GERAL XXXII

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PF intima Sônia Guajajara por críticas à política indigenista do governo jair Bolsonaro
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Exército protege capitão do Riocentro há 40 anos
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Freixo:
Paulo Guedes é o Ricardo Salles da economia e veio para destruir
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"Bolsonaro oferece 400 mil mortos ao lúmpen-milicianato"
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Lula defende mais filhos de porteiros na universidade e menos figuras como Paulo Guedes no poder
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O apodrecimento do governo Bolsonaro
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Prisão de Assange abala discurso de liberdade de imprensa do Reino Unido, diz chefe do WikiLeaks
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'Guedes é um escravocrata, remanescente do Brasil censitário'
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A morte é festa no Brasil de Bolsonaro - Tales Ab’Sáber

Por Tales Ab’Sáber

Por Tales Ab'Sáber

I

Quem leu Freud pensando sobre grupos sabe como o líder, quando está no lugar do “ideal do eu”, uma das dimensões do “superego”, tem poder de hipnotismo sobre o grupo massivo que domina. Isso significa apenas que, com pouca mediação, o líder fala o próprio eu do seu fiel fascista. Se o líder no poder diz exterminem os judeus como baratas por não serem humanos, o grupo produzirá com ele câmaras de gás para matar pessoas. Se o líder diz tomem um remédio ineficaz, que pode matá-los, o grupo toma feliz a cloroquina com efeitos adversos, que pode matá-lo. Se o líder diz, não usem máscara que ela significa a sua opressão, o grupo se revolta animado contra a máscara. Se o líder diz, sigam a vida sobre a peste como se nada tivesse acontecendo, o seu grupo vai pra rua, pro boteco e pra balada, dançar e beber até o fim do mundo sobre a peste, como se nada tivesse acontecendo…

Freud é odiado por cientistas políticos convencionais, que desdenham da natureza psíquica do poder, por ter mostrado que o fascismo é uma subjetivação desejante, uma estrutura irracional humana de desejo do poder e de submissão, uma modalidade política gerenciada técnica e historicamente de sadomasoquismo. O fascismo é o ultrapassamento, pelo desejo do poder concentrado em um mais guerra aberta contra outros, de todo compromisso de racionalidade na política. E Freud foi o primeiro a dizer isso, e não o seu discípulo Reich, que deu continuidade à sua análise do princípio do fascismo, muito destacado por Deleuze e por Guattari, que queriam ultrapassar Freud, exatamente como aquele que teria dito que o fascismo foi desejado. Foi Freud quem demonstrou que o fascismo é desejo, que corresponde a formas inconscientes da realidade psíquica. Existem formas psíquicas para o fascismo, disse Freud, que podem ser acionadas historicamente em certas circunstâncias, e isso aumenta imensamente o sentido do trabalho da civilização e da política em se comprometer com o sentido radical do trabalho humano contra a violência, em nossa própria formação como sujeitos.

Bolsonaro, como grande fascista que é, necessita da morte e do extermínio do outro como contraponto e como ponto de fuga de sua política. Se não pode matar ativamente, como um dia disse que faria e como fez o ditador latino americano Pinochet que ele tanto admira, ele o faz por decisão de eximir o governo de responsabilidade, e de governo, diante de uma pandemia global mortal. Não existe fascismo sem um plano necessário de assassinato em massa. O que foi feito no Brasil é que as imensas pulsões destrutivas do bolsonarismo, não podendo destruir inteiramente tudo o que desejam – a esquerda, as representações minoritárias, as universidades, os artistas, os direitos civis… – transbordaram para destruir toda a sociedade.

Bolsonaro ordenou explicitamente às pessoas em 2020 que não usassem máscaras, que tomassem remédios falsos e que se expusessem com satisfação ao vírus. Fez campanha política aberta, pública, contra a vacina, entendida em sua patologia política como “arma do inimigo”. E nós vimos essa política afirmativa da destruição da vida, por perversão e ignorância, que no caso são uma coisa só, acontecer em tempo real no país. Ele condenou à morte dezenas de milhares de brasileiros, que, apaixonados por ele ou inconscientes do seu vínculo amoroso com ele, fizeram a política suicida que ele necessita. A morte de um povo por amor, sem pensamento, ao seu líder fascista.

II

Também há um outro grande hipnotizador de pessoas, de grupos e de massas que se expuseram ao vírus com prazer durante as festas de fim de ano de 2020, e em janeiro e no carnaval de 2021 no Brasil. Se trata do próprio empuxo da vida encantada da mercadoria e do consumo, a inércia do movimento e do apego do desejo a uma forma e a um modo de viver, biopolítica reforçada a cada segundo e a todo instante – uma relação entre os homens, e deles frente o valor das coisas que se produzem entre eles: o fetichismo da mercadoria.

Como sabemos desde Adorno e de Horkheimer, toda a formulação e expressão do mundo industrial da cultura é, em seu fundamento – o seu próprio inconsciente coletivo formado, produtivo e socialmente comprometido com a lógica geral da acumulação –, um imaginário geral de celebração festiva e de aceitação daquilo que existe. Anticrítico por natureza, o mundo criado pela indústria cultural universal tem por princípio essencial a lógica de que “tudo o que existe é bom”. E tudo o que se deseja, ao se viver assim, é celebrar, festejar e gozar o que existe, ter acesso às coisas e à sua felicidade, verdadeira ou falsa, tanto faz. O princípio é o da cultura afirmativa, sempre positiva, a vida alavancada como ela é e a favor de tudo o que é, como dizia Marcuse.

O mundo do consumo como subjetivação é isso. Neste sentido, Bolsonaro não precisou de muito trabalho e de nenhuma energia especial para empurrar pessoas para viverem aquilo que, contra a real realidade da doença e da morte, elas de fato queriam viver. Entre o líder fascista, sua lógica cruel anti-humanista neoliberal, que deseja desresponsabilizar o governo do trabalho coletivo e social, e a ordem comum e repetitiva dos gozos contínuos do mercado e da imagem mercadoria comum no mundo, há também uma continuidade eletiva forte. O mercado que se celebra em cada compra e em cada venda de uma ilusão qualquer é também extamente o mesmo que faz o elogio de um mundo sem governo, sem compromisso social e com o trabalho, ou qualquer coisa que exista para além da mercadoria, do dinheiro e de si próprio.

homogeneidade cultural de massas, e seu gozo planejado, prepara a homogeneidade política; esta frase de Adorno e Horkheimer dos anos 1940 foi a primeira percepção forte dos elementos fascistas presentes no interior do próprio mundo do mercado dito liberal, seu sistema geral de excitações e circulações de imagens e seu reality show. Ela apontava para a emergência totalitária da vida de todos como agentes culturais exclusivos de mercado, o neoliberalismo por vir, da escola de Chicago, de Guedes e de Bolsonaro, como algo que sempre esteve presente no mercado de massas. De fato, no grande isolamento de 2020 muitos adoeceram pela perda de suas práticas de vida, o ambiente geral da vida na cidade da mercadoria. Ficou famosa na internet a imagem impressionante de milhares de pessoas, de todas as idades, famílias inteiras, fazendo fila para entrarem no shopping center reaberto, após um período de isolamento social para a proteção da vida. Elas cumpriam um ritual, de culto ao seu único e verdadeiro deus, indizível, a coisa na loja e a cidade para as coisas, o shopping center.

As pessoas não querem de volta uma vida qualquer, tanto quanto são totalmente incapazes de refletir no tempo de silêncio e do esvaziamento de sua atuação geral no mundo do espetáculo como vida. Elas querem de volta o shopping apinhado com as coisas e sua vulgaridade cultural gritante, de choque, os entrepostos globalizados que dão destino ao circuito mundial da produção, em escala planetária. Elas querem de volta a mesma ordem de produção, recusa de sentidos e da alteridade de mundos e razões ambientais, que gerou mesmo o vírus pandêmico, o primeiro sintoma universal da crise impensável do mundo da mercadoria, o Capitalismo, de nosso tempo.

Antes da crise econômica global de 2008, gerada, com se sabe, pelos terroristas milionários do mercado financeiro de Wall Street, que desorganizou grande parte dos circuitos mundiais de apostas e de produção de valor, existiu uma grande festa jovem, excitada e excessiva, que não podia parar. Era a “república mundial” da noite eletrônica, com meca em Berlin, que convocava a juventude hedonista do tempo e a antiga contracultura jovem para um mesmo espaço maníaco de agitação e gozação permanentes. Aquela ação e sujeitos que existiam para a diversão conspícua não podia parar nem de noite nem de dia. Dançando e gozando sem parar, ela criava zonas de esperas existenciais como consumo de prazer industrializado liberado, o novo estatuto da música e das drogas no mundo, que mantinha jovens ao mesmo tempo celebrando a festa do tempo presente e encenando esteticamente a sua ruína, também onipresente, como verdadeiros punks de butique globais. Entre a ausência de emprego, a oferta mundial de imagens, informação e gozos das infinitas coisas geradas pelo tempo do mundo, e a vida toda deslocada para as micro-telas da internet pessoal global, a solução de compromisso social passou a ser celebrar permanentemente, se agitar sem parar, ser feliz por compulsão, vencendo a sociedade do cansaço pelo prazer do excesso, noite e dia, dia e noite. Forçava-se o gozo, com a pulsação da música eletrônica como dispositivo de um corpo em êxtase e suas drogas sintéticas, tomadas em escala industrial, para nos convencer, agora colonizando o afeto e deformando o sonho, que o mundo é bom. O êxtase mundial da subjetivação da balada eletrônica encontrava sua sociologia na ideia de produzir sem parar, sem silêncio, intimidade ou pensamento, sobre a ruína universal do mundo do trabalho e das guerras do poder de produção dos refugiados mundiais, que aqueles jovens conheciam bem.

Como eu disse em outro momento – em um livro que aprofunda o estudo da estética maníaca da afirmação do prazer como indústria, e da recusa performática do terror como estratégia de sobrevivência, A música do tempo infinito, (Cosac e Naify, 2014) –, esta tendência de ocupar o desejo com os objetos técnicos pulsantes do tempo, música eletrônica, massa imaginária pulsante na internet e drogas sintéticas e recreativas, tendia a dissolver os limites entre dia e noite – sono, sonho, despertar e pensamento –  em um novo estatuto de subjetivação, de transe técnico, festa contínua a favor de tudo o que existe. Bem como, com outra perspectiva da mesma coisa, o professor de arte e teoria em Columbia, Jonathan Crary, nos deu a ver, no mesmo momento, em seu 24/7 Capitalismo tardio e os fins do sono. Como se sabe, um dos efeitos do isolamento social e da recolha histórica das pessoas em casa do ano de 2020, foi o imenso e generalizado sono. Ao avesso do mundo explosivo e massivo de uma agitação permanente, cujos circuitos mundiais das baladas eletrônicas sem fim foram um dos campos de imanência e apresentação, as pessoas reestabeleceram durante o isolamento o tempo  regressivo do corpo, pessoal e inconsciente, do sono e do sonho. O que pressupõe o privilégio de classe de se ter casa, cama, um cuidado básico e um tempo livre, sem a invasão da produção, para se poder dormir, e dormindo, sonhar. Da agitação maníaca de um mundo em crise, que dança sobre o abismo da sua própria destruição, os homens – a quem foi permitido por acaso de classe –  recuaram ao tempo indefinido e silencioso do sono, do inconsciente esparramado sobre o ser e sobre o mundo e da agitação secreta da metafísica  do sonhar– a realização poética, narrativa, cinematográfica, imanente ao sonho. Dormiram e sonharam, para poder despertar de um pesadelo social muito mais profundo. O sonho, que pressentia mesmo o contato com a peste, dizia Artaud. A peste, que é o mundo.

Quem se atirou às festas, e hoje morre sozinho de modo cruel às portas de uma UTI em caos, não suportou retornar à política do sono e do sonho, da sustentação de condições para o sono e da necessária intimidade do sonho, e seu necessário segredo, ou mistério. Como a mercadoria global em febre e festa permanente, estas pessoas também precisaram gozar na exposição dos corpos como objetos para a visão do outro, e na fantasia, própria ao capital, de que tudo o que existe nesse mundo, que se produz assim, necessita ser celebrado, até o fim.

III

Assim Bolsonaro e seu senso comum grosseiro sobre a vida conservadora sobre o capitalismo tardio, essa tentativa de reafirmação de ilusões perdidas de poder imaginário de classe e do poder comum do mercado como tudo o que importa no mundo, está simplesmente a favor do que muitos internalizaram como sendo a verdade natural da máquina do mundo, seu desejo de mundo. O hipnotismo do líder ganha poder ao confirmar o desejo de todos de que o mundo não pare e não tenha parado, e que podemos prosseguir nosso compromisso com a sua reprodução infinita, gozando ilimitadamente o regime geral da mercadoria, o que de fato se adora. No entanto, entre o amor ao líder e o gozo da celebração do mercado espetacular como a própria natureza humana, há um elemento especial que Bolsonaro põe em cena, para a tragédia do genocídio à brasileira, que nos é praticamente único. Um campo de sentidos reacionários fortes e muito violentos, de longa duração e tradição, que diferencia o espaço social constituído desde a história do Brasil de toda ordem de leitura moderna, científica ou crítica, de uma grande comoção e risco social como vivemos.

Só há algo semelhante ao que o Brasil realiza como maquinaria biopolítica exclusiva nos Estados Unidos de supremacistas brancos de Donald Trump. Um país que também, como aqui, condenou centenas de milhares de americanos à morte, pelo sadismo objetivo de uma cultura em que o direito à saúde não é universal, pela arrogância negacionista narcísica de seu líder, apoiado em seus grupos de extrema direita, cujo poder pressuposto e caprichoso era mais importante do que a vida de seus concidadãos.

O ponto de força histórica para a política da morte é o seguinte: não por acaso EUA e Brasil foram os dois grandes países americanos de colonização europeia – um branco, modernizado e protestante, outro branco, de tipo ancien régime e católico – que se formaram com e através da escravidão colonial ativa, como própria forma de produzir riqueza e sociedade, em seus próprios territórios nacionais. No entanto, lá, hoje, não exatamente como aqui, forças sociais de responsabilidade, de técnica, de ciência e de compromisso coletivo se organizaram para combater e vencer o seu sintoma neofascista, neo-escravocrata eu diria, constelado no líder mentiroso e descomprometido com tudo que não seja ele próprio. Aqui temos muitas dúvidas sobre nossas pulsões de vida políticas, aquelas que unem, que agregam, que reconhecem as partes e ampliam a capacidade de pensar o que é comum.

De todo modo, apenas em um país de origem escravista – desde a ordem colonial secular mundial, europeia – um governo e parte importante da sociedade pode dispor de uma outra parte do país para o seu desprezo radical de qualquer natureza de direito comum, até o direito à vida. Só em um país de longa formação escravista uma pequena parte da sociedade, ligada a classes médias que gozam com a própria servidão, senhores do dinheiro que não reconhecem nenhum país e uma cultura radical do autoritarismo, de religiosos e de militares, um grupo cindido da trama de direitos comuns e universais e da mediação científica para o problema global, pode decretar, como política de Estado, que a população se contamine, adoeça e morra, de modo aleatório mas certo.

O neofascismo brasileiro é alimentado inconscientemente pela profunda tradição reacionária, colonial escravocrata, luso monarquista, que cindiu nação de sociedade, riqueza e trabalho escravizado, nas raízes do país. Bolsonaro, capitão do mato do Brasil escravocrata estendido ao agora, tratou os brasileiros exatamente como os senhores e seus agregados do século XIX imperial tratavam o trabalho no país: “vocês só tem valor instrumental para a riqueza que geram, para os outros, e nem um direito a mais”. Se morrerem, é mesmo esse o seu destino. Escravo foi feito para trabalhar, gerar riqueza para o senhor, e depois morrer. Ou seja, não existir nem custar nada à sua “sociedade”, que não lhe pertence de nenhum modo, cindida de todo reconhecimento dos seus direitos e da sua vida. “E daí?”, exclama Bolsonaro rindo excitado frente a sua claque do curralzinho, em uma cena retirada de O bandido da luz vermelha de Rogério Sganzerla (1968), sobre a morte planejada e desejada de centenas de milhares de brasileiros.

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Freixo: Paulo Guedes é o Ricardo Salles da economia e veio para destruir

247 – "Paulo Guedes não é caricatura, ele é a cara do bolsonarismo: cinismo, dogmatismo, rapinagem, repulsa pelos mais vulneráveis. Guedes é o Ricardo Salles da economia. Ambos traduzem a essência desse projeto de poder que não quer construir nada, somente destruir", postou o deputado Marcelo Freixo, em suas redes sociais (Psol-RJ), ao saber que ele criticou a presença de "filho de porteiro" na universidade. Saiba mais sobre o caso:

Depois de insultar a China, dizendo que “chinês inventou o vírus”, e de dizer que brasileiros estavam querendo viver demais e chegar aos 100 anos, o ministro Paulo Guedes, da Economia, deu mais uma declaração estúpida, que provocaria sua demissão imediata em qualquer país minimamente sério, ao reclamar da entrada de “filho de porteiro” em universidade.

Sem saber que era gravado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, reclamou que o governo federal deu bolsas em universidades para “todo mundo” por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), aponta reportagem do Estado de S. Paulo, assinada por Mateus Vargas. “Guedes disse que o filho do seu porteiro foi beneficiado mesmo após zerar o vestibular, ainda que o programa tenha exigências de nota mínima para aprovar o financiamento”, relata o repórter. Para o ministro, o Fies foi um “desastre” que enriqueceu meia dúzia de empresários. 

As falas de Guedes foram feitas em reunião do Conselho de Saúde Suplementar (Consu), na terça-feira, 27. “O porteiro do meu prédio, uma vez, virou para mim e falou assim: 'Seu Paulo, eu estou muito preocupado'. O que houve? 'Meu filho passou na universidade privada'. Ué, mas está triste por quê? 'Ele tirou zero na prova. Tirou zero em todas as provas e eu recebi um negócio dizendo: parabéns, seu filho tirou...' Aí tinha um espaço para preencher, colocava 'zero'. Seu filho tirou zero. E acaba de se endereçar a nossa escola, estamos muito felizes”, disse Guedes.

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Reinaldo Azevedo: "Bolsonaro oferece 400 mil mortos ao lúmpen-milicianato"

Ato da ONG Rio de Paz para lembrar as mortes pela Covid-19. 11/06/2020

247 - "A instalação da CPI da Covid mexe com os bofes de Jair Bolsonaro. Agride o seu senso de onipotência —injustificado segundo um crivo objetivo, mas compreensível se visto por lentes clínicas. O golpista de primeira hora, que nunca precisou de comissão de inquérito ou de oposição organizada para pregar o rompimento da ordem —como provam os atos antidemocráticos que patrocinou já em 2019—, não aceita que sua obra seja questionada. Os, até agora, mais de 400 mil mortos são o seu grande legado ao lúmpen-milicianato que o aplaude", escreve o jornalista Reinaldo Azevedo na Folha de S.Paulo.

"Ao não arredar um milímetro das posições as mais estúpidas e reacionárias, que muitos enxergam danosas e contraproducentes para seu próprio futuro político, Bolsonaro age com cálculo. Ele deu voz a esse público que existia nas sombras; que se esgueirava nos escuros da história; que se acoitava nos desvãos nunca visitados —não de modo suficiente ao menos— pela teoria política".

"Bolsonaro pode não saber exatamente o nome do que pratica —embora viva cercado de alguns que o sabem—, mas já percebeu ter um público cativo —em mais de um sentido. O que um olhar objetivo e crítico apontaria como um tiro no pé é precisamente a seiva, vertida como fel, que plasma em eleitorado os ódios que ele açula e alimenta. E, por essa razão, o presidente não desiste nem recua nunca". 

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Lula defende mais filhos de porteiros na universidade e menos figuras como Paulo Guedes no poder

Lula e Paulo Guedes

247 - O ex-presidente Lula defendeu, via postagem de sua equipe no Twitter, que mais filhos de porteiros entrem nas universidades e menos figuras como Paulo Guedes ingressem para a política.

A postagem rebate à declaração do ministro da Economia, que reclamou que “filho de porteiro com nota zero no vestibular" conseguia entrar em faculdade com bolsas do Fies durante os governos do PT. Para ele, o Fies foi um “desastre” que enriqueceu meia dúzia de empresários.

“Por mais jovens como Ricardo e menos homens como Paulos Guedes”, postou Lula, em resposta a um internauta chamado Ricardo Silvestre. 

O post do internauta - que se define como “publicitário, especialista em mídia digital, agente de influenciadores e creators pretos, speaker, consultor e fundador da Black Influence” - dizia: “Felizmente um dos filhos de porteiro e empregada doméstica sou eu, que pude estudar pela existência dos programas sociais do governo Lula”.

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O apodrecimento do governo Bolsonaro - Aloizio Mercadante

Por Aloizio Mercadante

Uma das faces mais cruéis do governo Bolsonaro é completa falta de solidariedade, a ausência da capacidade de se colocar no lugar do próximo e a carência de entendimento das aflições humanas. Até pouco tempo, era inimaginável pensar que mais de um ministro e generais de quatro estrelas teriam que se vacinar escondidos. Também era impensável que um ministro pudesse reclamar que o filho do porteiro chegou à universidade ou que uma empregada doméstica conseguiu viajar para a Disney. 

Essas declarações e essas atitudes dão a medida do grau de degradação civilizatória a que chegou o governo Bolsonaro. São atitudes típicas de um governo obscurantista que aprofunda a divisão e o sectarismo do povo brasileiro e que se mostra cada vez mais autoritário frente a completa incapacidade de apresentar soluções para o país. Um governo cada vez mais pressionado pelo seu fracasso, que perde apoio popular e aumenta sua rejeição rapidamente. Um governo que está em processo acelerado de apodrecimento. 

A educação é o passaporte para o futuro do Brasil. Entre as conquistas que tenho mais orgulho de ter participado em minha vida pública estão a ampliação da rede de Universidades e dos Institutos Federais de Educação e a aprovação da Lei de Cotas. Assegurar um acesso diferenciado para os estudantes das escolas públicas, os filhos da pobreza, negros e indígenas mudou a história da educação pública brasileira.  

O ProUni e a reformulação do Fies também foram fundamentais para abrir oportunidades para cerca de 16 milhões de estudantes que já tinham concluído o ensino médio, mas que não acessaram a educação superior. Foram, junto com a completa reformulação do Enem, um conjunto articulado de políticas públicas educacionais, que contribuíram para que os mais pobres e as minorias, historicamente excluídos do processo de desenvolvimento, tivessem a oportunidade de sonhar e  de viver um futuro melhor. 

Antigos preconceitos, como o argumento de que as políticas de acesso diferenciado ao ensino superior iriam comprometer a qualidade das nossas universidades já ruíram. Estudos diversos e rigorosos apontam que o desempenho de cotistas nas universidades públicas e dos alunos do ProUni, por exemplo, é similar ao dos demais estudantes não cotistas. Os estudantes do Fies ainda possuem um desempenho um pouco inferior. 

O resultado dessa opção política de enfrentar a desigualdade é que, em 2015, 35% dos participantes do Enade foram os primeiros das suas famílias a concluírem o ensino superior. Além disso, em 2020, pela primeira vez na história os negros passaram a ser maioria em nossas universidades. São mudanças intergeracionais e estruturais na educação superior brasileira. 

O Brasil é muito maior do que essa visão elitista, atrasada, preconceituosa, obscurantista e de estado mínimo, que está no centro da política neoliberal, defendida por Guedes e Bolsonaro e que fracassou em todo o mundo. Já provamos que, com gestão qualificada e com o compromisso de governar para todos, mas especialmente para os que mais precisam, é possível combinar estabilidade econômica, crescimento sustentado, paz, justiça social, orgulho, soberania nacional e projeção e respeito internacional.   

Não tenho dúvidas que, em breve, o Brasil se reencontrará com sua verdadeira vocação e com uma cultura de paz e de solidariedade e com a justiça social. Sigo acreditando, lutando, sonhando e, como diria o grande professor Paulo Freire, esperançando que um país de todos e para todos é possível. 

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Russos mostram prova de que governo Trump pressionou e conseguiu que Bolsonaro vetasse a vacina Sputnik V

Donald Trump, Sputnik V e a Anvisa

247 - Uma mensagem postada no perfil que tem o nome da Sputnik V, vacina desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, afirmou que governo Jair Bolsonaro foi pressionado por Trump e concordou em vetar o imunizante russo. "No relatório anual de 2020, o US Dep. Of Health confirmou que 'persuadiu o Brasil a rejeitar a vacina russa COVID-19'. Os esforços para minar as vacinas são antiéticos e estão custando vidas", disse a postagem.

A fabricante da vacina Sputnik V afirmou, nessa quinta-feira (29), que está iniciando uma reclamação legal por difamação contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil por espalhar informações falsas sobre o o imunizante russo.

A entidade brasileira decidiu não recomendar a aplicação da Sputnik V sob o argumento de que a vacina e contém vírus replicante (adenovírus capaz de reprodução, ou RCA), mas não chegou a fazer os testes necessários para barrar a importação do imunizante

Na última terça-feira (27), a Sputnik V desafiou a Anvisa para um debate público sobre a vacina russa, por causa de "afirmações incorretas e enganosas" da agência. 

Estatísticas da pandemia

A má condução do governo Bolsonaro para negociar a importação da vacina russa vem num ritmo preocupante. De acordo com o portal G1, o brasil demorou 149 dias para chegar as 100 mil mortes por Covid-19 e 152 dias para sair dos 100 mil para os 200 mil óbitos. Em apenas 76 dias o País chegou a 300 mil e, depois, em 36 dias atingiu a marca dos 400 mil. 

De acordo com a plataforma Worldometers, que disponibilizado números globais sobre a pandemia, o País registrou, até esta sexta-feira (30) 401 mil mortes por Covid-19, a segunda maior quantidade do mundo, atrás dos Estados Unidos (589 mil). 

O Brasil contabilizou, até o momento, o terceiro maior número de infectados pelo coronavírus (14,5 milhões), atrás de Índia (18,7 milhões) e EUA (33 milhões). 

Nessa quinta-feira (29), o número de pessoas vacinadas com pelo menos uma dose contra a Covid-19 no Brasil chegou a 31.208.111, o que representou 14,74% da população total. 

Críticas duras vindas do exterior

Em debate nessa quinta-feira (29) no Parlamento Europeu, o eurodeputado espanhol Miguel Urban Crespo afirmou que "é um perigoso para o mundo todo e o povo brasileiro não merece". 

Segundo Anna Cavazzini, deputada alemã do Partido Verde,  a pandemia no Brasil "é uma tragédia provocada por decisões políticas deliberadas". 

Também numa referência ao Brasil, a eurodeputada Katalina Cseh, da Hungria, disse que Bolsonaro "optou por ser parte do problema".

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"Não há contradição entre Guedes e Bolsonaro. O liberalismo de um pede o autoritarismo de outro", diz Silvio Almeida

247 – O professor Silvio Almeida publica importante artigo nesta sexta-feira, em que explica por que a declaração estúpida de Paulo Guedes contrária à presença de filhos de porteiros nas universidades é compatível com o projeto autoritário de Jair Bolsonaro. "Nenhum outro ministro representa de forma tão essencial as forças políticas que levaram Jair Bolsonaro à Presidência da República", diz ele. "O presidente da República e o ministro da Economia são absolutamente complementares e encarnam, ainda que em corpos distintos, um só espírito. São, portanto, apenas aparentes as suas contradições."

Os dois, segundo o professor, representam o neoliberalismo autoritário, que esvazia a democracia. "Guedes e Bolsonaro personificam a versão brasileira do centauro do neoliberalismo, que é metade liberdade econômica para o andar de cima da pirâmide social e metade repressão e violência para o andar de baixo. De vez em quando somos forçados a lembrar que é um único ser, com os mesmos projetos e o mesmo negacionismo da realidade social. No fundo, quem quer a liberdade de Guedes pede por autoritarismo; quem quer o autoritarismo de Bolsonaro é porque demanda a liberdade de Guedes", afirma.

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PF intima Sônia Guajajara por críticas à política indigenista do governo jair Bolsonaro

Coordenadora Executiva da Articulação dos Povos indígenas do Brasil (Apib), Sonia Guajajara

247 - A Polícia Federal intimou a líder indígena e coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sônia Guajajara, no âmbito de um inquérito sobre difamação aberto a pedido da Fundação Nacional do Índio (Funai). Para a Apib, a intimação tenta criminalizar o movimento indígena através de uma perseguição política e racista por parte do governo Jair Bolsonaro. A intimação foi feita no último dia 26 de abril.

Na ação, a Funai acusa Sônia Guajajara de fazer acusações difamatórias contra o governo federal na série Maracá", exibida pela internet no ano passado, que abordava os direitos dos povos indígenas e as violações contra os povos durante a pandemia da Covid-19. 

"Os discursos carregados de racismo e ódio do governo estimulam violações contra nossas comunidades e paralisa as ações do Estado que deveriam promover assistência, proteção e garantias de direitos. E agora, o governo busca intimidar os povos indígenas em uma nítida tentativa de cercear nossa liberdade de expressão, que é a ferramenta mais importante para denunciar as violações de direitos humanos. Atualmente mais da metade dos povos indígenas foram diretamente atingidos pela Covid-19, com mais de 53 mil casos confirmados e 1059 mortos", disse a Apib em nota, de acordo com reportagem do jornal O Globo

No texto, a Apib critica diretamente a Funai e ressalta que o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu as denúncias feitas pela entidade contra a política indigenista do governo Bolsonaro. “O órgão cuja missão institucional é proteger e promover os direitos dos povos do Brasil acusa a Apib de difamar o Governo Federal com a web-série “Maracá”, que denuncia violações de direitos cometidas contra os povos indígenas no contexto da pandemia da Covid-19. Denúncias essas que já foram reconhecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) através da ADPF 709", diz a Apib. 

"Não irão prender nossos corpos e jamais calarão nossas vozes. Seguiremos lutando pela defesa dos direitos fundamentais dos povos indígenas e pela vida!", finaliza a Apib. 

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Ex-boxeador Popó se diz orgulhoso do filho: "médico, bonito e gay"

Popó e Juan

Roberto Wagner, Metrópoles - Ex-campeão mundial de boxe, Popó falou sobre seu relacionamento com o filho Juan, de 21 anos. O jovem cursa medicina e se assumiu homossexual ainda adolescente.

Popó, que é pai de outros cinco filhos, diz ter orgulho de Juan. “É a minha bichona. E, antes que venham me criticar, essa é a maneira carinhosa que eu o chamo. É uma coisa que eu sempre falo, uma coisa minha e dele. Juan é inteligente demais, está cursando o quinto período de Medicina. Ele já me levou para boate gay… Tenho muito orgulho do meu filho: médico, bonito e gay”, afirmou o ex-boxeador, em entrevista ao podcast No Flow.

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Exército protege capitão do Riocentro há 40 anos - Alex Solnik

Por Alex Solnik

Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

Naquela quinta-feira, 30 de abril de 1981, o capitão Wilson Luiz Chaves Machado, 33, como fazia todas as manhãs, desceu do apartamento número 503 do Edifício Pierre, situado à rua Visconde de Itamaraty 167, no bairro da Tijuca, onde morava com a mulher e a filha, para comprar leite e pão na Confeitaria Flor da Tijuca, situada a poucos metros dali.

Na banca de jornal da Major Ávila esquina com a avenida Maracanã, outra parada habitual, comprou o Jornal dos Sports para saber notícias do Fluminense, seu time do coração.

“Gente fina” e “comunicativo”: era descrito assim na vizinhança.

Depois do café em família, partiu, em seu Puma marrom metálico placa OP 0297, para o local de trabalho, à rua Barão de Mesquita, no mesmo bairro.

Ao cruzar o portão do I Batalhão de Polícia do Exército, e adentrar o Destacamento de Operações e Informações do Centro de Operações de Defesa Interna do I Exército, o DOI-Codi, sua identidade mudou. Ele virou “Dr. Marcos”.

A Lei da Anistia fora assinada dois anos antes, mas aquele porão clandestino do estado brasileiro ainda funcionava. E ali, por razões óbvias, todos usavam codinomes e assumiam outras identidades. O que acontecia ali, morria ali.

De capitão para cima, os codinomes eram sempre precedidos de “doutor”; de capitão para baixo, o prenome mudava para “agente”. Cada macaco no seu galho. Um manda, outro obedece.

Não era, porém, o mesmo DOI-Codi de antigamente, aquele de quando, ao entrar, ele ouvia os gritos desesperados de quem era submetido às torturas e de quem as comandava e os xadrezes viviam superlotados.

Agora imperava o silêncio. Graças à lei assinada pelo presidente Figueiredo, tão odiada por ele e seus comparsas, eles não podiam mais nem prender nem torturar ninguém. As celas estavam tão vazias quanto seus bolsos.

No tempo das vacas gordas, empresários agradecidos sabiam recompensá-los a cada vez que prendiam ou matavam perigosos comunistas que tentavam implantar o regime castrista entre nós, como gostavam de mostrar aos incautos. Tudo balela, tudo fantasia, mas havia quem acreditasse em bruxas.

Nem o “dr. Marcos” nem seus colegas – civis e militares – jamais engoliram essa punhalada nas costas, que partira logo de um ex-chefe da comunidade de informações, da qual também faziam parte. E que só chegou à presidência da República exatamente por ter sido chefe do SNI.

Menos mal que de tédio ele não podia se queixar. Por intermédio de um vizinho de bairro, o Coronel Freddie Perdigão, o “Dr. Flávio”, engajara-se num grupo de contestadores da abertura política engendrada pelo ex-presidente Geisel e adotada por Figueiredo.

Encontrava-se com ele, que já dera expediente no DOI-Codi de São Paulo e depois no SNI, o qual integrava por essa época, num bom restaurante do bairro, o “Garota da Tijuca”, situado à Praça Varnhagem, 5, especializado em carnes de todo tipo, para todos os gostos e acompanhamentos e iguarias apetitosas.

Entre camarões grelhados e generosas porções de bolinhos de bacalhau, o “Dr. Flávio” passava instruções ao “Dr. Marcos” a respeito de como, com quem, quando e contra quem deveria agir. Claro, o “Dr. Flávio” não fazia nada sozinho: em outro point gastronômico do Rio, o festejado “Angu do Gomes”, o rei do ensopado de miúdos, na zona portuária, à rua Sacadura Cabral, 75, discutia com outros militares graduados, tais como os coronéis Ary Pereira de Carvalho, chefe da Agência Rio do SNI e Nilton Cerqueira, comandante da PM, os planos que o “Dr. Marcos” e outros deveriam executar, em noitadas que, não raras vezes, terminavam, como boêmios que eram, no bordel ao lado, com anonimato garantido pelo dono da espelunca, o agente da Polícia Federal Augusto Pinto Moreira, irmão do dono do restaurante, Basílio Pinto Moreira. Tudo em família.

Num regabofe no “Garota da Tijuca” o “Dr. Flávio” comunicou ao “Dr. Marcos” que ele participaria da “Missão no. 115” ao lado do sargento Guilherme do Rosário, o “Agente Wagner”, também conhecido por “Robot”, tal como o “Dr. Marcos” era também chamado de “Patinho” e também muito ligado ao “Dr. Flávio”.

O “Dr. Marcos” sabia que os mais de 40 atentados a bomba entre 1979 e aquele dia, praticados em todo o Brasil, dos mais célebres aos mais banais tinham as digitais do “Grupo Secreto”, como viria a ser chamado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, em 2014, o bando incrustado no estado brasileiro no qual atuava: “uma das mais ousadas organizações criminosas já vistas na história do Brasil”.

“Praticaram atos de terrorismo de estado” escreveram os procuradores Antônio do Passo Cabral, Sérgio Gardenghi, Ana Cláudia de Sales Alencar, Tatiana Pollo Flores, Marlon Alberto Weichert e Andry Borges de Mendonça na denúncia de 13d de fevereiro de 2014.

Atuavam no grupo, dentre outros, o Coronel Alberto Carlos Costa Fortunato, o Coronel Luiz Helvécio da Silva Leite, o Delegado Cláudio Antônio Guerra, o general Edson Sá Rocha (“Dr. Silvio”), o Coronel Freddie Perdigão (“Dr. Flávio”), o Coronel Romeu Antônio Ferreira (“Dr. Fábio”), o civil Hilário José Corrales, marceneiro e expert em bombas, além de autoridades do primeiro escalão do governo que controlavam tudo à distância, tais como o general Otávio Medeiros, ministro-chefe do SNI (que só não foi denunciado pelo Ministério Público em 2014 porque já estava morto) e o general Newton Cruz, chefe da Agência Central do SNI (ele sim denunciado por vários crimes).

Mas a destruição de bancas de jornais, a bomba na ABI, o artefato no carro do jornalista Hélio Fernandes, alguns atentados com vítimas, outros apenas com danos materiais, nenhum desses podia ser comparado ao que ele iria perpetrar naquele 30 de abril de 1981, durante o Show de Primeiro de Maio, no centro de convenções do Riocentro, com a nata dos cantores e cantoras brasileiros no palco, de Chico Buarque a Luiz Gonzaga.

O plano fora apresentado, um ano antes, pelo general Edson Sá Rocha, o “Dr. Silvio”, chefe de operações do DOI-Codi, mas seu superior, o Coronel Romeu Antônio Pereira, o “Dr. Fábio”, chefe da Central de Operações de Informações do DOI-Codi o proibiu de levá-lo adiante. E somente foi liberado para execução quando assumiu o novo chefe geral do DOI-Codi do Rio de Janeiro, o Tenente-Coronel Júlio Miguel Molinas Dias, o “Dr. Fernando”, no início de 1981.

Às 18h40 daquela quinta-feira, cinco veículos com três homens em cada um deixaram a sede do DOI-Codi, na Barra da Tijuca, em direção à estrada Grajaú-Jacarepaguá. Por volta das 20h00 pararam no Restaurante Cabana da Serra.

Sentaram-se próximo à entrada, chamando, desde logo, a atenção do garçom. Ele ficou ainda mais desconfiado com os lances seguintes. Os homens se reuniam em torno de um mapa, falavam baixo e exibiam armas.

A essa altura já apavorado, achando que seriam bandidos, o garçom chamou a polícia.

Uma rádio-patrulha com dois soldados chegou rapidinho, mas, vendo-se em inferioridade, os agentes da lei preferiram permanecer na viatura, observando.

Poucos minutos depois os homens da “Missão no.115” deixaram o restaurante em direção a Jacarepaguá.

No Boletim de Ocorrências, a dupla de policiais anotou as características dos carros nos quais embarcaram. Um deles era um Puma marrom metálico placa OP 0297. Os outros eram uma Brasília, um Chevette, um fusca e um Opala.

O Puma era o carro da moda. O segurança do Riocentro Magno Braz Moreira foi o primeiro a ter contato com a dupla “Dr. Marcos” e “Agente Wagner” e quase barrou sua entrada, como declarou ao jornalista Caco Barcelos, no Globo Repórter exibido a 15 de março de 1996 na TV Globo:

“Eu vi o sargento e o capitão entrando sem credencial. Autorizei porque disseram que eram do Exército. Pedi identificação, eles se identificaram”.

O “Dr. Marcos” pediu para usar o telefone da administração, com o que Magno também concordou, visto que eram “autoridades”. Depois de alguns minutos eles voltaram ao carro, que estava sob as vistas de Magno e foram ao estacionamento do público, onde entraram com o bilhete no. 69239. E o “Dr. Marcos” estacionou.

O Puma também chamou a atenção do estudante João de Deus, que resolveu estacionar seu carro perto dele. Seria uma referência para localizá-lo depois do show. Todos os outros eram Fiat ou fusca.

“Aí vi essas figuras dentro do carro”, disse ele a Caco Barcelos, “dei boa noite e fui para o show”.

Outro espectador, Mauro César Pimentel, contou em depoimento ao Ministério Público ter também estacionado próximo ao Puma, que era seu sonho de consumo.

“Um dia vou ter um desses” pensou ao passar próximo ao veículo e observar que o ocupante do banco do carona segurava um artefato parecido com uma cafeteira. Também viu, no banco de trás, mais dois artefatos idênticos.

Quando se afastava, admoestado pelo “Dr. Marcos”, incomodado com sua bisbilhotice, Mauro César Pimentel ouviu uma explosão.

O segurança Magno Braz Moreira também ouviu. “Foi forte” disse ao Globo Repórter. “Cheguei ao local da explosão. Era o mesmo Puma que eu autorizei a entrar”.

Nessa hora, dentro do pavilhão, 9.892 pessoas cantavam e dançavam com Alceu Valença que relatou a Caco Barcelos:

“Eu estava cantando essa canção que fala das bombas de São João, de coração bobo, do sentimento do povo, da ternura e, de repente, a plateia toda que estava ligada em mim olhou para trás. E depois voltou para mim como se nada tivesse acontecido”.

“Aí eu voltei para o meu setor”, disse Magno Braz Moreira ao Globo Repórter. “Daí veio a segunda explosão, próximo de onde eu estava”.

Mauro César Pimentel viu o “Dr. Marcos” sair do Puma rastejando, mas em vez de socorrê-lo saiu procurando por socorro. Depois de caminhar alguns metros, segurando as vísceras, o capitão pediu ajuda a um taxista que acabara de deixar um espectador, mas ele se recusou a socorrê-lo. Para sorte do capitão, a neta de Tancredo Neves, Andréa, chegando atrasada, com seu namorado, o levou ao hospital.

O estado do “Agente Wagner”, lotado no DOI-Codi desde 1973 era deplorável. Ele tinha experiência em montagem e operação com explosivos, mas aquela bomba, por algum motivo, explodiu no seu colo, decepando suas mãos, estraçalhando barriga e genitália, arrancando o pênis e deixando a perna direita presa ao corpo apenas por um fio de carne.

Chamado às pressas, o comandante do 18o. Batalhão da PM, Coronel Ille Marlen Lobo Ferreira foi imediatamente abordado por agentes que se apresentaram como sendo da Polícia Federal quando chegou ao Riocentro.

“Estavam muito preocupados” disse ele ao Globo Repórter “como é que eu iria conduzir a partir daí. A partir do momento em que sentiram pelo meu telefonema ao chefe do Estado Maior narrando o que estava havendo, aquilo deu a eles tranquilidade de conversar comigo com mais franqueza e aí eles se identificaram como oficiais do Exército. Seriam do DOI-Codi e estariam de serviço ali”.

O coronel apenas se inteirava dos acontecimentos que ainda estavam quentes, quando foi informado, pelo oficial que o acompanhava, que havia outro artefato no pavilhão, ou na caixa d’água ou debaixo do palco, como os homens do DOI-Codi haviam lhe contado.

“Eu os repreendi severamente” disse o coronel Ille Marlen “e mandei desativar qualquer artefato que ainda houvesse. O capitão os acompanhou e deu certeza que o tal artefato tinha sido desativado. Era o capitão Volnei do Nascimento”.

A segunda bomba foi detonada pela segunda equipe do Grupo Secreto, composta pelo “Dr. Flávio”, pelo marceneiro Hilário Corrales e mais dois agentes não iderntificados, na casa de força do pavilhão. Não produziu o efeito desejado – apagão e pânico a seguir – porque não atingiu o alvo em cheio e mesmo se o atingisse não provocaria blackout porque havia geradores de energia disponíveis.

A operação abafa foi posta em prática rapidamente. A mando do chefe do DOI-Codi, Tenente-Coronel Júlio Miguel Molinas Dias, o capitão Divany Carvalho Barros, o “Dr. Áureo”, retirou do Puma, antes dos peritos chegarem, tudo o que pudesse incriminar os militares: a agenda e documentos pessoais do “Agente Wagner”, uma granada de mão e uma pistola. Entregou a pistola e a granada ao chefe, mas guardou a agenda até 1999, quando a entregou ao relator do 2o. IPM, general Sérgio Conforto.

O comandante do I Exército, Gentil Marcondes, apressou-se para ir ao Hospital Miguel Couto, onde o capitão Wilson Machado estava entre a vida e a morte.

“Vim trazer minha solidariedade, desejei um pronto restabelecimento, meu apoio” disse aos jornalistas, ao sair.

A narrativa de que os militares a serviço do DOI-Codi foram vítimas e não autores do atentado começou a ser esboçada pelo titular da Secretaria da Segurança Pública, general Waldir Muniz:

“Infelizmente, esses dois quando saíam do estacionamento dando marcha-a-ré o sargento viu aquele petardo e ao segurar explodiu. Você acha que alguém vai se suicidar”? 

Essa e a noite seguinte no DOI-Codi carioca foram tensas, como Molina Dias anotou em seu diário, resgatado depois de sua morte nebulosa, em 2011, em Porto Alegre.  

30 de abril

Intervalo do jogo Grêmio X São Paulo, telefonema do agente Reis. Disse que um cabo PM telefonara avisando que haveria um acidente com explosivo com uma vítima. Deu o nome quente: Dr. Marcos.

Por volta das 22h30 cheguei ao órgão… dirigi-me à vaga número 1 do comando. O dr. Wilson que estava na operação chegou logo a seguir. O agente Reis, que já chegara, avisou que recebeu outro telefonema do mesmo elemento, dizendo que um sargento estava no local, irreconhecível.

23h30 Hospital Miguel Couto – Tá sendo operado, vísceras do lado de fora. Estado grave.

23h35 Uma bomba na casa de força e uma no carro.

23h50 O Robot está morto. Tem uma granada que estava no carro e botaram no chão.

23h50 Alguém telefona comunicando que acharam uma granada no Puma.

Sexta-feira, 1o. de Maio

0h40 Coronel Cinelli – Falamos sobre a ida da perícia da PE à paisana e a retirada do corpo.

1h1min Tenente-coronel Portella liga ao HCE para receber o corpo de Robot.

1h5min Está sendo operado, dilaceração nas vísceras.

02h00 Helio – a doc recolhida no local está em poder dele. A doc Dr. Marcos já está com Dr. Áureo.

Sábado, 2 de maio

8h30 – Chegada ao destino. Transmitir mensagem ao dr. Marcos para não fazer esforço pra falar tranquilizando-o. Comandante do DOI e comandante do I Exército foram ao enterro e hospital. Foi mandado ao I Exército (Coronel Cinelli) as fotografias das placas com Vanguarda Popular Revolucionária para aproveitamento na imprensa. 

Molina Dias revela a farsa. Tanto as pichações nas placas de trânsito nas cercanias do Riocentro quanto suas fotos foram obra da quarta equipe da “Missão no. 115”, numa tentativa de atribuir o atentado ao grupo de luta armada que havia sido desmantelado em 1974.

A terceira, liderada pelo delegado Cláudio Antônio Guerra estava incumbida de prender “os suspeitos de sempre”, mas a operação foi abortada por motivos óbvios.

A equipe das pichações pôde realizar seu trabalho sem percalços; não havia policiamento algum na redondeza. O policiamento para o show do Primeiro de Maio, previamente agendado para ser realizado por um capitão, um sub-oficial, 2 sargentos, 4 cabos e 32 soldados do 18o. Batalhão da PM fora suspenso pelo comandante geral da PM, general Nilton Cerqueira, no dia 30 de abril, por telefone, diretamente de Brasília, onde estava em reunião com “órgãos de informação”, leia-se o ministro chefe do SNI, general Otávio Medeiros e o chefe da Agência Central do SNI, general Newton Cruz.

Transmitiu a ordem ao Chefe do Estado Maior da PM, Coronel Fernando Antônio Pott que a retransmitiu ao comando do batalhão, que estava passando, na tarde de 30 de abril, para o Coronel Ille Marlen Lobo Ferreira.

O telefonema do general Nilton Cerqueira mostrou que o alto escalão do governo Figueiredo estava envolvido na conspiração.

Do primeiro Inquérito Policial Militar instalado pelo Exército o incumbido foi o Coronel Luís Antônio do Prado Ribeiro. Renunciou ao cargo depois de sofrer pressões até do comandante do I Exército, General Gentil Marcondes Filho que recomendou que chegasse à conclusão de que o fato seria de autoria desconhecida, enquanto ele constatou que os laudos periciais indicavam que os vitimados estavam transportando os explosivos.

Seu substituto, o Coronel Job Lorenna de Sant’Anna seguiu o script e produziu um dos relatórios mais infames da história do Exército. Ignorando provas e ocultando depoimentos como o do perito Joaquim de Lima Barreto, que fez referência sobre a granada de mão que estava com os militares, ele concluiu que a bomba fora colocada por “alguém” entre a porta e o banco do Puma enquanto os dois militares saíram do carro para urinar.

Nem mesmo numa novela surrealista como “Saramandaia” caberia tanto desvario. Para isso acontecer, primeiro, os supostos “terroristas” deveriam saber que dentro do Puma estavam dois agentes do DOI-Codi dos quais supostamente queriam se vingar. Somente saberiam se os tivessem seguido desde a sede do DOI até o Riocentro. O próprio Capitão Machado declarou no IPM de 1999 que ninguém o seguira.

Ainda assim, os “terroristas” só conseguiriam plantar a bomba se (1) o Capitão Machado tivesse deixado a porta destrancada quando foi fazer xixi, o que um profissional como ele jamais faria e (2) a bomba coubesse entre o banco e a porta, mas não cabia, como explicou outro perito, o Coronel Orozimbo, no IPM de 1999.

Para sustentar sua tese delirante, o Coronel Job Lorenna de Sant’Anna argumentou que o pênis do Sargento Guilherme Rosário, vulgo “Agente Wagner” estava preservado, contrariando os laudos periciais.

O Exército acatou o relatório do coronel e o promoveu a general.

Em depoimento ao IPM de 1999, comandado pelo general Sérgio Conforto, já durante a redemocratização, o chefe da Agência Central do SNI, general Newton Cruz revelou suas ligações com o “Grupo Secreto” e a “Missão no. 115”:

“No dia 30 de abril de 1981, por volta das 8 h da noite, quando eu ainda me encontrava no meu gabinete na Agência Central do SNI, procurou-me um oficial da minha agência e me disse o seguinte: chefe, acabo de receber uma comunicação do Rio de Janeiro de um oficial do Exército que tem muito prestígio junto ao pessoal do DOI e que relatou ter tido um encontro com integrantes do DOI e que estavam dispostos a marcar presença no show que se realizava e que ele expôs que qualquer coisa que se fizesse perto da multidão poderia ter consequências imprevisíveis e que então o melhor seria fazer uma ação um pouco mais afastado para marcar presença e que ele ia com essa gente. Marcaram encontro. Esta ação corresponderia à colocação de uma bomba quase de brincadeirinha, na estação. Houve o encontro. Eles foram para a bomba da subestação. Ao encontro faltaram os dois oficiais que por conta própria foram para o estacionamento conforme era a ideia antiga”.

Seu chefe, o general Otávio Medeiros contou o episódio com outro enredo:

“Final de março ou início de abril, em despacho com o general Newton Cruz, este lhe dissera que tomara conhecimento por parte de um oficial que servia na Agência Rio do SNI, o coronel Freddie Perdigão, que dois elementos do DOI/I Ex tencionavam realizar uma ação no Riocentro por ocasião das comemorações de 1o. de Maio com a finalidade de assustar os presentes e que o informante asseverou ao general Newton Cruz que não se preocupasse pois o mesmo já os dissuadira da ação”.

Difícil saber quem disse a verdade, ou se alguém a disse, visto que os dois depoentes atuavam no serviço de Informações, onde a regra era esconder as verdades inconvenientes.

O general Newton Cruz também contou ter sido informado de que os atentados a bomba iriam continuar mesmo depois do Riocentro. Pediu, então, à Agência Rio do SNI que intermediasse um encontro seu com integrantes do “Grupo Secreto”.

Entrevistou-se, clandestinamente, num quarto de hotel, no Rio, com um tenente da PM e um sargento do Exército, aos quais ordenou que parassem com as atividades terroristas. 

Os elos dos generais Medeiros e Newton Cruz com o atentado do Riocentro não podiam ser mais explícitos. Medeiros confessou ter sabido que um crime estava sendo planejado, mas, como supostamente havia sido abortado não mandou sequer investigar a fim de punir os criminosos.

E jamais pediu que fossem identificados.

E por que Newton Cruz o avisaria do atentado se ele não fizesse parte do bando?

Newton Cruz, por sua vez, admitiu que sabia que o atentado a bomba iria acontecer, seja uma hora, como disse, seja um mês antes, como afirmou Medeiros. Num caso ou no outro, ele poderia ter barrado a operação, se quisesse, pois os envolvidos eram seus subalternos e ele tinha meios para detê-los.

Também admitiu conhecer dois integrantes do “Grupo Secreto”, aos quais deveria ter dado ordem de prisão ao encontrar, o que não fez. Ao contrário, recusou-se a revelar seus nomes no IPM, acobertando os criminosos, o que manteve até a morte. 

Os generais Medeiros e Newton Cruz foram, por sua vez, acobertados pelo presidente Figueiredo, que varreu a sujeira para baixo do tapete, como mostra episódio da novela “Yellow Cake”, escrita pelo agente do SNI Alexandre Von Baumgarten, que viria a ser assassinado por membros do mesmo grupo que jogou as bombas no Riocentro, a 12 de outubro de 1982.

Figueiredo teria convocado uma reunião com os generais Walter Pires, do Exército, Golbery do Couto e Silva, Casa Civil, Octavio Medeiros, ministro-chefe do SNI e Danilo Venturini, Casa Militar para debater a posição do governo em relação ao episódio.

Somente Golbery votou a favor de investigar o caso do Riocentro e punir os responsáveis com todo o rigor. 

Três meses depois Golbery abandonou o governo e Figueiredo não conseguiu fazer seu sucessor militar no Colégio Eleitoral, pondo fim à ditadura.

A investigação mais real e detalhada do atentado do Riocentro foi a do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, concluída a 13 de fevereiro de 2014 que o definiu como “ataque estatal sistemático e generalizado dos agentes do Estado contra a população brasileira”.

Foram denunciados, além do Capitão Wilson Luís Chaves Machado, o “Dr. Marcos”, o delegado Cláudio Antônio Guerra; o Coronel Nilton Cerqueira; o General Newton Cruz; o General Edson Sá Rocha, vulgo “Dr. Silvio” e o Capitão Divany Carvalho Barros, vulgo “Dr. Áureo”.

Outros nove criminosos só não foram denunciados porque já estavam mortos: Coronel Freddie Perdigão Pereira, vulgo “Dr. Flávio”; o Sargento Guilherme Pereira do Rosário, vulgo “Agente Wagner” ou “Robô”; o General Octavio Aguiar de Medeiros; o Coronel Ary Pereira de Carvalho, vulgo “Arizinho”; o Tenente-Coronel Júlio Miguel Molinas Dias, vulgo “Dr. Fernando”; o Coronel Alberto Carlos Costa Fortunato; o Coronel Luiz Helvécio da Silveira Leite; o Coronel Job Lorenna de Sant’Anna e o marceneiro Hilário José Corrales.

Nem com o advento da Nova República, o capitão Wilson Machado foi sequer julgado. Ao contrário, na última vez em que foi flagrado por câmeras de TV, em 1996, feito do Globo Repórter, morava em Brasília, fora promovido a tenente-coronel e desde 1988 dava aulas no Colégio Militar.

Ao ser identificado pela reportagem, fugiu.

Em 1999, em depoimento no IPM do General Sérgio Conforto, disse que nunca mexeu com bomba, que não sabe como a bomba apareceu no seu carro e que, ao ouvir a explosão, pensou que o motor do Puma tinha explodido.

A 24 de julho de 2001 recebeu a Medalha do Pacificador com palma, condecoração do Exército reservada aos torturadores, como diz o jornalista Elio Gaspari em seu livro “A ditadura escancarada”:

“Uma das moedas postas em prática era a concessão aos torturadores da Medalha do Pacificador com palma”.

Alguns condecorados:

General Edson Sá Rocha, General Nilton Cerqueira, Coronel Freddie Perdigão, Capitão Divany Carvalho Barros, Sargento Guilherme Rosário, general Otávio Medeiros, Coronel Ary Pereira de Carvalho.

Apesar de todas as provas e laudos periciais de que foi cúmplice do Sargento Guilherme do Rosário no atentado do Riocentro, denunciado por crimes que somam 36 anos de cadeia pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro – tentativa de homicídio doloso tentado duplamente qualificado pelo motivo torpe e por uso de explosivos, transporte de explosivos e associação criminosa - o hoje General Wilson Machado, 73, há quarenta anos guarda pacto de silêncio.

*

Prisão de Assange abala discurso de liberdade de imprensa do Reino Unido, diz chefe do WikiLeaks

Os apoiadores de Assange planejam realizar vigílias neste domingo (2), dia que marca dois anos desde que o australiano foi levado para a prisão de Belmarsh em Londres, e também na segunda-feira (3), Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

(Foto: Reuters)

Sputnik - A continuação da prisão do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, enfraquece a liberdade de imprensa no Reino Unido, disse o editor-chefe do site, Kristinn Hrafnsson, nesta sexta-feira (30).

Em janeiro, o Tribunal de Londres negou a extraditação de Assange para os Estados Unidos, mas também recusou conceder o pagamento de fiança a Assange até que um recurso dos EUA contra o veredito da não extradição fosse ouvido.

"O fato de Julian ainda estar na prisão mina seriamente a capacidade do Reino Unido de se proclamar defensor da liberdade de imprensa em todo o mundo", disse Hrafnsson a repórteres, conforme noticiado pela AFP.

Os apoiadores de Assange planejam realizar vigílias neste domingo (2), dia que marca dois anos desde que o australiano foi levado para a prisão de Belmarsh em Londres, e também na segunda-feira (3), Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

Jennifer Robinson, membro da equipe jurídica de Assange, disse que as condições do jornalista em Belmarsh eram "muito difíceis" e que ele permanece "muito isolado" – após anos de restrições à sua liberdade.

"Estamos muito preocupados com a continuação de sua detenção e consideramos isso desproporcional", acrescentou a advogada.

Tanto Robinson quanto Hrafnsson pediram ao presidente norte-americano Joe Biden que retirasse as acusações contra Assange e que o governo australiano fizesse mais em nome do cidadão do país.

A prisão de Julian Assange

O australiano de 49 anos está detido na prisão de alta segurança desde que foi condenado em 2019, após sua remoção à força da embaixada do Equador em Londres, onde se abrigou por sete anos.

O jornalista é procurado em Washington para enfrentar 18 acusações relacionadas à publicação de 500.000 arquivos secretos pelo WikiLeaks em 2010. Os documentos detalham, entre outros assuntos, as campanhas militares no Afeganistão e no Iraque.

Os EUA afirmam que Assange ajudou a analista de inteligência Chelsea Manning a roubar os documentos antes de expor as informações confidenciais ao mundo.

Assange enfrenta uma possível sentença de 175 anos se for condenado pelo governo dos EUA. Os defensores do jornalista, no entanto, argumentam que o caso contra ele foi politicamente motivado pelo ex-presidente Donald Trump.

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Fernando Brito: 'Guedes é um escravocrata, remanescente do Brasil censitário'

"Guedes é isso, um escravocrata, um remanescente do Brasil censitário, onde o direito das pessoas vem do berço ou da esperteza", escreve o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço. "Paulo Guedes é um decrépito que torna decrépito um país. Habita, com toda os seus diplomas de Chicago, povoar a calçada de botequim que virou o governo brasileiro"

(Foto: Marcos Corrêa/PR)

Por Fernando Brito, do Tijolaço - Mais um “vazamento” do pensamento sincero do sr. Paulo Guedes mostra nas mãos de que tipo de gente estamos.

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Mais um trecho de seu ‘momento botequim” do ministro na reunião quer teve com representantes dos planos de saúde. desta vez dizendo que “o filho do porteiro” teve direito ao Fies – fundo de financiamento ao ensino universitário – mesmo ‘tirando zero no vestibular”, que foi transmitida sem o seu conhecimento e da qual ele se defende como sendo “um momento infeliz”.

Não foi. Guedes é isso, um escravocrata, um remanescente do Brasil censitário, onde o direito das pessoas vem do berço ou da esperteza.

Do Brasil das castas, aquele que desprezam os trabalhadores e que creem que seus filhos são inferiores e que só podem progredir por truques e falcatruas.

Talvez creiam nisso por identificá-lo em suas próprias trajetórias.

Não ocorreu a Guedes atacar o ensino universitário privado por baixa qualidade, por sua ênfase – já na fase pré pandêmica – à virtualização do ensino, pela falta de espaço à discussão acadêmica e a produção de conhecimento, e por sua absoluta adequação à reprodução dos sistemas empresariais de treinamento de mão de obra, traduzidos na expressão “empregabilidade” com que “qualificavam” a formação superior , ainda que este “superior” contenha um imenso grau de ironia.

É preferível falar que isso acontecia apenas porque era para “o filho do porteiro”, aquele guri pobre que, enquanto é pequeno ainda recebe alguns doces, mas quando crece vira suspeito em potencial de tudo o que de mal ocorre no prédio.

O filho do porteiro segue sendo persona non grata no Brasil dos Guedes: é o que não se quer ver nos shoppings, no aeroporto, nas praias, na Universidade.

O Fies, em 2014, financiou a educação de 732 mil jovens. Em 2020, foram apenas 100 mil. Entre os 632 mil excluídos, quantos foram os filhos de porteiro?

E de tantas outras profissões do povão e de tantas famílias de classe média que não tinham como arcar com os preços do ensino superior.

A universidade pública também é maldita por ele que, devendo sua formação a uma delas, reproduz o discurso de Abraham Weintraub – hoje pendurado num cargo público milionário – de que ela é um antro de sexo e drogas: ” “Paulo Freire. Ensinando sexo para criança de 5 anos. Todo mundo… maconha, bebida, droga. Dentro da universidade.”

Paulo Guedes é um decrépito que torna decrépito um país. Habita, com toda os seus diplomas de Chicago, povoar a calçada de botequim que virou o governo brasileiro.

E cairá, de podre, como podre é.

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