do resultado de uma eleição, ele simplesmente não deixará o cargo e é levado a sério o suficiente para que, por exemplo, dois oficiais militares aposentados de alto nível e altamente respeitados – um deles muito conhecido, o tenente-coronel John Nagl – chegou ao ponto de escrever uma carta aberta ao general [Mark] Milley, o comandante do Estado-Maior, lembrando-o de seus deveres constitucionais de enviar militares americanos para destituir o presidente do cargo se ele se recusar a sair.

Há um longo artigo de Barton Gellman, que você provavelmente viu, revisando as estratégias que a liderança republicana está pensando para tentar minar a eleição. Houve muitas adulterações antes. Não estamos familiarizados com isso. Na verdade, um caso que vem à mente é bastante relevante no momento: 1960. Richard Nixon tinha boas razões para acreditar que havia vencido a eleição. Nixon, que não era a pessoa mais encantadora da história da presidência, decidiu colocar o bem-estar do país acima de sua ambição pessoal. Não é isso que estamos vendo agora e é apenas um sinal de uma mudança muito significativa. O executivo foi quase totalmente expurgado de todas as vozes críticas independentes – nada restou além de bajuladores. Se eles não forem suficientemente leais ao mestre, demita-os e chame outra pessoa. Um exemplo marcante recentemente foi a demissão dos inspetores gerais quando eles começaram a olhar para o incrível pântano que Trump criou em Washington. Esse tipo de coisa continua indefinidamente.

Como você vê a administração Trump, em termos do papel da América no mundo e se é nova ou não?

Bem, existem algumas coisas novas que não estão sendo muito discutidas. Não sei se é Trump, mas as pessoas ao seu redor estão essencialmente criando uma aliança internacional de estados extremamente reacionários, que podem ser controlados pela Casa Branca, que, é claro, mudou muito para a direita, destruindo todos acordo internacional, destruindo tudo à vista. No hemisfério ocidental, uma figura de destaque seria [Jair] Bolsonaro, no Brasil, uma espécie de clone de Trump, e no Oriente Médio, com as ditaduras do Golfo, os estados mais reacionários do mundo, e no Egito sob [Abdel Fattah El-] Sisi, provavelmente a pior ditadura da história do Egito. Israel se moveu muito para a direita. Os atuais chamados acordos de paz nada têm a ver com acordos de paz. É uma base natural no Oriente Médio para o internacional reacionário comandado por Trump. No Oriente, a Índia de [Narendra] Modi é uma das principais candidatas. Ele está esmagando a democracia secular indiana, tentando impor a teocracia nacionalista hindu, esmagando a Caxemira. Eles são uma parte óbvia disso. Na Europa, o principal candidato é a Hungria de [Viktor] Orbán. Matteo Salvini ainda não está no poder, mas a Itália está logo atrás. Existem outras figuras agradáveis ao redor do mundo, mas isso é basicamente o centro de tudo.

Agora, esse é um lado de descartar todos os acordos internacionais e descartar qualquer preocupação com as atitudes e prioridades dos outros. Foi revelado com a arrogância típica da administração Trump no anúncio [do secretário de Estado Mike] Pompeo de que as sanções das Nações Unidas seriam reinstituídas contra o Irã. Por quê? Porque ele diz isso. Os Estados Unidos o levaram ao Conselho de Segurança e não conseguiram praticamente nenhum apoio. Portanto, reinstituímos as sanções das Nações Unidas unilateralmente. É o padrinho falando. Não importa o que os outros pensam. O mesmo é verdade para todos os acordos internacionais. O regime de controle de armas foi feito em pedaços, com grande perigo para nós e para todos os outros.

 Você menciona um bando de ditadores com os quais os Estados Unidos se aproximaram – e não respeitando os tratados de controle de armas – mas essas são coisas sobre as quais você escreveu no passado. Estou interessado que você diga que acha que a administração Trump é uma ruptura com o passado. Como você acha que é diferente de alguma forma?

Bem, ter um regime de controle de armas é diferente de não ter um. Isso é uma pausa, e é uma pausa em uma das duas questões mais significativas da história da humanidade. Vivemos há 75 anos sob a sombra de uma possível destruição nuclear. O regime de controle de armas que foi lentamente construído ao longo dos anos – a proposta de Céus Abertos de Eisenhower, o tratado INF Reagan-Gorbachev e outras peças – mitigou os perigos. Trump tem rasgado cada pedaço dele em pedaços. A única coisa que resta é “New start”. Tem que ser ratificado até fevereiro próximo. Se Trump ganhar a eleição ou se recusar a deixar o cargo, ela terá ido embora em fevereiro.

A outra grande ameaça à sobrevivência humana em qualquer forma reconhecível é a catástrofe ambiental e, aí, Trump está sozinho no mundo. A maioria dos países está fazendo pelo menos algo a respeito – não tanto quanto deveriam, mas alguns deles são bastante significativos, outros nem tanto. Os Estados Unidos retiraram-se do Acordo de Paris; se recusam a fazer qualquer uma das ações que possam ajudar os países mais pobres a lidar com o problema; estão correndo para maximizar o uso de combustíveis fósseis; e, ao mesmo tempo, acabam de inaugurar a última grande reserva natural dos Estados Unidos para perfuração. Ele precisa garantir que maximizemos o uso de combustíveis fósseis, corramos para o precipício o mais rápido possível e eliminemos os regulamentos, que não apenas limitam os efeitos perigosos, mas também protegem os americanos.

Passo a passo, [Trump] elimina tudo que possa proteger os americanos ou que preserve a possibilidade de superação da gravíssima ameaça de catástrofe ambiental. Não há nada assim na história. Não está rompendo com a tradição americana. Você consegue pensar em alguém na história da humanidade que tenha dedicado seus esforços a minar as perspectivas de sobrevivência da vida humana organizada na Terra? Na verdade, algumas das produções da administração Trump são simplesmente estonteantes.

Para responder à sua última pergunta, mesmo que seja retórica, parece que o Partido Republicano que conduziu a Trump tinha opiniões muito semelhantes sobre a ciência em relação à mudança climática, mesmo que ele a tenha levado em uma direção mais niilista.

Que figura importante na história da humanidade dedicou uma política para maximizar o uso de combustíveis fósseis e reduzir as regulamentações que mitigam o desastre? Diga um.

 Bolsonaro talvez, mas sim, eu entendo o seu…

Bolsonaro, um clone de Trump, e que está seguindo o exemplo de Trump. Sim, ele está fazendo isso perigosamente, mas nem mesmo ele foi tão longe quanto Trump.

Você escreveu muitos livros sobre a política externa americana, e um dos temas é que a ela costuma ser impulsionada pelos interesses econômicos das elites. Acho que há uma maneira em que isso ainda é verdade e, obviamente, Trump é da elite econômica. Mas, com Trump, parece que talvez seu desejo pessoal por dinheiro esteja impulsionando a política externa americana agora. Eu me pergunto se isso o fez pensar de forma diferente sobre como a política externa americana é conduzida.

De modo nenhum. Nesse aspecto, ele é uma continuação, mas é preciso fazer distinções. Franklin Delano Roosevelt foi o melhor presidente que já tivemos, em minha opinião, e estava comprometido em maximizar o poder americano e o papel do interesse econômico [americano] no mundo e assim por diante. Adolf Hitler, nos mesmos anos, estava comprometido com isso na Alemanha nazista, mas isso não nos leva a concluir que sejam a mesma coisa. 

Achei que era isso que estava dizendo, um pouco. Trump parece se preocupar com seus próprios interesses e sua própria sobrevivência, e você falou sobre a política externa americana anteriormente ser conduzida pelos interesses de toda uma elite econômica dominante. Acho que talvez seja uma distinção sem diferença, porque são as elites econômicas que estão apoiando Trump e permitindo que ele faça isso, em certo sentido.

Eles não apenas o estão apoiando, mas ele os está servindo como escravos. É difícil encontrar um presidente americano que tenha se dedicado mais a enriquecer e capacitar os ultra-ricos e o setor corporativo – e é por isso que eles ficam felizes em tolerar suas travessuras. Por exemplo, a única conquista legislativa real é a fraude fiscal, que foi apenas uma dádiva para os muito ricos e para o setor corporativo. Na verdade, tudo que acabei de mencionar é o mesmo. Quando você reduz as regulamentações, está colocando mais dinheiro nos bolsos dos ricos e prejudicando a classe trabalhadora, os pobres e todos os demais. Isso é extremo. Quando você se recusa a preencher o Conselho Nacional de Relações Trabalhistas com membros para que os empregadores possam fazer o que quiserem, você está servindo aos ricos. Podemos ir direto para a lista. Ele é um servo muito leal do poder privado, da riqueza privada.

É impressionante quando você vê grandes e poderosos se unindo. Veja a última conferência de Davos, em janeiro. Houve três oradores principais. O primeiro, é claro, foi Trump. Eles não gostam dele. Eles não gostam nada dele porque gostam de apresentar uma imagem de humanismo, comportamento civilizado, decência, “ponha sua confiança em nós”, esse tipo de coisa. Mas quando ele falou, eles lhe deram aplausos entusiasmados. Eles não suportavam nada do que ele dizia. Há um fanfarrão lá em cima falando sobre como ele é maravilhoso. Eles provavelmente estavam encolhidos em seus assentos, mas deram a ele aplausos entusiasmados porque há uma frase que ele disse que eles entendiam, o que é significativo: vou colocar muito dinheiro nos seus bolsos, portanto, é melhor você me tolerar. Sim, é assim que ele é visto pelas poderosas elites daqui. 

 O que você está dizendo parece mais semelhante ao discurso dominante de centro-esquerda sobre Trump e a ameaça única que ele representa para a democracia americana do que a algum discurso da esquerda. Estou curioso para saber se você percebeu isso em sua própria análise e se acha isso interessante ou engraçado.

Bem, eu não percebi isso. Por exemplo, acabamos de passar por duas das extravagâncias quadrienais, as convenções. Muita cobertura deles. Você ouviu uma frase sobre a ameaça de guerra nuclear? Eu não vi. Talvez em algum lugar. Essa é a maior ameaça que o mundo enfrenta. Não é discutido. Você ouviu alguns comentários sobre talvez Trump não estar fazendo coisas boas no clima. Você ouviu alguma coisa sobre ele ser o pior criminoso da história humana?

 O pior criminoso da história humana? Isso diz alguma coisa.

É verdade. É verdade?

 Bem, você tem Hitler; você tem Stalin; você tem Mao.

Stalin era um monstro. Ele estava tentando destruir a vida humana organizada na Terra? 

Bem, ele estava tentando destruir muitas vidas humanas.

Sim, ele estava tentando destruir muitas vidas, mas não a vida humana organizada na Terra, nem Adolf Hitler. Ele era um monstro absoluto, mas não dedicou seus esforços de forma perfeitamente consciente para destruir a perspectiva de vida humana na Terra.

Vamos pegar algumas de suas publicações. Alguns anos atrás, você deve se lembrar que a National Highway Traffic Safety Administration publicou uma análise de várias centenas de páginas. Eles concluíram que, em nosso curso atual, provavelmente atingiremos 4º Celsius acima dos níveis pré-industriais no final do século. Isso é um cataclismo total. Qualquer cientista do clima lhe dirá isso. E eles tiraram uma conclusão disso. Não devemos colocar restrições às emissões automotivas e de caminhões. Devemos limitar as restrições. Você pode encontrar uma contrapartida para isso na história humana? Por favor, diga.

 Eu…

Bem, posso pensar em uma coisa que talvez chegue perto. A declaração de Wannsee, em 1942, onde o partido nazista deu os retoques finais nos planos para exterminar todos os judeus e matar dezenas de milhões de eslavos. Muito horrível. É tão ruim quanto a publicação que acabei de mencionar?

 Não discordo sobre a maldade de Trump. Não tenho certeza se ele pretende destruir o planeta tanto quanto pretende assistir a Fox News e está apenas seguindo políticas terríveis devido a alguma combinação de preguiça e niilismo, e estar cercado por vigaristas e niilistas.

Não estou falando de Trump, o ser humano. Eu não poderia me importar menos com ele. Estou falando sobre as políticas. As políticas são claras; o entendimento é claro. Não há ninguém que não viva em uma rocha e não consiga compreender que maximizar o uso de combustíveis fósseis e eliminar as restrições vai levar ao desastre. O documento que acabei de mencionar pressupõe que estamos correndo para o desastre total.

 Uma coisa pela qual você foi criticado, no passado, é não olhar para as intenções das pessoas, especialmente no contexto da política externa. Você diz que não se importa muito com eles. É aí que parece que estávamos escorregando na comparação com Stalin ou Hitler, onde suas intenções eram obviamente fazer com que pessoas morressem.

Eu sinto Muito. Eu não concordo.

 Você não concorda?

As intenções de Stalin eram manter o poder e o controle. Ele não queria matar pessoas de propósito. Ele teve que matar pessoas como um meio para esse fim. Pegue, digamos, Henry Kissinger. Quando ele envia uma diretriz à Força Aérea Americana dizendo, sobre uma campanha massiva de bombardeio no Camboja, “qualquer coisa que voe sobre qualquer coisa que se mova”, ele tem a intenção de cometer genocídio? Eu me importo? Não. Eu só me importo com o que ele disse.

 Para voltar a um ponto anterior: a esquerda muitas vezes descreveu Trump como um sintoma do declínio americano ou do mau comportamento americano, e disse que a verdadeira ameaça à democracia americana são todas essas coisas que são verdadeiras sobre nós há muito tempo. A centro-esquerda sempre descreveu Trump como uma figura exclusivamente maligna, que está ameaçando uma democracia que funcionava melhor do que algumas pessoas da esquerda pensavam. Você parecia estar no último lado desse debate – o que, dado seu status na esquerda americana, achei interessante.

Desculpe. Acho que a democracia [americana], em primeiro lugar, nunca foi muito para escrever. Você realmente quer falar sobre isso? Os fundadores, vamos voltar a eles. Eles estavam empenhados em reduzir a democracia. O principal trabalho acadêmico sobre a Convenção Constitucional, o padrão-ouro para hoje, é o livro de Michael Klarman, e é chamado de The Framers ‘Coup — Seu golpe contra a democracia. A população em geral queria mais democracia. Os Moldadores queriam restringir isso; eles não gostavam da ideia de democracia. A imagem deles era mais ou menos a de John Jay: o povo que possui o país deve governá-lo. James Madison explicou que um dos principais objetivos do governo é proteger a minoria dos opulentos contra a maioria, e a Constituição foi projetada para tentar impedir o que é chamado de tirania da maioria, ou seja, democracia. Você tem que proteger a minoria; o opulento deve ser protegido.

Existem várias maneiras pelas quais isso foi feito. Tem havido uma batalha sobre isso ao longo dos séculos. Mas desde aproximadamente 1980, desde o início da regressão neoliberal, houve um declínio significativo na democracia parcialmente funcional que existia antes. Esse é um reflexo imediato das políticas escolhidas. Você se lembra do [primeiro] discurso inaugural de Reagan: o governo é o problema. O que isso significa? As decisões estão sendo tomadas em algum lugar. Se não são feitos no governo, que está sob influência pelo menos parcial da população, eles estão sendo feitos no setor privado por instituições privadas irresponsáveis.

Você olha mais de perto, e 0,1% da população agora detém 20% da riqueza do país. Teve um efeito importante no sistema político por razões perfeitamente óbvias. Você tem alguém eleito para o Congresso. A primeira coisa que eles têm que fazer é pegar o telefone, ligar para os doadores para ter certeza de que vão ter financiamento na próxima campanha eleitoral. Esse é o tipo de democracia que tínhamos antes de Trump. Ele acertou com uma bola de demolição e deixou tudo pior. 

Só para mudar de rumo por um minuto, quantos anos você tem agora?

Bem, em alguns meses, estarei com 92.

Você olha mais de perto, e 0,1% da população agora detém 20% da riqueza do país. Teve um efeito importante no sistema político por razões perfeitamente óbvias. Você tem alguém eleito para o Congresso. A primeira coisa que eles têm que fazer é pegar o telefone, ligar para os doadores para ter certeza de que vão ter financiamento na próxima campanha eleitoral. Esse é o tipo de democracia que tínhamos antes de Trump. Ele acertou com uma bola de demolição e deixou tudo pior.

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Aos 60 anos, OPEP abandona resistência e cede a interesses dos EUA

Opep

Leonardo Sobreira, 247 - Há 60 anos, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a OPEP, era fundada. Oficiais da Venezuela, Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Irã adotaram unanimemente o estatuto da organização em Bagdá, que prevê o controle da oferta global de petróleo pelo mundo de maneira que este beneficie a economia dos países membros. Atualmente, a organização conta com 13 membros e um grupo de 10 países aliados.

Ao longo de sua conturbada história, diversas decisões da organização serviram de contraponto à hegemonia ocidental neste mercado. Talvez as mais marcantes tenham sido os eventos que levaram às crises mundiais do petróleo, na década de 1970. 

Como retribuição ao apoio ocidental a Israel na Guerra do Yom Kippur, “as torneiras fecharam” em 1973 e um verdadeiro embargo foi imposto contra estas nações. Em março de 1974, o preço do petróleo já tinha subido 300%.

Em 1979, a Revolução Iraniana gerou instabilidade na produção, e o medo de que o restante da região seguisse o mesmo caminho levou compradores a investirem ainda mais. O preço do barril, como era de se esperar, disparou. A guerra Irã-Iraque, um anos depois, fez com que a produção fosse cortada ainda mais. A recuperação dos preços veio somente na metade da década de 1980. 

Outro evento marcante na história da organização foi quando ela resistiu à pressão internacional pela diminuição dos preços na época da crise da Líbia, em 2011. Muamar Kadafi fora por muito tempo um defensor da política de preços altos, que beneficia os termos de troca dos países vendedores. É nítido que este foi um dos fatores principais que motivaram a campanha estadunidense contra seu regime. 

No entanto, esse tipo de pressão estadunidense, constante ao longo da história da organização, é a principal força geopolítica por trás dos preços do petróleo nos dias de hoje. Apesar de ter se tornado o maior produtor do recurso do mundo, os Estados Unidos favorecem uma política de preços reduzidos, que aumenta os lucros de suas empresas. 

Como estratégia para conter essa dinâmica, a OPEP+ foi formada em 2016, contando com a Rússia como seu principal integrante. Mas nem mesmo o músculo geopolítico dos russos foi capaz de conter a influência estadunidense na organização. 

Como apontado pela agência Reuters, a ostracização da Venezuela e do Irã através de sanções internacionais, que são as principais forças ideológicas contrárias ao neoimperialismo, fez com que estes países perdessem força. Isso acabou favorecendo, entre outros, a Arábia Saudita.

Dada a proximidade entre Donald Trump e o príncipe herdeiro do trono saudita, Mohammad bin-Salman, interesses americanos estão garantidos a influenciar o rumo da organização no futuro.

A carta na manga de Trump é justamente o apoio militar aos sauditas, sendo estes os maiores compradores de equipamentos militares estadunidenses. 

Segundo Chakib Khelil, ex-presidente da OPEP, “Trump ordena a Arábia Saudita sobre o que ele precisa em relação ao preço do óleo - e ele é servido. Então, sim, a OPEP mudou.”

Isso se reflete nas taxas de contribuição da oferta dos países. A mesma Reuters aponta que, enquanto a produção do Irã diminuiu pela metade em 10 anos, caindo para 7.5%, e a da Venezuela caiu de 10% para 2.3%, a da Arábia Saudita subiu 7%, chegando a 35%.

O que torna ainda mais clara a interferência de Trump em uma organização que se prezava por servir de contraponto aos Estados Unidos são suas declarações no Twitter.

Em março do ano passado, ele disse em sua conta: “”Muito importante que a OPEP aumente o fluxo do óleo. Os mercados mundiais estão frágeis, o preço do óleo está se tornando muito alto. Obrigado!”

No dia seguinte à declaração, a OPEP aumentou sua produção em um milhão de barris por dia.

Infelizmente, a OPEP, organização que se mostrou tão importante ao longo de sua história por combater a hegemonia estadunidense no que diz respeito ao preço do petróleo mundial, vem se tornando cada vez mais um veículo para os Estados Unidos. Seria somente através de seu fortalecimento interno que voltaríamos a poder celebrar sua existência. 

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Autogolpe de Trump fracassou por não ter apoio militar, diz Steven Levitsky, autor de Como as Democracias Morrem - BBC News Brasil

  • Patricia Sulbarán Lovera
  • BBC News Mundo
A chegada dos manifestantes obrigou os parlamentares a suspender a sessão
Legenda da foto, A chegada dos manifestantes obrigou os parlamentares a suspender a sessão

Um acontecimento que não se via nos Estados Unidos desde o século 19.

Um grupo de apoiadores do presidente americano, Donald Trump, invadiu e depredou a sede do Congresso dos EUA, em Washington, após ultrapassarem as barreiras montadas por agentes de segurança, em meio a confrontos isolados.

O ato violento no Capitólio na quarta-feira (6/1) ocorreu logo depois que Trump discursou para uma multidão em frente à Casa Branca, a quase 3 km dali, repetindo acusações sem prova e rejeitadas por diversos juízes do país de que houve fraude na eleição em que perdeu para Joe Biden.

O que se viu no Capitólio foram cenas de caos, com congressistas deitados no chão, sendo evacuados e colocando máscaras antigás.

Para o professor de governabilidade da Universidade Harvard, Steven Levitsky, a invasão do Congresso foi uma resposta a "quatro anos de descrédito e deslegitimação da democracia" por parte do Partido Republicano e de Trump.

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A cidade de Washington impôs um toque de recolher nesta quarta-feira a partir das seis da tarde

Levitsky é coautor do livro Como as Democracias Morrem, de 2018, no qual expõe "os sinais alarmantes que põem em risco a democracia liberal dos EUA".

Estudioso também dos processos democráticos e presidenciais da América Latina, Levitsky descreveu a invasão do Capitólio por apoiadores de Trump como uma "tentativa de autogolpe", em entrevista à BBC News Mundo, serviço da BBC em espanhol.

Para ele, "a grande diferença entre esse autogolpe e os autogolpes na América Latina é que Trump foi completamente incapaz de obter o apoio dos militares" e "um presidente que tenta permanecer no poder ilegalmente sem o apoio dos militares tem poucas chances de sucesso".

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Apoiadores de Trump invadiram o Capitol enquanto as sessões eram realizadas para certificar votos para Joe Biden

Segundo sua análise, "a democracia sobreviverá a este dia", mas o que se coloca para o futuro do país é um período de crise bastante incerto.

BBC - Que interpretação o senhor dá para a insurgência de apoiadores de Trump no Capitólio dos Estados Unidos?

Steven Levistky - Pode-se presumir que isso iria acontecer. Donald Trump e muitos, muitos líderes republicanos têm incitado, têm mentido para sua base que os democratas estão arruinando o país e subvertendo a democracia. Eles vêm dizendo isso há cinco anos.

E então, depois de perder a eleição, não só Trump mas também líderes do Partido Republicano estavam lá no Congresso, repetindo a mentira e desacreditando a legitimidade da democracia e das instituições. Depois de anos mobilizando sua base com uma linguagem que incluía termos como socialismo ou traição, pode realmente surpreender que isso esteja acontecendo depois que você perdeu a eleição?

Na história da América Latina, quando os líderes incitam seus seguidores em um ambiente altamente polarizado, as pessoas agem. Palavras têm significado, elas têm poder.

O que me surpreende nisso é como a polícia estava mal preparada.

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A Polícia do Capitólio, fortemente armada, deteve alguns manifestantes

BBC - Como o senhor interpreta as reações de alguns membros do Partido Republicano e do próprio presidente Trump, que em um tuíte nesta quarta-feira (6/1) pediu a seus apoiadores que não fossem violentos?

Levistky - O presidente já foi radicalmente violento antes e, se não queria que isso acontecesse, precisava agir mais rápido e se mobilizar para evitar. Ele provavelmente não deveria ter sugerido que marchassem até o Congresso. Trump os enviou para lá, ele os incitou a se mobilizarem para o Congresso. O fato de que os líderes republicanos agora estão rompendo com Trump é hipócrita, depois de o apoiarem por anos, mas é importante e positivo. Parece-me positivo ter visto discursos como o de Mitch McConnell (líder da maioria do Partido Republicano no Senado).

BBC - Estamos diante de uma revolução, de um golpe de Estado, de uma insurreição?

Levitsky - É uma variante do que na América Latina chamaríamos de autogolpe. É um presidente mobilizando seus apoiadores para permanecer no poder ilegalmente. Será um autogolpe fracassado, mas é uma insurreição do poder para tentar subverter os resultados da eleição e permanecer no poder ilegalmente. Eu diria que foi uma tentativa de autogolpe.

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Alguns parlamentares colocaram máscaras de gás antes de evacuar as instalações do Capitólio

BBC - Na América Latina, esse tipo de situações que o senhor descreve são prejudiciais à democracia. O senhor diria que este é um momento perigoso na história americana? Diria que a democracia permanecerá forte, e o presidente eleito Joe Biden será empossado em 20 de janeiro?

Levistky -Tenho esperado com terror por este dia na democracia americana nos últimos quatro anos. Todos os dias durante quatro anos. Nossa democracia está em grave crise e este é o ponto culminante dela. Mas não é que tenha saído do nada. Nossa democracia está em crise há vários anos e acho que vai continuar assim.

Este autogolpe vai fracassar. Aqueles que protestarem em algum momento serão retirados do Capitólio e em algum momento a eleição de Biden também será certificada, e Trump será removido da Presidência. Agora, não está claro como isso vai acontecer. Mas Trump vai fracassar, e a democracia americana sobreviverá aos eventos de hoje.

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Um grupo de apoiadores de Donald Trump ocupou portões do Capitólio de Washington

Mas isso não significa que está tudo bem. São acontecimentos aterrorizantes e prejudiciais como na América Latina. A grande diferença entre esse autogolpe e os autogolpes na América Latina é que Trump foi completamente incapaz de obter o apoio dos militares. Um presidente que tenta permanecer no poder ilegalmente sem o apoio dos militares tem muito poucas chances de sucesso.

BBC - O senhor fala com segurança que a democracia sobreviverá e que esta será uma tentativa fracassada.

Levistky - Hoje. Acredito que, no médio prazo, estamos nos aproximando de um período de crise. Eu digo que esta tentativa de hoje irá falhar, porque a correlação de forças não existe para apoiar Trump. Não tem apoio militar. A democracia sobreviverá quando acordarmos amanhã, mas não posso garantir o que acontecerá daqui a cinco anos. A democracia americana é um desastre.

BBC - O presidente eleito Joe Biden mencionou que a democracia estava "sob um ataque sem precedentes" com os acontecimentos desta quarta-feira. Esta situação é extraordinária no contexto da história americana moderna?

Levistky - É extraordinário e sem precedentes no contexto da história americana moderna. No século 19, o país passou por uma era de violência, especificamente nos anos anteriores à Guerra Civil, e também vivenciou violência, especificamente em nível estadual, durante anos após a Guerra Civil. Portanto, em meados do século 19, os EUA experimentaram crises ainda mais graves do que as que vemos hoje. Mas não sofremos algo assim no século 20.

Isso não tem precedentes na história democrática moderna.

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Trump discursou para seus apoiadores em Washington na quarta-feira antes de invadirem o Capitólio

BBC - E quais são os mecanismos dos poderes constituídos para lidar com essa crise? Na Constituição ou nas legislaturas?

Levistky - Formalmente, existem dois mecanismos, mas nenhum deles foi usado até agora. Um é o impeachment ou o impeachment que leva à remoção. Nos EUA, ocorreram julgamentos políticos de presidentes, mas não resultaram em sua destituição do poder. É um processo bastante longo, a menos que o façamos à maneira peruana, de retirar o presidente durante a noite. É improvável que isso aconteça.

E há outro mecanismo, a emenda nº 25 à Constituição, que é mais recente porque foi aprovada em meados do século 20, e também não foi usado até agora.

Nenhum desses mecanismos foi adotado.

A América Latina tem muito mais experiência em provocar a destituição de presidentes que abusam do poder do que os EUA. A grande maioria das democracias presidencialistas está na América, mas nunca usamos o mecanismo americano para remover um presidente nos termos constitucionais.

Acho que a melhor saída seria Trump renunciar, seria que aqueles de seu próprio partido pressionassem Trump a renunciar. Ele não vai, mas deveria.

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A polícia de Washington confrontou os apoiadores de Trump com gás lacrimogêneo

BBC - Mas ele está dizendo que não vai. Então, se ele nunca o fizer, se ele nunca ceder, o que acontece?

Levitsky - Durante o mês de novembro, esperei que sua filha e seu genro o fizessem entender, e há reportagens que indicam que ele sabe que perdeu e que deve ir embora. Uma característica de Trump é que ele não antecipa as consequências do que diz e faz. Então, eu não acho que ele previu o que acabou acontecendo hoje no Capitólio, embora ele o tenha instigado.

Acho que Trump sabe que tem que sair e acho que o cenário mais provável, apesar deste terrível golpe fracassado, é que os americanos virem a página e deixem Trump passar suas últimas duas semanas no cargo. Tudo é possível neste momento, mas parece improvável que ele tente se recusar a sair em 20 de janeiro.

Não teremos mais uma transição pacífica de poder, mas será, mais ou menos, uma transferência de poder habitual.

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O deputado Jason Crow (centro), que serviu no Exército dos EUA, protege a deputada Susan Wild

BBC - O senhor disse que a invasão do Capitólio é o ponto culminante de cinco anos de um intenso jogo político entre o presidente Trump e o Partido Republicano. O que o senhor acha que acontecerá no contexto de uma nova Presidência democrata de Joe Biden?

Levitsky - Eu acho que é muito incerto. Decerto não há tantas pessoas nas ruas; obviamente estão fazendo muito barulho, mas em comparação com a marcha das mulheres depois que Trump foi eleito, esta é uma festa no jardim. Não é que as massas estejam tomando as ruas, isso não é uma revolução. Esta não é a Argentina em outubro de 1945.

Então, o que eu acho, dependendo do que Trump faz, é que em algum momento ele terá que desistir. E se ele desistir e voltar para a Flórida, acho que isso vai ficar mais fraco. Ainda haverá uma direita radicalizada e mobilizada, mas não acho que Biden esteja enfrentando uma crise de governança.

Na verdade, acho que talvez isso o fortaleça. Porque agora os republicanos estão à beira de uma divisão severa. Portanto, acho que há várias coisas que podem acontecer: Uma, que o Partido Republicano finalmente se reúna e derrube Trump, de modo que ele acabe isolado, junto com seus aliados como (Rudy) Giuliani e as pessoas a quem perdoou. E que Mitch McConnell, Marco Rubio e até Ted Cruz acabem abandonando Trump.

A outra coisa que pode acontecer é que o Partido Republicano se divida, quebre, como parecia que ia acontecer nesta quarta-feira. Não estou falando de uma divisão formal, mas de uma composição na qual haja uma ala do partido que ainda esteja fortemente alinhada com Trump e outra ala que esteja tentando ir além de Trump. E se os republicanos estiverem divididos, Biden será fortalecido.

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Wadih Damous: Moro, Dallagnol e comparsas não podem ficar impunes sob argumento de que provas são ilícitas

Jurista diz que autoridades da Lava Jato “agiram como agentes de Estado e concentravam um poder sem paralelo no país”

Deltan Dallagnol, Sergio Moro e Wadih Damous
Deltan Dallagnol, Sergio Moro e Wadih Damous (Foto: ABr | Divulgação)

247 - O advogado e ex-deputado federal Wadih Damous alertou para o fato de que as autoridades que comandavam a Operação Lava Jato não podem ficar impunes sob o que ele chama de “argumento simplista” de que as provas hackeadas são ilícitas.

“Moro, Dallagnol e comparsas cometeram crimes gravíssimos com prejuízos de toda ordem à nação. Agiram como agentes de Estado e concentravam um poder sem paralelo no país. Não podem ficar impunes sob o argumento simplista de que as provas hackeadas são ilícitas”, publicou Damous no Twitter nesse domingo (25).

Diálogos entre procuradores da Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro foram obtidos pelo hacker Walter Delgatti e revelaram diversos crimes cometidos nos bastidores para perseguir acusados, especialmente o ex-presidente Lula.

STF confirma suspeição de Moro e prejudicialidade dos processos

Em julgamento na última quinta-feira (22), o Supremo Tribunal Federal confirmou a decisão anteriormente proferida pela Segunda Turma da Corte no sentido de declarar a suspeição do ex-juiz Sergio Moro nos processos movidos contra o ex-presidente Lula na Lava Jato.

Votaram a favor da decisão da suspeição os ministros Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Rosa Weber, deixando o placar em 7 a 2.

Votou com o relator, ministro Edson Fachin, pela anulação da decisão da Segunda Turma apenas o ministro Luís Roberto Barroso.

O julgamento foi suspenso em razão de pedido de vista (mais tempo para analisar o processo) de Marco Aurélio Mello e será retomado na próxima quarta-feira (28).

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Nadador bolsonarista (André_Calvelo, de 20 anos) é pego no antidoping

247 - O atleta bolsonarista André Calvelo, de 20 anos, que teve resultado analítico adverso para um esteroide anabolizante, em exame surpresa da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), poderá pegar até quatro anos de suspensão, caso fique comprovado o uso intencional da substância drostanolona, proibida pela Agência Mundial Antidopagem (Wada).

Segundo reportagem do jornal O Globo, o lutador Anderson Silva já foi pego em exame antidoping, em 2015, pelo uso da mesma substância. Em julgamento da Comissão Atlética de Nevada (NAC), Anderson pegou um ano de suspensão (além da drostanolona, seu exame apresentou androsterona).

André, que fez campanha para Jair Bolsonaro em 2018, terá de explicar como o anabolizante apareceu em seu corpo e provar uma contaminação involuntária. Pode ter pena inferior a quatro anos dependendo das circunstâncias.

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Na pandemia, fortuna dos 500 mais ricos do mundo aumentou R$ 10 trilhões

A quantia representou um aumento 31% na fortuna dos 500 mais ricos do mundo desde a criação do Índice de Bilionários da Bloomberg, há oito anos. Com US$ 24,6 bilhões, Jorge Paulo Lemann é o brasileiro mais bem colocado na lista (69ª posição)

Empresário Jorge Paulo Lemann
Empresário Jorge Paulo Lemann (Foto: Divulgação)

247 - O Índice de Bilionários da Bloomberg apontou que, em 2020, a fortuna total dos 500 mais ricos do mundo aumentou 31% em comparação ao ano anterior. A quantia adicionada de US$ 1,8 trilhão (R$ 9,8 trilhões) foi a maior desde a criação do indicador, há oito anos. A informação foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo.

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Executivos de empresas de tecnologia e mercado de luxo lideram a lista. O isolamento social, por exemplo, intensificou o uso da tecnologia e, por consequência, alavancou o consumo via ecommerce e as cadeias de armazenamento, embalagem e transporte ligadas a essa modalidade de vendas. 

Neste mês, Larry Page, um dos fundadores do Google, entrou para lista de pessoas com mais de US$ 100 bilhões (R$ 547,8 bilhões). A última atualização mostrou Page com US$ 104 bilhões (R$ 569,7 bilhões). O Google começou a pandemia valendo US$ 988,7 bilhões (R$ 5,4 trilhões) e atualmente está em US$ 1,5 trilhão (R$ 8,2 trilhões).

No último trimestre de 2020, a Amazon faturou US$ 125,6 bilhões (R$ 688 bilhões), recorde histórico que representou aumento de mais de 40% no comparativo com o mesmo período de 2019.

Antes da pandemia começar, a varejista online valia US$ 916,2 bilhões (R$ 5 trilhões). Vale US$ 1,6 trilhão (R$ 9 trilhões) atualmente.

Dono da Amazon, Jeff Bezos continuou como o homem mais rico do mundo. Sua fortuna passou de US$ 115,3 bilhões (R$ 631,6 bilhões) para US$ 182 bilhões (R$ 997 bilhões) em 2020. 

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'Estimativa da idade mental de Bolsonaro é de um adolescente de 12 anos', avalia psiquiatra

O psiquiatra e escritor Nelson Nisenbaum traçou o perfil psicológico do atual ocupante da presidência da República e foi taxativo ao afirmar que “Jair Bolsonaro é um sociopata”, cujas abordagens “imediatistas e superficiais” dão a clara impressão de estar diante de um adolescente de 12 anos. “Essa é a estimativa de idade mental que faço para ele”, analisou. Assista

Nelson Nisenbaum e Jair Bolsonaro
Nelson Nisenbaum e Jair Bolsonaro

247 - O programa “Um Tom de resistência” recebeu o especialista em psiquiatria clínica e escritor Nelson Nisenbaum para falar sobre sociopatia e avaliar se a conduta social do presidente Jair Bolsonaro se encaixaria nesse perfil patológico. “Primeiro vamos explicar a junção das palavras 'socio' e 'pata', que vem de ‘patos’ do grego, e representa tudo aquilo que é disfuncional, que vai contra a vida, que é doloroso e causa sofrimento. É reconhecido por toda a antropologia, que o ser humano é um ser societal. Da mesma forma que existe uma compreensão majoritária de que as sociedades só progrediram com a cooperação entre os seus membros. E para que isso aconteça, é preciso que os membros desse grupo tenham empatia uns pelos outros. Quando entramos com um elemento patológico de um determinado indivíduo, que não consegue ter essa compreensão da vida social e que não tem noção da dimensão dos seus atos com relação a este grupo, temos um indivíduo perigoso para esta sociedade, porque ele pode desestabilizá-la”, explicou.

Na opinião de Nelson Nisenbaum, “se analisarmos sob esse ponto de vista, do elemento que desagrega, desorganiza, planta desconfiança, não reconhece o sofrimento do outro e não compreende os valores éticos e morais dessa sociedade, pregando sempre a favor de sua visão particular de mundo, podemos compreender facilmente que o presidente Jair Bolsonaro é um sociopata. Porque, no mínimo, ele representa uma grande força desorganizadora da nossa sociedade. E a desorganização é praticamente um item fundamental do neoliberalismo que ele representa. Ele é a figura perfeita do ultraneoliberalismo e do radicalismo de direita, porque ele tem, através de uma certa forma de apelo emocional que conquista um determinado perfil de eleitor, essa capacidade de exercer essa força desestabilizadora. É o perfil de um sociopata na dimensão política”. Nisenbaum ainda citou o livro escrito pelo jornalista Luiz Maklouf Carvalho, que, segundo ele, “descreve perfeitamente o perfil sociopático de Bolsonaro”, baseado no inquérito militar que o definiu como um indivíduo problemático e de pouco intelecto, e que culminou em seu afastamento do Exército.

O apresentador Ricardo Nêggo Tom perguntou ao especialista se a sociopatia pode estar ligada a fatores genéticos e sociais, como, por exemplo, o meio de origem do indivíduo. Nisenbaum analisou que “na psiquiatria clínica e no estudo do comportamento humano, temos sempre duas grandes forças motrizes. Uma força é a da predisposição genética, da mesma forma que a cultura onde o indivíduo vive, o meio familiar e o meio social também são grandes forças motrizes que interferem nesse processo. Também existem traços da personalidade do indivíduo, que mais obviamente derivam de traumas originários da sua formação, de ambiente familiar, de ambiente culturas e assim por diante. No caso de Jair Bolsonaro, me parece algo genético na família, porque ele e os seus quatro filhos têm determinadas peculiaridades compartilhadas de uma forma muito caprichosa. O que me faz pensar que esses comportamentos sejam de origem genética”.

O psiquiatra também listou algumas características da personalidade de Jair Bolsonaro que indicam desvios de personalidade de ordem patológica. A primeira delas é a imaturidade. Nelson Nisenbaum observa que, “quando o vimos discursando ou dando uma entrevista, percebemos que ele tem uma grande dificuldade de entrar em profundidade sobre qualquer assunto. Suas abordagens são imediatistas e superficiais, o que nos dá a clara impressão de estarmos diante de um adolescente de 12 anos de idade. Essa é a estimativa de idade mental que faço para ele.” Ele também destacou a impulsividade do presidente, lembrando as entrevistas que ele interrompeu por ser confrontado por alguma pergunta que ele não queria ouvir e responder, e a fixação num conjunto de ideias do qual ele não consegue fugir. “É tudo contra o PT, contra a esquerda, contra o comunismo. É uma mania persecutória e paranoide.”, avaliou o especialista.

Para Nelson, a frieza de Bolsonaro no trato da pandemia e na ausência de sentimentos pelo sofrimento das pessoas e pela vida das pessoas que morreram vítimas da Covid-19 evidencia a sua sociopatia. “Quando ele fala coisas como ‘E daí?’, ‘Eu não posso fazer nada’, ‘Eu não sou coveiro’, ‘A vida tem que seguir’, ‘A gente não pode ficar chorando o leite derramado’, ele está desdenhando de forma escandalosa do sofrimento das pessoas e das famílias que já foram vitimadas por essa doença”, considerou o psiquiatra.

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