Ponto de Não-Retorno
Miguel Nicolelis:
“Estamos a poucas semanas de um ponto de NÃO_RETORNO na crise da covid-19”
Coluna do neurocientista estreia em áudio no EL PAÍS, em um episódio piloto.
‘Diário do front’ narra os desafios do país no auge da pandemia, com novo recorde de mortes nesta quarta.
Ouça para saber o que vem pela frente
O EL PAÍS estreia Diário do front, a coluna do neurocientista Miguel Nicolelis sobre a maior crise sanitária que o Brasil já enfrentou, agora em áudio.
Clique no vídeo acima para ouvir o episódio piloto, onde Nicolelis alerta que o país está prestes a chegar a um ponto de não retorno na pandemia.
“Estamos a poucas semanas de um ponto de não retorno na crise do coronavírus no Brasil”, afirma ele, que projeta marcas de mais de 4.000 e até 5.000 mortes diárias em breve e um total de 500.000 vítimas em julho.
Nesta quarta-feira (31), Brasil bateu um novo recorde, com 3.869 mortes.
O neurocientista e professor catedrático da universidade Duke (EUA) está especialmente preocupado com a possibilidade um um colapso funerário no país, caso o chamado a um lockdown nacional, com bloqueios de circulação não essencial em aeroportos e estradas, não seja atendido.
“Se o colapso funerário se instalar neste país, começaremos a ver corpos sendo abandonados pelas ruas, em espaços abertos.
Teremos que usar o recurso terrível de usar valas comuns para enterrar centenas de pessoas simultaneamente, sem urnas funerárias, só em saco plásticos, o que vai acelerar o processo de contaminação do solo, do lençol freático, dos alimentos, e com isso gerar uma série de outras epidemias bacterianas gravíssimas”, enumera.
O acesso à coluna em áudio de Nicolelis é grátis, assim como as demais informações sobre o novo coronavírus no EL PAÍS.
Compartilhe com seus amigos e familiares. Prefere o YouTube? Veja aqui o link. Também disponível no Instagram e no Spotify. A produção-executiva é de Marina Miranda e a produção e trilha sonora é de Cacau Guarnieri.
Opositor russo é hospitalizado com dificuldades respiratórias


05/04/2021 17h55
ROMA, 5 ABR (ANSA) - O opositor russo Alexei Navalny foi transferido da prisão nesta segunda-feira (5) para um centro médico do sistema penitenciário após apresentar dificuldades respiratórias e febre em meio a um surto de tuberculose em sua ala.
A informação foi revelada pelo jornal russo Izvestia e citada por outros meios de comunicação.
O crítico do presidente Vladimir Putin, de 44 anos, afirmou estar com tosse forte e temperatura alta, de 38ºC, e que três dos 15 detentos em sua cela estão recebendo tratamento hospitalar contra tuberculose.
"Se eu tiver tuberculose, ela expulsará a dor nas minhas costas e o entorpecimento nas minhas pernas. Isso seria bom", escreveu ele no Instagram.
Segundo a publicação, Navalny foi submetido também a um teste para detectar a Covid-19 para verificar uma possível contaminação, já que os sintomas da doença são semelhantes.
O opositor, que está detido na colônia prisional em seu país-natal desde o dia 17 de janeiro, quando retornou da Alemanha, entrou em greve de fome no dia 1º de abril como protesto para receber atendimento médico adequado.
"Continuo a greve de fome para ver respeitado o meu direito de ser visto pelos meus médicos de confiança", alegou Navalny, que recentemente relatou torturas psicológicas, como privação sistemática de sono pelos guardas, perda substancial de peso - pelo menos 8kg - e dores nas costas e nas pernas.
Todas as reclamações foram atribuídas às duras condições da detenção e à falta de atendimento médico. Os advogados de Navalny continuam fazendo visitas frequentes e o auxiliam para manter suas publicações nas redes sociais.
Juristas do grupo Prerrogativas condenam manobra para cassar direitos políticos de Lula

Nota do grupo Prerrogativas - O grupo Prerrogativas, composto por advogados e juristas, vem se manifestar em face de supostas revelações noticiadas no artigo do colunista Merval Pereira intitulado “11 cabeças e uma sentença” (O Globo, 4/4/2021), segundo o qual o ministro do STF Edson Fachin teria “feito uma manobra arriscada”, ao proclamar a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para processar e julgar as ações criminais contra o ex-presidente Lula, com o propósito de “neutralizar Gilmar Mendes na decretação da suspeição de Moro”, e de que, perante o plenário da Corte, o ministro poderia “votar contra sua própria decisão”.
Os abusos praticados no âmbito da Operação Lava Jato, potencializados pela atuação parcial do ex-juiz Sergio Moro, vêm constituindo um fator de corrosão da credibilidade do Poder Judiciário, afinal combatido pelas recentes decisões do Supremo, que afirmaram a incompetência da jurisdição de Curitiba e a parcialidade-suspeição do então magistrado Moro, no que se refere especialmente aos processos que envolvem o ex-presidente Lula.
Em sua coluna de 4/4, o jornalista Merval Pereira excede a sua franquia profissional de comentarista político, lançando uma pecha de inidoneidade sobre o comportamento do ministro Edson Fachin. Não é admissível a julgador algum empreender “manobras” com a finalidade de fazer prevalecer artificialmente os seus pontos de vista em relação a litígios sob sua responsabilidade. Acaso o ministro Fachin efetivamente estivesse dedicado a revisar a sua decisão monocrática já consumada, para adotar entendimento diametralmente oposto na mesma causa, movido pelo intento de obter um resultado condenatório a todo custo, perpetraria uma conduta viciada e incompatível com a honradez que deve caracterizar o exercício da sua elevada função.
Convém assinalar que, ao julgar monocraticamente o habeas corpus no qual enfim foi reconhecida a absoluta incompetência do juízo criminal federal de Curitiba para apreciar denúncias contra o ex-presidente Lula, o ministro Fachin concretizou uma decisão, tal como postulado por seus competentes advogados constituídos desde sempre. Mesmo a posterior e discutível afetação do processo ao plenário não é capaz de subverter o caráter definitivo da decisão monocrática proferida por Sua Excelência no âmbito da 2ª Turma do STF.
As ilações do jornalista Merval Pereira, aparentemente estimuladas por uma irrefreável propensão a interferir no devido processo legal judiciário, a partir de uma posição privilegiada na mídia, associada à temerária inclinação a comentar matérias técnico-jurídicas sem dispor de conhecimento específico, favorecem a perigosa suposição de que os julgamentos no STF sejam um vale-tudo, no qual os ministros atuam com interesses pessoais e parciais, mandando às favas regras regimentais e ritos processuais. Não é assim. E não pode ser assim!
O artigo jornalístico promove a defesa desesperada e agressiva de tese superada na 2ª Turma, segundo a qual a suspeição do ex-juiz Moro decorreria de “provas inválidas”. E, para tanto, o colunista ataca a alteração de posicionamento da ministra Cármen Lúcia, que formou posição louvável e corajosa com a maioria, para proclamar a parcialidade do então magistrado. A leitura do voto vencedor, proferido pelo ministro Gilmar Mendes e acompanhado pelos ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia, contudo, afasta a presunção de que as mensagens hackeadas tenham constituído razão de decidir. Havia muitas outras razões, igualmente poderosas, para demonstrar a suspeição de Moro. Já a retificação de voto da ministra Cármen Lúcia (ainda antes do término do julgamento, o que se afigura perfeitamente plausível e usual nos tribunais) expressa a grandeza e a responsabilidade da julgadora, que fundamentou sua nova posição com argumentos irrefutáveis, numa situação muito diferente da atrevida pretensão do jornalista, ao sugerir que o ministro Fachin mude de posição em relação a uma sua decisão já consumada em julgamento monocrático.
A incapacidade técnico-jurídica do jornalista Merval Pereira, aliada à sua reprovável desenvoltura em constranger julgadores com a pressão midiática, produz, ainda, uma outra lastimável desinformação ao veicular que não teria havido “prejuízo a Lula com uma eventual troca de jurisdição”, apesar de recorrer ao argumento paradoxal de que “os tribunais TRF-4 e Superior Tribunal de Justiça (STJ) também consideram Lula culpado”. É lógico que a instrução processual e a coleta de provas por um juiz parcial, obcecado em condenar, mesmo que para isso fosse necessário cercear gravemente a defesa e humilhar o acusado, causa prejuízo insanável, cuja consequência certa é a nulidade de todos os atos processuais por ele praticados ou influenciados. Nesse sentido, a confirmação de condenações pelo TRF-4 e pelo STJ decorreram diretamente desses atos ilegítimos, pois o conjunto probatório e a controvérsia processual, sobre os quais seus juízos recursais foram construídos, estavam irrevogavelmente contaminados por uma origem juridicamente envenenada. Da mesma forma, não se pode presumir que a decisão tomada pela juíza substituta Gabriela Hardt, no processo relativo ao sítio de Atibaia, pudesse se manter a salvo da influência malévola que a condução sórdida e parcial da instrução probatória pelo ex-juiz Moro impôs àquele processo.
Espera-se que o STF repila essa ousada ofensiva midiática com a regular aplicação de suas normas regimentais e com os costumes virtuosos que distinguem a atuação de seus integrantes. Acima das perspectivas individuais, o Supremo sempre zelou pela sua respeitabilidade, guiada pelo devido processo legal e pela retidão dos procedimentos de seus ministros.
O Supremo, com os julgamentos citados, deu um passo para o futuro e reacreditou, diante do Brasil e do Mundo, nosso sistema de justiça.
Não haveria, agora, de se apequenar e de se imiscuir em disputas político-partidárias.
As eleições devem ser disputadas nas urnas !
Vacinados podem adoecer de Covid-19. Saiba o porquê

RIO — Pessoas vacinadas podem adoecer de Covid-19? A dúvida ressurgiu após morte de Agnaldo Timóteo, no sábado (2): já vacinado, o cantor foi vítima de complicações da doença. Especialistas afirmam que o risco existe e pode ser explicado por diferentes fatores.
No caso de Timóteo, os médicos acreditam que ele tenha sido infectado pelo coronavírus durante o intervalo entre a primeira e a segunda dose do imunizante. Segundo a família afirmou à GloboNews, ele foi internado três dias depois de receber a segunda injeção.
A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, explica que antes de receber a segunda dose do imunizante o cantor estava, em teoria, parcialmente ou muito pouco protegido.
Richtmann afirma que uma pessoa é considerada protegida apenas duas ou três semanas após receber o número de doses recomendadas (duas, no caso da CoronaVac e da vacina de Oxford/AstraZeneca, atualmente utilizadas no Brasil). Esse período é necessário para que a resposta imune seja gerada.
— A vacina aplica um antígeno que vai induzir o sistema imune à produção de anticorpos, que podem ser aleatórios ou que vão neutralizar o vírus em questão. Para ter produção de anticorpos neutralizantes em quantidade suficiente para se proteger demora um tempo. A segunda dose estimula de novo o sistema imune, de forma até mais eficaz, e duas semanas é o tempo médio para que possa atingir uma quantidade melhor de proteção — explica a infectologista, membro do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Mas mesmo aqueles que já estão adequadamente vacinados ainda podem ser infectados. Isso acontece pois nenhuma vacina é 100% eficaz, seja na prevenção de doença ou de formas graves, explica Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações.
— Vamos ver com muito mais frequência indivíduos que tiveram Covid após tomar só a primeira dose, ou antes de completar duas semanas após a segunda. Mas mesmo entre os que receberam duas doses e passou esse tempo, ainda é possível adoecer. O que se espera é que a grande maioria dos casos sejam leves, mas vão ter indivíduos que não vão responder à vacina e podem desenvolver uma doença tão grave quanto se não tivessem sido vacinados. É uma minoria — afirma Kfouri.
Pasternak: "vacinas não são mágicas"
A microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência Natalia Pasternak explica que a eficácia de uma vacina é a probabilidade de que, após tomá-la, uma pessoa não adoeça, de acordo com o que foi observado nos testes clínicos. No caso da CoronaVac, por exemplo, a eficácia de 50,4% significa que quem foi adequadamente vacinado tem a chance de ficar doente reduzida pela metade.
No caso da vacina de Oxford/AstraZeneca, a eficácia apresentada foi de 70%, segundo uma revisão publicada na revista científica Lancet. Dados mais recentes, de testes nos EUA, apontaram a eficácia de 76%, segundo o laboratório.
Com a vacina usada agora em escala maciça, dezenas de milhões de pessoas a estão recebendo, e mortes entre os recipientes começam a aparecer, sobretudo porque pessoas podem morrer de outras causas. Esses números raramente contradizem as conclusões sobre eficácia tiradas dos testes clínicos, mas em alguns casos eles podem revelar efeitos colaterais relativamente raros da vacina.
Alguns casos que talvez estejam associados à vacina da AstraZeneca estão sendo investigados pela rede de farmacovigilância da União Europeia, mas eles não contradizem os dados de eficácia da vacina. Ainda que efeitos adversos venham a estar associados ao imunizante (algo que não se confirmou), na avaliação da OMS (Organização Mundial da Saúde) o benefício proporcionado pelas vacinas à saúde pública é de uma escala muito maior que a dos possíveis riscos.
Pasternak destaca que as vacinas contra a Covid-19 não são "mágicas" e não são uma estratégia individual. Por isso, para saber se estão funcionando é preciso observar a população em geral, e não individualmente.
— Por isso a importância de usar a vacina como estratégia coletiva. Quanto mais gente for vacinada, menos frequentes ficam as exceções [casos graves após vacinação] — afirma Pasternak.
Os especialistas destacam que no cenário atual do Brasil, com alta circulação do coronavírus, número de casos e mortes pela Covid-19, os relatos de doença após a vacinação completa se tornam mais frequentes.
Para ilustrar o problema, Pasternak faz uma comparação das vacinas com um goleiro de futebol:
— Sabemos que o goleiro é bom pelo histórico, as estatísticas de quantas defesas costuma realizar por jogo. Mas se pego o bom goleiro e coloco em um time com defesa ruim, não para de chegar bola, ele vai tomar gol. O mesmo acontece com a vacina: se não tem ninguém usando máscara, fazendo isolamento social, vai ter furos.
Ela acrescenta que, ao vacinar grande parte da população, é como se a defesa do time se tornasse melhor, porque o vírus passa a circular menos entre as pessoas.
Vacinação na prática
Segundo Kfouri, os imunizantes contra a Covid-19 estão funcionando, na prática, conforme esperado.
— Também é esperado que as vacinas com maior eficácia tenham uma falha vacinal [casos de pessoas vacinadas que adoecem] menor do que as com eficácia mais baixa, mas para casos graves a tendência é que seja muito pequena, de forma geral — afirma o diretor da SBIm.
Pasternak explica que no Brasil a vacinação ainda está muito lenta para que haja algum resultado da chamada fase 4, quando a vacina já está sendo aplicada na população, mas em países com porcentagem maior da população vacinada os números são positivos:
— Em países como Israel e Estados Unidos as vacinas estão diminuindo hospitalizações, mortes e transmissão também.
Richtmann também destaca que ainda não existem dados de efetividade — o quanto a vacina protege quando aplicada na população, em grande escala — dos imunizantes utilizados no Brasil. Mas há, segundo ela, ocorrência de casos de Covid-19, inclusive graves, entre profissionais da saúde com mais de três semanas após receber a segunda dose da CoronaVac.
— Nos estudos de fase 3, o Instituto Butantan [que produz a CoronaVac no Brasil] falava de uma eficácia de quase 100% de proteção para casos graves, e pelo que observamos na vida real não tem sido dessa maneira. Isso não significa que deva deixar de vacinar, mas que mesmo vacinado não se deve baixar a guarda. Principalmente profissionais da saúde, que são muito expostos ao vírus — diz a infectologista.
Richtmann lembra que na época dos ensaios clínicos não havia a alta circulação viral observada atualmente no país, além da presença das novas variantes do coronavírus.
— Por isso não se deve deixar de ter cuidados, que são basicamente os de sempre, mas devem ser ainda maiores agora — afirma. — Claro que a vacina vai ter impacto na redução das mortes, da hospitalização e da circulação do vírus, mas não podemos julgar que quem está vacinado está de fato protegido. Não podemos baixar a guarda.
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