GERAL XXVI bomback
Lojas Americanas e B2W se unem para enfrentar Magalu e Mercado Livre | Lauro Jardim - O Globo

A união de operações mais aguardada e especulada pelo mercado nos últimos meses finalmente está acontecendo agora.
A Lojas Americanas e a B2W (Americanas.com, Submarino e Shoptime) estão promovendo uma fusão de suas operações, que resultará na criação da americanas s.a. (cuja marca é grafada assim mesmo, em minúsculas).
A nova empresa integrará o físico e o digital da Lojas Americanas e da B2W numa única plataforma. A fusão a fará robusta o bastante para a briga de gigantes contra a Magalu e Mercado Livre.
A proposta de fusão está sendo encaminhada pelos conselhos de administração das duas companhias para ser votadas em assembleias gerais em 10 de junho.
Os planos incluem a ida da americanas s.a. ao Novo Mercado da B3 e sua controladora, Lojas Americanas, será listada nos EUA.
No mês passado, o presidente da Lojas Americanas, Miguel Gutierrez, já antecipava e possibilidade da união das duas empresas:
— É um assunto que discutimos frequentemente. Entendemos que, com todos os avanços que tivemos em 2020, esse é o momento certo de fazer isso. Com isso poderemos acelerar muito o atendimento e a satisfação dos nossos clientes tornando nossa companhia mais simples e mais ágil.
Os recados de Renan para Bolsonaro e os militares na abertura da CPI da Covid | Analítico - O Globo

Miguel Caballero
Não faltaram recados e indiretas a Jair Bolsonaro, embora Renan Calheiros tenha evitado citar nominalmente o presidente da República. Em seu discurso na primeira sessão da CPI da Covid, o relator, porém, foi mais direto ao falar das Forças Armadas, botando o dedo diretamente na relação que é uma das principais bases de apoio do governo Bolsonaro.
Em dois anos e meio, os militares apoiaram Jair Bolsonaro, ocuparam muitos postos na administração federal e, em que pesem alguns estremecimentos e rompimento com os que foram demitidos do governo, os principais atritos entre o presidente e os militares se restringiram à preocupação manifestada fora dos microfones de que um mau desempenho do governo contamine a imagem das Forças Armadas. Esse ponto jamais esteve tão em risco como agora, e a CPI será um novo teste da solidez dessa aliança.
Não se trata de esperar que os militares, categoria longe de ser homogênea, abandonem ou não o presidente. Mas o Exército, especialmente, dificilmente escapará do escrutínio da CPI, e precisará limitar até que ponto poderá dividir responsabilização sobre erros da crise com o governo.
É muito possível que a CPI tenha de ir além da participação de militares na gestão deoo general Eduardo Pazuello na Saúde. Embora Renan tenha dito em seu primeiro discurso que “não é o Exército que estará sob análise”, as investigações que a comissão fará sobre propaganda e distribuição de remédios sem eficácia cientificamente comprovada podem alcançar a compra de insumos e produção da hidroxicloroquina pela Força. O Exército, inclusive, já foi instado pelo Tribunal de Contas da União a, juntamente com o Ministério da Saúde, prestar esclarecimento sobre os gastos com a produção e distribuição do remédio.
Uma eventual convocação de um militar da ativa, fardado, a dar depoimento na mesa da CPI, é uma cena com grande potencial de danos à imagem das Forças Armadas.
O último comandante do Exército, general Edson Pujol, perdeu o posto após divergência públicas com o presidente no discurso de combate à pandemia.
A fala de Renan tocou em pontos sensíveis na caserna. Citou as “454 mortes em combate na Segunda Guerra Mundial”, episódio quase sagrado para as Forças, lembrando em seguida que diariamente morre um número maior de brasileiros. “O que teria acontecido se tivéssemos enviado um infectologista para comandar nossas tropas?”, perguntou Renan. “Porque guerras se enfrentam com especialistas, sejam elas bélicas ou sanitárias. A diretriz é clara: militar nos quartéis e médicos na Saúde. Quando se inverte, a morte é certa. E foi isso que aconteceu”.
No seu retorno ao protagonismo do noticiário político, Renan Calheiros reservou também outros recados. Um dos principais articuladores da resistência da classe política à Lava-Jato, repetiu no discurso ataques ao ex-juiz Sergio Moro — “não vou condenar ninguém por convicção” — e aos procuradores da antiga força-tarefa de Curitiba — “aqui nessa CPI não vai ter PowerPoint”.
Opositor ao governo Bolsonaro, o senador não perdeu a oportunidade de lançar uma alfinetada ao procurador-geral da República, Augusto Aras. Numa referência indireta à inércia da PGR para investigar possíveis crimes do presidente na pandemia, Renan afirmou que “CPIs vicejam quando os canais tradicionais de investigação se mostram obstruídos, e isso é um ensinamento histórico”.
Por fim, fez também uma provocação a Bolsonaro, mesmo sem citá-lo. Ao elogiar o Supremo Tribunal Federal (STF) por ter garantido à minoria do Senado o direito de instalação da CPI após atingir as assinaturas necessárias, afirmou que o tribunal foi “terrivelmente democrático”, fazendo questão de usar o advérbio preferido do presidente sempre que afirma, há dois anos, que indicará um evangélico para o Supremo.
Brasil registra 3.019 mortes por covid em 24 h e se aproxima de 400 mil
Ana Caratchuk, Sara Baptista e Ricardo Espina
Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo
28/04/2021 19h00
Atualizada em 28/04/2021 22h35
Com 3.019 novos óbitos registrados nas últimas 24 horas, o Brasil se aproxima das 400 mil mortes. No total, até hoje foram 398.343. Os dados foram obtidos pelo consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, junto às secretarias estaduais de saúde.
Nos últimos sete dias, morreram, em média, 2.379 pessoas por dia por complicações da infecção pelo coronavírus no Brasil. Este é o 98º dia consecutivo com média móvel acima de mil. Há 43 dias, desde 17 de março, o índice se mantém acima de 2 mil.
Braga Netto falará em comissão sobre leitos ociosos em hospitais das Forças
O Brasil também continua registrando um alto número de novos casos por dia. Nas últimas 24 horas, 77.266 pessoas foram diagnosticadas com o covid-19. Desde o começo da pandemia, 14.523.807 já tiveram a doença.
Os dados não representam quando os óbitos e diagnósticos de fato ocorreram, mas, sim, quando passaram a constar das bases oficiais dos governos.
Já de acordo com as contas do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 3.163 novas mortes causadas pela covid-19 nas últimas 24 horas. Desde o começo da pandemia, houve 398.185 óbitos provocados pela doença.
De acordo com os dados do ministério da Saúde, foram reportados 79.726 novos casos de covid-19 entre ontem e hoje, elevando o total de infectados para 14.521.289. Desse total, 13.091.714 pessoas se recuperaram da doença e outras 1.031.390 permanecem em acompanhamento.
A pandemia nos estados
Em três regiões brasileiras, a média móvel de mortes apresenta tendência de queda: Centro-Oeste (-21%), Sudeste (-23%) e Sul (-22%). Outras duas têm um índice considerado estável: Norte (-7%) e Nordeste (-11%). No geral, o Brasil apresenta tendência de queda, de -19%, na variação de 14 dias.
São 11 estados com estabilidade nos registros, enquanto outros catorze e o DF estão em queda. Apenas um estado, o Acre, apresenta tendência de aceleração nas mortes por covid-19.
Veja a situação por estado e no Distrito Federal:
Região Sudeste
- Espírito Santo: estabilidade (-2%)
- Minas Gerais: estabilidade (-14%)
- Rio de Janeiro: estabilidade (-15%)
- São Paulo: queda (-30%)
Região Norte
- Acre: aceleração (17%)
- Amazonas: estabilidade (-1%)
- Amapá: queda (-45%)
- Pará: estabilidade (8%)
- Rondônia: queda (-23%)
- Roraima: queda (-23%)
- Tocantins: queda (-35%)
Região Nordeste
- Alagoas: estabilidade (-12%)
- Bahia: estabilidade (-6%)
- Ceará: queda (-17%)
- Maranhão: queda (-35%)
- Paraíba: queda (-22%)
- Pernambuco: estabilidade (14%)
- Piauí: queda (-22%)
- Rio Grande do Norte: estabilidade (1%)
- Sergipe: estabilidade (1%)
Região Centro-Oeste
- Distrito Federal: queda (-25%)
- Goiás: queda (-20%)
- Mato Grosso: queda (-25%)
- Mato Grosso do Sul: estabilidade (-9%)
Região Sul
- Paraná: queda (-20%)
- Rio Grande do Sul: queda (-27%)
- Santa Catarina: queda (-16%)
O Brasil em números
Na primeira onda:
- Maior número de mortes em 24 h: 1.554 (19/7)
- Maior média móvel de óbitos: 1.097 (25/7)
- Maior período com média acima de mil: 31 dias
- Maior número de óbitos em uma semana: 7.679 (de 19/7 a 25/7)
Na segunda onda:
- Maior número de mortes em 24 h: 4.211 (6/4)
- Maior média móvel de óbitos: 3.125 (12/4)
- Maior período com média acima de mil: 98 dias
- Maior número de óbitos em uma semana: 21.172 (de 4/4 a 10/4)
As dez médias móveis mais altas foram registradas entre o fim de março e abril e foram todas acima de 2.900. São elas:
- 12 de abril - 3.125
- 1 de abril - 3.119
- 11 de abril - 3.109
- 13 de abril - 3.051
- 10 de abril - 3.025
- 14 de abril - 3.012
- 2 de abril - 3.006
- 31 de março - 2.971
- 15 de abril - 2.952
- 9 de abril - 2.938
Os cinco dias com maior número de mortes em toda a pandemia também ocorreram entre 31 de março e abril (os números não indicam quando os óbitos ocorreram de fato, mas, sim, quando passaram a contar dos balanços oficiais):
- 6 de abril - 4.211
- 8 de abril - 4.190
- 31 de março - 3.950
- 15 de abril - 3.774
- 7 de abril - 3.733
Oito estados reportaram mais de cem mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. A soma do total de vítimas destes locais (2.301) representa mais do que a metade do total de mortes no país:
- São Paulo - 814
- Minas Gerais - 488
- Rio de Janeiro - 330
- Paraná - 210
- Rio Grande do Sul - 147
- Pernambuco - 106
- Bahia - 104
- Ceará - 102
Declarações sem noção de Guedes chegam agora ao nível da imoralidade
José Paulo Kupfer
28/04/2021 17h54
A crise na condução da economia brasileira deve ter alcançado um novo pico nesta última semana de abril. Sinal dessa elevação do estresse pode ser localizado na TPG (Taxa Paulo Guedes), um índice de evidência do nível da crise, que varia na razão direta do acúmulo de declarações sem noção do ministro da Economia.
Nos últimos dias, Guedes acusou a China de ter "inventado" o novo coronavírus causador da covid-19. E foi além, lamentando que as pessoas queiram viver o máximo de tempo possível. "Todo mundo quer viver 100 anos, 120, 130 [anos]", queixou-se, ao "culpar" o "avanço da medicina" e o "direito à vida" pela "quebra do Estado".
Criada por este colunista, a TGP pode ser aplicada em combinação com o "ciclo de Tinoco" para medir as dificuldades enfrentadas na economia. Trata-se de uma espécie de roteiro de grandes ações anunciadas por Guedes para salvar e impulsionar a atividade econômica, obtendo "um trilhão de reais", e sendo capazes de "surpreender o mundo", mas que ficam para a "semana que vem". O "ciclo de Tinoco" é uma criação do economista Guilherme Tinoco, atualmente assessor especial do secretário da Fazenda paulista, Henrique Meirelles.
Com o acúmulo de diagnósticos equivocados e obsessão por controles fiscais extemporâneos, Guedes vem encontrando dificuldades para conduzir a economia brasileira a um porto seguro, em meio à pandemia que, sem dúvida, dificulta o trabalho. Desde a afirmação, em março de 2020, de que "com R$ 3 bi, R$ 4 bi ou R$ 5 bi a gente aniquila o coronavírus" até a de que "o pior da pandemia já passou e a economia está voltando forte", em novembro, a inconsistência e ausência de senso de realidade acompanham as declarações do ministro.
É comum Guedes alternar avaliações eufóricas, do tipo "a economia está com recuperação em V", com constatações do inverso, caso do "o Estado quebrou", gancho para, na sequência, lamentar que o brasileiro esteja querendo viver mais. Segundo Guedes, com isso, será impossível ao setor público atender à crescente demanda da população por saúde. "No futuro, o setor privado vai responder pela maior parte do atendimento na área da saúde no país", previu o ministro, quando, diferentemente, deveria indicar apoio ao indispensável SUS (Sistema Único de Saúde).
É mais do que sabido que estados não quebram, sobretudo aqueles, como o Brasil, que não carregam dívidas em moeda estrangeira sem cobertura. Na verdade, as limitações de gastos são dadas pelas escolhas políticas da sociedade.
Um país, como é o caso do Brasil, que prefere manter privilégios a grupos de interesse, mantendo isenções e subvenções fiscais em volume elevado, terá, é certo, mais dificuldades em atender a população, principalmente a mais carente. Idem, também como é o caso do Brasil, se prefere aliviar os tributos das classes de renda com maior capacidade de contribuição, taxando mais quem pode contribuir menos.
De qualquer maneira, a pandemia, que o governo do qual Guedes faz parte vem enfrentando de modo desastroso, está cuidando de atender aos desejos do ministro. Se não fosse absolutamente esdrúxulo, Guedes deveria comemorar as mortes causadas pelo covid-19. A pandemia vai fazer a expectativa de vida ao nascer do brasileiro recuar pela primeira vez desde 1940. Estudos com base no número de mortos de fins de 2020, apontam um recuo de quase dois anos na expectativa de vida média ao nascer do brasileiro.
A expectativa ao nascer do brasileiro evoluiu de 45,5 anos, em 1940, para 76,6 anos, em 2019. Segundo o economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social, "historicamente, a cada três anos, ganhamos um ano na expectativa de vida ao nascer, mas agora vamos perder em um ano o que levamos seis para conseguir".
Avanços sociais e econômicos explicam essa evolução positiva. Além dos progressos da medicina, a redução da mortalidade infantil, o acesso a saneamento básico e a uma alimentação regular, assim como a adoção de hábitos de vida mais saudáveis - o que reflete acesso mais amplo à educação - estão, entre outros, na base do prolongamento da vida das pessoas.
No Brasil, se a violência não fosse tão generalizada, principalmente na população jovem masculina, e se o trânsito fosse mais seguro, causando menos mortes, a expectativa de vida ao nascer do brasileiro seria ainda maior. Ainda maior também, sem dúvida, seria a pressão fiscal, com aumento nos gastos públicos com saúde e previdência pública.
Mas é escandalosamente imoral pretender conter pressões fiscais pela absurda ideia de eliminar os seres humanos que "causam" o problema. Imoral e incompetente, porque esse é parte do conflito distributivo que governos têm obrigação de moderar e conduzir a soluções equilibradas.
Conselho Curador da TV Cultura não pode tolerar o vitupério de Mainardi - Tereza Cruvinel
Por Tereza Cruvinel

Por Tereza Cruvinel
Há muito tempo a TV Cultura de São Paulo rompeu com os princípios que lhe proporcionaram o conceito de TV Pública. A subordinação de sua programação aos interesses políticos do PSDB vem de antes, mas agravou-se no governo Dória. E chegou ao fundo do poço com o deprimente espetáculo de vulgaridade protagonizado pelo jornalista Diogo Mainardi, que exige uma manifestação de censura do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta. Ou então, a renúncia de seus integrantes, por não ter o conselho a mínima serventia na preservação dos fundamentos da radiodifusão pública pelos quais deveria zelar.
Não conheço seu presidente, Fabio Luis Pereira Magalhães, mas o vice-presidente, Jorge Cunha Lima, é historicamente comprometido com a radiodifusão pública tal como deve ser entendida: um serviço prestado à sociedade, sob a supervisão dela, destinado a garantir a pluralidade e a diversidade na oferta de conteúdos, conferindo prioridade, em sua programação, aos de natureza informativa, educativa, artística, cultural e científica. Um serviço que, mesmo sendo financiado total ou parcialmente pelo Estado, deve guardar independência em relação ao próprio Estado e ao mercado. Por isso lhe são vedados o proselitismo político e a publicidade comercial. Há algum tempo a TV Cultura passou a veicular anúncios comerciais.
Mas foi na distorção da programação que os pecados mortais foram cometidos. Especialmente, na programação jornalística. Quando foi âncora do Roda Viva, Augusto Nunes, hoje um notório militante da extrema direita, fez do programa que foi símbolo do compromisso da emissora com o livre debate e a expressão da diversidade, fez dele um púlpito de pregações odientas, preconceituosas e políticamente alinhadas ao pior do conservantismo. Hoje lá está Vera Magalhães, que teve o desplante de vetar a participação de Lula, em resposta a uma campanha nas redes sociais para que ele fosse convidado. Ela se acha dona do espaço, confunde público e privado, evidência de completa ignorância sobre o que seja a comunicação pública.
A "compra" do programa Manhattan Connection, quando a Globonews o descartou de sua grade, no ano passado, foi outro ponto sacrílego. Após uma chuva de ataques dos bolsonaristas, a Fundação Padre Anchieta explicou o valor contratual de R$ 8 milhões com a produtora Blend Negócios Divulgação e Editoração Ltda: o valor era apenas uma estimativa. A Blend arcaria com todos os custos de produção, inclusive a remuneração dos profissionais envolvidos, a partir das cotas de publicidade que conseguisse captar para o programa. Pior ainda: trata-se de um modelo de terceirização canhestro, de um aluguel de horário que priva a emissora de responsabilidade pelo conteúdo. Assim fazem as emissoras comerciais que também alugam horários para grupos religiosos, numa transgressão legal que é tolerada cinicamente pelas autoridades do setor.
Mainardi, semeador de ódio e fundador do maccarthismo que se instalou em setores da imprensa brasileira a partir da posse de Lula, em 2003, extrapolou em sua vulgaridade no último programa. Invocando Olavo de Carvalho, mandou o convidado, o advogado Kakay, tomar naquele lugar. Isso porque o advogado, exercendo seu direito à liberdade de expressão, que supunha garantida numa emissora que se diz pública, defendeu o Estado de Direito e criticou o ex-juiz Sergio Moro por seus ilícitos na Lava Jato, já reconhecidos pelo STF em relação a Lula.
Se o Conselho Curador não se pronunciar diante de tal aberração, precisa renunciar, declarando que não tem mais o que fazer ali, pois a emissora deixou de ser pública, tornando-se estatal ou governamental, subordinada a uma diretoria que mantém na grade figuras como Diogo Mainardi.
Tribunal de Justiça de São Paulo afasta juiz que desdenhou da Lei Maria da Penha - Papo de Mãe
Órgão Especial do Tribunal de Justiça decidiu pela abertura de processo administrativo disciplinar e pelo afastamento do juiz das funções enquanto durar o processo.
Por Rodrigo Simon*
Em sessão realizada nesta quarta-feira (28), o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu pelo afastamento cautelar e pela abertura de Processo Administrativo Disciplinar contra o juiz Rodrigo de Azevedo Costa.

Reprodução de tela da audiência on-line de hoje do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Como mostrou reportagem do Papo de Mãe em dezembro do ano passado, em pelo menos 3 audiências da Vara de Família em São Paulo o juiz destratou mulheres e desdenhou da Lei Maria da Penha. “Se tem Lei Maria da Penha contra a mãe (sic), eu não tô nem aí. Uma coisa eu aprendi na vida de juiz: ninguém agride ninguém de graça”, declarou.
Na votação desta quarta-feira, os membros do colegiado acompanharam o voto do corregedor geral de Justiça de São Paulo, desembargador Ricardo Mair Anafe, que rejeitou a defesa do juiz, apresentada pelo advogado Julio Cesar de Macedo, decidindo pela abertura da investigação. Por maioria, determinaram também o afastamento do magistrado, nos termos do voto do presidente, Desembargador Geraldo Pinheiro Franco.
Em janeiro deste ano, por decisão do próprio Tribunal de Justiça, o juiz deixou a Vara de Família na Freguesia do Ó, na zona noroeste da capital paulista, e foi redesignado para auxiliar as varas de fazenda pública do Foro Central de São Paulo. Com a decisão do Órgão Especial, ele ficará afastado de suas funções até que o Processo Administrativo Disciplinar seja concluído. Neste período, ele continuará recebendo salário.
No decorrer da leitura de seu voto, que somou 55 páginas, o corregedor chegou a classificar de “surreal” algumas das declarações do juiz. No entanto, explicou que, por se tratar de um afastamento cautelar durante a apuração dos fatos, que estão gravados, sem possibilidade de Azevedo Costa influenciar testemunhas, não entendeu ser necessário o afastamento.
O presidente do TJ-SP e do Órgão Especial, desembargador Geraldo Pinheiro Franco, acompanhou o voto do Corregedor pela abertura do processo, mas acrescentou a necessidade de afastamento do magistrado. “Confesso que em mais de 40 anos de magistratura, eu nunca tinha presenciado um fato dessa gravidade”, declarou.
Os magistrados que se manifestaram a favor do afastamento também criticaram duramente as atitudes do juiz Rodrigo de Azevedo Costa.
Para o desembargador Francisco Antônio Casconi, o afastamento é necessário pelo fato do juiz “não reunir a menor possibilidade de continuar judicando”. O desembargador Luis Soares de Mello disse que a leitura do processo causou desconforto tal, a ponto de “causar incômodo estomacal”. Por fim, o desembargador Antonio Celso Aguilar Cortez disse ter chegado a se questionar se, durante as audiências, o juiz Rodrigo de Azevedo Costa “gozava de plenas capacidades de suas condições mentais”.
O Orgão Especial do TJ-SP terá agora 140 dias para concluir o Processo Administrativo Disciplinar. O prazo pode ser prorrogado.
As penas disciplinares previstas pelo Conselho Nacional de Justiça são: advertência, censura, remoção compulsória, disponibilidade e aposentadoria compulsória.
*Rodrigo Simon, jornalista
Entenda o caso da denúncia feita pelo Papo de Mãe
Na noite da última quinta-feira, o Papo de Mãe publicou reportagem revelando a conduta de um juiz numa audiência de Vara de Família em São Paulo. Sem levar em consideração que um das partes é vítima do ex-companheiro num inquérito que apura violência doméstica, o juiz afirmou que não está nem aí para a Lei Maria da Penha e fez outras afirmações inaceitáveis. Veja abaixo algumas transcrições de momentos retirados da audiência, que durou 3 horas e meia.
Juiz : “Vamos devagar com o andor que o santo é de barro. Se tem lei Maria da Penha contra a mãe(sic) eu não tô nem aí. Uma coisa eu aprendi na vida de juiz: ninguém agride ninguém de graça”. (Advogadas tentam interromper e ele não deixa)
Juiz : “Qualquer coisinha vira lei Maria da Penha. É muito chato também, entende? Depõe muito contra quem…eu já tirei guarda de mãe, e sem o menor constrangimento, que cerceou acesso de pai. Já tirei e posso fazer de novo”.
Juiz : “Ah, mas tem a medida protetiva? Pois é, quando cabeça não pensa, corpo padece. Será que vale a pena ficar levando esse negócio pra frente? Será que vale a pena levar esse negócio de medida protetiva pra frente?
Juiz : “Doutora, eu não sei de medida protetiva, não tô nem aí para medida protetiva e tô com raiva já de quem sabe dela. Eu não tô cuidando de medida protetiva.”
Juiz: “Quem batia não me interessa”
Juiz: “O mãe, a senhora concorda, manhê, a senhora concorda que se a senhora tiver, volto a falar, esquecemos o passado….”
Juiz: “Mãe, se São Pedro se redimiu, talvez o pai possa…..”
F.: “Eu tenho medo”
(vamos lembrar aqui que F. já sofreu violência doméstica e o juiz insiste numa reaproximação dela com o ex)
Juiz: “Ele pode ser um figo podre, mas foi uma escolha sua e você não tem mais 12 anos”
(No trecho acima, ele insinua mais uma vez culpar a vítima pelas agressões sofridas, reafirmando a declaração de que “ninguém apanha de graça”)
Entenda por que união entre Americanas e dona do Submarino acirra disputa no comércio eletrônico

RIO - As Lojas Americanas S.A. e a B2W anunciaram na noite desta quarta-feira a fusão das suas operações, que dará origem à nova empresa americanas s.a. A informação foi adiantada pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim. Numa segunda etapa, a controladora do grupo varejista terá ações negociadas nos Estados Unidos.
De acordo com analistas de varejo, a união das duas empresas é vital para crescer em um segmento que vem ganhando cada vez mais competição, com o avanço de rivais como Amazon, Magazine Luiza e centenas de sites de comércio eletrônico.
A fusão já foi aprovada pelos conselhos de administração das duas empresas e será votada nas assembleias gerais extraordinárias no dia 10 de junho.
De acordo com o comunicado enviado pelas companhias à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a união das duas empresas, que têm ações negociadas na Bolsa de Valores (B3), será dividida em duas fases. Na primeira, os ativos operacionais das Lojas Americanas serão incorporados pela B2W.
A Americanas é atualmente a controladora da B2W. Sua incorporação pela varejista on-line reflete o crescimento da importância do comércio eletrônico para o grupo.
Como a atual B2W, a nova empresa seguirá listada no Novo Mercado, nível de maior governança da Bolsa de São Paulo (B3), e vai reunir as operações de varejo físico e digital, além dos ativos de logística e soluções financeiras. A ação da B2W (BTWO3) passa a ser AMER3.
Listagem nos EUA a partir da Lojas Americanas
Além da nova empresa americanas s.a., a antiga Lojas Americanas vai continuar existindo. A partir dela, na segunda etapa da operação, será criada um veículo de investimentos no exterior para listagem nos Estados Unidos, que se chamará Americanas Inc.
Isso porque é na antiga Lojas Americanas que está as participações acionárias do trio de investidores que controla o grupo varejista: Joge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira.
Uma fonte do setor lembrou que a combinação das duas empresas vai permitir que a nova companhia consiga ter fôlego para aquisições, a exemplo do que vem sendo feito pela Magazine Luiza desde o ano passado.
Em comunicado, o grupo disse que a ida ao exterior tem como "objetivo elevar a história de investimento da companhia para um patamar global e promover o alinhamento estratégico de longo prazo com os acionistas".
Fabio Abrate, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da B2W Digital, disse que a combinação dos negócios cria um "poderoso" motor de fusão e aquisição.
— Vamos listar a Lojas Americanas nos Estados Unidos na Nyse ou na Nasdaq como veículo de investimento para atrair investidores com cabeça de mais longo prazo.
Segundo ele, o o objetivo das companhias combinadas é conseguir atender ao cliente de forma mais rápida e conveniente. Ele citou ainda o apetite por fusões e aquisições:
— Com os dois negócios combinados, esse motor de fusões ganha celeridade maior. Fica mais fácil de mapear potenciais ativos e integrar esses ativos numa companhia combinada. Um dos objetivos da combinação é acelerar a frente de fusões e aquisições.
Além de formar uma varejista com forte presença física e on-line, capaz de enfrentar a concorrência de gigantes como Magalu e Via Varejo, a possibilidade de ter a holding Americanas Inc listada nas bolsas dos Estados Unidos é outro ponto positivo da fusão, na avaliação de Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.
Segundo ele, o mercado norte-americano vem pagando prêmios elevados e com frequência “até estável” para empresas de e-commerce, tecnologia e fintechs, que é o que o grupo vai apresentar.
Americanas já controlava B2W
A B2W é atualmente controlada pelas Americanas, com 62,5%. A varejista on-line vem ganhando maior importância com a digitalização do setor, acelerada pela pandemia.
Juntas, as empresas possuem uma rede de cerca de 1.700 lojas físicas em 750 cidades do país e um marketplace online com mais de 87 mil vendedores.
O consultor Antonio Cesar Carvalho, sócio-diretor da ACOMP Consultoria e Treinamento, destacou que a união vai gerar muitas sinergias devido ao modelo de gestão e negócios das empresas, permitindo redução de custos, aumento da capilaridade, melhorias na logística, no marketing e na experiência do consumidor.
— Além disso, facilita a captação de novos recursos na Bolsa, ao encorpar a empresa principal, permitindo fazer frente de forma mais ostensiva à concorrência. Como se tudo isso fosse pouco, é uma tendência atual e que temos implantado nos nossos clientes, com a integração do comércio físico com o virtual — disse Carvalho.
Ulysses Reis, da Fundação Getulio Vargas (FGV), reforça que a união das empresas vai melhorar a produtividade e reduzir os custos de gestão e distribuição. Segundo ele, a pandemia do coronavírus acelerou o processo de digitalização das empresas, uma vez que o consumidor, que passou a ficar mais tempo em casa, exige hoje uma entrega mais rápida.
— E esse movimento de digitalização por conta da pandemia continua neste ano. As empresas precisam ser mais eficientes para atender ao consumidor mais exigente. A tecnologia hoje permite que todas as operações de lojas físicas e virtuais operem juntas, aumentando o controle da operação. Essa combinação permite soluções logísticas como comprar na internet e pegar na loja, por exemplo — citou Reis.
Papéis podem subir na quinta-feira
Para Esteter, os efeitos da fusão deverão ser sentidos nesta quinta-feira na Bolsa, com a possibilidade de altas acima de dois dígitos. Segundo ele, o mercado vê com bons olhos a operação, que pode elevar a eficiência da companhia, com redução de custos para as empresas na integração das operações, além de ganho de escala em diferentes frentes.
— Quando saiu a notícia de que havia a possibilidade de união dos negócios, em fevereiro, a gente viu os papéis disparando duplos dígitos. E hoje vimos uma performance sólida, com a B2W subindo 2%, a Americanas subindo entre 2% e 3%, mas é difícil dizer que houve uma antecipação, apesar de ter sido um dia positivo. Talvez na quinta-feira a gente veja um movimento mais agressivo.
Bruno Ozelame, sócio e estrategista de alocação da Ável Investimentos, ressalta que como o movimento não foi exatamente uma surpresa para o mercado, dificilmente as ações das empresas irão repetir a alta de mais de 20% que foi observada na Hering (HGTX3) nesta semana, após o anúncio da incorporação pelo Grupo Soma (BVMF), que não era esperada.
— Deve gerar valor, sim, mas a princípio não deve ter um impacto tão forte, já que a notícia já havia sido antecipada pelo mercado — afirma.
Além do acordo desta quarta-feira, as Lojas Americanas também já vêm acelerando processos de fusões e aquisições. A rede celebrou um acordo com a BR Distribuidora para operar as lojas nos postos de combustíveis. As duas empresas estão criando uma nova companhia. Há alguns dias, a Americanas anunciou a compra de 70% das ações do Grupo Uni.co, dono das marcas Puket, Imaginarium, MinD e Lovebrands.
Pilha foi espancado e torturado na prisão

[...]
Enquanto esteve na Polícia Federal prestando depoimento, Pilha foi tratado de forma respeitosa, mas ao chegar no Centro de Detenção Provisória II, área conhecida como Covidão, em Brasília, alguns agentes já o esperavam perguntando quem era o petista.
A recepção de Pilha foi realizada com crueldade.
Ele recebeu chutes, pontapés e murros enquanto ficava no chão sentado com as mãos na cabeça.
Enquanto Pilha estava praticamente desmaiado, o agente que o agredia, e do qual a família e advogados tem a identificação, perguntava se ele com 43 anos não tinha vergonha de ser um vagabundo petista.
E dizia que Bolsonaro tinha vindo para que gente como ele tomasse vergonha na cara.
Na cela, Pilha foi recebido pelos outros presidiários com solidariedade e respeito.
Mas durante à noite esses mesmos agentes foram fazer uma blitz na cela e deixaram todos pelados e os agrediram a todos com chutes e pontapés.
Com Pilha, foram mais cruéis.
Esparramaram um saco de sabão em pó na sua cabeça, jogaram água e depois o sufocaram com um balde.
Todos foram avisados que estavam sendo agredidos por culpa de Pilha.
Do petista que não era bem-vindo na cadeia.

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