Estão gostando do PALHAÇO?

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Planos para reabrir Nova York esbarram em incertezas e bolsões de Covid
Prefeito Bill de Blasio diz que cidade vai voltar '100% a partir de 1º de julho'
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Os VALORES de Guedes
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Brasil atinge marca trágica, CPI começa, ministros mostram VALORES DESPREZÍVEIS 
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Vade-retro, malévola trindade
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Estão gostando do PALHAÇO?
Agora no centro do PICADEIRO, Paulo Guedes NÃO perde uma oportunidade de ficar calado
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Apple, Facebook e o Grande Irmão
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A próxima REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA será QUÂNTICA.
Você sabe o que é isso?
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Por que o 5G está prestes a REVOLUCIONAR as nossas VIDAS 
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Algoritmo do Facebook NÃO DANÇA SÓ, mas público tem que aprender os passos - Seja seu próprio NEO
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Netanyahu chama mortes em peregrinação de 'catástrofe' e decreta luto
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Sputnik V apresentou resultados mais rigorosos do que Coronavac e Astrazeneca
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O que fazer para parar de contar cadáveres

Vítimas da Covid-19 no cemitério de Nossa Senhora Aparecida, em Manaus. Como evitar que essa visão se espalhe pelo Brasil?

Há 13 meses, nós, brasileiros, contamos cadáveres. Fazemos isso com as estatísticas dos mortos por Covid-19 e no seio de nossas famílias e círculos de amizade. Não precisava ser desta maneira. Muitos dos 400 mil “CPFs cancelados” na pandemia, no linguajar chulo e desrespeitoso chancelado pelo presidente da República, poderiam estar ativos se tivéssemos um governo decente. Não digo nem competente ou eficiente. É um mínimo de decência que falta a Jair Bolsonaro e a seu escrete mortífero.

O que fazer para atenuar essa rotina de empilhar corpos, retroceder em todas as áreas da vida nacional, adiar o futuro e colecionar traumas? É preciso agir imediatamente, em todas as frentes possíveis. É preciso responsabilizar Bolsonaro, Eduardo Pazuello e a cadeia de comando de ambos em todas as pastas que tenham contribuído, por ação e omissão, para atrasar nossa resposta ao vírus e desmontar nossa estratégia de enfrentamento.

O Sistema Único de Saúde, a despeito de seus problemas crônicos de financiamento e atendimento, tem capilaridade única no mundo, experiência em lidar com epidemias e profissionais de saúde pública treinados, que estão mostrando, mesmo diante de toda a adversidade, abnegação, garra, fibra e compromisso com a vida.

O Plano Nacional de Imunização é um edifício de glórias para o Brasil, que nos fez erradicar doenças ao longo de décadas e mostra incrível capacidade de realizar campanhas de imunização em massa.

Obrigar os responsáveis pelo mau uso do SUS e o desmonte do PNI a responder na Justiça é algo para já. Pode ser feito pelo inquérito conduzido no Supremo Tribunal Federal e pela CPI da Covid. Ambos têm instrumentos para solicitar documentos, perícias, levantar gastos, ouvir a cadeia de servidores do Ministério da Saúde, estados e municípios e apontar quem são os CPFs que têm de virar réus. Isso é tarefa de agora, não de depois, senhores Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. Se Vossas Excelências acharam que poderiam postergar uma resposta ao morticínio de brasileiros aos milhares, enquanto negociam suas emendas e projetos de interesse de pequenos grupos, só por terem ascendido ao comando do Congresso com o apoio do Planalto, a resposta é não.

Além de responsabilização, é preciso exigir de Bolsonaro, enquanto ele continua ocupando a Presidência como o pior ser humano, eleito ou biônico, que já passou por lá, que pare de cometer desatinos retóricos e administrativos diários e cumpra seu dever constitucional de proteger a vida de seus concidadãos.

Isso significa destinar todos os recursos — orçamentários, diplomáticos, de logística, administrativos e políticos — para a compra imediata de vacinas em quantidade suficiente para imunizar ao menos 70% da população apta a recebê-las. Para isso, o Ministério da Saúde tem de ser instado (pelo Congresso, pelo Supremo) a fornecer um calendário realista de chegada de vacinas, distribuição e aplicação. Isso não pode ficar para 2022. Para isso existe a Justiça, para isso existe um Congresso que tem de estar disposto a votar recursos emergenciais para a compra de imunizantes.

A terceira frente de ação cabe à sociedade. Não é compreensível a letargia com que, a cada número redondo de pessoas que se foram, colocamos tarjas pretas em nossos perfis nas redes sociais e seguimos, entre negacionistas, meio comprometidos com as medidas sanitárias ou discípulos do Átila, mas sem exercer nosso dever cívico de dar um basta a essa gestão desastrosa, única no mundo em sua conjugação de pestilência verbal, inação administrativa e incompreensão histórica do que se passa no planeta. Até quando assistiremos a esse horror e admitiremos que o presidente siga em marcha batida ao precipício, levando cada um de nós de carona?

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Os valores de Guedes | Bernardo Mello Franco - O Globo

Ministério explica que visita de Guedes será mais produtiva após a escolha de um relator

Paulo Guedes perdeu a aura de superministro, mas continua a ser o homem certo para o cargo que ocupa. Nenhum outro economista espelharia tão bem os valores e princípios do bolsonarismo. Ou a ausência deles.

Em dois anos e quatro meses no poder, Guedes já ofendeu mulheres, servidores públicos e pobres em geral. A lista de insultos voltou a crescer na terça-feira, em reunião do Conselho de Saúde Complementar.

Sem saber que estava sendo gravado, o ministro disse que “o chinês inventou o vírus, e a vacina dele é menos efetiva do que a americana”. A frase criou um novo atrito diplomático com o maior parceiro comercial do Brasil.

Guedes também reclamou do envelhecimento da população, um fato que deveria ser comemorado. “Todo mundo quer viver cem anos”, resmungou, acrescentando que não haveria como atender a todos no setor público.

A queixa revela desprezo pelos idosos mais pobres e insensibilidade com o morticínio no país. Um estudo de Harvard mostrou que a pandemia reduziu a expectativa de vida dos brasileiros em quase dois anos.

O ministro não pode culpar a câmera indiscreta pelo seu festival de preconceitos. Em eventos públicos, ele já fez coisas como chamar servidores de “parasitas” e dizer que a primeira-dama da França “é feia mesmo”.

Em outra palestra, apontou o que via como efeito indesejado do dólar baixo: “Empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada”. Ele sugeriu que as trabalhadoras deveriam se contentar com passeios mais modestos: “Vai para Cachoeiro do Itapemirim, vai conhecer onde o Roberto Carlos nasceu”.

Na reunião de terça, Guedes reclamou que o Fies bancou a faculdade de “filho de porteiro” que tirou zero no vestibular. A história é inverossímil porque o programa exige nota mínima para conceder bolsas. Mas a mentira não é o pior da fala ministerial.

Em novembro, o jornal “El País” entrevistou Gabriella Juvenal Figueiredo, mestranda em história da arte na Espanha. Filha de um porteiro e uma doméstica, ela relatou uma vida de discriminação por estudar entre jovens da elite. “Infelizmente, tive de aprender a sobreviver ao lado dessas pessoas que te olham por cima do ombro”, disse.

Ao contar o que enfrentou, Gabriella resumiu os valores de Guedes.

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Resumo da semana: Brasil atinge marca trágica, CPI começa, ministros mostram valores desprezíveis

ONG Rio de Paz faz manifestação em Copacabana após o país ultrapassar a marca de 400 mil mortes pela Covid-19

Uma semana dolorosa na pandemia. Tem sido assim há um ano e dois meses, desde o 17 de março do ano passado, quando morreu a primeira pessoa no Brasil. São agora 400 mil e isso é uma tragédia cuja dimensão humana, pessoal e coletiva é difícil compreender. A não ser enviar um abraço virtual a cada pessoa que está nos ouvindo nesse momento e que foi atingido direta ou indiretamente por essa dor.

- CPI da Pandemia-  Foi instalada. Mas só na semana que vem começarão os depoimentos. Os governistas tentaram tumultuar questionando a relatoria de Renan Calheiros e chegaram a entrar na Justiça. Perderam. No início da semana, vazou um relatório de 23 questões enviadas aos ministérios que o mostra o medo do governo com a CPI. Foram convocados já os ex-ministros e o atual ministro da Saúde.

- Preconceito - O ministro Paulo Guedes mostrou uma coleção de preconceitos numa conversa dentro do governo, que foi divulgada por eles mesmos. Ele nao sabia que estava sendo divulgada. Reclamou que os brasileiros estão vivendo demais, querendo viver até 100 anos, acusou a China de ter inventado o vírus, disse que a vacina americana é melhor do que a chinesa. E depois reclamou que filho de porteiro foi estudar na universidade. Enfim, um pensamento completamente distorcido, que revela valores desprezíveis. Nessa mesma conversa, o general Eduardo Ramos se desqualificou também ao revelar que tomou vacina escondido porque essa era a orientação. Parece um detalhe, mas é revelador do caráter de quem aceita fazer escondido um ato que ao ser público agrega esforço coletivo de imunização.

- Mudança na estrutura do Ministério da economia –Guedes fez uma reorganização nos cargos, no ministério da Economia . Há uma pressão política do Centrão por mais cargos a serem negociados no governo, que poderia vir do desmembramento do superministério. Guedes reorganizou a equipe como uma forma de tentar evitar a divisão. Em reunião com Arthur Lira, decidiram andaram com as reformas administrativa e tributária este ano.  Mas parece mais uma forma de Lira querer os holofotes que estão no Senado por conta da CPI. Sobre o Censo, o ministro Marco Aurélio determinou “a adoção de medidas voltadas à realização do Censo”. Guedes disse que quem cortou a verba para a pesquisa foi o Congresso

-Desemprego- A taxa subiu para 14,4%, a população desocupada é de 14,4 milhões de pessoas. Esse é o dado que pega o trimestre dezembro de 2020, janeiro e fevereiro de 2021. Para ter se uma ideia, no trimestre do ano anterior, um pouco antes da crise, portanto, porque terminava em fevereiro de 2020, o desemprego era de 11,6%. A população ocupada encolheu em 7,8 milhões de pessoas. Ou seja, desapareceram 7,8 milhões de postos de trabalho. O número atual é o maior da série que começou em 2012.

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Vade-retro, malévola trindade

Deveria escrever sobre a polícia fluminense ter multiplicado o número de operações e pessoas mortas em favelas em 2021, apesar de proibidas pelo Supremo Tribunal Federal. Desde o início do ano, segundo a plataforma Fogo Cruzado, a Região Metropolitana do Rio registrou 1.415 tiroteios, que deixaram 305 mortos e 313 feridos. Em 454 ocorrências havia agentes do estado, 22 morreram, 27 foram feridos. Houve 21 chacinas, quando uma só situação deixa pelo menos três vítimas fatais. A Rede de Observatórios de Segurança contabilizou 257 operações policiais com 69 mortes no primeiro trimestre deste ano, respectivamente, 55% e 33% a mais que no mesmo período de 2020.

Pensei em festejar o tombamento do terreiro de Joãozinho da Gomeia, espaço de memória e resistência dos cultos afro-brasieiros, agora preservado, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, epicentro da intolerância religiosa no estado. Ou a transformação do 27 de março, data de nascimento do pai de santo mais famoso do Rio, no Dia Estadual de Conscientização contra o Racismo Religioso. Ou o plano de investimentos do presidente Joe Biden, que pretende apresentar aos EUA o Estado de bem-estar social estabelecido na Constituição brasileira, mas nunca inteiramente aplicado.

Precisei expressar pesar e raiva pela marca nefasta de 400 mil vítimas da Covid-19 e também da necropolítica de um governo assentado na incompetência, na mentira, na indiferença, na brutalidade. Um mês e meio atrás, quando a pandemia completou um ano e 270 mil óbitos, enumerei neste espaço a quantidade de pessoas de meu círculo de convivência que tinham perdido seus queridos. Foram-se o neto do Luiz Sacopã, o avô e o padrasto do Felipe, a avó e o tio da Daiene, o pai da Fabricia, a mãe e o pai do Stanley, o pai da Fernanda, o sobrinho e a irmã da Ana Claudia, a mãe da Rachel, o pai da Telma, o pai da Juliana, o pai da Thux. De lá para cá, morreram o Sandro, o avô da Gabriela, o pai da Lucia Helena, a prima da Rita, o Aloy, a Najá, o padrasto da Georgia, o pai da Raquel, o irmão do Caíque, a irmã da Charlene.

Não há uma família no Brasil que não tenha sido alcançada pela doença, pela morte ou pelos efeitos socioeconômicos perversos do enfrentamento precário à pandemia. Jair Bolsonaro e seu entorno minimizaram a gravidade da crise sanitária. Desprezaram o protocolo de prevenção, recomendaram medicamentos comprovadamente ineficazes, negligenciaram a compra de vacinas, são incapazes de administrar a escassez de imunizantes.

Não por acaso, o presidente brasileiro ainda ontem foi criticado no Parlamento Europeu pelo negacionismo e acusado pelo eurodeputado espanhol Miguel Urbán de crime contra a Humanidade. Foi a mesma insinuação que fez o senador Renan Calheiros no severo discurso de posse na CPI da Covid:

—Não foi o acaso ou flagelo divino que nos trouxe a este quadro. Há responsáveis, há culpados, por ação, omissão, desídia ou incompetência, e eles serão responsabilizados. Essa será a resposta para nos reconectarmos com o planeta. Os crimes contra a Humanidade não prescrevem jamais e são transnacionais. Slobodan Milosevic e Augusto Pinochet são exemplos da História. Façamos nossa parte —declarou.

Eu me alongaria em cada um desses temas que me atravessaram na última semana, mas tenho de me ocupar de uma conquista civilizatória desprezada por uma autoridade brasileira. No rol de declarações infelizes que integram o currículo do ministro da Economia, nenhuma se compara a maldizer a medicina por ampliar a vida dos brasileiros, como fez esta semana:

—O Estado brasileiro é um Estado quebrado. Quebrou. E ele quebrou no exato momento em que o avanço da medicina... Não falo nem da pandemia, falo do direito à vida. Todo mundo quer viver 100 anos, 120, 130. Todo mundo vai procurar o serviço público. E não há capacidade do Estado.

À ciência, às vacinas, aos medicamentos, ao sanitarismo, à queda da mortalidade infantil, Paulo Guedes deve a longevidade que lhe permitiu chegar ao cargo. Nascido em 1949, quando a esperança de vida dos brasileiros não passava de 45 anos, chegou à cúpula da República aos 69. Viveu para maldizer a mais celebrada etapa das tendências populacionais, quando as famílias são preservadas pela sobrevivência das crianças e pela longevidade dos idosos. Desde os anos 1940, a esperança de vida no Brasil aumentou três décadas, batendo 76 anos em 2019 (73 para homens, 80 para mulheres).

Cresceu ininterruptamente até o ano passado. Por causa da pandemia, que abateu principalmente pessoas com 60 anos ou mais de idade, principal grupo de risco da doença, demógrafos estimam que, em 2020, os brasileiros tenham perdido um par de anos de vida. Neste 2021, ainda mais mortal, a diferença entre os registros de nascimentos e óbitos vem caindo, o que sugere que a população do país pode diminuir em termos absolutos entre 2035 e 2040, uma década antes do previsto. É difícil sobreviver à malévola trindade Covid-Bolsonaro-Guedes. Vade-retro.

Flávia Oliveira - assinatura

Por Flávia Oliveira

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Apple, Facebook e o Grande Irmão

Por Pedro Doria

Aos poucos, cada um dos donos de iPhones do mundo, lentamente, atualizará seu aparelho para o novo iOS 14.5. Essa mudança será uma declaração de guerra da Apple contra duas outras gigantes do Vale: Google e Facebook. O Vale do Silício anda faz um tempo sem inovar, sem provocar grandes revoluções — a última relevante, diga-se, foi o próprio iPhone, em 2007. Mas, não bastasse a guerra com governos de EUA e Europa por abuso de monopólio, há também essa outra guerra em curso. Interna. No centro, a publicidade.

O que faz a diferença é a geração de cada empresa. A Apple pertence à segunda geração de empresas de tecnologia nascidas no Vale. Veio no rastro da primeira, que tem como marco a Intel. Com o surgimento do microchip, computadores pessoais se tornaram possíveis, e a indústria que conhecemos hoje nasceu. A inovação que lançou ao mundo a terceira geração é a internet — é daí que vieram Google e Facebook.

A distinção entre uma e outra geração é a natureza do negócio. A Apple, como outras empresas nascidas nos anos 1970 e 80, vende coisas. Podem ser coisas físicas — o hardware de computadores, celulares —, como podem ser coisas de natureza lógica — software. Os modelos são vários. A venda, a assinatura, não importa. Mas algo está sendo oferecido em troca de dinheiro. Com Google e Facebook, dos anos 1990 e 2000, o ramo é outro. Seu produto é gratuito. A busca, o site de vídeos, a rede social, o app de mensagens. As fortunas são construídas com propaganda.

Ou, como se diz ali nas ruazinhas arborizadas e pouco movimentadas do Vale do Silício, se não paga por algo, é porque o produto é você mesmo.

A propaganda de Google e Facebook foi uma hecatombe no mercado publicitário, sugou o dinheiro que antes era pulverizado em todo o mundo e firmou monopólio de tamanho global ao longo dos últimos 15 anos. É uma propaganda baseada num truque tecnológico: essas empresas acompanham cada um de nossos passos.

A cada app que abrirmos no iPhone com o novo sistema, porém, seremos imediatamente questionados: este aplicativo, o celular dirá, acompanha seus passos não só nele, como também em outros apps e nos sites que você visita. Quer deixar? Nas contas internas do Facebook, 80% dirão que não.

O Facebook não gostou, mas não tem o que fazer. Mas atuou. Diz que a Apple é hipócrita, pois forçará muitos apps a migrar para um modelo de assinatura — e a loja do iPhone pega um percentual disso aí. O Face também argumenta que serão pequenos negócios, que tiveram acesso a publicidade barata pelo meio digital, os maiores perdedores.

O Google preferiu não se meter na briga. Até porque é dono do Android e já tem gente cobrando uma postura similar. Ali há conflito de interesses.

A verdade é que a Apple não tem o que perder, mesmo que o Face tenha razão em suas acusações. Para a empresa fundada por Steve Jobs, os dados de seus consumidores, cada detalhe do seu comportamento, valem nada. Ela vive mesmo é de vender celulares em que os consumidores confiem. Isso vale muito mais que uns percentis de assinaturas.

O que está em jogo é o futuro. Com o 5G e a internet das coisas a caminho nos próximos poucos anos, o risco é termos cidades empesteadas por câmeras e sensores vigiando cada um de nossos passos, transformando-os em dados de comportamento para fazer surgir propaganda eficiente. Propaganda que sabe tudo sobre nós, que prevê nossos desejos mais íntimos, que sabe o que fizemos até quando estamos sozinhos, de madrugada, perante o monitor ou numa esquina perdida.

Se não cortar agora, o futuro é do Grande Irmão privado.

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Netanyahu chama mortes em peregrinação de 'catástrofe' e decreta luto

Do UOL, em São Paulo *

30/04/2021 07h41

Atualizada em 30/04/2021 13h44

tumulto que provocou pelo menos 45 mortes em Israel na madrugada de hoje (horário local) durante uma peregrinação judaica é uma das "catástrofes mais graves" da história do país, afirmou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Em tuíte publicado na manhã de hoje, o primeiro-ministro acrescentou que as autoridades conduzirão "uma investigação completa, séria e profunda para garantir que tal desastre não ocorra novamente".

Palestinos saem às ruas após adiamento das primeiras eleições em 15 anos

O chefe de Governo visitou o local da tragédia, no Monte Meron, no norte de Israel, e decretou um dia de luto nacional no domingo. Funerais de vítimas já estão sendo realizados em Jerusalém e em Tel Aviv.

Havia cenas de partir o coração aqui. Pessoas esmagadas até a morte, incluindo crianças. Uma grande parte dos que morreram ainda não foram identificados e quero evitar espalhar boatos nas redes sociais porque isso está rasgando o coração das famílias. Deixe as autoridades trabalharem Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel

Mais tarde, o premiê foi até o Hospital Shaare Zedek para fazer uma doação de sangue às vítimas do acidente. "Obrigado aos muitos cidadãos de Israel que doaram sangue hoje. Nos momentos de teste, nosso povo se une", agradeceu.

Netanyahu também disse que falou por telefone com os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, respectivamente Joe Biden e Vladimir Putin, que expressaram condolências e pesares pela tragédia.

Além dos mortos, o MDA (Magen David Adom) — equivalente israelense da Cruz Vermelha — estima que 150 pessoas ficaram feridas no maior evento de massa desde o início da pandemia da covid-19 no país.

As equipes de resgate disseram inicialmente que uma arquibancada desabou para explicar o número de feridos, antes de falar de uma gigantesca "correria".

As circunstâncias específicas que levaram à confusão ainda não foram esclarecidas, mas um socorrista no local, Yehuda Gottleib, que trabalha para o United Hatzalah, disse que viu homens "esmagados" e "inconscientes".

Testemunhas

Testemunhas disseram que pessoas foram asfixiadas ou pisoteadas em uma passagem de cerca de três metros de largura, algumas despercebidas até o sistema de som emitir um apelo para que se dispersassem.

Alguns dos mortos ainda não foram identificados, e familiares de participantes do festival que ainda estão desaparecidos ligaram para estações de rádio pedindo ajuda para encontrá-los.

"Íamos entrar para as danças e etc, e de repente vimos paramédicos do MDA passarem correndo", disse Shlomo Katz, de 36 anos, à reportagem. Depois, o homem relatou ter visto ambulâncias saindo "uma atrás da outra".

Um homem ferido em um leito de um hospital da região descreveu que "uma pirâmide de um em cima do outro se formou" e "as pessoas se empilharam uma em cima da outra". "Eu estava na segunda fileira. As pessoas na primeira fileira eu vi morrerem diante dos meus olhos", contou.

"A polícia não reabriu (a barreira) até que se rompeu e toda a multidão explodiu para os lados. Dezenas de pessoas morreram esmagadas, uma catástrofe", afirmou Shmuel, de 18 anos, à reportagem.

Festival

A peregrinação, que celebra o feriado judaico de Lag Ba'Omer, ocorre no Monte Meron, em torno do túmulo do rabino Shimon Bar Yojai, um talmudista do século dois que é creditado por escrever o Zohar, obra central do misticismo judaico.

Antes da tragédia, a multidão percorria corredores e salões, dançando e cantando, rezando e acendendo velas e fogueiras. Homens e mulheres estavam separados.

Havia crianças no local, que também estão entre os mortos. Em Jerusalém, dois irmãos, um de 9 e outro de 14 anos, estão sendo enterrados, segundo a mídia israelense.

Pessoas que passaram a noite no local questionaram como a situação saiu de controle tão rapidamente, mas há anos existem preocupações a respeito dos riscos de segurança do evento anual.

As autoridades haviam permitido a presença de 10 mil pessoas no complexo, mas, segundo os organizadores, mais de 650 ônibus foram fretados rumo ao local, estimando-se pelo menos 30 mil pessoas. A imprensa local estimou um fluxo de 100 mil pessoas.

Em 2019, um ano antes da pandemia do novo coronavírus, que provocou o cancelamento da peregrinação em 2020, os organizadores calcularam que 250 mil compareceram ao local.

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A próxima revolução tecnológica será quântica. Você sabe o que é isso?

Interior do sistema de computação quântica IBM Quantum - IBM
Interior do sistema de computação quântica IBM Quantum Imagem: IBM
Álvaro Machado Dias

30/04/2021 04h00

Uma das tendências da tecnologia mais radicais e promissoras é a dos computadores quânticos.

No fim do mês passado, a startup IonQ anunciou que iria lançar ações na bolsa de Nova Iorque (Nasdaq). IBM, Microsoft e outras possuem modelos de negócios bem estabelecidos na área, mas esta é a primeira vez que uma empresa vai do quintal à Dow Jones, baseando-se nos fenômenos físicos que deixaram Albert Einstein de cabelo em pé.

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A trajetória meteórica da IonQ reflete o recrudescimento da empolgação com a aplicabilidade prática de fenômenos quânticos como o entrelaçamento (fundamento maior do bit quântico ou Qbit), o princípio da incerteza (fundamental para a internet quântica) e a capacidade de usar a informação como "combustível".

Isso tudo está baseado em uma mudança profunda de paradigma, que ainda não chegou à maioria das pessoas, apesar de ter mudado para sempre o entendimento especializado sobre como funciona o mundo, na escala das coisas bem pequenas.

O artigo de hoje discute essa mudança de entendimento. A ideia não é entrar em debates mais técnicos, mas olhar transversalmente para a essência desta tal era quântica.

Tudo começa com Isaac Newton. O cientista e intelectual inglês fez muito mais pela humanidade do que simplesmente revolucionar a física, a astronomia e a matemática. Newton abriu o portal para uma nova forma de entender o que existe, eternizada na imagem do universo como um imenso relógio, cuja precisão mecânica seria a própria expressão do divino.

Newton é o precursor da ideia de que podemos fazer a engenharia reversa de todas as coisas e assim chegarmos à sua essência. Ele mostrou como o Sol e a Terra interagem à distância e deu outro sentido à maçã, que até então se contentava em exercer papel de vilã nas narrativas imaginárias.

Muitas das ideias mais famosas da modernidade são newtonianas.

Tome por exemplo a ideia de que o aparelho psíquico é como um microscópio, com suas instâncias ou lentes, que Freud introduziu no livro a Interpretação dos Sonhos. Trata-se de uma ideia mecanicista, próxima de Newton a ponto de usar um objeto ótico como referência. Os exemplos similares são inúmeros.

Já escrevi um bocado sobre a natureza do pensamento intuitivo, em contexto decisório. Bom, a verdade é que nossas intuições mais elementares são inferências tácitas de um mundo newtoniano. Aquilo que sobe, desce. A boneca atirada com força segue uma trajetória que os olhos antecipam, ao passo que o carrinho que desliza sobre o tapete rapidamente engripa. Esse tipo de entendimento serve de instrução para que nos mantenhamos vivos, já as coisas em escala natural manifestam-se sob princípios que Newton ajudou a formular.

O que é mais surpreendente é que Newton foi muito além da formulação da física do que é observável e cotidiano. A ideia mais bela e profunda a qual se dedicou é a da conservação de movimento. As coisas paradas não saem andando do nada, enquanto as coisas que deslizam sem fricção seguem em seu curso por tempo infinito, conceito que não faz nenhum sentido na esfera do que se pode conhecer diretamente. Com ideias como esta, Newton nos livrou de éteres e objetos com vontade própria, herdados da Grécia antiga. Ele não só mapeou intuições sobre como o mundo visível funciona, como ajudou-nos a expandir os horizontes das nossas abstrações, que se tornaram a marca registrada do pensamento ocidental moderno.

Porém, duzentos anos depois de ter iniciado uma verdadeira revolução cognitiva, as ideias newtonianas foram colocadas em cheque pela mecânica quântica, uma das maiores descobertas intelectuais de toda a história da humanidade, a qual colocou de pernas para o ar o entendimento científico, assim como também o imaginário.

IonQ apresenta a geração mais recente de sua armadilha iônica, estrutura empregada na computação quântica - Kai Hudek/ IonQ - Kai Hudek/ IonQ
IonQ apresenta a geração mais recente de sua armadilha iônica, estrutura empregada na computação quântica Imagem: Kai Hudek/ IonQ

No mundo daquilo que é pequenino, as coisas não estão aqui ou ali para serem definidas em sua trajetória e identidade, mas habitam ondas de probabilidade, fixadas pela observação. Elas parecem que foram inspiradas naqueles brinquedos malandros de Toy Story, que se atiram ao chão inertes quando a porta do quarto é aberta.

Do outro lado desta porta, podemos escutá-los brincando, mas como eles voltam ao plástico e ao pano se diretamente flagrados, muitos consideram que são brinquedos ordinários e animados ao mesmo tempo.

A ideia de que preferem ser uma metamorfose ambulante é estranha, conforme Schrödinger sinalizou com seu experimento mental do gato que poderia estar vivo e morto ao mesmo tempo—. Alguns físicos famosos consideram que possua lacunas intransponíveis e isto vem levando à popularização de uma alternativa que diz que não são os estados simultâneos que se multiplicam, mas os universos em que as coisas existem de maneira exclusiva. Esta é a hipótese dos multiversos (MWI), que Hugh Everett propôs em 1957, um pouco antes de abandonar a física para sempre, e que Sean Carroll vem convertendo em best sellers e artigos na grande mídia.

Tecnicamente, a discussão é se há o colapso da função de onda ou não, mas como eu disse, nada de entrar por esses caminhos mais ermos, que não contribuem em nada para o nosso objetivo de hoje, que é formar uma visão sobre esse admirável mundo novo, que só tem um século de vida e, por isso, permanece pouco conhecido.

Assim, seja em seus estados indefinidos ou através de multiversos, cuja existência pressupõe que a tessitura do mundo esteja se tornando cada vez mais fina, conforme mais e mais bifurcações são criadas no universo, caso é que as coisas podem existir em estado de entrelaçamento, que é um tipo de identidade profunda a ponto de tornar a descrição de uma partícula o espelho da descrição de sua contraparte.

Não é que nem aqui, onde dizemos "estamos juntos, cara" e seguimos separados. No campo dos fenômenos quânticos (isto é, enquanto a perda de coerência não fala mais alto), aquilo que ocorre com uma partícula afeta sua contraparte, mesmo que estejam distantes há milhões de anos, em prisões de chumbo dispostas em pontas opostas da galáxia.

O entrelaçamento quântico é um verdadeiro estranhamento quântico, descortinando verdades contrárias às intuições que vêm conosco de fábrica. Porém, no meio dessa história, uma coisa importante vem mudando. Fenômenos quânticos estão sendo descobertos no coração da realidade diretamente acessível, implodindo divisões, que em sua essência todos sabem que não se sustentam.

Plantas absorvem 10 elevado a 17 joules de energia solar por segundo e você deve ter notado que elas não se aquecem com isso, ao contrário dos motores que nós fabricamos. A explicação está no tempo para converter a energia recebida em carboidratos, que é o jeito desenvolvido para aproveitá-la.

A transformação é praticamente imediata porque as plantas usam entrelaçamento quântico para mover o processo de fotossíntese para frente mais rapidamente. Assim, ao invés de processar reações individualmente nos diferentes cromatóforos, as plantas "sincronizam" isso tudo, de maneira quântica.

Outro exemplo: 20% das aves migram distâncias enormes. Algumas andorinhas chegam a voar 70.000 quilômetros, entre os polos e também na linha do Equador. O abutre dos Himalaias voa a 9.000 metros de altura, passando sobre alguns dos picos mais altos do mundo.

Como essas aves se localizam em meio a tamanho desafio? Como sincronizam seus voos, ao invés de se perderem umas das outras no caminho? A resposta provável diz que o entrelaçamento quântico permite-lhes "enxergar" o campo magnético do planeta.

O olfato humano é o nosso grande sistema de investigação do caráter saudável das coisas. Segundo um estudo recente publicado na revista Science, nosso sistema olfativo é capaz de processar cerca de um trilhão de cheiros. Ainda não está claro como é implementada esta capacidade toda, mas uma hipótese que vem ganhando popularidade é a de que isto envolva tunelamento quântico, que é a capacidade da função de onda de atravessar barreiras físicas.

É cedo para saber, mas nunca é tarde para lembrar que conseguimos perceber a diferença entre isótopos pelo olfato, ou seja, captamos diferenças entre substâncias cujas composições variam na escala de alguns poucos nêutrons.

Outra ideia que vem ganhando popularidade é a de que anestésicos alterarem o spin de elétrons no cérebro, desligando a consciência. Há também a de que núcleos de átomos de fósforo funcionem como bits cerebrais quânticos, que podem estar ligados, desligados e em todas as situações intermediárias ao mesmo tempo. Nenhuma das duas hipóteses foi provada, mas o fato de estarem sendo discutidas por gente séria e dedicada sinaliza duas coisas: a biologia quântica é um dos campos mais efervescentes de hoje em dia. E, acima de tudo, não faz mais sentido pensar o mundo por referenciais newtonianos.

Tal como se sabe no Brasil, a realidade não é para amadores. As nossas intuições sobre o seu funcionamento não traduzem adequadamente alguns de seus princípios mais fundamentais, começando pelo fato de que as coisas são feitas de ondas e a incerteza não é uma condição esporádica, mas está embebida na natureza de tudo o que é. Na marra, vamos aprendendo a lidar com isso, enquanto uma revolução tecnológica muito maior do que a da inteligência artificial anuncia-se.

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Estão gostando do palhaço?

Agora no centro do picadeiro, Paulo Guedes não perde uma oportunidade de ficar calado

Paulo Guedes, ministro-bufo de Jair Bolsonaro encarregado dos esquetes sobre economia, disse que "livro é coisa de rico". E, como sempre, desafinou. Bolsonaro, por exemplo, é rico e não gosta de livros. O último que teve em mãos foi no dia de sua posse —um exemplar da Constituição, que ele jurou defender, mas nunca abriu e na qual cospe com regularidade.

Bolsonaro tem razão em não ligar para livros. Não só porque lê com dificuldade, acompanhando as linhas com a cabeça e tropeçando nas palavras quebradas, mas porque construiu seu patrimônio sem precisar deles, valendo-se apenas do salário de deputado e, dizem, do de seus servidores. A estante ao fundo em seus pronunciamentos no Planalto é cenográfica, com livros comprados a metro. Às vezes variam a cor das lombadas para combinar com sua gravata. Um brincalhão poderia rechear as prateleiras com as obras completas de Karl Marx e Bolsonaro não perceberia.

Esse brincalhão poderia ser Paulo Guedes. Numa trupe de momos como Abraham Weintraub, Ernesto Araújo e Eduardo Pazuello, era difícil notá-lo no picadeiro. À medida que eles foram sendo defenestrados, Guedes saltou para o centro da lona e nunca mais perdeu uma oportunidade de ficar calado. Exprobou as domésticas por irem à Disney, tachou os servidores públicos de parasitas, acusou os pobres de destruir o meio ambiente e ainda os condenou por não saberem poupar e só pensarem em consumir.

Como o show não pode parar, Guedes há pouco criticou o brasileiro por "querer viver 100, 120, 130 anos" e sobrecarregar a Previdência. Deu mais uma cotovelada na China, acusando-a de ter inventado o vírus e vender uma vacina de segunda. E avisou o IBGE que não lhe mandaria dinheiro para fazer o Censo porque "quem muito pergunta ouve o que não quer".

Está certo. Imagine se, em meio ao espetáculo, alguém perguntar ao público se estão gostando do palhaço.

Homem de óculos e máscara
Paulo Guedes, ministro da da Economia - Mathilde Missioneiro/Folhapress
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Deu Tilt #13: por que o 5G está prestes a revolucionar as nossas vidas

De Tilt, em São Paulo

30/04/2021 04h00

Atualizada em 30/04/2021 15h28

A implantação da tecnologia 5G de telefonia celular vai ser uma revolução que vai muito além dos smartphones e deve trazer benefícios em diversos setores do Brasil. Esse é a análise de Moacyr Martucci Junior, professor do departamento de Engenharia de Computação da USP (Universidade de São Paulo) e um dos coordenadores do think-tank de implantação do 5G no Brasil. Ele conversou sobre o assunto com Guilherme Tagiaroli, repórter de Tilt, no 13º episódio do nosso podcast de ciência e tecnologia, o "Deu Tilt".

Ouça o episódio na íntegra no arquivo acima.

O 5G não é mais sobre telefonia. Para Martucci é muito mais do que isso, já que a tecnologia vai interligar máquinas, pessoas e muito mais (ouça a partir de 4:20 no arquivo acima).

"O 5G é uma ferramenta de conexão, ou seja, vai conectar coisas, equipamentos e pessoas. E vai conectar para automação. O 5G é uma revolução e a característica mais importante é que é uma aplicação que junta telecomunicações com computação, e dentro dela computação em nuvem, inteligência artificial e big data", afirmou.

Com velocidade de 100 Mbps (megabits por segundo) e pico podendo chegar a 20 Gbps (gigabits por segundo), vai ser possível ver filmes em 8K ou fazer videoconferência com holografia. Para Martucci, os serviços vão aparecer aos montes (a partir de 10:15).

"O 5G é bonito porque tem uma miríade de aplicações que serão possíveis serem implementadas. Tem estimativa que vai aumentar o PIB do mundo de 8 a 10 trilhões de dólares", contou.

Para o professor, a tecnologia estará plenamente disponível no Brasil de dois a cinco anos e, provavelmente, vai custar mais barato do que o 4G para o consumidor final (a partir de 12:50).

"Quanto vai custar é difícil saber, mas provavelmente vai custar mais barato que o 4G. Isso depende de modelo de negócios e de uma série de fatores. Mas a tendência mundial é que custe mais barato para o usuário final. Claro que o 'early adopter' [entusiasta de novas tecnologias] vai pagar mais caro, mas depois o preço vai baixando", disse.

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Algoritmo do Facebook não dança só, mas público tem que aprender os passos

Gerd Altmann/ Pixabay
Imagem: Gerd Altmann/ Pixabay
Carlos Affonso

29/04/2021 04h00

É tudo culpa das redes sociais. Antes todo mundo gostava dos resultados das eleições. Os amigos só tinham opiniões legais. Os encontros de família eram felizes. Os tios do churrasco só queriam saber sobre o ponto da carne e se já estava bom de pão de alho. Os adolescentes vivam na expectativa de mais um dia para estudar física e geometria. Todos tinham as informações corretas e necessárias sobre todas as coisas. Como foi que abandonamos esse paraíso?

O uso intensivo e viciante de redes sociais, somado às manipulações algorítmicas, transformaram as eleições em um campo de batalha, romperam antigas amizades, afastaram as famílias, radicalizaram os tios do churrasco, deprimiram os adolescentes e desinformaram o mundo todo. Na dúvida, é tudo culpa das redes sociais. De quem mais seria?

Precisamos fazer um debate equilibrado e informado sobre as redes sociais, entendendo o seu papel nas últimas décadas e construindo soluções para um futuro no qual estaremos cada vez mais conectados. Para essa conversa acontecer de verdade é preciso fugir de conclusões maniqueístas, como as acima, que depositam tudo de bom ou tudo de mau em um só lado da balança.

É preciso também trazer para a conversa os mais diferentes atores que estão no olho do furacão regulatório sobre o futuro das chamadas big techs, além de ampliar a discussão para quem ainda não entrou no debate, mas que acaba sentindo no dia a dia os seus efeitos.

Um recente artigo publicado pelo vice-presidente para Assuntos Globais e Comunicação do Facebook, Nick Clegg, dá um empurrão nessa conversa. De forma provocadora, o texto rebate algumas das principais críticas feitas à empresa e ao modelo de funcionamento das redes sociais e seus algoritmos. De quebra, ele anuncia algumas modificações na forma pela qual os usuários do Facebook poderão acessar novos conteúdos.

O texto de Nick Clegg traz um ponto de vista quiçá imprescindível para o sucesso da conversa sobre o futuro das redes sociais: o de um dos principais executivos de uma das principais empresas interessadas no assunto. Mas —como lembra a professora Daphne Keller, da Universidade de Stanford— é também essa qualificação (VP do Facebook) que pode atrapalhar na comunicação de algumas das suas principais mensagens.

Ninguém dança tango sozinho

O título do artigo de Nick Clegg é "It takes two to tango" (expressão em inglês que podemos traduzir como "ninguém dança tango sozinho"). Ou seja, assim como o tango pede dois participantes, os algoritmos das redes sociais nada poderiam fazer sem um segundo componente fundamental para o resultado que vemos na tela: nós mesmos.

A escolha desse título procura revelar, logo na largada, a ideia de que muita das críticas recebidas pelas redes sociais com foco no uso de algoritmos parece desconsiderar que eles dependem de um agir humano para funcionar.

Aqui entramos em uma discussão tipo quem veio primeiro: o ovo ou a galinha? As pessoas se radicalizaram e se desinformaram por causa do algoritmo ou o algoritmo sugeriu às mesmas esse tipo de conteúdo porque elas já demonstravam interesse nesse tipo de conteúdo?

Nós contra as máquinas

Nick Clegg elenca uma série de críticas às redes sociais como sendo uma verdadeira "ameaça existencial" à raça humana. Em um artigo recente na The Atlantic, o Facebook foi descrito como "um dispositivo construído com o único propósito de destruir toda a vida humana". No documentário da Netflix, "O Dilema das Redes", um adolescente é manipulado remotamente por três vilões através do seu celular.

O documentário do Netflix explora bastante essa noção de que os algoritmos seriam os armamentos de destruição em massa (ou "armamentos de destruição matemática", na linguagem da autora Cathy O'Neil) na batalha final pelo controle dos nossos cérebros.

O documentário usa até mesmo uma estética que sugere que cada um de nós está sendo usado como bateria para alimentar as máquinas, tal qual visto no último filme da trilogia Matrix.

Segundo Nick Clegg:

"Em cada uma dessas representações distópicas, as pessoas são retratadas como vítimas impotentes, privadas de seu livre arbítrio. Os humanos se tornaram brinquedos de sistemas algorítmicos manipulativos. Mas isso é realmente verdade? As máquinas realmente assumiram o controle?"

Seja o seu próprio Keanu Reeves

Na série Matrix, o personagem Neo (vivido por Keanu Reeves) desperta para a consciência do estado no qual se encontrava a humanidade e parte em uma missão para salvá-la. No debate sobre algoritmos, o primeiro passo em direção à mudança mais que bem-vinda é dar ao usuário mais controle sobre o que ele vê e como ele interage com esses conteúdos, permitindo mudanças no modo como a plataforma é utilizada.

pessoa na matrix - Pixabay - Pixabay
Os seus cliques, curtidas e dados dizem muito sobre você, levando algoritmos de diferentes empresas a prever comportamentos e predileções. Imagem: Pixabay

Nesse sentido, o texto de Nick Clegg apresenta uma série de novas funções que serão progressivamente implementadas no feed de notícias do Facebook. Aqui vão três:

  • Favoritos: "Um novo produto chamado 'Favoritos', que melhora o controle 'Ver primeiro' que existia anteriormente, permite que você veja os principais amigos e páginas que o Facebook prevê que sejam mais significativas para você --e, mais importante, você pode adotar essas sugestões ou simplesmente adicionar outros amigos e páginas se quiser. Postagens de pessoas ou páginas que você seleciona manualmente receberam destaque em seu feed de notícias e marcadas com uma estrela. Essas postagens também preencherão um novo feed de favoritos, uma alternativa ao feed de notícias padrão."
  • Mude o meu feed!: "Por algum tempo, foi possível visualizar seu feed de notícias em ordem cronológica, de modo que as postagens mais recentes apareçam no topo. Isso desativa a classificação algorítmica, algo que deve ser reconfortante para aqueles que não confiam nos algoritmos do Facebook desempenhando um papel no que é apresentado na tela. Mas esse recurso nem sempre foi fácil de encontrar. Portanto, o Facebook está introduzindo uma nova 'barra de filtro de feed' para tornar mais fácil alternar entre este feed mais recente, o feed de notícias padrão e o novo feed de favoritos."
  • Por que eu estou vendo isso?: "Há algum tempo o Facebook vem tentando aumentar a transparência em torno do motivo pelo qual um determinado anúncio apareceu em seu feed de notícias por meio da ferramenta chamada 'Por que estou vendo isso?', que você pode ver clicando nos três pontos no canto superior direito de um anúncio. Isso foi estendido para a maioria das postagens em seu feed de notícias em 2019 e hoje também está disponível para algumas postagens sugeridas, para que você possa entender melhor por que esses vídeos de culinária ou artigos sobre filmes continuam aparecendo para você."

O texto revela que outras mudanças virão ao longo do ano, como "o fornecimento de mais transparência sobre como a distribuição de conteúdo problemático é reduzida", além de centrais de informação sobre temas como mudança climática e justiça racial.

Ninguém vai se tornar um Neo com essas mudanças, mas elas podem abrir caminho para maior customização por parte do usuário sobre o que ele vê e como ele interage com esse conteúdo no Facebook e além.

Sem transparência não tem confiança

O cenário de desconfiança com as redes sociais, que termina por jogar toda a culpa dos males causados pela desinformação e pela polarização em cima dos algoritmos, surge justamente da falha dessas mesmas empresas em jogar luz sobre aspectos essenciais das suas operações. Na ausência de uma comunicação clara e compreensível fica mais fácil depositar a responsabilidade naquilo que não se conhece ou não se entende.

Como diz o próprio Nick Clegg:

"A tecnologia deve servir à sociedade, não o contrário. Diante de sistemas opacos operados por ricas empresas globais, não é de surpreender que muitos presumam que a falta de transparência existe para servir aos interesses das elites de tecnologia e não dos usuários. A longo prazo, as pessoas só se sentirão confortáveis com esses sistemas algorítmicos se tiverem mais visibilidade de como funcionam e, então, a capacidade de exercer um controle mais informado sobre eles."

O gênio já está fora da lâmpada

As redes sociais não podem ser "desinventadas", comenta Nick Clegg. Então o foco dos debates não deveria ser como podemos criar um mundo melhor sem elas, mas sim entender como elas devem melhorar, enfatizando transparência e controle do usuário. Nas suas palavras:

"Alguns críticos parecem pensar que a mídia social é um erro temporário na evolução da tecnologia —e que, uma vez que chegarmos a um acordo coletivo, o Facebook e outras plataformas entrarão em colapso e todos voltaremos aos modos anteriores de comunicação. Esta é uma interpretação profundamente errada da situação —tão imprecisa quanto a manchete do Daily Mail de dezembro de 2000 declarando que a internet "pode ser apenas uma moda passageira". Mesmo que o Facebook deixe de existir, a mídia social não será —ela não pode ser— 'desinventada'. O impulso humano de usar a internet para conexão social é profundo."

Se é verdade que as redes sociais não podem ser "desinventadas" —e aqui vai um comentário pessoal— nada impede que elas sejam reinventadas. Surge então um ponto importante na forma pela qual o argumento de Nick Clegg se desenvolve. O Facebook é apenas um tipo de rede social: uma rede de propósito geral, que reúne conteúdos de amigos e família, links para notícias, informações de páginas comerciais e bate-papo em grupos.

A última década viu prosperar uma série de outras formas de comunicação online, como aplicativos de mensagens instantâneas, redes sociais de propósito específico (mais voltadas para conteúdos profissionais, por exemplo), além da emergência de redes baseadas em fotos ou vídeos curtos cheios de filtros e efeitos.

As reinvenções não precisam parar no design das redes sociais, mas podem também avançar para a forma pela qual elas se remuneram. A dinâmica de personalização de conteúdos e de anúncios serviu de âncora para mais de uma década de monetização de dados em redes sociais. Por mais que esse ciclo possa ter gerado até uma nova forma de capitalismo (o chamado "Capitalismo de Vigilância", nas palavras de Soshana Zuboff), nada impede que novos modelos possam surgir.

Nick Clegg, ex-primeiro ministro do Reino Unido que virou vice-presidente do Facebook - Tobias Schwarz/AFP - Tobias Schwarz/AFP
Nick Clegg, ex-primeiro ministro do Reino Unido que virou vice-presidente do Facebook, durante discurso em Berlim, na Alemanha Imagem: Tobias Schwarz/AFP

Personalização não é exclusividade das redes sociais

O texto de Nick Clegg aponta para um fato que geralmente passa debaixo do radar: a personalização da experiência online não é uma característica exclusiva das redes sociais. Quando pensamos em algoritmos que monitoram cada clique, curtida ou compra, é o ambiente das redes sociais que temos em mente. Vale expandir o olhar para outros setores.

Algoritmos que procuram avaliar os nossos hábitos para recomendar novos conteúdos ou produtos estão no coração de sites de marketplace, comércio eletrônico em geral, além das mais famosas plataformas de streaming de música ou vídeos. Sites de notícias, aplicativos de passagens aéreas ou de hospedagem também podem customizar o que vemos ali com base em nosso comportamento. Eles procuram adivinhar algo que vai nos interessar, tal qual fazem as redes sociais.

Os algoritmos estão portanto em toda parte, customizando a nossa experiência online em grande parte dos aplicativos e sites que visitamos ao longo do dia. Já vivemos em uma sociedade algorítmica. Resta saber como vamos lidar com essa informação, procurando uma maior conscientização sobre proteção de dados e exigindo maior transparência por parte das empresas (e dos governos) que tratam esses dados.

Como o Facebook escolhe o que eu vejo?

No mundo das redes sociais existe um mantra que é sempre repetido. Toda vez que você pergunta "por que eu estou vendo isso?", a resposta sempre menciona que existem inúmeros sinais que podem fazer com que algo apareça com mais destaque para um usuário e com menos para outro.

A pessoa pode ter indicado ativamente que gosta de um certo conteúdo. O Facebook, por exemplo, sabe que eu torço pelo Flamengo porque eu mesmo indiquei isso quando da criação da minha conta. Convenhamos que não ia ser preciso nenhum algoritmo sofisticado para captar essa mensagem depois das mil curtidas em qualquer vídeo de gol do rubro-negro ou em memes do Bruno Henrique semialcoolizado falando "oto patamar".

Mas os caminhos que fazem com que algo apareça para você podem ser mais misteriosos. Não existe grande surpresa quando curtir postagens sobre um cantor leva à sugestão de grupos de certo gênero musical. Mas quando os interesses se misturam e as recomendações começam a seguir causalidades que nos são invisíveis?

O texto de Nick Clegg menciona que para cada um de nós existe um ranking que faz com que certos conteúdos tenham como que um score mais alto do que outros. Quanto mais alta essa "nota", mais relevante tenderia a ser esse conteúdo para um certo usuário.

Conforme ele mesmo revela, diferentes "tipos de conteúdo problemático são tratados mais diretamente por meio do processo de ranking. Por exemplo, existem tipos de conteúdo que podem não violar os Padrões da Comunidade do Facebook, mas ainda são problemáticos porque os usuários dizem que não gostam deles. Para eles, o Facebook reduz sua distribuição, como faz com as postagens consideradas falsas por uma das mais de 80 organizações independentes de checagem de fatos que avaliam o conteúdo do Facebook.

Em outras palavras, a probabilidade de uma postagem ser relevante e significativa para você atua como algo positivo no processo de ranking e os indicadores de que a postagem pode ser problemática (mas não violadora) atuam como negativa. As postagens com as pontuações mais altas são colocadas mais próximas do topo do seu feed."

Então sabemos que conteúdos denunciados, por exemplo, podem começar a receber notas menores e com isso aparecerem menos nos feeds dos usuários da plataforma. Esse é um tema que certamente vai merecer mais atenção, já que a dinâmica de polarização política e ideológica é usualmente creditada à ascensão das redes sociais.

Em termos individuais, não será espantoso se mais e mais pessoas começarem a se perguntar sobre esse ranking e essas notas que cada conteúdo passa a ter para cada usuário. O quão diferente seria uma rede social se fosse permitido a cada usuário mexer nesse ranking diretamente (e não através da sua navegação)? Enquanto uns podem imaginar que isso finalmente daria mais controle ao indivíduo, outros vão lembrar que esse remédio poderia rapidamente acelerar a formação de bolhas e o ensimesmamento nas redes sociais.

Dançando tango no teto

O texto de Nick Clegg traz uma contribuição importante para o debate sobre algoritmos. Ele serve tanto como anúncio de algumas modificações na plataforma Facebook como ponto de partida para uma conversa sobre como a empresa enxerga o futuro das (suas) redes sociais. Ao insistir na imagem do tango, Clegg reforça a ideia de que o algoritmo, assim como o tango, não funciona sozinho.

Mas de nada vale simplesmente adicionar o usuário se ele não souber os passos da dança. Como lembrou o aluno Pedro Costa, em uma aula na qual debatíamos o tema, sem transparência na coreografia vamos acabar pisando uns nos pés dos outros. Essa parece ser a receita para transformar o grande baile algorítmico em uma verdadeira praça de guerra.

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Planos para reabrir Nova York esbarram em incertezas e bolsões de Covid

Prefeito Bill de Blasio diz que cidade vai voltar '100% a partir de 1º de julho'

Nova York

“Quero acordar na cidade que nunca dorme”, cantou Frank Sinatra em “New York, New York”, um dos maiores sucessos que ele gravou. Mas o slogan que definiu Nova York e resistiu à tragédia do 11 de Setembro acabou por esbarrar no sono imposto pela pandemia.

Como toda grande cidade que entrou em lockdown, a partir de março de 2020, Nova York esperava uma pausa mais breve. E vieram novas ondas de infecção por Covid-19 que provocaram aumento agudo de casos até o final do ano e já mataram mais de 32 mil.

Pessoas se exercitam na ponte do Brooklyn, em Nova York
Pessoas se exercitam na ponte do Brooklyn, em Nova York - Ed Jones - 25.abr.21/AFP

Nesta quinta-feira (29), o prefeito de Nova York anunciou que a cidade vai voltar “100% a partir de 1º de julho”. Bill de Blasio prometeu que não haverá mais restrições para o funcionamento de estabelecimentos comerciais e eventos no verão do Hemisfério Norte.

“Será o verão de Nova York,” anunciou, triunfante, o prefeito que deixa o cargo, após o segundo mandato, em 2022. O anúncio eufórico foi temperado por preocupação com bolsões de infecções na cidade —com residentes que resistem a se vacinar e podem chegar a mais de 35% da população de alguns bairros.

No último dia 21, a agência de turismo local NYC & Company apresentou a centenas de jornalistas o plano Nova York Desperta, uma campanha de marketing avaliada em US$ 30 milhões (cerca de R$ 161 milhões), com várias frentes, cobrindo a Broadway, museus, atrações turísticas, parques, novos hotéis e restaurantes, para tentar atrair de volta parte dos 66,6 milhões que visitaram a cidade em 2019.

Todo o otimismo transmitido por De Blasio e outros representantes de setores econômicos na entrevista coletiva não é vacina contra a incerteza. A reabertura da Broadway, por exemplo, foi anunciada para setembro, “talvez antes”, mas ainda não foi marcada uma data para o começo da venda de ingressos.

Fred Wanke, presidente das Organizações Schubert, o maior conglomerado de teatros da Broadway, disse, na semana passada, que é economicamente inviável trazer de volta peças e musicais com limites de ocupação na plateia. A Broadway pré-Covid contribuía com US$ 1,75 bilhão (cerca de R$ 9,4 bilhões) para a economia local.

Além de ser a cidade mais densa do país, Nova York abriga o maior distrito comercial americano e é especialmente vulnerável às restrições de distanciamento exigidas por uma pandemia cujo término continua a ser adiado. E uma tendência fiscal mais recente agrava o cenário econômico: hoje, 50% do dinheiro que entra nos cofres de Nova York vêm de impostos sobre imóveis.

Percorrer a afluente avenida Madison, em Manhattan, é contar fachada após fachada de lojas vazias. A taxa de desocupação de lojas no momento é de 40%, e 17% dos escritórios estão vazios, um índice mais alto do que no período após o crash financeiro de 2008.

O poderoso lobby imobiliário nova-iorquino acena com a possibilidade de converter perto de 100 mil metros quadrados de escritórios em residências —o metro quadrado residencial na cidade é um dos mais caros do país, o que ajuda a explicar o déficit de mais de 300 mil domicílios —a diferença entre os que chegaram e partiram em 2020— na cidade de 8,7 milhões de habitantes.

“É apenas uma ideia”, reage, cética, Kathryn Wylde, há 20 anos presidente da Partnership for New York, uma influente fundação criada por David Rockefeller, em 1979, que reúne líderes empresariais e é uma presença constante na interlocução do governo municipal com as corporações.

Wylde diz acreditar que o modelo de fluxo de transportes dominante em Nova York durante a maior parte do século 20 e até 2019 —subúrbios alimentando Manhattan de trabalhadores— vai mudar.

Uma conhecida citação literária sobre Nova York é a do autor E.B. White, que, em 1948, escreveu sobre “a cidade que os gafanhotos devoram durante o dia e cospem fora a cada noite”. De fato, a população de Manhattan, antes da pandemia, estava oscilando em torno de 3,1 milhões durante o dia e 1,6 milhão à noite. “Vai haver uma tendência de locais de trabalho serem espalhados por outros bairros da cidade, fora da ilha de Manhattan”, prevê Wylde. Essa mudança permitiria deslocamentos diários mais curtos.

O trabalho remoto deve transformar o futuro em Nova York mais do que em qualquer outra região urbana do país. A Folha conversou com o diretor de uma empresa de mídia, localizada no centro de Manhattan, que tem menos de 50 funcionários. A firma sofreu perdas expressivas em 2020 e tentou renegociar com o proprietário o contrato de leasing de US$ 400 mil anuais (R$ 2,1 milhões), que vai até 2027.

Ouviu um sonoro “não” no meio do ano passado. Diante do prolongamento da pandemia, o dono do imóvel aceitou usar o depósito inicial de três meses de aluguel para abater da despesa mensal durante um ano, mas a empresa vai ter que depositar o dobro do mesmo montante, ao final do acordo.

O diretor, que preferiu não se identificar devido às negociações em curso, diz que, no melhor dos cenários, haverá uma rotação presencial de metade dos funcionários a cada três dias, a partir do meio do ano.

Questionada se vê com alarme as notícias sobre a possível debandada na indústria financeira, com hedge funders vendendo suas coberturas e transferindo escritórios para a Flórida, Kathryn Wylde explica que não são as mansões mais baratas no outro estado que atraem os financistas. “É o clima fiscal,” diz ela, lembrando que, com mudanças aprovadas no Legislativo do estado e impostos municipais, os milionários nova-iorquinos vão receber a maior mordida do Leão em todo o país —de até 52%.

Embora empregue menos de 10% dos nova-iorquinos, o setor financeiro gera na cidade quase 20% da receita fiscal.

Esta repórter atravessou mais de uma recessão em Nova York. Na crise que marcou o começo dos anos 1990, por exemplo, conseguiu reduzir o aluguel em 40% do que pagava cinco anos antes. A pandemia afugentou dezenas de milhares de profissionais nova-iorquinos sem apetite para trabalhar em apartamentos apertados e caros, especialmente os que têm filhos no intermitente ensino remoto.

Uma certa Nova York do cartão-postal do século 20 não deve voltar, como nenhuma outra grande cidade vai emergir inalterada desta pandemia. Mas, se a história de outras crises se repetir, os espaços vazios e mais acessíveis podem atrair uma nova geração de desbravadores urbanos para regenerar a metrópole mais diversa do continente.

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Brasil de Bolsonaro é o segundo país com mais mortes por Covid-19 por milhão de habitantes

Cemitério Vila Formosa 13/5/2020

247 - Governado por Jair Bolsonaro e sua equipe, pautados no negacionismo, o Brasil já é o segundo país com população acima de 20 milhões de habitantes com mais mortes por Covid-19 por milhão.

A marca foi atingida nesta quinta-feira (29), quando o país alcançou a marca de 400 mil mortes pela doença. Com o avanço da pandemia no Brasil, o Reino Unido cai para a terceira posição no ranking de mortes por Covid-19 por milhão de habitantes. A Itália continua sendo líder.

Os dados são do site Our World in Data, ligado à Universidade de Oxford, e do Worldometer. As plataformas consideram somente os países com mais de 20 milhões de habitantes porque populações menores podem causar distorções estatísticas.

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Infectologista Marcos Caseiro diz que Sputnik V apresentou resultados mais rigorosos do que Coronavac e Astrazeneca

Médico infectologista Marcos Caseiro

247 - O infectologista Marcos Caseiro defendeu nesta sexta-feira (30) os resultados da vacina russa Sputnik V e sua aplicação contra a Covid-19 no Brasil, depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomendou a importação

Durante entrevista no programa Boa Noite 247, da TV 247, Caseiro disse que o imunizante russo apresentou resultados mais rigorosos do que as vacinas Coronavac e Oxford/Astrazeneca, as mais utilizadas no Brasil. 

"Eu posso dizer que a Coronavac não publicou a fase 3. Se você pegar o estudo da Oxford publicado, eu diria que é horroroso, é cheio de problemas", disse o médico infectologista. 

Na avaliação do especialista, há um viés político na decisão da Anvisa em barrar a Sputnik V no momento em que o país tem mais de 3 mil mortes diárias. "Eu desconheço qualquer nível de referência que tenha ocorrido um efeito adverso por conta do uso da Sputnik", afirmou. 

Assista:

Fabricante da Sputnik V diz que 'forças antiéticas' agem contra a vacina

Os fabricantes da vacina Sputnik V contra a Covid-19 divulgaram nesta sexta-feira (30) uma nova nota em que reafirmam que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou informações erradas sobre o imunizante russo. 

O documento diz que o Instituto Gamaleya confirma que nenhum adenovírus replicante foi detectado em nenhum dos lotes da vacina Sputnik V. "A informação foi enviada à Anvisa no dia 26 de março. (Uma carta oficial do Centro Gamaleya datada de 26 de março de 2021 dizia claramente: 'Além disso, gostaríamos de informar que durante o lançamento do produto da vacina no local do Centro e no local do contrato da JBC Generium, nenhum lote contendo RCA foi registrado.')", diz o texto. 

"O Instituto Gamaleya pede à imprensa que não divulgue informações incorretas e que faça referência a este comunicado oficial. O Instituto Gamaleya lamenta que forças antiéticas continuamente ataquem a vacina Sputnik V por razões competitivas e políticas, custando vidas e minando o programa mundial de vacinação", afirma a nota. 

Sputnik V rebate 30 argumentos da Anvisa sobre a vacina

O laboratório Gamaleya enviou nesta quinta-feira (29) à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) um documento rebatendo 30 pontos utilizados como argumentos pela agência para negar a importação do imunizante russo ao Brasil.

O documento tem 55 páginas e foi repassado à Anvisa pelo Consórcio Nordeste por meio da PGE (Procuradoria Geral da Bahia), na pessoa do presidente da agência, Antônio Barra Torres.

Um dos aspectos da vacina considerado pela Anvisa como mais decisivo para negar a importação da substância foi a suposta existência de adenovírus replicante. O laboratório Gamaleya negou a existência do chamado "RCA". "O Centro Gamaleya, que conduz estritos controles de qualidade de todos os locais de produção da Sputnik V, confirmou que nunca algum adenovírus replicante-competente (RCA) foi encontrado em nenhum lote de vacina Sputnik V que foi produzida. Controle de qualidades existentes asseguram que nenhum RCA pode existir na vacina Sputnik V".

Leia na íntegra a nova nota do Instituto Gamaleya:

DECLARAÇÃO DO INSTITUTO GAMALEYA SOBRE A CAMPANHA DE DESINFORMAÇÃO CONTRA A VACINA DE SPUTNIK V

Para esclarecer as questões relacionadas à campanha de desinformação em andamento contra a Sputnik V:

Comentários recentes imprecisos e enganosos da agência reguladora brasileira ANVISA alegaram a detecção de adenovírus replicado (RCA), uma partícula viral enfraquecida que não causa nem um resfriado comum, na Sputnik V.

O Instituto Gamaleya confirma que nenhum RCA foi detectado em nenhum dos lotes da vacina Sputnik V. A informação foi enviada à Anvisa no dia 26 de março. (Uma carta oficial do Centro Gamaleya datada de 26 de março de 2021 dizia claramente: “Além disso, gostaríamos de informar que durante o lançamento do produto da vacina no local do Centro e no local do contrato da JBC Generium, nenhum lote contendo RCA foi registrado.”)

A Anvisa embora inicialmente tenha dito que detectou RCA, admitiu que não realizou nenhum teste com a vacina e que se referia a um limite regulatório na Rússia sobre a potencial presença de RCA.

O Instituto Gamaleya esclareceu à Anvisa que o limite utilizado para o controle de qualidade da vacina Sputnik V é muito mais rígido do que o limite regulatório permitido na Rússia e corresponde aos mais rígidos padrões dos reguladores mundiais. Esse limite estrito foi confirmado por 64 reguladores mundiais que autorizaram a Sputnik V e permite garantir a qualidade da vacina conforme comprovado por seu histórico de segurança e eficácia. De acordo com dados publicamente disponíveis do México, Argentina, Hungria e outros reguladores, a Sputnik V mostrou o melhor histórico de segurança do que qualquer vacina.

A Anvisa não tentou esclarecer nenhuma dessas questões após a sua visita e suas declarações imprecisas poderiam ter sido evitadas simplesmente pedindo que o Instituto Gamaleya comentasse.

O Instituto Gamaleya pede à imprensa que não divulgue informações incorretas e que faça referência a este comunicado oficial. O Instituto Gamaleya lamenta que forças antiéticas continuamente ataquem a vacina Sputnik V por razões competitivas e políticas, custando vidas e minando o programa mundial de vacinação.

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