GERAL

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"Ciro se desgarrou de vez da esquerda", diz Celso Amorim

Celso Amorim e Ciro Gomes

247 - O ex-chanceler dos governos Lula, Celso Amorim, avaliou o quadro da centro-direita brasileira, que encontra grandes dificuldades em emplacar um nome para a disputa presidencial de 2022. Para ele, o principal candidato do setor é Ciro Gomes, que não deve mais ser visto como de esquerda.

"Vejo a centro-direita perplexa. Já descobriram que o Bolsonaro está caindo, mas não conseguem emplacar ninguém com real possibilidade de ser um candidato para enfrentar o Lula, e vamos ver quais serão os desdobramentos disso. Talvez quem mais esteja querendo se posicionar para isso é o Ciro Gomes, falando em aliança com o DEM, fazendo críticas dizendo que no segundo turno iria a Paris de novo se tivesse que escolher entre Lula e Bolsonaro", disse o diplomata.

"Enfim, ele realmente se desgarra de maneira nítida da esquerda. Ele pode não se considerar do campo, o que é direito dele.

É direito dele ir para a direita, mas o fato é esse, não dá para classifica-lo como de centro-esquerda. Sinceramente, não dá mais", completou.

Questionado sobre o que diria a Ciro, Amorim lembrou da época em que o pedetista defendia uma política desenvolvimentista para o Brasil e lamentou a mudança de postura:

"Sempre me dei bem com ele como pessoa. Não quero ficar aqui fazendo juízo sobre o Ciro Gomes. A política pode acabar gerando paradoxos. Acredito que ele esteja vivendo um desses paradoxos, e ele vai acabar se juntando àquelas forças políticas que ele mais criticava. Eu vou lhe dizer francamente, me lembro no governo Lula de termos conversas com o Ciro e outras pessoas que defendiam, diferentemente do Palocci, uma visão mais desenvolvimentista da economia brasileira. Então, eu lamento muito. O caminho que ele está tomando está levando a outra direção. Ele até poderia ser uma referência no centro, que fosse, para uma eventual aliança, e nunca sabemos como as coisas evoluem. Mas acho desnecessário e meio incompreensível essa hostilidade com o PT".

"Podem ser razões de natureza pessoal, mas a política tem que estar um pouco acima disso. Não me lembro quem dizia isso, mas política não se faz com vingança, política se faz com perdão. É preciso ter essa visão", completou o ex-chanceler.

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Moro é rebaixado pela Alvarez & Marsal de sócio-diretor a mero consultor

Segundo a revista Veja, em manifestação à Justiça de São Paulo no dia 7 de abril, no processo de recuperação judicial do grupo Odebrecht, a Alvarez & Marsal disse que Sérgio Moro não é sócio de qualquer empresa do grupo e reitera várias vezes que o ex-juiz da Lava Jato foi contratado apenas como consultor, o que significa que também não tem salário fixo e só é remunerado quando presta algum serviço.

“A remuneração do Sr. Sérgio Moro decorre tão somente dos honorários pagos pela empresa cliente nos específicos casos em que está autorizado a atuar e com base na efetiva prestação de serviços como consultor”, diz  a manifestação da consultoria.

suspeição da Alvarez & Marsal foi levantada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) pelo fato de Sérgio Moro ter sido o juiz que conduziu o processo da Lava Jato e que levou à prisão de vários executivos e ao processo de delação premiada e acordo de leniência da companhia. 

No site oficial da Alvarez, ainda consta a posição de diretor-gerente de Sérgio Moro na empresa e também ainda está no ar o release de apresentação do ex-juiz, como sócio-diretor.

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Em evento com Bolsonaro, comandante do Exército destaca 'lealdade à Constituição'

Edson Leal Pujol, que deixa o cargo neste terça-feira, também citou pandemia como "maior desafio dessa geração"
Dimitrius Dantas
19/04/2021 - 17:50 / Atualizado em 19/04/2021 - 18:21
Pujol saiu do comando do Exército nessa terça-feira Foto: Getty Images
Pujol saiu do comando do Exército nessa terça-feira Foto: Getty Images

BRASÍLIA — Ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o general Edson Leal Pujol, que deixará o posto de comandante do Exército nesta terça-feira, voltou a classificar a pandemia da Covid-19 como o "maior desafio experimentado por essa geração" e destacou o caráter de "instituição de Estado" da força, destacando o respeito à Constituição.

Bolsonaro e Pujol participaram nesta segunda-feira de solenidade em comemoração ao Dia do Exército, último evento do general como comandante do Exército.

Em seu discurso, Pujol citou momentos relevantes da história do Exército até os dias atuais, quando citou a pandemia. O general entregará o comando do Exército nesta terça-feira ao general Paulo Sérgio Nogueira.

— No maior desafio experimentado por essa geração, o combate à pandemia do Covid-19, ao lado das forças co-irmãs, sob a coordenação do Ministéiro da Defesa e contribundo para com o esforço do governo federal, o exército atua não somente com competente profissionais de saúde como também na desinfecção de instalações, doações de sangue para recomposição dos estoques em hoispitais, distribuição de alimentos, medicamentos, imunizantes, equipamentos e oxigênio — disse Pujol.

O comandante deverá deixar o posto máximo do Exército nas próximas semanas. O presidente Jair Bolsonaro trocou todos os comandantes das Forças Armadas logo após a saída de Fernando de Azevedo e Silva do Ministério da Defesa, no final de março.

Entre os motivos para a saída de Azevedo e Silva estava a relutância em aproximar as Forças Armadas do discurso defendidas pelo presidente Bolsonaro, que tem criticado as medidas de distanciamento social adotadas na maioria dos estados.

Em março do ano passado, Pujol já tinha citado a pandemia como a maior ameaça desta geração. Meses depois, em maio, outro episódio com Pujol irritou o presidente. Em agenda em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Bolsonaro estendeu o braço para cumprimentar Pujol e outros comandates do Exército, mas os oficiais ofereceram o cotovelo, cumprimento recomendado por especialistas como mais seguro.

Em seu discurso, Pujol também repetiu o termo utilizado pelo ministro Azevedo e Silva quando anunciou sua saída do Ministério da Defesa. Na ocasião, afirmou que, preservou "as Forças Armadas como instituição de Estado". Nesta segunda-feira, Pujol disse que a data comemorava a renovação do comprimisos "da instituição de Estado secular", destacando que o Exército manterá acesa a chama da lealdade ao Brasil e à Constituição.

— Nesta data renova-se o compromisso da instituição de Estado secular, de integral devotamento à pátria e da justa e perfeita identificação com os ideais do povo brasileiro. Inspirados em Guararapes, o exército de Caxias manterá acesa a feérica chama do patriotismo, do sentimento do dever, da probidade e da lealdade ao Brasil e à Constituição — afirmou o general.

"Meu, seu, nosso Exército", diz Bolsonaro

Em um rápido discurso no mesmo evento, o presidente Bolsonaro mudou a forma como vinha tratando o Exército. Nas últimas semanas, o presidente tinha citado a força como "meu Exército", o que teria desagradado alguns generais.

— Hoje é o nosso dia, é o dia de todos os brasileiros. Porque não existe quem não se identifique com o meu, com o seu, com o nosso Exército Brasileiro — afirmou.

O presidente, que chegou ao posto de capitão do Exército, lembrou do período em que conheceu e posteriomente ingressou nas Forças Armadas. Bolsonaro citou a democracia e a liberdade como valores especiais para o Exército e destacou que as Forças Armadas sempre atuarão "dentro das quatro linhas da constituição".

—  Termino dizendo a todos os brasileiros, a todos os irmãos do Exército. Hoje é uma data que orgulha a todos nós porque aniversaria aquele que nos dará a sustentação para que ninguém ouse ir além da nossa Constituição — disse Bolsonaro

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10 ações que se valorizaram mais de 50.000% nos últimos 30 anos nos EUA

Ao lado dos juros compostos, o tempo é um dos maiores aliados dos investidores e um levantamento recente da S&P500 dá uma demonstração disso ao compilar uma lista das ações com o melhor desempenho no mercado de 1990 até 2020

Por Weruska Goeking, Valor Investe — São Paulo

A maior parte dos investidores busca resultados de médio e longo prazo em seu portfólio, visando a conquista de sonhos, como imóveis ou grandes viagens, ou até mesmo garantir a manutenção do poder de compra e qualidade de vida na aposentadoria.

A verdade é que, ao lado dos juros compostos, o tempo é um dos maiores aliados dos investidores e um levantamento recente da S&P500 dá uma demonstração disso ao compilar uma lista das ações com o melhor desempenho no mercado nos últimos 30 anos, de 1990 até 2020.

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"O impressionante é que todas elas renderam pelo menos 50.000%. Essas ações podem fornecer alguns insights [entendimentos] para investidores que buscam identificar as próximas oportunidades e entender o quão importante os juros compostos no longo prazo podem ser", afirma Guilheme Zanin, analista da Avenue Securities, que avaliou a lista.

Veja a lista de campeãs em retorno

  • Laboratórios Idexx (IDXX)

A Idexx Laboratories produz diagnósticos de saúde e equipamentos veterinários para animais de estimação e gado. A empresa abriu o capital em 1991 e gerou uma rentabilidade total de 50.022%, um ganho médio anual de 23,5% em 29 anos.

"Ao contrário de outras ações que desaceleraram nos últimos anos, a Idexx pegou se beneficiou ainda mais da pandemia. Nos últimos cinco anos, Idexx gerou um retorno total de cerca de 580%. Um investimento de US$ 10.000 em ações da IDXX em 1991 valeria hoje US$ 5 milhões", observa Guilheme Zanin.

  • Grupo Altria (MO)

A segunda maior empresa de tabaco do mundo, a Altria, foi uma grande surpresa no mercado nos últimos 30 anos, segundo Zanin. A empresa abriu o capital em julho de 1985 e, apesar das grandes pressões regulatórias e de relações públicas sobre a indústria do tabaco nos últimos anos, as ações da Altria subiram 61.599% no geral nas últimas três décadas, com um retorno médio anual de 23,9%, aponta o analista.

Atualmente, o crescimento da receita da Altria desacelerou devido aos seus investimentos em cannabis. Porém, o segmento é visto como promissor para a empresa. "A ação caiu cerca de 14% em 2020, mas a Altria ainda paga dividendos consideráveis de 8%. Um investimento de US$ 10.000 em ações da MO em 1990 valeria agora US$ 6,2 milhões", diz Zanin.

  • UnitedHealth Group (UNH)

A UnitedHealth é uma das maiores provedoras de seguro saúde dos Estados Unidos, abriu o capital em outubro de 1991 e gerou um retorno total de 63.395% para os investidores nos últimos 29 anos. Esse ganho resulta em um retorno médio anual de 24,8%.

"A UnitedHealth foi até adicionada ao prestigioso Dow Jones Industrial Average em 2012. As ações da UnitedHealth ainda estão fortes, já que apresentou um retorno duas vezes superior ao S&P 500 desde 2015. Um investimento de US$ 10.000 em ações da UNH em 1990 valeria hoje US$ 6,3 milhões", afirma o analista da Avenue.

  • Kansas City Southern (KSU)

Pode parecer surpreendente que uma das 10 melhores ações dos últimos 30 anos pertence a uma empresa ferroviária, mas é isso mesmo. A Kansas City Southern foi fundada em 1887 e se tornou pública em novembro de 1962.

"Em 2020, os trens ainda são a maneira mais econômica de transportar grandes cargas de carga em todo os EUA. Nos últimos 30 anos, as ações da Kansas City Southern geraram um retorno total de 78.464%. Um investimento de US$ 10.000 em ações da KSU em 1990 valeria hoje US$ 7,8 milhões", diz Zanin.

  • Best Buy Co. (BBY)

Considerando que gigantes varejistas de eletrônicos de consumo do passado como Circuit City e Radio Shack foram esmagados pela Amazon e outros concorrentes online, o fato de a Best Buy estar entre as 10 ações com melhor desempenho nos últimos 30 anos é uma prova da resiliência e adaptabilidade da empresa, na avaliação de Guilherme Zanin.

Quando a Best Buy abriu o capital em 1987, a empresa vendia fitas cassete e videocassetes. Hoje, a Best Buy está vendendo smartphones e tablets. Desde 1990, a Best Buy gerou um retorno total de 108.511%, ou cerca de 26,2% ao ano. Um investimento de US$ 10.000 em ações BBY em 1990 valeria agora US$ 10,9 milhões, calcula o analista.

  • Cerner Corp. (CERN)

A Cerner é uma das maiores empresas de tecnologia da informação de saúde pública. A Cerner abriu o capital em dezembro de 1986 e gerou um retorno de 142.419% para os investidores nos últimos 30 anos. A Cerner foi pioneira na automação dos processos de saúde, uma transição que ainda está ocorrendo.

"Desde 1990, a Cerner gerou um retorno médio anual de 27,4% para os acionistas. Infelizmente, o crescimento da Cerner desacelerou e a ação subiu apenas 21% nos últimos três anos. Ainda assim, US$ 10.000 investidos em ações do CERN há 30 anos valem agora US$ 14,2 milhões", observa o analista.

  • Jack Henry & Associates (JKHY)

Jack Henry & Associates é uma das primeiras fintechs do mundo e oferece soluções de tecnologia e serviços de processamento de pagamentos para seus clientes no setor financeiro. Jack Henry & Associates abriu o capital em novembro de 1985 e gerou um retorno cumulativo de 212.322% para os acionistas.

"O retorno anualizado de 29,1% da empresa desde 1990 é o maior entre as ações que existem há pelo menos 30 anos. A ação não mostra sinais de desaceleração, gerando um retorno total de cerca de 500% na última década. Um investimento de US$ 10.000 em ações da JKHY em 1990 valeria agora cerca de US$ 21,2 milhões", afirma Zanin.

  • Amazon.com (AMZN)

A Amazon abriu o capital em maio de 1997 e, desde então, a empresa e suas ações tiveram uma aceleração histórica. Com o passar dos anos, a Amazon passou de uma livraria on-line de nicho para um rolo compressor de mercado de e-commerce de US$ 1,5 trilhão.

Tanto que Zanin acredita que essa seja a ação menos surpreendente da lista. "Nos mais de 23 anos desde sua oferta pública inicial, a Amazon gerou um retorno total de 212.922%, mais do que qualquer outra ação nos últimos 30 anos. Na verdade, US$ 10.000 investidos em ações da AMZN em 1997 valeriam agora US$ 21,3 milhões", diz o analista.

  • Monster Beverage Corp. (MNST)

A Monster Beverage tem sido um grande investimento, na avaliação de Zanin, embora esteja fora do radar da maior parte dos investidores desde sua estreia na bolsa, em agosto de 1995. Em 25 anos, a Monster gerou um retorno total de 212.468%, perdendo apenas para a gigante Amazon.

Em 2015, a Monster fechou um acordo com a Coca-Cola (KO) em que a Coca-Cola assumiu uma participação de 19% na Monster em troca da Coca-Cola se tornar o principal distribuidor global da Monster.

"Desde seu IPO [oferta pública inicial de ações], as ações da Monster geraram um retorno médio anual de 35,4%. Uma participação de US$ 10.000 em ações da MNST em 1995 valeria agora mais de US$ 21,2 milhões", calcula Zanin.

  • Lojas Ross (ROST)

Concorrentes do varejo de roupas da Ross Stores, como Forever 21 e J.C. Penney, foram esmagados pela Amazon nos últimos anos nos Estados Unidos. Mas enquanto outros varejistas lutam para sobreviver, Ross prosperou, conta Zanin.

A empresa abriu o capital em agosto de 1985. Nos últimos 30 anos, suas ações geraram um retorno total de 81.286%, ou cerca de 25% ao ano. "Infelizmente, as ações da Ross ficaram estáveis em 2020 e ficaram significativamente aquém do S&P 500 devido a paralisações econômicas. Apesar do desempenho decepcionante não tão lucrativo no último ano, um investimento de US$ 10.000 em ações da ROST em 1990 valeria hoje US$ 8,1 milhões", afirma o analista.

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EUA registram terceiro tiroteio em massa em menos de 24 horas

Carros da polícia atendem a chamado após ataque a tiros em Shreveport, Louisiana (EUA) - via REUTERS
Carros da polícia atendem a chamado após ataque a tiros em Shreveport, Louisiana (EUA) Imagem: via REUTERS

Do UOL em São Paulo*

19/04/2021 08h12

Um tiroteio deixou ao menos cinco pessoas feridas em Shreveport, Louisiana, na terceira ocorrência do tipo registrada nos Estados Unidos nas últimas 24 horas.

Os policiais estavam atendendo a um chamado de trânsito quando foram ouvidos tiros, disse um porta-voz da polícia.

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A polícia ainda informou que estava nos primeiros estágios de investigação do incidente, sem confirmar o número de pessoas internadas nem seu estado de saúde. Ainda não foi confirmada a motivação e se os tiros foram disparados por apenas uma pessoa.

Uma vítima foi baleada na cabeça, enquanto outra sofreu vários ferimentos a bala, de acordo com a agência de notícias local Love Shreveport-Bossier. A mídia local noticia que ao menos cinco pessoas ficaram feridas.

Outros dois incidentes com tiros foram registrados nos Estados Unidos no domingo. Na madrugada de domingo, três pessoas morreram e duas ficaram feridas em um tiroteio em um bar no condado de Kenosha, Wisconsin.

Durante a manhã, três pessoas morreram em um complexo de apartamentos em Austin, Texas, e as autoridades estavam procurando por um ex-xerife procurado em conexão com o tiroteio fatal.

Os incidentes ocorrem diante de um aumento de tiroteios registrados nas últimas semanas nos Estados Unidos. Na quinta-feira (15), um atirador matou oito trabalhadores e a si mesmo em um centro da FedEx de Indianápolis, sendo que pelo menos sete tiroteios em massa foram registrados nos Estados Unidos no mês passado.

*Com informações da agência Reuters

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Cem crianças foram baleadas no Grande Rio em quase 5 anos, diz levantamento

Agatha Félix morreu atingida por tiro durante operação policial em 2019 - Voz das Comunidades
Agatha Félix morreu atingida por tiro durante operação policial em 2019 Imagem: Voz das Comunidades

Victória Bechara

Colaboração para o UOL

19/04/2021 14h02

Atualizada em 19/04/2021 18h04

Entre 2016 e 2021, cem crianças foram baleadas na região metropolitana do Rio de Janeiro. Dessas, 76% foram vítimas de bala perdida. É o que mostra um levantamento da plataforma Fogo Cruzado, que mapeia dados de violência armada no Rio e no Recife.

Do total de vítimas - todas com idade inferior a 12 anos - 29 não resistiram. O mapeamento também mostra que 39 foram baleadas com a presença de agentes de segurança. Dessas, dez morreram. Ao todo, 32 foram atingidas durante operação policial.

Menina de 5 anos morre após ser baleada na porta de casa em Niterói (RJ)

Kaio Guilherme da Silva Baraúna, de 8 anos, tornou-se a 100º criança baleada no Rio na última sexta-feira (16). O menino foi vítima de uma bala perdida em uma comemoração na escola de reforço que frequenta na comunidade Vila Aliança, em Bangu, na zona oeste do Rio. Ele foi atingido na cabeça e está em coma no Hospital Municipal Pedro 2º.

Segundo o levantamento, divulgado ontem pela plataforma, Bangu é o bairro com mais crianças atingidas, com cinco casos. Em segundo lugar estão empatados o bairro de Campo Grande, na zona oeste, e o Complexo do Alemão, na zona norte, com quatro cada.

Mais da metade dos casos aconteceu no município do Rio de Janeiro (59). Depois, São Gonçalo (12), Duque de Caxias (9) e Belford Roxo (6). Ao todo, 64% das crianças foram baleadas em favelas. As localidades com mais vítimas são o Morro do Juramento e a Vila Aliança, com três cada.

Ano da intervenção federal no Rio de Janeiro, 2018 foi também o período com o maior número de crianças baleadas, 25. O ano de 2019 registrou apenas uma a menos. Entre as vítimas está a menina Ágatha Vitória Félix, de 8 anos, morta durante operação policial no Complexo do Alemão no dia 20 de setembro, quando voltava para casa com a mãe.

No ano passado, 22 crianças foram baleadas na região metropolitana do Rio. No dia 4 de dezembro, as primas Emily Victoria dos Santos, de 4 anos, e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, de 7, foram mortas por balas perdidas durante uma ação policial no Barro Vermelho, em Duque de Caxias, enquanto brincavam na porta de casa.

Enzo dos Santos, de 4 anos, entrou para as estatísticas enquanto curtia sua festa de aniversário em Magé, na Baixada Fluminense, em 7 de junho de 2020. Ele morreu baleado por um homem que estava presente na comemoração e atirou propositalmente. Enzo foi uma das 17 crianças atingidas em casa entre 2016 e 2020. O levantamento mostra ainda que quatro foram vítimas enquanto estavam indo ou voltando da escola.

Segundo o levantamento do Fogo Cruzado, até o dia 18 de abril de 2021, seis crianças foram baleadas no Grande Rio - duas morreram, uma delas ainda nos primeiros minutos do ano. Na madrugada do dia 1º de janeiro, Alice Pamplona da Silva, de 5 anos, foi levada para o hospital mas não resistiu. Ela foi atingida por uma bala perdida no pescoço, no Morro do Turano, no Rio Comprido.

Em nota enviada ao UOL, a Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio disse que o objetivo central das ações da corporação é a preservação de vidas, "seja as da população ou dos policiais envolvidos". A pasta disse ainda que as operações são "pautadas pelo planejamento prévio e pela estratégia atrelada às análises das manchas criminais locais".

A secretaria também responsabiliza os suspeitos pelo início de qualquer tiroteio. "Vale ressaltar que a opção pelo confronto é sempre uma iniciativa dos criminosos, que realizam ataques armados inconsequentes diante do cumprimento das missões institucionais dos entes de segurança do Estado", diz. A versão é contestada por parte dos familiares das vítimas, como nos casos de Ágatha Félix e das primas Emily e Rebeca.

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Mulher é morta após confusão no próprio aniversário; marido é suspeito

Lorena Patrícia teria sido atacada por marido após crise de ciúme do suspeito, durante comemoração dos 25 anos da mulher - Reprodução/Arquivo Pessoal
Lorena Patrícia teria sido atacada por marido após crise de ciúme do suspeito, durante comemoração dos 25 anos da mulher Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Ed Rodrigues

Colaboração para o UOL

19/04/2021 17h46

Atualizada em 19/04/2021 17h46

Lorena Patrícia da Silva, de 25 anos, foi morta a facadas após uma confusão durante sua festa de aniversário, na cidade de Taipu, no Rio Grande do Norte.

Segundo a Polícia Civil, o único suspeito do crime é o marido da vítima, identificado como Neilson Coutinho Alves, de 29 anos. Relatos apontam que após o homem ter uma crise de ciúmes, Lorena e a irmã teriam deixado a comemoração, mas foram perseguidas e atacadas a golpes de faca.

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Lorena não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local, no caminho de volta para sua casa.

"Ela estava voltando a pé do aniversário, com a irmã, quando foi abordada pelo suspeito. Na ocasião, ela sofreu diversos golpes de faca. Ele fugiu em um veículo Palio de cor branca e até o momento não foi capturado. A motivação teria sido ciúmes", disse o comunicado da corporação.

O caso está sendo investigado pela delegacia da cidade.

Testemunhas disseram que o problema começou quando Lorena foi dançar de biquíni durante o evento, realizado em um clube-fazenda com piscina e salão de festa.

"Ele ficou doido quando viu ela dançando com um primo dele. Nada a ver. Não estava acontecendo nada demais. Mas ele partiu para cima", contou um dos convidados, que preferiu não se identificar.

Ainda segundo a testemunha, a briga persistiu e foi preciso encerrar a celebração.

"Todos foram embora. Lorena saiu com a irmã, mas Neilson foi atrás. Foi uma coisa monstruosa. Ela estava feliz, com a família junto, os amigos... Ela só estava comemorando", continuou.

Agentes da Polícia Civil realizam buscas para identificar o paradeiro do suspeito. No entanto, até o momento, ainda não há informações sobre onde ele possa estar escondido.

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Sumiço de adolescentes vira mistério no AP; buscas mobilizam 53 agentes

Forças de segurança fazem megaoperação em busca de adolescentes no Amapá - Divulgação/PM-AP
Forças de segurança fazem megaoperação em busca de adolescentes no Amapá Imagem: Divulgação/PM-AP

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL

19/04/2021 17h00

Atualizada em 19/04/2021 17h00

Uma megaoperação composta por 53 agentes da segurança pública faz buscas por dois adolescentes, de 13 e 14 anos, desaparecidos desde 8 de abril em Calçoene, a 366 quilômetros de Macapá.

No dia do desaparecimento, eles saíram de casa por volta das 9h para colher açaí em uma plantação, mas nunca retornaram para casa.

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O caso é considerado um mistério para as equipes de buscas, composta por homens do Corpo de Bombeiros, Exército Brasileiro, GTA (Grupo Tático Aéreo), Guarda Florestal, PM (Polícia Militar) e Polícia Civil.

São usados helicópteros, embarcações e veículos. A ação começou em 10 de abril e é considerada pelos bombeiros como uma das maiores já realizadas em casos de buscas no Amapá.

Equipes mobilizaram embarcações para encontrar adolescente no Amapá - Divulgação/Corpo de Bombeiros-AP - Divulgação/Corpo de Bombeiros-AP
Equipes mobilizaram embarcações para encontrar adolescente no Amapá Imagem: Divulgação/Corpo de Bombeiros-AP

O inquérito que investiga o desaparecimento não encontrou vestígios de crimes contra os adolescentes, identificados pelos bombeiros como Renato Siqueira de Jesus e Fabrício Oliveira Barbosa. Ambos são amigos e moram na comunidade Rio Verde, assentamento de Calçoene.

"O que encontramos de vestígios até agora foram algumas pegadas. A dificuldade em encontrá-los em ser um local alagado, de difícil acesso e com mata fechada. Às vezes os militares precisam percorrer em embarcações e cortar galhos de árvores", detalhou ao UOL o primeiro-tenente Izaías Negreiros.

No quarto dia de buscas, um cachorro foi encontrado na mata. As equipes acreditaram que pertenciam aos meninos, mas a investigação descartou a possibilidade.

"É um mistério e não sabemos o motivo de terem sumido. Além disso, não temos mais encontrado vestígios além das pegadas iniciais", completou.

53 homens de forças de segurança estão em megaoperação no Amapá - Divulgação/Corpo de Bombeiros-AP - Divulgação/Corpo de Bombeiros-AP
53 homens de forças de segurança estão em megaoperação no Amapá Imagem: Divulgação/Corpo de Bombeiros-AP

Um posto de comando está montado na Câmara de Vereadores de Calçoene. Lá, as equipes alinham os próximos passos das buscas, que ainda não tem prazo para acabar. Apesar do tempo do desaparecimento, ainda há esperança de encontrá-los com vida.

A ação é dividida em três frentes. A primeira é com uso de helicóptero, seguida da utilização de cães farejadores nas redondezas de onde os meninos sumiram; já a terceira trabalha com as buscas dentro da mata.

Um vídeo compartilhado pela PM do Amapá mostra a dificuldade enfrentada pelos militares no deslocamento pelo pântano da mata vistoriada.

Polícia não vê crime em desaparecimento

A apuração já ouviu testemunhas e familiares dos garotos. O delegado Niury Relry, de Calçoene, diz que, por enquanto, a investigação ainda não verificou indícios de crimes contra os garotos.

"Não há nenhum elemento que aponte para crime. O que posso adiantar é isso sobre a investigação. Não posso dar mais detalhes para não haver desencontro de informações com as equipes de buscas. As famílias estão sofrendo muito com o ocorrido e precisamos preservá-las", resumiu ao UOL.

A reportagem tentou contato com familiares dos garotos por telefone, mas os celulares estavam sem sinal.

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UFSC abre procedimento contra aluno que aparece fazendo sexo em aula online

Aula teve que ser interrompida devido às cenas de sexo - Reprodução
Aula teve que ser interrompida devido às cenas de sexo Imagem: Reprodução

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Chapecó

19/04/2021 12h01

A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) decidiu abrir um procedimento contra um aluno que divulgou cenas de sexo durante uma aula online do curso de administração. A situação aconteceu na noite de sexta-feira (16).

Em um vídeo que circula nas redes sociais, a professora não esconde a surpresa e desconforto com o que está acontecendo. "Gente, eu não sei o que eu faço numa situação dessas. É a única câmera ligada que eu acho que não deveria estar ligada. Eu estou pensando em, talvez, desconectar aqui e conectar de novo. É constrangedor, evidentemente, e a gente está gravando", disse a professora.

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No chat da sala de aula outros alunos também demonstram espanto. "Gente, o que é isso?", disse uma aluna. "Gente, tem uma câmera ligada. Constrangedor", observou outro estudante. Havia 13 pessoas na aula online quando as cenas estavam sendo exibidas.

A estudante Isabella Lacerda, de 25 anos, confirmou ao UOL que as cenas não eram de uma relação sexual gravada e que o estudante das imagens é, de fato, seu colega. "A aula começou com a câmera dele ligada, ele estava de roupa, deixou a câmera ligada e saiu. Depois voltou e já estava acontecendo, então acredito que ele não viu que a câmera estava ligada. Era o o meu colega, com a namorada".

Em nota, a instituição informou que o estudante já foi identificado e que agora devem ser reunidas provas e evidências da considerada grave falta disciplinar. Segundo resolução de 1997, deve ser formada uma comissão de inquérito formada por dois professores, escolhidos pelo reitor, e por um aluno indicado pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes). Ao final da apuração, o grupo vai decidir a pena disciplina, que pode variar de advertência a até o desligamento do aluno.

A coordenação do curso, a direção do CFH (Centro de Filosofia e Ciências Humanas) e a Prograd (Pró-Reitoria de Graduação) prestaram "total solidariedade" à professora responsável pela disciplina.

"Além disso, manifestamos nossa absoluta defesa da professora, do curso em todas as suas instâncias e da UFSC, que não têm medido esforços para manter a reconhecida qualidade do ensino e da formação, diante de todas as restrições, limitações e ameaças à universidade pública brasileira", salientou a nota.

Já o IEG (Instituto de Estudos de Gênero) da universidade expressou solidariedade à professora que "sofreu, durante a realização de aula por meio remoto, assédio sexual e moral de um estudante do curso de administração da UFSC", observou a repartição em nota divulgada à imprensa.

O instituto pediu ainda a adoção de "sanções severas" contra toda forma de agressão e desrespeito de gênero. "Violências dessa natureza precisam ser denunciadas e receberem as medidas cabíveis. Nenhuma tolerância contra todas as formas de violências", observou o IEG.

A reportagem procurou a professora por meio da assessoria da universidade. Porém, a docente informou que não irá se manifestar.

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