PANDEMIA - É Tudo Verdade
Filme "SONY Total Controle" expõe como Trump IGNOROU ciência com MEDO de perder eleição
Jovens e saudáveis na UTI já são MAIORIA e necessidade de ventilação mecânica bate RECORDE
Expectativa de VIDA do brasileiro CAI quase 2 anos com pandemia
ESTADOS UNIDOS tiveram redução de 1 ano na expectativa de vida
Prefeito que sobreviveu ao coronavírus perde pai, mãe e irmão em 20 dias
*
Brasil chega a 350 mil mortes por covid, apenas 17 dias depois da marca de 300 mil - Brasil em números...!
Pela 1ª vez, mortes pela covid no país SUPERAM a soma das OUTRAS DOENÇAS
Principais causas de morte (28/Março - 03/Abril):
- 16.558 ___ Covid-19
- 02.084 ___ Pneumonia - 2.084
- 02.002 ___ Septicemia - 2.002
- 01.454 ___ Causas cardíacas inespecíficas - 1.454
- 01.290 ___ AVC (Acidente Vascular Cerebral) - 1.290
- 01.263 ___ Infarto - 1.263
- 01.104 ___ Insuficiência respiratória - 1.104
- 00.108 ___ Indeterminada - 108
- 07.036 ___ Outras causas - 7.036
- 16.341 ___ Total SEM covid - 16.341
Filme expõe como Trump ignorou ciência com medo de perder eleição

É uma trama que a gente conhece bem.
“Sob total controle” enfileira os erros da administração federal no combate à pandemia da Covid-19.
Vai de uma insistente negação até um elevadíssimo número de mortos.
A cloroquina aparece entre a politização da tragédia e a falta de respiradores e máscaras — e o próprio governo faz campanha pelo medicamento.
O lockdown é combatido com a justificativa de haver uma dicotomia entre economia e saúde.
Tem um guru, que não fala coisa com coisa, mas um monte de gente aplaude.
E há até uma eleição no horizonte, que parece nortear a maioria das decisões do protagonista.
A História, contudo, cobrou seu preço: Trump perdeu.
Exibido neste sabado (10/4), às 19h, em sessão on-line, única e gratuita, pelo festival de documentários “É Tudo Verdade”, “Sob total controle” mostra como os Estados Unidos ultrapassaram os 560 mil registros de morte por Covid-19, um número recorde no mundo.
O filme reconstitui o caminho do Sars-CoV-2 no país, com um olhar crítico às decisões do então presidente Donald Trump.
Para chegar lá, os diretores Alex Gibney, Ophelia Harutyunyan e Suzanne Hillinger usaram entrevistas, vídeos de arquivo e narração, e até desenvolveram um kit especial de câmera que permitiu filmar em segurança em tempos de pandemia.
O Brasil é citado apenas brevemente, quando se menciona outras nações em que a doença se espalhava com velocidade na época em que o documentário foi finalizado, no terceiro trimestre de 2020, e a famosa cena aérea das covas abertas no cemitério Vila Formosa, em São Paulo, é exibida.
Mas o Brasil ainda não havia se tornado o epicentro da pandemia no mundo como é hoje, com dias ultrapassando os 4 mil óbitos e mais de 345 mil registros de mortes no total.
É o segundo país com mais vidas perdidas pela Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos.
— Muita gente compara Bolsonaro a Trump, e me parece que a resposta que eles deram à pandemia foi muito parecida — diz Ophelia Harutyunyan, em entrevista por telefone.
— AMBOS usaram FAKE NEWS para desacreditar a mídia e sugerir às pessoas que não ouvissem o que diz a ciência.
Quando um presidente diz que não sabe se vai se vacinar, ele está dando um recado para as pessoas.
Se agisse diferente, vidas teriam sido salvas.
Entre os muitos erros destacados, “Sob total controle” lembra que o primeiro exame criado nos Estados Unidos para detectar o coronavírus foi enviado para os laboratórios com defeito, o que atrasou em quase um mês a testagem massiva da doença.
Fala que a força-tarefa montada para combater a pandemia, primeiro comandada pelo então secretário de Saúde Alex Azar e depois pelo vice-presidente Mike Pence, tinha MAIS DO QUE O DOBRO de políticos e representantes da indústria farmacêutica em comparação com cientistas.
O filme também sugere que a falta de coordenação do governo federal com os estados fez com que os preços de equipamentos médicos subissem absurdamente.
Uma entrevista emblemática do governador de Nova York, Andrew Cuomo, é utilizada:
“É como estar no eBay com outros estados dando lances por respiradores.
E de repente aparece a Fema dando um lance.
A Fema estava aumentando o preço”.
Fema é a Federal Emergency Management Agency, órgão do governo que atua em crises, desastres e demais emergências nacionais.
— Nós moramos na região de Nova York, então vivemos os piores dias de pandemia aqui.
Vimos como as mortes aumentavam, como não havia vagas nos hospitais, como as sirenes tocavam o dia todo levando doentes — lembra Ophelia.
— E ficou muito claro que a resposta do governo não era a melhor, daí sentimos a necessidade de entender o que havia sido feito de errado.
Cabo eleitoral
Evidentemente a data de lançamento de um filme como “Sob total controle” não é escolhida na moeda, sobretudo num ano de eleição.
O pleito, em que o republicano Trump tentou um novo mandato e saiu derrotado pelo democrata Joe Biden, ocorreu em 3 de novembro.
Já o documentário estreou nos Estados Unidos em serviços de streaming em 13 de outubro, três semanas antes, a tempo de assistir, recomendar no grupo de “zap” da família e pensar um pouco sobre o voto.
E não é nada incomum ter o cinema como cabo eleitoral num país em que um ator coadjuvante já foi presidente e até foi reeleito — ao saber que Ronald Reagan concorreria ao governo da Califórnia em 1966, Jack Warner, o dono do estúdio com seu sobrenome, teria dito:
“Não, não. É James Stewart para governador, e Reagan para seu melhor amigo”.
Gibney, um documentarista prolífero que tem um Oscar no currículo por “Um táxi na escuridão” (2007), sabe bem do efeito que o cinema pode ter no público.
Tanto que também estreou na HBO, poucas semanas antes da eleição de 2020, o documentário “Agents of Chaos”, em que investiga a interferência russa na vitória de Trump de 2016.
— Desde o início nosso desejo foi exibir “Sob total controle” antes da eleição.
As pessoas tinham o direito de saber para poderem escolher melhor — diz Ophelia.
— E nós procuramos a Casa Branca e os órgãos de saúde do governo para entrevistas, mas nunca nem responderam.
Sabemos que o GOVERNO TRABALHOU para SILENCIAR muita gente.
As pessoas tinham medo de sofrer REPRESÁLIA.
Precisávamos mostrar isso antes da eleição.
Espero que o brasileiros tenham a mesma oportunidade de entender como seu governo agiu.
Jovens na UTI já são maioria e necessidade de ventilação mecânica bate recorde
Total de internados em unidades de terapia intensiva sem comorbidades atinge maior patamar
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Pela primeira vez desde o início da pandemia da Covid-19, as internações em UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) de pessoas com menos de 40 anos são maioria absoluta.
Houve ainda um salto expressivo no número de pacientes graves com necessidade de ventilação mecânica e que não apresentam nenhuma comorbidade (como obesidade ou diabetes).
Os dados sugerem não apenas uma mudança do perfil dos doentes que necessitam de UTI, mas um agravamento do quadro geral dos pacientes em relação aos meses anteriores.
Em março, 52,2% das internações nas UTIs do Brasil se deram para pessoas até 40 anos; e o total de pacientes que necessitaram de ventilação mecânica atingiu 58,1%.
Ambas as taxas são recordes, segundo dados da plataforma UTIs Brasileiras, da Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira).
No caso da necessidade de aparelhos de ventilação, houve salto de quase 40% em relação ao patamar do final do ano passado.
Entre setembro de 2020 e fevereiro deste ano, o total de internados em UTIs que necessitavam desse tipo de equipamento variou entre 42% e 48%.
Já os pacientes graves sem comorbidades que agora acabam na UTI são praticamente 1/3 do total —até fevereiro os doentes graves sem condições adversas prévias eram 1/4 dos casos.
O novo marco da epidemia no Brasil sugere pelo menos três conclusões, segundo Ederlon Rezende, coordenador da plataforma UTIs Brasileiras e ex-presidente da Amib:
1) as novas variantes do vírus devem ser mais agressivas; 2) a falta de cuidado de parcelas da população pode estar afetando sobretudo os mais jovens; e 3) a imunização dos mais velhos tem ajudado a conter os casos graves entre os idosos.
Segundo a pesquisa, antes de os jovens serem a maioria dos internados nas UTIs em março, entre dezembro de 2020 e fevereiro último os até 40 anos representavam 44,5% do total —percentual quase idêntico ao de setembro a novembro.
De lá para cá, o aumento das internações nessa faixa mais jovem foi de 16,5%.
Como a imensa maioria dos brasileiros tem menos de 40 anos, o incremento, embora possa parecer modesto, engloba milhões de pessoas. A tendência sugere ainda que há espaço para um agravamento da situação.
No mesmo período de comparação (e na contramão), as internações de pessoas acima de 80 anos despencaram 42%. Elas representam agora apenas 7,8% do total, pouco mais da metade do que vinha sendo registrado anteriormente.
Na faixa de idades intermediárias, as internações em UTI permaneceram mais ou menos no mesmo patamar, somando cerca de 40% do total.
O levantamento da Amib é feito a partir de uma amostra expressiva, englobando 20.865 leitos de UTI no país, o que representa cerca de 25% de todas as unidades, sendo 2/3 privadas e 1/3 públicas.
“Embora os dados mostrem que a vacina pode estar tendo o efeito esperado entre os mais velhos já imunizados, eles também revelam que, ao se acharem imbatíveis, os jovens, muitos sem qualquer comorbidade, são agora as maiores vítimas da epidemia”, afirma Rezende.
Além de estarem se expondo mais em baladas e reuniões, há levantamentos e relatos de médicos na linha de frente dando conta de que os mais jovens, quando na UTI, ocupam por mais tempo os leitos —diminuindo o giro de vagas e contribuindo para saturar o sistema, como tem-se visto.
Com as novas variantes do vírus (como a P1), no entanto, não só as festas, frequentemente apontadas como as principais vilãs, podem estar por trás do aumento da infecção entre os mais jovens.
Com o fim do auxílio emergencial pago em 2020 (e que voltou só em abril e em proporção muito menor), muitas pessoas foram obrigadas a circular novamente atrás de alguma renda, sobretudo os informais —cerca de 34 milhões de pessoas, ou quase 40% da força de trabalho.
Em 2020, o auxílio emergencial foi pago entre abril e dezembro (R$ 600 ao mês a 66 milhões de pessoas) e foram empregados R$ 293 bilhões. A nova rodada (R$ 250 a 45,6 milhões) está prevista para durar apenas quatro meses e somar R$ 44 bilhões —15% do valor do ano passado.
No final de 2020, o contingente de informais na economia ainda era de 4,7 milhões de pessoas a menos do que um ano antes. Isso pode ser explicado porque, em função do auxílio emergencial robusto, muitos não estavam precisando sair de casa atrás de alguma renda.
Neste começo de 2021, isso mudou dramaticamente, levando milhares de informais a circularem novamente no pior momento da epidemia no Brasil.
Estudo: expectativa de vida do brasileiro cai quase 2 anos com pandemia

Do UOL, em São Paulo
10/04/2021 10h58
A pandemia reduziu em quase 2 anos a expectativa de vida do brasileiro ao nascer. A conclusão é de um estudo feito pela Universidade de Harvard, dos Estados Unidos. A redução exata foi de 1,94 ano. O Brasil é o segundo país em números de casos e de mortes em decorrência do novo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos.
O estudo "Redução na expectativa de vida no Brasil em 2020 após a Covid-19" foi liderado pelo Departamento de Saúde Global e População da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e publicado como pré-print, sem revisão de pares. O Departamento de Demografia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) também participou da pesquisa.
Brasil alcança 22,6 milhões de vacinados contra covid, 10,71% da população
Além da média nacional, o levantamento também mostrou os cenários por gênero e por Unidades Federativas (UFs). Para chegar a esses números, foram usados modelos matemáticos baseados no número total de mortes por covid-19 em 2020 no país, considerando o gênero e localidade das vítimas.
A queda da expectativa de vida ao nascer foi maior para os homens (1.98 ano) do que para as mulheres (1.82 ano). O resultado é 72% maior do que a redução estimada nos Estados Unidos.
O Distrito Federal teve uma queda de 3.68 anos na taxa, a maior no Brasil. De modo geral, as reduções foram altas também nos estados da região Norte. O líder na região é o Amapá, com queda de 3.62 anos na expectativa de vida, seguio de Roraima (3.43 anos) e Amazonas (3.28 anos).
O estudo também avaliou a expectativa de vida de pessoas com 65 anos. Nessa faixa etária, os homens (1.64 ano) também apresentaram maior redução na idade comparados às mulheres (1.46 ano). Ainda nessa faixa etária, as unidades federativas com maior redução na taxa foram novamente Distrito Federal (3.08 anos), Amapá (2.98 anos), Amazonas (2.92 anos) e Roraima (2.74 anos).
Em 2020, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer teve um aumento segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Uma pessoa nascida no Brasil em 2019 tinha expectativa de viver, em média, até os 76,6 anos, de acordo com dados divulgados no ano passado. Isso representa um aumento de três meses em relação a 2018 (76,3 anos). A expectativa de vida dos homens passou de 72,8 para 73,1 anos e a das mulheres foi de 79,9 para 80,1 anos.
EUA teve redução de 1 ano na expectativa de vida
País com maior número de casos e de mortes em decorrência da covid-19, os Estados Unidos também viu a expectativa de vida da população diminuir um ano no primeiro semestre de 2020, ainda nos primeiros meses da crise sanitária, para 77,8 anos.
As minorias foram as mais atingidas por essa redução: os negros perderam três anos e os latinos, quase dois anos, indicaram os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) governamentais em um relatório divulgado em fevereiro deste ano.
Para toda a população dos Estados Unidos, a expectativa de vida ao nascer era de 77,8 anos no primeiro semestre de 2020, um ano a menos do que em 2019, quando era de 78,8, de acordo com o CDC.
A esperança de vida registrada no primeiro semestre de 2020 é a mais baixa desde 2006, de acordo com o relatório, embora afirme que os números são provisórios, uma vez que os efeitos da pandemia ainda estão sendo contabilizados.
Os números "não refletem os efeitos completos da pandemia covid-19 em 2020 e outras mudanças nas causas de morte, como o aumento de mortes transitórias por overdose de drogas".
Pela 1ª vez, mortes pela covid no país superam a soma das outras doenças

Carlos Madeiro
Colaboração para o UOL, em Maceió
10/04/2021 04h00
O avanço da pandemia no Brasil fez com que a mortalidade pela covid-19 superasse, pela primeira vez, a soma de todas as mortes causadas por outras doenças em uma semana.
Os dados se referem à semana entre 28 de março e 3 de abril, quando os óbitos pela covid-19 responderam por 50,3% das mortes naturais no país, enquanto todas as outras doenças somadas responderam por 49,7%.
Covid-19: variante brasileira P.1 já é a segunda mais detectada nos EUA
Os números são dos cartórios de registro civil e têm como base a causa da morte informada nos registros de óbitos (documento necessário para emissão da certidão de óbito). Nessa soma não estão incluídas as mortes por causas externas, ou seja, acidentes, homicídios e suicídios.
A participação da covid-19 nas mortes naturais mais do que dobrou desde o início do ano. Na primeira semana de 2021, o percentual era de 23,2% —próximo ao registrado em 2020 (a partir de 16 de março): 19%.
A primeira vez que esse índice ultrapassou 30 pontos percentuais foi na nona semana do ano (de 28 de fevereiro a 6 de março), quando ficou em 33,9%. A partir dali, a média disparou.
Até agora, o dia com mais mortes no país foi 22 de março, com 3.042 óbitos. O recorde de 2020, registrado em 21 de julho, era de 1.075 mortes pela covid-19.
Os dados dos cartórios classificam as mortes ocorridas em cada dia, diferentemente dos números apresentados pelo Ministério da Saúde e pelo consórcio de imprensa, do qual o UOL faz parte, que leva em conta as confirmações de óbitos naquela data pelas secretarias estaduais e traz muitas mortes ocorridas em dias anteriores, mas apenas confirmadas naquela data.
Principais causas de morte (28/3 - 3/4)*:
- Covid-19 - 16.558
- Pneumonia - 2.084
- Septicemia - 2.002
- Causas cardíacas inespecíficas - 1.454
- AVC (Acidente Vascular Cerebral) - 1.290
- Infarto - 1.263
- Insuficiência respiratória - 1.104
- Indeterminada - 108
- Outras causas - 7.036
- Total sem covid - 16.341
* Dados até 9/4 e sujeitos a novas inclusões
Os números dessa semana, entretanto, ainda terão pequenas ampliações, já que leva até 15 dias para os registros serem inseridos no portal da transparência da Arpen/Brasil (Associação Brasileira de Registradores de Pessoas Naturais).
"Eu não tenho notícia de uma doença que tenha causado mais de 50% das mortes em um único mês [no Brasil]. É realmente surpreendente que a gente tenha um predomínio tão grande de mortes causadas por uma doença que é prevenível", afirma a médica e pesquisadora Fernanda Grassi, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) na Bahia.
Segundo ela, o índice alcançado pelo país é fruto de uma sucessão de erros e omissões nas ações de combate à pandemia. "Destaco mais o que não foi feito. Nós já estamos assistindo desde outubro do ano passado um aumento progressivo do número de casos e também de mortes. Há algum tempo deveriam ter sido tomadas medidas mais drásticas de restrição da mobilidade, de fechamento de serviços não essenciais. Isso na realidade nunca foi feito de maneira séria no país", diz.
Grassi ainda alerta que a curva ascendente do país deixa claro que abril deve ser ainda mais trágico.
O número de casos vem aumentando. O número de pacientes que estão esperando uma vaga na UTI está aumentando em quase todas as capitais. A epidemia está fora de controle. O cenário é catastrófico em todo o país.
Fernanda Grassi, pesquisadora da Fiocruz
Rondônia líder
O estado que registra o percentual mais alto de mortes por covid-19 na semana passada é Rondônia, que desde fevereiro enfrenta colapso do sistema de saúde. Entre 28 de março e 3 de abril, a covid-19 representou 64,6% de todos os óbitos por causas naturais.
Uma das vítimas foi o comerciante Wilson Thurmann, 59, de Nova Brasilândia D'Oeste. A morte do dono de uma sorveteria causou comoção na cidade.
Segundo a prefeitura, o microempresário morreu no dia 31 de março devido ao agravamento da doença, mas ele "aguardava na fila por uma vaga na UTI" (Unidade de Terapia Intensiva).
No estado, pacientes esperam vagas para serem internados e muitos não resistem. No final de fevereiro, o secretário de Saúde, Fernando Máximo, fez um apelo em tom firme, dizendo aos que teimavam em descumprir o isolamento que o estado não tinha "vaga para internar sua mãe".
Outra morte que causou comoção na semana foi a do professor universitário e jurista Stênio Castiel Gualberto, em 28 de março, em Porto Velho. "Ele era muito querido pela comunidade universitária e doutorando em ciência jurídica", lamentou, em nota, a Faculdade Católica de Rondônia, onde ele era coordenador do curso de direito.
Mais de 500 mil pessoas que receberam a 1ª dose da vacina contra a Covid no Brasil não tomaram a 2ª
Taxa do chamado abandono vacinal no país é de 14%; no Amazonas, índice é o pior e chega a 31%
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Mais de meio milhão de pessoas que receberam a primeira dose da Coronavac no início da vacinação no Brasil não retornaram para receber a segunda dose do imunizante, o que, de acordo com cientistas, pode comprometer a proteção da vacina.
Os dados tabulados pela Folha revelam um abandono vacinal de 14,13% no caso da Coronavac. Abandono vacinal é o nome técnico para o percentual de vacinados que iniciam o esquema vacinal e não o finalizam por diferentes motivos.
O levantamento olhou apenas para a Coronavac porque o intervalo entre doses do imunizante de Oxford/Astrazeneca é de 90 dias —as taxas de abandono dessa vacina, portanto, só podem ser calculadas a partir do final deste mês.
A Coronavac é a principal vacina contra Covid-19 aplicada no país. No primeiro mês de aplicação dos imunizantes, 7 em cada 10 vacinados receberam a vacina produzida pelo Instituto Butantan.
Em Roraima e no Amazonas, a quantidade de pessoas que tomaram apenas a primeira dose da Coronavac e não voltaram para receber a segunda passa de 25%. As menores taxas de abandono da vacina estão em Alagoas e no Rio Grande do Norte, ambos abaixo de 7% (veja infográfico). Os números foram extraídos do DataSUS, sistema de informações do Ministério da Saúde.
No primeiro mês de vacinação no país —de 17 de janeiro a 17 de fevereiro—, 4 milhões de brasileiros receberam a primeira dose da Coronavac. São pessoas de grupos prioritários como povos indígenas e quilombolas, trabalhadores da saúde, idosos e outros perfis definidos no Plano Nacional de Vacinação da Covid-19, com adaptações de estados e municípios.
A segunda dose teria de ser ministrada até 28 dias após a primeira. A autorização emergencial da Anvisa para Coronovac define a aplicação da segunda dose em um intervalo de 14 a 28 dias após a primeira etapa da imunização.
Até a última quinta (8), ou seja, mais de 45 dias após o primeiro mês de vacinação no Brasil, 562,2 mil desses vacinados não haviam retornado para receber a segunda dose da Coronavac.
A Folha conversou com cientistas e com o Instituto Butantan para entender os possíveis impactos na imunização de quem só tenha tomado a primeira dose da vacina. A resposta comum é que não há, ainda, nenhum estudo científico publicado que analise a proteção com uma dose única da Coronavac.
O que se sabe hoje é que o organismo leva uma média de duas semanas após a segunda dose das vacinas para construir seu escudo protetor contra a Covid-19.
Algumas pesquisas já sinalizaram proteção contra a doença após a primeira dose de outros imunizantes.
No caso da Oxford/Astrazeneca, a proteção contra o vírus começa em torno de 21 dias depois da primeira dose (a segunda aplicação tem um papel de prolongar a proteção adquirida).
Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, que produz a Coronavac, tem insistido em entrevistas para a imprensa que é melhor receber a segunda dose com algum atraso de até duas semanas do que não recebê-la. Ou seja: quem passou dos 28 dias após a primeira parte da vacina ainda deve requerer a dose faltante.
Segundo o virologista Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, atrasar uma ou duas semanas na aplicação da segunda dose não deve ter um efeito importante. "Acima disso é preciso ter estudo", diz.
"Na prática, não sabemos até quando dá pra esperar para tomar a segunda dose da Coronavac", diz a microbiologista e pesquisadora da USP Natália Pasternak.
O rastreamento dos vacinados no Brasil pode ser feito no DataSUS porque cada pessoa imunizada é registrada no sistema com um código de identificação, no qual há informações sobre idade, dose da vacina recebida e a qual grupo prioritário pertence. Não há, claro, informações pessoais sobre cada vacinado que permitam identificá-lo.
Os dados mostram que 7 em cada 10 vacinados que abandonaram a trajetória vacinal têm menos de 60 anos --são, sobretudo, profissionais de saúde (especialmente técnicos e profissionais de enfermagem) e indígenas.
Depois desse grupo, quem mais não recebeu a segunda dose da vacina foram os idosos com mais de 80 anos: eles são 2 em cada 10 vacinados que não tomaram a segunda dose. Já a população entre 60 e 80 anos teve a maior adesão.
“Nenhum percentual de abandono é OK. Temos que tentar chegar muito perto do 0 ou, no máximo, 1%”, diz Pedro Hallal, epidemiologista, professor da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas e coordenador do estudo Epicovid-19.
O abandono vacinal era uma preocupação de especialistas no país antes mesmo da pandemia.
Reportagem da Folha já havia mostrado que a taxa de vacinados que desistiram no percurso cresceu 47,6% nos últimos cinco anos. Passou de 15,8% em 2015 para 23,4% no ano passado.
Essas taxas eram calculadas no Brasil para nove vacinas, como a meningocócica C (com duas doses) e a poliomielite (com três doses).
Questionado sobre a sobre as taxas de abandono vacinal contra Covid-19, o Ministério da Saúde afirmou em nota que a estratégia de imunização da Coronavac foi definida entre União, estados e municípios para acelerar e ampliar a vacinação no país.
"A pasta esclarece que, semanalmente, coordena reuniões com as gestões de saúde estaduais e municipais para definir a orientação adotada a cada nova distribuição, para o cumprimento da imunização completa, com primeira e segunda dose. O ministério informa, ainda, que depende do registro das aplicações das vacinas pelos estados para divulgação das doses utilizadas nos grupos prioritários e para um acompanhamento mais efetivo da campanha de vacinação."
Nos EUA, de acordo com o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), 88% dos americanos que tomaram a primeira dose receberam também a segunda dose no intervalo adequado de tempo.
Dentro desses 12% faltantes, no entanto, somente 3,4% das pessoas perderam a segunda dose no prazo indicado. No momento da análise, 8,6% ainda não tinham tomado a segunda dose mas estavam dentro do intervalo adequado para tal.
Ao todo, 12,4 milhões receberam a primeira dose das vacinas da Moderna ou da Pfizer/BioNTech entre dezembro e meados de fevereiro.
Os autores das análises afirmam que a situação aparentemente positiva deve ser vista com cautela, porque conforme crescem os grupos prioritários a aderência ao intervalo recomendado entre as doses pode diminuir.
Colaborou Phillippe Watanabe
Em apoio à CPI da covid, Renan Calheiros chama Bolsonaro de 'charlatão'
Do UOL, em São Paulo
09/04/2021 23h39
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) chamou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de "charlatão" e manifestou apoio à instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), determinada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso para investigar ações do governo federal durante a pandemia da covid-19.
"As pessoas perguntam na rua: 'quantas mortes poderiam ter sido evitadas se o governo tivesse acertado a mão?' Essas questões têm que ser levadas na CPI. O presidente da Republica deu uma de charlatão, prescreveu remédios, defendeu a cloroquina, teria mandado fabricar... e isso tudo é passível de investigação", disse Calheiros, em entrevista à CNN Brasil.
Barroso concedeu uma decisão liminar sobre um mandado de segurança apresentado pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO) determinando a instauração da comissão. Mais tarde, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou ser contra a CPI neste momento, mas disse vai cumprir a determinação.
A decisão monocrática do ministro Barroso será levada a plenário para apreciação dos demais ministros da Corte no dia 16 de abril, em julgamento virtual.
A decisão de Barroso gerou forte reação de apoiadores de Bolsonaro e membros do governo. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, falou em "politização e caos".
Durante conversa com apoiadores, na manhã de hoje, Bolsonaro disse que falta "coragem moral" e sobra "imprópria militância política" a Barroso, que ontem monocraticamente determinou a instalação da CPI. Ele ainda reclamou que a decisão não engloba investigação sobre governadores.
À CNN, Calheiros disse ainda que Bolsonaro parece avesso a investigações e age ameaçando as pessoas, segundo ele.
"Esse governo mais do que outros parece ser completamente avesso à investigação e age dessa maneira, ameaçando, como Bolsonaro fez hoje. Não é assim que se procede", pontuou.
Reportagem: Juliana Dal Piva - STJ nega recurso do MPF para reavaliar quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro

Juliana Dal Piva
Colunista do UOL
10/04/2021 11h59
O vice-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Jorge Mussi, negou ontem o envio do recurso apresentado pelo Ministério Público Federal para o STF (Supremo Tribunal Federal) para rediscutir a decisão da 5ª Turma da Corte que anulou a quebra de sigilo bancária e fiscal do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e outros investigados no caso da "rachadinha", autorizada em 2019 pela 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
O MPF ainda pode apresentar um agravo contra a decisão de Mussi e ainda há outro recurso apresentado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que também pede a revalidação das provas, que ainda aguarda análise do STJ para envio ao Supremo. "O MPRJ aguarda o resultado do recurso interposto pela instituição, ainda não apreciado", afirmou a instituição, em nota, à coluna.
Corpos encontrados em barco à deriva no CE ainda são mistério para polícia
Na decisão, o ministro Jorge Mussi, escreveu que no julgamento da 5ª Turma "conclui-se que foi utilizada motivação suficiente para solucionar a controvérsia". O magistrado também não avaliou que existia uma questão constitucional para remeter o recurso ao STF.
O recurso extraordinário tinha sido apresentado em meados de março pelo subprocurador-geral Roberto Luis Oppermann Thomé, que atua no STJ, para que o caso fosse avaliado no STF (Supremo Tribunal Federal). Alguns dias depois, o MP-RJ apresentou outro recurso.
Por 4 votos a 1, em 22 de fevereiro deste ano, os ministros do STJ consideraram que faltou fundamentação na decisão do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. Os magistrados criticaram o fato do juiz ter decidido com apenas um parágrafo de cinco linhas em que fazia referência aos dados apresentados no pedido dos promotores.
Desde a decisão do STJ, o MP-RJ avalia o caso. Os dados financeiros da quebra de sigilo foram importantes para basear a denúncia apresentada pelo MP-RJ contra o senador, Queiroz e outras 15 pessoas no Órgão Especial do TJ-RJ.
Dados da quebra de sigilo
Além de recorrer da decisão, outra iniciativa pode ser pedir novo pedido de quebra de sigilo junto ao TJ. Se o relator autorizar a medida, fundamentar corretamente a razão da quebra, os dados financeiros poderiam ser utilizados novamente. A questão jurídica que pode ficar em discussão será a partir das provas que tinham sido obtidas anteriormente em função das informações que estavam nas quebras.
A medida cautelar de quebra de sigilo foi decidida em abril de 2019 e os dados obtidos foram amplamente utilizados pelo MP para fazer busca e apreensão em mais de 20 endereços no fim daquele ano. Foi quando os promotores arrecadaram os celulares de diversos alvos.
Já em junho do ano passado, parte dessas informações das quebras e dos celulares foi usada no pedido de prisão de Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema, e sua mulher, Márcia Aguiar. Mais tarde, em outubro, as informações das quebras e das buscas também estiveram em diversas páginas da denúncia oferecida contra o senador por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
SUS começa a imunizar contra a gripe na segunda, 12; veja quem pode ser vacinado
Luiz Carlos Pavão
09/04/2021 21h49
Em meio à pandemia de coronavírus e com parte da atenção voltada para a imunização contra a covid-19, a campanha nacional de vacinação contra o vírus influenza, da gripe, começará no dia 12 de abril por meio do Sistema único de Saúde (SUS). A meta do Ministério da Saúde é imunizar 79,7 milhões de pessoas que fazem parte dos grupos prioritários até 9 de julho.
Na rede privada, a vacina já está disponível desde o fim de março em grande parte das clínicas de vacinação, de acordo com a Associação Brasileira das Clínicas de Vacina (ABCVAC). A aplicação é oferecida a todos a partir dos seis meses de vida, se não houver contraindicações médicas. Já o cronograma do Sistema Único de Saúde (SUS) será composto por três etapas.
Veja abaixo perguntas e respostas sobre a campanha:
Quem já pode receber a vacina contra a gripe?
Crianças entre seis meses a seis anos, gestantes, puérperas, população indígena e trabalhadores da saúde serão os primeiros a serem vacinados.
A partir do dia 11 de maio, será a vez dos idosos acima de 60 e professores.
Em 9 de junho, a vacina será aplicada em pessoas com comorbidades e deficiência, caminhoneiros, trabalhadores portuários e de transporte coletivo, profissionais das forças armadas, de segurança e salvamento, população privada de liberdade e jovens sob medidas socioeducativas.
Por que devo ser vacinado contra a gripe?
No momento em que o sistema de saúde sofre pressão pela alta demanda de casos de covid e síndrome aguda respiratória, a vacinação contra a gripe é recomendada por especialistas para evitar o aumento no número de hospitalizações.
Ao tomar a vacina, você evita complicações de uma gripe e a chance de idas e vindas a hospitais, em um momento que o sistema de saúde está sobrecarregado e a força de trabalho, saturada.
"Imagina que já começamos a estação com hospitais lotados, se eles ainda tiverem que lidar com mais casos de internação (por complicações da gripe) vai ser ainda mais complicado", diz Geraldo Barbosa, presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (Abcvac).
Onde posso receber a vacina contra a gripe?
No Estado de São Paulo, mais de 4 mil postos de vacinação fixos e volantes do SUS estarão preparados para aplicar as doses contra a gripe nos grupos prioritários e conduzir, simultaneamente, a campanha contra a covid-9.
Na capital paulista, 468 escolas e unidades de educação estarão abertas exclusivamente para a aplicação da vacina contra a influenza, com a devida sinalização. Paralelamente, os grupos prioritários também poderão atualizar a caderneta de vacinação para a poliomielite, sarampo, febre amarela, rotavírus e a imunização pentavalente (tétano, difteria, hepatite b, coqueluche e meningite).
É seguro ir ao posto tomar vacina contra a gripe em meio à pandemia de covid?
É importante salientar que a vacinação contra a gripe deve ocorrer em sala distinta da usada para a imunização contra o coronavírus. As regras de distanciamento e higienização devem ser respeitadas.
"É preciso ter mais locais de vacinação, como tendas e estruturas para que não haja aglomeração, distanciamento bem estabelecido, profissionais muito informados em relação a isso", diz Mônica Levi, médica e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
"É recomendado também que se marque no chão o distanciamento entre as pessoas para aguardar a vacinação, com cadeiras distantes e aguardar nos espaços externos para que se respeite um distanciamento mínimo de 1,5 metro, além de álcool em gel e locais com água e sabão para higienização das pessoas."
Posso tomar a vacina da gripe com a vacina contra a covid?
A vacinação contra a covid deve ser priorizada. Quem tomou o imunizante contra o coronavírus deve esperar pelo menos 14 dias para receber a dose contra o influenza.
Mônica Levi recomenda que a vacinação contra a covid-19 seja separada por duas semanas de qualquer outra vacina. "Não é nada especificamente relacionado à vacina da gripe, é porque nenhuma das vacinas contra a covid foram estudadas e aplicadas simultaneamente com qualquer outra vacina, então a gente não pode dizer que não há interação ou aumento da probabilidade de algum efeito adverso".
"E é importante atentar, como são duas doses de vacina (da covid), para aqueles que receberam a Coronavac e vão ter a segunda dose marcada daqui a 3 ou 4 semanas, que a pessoa não está livre para tomar a da gripe a qualquer momento, pois a gente tem que considerar a data agendada da segunda dose para manter esse intervalo. Não é só da primeira, é de qualquer dose. Então, se houver sobreposição do período de vacinação contra a gripe para os idosos, deve-se priorizar a da covid, respeitando sempre o intervalo de duas semanas para qualquer dose e não atrasar a vacinação contra a covid", afirma.
Posso tomar a vacina contra a gripe se estiver com covid?
Pessoas que estão com covid ou que contraíram a doença há menos de 28 dias devem adiar a vacinação contra a influenza.
As equipes de saúde estão orientadas a fazer uma triagem para identificar paciente com sintomas respiratórios, como tosse, coriza e falta de ar. Quem apresentar apenas tosse ou coriza poderá ser vacinado, com a orientação de procurar um serviço de saúde. O imunizante não deverá ser aplicado em pessoas com febre ou quadro geral de mal-estar.
Há contraindicação para a vacina da gripe?
Segundo Mônica, a vacina da gripe não deve ser aplicada em quem já apresentou algum episódio de hipersensibilidade grave a algum dos componentes da vacina ou a uma dose anterior: "Pessoas que tenham reações anafiláticas também não devem receber doses posteriores".
Por essa razão, o esquema de vigilância de efeitos adversos deve ser rígido e o intervalo de aplicação de diferentes imunizantes, obedecido. "Se a pessoa tomar alguma outra vacina junto com a contra a covid e tiver algum evento adverso mais grave, não será possível saber a qual vacina atribuir. Por isso é recomendado mundialmente que as vacinas contra a covid não sejam administradas simultaneamente com qualquer outro imunizante. No Brasil, o Ministério da Saúde determinou 14 dias de intervalo", explica.
Quantas pessoas serão vacinadas contra a gripe?
A meta do Ministério da Saúde é imunizar 79,7 milhões de pessoas que fazem parte dos grupos prioritários até 9 de julho. No setor privado, a expectativa da Abcvac é que as clínicas imunizem cerca de 10% da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Imunização (PNI) - cerca de 8 milhões de pessoas.
As vacinas contra a gripe oferecidas pela rede pública e privada são iguais?
As vacinas oferecidas pela rede privada são tetravalentes, ou seja, protegem contra quatro subtipos do vírus influenza: dois subtipos A e dois subtipos B. Já o imunizante contra a gripe oferecido pelo Ministério da Saúde, é trivalente, produzida pelo Instituto Butantan.
A vacina da gripe é aplicada em diferentes doses?
Não. A vacina da gripe deve ser aplicada uma vez ao ano, já que o vírus influenza sofre constantes mutações, e apenas em uma dose.
Onde encontro a vacina contra a gripe na rede particular?
O Grupo DPSP, das Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, antecipou a campanha de vacinação contra os vírus causadores da gripe. A empresa afirma que os imunizantes podem ser encontrados em 25 lojas das redes em São Paulo e no Rio de Janeiro. Além disso, oferecerá o serviço para empresas e condomínios, com condições especiais para vacinação de grupos e equipe de farmacêuticos que poderão se deslocar até o local.
"É fundamental que a população se mantenha imunizada contra os vírus causadores das gripes comuns, o que se mostrou ao longo de 2020 uma ferramenta importante no apoio ao diagnóstico mais ágil de covid-19", afirma Maria Lemos, gerente de serviços e operações de saúde do grupo. De acordo com a empresa, a vacina custa a partir de R$ 99 para clientes do programa de relacionamento.
Já a clínica Prophylaxis, de Curitiba, aposta na vacinação domiciliar. "A nossa clínica é especializada na vacinação em domicílio e em condomínios. Para estimular e dar maior praticidade aos nossos clientes, trabalhamos com valores diferenciados no atendimento aos condomínios, com modelos de drive-thru, aplicação nos apartamentos ou em espaços adequados para prática da vacinação do condomínio", diz Naiara Vilhena, proprietária da Prophylaxis na capital paranaense.
A Lello Condomínios, que atua em SP, registrou pelo menos duas iniciativas por parte de moradores para vacinação em grupo contra a gripe. O primeiro, localizado na Vila Leopoldina, na capital paulista, vacinou 370 moradores e 28 colaboradores - assumindo o custo para vacinar os funcionários, entre cerca de 350 apartamentos. E, em Osasco, outro residencial da rede vacinou 60 pessoas de um total de aproximadamente 400 apartamentos.
No condomínio Park Avenue, em Higienópolis, na capital paulista, uma iniciativa de moradores realizada há cinco anos foi intensificada em 2021 pelo intervalo de vacinação necessário entre a vacina da covid e outras vacinas. "As pessoas gostam, pois é muito confortável, ainda mais com o problema da pandemia, fizemos ao ar livre, sem aglomeração, com todos os protocolos de segurança", diz Sylvia Regina Pacheco, moradora do local e organizadora do projeto.
Sylvia ainda ressalta que a vacinação em grupo se torna mais vantajosa financeiramente. "Com esta empresa que nos prestou serviço, a clínica Imunobaby Vacinas, na aplicação para mais de 30 pessoas é possível economizar no preço da dose. Neste ano pagamos R$ 85, no Einstein a vacina estava por R$ 200, então é uma diferença muito generosa, vale a pena, o que é mais um incentivo para que as pessoas aproveitem e se vacinem nesta ação que realizamos anualmente."
Análise: Leonardo Sakamoto - Com recorde de morte e de desmatamento, Bolsonaro é ameaça biológica global


Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
10/04/2021 08h57
O governo Bolsonaro bateu dois recordes neste 9 de abril: o maior número de mortos registrados em uma sexta-feira, 3.647, e o maior desmatamento da Amazônia registrado para um mês de março desde o início do atual monitoramento em 2015: 367,61 km².
Ambos não são consequência da ausência do Estado. Pelo contrário, apresentam-se como indicadores de uma ação sistemática de sabotagem do poder público no combate à pandemia e no enfrentamento à destruição da maior floresta tropical do mundo.
Desde que a covid-19 chegou por aqui, o presidente da República menosprezou a doença, atacou o uso de máscaras e o isolamento social e não só demorou para comprar vacinas como fez uma campanha pessoal para desacreditar o imunizante - o que fará com que o vírus circule e mate por aqui por muito mais tempo.
E ele foi eleito com o apoio de pecuaristas, madeireiros e garimpeiros que operam de forma ilegal, sem contar os grileiros de terra. E conta com o suporte do naco anacrônico e predatório do agronegócio. Com a ajuda de seu ministro do Meio Ambiente, tem enfraquecido a fiscalização e passado a boiada em um ataque sem precedentes às leis e regras que protegem a floresta e sua gente.
Esses dois números, de mortes e desmatamento, vêm a público por resiliência. Após o Ministério da Saúde derrubar a transparência dos dados sobre covid-19, no ano passado, um consórcio formado por veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, começou a se dividir para coletar e calcular diariamente os casos e mortes.
Ao mesmo tempo, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pelo sistema de monitoramento de desmate, sofreu duros ataques de Bolsonaro e seus auxiliares militares, que acusaram os dados de satélites de serem falsos. O embate levou, inclusive, à demissão do presidente do instituto, o cientista Ricardo Galvão, em agosto de 2019.
A destruição da Amazônia tem um agravante, além daqueles já conhecidos, que é o de liberar vírus mortais que ainda não conhecemos, originando mais pandemias, como acontece na Ásia.
Não à toa o mundo civilizado nos olha com cara de nojo, pensando duas vezes se vale a pena colocar dinheiro em um local que ameaça a saúde do resto do planeta de tantas formas diferentes. Pois esses patamares não são alcançados apenas com omissão e incompetência, mas são resultado de um projeto.
E Bolsonaro nunca escondeu esse projeto. Em um jantar nos Estados Unidos, em março de 2019, prometeu: "O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa. Para depois nós começarmos a fazer. Que eu sirva para que, pelo menos, eu possa ser um ponto de inflexão, já estou muito feliz".
O problema é que a felicidade de um está custando o presente e o futuro de 210 milhões.
Reportagem: Leonardo Sakamoto - Senador que retirar apoio para CPI será cúmplice de genocídio, diz Randolfe


Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
09/04/2021 17h47
A reação do presidente Jair Bolsonaro à decisão do ministro Luiz Roberto Barroso, que mandou o Senado instalar a CPI da Pandemia, é um indicativo de que ele sentiu o baque e está com medo do que pode revelar uma investigação sobre o que seu governo fez diante da covid-19. A avaliação foi feita à coluna por Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição na casa.
"Barroso simplesmente disse para que a lei fosse cumprida. Mas a reação dele foi desproporcional. Com isso, Bolsonaro acaba nos dando um poder maior do que aquele que temos", avalia. "Ou seja, sentiu."
A instalação de uma comissão parlamentar de inquérito com o objetivo de apurar ações e omissões do governo federal durante a pandemia contava com mais assinaturas do que o necessário para a sua instalação.
Contudo, ela seguia na geladeira devido ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), sob a justificativa de que ela criaria mais problemas em meio à pandemia. A oposição e membros de partidos do centrão acusavam-no de estar a serviço do governo ao segurar a CPI.
O ministro Barroso, do Supremo Tribunal Federal, atendeu a um pedido dos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e ordenou que a comissão fosse instalada. Isso irritou Bolsonaro, que afirmou que "falta coragem moral para o Barroso e sobra ativismo judicial". Também disse que "falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política", entre outras acusações.
Randolfe acredita que o presidente da República pode tentar forçar a retirada de assinaturas para inviabilizar a instalação da comissão. Ao todo, 32 senadores ratificaram o pedido, cinco a mais que o necessário. Um deles foi o Major Olímpio, terceiro senador morto por covid-19.
"A história vai escrever as páginas destes dias tristes, vai falar sobre a responsabilidade de Bolsonaro, vai contar que tentou-se instalar uma comissão para investigá-lo. Quem retirar o seu nome do pedido da CPI vai se inscrever no painel da infâmia da história como cúmplice de genocídio", afirma Randolfe.
Outra possibilidade, segundo ele, é, uma vez instalada, apoiadores do governo buscarem uma composição favorável de membros. O líder da oposição avalia que isso também não será fácil. E afirma que, no Senado, não há tantos apoiadores estridentes de Bolsonaro como na Câmara dos Deputados. "Não é como a CPMI das Fake News, em que ele mete a tropa de choque e segura", diz.
Por fim, Randolfe avisa que o governo pode tentar dificultar a realização dos trabalhos da comissão. Mas, segundo ele, há uma pandemia mortal em curso e a sociedade pede respostas urgentes do governo a ela, que passam por entender o motivo e os culpados pelo bloqueio de medidas para salvar vidas.
De acordo com ele, o presidente por tentar usar cortinas de fumaça e desferir ataques para excitar sua base de apoiadores na sociedade, chamando-a para defendê-lo.
"Isso, contudo, só vai demonstrar mais descontrole da parte dele. A queda de aprovação nas pesquisas de opinião mostra que sua base vem se mostrando menos resiliente do que parecia. Ele está perdendo base e se entrincheirando cada vez mais", avalia.
"Muitas pessoas que o apoiavam já começaram a perguntar 'Meu irmão, quando você vai começar a governar?' Porque há gente passando fome, gente morrendo", afirma.
Análise: Leonardo Sakamoto - Por 9 a 2, STF opta pela Constituição em vez da bíblia na pandemia


Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
08/04/2021 19h08
Por Eloísa Machado, especial para a coluna*
Uma decisão monocrática processualmente controversa e juridicamente questionável bagunçou o coreto no Supremo Tribunal Federal (STF), monopolizando a pauta de julgamentos da semana e criando embates entre ministros
A liminar de Kassio Nunes Marques impedia quaisquer restrições a locais de culto, independentemente da situação da pandemia de covid-19, contrariando decisão prévia do próprio tribunal que dava este poder a prefeitos e governadores.
O ministro Gilmar Mendes, por sua vez, deu decisão em sentido contrário em outra ação, criando uma quase inédita situação de duas decisões conflitantes e em vigência oriundas da mesma corte.
O tema foi resolvido. O plenário do STF decidiu (mais uma vez), e pelo placar de 9 votos a 2, que é possível a gestores locais manterem restrições ao funcionamento de igrejas, templos e outros locais de cultos durante as fases mais agudas da pandemia.
O julgamento pode ser analisado em três pontos: 1) a proporcionalidade das restrições à liberdade religiosa; 2) as exigências de saúde pública durante uma pandemia fora de controle; 3) a anunciação dos setores conservadores em disputa no Supremo Tribunal Federal.
A maioria dos ministros corroborou, mais uma vez, que nenhum direito fundamental é absoluto. Por mais que tenha havido a tentativa de alçar a liberdade religiosa a um status privilegiado frente aos demais direitos, o tribunal reconheceu que a liberdade religiosa - que inclui a liberdade de não crer em nenhum elemento místico - se comporta como os demais direitos, permitindo, portanto, restrições proporcionais.
O direito à liberdade religiosa não é um direito fundamental maior do que os outros e não pode sê-lo, na medida em que pessoas que não creem e não exercem qualquer prática religiosa não podem ser consideradas pessoas com menor dignidade. As crenças religiosas são assuntos privados, e nessa dimensão merecem respeito, mas não são razões suficientes para mobilizar ou orientar a elaboração de políticas públicas.
Por isso, o STF entendeu que a existência de uma pandemia mortal e absolutamente fora de controle no país justifica a restrição proporcional ao exercício da liberdade religiosa em cultos coletivos, em locais fechados e com aglomeração, cientificamente reconhecidos como propagadores do vírus.
Aqui, a saúde pública é razão jurídica suficiente para restringir temporariamente a fruição da liberdade religiosa em igrejas e templos. Afinal, durante uma pandemia, uma série de direitos foram acomodados para garantir a sobrevivência da espécie humana.
Não é lícito ao Estado, por qualquer de um dos seus Poderes, seja o Executivo ou Legislativo ou Judiciário, adotar medidas irracionais para combater a pandemia de covid-19. Optar por medidas que contrariam evidências científicas é cometer erro crasso, implicando responsabilização pelos danos decorrentes da implementação de uma política negacionista.
Ou seja, se as medidas sanitárias para combater a pandemia exigirem a restrição ao funcionamento de locais de culto, assim será feito, a partir de evidências científicas, de forma proporcional, pelos gestores locais, como tem reiteradamente decidido o STF.
Foi possível notar um desconforto dentre os ministros em revisitar decisões já tomadas para dizer o óbvio: o país ruma aos 400 mil mortos e nem o negacionismo, nem o direito à morte, têm amparo na Constituição Federal.
Da questão do uso da cloroquina à vacinação, do custeio federal de leitos de UTI ao endosso a medidas sanitárias, o Supremo tem afastado - com grande custo - a agenda negacionista de Bolsonaro.
Dessa vez, o negacionismo científico foi levado ao tribunal por setores conservadores religiosos que não disfarçaram suas intenções de capturar a razão pública a partir da lente religiosa. Acostumados aos bastidores, esses setores religiosos ocuparam a tribuna e usaram trechos da bíblia como argumento - e até como ameaça. A Constituição, que é bom, foi quase esquecida.
Para esses defensores da liberdade religiosa absoluta, a religião substitui o Estado. É o templo e a autoridade religiosa que decidirão aglomerar ou não fieis, independentemente das consequências sanitárias.
A sustentação-pregação de advogados particulares - e públicos, pasmem - sensibilizou o ministro Kassio Nunes Marques, que em seu voto chegou a delegar às religiões a missão de assistência social e promoção de saúde mental, como se essas não fossem direitos constitucionais garantidos através de políticas públicas.
O voto dele foi comemorado pelo presidente da República em redes sociais.
Felizmente, Nunes Marques ficou vencido, acompanhado apenas de Dias Toffoli. Em breve, terão companhia de outro ministro terrivelmente indicado por Jair Bolsonaro.
(*) Eloísa Machado é professora da FGV Direito-SP e coordenadora do centro de pesquisas Supremo em Pauta.
Opinião: Leonardo Sakamoto - Bolsonaro pede para 'não chorar o leite derramado' diante de 341 mil mortos


Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
07/04/2021 20h07
"Não vamos chorar o leite derramado", afirmou Jair Bolsonaro nesta quarta (7). É surpreendente a naturalidade com a qual ele chama uma montanha com 341.097 cadáveres de "leite derramado".
Apenas nas últimas 24 horas "derramaram-se" mais 3.733. Ou melhor, ele ajudou a derramar.
Mas não é a primeira vez que o presidente atinge em cheio, com suas declarações, quem está de luto em decorrência da covid-19. "Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?" é outro exemplo, dado no dia 4 de março, em São Simão (GO),
Segundo ele, medo da covid é coisa de "maricas" por que "todos nós vamos morrer um dia". Sim, vamos. Mas ele não precisa apressar esse dia D e essa hora H.
Bolsonaro poderia ter ido pelo caminho racional de enfrentamento à pandemia, como o resto do mundo civilizado. Preferiu abraçar o obscurantismo, satisfazendo a sua base mais fiel, que mantém sua popularidade longe da faixa de impeachment.
Adotar o caminho sensato obrigaria Jair a sentar-se para articular o enfrentamento da doença com governadores e prefeitos que são seus adversários políticos. Sua natureza bélica nunca permitiria isso. Ele ama a guerra.
O próprio resumiu isso muito bem quando foi questionado sobre a defesa que fazia da "pílula do câncer", um remédio sem eficácia para o tratamento da doença - sim, a cloroquina e o vermífugo não foram seus primeiros lances de charlatanismo.
"Sou capitão do Exército, a minha especialidade é matar, não é curar ninguém. Mas apresentei junto com mais alguns colegas e aprovamos", afirmou em junho de 2017.
O presidente gastou seu português nesta quarta para repetir, mais uma vez, que "não vai ter lockdown". Nem precisaria dizer. Com o auxílio emergencial de fome que está pagando, entre R$ 150 a R$ 375, as pessoas não vão conseguir ficar em casa para evitar o vírus.
Apesar das insinuações de que usaria o que chama de "meu exército" contra o isolamento social, a sabotagem do lockdown está vindo como decorrência de seu governo ter criado fome através do atraso no pagamento do benefício e do seu tamanho pífio.
O presidente negou à população o direito à vida a partir do momento em que passou a defender o contágio amplo e rápido de toda a sociedade como forma de criar imunidade contra o vírus. As famílias de 341.097 brasileiros certamente discordam disso.
Mas com declarações como a de hoje, ele nos lembra que também nega o direito à morte com dignidade. Não apenas com a falta de vacinas, de oxigênio, de leitos, de medicamentos para intubação, mas com mortos sendo encarados como danos colaterais que precisam ser ignorados por um bem maior. No caso, sua reeleição.
Após a declaração que abre este texto, o presidente também disse: "Estamos passando ainda por uma pandemia que, em parte, é usada politicamente. Não para derrotar o vírus, mas para tentar derrubar o presidente".
É impressionante como constrói a narrativa para tudo girar em torno do seu umbigo, como se fosse alvo de uma conspiração, quando, na verdade, boa parte dos pedidos por seu impedimento foram apresentados para evitar que outras milhares de pessoas se tornem "leite derramado" em vão.
Análise: Leonardo Sakamoto - Na pandemia, Brasil atinge 65 bilionários e 19,1 milhões de famintos


Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
06/04/2021 19h05
Além dos recordes de mortes diárias, o Brasil atingiu duas marcas durante a pandemia que são antagônicas apenas na aparência: passou a ter 20 bilionários a mais que no ano passado e, ao mesmo tempo, registrou 9% de famintos - a maior taxa desde 2004.
De acordo com o ranking anual da revista Forbes, houve uma explosão no número de bilionários no ano em que o mundo foi assolado pela covid-19. A lista registrou um recorde de 493 novatos, ou seja, um bilionário a mais a cada 17 horas.
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O patrimônio desse grupo foi de 8 para 13,1 trilhões de dólares entre 2020 e 2021. Conta com 2.755 indivíduos.
No Brasil, a quantidade de bilionários foi de 45 para 65, com um aumento de patrimônio total de 72%: de 127,1 para 219,1 bilhões de dólares.
Os números foram divulgados, nesta terça (6) - dia em que o governo federal retomou o pagamento do novo auxílio emergencial. Enquanto, no primeiro semestre do ano passado, o benefício variava de R$ 600 a R$ 1200 por domicílio, agora vai de R$ 150 a R$ 375.
O piso vai comprar apenas 23% da cesta básica em São Paulo, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Pesquisa divulgada, nesta segunda (5), pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional apontou que o país somou 19,1 milhões de pessoas que passaram fome em um universo de 116,8 milhões que conviveram com algum grau de insegurança alimentar (não tendo acesso pleno e permanente à comida) e em 2020.
A fome atingiu 9% da população, a maior taxa desde os 9,5% de 2004. Em 2018, eram 10,3 milhões de brasileiros nessa situação.
A pesquisa ocorreu no último trimestre do ano passado, quando o auxílio emergencial já havia caído para uma faixa entre R$ 300 e R$ 600 por domicílio. Ou seja, a situação agora é pior, uma vez que o governo Jair Bolsonaro interrompeu o pagamento do benefício na virada do ano e está retomando apenas agora, de forma escalonada.
"É aviltante que o número de bilionários tenha aumentado em uma crise de grandes proporções como a que estamos enfrentando. Isso reforça a urgência de procurar formas nacionais e globais de enfrentar a concentração de privilégios, que faz com que exista um setor da sociedade que sempre ganha", afirmou Katia Maia diretora executiva da Oxfam Brasil.
Ela chama de "aberração" o fato de o país ter um pequeno grupo em uma "categoria premium", que concentra a riqueza, e 116,8 milhões sem saber se irão comer todos os dias. E reclama do tamanho do novo benefício. "Esse valor de auxílio emergencial é a despriorização da vida humana."
O Ministério da Economia diz que esse é o máximo que pode ser transferido aos trabalhadores informais pobres. A oposição no Congresso Nacional e mesmo membros da base do governo discordam e apresentaram propostas para aumentar esse valor tirando receita dos mais diversos locais - até do cartão corporativo de Jair Bolsonaro.
A chance da Medida Provisória que determina os valores do benefício ser colocada em discussão e votação é pequena. Os líderes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), aliados do presidente, devem deixar a MP caducar em quatro meses - prazo de sua validade.
Em outros locais mais ricos, como o Reino Unidos, o Canadá e alguns estados nos Estados Unidos, discute-se a taxação temporária de multimilionários e bilionários para ajudar na situação fiscal de seus países durante a pandemia.
Houve até um documento assinado por super-ricos dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Holanda, Nova Zelândia, entre outros, chamado de "Milionários pela Humanidade", pedindo para que seus países joguem os custos da pandemia de coronavírus em suas costas.
"Os problemas causados e revelados pelo Covid-19 não podem ser resolvidos com caridade, por mais generosas que sejam. Os líderes de governos devem assumir a responsabilidade de levantar os fundos de que precisamos e gastá-los de maneira justa. Podemos garantir que financiemos adequadamente nossos sistemas de saúde, escolas e segurança por meio de um aumento permanente de impostos sobre as pessoas mais ricas do planeta, pessoas como nós", afirma a carta.
No Brasil, a progressividade de cobrança de impostos, taxando de fato os super-ricos, é um dos temas tabus da sempre adiada Reforma Tributária e causa calafrios em uma parcela do mercado. Tão tabu quanto outro assunto que está diretamente relacionado a esse debate: a emenda do teto dos gastos. Pois a questão não é só gerar receita, mas possibilitar que se aumente os gastos com os trabalhadores pobres - o que é proibido por conta das travas dessa legislação.
A desigualdade dificulta que as pessoas vejam a si mesmas e as outras pessoas como iguais e merecedoras da mesma consideração. Leva à percepção de que o poder público existe para servir aos mais abonados e controlar os mais pobres. Ou seja, para usar a polícia e a política a fim de proteger os privilégios do primeiro grupo, usando violência contra o segundo, se necessário for.
Com o tempo, a desigualdade leva à descrença nas instituições. O que ajuda a explicar o momento em que vivemos hoje.
Reportagem: Paulo Sampaio - 'Bruna Marquezine precisa de mim', diz cineasta Neville D'Almeida

Paulo Sampaio
Colunista do TAB
10/04/2021 04h01
No próximo dia 15 de maio, quando completar 80 anos, o cineasta Neville D'Almeida gostaria de receber um telefonema de Bruna Marquezine. "Ela precisa de mim", diz.
Neville assegura que é capaz de transformar radicalmente a carreira da atriz. "Essa coisa de fazer novela o tempo todo atrapalha a vida do ator. Depois de filmar comigo, a Bruna Marquezine nunca mais será a mesma", garante. Ele tem um papel para ela no cinema...
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Com mais de 60 anos de carreira, Neville D'Almeida alcançou a consagração comercial em 1978, com "A Dama do Lotação", baseado em um conto de Nelson Rodrigues. Sônia Braga faz Solange, uma mulher que se casou virgem e que é estuprada pelo marido na lua de mel. A partir de então, passa a fazer sexo com desconhecidos que aborda no transporte público. Visto por quase 10 milhões de pessoas, o filme foi uma das seis maiores bilheterias do cinema nacional de todos os tempos.
Em quase vinte longas-metragens, Neville dirigiu divas como Dina Sfat, Norma Bengell e Glauce Rocha. No lendário "Rio Babilônia", a protagonista era Christiane Torloni; em "Os Sete Gatinhos", Regina Casé; e "Navalha na Carne", Vera Fischer.

Anti-Nélson Rodrigues
Agora, quarenta e dois anos depois de "Dama", ele quer Marquezine na adaptação de "Anti-Nélson Rodrigues", peça escrita pelo dramaturgo em 1973.
A sinopse: "Uma evangélica favelada, noiva de um rapaz da igreja, resiste ao assédio do dono da fábrica em que trabalha, até que ele oferece a ela um cheque de R$ 2 milhões. A moça se rende e os dois marcam um encontro, mas na hora H ela rasga o cheque em mil pedacinhos e diz: 'Seu idiota, burro, imbecil, eu não preciso disso. Eu te amo, sem o cheque!'"
"É um Nélson com final feliz!", comemora Neville.
A fantasia a respeito de Bruna Marquezine e do filme de Nelson Rodrigues acontece em uma conversa de quatro horas na casa de Neville. Ele mora na Gigoia, uma ilha de 130 mil metros quadrados localizada na Lagoa da Tijuca, à saída do túnel do Joá, zona oeste do Rio.
Homenageado pelo "conjunto da obra" no 7º Festival Brasil de Cinema Internacional, que se realiza entre os dias 5 e 13 de abril, Neville lembra que "a principal ferramenta de trabalho de um diretor é a liberdade".
"O que eu sinto, hoje, é que existe um cabresto ideológico. Os cineastas fingem que se importam com o povo, que são socialistas. Trazem alguém da comunidade para trabalhar na produção, incluem um negro na história, colocam um elemento do underground. Eles se sentem na obrigação de ter um ponto de vista social sobre coisas que não conhecem. O resultado é uma liberdade burguesinha, consumista, baseada em fatores pessoais. É tudo autorreferente, eu, eu, eu...A nova geração tem enormes problemas para se libertar de si."

Meia furada
Enquanto diz isso, Neville D'Almeida observa a própria imagem na câmera do celular instalado a sua frente por uma jovem assistente, a título de gravar a entrevista. "A vaidade é um veneno que eu evito. Sou uma pessoa muito simples", explica D'Almeida, falando direto para a câmera.
Ele recebeu a reportagem vestindo calça jeans, camisa de mangas compridas vermelha com estrelas brancas, jaqueta verde-limão e uma echarpe alaranjada, na qual passa boa parte do tempo se enrolando. Em determinado momento, cobre toda a cabeça. Nos pés, usa meias diferentes, uma delas furada. Ele levanta o pé e aponta o furo.
Profeta da Babilônia
O compromisso permanente com a transgressão soa vintage, algo remanescente do século passado. "'Rio Babilônia' é profético. Trata-se do único filme do cinema mundial que mostra como era o Rio de Janeiro na virada dos 70 para os 80."
(A história se desenrola em torno de um traficante internacional de ouro que volta ao Brasil depois de 20 anos morando fora. O enredo, meio caótico, mistura ricos e pobres, corrupção, droga, sexo; tem um famoso ménage à trois protagonizado por Pedrinho Aguinaga, Denise Dumont e Joel Barcelos.)
Christiane Torloni interpreta uma jornalista que denuncia o esquema do traficante. "O filme apresenta um retrato moral da sociedade que não pertence apenas a uma época. Você abre o jornal hoje e vê, em tempos de pandemia, festas inacreditáveis. Na Amazônia, nunca se invadiu tanto, se matou tanto, se grilou tanto. O Brasil mudou? A saúde tá legal? A educação? A segurança?", questiona a atriz.

Protestante reformista
Nascido em Belo Horizonte, Neville D'Almeida foi criado de acordo com os fundamentos da Igreja Metodista. Definindo-se como protestante reformista, ele diz que a religião teve importância crucial em sua formação, e isso inclui o interesse precoce pelo teatro e o cinema. "Aos 12 anos, eu lia a Bíblia. Não folheando, mas estudando. É importante dizer que não sou evangélico, não apoio esses pastores ambiciosos que vivem atrás de dinheiro."
Depois de estudar arte dramática em BH, foi para Nova York e se matriculou em um curso de cinema que o frustrou por "ficar só no que era feito nos Estados Unidos". De volta ao Brasil, entrou em contato com vanguardistas como o músico Jorge Mautner e o artista plástico Helio Oiticica, com quem criou a instalação "Cosmococas", de arte audiovisual interativa. Em 1966, dirigiu seu primeiro longa-metragem, "O Bem-Aventurado".
Caminho autoral
Apesar da admiração pela "turma do Cinema Novo", pelos expoentes da Nouvelle Vague e do Neorrealismo italiano, D'Almeida diz que não considera nenhum deles uma referência. "Segui um caminho autoral. Olho para os lados e vejo que ninguém nunca fez algo parecido. Não quer dizer que eu seja o maioral. Apenas que existe um conceito, um estilo próprio."
A segurança aparentemente inabalável tem origem em uma autoestima turbinada. Quando citam o incensado cineasta espanhol Pedro Almodóvar, por exemplo, D'Almeida reage altivo: "Neville veio antes de Almodóvar. Quando ele chamou o Caetano para cantar no filme ("Fale com Ela", de 2002), o Caetano já tinha feito a trilha de 'Dama do Lotação' havia quase 15 anos."
Sobre atriz australiana Cate Blanchett, ganhadora de dois Oscar e unanimidade de crítica e público, ele solta um suspiro: "Eu não dou muita importância a essas atrizes cafonas do cinema internacional".

Método Exclusivo
Neville D'Almeida diz que, ao filmar, utiliza um "método muito exclusivo". "A primeira pergunta que faço a um ator é: 'Você está preparado para viver intensamente esse papel?'"
Por conta disso, ele conta que já dispensou muita gente. Prefere não citar nomes. "Quando o ator fica em dúvida, se mostra amedrontado, inseguro, é sinal de que não será capaz de atingir a profundidade necessária."
Christiane Torloni tenta puxar na memória. "O filme tem quase 40 anos, eu não me lembro desse approach, mas não existe papel a que eu não tenha me proposto a viver intensamente."
Por meio de uma fonte da coluna, Sônia Braga disse que está concentrada em um novo projeto e preferiu não se manifestar.
A figurinista Marília Carneiro, que vestiu Sônia em "Dama", tem ótimas recordações das filmagens ("Ela estava no auge da juventude, vestiu divinamente as roupas"), mas conta que D'Almeida no set era muito severo. "Ele me inspirava um sentimento maior que respeito, próximo do medo. Eu o achava inacessível, ele só se dirigia a um pequeno grupo de pessoas. Cinco anos depois, passou a me chamar de 'minha figurinista', o que me encheu de orgulho."
Marília conta que Gilberto Braga pediu a ela que se inspirasse no figurino do filme para vestir Sonia Braga em "Dancin' Days".

Cenas de sexo
Categórico, Neville D'Almeida afirma que "ninguém sabe dirigir sexo". Ele explica como faz para obter um bom resultado.
"Uso a indução suave, silenciosa, espiritual. A estrela vai esquecer o ego naquele momento. Ela compreende que não importa o tamanho da fama ou a quantidade de dinheiro que possui; o que eu tenho para oferecer vale muito mais: verdade, capacidade, talento, sensibilidade."
Ele adianta que Bruna Marquezine será induzida suave e silenciosamente em "Anti-Nélson Rodrigues" — mas relativiza: "É preciso enxergar as cenas de sexo de uma maneira ampla. Trata-se de uma dramatização artística do ato sexual. Nada explícito. São sequências que a Bruna, com seu talento extraordinário, fará muito bem."
Segundo ele, a personagem de Marquezine (Joice) "não precisa ficar pelada". "Se houver entendimento nesse sentido, ela pode, por exemplo, em uma cena em que chega à favela cansada, tirar a roupa e tomar um banho no chuveiro do barraco. Olha que cena maravilhosa!"
A assessora de Bruna Marquezine ficou de consultá-la "para ver se ela conhece o trabalho dele (Neville)". Até o fechamento deste texto, não disse mais nada.
Ninfomaníacas do Tinder
Em "A Dama da Internet", outro projeto embrionário do cineasta, a personagem da lotação é transportada para o século 21. Ele escalaria Juliana Paes para o papel (procurada, a assessoria da atriz não respondeu à mensagem).
"Na história, as mulheres dão o troco de mais de 5 mil anos de dominação masculina. Elas submetem os homens às piores humilhações, ofensas, opressões e espezinhamentos. Coloca-os em seus devidos lugares: na lata de lixo."
Ele diz que a dama do século 21 não frequenta aplicativos. "O Tinder revela hoje as ninfomaníacas de ontem. Aquilo é horrível. Só mentira. A mulher põe lá uma foto de 15 anos atrás, aí você encontra ao vivo, é um bagulho. O homem aparece sorridente, e na vida real é um rancoroso, escroto, um merda. Um perigo."
(Neville diz que nunca frequentou o Tinder, mas, como produtor cultural, sabe de "tudo").
Antigo Testamento
Sem deixar de reconhecer o caráter positivo das redes sociais — enquanto ferramenta de comunicação rápida —, ele lamenta o uso delas para promover a deseducação do povo.
"Caímos em uma armadilha, estamos sendo controlados por um sistema apavorante. O aparecimento desse personagem (Jair Bolsonaro) é fruto da desinformação disseminada em proporção exponencial. A gente vive o momento mais dramático desse desgoverno. Contra a cultura, a liberdade, a ciência, o progresso..."
Citando sua formação protestante, Neville D'Almeida calcula que estamos atrasados mais de dois mil anos. "Ainda vivemos no Antigo Testamento, no tempo do olho por olho, do adultério, do poder, da corrupção. A revolução do amor e do perdão, proposta por Jesus Cristo, ainda não aconteceu."
Prefeito que sobreviveu ao coronavírus perde pai, mãe e irmão em 20 dias

Daniel César
Colaboração ao UOL, em Pereira Barreto (SP)
10/04/2021 15h52
O prefeito de Novo Horizonte do Norte (MT) Silvano Pereira Neves, conseguiu superar o coronavírus após ficar 74 dias sofrendo com a doença. Mas ele está tendo que encarar as mortes do pai, da mãe e, mais recentemente, do irmão. Os três morreram com uma diferença de 20 dias.
Hoje, a Prefeitura Municipal de Novo Horizonte do Norte confirmou a morte de Sidnei Antônio Pereira Neves, 48 anos e irmão de Silvano. Ele estava internado desde o início de março, quando foi levado ao Hospital Municipal Kara José, mas no dia 23 de março teve de ser transferido, através de uma UTI aérea para um Hospital Público de Manaus por apresentar pioras em seu quadro clínico.
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Sidnei ficou vários dias intubado por conta da doença. Ele chegou a ser extubado e vinha se recuperando bem, mas teve uma parada cardíaca. Os médicos conseguiram reanimar o irmão do prefeito e optaram pela intubação novamente, mas ele não resistiu e morreu hoje.

A morte de Sidnei aconteceu três dias depois de Francisca Marlene Azevedo Neves, 69 anos, mãe dele e de Silvano, não ter superado a doença e ter morrido na última quarta-feira, depois de ficar 20 dias internada.
A primeira morte provocada pela covid-19 na família aconteceu no dia 23 de março, mesmo dia da transferência de Sidnei por ter seu quadro agravado pela doença. Júnior Pereira Neves, de 75, também não resistiu às complicações da doença e morreu sem saber do agravamento do estado de saúde do filho e da esposa.
O prefeito de Novo Horizonte do Norte (MT) enfrenta ainda um surto de coronavírus na família, já que outras 10 pessoas estão contaminadas pelo vírus neste momento entre os familiares dele.
Prefeito superou a doença em 2020
E Silvano poderia ter uma história de superação, caso não tivesse perdido a família neste momento. É que, em 2020, ele quase morreu ao se contaminar com a covid-19 e superou a doença com muita dificuldade.
O prefeito ficou 74 dias internado, sendo 42 na UTI. Desse período, foram 30 dias com traqueostomia, outros 25 intubado e 8 dias utilizando o ECMO, conhecido como pulmão artificial, mesmo tratamento utilizado pela equipe médica do ator Paulo Gustavo. Silvano se recuperou completamente da covid-19 e não teve seqüelas.
Ele decretou luto oficial por três dias na cidade pela morte do irmão Sidnei, que já foi vereador em Novo Horizonte do Norte.
Brasil chega a 350 mil mortes por covid, 17 dias depois da marca de 300 mil
Amanda Rossi
Do UOL, em São Paulo
10/04/2021 19h13
Atualizada em 10/04/2021 20h13
O Brasil superou hoje mais de 350 mil mortes por covid-19. A marca foi alcançada apenas 17 dias depois de o país contar 300 mil vítimas da pandemia. De ontem para hoje, morreram mais 2.525 pessoas, segundo o consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, e que apura os números com as secretarias estaduais de Saúde.
Esse ritmo de novas mortes —50 mil em cerca de uma quinzena— só ocorreu no auge da pandemia nos Estados Unidos, entre dezembro e janeiro. Os EUA têm uma população 55% maior que a brasileira. Em nenhum outro lugar do mundo morreram tantas pessoas por covid-19 em tão pouco tempo, segundo os dados da plataforma Our World In Data.

Covid: distrito de Sapopemba tem mais mortes que 626 cidades de SP
O Brasil apresenta hoje o pior quadro da pandemia no mundo. Há mais de um mês, desde 9 de março, somos o país onde mais morrem pessoas por covid-19. A liderança brasileira é avassaladora: o segundo lugar não chega a mil mortes por dia, menos da metade do Brasil. Aqui, já são 80 dias seguidos com mais de mil vítimas por dia, na média semanal.
O total de vítimas é de 351.469, segundo o consórcio de imprensa. Com esse número, o Brasil é o segundo país com mais mortos pela pandemia em todo mundo. Só está atrás dos Estados Unidos, onde 561 mil pessoas perderam a vida.
Mas há uma diferença fundamental entre a situação da covid-19 no Brasil e nos EUA: aqui, o número de mortes continua no maior patamar da pandemia, enquanto nos Estados Unidos, está caindo rapidamente. Uma das causas do sucesso americano é o avanço da vacinação. Em terceiro lugar em número de vítimas está o México, com cerca de 210 mil mortes por covid-19.
Neste dia em que o Brasil passa de 350 mil mortes por covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passeou de moto e visitou uma comunidade perto de Brasília. "Continua em casa e daí morre de fome", disse Bolsonaro, em tom de deboche.
O presidente não usou máscara em grande parte do passeio. Chegou a tirar foto com outras pessoas, uns próximos dos outros, todos sem o item de proteção contra a covid-19.
Intervalo recorde
A primeira morte por covid-19 no Brasil foi registrada em 17 de março do ano passado. Passaram-se 95 dias até chegarmos a 50 mil mortes.
A marca de 100 mil foi batida 49 dias depois, em 8 de agosto. Depois de mais 63 dias, chegamos a 150 mil vítimas.
Os 200 mil mortos foram contados 89 dias depois, em 7 de janeiro deste ano. Passados mais 48 dias, o país atingiu 250 mil vítimas.
O número de 300 mil vítimas veio após 28 dias, no último 24 de março. Agora, somente 17 dias depois, o Brasil passa de 350 mil mortos por covid-19.
Evolução da pandemia
- 17/03/2020 - 1ª morte por covid-19 registrada no Brasil
- 20/06/2020 - 50.058 mortes
- 08/08/2020 - 100.543 mortes
- 10/10/2020 - 150.236 mortes
- 07/01/2021 - 200.163 mortes
- 24/03/2021 - 301.087 mortes
- 10/04/2021 - 351.469 mortes
O Brasil em números
Na primeira onda:
- Maior número de mortes em 24h: 1.554 (19/7)
- Maior média móvel de óbitos: 1.097 (25/7)
- Maior período com média acima de mil: 31 dias
- Maior número de óbitos em uma semana: 7.679 (de 19/7 a 25/7)
Na segunda onda:
- Maior número de mortes em 24h: 4.211 (6/4)
- Maior média móvel de óbitos: 3.119 (1/4)
- Maior período com média acima de mil: 80 dias
- Maior número de óbitos em uma semana: 19.603 (de 28/3 a 3/4)




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