Pandemia + GRAVE, reação + Frouxa
Covid está MAIS GRAVE no Brasil, mas restrições são MAIS FROUXAS, diz Ipea
SEM provas, Bolsonaro diz que números da pandemia foram 'INFLADOS
JUSTIÇA suspende medidas RESTRITIVAS no Rio; PRAIAS e BOATES são LIBERADAS
Bolsonaro é paradoxo do genocídio, falar dele é insuportável e necessário
Um presidente como o nosso torna chatos todos aqueles que não foram assassinados por ele
Difícil dizer que o presidente não é ladrão.
Para além das milhares de vidas ceifadas, dos funcionários fantasmas e das rachadinhas, Bolsonaro nos levou o sorriso e o assunto.
Ninguém aguenta mais falar da carnificina, e ao mesmo tempo, tudo parece pequeno quando paramos de falar dela.
É o paradoxo do genocídio: não falar dele é impossível, mas falar dele é insuportável.
Taí um efeito colateral ridículo perto da matança que está em curso:
o sequestro temático — efeito minúsculo, claro, mas que afeta diretamente a vida de um cronista, garimpeiro de temas sem importância.
Quando um presidente condena uma população a morrer, ele não está tirando só vidas, mas também o direito dos vivos de pensar em outra coisa.
Deveria existir na Constituição uma cláusula que garantisse o direito à distração.
“Todo poder emana do povo, que tem o direito de esquecer disso de vez em quando.”
Para que esse direito seja exercido, o presidente não pode estar receitando cloroquina para a população, dando remédio a uma ema, boicotando a vacina, atrapalhando investigação, coagindo o Kajuru.
A receita de sucesso (até aqui) de Bolsonaro parece incluir o acúmulo de crimes diversos, nunca antes combinados, transmitidos ao vivo por ele mesmo à luz do dia.
“Não pode ser crime”, você pensa, “se é ele mesmo quem divulga.”
Ledo engano, Leda Nagle.
“O jeito de esquecerem o significado de um crime de responsabilidade é praticar vários por dia”, resumiu Conrado Hübner Mendes.
A estratégia funciona: se Dilma empregasse a Val do Açaí, não reclamariam de pedalada.
Se David Luiz tivesse feito cocô em campo, não seria famoso pelo 7 a 1.

Bolsonaro age como um cozinheiro que salgou demais a sopa e põe uma barata e uma orelha humana para disfarçar: “duvido que reclamem do sal”.
Já não dá para saber se o genocídio é para disfarçar a rachadinha ou vice-versa.
Cada crime novo amortece a notícia do crime anterior e imuniza nossos corpos para os crimes que estão por vir.
Os crimes vão se empilhando e assim jantamos, diariamente, esse rocambole de bosta.
Um presidente genocida tem esse efeito colateral, dentre tantos outros.
Torna chatos todos os que não assassina.
“Eles só pensam naquilo!”, mas aquilo é intenção deliberada do presidente de matar a sua população.
Já diz o ditado: o que não te mata te entristece.
Covid está mais grave no Brasil, mas restrições são mais frouxas, diz Ipea

Roberta Jansen
20/04/2021 21h48
A segunda onda da pandemia de covid-19 no Brasil tem sido mais grave do que a primeira, mas as medidas de restrição adotadas neste ano foram tardias e bem menos rígidas do que em 2020, aponta nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada nesta terça-feira, 20. O trabalho afirma que houve redução média de 25% no valor do Índice de Medidas Legais de Distanciamento Social nos estados. O texto sugere que esse recuo contribuiu para o agravamento da epidemia no País.
O levantamento comparou as medidas adotadas nos meses de abril de 2020 e março de 2021 em 22 das 27 unidades federativas do País. Comparando o número de óbitos, por exemplo, março deste ano foi onze vezes mais letal do que abril do ano passado (62.704 contra 5.700). As medidas de restrição adotadas, porém, foram bem menos rígidas.
Acadêmicos e ganhadores do Nobel assinam carta contra ataques à ciência no Brasil
Baseada em dados do Google Mobility, a nota técnica mostrou que, em média, 60% dos brasileiros ficaram em casa em abril do ano passado, contra cerca de 50% em março deste ano. Segundo o trabalho, os Estados que apresentaram a maior redução no rigor das medidas foram Roraima (-73%), Alagoas (-66%) e Rio de Janeiro (-54%). Em São Paulo também houve redução significativa, ainda que não tão alta: - 24%.
Medidas na 2ª onda foram adotadas com casos em ascensão
O trabalho mostrou também que, na segunda onda, a maior parte dos Estados adotou medidas de distanciamento social tardiamente, depois que o número de casos já estava em ascensão. No ano passado, as medidas foram adotadas de forma antecipada e, talvez por isso mesmo, a onda tenha sido menos intensa.
Segundo o trabalho, "os governos agiram, sobretudo, de forma reativa em relação à segunda onda, diferentemente da atuação preventiva observada antes e durante a primeira onda". E ainda que quando as medidas mais rígidas foram finalmente adotadas, elas foram consideradas como um "último recurso", adotado apenas quando os sistemas de saúde se encontram em situação crítica e não se vislumbram outras opções para a resolução da situação.
"Os dados mostram que, para ampliar os níveis de isolamento e minimizar os impactos decorrentes da epidemia, seria preciso enrijecer medidas restritivas de forma preventiva", afirmou o pesquisador Rodrigo Fracalossi, responsável pelo trabalho. "Porém, o processo não ocorreu na maior parte do País quando a segunda onda já se manifestava."
Afrouxamento tornou crise do Amazonas mais grave
O caso mais emblemático, destaca o estudo, é o do Amazonas. Entre os dias 1º e 24 de dezembro do ano passado, o Estado apresentou os menores níveis de distanciamento social do País. Isso contribuiu diretamente para a gravidade da segunda onda e subsequente colapso do sistema de saúde.
"O número de casos no Amazonas estava subindo, os cientistas já recomendavam medidas mais rígidas e, mesmo assim, elas só foram adotadas como último recurso, quando a situação já havia chegado a um nível crítico, em janeiro", lembrou Fracalossi. "E mesmo depois de isso ter acontecido no Amazonas, as medidas também foram adotadas tardiamente no restante do País."
O estudo recomenda ainda a necessidade de adoção de critérios objetivos, transparentes e abrangentes para o enrijecimento ou o relaxamento das medidas, como se observou, por exemplo, nos estados do Rio Grande Sul e São Paulo. De acordo com o pesquisador, a existência desses critérios torna menos provável a influência de pressões contrárias ao distanciamento social, como ocorreu no Amazonas.
Sem provas, Bolsonaro diz que números da pandemia foram 'inflados'

Do UOL, em São Paulo
20/04/2021 21h07
Atualizada em 20/04/2021 21h55
Sem apresentar provas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) insinuou hoje que os números da pandemia foram inflados para prejudicar o seu governo. Em evento com lideranças evangélicas de Anápolis (GO), Bolsonaro também disse que as mortes por covid-19 começaram a cair por "medo" de que ele consiga aval para uma investigação das mortes que estão sendo classificadas como "suspeitas de covid".
"Começou a cair o número de mortes por covid porque eles têm medo que eu consiga uma investigação na frente e vão ver lá que muito óbito foi colocado 'suspeita de covid' para exatamente inflar números e pressionar a população contra o nosso governo", disse Bolsonaro.
Em reunião com Queiroga, governadores oferecem Sputnik V ao governo federal
Na semana passada, em live semanal transmitida pelas redes sociais, o presidente também sugeriu que os óbitos por covid-19 estavam em queda após a possibilidade da CPI da Covid investigar também governos estaduais e municipais pela conduta durante a pandemia. "Curiosidade né? Parece que os números começaram a cair depois que a CPI lá do Senado incluiu também investigação em cima de governadores e prefeitos", afirmou na última quinta-feira, (15).
Apesar das declarações do presidente, as mortes causadas pelo coronavírus seguem em ritmo de alta. Entre os dias 11 e 17 de abril, o Brasil registrou a 2ª semana mais letal da pandemia, com 20.420 óbitos. Os dados foram obtidos pelo consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, junto às secretarias estaduais de saúde.
Hoje, o Brasil chegou ao 90º dia com média móvel de mortes acima de mil —o cálculo, que considera o intervalo de sete dias, permite analisar se o número de óbitos está caindo ou aumentando no país. Há mais de um mês, a média móvel de mortes está acima de 2.000.
Outro dado que comprova que o número de mortes no Brasil segue em alta é a taxa de transmissão da covid-19. Segundo dados divulgados hoje pela Imperial College de Londres, cada 100 pessoas contaminadas no Brasil transmitem o vírus para outras 106. Os números são iguais aos apresentados na semana anterior.
Covid é "gripezinha"
Desde o início da pandemia, Bolsonaro vem minimizando o vírus, dizendo que a covid-19 é uma "gripezinha" e que o Brasil não pode "chorar o leite derramado". O presidente também contrariou orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre o uso de máscara e o distanciamento social —além de virar um crítico de governadores que impõe toque de recolher para tentar conter a disseminação da covid-19. Ele também se movimentou para que a CPI da Covid também investigasse estados e municípios.
Bolsonaro também contribuiu para o atraso de compras de vacina no Brasil. Em agosto do ano passado, o governo brasileiro negou um acordo com a Pfizer para a compra de 70 milhões de vacinas e recebimento de doses a partir de dezembro. O governo não concordava com as condições oferecidas pela farmacêutica, como a isenção de responsabilidade por efeitos colaterais.
Na época, o presidente Bolsonaro chegou a ironizar o imunizante da Pfizer. "Lá no contrato da Pfizer, está bem claro nós [a Pfizer] não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema seu".
Dois meses depois, em outubro do ano passado, o presidente desautorizou publicamente o então ministro Eduardo Pazuello e impediu a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac dizendo que o "brasileiro não será cobaia".
Além do atraso na compra de vacinas, a lentidão para receber as doses e a ampliação do grupo prioritário do PNI (Plano Nacional de Imunização) também atrasaram a vacinação no Brasil. Anteontem, o país completou três meses do começo da vacinação contra a covid-19, mas ainda longe de conseguir imunizar todos os prioritários.
Quando apresentou o plano de vacinação, no final do ano passado, o governo calculava cumprir três fases de distribuição de doses para o grupo prioritário em cerca de quatro meses. Enquanto isso, países como Estados Unidos, Israel e Chile, já estão em uma etapa avançada para imunizar a população em geral —esses países garantiram a encomenda de mais de um imunizante em 2020, algo que o governo de Jair Bolsonaro não fez.
Justiça suspende medidas restritivas no Rio; praias e boates são liberadas
Rafael Bragança
Do UOL, em São Paulo
20/04/2021 19h07
Atualizada em 20/04/2021 20h36
A Justiça do Rio de Janeiro suspendeu hoje medidas restritivas que estavam em vigor na capital como forma de combate à pandemia de covid-19. A decisão liminar altera várias determinações do prefeito Eduardo Paes (DEM) e libera, por exemplo, a permanência em praias e o funcionamento de boates.
A liminar foi concedida pela juíza Regina Chuquer, da 6ª Vara de Fazenda Pública da capital. A magistrada atendeu a uma ação popular movida pelo deputado estadual Anderson Moraes (PSL), que é alinhado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Carro despenca de ladeira na serra de Petrópolis e cai na rua debaixo; veja
O parlamentar alega que Paes vinha cometendo "abuso de poder" ao decretar medidas que restringiam atividades com possibilidade de aglomerações na cidade, "constrangendo ilegalmente o direito de ir e vir do povo carioca", definiu Chuquer em sua decisão sobre o pedido de Moraes.
Para a juíza, o pior momento da pandemia vivido pelo país durante a segunda onda da covid-19 não justifica que o poder Executivo assuma funções do Legislativo, já que medidas do tipo têm de ser regulamentadas por leis na sua visão, e não com decretos como fez Paes.
"Nem mesmo uma pandemia gravíssima como a vivenciada na atualidade autoriza o cerceamento da liberdade individual de cada cidadão carioca, ao argumento da possibilidade de transmissão acelerada da doença ou mesmo da falta de vagas em hospitais", escreveu a juíza em sua decisão.
Além da liberação das boates e das praias, que também poderão ter o comércio de ambulantes, a decisão liminar ainda suspende o toque de recolher entre as 23h e 5h, que proibia a permanência em via pública — sem interferir na circulação de pessoas e veículos.
Outra medida suspensa com a liminar, que derruba quatro decretos de Paes, é a proibição do estacionamento na orla carioca. A entrada de ônibus fretados na cidade está liberada com a decisão judicial.
Prefeitura vai recorrer
As medidas restritivas suspensas pela Justiça tinham previsão para durarem até a próxima terça-feira (27), após serem prorrogadas pela Prefeitura do Rio na última sexta (16). A decisão foi tomada na semana passada porque a gestão de Paes entendeu que o momento da pandemia na cidade ainda requer restrições de circulação.
A Procuradoria-Geral do Rio, que representa judicialmente a gestão municipal, afirmou que ainda não foi notificada da liminar, mas que assim que tiver a confirmação da decisão irá recorrer. O órgão também afirmou em nota enviada ao UOL que, por enquanto, "a legislação municipal segue vigente".
"Vitória do povo"
Autor da ação popular deferida pela Justiça, Moraes comemorou a decisão da juíza da 6ª Vara de Fazenda Pública. O deputado estadual definiu a liminar como uma "vitória do povo", e citou a "liberdade" como razão do seu pedido, ainda que a OMS (Organização Mundial da Saúde) defenda o distanciamento social como uma das principais formas de combate ao contágio pelo novo coronavírus, ao lado do uso correto de máscaras.
"Foi deferida a nossa ação que pedia a derrubada do decreto do DitaPaes. Liberação das praias, comércio, toque de recolher, fim da força coercitiva da guarda municipal contra o cidadão e o fim da proibição da permanência em áreas públicas! Liberdade é essencial!", escreveu o parlamentar.
Juca Kfouri diz que Bolsonaro transformou o Brasil num grande cemitério

247 – O jornalista Juca Kfouri publica artigo nesta quarta-feira, na Folha de S. Paulo, em que apelida Jair Bolsonaro como "Garganta Rasa", um "rato que ruge", que teria transformado o Brasil num imenso cemitério. "O Garganta Rasa brasileiro está aí, à vista de todos, dando vexames diários e passando recibo de sua fragilidade, bizarramente mimetizando outro bufão, seu ídolo Donald Trump, que de tanto espernear curte inusitado ostracismo, como se jamais houvesse existido, destino inevitável dos que vão para a lata de lixo da história", escreve.
"Demorou para o país se dar conta de que o pai das rachadinhas, e de quatro rachadores, é só isso: desqualificado boquirroto que de tanto destruir fez do Brasil um imenso cemitério. E que, sem ter para onde fugir, não passa de rato que ruge", afirma.
"Pazuello, você ferrou o Exército"

247 – O jornalista Ancelmo Gois, do Globo, publica uma nota que explica a encalacrada das Forças Armadas, que se enfiaram até o pescoço no desgoverno de Jair Bolsonaro. "Veja a história que circula no chamado Forte Apache, como é conhecido o Quartel General do Exército, em Brasília: num encontro recente, o ex-comandante do Exército Edson Leal Pujol comentou com Eduardo Pazuello, o ex-ministro da Saúde de Bolsonaro: 'Pazuello, quando o Bolsonaro lhe proibiu de comprar vacinas, você deveria ter pedido demissão. Obedecendo, você se ferrou e nos ferrou junto'", relata o jornalista.
Covid-19 mata mais os pobres no Brasil

247 - As pessoas mais pobres têm menos possibilidades de se proteger do contágio na pandemia. As áreas pobres no país e bairros da periferia de São Paulo chegaram a ter três vezes mais mortes causadas pelo coronavírus do que outras regiões.
Segundo dados da Pnad Covid-19 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) elaborados pela FGV Social e divulgados pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (21), 28% dos membros da classe A/B (renda domiciliar superior a R$ 8.303) puderam alterar o local de trabalho durante a pandemia. Já na classe D/E (renda até R$ 1.926), apenas cerca de 7,5% tiveram essa opção. Na classe C, somente 10,3% fizeram isso.
Entre as profissões que menos puderam alterar o local e a forma de trabalho, indo para home office, por exemplo, estão principalmente os ocupados no setor de serviços, como funcionários de supermercados, vendedores e frentistas de postos. Quase 95% deles continuaram trabalhando no mesmo local na pandemia.
Governo é o maior responsável por alta mortalidade de Covid-19 no Brasil, dizem especialistas


Sputnik - Segundo o levantamento feito pela organização Our World in Data, o Brasil ultrapassou nas últimas duas semanas os Estados Unidos, o México e o Peru, se tornando o país com mais mortes por Covid-19 do continente americano em relação à sua população.
De acordo com a Our World in Data, o Brasil tem atualmente 1.756 óbitos por milhão de habitantes e ultrapassou o México no dia 7 de abril, o Peru no dia 13 e os EUA no dia 14. Segundo o levantamento, os dez países com mais óbitos para cada um milhão de habitantes das Américas são: Brasil (1.756), Peru (1.722), EUA (1.713), México (1.646), Panamá (1.434), Colômbia (1.342), Chile (1.317), Argentina (1.310), Bolívia (1.083), Equador (1.003).
Até o início de fevereiro, quando o Brasil registrava cerca de uma mil mortes por dia, ele ocupava a sétima posição do continente em óbitos proporcionais, atrás de EUA, México, Peru, Panamá, Colômbia e Argentina. Agora, com a escalada de mortes no país, que chegou a superar o número de 4 mil óbitos por dia, o Brasil foi gradualmente ganhando posições, até chegar ao topo da lista no continente.
Em entrevista à Sputnik Brasil, os especialistas Gonzalo Vecina Neto - médico sanitarista, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), fundador e primeiro diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) - e Guilherme Werneck - médico epidemiologista, professor do Instituto de Medicina Social da UERJ - são unânimes em apontar um principal responsável por esse aumento significativo dos números: o governo federal.
"O governo não atuou no sentido de impedir o início da disseminação da doença no país, minimizou o problema, investiu em medidas que não têm eficácia reconhecida, [...], não aparelhou adequadamente os hospitais para a assistência à saúde [...], o sistema de vigilância não conseguiu também ser instrumentalizado para atuar da forma mais adequada, faltaram testes, faltou organização, faltou concatenação e coordenação do Ministério da Saúde com os outros entes federativos", afirma Werneck.
Para o epidemiologista da UERJ, o país poderia ter feito muito melhor, pois "tem um Sistema Único de Saúde (SUS), pesquisadores, profissionais de saúde, um sistema de atenção básica à saúde e uma estratégia de saúde da família que poderiam ter sido chamados para atuar de forma mais efetiva no controle da pandemia".
No entanto, ele ressalta que a resposta do governo foi sempre disponibilizar menos recursos e não atuar para a prevenção. "De fato, o governo atuou a favor da disseminação do vírus na comunidade, então nós poderíamos ter feito melhor. Certamente teríamos feito melhor com qualquer outro governo que levasse a sério esse problema", opina Werneck.
Vecina, por sua vez, aponta outro exemplo importante da falta de governo, que se reflete na forma como a pandemia se dissemina pelo país, atingindo mais intensamente a população mais pobre, que não tem condições de fazer isolamento social.
"No Brasil, quem está morrendo mais é o pobre, [...] e o pobre tem que sair todos os dias na rua para buscar comida, ele não tem comida guardada em casa. O fim do auxílio emergencial, e a demora do início do novo auxílio emergencial, junto com a nova variante amazônica que está circulando violentamente no Brasil todo, criou uma tempestade perfeita", afirma Gonzalo Vecina.
Para o fundador da ANVISA, essa "tempestade perfeita" acabou determinando um aumento muito grande do número de casos e, consequentemente, do número de óbitos. Além disso, Gonzalo ressalta que o governo apresentou absoluta falta de gestão ao permitir que, "no meio do caminho", ainda ocorresse o colapso da assistência hospitalar, com falta de oxigênio, medicamentos e outros insumos, que contribuíram ainda mais para que o Brasil atingisse a marca sinistra de campeão em óbitos nas Américas.
Os dois especialistas também concordam que, para reduzir a mortalidade de Covid-19, existem dois eixos principais, que devem ser combinados: as chamadas medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras, atenção com a higiene e isolamento social, e o avanço das campanhas de vacinação.
Para Werneck, contudo, o país não está indo bem em nenhum desses dois eixos, o que justificaria os altos números de mortalidade.
"Não há um esforço coletivo nacional para que se implemente medidas de âmbito nacional e subnacional, de restrição maior do contato físico entre as pessoas [...] e na vacinação, nós também estamos indo muito devagar, resultado de uma inação do Ministério da Saúde em relação à obtenção de doses necessárias para vacinar rapidamente a população brasileira", afirma Werneck.
Para Gonzalo Vecina, como o número de vacinas ainda é insuficiente e o programa segue muito devagar, a única opção, neste momento, são as medidas de distanciamento social.
Além disso, o ex-diretor e fundador da ANVISA afirma que é preciso olhar para exemplos bem sucedidos feitos dentro do território nacional, como aconteceu no município de Araraquara, no interior de São Paulo, que conseguiu reduzir a mortalidade e as internações no município, após implementar um lockdown.
"Araraquara, aqui no estado de São Paulo, fez um lockdown direitinho, e mostrou para o Brasil o que é um lockdown [...] que é um conjunto de ações concatenadas para fazer as atividades não essenciais pararem", comenta Vecina.
Guilherme Werneck, por sua vez, lembra que o exemplo de Araraquara é muito interessante, mas acredita que, neste momento, soluções mais localizadas têm influência limitada, e que o país deveria apostar em um lockdown nacional.
"Em pequenas cidades como Araraquara, no interior de São Paulo, obteve-se resultados significativos, mas não basta fazer isso em uma ou outra cidade, em um ou outro estado, nós precisamos fazer isso, de forma mais radical, no país inteiro, e a recomendação seria: vamos parar as atividades de forma mais radical por três semanas - 21 dias - que nós poderemos, a partir daí, observar uma melhoria e a redução substancial de casos e óbitos no país", afirma o professor da UERJ.
Sobre a questão da vacina, tanto Werneck quanto Vecina assinalam que ela é muito importante, e que o país deveria fazer um esforço para conseguir mais doses e acelerar seu programa de imunização, mas ambos ressaltam que só o imunizante não é suficiente e que as pessoas terão que manter as chamadas medidas não farmacológicas por muito tempo.
"A vacinação, ela ainda demora um tempo para alcançar as coberturas vacinais, ou seja, o percentual da população brasileira completamente vacinada, o que só deve acontecer no início do ano que vem. Até lá, é preciso que outras medidas sejam mantidas e implementadas simultaneamente, entre elas as restrições do contato entre as pessoas, o distanciamento social, e as medidas de proteção individual. Somente com a articulação entre essas duas ações é que nós poderemos enfrentar a pandemia de forma mais adequada", opina Werneck.
Já Vecina lembra que as medidas não farmacológicas vão continuar imperando por bastante tempo, pois, além de vacinar toda a população adulta, o que só deverá acontecer no início do ano que vem, o Brasil também terá que começar a imunizar as crianças e adolescentes, que compreendem cerca de 50 milhões de pessoas, assim que todos os testes forem concluídos e a imunização for autorizada. Ainda assim, o especialista ressalta que há muitas incertezas em relação à proteção e à imunidade conferidas pelas vacinas contra a COVID-19.
"Só a partir das crianças e jovens vacinados, é que nós vamos poder relaxar, dependendo da eficácia do que nós tivermos feito com as vacinas. Nós vamos ter que observar, nós não sabemos quanto tempo dura a imunidade conferida pelas vacinas que nós utilizamos. Então, no meio do caminho, ainda existem alguns obstáculos", conclui Vecina.
Deputados da esquerda e da direita podem lançar um superpedido de impeachment contra Bolsonaro

247 - Amadurece a ideia de tentar juntar pedidos de impeachment para aumentar as possibilidades de tramitação na Câmara dos Deputados.
Convidados por presidentes de partidos de oposição a discutir a unificação de pedidos de impeachment e a elaboração de um superpedido contra Jair Bolsonaro, Alexandre Frota (PSDB) e Joice Hasselmann (PSL) querem colaborar.
Tanto os oposicionistas como os deputados dizem se tratar de iniciativa que, por ser supraideológica, tende a ganhar força, informa o Painel da Folha de S.Paulo.
O encontro está marcado para sexta-feira (23).
As discussões têm sido lideradas por presidentes de PSOL, PT, PCdoB, PDT, PSB, Rede, UP, PV e Cidadania têm liderado as discussões.
A deputada Joice Hasselmann diz que nunca na história um presidente foi alvo de tantos pedidos de impeachment, enquanto Alexandre Frota afirma que este é o momento para iniciar a unificação de uma frente forte.
Os presidentes do PSOL, PSB e Cidadania, respectivamente Juliano Medeiros e Carlos Siqueira, opinaram favoravelmente à iniciativa.

Comentários
Postar um comentário