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Covid: Como evitar a trágica marca de 5 mil mortes por dia no Brasil ?

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Apenas 3% dos ecossistemas do mundo permanecem intactos, aponta estudo

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Apenas 3% dos ecossistemas do mundo permanecem intactos, aponta estudo
Reserva indígena ianomâmi na floresta amazônica. Maioria das áreas intactas do mundo são territórios indígenas  - REUTERS/Bruno Kelly/
Reserva indígena ianomâmi na floresta amazônica. Maioria das áreas intactas do mundo são territórios indígenas Imagem: REUTERS/Bruno Kelly/

Do UOL, em São Paulo

15/04/2021 13h58

Um novo estudo apontou um dado alarmante para o futuro da biodiversidade mundial. Segundo uma análise feita por especialistas da Universidade de Cambridge, do Reino Unido, apenas 3% de todos os ecossistemas do planeta ainda estão intactos, permanecendo da mesma maneira como eram há mais de 500 anos.

O estudo foi conduzido por profissionais do Instituto de Conservação da Universidade de Cambridge. Diferente de análises anteriores sobre o mesmo tema, que se baseavam, principalmente, em imagens de satélite, a pesquisa se propôs e investigar a presença de animais nas regiões menos afetadas pela ação do homem.

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Enquanto estudos anteriores avaliaram que de 20 a 40% da superfície do planeta foi pouco afetada por humanos, a análise liderada por Andrew Plumptre chegou à conclusão de que somente 2,8% da Terra ainda mantém as mesmas características quanto à biodiversidade em relação a dados comparativos do ano de 1.500.

O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Forests and Global Change (Fronteiras nas Florestas e Mudança Global) e não considerou apenas a região Antártica na análise.

Entre as regiões que mantêm sua biodiversidade, muitas estão em territórios de comunidades indígenas. É o caso da Terra Indígena Alto Rio Negro, que fica no estado do Amazonas. Outros exemplos de áreas intactas são territórios no Parque Nacional do Congo e o bioma Serengueti, ambos na África, regiões da Sibéria, no norte da Rússia, e o Parque Nacional Kawésqar, no sul do Chile.

A notícia ruim para a manutenção dessa biodiversidade ainda intacta é que somente 11% desses territórios estão em áreas protegidas.

3% podem virar 20%

Apesar do baixo índice de ecossistemas intactos segundo a análise, o líder do estudo aponta que ações práticas como a reintrodução de espécies de animais nativas nesses locais poderia mudar consideravelmente esse cenário.

"Pode ser possível aumentar a área ecológica intacta de volta para até 20% com reintroduções direcionadas de espécies que foram perdidas em áreas onde o impacto humano ainda é baixo, desde que as ameaças à sua sobrevivência possam ser controladas", afirmou Plumptre ao jornal britânico The Guardian.

Ele citou como exemplo a reintrodução de lobos no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos.

Plumptre também lembrou que atualmente as ações da ONU (Organização das Nações Unidas) voltadas à biodiversidade se concentram em meio ambientes já degradados, mas ele vê a oportunidade de voltar a ter mais regiões intactas no planeta com a reintrodução de espécies de animais em locais com pouco degradação.

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Hidrogênio verde: os 6 países que lideram a produção do 'combustível do futuro'

O hidrogênio (H2) é o elemento mais abundante do universo e pode ser a chave para "descarbonizar" o planeta - iStock
O hidrogênio (H2) é o elemento mais abundante do universo e pode ser a chave para 'descarbonizar' o planeta Imagem: iStock

Veronica Smink - BBC News Mundo

12/04/2021 07h00

Os cientistas deixaram claro: se quisermos evitar os piores impactos das mudanças climáticas, devemos encontrar uma maneira de impedir que as temperaturas globais continuem subindo.

O desafio é imenso. As temperaturas já estão 1°C acima dos níveis pré-industriais e, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), uma alta adicional de apenas 0,5°C é suficiente para que os efeitos sejam devastadores.

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Diante deste cenário, muitos países estão buscando urgentemente formas de suprir suas demandas energéticas sem continuar prejudicando o meio ambiente.

Uma das soluções que algumas nações estão desenvolvendo é o hidrogênio verde, também conhecido como hidrogênio renovável.

Recentemente, o fundador da Microsoft, Bill Gates - que lançou um livro intitulado Como evitar um desastre climático -, classificou esse combustível como a melhor inovação dos últimos tempos para combater o efeito estufa.

"Não sei se vamos conseguir (produzir hidrogênio verde a um preço acessível), mas, se conseguirmos, isso resolveria muitos problemas", disse ele no podcast Armchair Expert. "Me anima que se fale muito sobre como alcançar isso. Isso não acontecia há três ou quatro anos".

O que é hidrogênio verde?

O hidrogênio é o elemento químico mais abundante do universo. As estrelas, como o nosso Sol, são formadas principalmente por esse gás, que também pode assumir o estado líquido.

O hidrogênio é muito poderoso: tem três vezes mais energia do que a gasolina.

Mas, ao contrário dela, é uma fonte de energia limpa, uma vez que só libera água (H2O), na forma de vapor, e não produz dióxido de carbono (CO2).

No entanto, embora existam há muitos anos tecnologias que permitem usar o hidrogênio como combustível, há várias razões pelas quais até agora ele só foi usado em ocasiões especiais (como para impulsionar as espaçonaves da Nasa, a agência espacial americana).

Uma delas é que é considerado perigoso por ser altamente inflamável - por isso, transportá-lo e armazená-lo com segurança é um grande desafio.

Mas um obstáculo ainda maior tem a ver com as dificuldades para produzi-lo.

Na Terra, o hidrogênio só existe em combinação com outros elementos. Ele está na água, junto ao oxigênio, e se combina com o carbono para formar hidrocarbonetos, como gás, carvão e petróleo. Portanto, o hidrogênio precisa ser separado de outras moléculas para ser usado como combustível.

E conseguir isso requer grandes quantidades de energia, além de ser muito caro.

Até agora, os hidrocarbonetos eram usados - para gerar essa energia, então a produção de hidrogênio continuava a poluir o meio ambiente com CO2.

Há alguns anos, contudo, o hidrogênio começou a ser produzido a partir de energias renováveis -c omo solar e eólica, por meio de um processo chamado eletrólise.

A eletrólise usa uma corrente elétrica para dividir a água em hidrogênio e oxigênio em um dispositivo chamado eletrolisador.

O resultado é o chamado hidrogênio verde, que é 100% sustentável, mas muito mais caro de se produzir do que o hidrogênio tradicional.

No entanto, muitos acreditam que ele pode oferecer uma solução ecológica para algumas das indústrias mais poluentes, incluindo a de transportes, química, siderúrgica e de geração de energia.

Uma aposta para o futuro

Atualmente, 99% do hidrogênio usado como combustível é produzido a partir de fontes não-renováveis.

E menos de 0,1% é produzido por meio da eletrólise da água, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

No entanto, muitos especialistas em energia preveem que isso mudará em breve.

As pressões para reduzir a poluição ambiental têm levado uma série de países e empresas a apostar nesta nova forma de energia limpa, que muitos acreditam ser essencial para "descarbonizar" o planeta.

Companhias de petróleo como Repsol, BP e Shell estão entre as que lançaram projetos de hidrogênio verde.

E vários países anunciaram planos de produção nacional deste combustível renovável.

Isso inclui a União Europeia (UE) que, em meados de 2020, se comprometeu a investir US$ 430 bilhões em hidrogênio verde até 2030.

A intenção da UE é instalar eletrolisadores de hidrogênio renovável de 40 gigawatts (GW) na próxima década, para alcançar sua meta de ter impacto neutro no clima até 2050.

Por sua vez, o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu em seu plano energético que vai garantir "que o mercado possa ter acesso ao hidrogênio verde ao mesmo custo do hidrogênio convencional em uma década, proporcionando uma nova fonte de combustível limpo para algumas centrais elétricas existentes. "

Queda de preços

No fim de 2020, sete empresas internacionais que desenvolvem projetos de hidrogênio verde lançaram a iniciativa Green Hydrogen Catapult (Catapulta de Hidrogênio Verde), como parte da campanha Race to Zero (Corrida por Zero Emissões) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

Esta coalizão global - formada pelo grupo saudita de energia limpa ACWA Power, a desenvolvedora australiana CWP Renewables, a fabricante chinesa de turbinas eólicas Envision, as gigantes europeias de energia Iberdrola e Ørsted, o grupo de gás italiano Snam e a produtora norueguesa de fertilizantes Yara - quer que a indústria seja multiplicada por 50 nos próximos seis anos.

E também pretende reduzir o custo atual do hidrogênio renovável pela metade, para menos de US$ 2 por quilo.

Um relatório publicado em agosto de 2020 pela consultoria de energia Wood Mackenzie sugere que eles estão no caminho certo: o documento estima que os custos cairão até 64% na próxima década.

Enquanto isso, o banco de investimento Goldman Sachs estimou em setembro do ano passado que o mercado de hidrogênio verde ultrapassará US$ 11 trilhões em 2050.

Os países líderes

Todo esse otimismo em torno do que a revista Forbes chamou de "a energia do futuro" está relacionado a uma série de megaprojetos que estão sendo planejados ao redor do mundo.

Essas obras - que já foram anunciadas, mas na maioria dos casos estão em fase de planejamento - representariam uma grande expansão do mercado de hidrogênio verde, ampliando a capacidade atual de cerca de 80 GW para mais de 140 GW.

A seguir, confira quais são os seis países que estão desenvolvendo os maiores projetos de produção de hidrogênio verde.

Austrália

O maior país da Oceania lidera os planos de produção deste novo combustível limpo com propostas para a construção de 5 megaprojetos em seu território, graças aos seus vastos recursos energéticos renováveis, especialmente energia eólica e solar.

O maior projeto - do país e do mundo - é o Asian Renewable Energy Hub, em Pilbara, na Austrália Ocidental, onde está prevista a construção de uma série de eletrolisadores com capacidade total de 14 GW.

A previsão é de que o projeto de US$ 36 bilhões esteja pronto até 2027-28.

Os outros quatro projetos - dois na Austrália Ocidental e dois em Queensland, no leste - ainda estão na fase de planejamento inicial, mas acrescentariam outros 13,1 GW se aprovados.

Por tudo isso, alguns estão chamando a Austrália de "a Arábia Saudita do hidrogênio verde".

Holanda

A petrolífera anglo-holandesa Shell lidera junto a outros desenvolvedores o projeto NortH2 no Porto do Ems, no norte da Holanda, que prevê a construção de pelo menos 10 GW de eletrolisadores.

A meta é ter 1GW até 2027 e 4GW até 2030, utilizando a energia eólica offshore.

O estudo de viabilidade do projeto, cujo custo não foi divulgado, será concluído em meados deste ano.

A ideia é utilizar o hidrogênio gerado para abastecer a indústria pesada tanto na Holanda quanto na Alemanha.

Alemanha

Os alemães também têm seus próprios projetos de hidrogênio verde em território nacional. O maior é o AquaVentus, na pequena ilha de Heligoland, no Mar do Norte.

O plano é construir ali 10 GW de capacidade até 2035.

Um consórcio de 27 empresas, instituições de pesquisa e organizações - incluindo a Shell - está promovendo o projeto, que usará os fortes ventos da região como fonte de energia.

Um segundo projeto menor está sendo planejado em Rostock, na costa norte da Alemanha, onde um consórcio liderado pela empresa de energia local RWE pretende construir mais 1 GW de energia verde.

China

O gigante asiático é o maior produtor mundial de hidrogênio, mas até agora usou hidrocarbonetos para gerar quase toda essa energia.

No entanto, o país está dando agora os primeiros passos no mercado de hidrogênio verde com a construção de um megaprojeto na Mongólia Interior (região autônoma da China), no norte do país.

O projeto é liderado pela concessionária estatal Beijing Jingneng, que investirá US$ 3 bilhões para gerar 5 GW a partir de energia eólica e solar.

A previsão é que o projeto fique pronto ainda neste ano.

Arábia Saudita

O país árabe com as maiores reservas de petróleo também planeja entrar no mercado de hidrogênio verde, com o projeto Helios Green Fuels.

Ele será baseado na "cidade inteligente" futurística de Neom, às margens do Mar Vermelho, na província de Tabuk, no noroeste do país.

A previsão é de que o projeto de US$ 5 bilhões instale 4 GW de eletrolisadores até 2025.

Chile

O país sul-americano, considerado uma das mecas da energia solar, foi o primeiro da região a apresentar uma "Estratégia Nacional de Hidrogênio Verde" em novembro de 2020.

É também a única nação latino-americana com dois projetos em desenvolvimento: o HyEx, da empresa francesa de energia Engie e da empresa chilena de serviços de mineração Enaex; e o Highly Innovative Fuels (HIF), da AME, Enap, Enel Green Power, Porsche e Siemens Energy.

O primeiro, com sede em Antofagasta, no norte do Chile, usará energia solar para abastecer eletrolisadores de 1,6 GW. E o hidrogênio verde gerado será usado na mineração.

Um teste piloto inicial planeja instalar 16 MW até 2024.

O projeto HIF, no extremo oposto do Chile, na Região de Magalhães e da Antártida Chilena, usará energia eólica para gerar combustíveis à base de hidrogênio.

Segundo informações da empresa AME, "o projeto piloto utilizará um eletrolisador de 1,25 MW e nas fases comerciais será superior a 1 GW".

O ministro da Energia do Chile, Juan Carlos Jobet, destacou que o país não busca apenas gerar hidrogênio verde para cumprir sua meta de atingir a neutralidade de carbono até 2050, mas também deseja exportar esse combustível limpo no futuro.

"Se fizermos as coisas direito, a indústria do hidrogênio verde no Chile pode ser tão importante quanto a mineração, a silvicultura ou como o salmão já foi", disse ele à revista Electricidad.

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Covid: Como evitar a trágica marca de 5 mil mortes por dia no Brasil?

Nas últimas semanas, Brasil tem batido recordes consecutivos em mortes por covid-19 - Getty Images
Nas últimas semanas, Brasil tem batido recordes consecutivos em mortes por covid-19 Imagem: Getty Images

André Biernath

Da BBC News Brasil, em São Paulo

12/04/2021 12h51

Atualizada em 12/04/2021 13h09

No dia 19 de maio de 2020, o Brasil atingiu pela primeira vez a marca das mil mortes diárias por covid-19.

Esse número permaneceu relativamente estável, em um patamar considerado alto, durante todo o segundo semestre do ano passado.

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A casa dos 2 mil óbitos diários só foi alcançada cerca dez meses depois, no dia 10 de março de 2021.

Daí, bastaram apenas três semanas para o primeiro registro de 3 mil mortes em um dia, no início de abril.

Cinco dias depois, em 6/04, um novo recorde entrava para a história da pandemia: o país perdia em 24 horas um total de 4.165 pessoas para a infecção pelo coronavírus.

Com essa progressão avassaladora e imprevisível, epidemiologistas e cientistas de dados não conseguem determinar quando (e se) o Brasil chegará ao (ainda mais) trágico número das 5 mil mortes diárias.

Se, por um lado, o cenário é cercado por incertezas, por outro, não há dúvidas sobre medidas necessárias para conter o avanço da covid-19 no Brasil.

De acordo com especialistas, não existe forma de sair dessa crise sanitária e econômica sem um lockdown nacional de, no mínimo, três semanas.

Secar a fonte

O epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (RS), entende que o lockdown não deve ser encarado como algo dogmático, em que há pessoas a 100% a favor e outras que são 100% contra, independentemente do contexto.

Ele explica: "Eu defendi a necessidade de uma medida dessas em maio de 2020. Mas, em setembro, achava que não era necessário. Agora, entendo que precisamos de um lockdown nacional pelo tamanho do descontrole que vivemos".

"Nós precisamos parar o país inteiro", afirma.

A explicação por trás desta paralisação em todas as atividades não-essenciais é relativamente simples: com menos circulação nas ruas, o coronavírus encontra menos pessoas vulneráveis para infectar.

Isso quebra cadeias de transmissão da doença (veja mais a seguir) e impede que ela se espalhe em progressão geométrica em condomínios, ruas, bairros ou cidades inteiras.

Vamos a um exemplo prático: pense num indivíduo infectado que mora na Zona Leste de São Paulo e precisa pegar metrô e trem todos os dias até a Zona Sul para chegar ao escritório.

Com o deslocamento, ele tem proximidade com centenas de outras pessoas ao longo do dia.

Muitas vezes, a covid-19 demora algum tempo para dar algum sinal ou incômodo - e, numa parcela considerável de casos, os sintomas sequer aparecem.

Esse trabalhador, então, pode transmitir o vírus para contatos próximos que, por sua vez, vão infectar pessoas em sequência, criando as chamadas cadeias de transmissão mencionadas mais acima.

Agora, todo esse estrago poderia ser evitado se o sujeito do nosso exemplo permanecesse em casa por um tempo.

Imagine como isso, em larga escala, se reflete na taxa de novos infectados durante um lockdown, quando milhões de pessoas permanecem em suas casas.

Restrições insuficientes

Para especialistas consultados pela BBC News Brasil, a duração do lockdown nacional deveria ser de pelo menos três semanas.

"Esse é o tempo mínimo necessário para reduzir números de casos, hospitalizações e óbitos por covid-19", resume Hallal.

Uma queda massiva na taxa de novas infecções cria um efeito dominó e traz um impacto positivo em toda a sequência de eventos relacionados à pandemia.

Afinal, um menor número de casos significa uma queda na procura por hospitais e pronto-socorros.

Isso, por sua vez, garante mais espaço em enfermarias e unidades de terapia intensiva, além de um melhor cuidado da equipe de profissionais da saúde, que deixa de sofrer com a chegada excessiva de novos pacientes.

Mas essas medidas drásticas precisam ser levadas a sério: desde janeiro de 2021, prefeitos e governadores anunciaram uma série de novas políticas, que restringiam o funcionamento do comércio e a circulação de pessoas nas ruas em determinados horários do dia (ou, geralmente, da madrugada).

Em vários estados e municípios, a lista de exceções superava e muito as atividades que deveriam obedecer as regras - a influência de certos setores da indústria, do comércio e de serviços fez com que muitas políticas fossem flexibilizadas e toleradas, mesmo no momento mais grave da pandemia.

Outra estratégia de prefeitos que saiu pela culatra foi a tentativa de antecipar feriados para a semana de 29 de março a 2 de abril, como aconteceu em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A "folga" fez com que muitas pessoas aproveitassem para viajar ao litoral, onde foram registradas muitas cenas de aglomeração.

O grande problema é que esses decretos foram assinados e publicados de forma descentralizada, de acordo com critérios definidos por cada prefeitura ou governo estadual, sem articulação regional ou nacional.

"E muitas dessas medidas sequer foram fiscalizadas. Daí alguns seguiam e outros não, o que é extremamente injusto", observa o médico Ricardo Schnekenberg, que integra um grupo do Imperial College London, no Reino Unido, que estuda a pandemia de covid-19 no Brasil.

O governo federal também não fez nenhum movimento para apoiar ou uniformizar as ações contra a pandemia, apontam os especialistas consultados.

"Com isso, não lidamos com a transmissão do coronavírus e a situação se agravou. Estamos no pior dos dois mundos: pandemia descontrolada e sem perspectiva de melhora econômica", completa.

Lockdown 'pra valer'

Para derrubar as cadeias de transmissão, os epidemiologistas calculam que seria necessário manter cerca de 70% dos brasileiros dentro de casa durante a vigência do lockdown.

"Nesse sentido, a circulação só estaria liberada para trabalhadores essenciais de verdade, como aqueles que integram os serviços de saúde e a cadeia produtiva de alimentação", explica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo.

O exemplo de lockdown mais bem-sucedido no Brasil aconteceu em Araraquara, no interior de São Paulo, que durante duas semanas de fevereiro de 2021 só manteve abertos os serviços da área de saúde. Até supermercados e o transporte público foram paralisados por lá.

O resultado disso foi uma queda consistente no número de casos e mortes por covid-19.

No início de abril, a cidade até permaneceu alguns dias sem registrar novos óbitos pela doença.

Outros locais que restringiram a circulação e tiveram bons resultados por algum período foram Petrolina (PE), Ribeirão das Neves (MG) e Bela Vista do Paraíso (PR).

"No lockdown de verdade, a pessoa só sai de casa se tiver autorização e justificativa. As forças de segurança precisam fiscalizar e coibir a circulação", completa Hallal.

Auxílio emergencial

É claro que o lockdown sozinho não é capaz de dar conta do recado: ele precisa vir junto de uma série de outras políticas de médio e longo prazo.

"Para começo de conversa, o governo deveria oferecer um auxílio emergencial digno, que atendesse as necessidades básicas das pessoas sem que elas precisem sair de casa", diz Maciel.

O governo federal começou recentemente a liberar as verbas de uma nova fase do auxílio emergencial.

Os valores foram reduzidos para R$ 150 a R$ 375 (no ano passado os pagamentos chegaram a R$ 600), ao passo que o número de beneficiários também ficou mais restrito.

Com um aporte financeiro minimamente razoável, a população não precisaria sair à rua para ganhar renda e garantir a sobrevivência.

Segundo os especialistas, o socorro também deveria contemplar os empresários de pequeno e médio porte.

"Eles deveriam ter à disposição linhas de crédito especiais para manterem o negócio e conseguirem superar as adversidades atuais", sugere a epidemiologista.

"Enquanto países como Canadá e Alemanha protegeram o emprego de seus cidadãos e o governo chegou a custear um percentual da renda dos funcionários de empresas privadas, aqui nós aprovamos uma lei para diminuir a jornada e cortar o salário das pessoas", completa.

Vigilância ativa

Também não faz sentido lançar um lockdown dessa magnitude sem um programa sólido de testagem de novas infecções e o rastreamento de contatos.

"É preciso detectar os casos precocemente e aplicar medidas para conter os surtos locais antes que eles se espalhem", diz Schnekenberg.

Países bem-sucedidos no enfrentamento da pandemia, como Nova Zelândia, Austrália, Taiwan, Vietnã e Coreia do Sul, têm boa estrutura para exames em larga escala e diagnóstico daqueles casos que ainda nem apresentam sintomas.

No início de fevereiro, a Austrália, por exemplo, chegou a determinar um lockdown rígido por cinco dias a todos os moradores do Sudoeste do país após um único caso ter sido diagnosticado na cidade de Perth.

Com a detecção rápida, é possível iniciar uma busca ativa de todas as pessoas que entraram em contato com aquele paciente, para que elas fiquem atentas e tomem todos os cuidados necessários.

Essa ação é conhecida como rastreamento de contatos e é outra maneira de quebrar as cadeias de transmissão do coronavírus.

"Mas essas ações só seriam possíveis com liderança e um Ministério da Saúde atuante, que transmitisse mensagens claras e consistes ao povo sobre quais são os sintomas, como se proteger, quando realizar o auto isolamento, quando fazer o teste...", lista Schnekenberg.

Outro ponto importante dessa história é que um decreto com medidas restritivas também precisa contemplar como será a saída do isolamento e o retorno do comércio e dos serviços.

"Todos os países bem-sucedidos têm planos para entrar e para sair do lockdown. As atividades devem ser retomadas aos poucos, de forma progressiva, e não tudo de uma só vez", conta Maciel.

Hallal calcula que, se adotássemos essas medidas restritivas e acelerássemos a campanha de vacinação contra a covid-19, seria possível pensar num controle da pandemia, a exemplo do que já acontece em outras nações.

"Com um lockdown rígido de três semanas e a aplicação de mais de 1,5 milhão de doses de vacina por dia, nós começaríamos a enxergar uma luz no fim do túnel", destaca.

Realidade utópica

Por mais que cientistas destaquem e insistam na necessidade de um lockdown nacional desde o início de 2021, é bastante improvável que o Governo Federal acate uma sugestão dessas nas próximas semanas - mesmo se chegarmos perto ou ultrapassarmos a marca de 5 mil mortes diárias por covid-19.

Em entrevista coletiva no dia 2 de abril, o ministro da saúde, Marcelo Queiroga, deu claras demonstrações de que fará de tudo para evitar uma medida dessas.

"Precisamos nos organizar para fazer com que evitemos medidas extremas e consigamos garantir que as pessoas continuem trabalhando, ganhando seu salário e renda, fazendo com que a economia funcione, deixando essas medidas extremas para outro caso. Evitar lockdown é a ordem, mas temos que fazer nosso dever de casa", discursou.

Ele não deixou claro, porém, que organização é essa e o que será feito para garantir uma queda nas mortes por covid-19 e a manutenção da atividade econômica em meio ao pior momento da pandemia até agora.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também já deu inúmeras demonstrações contrárias a esse tipo de política de saúde pública.

Numa visita à cidade de Chapecó (SC) no dia 7 de abril, o presidente declarou que "não vai ter lockdown nacional".

"Como alguns ousam dizer por aí que as Forças Armadas deveriam ajudar seus governadores nas suas medidas restritivas. O nosso Exército brasileiro não vai às ruas para manter o povo dentro de casa, a liberdade não tem preço", disse.

Uma frase parecida foi dita no mesmo dia, num jantar em São Paulo com empresários, segundo relatos de quem esteve no evento.

"Eu só posso dizer que sinto pelas pessoas que perderam ou que ainda vão perder seus entes queridos nessa pandemia. Muitos indivíduos estão neste exato momento há duas ou três semanas de serem internados e morrerem por causa da covid-19 e por causa de um governo que não tem capacidade de tomar uma medida difícil, mas necessária para salvar a vida dos brasileiros", lamenta Schnekenberg.

A reportagem da BBC News Brasil enviou três questões ao Ministério da Saúde para entender como os responsáveis pelas políticas de saúde pública brasileiras se posicionam a respeito deste assunto e o que estão fazendo para controlar o número de casos e mortes:

  • O Ministério da Saúde planeja lançar mão de alguma medida ou orientação para que estados e municípios façam lockdown nas próximas semanas?
  • Se o Ministério não planeja realizar nenhuma ação nesse sentido, quais são os motivos e as evidências científicas que dão suporte a essa postura?
  • Que outras medidas estão sendo discutidas e implementadas no sentido de controlar o aumento constante dos números de casos e mortes por covid-19, como observamos há algumas semanas?

Até o fechamento desta reportagem, no entanto, não havíamos recebido nenhuma resposta.

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Pedro Bial queria interrogar Lula? - Moisés Mendes

Por Moisés Mendes

Pedro Bial publicou um longo artigo na Folha, para tentar explicar a história da entrevista com uso de polígrafo, e acabou chamando Lula de mentiroso. Mais uma vez. O artigo não é apenas ruim e diversionista, é um desastre.

A queixa que Bial faz contra Lula é essa. Oito anos depois de entrevistá-lo para o Fantástico, Lula teria dito que o jornalista havia sido grosseiro na conversa em Brasília, que girou em torno do mensalão.

Mas e daí? Bial conta essa história para caracterizar a crítica de Lula como uma mentira. Uma reclamação contida numa simples opinião é uma mentira? Por isso a história do polígrafo?

Um entrevistado não pode se queixar do entrevistador? Bial se considera uma prima-dona intocável?

O jornalista é do time da Globo que só não é assumidamente bolsonarista porque a Globo é inimiga de Bolsonaro.

Este é o trecho em que Bial narra seu desgosto e que, segundo ele, caracteriza uma mentira, o que que acabaria justificando o pedido de polígrafo para Lula numa entrevista hoje:

“Oito anos depois (da entrevista de 2005), diante de uma claque de blogueiros governistas, Lula inventou uma versão daquele encontro no Planalto. “Vocês estão lembrados da agressividade do Bial quando ele foi me entrevistar no Palácio? Eu poderia ter levantado e falado: ‘Cai fora do meu gabinete!’. Não. Eu falei: ‘Vou mostrar para esse cidadão que educação a gente não aprende na escola, a gente aprende no berço’”, disse o ex-presidente”.

Bial manteve e aumentou a indelicadeza com Lula, com uma desculpa esfarrapada. Tentou consertar um erro, ao invés de admiti-lo, e produziu uma grosseria ainda maior.

O sujeito se queixa de Lula como fonte. Jornalista não pode se queixar nunca das fontes. As fontes não são ou não deveriam ser empregadas de jornalistas.

Nenhuma fonte tem a obrigação de se submeter a uma entrevista. Nem bandidos, nem fascistas, nem milicianos.

Jornalistas não fazem interrogatórios, nem podem ter a pretensão de agir como policiais. Jornalistas não usam máquinas da verdade.

Essa conversa do polígrafo não serve nem como brincadeira e está mais para araponga de série da Netflix do que para jornalista.

Mas Pedro Bial talvez se considere mais importante do que Lula. E com o poder de interrogá-lo.

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Pan-africanismo digital: Ativistas africanos foram pioneiros em se articular em nível transnacional na internet, diz Serge Katembera

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Há quase uma década, o sociólogo congolês Serge Katembera pesquisa no Brasil (mais especificamente na Universidade Federal da Paraíba) o ativismo digital em países da África francófona, porção do continente que fala francês.

Conversando com ativistas, ele mapeou as demandas locais e também identificou táticas de ação inovadoras, como a articulação dos militantes em nível transnacional para driblar a repressão de governos que frequentemente bloqueiam o acesso à internet pela população para tentar impedir a mobilização e os fluxos de informação.

Em entrevista a Ecoa, Katembera fala sobre o ineditismo desse tipo de ação, descrita por ele como uma possível renovação do Pan-africanismo, movimento surgido no fim do século 19 para propor a união dos povos africanos frente ao colonialismo.

O pesquisador também liga essas práticas a mobilizações antirracistas recentes nas redes e nas ruas vindas das Américas, como o Black Lives Matter e protestos ocorridos no Brasil. Ele participou na sexta-feira (16) do Festival Serrote, realizado pelo Instituto Moreira Salles. Katembera e a historiadora Wlamyra Albuquerque irão discutir o papel da identidade nas estratégias de combate ao racismo.

Quais demandas principais você identificou em sua pesquisa sobre os ativismos digitais na África?

Em geral, eles têm a perspectiva de que o ativismo digital contribui para a melhora da democracia lá, para que eles consigam, por exemplo, atingir diretamente as autoridades, já que elas agora também usam as redes sociais, o que não faziam antes. Então eles entendem que o diálogo é mais direto, conseguem ter um acesso direto a essas pessoas que não havia antes.

A primeira demanda é uma boa qualidade de internet a um bom preço. Tanto que uma das maiores campanhas de ativismo [digital] da África se chamava #Mali100Mega, feita no Mali. Porque entendem que sem isso não se consegue fazer ativismo, o que acaba invisibilizando as pautas. Essa questão aparece em vários países, como Congo e Gabão.

Isso é interessante, porque uma das formas de repressão [no continente] é justamente cortar a internet.

Por exemplo, na Guiné, um dos problemas centrais é a questão da mutilação do clitóris das mulheres, uma prática tradicional ligada tanto à religião quanto ao machismo da sociedade. Uma das blogueiras que eu entrevistei no doutorado tem isso como uma das suas pautas principais, de fazer uma campanha forte contra a excisão, com a qual a maioria das mulheres do país ainda sofre.

Também tem os ativistas que trabalham com a questão ambiental, do saneamento básico, que é um problema sério nas zonas urbanas da África. Então, são transformações que as pessoas estão querendo para as sociedades onde vivem. Mesmo no meu recorte da África francófona, as pautas são variadas.

Se há uma globalização da repressão, também é preciso ter uma globalização da resistência.

Serge Katembera

Como esses movimentos desafiam visões estereotipadas sobre o continente?

Claramente a África não está desconectada da globalização. Se há um movimento mundial chamado convergência digital, de transformação de toda a sociedade global, com plataformização e tudo, na África isso está acontecendo também. As pessoas ainda têm esses estereótipos. Claro que a partir de 2010, da Copa do Mundo da África do Sul, isso diminui um pouco, mas ainda tem gente que acha que só tem selva e animais exóticos.

Como sua pesquisa se relaciona com os conceitos de Pan-africanismo e Atlântico Negro?

Como eles se articulam em nível transnacional, eu acabei trabalhando isso na minha tese como uma espécie de renovação do Pan-africanismo a partir das práticas digitais da sociedade civil.

Observei também outra coisa que vai um pouco além disso: eles não só se reúnem entre ativistas africanos mas convidam ativistas do Haiti. A noção de Atlântico Negro, do [historiador britânico Paul] Gilroy, trata dessa questão dos fluxos de conhecimento da diáspora negra a partir de música, de literatura. Eu venho propondo, pensando o Atlântico Negro também a partir dessas práticas digitais, da conectividade, do ativismo digital e dessas trocas que podem acontecer nesse circuito que vai da África às Américas.

Organisation Internationale de la Francophonie

Existe no ativismo digital do continente americano uma articulação semelhante à dos ativistas africanos que você estudou?

Desde que estou no Brasil e comecei a pesquisar essas questões, observei que na América Latina não havia essa articulação muito forte entre membros da sociedade civil de maneira independente pela internet.

Em 2019, quando houve as mobilizações no Chile, comecei a observar uma mudança. Cada vez mais, ativistas do Brasil começavam a se interessar pelas práticas de militância, de mobilização em rede e nas redes de grupos da América Latina. Isso vinha acontecendo na África muito antes, e me parecia uma limitação da forma como a sociedade civil [na América Latina] estava se colocando, não aproveitando essa possibilidade, sendo um continente onde a circulação de pessoas me parece mais fácil do que no próprio continente africano, onde as fronteiras em geral são espaços de violência.

Recentemente, foi bem interessante ver como o movimento Black Lives Matter teve uma repercussão mundial. Isso me parece até natural pela proeminência dos Estados Unidos e da língua inglesa em termos de pautar as agendas midiática e política. A gente discute o racismo e praticamente tudo na chave americana.

Mas as mobilizações acontecendo no Brasil também começaram a ganhar uma força mundial. A morte do João Alberto teve uma repercussão bastante importante. Analisei como os ativistas tinham se colocado nesse debate na internet, falando qual língua — via-se muitos ativistas brasileiros postando em francês ou em inglês, marcando o CEO do Carrefour nas redes sociais, obrigando-o a fazer postagens em português e em francês sobre o que estava acontecendo no Brasil, o que também foi uma coisa inédita.

Eles [ativistas brasileiros] entenderam que a dinâmica da militância em rede tem que ser feita em várias línguas.

Serge Katembera

Erick-Christian Ahounou/Divulgação

Tem exemplos inspiradores e práticos de ativistas que mudaram sua realidade na África francófona pela militância digital?

Tem alguns que tiveram consequências e uma boa repercussão. Eu gosto sempre de citar o caso de uma ativista da Guiné, Fatoumata Chérif, que lançou uma campanha que se chama #SelfieDéchets. Déchet é basicamente lixo, resíduos.

A falta de saneamento básico é um problema que a gente observa em todos os países africanos. Então ela ia a um edifício público, muito bonito, só que ao lado, bem na entrada, tinha um amontoado de lixo enorme. Isso acontecia perto das escolas, das igrejas. Ela tirou selfies mostrando esse paradoxo entre os prédios bonitos e o lixo.

A campanha consistia em convidar os usuários a publicar fotos onde havia esse contraste. Isso levou a uma repercussão muito importante, chegou a passar em canais de televisão como France24, meios como El País Espanha, TV5. E o próprio governo da Guiné começou a se preocupar com esse problema. Criaram uma espécie de secretaria para lidar especialmente com saneamento, de reciclagem. Até empresas europeias decidiram abrir usinas lá para reciclar esses lixos.

No Brasil é comum usar a expressão "ativista de sofá" para quem milita na internet. É possível mudar o mundo do sofá?

Acho que é possível e que não faz sentido criticar [esse tipo de ativismo dessa forma]. Primeiro que, para ser compreendido pela sociedade, o ativismo precisa produzir um discurso compreensível e muitas vezes isso passa justamente por essas pessoas, que passam muito tempo no sofá, na solidão da leitura e da escrita.

Quando a gente estava falando da mobilização em francês e em inglês sobre a questão da morte do João Alberto, é preciso encontrar as palavras, os usos adequados para as plataformas onde se está fazendo a militância, porque elas demandam uma competência muito específica de uso das redes sociais, não é uma coisa que todo mundo usa de forma profissional. Então acho que tem esse aspecto, de que há uma preparação discursiva, intelectual, da produção da linguagem, do discurso, do debate sobre o que interessa para o movimento.

O segundo ponto tem a ver com essa falsa separação entre o virtual e o real, como se não existisse relação. Então se desqualifica alguém como ativista de sofá como se o virtual fosse totalmente desligado do mundo real. Acho que tem níveis de passagem da rede pra rua que a gente ainda não domina, não sabe exatamente como acontece. Uma presença virtual muito intensa às vezes pode significar uma presença da sociedade na rua muito menor e inversamente também, uma forte presença na rua pode significar menor presença no mundo virtual, mas são formas de existir, são níveis diferentes de existência que estão conectados.

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Humanidade destruiu 97% dos ecossistemas da Terra, diz estudo

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publicado em
16 de abril de 2021 @ 21:18
A fumaça de um incêndio ilegalmente aceso na reserva da floresta amazônica, ao sul de Novo Progresso, no estado do Pará, Brasil, em 15 de agosto de 2020. Foto: Carl De Souza (Getty Images)

Um recente estudo publicado nesta quinta-feira (15) no Frontiers in Forests and Global Change, trouxe um dado bem preocupante: apenas 3% da superfície do nosso planeta ainda se qualifica como “ecologicamente intacta”, com habitats ainda não modificados e espécies animais originais saudáveis sem risco de extinção.

Esse é um quadro muito mais triste do que o pintado por avaliações anteriores, que apontaram esse número muito mais alto, estimando que 20% a 40% da superfície ainda estaria intacta. Mas essas análises, focadas especificamente na integridade do habitat, foram baseadas principalmente em imagens de satélite, que não fornecem muitos detalhes sobre o que está acontecendo no solo.

“O trabalho de campo realizado por muitas pessoas mostra claramente que há espécies que foram perdidas nessas áreas de habitat intacto — carnívoros grandes e médios e herbívoros grandes e médios em particular”, disse Andrew Plumptre, que dirige o Key Biodiversity Areas Secretariat e foi o autor principal do estudo, por e-mail ao Gizmodo. “Alguns foram perdidos ou diminuídos em número por causa da caça pelas pessoas, alguns perdidos devido à introdução de espécies invasoras, como cães e gatos, e alguns devido a doenças.”

Em vez de simplesmente examinar imagens aéreas para o relatório, Plumptre e sua equipe também sobrepuseram mapas de destruição humana de ecossistemas com mapas que indicam onde as espécies animais são muito poucas para manter um ecossistema saudável ou desapareceram completamente de suas regiões originais.

Para avaliar a integridade, os autores usaram três critérios. Por isso, partindo de estudos anteriores, eles observaram a integridade do habitat, uma medida de quanta influência os humanos tiveram sobre os habitats. Eles também observaram a integridade da fauna, que é um indicador de quantas espécies originais de uma região desapareceram desde os tempos antigos (especificamente desde 1500 d.C.). E eles avaliaram a integridade funcional, que determina onde as espécies são abundantes e capazes de cumprir seus papéis ecológicos como predadores alfa, dispersores de sementes ou outras funções. Observando essas duas últimas medidas, os ecossistemas terrestres não estão muito bem.

“A integridade da fauna foi de 2,9% da superfície, e a integridade funcional de 2,8%”, disse Plumptre. Isso significa que 97% da terra foi destruída pela indústria, caça, introdução de espécies invasoras ou outros impactos antrópicos. Os únicos ecossistemas intactos que a equipe identificou estão no Congo, Tanzânia, Floresta Amazônica, Sibéria e no sul do Chile.

E não para por aí: a equipe descobriu que apenas 11% das terras ecologicamente intactas que identificaram são protegidas pelas leis de conservação dos países. Uma porção ainda menor — apenas 4% — é coberta por áreas-chave de biodiversidade, isto é, áreas onde a União Internacional para a Conservação da Natureza diz que é particularmente importante preservar a vida selvagem.

Contudo, nem tudo está perdido. Os autores descobriram que um componente essencial ausente em grandes áreas de terras intactas é o desaparecimento de algumas espécies-chave, especialmente os grandes mamíferos. Alguns deles foram completamente extintos, mas outros ainda sobrevivem em outros lugares. Nesses casos, os autores dizem que reintroduzir apenas um pequeno número (entre um e cinco) de espécies que desempenham funções cruciais em certas áreas poderia trazer até 20% das terras do mundo de volta à integridade ecológica.

Os autores identificam seis importantes locais globais onde esse método pode ser frutífero: leste da Rússia, norte do Canadá, Alasca, Floresta Amazônica, deserto do Saara e a floresta tropical do Congo. Nessas áreas, embora as populações de espécies tenham diminuído, ainda há bastante folhagem original e habitat ao redor para sustentar os animais que forem reintroduzidos.

O estudo argumenta que precisamos de uma nova maneira de pensar sobre a saúde ecológica. No momento, dizem os autores, a restauração se concentra principalmente na restauração de habitats degradados. Isso é importante, mas não é o suficiente. “Devemos também pensar em restaurar as espécies para recuperar a integridade ecológica em mais partes da Terra”, disse Plumptre.

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Novas ferramentas de edição do Google Fotos finalmente chegam para usuários Android

por
Imagem: Google

Em fevereiro, o Google anunciou novas ferramentas de edição de vídeo ao aplicativo Fotos, mas essas atualizações até então estavam disponíveis apenas em dispositivos iOS. Mas, de acordo com o Android Police, as novidades agora começam a ser liberadas para usuários do Android.

As novas ferramentas de edição permitem que os usuários apliquem edições mais granulares aos vídeos, como brilho, contraste, saturação e calor. São mais de 30 controles no total, incluindo corte, estabilização, adição de filtros e mudança de perspectivas.

E tem mais: o update parece ser uma atualização geral, e não apenas exclusiva para quem tem um smartphone da família Pixel. Se o app Fotos não foi atualizado automaticamente para você, basta pesquisar pelo serviço na Play Store e fazer o download das novidades por conta própria. No caso da equipe do Gizmodo US, já conseguimos baixar o update no Samsung Galaxy Note 9 e Note 20 5G, além do Pixel 3a XL.

Embora as novas ferramentas de edição de vídeo sejam gratuitas, muitas das novas opções voltadas para edição fotos são pagas. Apenas assinantes do Google One — serviço de armazenamento da companhia — terão acesso a recursos mais avançados, entre eles Portrait Blur, Portrait Light e Dynamic Suggestions. E você precisa do Android 8.0 ou posterior para acessá-los. As funções Blur e Color Pop ainda estão disponíveis para todos.

Lembrando que tais recursos ainda não chegaram ao app Fotos para dispositivos iOS. Nossa equipe confirmou essa informação em um iPhone 12.

Ainda sobre a questão envolvendo o Google One, vale destacar: a partir de 1º de junho, todas as fotos e vídeos de alta qualidade que você enviar para o Google Drive serão contabilizados no armazenamento. Conteúdos enviados antes dessa data não contam para o seu limite. As assinaturas do Google One começam em R$ 6,99 por mês para 100 GB de espaço em nuvem. Para quem não quiser pagar, são apenas 15 GB gratuitos.

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Rio bate recorde da média móvel de mortes por Covid-19 de toda a pandemia pelo segundo dia seguido

Foram confirmados 148 novas mortes pelo coronavírus no estado
Felipe Grinberg
18/04/2021 - 17:21 / Atualizado em 18/04/2021 - 18:04
Leitos de UTI no Hospital Miguel Couto: unidades estão equilibrando gasto de itens do kit intubação umas com as outras Foto: Hermes de Paula em 6-4-2021 / Agência O Globo
Leitos de UTI no Hospital Miguel Couto: unidades estão equilibrando gasto de itens do kit intubação umas com as outras Foto: Hermes de Paula em 6-4-2021 / Agência O Globo

RIO — Pelo segundo dia consecutivo, o Rio bateu o recorde da média móvel de mortes por Covid-19. Neste domingo, foram confirmados novos 148 óbitos, o que levou o indicador  — que faz a média de sete dias para evitar o efeito de oscilações nos registros de mortes — para 270. Com os números deste domingo, a média móvel apresenta aumento de 22% em relação há duas semanas, indicando um cenário de aumento do contágio.

A média móvel de sete dias é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados, abafando o "ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes e casos da Covid-19 se reduz por escassez de funcionários de plantão.

No Rio, dos 20 maiores recordes da média móvel de mortes por Covid-19, 18 são de 2021. Entre os 18 maiores de 2021, todos são deste mês de abril.

Os cinco maiores recordes da média móvel de mortes por Covid-19:

  • 18 de abril de 2021: 270
  • 17 de abril de 2021: 266
  • 09 de abril de 2021: 260
  • 14 de abril de 2021: 258
  • 15 de abril de 2021: 253

Neste domingo, também foram quase 4 mil novos casos da doença, o que deixou a média móvel de casos em 3.385 em sete dias.

A análise dos dados foi feita a partir do levantamento do consórcio de veículos de imprensa, formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo, que reúne informações das secretarias estaduais de Saúde.

Os cinco maiores recordes de mortes por Covid-19:

  • 17 de abril de 2021: 446
  • 03 de abril de 2021: 411
  • 01 de abril de 2021: 387
  • 09 de abril de 2021: 381
  • 08 de abril de 2021: 375

Fila por UTI diminui, mas ainda há 204 na espera por vaga

O número de pacientes graves que aguardam um leito de UTI na rede pública do Rio diminuiu neste domingo. Dados da Secretaria de Saúde do estado indicam que há 204 pacientes em emergências esperando por uma transferência. Se somados às pessoas que aguardam um leito de enfermaria, o número chega a 256 pessoas.

A fila, que chegou a ter mais de 700 pessoas esperando uma vaga de UTI no fim do último mês, vem diminuindo nos últimos dias e chegou ao menor patamar desde o dia 15 de março. Entretanto, as taxas de ocupação continuam altas nos leitos de terapia intensiva. Segundo o estado, 87% das vagas de UTI estão ocupadas.

Das nove regiões de saúde do estado, apenas duas estão com ocupação de leitos de UTI para Covid-19 menor que 80%: Região Metropolitana 2 e Médio Paraíba.

A pior situação é na Região Noroeste do Rio, que não possui mais vagas de terapia intensiva disponíveis. Na Região Metropolitana 1 — que abrange a capital e a Baxada Fluminense —, a taxa de ocupação das UTIs é de 92%.

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