PANDEMIA 2021

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Covid-19 explode na Índia com 400.000 novos casos
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Brasil chega ao pior Primeiro de Maio de sua história, com 7,8 milhões de empregos perdidos e renda em declínio
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#PL510Não: entenda o que significa o projeto para a destruição do meio ambiente
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Exército reserva verba da VACINA para hospitais militares, remédios SEM EFICÁCIA e gastos SIGILOSOS 
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Como o chip M1 da Apple é a maior prova daquilo que usuários Android estão perdendo
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O que é a DEPURAÇÃO USB e como ativá-la no seu ANDROID 
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Paulo Guedes afirma que Fies bancou universidade até para 'filho de porteiro que zerou o vestibular'

Ao GLOBO, ministro confirmou teor de fala revelada por jornal e disse que declaração foi para alertar proliferação de universidades de baixa qualidade beneficiadas pelo programa
O Globo
29/04/2021 - 17:56 / Atualizado em 29/04/2021 - 21:03
O ministro da Economia, Paulo Guedes Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS/8-12-2020
O ministro da Economia, Paulo Guedes Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS/8-12-2020

RIO — O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo federal deu bolsas no ensino superior para "todo mundo" e que o "desastre" enriqueceu meia dúzia de empresários, beneficiando até quem não tinha a “menor capacidade” e "não sabia ler nem escrever". Segundo ele, o filho do seu porteiro foi beneficiado mesmo após zerar o vestibular. No entanto, o edital do programa prevê a exigência de nota mínima para aprovação do financiamento.

“O porteiro do meu prédio, uma vez, virou para mim e falou assim: 'Seu Paulo, eu estou muito preocupado'. O que houve? 'Meu filho passou na universidade privada'. Ué, mas está triste por quê? 'Ele tirou zero na prova. Tirou zero em todas as provas e eu recebi um negócio dizendo: parabéns, seu filho tirou...' Aí tinha um espaço para preencher, colocava 'zero'. Seu filho tirou zero. E acaba de se endereçar a nossa escola, estamos muito felizes”, disse Guedes sem saber que estava sendo gravado.

O teor da declaração, revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo", foi confirmado pelo ministro ao GLOBO. Ele afirmou que o objetivo não foi criticar o acesso à educação por mais pobres, mas alertar para a baixa qualidade de faculdades privadas.

— Eu estava dizendo de quão importante foi o investimento privado para permitir acesso ao ensino superior. O Fies foi um programa exitoso, deu acesso, embora eu prefira voucher para as famílias mais pobres, e aí citei o dilema que estava o porteiro do meu prédio. Isso é fato, é verídico — disse Guedes, que repetiu o relato feito durante a reunião.

O ministro acrescentou que deu um exemplo de instituições "caça-níqueis", cuja mensalidade possivelmente seria financiada com Fies:

— O porteiro disse: "Se tiver bolsa, e estão dizendo que tem um Fies, aí eu deixo ele ir. Mas se tiver que pagar, eu não sei se eu pago, porque estou preocupado com a qualidade do ensino". Eu dei um exemplo de uma caça-níqueis privada que aprovou alguém com média zero e possivelmente foi a base do Fies. Não tem nada a ver com filho de porteiro. O filho de porteiro foi um exemplo de uma pessoa humilde que me consultou preocupada com a qualidade da educação do filho.

Guedes defendeu que as declarações foram dadas num contexto em que ele defendia a entrada do setor privado na prestação de serviços públicos, como educação e saúde. Ele também afirmou que o trecho em que ele afirma que os brasileiros vão querer viver 100 anos foi tirado de contexto. Segundo o ministro, o exemplo foi dado para mostrar que a população está envelhecendo e demandará por mais serviços.

— Está tudo dentro do mesmo contexto. Era uma reunião feita no Ministério da Saúde, para justamente fazer uma convocação ao setor privado para ampliação dos planos de saúde ajudarem no combate à pandemia. É natural e positivo que as pessoas vão querer viver 100 anos. Vai haver uma pressão enorme sobre recursos — afirmou.

As falas foram feitas durante reunião do Conselho de Saúde Suplementar (Consu), na terça-feira, 27. Ele estava acompanhado dos ministros da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, e da Saúde, Marcelo Queiroga, e de representantes do setor de saúde.

Pode ser beneficiado pelo Fies quem participou do Enem, a partir de 2010, e obteve média aritmética das provas igual ou superior a 450 pontos e não zerou a redação. No auge do programa, em 2014, foram financiados mais de 700 mil alunos. Em 2020, esse número caiu para 100 mil.

Na mesma reunião, Guedes afirmou que os chineses “inventaram” o coronavírus e que a vacina desenvolvida pelo país asiático contra a doença é menos efetiva do que o imunizante da Pfizer, dos Estados Unidos.

A acusação de que a China criou a Covid-19 é rebatida duramente por Pequim. Essa afirmação esteve no centro de uma crise diplomática entre a China e o governo Jair Bolsonaro.

Atualmente, a vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, é a responsável por cerca de 80% das doses aplicadas no Brasil.

O próprio Guedes tomou essa vacina. O restante dos imunizantes aplicados no país são decorrentes da parceria entre o laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford, mas a fabricação pela Fiocruz tem sofrido atrasos.

— O chinês inventou o vírus, e a vacina dele é menos efetiva do que a americana. O americano tem 100 anos de investimento em pesquisa. Então, os caras falam: “Qual é o vírus? É esse? Tá bom, decodifica”. Tá aqui a vacina da Pfizer. É melhor do que as outras — disse Guedes.

Parte da reunião foi transmitida nas redes sociais do Ministério da Saúde. O vídeo foi interrompido após os ministros perceberem a gravação. As imagens não estão mais disponíveis, mas foram divulgadas pelo portal G1.

Quando foi informado que a reunião estava sendo transmitida, Guedes pediu:

— Não mandem para o ar.

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Brasil atinge marca de 400 mil mortes pela Covid-19

Um em cada cinco óbitos registrados no país desde março de 2020, quando começou a pandemia, foi provocado pelo novo coronavírus
Renato Grandelle
29/04/2021 - 12:56 / Atualizado em 29/04/2021 - 22:06
Sepultamentos de vítima de Covid-19 no Cemitério Vila Formosa (SP): circulação da variante do coronavírus que emergiu na Amazônia em novembro de 2020 aumenta no país Foto: Paulo Guereta/Photo Premium/Agência O Globo/25-3-2021
Sepultamentos de vítima de Covid-19 no Cemitério Vila Formosa (SP): circulação da variante do coronavírus que emergiu na Amazônia em novembro de 2020 aumenta no país Foto: Paulo Guereta/Photo Premium/Agência O Globo/25-3-2021

RIO — A tragédia da Covid-19 no Brasil não é visível apenas na impressionante marca, atingida nesta quinta-feira (29), de 400.021 óbitos, segundo o consórcio dos veículos de imprensa. Em meio a falta de vacinas e um governo questionado em CPI por sua ação na pandemia, o peso do novo coronavírus sobre o sistema de saúde também surge em outro indicador — uma em cada cinco mortes notificadas no país (21,7%) desde março do ano passado é decorrente da doença.

O índice foi calculado a partir de dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen), entidade que representa todos os cartórios do país. A primeira morte provocada pela pandemia, segundo registros oficiais, ocorreu no dia 17 de março do ano passado. Desde aquele mês, o Brasil contabilizou 1.843.281 óbitos totais. A associação assinala que os cartórios são responsáveis pelo fornecimento de dados — e o número, portanto, pode estar defasado — mas a relação de um quinto deve permanecer.

Apesar do percentual elevado, pesquisadores entrevistados pelo GLOBO acreditam que ela pode ser ainda maior: a subnotificação ainda é alta no país, já que muitos infectados pelo coronavírus morrem em casa, sem recorrer ao atendimento médico, devido ao colapso do sistema hospitalar. Há, também, óbitos por Covid-19 que são registrados como síndrome respiratória aguda grave (SRAG) sem causa determinada.

Flourish logo

A escalada da pandemia é comprovada por seguidos recordes batidos nas últimas semanas. Desde a chegada do coronavírus no Brasil, houve 18 ocasiões em que o país registrou mais de 3 mil mortes diárias em decorrência da doença — 13 vezes em abril e cinco em março deste ano.

O Brasil é o segundo país em óbitos acumulados, atrás apenas dos EUA (cerca de 575 mil), e também o segundo no registro de novas ocorrências da Covid-19 na última semana, ranking liderado agora pela Índia. A taxa de letalidade mais que dobrou, de 2% no final de 2020, para 4,4% na semana passada.

Para o sanitarista Christovam Barcellos, coordenador do MonitoraCovid-19 da Fiocruz, a situação da pandemia poderia ser ainda mais grave. Segundo ele, uma investigação do registro de óbitos apontaria que a Covid-19 já teria matado mais de 500 mil pessoas no país. O diagnóstico caberia às secretarias de Saúde, mas muitas não têm a infraestrutura necessária para o trabalho.

Barcellos destaca ainda as mortes "indiretas" causadas pela pressão que a pandemia causou sobre as redes hospitalares.

— Há complicações que não puderam ser atendidas, devido a fatores como a exaustão dos profissionais de saúde, a falta de oxigênio e medicamentos nos hospitais e a superlotação de UTIs — explica. — Este quadro contribuiu para óbitos indiretos: quantas pessoas tiveram infarto e não conseguiram ser socorridas? Quantos tiveram cirurgias adiadas e viram sua saúde piorar?

Platô elevado

Um boletim divulgado nesta quarta-feira pela Fiocruz demonstra sinais tímidos de queda no número de casos (-1,5% ao dia) e óbitos (-1,8% diários) por Covid-19 no país. Para Barcellos, seria um indicativo de que o Brasil teria atingido ao pico da pandemia. No entanto, como a reprodução do coronavírus ainda é acelerada, não há tendência de queda na curva epidemiológica.

— Isso significaria que chegamos a um platô, da mesma forma como na primeira onda, em meados de 2020. A diferença é que, desta vez, estacionamos em um índice muito mais elevado. No ano passado, eram cerca de mil óbitos por dia. Agora, atingimos até 3 mil — alerta. — A lição que deveríamos ter aprendido é que este momento deve ser o de reorganização de serviços, e não de flexibilização total.

Outro obstáculo é a circulação de variantes do coronavírus, especialmente a P.1, que emergiu na Amazônia em novembro do ano passado. Um estudo divulgado na quarta-feira (28) pela Secretaria estadual de Saúde de São Paulo indicou que a variante foi detectada em 90% de 1.439 sequenciamentos genéticos analisados pelo Instituto Adolfo Lutz (SP).

A primeira onda do coronavírus demorou meses para atingir o país inteiro, destaca Barcellos. A P.1. cumpriu o mesmo trajeto em semanas. Não está comprovado se a variante é mais letal, mas, segundo pesquisadores, a velocidade do contágio poderia atrasar a erradicação da pandemia.

Inverno que se aproxima é desafio

Eliseu Alves Waldman, epidemiologista e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, pondera que o país pode ter atingido o pico da segunda onda da pandemia, mas que enfrentará um novo desafio nas próximas semanas:

— Entraremos no inverno no fim do mês que vem, quando ocorreu o pico da primeira onda. Então, pode haver um novo recrudescimento do Sars-CoV-2 nesta época, como ocorre com todos os vírus respiratórios — explica Waldman. — Como não tomamos medidas mais radicais para diminuir a circulação do vírus, pode ser que ela seja mantida em um patamar muito alto.

Além das mais de 400 mil mortes, Waldman atenta que o país conta com aproximadamente 14,5 milhões de infecções confirmadas. Muitos casos, segundo o epidemiologista, são de pessoas que foram internadas. Embora tenham conseguido sobreviver à Covid-19, podem ter sido vitimadas com outras mazelas.

— O vírus deixa sequelas, principalmente respiratórias, cujas consequências a médio e longo prazos ainda são desconhecidas, mas que demandarão um atendimento especial. Hoje, a prioridade ainda é evitar o colapso do sistema de saúde — atenta o epidemiologista. — A pandemia também está provocando a diminuição da cobertura de pacientes com outras doenças infecciosas ou doenças crônicas não transmissíveis, que deixaram de ser atendidos. É o caso da tuberculose, que tem uma incidência muito alta no Brasil, da hipertensão e do diabetes.

Também preocupa a marcha lenta da vacinação no país. Iniciada em janeiro, a campanha de imunização contemplou com uma dose apenas 14,5% da população, o equivalente a 30,5 milhões de pessoas. O Brasil é o quarto país que mais aplicou vacinas, mas somente o 22º em doses aplicadas a cada cem habitantes, de uma lista 52 nações que reportam cobertura vacinal para Covid-19.

Barcellos e Waldman indicam que a imunização, que começou em grupos prioritários — idosos, profissionais de saúde e populações vulneráveis, como os indígenas — deve provocar um efeito cascata, que reduzirá a pressão nos hospitais sobre casos graves. A redução dos índices de mortalidade por Covid-19 já foi registrada em pessoas acima de 80 anos, e em breve poderá será vista em pessoas de outras faixas etárias. No entanto, devido à demora para comprar vacinas, o país segue longe da imunização em massa.

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Caso Henry: após quarentena, Jairinho deixa isolamento e vai para cela coletiva em presídio

Preso pela morte do enteado, vereador recebeu atendimento médico há duas semanas depois de se queixar de dor de cabeça, tontura e quadro de ansiedade
Paolla Serra
29/04/2021 - 17:26 / Atualizado em 29/04/2021 - 17:27
Vereador Dr. Jairinho logo após ser preso no Rio de Janeiro Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Vereador Dr. Jairinho logo após ser preso no Rio de Janeiro Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

RIO - O médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido), deixou, na tarde desta quinta-feira, dia 29, a cela C3 do Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, conhecido como Bangu 8. Ele foi encaminhado ao espaço coletivo, após passar pela chamada classificação de risco - procedimento no qual o diretor, desde o ingresso do parlamentar no local, em 8 de abril, analisou a “aceitação” dos demais presos ao convívio com ele. Jairinho é acusado pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, filho de sua namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, que tambem está presa.

Atualmente, a unidade de Bangu 8, com capacidade para 140 presos, possui a metade desse número, divididos em cinco galerias. Todos têm diploma de curso superior ou têm envolvimento em investigações da operação Lava Jato. Na galeria E, por exemplo, está o ex-governador Sérgio Cabral.

No último dia 16, Jairinho procurou atendimento médico no Hospital Penitenciário Hamilton Agostinho, também no Complexo de Gericinó, e relatou sentir dores de cabeça, tontura e um quadro de ansiedade. O vereador foi medicado e, ao retornar a unidade, entrou em nova quarentena na cela C3 por mais 14 dias, seguindo os protocolos contra a Covid-19 da Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap).

Dr. Jairinho e Monique Medeiros, em fotos feitas no ingresso do casal no sistema penitenciário Foto: Reprodução / Agência O Globo
Dr. Jairinho e Monique Medeiros, em fotos feitas no ingresso do casal no sistema penitenciário Foto: Reprodução / Agência O Globo

Já Monique, mãe de Henry, permanece isolada no Hamilton Agostinho. Ela testou positivo, no dia 19, em um exame PCR feito no Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, onde estava presa desde então. Em nota, a Seap informou que ela está recebendo atendimento médico e só retornará à unidade quando apresentar melhora em seu quadro de saúde.

De acordo com o laudo da tomografia computadorizada realizada por ela no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, ao qual o GLOBO teve acesso exclusivo, 5% dos pulmões dela estavam comprometidos pela doença, no dia 20. "A extensão do acometimento do parênquima pulmonar é de 5%", diz trecho do laudo, que relata ainda que a área afetada é o lobo inferior esquerdo do pulmão.

Henry Borel Medeiros tinha 4 anos Foto: Reprodução
Henry Borel Medeiros tinha 4 anos Foto: Reprodução
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'Porque não vou te ver mais': O acidente que matou o cantor Gonzaguinha, há 30 anos

O cantor Gonzaguinha aos 26 anos, em imagem de 1971


Carioca do Estácio, o cantor e compositor Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, estava comendo uma canja de galinha no restaurante do Hotel Província, em Pato Branco, pouco depois de fazer um show na cidade do interior do Paraná, naquela noite de domingo. Antes de ir para seu quarto, ele falou com a menina Ariane, de 9 anos, filha da gerente, Iná, de quem tinha ficado amigo, após dias hospedado no local. "Olha, Ariane, vou me despedir de você agora porque não vou te ver mais. Amanhã saio cedo para viajar e você vai estar dormindo".

De madrugada, o músico conversou pelo telefone com a sua mulher, Louise Margarete Martins, a Lelete. Ela pediu que o marido voltasse logo para casa, em Belo Horizonte, pois já fazia uma semana que Gonzaguinha estava excursionando pelo Paraná. Entretanto, de Pato Branco, o cantor ainda iria de carro até Foz do Iguaçu, onde pegaria um voo com destino a Florianópolis para fazer seis shows em Santa Catarina. Naquela segunda-feira, 29 de abril de 1991, há 30 anos, o autor de "Explode coração" deixou o Hotel Província às 7h10. Ele morreu dez minutos depois.

O Monza em que Gonzaguinha estava quando sofreu o acidente, em 1991

Segundo a edição do GLOBO do dia seguinte, Gonzaguinha estava num Chevrolet Monza com o empresário Renato Manoel da Costa, além de Aristides Pereira da Silva, que organizara a turnê pelo Sul do Brasil. Eles trafegavam pela estrada, entre os municípios de Renascença e Marmeleiro, quando um um caminhão atravessou a pista e bateu de frente com o automóvel. Com traumatismo craniano, o cantor foi levado para a Policlínica São Francisco de Paula, em Francisco Beltrão, mas chegou sem vida à unidade. Horas depois, Aristides também morreu.

O Brasil perdia, então, uma de suas vozes mais queridas. Filho do pernambucano Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, Gonzaguinha foi criado no Morro do São Carlos, no Rio. Nascido em 1946, ele iniciou sua carreira musical em 1971, ao lado de Ivan Lins, Aldir Blanc e César Costa Filho, no Movimento Artístico Universitário (MAU). Nos anos seguintes, foi um dos artistas a se levantar contra a ditadura e teve mais de 50 músicas censuradas, entre elas, "Comportamento geral": "Você deve rezar pelo bem do patrão e esquecer que está desempregado".

Gonzaguinha com Wilson Simonal, Ivan Lins e outros no programa 'Som Livre Exportação', em 1971

De tão aguerrido e crítico, ganhou do mercado fonográfico o apelido de "cantor rancor". Depois, porém, foi mudando a temática de seu trabalho, com canções como "Lindo lago do amor", "O que é, o que é?" e "Explode coração", gravada por Maria Bethânia. Mas nunca abandonou sua veia de contestação. No dia 30 de abril de 1981, ele estava se apresentando no show em homenagem ao Dia do Trabalhador, no Riocentro, quando parou para avisar ao público que duas bombas haviam explodido do lado de fora. Era a noite do infame atentado no Riocentro.

- Eu devo dizer a vocês uma coisa que é muito importante. As pessoas organizadoras da festa me pediram. Durante o espetáculo explodiram, eu disse explodiram, duas bombas. Essas duas bombas que foram explodidas foram mais duas tentativas de acabar com essa festa, que foi conseguida! Essas duas bombas representam exatamente uma luta para destruir aquilo que todos nós queremos: uma democracia e uma liberdade! Lembrem-se muito bem disso. Depende de vocês essa festa no ano que vem. Desculpem. Desculpe, meu pai. A festa é sua.

O cantor Gonzaguinha em show no Ibirapuera, São Paulo, em 1980

Pai de quatro filhos de diferentes relacionamentos, Gonzaguinha tinha 45 anos de idade morava numa casa no bairro da Pampulha, Zona Norte de Belo Horizonte, quando sofreu o acidente no Paraná. Sua mulher recebeu a notícia pelo telefone,na manhã daquela segunda-feira. De acordo com pessoas próximas à família, ela foi chorar perto da piscina, para esconder seu sofrimento da filha do casal, Mariana, de 7 anos, que reagiu com uma frase poética quando soube da morte do pai.

- O pai vai cantar agora no palco do céu, ao lado do Vô Lua - disse a criança, referindo-se a Luiz Gonzaga, que morrera em 1989.

Gonzagão e Gonzaguinha durante apresentação no Rio em 1981

Gonzaguinha perdeu a mãe quando tinha só 3 anos e foi praticamente abandonado pelo pai. Criado por um casal de amigos de Luiz Gonzaga, o menino cresceu com temperamento amargo e vivia às turras com o Rei do Baião, que também não aprovava o engajamento político do rapaz. Os dois só se entenderam quando, em 1981, fizeram uma turnê juntos com o espetáculo "Vida de viajante". O carioca do Estácio conheceu, então, a imensidão da obra de seu pai, que, por sua vez, encantou-se pela poesia do filho. Viraram amigos de estrada.

Parte da família queria que Gonzaguinha fosse enterrado em Exu, no Pernambuco, cidade natal de seu pai. Mas Lelete insistiu para seu corpo ficar em Belo Horizonte. Mais de 2 mil pessoas se aglomeraram na porta do Palácio das Artes, na capital mineira, para acompanhar o velório do autor de "Começaria tudo outra vez". No dia seguinte ao acidente, O GLOBO publicou depoimentos de artistas de peso, como Ney Matogrosso, Beth Carvalho e Nana Caymmi, lamentando a morte de Gonzaguinha, que estava em ótima fase e planejando um show para celebrar 20 anos de carreira. Leia, abaixo, algumas declarações:

Gonzaguinha no Rio em 1987

"É tão súbito que nem sei o que dizer. Éramos amigos e, há pouco tempo, chegamos a estar bem próximos, mesmo sem ter trabalhado juntos. Mais do que seu trabalho, gostava dele como pessoa", disse Ney Matogrosso.

"Tinha um carinho grande pelo compositor e pelo ser humano. Vai ficar faltando um pedaço. A importância da obra dele é enorme. Com o tempo, sentiremos falta de sua música. Ele lutava pela pátria. Sempre fui sua amiga e era muito ligada à ex-mulher dele, AngeIa. Nossos filhos cresceram juntos. E horrível e inacreditável que isso tenha acontecido", lamentou Nana Caymmi.

"Não gravava suas músicas, mas estávamos sempre juntos nas lutas de classe. Era um grande compositor. Para a carreira da Bethânia, foi fundamental. Ele estava num momento de felicidade. Lamento a perda de uma pessoa com a consciência e o talento dele", afirmou Beth Carvalho.

Cortejo fúnebre de Gonzaguinha, em Belo Horizonte, em 1991
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Como fica o ditador assassino MBS após a acusação dos EUA?

Por Guga Chacra

Príncipe saudita Mohammad Bin Salman, que tenta promover país como aberto a reformas progressistas

Os Estados Unidos publicaram um relatório da CIA acusando o ditador da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman, de ordenar e aprovar o assassinato do jornalista dissidente, Jamal Khashoggi, em outubro de 2018. A novidade não é tanto que o psicopata sanguinário comandante do regime de Riad tenha sigo o líder de um assassinato cruel no consulado saudita em Istambul. Todos sabíamos disso e há excelentes livros e documentários sobre o tema. O inédito é esta acusação ter sido formalizada por um governo americano.

Há quase oito décadas, o então presidente Roosevelt estabeleceu uma relação especial com o rei Saud, fundador da Arábia Saudita. Os EUA dependiam do petróleo saudita. Todos os presidentes americanos sempre mantiveram uma boa relação com os sauditas, apesar das atrocidades cometidas pelo regime, como o apartheid contra as mulheres e a proibição de práticas religiosas diferentes do islamismo.

Houve alguns estremecimentos, como na Crise do Petróleo. O 11 de Setembro poderia ter sido um divisor de águas, quando 15 dos 19 terroristas haviam nascido na Arábia saudita, assim como Osama bin Laden, fundador da Al Qaeda. Mesmo assim, continuaram aliados nos anos Bush. Afinal, os sauditas eram fundamentais para a geopolítica dos EUA no Oriente Médio, ainda que a dependência do petróleo tenha diminuído.

As relações se deterioram com os EUA, no governo Obama, decidindo assinar um acordo nuclear com o Irã e outras potências (Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha), apesar da oposição da Arábia Saudita. Assim como Israel, os sauditas avaliavam que o acordo não era duro o suficiente para conter o programa atômico iraniano no longo prazo, além de deixar de fora os mísseis e o apoio a milícias como o Hezbollah.

Naquela mesma época, chegava ao poder na Arábia Saudita Mohammad bin Salman, conhecido pelas suas iniciais MBS. Formalmente, ele era o terceiro na linha sucessória. Mas com uma série de golpes se tornou o primeiro, abaixo apenas de seu pai, o rei Salman. Diferentemente de outros líderes sauditas, Bin Salman misturou o lado sanguinário de figuras como Saddam Hussein com uma dimensão supostamente modernizante na área econômica, como agiram ditadores de países como os Emirados Árabes — que, na prática, é outro regime medieval.

MBS chegou a ser celebrado internacionalmente por supostamente abrir um pouco o país. Desfilou e tirou fotos com Macron, Trump, Clinton e executivos das gigantes de tecnologia — é investidor em muitas delas. Mas quem acompanha a Arábia Saudita já sabia que se tratava de um psicopata. Mantinha a mãe em cativeiro, sequestrou o premier do Líbano, prendeu ativistas pelos direitos das mulheres, apoiou jihadistas na Síria, além de levar adiante uma guerra no Iêmen, onde seu regime comete crimes contra a humanidade. Condenava traficantes à morte, mas dava festas regadas a drogas e profissionais do entretenimento adulto em seu iate, com um quadro de Leonardo da Vinci, em baladas nas Maldivas.

O auge foi a decisão de esquartejar Khashoggi, que por anos foi leal ao regime, mas percebeu os riscos ao país com MBS no poder. Veio morar nos EUA, conseguiu residência permanente (green card) e se tornou dissidente. Acabou se apaixonando no exílio por uma jornalista turca. Ao ir buscar um documento no consulado saudita em Istambul necessário para o seu casamento, pediram que voltasse outro dia. Neste meio tempo, o ditador saudita organizou o seu assassinato. Quando entrou de novo na missão saudita na metrópole turca, foi cortado em pedaços.

Trump não fez nada para punir o ditador saudita, mesmo sabendo que este era o responsável pela morte de Khashoggi. Uma atitude repugnante do então presidente americano, que inclusive escolheu a Arábia Saudita como primeiro país a ser visitado. Já Biden abertamente tratará Bin Salman como pária. Não há a menor chance de os dois se encontrarem pessoalmente. Para contornar este problema, o líder americano manterá o rei Salman como canal de diálogo— a Arábia Saudita não será tratada como a Síria.

O problema é que rei Salman já está com a idade avançada. MBS pode vir a se tornar formalmente o “rei” da Arábia Saudita, além de ditador. Neste caso, as relações entre EUA e Arábia Saudita são incertas. Um novo capítulo foi aberto. Mas um capítulo necessário. Por décadas, os americanos foram aliados quase incondicionais de uma das mais repugnantes ditaduras do mundo. Quando corretamente condenavam ditadores como Saddam Hussein ou Bashar al Assad, tornavam-se hipócritas ao não fazerem o mesmo com os sauditas.

Bin Salman precisa ser tratado como assassino. Deve ser colocado em isolamento. Se possível, condenado por crimes contra a humanidade. Eventos na Arábia Saudita deveriam ser boicotados. O ditador saudita deveria ser tratado como Assad, que basicamente não pode sair de Damasco. É uma figura tóxica e deplorável. Um assassino psicopata.

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Como o chip M1 da Apple é a maior prova daquilo que usuários Android estão perdendo - Gizmodo Brasil

por
Imagem: Sam Rutherford/Gizmodo

Como usuário do Android, às vezes me sinto derrotado depois de assistir a um evento da Apple, especialmente quando há novos dispositivos vindo aí, como é o caso do iPad Pro. Isso me lembra que existem poucas alternativas viáveis ​​na terra do robozinho verde.

Os tablets Android estão em um estado deprimente. Mesmo aqueles que valem a pena comprar não são tão chamativos ou capazes de alcançar o desempenho do dispositivo que a Apple anunciou esta semana. O preço inicial do novo iPad Pro de US$ 799 também não é tão exorbitante nos Estados Unidos (N.T: no Brasil, por R$ 10.799, é muito caro!). E com a adição do chip M1, suporte para redes 5G e uma câmera frontal ultra-angular de 12 MP com recurso Center Stage (mais suporte LiDAR na parte de trás), confesso que estou sentindo muita inveja de quem vai ter um aparelho desses.

Então, o que um usuário do Google deve fazer se quiser um tablet sem iOS? Esperamos que o Google revele um processador próprio para a nova geração de dispositivos Pixel. Os últimos rumores indicam que os smartphones serão a primeira a ser equipada com a CPU Whitechapel “GS101” do Google. Isso não significa necessariamente que a companhia lançaria com sucesso um matador de iPad. Mas ajudaria a facilitar alguns dos outros tropeços do ecossistema e talvez pavimente o caminho para o que poderia ser um tablet Android que você gostaria de comprar — talvez até um tablet Android que você consideraria em vez do iPad.

Processador Pixel

O Google já moldou o Pixel em sua visão, mas tem menos controle sobre os componentes dentro dos smartphones. Ele vem equipado com os chips Snapdragon da Qualcomm desde os primeiros dispositivos Pixel, e é por isso que os Pixels 2, 3, 4 e 4a tinham um Visual Core ou Neural Core adicionado para ajudar o telefone a processar funções de inteligência artificial e fotos de alta resolução.

Imagem: Sam Rutherford/Gizmodo

No entanto, não há necessidade de adicionar o poder de processamento extra se ele já estiver integrado. Como aponta o Android Intelligence, construir o chip Pixel internamente significa que ele seria desenvolvido especificamente para o que o dispositivo foi feito:

“Da forma como está agora, o Google depende de empresas como a Qualcomm para fornecer essa estrutura e determinar muito do que pode fazer com seus produtos Pixel. E para uma empresa que se concentra em áreas como aprendizado de máquina e um serviço de assistente sempre atento, isso cria algumas limitações sérias com os tipos de experiências que é capaz de fornecer.”

Desenvolver um “chip Pixel” especificamente para hardware da marca Pixel também ajudaria a prolongar a vida de alguns dispositivos mais antigos.

Suporte estendido

As classificações de satisfação do cliente da Apple estão nas alturas — em parte porque ela oferece suporte a dispositivos mais antigos, permitindo que as pessoas tenham mais tempo antes de atualizar seus aparelhos. O iOS 14, por exemplo, é compatível com o iPhone 6S, que já tem quase seis anos.

Imagem: Alex Cranz/Gizmodo

Imagine ver esse tipo de suporte de longo prazo em um dispositivo Android. A plataforma ficou exponencialmente melhor em atualizações de software desde que o Google separou elementos do sistema operacional para que eles pudessem ser atualizados por meio da Google Play Store, em vez de esperar que as operadoras e fabricantes os implementassem. Em smartphones da linha Pixel, os updates são garantidos por até três anos.

Um chip Pixel pode ajudar o Google a fornecer suporte ainda mais estendido para seus celulares. Mesmo com todos os hacks pós-mercado e versões de terceiros do Android circulando por aí, isso não é algo com que seu consumidor médio queira lidar no final do dia. Esse tipo de suporte prolongado também pode ajudar a estabelecer mais lealdade à marca, algo o que o Google tem enfrentado dificuldade segundo as últimas vendas de Pixel.

Tablet Android

O Google lançou o Nexus 9, um tablet Android fabricado pela HTC, lá no ano de 2014. Era um dispositivo com tela de 9 polegadas e o poderoso Nvidia Tegra K1 de 2,3 GHz, além de um excelente tablet para desenvolvedores Android. Mas fora isso, era quase impossível atingir a dominação do iPad no mercado.

Em seguida, o Google fez uma nova tentativa com o Pixel Slate, só que, desta vez, o dispositivo usava Chrome OS, que tem compatibilidade com Android. O aparelho tinha benchmarks de desempenho impressionantes, uma tela vibrante de alta densidade e incluía suporte para a caneta Pixel Pen, embora não tenha conseguido ganhar força nas comunidades criativas da mesma forma que o Apple Pencil. A caixa do teclado não era muito estável, tornando difícil acoplar o tablet para longos períodos de digitação. No final das contas, o Slate não vendeu bem, e o Google parou de vendê-lo um tempo depois.

Imagem: Alex Cranz/Gizmodo

A Samsung é a única empresa a fazer tablets Android competitivos, e o Galaxy Tab S7+ não é uma alternativa ruim se você está comprometido com a ideia de continuar com o sistema do Google. Ele oferece alguns dos recursos disponíveis no iPad Pro, como uma tela grande e uma S-Pen precisa com carregamento magnético integrado. No entanto, a Samsung está vendendo sua versão do ecossistema Android que, assim como acontece nos smartphones, não é atualizado com frequência. Sem mencionar o fato de que o Android ainda precisa de alguns ajustes antes de ser totalmente competente para produtividade em um tablet.

Não há indicação de que o Google tem planos de se aventurar novamente nos tablets Android ou que até mesmo tentaria lançar algo que pudesse competir com o iPad Pro, que é o modelo mais avançado da Apple. É mais provável que veremos um tablet Chrome, especialmente após relatos de que o suposto chip Pixel poderia encontrar vida em outras categorias de produtos além de um smartphone.

Seja qual for o plano, esperamos que o Google siga em frente com esses rumores internos sobre chips próprios. Cada evento da Apple que traz um novo iPad é mais um lembrete do que estamos perdendo no reino do Android: uniformidade da plataforma. Um chip personalizado para os dispositivos Pixel seria apenas o começo da união total do ecossistema do Google e tornaria seu hardware uma alternativa viável à Apple.

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O que é a depuração USB e como ativá-la no seu Android | NextPit

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O que é a depuração USB e como ativá-la no seu Android

Apesar do nome intimidador, a depuração USB é simplesmente uma forma de comunicação liberada entre o celular e o computador. A ativação do recurso permite controlar o smartphone a partir do PC, liberando o uso de comandos avançados para personalização de sistema, instalação de apps ou solução de problemas. Entenda um pouco melhor a ferramenta — também conhecida como Debug USB — a seguir.

O que é a depuração USB?

Depuração é a tradução do termo em inglês, debugging, que por sua vez descreve a busca e identificação de problemas (bugs). No caso do sistema Android, um dos principais usos da depuração USB é justamente facilitar a criação de apps, ajudando os desenvolvedores a testar suas criações no celular, em conjunto com a ferramenta Android Studio.

Com a depuração (ou USB debugging), os programadores podem facilmente transferir o app ainda em desenvolvimento e testá-lo no smartphone, usando apenas um cabo USB entre o PC e o celular. Além disso, a comunicação ajuda a registrar problemas encontrados e diagnosticá-los no computador.

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Depuração abre a porta USB para mais opções de controle e personalização / © NextPit

Alerta de segurança:

Por oferecer recursos avançados de controle do celular, a opção geralmente fica escondida no app de Configurações do sistema Android, normalmente exigindo ações especiais para ativar o menu onde pode ser ativada. Por este mesmo motivo, recomenda-se desativar a opção após o seu uso, para evitar problemas ao ligar o celular em portas USB não confiáveis, por mais remotos que sejam os riscos.

Para que serve a depuração USB?

A depuração USB libera a comunicação do celular com um computador. Um dos usos mais comuns é em conjunto com a ferramenta ADB (Android Debug Bridge), que oferece uma série de comandos avançados para controle do smartphone, ou ainda com programas para atualizar o sistema manualmente, por exemplo o Odin usado em celulares da Samsung.

Como os programas utilizam a conexão USB do celular, é preciso ativar a depuração USB para que o smartphone aceite a conexão com o computador. Com o recurso ligado, abrem-se uma série de possibilidades no dispositivo, como poder ativar o acesso root, instalação de ROMs personalizadas, redefinição do aparelho para configurações de fábrica e muito mais.

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Menu da Depuração USB fica escondido, mas é fácil de ativar / © NextPit

E como já citado, o USB debugging facilita a vida dos criadores de app, que podem testar seus aplicativos em desenvolvimento em um celular de verdade, ao invés de usarem o emulador oficial do Google.

Como ativar o modo de depuração USB

Antes de ativar a depuração USB, conecte o celular ao PC e confirme se o smartphone foi reconhecido. Caso o Windows não identifique o aparelho, siga os passos indicados nesta página para instalar os drivers no computador para que ele consiga conversar com o celular.

Em versões recentes do Android, é preciso fazer uma sequência de passos para liberar o menu com a depuração USB no celular. Abra o app de Configurações e siga os passos indicados:

2021 04 26 Debug
Opção secreta mostra uma mini notificação ao ser liberada (dir.) / © NextPit
  1. Selecione Sobre o dispositivo (em celulares Samsung, depois abra a opção Informações de software);
  2. Toque 7 vezes na opção Número de Compilação / Versão de Build / Número da versão
  3. Volte para a tela principal do app de Configurações;
  4. Escolha Opções do Desenvolvedor (que pode estar dentro do menu Sistema);
  5. Habilite a opção Depuração USB;
  6. Confirme a ativação do recurso tocando em OK.
2021 04 26 depuracao usb
Dependendo da fabricante, as 'Opções do desenvolvedor' podem estar dentro do menu 'Sistema' / © NextPit

Se você tiver um celular equipado com o sistema Android 2.3 ou anterior, os passos são mais simples:

  1. Abra as Configurações;
  2. Escolha Aplicativos
  3. Vá em Desenvolvimento;
  4. Habilite a opção Depuração de USB.

O processo pode ser desfeito simplesmente desativando a Depuração USB no seu celular (passo 5 na imagem acima). Você pode ainda cancelar qualquer autorização de depuração USB nos computadores liberados. Basta clicar em Revogar autorizações de depuração USB nas opções do desenvolvedor.

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Covid-19 explode na Índia com 400.000 novos casos

As mortes aumentaram para 3.523, elevando o número total de mortes do país para 211.853, de acordo com o ministério federal da saúde

(Foto: Reuters)

(Reuters) - A Índia registrou mais de 400.000 novos casos de COVID-19 pela primeira vez no sábado, enquanto luta contra uma segunda onda devastadora, e a nova campanha de vacinação do país foi prejudicada em algumas áreas pela falta de vacinas.

As autoridades notificaram 401.993 novos casos nas 24 horas anteriores, após 10 dias consecutivos de mais de 300.000 casos diários. As mortes aumentaram para 3.523, elevando o número total de mortes do país para 211.853, de acordo com o ministério federal da saúde.

O aumento de infecções sobrecarregou hospitais, necrotérios e crematórios e deixou famílias lutando por remédios e oxigênio escassos. E embora a Índia seja o maior produtor mundial de vacinas COVID-19, a escassez das vacinas em alguns estados dificultou a abertura de vacinas para todos os adultos.

O estado de Bengala Ocidental não conseguiu iniciar uma campanha dirigida a adultos com idade entre 18 e 45 anos devido à falta de vacinas e pediu ao governo federal que fornecesse mais suprimentos, disse um alto funcionário da saúde estadual, que não quis ser identificado porque não estava autorizado a falar com a mídia.

Arvind Kejriwal, o ministro-chefe do duramente atingido Estado de Delhi, na sexta-feira, pediu às pessoas que não fizessem fila nos centros de vacinação, prometendo que mais vacinas chegariam "amanhã ou depois de amanhã".

O estado de Odisha disse na sexta-feira que recebeu uma remessa de 150 mil tiros, mas só permitiria que algumas pessoas recebessem tiros devido às restrições de bloqueio que impedem o movimento.

Em Ahmedabad, a principal cidade comercial do estado natal de Gujarat, o primeiro-ministro Narendra Modi, centenas de pessoas fizeram fila para disparar.

“Tomei minha primeira dose e estou apelando a todos os alunos para tomarem a vacina e se protegerem”, disse Raj Shah, um estudante de 27 anos da cidade.

A Índia recebeu 150.000 doses da vacina Sputnik-V da Rússia e outros milhões de doses seguirão, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia no sábado.

DELHI AINDA GASPING

A escassez de oxigênio medicinal tem atormentado o sistema médico.

No Hospital Batra, em Nova Delhi, a mídia local informou que oito pessoas, incluindo um médico, morreram no sábado, depois que o oxigênio ficou sem oxigênio.

"Delhi precisava de 976 toneladas de oxigênio e ontem apenas 312 toneladas de oxigênio foram fornecidas. Como Delhi respira com um oxigênio tão baixo?" o ministro-chefe Kejriwal tuitou.

Em uma audiência no sábado, a alta corte de Delhi tomou nota das mortes no Hospital Batra e disse ao governo federal para tomar providências para o fornecimento de oxigênio a ser dado a Delhi.

"Basta", disse o juiz Vipin Sanghi.

O conselho do governo federal disse ao tribunal: "Estamos fazendo o máximo até onde o limite humano pode chegar."

Pacientes desesperados com coronavírus continuaram a chegar aos hospitais, apesar da falta de leitos.

Com falta de ar, Vijay Gupta, de 62 anos, foi recusado pelo Hospital da Família Sagrada, uma instituição privada sem fins lucrativos no sudeste da capital, pois todos os seus 385 leitos estavam ocupados.

Sua família e amigos debatiam o que fazer a seguir.

"Estamos vagando por aí desde as 6 da manhã em busca de uma cama", disse o amigo de Gupta, Rajkumar Khandelwal. "Onde nós devemos ir?"

Um incêndio em um hospital a cerca de 190 km (115 milhas) ao sul de Ahmedabad matou 16 pacientes com coronavírus e dois funcionários, o último de uma série de acidentes mortais em hospitais.

O governo de Delhi disse que vai prorrogar por mais sete dias um bloqueio que impôs por uma semana em 19 de abril.

SINAIS DE AVISO IGNORADOS

As infecções diárias aumentaram desde o início de abril. Alguns especialistas culpam as reuniões religiosas em massa e os comícios políticos pela gravidade da segunda onda da Índia, que pegou o governo despreparado.

Um fórum de consultores científicos criado pelo governo Modi alertou as autoridades no início de março sobre uma nova e mais contagiosa variante ocorrendo no país, disseram cinco cientistas que fazem parte do fórum à Reuters.

Quatro dos cientistas disseram que, apesar do alerta, o governo federal não procurou impor grandes restrições para conter a disseminação do vírus. Milhões, em grande parte desmascarados, compareceram a reuniões religiosas e comícios eleitorais realizados por Modi, líderes do partido governante Bharatiya Janata e políticos da oposição.

O aumento na Índia ocorreu em um momento em que muitos países estão vendo a pandemia diminuir.

O presidente dos EUA, Joe Biden, proibiu na sexta-feira a maioria das viagens da Índia em restrições que entrarão em vigor a partir de terça-feira.

Outros países e territórios também impuseram restrições de viagens à Índia, incluindo Austrália, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália e Cingapura. Canadá, Hong Kong e Nova Zelândia suspenderam todas as viagens comerciais com a Índia.

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Brasil chega ao pior Primeiro de Maio de sua história, com 7,8 milhões de empregos perdidos e renda em declínio

Em um ano de pandemia, o Brasil perdeu quase 8 milhões de empregos e 17 bilhões de reais em renda

(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

247 - Dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revelam que o desemprego atingiu o patamar recorde de 14,4% no trimestre encerrado em fevereiro.

Em um ano de pandemia, a massa de rendimentos do trabalho das pessoas ocupadas encolheu 7,4%, uma perda de R$ 16,8 bilhões, na comparação entre o trimestre encerrado em fevereiro de 2021 e o mesmo período do ano passado.

Os dados do IBGE mostram que o Brasil perdeu 7,8 milhões de postos de trabalho em um ano, aponta reportagem da Folha de S.Paulo.

A  taxa de desemprego aberto no Brasil subiu a 14,4% no trimestre compreendido entre dezembro de 2020 a fevereiro de 2021, o que levou o número absoluto de brasileiros e brasileiras desocupados a bater um novo recorde e alcançar 14,4 milhões.

O drama da desocupação involuntária na verdade é mais amplo. É preciso acrescentar nesta conta o exército de desalentados, também recordista. São 6 milhões de desempregados que simplesmente desistiram de procurar emprego e foram temporariamente excluídos do mercado. Temos ainda uma vasta multidão de subocupados.

O nível de ocupação continua abaixo de 50%, o que significa que mais da metade da população brasileira em idade ativa não tem ocupação. 29,9% da população economicamente ativa (32,6 milhões) estão subutilizados. Trata-se de um desperdício imensurável de forças produtivas, o que traz perdas irreparáveis ao desenvolvimento nacional.

O estado lastimável do mercado de trabalho brasileiro não reflete apenas a pandemia, mas sobretudo a política econômica desastrosa do governo Bolsonaro, comandada por um rentista incompetente e embriagado pelos interesses do mercado e o fundamentalismo neoliberal. A solução da crise passa por uma mudança radical na política econômica, destaca o site da CTB.

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“Comportamento dos empresários brasileiros tem sido irracional nos últimos anos”, diz José Luis Oreiro

“Os empresários industriais brasileiros não passam de senhores de escravos travestidos de empresários”, disse à TV 247 o economista e professor, que afirmou não entender o motivo pelo qual o empresariado ainda dá apoio a Bolsonaro e Guedes: “maluquice”. Assista

José Luis Oreiro
José Luis Oreiro (Foto: Reprodução | Abr)

247 - O economista e professor José Luis Oreiro, em entrevista à TV 247, afirmou que o empresariado brasileiro tem tido um comportamento irracional nos últimos anos ao manifestar apoio a Jair Bolsonaro e ao atual ministro da Economia, Paulo Guedes, e atacar o PT.Para Oreiro, dizer que o ex-presidente Lula é radical “é uma coisa absolutamente absurda” e garantiu que o petista conversará com os empresários caso volte ao poder, dado sua capacidade de conciliação. Ainda sim, destacou ele, haverá personalidades que não se dobrarão. “Tem uns, como o dono da Havan, que certamente nunca vai dar apoio ao Lula, não sei por quê. As lojas Havan cresceram muito durante a administração do PT. Esse fulano que é o dono da Havan teve um crescimento fantástico nas suas lojas durante os dois mandatos do presidente Lula, e com o Bolsonaro ele está perdendo dinheiro e continua o apoiando. Tem um pouco de irracionalidade. Eu, como economista, não consigo entender. Para mim é uma maluquice”.

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“O comportamento do empresariado brasileiro desde 2018 é irracional”, falou.

Na visão do economista, há uma mentalidade escravocrata do empresariado brasileiro em relação a uma sociedade menos desigual que pode surgir com a volta da esquerda ao Palácio do Planalto. “Os empresários industriais brasileiros não passam de senhores de escravos travestidos de empresários. Gente, se eu sou empresário eu quero ganhar dinheiro. Para mim pouco interessa quem é o governo, se é Lula, se é Geraldo Alckmin. O que eu quero é ganhar dinheiro. Se prevalecesse essa lógica, o Bolsonaro e o Guedes já tinham que ter saído há muito tempo. Mas prevalece alguma outra lógica que eu como economista não tenho competência para dizer qual é”.

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#PL510Não: entenda o que significa o projeto para a destruição do meio ambiente

Proposta apresentada pelo senador Irajá Abreu (PSD-TO) incentiva a grilagem e o desmatamento e deve ser votada na próxima semana. Internautas fazem campanha de repúdio nas redes sociais

(Foto: Sputnik)

Victor Castanho, 247 - Após o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), ter incluído sorrateiramente na pauta da última quarta-feira (28) o projeto de lei 510/2021, do senador Irajá Abreu (PSD-TO), os internautas foram às redes sociais em campanha contra a iniciativa. Assim, as hashtags #GrilagemNão e #PL510Não chegaram a ocupar a lista dos assuntos mais comentados no Twitter, obrigando Pacheco a adiar a votação para a próxima semana.

Filho da senadora Kátia Abreu (PP-TO), o parlamentar apresentou o projeto em 22 de fevereiro deste ano. O membro da Bancada Ruralista, de 38 anos, atualmente responde a uma acusação de estupro e é conhecido como “campeão do desmatamento”. 

O que significa o PL 510 para o meio ambiente brasileiro?

A partir de 2016, com o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff, a Lei no 11.952/2009, que estabelece orienta a regularização fundiária de posses em terras públicas federais na Amazônia Legal, foi alvo de medidas provisórias, atos normativos, resoluções, portarias, decretos e instruções normativas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) – quase sempre no sentido de beneficiar grandes e médios posseiros ou anistiar crimes como grilagem e desmatamento ilegal. É o que diz a reportagem da Brasil de Fato.

O projeto de lei 510/2021, conhecido como PL da Grilagem, é uma das várias tentativas de institucionalizar a Medida Provisória (MP) no 910/2019. Segundo um Sumário Executivo realizado pelo Instituto Socioambiental, essa MP teria como consequências:

●  O retrocesso ambiental e comprometimento da estabilidade e coerência do ordenamento jurídico ao introduzir conceito de “infração ambiental” dissociado do estabelecido na Lei n.o 9.605/1998, exigindo o esgotamento das vias administrativas para que a infração possa ser considerada para fins de regularização fundiária.

●  A facilitação da grilagem de terras públicas e agressão ao artigo 225 da Constituição Federal ao alterar o marco temporal da regularização fundiária de 22 de julho de 2008 para 5 de maio de 2014, com possibilidade de regularização até 10/10/2018. 

●  A insegurança jurídica e potencialização de conflitos fundiários por dispensar a vistoria prévia para imóveis com até 15 módulos fiscais (a possibilidade de dispensa era prevista para imóveis com até 4 módulos fiscais). Essa dispensa de vistoria permitirá que terceiros possam titular áreas ocupadas por comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais, em afronta aos direitos fundamentais dessas comunidades à terra.

●  A falta de garantia de transparência na regularização fundiária: a MP reprisa previsão de criação de um “sistema informatizado a ser disponibilizado na internet, com vistas a assegurar a transparência sobre o processo de regularização fundiária” a indicar que desde a edição da Lei n.o 11.952 em 2009, ou seja, há mais de onze anos, esse sistema ainda não foi criado ou completamente estabelecido, o que impede a devida transparência e controle social da regularização fundiária.

● A dilapidação do patrimônio público ao manter, para a destinação de terras públicas da União, valores praticados para a reforma agrária, que tem como beneficiária a população hipossuficiente, dando incentivos econômicos a grileiros que se apropriam de grandes quantidades de terras públicas.

Uma nota técnica divulgada pelo instituto brasileiro de pesquisa Imazon afirma que o PL 510/2021 "é uma versão com alterações do texto da Medida Provisória n.o 910/2019”. Ainda traz o dado de que o novo PL “mantém ou agrava alguns dos riscos do ciclo de ocupação de terras públicas e desmatamento [que a MP propunha]”. Eis alguns dos danos trazidos pelo projeto:

●  Anistia ao crime de invasão de terra pública àqueles que o praticaram entre o final de 2011 e 2014.

●  Incentivo a continuidade de ocupação de terra pública e desmatamento, pois cria direito de preferência na venda por licitação a quem estiver ocupando área pública após dezembro de 2014, sem limite de data de ocupação.

●  Criação de benefícios a ocupantes de médios e grandes imóveis em terra públicas ao: reduzir valores cobrados na titulação de quem já tem outro imóvel; dispensar custas e taxas no cartório e no Incra para médios e grandes imóveis titulados; ampliar prazo de renegociação de titulados inadimplentes; ampliar prazo de renegociação de dívidas do crédito rural até dezembro de 2021.

●  Aumento do risco de titular áreas em conflitos ou com demandas prioritárias, pois elimina a vistoria prévia à regularização e enfraquece os casos excepcionais em que a vistoria é obrigatória.

●  Permissão para titular áreas desmatadas ilegalmente sem exigir assinatura prévia de instrumento de regularização de passivo ambiental, nos casos em que não houve autuação ambiental.

●  Permissão de reincidência de invasão de terra pública, pois autoriza nova titulação a quem foi beneficiado com a regularização e vendeu a área há mais de dez anos. Assim, reforçará o ciclo vicioso de invasão de terra pública.

●  Ampliação da possibilidade de extinção de projetos de assentamento para aplicação das regras de privatização de terras públicas, com risco de afetar assentamentos criados para populações agroextrativistas.

Você pode acessar a nota técnica completa aqui.

De forma resumida, o projeto de lei busca incluir na legislação a grilagem, permitindo que enormes áreas de remanescentes florestais, cujos serviços ecossistêmicos são essenciais para conter as mudanças climáticas, sejam destruídas. 

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Exército reserva verba da vacina para hospitais militares, remédios sem eficácia e gastos sigilosos

Força diz que atua em logística da imunização e que levantou áreas de risco; militares não comentam demais despesas

Brasília

O Exército reservou recursos da vacinação contra a Covid-19 para compra de material a hospitais militares usados por integrantes da Força, para aquisição de azitromicina, ivermectina e cloroquina —remédios sem eficácia no combate ao novo coronavírus— e para gastos sigilosos.

O dinheiro garantido para essas despesas faz parte da verba destravada por MP (medida provisória) editada em dezembro, em caráter emergencial, para a compra de vacinas.

Segundo a justificativa da MP enviada ao Congresso, os recursos também podem ser usados em despesas com insumos, logística, comunicação e publicidade, desde que associadas à vacinação.

O presidente Jair Bolsonaro com o ex-comandante do Exército general Edson Leal Pujol
O presidente Jair Bolsonaro com o ex-comandante do Exército general Edson Leal Pujol - Marcos Corrêa - 20.abr.21/PR

A MP assinada pelo presidente Jair Bolsonaro liberou R$ 20 bilhões ao Ministério da Saúde. A pasta gastou R$ 3,56 bilhões com a compra direta de vacinas do Instituto Butantan, Pfizer e Janssen.

Em janeiro, os Ministérios da Saúde e da Defesa firmaram uma parceria —chamada TED (termo de execução descentralizada)— para que as Forças Armadas recebam recursos da saúde e auxiliem no programa nacional de imunização contra a Covid-19. Os repasses contemplados somam R$ 95 milhões.

Segundo o Ministério da Saúde, esse dinheiro é proveniente da MP voltada à vacinação. Até agora, conforme a pasta, já foram liberados R$ 6,5 milhões para "despesa do pessoal envolvido diretamente no apoio à campanha de vacinação da população brasileira".

Dados disponíveis no Portal da Transparência, alimentados pelo governo federal até o último dia 22, mostram que os militares reservaram um valor maior, com a emissão de notas de empenho: R$ 16,9 milhões. O empenho é uma autorização de gastos, uma reserva no Orçamento, que antecede os pagamentos.

Em 22 de fevereiro, o Centro de Inteligência do Exército garantiu R$ 150 mil para gastos sigilosos, sem uma explicação na nota de empenho sobre o emprego a ser dado ao dinheiro.

Em nota, o Exército afirmou ter feito atividades de inteligência de reconhecimento de itinerários e levantamento de áreas de risco ao material e ao pessoal empregado na vacinação. Também houve levantamento de áreas para postos de vacinação e hospitais de campanha, segundo a Força.

Outras reservas de recursos se destinam a insumos para dois hospitais militares do Exército, cujos leitos são voltados a militares da ativa e da reserva e a seus dependentes.

Um deles é o Hospital de Guarnição de Florianópolis. Segundo uma nota de empenho emitida em 1º de abril, foram assegurados R$ 9.999,50 para a compra de avental hospitalar e para a aquisição de clorexidina, um antisséptico e bactericida.

Planilhas que passaram a ser publicadas pelo Exército após determinação do TCU (Tribunal de Contas da União) mostram que o hospital tem 15 leitos de enfermaria, sendo 10 para pacientes com Covid-19 e 5 para outros pacientes.

A ocupação dos leitos, na quinta-feira (29), era de 13%, segundo a planilha. É o mesmo índice de três semanas atrás.

O TCU investiga a reserva dessas unidades aos militares no momento mais crítico da pandemia, sem possibilidade de abertura de leitos a civis. Pelo menos R$ 2 bilhões do Orçamento da União se destinaram aos hospitais militares em 2020, conforme o tribunal.

Recursos destravados para a vacinação também foram reservados para a compra de material ao Hospital Geral de Belém, uma unidade militar de saúde ligada ao Comando Militar do Norte.

A base de administração e apoio do comando aparece como gestora de gastos para a compra de azitromicina, cloroquina, vitamina B, colagenase, loratadina, escopolamina, betametasona, bromoprida, algodão, gaze e cateter.

Os empenhos somam R$ 5.200 e, segundo as notas emitidas, parte desse material se destina ao Hospital de Belém.

Azitromicina e cloroquina integram a lista de drogas sem eficácia para Covid-19 com recomendação de uso, pelo Ministério da Saúde, no combate à doença. O comando planejou comprar, com o dinheiro destravado pela MP da vacina, pequenas quantidades de cloroquina (30 comprimidos) e de azitromicina (100 comprimidos).

A ocupação da UTI do Hospital Geral de Belém, na quinta, era de 33%. E dos leitos de enfermaria, de 43%.

No 17º Batalhão de Fronteira, que fica em Corumbá (MS), cidade vizinha à Bolívia, a compra planejada de azitromicina foi maior: 1.002 comprimidos. A mesma nota de empenho prevê a aquisição de 300 comprimidos de ivermectina, outro medicamento sem eficácia para Covid-19.

O batalhão também reservou dinheiro para a compra de dipirona e paracetamol. Ao todo, o gasto previsto é de R$ 4.200.

Questionado sobre os empenhos voltados a insumos para hospitais militares e a drogas sem eficácia para Covid-19, o Exército não respondeu.

Já a Comissão do Exército em Washington reservou, nos últimos dias 12 e 13, R$ 3,6 milhões para pagamento a duas empresas internacionais contratadas para manutenção e fornecimento de suprimentos a helicópteros.

O Comando Logístico também fez um empenho nesse sentido, destinado a uma empresa brasileira, no valor de R$ 2 milhões.

Pelo menos 15 batalhões, brigadas, regimentos e comandos do Exército reservaram recursos para a manutenção de veículos e aquisição de peças automotivas.

"É de conhecimento público que o Exército brasileiro tem apoiado a vacinação contra a Covid-19 em todos os rincões do país. Além de atuar diretamente na linha de frente da imunização, a Força tem realizado outras atividades de apoio à prevenção e ao combate à Covid-19", disse o Exército.

Os militares transportam equipes de vacinação e vacinas a locais de difícil acesso e fazem desinfecção de áreas públicas, segundo a Força. Nas diferentes atividades, foram percorridos 3,6 milhões de quilômetros e usadas 1,1 mil horas de voo, afirmou.

O dinheiro repassado serviu para aquisição de equipamento de proteção individual, insumos para desinfecção, gêneros alimentícios, combustível e lubrificantes para aviões e carros, conforme a nota enviada.

Os grupos indígenas em localidades de difícil acesso são os principais atendidos com o suporte à vacinação, segundo o Ministério da Defesa.

Além disso, secretarias municipais recebem apoio logístico militar, como ocorre em Manaus, São Luís, Teresina, Curitiba, Florianópolis e Rio, conforme nota da Defesa.

Na Aeronáutica, os gastos previstos com manutenção de aeronaves e compra de querosene, a partir da MP da vacina, somam R$ 3,5 milhões.

"Os recursos foram investidos em despesas como aquisição de querosene e manutenção de aeronaves justamente para o esforço de enfrentamento da pandemia", disse a Aeronáutica, em nota.

"A Força participa ainda de ações integradas, disponibilizando profissionais e unidades para campanhas de vacinação."

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