NEVERLAND PINDORAMA
Rachel Sheherazade acusa Silvio Santos de assédio e censura em ação milionária · Notícias da TV

Cópia da capa do processo que Rachel Sheherazade abriu contra o SBT
Um dos episódios destacados na ação foi a cerimônia do Troféu Imprensa realizada em 9 de abril de 2017, quando Sheherazade subiu ao palco para receber o Troféu Internet de melhor apresentadora de telejornal, que ela havia conquistado em 2016. A jornalista diz ter sido humilhada por Silvio Santos em rede nacional na ocasião.
O processo destaca a seguinte fala do dono da emissora: "Eu te chamei para você continuar com a sua beleza, com a sua voz, foi para ler as notícias, e não dar a sua opinião. Se quiser falar sobre política, compre uma estação de TV e faça por sua própria conta".
A defesa da apresentadora diz que Silvio Santos teve um comportamento depreciativo, preconceituoso, vexatório, humilhante e constrangedor, além de ter uma "atitude nitidamente machista, [que] colocou a figura feminina numa posição em que a beleza física é supervalorizada em detrimento dos atributos intelectuais".
Por conta dessa exposição negativa e da alta repercussão midiática, os advogados pediram uma indenização de R$ 500 mil por danos morais.
Censura e boicote
Na lista de constrangimentos públicos que Rachel Sheherazade alega ter sofrido está a suspensão do SBT Brasil, em agosto de 2019, após um pedido de Luciano Hang, dono da rede varejista Havan, um dos principais patrocinadores dos programas da emissora de Silvio Santos. A jornalista, por represália a suas publicações em redes sociais, foi proibida de comandar o telejornal nas edições de sexta-feira.
"Silvio Santos a afastou da apresentação do telejornal SBT Brasil, como nítida forma de punição em razão de seus comentários e opiniões, bem como reduziu seu espaço no ar", diz a defesa da apresentadora.
Outros fatos apontados foram os boicotes que sofreu de colegas de trabalho. Nos anexos da ação, Sheherazade colocou prints das mensagens que trocou com José Occhiuso, diretor de Jornalismo do SBT, em que ela reclamava do desequilíbrio de distribuição de tarefas importantes, como gravações de chamadas e offs do telejornal. Por muitas vezes, seu nome era "esquecido" e somente Carlos Nascimento --também demitido da emissora-- acabava privilegiado.
Um e-mail que José Roberto Maciel, CEO do SBT, lhe enviou em 17 de outubro de 2014 também foi anexado à ação como prova de assédio moral. Na data, Rachel pediu afastamento do trabalho para se submeter a uma cirurgia.
O executivo relembrou a ex-funcionária sobre a linha editorial do SBT e pediu para que ela revisse seu posicionamento político nas redes sociais, além de reduzir o tom, visto por ele como agressivo. Na época, a jornalista fazia duras críticas a Dilma Rousseff, que concorria à reeleição presidencial. Maciel disse que a postura dela envergonhavam a ele e a muitos dos colegas de trabalho.
Causa trabalhista
A jornalista começou a dar expediente no SBT em março de 2011 na condição de prestadora de serviços, como pessoa jurídica, sem ter sua carteira de trabalho assinada. Seu salário inicial foi estipulado em R$ 30 mil, e ela recebia mais um bônus de R$ 7 mil para custos com moradia --uma maneira de a emissora ajudá-la a se estabelecer na região metropolitana de São Paulo, já que ela morava em João Pessoa (PB) antes de ter sido contratada.
Por conta das renovações de seu contrato, Rachel teve um crescimento salarial exponencial. Seu último vencimento na emissora, pago em outubro de 2020, foi de R$ 214.108,47, quase 614% maior do que o inicial, conforme mostram as notas fiscais anexadas ao processo.
Mas a defesa de Sheherazade alega que a "pejotização" do acordo foi imposta pelo SBT com o objetivo de fraudar a legislação trabalhista, previdenciária e fiscal, e de não pagar os direitos que a ex-funcionária teria caso sua carteira de trabalho tivesse sido assinada. "Procedimento ilegítimo que o SBT utiliza com a maioria de seu corpo de Jornalismo e apresentadores", diz o advogado André Gustavo Souza Froez de Aguilar na ação.
Foram listados diversos motivos para sustentar a tese de que ela não era uma prestadora de serviços, mas uma funcionária do SBT: cumprimento de carga horária, exclusividade de trabalho com o SBT, subordinação a diretores da emissora, uso de e-mail corporativo, crachá de funcionária, direito a vale-refeição e plano de saúde.
Indenização milionária
Para chegar aos quase R$ 20 milhões de indenização, a defesa de Rachel Sheherazade foi minuciosa no detalhamento de itens que foram suprimidos de seus ganhos nos quase dez anos em que trabalhou no SBT como PJ.
Alega que a jornalista tem direito ao recebimento de um aviso prévio de 57 dias, previsto em contrato, que lhe renderia R$ 406.806,09.
Os cálculos do advogado de Sheherazade mostram que o SBT não pagou seu 13º salário em nenhum dos anos em que ela trabalhou na emissora. O valor acumulado é de R$ 1.433.065,76.
Em relação às férias integrais, que não lhe foram remuneradas, Rachel deixou de ganhar R$ 5.091.010,90. De FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), o valor calculado é de R$ 2.000.882,02, mais R$ 336.806,26 de multa. É exigido também o pagamento da diferença salarial decorrente dos reajustes que ela não usufruiu por não ser contratada pelo regime CLT, que chega ao montante de R$ 9.207.376,89.
Pelos trabalhos em feriados e horas-extras, o valor pedido é de R$ 259.183,65. As parcelas da participação nos lucros da receita da empresa (PLR), pagas a funcionários CLT do SBT, chegam ao valor de R$ 71.876,80. Pede-se ainda uma multa por infringência na carteira de trabalho de R$ 780,44, e a integração da remuneração extra para locação de residência à sua base salarial, com os devidos encargos trabalhistas embutidos, calculados em R$ 343.528,24.
"Dá-se à presente, o valor de R$19.651.317,00, única e exclusivamente para fins de fixação do rito em ordinário, registrando que o valor dado à causa não vincula o juízo e que não renuncia nenhum valor que o exceder", conclui a ação.
Audiência marcada
A Justiça Trabalhista marcou para 3 de agosto, às 10h10, a primeira audiência do caso, em que as testemunhas de Rachel Sheherazade e do SBT serão ouvidas pelo juiz. Hermano Henning, que também processou a emissora de Silvio Santos, falará a favor da ex-colega de trabalho.
Opinião: Mauricio Stycer - Onde Bial enxerga campanha contra ele, vejo apenas crítica de TV
Mauricio Stycer
Colunista do UOL
19/04/2021 09h46
Há um aspecto positivo no texto mal-educado que Pedro Bial publicou na "Folha" na tarde de domingo (18) com ofensas a mim, mesmo sem ser citado nominalmente, e ao UOL. Trata-se da constatação, que me deixa realmente feliz, que uma crítica de televisão em sentido estrito ainda gere debate e discussões no Brasil.
Infelizmente, porém, a qualidade da contestação de Bial deixa muito a desejar. O apresentador busca explicar por que disse numa TV pública ligada ao governo do Estado de São Paulo, durante o "Manhattan Connection", que só entrevistaria o ex-presidente Lula com um detector de mentiras. Em coluna no UOL, classifiquei o comentário como "grosseiro".
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No texto publicado pela "Folha", Bial informa que foi convidado a escrever pelo editor do jornal, de quem teria ouvido: "Acho que você está sendo vítima de uma campanha". O apresentador, então, emenda: "Faz sentido oferecer-me compensação, pois houve campanha, e foi desencadeada pelo UOL [portal que tem participação minoritária e indireta da Folha] a partir de colaboradores 'cheerleaders' do Twitter, que cravaram o adjetivo "grosseiro" como início de seu título caça-clique".
Campanha? Meu texto, publicado na quinta-feira (15), teve muita repercussão na internet. Uma parte considerável dos comentários que vi foi em apoio a Bial - e com críticas a mim e xingamentos a Lula. Algumas poucas figuras públicas, como o comediante Gregorio Duvivier, o influenciador Felipe Neto e o ator José de Abreu, criticaram Bial. O apresentador Danilo Gentili ironizou a minha visão.
Fiz uma crítica pontual a um comentário do apresentador da Globo em um texto com muita contextualização ao seu trabalho no "Conversa com Bial". Veja o texto aqui e aponte qualquer traço de "campanha" contra o jornalista.
O comentário de Bial sobre o portal não revela apenas ressentimento, mas muita desinformação. Qualquer jornalista mais atento reconhece o tamanho e a importância do jornalismo independente praticado pelo UOL. E sugerir que sou um "cheerleader", um animador de torcidas, no Twitter, fala mais sobre o ódio que ele nutre pelas redes sociais do que sobre a minha atividade nesta área.
Por fim, Bial quer ensinar ao crítico qual seria o adjetivo correto para qualificar o seu comentário sobre o "polígrafo" para Lula. "Grosseiro", já sabemos, não o agradou. "Mais honesto seria 'jocoso' ou 'irreverente', mas talvez não fosse tão chamativo", ensinou o apresentador, insistindo na ideia de que o termo "grosseiro" foi usado por mim para conseguir audiência para a coluna.
Não. Achei grosseiro mesmo o tratamento dado a Lula, como teria achado caso o apresentador se referisse assim a outros ex-presidentes. Uma grosseria gratuita.
Como de hábito, escrevi apenas o que senti e pensei. Tenho feito isso, nesta coluna no UOL, há mais de 11 anos. Já elogiei Bial e programas que ele apresentou inúmeras vezes. Também já critiquei o seu trabalho muitas outras vezes.
Neste período, me acostumei com a reação de pessoas com casca fina, muito sensíveis a críticas. Bial não está sozinho nesta.
Bem-vindos à Neverlândia | Opinião - O Globo
A França cortou os voos com o Brasil, e o primeiro-ministro Jean Castex provocou risos no Parlamento ao falar do uso da hidroxicloroquina por aqui.
Isso que chamam de Brasil soa cada vez mais distante para mim. Guardo um país no escaninho da memória, mas o lugar onde vivo hoje costumo chamar de Neverlândia.
É um lugar realmente estapafúrdio, onde um Bolsonaro presidente troca ideias ao telefone com um senador Kajuru e ameaça dar porradas num quadro da oposição.
No final de tudo, o senador Kajuru está sendo processado por uma apresentadora de TV que ele ofendeu em entrevista, após a conversa com o presidente. Tudo na verdade parece um enredo televisivo, filmado com a luz de padaria e um cenário com cores berrantes.
Em Neverlândia, o presidente incorpora um personagem do programa “Casseta & Planeta”, chamado Maçaranduba, obcecado por dar porradas.
Em Neverlândia , o ministro do Meio Ambiente é acusado pela polícia de se associar a desmatadores para protegê-los da investigação e processo criminal. Isso jamais aconteceu no país chamado Brasil, agora envolto em névoa, pairando sobre meus cansados neurônios.
Em Neverlândia, políticos ainda hesitam em apurar o que acontece, apesar de mais de 370 mil mortos, de a maioria da população ter fome e de alguns doentes amarrados na cama, por falta de sedativos e relaxantes musculares.
Em Neverlândia, um vereador mata um menino a pancadas, e a mãe marca hora com a manicure.
Aquele país chamado Brasil nunca foi perfeito. Seus orçamentos eram irreais. Mas, depois que se transformou, surgem ideias como mandar o líder da Neverlândia para o exterior, para que não o punam pelos crimes fiscais.
A ideia não vingou, não porque era absurda, mas pelo fato de não ter para onde ir: as portas do mundo estão fechadas. Não há saída para quem vive na Neverlândia. A única possibilidade real é buscar de novo aquele país chamado Brasil, que escapou entre os dedos até se tornar isso que está aí.
Será um reencontro difícil. Há muitos Maçarandubas por aí, querendo dar pancadas. Apenas pelos músculos, não são assim tão perigosos. O problema é o crescimento do número de armas, um dos pontos básicos na transição para a Neverlândia.
Para reencontrar o Brasil, é preciso admitir que a Neverlândia sempre esteve por aqui, como uma espécie de mais um estado, não um espaço físico da Federação, mas um estado de espírito.
Nunca conseguiremos mandá-lo integralmente para as terras do nunca mais. O que não é possível é deixar que substitua o Brasil.
Éramos um país feliz, lembram? Havia energia, criatividade no ar. Era o que sentiam os que nos visitavam nos tempos de Brasil. A felicidade era, indiretamente, uma atração turística.
A pandemia revelou o que sabíamos, mas jamais encaramos de frente, que são nossas desigualdades. Ao explodir num momento de trevas num governo de obtusos negacionistas, ela provocou uma tempestade perfeita.
A sobrevivência de países em momentos históricos excepcionais depende da capacidade de unir forças, conjugar talentos e vontades.
Quando se trata de um inimigo externo e visível com o estrago de suas bombas, o trabalho de unir é mais fácil.
Estamos diante de um inimigo invisível, o vírus, e de um adversário interno: a extrema-direita, que sempre existirá, mas jamais nos representará, pois a soma dos seus erros e iniquidades nos transfigurou em Neverlândia.
Diante de tudo isso, a tarefa essencial é recuperar o país chamado Brasil, com o menor número de mortos. Os lideres de Neverlândia eleitoralmente se desmancham com sua própria incompetência.
Mas e os mortos? Na Neverlândia morre mais gente do que nasce. Como estancar a mortandade e chegar vivo a 2022? É uma pergunta que deveria ofuscar todas as pequenas questões políticas, ciúmes e rancores que acabam sendo também uma forma de interiorizar a morte.

Por Fernando Gabeira
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Covid: Variante acelera intubação de jovens e SP orienta procurar ajuda no 1º dia de sintomas
Matheus Magenta
Da BBC News Brasil em Londres
19/04/2021 08h16
Atualizada em 19/04/2021 08h35
O avanço da variante P.1, descoberta em Manaus em janeiro, levou a cidade de São Paulo a mudar sua orientação para todos aqueles que forem infectados por coronavírus. Agora, eles devem procurar uma unidade de saúde assim que surgirem os sintomas, e não mais quando eles se agravarem.
Segundo a prefeitura, a mudança tem três motivos, todos associados à nova variante: agravamento rápido do quadro de saúde, mais jovens atingidos e tempo de internação maior.
Fraca incidência da variante brasileira na França intriga Libération
"Não só o processo de internação é mais longo, a viremia (presença do vírus no sangue), mas o agravamento é muito repentino na P.1. Há relatos do atendimento na ponta de jovens que são internados e em 24 horas já precisam ser intubadas. Literalmente isso", afirmou o secretário municipal de saúde de São Paulo, Edson Aparecido, em entrevista à BBC News Brasil.
Levantamentos apontam que a variante, mais contagiosa, já está presente em mais de 80% dos pacientes da Grande São Paulo no início de março. A P.1 tem avançado rapidamente em outras partes do país. No Rio de Janeiro, estima-se que a incidência dela passou de 67% em fevereiro para quase 100% em abril.
Essa variante do coronavírus é mais contagiosa, entre outros motivos, por causa de mutações que facilitaram a invasão de células humanas. Essa característica pode estar ligada a outras duas hipóteses que estão próximas de serem confirmadas por cientistas: agravamento mais rápido do quadro de saúde e maior letalidade.
Até agora há diversos relatos de profissionais de saúde da linha de frente que reforçam essas possibilidades, mas os estudos conclusivos só devem ficar prontos nas próximas semanas. Um levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), baseado em quase metade dos 55 mil leitos de UTI do país, apontou na onda atual um aumento de 40% no número de pacientes que precisaram ser intubados e receber ventilação mecânica.
"A preocupação de São Paulo se justifica diante de tudo que temos visto em diversas partes do país. A evolução mais rápida, um alastramento muito maior e mudança no perfil de casos, atingindo também pessoas mais jovens. A evolução mais rápida do quadro de saúde é um fato registrado em diferentes localidades", disse o virologista Fernando Spilki, professor da universidade Feevale e da rede Corona-ômica BR MCTIC/Finep, projeto de sequenciamento do Sars-CoV-2.
Mas se o sistema de saúde está em colapso pelo país, com milhares de pessoas nas filas à espera de UTI e falta de insumos e profissionais de saúde, por que São Paulo passou a recomendar que ainda mais pessoas busquem atendimento médico logo no início dos sintomas?
E o que dizer das cidades menores? Elas teriam capacidade de absorver essa demanda ainda maior por atendimento? Dificilmente, afirmam especialistas ouvidos pela reportagem.
Jovens e o atendimento tardio
Uma das principais características associadas à nova variante é a maior incidência entre os mais jovens. A maioria dos casos registrados em 2021 em São Paulo, por exemplo, se concentra entre pessoas de 20 a 54 anos.
Dados do governo paulista apontam que na primeira onda da pandemia mais de 80% dos leitos UTIs eram ocupados por idosos e portadores de doenças crônicas, e agora 60% das vagas são ocupadas por pessoas de 30 a 50 anos, a maioria sem doença prévia. Dados da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) apontam alta de 17% nos pacientes de até 40 anos em UTIs.
A principal hipótese para isso é epidemiológica, e não uma predileção do vírus por mucosas mais jovens. Há uma exposição grande de homens dessa faixa etária, por exemplo, que não podem deixar de sair para trabalhar ou de circular em transportes públicos lotados. Há também aqueles, minoritários, que não deixaram de frequentar festas.
Mas o que o aumento de casos entre os mais jovens tem a ver com o agravamento da doença mais rápido?
Bem, a linhagem do coronavírus identificada em Manaus apresenta mutações nos genes que codificam a espícula, a proteína que permite a entrada do vírus nas células humanas e, portanto, pode facilitar a infecção pelo Sars-CoV-2.
Dados divulgados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no fim de fevereiro de 2021 indicam que adultos infectados com essa variante têm carga viral até 10 vezes maior, o que reforça a teoria de que ela aumenta a transmissibilidade. Quanto mais vírus dentro do corpo, mais vírus disponível para ser espalhado.
Mas isso não leva necessariamente a uma doença mais grave.
"A carga viral é ao mesmo tempo uma consequência e causa. O coronavírus invade mais células, aumenta a carga viral, é mais transmissível. Mas não há correlação entre a carga viral e a gravidade da doença. Na covid-19, as diferenças entre um sintomático e assintomático ou um grave são pequenas. Há tendência de carga viral maior, mas não é determinante para a gravidade da doença. O aspecto de infectar células com mais facilidade, no entanto, pode estar ligado a uma pneumonia mais grave porque pode atingir uma área maior do pulmão", explica o virologista José Eduardo Levi, pesquisador do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador de pesquisa e desenvolvimento da Dasa (rede de laboratórios).
Assim como a P.1, as variantes B.1.1.7 (identificada no Reino Unido) e a 501Y.V2 (descoberta na África do Sul) têm mutações na espícula que facilitam essa conexão com a célula humana. Duas mutações em particular chamam a atenção: a N501Y, presente nas três variantes, e a E484K, encontrada na da África do Sul e na que circula no Brasil.
No caso da N501Y, há indicativo de que ela possa tornar o Sars-CoV-2 mais transmissível - mais contagioso, o vírus poderia levar mais pessoas ao hospital e elevar o número de mortes.
No caso da E484K, estudos têm demonstrado que ela pode dificultar a ação de anticorpos, o que gera uma preocupação em dois momentos: no combate do sistema imunológico contra o vírus em infecções ou reinfecções, e na eficácia das vacinas.
Um estudo liderado por pesquisadores brasileiros que foi publicado na revista Science em 14 de abril apontou que, munida dessas mutações, a variante P.1 surgida em meados de novembro de 2020 pode ser até 2,4 vezes mais contagiosa.
A mudança no protocolo da Prefeitura de São Paulo mira principalmente os mais jovens porque esse grupo tende a procurar atendimento mais tardiamente, quando a doença está bastante agravada, muitas vezes de forma silenciosa.
De que modo o atendimento antecipado ajuda o paciente?
É importante deixar claro que não há um tratamento precoce contra o coronavírus que tenha se mostrado eficaz. E a recomendação de buscar atendimento logo nos primeiros dias de sintomas não inclui medicamentos capazes de evitar o agravamento de alguma forma, mas sim um acompanhamento especializado da evolução dos sintomas, com consultas e exames.
Há dois objetivos principais, segundo o secretário municipal de saúde de São Paulo. Primeiro, é evitar que um eventual tratamento ocorra tarde demais (como oxigênio e corticoides, apenas quando o caso é considerado grave). Segundo, tentar gerenciar melhor a oferta de leitos e evitar um colapso ainda maior.
"Normalmente, quando a pessoa fica em casa, sobretudo o jovem, que acha que resiste mais à doença ou nem percebe, e demora um pouco mais de tempo para procurar o sistema de saúde e na hora que procura já tem um quadro respiratório mais problemático, com o pulmão mais comprometido", explica Aparecido.
Suzana Lobo, diretora-presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), explica que essa demora em procurar atendimento médico pode estar ligada ao modo com que os sintomas se apresentam nos mais jovens.
"Não podemos afirmar com certeza por que isso acontece, mas podemos especular. Esses pacientes mais jovens têm uma reserva cardiorrespiratória melhor. Eles não têm a apresentação dos sintomas tão rapidamente ou tão importante quanto os pacientes mais idosos. Eles subestimam os sintomas. Ou talvez os sintomas nem se manifestem tanto. Quando eles procuram o hospital, o quadro já estava grave", disse em entrevista à BBC News Brasil.
Segundo ela, em casos graves (que necessitam de oxigênio) e críticos, o atendimento antecipado é fundamental. "Cada hora conta, cada hora que precisa de uma UTI, de intubação, de um tratamento mais adequado e ele não está na UTI, vai agravar. E é isso que tem acontecido no Brasil. Como as UTIs estão lotadas, eles vão piorando e quando chegam na UTI, eles já esperaram 12h, um, até três dias. Às vezes até já intubado fora da UTI. É um problema sério porque cada hora é importante para o paciente grave que está em franca deterioração clínica."
Como explica o secretário municipal de saúde de São Paulo, a mudança no protocolo visa também uma previsibilidade maior da ocupação de camas hospitalares.
Atualmente, quase 88% dos leitos UTI da cidade estão ocupados. Antes da pandemia, São Paulo tinha 575 leitos UTI SUS, e hoje conta com 1.430. Havia quase 2.000 leitos de enfermaria, e hoje são mais de 3.600. "Mas o que a gente abre ocupa rapidamente", afirma Aparecido.
Além disso, eles ficam ocupados por mais tempo. No Estado de São Paulo, a média de ocupação de UTIs passou de 7 a 10 dias por paciente, para 14 a 17 dias, pelo menos, segundo o governo estadual.
"Isso tudo são formas e mecanismos de tratamento clínico e acompanhamento para que ele (o paciente) não tenha um agravamento, que não precise do leito de UTI e não venha eventualmente a um óbito. Na medida que você faz isso, conseguimos controlar melhor o fluxo da ocupação dos leitos de UTI de toda a rede pública. A gente planeja em função da demanda que pode vir a ocorrer", afirma ele.
A oferta de leitos no Brasil é uma das maiores do mundo, mas é bastante desigual ao redor do país. Especialistas ouvidos pela reportagem concordam com o monitoramento dos pacientes ou políticas de alerta para os riscos de se buscar tratamento tardiamente, mas veem sérios obstáculos de repetir essa estratégia em outras localidades.
"Eu não acredito que quem tem sintoma vai conseguir atendimento médico, porque é muita gente. Muita gente. Como é que todo mundo que tem sintoma no Brasil vai conseguir um médico hoje? Não sei se há capacidade do sistema para isso", diz Lobo, diretora-presidente da Amib.
Ainda assim, é importante lembrar que a chegada a uma UTI não é uma garantia de que o paciente vai sobreviver. Cerca de 80% dos intubados por covid-19 morreram no Brasil em 2020, sendo que a média global é de 50%.
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Reportagem: Jamil Chade - Lockdowns não freiam crise climática e 2020 é 3º ano mais quente, diz ONU

Jamil Chade
Colunista do UOL
19/04/2021 12h30
Resumo da notícia
- Dados são apresentados às vésperas de cúpula convocada por Biden para tratar de clima
- De acordo com levantamento, pandemia e mudanças climáticas levaram crise social para milhões de pessoas
- ONU pressiona governos a adotar medidas ambiciosas para reduzir emissões de CO2
Às vésperas da cúpula do clima, organizada pelo presidente Joe Biden, a ONU publica novos dados em que revela que nem mesmo as medidas de confinamento, redução drásticas de viagens aéreas, queda inédita da atividade econômica ou ordens para ficar em casa conseguiram frear a crise climática.
O ano de 2020 se consolida, assim, como um dos três mais quentes e a pandemia aprofundou os impactos sociais de eventos climáticos extremos, como secas, colocando em risco milhões de pessoas.
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A publicação dos novos dados marca o início de uma semana considerada como crítica para o debate sobre mudanças climáticas e o compromisso de governos em relação ao corte de emissões de CO2.
"Esses dados mostram que não temos tempo a perder", disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. "O clima está mudando, e os impactos já são muito caros para as pessoas e para o planeta. Este é o ano de ação", pediu.
"Os países precisam se comprometer com as emissões líquidas zero até 2050. Eles precisam apresentar, bem antes da COP26 em Glasgow, planos climáticos nacionais ambiciosos que coletivamente reduzirão as emissões globais em 45% em comparação com os níveis de 2010 até 2030. E eles precisam agir agora para proteger as pessoas contra os efeitos desastrosos da mudança climática", disse o secretário-geral.
Na avaliação da ONU, eventos climáticos extremos e a covid-19 foram "golpes duros" para milhões de pessoas em 2020. "Entretanto, a desaceleração econômica relacionada à pandemia não conseguiu frear os fatores da mudança climática e acelerar os impactos", disse a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
2020: um dos três anos mais quentes
De acordo com a agência da ONU, 2020 foi um dos três anos mais quentes já registrados, mesmo diante do um evento La Niña que ajudou a esfriar. A temperatura média global foi cerca de 1,2°C acima do nível pré-industrial (1850-1900). Os seis anos, desde 2015, foram os mais quentes de que há registro, enquanto o período entre 2011-2020 foi a década mais quente de todos os registros.
Para o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, "todos os indicadores do clima e as informações de impacto destacam a incessante e contínua mudança climática, uma ocorrência crescente e intensificação de eventos extremos, e perdas e danos severos, afetando pessoas, sociedades e economias".
"A tendência negativa do clima continuará durante as próximas décadas, independentemente de nosso sucesso na mitigação. É importante, portanto, investir na adaptação. Uma das formas mais poderosas de adaptação é investir em serviços de alerta precoce e redes de observação meteorológica", defendeu.
Novos recordes, de fato, foram registrados em diferentes partes do mundo. Em uma grande região do Ártico siberiano, as temperaturas em 2020 foram mais de 3°C acima da média, com uma temperatura recorde de 38°C na cidade de Verkhoyansk.
Nos EUA, os maiores incêndios já registrados ocorreram no final do verão e no outono. A seca generalizada contribuiu para os incêndios, e de julho a setembro foram os mais quentes e secos registrados para o sudoeste. O Vale da Morte na Califórnia atingiu 54,4°C em 16 de agosto, a temperatura mais alta conhecida no mundo em pelo menos os últimos 80 anos.
No Caribe, grandes ondas de calor ocorreram em abril e setembro. Cuba viu um novo recorde nacional de temperatura de 39,7°C em 12 de abril. A Austrália bateu recordes de calor no início de 2020, incluindo a temperatura mais alta observada em uma área metropolitana australiana, no oeste de Sydney, quando Penrith atingiu 48,9°C. O verão foi muito quente em partes do leste da Ásia. Hamamatsu (41,1°C) igualou o recorde nacional do Japão em 17 de agosto.
Recordes históricos estabelecidos em Jerusalém (42,7°C) e Eilat (48,9°C) em 4 de setembro, após uma onda de calor no final de julho no Oriente Médio, na qual o Aeroporto do Kuwait atingiu 52,1°C e Bagdá 51,8°C.
Seca no Brasil
Mas o ano também foi de chuvas fortes e inundações extensas em grandes partes da África e da Ásia em 2020, inclusive provocando uma epidemia de gafanhotos do deserto. O subcontinente indiano e áreas vizinhas, China, República da Coreia e Japão, e partes do sudeste asiático também receberam chuvas anormalmente altas em várias épocas do ano.
Já a seca severa afetou muitas partes do interior da América do Sul em 2020, sendo as áreas mais afetadas o norte da Argentina, o Paraguai e as áreas da fronteira ocidental do Brasil. As perdas agrícolas estimadas foram de quase US$ 3 bilhões no Brasil, com perdas adicionais na Argentina, no Uruguai e no Paraguai.
Covid-19 exacerbou crise social
Ao contrário das esperanças iniciais de que uma queda brusca da atividade global levaria uma queda de emissões, os dados revelam que essa redução foi praticamente insignificante. O impacto social da pandemia foi considerado como devastador.
"Em 2020, a covid-19 acrescentou uma nova e indesejável dimensão aos riscos relacionados ao tempo, clima e água, com amplos impactos combinados na saúde humana e no bem-estar", disse.
"Restrições de mobilidade, recessão econômica e perturbações no setor agrícola exacerbaram os efeitos de eventos climáticos e meteorológicos extremos ao longo de toda a cadeia de fornecimento de alimentos, elevando os níveis de insegurança alimentar e retardando a prestação de assistência humanitária", alertou.
Para a ONU, não existem dúvidas de que mudanças climáticas ameaçam metas sociais e podem contribuir para reforçar ou agravar as desigualdades existentes.
Mais de 50 milhões de pessoas foram duplamente atingidas em 2020 por desastres relacionados ao clima e pela pandemia da covid-19, de acordo com a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha. "Isso agravou a insegurança alimentar e acrescentou outra camada de risco às operações de evacuação, recuperação e resgate", indica a ONU.
Um exemplo foi o ciclone Harold, que atingiu Fiji, as Ilhas Salomão, Tonga e Vanuatu e foi uma das tempestades mais fortes já registradas no Pacífico Sul. Ele desencadeou um número estimado de 100 mil deslocamentos. "Devido aos bloqueios e quarentenas da covid-19, as operações de resposta e recuperação foram dificultadas, levando a atrasos no fornecimento de equipamentos e assistência", alerta.
Insegurança alimentar
Um dos impactos identificados por conta da dupla crise envolvendo o clima e a pandemia foi o aumento da fome, após décadas de declínio.
Já antes da pandemia, cerca de 690 milhões de pessoas, ou 9% da população mundial, estavam subnutridas, e cerca de 750 milhões, ou quase 10%, foram expostas a severos níveis de insegurança alimentar em 2019.
"Entre 2008 e 2018, os impactos dos desastres custaram aos setores agrícolas das economias dos países em desenvolvimento mais de US$108 bilhões em prejuízos ou perda da produção agrícola e pecuária. O número de pessoas classificadas sob condições de crise, emergência e fome havia aumentado para quase 135 milhões de pessoas em 55 países em 2019", indicou.
"Os efeitos da pandemia da covid-19 aleijaram a agricultura e os sistemas alimentares, invertendo as trajetórias de desenvolvimento e atrofiando o crescimento econômico", destacou o informe da ONU.
"Em 2020, a pandemia afetou diretamente a oferta e a demanda de alimentos, com rupturas nas cadeias de abastecimento local, nacional e global, comprometendo o acesso a insumos agrícolas, recursos e serviços necessários para sustentar a produtividade agrícola e garantir a segurança alimentar. Como resultado das restrições de movimento agravadas por desastres relacionados ao clima, foram colocados desafios significativos para a gestão da insegurança alimentar em todo o mundo", completou.
A ONU também destaca como, entre 2010 e 2019, eventos climáticos geraram o deslocamento de 23,1 milhões de pessoas por ano. Apenas no início de 2020, esse número foi de 9,8 milhões de pessoas. Mas enchentes na região do Sahel, furacões e outros eventos devem elevar de forma substancial o número de pessoas afetadas.
Emissões
De acordo com o levantamento, a concentração dos principais gases de efeito estufa continuou a aumentar em 2019 e 2020. A média global de dióxido de carbono (CO2) já ultrapassou 410 partes por milhão (ppm) e, se a concentração de CO2 seguir o mesmo padrão dos anos anteriores, poderá atingir ou exceder 414 ppm em 2021.
"A desaceleração econômica deprimiu temporariamente novas emissões de gases de efeito estufa, mas não teve nenhum impacto significativo sobre as concentrações atmosféricas", alerta.
2019 ainda viu o maior conteúdo de calor oceânico registrado, e esta tendência provavelmente continuou em 2020. "A taxa de aquecimento dos oceanos na última década foi maior do que a média de longo prazo, indicando uma contínua absorção de calor retido pelos gases de efeito estufa", explicou. Mais de 80% da área oceânica experimentou pelo menos uma onda de calor marinha em 2020.
O nível médio global do mar aumentou em todo o registro do altímetro de satélite. Recentemente, ele tem subido a uma taxa maior, em parte devido ao maior derretimento das camadas de gelo na Groenlândia e na Antártida. "Uma pequena queda no nível médio global do mar no verão de 2020 foi provavelmente associada ao desenvolvimento das condições de La Niña. De modo geral, o nível médio global do mar continuou a aumentar em 2020", explica.
Cobertura de gelo
O impacto também foi identificado na extensão mínima do gelo no Ártico em 2020. O derretimento da cobertura significou que, pela segunda vez, a extensão de gelo encolheu para menos de 4 milhões de km².
"Nos meses de julho e outubro foram observados níveis recordes de baixas extensões de gelo marinho. As altas temperaturas recordes ao norte do Círculo Ártico na Sibéria provocaram uma aceleração do derretimento dos gelos marinhos nos mares da Sibéria Oriental e Laptev, que viram uma prolongada onda de calor marinha", apontou. A camada de gelo da Groenlândia também continuou a perder massa.
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Reportagem: Ricardo Feltrin - XVideos e Onlyfans viram alternativa contra produtoras pornôs

Ricardo Feltrin
Colunista do UOL
19/04/2021 13h32
O mundo das produtoras de filmes eróticos pode estar com os anos contados.
Duas novas ferramentas e aplicativos podem selar o destino das produtoras: o site gratuito XVideos e o aplicativo Onlyfans.
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Atrizes brasileiras (e atores) estão descobrindo que pode ser mais lucrativo trabalhar por contra própria em vez de se submeter a produtoras e empresários.]
A atriz pornô Cassia Santos Rosa, mais conhecida como Pernocas, abriu seu próprio canal no XVideos.
Casada, com filho pequeno, ela agora pode ficar mais próxima dele e não ter de viajar tanto. Toda a produção é feita dentro de sua própria casa (com os devidos cuidados para não atrair vizinhos enxeridos, claro).
Outra atriz "top de linha" que está optando pelos aplicativos e o XVideos é Elisa Sanches. Além de ser a nova apresentadora da "Casa das Brasileirinhas" ela também abriu seu próprio canal no XVideos e tem recebido em dólar (convertido.
Segundo Elisa, só com o site internacional ela consegue tirar mais de R$ 10 mil mensais. Com isso ela já montou uma equipe e um escritório para agendar seus eventos.
Outra atriz ouvida pela coluna, gaúcha, pediu para não se identificar no momento. Isso porque ela ainda trabalha numa produtora no Sul do país e está montanto seu Onlyfans com pseudônimo.
Em menos de dois meses ela já tem mais de 330 inscritos, sendo que cada um paga por volta de R$ 30. Nada, nadica e já são quase R$ 10 mil.
Ela ainda completa a renda com filmagens —ao menos dois filmes por semama. Alguns fãs também podem pedir vídeos exclusivos, e isso engrossa sua carteira também.
Outro lado
Para o CEO da Brasileirinhas, maior produtora pornô do país, dificilmente uma atriz desconhecida do grande público vai atrair muitos fãs dispostos a pagar.
"A produtora ainda vai ser por muito tempo a vitrine dessas moças. Sem produtora, sem exposição, só mesmo se for uma atriz muito famosa. Caso contrário isso pode virar apenas uma moda temporária", afirma o CEO;
A coluna tentou entrar em contato com o XVideos e o Onlyfans, para que comentassem sobre a política de custos e divisões de ganhos. Ninguém respondeu até a publicação deste texto.
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Opinião: Ricardo Feltrin - Opinião: Canais também têm (muita) culpa por decadência da TV paga
Ricardo Feltrin
Colunista do UOL
07/04/2021 15h12
Nos últimos anos esta coluna tem repetido dados consolidados de ibope e da Anatel que comprovam a queda de audiência e sangria de assinantes da TV por assinatura.
Também sempre repete os motivos que levaram à decadência dessa mídia que se instalou nos anos noventa, floresceu nos anos 2000 e tinha grandes expectativas de se agigantar na década passada.
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Entre os motivos para a derrocada estão fatores externos e irresistíveis, com o desemprego, a pirataria desenfreada e o surgimento de novos concorrentes de peso, como a própria internet onde você lê este texto e assiste ao vídeo acima; e o jovem e (ainda) barato streaming, que cativou o coração, os olhos e o débito automático de milhões de brasileiros.
Já falamos também de que parte da culpa dessa fuga de assinantes e perda de importância deve ser atribuída às operadoras, que por anos optaram em cobrar preços certamente altos para pacotes enquanto ofereciam em muitos casos um péssimo serviço e atendimento a seus assinantes.
Mas, não podemos esquecer um último elemento dessa equação que tem uma gigantesca culpa em cartório: os canais pagos.
Canais que oferecem uma programação muitas vezes medíocre, repetitiva, cansativa, que demonstram enorme preguiça em inovar e que menosprezam a inteligência do consumidor de seu sinal.
Canais que repetem o mesmo episódio de um programa três ou quatro vezes por dia; que interrompem a grade a cada dez minutos para exibir outros cinco minutos de "propaganda institucional" repetitiva e enfadonha; e que mantêm as mesmas chamadas das atrações por anos a fio...
Canais que exibem os mesmos comerciais de um mesmo produto dezenas de vezes por dia, e por meses a fio; ou, pior, que ALUGAM horários para programas de vendas de produtos ou caça-níqueis; só falta mesmo venderem para igrejas. Mas é melhor não dar ideia.
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No ano da pandemia, TV paga perde mais 24% do público em 1 ano
Ricardo Feltrin Colunista do UOL 12/04/2021 14h40
Desemprego, crise econômica, pacotes caros, mau atendimento, pirataria desenfreada e o surgimento de concorrentes mais baratos como os serviços de streaming e a própria internet são algumas causas primárias dessa decadência.
Na comparação março com março , no mês passado a TV por assinatura perdeu nada menos que menos que 26% de share.
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Ou seja, 26% das dos assinantes deixaram esse lazer e foram fazer outras coisas.
Ou seja, 26% das dos assinantes deixaram esse lazer e foram fazer outras coisas.
Os únicos canais que tiveram perda semelhante na comparação anual foram SBT (-24%) e RedeTV (-24%).
Ao mesmo tempo, o consumo em março (comparado com 2020) de serviços pagos de vídeo (streaming) cresceu 11%¨.
Se há solução para isso: nenhuma no curto ou médio prazo.
É isso que mostra dados consolidados de audiência da Kantar Ibope Media, comparando as médias de março de 2020 com março de 2021.
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Cadê o Bob Esponja que estava aqui? Por que não há infantis na TV aberta

Felipe Pinheiro
De Splash, em São Paulo
22/09/2020 04h00
Qual programa infantil marcou a sua infância? Depois de um período de ouro, as atrações para as crianças acabaram no museu da história da TV brasileira. Os 70 anos da TV aberta no Brasil são povoados de programas inesquecíveis e de estrelas que marcaram a infância de tantas gerações —de Xuxa a Maisa.
Canais como Globo, SBT, Record e especialmente TV Cultura foram responsáveis por grandes momentos da programação infantil brasileira, inclusive com uma acirrada disputa de audiência pelo público mirim.
Até uma rainha descendo de uma nave...
Mas por que as emissoras não produzem mais programação infantil como antes?
"Tirando a TV Cultura e poucas outras iniciativas, a TV brasileira tem uma dívida com a programação infantil", decreta Cao Hamburger, criador do "Castelo Rá-Tim-Bum".
Considero a televisão brasileira uma das melhores do mundo, mas com as crianças sempre falhou. Ela foi preguiçosa, ficou mais nos enlatados. Os desenhos animados nem eram brasileiros. É difícil fazer programação infantil de qualidade.
Talvez essa dificuldade tenha a ver com o fato de as emissoras abertas terem praticamente desistido das crianças. Mas, conforme o mercado foi se transformando e se afastando dos pequenos telespectadores, uma resolução sobre publicidade infantil saiu em 2014, ressaltando os danos da propaganda dirigida para as crianças.
Fátima ocupou o lugar do Bob Esponja e até hoje muita gente não superou
Já se passaram vários anos, mas sempre tem alguém lamentando...
Será que a legislação que visa proteger as crianças da exploração comercial é a responsável pelo fim dos programas infantis na TV aberta? Trata-se de uma questão polêmica.
Precisamos desmistificar de que só dá para fazer programação infantil com publicidade. Até porque, se fosse do interesse real das empresas de telecomunicação, elas poderiam financiar de outras formas. A grande pergunta é, por que se insiste na realização de publicidade infantil? Porque é a estratégia mais fácil de venda de produto, mas não é ética, justa e legal
Pedro Hartung - coordenador do programa Criança e Consumo, do Instituto Alana
Na Globo, o "Encontro com Fátima Bernardes" enterrou a TV Globinho, em 2012, o último programa infantil da maior emissora do país. Hartung lembra que isso aconteceu no mesmo ano da criação do Gloob, canal infantil da Globosat com conteúdo direcionado exclusivamente ao público infantil.
"Isso [a criação do 'Encontro'] possibilitou com que a faixa antes destinada às crianças passasse a ser dirigida a um público maior. É uma mudança de estratégia do modelo de negócio".
Um mimo para as crianças
A programação infantil sobrevive no SBT com o "Bom Dia & Cia", além das novelas para esse público. A apresentadora Silvia Abravanel lembra que nem todas as crianças têm TV por assinatura em casa, onde os canais infantis fazem muito sucesso.
"As crianças quase não têm a que assistir na TV aberta e muitos não possuem acesso aos canais fechados. Então, mantemos nossos desenhos. Com tantos programas jornalísticos, de culinária, com linguagem e conteúdo adulto, reportagens recheadas de tragédias, as crianças ficam sem opção. O SBT tem esse mimo para elas."
No início, quando assumiu o programa, ela diz que sentiu certa resistência dos telespectadores
"O público não me entendia, não entendia o que uma mulher adulta estava fazendo ali, apresentando um programa para crianças. Porém, o SBT encontrou em mim essa fórmula mágica de colocar uma mãe para falar com as crianças e me incubiu de ser a mãe das crianças do Brasil."
A família de Silvio Santos é quem abraça com carinho a programação infantil do SBT. Além de Silvia, Íris Abravanel é quem assina as novelas infantis que fazem sucesso na emissora. Leva sua assinatura "Carrossel", "Chiquititas" e "As Aventuras de Poliana", entre outras.
Bum, bum, bum
Cao Hamburger criou um dos programas infantis mais emblemáticos da história da TV, feito sob medida para as crianças: o "Castelo Rá-Tim-Bum".
Era educativo sem ser chato, estimulava a imaginação e foi produzido no Brasil. Orgulho!
Ele lembra que, embora a TV Cultura acumulasse anos de experiência no ramo, levou quase um ano entre os primeiros esboços e a versão final da história do feiticeiro Nino e companhia.
O programa nasceu para ser uma continuação de outro sucesso: "Rá-Tim-Bum"
Mas acabou ganhando vida própria
"Fizemos um outro projeto, mas ficou muito caro. Percebi que os limites da produção, às vezes, são benéficos, porque era um programa muito caro e muito grande. Quando soubemos que não dava para fazer daquele tamanho, achamos o tamanho certo e melhorou", avalia Hamburger.
Fernando Gomes deu vida a três personagens no "Castelo Rá-Tim-Bum" (Relógio, Gato Pintado e Fura-Bolos) e a tantos outros de programas infantis que marcaram época, como o Júlio, de "Cocoricó".
Júlio também é youtuber!
Para ele, que também dirigiu o programa "Eliana e Alegria", na Record, os bonecos fazem sucesso independentemente da plataforma —seja na TV ou na internet—, porque falam a língua das crianças.
É possível encontrar uma criança brincando com lápis e caneta fingindo que são dois heróis. É fácil para uma criança imaginar vida em objetos inanimados. Quando vê um boneco com vida própria, a identificação é muito rápida. O maior segredo do trabalho com bonecos está nos adultos: a gente recupera a infância deles. É encantador
Fernando Gomes, diretor de TV e manipulador de bonecos
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Reportagem: Ricardo Feltrin - Serviço de streaming gratuito estreia conteúdo para 'pimpolhos'
Ricardo Feltrin
Colunista do UOL
07/04/2021 07h11
Estreia no um novo serviço de streaming gratuito e dedicado a crianças até 12 anos. Trata-se do VixTV Kids, que ainda está em fase inicial, mas já pode ser acessado pelo público.
O Vix foi lançado no ano passado e é uma opção para quem não quer pagar pelo serviço e também não se importa em ver publicidade enquanto assiste.
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Na estreia do Kids há uma animação "raiz": "Os Smurfs", com os episódios originais dos anos 80. Além desse há a série "Hello Kitty e Amigos", além de "A Galinha Pintadinha.
O catálogo é dividido nas seções "Pequeninos" (até 3 anos), "Vix Kids Jr." (3 a 6 anos) e "Aventura e Diversão" (acima de 6 anos) além de "Hora do Cineminha", para a família curtir junto no sofá.
O serviço já está disponível na web e em aplicativos para celular e dispositivos como Amazon Fire, Apple TV, Roku e Android TV. O endereço na web é www.vix.com/tv
Streaming gratuito para adultos
A versão adultos" do serviço tem alguns filmes até que razoáveis para quem gosta de ação sem compromisso (como "Assassino a Preço Fixo", com Jason Statham), mas seu acervo não chega nem perto do acervo dos concorrentes ainda.
O mesmo vale para a versão Kids. Mas, para uma plataforma gratuita ainda incipiente, não é possível ter altas expectativas.
Além do Vix, outro serviço de streaming gratuito já no Brasil é a Pluto TV (pluto.tv), que também chegou ao país no ano passado.
A Pluto tem um inventário imensamente maior que o Vix, mas ainda apresenta problemas básicos de navegação (não tem janela de busca, entre outras coisas).
O consumo de streaming no mundo e no Brasil tem disparado nos últimos tempos, em detrimento da TV por assinatura, que só em janeiro último perdeu mais de 180 mil assinantes.
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Quem é Pri Leite, fenômeno do YouTube, dentro e fora do tapete de yoga

Letícia Naísa
Do TAB
21/03/2021 04h00
Quem estudou com a Priscilla Leite na quinta série do ensino fundamental não poderia imaginar que ela viraria professora de yoga. Pri nunca foi boa em nenhum esporte. Gostava de atividades físicas, mas não tinha flexibilidade nem era competitiva. As aulas de educação física eram um sofrimento, já que ela era sempre a última a ser escolhida nos times. Nascida e criada em Maracaju, interior do Mato Grosso do Sul, ela surpreende a todos hoje, aos 34 anos, realizando posturas de yoga complexas com naturalidade — mesmo com o barrigão de seis meses de gravidez.
Desde a primeira aula que deu, sentiu que havia encontrado a sua missão e descobriu o que realmente é: professora de yoga. Isso foi em 2014, quando se mudou por amor para Los Angeles, "a meca da yoga", como ela chama, nos Estados Unidos. Pouca gente botava fé no relacionamento entre Pri e seu atual marido, Darren, com quem tem um filho, Oliver, de 3 anos, e outro menino a caminho. "Muita gente me chamou de louca", conta.
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A profissão do amado ela deixa em mistério. "Não quero ser associada a ele, não sou só 'a esposa de alguém'", declara com a voz firme do outro lado da tela. Os poucos detalhes que deixa passar na conversa sobre o relacionamento são onde se conheceram (em Londres, onde morou por um ano), a dificuldade de manter o namoro a distância numa época sem smartphones e redes sociais tão ativas, e como a rotina mudou com os dois trabalhando em casa por causa da pandemia.
Mas foi graças ao amor — tanto do consagrado quanto à prática de yoga — que Pri Leite se tornou um fenômeno na internet. No YouTube, suas 347 videoaulas já têm mais de 37 milhões de visualizações e o canal reúne 969 mil inscritos até o fechamento deste texto. Apesar dos pesares, foi a pandemia que deu visibilidade para a yogini. Antes do coronavírus, as coisas já iam bem. No canal, eram 310 mil inscritos em março de 2020, quando ela lançou uma plataforma, inicialmente chamada Girassol e que hoje é Yoga Co, para oferecer conteúdos exclusivos, como aulas mais longas, meditações e um podcast sobre bem-estar. O plano mensal custa R$ 39,90.

Cientista social de formação, Pri está enfrentando um grande desafio com a popularização de seu canal. Ativa nas redes sociais, ela não se considera blogueira nem influencer. "Eu sou professora. Busco encontrar as pessoas onde elas estão e ensinar a prática de uma maneira que elas possam entender", afirma. No braço direito, carrega um lembrete: uma tatuagem com a frase "Bound to Others" (ligado aos outros, em português), tirada de uma frase do filme "A Viagem", das irmãs Wachowski. Fez a tatuagem quando se tornou professora em tempo integral, para não esquecer que tudo o que faz para os outros também é por si mesma. Na mão esquerda, tem estrelas em homenagem à saudação ao Sol (que também é uma estrela), uma das posturas da yoga.
Agora, além de professora e mãe, Pri também é empreendedora. A logística para manter o Yoga Co no ar tem sido uma das maiores dificuldades da nova fase da carreira. "Me tirou da zona de conforto", avalia.
Se o trabalho fosse apenas gravar as práticas, seria fácil para quem tem uma experiência de oito anos com aulas online. Um vídeo de mais ou menos 20 minutos toma de duas a três horas para ser gravado. Em 2021, ela teve apoio de uma equipe: alugou um estúdio onde posicionou duas câmeras — coisa que ela dizia ser seu sonho nos primeiros vídeos — e contratou uma pessoa para editar. Por isso, o cenário dos "21 Dias de Leveza" é diferente, assim como a qualidade. As outras séries do canal foram feitas em sua casa, sem pretensão, diz, por hobby. "YouTube não dá dinheiro", brinca a professora. "Não quero ficar fazendo propaganda de produto, quero que as pessoas sintam que estão fazendo uma aula de yoga e precisam apenas do corpo e de tempo."
De fato, quando comecei a acompanhar o canal da Pri, um tapete gasto de EVA no meio da sala e uma roupa confortável foi tudo o que precisei para incluir a prática na rotina, além da força de vontade. "As pessoas falam que a pandemia foi ótima pro canal, mas me pegou totalmente de surpresa esse boom", confessa. Ela garante que também está vivendo a pandemia com todas as dificuldades envolvidas. "A gente perdeu muito dinheiro. Somos privilegiados, porque tínhamos uma reserva, mas é um estresse ver o dinheiro indo embora tão rápido."

Ouvindo Pri rindo e falando de forma tão suave, é difícil supor que ela passe por muitos momentos de estresse. "As pessoas confundem. Acham que, por eu estar trabalhando com yoga, estou sempre calma. Não é verdade". A professora descreve os dias em que o filho não quer tomar banho ou não quer comer e os problemas da plataforma — que a deixam muito brava —, somados ao desconforto da gravidez, como os mais difíceis. Confessa, também, que teve crises de choro durante as gravações da famosa série de práticas "21 Dias de Transformação". Foi aí que decidiu contratar uma pessoa para editar as aulas.
Para amenizar o estresse da pandemia, o casal decidiu colocar Oliver numa escola. Quatro vezes por semana, durante seis horas, ela diz que encontra espaço para se reconhecer fora do papel de mãe. "É o meu tempo como adulta". Nesses momentos, ela também faz sua prática pessoal de yoga — que dura cerca de 30 minutos por dia.
Outra mudança durante a pandemia foi a de endereço. O espectador atento do canal reparou na mudança de cenário dos últimos vídeos. A janela ao fundo sumiu. Era da casa antiga. Hoje, ela grava em seu quarto e tem mais privacidade. Ninguém aparece descendo ou subindo a escada que dava para ver da janela e ela não é interrompida pela Sky, sua cachorra SRD de 8 anos, que dormia tranquilamente na cama enquanto ela conversava com o TAB.
A professora conta que a gestação também lhe trouxe paz, que o bebê a caminho foi planejado e que a experiência desta gravidez tem sido completamente diferente da primeira. Caçula de uma família com quatro filhos, ela queria que Oliver tivesse um irmão. "Mas esse é o último", promete, rindo e dizendo que o filho está fascinado pela barriga dela. Por causa da pandemia, Pri planeja um parto domiciliar. "No começo da gestação, eu estava apreensiva, mas é um processo tão devagar que tem me trazido tranquilidade e confiança, mostra que tudo tem seu tempo, a natureza é sábia", reflete.
Do Brasil, ela sente falta das filas preferenciais para gestantes. E, claro, da família e do clima tropical. Com o filho, fala a maior parte do tempo em português e cozinha pratos brasileiros. Em um ano de pandemia, visitou a família apenas uma vez, em janeiro. Diz que a preocupação com os pais é constante e que perdeu um primo para a covid-19 no final do ano passado. "Ninguém estava preparado pra isso que a gente tá vivendo, todo o mundo foi afetado, mas a pandemia é um lembrete da nossa humanidade", completa.
Aos 20 e poucos anos, tudo o que Pri Leite queria com a yoga era esquecer de sua condição humana. Ela relata que buscava nas posturas e na meditação atingir o nirvana. Fugir de si. Foi durante uma viagem para a Índia em 2012 que sua percepção mudou. Descobriu que a yoga não servia para escapar, mas sim para se encontrar. Por isso, termina suas aulas no YouTube sempre mandando um beijo e dizendo "do meu coração para o seu", tentando humanizar os dois lados da tela e lembrar que todos têm um coração. "É muito importante o momento de autocuidado, yoga não é uma moda", afirma. "Se for, está na moda há 5 mil anos, mas só agora as pessoas estão descobrindo."
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Reportagem: Ricardo Feltrin - Após 1 ano de pandemia, ibope de toda a TV aberta desaba

Ricardo Feltrin
Colunista do UOL
05/04/2021 00h18
Nem o "BBB21", da Globo e nem a novela "Gênesis" (Record) estão conseguindo segurar a fuga desenfreada de público da TV aberta.
Pelo menos é o que mostram dados exclusivos de audiência obtidos por esta coluna referentes ao mês passado, quando esses dois programas estavam elevando o ibope de suas emissoras em horário nobre.
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Os dados apontam que no mês passado, quando comparado com março de 2020 —o marco "zero" da pandemia de coronavírus—, a audiência de todas as TVs abertas caiu no Brasil. E caiu consideravelmente.
Os índices foram mensurados pela empresa Kantar Ibope Media, mas foram obtidos junto a outras fontes nas emissoras de TV (os assinantes do serviço). Isso porque a Kantar não pode divulgar esse tipo de comparativo à imprensa, por questões contratuais.
Foi analisado o quesito "share" das emissoras.
"Share" é a participação que cada uma delas tem no universo de TVs ligadas.
Em outras palavras: de todas as TVs ligadas num certo momento, qual a porcentagem que está sintonizando esta ou aquela emissora.
Em março de 2021, SBT e RedeTV foram as emissoras que mais perderam público ("share"): ambas caíram -21%.
Ou seja, perderam 1 em cada 5 telespectadores.
A Band também teve uma queda expressiva: -12% de share.
A Record, mesmo com a novela "Gênesis" indo bem de audiência, perdeu 6% do público.
Já a TV Globo, a despeito do sucesso de "BBB21", perdeu 4%.
A crise na TV aberta vem de longe e está sendo agravada pelo consumo cada vez maior de streaming e internet.
Mesmo assim, note abaixo que, na média nacional, cerca de um terço das TVs ligadas permanece na Globo na média 24 horas por dia.
Veja abaixo o comparativo dessas emissoras em share 2020/2021)
Média 24h, nas 15 maiores regiões metropolitanas do país
Globo: 36,2% / 34,8%
Record: 12,1 / 11,4%
SBT: 12,4% / 9,8%
Band: 3,3% / 2,9%
RedeTV: 1,5% / 1,2%
Fonte: Dados mensurados pela Kantar Ibope Media obtidos pela
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