SIFUDÊU _ Do PARAÍSO ao INFERNO tropical
Pelo segundo dia seguido, cariocas descumprem medidas de restrição nas praias da Zona Sul

RIO — Se havia medidas restritivas em vigor neste domingo no Rio de Janeiro, em boa parte da Zona Sul da cidade, não parecia. Com sol forte e temperatura em torno dos 30°, muitos ignoraram as recomendações sanitárias e foram para as praias da Zona Sul, do Leme até o Leblon, onde diversos pontos de aglomeração de pessoas sem máscara tomando banho de sol foram registrados, o que não é permitido.
Para completar o cenário trágico, a decisão da Supercopa do Brasil levou muitos torcedores do Flamengo mais cedo para bares e restaurantes da região, que ficaram cheios na hora do almoço.
No calçadão de Copacabana e Ipanema, quiosques voltaram a funcionar e também registraram movimentacão alta. Do mesmo jeito, ambulantes circulavam aos montes, tanto no asfalto, como na faixa de areia, o que é proibido.
Moradores do bairro, o casal de professores Carlos Alberto Macedo e Thais Macedo preferiram encerrar a caminhada mais cedo e procuravam um local para almocar que não estivesse tão cheio.
— Saímos para caminhar, mas não imaginávamos que a praia estaria tão cheia como agora. A gente ia almoçar fora, mas está dificil encontrar um local com pouca gente — disse Thais.
E estava dificil mesmo. No Leblon, a movimentação em restaurantes e bares da Rua Dias Ferreira e adjacências era grande, o mesmo em Copacabana onde bares, como o tradicional Pavão Azul, estava lotado com mesas ocupando quase toda a calçada da Rua Barata Ribeiro. O estabelecimento, contudo, informou que está "seguindo as determinações da prefeitura, com respeito ao horário de funcionamento e limites de lotação" e que também está "cumprindo todo protocolo sanitário, com oferecimento de alcool em gel para os clientes".
De acordo com o decreto de restrição em vigor, praias, cachoeiras e parques continuam fechados no Rio, sendo proibido: atividades econômicas nas areias (incluindo o comércio de ambulante, fixo e itinerante); aulas e prática de esportes coletivos; permanência na areia, assim como em parques e cachoeiras; e estacionamento na orla, exceto para moradores, idosos, pessoas com deficiência e hóspedes de hotéis.
Rio chega ao 22º dia seguido com alta na média móvel de mortes por Covid-19; há fila de quase 500 pacientes por leitos

RIO — O estado do Rio registrou 125 mortes e 1.053 novos casos do novo coronavírus neste domingo. Com isso, o RJ chega ao 22º dia seguido com aumento na média móvel de óbitos (79%), maior sequência em quase um ano. Ao todo, são 679.654 infectados e 39.423 vidas perdidas por conta da doença desde o início da pandemia, em março do ano passado. Nos hospitais fluminense, há ocupação de 89,8% nos leitos de UTI para Covid-19.
Com os números deste domingo, a média móvel passa a ser de 2.958 casos e 248 mortes por dia. Houve aumento de 79% na média móvel de óbitos na comparação com duas semanas atrás, o que, por estar bem acima de 15%, aponta para um cenário de crescimento no contágio.
A análise dos dados foi feita a partir do levantamento do consórcio de veículos de imprensa formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo, que reúne informações das secretarias estaduais de Saúde.
De acordo com o painel oficial do estado, a ocupação nos leitos de UTI para Covid-19 é de 89,8%. Nas enfermarias, é de 71,7%. Ao todo, há 496 pacientes na fila por leitos, sendo 447 por vagas de terapia intensiva. Na capital, segundo a prefeitura, há pocupação de 92% nos leitos de UTI e fila de 85 pessoas por vagas.
Segundo o governo estadual, 1.626.273 já se vacinaram no Rio de Janeiro até este domingo. Destas, 459.444 já receberam a segunda dose.
Quatro festas clandestinas interrompidas e quase duas mil autuações no primeiro dia de flexibilização no Rio

RIO — Muitos cariocas ignoraram as medidas restritivas contra a Covid-19 em vigor neste fim de semana. Quatro eventos irregulares foram interrompidos pela prefeitura entre a tarde de sábado e a madrugada deste domingo. Os estabelecimentos, no Centro, Botafogo, Recreio dos Bandeirantes e Bento Ribeiro, foram multados e interditados pelas equipes de fiscalização. No periodo, quase duas mil autuações foram aplicadas, entre multas e interdições a estabelecimentos, infrações sanitárias, multas de trânsito, reboques e apreensões de mercadorias.
Em Botafogo, na tarde de sábado, agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) foram acionados para interromper um evento que acontecia em uma sauna na Rua Dezenove de Fevereiro. Havia mais de 70 pessoas aglomeradas no imóvel. O equipamento de som foi apreendido dando fim à festa e o responsável foi multado por violação de medida sanitária. O estabelecimento foi interditado após ser esvaziado pela fiscalização.
No início da noite, a Seop interrompeu um evento com cerca de 70 pessoas na Rua Buenos Aires, no Centro. As pessoas estavam em local fechado, aglomeradas e a maioria não usava máscara de proteção facial. O estabelecimento foi multado por infração de medida sanitária e o equipamento de som foi apreendido. Após ser totalmente esvaziado, também foi interditado.
Na madrugada de domingo, os agentes foram acionados para mais duas festas clandestinas. A primeira acontecia na Rua Boiacá, em Bento Ribeiro. No local, havia cerca de 120 pessoas, incluindo muitos adolescentes, todos aglomerados e sem uso de máscara. O equipamento de som também foi apreendido e o local, esvaziado. O organizador foi identificado e multado pela Vigilância Sanitária, tendo a casa de eventos interditada.
O segundo evento clandestino acontecia em um bar na Avenida das Américas, no Recreio. As equipes encontraram os acessos fechados, tampados com plásticos e as luzes apagadas, dando uma aparência de que não havia evento acontecendo no local. Após acessarem o espaço, encontraram cerca de 50 pessoas reunidas. O responsável foi multado e o estabelecimento interditado pela Vigilância Sanitária.
Ainda no sábado, a Subsecretaria de Operações da Seop atendeu cinco chamados com denúncias de eventos clandestinos em Campo Grande, Zona Oeste do Rio. Um bar foi interditado na Estrada do Campinho por funcionamento irregular, mas não foram encontradas festas clandestinas ou aglomerações no bairro.
Quase duas mil autuações
Entre a tarde de sábado e a madrugada de domingo, com o decreto municipal nº 48.706 já em vigor, a prefeitura registrou 1.825 autuações. Dentre elas, estão multas e interdições a estabelecimentos, infrações sanitárias, multas de trânsito, reboques e apreensões de mercadorias. No período, foram aplicadas 60 multas a bares, restaurantes e ambulantes e 39 estabelecimentos foram fechados.
Na noite de sábado, primeiro dia de flexibilização das medidas restritivas na cidade do Rio, bares e restaurantes ficaram cheios mesmo depois das 21h, novo horário limite estabelecido pela prefeitura. Na Rua Dias Ferreira, no Leblon, além de as mesas estarem lotadas, havia muita gente em pé nas calçadas por volta das 21h30, apesar da presença de agentes da Seop. A situação se repetiu por volta das 22h em Ipanema, na Rua Visconde de Pirajá. Nos dois pontos, poucas pessoas usavam máscaras. Já na Lapa, por volta das 22h30, já não havia mais restaurantes abertos.
Antes do dia 9, bares e restaurantes só podiam funcionar em esquema de entrega em domicílio (delivery), retirada no local (take away) ou drive thru. Pelo novo decreto, em vigor desde a última quinta-feira, foi estipulada uma hora de tolerância para o efetivo encerramento dos serviços nestes locais — ou seja, os clientes que entram até as 21h possam acabar de consumir. As novas regras valem até 19 de abril e podem ser renovadas.
Manifestantes fazem protesto contra medidas restritivas em Niterói

NITERÓI — Um grupo de pessoas realizou um protesto, na manhã deste domingo, na orla de Icaraí, contra as medidas de restrição adotadas pela prefeitura de Niterói e em apoio ao governo federal. Em determinado momento, os manifestantes, aglomerados, entraram na faixa de areia e investiram contra guardas municipais que faziam a fiscalização da praia.
Desrespeitando o decreto municipal em vigor, os manifestantes se concentraram na Avenida Jornalista Alberto Francisco Torres, na altura da Paróquia de São Judas Tadeu. Com bandeiras do Brasil e caixas de som, eles protestavam na avenida e no calçadão contra o recrudescimento das medidas de isolamento feito pelo governo municipal no sábado.
Conforme decreto municipal em vigor, somente a prática de atividades físicas individuais estão permitidas nas praias, desde que não gere aglomerações, e somente entre 6h e 10h e a partir das 18h.
Por volta das 10h, agentes da guarda passavam pela faixa de areia para advertir quem estava no local quando os manifestantes passaram a xingar os agentes e depois avançaram contra os mesmos com gritos de ordem e ameaças. Os guardas municipais permaneceram no local, mas em menor número, diante do avanço de mais pessoas se retiraram da praia.
A prefeitura de Niterói ainda não respondeu se identificou os responsáveis pelo ato e se tomou ou tomará providências para punir os manifestantes diante do descumprimento das regras sanitárias em vigor.
O que pode e o que não pode
As medidas de restrição para prevenção do coronavírus, que venceriam neste domingo, permanecem em vigor até o dia 18. O decreto de prorrogação foi publicado no Diário Oficial deste sábado (10).
Continuam suspensos o funcionamento de boates, museus, bibliotecas, cinemas, teatros, salões de beleza, barbearias, clubes, quiosques e academias. O banho de sol e de mar nas praias também segue proibido, sendo permitidas apenas a prática de atividades físicas individuais, tanto na água quanto na areia.
Assim como na última semana, lanchonetes, cafeterias e restaurantes só podem abrir para atendimento ao público entre quinta-feira e domingo. Lanchonetes e cafeterias, das 8h às 20h, com taxa de ocupação de 30%; restaurantes, das 11h às 21h, com ocupação de 50%.
Ao contrário do Rio (onde já foi autorizada a retomado o funcionamento das escolas), em Niterói, as aulas presenciais seguem permitidas apenas para a rede de educação infantil. No Ensino Fundamental, Médio e Superior, somente aulas remotas estão autorizadas.
Os supermercados e mercados, considerados serviços essenciais, podem funcionar com taxa de ocupação de 50%, das 6h às 23h, exclusivamente para venda de itens de alimento, bebida, higiene e limpeza, devendo ser vedado o acesso ao público às áreas destinadas para vendas de outros itens. Os estabelecimentos que já possuem serviço de entrega de compras (delivery) deverão atender as pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, preferencialmente, por meio deste serviço, realizando as entregas no prazo máximo de 48 horas.
Do paraíso ao inferno tropical | Opinião - O Globo
Não consigo deixar de quebrar a cabeça para explicar nosso fracasso diante da pandemia. Pareço aquele personagem do romance de Vargas Llosa “Conversa na catedral”. Ele se debate com a pergunta: “Em que momento o Peru se fodeu?”.
Cada semana enveredo por uma trilha nova, sem saber direito onde dará essa patética aventura.
Alguns textos estimulam minha busca. Um deles é da economista Mariana Mazzucato, que, ao falar da importância de uma ação nacional coordenada, usa como exemplo o esforço americano para colocar o homem na Lua.
O livro dela chama-se “Missão economia” e pretende ser um guia para mudar o capitalismo. No prefácio, ela comenta a experiência vitoriosa do Vietnã contra a Covid-19, baseada na capacidade de unir todas as energias nacionais numa só direção.
Por minha conta, dei um balanço também em alguns momentos de êxito dos britânicos na pandemia. Um deles foi a capacidade de articular a energia e a criatividade no processo de conseguir vacinas e realizar a vacinação em massa. Outro foi o êxito em evitar, no auge da crise sanitária, que houvesse um colapso no sistema hospitalar.
Ambos os processos de vacinação e gestão de hospitais no Reino Unido foram capitaneados por mulheres. Mas envolveram um esforço mais amplo. Daí minha interrogação: sera que tanto o Vietnã como o Reino Unido não se aproveitaram da memória das guerras que viveram e encontraram mais facilidade para um esforço nacional?
Por meio de outro texto, tentei fazer o caminho oposto: examinar o fracasso de alguns países, como os Estados Unidos e o Brasil, que perderam muito mais gente na pandemia.
Refiro-me a um artigo publicado no ultimo número da “Foreign Affairs”, com o título de “O poder partido, como superar o tribalismo”, de Reuben E. Brigety. De forma simplificada, uma das características do tribalismo é o patrulhamento constante entre os membros de uma tribo, o que evita a possibilidade de cooperar com um adversário para o bem comum.
A superação do tribalismo pode se encontrar na coragem dos líderes, como nos processos da África do Sul e da Irlanda. Ou então na ajuda de entidades mediadoras. Mas tanto Trump quanto Bolsonaro jamais levariam em conta esse aspecto, precisamente porque sobrevivem na divisão.
Nem um nem outro jamais pensou em saída nacional e solidária, simplesmente porque isso implica dissolver diferenças secundárias em nome da tarefa de salvar vidas.
Já havia mencionado em alguns artigos como essa polarização intensa nos torna incapazes de certas conquistas. No caso americano, além de reduzir seu potencial, abre um flanco para a exploração dos inimigos externos.
No exemplo brasileiro, esse fator inimigo externo não tem tanto peso. São tantas as agressões entre nós, tantos insultos à razão e à lógica elementar, que um inimigo externo descansaria na certeza de que fatalmente nos autodestruiremos.
Uma das mais delicadas tarefas de Joe Biden é superar o tribalismo na política americana. E creio que a experiência de nosso fracasso na luta contra a pandemia aponta para a mesma direção no futuro: recriar as condições para que, em determinados momentos, possamos agir como um só país, com energia concentrada para derrotar um inimigo comum, seja ele um vírus, um desastre ambiental ou um grande sofrimento popular.
Quando o radicalismo de Bolsonaro e seus adeptos for superado, creio que, de todos os temas com que trabalho, a proteção ao meio ambiente e a sustentabilidade, ao lado da luta por melhorias reais da condição de vida, podem ser a base de um novo pacto. Ecologia e responsabilidade social.
Não creio que isso nos levaria a um mundo totalmente pacificado, muito menos ao paraíso.
Creio apenas que aqui fomos muito longe em nossa experiência infernal. Não me pergunto apenas quando é que o Brasil se fodeu, mas também por que se fodeu tanto.
Existe dívida histórica? | Opinião - O Globo
Por Irapuã Santana
Quando falamos sobre os efeitos do racismo, muitas pessoas contestam dizendo que nunca escravizaram negros e que, por esse motivo, não há que falar em dívida histórica. Esse pensamento, no entanto, apesar de fazer algum sentido, não é verdadeiro.
Primeiramente, é preciso perguntar quem causou o dano a fim de que se possa reconhecer eventual dívida. Nesse sentido, como já foi abordado na coluna passada, tivemos no Brasil um exemplo cristalino de racismo perpetrado pelo Estado, no que tange ao acesso à propriedade e à liberdade da população negra, negando-lhes o básico do básico, mesmo após a Abolição da Escravatura. Portanto, temos um fato, um dano e um agente, faltando apenas um fio condutor que possa demonstrar, sem nenhuma escapatória, que todo esse quadro faz sentido.
Um estudo formulado por Justin R. Bucciferro, professor de Economia da Universidade Estadual de Nova York, traz uma evidência empírica muito favorável para o povo negro: “Novas estimativas de ganhos confirmam que os europeus foram explorados quase da mesma forma que os escravos, mas benefícios não monetários e racismo podem ter apoiado as oportunidades de mobilidade social do primeiro grupo”.
Essa pesquisa desnuda a forma como o racismo foi e é capaz de gerar uma vulnerabilidade implacável sobre a população negra, relegando-a aos piores índices socioeconômicos encontrados nos dias atuais. Enquanto os negros procuravam por trabalho, eram preteridos diante da alta oferta de imigrantes europeus e de seus filhos em terras brasileiras.
Para ter uma ideia, já em 1920 os afro-brasileiros eram a grande maioria nos empregos de baixa remuneração e tinham a renda correspondente a, no máximo, 80% daquela obtida pelos trabalhadores brancos.
O professor Bucciferro chega a afirmar categoricamente que a segregação racial claramente existia entre as ocupações no Brasil, onde somente se permitia a contratação de pessoas negras nos espaços em que os brancos não mais queriam estar, gerando a perpetuação do desequilíbrio social, econômico e racial.
Assim, embora a liberdade tenha sido uma melhora incalculável na qualidade de vida dos negros, o preconceito prevalente e o desejo de clareamento da população criaram novas desvantagens, que são sentidas até os dias atuais.
Portanto, é completamente justificável falar na existência de uma dívida histórica do Brasil com sua população negra. Afinal, o que está exposto nesta coluna é uma demonstração irrespondível do fator racismo na vida de milhões de pessoas.
Fica mais fácil enxergar que o Estado e a sociedade brasileira trabalharam intensamente para que os descendentes das pessoas escravizadas tivessem o mesmo destino de subalternidade de seus ancestrais.
Portanto, é um dever moral o (1) reconhecimento formal da existência dessas injustiças praticadas sistematicamente em todos esses séculos; e (2) a realização de um grande pacto nacional do país com todo seu povo, de todas as etnias, de que todos farão o máximo para que isso tudo pare imediatamente e não mais se repita.
A Terra plana de Lênin | Opinião - O Globo
Por Miguel de Almeida
No mesmo dia em que o Exército dos Estados Unidos fechava um contrato de bilhões de dólares com a Microsoft, o general Braga Netto soltava sua nota de exaltação ao golpe militar de 1964. É muito pouco para tanto soldo.
Os soldados americanos realizarão seus treinamentos com o HoloLens, óculos de realidade aumentada capazes de aprimorar estratégias de ataque e defesa. Como exercício, podem reviver célebres batalhas como o cerco a Moscou ou rever o gênio de Napoleão em Austerlitz.
Na realidade mental desinformada dos governantes de turno, Braga Netto usa uma lente pedestre para justificar o regime de exceção instaurado por seus colegas. Teve tempo para estudar e saber que João Goulart pode ter sido tudo, menos comunista. Era estancieiro, rico e gostava de espeto corrido. Perto de Joe Biden, Jango está à direita. E não ouvi a extremista Bia Kicis chamar Biden de comunista.
Os problemas no Brasil permanecem sendo a má educação e a falta de honestidade. (De asseio também.)
Assim como o PT e Lula se recusam a fazer uma autocrítica de seus desmandos, os militares ainda relutam em realizar uma autocrítica de sua ação criminosa contra a democracia. Ter saído pela porta dos fundos, como fez o general Figueiredo, não conta ponto. Talvez seu “me esqueçam” seja um bom começo de conversa.
Deixasse de ser contaminado pela dislexia mental de seu chefe, Braga Netto poderia gastar algumas poucas horas lendo “O crepúsculo da democracia”, novo livro de Anne Applebaum. O subtítulo, general, diz tudo: “Como o autoritarismo seduz e as amizades são desfeitas em nome da política”. A jornalista e historiadora americana, hoje morando na Polônia, ao escrever sobre os crimes stalinistas, ganhou a pecha de fascista. Com seus ataques à extrema-direita de turno (Trump, Erdogan, Orbán, Putin e também o Bozo de sempre), é vista como perigosa comunista. Muda o disco.
Ao atravessar a reconstituição feita por Applebaum das estratégias políticas de destruição dos adversários (todos comunistas…), até Carla Zambelli ficaria chocada ao constatar que seu adorado Bozo — ele na Terra e Malafaia no Céu — usa os métodos de difamação forjados por Lênin.
O que leva Bozo, sim, ele, a ser um leninista. Portanto, comunista. De fato, a coisa é complicada.
Peraí, vamos devagar. Assim como esses pastores em busca de dízimos deturpam as palavras de Jesus Cristo (a maior vítima de fake news da história), o malandro do Lênin fez uma leitura oportunista de Karl Marx, que, a seu modo, era menos marxista sempre que precisava de uns trocados de Engels, seu patrono rico e industrial.
Significa que Braga Netto e os militares, ao chamar de comunista o estancieiro João Goulart, continuam a praticar o modelo de fake news perpetrado por Vladimir Lênin em sua luta contra o czar Nicolau. Nada a estranhar, porque o ideólogo trumpista, Steve Bannon, espécie de Olavo de Carvalho que não emite perdigotos, se proclama um novo Lênin.
As ideias e práticas se repetem.
Já no distante início do século passado, o revolucionário bolchevique, em nome da causa que tudo justifica, defendia a importância de desacreditar as instituições (a começar pela Justiça), a imprensa (para ele, a liberdade de imprensa “é uma farsa”), mostrava seu desdém pelos servidores públicos apolíticos (não é o caso de Pazuello e Ernesto Araújo, o doidão) e um desprezo total pela democracia parlamentar. Em seu modelo de poder, a meritocracia é coisa burguesa — melhor premiar os leais ao partido, à causa (a soneca de Weintraub paga em dólar, né?, e temos as prebendas bozochavistas aos militares).
Lênin, filho da classe alta, nutria ódio à elite a que pertencia. Sua família fora colocada à margem depois de seu irmão (espécie de Adélio lá deles…) fracassar na tentativa de matar o czar. Quis ir à forra. Nos anos de prisão e exílio, formulou sua estratégia de mentira e manipulação da verdade. Em nome da causa (sua, particular), lutou para destruir por dentro todas as instituições. Teve êxito ao levar à morte por fome centenas de milhares de pessoas. Seu genocídio pelo bem do povo resultou em Stálin e, agora, em Putin. E, nós, no Bozo.
O GLOBO foi o jornal mais lido do país em 2020

O GLOBO terminou o ano de 2020 e segue em 2021 sendo o jornal mais lido do país, apontam dados públicos de aferição do mercado de mídia brasileiro. A liderança reflete o processo de transformação digital do jornal, que ganhou velocidade a partir de 2017 e continua oferecendo novidades aos seus leitores.
De acordo com a Comscore, referência mundial na análise do tráfego em conteúdos na internet, O GLOBO teve uma média de 28,8 milhões de visitantes únicos por mês em 2020, liderando o segmento de grandes jornais. “A Folha de S.Paulo” ficou em segundo, com 24,2 milhões; e “O Estado de S.Paulo”, 15,2 milhões.

Em São Paulo, O GLOBO se consolidou como o segundo jornal mais lido no estado. De acordo com a Comscore, O GLOBO teve em média 1,3 milhão de visitantes únicos por mês no estado, enquanto a “Folha” ficou com 1,6 milhão e o “Estado de S. Paulo”, 709 mil. Esses dados se referem apenas ao consumo em desktop, que é o único em que a Comscore segmenta por unidade da federação. O histórico de audiência mostra que a leitura em celulares segue padrão semelhante.
Pesquisa da Clickstream TGI revela que 1 a cada 5 pessoas leem O GLOBO, em sua edição digital ou impressa. Dentre aqueles que têm o hábito de se informar por jornais, 1 em cada 3 consomem O GLOBO. O jornal alcança 35,4% desses leitores, à frente da “Folha” (34,4%) e do “Estado” (23,5%). O levantamento abrange um universo de 89,4 milhões de indivíduos.

Nas assinaturas digitais e impressas, O GLOBO terminou 2020 à frente de seus concorrentes em 20 das 27 unidades da federação, incluindo, além do Rio, todos os estados das regiões Norte e Nordeste, Distrito Federal e Goiás. Esses dados são do Instituto Verificador de Comunicação (IVC), que há 60 anos certifica as vendas dos principais veículos no país.
O avanço das assinaturas digitais do GLOBO ao longo do ano, medido pelo IVC, foi de 31%, enquanto a “Folha” cresceu 20% e o “Estadão”, 13%.
Tudo isso faz do GLOBO um jornal nacional.
O crescimento no meio digital é reflexo de uma série de iniciativas adotadas recentemente pelo jornal. Entre elas, está a ampliação e diversificação do time de colunistas, que juntou à equipe já consagrada do jornal nomes como Vera Magalhães, Malu Gaspar, Pablo Ortellado e Zeina Latif, entre outros.

No ano passado, O GLOBO inovou e apresentou conteúdos de enorme sucesso para ajudar os leitores a enfrentar a pandemia da Covid-19, atingindo seu recorde histórico de audiência em abril, quando 82 milhões de usuários acessaram o site do jornal, de acordo com o Google Analytics.
Um dos destaques foi o “Qual é o seu lugar na fila da vacina?”, um infográfico dinâmico em que o leitor pode apresentar seu perfil e descobrir quando será vacinado, consolidando no mesmo ambiente todas as informações sobre os imunizantes. A ferramenta já foi utilizada 8,9 milhões de vezes.
O infográfico com a evolução dos números da Covid no Brasil e no mundo foi visto 1,3 milhão de vezes e as colunas A Hora da Ciência, escritas por alguns dos maiores especialistas brasileiros, bateram 1,4 milhão de visualizações apenas no site.
A Redação também se empenhou em distribuir gratuitamente as reportagens que orientavam o público sobre o coronavírus, liberando-as das barreiras de assinatura. Além disso, produziu cinco guias a respeito da Covid em PDF, para serem compartilhados via WhatsApp, que tiveram mais de 500 mil downloads no site do jornal e viralizaram pelos celulares país afora.

Não foi apenas a pandemia, no entanto, que mobilizou os leitores e a Redação. Durante a eleição municipal, uma ampla cobertura, com notícias exclusivas, análises e ferramentas inovadoras, levou O GLOBO a liderar com folga sobre a concorrência. Em novembro, quando os brasileiros foram às urnas escolher seus prefeitos e vereadores, o jornal alcançou a marca de 27,6 milhões de leitores digitais, enquanto a “Folha de S.Paulo” teve 21,8 milhões e o “Estado de S.Paulo”, 19 milhões.
Apenas o Sonar, que capta a movimentação do ambiente político nas redes sociais, ultrapassou 26 milhões de visualizações ao longo de 2020. Os infográficos que permitiam que os eleitores encontrassem os candidatos que mais se alinhavam com sua visão de mundo, por sua vez, mobilizaram as redes sociais e ajudaram os leitores a definir seu voto.
Prêmios
As diversas iniciativas do jornal acabaram recebendo prêmios nacionais e internacionais. O GLOBO venceu, por exemplo, duas categorias do Latam Digital Media Awards 2020, a mais importante premiação em jornalismo digital da América Latina, pelo melhor uso de vídeo online, com a série “Entrevista na janela”, e o prêmio de melhor compromisso de audiência, pela cobertura da pandemia do coronavírus sem barreiras para não assinantes.
Duas reportagens do GLOBO venceram ainda o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos: na categoria Fotografia, com uma série de retratos sobre os óbitos em casa em Manaus durante a primeira onda da pandemia, e na de Áudio, com a história de quatro bailarinas negras que superaram o racismo para chegar à elite do mundo da dança.
Fontes
A seguir um resumo das informações e a referência das fontes citadas no texto acima e também na campanha publicitária que O GLOBO começou a veicular em abril de 2021:
O GLOBO tem média de 28,8 milhões de visitantes Únicos: Comscore / média mensal 2020.
1 em cada 5 pessoas no Brasil lê O GLOBO: Leitores de jornal - Leram jornal impresso ou sites de jornais nos últimos 30 dias / TGI Clickstream MP BR TG Ibope 2020 I (2019 1s + 2019 2s) v1.0 - Personas / Regiões: Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste / Universo: 89.439.999 (Indivíduos entre 12 a 75 anos) amostra: 23.809.
1 em cada 3 leitores de jornal no Brasil lê O GLOBO: Leitores de jornal - Leram jornal impresso ou sites de jornais nos últimos 30 dias / TGI Clickstream MP BR TG Ibope 2020 I (2019 1s + 2019 2s) v1.0 - Personas / Regiões: Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste / Universo: 48.185.000 (Indivíduos entre 12 a 75 anos) amostra: 15.506.
1o colocado em assinaturas em 22 das 27 unidades federativas: IVC Fevereiro de 2021 / Entre os maiores jornais brasileiros.
34% de crescimento na audiência digital nos últimos 3 anos: Comscore / Jan-Nov de 20 vs Jan-Dez de 17 (usuários únicos).
1o colocado em assinaturas em 22 das 27 unidades federativas: IVC Fevereiro de 2021 / Entre os maiores jornais brasileiros.
+31,2% em conquistas de assinantes digitais em 2020: IVC / Assinatura digital sem sobreposição Dez de 20 vs Jan de 20.
1o lugar em audiência entre os sites de jornal no país e com crescimento consistente: 15% de aumento no último ano e 34% nos últimos 3 anos: Comscore / Jan-Nov de 20 vs Jan-Dez de 19 (usuários únicos) e Comscore / Jan-Nov de 20 vs Jan-Dez de 17 (usuários únicos).
2o jornal mais lido em São Paulo: Comscore / Fevereiro 2021 Desktop.
Orlando Morais sobre a Covid-19: 'Me segurei nos olhos da Glória'

Durante os nove dias em que Orlando Morais enfrentou a Covid-19 numa UTI, os olhos negros de Glória Pires o ancoraram aqui na Terra. No olhar da mulher, ele encontrava a confirmação de sua própria consciência. A atriz também foi a segurança em pessoa ao brotar de surpresa na casa do casal em Brasília, onde ele estava, dizendo: "Acabou a brincadeira, tô aqui e vou ficar". O marido não só havia resistido à presença dela por medo do contágio, como também à internação no hospital. Foram preciso duas noites ardendo em febre de 42 graus e sentindo o ar sumir do pulmão para que se convencesse.
A partir daí, travou uma luta pela vida ("quando os aparelhos começavam a apitar, os enfermeiros falavam coisas lindas no meu ouvido", conta). E venceu. Mas o cantor e compositor goiano de 59 anos ainda sofre as consequências da doença. Faz fisioterapia respiratória três vezes ao dia. Troca de roupa oito vezes por causa do suor que invade o corpo. Ainda assim, não abandona os projetos futuros.

Ele sempre se dividiu entre as fazendas herdadas da família no interior de Goiás - onde, com 10 anos, ajudava a mãe nos partos das mulheres da região, queimando umbigos com colher quente -, os negócios (pousadas, casa de show, empresa que constrói condomínios, laboratório de lentes e plataforma de lives) e a música.
Ela entrou em sua vida aos 4 anos, quando começou a tocar piano sozinho e surpreendeu a família ("diziam que recebia um espírito"). Virou atração da cidade, por onde era levado a perambular mostrando seus dotes dentro de uma roupinha de maestro. Chegou a tocar o Hino Nacional para o presidente Emílio Médici. Passou a achar toda aquela mise-en-scène meio chata. Tudo que queria era a vida normal dos seis irmãos. Decidiu ali que não seria artista. Veio para o Rio cursar Direito, mas a música falou mais alto.
E continua falando. Em dezembro de 2020, lançou o single "Le silence tue", com Sting, Brandford Marsalis e Peter Gabriel. O projeto todo, gravado em 2004, saíra esse semestre em dois álbuns: "Le pop" e "Le jazz". Também disponibilizou sua discografia (dez álbuns em 30 anos de carreira fonográfica) nas plataformas digitais, onde ainda lançará, em breve, o documentário "Orlamundo". O filme, que reflete sobre sua trajetória e retrata encontros musicais com artistas brasileiros e internacionais, ganhou o prêmio de Melhor Documentário no Los Angeles Independent Film Festival Awards.
Orlando ainda planeja disco em que deve cantar com as filhas (a enteada Cleo, Antonia e Ana), e tem dois álbuns inéditos prontos: um com a Velha Guarda da Portela (previsto para 2022); outro, do projeto Rivière Noire, seu trio com os franceses Pascal Danae e Jean Lamoot, com o qual ganhou Melhor Álbum de Música do Mundo, no Victoire de La Musique, o Grammy francês.
Na conversa a seguir, ele diz que sofreu com a "implicância" de parte do público brasileiro por ter se casado com Glória ("diziam que ela mandava botar música minha nas novelas que fazia"), conta que o momento mais difícil do casamento foi o boato maldodo de que teria um caso com Cleo ("aquilo foi muita maldade, me senti impotente") e revela detalhes de uma tentativa de suicídio aos 13 anos ("me achava inapto para a vida).
Como se sente agora? E como foi a sua experiência com a Covid-19?
Me acostumando. Sou forte, mas foi grave. Meu pulmão não tem inflamação, mas ficou craquelado. Essa doença é muito nova, porque não é uma dor. Falta o ar o tempo inteiro, e você não sabe o que fazer. Aí, no hospital, são 24 horas de oxigênio ligado em você, um pressão grande que eu tinha medo de não dar conta. Sou claustrofóbico, aquelas coisas todas no meu rosto...
Montaram uma cadeira porque eu não queria ficar na cama, tinha medo de perder o fôlego. Ao mesmo tempo, pensava nas pessoas que não tinham condições de ter aquele tratamento e deitam no chão de hospitais sem oxigênio. Não me sentia culpado, não sou uma pessoa que tem culpa de ter as coisas. Pensava em como ajudar.
Me segurei nos olhos da Glória para não sair de mim. Ficava linkado nela o tempo todo. Mesmo quando ela estava dormindo ou eu tinha que ficar de bruços. O olhar dela era a minha referência. Sentia que minha vida estava ali, que, se desvinculasse, não conseguiria voltar.
Glória virou um bicho acuado, me olhava, tipo: "Cara, não vai embora". Tenho um pacto de vida eterna com a Cleo, que me ligou lembrando (risos). Eu pensando: "Se acontecer alguma coisa vai ser uma piração com eles". A gente vive muito junto. Na minha casa tudo pode, se fala sobre tudo, ninguém pune ninguém. Não somos exemplo para ninguém, mas a nossa coisa junto é muito foda.

O seu medo não era de morrer, mas de a família não aguentar...
Não podia me permitir morrer. Percebi que eles não tinham estrutura. Minha mãe tem 85 anos, é forte, mas estava desesperada. Me ligou tremendo inteira e disse: "Não brinque comigo, trate-se de se recuperar, porque não aceito".
Um dia, falei para Glória: "Estou sentindo que algo pode acontecer", tentando ao máximo falar porque fui perdendo a fala, "preciso que segure a onda, porque não é possível que tudo que a gente fez até aqui vá despencar ladeira abaixo". Chamei todo mundo e disse: "Vamos botar o pé no chão. Não somos melhores que ninguém, a gente tem que estar preparado para tudo".
E repetia para: "Não posso ir agora, tenho que segurar". Já tive várias doenças, sete pneumonias. Mas essa é como sentir sua vida indo embora a todo o segundo. Bento, Antonia, Ana e Cleo foram guerreiros. Eles piraram e agora estão tudo aqui, em volta de mim.
O vídeo com você cantando ao sair do hospital foi comovente. Seu fôlego surpreende...
Queria agradecer aos enfermeiros e pensei: "Vou tirar do fundo da alma". Eles falavam coisas no meu ouvido quando os aparelhos começavam a apitar, tipo: "Coloque os olhos dos seus filhos em volta de você". Queria que eles soubessem que estava me esforçando ao máximo para agradecer. A recepcionista dizia "eu te amo", que coisa linda!
Que mensagem enviaria a quem está contaminado? E o que acha da conduta do governo na pandemia?
Não lembro dessa gente, não penso nisso. Minha mensagem é: olhe para dentro de você e respire com a certeza de que é importante que a gente vença esse vírus. Cada vida representa uma coisa imensa no planeta agora. Cada um que vence é uma chuva de felicidade. Tenha confiança.
Teve alta a tempo de comemorar os 33 anos de casamento. Qual foi o momento mais difícil que passaram?
A fofoca da Cleo (em 1998, quando ela tinha 15 anos, surgiu um boato de que teria um caso com o padrasto).
Aquilo doeu demais. Me senti impotente.
Porque não era mais comigo nem com a Glória, era com a Cleo, uma adolescente.
Pensava na dor que ela estava sentindo.
Estou com ela desde os 5 anos, a vi trocar todos os dentes.
Achar quem fez aquilo virou minha obsessão.
No tribunal, chamava as pessoas por fora e falava “retiro as ações”.
Mas ninguém dizia a fonte. Era algo tão malvado.

Como lidaram com isso dentro de casa?
Glória falou:
“Que as pessoas sejam loucas, TUDO BEM,
mas a gente entrar na loucura, NÃO,
essa BOMBA vai cair LÁ FORA”.
Cleo é minha filha como os outros.
Fiz meu testamento com tudo igual.
A mentira era bem pensada.
Naquele ano, Glória estava fazendo novela, e eu pegava a Cleo no colégio, ia às reuniões.
As pessoas olhavam... Eu poderia matar alguém por causa de um filho.
Via a Cleo dormindo e morria por dentro.
Por quais ajustes a família precisou passar na convivência intensa da quarentena?
Quando veio a pandemia, cada um estava num lugar.
Mandei o avião buscar todos.
Pirei que iam fechar os aeroportos.
A gente acabou indo para a casa de Brasília, na beira do lago, com mais espaço.
De vez em quando, dava um probleminha. Eu e Glória conversamos demais. Quando dava uma reviravolta, ela falava "vamos por ali".
E fomos administrando as crises dos filhos. Porque um tinha medo até de receber carta. A outra queria correr na rua. Cada dia era uma novidade.

Como manter o tesão após tanto tempo de casamento?
Nossa ligação independe de tudo.
Tô pronto para aceitar a Glória do jeito que ela vier.
Não programei uma pessoa, não desenhei alguém para ter.
Ela pode ser ela todo dia, estou aqui para aceitá-la.
Falo que não vou encontrar uma pessoa melhor que ela e que ela não vai encontrar alguém melhor que eu, então... (risos).
Mesmo se não estivermos juntos, ela é 100% minha, tenho que cuidar.
Gosto do que ela é, da loucura dela.
É de uma força... Um ser humano pequeninho com tanto talento, generosidade, integridade.
E toda aquela liberdade... A mulher nunca posa de nada.
No fundo, está ali no chão mesmo.
Na hora que você precisa, vira uma guerreira, uma leoa.
Você acabou desenvolvendo sua carreira artística mais na França do que aqui. Precisou sair do Brasil para as coisas acontecerem?
Estava morando na França, tocava em lugares bacanas, quando vim ao Brasil passar férias e acabei conhecendo a Glória.
Em três meses, a gente estava casado.
Nunca programei isso.
Mas era um amor profundíssimo, estava disposto a qualquer coisa.
Sempre fui ligado a cinema, um pouco menos em televisão.
Quando a gente se casou, não tinha noção que estava casando com uma pessoa importantíssima da TV, que aquilo queria dizer muita coisa para muita gente.
Foi tudo rápido e não me amparei nesse aspecto.
Minha vida sempre foi muito normal.
Aí criou-se uma implicância gratuita...
Uma implicância com você?
Comigo e com aquele casamento.
Minha primeira música a entrar em novela foi em "Pantanal", ("Divinamente nua, a lua", parceria com Caetano Veloso).
Mas aí veio a história de que a Glória tinha que botar músicas minhas em novelas que fazia.
A gente não tinha nem poder para exigir isso!
E aquilo vinha numa velocidade... Era uma coisa meio satânica, má.
Críticos especializados até falavam bem do que eu fazia, mas era tanta história junto...
Muita gente dizia que eu devia retrucar.
Mas aquilo expunha a Glória, a entristecia.
E eu achava bobo. Mas virou um problema sério, um assunto insuportável.
Fui suportando aquela implicância educadamente, pensando "vai passar".
Mas chegou num nível tão profundo...
Glória era rainha daquele veículo.
Quando eu aparecia em programas, linkavam o casamento.
Entendo, era uma menina muito conhecida, o Brasil cresceu com ela.
Mas chegou uma hora em que ficou difícil trabalhar aqui.
Um dia, a Ivone Kassu (assessora de imprensa, morta em 2012) me disse:
"Nunca vi tanta implicância numa pessoa só".
Decidi que não queria mais música em novela.

E foi trilhar sua carreira na França, que te tratou melhor do que o seu país... Se tornou um dos músicos brasileiros mais conhecidos, gravou com Patrick Bruel (a música "Où Es-tu?", que alcançou o primeiro lugar no iTunes francês), fez o programa de TV "Lá"....
É, eles foram muito gentis comigo.
Quando fizemos o Rivière Noire foi uma loucura, fazia tempo que a imprensa não dava tanto valor a um trabalho.
Quando ganhamos o prêmio, a gente chegava nos festivais e era um assédio...
Talvez, eu seja o artista que mais tenha gravado com estrangeiros, foram uns 120.
De Vietnã, Madagascar, China, Mali, Síria.
Eles vinham ao programa e gravávamos sem ensaio.
Guarda mágoas do Brasil por causa dessa implicância?
Jamais, amo o Brasil, as pessoas.
Agora, no hospital, o que mais me fez chorar foi a bondade dos enfermeiros.
Não sou de guardar mágoa. Olho para aquilo e entendo.
Também, se for pensar claramente, ninguém joga pedra numa árvore seca. Muita gente foi boba.
Até meus filhos já falaram, mas eu não sei me vingar.
Me acho tão grande. Nesse aspecto, sou pretensioso.
Deus me deu uma vida tão linda. Tenho todos os paraísos que pode imaginar, cachoeiras... Não posso prestar atenção em coisas pequenas.
Sei que, às vezes, tenho que dar uma machadada, mas não consigo.
Não é negócio de Jesus ou que sou bom.
Sou espírita, mas acredito em tudo, até num copo d'água.
Sou espiritualizado, acredito na força do bem, que o outro é a sua morada...
As pessoas me perguntam: "Como toca um bando de empresa?". Porque gosto de gente.
Como integrante de uma família de fazendeiros que criou gado por muito tempo, o que acha da percepção, por parte da sociedade, de que agronegócio destrói o meio ambiente? Você se preocupa com alimentação, agrotóxicos? Come carne?
Não mexo mais com boi, mas tenho fazendas e tento reflorestar.
Era uma outra época, né?
Acho que quanto mais informação tiver, mais as pessoas poderão trabalhar isso.
Sou a favor de que o mundo seja cuidado, transformado.
Assim como muita gente polui, muita gente que trabalha a terra está tentando outros manejos.
Acho que tem que ter representatividade para ter acusação e também para a outra pessoa poder crescer seu negócio.
Somos um país de dimensões continentais.
O que segura a nossa economia hoje é o agronegócio.
É um sonho meu? Não.
Prefiro que a gente vá para o outro lado, científico.
Porque a coisa do agro é pesada, depende da chuva, do sol, são máquinas, há colheitas inteiras que vão embora.
Há um lado sofrido.
Sou a favor de que o mundo seja cada vez mais ecologicamente correto.
Agora, não sou xiita em nenhum aspecto.
A Glória é mais preocupada com alimentação, ela não come carne.
Sou mais desorganizado, como carne, o que tiver no prato. Não sou muito regrado, vivo como o mundo é.

Em “Orlamundo”, você diz que a música te salvou e termina o filme dizendo: “aos 13, tentei me suicidar”, sem explicar mais nada. Como foi isso?
Me achava inapto para viver. Tinha medo de noite, da escuridão, de tudo. Desencantei da vida. Não tinha motivo, lembro de pensar: “Não nasci para estar vivo, não consigo”. Foi com remédio. Minha irmã tinha leucemia, e ouvi o médico dizendo à minha mãe: “Guarda esse remédio em outro lugar, se alguém toma 3 ou 4...”. Aquilo ficou na minha cabeça e, em vez de me jogar de um lugar, tomei uma caixa inteira. O olhar do meu pai no hospital nunca saiu da minha cabeça, era o mais triste do mundo. Naquele momento, agarrei a vida e prometi que nunca mais ia morrer. Ele nunca tocou no assunto. Nem eu. Às vezes, eu o abraçava e queria dizer que aquilo nunca mais ia acontecer. Mas não consegui.
Ele morreu (de acidente de carro, quando Orlando tinha 15 anos) sem que dissesse...
Sim. No filme, isso também foi para ele.
A história vinha na minha cabeça toda hora e resolvi falar para me livrar.
Depois, como o filme é meu, era só pedir para tirar.
Quando chegou na montagem, falei: "Isso não vai entrar de jeito nenhum".
Aí, a montadora segurou na minha mão e falou que era a chave do filme.
Que, se tirássemos, ela estava fora.
Eu tinha medo que meus filhos vissem e achassem que eu pudesse... Sei lá.
Eu nunca tinha falado disso com ninguém.
A Glória sabia por alto. Nunca tocamos no assunto.
Acho que tem uma coisa de Deus nessa entrevista aqui com você.
É a primeira vez que falo tanto. E não perdi a voz nem a respiração em nenhum momento. Me sinto um pouco curado.
*
Menino Henry é retratado como anjo em mural em rua da Zona Norte do Rio

RIO — O menino Henry Borel, de 4 anos, que morreu há um mês, foi homenageado com um mural feito por artistas e grafiteiros em Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio, neste sábado, dia 10. O grafiti, num muro na Estrada do Barro Vermelho, traz a criança representada como um anjo, com asas e uma auréola. As cores contrastam com o fundo que traz o padrasto, o vereador e médico Dr. Jairinho, e a mãe de Henry, Monique Medeiros, desenhados como demônios, com chifres, olhos vermelhos e um tridente. O casal é acusado pela morte do menino, e foi preso na última quinta-feira.
A ideia para o desenho surgiu a partir de uma foto sobre o caso estampada nas capas dos jornais, na sexta-feira, e que foi vista por Murilo Lemos, de 33 anos. Na hora o convite de fazer o mural foi enviado para os amigos do coletivo de grafiti 400ml Crew. O projeto foi iniciado e concluído no sábado, com a pintura no muro de cerca de 6 metros de comprimento e 3 metros de altura, feito das 7h às 18h, com ajuda dos amigos e grafiteiros Thiago Harynk e Alex Bomb.
O local para receber a obra foi estratégico, mesmo que a quilômetros do apartamento na Barra da Tijuca onde Henry morreu. O amplo muro em Rocha Miranda é em frente a um sinal de trânsito demorado, numa via com circulação de ônibus para diversos bairros. Mesmo antes de ser finalizado, o desenho chamava a atenção.
— Eu nunca tinha pintado da forma como foi. Com a pintura do muro, os ônibus paravam, as pessoas com o celular de fora da janela, pediam "pelo amor de Deus, tira a escada" para fotografarem, Os carros buzinando, sem saber porque o ônibus não andava, e depois eles paravam para tirar fotos também — conta Murilo, pintor há mais de 20 anos e grafiteiro há 4 anos, incluindo na Comlurb, empresa onde trabalha.
Antes que o mural fosse finalizado, a imagem tomou as redes sociais, com elogios e críticas negativas. Thiago Harynk, de 36 anos, — grafiteiro e dono de uma loja destinada à atividade — não esperava a repercussão, incluindo as dezenas de pessoas que paravam para conversar sobre a obra e sobre o caso. Pai de três filhos, com o caçula com 4 anos, vê a obra como um alerta.
— Muita gente achou a imagem pesada, outras concordaram. As pessoas não entenderam muito a nossa proposta, que é mostrar a realidade, o bem e o mau, o sofrimento daquela criança com a família. Não foi só uma homenagem, foi um protesto — destaca Thiago. — Nossa intenção foi chocar, chamar a atenção. Se fizesse só o menino, ia ficar bonito, mas não iria passar a realidade.
Entre os transeuntes, um tio de Henry se deparou com a homenagem. Numa conversa rápida, um click e o número de telefone de Murilo anotado renderam o contato do pai do menino, Leniel Borel de Almeida Jr., quase que imediatamente.
— Um tio do Henry passou na hora e falou que queria bater uma foto, enviar para o pai do Henry. Em questão de minutos o pai dele entrou em contato comigo, elogiando a pintura, chorando bastante, disse que quer que a gente se conheça — conta Murilo.
O impacto da notícia da morte do menino de apenas 4 anos foi maior quando o artista pensou no próprio filho, João Gabriel, que tem a mesma idade.
— Me impactou bastante, o Henry tinha a idade do meu filho. Eu não queria nem imaginar como é estar na pele desse pai. É complicado demais — diz.
Thiago, que é pai de três meninos — um de 15, outro de 9 e o caçula de 4 anos —, também se sensibilizou ao pensar em Leniel Borel. O artista se dedicou a pintar Henry, e espera que a obra sirva como alerta:
— Impossível não sentir a dor de um pai. Isso me comoveu muito — afirma. — A imagem impactando pode abrir o olho de um parente, de um vizinho que às vezes não desconfia de uma pessoa, mas a criança vem dando sinais, Tem que observar mesmo.
Servidores públicos críticos a Bolsonaro viram alvo de perseguição ideológica no governo

RIO - Um álbum de fotos e um boné da Polícia Militar (PM) do Paraná estão entre os poucos objetos que Martel Del Colle, de 30 anos, guardou para se recordar da década em que serviu como tenente da corporação. No início do ano passado, o oficial foi aposentado compulsoriamente e, com o emprego, foram-se as fardas, a arma e a maior parte do salário. O motivo alegado foi o quadro depressivo enfrentado por Martel. Ele, no entanto, tem certeza que a dispensa foi resultado, na verdade, de sua adesão pública à campanha contra a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018:
— Um texto que escrevi viralizou na internet. Nele, explicava por que eu, um PM, era contra a eleição de Bolsonaro. Fiz críticas à adesão de membros da tropa ao bolsonarismo e, no dia seguinte, fui chamado a dar explicações à Corregedoria. Pouco mais de um ano depois, fui aposentado de maneira estranha.
Martel não é o único. Como ele, servidores lotados em repartições públicas passaram a ser enquadrados institucionalmente após se manifestarem publicamente, em geral pelas redes sociais, contra Bolsonaro e sua gestão. Na maioria das vezes, denúncias contra eles partem de apoiadores vigilantes do presidente. A Articulação Nacional das Carreiras Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (Arca), coalizão de entidades do setor público, identificou mais de 650 episódios de assédio institucional nos últimos dois anos.
Comportamento replicado
Relatos colhidos pelo GLOBO indicam que a pressão resulta em processos administrativos, judiciais e até em demissões. A tendência tem se repetido, principalmente entre agentes das forças de segurança e professores universitários. No mês passado, tornou-se emblemático o processo movido pela Controladoria-Geral da União (CGU) contra dois professores da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) que criticaram a atuação de Bolsonaro contra a Covid-19.
Para se livrarem de sanções, os docentes do Rio Grande do Sul assinaram um termo no qual se comprometiam a não repetir falas com o mesmo teor nos dois anos seguintes. Anulado judicialmente após a repercussão negativa do caso, o documento sintetiza a percepção de pesquisadores que veem em ações desse tipo um alerta de que, para o bolsonarismo, não pode haver espaço para divergência dentro de instituições públicas.
— É uma perseguição radical à democracia, e toda estratégia da forma de governar é ter inimigos. Sem eles, não há sequer bolsonarismo, fica um vazio. O objetivo é destruir os pilares da Constituição, destruir a democracia por dentro, aparelhando as instituições. O bolsonarismo é incapaz de reconhecer a existência do outro. Há um comportamento do alto, e os militantes fazem o mesmo lá embaixo — analisa o professor João Cezar de Castro Rocha, da Uerj.
No ano passado, a CGU editou uma nota técnica com medidas disciplinares contra servidores que se manifestassem nas redes sociais contra o órgão a que estão subordinados. O documento destaca que o regime jurídico do funcionalismo requer lealdade e veda manifestação de apreço ou desapreço no “recinto da repartição”. O texto foi questionado no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo PSB e aguarda análise da Corte. Militares, por sua vez, obedecem a regras mais rígidas e são proibidos de criticar abertamente atos de superiores ou do governo.
No caso do terceiro sargento da Marinha Michel Uchiha, a punição foi passar um dia inteiro preso no alojamento da Escola Naval, no Centro do Rio. Aplicada no mês passado, a punição disciplinar ocorreu após o militar responder a uma sindicância que investigou críticas dele a Bolsonaro nas redes sociais — um post replicava a pergunta sobre o motivo de a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, ter recebido R$ 89 mil de Fabrício Queiroz e da mulher, Márcia Aguiar.
A denúncia partiu de um superior, apoiador do presidente. Ainda impune, o denunciante também é alvo de uma sindicância por ofensas on-line contra o STF.
Uchiha conversou com O GLOBO na véspera da prisão, determinada sob a justificativa de que ele teria mentido ao negar a autoria das publicações:
— Fui perseguido por minhas convicções ideológicas ou por ser homossexual assumido, o que incomoda oficiais mais antigos.
A prisão de Uchiha foi abreviada pela Justiça Federal, por ter violado o direito à defesa do militar. A Marinha informou que as publicações dele sobre Bolsonaro foram “justificadas”e que ele foi detido por “ter faltado com a verdade” no curso do procedimento interno. A PM do Paraná não retornou sobre a aposentadoria de Martel Del Colle.
Assim como os pesquisadores da Ufpel, a professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco Érika Suruagy entrou na mira bolsonarista. Ela foi alvo de um inquérito aberto pela Polícia Federal (PF), a pedido do Ministério da Justiça, por, supostamente, atentar contra a honra do presidente após a entidade instalar outdoors em que ele aparece com capuz e foice, representando a morte, ao lado da frase “inimigo da Educação e do povo”.
Após Érika ter prestado depoimento, em março, a PF optou por não indiciá-la, “por se tratar de infração de menor potencial ofensivo” — como de regra, o material foi encaminhado para o Ministério Público, a quem cabe nova avaliação. Por causa do episódio, a professora do Departamento de Educação precisou bloquear suas redes. O Ministério da Justiça não se manifestou.
— Todo o ataque foi direcionado ao fato de eu ser professora universitária. Várias entidades participaram da iniciativa, e só eu estou respondendo a inquérito — disse Érika.

Também ficaram a cargo da PF inquéritos, abertos com base na Lei de Segurança Nacional, contra críticos do presidente — um dos casos, depois arquivado pelo Ministério Público Federal, tratou da divulgação de uma charge, por dois jornalistas, em que Bolsonaro era retratado ao lado de um símbolo nazista. No ano passado, a PF abriu 51 apurações com base na legislação, quase o triplo do número de 2018, ainda na gestão de Michel Temer.
Em Redenção, no interior do Ceará, também são investigados pela PF quatro professores e um técnico da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira. Os policiais apuram se o grupo compactuou com a depredação do patrimônio público e o uso de drogas na instituição.
Atuação para inibir
As suspeitas têm como base a presença deles em protestos promovidos por alunos contra o cancelamento, em 2019, de um edital voltado para o preenchimento de vagas por pessoas LGBT+. A Unilab desistiu da iniciativa a pedido do Ministério da Educação. Bolsonaro comemorou o fato com uma publicação nas redes sociais.
— Estava no local acompanhando os alunos, insatisfeitos com a intervenção unilateral do presidente na universidade. Não tive participação nos atos. Ainda assim, precisei depor à PF — explica o professor Fernando Afonso, de 48 anos, do Instituto de Humanidades.
Professor de Gestão e Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV), Claudio Couto acrescenta que esses episódios inibem iniciativas que fazem parte das funções dos servidores públicos:
— É o caso de fiscais do Ibama que não podem fiscalizar sob o risco de serem repreendidos e de professores que expressam desapreço pelo presidente, como se não fosse natural criticar uma série de coisas no ambiente universitário, inclusive político.
O Palácio do Planalto não retornou os questionamentos enviados pelo GLOBO.
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