Fatos INDETERMINADOS _ LAWFARE

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“O LAWFARE é o uso do poder Judiciário para processos políticos. Isso aconteceucom Lula, no BRASIL, com Cristina [Kirchner] na ARGENTINA, com [Rafael] Correa no EQUADOR, com [Evo] Morales na BOLÍVIA, também no PARAGUAI e na GUATEMALA. 

Gestão da pandemia por Edinho Silva em Araraquara é destaque na França

Na Argentina, Brasil e Chile, a ULTRADIREITA civil e militar, FASCISTA e reacionária, adepta do TERRORISMO de ESTADO, continua entre nós, e está mais VIVA do que NUNCA.

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Manaus se prepara para a chegada da TERCEIRA ONDA onda de Covid

16 de abril de 2021, 08:47
Manaus AM 30 12 2020-Cemitério público de Manaus, Nossa Senhora Aparecida, localizado no bairro Tarumã

Metrópoles  Enquanto o Brasil registra aumento exponencial no número de casos, óbitos e internações por Covid-19, Manaus se encontra em uma situação bem diferente do restante do país: as taxas diminuíram. O estado do Amazonas, entretanto, já começou a se preparar para a terceira onda da pandemia. Os manauaras e os governantes locais não querem rever as imagens do sistema de saúde colapsado e famílias desesperadas tentando encontrar oxigênio.

O sinal de alerta, segundo o monitoramento do governo do estado, é o momento da pandemia da Europa, em que parte dos países apontam crescimento de casos da infecção e óbitos decorrentes da doença. Nas duas primeiras ondas, os números de picos da crise sanitária no continente europeu coincidiram com os do Amazonas.

“A Europa acaba sendo um espelho: quando agrava lá, a situação piora em Manaus, e a gente acaba sendo referência para todo o Brasil. É como se fosse um guia do que virá acontecer depois”, afirmou o governador do Amazonas, Wilson Lima, em live.

O desafio de distribuir as vacinas em um estado que tem dimensões continentais e muitas dificuldades de acesso em diversos municípios e o ritmo lento de imunização, agravado pela entrega picada de doses, são situações que podem contribuir para uma piora nos índices da doença.

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Justiça do DF manda Guedes suspender compra de passagens pelo governo no valor de R$ 342 mi

247 - A Justiça Federal no Distrito Federal determinou a suspensão da compra de passagens aéreas pelo governo em função da falta de transparência do Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, na compra dos bilhetes.

Os contratos, orçados em R$ 341,8 milhões, foram celebrados junto às companhias Azul, Gol e Latam. 

Segundo reportagem do UOL, a decisão da magistrada Ivani Silva da Luz, da 6ª Vara Federal do DF, foi tomada no último dia 8 e é válida até que o Tribunal de Contas da União (TCU) emita um parecer sobre o modelo adotado pela pasta em setembro do ano passado.

Com a mudança, a compra das passagens passou a ser feita diretamente com as companhias aéreas, sem a intermediação de agências de viagens. 

A decisão judicial foi tomada no âmbito de uma ação movida pela Associação Brasileira de Agências de Viagem do DF (Abav-DF).

Ainda de acordo com o UOL, o edital, lançado em novembro de 2020, previa que as empresas oferecessem concedessem um desconto de 3% nos preços das passagens após a assinatura dos contratos.

A liminar, porém, ressalta que uma primeira versão do edital considerava um desconto de 15%. 

 A juíza Ivani Silva destacou em sua decisão que o Ministério da Economia não apresentou nenhuma justificativa para a redução de 80% no desconto total.

"A autoridade gestora do Ministério da Economia responsável pela condução do processo de credenciamento de companhias aéreas agiu de forma arbitrária, ou ao menos descuidada, sob o ponto de vista da economicidade, ao aceitar a queda substancial do desconto pela aquisição de passagens aéreas", afirmou. 

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Justiça condena Hans River a indenizar repórter da Folha Patrícia de Campos Mello em R$ 50 mil por danos morais

Patrícia Campos Mello e Hans River do Rio Nascimento

Portal Forum - O juiz André Augusto Salvador Bezerra, da 42ª Vara Civil de São Paulo, condenou Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da empresa de disparo em massa no WhatsApp Yacows, a indenizar a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, em R$ 50 mil por danos morais.

A decisão, tomada nesta quarta-feira (14), determina ainda que Hans River pague as custas processuais e os honorários advocatícios no valor de 15% da condenação. Ainda cabe recurso. A informação é de Géssica Brandino, na Folha de S.Paulo.

O ex-funcionário da Yacows foi acusado de mentir em depoimento à CPMI das Fake News, no dia 11 de fevereiro do ano passado. Ele acusou a repórter de ter se insinuado sexualmente a ele em troca de informações enquanto escrevia uma reportagem sobre a compra de disparos no WhatsApp para favorecer, nas eleições de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro.

Sem apresentar provas, Hans disse aos parlamentares na CPMI que Patrícia queria “um determinado tipo de matéria a troco de sexo”, declaração reproduzida nas redes sociais pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

O juiz responsável pelo caso concluiu que as declarações de Hans River demonstram que “as críticas dirigidas à autora pelo réu, citado na reportagem, não focam o trabalho. Focam a sua condição de mulher, o objeto de dominação sexual, conforme históricas práticas colonialistas que, em pleno século XXI, ainda proporcionam forma ao sexismo”.

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Gestão da pandemia por Edinho Silva em Araraquara é destaque na França

Da Rede Brasil Atual - A gestão da pandemia da covid em Araraquara pelo prefeito Edinho Silva (PT) foi destaque nesta quinta-feira (15) no jornal francês Libération. A publicação afirmou que o município, localizado no interior de São Paulo, está na vanguarda do combate à crise sanitária justamente por adotar uma estratégia rígida de restrição de circulação. E agora colhe frutos, com redução de infecções, internações em UTI e de mortes.

reportagem destaca, logo no início, a redução de mortes registrada no início desde mês de abril, pouco mais de um mês após o confinamento rigoroso de 10 dias adotado no final de fevereiro. A queda foi significativa, de 40% no número de óbitos e de 57,5% no de casos confirmados. Nesta quinta, mais números positivos, com a ocupação das UTIs caindo para 90% após chegar a 100%, obrigando pacientes a serem transferidos para outros municípios.

“Com a queda acentuada de contaminações e hospitalizações, Araraquara pode até se dar ao luxo de ajudar cidades vizinhas, de onde vem grande parte dos pacientes internados atualmente”, escreve, em tradução livre, a jornalista Chantal Rayes. Ela é correspondente da publicação em São Paulo.

Variante de Manaus

A reportagem destaca, ainda, a argumentação de Edinho de que não havia outra alternativa senão o confinamento, especialmente após a chegada da variante de Manaus. Ela foi detectada em até 93% dos casos confirmados da cidade. “Até então, nosso sistema de saúde fornecia uma resposta rápida ao vírus”, disse o prefeito para o Libération. “A nova cepa é muito virulenta”, acrescentou.

Edinho explicou que Araraquara seria inevitavelmente afetada pela mutação, pois é um entreposto que recebe muito do que é fabricado na capital do Amazonas, especialmente eletrônicos e motos. Aliado a isso, afirma que as fronteiras internas deveriam ter sido fechadas. A medida, porém, nunca foi considerada pelo presidente Jair Bolsonaro, apesar das claras indicações mostradas com o caos que se abateu sobre os manauaras no início de janeiro, culminando com a falta de oxigênio medicinal para os pacientes.

Lockdown é isso

O fechamento da cidade de Araraquara teve início às 12h do dia 21 de fevereiro e abrangeu até serviços essenciais, como supermercados e postos de gasolina. Houve, ainda, a suspensão do transporte público. No dia anterior, foram 248 casos registrados, número recorde até então.

Neste mês, até o dia 15, de acordo com a prefeitura, foram registradas 20 mortes. Em março, foram 125, o pior mês de todo o período da pandemia. Em fevereiro, o segundo pior, foram 89. Entre março de 2020 e janeiro de 2021 somaram-se 116 óbitos.

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Cármen Lúcia dá cinco dias para Lira explicar não abertura de impeachment contra Bolsonaro

Ministra Cármen Lúcia durante sessão extraordinária. (12/03/2020)

247 - A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de cinco dias para que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, explique a não abertura dos processos de impeachment contra Jair Bolsonaro, que enfrenta mais de cem pedidos pelo seu afastamento.

As centenas de pedidos de impeachment estão engavetadas na mesa da Câmara desde o predecessor de Lira, Rodrigo Maia (DEM), que também não quis levar adiante a discussão do afastamento de Bolsonaro, apesar deste estar promovendo um genocídio com sua política irresponsável.

A decisão de Lúcia ocorre em resposta a um mandado de injunção do advogado Ronan Botelho, que afirma haver uma lacuna na legislação ao não se estabelecer um prazo para abertura dos processos de impeachment. O ex-bolsonarista e líder do grupo de extrema-direita Movimento Brasil Livre (MBL) Kim Kataguiri também entrou com pedido semelhante, mas ainda não foi analisado.

Botelho argumenta que a lacuna é um um “grande erro jurídico” na legislação e acaba por permitir que os processos de impeachment tenham andamento quando o presidente da mesa “bem quiser”.

O ato, segundo a comissão, configura crime de responsabilidade e, portanto, Bolsonaro deve responder a um processo de impeachment. Além disso, ainda de acordo com a comissão da OAB, Bolsonaro deve ser denunciado por crime contra a humanidade perante o Tribunal Penal Internacional.

Em entrevista ao Estado de S.Paulo, o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, diz que a entidade não vai pedir o impeachment de Jair Bolsonaro. A OAB deu início a um processo interno para decidir em no máximo 60 dias se vai encampar ou não a bandeira do impedimento de Jair Bolsonaro.

“Não tem ninguém na rua para pedir impeachment agora.”

Segundo Santa Cruz, o governo Jair Bolsonaro "vive o seu melhor momento no Congresso Nacional". O presidente da OAB argumenta ainda que "na Câmara dos Deputados a oposição não tem 130 votos."

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Reinaldo: 'não havia provas contra Lula. Julgamento foi um dos mais importantes da história do País'

Jornalista Reinaldo Azevedo e o ex-presidente Lula

247 - Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, o jornalista Reinaldo Azevedo destacou não haver provas de que o tríplex e o sítio em Atibaia (SP) pertenciam ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

"Nunes Marques, o Kássio Conká, ignorou a natureza do embate.

Abriu divergência e meteu os pés pelos pés.

Afirmou haver provas de que tríplex e sítio pertenciam a Lula.

Mentira. Não há", 

disse o colunista, após o Supremo Tribunal Federal (STF) manter, nessa quinta-feira (15), a anulação da condenação de Lula.

"O julgamento ainda em curso —falta a questão da suspeição de Moro, já votada pela Segunda Turma— é, entendo, um dos mais importantes da história do STF e do país", continuou.

O jornalista reforçou que "não se trata de uma revisão integral e minuciosa da razia provocada pela Lava Jato, mas talvez estejamos diante de um sinal:

ou a corte recupera —e que continue nesse caminho (se for um)— a condição de ente capaz de fazer o sistema de Justiça voltar para o eixo, ou, então, se mantém numa excepcionalidade pretensamente virtuosa, que sempre termina em desastre".

"Quantos milhares de cadáveres são necessários para que se corrija o rumo?", questionou.

Os extremistas de centro resolveram se abraçar a seus congêneres à direita para brandir a tese mentirosa de que a anulação abrirá caminho para centenas de outras.

"A afirmação é tão verdadeira como aquela que assegurava que a execução da pena só depois do trânsito em julgado colocaria na rua quase 200 mil condenados.

Não eram e não são argumentos, mas HISTERIA".

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“Havia interesse dos Estados Unidos em me condenar”, afirma Lula após STF confirmar anulação de sentenças

Ex-presidente Lula

Revista Fórum - Em sua primeira entrevista após o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba na análise das denúncias contra ele e anular todas as condenações, o ex-presidente Lula denunciou o interesse dos Estados Unidos em sua condenação, promovida pelo ex-juiz Sergio Moro. Essa tese ganhou força nas últimas semanas após Le Monde denunciar a proximidade do ex-magistrado com o Departamento de Justiça dos EUA.

“O Lawfare é o uso do poder Judiciário para processos políticos. Isso aconteceu com Cristina [Kirchner] na Argentina, com [Rafael] Correa no Equador, com [Evo] Morales na Bolívia… No caso do Brasil, o mais grave é que havia interesses do departamento de Justiça dos Estados Unidos, das petroleiras americanas, das empreiteiras americanas… Queriam destruir a indústria de petróleo e gás”, disse o ex-presidente em entrevista ao jornalista Gustavo Sylvestre na TV argentina C5N.

“Esse processo foi uma mentira enorme, desde 2016 meus advogados mostram que foi uma farsa. Na realidade, a razão do meu processo foi um PowerPoint que meus acusadores usaram. Eu fui condenado por fatos indeterminados. Fizeram isso para me tirar das eleições de 2018”, completou.

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Revista Fórum - Outro mundo em debate. logo
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“Dr. Jairinho”, médico e monstro, e a tragédia do Brasil, ex-país da alegria

Como mergulhamos na decadência moral que nos levou, em menos de 10 anos, de "país mais otimista do mundo" a "Fukushima biológica"

CYNARA MENEZES

Em 2012, 4 anos antes do golpe contra Dilma Rousseff e 6 antes da eleição de Jair Bolsonaro, uma pesquisa feita em 160 países mostrava o Brasil como “o mais otimista do mundo” e o 18º mais feliz. Em 2021, 5 anos após o golpe contra Dilma e 2 após a eleição de Bolsonaro, acrescida de uma pandemia mortal, nosso país despencou para o 41º lugar no ranking da felicidade entre 95 países pesquisados; caiu 12 pontos em relação a 2019, quando ocupava a 29ª posição na mesma pesquisa. O que aconteceu com o tal “país da alegria”?

Corruptos que se escondem sob a fachada de baluartes contra a corrupção; cristãos que preferem amar o dinheiro e odiar o próximo; cidadãos de bem capazes de matar e torturar, inclusive crianças. Serve para Jairinho e para muita gente no poder hoje

A primeira questão que se coloca é se realmente um dia fomos este país alegre da fama internacional. 

O Belchior discordava, dizia que éramos o produto de “três raças tristes”. 

Moro num lugar comum/ junto daqui, chamado Brasil/ feito de três raças tristes/ folhas verdes de tabaco e o guaraná guarani, ele cantava, em Retórica Sentimental

Mas é fato que, desde 2003, quando Lula chegou à presidência, nosso país vinha com otimismo em ascensão. 

A famosa capa da The Economist de 2009, com o Cristo Redentor decolando como um foguete, é um indicativo disso.

Capa da Economist em 2009, na era Lula

Pela primeira vez na História éramos, mais que o país exótico do samba e do futebol, uma nação conquistando o respeito do mundo, um novo “player” global. 

A maré começa a mudar em 2013, quando tem início uma conspiração para arrancar o PT do poder, não importa a que custo para a democracia e as instituições. 

Em junho daquele ano, um movimento legítimo contra o aumento nas passagens de ônibus seria desvirtuado e sequestrado pela mídia comercial e pela extrema direita para desestabilizar o governo Dilma. 

Os TROLLS não saíram mais das ruas e das redes até derrubarem a presidenta, reeleita em 2014.

Capa do tabloide The Sun com Nicolelis

Quanto tempo levaremos para voltar a acreditar que nosso país tem jeito?

No momento, tudo que sinto é LUTO, DOR, PENA, DESESPERANÇA. 

Como foi mesmo que disse Eduardo Cunha após engendrar a trama que derrubou Dilma? 

“Que Deus tenha misericórdia dessa Nação”

A infância roubada a uma criança por um político com traços de psicopatia dilacera nossos corações porque, além de cruel, é emblemática da DECADÊNCIA MORAL em que o Brasil MERGULHOU nos últimos anos, e o Rio EM PARTICULAR.

Políticos corruptos que se escondem sob a fachada de BALUARTES contra a corrupção; cristãos que se orgulham em exibir sua FACE mais PERVERSA e INTOLERANTE e que preferem AMAR o dinheiro e ODIAR o próximo; cidadãos de bem que ocultam uma personalidade sádica, capaz de matar e torturar, inclusive crianças.

Serve para Jairinho e para muita gente no poder hoje.

Para tentar igualar petista a Bolsonaro, a mídia apela à prática lavajatista de que as convicções superam as provas

CYNARA MENEZES

Como trancafiar Lula na prisão não resultou na queda de sua popularidade entre os brasileiros, a tal direita “liberal” e seus cúmplices na mídia corporativa apelam a uma estratégia desesperada: igualá-lo a Jair Bolsonaro.

Uma fala do ex-presidente durante a entrevista a Reinaldo Azevedo –que teve até agora 1,6 milhão de views no youtube– foi usada pelo apresentador Marcelo Tas e um jornalista da Globo News para tentar colar em Lula a pecha de “mentiroso” e assim colocá-lo no mesmo patamar do Pinóquio do Palácio do Planalto.

Tas e Daniel Souza usaram o twitter para afirmar, sem nenhum tipo de checagem –lição básica do bom jornalismo– que Lula “mentiu” ao dizer que telefonou ao presidente Barack Obama em 2008 para alertá-lo sobre a necessidade de investimento público para driblar a crise financeira. 

“Quando teve a queda do Lehman Brothers eu liguei pro Obama. Eu falava que a crise aqui ia ser uma marolinha porque reforçamos o investimento público com o BNDES e o Banco do Brasil. E o Obama disse que lá ele não tinha como fazer isso”, afirmou o petista.

— Daniel Sousa (@Danielhrs)  

— Marcelo Tas (@MarceloTas)  

Movidos pelo ódio ao PT alimentado pela mídia comercial há anos e que nos trouxe a Bolsonaro, ambos os jornalistas recorreram, eles sim, à desinformação para acusar Lula de mentir.

Em setembro de 2008, uma semana após a quebra do Lehman Brothers, Lula estava em Nova York, nos EUA, para o discurso da Assembleia Geral das Nações Unidas, e matérias da própria mídia comercial mostram que exatamente naquele período ele deu conselhos aos dois candidatos à presidência, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain.

“O ideal era que os dois candidatos pudessem assinar uma carta ao povo americano, como eu assinei uma carta ao povo brasileiro, assumindo compromissos, para passar tranqüilidade para o povo americano e para o mundo como um todo, na medida em que os Estados Unidos são a maior economia e qualquer crise pode afetar todos os outros países”, disse Lula em reportagem do Estadão de 24 de setembro de 2008.

O ódio ao PT e a Lula fez nossa imprensa decair em qualidade e talento, transformou-a em instrumento de perseguição a políticos e a uma ideologia.

Ao perder a OBJETIVIDADE, a EXATIDÃO e o EQUILÍBRIO, contradiz FRONTALMENTE as regras do bom jornalismo

Em seu discurso na ONU, Lula também falou publicamente da necessidade de intervenção do Estado na economia para mitigar os efeitos da crise. 

“As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. 

Somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas”, defendeu o então ocupante do Planalto.

A declaração foi repercutida no site oficial das Nações Unidas.

Menos de dois meses depois, em novembro, com Obama já eleito, a BBC Brasil noticia que Lula telefonou ao novo presidente dos EUA, que Barack retornou a ligação e que ela durou em torno de 15 minutos

Nesta época, havia sido concluída a negociação em que o Lehman Brothers foi adquirido pelo grupo japonês Nomura, mas até o final do ano de 2008 a crise ainda não tinha se resolvido.

A gerência de investimentos da Lehman Brothers foi vendida em dezembro de 2008.

Lula e Obama na Casa Branca em março de 2009. Foto: Pete Souza/CC

Em março do ano seguinte, com Obama já no cargo, o site oficial da Casa Branca transcreve a conversa de quase duas horas que o presidente norte-americano teve com Lula e onde seu homólogo brasileiro fala da necessidade de investimento público para driblar a crise.

“Discutimos a crise econômica que o mundo enfrenta hoje. O presidente Obama e eu estamos realmente convencidos de que a crise econômica pode ser resolvida por decisões políticas que poderiam ser tomadas na reunião do G20”, disse Lula.

O ódio ao PT e a Lula fez nossa imprensa decair em qualidade e talento, transformou-a em instrumento de perseguição a políticos e a uma ideologia. Ao perder a objetividade, a exatidão e o equilíbrio, contradiz frontalmente as regras fundamentais do bom jornalismo.

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“Sacos da morte”: a bolsonarização da oposição argentina | Revista Fórum

Com a pandemia, as fake news aumentaram e a direita, apoiada pela mídia comercial, assumiu seu fascismo

MARTÍN FERNÁNDEZ LORENZO

As fake news existem na Argentina há muito tempo. A eleição que Mauricio Macri ganhou em 2015 resultou de várias campanhas de desinformação nas redes sociais. Uma das mais conhecidas, e que continua circulando nas redes até hoje, é a falsa carta de Ricardo Darín, em que o famoso ator “sugeria” atirar nos peronistas na Plaza de Mayo.

Embora não tenham sido tão grotescas quanto o kit gay ou a mamadeira de piroca nas eleições brasileiras, essas mentiras foram fundamentais para que Macri vencesse as eleições com uma diferença de menos de 3% dos votos. Foi o próprio CEO da Cambridge Analytica quem admitiu ao Parlamento britânico que havia realizado uma campanha anti-Kirchner.

O ponto alto das marchas anti-quarentena foi deixar sacos pretos com “cadáveres” em frente à Casa Rosada. Muitos recordaram os “vôos da morte” na ditadura. O mais grave: escrito num dos sacos, o nome de Estela de Carlotto, líder das Avós da Plaza de Mayo

Mas, em 2020 e com a chegada da pandemia, não só as fake news aumentaram, mas tanto a mídia comercial quanto a oposição argentina assumiram uma postura quase idêntica ao bolsonarismo, não só na desinformação, mas também na violência. A espinha dorsal da campanha contra o governo foi a anti-quarentena, o movimento anti-vacina e a disseminação de medicamentos milagrosos sem eficácia comprovada.

Quando o secretário da Cultura do Brasil, Mario Frías, comparou a quarentena ao holocausto judeu na Segunda Guerra, lembrei-me do intelectual macrista Jorge Sebreli, que comparou a quarentena em um bairro de Buenos Aires ao Gueto de Varsóvia. O Clarín não deixou por menos e, pedindo a volta das aulas em pleno aumento de casos, sugeriu que as crianças não seguissem o caminho de Anna Frank

“Infectadura” foi o termo utilizado pela oposição e apoiadores em carta pública, solicitando a reabertura de empresas ou que o país seguisse o falido modelo sueco como exemplo. Com apoio dos principais meios argentinos, começaram a organizar marchas anti-quarentena quase todo fim de semana.

Um aposentado de 74 anos, Ángel José Spotorno, que organizou uma das marchas porque não queria “o retorno do comunismo”, morreu de Covid poucas semanas depois. Mas isso não impediu a oposição de continuar com sua aposta negacionista, promovendo o contágio e chamando o governo de esquerda do país, presidido por Alberto Fernández, de “fascista”, “comunista” etc.

A apresentadora VIVIANE CANOSA, uma espécie de Sara Winter com microfone e espaço no horário nobre, bebeu dióxido de cloro ao vivo e promoveu seu uso contra a Covid-19. 

Os pais de um menino de 5 anos quiseram copiá-la e a criança morreu alguns dias depois.

Mas Canosa não foi a única. 

“Não vou receber a vacina, talvez fosse muito mais barato se pesquisássemos o dióxido de cloro”, disse o deputado do PRO de Salta, Martín Grande. 

A deputada da COALICIÓN CÍVICA, MÔNICA FRADE, pediu sua liberação

Foi preciso que a ANMAT (Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica), a Anvisa da Argentina, publicasse um comunicado alertando para os riscos para a saúde que o consumo do referido “medicamento” implicaria.

Não faltaram programas ou redes de TV, jornalistas, economistas ou políticos que tentaram refutar ou questionar, pateticamente, infectologistas como o biólogo molecular ERNESTO RESNIK, que chegou a ser chamado de “kirchnerista” pelo jornal La Nación por defender as medidas contra o coronavírus. 

Resnik tem sido o ÁTILA IAMARINO da Argentina nesta pandemia, com suas certeiras previsões.

“Infectadura” foi o termo utilizado pela oposição e apoiadores, solicitando a reabertura de empresas ou que a Argentina seguisse o falido modelo sueco. 

Com apoio dos principais meios de comunicação, começaram a organizar marchas anti-quarentena quase todo fim de semana

Com a chegada da vacina Sputnik, teve início a campanha anti-vacina.

Diferentes setores começaram a questionar a eficácia da vacina russa e uma das principais figuras da oposição, ELISA CARRIÓ, denunciou Alberto Fernández e Cristina Kirchner por “ENVENENAMENTO ”.

A apresentadora Canosa, aquela que bebeu dióxido de cloro ao vivo, deu início à campanha “Não me vacino”, e vários meios de comunicação questionaram sua eficácia. 

A deputada cordobesa do PRO, Soher El Sukaria disse, na Câmara dos Deputados

“Eles começaram a vacinar e não sabemos que merda vão nos inocular”. 

A má notícia para os anti-vacinas veio com a publicação da revista científica The Lancet: a vacina Sputnik é 91,6% eficaz.

A campanha anti-vacinação foi tão grotesca que 20% DOS MÉDICOS do Hospital Fernández, em Buenos Aires, NÃO quiseram ser vacinados. 

A médica María Rosa Fullone, de 56 anos, acabou morrendo de Covid-19 após ter recusado a vacina e o enfermeiro Roberto Curzio, de La Plata, de 51 anos, morreu na semana passada, também por não ter aceitado se vacinar

O dano já era irreparável.

Com o escândalo da vacinação VIP, que custou o cargo do ministro da Saúde, Ginés García (um dos melhores ministros do governo), os anti-vacinas passaram a reclamar abertamente sobre o manuseio das vacinas e sua administração. 

O governo nacional distribuiu as doses que chegavam de forma equitativa por província/população, mas foi o governo da cidade de Buenos Aires quem distribuiu parte do que foi recebido para empresas de saúde pré-pagas.

Claro que as pessoas com dinheiro podendo ser vacinadas não causaram indignação no partido que sempre governou para os mais ricos.

Não à toa, votaram contra o imposto sobre a riqueza, afinal aprovado.

Patricia Bullrich, outra forte oponente da oposição e ex-ministra da Segurança de Mauricio Macri (ela também foi ministra do governo De la Rúa), foi uma das promotoras das marchas anti-quarentena.

Infectada pelo coronavírus, sobreviveu, e, uma vez recuperada, convidou um jovem comunicador das redes, mistura violenta de Constantino com Caio Coppolla, e postou a foto em suas redes. 

Esse homem, conhecido como “EL PRESTO ”, havia sido preso semanas antes por ter ameaçado Cristina Kirchner de morte.

Quando invadiram sua casa em busca e apreensão, encontraram uma foto dele com o sanguinário ditador argentino Rafael Videla.

Mas o ponto alto de todas essas atitudes antidemocráticas e pró-Covid foi uma marcha que aconteceu em fevereiro, em frente à Casa Rosada (Bullrich e outros oponentes participaram), onde um grupo chamado “Jovens Republicanos” carregava SACOS PRETOS amarrados que pareciam conter cadáveres, com nomes de políticos que foram supostamente “vacinados VIP”.

Muitos/as, ao ver os sacos embrulhados, recordaram os trágicos “vôos da morte”, onde amarravam pessoas de pé e atiraram-nas vivas ao mar, durante a ditadura militar. 

Mas o mais grave foi ver, escrito num dos sacos, o nome de Estela de Carlotto, presidente das Avós de Plaza de Mayo.

Estela tem 90 anos e esperou sua vez, como qualquer pessoa comum, para ser vacinada, mas não é por acaso o ataque a um ícone da defesa dos Direitos Humanos do mundo.

Estela e as Mães de Praça de Maio eram TOTALMENTE DESPREZADAS pelo governo MACRI. 

Estela chegou a falar, na época:

“Nós pudemos com Videla, podemos com Macri.” 

Uma semana depois, o evento se repetiu, e deixaram outro saco simulando um cadáver em um recinto da Frente de Todos, agrupamento de partidos que apoiam o presidente Fernández.

NADA DISSO É ALEATÓRIO. 

Não esqueçamos que, em setembro de 2020, A POLÍCIA AMEAÇOU AO PRESIDENTE em torno da Quinta Presidencial (já foram demitidos 400 policiais que participaram). 

Ainda assim, é inacreditável o comportamento da oposição, no meio de uma pandemia, promovendo o contágio e tentando colapsar o sistema de saúde só para criticar o governo.

Com a mídia corporativa como parceiros, conseguiram fazer o país subir em mortes, mas o sistema nunca entrou em colapso porque o governo reforçou o sistema de saúde durante a quarentena. 

“Cada pessoa que precisou teve acesso a cuidados de saúde”, disse Fernández

Fizeram o possível e o impossível para boicotar um governo que, num primeiro momento, foi exemplo para o mundo

Com a mídia corporativa como parceiros, conseguiram fazer o país subir em mortes, mas o sistema nunca entrou em colapso porque a administração federal reforçou o sistema de saúde durante a quarentena.

“Cada pessoa que precisou teve acesso a cuidados de saúde”, disse Fernández. 

FATOS, NÃO OPINIÃO.

Recomendo três filmes:

Capitán Kóblic, com Ricardo Darín, sobre os vôos da morte;

Rojo (Vermelho Sol), de Benjamín Naishtat, sobre a cumplicidade civil na ditadura; 

e o premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1986, A História Oficial.

Com esses filmes, poderão se dar conta de que a ditadura argentina, como a brasileira, não foi formada apenas por militares:

também teve o apoio de grande parte da população civil, cúmplice do TERRORISMO DE ESTADO mais sangrento da América Latina. 

Esta ultradireita fascista e reacionária continua entre nós, e está mais viva do que nunca.

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BRAGA seria a outra opção do partido para a relatoria da Comissão, mas afirmou que vai atuar “apenas como membro”. 

“Fico feliz com a lembrança do meu nome, mas o senador RENAN CALHEIROS já vinha pleiteando essa demanda a mais tempo. 

Atuarei como membro da CPI”, disse BRAGA.

“Vamos investigar fatos, não pessoas. 

Os fatos é que vão nos levar as pessoas”, disse AZIZ.

Com forte discurso contra o negacionismo, AZIZ disse que, mais do que culpar pessoas, a CPI tem que se ocupar em estabeler um protocolo para lidar com a pandemia da Covid-19, que segundo ele não terminará tão cedo, e outras que virão.

“Principalmente, a CPI tem que sair com uma proposta. 

Aquilo que os estados erraram, aquilo que o governo federal errou.

Essa pandemia não vai passar. 

O congresso tem que adotar uma política, quando tiver uma pandemia que processos vamos ter que tomar”, afirmou.

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Ódio de classe da mídia a Lula é maior que o desprezo que ela diz sentir por Bolsonaro

CYNARA MENEZES

No início de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin anulou as condenações sofridas por Lula em Curitiba por considerar que o foro era incompetente para julgá-lo e que as ações deveriam ter corrido em Brasília. Lula e boa parte dos brasileiros festejaram a notícia: tanto é que o petista logo apareceu liderando pesquisas de intenção de voto para a presidência em 2022, pois a anulação o tornou elegível.

Mas o preconceito de classe tantas vezes escancarado contra o ex-presidente pela mídia comercial não tardaria em dar o ar de sua graça. Vários analistas se apressaram em avaliar, baseados em achismos sem nenhuma evidência científica, que uma possível candidatura de Lula beneficiaria Bolsonaro. Com as pesquisas expondo que, pelo contrário, o petista é o adversário mais forte do atual presidente em sua campanha à reeleição, o discurso mudou: a presença de Lula “esmaga” o centro, passaram a dizer em uníssono os “especialistas”.

QUE NINGUÉM DUVIDE que, em 2022, essa gente se aproxime do energúmeno defensor da ditadura sentado na cadeira de presidente, transformado em candidato “de centro”.

Se a mídia que apoiou o golpe de 1964 pode posar de “centro”, por que não Bolsonaro?

Como o “centro”, eufemismo para a direita liberal, é a ideologia que veículos como as organizações Globo, a Folha de S.Paulo e o Estadão dizem abraçar, eles se sentiram mortalmente feridos. Ora, aquele nordestino já comparado a um “encanador” por um colunista da Folha em 1994 em contraposição a “Jean-Paul Sartre” (o então candidato Fernando Henrique Cardoso), quer voltar ao poder e esmagar o candidato limpinho e cheiroso da elite e sua representante, a mídia? “Esmagaremos ele antes”, prometem-se os patrões do jornalismo.

Os números do Datafolha não parecem nada lógicos. Não é plausível que tantos brasileiros assim conheçam Fachin e muito menos que sejam especialistas em processo legal. Como pode Lula ser o favorito da maioria em algumas pesquisas e em outra “a maioria” defender que ele não devia se candidatar?

A assessoria do ex-presidente já havia reclamado das matérias requentadas que a Folha vem soltando em suas páginas desde a decisão de Fachin, apenas com o propósito de atacá-lo. Neste domingo, sem nem mesmo se dignar a ouvir o “outro lado” como prega seu Manual de Redação: a defesa de Lula. “O jornal Folha de S. Paulo recicla suspeitas de 5 anos atrás contra o ex-presidente, em uma prática de levantamento de acusações difusas e fúteis típicas do Lawfare”, reclamou o ex-presidente em uma nota intitulada “O jornalismo de suspeição da Folha de S.Paulo contra Lula”.

Ao dirigir sua metralhadora giratória para Lula em vez de focar num presidente responsável pelo morticínio da pandemia de Covid-19, a mídia comercial dá sinais de que seu preconceito de classe contra o petista é maior do que o desprezo que diz sentir contra Bolsonaro. Lula deixou o poder com 87% da aprovação –sinal de fomos todos bem felizes nos tempos dele–, mas a mídia hegemônica continua não só comparando-o ao show de incompetência e sandice que ocupa o Planalto, como faz de Lula seu alvo dileto.

Enquanto isso, os mais importantes veículos de comunicação de outros países continua a tratar Lula com a devida reverência e respeito: após Fachin anular as condenações, o ex-presidente foi entrevistado com o máximo de destaque pela jornalista Christiane Amanpour, estrela da CNN Internacional, e pelo jornal francês Le Monde.

O que exatamente os jornais brasileiros têm contra Lula, um dos melhores (se não o melhor) presidentes que o país já teve, a não ser o puro suco do preconceito de classe? Este classismo se estende às conquistas dos mais pobres nos governos petistas. Acaso não foi nas páginas destes jornais que vimos, durante os governos Lula e Dilma, artigos no mais legítimo estilo “classe média sofre”, com uma colunista reclamando das empregadas de carteira assinada e outro lamentando que os aeroportos tinham virado rodoviárias ou churrasco na laje? Tudo a ver com o ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, para quem doméstica indo à Disney com o dólar barato era um absurdo. Agora, com o dólar a 5 reais, a culpa é… do PT, lógico.

O que exatamente os jornais brasileiros têm contra Lula senão o puro suco do preconceito de classe? Não foi nas páginas deles que vimos uma colunista reclamando das empregadas de carteira assinada e outro lamentando que os aeroportos tinham virado rodoviárias?

Em 2016, a mídia corporativa patrocinou um golpe jurídico-parlamentar contra uma presidenta legitimamente eleita para arrancar o PT do poder, sem se preocupar com o dano que isso causaria à nossa jovem democracia. Amor pelo país? Zero. Mais de quatro anos se passaram e, mesmo com as evidências do enorme erro que cometeu, ela segue demonizando Lula, o PT e a esquerda. Que ninguém duvide que, em 2022, essa gente se aproxime do energúmeno defensor da ditadura sentado na cadeira de presidente, transformado em candidato “de centro”.

Se a mídia que apoiou o golpe de 1964 pode posar de “centro”, por que não Bolsonaro?

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Derrota do candidato de Rodrigo Maia demonstra que a "direita democrática" é uma ilusão | Revista Fórum

CYNARA MENEZES

Rodrigo Maia, do Democratas, conquistou 145 votos para seu candidato Baleia Rossi na eleição para a presidência da Câmara, contra 302 de Arthur Lira, o candidato de Jair Bolsonaro. Fazendo um exercício de matemática simples, sem contar as defecções nestes partidos, se excluirmos deste total os deputados federais de esquerda ou progressistas (PT, PCdoB, PSB, PDT e Rede), que somam 119 votos, Baleia terá recebido apenas 26 votos da chamada “direita democrática”, ou seja, da direita que faz oposição ao bolsonarismo na Câmara.

Somada à vitória de um aliado do governo também no Senado, Rodrigo Pacheco, são derrotas que comprovam que esta direita anti-Bolsonaro é nanica dentro do Congresso e jogam um balde de água fria na campanha do impeachment esboçada por partidos e movimentos sociais do lado de fora. Impeachment com os votos de quem?

A existência de uma direita democrática no Brasil, liberal aos moldes dos Democratas norte-americanos, tem sido uma ilusão constante alimentada pela mídia comercial, que simpatiza abertamente com essa visão política

A existência de uma direita democrática no Brasil, liberal aos moldes dos Democratas norte-americanos, tem sido uma ilusão constante alimentada pela mídia comercial, que simpatiza abertamente com essa visão política. Desde 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva se tornou presidente, a mídia tem atuado para colocar a direita liberal de volta no poder, sem sucesso. Em 2014, patrocinou a chorumela de perdedor de Aécio Neves, do PSDB, quando pediu recontagem de votos de forma antidemocrática, exatamente como fez Donald Trump agora nos EUA e como Bolsonaro ameaça repetir em 2022 –em 2018, mesmo vencedor, ele acusou as eleições de terem sido fraudadas.

Ao apoiar o golpe contra Dilma Rousseff, a tal direita liberal e seu braço midiático, as organizações Globo, flertaram com o autoritarismo com quem Bolsonaro sempre se deitou. A aposta então era que, tirando o PT do poder às custas de um processo judicial fraudulento que inviabilizou Lula –como comprovam agora as transcrições das conversas entre o ex-juiz Sergio Moro e seu subordinado Deltan Dallagnol–, abria-se o caminho para o retorno da direita liberal ao governo. As urnas anteciparam que o tamanho dela, porém, era bem menor do que a ilusão vendida. O candidato da “direita democrática”, Geraldo Alckmin, do PSDB, teve minúsculos 4,76% dos votos.

Maia, filho de exilado, mas que votou em Bolsonaro, perdeu a oportunidade de impor uma derrota ao capitão, poupado por ele do impeachment. O choro de “emoção” ao se despedir talvez esconda algo de desconsolo, de decepção com sua gente. E consigo próprio

A votação pífia de Baleia Rossi também demonstra que a extrema direita só vota na direita liberal em último caso, para derrotar a esquerda; enquanto a direita liberal é facilmente cooptada pela extrema direita quando há possibilidade de lucrar com isso. Não é à toa que o governo conseguiu aprovar com facilidade, e com o apoio da turma de Rodrigo Maia, os projetos econômicos –a mesma turma que o traiu na primeira oportunidade, se aliando ao bolsonarismo, ao ouvir o tilintar da liberação de emendas parlamentares. É inegável ainda que a postura da mídia comercial em relação a Bolsonaro se torna muito mais amena quando se trata de seu ministro da Economia, Paulo Guedes.

Por onde quer que se olhe, portanto, a “direita democrática” (“liberal na economia e nos costumes”, como se definem) dá todos os sinais de ser um espectro político tão reduzido quanto os atuais leitores de jornal em papel.

E este é outro balde de água fria, desta vez nas pretensões de que será um candidato com este viés o responsável por derrotar Bolsonaro em 2022. Como? Com que votos?

Representante mais vistoso dessa direita que supostamente defende a democracia, Rodrigo Maia, filho de perseguido político da ditadura militar, nascido no exílio no Chile, mas que confessou ter VOTADO em BOLSONARO “COM_CONVICÇÃO” em 2018, perdeu a oportunidade de ouro de sua carreira:

impor uma derrota ao capitão, poupado por ele de um processo de impeachment.

O choro de “emoção” de Maia ao se despedir da presidência da Câmara talvez esconda algo de desconsolo, de desamparo, de decepção com sua gente.

E consigo próprio.

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