Por MILHÃO/habitantes _ A Maior REGRESSÃO ECONÔMICA e SOCIAL da História do Brasil

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____________________ por MILHÃO de habitantes:

2.654 _____ República Tcheca 
2.606 _____ Hungria 
2.563 _____ San Marino 
2.373 _____ Bósnia e Herzegovina
2.275 _____ Montenegro
2.186 _____ Bulgária 
2.132 _____ Macedônia do Norte
2.048 _____ Bélgica 
2.034 _____ Eslováquia 
2.000 _____ Eslovênia 
1.933 _____ Itália 
1.878 _____ Reino Unido 
1.756 _____ Brasil 
1.722 _____ Peru
1.713 _____ EUA
1.646 _____ México 
1.434 _____ Panamá 
1.342 _____ Colômbia 
1.317 _____ Chile
1.310 _____ Argentina 
1.083 _____ Bolívia 
1.003 _____ Equador

Brasil tem maior taxa de mortalidade por covid na América e a 13ª do mundo

Governo Bolsonaro aprofunda maior REGRESSÃO ECONÔMICA e SOCIAL da HISTÓRIA 

Brasil se torna o país com mais mortes por Covid-19 nas Américas em relação à população

Covas abertas em cemitério de São Paulo (SP) em meio à pandemia de coronavírus 16/07/2020

Sputnik - O Brasil ultrapassou Estados Unidos, México e Peru e se tornou o país com mais mortes por COVID-19 do continente americano em relação à sua população total.

Após o avanço da pandemia no país nas últimas semanas, o Brasil agora tem 1.756 mortes a cada um milhão de habitantes. Peru (1.722), EUA (1.731) e México (1.646) aparecem logo na sequência neste ranking.

Os dados são do site Our World in Data, conforme noticiado pelo G1.

Depois dos quatro países, os piores colocados com mais mortes por COVID-19 proporcionais à população são: Panamá (1.434), Colômbia (1.342), Chile (1.317), Argentina (1.310), Bolívia (1.083) e Equador (1.003).

Na média, a América do Sul registra 1.445 mortes a cada um milhão de habitantes. Já a América do Norte tem média de 1.406 óbitos.

Em números absolutos, os EUA continuam sendo o país com mais vítimas da doença no mundo, com 567 mil óbitos. O Brasil vem logo depois, com 373 mil, seguido pelo México, com 212 mil.

No ranking mundial de óbitos a cada um milhão de habitantes, o Brasil ocupa a 13ª posição.

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Brasil tem maior taxa de mortalidade por covid na América e a 13ª do mundo

Sepultamento de vítima de covid-19 no cemitério do Caju, zona norte do Rio - Herculano Barreto Filho/UOL
Sepultamento de vítima de covid-19 no cemitério do Caju, zona norte do Rio Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL

Do UOL, em São Paulo

19/04/2021 14h35

Atualizada em 19/04/2021 15h02

taxa de mortalidade por covid-19 no Brasil ultrapassou a dos Estados Unidos e já é a maior em toda a América, segundo dados da plataforma "Our World in Data", ligado à Universidade de Oxford, no Reino Unido. No mundo, o Brasil é o 13º em número de mortes por milhão de habitantes.

Em números absolutos, o Brasil é o segundo com mais mortes causadas pelo coronavírus no mundo —373.442 até ontem—, atrás apenas dos Estados Unidos, com 567.217 óbitos, de acordo com os dados da plataforma.

Por que o Nordeste registra a menor taxa de mortalidade pela covid em 2021

Porém, quando considerado o número de mortes em relação à sua população, o Brasil está à frente dos Estados Unidos.

Com uma população estimada em 212,6 milhões de pessoas, a taxa de mortalidade por covid-19 no Brasil é de 1.756,38 por milhão de habitante, enquanto nos Estados Unidos (331 milhões de pessoas) a taxa é de 1.713,63 por milhão de habitante.

Veja abaixo os dez países com maior taxa de mortalidade por covid-19 na América, segundo o "Our World in Data":

  1. Brasil: 1.756,38 por milhão de habitante
  2. Peru: 1.722,59 por milhão de habitante
  3. EUA: 1.713,63 por milhão de habitante
  4. México: 1.646,90 por milhão de habitante
  5. Panamá: 1.434,14 por milhão de habitante
  6. Colômbia: 1.342,85 por milhão de habitante
  7. Chile: 1.317,05 por milhão de habitante
  8. Argentina: 1.310,48 por milhão de habitante
  9. Bolívia: 1.083,52 por milhão de habitante
  10. Equador: 1.003,40 por milhão de habitante

Brasil é o 13º com maior mortalidade no mundo

Os dados também apontam que o Brasil tem a 13ª maior taxa de mortalidade por covid-19 no mundo, atrás de países com uma população bem menor do que a nossa.

Veja abaixo os 13 países com maior taxa de mortalidade por covid-19 no mundo, segundo o "Our World in Data":

  1. República Tcheca: 2.654,41 por milhão de habitante
  2. Hungria: 2.606,95 por milhão de habitante
  3. San Marino: 2.563,50 por milhão de habitante
  4. Bósnia e Herzegovina: 2.373,80 por milhão de habitante
  5. Montenegro: 2.275,25 por milhão de habitante
  6. Bulgária: 2.186,82 por milhão de habitante
  7. Macedônia do Norte: 2.132,59 por milhão de habitante
  8. Bélgica: 2.048,99 por milhão de habitante
  9. Eslováquia: 2.034,20 por milhão de habitante
  10. Eslovênia: 2.000,55 por milhão de habitante
  11. Itália: 1.933,90 por milhão de habitante
  12. Reino Unido: 1,878.41 por milhão de habitante
  13. Brasil: 1.756,38 por milhão de habitante

Média de mortes acima de mil pelo 88º dia seguido

Dados divulgados ontem pelo consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, mostram que o Brasil chegou ao 88º dia consecutivo com a média de mortes por covid-19 em sete dias acima de mil. O número mostra que o país se estabilizou em um patamar elevado de óbitos.

Apesar de ter registrado 1.553 novas mortes em 24 horas ontem, o Brasil já chegou a contabilizar mais de 3.000 óbitos pela covid-19 em um único dia

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Opinião: Jose Paulo Kupfer - Governo Bolsonaro aprofunda maior regressão econômica e social da história

José Paulo Kupfer

19/04/2021 15h01

O Brasil está vivendo a maior regressão econômica e social de sua história republicana. O crescimento da economia e a renda per capita recuaram, nos últimos sete anos, ao mesmo tempo em que as desigualdades de renda, a pobreza e a fome aumentaram. Este é um país em marcha à ré, que só conseguirá começar a estancar o retrocesso, segundo projeções, em 2024, depois de mais uma década perdida.

Esse retrocesso vem desde 2014, início do segundo mandato de Dilma Rousseff na presidência, consolidando-se no governo de Michel Temer. A aceleração recente da tendência se deve, em parte, aos choques causados pela pandemia de covid-19. Mas, no governo de Jair Bolsonaro, a gestão negacionista da crise sanitária e a política econômica reforçaram e aprofundaram o quadro regressivo.

A política econômica de Bolsonaro, conduzida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes é obsessivamente focada em esforços nem sempre bem-sucedidos de reequilibrar as contas públicas, com cortes em gastos públicos, Diante dos prejuízos causados pelas restrições decretadas ou voluntárias à movimentação de pessoas e mercadorias, essa política opera na contramão do que está sendo praticado no resto do mundo. Na grande maioria dos demais países, volumes inéditos de recursos públicos estão sendo mobilizados no enfrentamento das consequências econômicas e sociais da pandemia.

O enfrentamento das graves consequências sociais e econômicas da pandemia por Bolsonaro tem sido hesitante, de um lado, e desastroso, de outro. O resultado é um momento, hoje inédito no mundo, e não tão comum, mesmo no Brasil quando sofria com a hiperinflação, em que o país se vê às voltas com uma estagflação - aquela situação de desarranjo na economia que se traduz em recessão ou baixo crescimento, combinada com pressões inflacionárias, normalmente inexistente quando a atividade e a demanda recuam.

Do ponto de vista do cenário mais geral da economia, o que se constata é que a atividade econômica murchou e o mercado de trabalho encolheu, o que nem assim ajudou a conter o desemprego. No desdobramento dessa contração, a renda per capita desabou e a pobreza avançou. Com isso, as desigualdades voltaram a crescer e, com elas, a fome e a insegurança alimentar.

Depois de uma das três maiores recessões desde 1901, ao longo de 11 trimestres, entre o segundo trimestre de 2014 e o quarto trimestre de 2016, no qual a economia mergulhou 8,2%, a recuperação tem sido a mais lenta da história. Com crescimento medíocre nos cinco anos seguintes, a atividade econômica ainda não tinha superado as perdas ocorridas na grande recessão quando voltou a afundar em 2020, empurrada para baixo pela pandemia. Em 2021, sete anos após o último pico, registrado no primeiro trimestre de 2014, o PIB ainda está 4,5% abaixo daquele ponto.

Essa involução foi ainda mais regressiva para a renda per capita. Dados do FMI mostram um recuo, na década passada, de 8%. Medida por PPP (paridade de poder de compra, na sigla em inglês), a renda per capita brasileira caiu de US$ 15,4 mil para US$ 14,1 mil, no período. No ranking de 191 países listados pelo FMI, a renda per capital brasileira desceu da 77ª posição, em 2011, para o 85º lugar, no ano passado.

A perda de renda dos brasileiros, nesses últimos anos, atingiu mais os mais pobres. Entre 2014 e 2019, segundo cálculos do Banco Mundial, a renda dos 40% mais pobres caiu 1,5% ao ano, enquanto os demais grupos de renda obtiveram ganho médio anual na renda de 0,3%. Com isso, o índice de Gini, que mede o grau de desigualdade de uma população (quanto mais perto de 1, menos desigual a amostra), e tinha avançado de 0,525, em 2015, para o pico de 0,550, em 2018, voltou a cair para 0,547, em 2019, devendo ter retrocedido ao nível de seis anos atrás, em 2020.

Tais perdas produziram retrocessos em cascata. Brasileiros antes situados na classe média caíram para os estratos mais pobres. No primeiro trimestre de 2021, depois de encerrado o auxílio emergencial do ano anterior, segundo projeções da FGV-RJ, 17,7 milhões de pessoas voltaram à pobreza. Os extremamente pobres, eram 9,5 milhões, em agosto de 2020, o equivalente a 4,5% da população, mas somavam já 27,2 milhões, quase 13% do total de brasileiros, em fevereiro passado. Em 2019, 11% da população, num conjunto de 23 milhões de pessoas, se encontravam na extrema pobreza.

A classe média encolheu e, pela primeira vez em 10 anos, a pirâmide de renda brasileira mostra que classe média e pobre dividem 47% do total, de acordo com pesquisa do Instituto Locomotiva, em março último. De 2010 a 2020, a classe média recuou de 54% da população total para 51%, caindo para 47%, em 2021. Na direção contrária, a classe pobre aumentou de 38% para 43% da população, até o ano passado, subindo agora para 47%.

Num movimento natural, diante da regressão da renda, aumentaram os níveis de maior pobreza. Esse movimento havia sido estancado e até mesmo em parte revertido com o auxílio emergencial de 2020 e outros benefícios públicos que deram sustentação ao emprego, com programas de ajuda a empresas. Mas um erro do governo, que, no fim de 2020, considerou "baixíssimos" os riscos de novas onda de covid-19 e eliminou auxílios e programas de suporte a empregos e empresas, fez com que os números da pobreza explodissem.

No primeiro trimestre de 2021, depois de encerrado o auxílio emergencial do ano anterior, segundo projeções da FGV-RJ, 17,7 milhões de pessoas voltaram à pobreza. Os extremamente pobres, eram 9,5 milhões, em agosto de 2020, o equivalente a 4,5% da população, mas somavam já 27,2 milhões, quase 13% do total de brasileiros, em fevereiro passado. Em 2019, 11% da população, num conjunto de 23 milhões de pessoas, se encontravam na extrema pobreza.

Desse quadro de ampla regressão, a consequência mais dramática é a da fome e de suas sequelas, inclusive cognitivas, sobretudo em crianças.

Dados do IBGE mostram ter havido, nos últimos sete anos, aumento expressivo das residências em que a falta de comida era, pelo menos, uma preocupação cotidiana.

De 23% dos lares brasileiros, em 2013, o total daqueles em que rondava o espectro da fome, subiu para 37%, em 2018, indicando tendência de chegar a 40%, em 2019.

Pesquisa mais recente, entre novembro e dezembro de 2020, parte de um projeto conjunto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Livre de Berlim, constatou a existência de 32 milhões de pessoas, ocupando 15% dos lares brasileiros, em situação de fome. 

Em situação de insegurança alimentar, ou seja, pelo menos com preocupação se haveria comida no prato amanhã, são mais de 125 milhões de brasileiros, quase 60% da população.

Um quadro, numa palavra, catastrófico.

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"Um povo que porventura vote num cara desse é povo que merece sofrer"

Bolsonaro fala sobre partido, ataca Lula e VISLUMBRA ter 4 (QUATRO) INDICADOS no STF

Fábio Castanho e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

19/04/2021 11h14

Atualizada em 19/04/2021 14h27

A um ano e meio da corrida presidencial de 2022, Jair Bolsonaro (sem partido) abordou, em conversa com apoiadores, diversos temas referentes às eleições —quando deve concorrer à reeleição. O governante comentou desde a filiação a um novo partido à possibilidade de indicação de mais dois ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em 2023.

Bolsonaro também aprovou o espaço durante conversa matinal com apoiadores para atacar um de seus adversários, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve sua elegibilidade confirmada pelo Supremo e é uma das alternativas de candidatura à Presidência no ano que vem.

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Instigado sobre decisão do plenário do STF na última semana, que referendou a decisão do ministro Edson Fachin devolvendo a elegibilidade a Lula, Bolsonaro citou o placar de 8 a 3 no Supremo antes de criticar previamente uma eventual preferência do eleitor pelo petista.

"Foi 8 a 3 o placar né? Interpreta como você quiser, mas um povo que porventura vote num cara desse é povo que merece sofrer", disse Bolsonaro, que antes, no início da conversa já havia citado com ironia a presença de Lula na capa da revista "Veja".

"Alguém viu a capa dessa semana (da Veja).... tem lá o Lula, lindão". A última edição do periódico estampa foto do petista na capa, com a seguinte manchete: "De volta ao jogo". 

A revista ainda destaca que o ex-presidente "intensifica a movimentação política para sua candidatura à Presidência" depois da decisão do STF.

Sem se colocar claramente como candidato à reeleição, Bolsonaro ainda disse a seguidores que o pleito de 2022 tem grande importância pela indicação de mais dois ministros ao Supremo pelo presidente eleito logo no primeiro ano de mandato.

Bolsonaro já nomeou Kassio Nunes Marques para o lugar de Celso de Mello no ano passado e indicará em julho o substituto de Marco Aurélio Mello. Em 2023, Ricardo Lewandowski (em maio) e Rosa Weber (em outubro) completarão a idade máxima de 75 anos.

"Nas eleições do ano que vem, quem se eleger indica dois para o Supremo no primeiro trimestre de 2023 (na verdade ao longo do ano). Se for um cara da minha linha vai ter quatro lá", disse.

Sem ser claro, ele disse que nesse cenário 'mudam as coisas'. "Alguns querem que dê um cavalo de pau no Brasil, não dá para dar um cavalo de pau no Brasil", completou.

Novo partido em abril

Na conversa, Bolsonaro ainda disse que deve se decidir ainda neste mês sobre a filiação a um novo partido. Ele praticamente descartou a chance de o Aliança pelo Brasil, idealizado por ele, se concretizar a tempo de ser sua legenda.

"Do Aliança é muito pequena a chance. Já estou atrasado, tem outro partido, espero que esse mês resolva", disse.

Depois de abrir conversas com ao menos cinco partidos, entre os quais o PSL, e de estipular prazo até março para definir seu futuro partidário, o presidente Jair Bolsonaro continua sem uma agremiação para chamar de sua.

A filiação a uma legenda é necessária para que o presidente esteja apto a disputar a reeleição em 2022 — de acordo com as regras da Justiça Eleitoral, o prazo máximo é até seis meses antes do pleito.

Ainda sobre as eleições de 2022, ele disse que tem candidato para o Senado em Mato Grosso. 'Tem 27 vagas (em disputa) no Senado ano que vem. No Mato Grosso já tenho um candidato lá, um deputado federal. É o (José) Medeiros (Podemos-MT). Nem sei se ele é candidato?", disse

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Reportagem: Rogério Gentile - Juiz manda Danilo Gentili pedir desculpas e pagar R$ 41,8 mil a enfermeiros

Danilo Gentili no The Noite (Divulgação/SBT)  - Divulgação/SBT
Danilo Gentili no The Noite (Divulgação/SBT) Imagem: Divulgação/SBT
Rogério Gentile

Colunista do UOL

19/04/2021 09h29

Atualizada em 19/04/2021 14h06

A Justiça de São Paulo condenou o humorista Danilo Gentili a pagar uma indenização de R$ 41,8 mil ao sindicato dos enfermeiros, bem como a publicar um pedido de desculpas em suas redes sociais.

Em dezembro do ano passado, Gentili escreveu o seguinte post no twitter: "Vocês sabem se existe um asilo especializado onde as enfermeiras batem umas pros véios? Essa tem sido uma preocupação minha quando penso no futuro. Existe esse tipo de serviço?".

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O juiz André Salvador Bezerra, da 42ª Vara Cível de São Paulo, considerou que o humorista "fez uso de sua condição de pessoa pública para ofender toda uma categoria profissional".

De acordo com o magistrado, com a publicação, o humorista legitimou "seculares formas de opressão contra as mulheres - inseriu a profissão de enfermeira como uma função a ser ocupada por mulheres para servir sexualmente a ele, o homem branco".

Pela sentença, o humorista terá de pedir desculpas sob pena de lhe ser aplicada uma multa diária de R$ 1.000 reais durante 200 dias.

Cabe recurso contra a decisão.

Gentili afirmou à Justiça que não cometeu ato ilícito e que não violou nenhum direito. Disse que apenas exerceu seu direito constitucional à liberdade artística e que a piada fazia referência a uma cena da comédia italiana "Feios, Sujos e Malvados", de Ettore Scola.

"Fazer piada de forma alguma permite concluir que Gentili estivesse incentivando o assédio moral e sexual contra a categoria dos enfermeiros ou que seja o responsável pela violência doméstica que existe contra as mulheres desse país", afirmou a sua defesa no processo. O humorista é representado pelo escritório Simão e Bunazar Advogados.

Segundo a defesa, o processo é uma tentativa de censura aberta por adversários políticos, citando o fato de que o sindicato é ligado à CUT (Central Única dos Trabalhadores) e ao PT. "Trata-se de uma absurda e inócua restrição à atividade humorística."

O sindicato negou à Justiça que o processo tenha relação com a política. Disse ainda que Gentili não fez uma piada, mas cometeu uma agressão à categoria.

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Pesquisadores do mundo assinam carta de solidariedade aos brasileiros diante da gestão de Bolsonaro

Jair Bolsonaro com olhos estalados - Ansa
Jair Bolsonaro com olhos estalados Imagem: Ansa

19/04/2021 16h27

Doutoranda na Universidade Paris 8, com especialidade em migrações, a pesquisadora Glenda Andrade tomou a iniciativa de redigir uma carta aberta de solidariedade aos colegas acadêmicos e cientistas e ao povo brasileiro, diante da crise sanitária causada pela Covid-19 e agravada pela má gestão do governo federal. A carta reuniu mais de 200 assinaturas de pesquisadores de todo o mundo, incluindo as de três laureados pelo Prêmio Nobel.

"Se o coronavírus afeta todos os países do globo, a amplitude da catástrofe sanitária que acomete o país não pode ser dissociada da gestão desastrosa do presidente Jair Bolsonaro. O presidente deve ser responsabilizado pela condução da crise sanitária no Brasil, que não somente fez explodir o número de mortes mas acentuou as desigualdades no país", diz um trecho da carta.

Glenda conta que a ideia de escrever esta carta - redigida por ela - se deu numa conversa entre pesquisadoras. "Tudo começou em uma conversa com colegas aqui na França e no Brasil. Entre essas colegas estava a Helena Hirata, que é diretora emérita do CNRS [Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França], a Liliana Segnini, da Unicamp, e a Graça Druck, da Universidade Federal da Bahia. Nesta conversa, elas mencionaram duas ações distintas. Uma, intitulada Luto pela Vida, em que diversas universidades lançaram uma ação conjunta para lutar pela vida e pela vacina no Brasil, e outra chamada Juízes para a Democracia, que encaminhou, no final de março, uma carta aberta à comunidade internacional, onde eles suplicam por socorro e pedem apoio internacional para salvar a vida dos brasileiros".

Este apelo à comunidade internacional e o agravamento da crise sanitária no Brasil - que ultrapassou os 370 mil mortos - além dos constantes ataques do presidente Jair Bolsonaro à ciência, deram fôlego para que Glenda lançasse a carta e fosse recolher as mais de 200 assinaturas. Além dos ganhadores dos Prêmios Nobel de Medicina de 2019 e 2020 e do de Física de 2019, a carta tem nomes como Peter Wagner (Universidade de Barcelona, Espanha) e Jacques Rancière (Universidade Paris 8, França), Helena Hirata (CNRS, França) e Susan McGrath (Universidade de York, Canadá).

Contra o negacionismo de Bolsonaro

"Em inúmeros momentos, o dirigente da República brasileira se referiu à Covid-19 como 'gripezinha', minimizando a gravidade da doença. Bolsonaro criticou as medidas preventivas, como o isolamento físico e o uso de máscaras, e por diversas vezes provocou aglomerações", lembra a pesquisadora.

"[Bolsonaro] chegou a propagar o uso da cloroquina, embora cientistas alertassem para os efeitos tóxicos do uso do fármaco para combater a Covid. Pesquisadores que publicaram estudos que demonstravam que o uso do medicamento aumentava o risco de morte em pacientes com Covid chegaram a ser ameaçados no Brasil."

Além disso, lembra Glenda, Bolsonaro desencorajou a vacinação, chegando a sugerir, por exemplo, que as pessoas poderiam se transformar em jacaré. "Em meio ao negacionismo, proliferação de falsas informações e ataques à ciência, em plena crise sanitária, o presidente chegou a mudar quatro vezes de ministro da saúde."

Ela frisa que a ciência brasileira está sofrendo diversos ataques: cortes e mais cortes orçamentários que ameaçam pesquisas e colocam o trabalho de cientistas em xeque; instrumentalização da ciência à fins eleitoreiros, como bem mostram as declarações do presidente descredibilizando o trabalho de cientistas durante a crise sanitária.

Além da Covid

Esses ataques, no entanto, vão além do contexto da Covid-19, sublinha o texto da carta. "Basta lembrar os ataques feitos por Bolsonaro ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em um contexto alarmante diante dos níveis de desmatamento da Amazônia".

"Ao desmentir a ciência, Bolsonaro não somente fere a comunidade científica, mas toda a sociedade brasileira: são diários os recordes de mortes pela Covid, dados da Fiocruz indicam, por exemplo, a circulação de 92 cepas do coronavírus no Brasil, o que torna o país uma gigantesca fábrica de variantes; para além temos ainda os impactos sobre o meio ambiente, povos tradicionais da Amazônia e o clima global", diz um outro trecho da carta, que já foi publicada pelo jornal Folha de São Paulo e pelo site francês Mediapart.

Glenda conta que nos círculos universitários existe uma comoção muito grande com a crise brasileira, agravada pela gestão Bolsonaro, e que a carta serve para mostrar aos colegas que estão no Brasil que existe solidariedade em todas as partes do mundo. "A gente faz o que a gente pode e tenta tomar iniciativas, ainda que sejam simbólicas", conclui.

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Média de mortes em 2020 NÃO foi MENOR que em 2019

Checagem do Comprova verificou postagem feita pelo músico Roger Moreira - Reprodução/Comprova
Checagem do Comprova verificou postagem feita pelo músico Roger Moreira Imagem: Reprodução/Comprova

Do UOL, em São Paulo*

19/04/2021 16h22

É enganoso o tuíte do cantor Roger Moreira que apresenta o print de uma notícia de maio de 2020 alegando que a média de mortes do ano era menor do que em 2019. O texto reproduzido é equivocado porque busca reduzir o impacto da quantidade de mortes ocorridas pela covid-19 no Brasil ao apresentar cálculos errados sobre as notificações.

A publicação apresenta dados de Registro Civil, de responsabilidade da Arpen (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais) e coletados nos cartórios do país, de janeiro a maio de 2020 em comparação ao mesmo período de 2019. Além de apresentar uma soma incompleta, sem considerar o mês cheio, ela também distorce o atraso em registros de óbitos.

Covid-19 não mata apenas idosos e doentes crônicos

Contatado pela reportagem, Roger Moreira disse que considera "um desrespeito essa soma diária de mortos". Ele criticou o trabalho de checagem e disse que, quando fez o print, buscava informações sobre a "taxa normal de óbitos sem pandemia", ainda que os dados fossem do ano passado. Ele acrescentou que, para fins de comparação, os números de óbitos registrados por outras causas também deveriam ser divulgados pela imprensa.

Como verificamos?

Procuramos o cantor Roger Moreira, que se justificou sobre a postagem pelo WhatsApp.

Depois, buscamos os dados do Portal da Transparência do Registro Civil, que consolida os registros de mortes ocorridos em todo o território nacional. A busca do site permite o acesso aos dados por mês, em diferentes regiões e cidades do Brasil, mas não permite o recorte diário — por isso, entramos em contato com a Arpen, entidade responsável pelos dados fornecidos no portal, para pedir acesso aos números completos.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 19 de abril de 2021.

Verificação

Publicação alega que pandemia não afetou aumento de mortes

A publicação à qual o print tirado por Roger Moreira se refere afirma que não só a quantidade de óbitos no país, entre janeiro e maio de 2020, segue a média de mortes observada no mesmo período em outros anos, como o total de registros era menor do que no ano anterior.

"Apesar da incidência do covid-19, o montante total de óbitos ocorridos no Brasil pelos mais variados motivos, de 1 de janeiro a 19 de maio deste ano, de 457.648, ainda são inferiores aos registrados em 2019, de 491.237, no mesmo período, uma diferença de menos 33.598 mortes", diz trecho do texto.

Números de 2020 não foram menores

No site do Registro Civil a consulta é feita apenas pelo total de óbitos apresentado no mês inteiro, sem possibilidade de busca por dias específicos. Procurada pelo Comprova, a Arpen afirmou que o levantamento de acordo com a data só pode ser realizado por uma área técnica e que, no momento, as demandas prioritárias são dos governos federal e estadual.

Os dados cheios dos meses comparados apontam o contrário: houve, sim, mais mortes registradas em cartórios no ano de 2020 do que em 2019. Para que a verificação fosse mais precisa, o Comprova utilizou apenas os registros entre janeiro e maio, mesma base de comparação do texto compartilhado por Roger Moreira.

Vale ressaltar que os números consultados em 2021 têm mais dias de cálculo, já que contabilizam óbitos até o dia 31 do mês, 12 a mais que a publicação, e não apresentam dados atrasados, algo recorrente sobretudo em casos de covid-19, com muitos diagnósticos confirmados só após a morte pela doença.

Segundo o Registro Civil, entre janeiro e maio de 2019 foram registrados 518.455 óbitos — média de 3.430 mortes por dia. Já em 2020, no mesmo período, foram 558.464 mortes (média de 3.674 óbitos diários), 40.404 a mais que no ano anterior.

O valor é maior do que a diferença entre 2019 e 2018 no mesmo período; 2018 teve 31,5 mil mortes a menos. Só os óbitos pelo coronavírus, entre janeiro e maio de 2020, correspondem a 39.455, sendo que a primeira morte pela doença, no país, data de 12 de março.

Ainda no ano passado, uma reportagem do UOL apontou que o mês de maio teve mais mortes por covid-19 no Brasil do que a soma de todos os óbitos provocados por cânceres.

Atraso no registro de mortes

O Comprova já havia verificado conteúdos sobre os registros de mortes no início de 2020, e explicado que os dados do Portal da Transparência devem ser analisados com cautela, sobretudo quando é feita a contabilização de mortes recentes em relação à data da consulta ao site.

Segundo a própria plataforma, "a atualização pelos registros de óbitos lavrados pelos Cartórios de Registro Civil obedece a prazos legais". Esse prazo leva em conta que "a família tem até 24 horas após o falecimento para registrar o óbito em cartório que, por sua vez, tem até cinco dias para efetuar o registro de óbito". Considera também que o cartório tem ainda oito dias para enviar o registro à Central Nacional de Informações do Registro Civil, que atualiza o portal. No total, oficialmente, são 14 dias.

Além disso, a Lei de Registros Públicos prevê exceções que podem aumentar esse prazo. Como destacou a Agência Lupa, se o local da morte ficar a mais de 30 quilômetros de um cartório, a família pode registrar o falecimento em até três meses — na prática, porém, os prazos ainda são, muitas vezes, descumpridos.

A agilidade no registro dos óbitos durante a pandemia também tem variado entre as regiões do Brasil, e produzido distorções nos dados — que se acentuam quando a consulta do Portal é feita para um intervalo curto de tempo.

Músico diz que mortes por outras causas também devem ser divulgadas

Questionado pela reportagem se havia verificado a data da publicação, de maio passado, Roger Moreira afirmou que havia reparado, sim, e que ele procurava qual a "taxa normal de óbitos sem a pandemia".

"Acho um desrespeito essa soma diária de mortos. É um país gigantesco e é claro que os números serão altos, sempre. Estão usando cadáveres para fazer campanha política", disse.

No Twitter, ele já havia declarado que era "evidente" o aumento de mortes, e defendeu que óbitos por outras causas também fossem reportados a fins de comparação: "Se contasse os infartos, por exemplo, também teríamos um número expressivo diariamente".

Por que investigamos?

Os dados diários de casos e mortes da doença servem para que especialistas calculem melhor as taxas de transmissão e mortalidade no país.

Diferentemente do infarto, ocorrência usada como exemplo por Roger Moreira para falar sobre altos índices de mortes, a covid-19 é uma doença transmissível pelo ar e que pode ter o contágio reduzido por meio de ações públicas.

As autoridades se baseiam nos números para adotar políticas no combate ao vírus, trabalhando inclusive com a previsão de superlotação em hospitais e cemitérios.

O total de óbitos, incluindo outras causas além da covid-19, também auxilia no entendimento de que a pandemia pode ter impacto sobre outras mortes — algumas delas provocadas pela sobrecarga nos sistemas de saúde. Em 2021, a superlotação nos hospitais levou pacientes com covid-19 a ocupar leitos destinados a outras doenças.

As informações utilizadas pela publicação à qual o músico se referiu foram apresentadas de forma incompleta e sem a devida contextualização, o que prejudica o entendimento sobre a importância da divulgação de mortes por covid-19. A postagem de Roger, até o dia 19 de abril, já havia ultrapassado 3 mil interações no Twitter.

Até a data da publicação deste texto, o Ministério da Saúde contabiliza 1.657 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, números que costumam ser menores aos finais de semana em função do represamento de dados das secretarias estaduais.

O país soma 373.335 óbitos e 13.943.071 casos da doença. Segundo o consórcio de veículos de imprensa, que faz o levantamento de notificações diretamente com as secretarias, a média diária de mortes pela doença nos últimos sete dias é de 2.878.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, o Comprova já verificou diversas postagens e publicações elaboradas a partir de registros de óbitos. Dados incompletos e descontextualizados já foram usados para apontar o declínio da pandemia no Brasil e negar que o país tivesse ultrapassado 100 mil mortes por covid-19.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original, que usa dados imprecisos e que confunde, mesmo que não exista a intenção deliberada de causar dano.

* O material foi produzido por UOL e BandNews, e revisado por O Estado de S. Paulo, Correio de Carajas e O Popular. Todos os veículos integram o projeto Comprova

O Comprova é um projeto integrado por 24 veículos de imprensa brasileiros que descobre, investiga e explica rumores, conteúdo forjado e táticas de manipulação associados a políticas públicas. Envie sua pergunta ou denúncia de boato pelo WhatsApp 11 97795 0022.

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