Quem enfrenta o DEUS COVID-19 é LOUCO

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Pastor Valdemiro cita Alexandre Kalil em culto lotado: 'Quem enfrenta Deus é louco'

Pastor Valdemiro Santiago

247 - O pastor Valdemiro Santiago criticou o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), após o chefe do Executivo municipal dizer que não acataria a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, que autorizou a realização de cultos presenciais em todo o País.

"Todo mundo que deseja enfrentar Deus é louco. Porque isso foi ordem de Deus", disse o religioso nesse domingo (4), no bairro do Brás, em São Paulo. "Foi determinado por um ministro que as igrejas voltassem a ministrar culto. Mas o mérito não é do ministro, é de Deus", acrescentou. O relato foi publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo

Na transmissão online dos cultos, realizados às 7h e às 10h, é possível pessoas desrespeitando as regras de distanciamento social impostas pelo Supremo e ultrapassando a capacidade máxima de 25% da lotação total.

Em nota, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) fez críticas à decisão do Supremo. "O Conic orienta que, mesmo neste período de Páscoa, o ideal é que as pessoas fiquem em casa. A celebração da Páscoa é algo muito importante para nós, cristãos. Mas é fato que vivemos tempos difíceis. Tempos atípicos. Neste sentido, a ida a um culto ou missa pode ser uma oportunidade a mais de se expor ao vírus", disse.

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Com Ramos na Casa Civil e Braga Netto na Defesa, generais continuam tomando decisões estratégicas de governo

Ministros Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos

247 - O general Luiz Eduardo Ramos foi um dos principais operadores da recente mudança no ministério. Ele e o general Braga Netto concentram poderes no Palácio do Planalto e influência sobre Jair Bolsonaro.

Reportagem publicada no Estado de S.Paulo nesta segunda-feira (5), informa que a decisão de Bolsonaro de substituir o ministro da Defesa, general Luiz Fernando Azevedo e Silva, e o comandante do Exército, Edson Pujol foi tomada num encontro no último domingo de março (28), na casa de Braga Netto, em Brasília, na presença do general Ramos.

Os dois generais palacianos agiram com rapidez para conter o descontentamento com a saída de Azevedo e Silva, de Pujol e dos então comandantes da Marinha, Ilques Barbosa, e da Aeronáutica, Antônio Carlos Bermudez. Eles trataram de fazer uma gestão de redução de danos e montaram a sucessão na cúpula militar em menos de 24 horas com nomes respeitados tanto pelas tropas quanto pelo Altos Comandos.

Como consequência da operação discutida naquele domingo, os dois generais ficaram com ministérios estratégicos.

A Casa Civil coordena as atividades das demais pastas. O ministro-chefe sempre atua como braço direito do presidente. Tem poder no controle das nomeações de cargos e na distribuição de verbas. Ao mesmo tempo em que travou duelo com colegas militares, entrosado com o presidente, Ramos selou sua ligação com Bolsonaro ao construir a aliança com o Centrão.

O general Ramos se tornou figura-chave no aconselhamento de Bolsonaro antes de tomar decisões. É na Casa Civil que projetos e programas elaborados nos ministérios e, mesmo em negociações no Congresso, são revisados e chancelados antes da aprovação presidencial.

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País só deve concluir vacinação de prioritários no 2º semestre

247 - Com o ritmo lento de vacinação, o Brasil só deve imunizar todos os grupos prioritários (77,2 milhões de pessoas) apenas no segundo semestre deste ano, de acordo com projeções feitas por analistas. Em setembro, quando Biomanguinhos começará a produzir o IFA da vacina de Oxford/AstraZeneca, mas o cronograma pode mudar, porque a assinatura do contrato de transferência de tecnologia entre AstraZeneca e Fiocruz está atrasado há quatro meses. De acordo com o cronograma do Instituto Butantan, a produção do IFA da Coronavac só deverá ocorrer em larga escala a partir do início do ano que vem. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) tem capacidade para vacinar pelo menos dois milhões de pessoas por dia, mas o Brasil tem dificuldades para a aquisição de imunizantes prontos e de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), matéria-prima necessária à produção nacional de vacinas no Instituto Butantan, em São Paulo, e em Biomanguinhos/Fiocruz, no Rio.

No dia 31 de março, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, voltou a baixar a previsão de entrega de vacinas em abril de cerca de 40 milhões para 25 milhões de doses. Mesmo assim, no mesmo dia, o governo anunciou que pretendia vacinar 80 milhões de pessoas (metade da população elegível para receber a vacina) até metade do ano. 

De acordo com especialistas, só seria possível atingir o número prometido pelo governo se Brasil vacinasse pelo menos um milhão de pessoas por dia de forma continuada, sem reduções ou interrupções. 

"Se a gente conseguisse chegar a 1,5 milhão de vacinados por dia, em abril concluiríamos o grupo 1 das prioridades", disse o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas. "Aí daria para concluir todas as prioridades até agosto, setembro, e o restante da população, até o fim do ano. Mas acho pouco provável que isso aconteça porque toda vez que o Ministério da Saúde anuncia uma meta, ele a corrige logo depois", complementou.

Coordenador da Rede Análise Covid-19, Isaac Schrarstzhaupt recorreu à matemática. "Para metade da população receber uma dose até o meio do ano, teríamos de vacinar, já a partir de agora, 970 mil por dia; para duas doses, seriam praticamente dois milhões por dia".

Comparações

Enquanto o Brasil ainda corre contra o tempo para vacinar a população, nos Estados Unidos já são mais de 101,8 milhões de americanos vacinados com pelo menos uma dose. Eles começaram a realizar atividades normais, como encontrar a família, jogar futebol, viajar, fazer planos para celebrar o casamento, jantar fora e ver amigos.

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Deputado bolsonarista diz que Alexandre Kalil quer impor o ateísmo comunista em BH

Dep. Filipe Barros (PSL - PR)

247 - O deputado bolsonarista Filipe Barros (PSL-PR) atacou o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), após o chefe do Executivo municipal dizer que não acataria a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes de liberar a realização de cultos e missas presenciais

"É um tiranete ateu idólatra da China comunista que quer impor o ateísmo a toda população de BH, em total desrespeito ao estado laico", disse o parlamentar no Twitter. 

Após a declaração, Kalil recuou e disse que "ordem judicial se cumpre". "Por mais que doa no coração de quem defende a vida, ordem judicial se cumpre. Já entramos com recurso e aguardamos a manifestação do presidente do Supremo Tribunal Federal", escreveu o prefeito.

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França entra em 3° lockdown nacional para frear alta de casos de Covid-19

Uma mulher usando uma máscara protetora caminha perto do Arco do Triunfo enquanto a França enfrenta um surto de doença por coronavírus, em Paris

Por RFI - Desde as 19 horas deste sábado (03/04), regras mais restritivas para frear o avanço dos casos de covid-19 são impostas a todo o território francês. Haverá uma tolerância para o retorno do feriado prolongado de Páscoa, mas durante um mês a circulação de pessoas será limitada; as escolas e o comércio não essencial ficarão fechados.

Durante as próximas quatro semanas, os franceses só poderão circular livremente até 10 quilômetros de suas casas e somente até às 19 horas, quando começa o toque de recolher. Essas regras já eram respeitadas em 19 departamentos de vigilância reforçada e foram estendidas a todo o território a partir de hoje. As creches e escolas do ensino fundamental e médio serão fechadas pela primeira vez desde o confinamento na primavera de 2020.

Na região metropolitana de Paris, 6.600 policiais estão mobilizados para "garantir o cumprimento das medidas sanitárias", anunciou a Secretaria de Segurança em um comunicado neste sábado. Eles estão particularmente atentos em multar as pessoas se reúnem em grupos de seis pessoas nas ruas, ou que consomem álcool ao ar livre. A interdição é uma das novidades do terceiro lockdown.

Diante desse novo "esforço" exigido dos franceses, as autoridades decidiram ser um pouco tolerantes e vão aceitar viagens interregionais até a noite de segunda-feira (05/04). A medida visa permitir que as pessoas que viajaram durante o feriado possam voltar tranquilamente para casa. A partir de terça-feira (06/04), somente as viagens essenciais serão possíveis além dos 10 km autorizados.

Com o fechamento dos locais de culto a partir das 19h, as vigílias da Páscoa foram adiadas para o início da manhã de domingo (04/04).

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Nabil Bonduki: Cúmplice do genocídio, Kássio permite que templos virem locais de suicídios coletivos

Nabil Bonduki e o ministro do STF Kassio Nunes Marques

247 - Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Nabil Bonduki critica a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes de liberar a realização de cultos e missas presenciais. 

"Suicídios coletivos de membros de seitas religiosas estimulados por líderes messiânicos não são incomuns", afirma. "Se o isolamento social não for respeitado, é evidente que a realização de cultos e missas em ambientes fechados irá acelerar ainda mais a disseminação da Covid-19. É tudo o que não estamos precisando", acrescenta. 

O colunista destaca que "Kassio, o primeiro ministro indicado por Bolsonaro para o Supremo, respondeu a uma arguição de uma associação evangélica, que não tinha credenciais para fazê-la, e decidiu que é proibido proibir cultos religiosos, ou seja, que prefeitos e governadores não podem mais, em nome da saúde pública, impedir a realização de cultos e missas presenciais". "Descemos mais um degrau no aprofundamento do genocídio!", continua. "A decisão do ministro não tem fundamentação jurídica".

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Centrão garante Orçamento que privilegia programas ligados ao bolsonarismo

Plenário da Câmara dos Deputados

247 - Mesmo na situação de crise financeira, em que faltam recursos para despesas obrigatórias e prestação de serviços públicos, o Orçamento de 2021, aprovado pelo Congresso, privilegiou com mais verbas os programas ligados ao bolsonarismo.

Áreas como segurança pública, proteção à vida e fortalecimento da família, defesa nacional e desenvolvimento regional, que cuida de obras, ampliaram o espaço no Orçamento após acordos partidários com o centrão no Congresso. 

Para 2021, o Orçamento aprovado retirou dinheiro de despesas obrigatórias, inclusive de aposentadorias e demais benefícios previdenciários, para inflar a verba para emendas parlamentares, destinadas principalmente para obras de infraestrutura. Também foram cortados os recursos para programas antagônicos ao bolsonarismo. É o caso das áreas de política externa, transparência, agricultura sustentável e ações ligadas a mudanças climáticas, informa reportagem da Folha de S.Paulo.

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Miriam Leitão diz que governo Bolsonaro acabou e afirma que só se enganou quem quis

247 – A jornalista Miriam Leitão, que atuou no golpe de 2016, difundindo a tese fraudulenta das pedaladas fiscais, pretexto usado para derrubar a democracia, escreve neste domingo que o governo de Jair Bolsonaro acabou e que só acreditou quem quis. "O governo Bolsonaro acabou, mas ainda não terminou", escreveu ela, em sua coluna.

"O fim do governo se vê por todos os lados. Ele virou um peso morto. O desmonte na área econômica é visível. Na quinta-feira demitiu-se o presidente do conselho do Banco do Brasil, Hélio Magalhães, e foi acompanhado pelo conselheiro José Monfort. Já saiu muita gente. Quem se enganou com esta administração o fez porque quis", afirma. "O governo acabou, mas o fato de não ter terminado pesa toneladas sobre o país." 

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Luiz Felipe Pondé prega voto em Lula contra Bolsonaro: "muito mais inteligente"

Filósofo neoconservador, que serviu de linha auxiliar para a eleição de Bolsonaro, Pondé diz que Lula será o "candidato conservador" em 2022: "Só ignorantes pensam que Bolsonaro é um conservador"

Carta Aberta a Luiz Felipe Pondé
Carta Aberta a Luiz Felipe Pondé

Portal Forum - Linha auxiliar do neoconservadorismo brasileiro, que ajudou a eleger Jair Bolsonaro, o filósofo Luiz Felipe Pondé pregou voto em Lula em um possível segundo turno contra Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 em artigo na Folha de S.Paulo neste domingo (4).

“Lula faz acordos melhor do que Bolsonaro. Tem uma tendência apaziguadora e é muito mais inteligente. Provavelmente aprendeu um tanto nesses anos e pode querer imitar Mandela: nada de vinganças. Bolsonaro é um zumbi”, escreve Pondé, resistindo ainda um tanto a dar o braço a torcer, dizendo, a exemplo de FHC, que Lula é o “menos ruim”.

Em entrevista à Jovem Pan – uma das mídias liberais que ecoa seu discurso – em junho de 2020, Pondé disse não se sentir culpa em ajudar a eleger Bolsonaro com sua defesa do “politicamente correto”.

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Casagrande testa positivo para Covid-19 e cartolas criticam postura da Globo

Segundo o jornalista Ricardo Perrone, a queixa é de que comentaristas e outros profissionais da empresa defendem a paralisação dos campeonatos, enquanto canais do Grupo Globo seguem fazendo programas com parte dos participantes no estúdio

Comentaristas Casagrande e Caio em confronto
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247 - O ex-jogador e comentarista Walter Casagrande Júnior  testou positivo para a Covid-19 e a notícia reforçou críticas de dirigentes do futebol à postura da Globo em relação à suspensão de jogos em estados brasileiros por conta do agravamento da pandemia.

Segundo o blog do jornalista esportivo Ricardo Perrone, no UOL, a queixa é de que comentaristas, como o ex-atacante, e outros profissionais da empresa, defendem a paralisação dos campeonatos, enquanto canais do Grupo Globo seguem fazendo programas com parte dos participantes no estúdio.

"Os cartolas enxergam um comportamento contraditório. Entendem que a Globo e o SporTV, entre outras emissoras do país, não praticam o que seus funcionários pregam em relação ao combate à pandemia", diz Perrone. 

No final de março, Casagrande fez duras críticas ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, e da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, respectivamente. Ambos defendem a manutenção dos campeonatos de futebol, apesar do avanço da pandemia do coronavírus e dos números assustadores de casos e mortes pela doença.

“Enquanto Jair Bolsonaro envergonha o país na parte política, o presidente da CBF envergonha o futebol brasileiro. Com ele não vamos perder de 7 a 1, vamos perder de 20 a 0. É uma vergonha o que esses caras estão fazendo. É uma falta de respeito e uma falta de solidariedade”, declarou, durante o Globo Esporte desta terça-feira (23).

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Casagrande diz que testou negativo para Covid e está seguindo todas as recomendações da OMS (vídeo)

Em vídeo divulgado neste domingo, 4, o comentarista Walter Casagrande Jr agradeceu as manifestações de apoio após a divulgação de que ele havia testado positivo, e disse que vem seguindo todos os protocolos estabelecidos pela em relação à Covid

(Foto: Reprodução)
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247 - O comentarista esportivo Walter Casagrande Júnior afirmou que testou negativo para a Covid-19. A notícia de que Casão havia sido contaminado pelo novo coronavírus foi divulgada pelo jornalista Gabriel Vaquer, do UOL, no dia 31 de março. 

O ex-jogador fez um exame PCR que deu negativo. Em vídeo divulgado neste domingo, 4, nas redes sociais, Casagrande agradeceu as manifestações de apoio e disse que vem seguindo todos os protocolos estabelecidos pela em relação à Covid. 

"Eu quero dizer que segui todas as recomendações dos meus médicos, que seguem a recomendação da OMS [Organização Mundial de Saúde]. Fiz todos os exames no hospital, inclusive uma tomografia do tórax e não deu alteração alguma. Mas isso não significa que eu devo relaxar", afirmou. 

Segundo o jornalista Gabriel Vaquer, Casagrande, que tem sido um dos maiores críticos da continuidade do futebol por causa da pandemia do covid-19, fazia testes PCR próprios a cada 10 dias no Hospital Albert Einstein. Três deles realizados deram negativo, mas o quarto, porém, apresentou resultado positivo. 

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Chomsky: "ainda tentarão impedir Lula, mas ele é a saída para o Brasil"

Por Eleonora Lucena e Rodolfo de Lucena, no Tutaméia – “Acredito que ainda vão ocorrer muitas tentativas de impedir que Lula concorra nas próximas eleições, esforços sérios nesse sentido, em parte por causa do intenso ódio de classes que existe no Brasil, que é muito chocante. Alguns setores não querem saber de ter uma pessoa que nem fala português direito assumir uma posição de poder, esse não é o lugar para um trabalhador. Além disso, claro, eles não gostaram das políticas de Lula. De qualquer forma, Lula é hoje um grande e poderoso estadista. Acho que, se ele conseguir driblar as forças que tentam bloqueá-lo, é uma saída para o Brasil. É uma esperança.”

Essa é a avaliação do filósofo e linguista Noam Chomsky, principal intelectual do planeta, em entrevista ao TUTAMÉIA. Confira abaixo:

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Covid: sem diálogo com governo federal, estados acertam estratégia própria

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), também é líder do Fórum Nacional de Governadores - Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), também é líder do Fórum Nacional de Governadores Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo

Pedro Venceslau, Bruno Ribeiro e Matheus Lara

São Paulo

05/04/2021 13h01

Mesmo com a criação de um comitê nacional de combate à pandemia de covid-19 - colegiado sob coordenação do presidente Jair Bolsonaro -, governadores sustentam que ainda não conseguiram abrir um canal de diálogo com o governo federal. Sem interlocução e em constante embate com o Palácio do Planalto, estados acionaram organismos internacionais e estabeleceram estratégia própria para comprar vacinas e promover o intercâmbio de insumos.

Em decisão articulada no Fórum dos Governadores e sem aval do Planalto, os consórcios de governadores do Norte e Nordeste enviaram cartas ao diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e à diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne, pedindo a revisão dos critérios usados para distribuição de vacinas do Covax Facility.

O Covax Facility é uma iniciativa da OMS, da Coalizão para Promoção de Inovações em prol da Preparação para Epidemias e da Aliança Mundial para Vacinas e Imunização, em parceira com a Unicef. O objetivo do consórcio global é acelerar o desenvolvimento e a fabricação de vacinas contra a covid-19 e garantir acesso igualitário à imunização. A entrega dos imunizantes ao Brasil ficou a cargo do Fundo Rotatório da Opas.

Em outra frente, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), enviou um ofício ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, no qual afirma que o Brasil vive uma situação "dramática" em relação à pandemia e solicita a antecipação da entrega de vacinas da Covax Facility. Nenhuma das iniciativas teve participação do governo federal.

Os governadores integraram ainda seus secretários de comunicação para que eles formulem campanhas com uma narrativa unificada em defesa do distanciamento social e do uso de máscaras - práticas questionadas por Bolsonaro desde o início da pandemia. No plano político, medidas como a imunização prioritária de professores e policiais também foram debatidas no grupo de WhatsApp do Fórum de Governadores.

'Burocracia'

Na mais recente reunião dos chefes dos Executivos estaduais com Pacheco, semana passada, foi sugerida ao presidente do Senado a criação de um outro comitê, independente do Planalto e que tenha a participação de Fiocruz, Butantan, prefeitos, secretários de Saúde e governadores. A demanda, porém, não avançou. Pacheco integra o comitê nacional, junto com o presidente Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL).

Para o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), Pacheco "tem demonstrado boa interlocução com os governos estaduais", mas "é preciso agir com mais velocidade". Por outro lado, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), afirmou que a estrutura do comitê - com o senador no papel de "intermediário" - criou uma "burocracia a mais" que pode desgastar o presidente do Senado. "Esse é um comitê federal, não nacional. Sem prefeitos e governadores, a iniciativa nasceu deformada", disse Casagrande.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), que foi eleito na onda do bolsonarismo e hoje mudou o tom em relação ao presidente, também reclama da falta de diálogo com o governo federal, mesmo após a criação do comitê. "Infelizmente, o presidente da República designa outra autoridade como interlocutor desse processo porque não consegue dialogar com os governadores nem liderar o combate à pandemia de forma responsável. Lamentamos muito essa postura", afirmou Leite ao Estadão.

O governador gaúcho faz coro com a maioria dos colegas e avalia como negativa a atuação de Bolsonaro, mesmo após o presidente ter adotado um novo discurso em relação à pandemia. "O presidente não apenas se omite como lidera na direção contrária, confronta e confunde, indo na contramão das recomendações importantes para a proteção das pessoas e a redução da circulação do vírus. Despreza os cuidados sanitários", declarou Leite.

O governador paulista, João Doria (PSDB), segue na mesma linha. "O comitê já nasce atrasado e desprovido de representatividade. Após um ano da maior crise sanitária da história do País, o comitê não contempla secretários estaduais de Saúde, não conta com prefeitos e apresenta poucos resultados práticos. A medida é necessária e urgente, mas precisa contar com atores importantes, que colocam em prática as medidas que buscam atenuar a pandemia. A busca desse comitê deveria ser incansavelmente por vacinas."

Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, foi cauteloso no início, ao comentar a criação do comitê, mas agora vê um "ódio pessoal" de Bolsonaro em relação a governadores. "Se havia alguma expectativa de ponderação e bom senso, ela se dissipou."

Grupo pró-Bolsonaro

O grupo de governadores bolsonaristas está cada vez menor e mais discreto. Segundo levantamento do Estadão, os governadores do Rio, Cláudio Castro (PSC), de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido), e de Roraima, Antonio Denarium (sem partido) são os mais leais ao presidente Jair Bolsonaro. Próximos do Palácio do Planalto, Ronaldo Caiado (DEM), de Goiás; Ratinho Júnior (PSD), do Paraná; e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, têm mantido uma "distância regulamentar" do mandatário.

"Desde o começo da pandemia, o governo federal deveria ter tido uma ação central. Infelizmente, isso não aconteceu e tivemos uma série de dificuldades", afirmou Zema, que, embora critique a demora na ação, defende o formato do comitê nacional de combate à covid. "É muito importante que esse comitê venha a dar essa coordenação que faltou até o momento."

"Tivemos uma primeira reunião e falamos de uma melhora nas ações internacionais do Brasil para garantir uma quantidade de medicamentos, de insumos e até mesmo de buscarmos vacinas com mais agilidade. E defendemos também mais agilidade na vacinação de policiais e professores", disse Zema.

Governador de Roraima, Antonio Denarium foi o único que se manifestou em apoio à atuação de Bolsonaro na pandemia do novo coronavírus e negou que haja falta de diálogo. "O presidente Bolsonaro sempre esteve aberto para o diálogo com os governadores e está conduzindo as ações de combate à pandemia de forma transparente, por meio do Ministério da Saúde", afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Fome atinge 19 milhões de brasileiros durante a pandemia em 2020

Segundo pesquisa conduzida pela Rede Penssan, insegurança alimentar atingiu 11,1% das casas chefiadas por mulheres e 7,7% das comandadas por homens

  • São Paulo

A fome atingiu 19 milhões de brasileiros na pandemia em 2020. Eles estão entre as 116,8 milhões de pessoas que conviveram com algum grau de insegurança alimentar no Brasil nos últimos meses do ano, o que corresponde a 55,2% dos domicílios.

É o que mostram os dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, conduzido pela Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional).

A pesquisa foi feita durante os dias 5 e 24 de dezembro em 2.180 domicílios nas cinco regiões do Brasil, questionando os moradores sobre os três meses anteriores ao momento coleta.

A pesquisa foi realizada no momento em que o auxílio emergencial foi diminuído de R$ 600 para R$ 300 e de R$ 1.200 para R$ 600 —quando a pessoa de referência era uma mãe solo—, afetando a renda de milhões de beneficiários.

Simone Aparecida da Silva, 35, participou das rodadas de R$ 1.200 e R$ 600. Moradora de Heliópolis, em São Paulo, ela é mãe de oito filhos e está grávida do nono. Três deles, porém, vivem em um abrigo. O valor que recebeu do governo permitiu que saísse da casa da mãe e comesse com mais qualidade. Quando ganhou a quantia menor, conseguiu pagar o aluguel, mas dependeu de doações para se alimentar. Sem auxílio, em poucos meses, teve que voltar.

As contas da casa se resumem ao aluguel de R$ 600. A renda vem dos bicos da mãe, que somam R$ 400, e de seu Bolsa Família e da irmã, que são de R$ 342 e R$ 259, respectivamente.

A principal medida do governo para diminuir o impacto da pandemia não foi suficiente. Entre os domicílios que receberam o auxílio emergencial, 28% viveram insegurança alimentar grave —ou seja, passaram fome— ou moderada e 37,6% viveram de forma leve. Já entre os que não receberam, 10,2% passaram por insegurança grave ou moderada, e a maior parte deles, 60,3% viveram em segurança alimentar.

Uma nova rodada do auxílio emergencial foi aprovada e começa a ser paga nesta semana. Os valores variam entre R$ 150 e R$ 375. Simone deve receber o maior benefício. Com a alta do preço dos alimentos e os gastos para manter uma residência, não há outra alternativa a não ser buscar ajuda.

Ser mãe solo diminui o nível de segurança alimentar no Brasil. Há ainda outro fator de agravamento: a raça. Simone é negra.

A fome atingiu 11,1% das casas chefiadas por mulheres. Quando o domicílio em que a pessoa de referência é um homem, esse número cai para 7,7%. A diferença na segurança alimentar entre os gêneros é consideravelmente maior: quando se trata de uma mãe solo, 35,9% das famílias têm a alimentação garantida, já no caso dos homens são mais que a metade, 52,5%.

Quando a pessoa de referência é negra, a fome está presente em 10,7% das casas, enquanto se ela é branca, 7,5%.

As condições de raça e cor, segundo Ana Segall, médica epidemiologista e pesquisadora da Rede Pensann, estão associadas à insegurança alimentar, sendo por si só determinantes do padrão alimentar das famílias.

“Essas condições, principalmente a questão de raça e cor, estão associadas à insegurança alimentar independentemente da renda, mas tendem a ocorrer nas camadas mais pobres da população”, diz.

Assim como a raça, as desigualdades regionais também impactam a segurança alimentar. O Norte e o Nordeste concentram menos domicílios com acesso pleno a alimentos.

No Norte, 18,1% das famílias passavam fome, enquanto 13,8% no Nordeste. Em comparação com a macrorregião Sul e Sudeste, agrupadas na pesquisa, a fome atingiu 6%. No Centro-Oeste, foram 6,9%. .

Débora Aguiar, 27, vive essa realidade. Moradora do Ibura, na periferia de Recife, em Pernambuco, ela vive a insegurança alimentar desde o início da pandemia. Mãe de duas meninas, é casada com Renato Isaías, 24, com quem divide as contas.

Ambos sem emprego, não sabem como pagar o aluguel, de R$ 400. A única certeza que tiveram foi quando receberam o auxílio emergencial. Para comer, contam com a rede de apoio que construíram na própria favela. “O que tem dado sustento para as famílias, são as outras famílias da favela. É uma que divide o feijão, outra que divide o charque”, conta Débora.

Sem a possibilidade de comprar, também começou a plantar. Mas as refeições se baseiam no que há de mais barato. "A gente tem vivido um processo de substituição. A mortadela e a linguiça viraram a carne", afirma.

A pesquisadora Ana Segall conta que a estratégia das famílias para lidar com a falta de políticas públicas nem sempre coloca a alimentação em primeiro lugar. Ela resgata outro estudo que mostra que a ordem de prioridade incluía o pagamento do aluguel, o transporte para o trabalho, as contas e, só então, a comida. "Para lidar com isso, surgem estratégias socialmente não aceitáveis, como pegar alimento no lixo, ou aceitáveis, como fazer dívidas", conta.

A prioridade para Maria de Lourdes Laurindo, 54, agricultora assentada pela reforma agrária no assentamento 25 de julho, em Casserengue, na Paraíba, é o alimento.

Mas a pandemia tirou a possibilidade dos agricultores locais venderem seu plantio na Feira da Agroecologia, sua única fonte de renda. Por plantar, ter galinheiro e uma cabra leiteira, Lourdes e seu marido vivem uma insegurança alimentar leve.

Água

A fome alcançou 12% dos domicílios rurais, contra 8,5% na área urbana. Lourdes vive em uma região semi-árida e com pouca disponibilidade de água, dependendo de cisternas. No campo, os domicílios atingidos pela fome dobram de 21,1% para 44,2% quando não há disponibilidade adequada de água para a produção de alimentos.

A pesquisa mostra o aumento da fome no Brasil aos níveis observados em 2004, na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), quando a insegurança alimentar moderada estava em 12% e a grave em 9,5%. Na pesquisa atual, os dados mostram o primeiro quesito em 11,5%, e o segundo em 9%.

É o pior índice desde então. Em 2004, o país tinha 64,8% da população em segurança alimentar, hoje tem 44,8%. Até 2013, pesquisas mostravam regressão da fome no país. A Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018 do IBGE, no entanto, evidenciou o aumento da insegurança alimentar. Hoje, é ainda maior.

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