SAÚDE MENTAL DEFINHANDO
'Estamos definhando', afirma psicólogo sobre saúde mental na pandemia

No início, não reconheci os sintomas que todos nós tínhamos em comum. Amigos mencionaram que estavam com problemas para se concentrar. Colegas relataram que, mesmo com as vacinas no horizonte, não estavam animados com 2021. Um parente ficou acordado até tarde para assistir a um filme que já conhecia de cor. E, em vez de pular da cama pela manhã, fiquei deitado, brincando num jogo on-line.
Não era burnout — ainda tínhamos energia. Não era depressão — não estávamos desesperados. Nós apenas nos sentimos um tanto sem alegria e sem objetivo. E existe um nome para isso: definhar.

Definhar é ter a sensação de estagnação e vazio. É como se você estivesse confundindo os dias, olhando para a vida através de um pára-brisa enevoado. E essa pode ser a emoção dominante de 2021.
Enquanto cientistas e médicos trabalham para tratar os sintomas físicos da Covid-19, muitas pessoas lutam com a longa duração emocional da pandemia. Fomos pegos despreparados, porque o medo intenso e a dor do ano passado tinham se dissipado.
No início da pandemia, é provável que o sistema de detecção de ameaças do seu cérebro — chamado amígdala — estivesse em alerta máximo para lutar ou fugir. Enquanto aprendia que as máscaras ajudam a nos proteger — mas a limpeza das compras, não —, você provavelmente desenvolveu rotinas que aliviaram sua sensação de pavor. Mas a pandemia se arrastou, e o estado agudo de angústia deu lugar a uma condição crônica de definhar.
Na psicologia, pensamos sobre a saúde mental em um espectro que vai da depressão ao florescimento. Florescer é o auge do bem-estar: você vê sentido na vida e se sente importante para os outros. A depressão é o vale do mal-estar: você se sente desanimado, esgotado e sem valor.
Definhar é o negligenciado "filho do meio" da saúde mental. É o vazio entre a depressão e o florescimento — a ausência de bem-estar. Você não tem sintomas de doença mental, mas também não é a imagem da saúde mental. Você não está funcionando com capacidade total. Definhar entorpece a motivação, atrapalha a capacidade de se concentrar e triplica as chances de se produzir menos no trabalho. Parece ser mais comum do que a depressão grave e, de certa forma, pode ser um fator de risco maior para doenças mentais.
Sintomas de transtornos futuros
O termo foi cunhado pelo sociólogo Corey Keyes, que ficou surpreso ao ver que muitas pessoas que não estavam deprimidas também não estavam prosperando. Sua pesquisa sugere que as pessoas com maior probabilidade de sofrer de depressão grave e transtornos de ansiedade na próxima década não são aquelas com esses sintomas hoje. São as pessoas que estão definhando agora.
E novas evidências de profissionais de saúde trabalhando no combate à pandemia na Itália mostram que aqueles que estavam sofrendo na primavera de 2020 têm três vezes mais probabilidade do que seus pares de serem diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático.
Parte do perigo é que, quando você está definhando, pode não notar a redução da libido. Você não se pega escorregando lentamente para a solidão; você é indiferente à sua indiferença. Quando não consegue ver o seu próprio sofrimento, você não busca ajuda ou nem mesmo faz esforço para ajudar a si mesmo.
Mesmo que não esteja definhando, você provavelmente conhece pessoas que estão. Entender isso melhor pode te ajudar a ajudá-las.
Um nome para o que você sente
Psicólogos apontam que uma das melhores estratégias para controlar as emoções é nomeá-las.
No ano passado, durante a aguda angústia da pandemia, a postagem mais viral da história da Harvard Business Review foi um artigo descrevendo nosso desconforto coletivo como dor. Além da perda de entes queridos, estávamos de luto pela perda da normalidade. "Luto." Isso nos deu um vocabulário familiar para entender o que parecia ser uma experiência desconhecida. Embora nunca tenhamos enfrentado uma pandemia antes, a maioria de nós enfrentou perdas. Isso nos ajudou a cristalizar lições de nossa própria resiliência do passado – e a ganhar confiança em nossa capacidade de enfrentar as adversidades presentes.
Ainda temos muito o que aprender sobre o que nos leva a definhar e como curar, mas dar um nome pode ser um primeiro passo. Isso nos ajudaria a desobstruir a visão, dando-nos uma janela mais clara para o que era, antes do nome, uma experiência embaçada. Pode nos lembrar que não estamos sozinhos: definhar é comum e uma experiência compartilhada.
E poderia nos dar uma resposta socialmente aceitável para a pergunta: "Como vai você?".
Em vez de dizer "Ótimo!" ou "Tudo bem", imagine se respondêssemos: "Honestamente, estou definhando". Seria um contraste refrescante para a positividade tóxica – aquela pressão tipicamente americana para estar sempre otimista.
Quando você adiciona desânimo ao seu léxico, começa a notá-lo ao seu redor. É algo que aparece quando você se sente desapontado com sua curta caminhada à tarde. Está na voz de seus filhos quando você pergunta como foi a aula on-line.
Um antídoto para a apatia
O que podemos fazer sobre isso? Um conceito chamado “fluxo” pode ser um antídoto para o definhamento. Fluxo é aquele estado indescritível de absorção em um desafio significativo ou um vínculo momentâneo, em que seu senso de tempo, lugar e ego se desvanece. Durante os primeiros dias da pandemia, o melhor indicador de bem-estar não era o otimismo ou a atenção plena – era o fluxo. Pessoas que se tornaram mais imersas em seus projetos conseguiram evitar o adoecimento e mantiveram sua felicidade pré-pandêmica.
Embora encontrar novos desafios, experiências agradáveis e trabalho significativo sejam todos remédios possíveis para não definhar, é difícil encontrar o fluxo quando você não consegue se concentrar. Esse era um problema muito anterior à pandemia, quando as pessoas costumavam verificar e-mails 74 vezes por dia e trocar de tarefas a cada 10 minutos. No ano passado, ainda tivemos dificuldades como as interrupções de crianças em casa, os colegas espalhados pelo mundo e os chefes 24 horas por dia.
A atenção fragmentada é inimiga do engajamento e da excelência. Em um grupo de 100 pessoas, apenas duas ou três serão capazes de dirigir e memorizar informações ao mesmo tempo, sem que seu desempenho seja prejudicado em uma ou nas duas tarefas. Os computadores podem ser feitos para processamento paralelo, mas humanos são melhores com o processamento serial.
Concentre-se em uma pequena meta
A pandemia foi uma grande perda. Para transcender o esmorecimento, tente começar com pequenas vitórias.
Um dos caminhos mais claros para fluir é ter uma dificuldade administrável: um desafio que amplia suas habilidades e aumenta sua determinação. Isso significa reservar um tempo diário para se concentrar em um desafio que é importante para você – um projeto interessante, uma meta que vale a pena, uma conversa significativa. Às vezes, é um pequeno passo para redescobrir um pouco da energia e do entusiasmo que você perdeu durante todos esses meses.
O enfraquecimento não está apenas em nossas cabeças – está em nossas circunstâncias. Ainda vivemos em um mundo que normaliza os desafios da saúde física, mas estigmatiza os desafios da saúde mental. Enquanto nos dirigimos para uma nova realidade pós-pandemia, é hora de repensar nossa compreensão da saúde mental e do bem-estar. “Não deprimido” não significa que você não esteja com dificuldades. “Não ter um burnout” não significa que você esteja entusiasmado.
Reconhecendo que muitos de nós estamos definhando podemos começar a dar voz ao desespero silencioso e iluminar um caminho para sair do vazio.
*Adam Grant é psicólogo na Wharton School, autor do livro “Think Again: The Power of Knowing What You Don’t Know”
Novo surto de Covid-19 na Ásia preocupa os mercados financeiros mundiais

ÁSIA – Os mercados financeiros em todo o mundo estão acordando para os riscos de outro surto do novo coronavírus.
Na Ásia, o mercado vem sendo afetado, na semana, pelo aumento de casos do Japão e da Índia, que tiveram desempenho inferior ao de seus pares globais, desde o início de março, exatamente quando pareciam se beneficiar de uma aceleração na recuperação global.
Nesta quarta-feira, a tendência de baixa se manteve.
O índice de ações da Ásia, o MSCI caiu 1,13%.
As moedas das nações afetadas pelo vírus também têm apresentado desempenho inferior àquelas onde as vacinações estão avançando.
Ações de empresas dos EUA já registram queda por dois dias consecutivos.
Nesta quarta, as bolsas asiáticas voltaram a registrar o movimento fraco de dias anteriores e fecharam em queda.
Além da preocupação com o avanço de casos de coronavírus em vários países, a queda de ações do setor de tecnologia influenciou as cotações.
O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou em queda de 2,03%.
Em Hong Kong, a baixa foi de 1,76%. Na China, houve estabilidade.
A Organização Mundial da Saúde divulgou, nesta terça-feira, que os casos de contaminação pela Covid-19 estão aumentando em todas as regiões, exceto na Europa.
Segundo a OMS, o maior aumento na Ásia, semana passada, foi verificado na Índia, que enfrenta sua maior onda;
e no Japão, que chegou perto de declarar situação de emergência, correndo o risco de afetar, inclusive, o planejamento da Olimpíada.
“Os mercados, que se tornaram muito confortáveis com a reabertura do comércio e afrouxaram as restrições sociais, podem estar em risco com qualquer pico e variantes da Covid”, disse, à Bloomberg, Paul Sandhu, chefe de soluções de multiativos da Ásia-Pacífico do BNP Paribas Asset Management.
“Os mercados com altas taxas de vacinação contornam um pouco esse risco negativo”.
O índice MSCI AC World caiu todos os dias desta semana, depois de fechar em um recorde de alta na última sexta-feira.
O ressurgimento do vírus “pode testar ativos globais, exceto aqueles onde a vacinação já está bem avançada”, disse Joshua Crabb, gerente financeiro sênior da Robeco, em Hong Kong.
“O ressurgimento do vírus na Índia e no Japão parecia ser o principal motivador da venda de ações da Ásia-Pacífico hoje”, disse Margaret Yang, estrategista do DailyFX.
“O comércio de reflação parece ter feito uma pausa, dando lugar a portos seguros e nomes defensivos”.
Europa avança
Os mercados europeus, por sua vez, se recuperam das perdas do dia anterior e registram alta nesta quarta.
Os investidores observam os balanços positivos apresentados por algumas empresas e esperam uma decisão sobre a política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que se reúne na quinta-feira.
Por volta de 09h40, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres subia 0,24%.
Em Paris, o avanço era de 0,46 e Frankfurt rondava a estabilidade.
Reparos na ciclovia Tim Maia podem custar à Prefeitura do Rio cerca de R$ 9,4 milhões

RIO — Atualmente com dois trechos interditados, a ciclovia Tim Maia passará por reformas que podem custar à Prefeitura cerca de R$ 9,4 milhões. Segundo a Secretaria de Infraestrutura, dois reparos estão previstos: a recomposição do guarda-corpo, alvo de constantes furtos, e do tabuleiro do trecho atingido em 2019. O planejamento para recuperação da estrutura foi uma das promessas da prefeitura para os cem primeiros dias de gestão, assim como a Licitação do Diagnóstico e Projeto para recuperar pavimento do BRT Transoeste. A obra da ciclovia custou R$ 44 milhões e desde a inauguração, em 2016, caiu quatro vezes. Na primeira delas, duas pessoas foram mortas.
Para resturar os ferros de proteção da ciclovia, a secretaria Infraestrutura lançou uma licitação na modalidade concorrência, que ocorrerá em maio. O valor é de R$ 6.223.972,11 e será investido para restaurar o equipamento no trecho São Conrado a Barra, um dos trechos interditados. Além disso, a Geo-Rio orçou a reforma do tabuleiro no valor de R$ 3,2 milhões. Segundo a secretaria, a obra no guarda-corpo da ciclovia tem previsão de durar 120 dias, após licitação. A parte entre a Gruta da Imprensa até São Contado está fechada por ordem judicial.
Desde sua inauguração em 2016, ano das Olimpíadas no Rio, a ciclovia Tim Maia acumula números amargos: foram quatro quedas e duas mortes. Três meses após abrir ao público, parte da estrutura não resistiu à ressaca do mar e desabou, matando duas pessoas que estavam no local: Ronaldo Severino da Silva, de 60 anos, e o engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque, de 54 anos.
Além deste incidente, o equipamento urbano caiu em outras três ocasiões e segue interditado desde 2019. Depois das investigações realizadas na 16ª Dp (Gávea), a Justiça condenou 15 réus pela queda que terminou com a morte de duas pessoas.

O juiz André Felipe Veras de Oliveira, da 32ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, condenou a três anos, 10 meses e 20 dias de detenção os réus, mas a pena foi convertida em restrição de direitos ainda a serem definidos, multas e prestação de serviços gratuitos à sociedade ou a entidades públicas ou assistenciais.
Para justificar gasto de R$ 2,3 milhões, CGU diz que Bolsonaro trabalhou na praia

BRASÍLIA — O ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Wagner Rosário, afirmou nesta terça- feira que o presidente Jair Bolsonaro gastou 2,3 milhões “fora do local costumeiro” e não estava de férias entre 18 de dezembro e 5 de janeiro quando viajou para São Paulo e Santa Catarina.
O ministro prestou esclarecimentos sobre a viagem de fim de ano na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.
Rosário justificou que Bolsonaro não passou o comando do país ao vice-presidente Hamilton Mourão e trabalhou normalmente durante o período que deixou o Planalto.
— O presidente da República despachou diariamente com todos seus ministros e assessores, também só nesse período, assinou um decreto, sete medidas provisórias e sancionou seis projetos de lei.
Então, só por aí a gente entende que o presidente da República não estava de férias, ele estava a trabalho no local fora do local costumeiro, onde ele realiza as suas atividade — disse o ministro.
O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) questionou a justificativa do trabalho, afirmando que o presidente “não anda com uma medida provisória a tiracolo”.
— Viagem ao Guarujá durante o Ano Novo não é para despachar, me desculpe senhor ministro, mas é férias — disse Kataguiri, lembrando que a Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) pra garantir o sigilo dos gastos do cartão corporativo.
As despesas questionadas são relativas às idas de Bolsonaro a São Francisco do Sul, no litoral catarinense, entre 19 e 23 de dezembro, e ao Guarujá, no balneário paulista, entre 28 de dezembro e 4 de janeiro, incluindo o Réveillon.
O presidente foi criticado porque, durante o período da viagem com custo alto, a crise sanitária e financeira causada pela pandemia da Covid-19 voltava a se agravar no país.
Rosário respondeu que quem não estivesse satisfeito com a explicação que tentasse aprovar uma lei no Congresso “proibindo” o presidente de sair do Palácio do Planalto.
Ele explicou que, no cartão corporativo, 70% dos gastos foram com hospedagem porque com a pandemia de Covid-19 os seguranças ficaram em quartos separados, o que dobrou a despesa.
— Por que tem que dormir no quarto separado se eles estão sem a máscara no dia a dia de convívio? — perguntou o deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ).
— Quero deixar claro que não acompanho a segurança do presidente, não sei se eles usam máscara, ou não usam máscara — respondeu Rosário, acrescentando que se o governo não tivesse tomado medida preventiva também estaria sendo questionado.
Os cartões corporativos são usados para despesas, prestação de serviços e abastecimento de veículos oficiais, por exemplo.
Há sigilo sobre despesas consideradas de segurança nacional, como a alimentação e o transporte do presidente.
No caso do uso da aeronave usada para o descolamento na viagem, que teve desembolso de cerca de R$ 1,2 milhão, segundo a CGU o recurso seria gasto mesmo com o avião parado.
— São gastos que seriam realizados com ou sem a viagem se nós olharmos praticamente a aeronave presidencial ela tem que decolar dia sim, dia não, pra fins de manutenção — afirmou.
O ministro-chefe da CGU negou irregularidades afirmando que as viagens do presidente são fiscalizadas e, em caso de alguma divergência existe um órgão de controle interno responsável pela Presidência da República que irá tomar as medidas cabíveis, assim como o Tribunal de Contas da União (TCU).
— O que a CGU fez? Qual o procedimento que abriu? Não tem que abrir procedimento se não tem irregularidade — garantiu.
Os dois pesos e duas medidas de Carla Zambelli | Lauro Jardim - O Globo
Por Athos Moura

Carla Zambelli foi à Justiça para barrar que a relatoria da CPI da Covid no Senado fique com Renan Calheiros. O argumento da deputada é que a presença do senador na CPI, alguém que respondeu processos e inquéritos no STF, “fere o princípio da moralidade administrativa”.
Até aí, ok. É do jogo.
No entanto, Carla não adotou postura semelhante quando sua aliada no bolsonarismo Bia Kicis assumiu a presidência da CCJ, a principal comissão da Câmara. A deputada é investigada no inquérito comandado por Alexandre de Moraes que apura a organização de atos antidemocráticos.
Os estribos do general | Bernardo Mello Franco - O Globo

O novo ministro da Defesa está empenhado em agradar o chefe. Walter Braga Netto estreou no cargo com uma exaltação ao golpe de 1964. Em seguida, passou a usar cerimônias militares para endossar o discurso do capitão.
Ontem o general aproveitou a troca de comando do Exército para fazer mais um comício bolsonarista. Às vésperas da Cúpula do Clima, ele tentou rebater as críticas da comunidade internacional pela devastação da Amazônia. “Os brasileiros que estão presentes na região sabem que a floresta continua de pé”, afirmou.
A patriotada não apaga o que as imagens de satélite mostram ao mundo. Ao analisá-las, o Imazon constatou que o desmatamento em março foi o maior para o mês nos últimos dez anos.
Com o governo pressionado pela abertura da CPI da Covid, Braga Netto disse que “é preciso respeitar o rito democrático e o projeto escolhido pela maioria dos brasileiros”. A frase sugere que a eleição deu um salvo-conduto ao presidente, como se ele não precisasse prestar contas à sociedade e ao Congresso.
O ministro também afirmou que o Brasil passa por um período de “intensa comoção e incertezas, que colocam a prova a maturidade, a independência e a harmonia das instituições”.
Faltou lembrar que os ataques ao equilíbrio entre os poderes partem do Planalto. Nas últimas semanas, Bolsonaro voltou a atacar ministros do Supremo e acionou sua milícia digital para intimidar os senadores que pretendem investigá-lo na CPI.
O general arrematou o discurso com uma advertência pouco sutil. Disse que as Forças Armadas estão “prontas” e “sempre atentas à conjuntura nacional”. A conversa casa com a retórica golpista do capitão, que tem ameaçado adversários políticos com o que ele chama de “meu Exército”.
Braga Netto assumiu a Defesa no momento em que o presidente cobrava mais manifestações de apoio dos militares. Sua primeira medida foi derrubar o general Edson Pujol, que tentava controlar a exploração política da tropa.
Ontem o ministro se despediu do ex-comandante com um bordão da caserna: “Que nossos estribos se choquem em cavalgadas futuras”.
A propaganda enganosa da "Nova Funai" | Bernardo Mello Franco - O Globo

O general Augusto Heleno divulgou na sexta um vídeo que exalta a “Nova Funai”. A propaganda diz que a entidade ouve os povos indígenas e defende o meio ambiente. No mesmo dia, uma audiência promovida pela OAB empilhou críticas ao discurso chapa-branca.
“A Funai foi tomada por setores do agronegócio que imprimem uma política totalmente contrária à defesa dos direitos dos povos indígenas”, afirmou o secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário, Antônio Eduardo Oliveira.
A deputada Joenia Wapichana diz que a “Nova Funai” deixou de cumprir sua tarefa mais importante: a demarcação de terras indígenas. Ela também reclama da omissão diante do avanço do garimpo ilegal na Amazônia. “A situação é muito preocupante. E a Funai só atende o lado que está de acordo com as ideias do governo”, acusa.
Plano de desmonte: a boiada de Salles e a captura da PF | Bernardo Mello Franco - O Globo

No início da pandemia, Ricardo Salles expôs um plano para desmontar o sistema de proteção ao meio ambiente. Segundo ele, era preciso aproveitar as atenções voltadas para o coronavírus e “ir passando a boiada”. O ministro pode ser acusado de muita coisa, menos de não fazer o que prometeu.
Desde a célebre reunião de abril de 2020, Salles revogou normas de licenciamento, perseguiu servidores e se aliou abertamente aos devastadores da Amazônia. O resultado foi o maior desmatamento da floresta em dez anos, de acordo com os dados do Imazon.
Encorajado pelo chefe, o ministro continuou a tabelar com os algozes da floresta. Em março, ele se solidarizou com os alvos da maior apreensão de madeira da história do Brasil. A atitude revoltou os investigadores que comandaram a operação. “Na Polícia Federal não vai passar boiada”, reagiu o superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva.
O delegado não se limitou a protestar. Apresentou ao Supremo Tribunal Federal uma notícia-crime contra Salles e o senador Telmário Mota. O documento acusa a dupla de advocacia administrativa, participação em organização criminosa e infração contra a lei de crimes ambientais.
Para Saraiva, o chefe do Ministério do Meio Ambiente atacou a PF “de forma parcial e tendenciosa, comportando-se como verdadeiro advogado da causa madeireira”. A descrição também serve para ilustrar as relações do ministro com grileiros de terra e garimpeiros ilegais.
A ousadia de Salles mostra que ele não age sozinho: cumpre tarefas combinadas com Jair Bolsonaro. Ontem o presidente deu mais um sinal de apoio à devastação. Em vez de demitir o ministro, mandou afastar o superintendente da PF que o acusou.
Saraiva fez o que o procurador Augusto Aras se recusa a fazer: denunciou o desmonte ambiental e tentou laçar a boiada de Salles. O Congresso também tem sido cúmplice do ataque à Amazônia. Agora, o Supremo tem uma chance de frear as motosserras.
A Corte ainda ganhou novos elementos para o inquérito que apura a interferência do presidente na PF. A investigação completa um ano no próximo dia 28. Ao derrubar o superintendente, Bolsonaro escancarou, mais uma vez, o plano de capturar a polícia para defender seu grupo político.
Bolsonaro está com medo | Bernardo Mello Franco - O Globo

Jair Bolsonaro está com medo. O capitão sabe que a CPI da Covid pode se tornar uma ameaça ao seu mandato. Por isso, descontrolou-se quando o Supremo mandou o Senado instalar a comissão.
Na sexta-feira, o presidente vociferou contra o ministro Luís Roberto Barroso. Acusou-o de fazer “politicalha”, “militância” e “jogada casada” com a oposição. Faltou dizer que o juiz se limitou a aplicar a lei.
Barroso anotou que a comissão parlamentar de inquérito é um direito da minoria. O Supremo reconheceu isso quando contrariou o governo Lula e determinou a abertura das CPIs dos Bingos e do Apagão Aéreo.
No sábado, Bolsonaro passou do protesto à conspiração. Em conversa com o senador Jorge Kajuru, sugeriu retaliar a Corte com uma ofensiva para destituir ministros. “Tem que fazer do limão uma limonada”, justificou.
No mesmo telefonema, ele disse que desejava “sair na porrada” com o senador Randolfe Rodrigues. Um presidente que ameaça bater no líder da oposição parece avacalhação demais até para o Brasil de 2021.
No desespero, o governo ainda tentou desviar o foco da investigação para mirar em governadores e prefeitos. A ideia esbarrou num detalhe: o Senado não pode invadir o terreno de Assembleias e Câmaras. A comissão se limitará a apurar o destino de repasses federais a estados e municípios.
Bolsonaro sabe o que fez e deixou de fazer para que o Brasil se transformasse no epicentro da pandemia. Agora a CPI poderá identificar suas digitais na falta de vacinas, na sabotagem às medidas sanitárias e na morte de pacientes por falta de oxigênio.
No melhor cenário para o capitão, a investigação ampliará seu desgaste às vésperas da campanha. No pior, ajudará a responsabilizá-lo criminalmente pelo morticínio.
Ontem o senador Fernando Collor escancarou os riscos que o presidente passou a correr. “Temos que ter consciência do momento em que vivemos”, discursou. “Falo isso como alguém que já passou e viveu episódios dramáticos da vida nacional.”
No caso dele, a CPI deu em impeachment.
AMEAÇAS PRESIDENCIAIS
A obsessão de Bolsonaro com Randolfe Rodrigues

Na conversa gravada com o senador Jorge Kajuru, o presidente Jair Bolsonaro disse ter vontade de "sair na porrada" com o senador Randolfe Rodrigues, autor do requerimento de abertura da CPI da Covid.
Não é a primeira vez que o capitão expressa esse desejo.
Em 2013, o então deputado Bolsonaro tumultuou uma visita de parlamentares e integrantes da Comissão Nacional da Verdade à antiga sede do DOI-Codi no Rio. Houve empurra-empurra, e o atual presidente tentou bater em Randolfe.
No dia da visita, O GLOBO noticiou que Bolsonaro atingiu Randolfe com um soco no abdome. Oito anos depois, o agredido dá outra versão:
— Ele tentou me dar um soco, mas eu consegui desviar. Na época, eu ainda jogava futebol e tinha reflexo mais rápido. Acho que agora ele quer a revanche...
O inferno visto de fora

O sonho de Ernesto Araújo se realizou: com o bolsonarismo no poder, o Brasil virou um pária aos olhos do mundo. O país já despertava preocupações pela escalada autoritária, pela devastação da Amazônia e pela liberação indiscriminada de armas. Agora também é visto como uma ameaça à saúde global.
Na sexta-feira, as Nações Unidas fizeram um apelo por medidas para conter a pandemia. “A intensificação da curva de óbitos, a falta de medidas restritivas efetivas e a falta de uma estratégia nacional de vacinação estão levando o país a uma catástrofe”, alertou Marlova Jovchelovitch Noleto, coordenadora da ONU no Brasil.
Em Genebra, a Organização Mundial da Saúde definiu a situação brasileira como um “inferno furioso”. A entidade reforçou que não adianta esperar pela chegada de vacinas: o país precisa de isolamento social para frear a transmissão do coronavírus.
Fatos, dados e alertas não são capazes de convencer quem não quer ser convencido. Na quarta, Jair Bolsonaro fez mais um comício contra as medidas de distanciamento. “Não vamos aceitar a política do fique em casa”, repetiu, em Chapecó. O presidente dividia o palanque com o prefeito João Rodrigues, que já foi condenado e preso por fraude em licitação. Agora ele tapeia eleitores com a fábula do tratamento precoce.
O capitão apresentou o município catarinense como um exemplo no combate à Covid. A realidade mostra outra coisa: a cidade registra mais mortes do que a média nacional, está com as UTIs lotadas e já precisou transferir pacientes para o Espírito Santo.
Os editoriais da imprensa internacional refletem a apreensão com o descontrole da pandemia. Na terça, o jornal britânico “The Guardian” definiu Bolsonaro como “um perigo para o Brasil e para o mundo”. O texto critica a sabotagem às medidas sanitárias e aponta sua consequência: o surgimento e a disseminação de uma variante mais letal do vírus.
A mutação P1 também foi citada pelo americano “The Washington Post”, que apontou a “incompetência assombrosa” do presidente. “As medidas necessárias para frear as novas infecções são virtualmente inexistentes”, resumiu o jornal. No fim de março, a revista britânica “The Economist” já havia classificado Bolsonaro como “uma ameaça à saúde”.
O olhar de fora reforça a gravidade da tragédia que nos assombra. Na última semana, o país ultrapassou a marca de quatro mil mortes diárias pela Covid. Com menos de 3% da população mundial, passou a concentrar um terço dos óbitos no planeta.
“Estamos falando de milhares de vidas que estão sendo perdidas por falta de ações assertivas para conter a pandemia”, ressaltou a coordenadora da ONU. Bolsonaro faz política com o nome de Deus, mas está transformando o Brasil num inferno.
O choro de Witzel
“Não deixei a magistratura para ser ladrão”, disse na quarta-feira o governador afastado do Rio. Diante do tribunal do impeachment, Wilson Witzel embargou a voz e se debulhou em lágrimas. Nem parecia o valentão que se fantasiava de policial e prometia abater criminosos com “tiro na cabecinha”.
No governo Bolsonaro, o revolucionário é ser normal

Ao tomar posse, o chanceler Carlos Alberto França prometeu correr atrás de vacinas, valorizar o multilateralismo e apoiar o combate às mudanças climáticas. Tudo o que o Itamaraty se recusou a fazer na primeira metade do governo Bolsonaro.
O novo ministro afirmou que o diplomata deve agir como um construtor de pontes. Seu antecessor se empenhou na tarefa de dinamitá-las.
Em dois anos e três meses, Ernesto Araújo conseguiu se indispor com a China, a Índia, a Alemanha, as Nações Unidas e os EUA pós-Trump. Ele também hostilizou nosso principal vizinho. Horas depois da eleição na Argentina, tuitou que “forças do mal” celebravam a vitória de Alberto Fernández.
França lembrou que o Brasil sempre foi um ator relevante nos fóruns internacionais. Não precisou dizer que esse patrimônio foi desprezado por Ernesto. Na gestão passada, o Itamaraty renegou suas tradições e fez uma opção pelo isolamento. O país levará tempo para reparar o estrago.
Ontem o novo chanceler se limitou a fazer uma menção protocolar ao antecessor. Sem criticá-lo, indicou uma guinada para uma política externa movida pelo pragmatismo e pela racionalidade. O discurso sinalizou um Itamaraty com mais Rio Branco e menos Olavo de Carvalho.
A questão agora é saber se Bolsonaro e seus filhos darão aval à mudança. Até aqui, os auxiliares que não abraçaram o radicalismo do chefe tiveram vida curta na Esplanada.
Nomeado por um negacionista, França informou que vai procurar governos e laboratórios para mapear as vacinas disponíveis. Uma tarefa essencial, negligenciada durante o reinado de Ernesto.
O ex-chanceler tomou posse com uma performance histriônica, em que prometeu “libertar o Itamaraty” e repetiu chavões de extrema direita. Seu sucessor estreou com um falatório sóbrio e salpicado de platitudes. França só chamou a atenção porque fez um discurso normal. No Brasil de 2021, um ministro normal é quase um revolucionário.
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Ao ultrapassar as 4 mil mortes diárias pela Covid, o país dá novo sentido à frase de Oswald de Andrade: “O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e de gente dizendo adeus”.
Acusado de espancar a mãe até a morte no Rio teve prisão revogada em outro crime

RIO - Respondendo por dois crimes, Igor Gomes Moraes Alves, de 29 anos, conseguiu um benefício da justiça, mas não poderá desfrutá-lo. Igor teve uma prisão preventiva revogada pela 32ª Vara Criminal, referente ao delito de tráfico de drogas. Com decisão, ele teria que cumprir medidas cautelares como comparecimento a cada 10 dias ao juízo e proibição de se ausentar da comarca. No entanto, como também estava preso preventivamente por uma acusação mais grave, o assassinato da própria mãe, de 70, espancada com socos e chutes na cabeça, Igor continuará atrás das grades e não será posto em liberdade.
Igor foi preso por tráfico, no dia 4 de junho de 2020 . Ele foi abordado por agentes do Programa Barra Presente, que receberam denúncia sobre um homem que estava em atitude suspeita dentro de um Honda Civic preto, parado na praia da Barra. Dentro do carro, os PMs encontraram um recipiente de vidro com maconha, duas pedras de cocaína e uma balança. Igor foi levado para a 16ª DP (Barra da Tijuca), onde foi autuado por tráfico de drogas. Dois dias depois, assistido por um advogado pago pela mãe, Igor foi solto pelo juiz da Central de Custódia, sob alegação de que o crime cometido por ele era sem violência ou grave ameaça, além de o rapaz não ter anotações em sua ficha criminal.
Vinte e quatro horas depois de ganhar a liberdade, no dia 7, Igor teria assassinado a própria genitora Lúcia Regina Gomes Alves,no apartamento onde ela morava em um condomínio da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
De acordo com a polícia, o crime teria ocorrido após uma discussão entre mãe e filho. De acordo com a Delegacia de Homicídios da Capital, Igor espancou Lucia até a morte com chutes e socos na cabeça. Ele também teria tampado a respiração da idosa, além de chegar a colocar os dedos nos olhos da vitima.
No dia 18 de dezembro de 2020, o juízo da 1ª Vara Criminal indeferiu um pedido de relaxamento da prisão de Igor, no processo referente ao feminicídio. Na decisão que rejeitou o relaxamento da prisão, o magistrado descreveu Igor como uma pessoa de comportamento agressivo e violento. " ..narra a denúncia, que o acusado proferiu socos e chutes na cabeça da vítima, sua genitora, que tinha 70 anos de idade, além de tampar sua respiração e colocar os dedos nos seus olhos, evidenciando um comportamento agressivo e violento, incompatível com o que se espera daquele que está apto a viver em sociedade, de modo que a custódia cautelar se mostra necessária como garantia da ordem pública", escreveu o juiz num trecho de seu despacho.
Reportagem: Jamil Chade - Governo Bolsonaro afirma que ampliará agenda ultraconservadora pelo mundo


Jamil Chade
Maria Carolina Trevisan Colunista do UOL
21/04/2021 04h00
Resumo da notícia
- Secretária da Família diz que temas serão levados para OEA, OCDE e outras instituições
- Em evento com grupos americanos e partidos xenófobos da Europa, Brasil explicou sua estratégia doméstica
- Vídeos do evento foram retirados do ar depois da publicação realizada pelo UOL, no fim de semana
Ângela Gandra, secretária de Família do governo de Jair Bolsonaro, afirmou a parceiros internacionais que as autoridades em Brasília estão comprometidas em expandir a agenda ultraconservadora pelo mundo, levando as pautas antiaborto e de combate ao que chamam de "ideologia de gênero" para novas organizações internacionais.
A informação foi dada pela secretária em um evento no dia 12 de março, no qual participaram também entidades americanas que apoiavam o governo de Donald Trump, movimentos ligados a grupos religiosos e mesmo partidos xenófobos, como o espanhol Vox.
No fim de semana, reportagem publicada pelo UOL revelou a participação do governo brasileiro no encontro e o programa apresentado pela secretária, o que levou entidades do movimento LGBTI+ a denunciá-la e pedir esclarecimentos. Após a publicação, os vídeos com as intervenções de representantes de governos e das entidades foram retirados do ar.
"Ideologia de gênero" é um conceito pejorativo usado pelo campo ultraconservador, muitas vezes ligado ao fundamentalismo religioso, contra os avanços nos direitos sexuais e reprodutivos e na igualdade de gênero, em especial a população LGBTQIA+. Defensores da moral costumam se referir à "ideologia de gênero" como ameaça à sociedade, posicionam-se contrários ao direito ao aborto e usam o conceito de "família" para impor uma agenda que, na realidade, tolhe direitos de quem não se alinha a esse posicionamento conservador.
Ao destacar o compromisso do governo Bolsonaro sobre o tema, a secretária garantiu que as autoridades não se limitarão a implementar as medidas no âmbito doméstico. "Vamos levar para a OEA (Organização dos Estados Americanos) e para a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em seu tempo", disse Ângela Gandra.
Até agora, a pauta ultraconservadora do governo havia se concentrado em atuações na ONU e na OMS. No caso da OEA, a missão brasileira passará a ser chefiada pelo braço direito do ex-chanceler Ernesto Araújo, Otávio Brandelli.
No caso da OCDE, o Brasil sequer faz parte e uma adesão do país ao organismo deve levar pelo menos mais dois anos para ocorrer.
Fontes no Itamaraty confirmaram à coluna que, apesar da mudança na postura do novo chanceler, Carlos França, em relação aos temas relacionados com a China e o clima, a pauta de costumes não deve ser tocada.
De acordo com a secretária, de fato, programas sobre a "primeira infância, desde concepção" seriam reforçados na agenda internacional, além de o "combate à ideologia de gênero".
O evento no qual a brasileira explicou seu plano era um seminário virtual intitulado "Uma resposta política à 'ideologia de gênero'", promovido pela organização internacional "Polítical Network for Values", uma plataforma de representantes políticos que defende valores como "a proteção da vida humana, o casamento, a família, a liberdade religiosa e de consciência".
Com a derrota de Trump, Joe Biden anunciou no primeiro dia de seu mandato que estava retirando os EUA da pauta ultraconservadora. Mas, em emails internos, a administração americana indicava aos demais países que o projeto seria mantido e que a condução seria liderada a partir de agora pelo Brasil.
De acordo com os emails, foi o próprio governo brasileiro que se colocou à disposição para liderar o projeto.
"Estamos firmes no Consenso de Genebra, estamos recebendo mais demandas de países que querem estar conosco", disse a secretária, há um mês.
Ao terminar sua participação, a brasileira ainda ouviu um elogio da mediadora do evento, que indicava que "agora é muito importante a liderança do Brasil" e o papel que o país assume nos organismos internacionais.
Braga Netto na Defesa cumpre o papel desejado por Bolsonaro e ameaça a democracia

247 – O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, vem utilizando as cerimônias militares para realizar ‘comícios bolsonaristas” e endossar as ameaças à democracia feitas por Jair Bolsonaro. Nesta terça-feira (20), o general aproveitou a troca de comando do Exército para praticamente anunciar o veto das Forças Armadas a um processo de impeachment, além de ter confrontado a comunidade internacional no tocante ao desmatamento da Amazônia.
“Com o governo pressionado pela abertura da CPI da Covid, Braga Netto disse que ‘é preciso respeitar o rito democrático e o projeto escolhido pela maioria dos brasileiros’. A frase sugere que a eleição deu um salvo-conduto ao presidente, como se ele não precisasse prestar contas à sociedade e ao Congresso”, escreveu o jornalista Bernardo Mello Franco em sua coluna desta quarta-feira (21), no jornal O Globo.
“O ministro também afirmou que o Brasil passa por um período de ‘intensa comoção e incertezas, que colocam a prova a maturidade, a independência e a harmonia das instituições’. Faltou lembrar que os ataques ao equilíbrio entre os poderes partem do Planalto”, ressaltou o jornalista. “Nas últimas semanas, Bolsonaro voltou a atacar ministros do Supremo e acionou sua milícia digital para intimidar os senadores que pretendem investigá-lo na CPI”, completa.
Ainda segundo ele, “o general arrematou o discurso com uma advertência pouco sutil. Disse que as Forças Armadas estão ‘prontas’ e ‘sempre atentas à conjuntura nacional’. A conversa casa com a retórica golpista do capitão, que tem ameaçado adversários políticos com o que ele chama de ‘meu Exército’.
Anitta rebate Salles e diz que responde muita pergunta sobre o 'desgoverno de bosta' que ele integra

247 - A cantora Anitta reagiu ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que a chamou de "teletubbies" após ser criticado.
Pelo Twitter, Anitta disse que se Salles conseguisse explicar qual o perigo de acabar com a fiscalização do Ibama ou de ir contra a Polícia Federal para defender madereiros na maior apreensão de madeira na Amazônia, os dois voltariam a conversar.
"Aliás, é uma loucura a quantidade de pergunta que tenho que responder sobre esse desgoverno de bosta que vocês estão fazendo", afirmou Anitta em outro post.
Confira:
O desentendimento começou quando a cantora fez uma publicação pedindo a saída de Salles da pasta e afirmando que o ministro é um "desserviço para o meio ambiente". Salles replicou, chamando a cantora de "teletubbie", em referência à série infantil de TV dos anos 1990. Na manhã desta quarta (21), um dia antes da cúpula do clima, a hashtag #ForaSalles figurou entre os assuntos mais comentados do Twitter.
Anitta destrói Ricardo Salles: "com vocês no comando tá puxado" - Alex Solnik
Por Alex Solnik

Por Alex Solnik
Anitta, a mais internacional das cantoras brasileiras, travou um duelo com o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles no twitter.
Depois de aderir à #forasalles e ser atacada pelo ministro, ela subiu o tom:
“Ao invés de trabalhar ficam com gracinha no twitter… esse é o nosso governo teen… até eu tô mais ocupada fazendo algo pelo meu país do que você, meu querido”.
Salles retrucou:
“Se você conseguir demonstrar, sem ajuda de outra pessoa, que sabe quais são as capitais do Brasil ou pelo menos os nomes dos seis biomas brasileiros, a gente começa a conversar”.
Ela voltou à carga:
“Que resposta madura. Quantos anos você tem? 12? Então é melhor sair do ministério anyway”
E continuou:
“Pergunta que tenho que responder sobre esse desgoverno de bota que vocês estão fazendo. A única parte boa é que eu nem preciso explicar porque eu escolhi lançar algo para fazer o Brasil lembrar que temos várias coisas para se orgulhar. Porque com vocês no comando tá puxado”.
Parece que Anitta é daquelas que dão um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair.
Lira ataca CPI do Genocídio: "nuvem de fumaça para palanque eleitoral"

247 - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), criticou em entrevista à CNN Brasil a CPI do Genocídio no Senado, que já tem em mãos provas contra o governo Bolsonaro. Para ele, as investigações são "nuvem de fumaça para fazer palanque eleitoral".
"Os culpados já estão postos", disse Lira. "Quem tiver cometido erros vai pagar no seu devido momento", completou.
A oposição busca assinaturas para instalar uma CPI da Covid também na Câmara, mas esbarra na resistência do Centrão de Lira.
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