Mianmasr: Golpe de estado

O golpe parece ser uma RETRATAÇÃO da China aos ATAQUES DO IMPERIALISMO, que está PROMOVENDO PROTESTOS para derrubar o "NOVO REGIME". ________________________________________________ (STALINISTAS apoiando e justificando um GOLPE MILITAR assassino - PUT4KIUSP4RIL)

EUA treinam milícias de extrema-direita para desestabilizar governo chinês - Juca Simonard

Por Juca Simonard

Uigures e norte-americanos em Washington DC em 21 de junho de 2020, para "agradecer" ao Congresso e à Casa Branca a aprovação da Lei de Direitos Humanos Uigur

por Juca Simonard

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O golpe parece ser uma retratação da China aos ataques do imperialismo, que está promovendo protestos para derrubar o novo regime.

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Sempre que a imprensa capitalista divulga algum movimento aparentemente democrático ou popular, deve-se desconfiar de seu conteúdo. Nos últimos meses, diversas reportagens foram publicadas nos maiores jornais do mundo para denunciar uma suposta repressão do governo da China contra as minorias uigures no país. Não bastou muito tempo para que os interesses do imperialismo com a propaganda fossem desmascarados.

Reportagem de Ajit Singh, no portal de notícias independente The Grayzone, denuncia que os supostos “ativistas por direitos humanos” uigures adorados pela imprensa imperialista são, na verdade, milicianos fascistas ligados ao Estados Unidos e que treinam com ex-militares de forças especiais norte-americanas.

No mês passado, os grandes jornais norte-americanos divulgaram uma caravana pelos direitos dos uigures nos EUA, na qual os ativistas insultavam o governo chinês e exigiam a independência do "Turquestão do Leste”. Entre outras coisas, além de bandeiras em adoração aos EUA e pedidos de intervenção do governo norte-americano na potência asiática, exigia-se um boicote internacional à China.

A caravana foi organizada pela Associação Americana de Uigures (UAA, na silga em inglês), que divulgou a ideia de um suposto genocídio do governo chinês contra a etnia turcomena e muçulmana. A China é acusada de estabelecer campos de contração com trabalhos forçados numa política deliberadamente racista. Em nota de abril de 2020, a associação exige uma pressão internacional contra China e defendem os EUA, onde, ao contrário do outro país, seus “direitos a vida, liberdade e busca da felicidade” estariam sendo respeitados.

Fascistas armados e treinados por norte-americanos

No entanto, “uma investigação do The Grayzone sobre o movimento separatista uigure, na área de Washington DC, revelou uma subcultura fanática por armas obcecada pelo tipo de ideologia de direita que estava em exibição durante a caravana de 21 de março pelo centro da cidade”.

Segundo a reportagem, a UAA tem um clube de tiro chamado Altay Defense, no qual os membros são treinados por antigos oficiais militares dos EUA, “que também treinam mercenários particulares e membros do serviço ativo dos EUA”. Ainda, segundo a reportagem, os integrantes do clube de tiro são defensores do ex-presidente Donald Trump, de extrema-direita, e de sua política contra a imigração.

Em sua página no Instagram, o clube de tiro afirma que “todo o treinamento de segurança é fornecido por ex-oficiais das forças especiais”.

A reportagem informa que o clube Altay Defense “recebe instruções de James Lang, um ex-Ranger do Exército dos EUA que serviu no Afeganistão e no Iraque e trabalha como instrutor de armas de fogo para o Departamento de Defesa dos EUA”. 

“Lang também opera a Ridgeline Security Consultants, que fornece armas de fogo e treinamento tático para ‘preparar policiais e profissionais de segurança armados [...] para sobreviver e vencer confrontos mortais’”, ressalta.

Ligações com a extrema-direita norte-americana

Em outro artigo, o jornalista Ajit Singh mostrou que a UAA é filial norte-americana do Congresso Mundial Uigur, fundado pelos Estados Unidos para coordenar uma rede internacional de separatistas para desestabilizar a China e derrubar o governo chinês.

Recebendo milhões de dólares de financiamento do National Endowment for Democracy (NED), uma entidade patrocinada pelo governo dos EUA, essa rede trabalha em estreita colaboração com Washington e outros governos ocidentais para intensificar as hostilidades com a China”, afirma Singh.

“Nos últimos anos, o WUC trabalhou em estreita colaboração com os governos dos EUA e do Ocidente, e fez parceria com pseudo-estudantes propensos a fraudes, como Adrian Zenz, para intensificar sua Nova Guerra Fria contra a China, defendendo que a política chinesa em Xinjiang fosse rotulada de 'genocídio' junto com sanções e boicote”, argumenta.

O jornalista lembra ainda que, apesar de se dizer defensores da minoria muçulmana na China, os membros da associação são aliados a forças da extrema-direita anti-muçulmana em Washington. Entre os listados pela reportagem, estão o senador republicano Ted Yoho, os fundamentalistas cristãos do Family Research Council e o FBI.

Yoho é um senador reacionário com políticas contra o aborto e que já afirmou que não sabia se a Lei dos Direitos Civis de 1964 era constiucional. A lei acabou com a segregação racial no país. O republicano também é um ferrenho defensor da invasão norte-americana na Síria e na Venezuela, e declarou que os “EUA deveriam defender Taiwan da China”.

A UAA também divulgou a Covid-19 como “vírus chinês” endossando a campanha do ex-presidente Trump e do atual presidente Joe Biden, que recentemente mobilizou os grandes jornais norte-americanos para culpar a China pela pandemia.

O atual presidente da organização, Kuzzat Altay, é um ferrenho e fanático defensor dos EUA. Nas redes sociais, em janeiro de 2020, ele comemorou o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani. Kuzzat publicou imagem da águia com a bandeira dos EUA (símbolo do imperialismo norte-americano) com a legenda: “Parece que a guerra acabou de começar. Eu não pertenço a nenhum partido. Eu pertenço à América! Em Deus nós confiamos! É hora de se unir!”

Em outra publicação, no Dia dos Veteranos, em 2019, ele publicou imagem da bandeira norte-americana com a legenda: “Nossas estrelas estão sempre no céu. A liberdade que temos não veio de graça.Que Deus abençoe vocês, veteranos americanos! Que Deus abençoe a América! Em Deus nós confiamos!”.

O presidente da UAA também chamou manifestantes que saíram às ruas contra o assassinato do negro George Floyd pela polícia norte-americana de “saqueadores, ladrões e criminosos”. 

Ainda, defendeu os ataques do imperialismo contra empresas chinesas, afirmando que todos os países deveriam tratar os chefes da Huawei, que tem superado as empresas norte-americanas em alguns avanços tecnológicos, como “criminosos de guerra”. Entre outras coisas.

Ademais, Altay tem como aliado o veterano da NED (que patrocina o movimento uigur) Murat Ataman, que, segundo fotos nas redes sociais, participa do clube de tiro da UAA. Ataman trabalha para o serviço militar e de inteligência dos EUA, General Dynamics, e já ocupou cargos no Departamento de Defesa, Departamento de Segurança Interna e Departamento de Assuntos de Veteranos.

Trump e Biden
Trump e Biden(Photo: Reuters)Reuters

Nova ofensiva contra a China

Todas estas questões, resumidas aqui, mas amplamente divulgadas pela reportagem de Ajit Singh, no portal The Grayzone, mostram a amplitude da ofensiva dos Estados Unidos contra a China. Durante o governo Trump, ampliou-se as sanções econômicas e os ataques ao país asiático.

Numa ofensiva contra as empresas chinesas, ao estilo da Lava Jato, formou-se uma rede internacional de boicote ao 5G da Huawei, e, no Canadá, uma das chefes da empresa, Meng Wanzhou, foi presa em 2018.

O governo Biden, ao contrário do que esperavam os que foram ludibriados pela campanha contra Trump, buscou reforçar a ofensiva. O governo democrata anunciou, no dia 23 de março, sanções contra funcionários do governo chinês por causa dos “contínuos abusos dos direitos humanos” contra a minoria uigur da população do país.

O Departamento do Tesouro dos EUA disse que dois funcionários do governo chinês estão "ligados a graves abusos dos direitos humanos contra minorias étnicas em Xinjiang, que supostamente incluem detenção arbitrária e abusos físicos graves, entre outros abusos graves dos direitos humanos contra uigures, uma população turca muçulmana nativa de Xinjiang, e outras minorias na região".

Em março, ocorreu em Anchorage, no Alasca, a primeira reunião oficial entre o novo governo norte-americano e a China. Na reunião, Secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, pressionou os chineses sobre Hong Kong e Taiwan, onde o imperialismo impulsiona um campanha “pela democracia” contra o governo chinês; e sobre a província de Xinjiang, onde os EUA acusam a China de estar promovendo um genocídio contra a etnia uigur; entre outras coisas, como a parceria econômica entre a potência asiática com Irã e Coreia do Nortes, dois outros países inimigos do imperialismo.

No final do mês, diante das “tensões” registradas na reunião, Biden afirmou que convocará “aliança de democracias” contra a China, segundo o Valor Econômico.

Além disso, os grandes jornais norte-americanos tiraram as últimas semanas para culpar a China pela pandemia da Covid-19, afirmando que o vírus surgiu num laboratório chinês, em Wuhan.

Os dados mostram um acirramento do enfrentamento entre EUA e China, cuja principal expressão atualmente se dá em Mianmar, onde os militares - historicamente ligados à China - deram um golpe contra um setor do governo ligado ao imperialismo norte-americano, representado por Aung San Suu Kyi. 

O golpe parece ser uma retratação da China aos ataques do imperialismo, que está promovendo protestos para derrubar o novo regime.

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A falsa crise e a crise permanente

 | Carlos Andreazza - O Globo

Por Carlos Andreazza

Militares — ao menos os de alta patente — não respaldam o golpismo de Jair Bolsonaro. Ok. Vá lá. Respaldam, porém, o governo por meio do qual Bolsonaro exercita seu golpismo. Isso é um fato. Serei generoso a respeito. Admitamos que tenha havido, entre os generais que embarcaram na canoa do capitão, os que desconhecessem a figura. (Falei que seria generoso.) Passados dois anos, contudo: se ficam, endossam. Se ficam, ante tudo quanto há, acumpliciam-se. Se ficam e se ficaram, os que saíram anteontem, de súbito democratas: cúmplices.

O governo é militar — e já vai tarde o tempo, um Pazuello de distância, em que se poderia reverter essa associação. É orgânica, embora tenha como marca a produção de cloroquina em laboratórios do Exército. São cerca de 6 mil os militares (quase a metade, da ativa) incorporados à administração federal, em ministérios, inclusive os palacianos, e estatais. E é com assento neste corpo, na projeção de força que esta estrutura musculosa insinua, que o presidente da República fala — e continua a falar —em “meu Exército”.

O governo é militar — e autocrático. O presidente não se tornou este populista-autoritário na semana passada; e foi por ser o que é que atraiu tantos generais-helenos. A dança das cadeiras se dá em torno — e em função — de Bolsonaro. Um general vai; outro vem. As Forças Armadas, o Exército acima de todas, permanecem.

Estão todos felizes nesta parceria; o que não exclui reacomodações eventuais.

Sim: houve tensão no processo que resultou na queda de Azevedo e Silva. Não ficou claro o que Bolsonaro lhe teria pedido que ainda não tivesse entregado; sendo o ex-ministro da Defesa aquele, e não posso crer que obrigado, que sobrevoara, com o presidente, em helicóptero militar, uma manifestação golpista, e que continuaria no cargo mesmo depois de o chefe haver discursado em ato antidemocrático defronte ao QG do Exército. O que mais queria Bolsonaro? O que mais quererá, que Azevedo e Silva não topou dar, e que Braga Netto — dedução lógica —toparia? (Sempre haverá quem tope, ou general Ramos não se teria transformado neste Carlos Marun fardado.)

Houve alguma tensão. Mas não a crise que se quis difundir — e que só faz o jogo do presidente. O que quer que tenha sido: nada que mudasse a relação de Bolsonaro com os militares. Nada nem sequer próximo de estremecer uma sociedade que — diga-se —tende a se aprofundar no novo arranjo. Ou, com Braga Netto na Defesa, teremos menos militares no governo? Ou, sob Braga Netto, não seria mais fácil esperar que esse número aumentasse?

Que crise será esta em que os partícipes todos engordam? Ora: só uma — um falso problema — que fosse forjada; e boa para todos os envolvidos.

O general demitido saiu plantando, com eficiência, que sua débâcle derivava de não ter aceitado pressão por apoio político — por mais apoio político, né? — das Forças Armadas ao governo. E, desse modo, sem maiores questionamentos, foi para casa beatificado, um guerreiro em defesa da democracia e das Armas como instituições de Estado; como se não tivesse assinado, nos 31 de março de 2019 e 2020, ordens do dia cujas exaltações ao golpe de 1964 foram mais intensas que a de 2021.

Virou herói. Contou sua história, não foi chamado a detalhá-la ao Senado e virou santo, assim como Bolsonaro virara defensor da vacinação em massa. E ficaram todos felizes: o democrata (desde a véspera) e o golpista (sem dentes para dar golpe); os perigos obscuros sugeridos por Azevedo e Silva alimentando o terrorismo — banguela — do presidente.

Era tudo de que Bolsonaro precisava. Uma crise artificial— conflito forjado — para demonstrar força, que não tem, num período em que vai obviamente isolado, desprovido de recursos políticos para robustecer o governo que não os oferecidos por Arthur Lira. Puro truque: fabricar um confronto para exibir quem manda, quem tem poder, enquanto, no mundo real, o Centrão derruba o ministro das Relações Exteriores, sequestra o Orçamento e chega ao Planalto tomando a articulação política.

Bolsonaro neste momento: um fraco, um sozinho, que tem os filhos como recursos humanos, e que estica a corda a cada vez que tem essa miséria exposta. Arma-se um perigoso ciclo de instabilidade, que aguça — aí, sim — a crise real. Uma crise permanente. Porque o fraco, naturalmente, mostra fraqueza —e essa fraqueza evidente faz com que o fraco, sendo ele Bolsonaro, precise mostrar força. Assim giramos... Azevedo e Silva serviu de escada para que o presidente desfilasse seu poder imaginário: aquele que demite os comandantes militares, que faz e acontece, sendo o mesmo que entrega latifúndios de seu governo em busca de sustentação e blindagem.

A questão é lógica: ou Bolsonaro é mito ou precisa receber Valdemar da Costa Neto no Planalto. Isso implica uma pane em sua base de apoio fundamental, em resposta a que, para agradá-la, tem de radicalizar. E então radicaliza, com nova rodada de ataques aos tiranos governadores e mais referências ao “meu Exército” (fantasia que Azevedo e Silva fez parecer real) — ataques, entretanto, que não serão chancelados pelo sócio (de capital crescente) Centrão. Eis o ciclo da desgraça, da progressiva corrosão republicana. A crise constante. O nosso buraco. Contratado um país que, estando paralisado, não terá como andar tão cedo.

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