Médico cria CANAL para AJUDAR IDOSOS
Médico cria canal para ajudar idosos a esclarecer dúvidas sobre a covid-19
Gloria Maria
Colaboração para o Ecoa, em São Paulo
22/04/2021 06h00
Em março do ano passado, o médico geriatra João Paulo Nogueira Ribeiro, 45 anos, de São Paulo, recebeu muitas mensagens e ligações dos pacientes com dúvidas sobre o coronavírus e a covid-19. Dúvidas que iam desde como higienizar o alimento, se o vírus ficava viável em uma superfície, até se os animais domésticos podiam transmitir.
Eram tantas questões que ele resolveu dar início a um canal, um website, para informar a população idosa. "As notícias estavam mudando com muita velocidade e eu percebi que a população idosa ficou desassistida. Com isso, resolvi criar esse canal para informar com qualidade e credibilidade," diz Ribeiro.
O médico conta com o apoio de amigos geriatras e gerontólogos, que se reúnem periodicamente para ler as dúvidas prioritárias e se organizarem para divulgar as respostas. O website funciona com um formulário, no qual se coloca o e-mail e a pergunta que se quer fazer. Depois de enviado, o canal Duv.idoso entra em contato com o paciente.
Ao longo do tempo, os médicos perceberam que muitas dúvidas se repetiam, foi quando montaram uma área no site com as principais delas compiladas e suas respectivas respostas. Com o tempo, o canal foi ganhando visibilidade e hoje conta com o apoio da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), que tem fortalecido a divulgação. Ele também foi ampliado pensando em outras editorias, para além da covid-19, e já há publicações sobre hipertensão, diabetes e saúde em geral.
Ribeiro comenta que o Duv.idoso tem um impacto na vida dos idosos porque a informação tem uma curadoria profissional, ética e especializada na área da saúde, o que traz confiança. Eles recebem várias perguntas por dia, em média há 4 ou 5 inéditas, e as respostas são consolidadas em artigos publicados no site.
O médico diz que o sentimento por essa ação é de satisfação. Ele conta que quando estava cursando medicina perdeu o pai para o câncer, o que o sensibilizou para ajudar e facilitar às pessoas o acesso à saúde. "Eu me sinto no dever de diminuir essa distância entre o sistema de saúde e os leigos,"
A principal maneira de fortalecer o canal Duv.idoso é divulgando para que mais pessoas tenham acesso e sejam instruídas. A dúvida de uma pessoa pode levar a informação a várias outras.
Jovens estão apavorados com sequelas da Covid, diz CEO do São Camilo
Para a geriatra Aline Thomaz, as pessoas precisam saber que a recuperação é lenta e alinhar expectativa com realidade
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Uma das poucas líderes no topo da hierarquia de hospitais brasileiros, a médica geriatra Aline Thomaz, 42, CEO da rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, afirma que os jovens infectados pela Covid-19 internados na UTI se desesperam quando se deparam com limitações da doença, como a fraqueza muscular.
"Os jovens estão com muito medo, apavorados, de não se recuperar das sequelas. Para o jovem, esperar é um grande sacrifício", diz a geriatra, especialista em administração hospitalar.
Natural de Porto Nacional, município de 53 mil habitantes no Tocantins, a médica está na rede São Camilo desde 2014, onde atuou como geriatra, gestora da unidade Granja Viana e foi responsável por um projeto, até então inédito no país, que instituiu geriatras em todos os prontos-socorros da rede com intuito de melhorar a assistência aos idosos.

Hospitais privados já sentem uma queda de internações por Covid. Como estão no São Camilo a ocupação e o estoque do kit intubação?
Nas últimas duas semanas, houve um declínio de 45% de pacientes Covid na rede, mas pensando isso ocorreu dentro de uma rede já expandida para recebê-lo. É um alívio para gente, que não atende só Covid. O nosso temor, dia a a dia, hora a hora, era de faltar leitos para atender a população. Mas, graças a Deus, não tivemos nem ausência de leitos, nem de medicamentos.
Conseguimos importar a tempo os bloqueadores neuromusculares. A chegada foi marcante. Se não chegasse naquele dia, não ia ter remédio. Graças a Deus, deu certo e eu consegui dormir naquele dia.
Hoje, se a gente voltasse ao momento mais crítico, no dia 30 março, teríamos 15 dias de fôlego sem grandes problemas. Estamos numa situação mais confortável com a queda dos casos. E temos emprestado para outros hospitais.
Neste ano, os pacientes com Covid que ocupam as UTIs são mais jovens? Há alguma diferença na forma de lidar com eles?
Mudou muito. Quase não tem mais os chamados grandes idosos, acima de 80 anos. A grande maioria tem menos de 40 anos. A geração floco de neve, jovens entre 25 e 35 anos, está sofrendo muito com a doença. Eles estão apavorados, com medo da repercussão da Covid.
Como assim?
É uma doença que debilita muito o indivíduo, você perde força muscular, tem mialgia, não consegue levantar o braço. As pessoas precisam entender que é isso mesmo, mas elas vão se recuperar. Mas a recuperação não será como um resfriado, em três dias.
Se as pessoas não entenderem isso, tem uma atmosfera de que está acabada a vida, e não está. A gente precisa falar sobre o processo reabilitador pós-Covid. As pessoas que estão passando pela fase grave da doença precisam entender isso porque o sofrimento psíquico é muito grande.
Por que essa recuperação do tempo de internação é tão lenta?
Se você deixa de usar a musculatura, ela esquece como deve ser usada. É só a gente pensar que, quando fica o dia inteiro deitado na cama, quando levanta está tudo muito dolorido.
É o mesmo raciocínio que a gente usa para a pessoa na UTI. Essa musculatura não trabalha. Para cada dia de UTI, estudos mostram que um idoso vai levar de cinco a sete dias para se recuperar do ponto de vista de vigor muscular.
O mesmo raciocínio vale para os jovens. Para cada dia de UTI, vai levar de três a cinco dias para se recuperar. E para cada dia de unidade clínica, vai demorar dois ou três. Então uma pessoa jovem vai precisar, depois da alta, de 30 a 50 dias para ficar reabilitado. Isso se ela fizer todos os exercícios.
Para o jovem, isso deve ser muito difícil...
Sim, os jovens estão com muito medo. É a primeira grande doença que muitos desses jovens enfrentam. Sentem um baque muito forte. É ainda misterioso o processo da agressividade desse vírus.
Os jovens têm ficado mais tempo na UTI?
A doença está diferente. No início, a preocupação eram os primeiros dez dias porque, depois, o vírus já estava indo embora. Agora, não. A pessoa vai relativamente bem no início e começa a piorar no oitavo ao 14º dia. O processo inflamatório quando vem, vem como uma explosão.
O indivíduo entra em questão de horas em insuficiência cardíaca. Isso acontece muito com o jovem.
Por isso, o tempo de internação tem sido maior. Tem paciente que fica 30 dias na UTI, aí ele faz a síndrome do doente crítico, não tem força nenhuma, e precisa de reabilitação mais intensa para conseguir ficar em pé de novo.
Qual o principal sintoma que mais persiste após a alta?
É o cansaço muscular. A pessoa vai fazer qualquer coisa e fica exausta. E não é falta de ar, é a musculatura mesmo. A pessoa vai tomar banho e já fica cansada.
E o impacto emocional?
É muito violento. Temos feito um trabalho de suporte psíquico com nossos pacientes justamente para explicar que, sim, é uma doença grave, mas que você está recebendo tudo o que precisa. Eles precisam alinhar a expectativa com a realidade.
Quanto mais a expectativa se distancia da realidade, mais frustrada fica a pessoa. Para que você tenha um melhor resultado, é fundamental entender que, sim, pode ter medo, mas ele não pode te paralisar, ele tem que te tornar prudente.
Os mais jovens manifestam algum tipo de culpa por ter se infectado?
Teve uma menina de menos de 30 anos que, logo depois de ser extubada, a primeira coisa que ela disse foi: 'Não deveria ter ido naquela festa'. Pelo menos tem consciência disso... A equipe riu, me contou.
A senhora é uma das poucas CEO à frente da gestão de uma grande rede de hospitais. Ainda é uma área muito masculina. Tem enfrentado alguma dificuldade?
A área da saúde tem sido feminilizada. O processo administrativo da saúde caminha por esse espaço.
Nunca sofri preconceito. Mas, na posição de CEO, me alertaram que era algo raro. Isso é importante, nos dá mais empoderamento e traz um toque mais cuidadoso aos processos.
Antes de ingressar na rede São Camilo, a senhora teve uma passagem no SUS. Como foi isso?
Inseri-me nos projetos do SUS como geriatra do núcleo de apoio da saúde da família na periferia de São Paulo. Era um projeto da Faculdade de Medicina da USP. Fiquei durante três anos trabalhando como médica geriatra no apoio matricial dos médicos de família da região da Raposo Tavares.
Ali é muito violento e eu sofri uma violência. Eles assaltaram meus colegas e eu fui ameaçada com arma de fogo por um traficante para atender o pai dele. Foi uma situação muito desgastante e eu concluí que não ia conseguir trabalhar dessa forma. A gente precisa apoiar o SUS em tudo e acho que é por isso que estou na rede São Camilo, temos muitos hospitais que administramos que são do SUS.
Aline Thomaz, 42
Cursou medicina na Universidade Federal de Goiás, fez residência de clínica médica federal do Mato Grosso do Sul. Especializou-se e fez doutorado em geriatria na USP e, depois, pós-graduação em administração hospitalar na FGV. Ingressou na rede São Camilo em 2014, já foi gestora de projetos de geriatria e da unidade Granja Viana. Desde janeiro, é a CEO da instituição.
'A gente vai morrer': Estudante morta em acidente conheceu motorista no dia
22/04/2021 12h45
Atualizada em 22/04/2021 16h10
A estudante Emmily de Souza, de 20 anos, que morreu em um acidente de carro no último dia 8, em Piratininga (RJ), pouco após gravar um vídeo em que brincou sobre a chance de morrer, conheceu o motorista do veículo naquela mesma noite, quando saíram com mais três amigos para jantar.
Leonardo Pagani, de 20 anos, era um amigo em comum de outros que a acompanhava e o grupo voltava de carona com ele para suas casas, depois de um encontro em um restaurante de comida japonesa. Segundo a investigação, o motorista ingeriu bebida alcoólica antes de assumir a direção.
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Imagens feitas dentro do carro mostram o grupo feliz e cantando. Em uma das gravações é possível ver que o motorista dirige sem as mãos no volante.

Emmily chega a dizer: "a gente vai morrer", filmando a velocidade alcançada. O motorista perdeu o controle do carro e capotou. Ao todo, três jovens morreram no local e dois ficaram feridos.
Paula Camacho, mãe da influencer, contou ao UOL que soube do acidente após estranhar a demora da filha. Ela ligou para o celular da jovem e foi informada por um policial sobre o capotamento na Estrada Francisco da Cruz Nunes, em Piratininga.
O acidente ocorreu na volta para casa. Eu estava ligando para ela, pois ela estava demorando. Nós nos falávamos o tempo todo. Ela mandava localização, me dizia tudo. Só que ela demorou a me responder dessa vez e fiquei preocupada, comecei a ligar e aí um policial atendeu e me disse do acidente. Foi a 5 km da nossa casa"
Emmily era filha única, cursava o terceiro período de medicina veterinária, fazia autoescola e trabalhava como jovem aprendiz na área de faturamento de uma empresa de saúde.

Nas redes sociais, a jovem já tinha alguma fama de influencer, com 60 mil seguidores no TikTok e quase 30 mil no Instagram. Emmily fazia também um curso de modelo. Emocionada, a mãe descreveu a filha como "uma boa filha, menina feliz e alegre".
Ela contou que a jovem gostava de estudar, adorava música, dançar, e que amava jogar altinha na praia. "Ela amava os animais", contou a mãe, que recebeu mais de três mil mensagens de apoio na internet após a perda da filha.
Mais do que mãe e filha, Paula e Emmily eram parceiras e grandes amigas. Passavam carnaval juntas, iam a blocos fantasiadas.
Era sempre te amo daqui, te amo dali. Estávamos sempre juntas em tudo. Ela não teve essa fase de sentir vergonha de mim. Me apresentava a todos"
Um grupo de amigos de Emmily fez uma tatuagem em homenagem à amiga: Uma auréola sobre as asas de um anjo e o nome Emmy.
Rapaz que fazia Educação Física também morreu
Outra vítima do acidente foi o jovem Gabriel Palmieri, de 19 anos. A mãe dele, Renata Costa, disse que soube do acidente através da ligação de uma amiga do filho. A mãe contou que ela e Gabriel trabalhavam juntos e que após o expediente deixou o jovem na porta do restaurante. Eram 19h10. O acidente ocorreu cerca de quatro horas depois.
O grupo era amigo de escola, com exceção de Leonardo, motorista do carro, que foi vizinho da avó de Gabriel. Os dois não se viam há um tempo e se reencontraram há apenas quatro meses.

Renata descreveu o filho como um jovem "com muita luz e alegria, gostava de estar entre amigos e ajudar a todos. Reclamava de nada e estava sempre de bom humor. Sempre brincando".
Gabriel cursava o terceiro período de Educação Física e queria ser personal trainer. Ele deixou a mãe e o irmão de 14 anos. O pai do jovem faleceu oito anos antes.
Os dias parecem não ter fim, a dor é imensurável. Ainda espero ele chegar"
O UOL não conseguiu localizar os pais de Roberta Ribeiro, que também morreu no capotamento.
Relembre o caso
O acidente ocorreu no dia 8 deste mês, às 23h30, na Estrada Francisco da Cruz Nunes, em Niterói, cidade da região metropolitana do Rio. Cinco jovens voltavam para a casa de carona com Leonardo Moraes da Silva Pagani, de 20 anos.
Leonardo e um amigo, identificado como Raphael Guerreiro, de 18 anos, ficaram feridos. O motorista chegou a ser encaminhado em estado grave para o Hospital Estadual Azevedo Lima.
Em depoimento à Polícia Civil do Rio, uma testemunha confirmou que o motorista ingeriu bebida alcoólica antes de dirigir. No hospital, o médico responsável pelo atendimento das vítimas, declarou que Leonardo apresentava hálito etílico e agitação psicomotora.
O delegado Fábio Barucke disse ao UOL que Leonardo poderá ser indiciado por triplo homicídio culposo.
Mas ainda avalio a possibilidade de homicídio doloso por assumir o risco do resultado, em razão de ter bebido e tirado as mãos do volante do carro em alta velocidade"
Raphael já foi ouvido pela polícia e Leonardo é aguardado para prestar depoimento. Ele era esperado na sexta-feira (16) na delegacia, mas o advogado apresentou um laudo médico e adiou o depoimento do jovem.
O UOL ainda não conseguiu contato com o advogado de Leonardo, mas atualizará a reportagem caso consiga um posicionamento.
Análise: Chico Alves - Bolsonaro exibe feitos do rival PT para se defender na Cúpula do Clima


Chico Alves
Colunista do UOL
22/04/2021 12h00
Principal vilão na discussão ambiental do planeta, Jair Bolsonaro fez pronunciamento na Cúpula do Clima usando como defesa os dados de avanços conseguidos em anos anteriores pelos governos de seu principal adversário, o Partido dos Trabalhadores. Nenhuma das referências positivas apresentadas pelo presidente aos outros líderes globais foi de autoria de seu governo.
Desde o incremento da utilização de matrizes energéticas mais limpas, como o etanol e energia eólica, até a revolução tecnológica que aconteceu no campo, tudo foi feito sob o comando de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff - alguma coisa também iniciada ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Mesmo o compromisso de eliminar o desmatamento e reduzir a emissão de gases de efeito estufa a 43% até 2030 foi firmado pela presidente Dilma em 2015. O anúncio foi feito durante a Cúpula sobre o Desenvolvimento Sustentável, realizado naquele ano na sede das Nações Unidas, em Nova York.
Bolsonaro citou outras contribuições de seus antecessores. "Em 15 anos evitamos emissão de 7,8 bilhões de carbono na atmosfera", afirmou, na primeira pessoa do plural. Seria o caso de perguntar ao presidente, para deixar clara a autoria do feito: quem "evitamos"?
Outros dados que anunciou como positivos, devem ser relativizados. É verdade que o Brasil é responsável por 3% das emissões anuais de gases na atmosfera. Mas esse indicador já foi de apenas 1% de gases. Além disso, diante da destruição acelerada da Amazônia, tudo indica que esse índice vai piorar.
O presidente usou outros números do passado para tentar criar uma ilusão de futuro. Se é verdade que o país preservou até aqui 84% do bioma amazônico, o esperado é que a devastação fará esse percentual cair acentuadamente.
Por fim, de uma forma mais sutil que a feita pelo seu ministro do Meio Ambiente, Bolsonaro pediu dinheiro ao mundo. Citou "limitações orçamentárias" e "obstáculos financeiros", para, discretamente, sugerir a contribuição de países, pessoas, empresas e entidades.
Nenhuma palavra sobre os índices alarmantes de desmatamento da floresta amazônica, da paralisação da fiscalização ambiental, da facilitação da atuação de garimpeiros e da farra que os grileiros fazem atualmente na região. Ou sobre a ideia estapafúrdia do ministro Ricardo Salles de criar uma milícia florestal.
Se é verdade que o Brasil é "detentor da maior biodiversidade do planeta", como falou em seu pronunciamento, Bolsonaro mentiu ao dizer que o país está "na vanguarda do enfrentamento ao aquecimento global".
É difícil acreditar em mudança na política ambiental a partir de agora, mas de qualquer forma é preciso deixar claro o ponto de onde estamos partindo: desde que Bolsonaro assumiu, o Brasil se tornou a retaguarda ambiental do planeta.
Análise: Tales Faria - Bolsonaro na cúpula do clima usa estratégia da pandemia: culpar os outros

Tales Faria
Chefe da Sucursal de Brasília do UOL
22/04/2021 14h25
Era o Bolsonaro mesmo quem estava falando na reunião virtual da cúpula do clima ou um clone não negacionista? O Bolsonaro do vídeo para os demais líderes mundiais pareceu ter parado de acreditar que o efeito estufa é uma mentira inventada por cientistas marxistas. Será que ele mudou mesmo?
Não creia. Bolsonaro adotou, na fala sobre clima para os líderes mundiais, a mesma estratégia que tem usado aqui no Brasil, na crise da pandemia do coronavírus: jogou a responsabilidade nas costas dos outros.
Resolveu prometer tudo que a comunidade internacional queria. Mas quem terá que cumprir são os seus sucessores: em 2050 o Brasil chegaria à neutralidade climática; acabaria com o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030; e até lá, 2030, reduziria em 40% nossas emissões de gases do efeito estufa.
Ou seja, 2030, 2050 e por aí a fora...
Será que ele pensa em ficar no cargo até lá?
Acho que não chega a pensar assim. Na verdade, Bolsonaro jogou a responsabilidade pelo cumprimento das metas sobre seus sucessores. Assim como, na pandemia, joga a responsabilidade sobre o Supremo Tribunal Federal e os governadores e prefeitos.
Na mesma linha, disse que o país está aberto a receber contribuições financeiras.
Seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, concedeu uma entrevista coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, logo após a aparição do chefe. Era para detalhar.
Não o fez muito. Mas, perguntado sobre como Bolsonaro começará a cumprir essas promessas já no seu governo, Salles respondeu que, basicamente, conta com a entrada de contribuições de governos e empresas estrangeiras que nos ajudariam com "recursos vultosos".
Chegariam como? Por duas vias: mercado de crédito de carbono, regulado pelo artigo 6º do Acordo de Paris, e contribuições voluntárias previstas no artigo 5º desse acordo.
Bem, o artigo 6º depende da regulamentação pela COP-26, a Conferência das Partes do Acordo de Paris, que deverá ocorrer no final do ano, em novembro. Ou seja, não entra nada via mercado de crédito de carbono neste ano.
O artigo 5º é o que trata das contribuições voluntárias. Ricardo Salles diz que temos direito de receber US$ 133 bilhões em contribuições voluntárias por já termos acumulado - diga-se de passagem, durante os governos petistas - 7,8 bilhões em créditos de carbono.
É assunto que também depende do entendimento entre "as Partes", possivelmente na COP-26 do final do ano.
O ministro também afirma esperar uma boa grana dos Estados Unidos e lembra que o presidente Joe Biden se dispôs a contribuir com US$ 20 bilhões para combater o desmatamento na Amazônia. Não disse que o presidente norte-americano falou que ajuda, desde que o Brasil dê demonstrações concretas de que está fazendo alguma coisa efetiva.
No final das contas, é o seguinte: se nada entrar pelo mercado de crédito de carbono ou pelas contribuições voluntárias, Bolsonaro poderá dizer: "Nada fiz porque não tivemos ajuda nenhuma."
A responsabilidade é dos outros, talquei?
Análise: Josias de Souza - Nome do desastre ambiental do Brasil é Bolsonaro, Salles é apenas o apelido


Josias de Souza
Colunista do UOL
22/04/2021 04h47
O maior erro que se pode cometer na área ambiental é atribuir a Ricardo Salles toda a responsabilidade pela ruína ambiental que produziu nos dois primeiros anos do atual governo as mais altas taxas de desmatamento na Amazônia Legal desde 2008. Salles é mero coadjuvante, um vaqueiro que passa os bois. Bolsonaro é o protagonista, o dono da boiada.
O Ministério do Meio Ambiente é um dos que receberam o selo de ideológico que transforma pedaços da Esplanada em puxadinhos do Planalto. Nessa pasta, o capitão esgrimiu basicamente as mesmas ideias que manejou durante quase três décadas vida parlamentar. Com uma diferença: Na Câmara, Bolsonaro discursava para as paredes. No Planalto, arruinou em dois anos a boa imagem internacional que o país levou 29 anos para construir.
Com altos e baixos, o Brasil vinha conquistando uma imagem de mocinho ambiental desde a Eco-92, a conferência mundial das Nações Unidas sobre meio ambiente que o Rio de Janeiro sediou. Sob Bolsonaro, tornou-se rapidamente um vilão planetário. Chegou à Cúpula do Clima convocada por Joe Biden nessa condição agindo com um método inusual.
- HERANÇA MALDITA
É comum que presidentes da República sejam acusados pelos sucessores de deixar um legado amaldiçoado. Bolsonaro inovou. Em apenas 28 meses, produziu uma herança maldita para si mesmo. Agora, pressionado por uma conjuntura adversa que foi potencializada pela derrota de Donald Trump nos Estados Unidos, o capitão promove no setor ambiental o mesmo cavalo de pau retórico que executou na crise sanitária.
O problema é que, a exemplo do que sucede na pandemia, o novo discurso sobre Meio Ambiente tende a imunizar o governo Bolsonaro contra as críticas com a mesma taxa de eficácia da cloroquina no tratamento contra a covid-19. O que o mundo espera do governo brasileiro no momento é um bom lote de resultados práticos, não o plano caça-níquel redigido em cima do joelho para obter $ocorro internacional.
Há propostas que são tão inovadoras que só serão devidamente compreendidas daqui a um século. Não é o caso das teses de Bolsonaro para o Meio Ambiente. Estas só podem ser perfeitamente entendidas no século passado. Algumas foram camufladas sob terminologia moderna. Por exemplo: "Bioeconomia".
Para ambientalistas respeitados, a bioeconomia é a exploração responsável da biodiversidade amazônica para levar desenvolvimento econômico à região. Para Bolsonaro e seu preposto no Meio Ambiente, significa favorecer madeireiros e garimpeiros que trafegam à margem da lei. Tramita no Congresso projeto enviado por Bolsonaro para regulamentar a mineração e a pecuária em terras indígenas.
- RETÓRICA DESTOA DA PRÁTICA
Bolsonaro agora fala em intensificar operações de fiscalização e controle ambiental. Algo que não orna com a desmontagem que seu governo promoveu em órgãos como Ibama e ICMBio. Tampouco combina com a advocacia administrativa que Ricardo Salles realizou em benefício de madeireiros pilhados na maior apreensão de madeira ilegal da história. Está em desarmonia também com portaria editada sob Salles para submeter multas lavradas por fiscais do Ibama à censura dos chefes.
A prática ambiental do governo harmoniza-se perfeitamente com os compromissos assumidos com deputados e senadores da bancada ruralista. Bolsonaro recebeu-os para um café da manhã em julho de 2019. Fez a seguinte saudação: "Ao longo de 28 anos dentro da Câmara eu acompanhei e, mais do que isso, eu acredito que votei 100% com a bancada ruralista. Muitas vezes as questões nasciam ali como se fossem um parto de rinoceronte: era imprensa batendo em vocês, eram ONGS e eram também governos de outros países."
Bolsonaro afirmou aos comensais que o Brasil errou muito na área ambiental, pois "foi deixando acontecer" a criação de reservas indígenas e de unidades de conservação ambiental. Já naquela época, pronunciou uma frase que se revelaria uma variante precoce do célebre enunciado de Salles sobre a conveniência de aproveitar a pandemia para ir passando a boiada. Disse Bolsonaro no desjejum de 2019: "Nós temos que não fazer. Primeiramente, é desfazer o que foi feito para depois fazer." Muito já foi desfeito. Há muito por fazer.
O capitão informa ao mundo que precisa de $ocorro. Esclarece que um naco do dinheiro que espera receber será usado num programa de regularização fundiária (pode me chamar de legalização de terras griladas, inclusive em reservas indígenas).
- ELOGIO À MATANÇA DE ÍNDIOS
Vale a pena atrasar o relógio para ouvir um discurso que o deputado Jair Bolsonaro pronunciou na Câmara em novembro de 1992.
O então presidente Fernando Collor acabara de formalizar a reserva indígena Ianomâmi.
E o capitão: "...Com a indústria da demarcação das terras indígenas, assim como Quebec quase se separou do Canadá, num curto espaço de tempo, os Yanomamis poderão, com o auxilio dos Estados Unidos, vir a se separar do Brasil."
Dois anos e cinco meses depois, em abril de 1998 Bolsonaro discursou assim na Câmara:
"A cavalaria brasileira foi muito INCOMPETENTE.
COMPETENTE, sim, foi a cavalaria NORTE-AMERICANA, que DIZIMOU seus ÍNDIOS no passado
e hoje em dia NÃO tem esse PROBLEMA em seu país.
Se bem que não prego que façam a mesma coisa com o índio brasileiro."
Um personagem assim precisaria virar-se do avesso para que suas promessas de realizar um governo ambientalmente responsável fossem levadas a sério.
Teria de nascer de novo para obter dinheiro estrangeiro para seus projetos.
Ricardo Salles diz ser possível reduzir o desmatamento no Brasil em até 40% se os Estados Unidos e outras nações estrangeiras repassarem para o governo Bolsonaro US$ 1 bilhão.
Em declaração feita à BBC, o ministro Norueguês do Meio Ambiente, Sveinung Rotevatn, foi ao ponto:
"A Noruega e outros países enfatizaram em conversas recentes com o Brasil que a comunidade internacional está preparada para aumentar o financiamento ao Brasil assim que o Brasil apresentar resultados na redução do desmatamento.
Diminuir o desmatamento no curto prazo é uma questão de vontade política, não de falta de financiamento adiantado."
A Noruega era responsável por 90% das doações bilionárias que financiavam o Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES.
Bolsonaro e Salles implodiram o fundo.
Enxergavam nele um ninho de ONGs.
Afugentaram os doadores.
Agora, passam o pires.
Destruição do Xingu avança com Bolsonaro

Colunista do UOL
22/04/2021 06h00
A informação não fará parte das comunicações do governo brasileiro durante a reunião preparatória da conferência do Clima, convocada pelo presidente dos EUA Joe Biden para acontecer nesta quinta e sexta nos Estados Unidos. Não é boa credencial para quem quer captar dinheiro de fundos internacionais e fazer de conta que não trabalha para passar a boiada e o trator na floresta.
Levantamento feito nos últimos três anos mostra que durante o governo Bolsonaro o desmatamento, a mineração ilegal, a grilagem de terras e os impactos de obras de infraestrutura estão atingindo mais intensamente os territórios indígenas e destruindo o chamado "escudo verde" do Xingu, que protege a Amazônia do processo de desertificação e sustenta o regime de chuvas. É um dos epicentros do desmatamento no Brasil.
A bacia do rio Xingu tem aproximadamente 53 milhões de hectares, nos estados do Pará e de Mato Grosso, com regiões que pertencem aos biomas Amazônia e Cerrado. Dentro da área da bacia, com mais de 26,5 milhões de hectares, está o Corredor de Áreas Protegidas do Xingu, que abriga 23 Terras Indígenas, nove Unidades de Conservação, 26 povos indígenas e mais de uma centena de comunidades ribeirinhas. Esse corredor é considerado uma das regiões com maior biodiversidade no mundo e é fundamental na proteção da Amazônia e do clima.
Hoje, 17% da cobertura original da Amazônia já foi destruída. É uma situação próxima do limite, apontado como 20%, após o qual a floresta se degradada irreversivelmente, sem capacidade para se regenerar, com reflexos na vida e nas atividades econômicas de todo o planeta. A destruição do Corredor Xingu acelera o processo e por isso sua proteção é essencial.
Entre 2018 e 2020, 513,5 mil hectares foram desmatados na bacia do rio, como intensificação de conflitos e disputas por terras e recursos naturais nas Áreas Protegidas do Xingu. A área desmatada equivale a quase 5 vezes o município de Belém (PA), em uma velocidade de 149 árvores derrubadas a cada minuto.
Os dados apareceram no monitoramento de três anos do Sirad X, o sistema de detecção de desmatamento da Rede Xingu +, e estão publicados no documento "Xingu sob Bolsonaro".
Segundo o levantamento, o desmatamento dentro de Áreas Protegidas variou de 30%, em 2018, para 34%, em 2020, e houve um deslocamento do desmate para dentro de populações tradicionais: alta de 38% dentro de Terras Indígenas e de 50% nas Unidades de Conservação na bacia.
No Pará, a atividade de grupos de grileiros na região do Iriri, entre Novo Progresso e São Félix do Xingu, pode cortar o remanescente florestal da Floresta Estadual e acabar com a conectividade do Corredor Xingu, "fragilizando ainda mais o território que hoje é a última barreira entre o novo arco do desmatamento e a Amazônia Oriental", segundo o relatório, que considera o cenário do Xingu devastador.
"Os discursos do governo favoráveis à redução de Áreas Protegidas, a expectativa da legalização de atividades criminais, como o garimpo mecanizado dentro de Terras Indígenas (PL 191/2020), assim como a ostensiva diminuição das ações de fiscalização foram um fator importante na atração de invasores nas TIs Apyterewa, Cachoeira Seca, Ituna Itatá, Trincheira Bacajá e Kayapó", aponta o documento. A expectativa de regularização das terras griladas, através dos PL 2633/20 e PL 510/21, também impulsiona invasões nas unidades de conservação.
"O Xingu continua sendo uma verdadeira barreira contra o avanço do desmatamento, do fogo e da degradação que ameaça a biodiversidade, a regulação do clima, e também o modo de vida de indígenas e populações tradicionais que vivem no território. A Amazônia pode atingir o "ponto de não retorno", dando espaço para uma vegetação mais seca e vulnerável, sem capacidade para continuar exercendo suas funções. Em um contexto de emergência climática, proteger o Xingu é proteger a nós mesmos", conclui o documento.
versa para boiada dormir
Presidente é visto com desconfiança porque se orgulha de sua agenda antiambiental
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Numa tarde de quarta-feira, Jair Bolsonaro enviou ao americano Joe Biden uma carta em que o Brasil se comprometia a acabar com o desmatamento ilegal até 2030. À noite, a Polícia Federal acusou o ministro do Meio Ambiente de dificultar uma operação contra a extração ilegal de madeira na Amazônia. No dia seguinte, o delegado que fez aquela investigação foi demitido.
Bolsonaro tenta convencer o mundo de que tem algum apreço pela preservação ambiental. Enquanto isso, ele mantém dentro de casa seu projeto para facilitar a devastação. O presidente pode até levar à Cúpula de Líderes sobre o Clima um discurso para tentar amenizar sua imagem de vilão internacional, mas o que se pode esperar é uma conversa para uma boiada inteira dormir.
O governo brasileiro é visto com desconfiança porque sempre se orgulhou de sua agenda antiambiental. Na campanha de 2018, Bolsonaro estudava subordinar o Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura, dizia a empresários que era preciso "vencer os problemas ambientais" e prometia afrouxar fiscalizações para acabar com uma tal "indústria da multa".
O Bolsonaro que agora deve apresentar compromissos genéricos para conter a devastação é o mesmo que já disse ser impossível acabar com o desmatamento ilegal. "É cultural", teorizou, quando a Amazônia queimava. Em seu discurso na ONU no ano passado, o presidente mentiu ao fazer propaganda de uma suposta "política de tolerância zero com o crime ambiental" em seu governo.
Às vésperas do encontro do clima, o governo faz questão de manter a reputação. Nas últimas semanas, o ministro Ricardo Salles defendeu madeireiros e dificultou a aplicação de multas ambientais em ações de fiscalização. Nesta quarta (21), ele tirou a tarde para bater boca com a cantora Anitta nas redes sociais.
Bolsonaro se sentiu protegido enquanto Donald Trump esteve no poder e aceitou cultivar a fama de pária global. O jogo mudou, mas o presidente continuará a ser esse pária.
Realidade ruim da fome, do ambiente e do Orçamento testa mentiras de Bolsonaro
Não será fácil ocultar realidade no preço da comida, no ambiente e do Orçamento
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As mentiras de Jair Bolsonaro sobre a epidemia de Covid-19 até aqui foram de algum modo toleradas por cerca de 30% do eleitorado, que considera o desempenho do presidente “ótimo” ou “bom”. A inflação anual da comida passou de 20%, a maior desde 2003, mas a carestia também parece não ter abalado o ânimo daqueles 30%. Mesmo em assuntos de vida e morte, a realidade dura não afeta o prestígio de Bolsonaro para 3 de cada 10 brasileiros adultos ou algo assim.
Haverá em breve mais testes, o que em outro ambiente mental ou político seriam choques de realidade: inflação persistente, desastre ambiental, penúria e rolos derivados da gambiarra do Orçamento, a CPI e o meio milhão de mortos. Bolsonaro ainda vai passar com nota 30%?
A Cúpula do Clima será o começo do teste do programa de destruição ambiental do governo e mentiras associadas. Bolsonaro não vai conseguir enganar o governo americano, que de resto não está sozinho nisso. Clima é um raro assunto em que EUA e China estão em acordo razoável. Caso não tome atitude alguma, Bolsonaro terá problemas na política mundial, com repercussões econômicas crescentes, o que vai incomodar boa parte dos donos do dinheiro grosso daqui.
A alternativa é demitir Ricardo Salles, vulgo “Boiada”, e mudar a política. Bolsonaro entraria assim em conflito com seus amigos grileiros, desmatadores, mineradores ilegais etc. Teria também de inventar desculpa para suas falanges fanáticas por ter cedido ao globalismo ambiental.
O governo e o Congresso-centrão acertaram uma gambiarra no Orçamento de 2021 (aliás, o que vale um Orçamento aprovado depois de transcorrido 30% do ano?). Essa mumunha evita o risco de conflito político maior e de processo imediato contra Bolsonaro. Mas mumunhas não cobrem buracos. O governo vai cortar no osso. Já corta: ora dizima as bolsas de pesquisa. Vai ser pior. Se não fizer a mutreta de transferir o pagamento de certas despesas para 2022, vai paralisar alguns serviços. Talvez a maior parte da população nem note, dado o estado de miséria ou obnubilação em que já vive. Mas a gambiarra e seus efeitos vão ficar evidentes para quem tem o luxo de poder prestar atenção no buraco em que o país vai se enfiando cada vez mais.
A inflação da comida anda em torno de 19% por ano desde o trimestre final de 2020. Ou seja, quem receber o auxílio emergencial, já reduzido, ainda por cima perdeu um quinto do poder de compra em alimentos, em um ano. Além do mais, milhões não receberão ajuda alguma e a recuperação do emprego (muito bico) vai ser retardada pelo afundamento da economia pelo menos em março e abril.
Bolsonaro não é responsável por boa parte dessa carestia, mas ajudou a piorar a coisa, pois a baderna de seu governo mantém o dólar nas alturas. O atraso do pagamento do auxílio emergencial e o fato de que ainda não foram renovados os auxílios de emprego e para pequenas empresas, no entanto, são resultados da incompetência e da negligência de Paulo Guedes e do presidente. Para os dois, a epidemia estava “no finzinho”, em fins de 2020.
Há uma chance nada desprezível de a epidemia refluir bem a partir de julho, se a zona infecta que é o Brasil não produzir alguma nova variante assassina do vírus. Haverá dezenas de milhões de pessoas com sequelas da Covid, da educação arruinada e da miséria ampliada. Pode bem ser que os 30% não se importem com isso também. Até lá, pelo menos, a mentira perversa e lunática que é Bolsonaro vai passar por testes.

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