“Todo mundo quer viver 100 anos." - Paulo Guedes * É um ESCÁRNIO INCONCEBÍVEL diante de quase 400 MIL MORTOS pela covid-19
Análise: Em seus primeiros 100 dias, Biden tenta ENTERRAR DÉCADAS de REAGANISMO
Com pacotes ambiciosos de trilhões de dólares, democrata vai RESSUSCITANDO o 'GOVERNO GRANDE'
Paulo Teixeira: "IMPEACHMENT passou a ser realidade e país vive TEMPESTADE PERFEITA"
INFLAÇÃO DISPARA para os mais POBRES: arroz e feijão sobem mais de 60% em um ano
“A maior parte dos congressistas NÃO_TEM_NENHUM interesse em destituir Bolsonaro”, diz especialista ao Libération
Randolfe: 'há MANOBRAS DISPERSIVAS para criar CAOS na investigação da CPI'
Rachadinha: Carlos Bolsonaro PERDE FORO PRIVILEGIADO
O brasileiro viver mais NÃO É um problema fiscal, é uma MEDIDA de SUCESSO
Caem todas as máscaras | Vera Magalhães - O Globo

Os ministros Paulo Guedes e Luiz Eduardo Ramos merecem ser convocados para depor na finalmente instalada CPI da Covid só com base nas declarações estarrecedoras que, sem saber que eram gravados, emitiram na reunião desta terça-feira do Conselho Nacional de Saúde Suplementar.
Num dos ataques verborrágicos que sempre tem e, depois de flagrado, diz ter sido mal interpretado, o ministro da Economia do Brasil diz, numa só tacada, que os chineses inventaram o coronavírus (teoria conspiratória sem comprovação), mas produziram vacinas ruins, piores que as dos americanos, para combatê-lo.
A vacina chinesa CoronaVac é uma das poucas de que os brasileiros dispõem para se proteger do vírus. Só está disponível por ação do governo de São Paulo e do Instituto Butantan, porque o governo a que Guedes serve boicotou sua aprovação e disse por muito tempo que não a compraria.
Teve de comprar porque o presidente Jair Bolsonaro, chefe de Guedes, optou por não comprar as vacinas “melhores”, da Pfizer, quando lhe foram oferecidas com antecedência e em larga escala. Tudo isso será objeto de escrutínio da CPI.
É um escárnio inconcebível diante de quase 400 mil mortos pela covid-19
O ministro da Economia do Brasil também lamentou o aumento na expectativa de vida, atribuindo a ele, e não ao show de incompetência do governo de que faz parte, a falta de insumos, leitos e vacinas. É um escárnio inconcebível diante de quase 400 mil mortos pela covid-19.
O colega de Guedes na Casa Civil, general do Exército brasileiro Luiz Ramos, também no quentinho de uma reunião que imaginava não estar sendo registrada em áudio, confessou uma molecagem: ter tomado vacina escondido (!) porque seria a orientação do governo.
Aqui escancara outra razão por que a CPI tem de existir, e por que ele tem de se sentar no banco dos depoentes:
além de boicotar a compra de vacinas, o governo de que Ramos e Guedes fazem parte difundiu desinformação que alarmou a população, reduziu a confiança na imunização como forma de debelar a pandemia e não promoveu a campanha de informação e conscientização que era seu dever produzir.
Esses itens constam da tabela que a Casa Civil que Ramos produziu, um dos poucos documentos que atestam afirmações reais sobre o governo já produzidos na era Bolsonaro.
Longe do confessionário dos homens públicos de Brasília, um ex-companheiro de primeiro escalão de Guedes e Ramos, o general Eduardo Pazuello, ESCOLHEU A DEDO a cidade que vivenciou o maior caos do morticínio de Covid-19, Manaus, para ser um FANFARRÃO e desfilar SEM MÁSCARA num shopping center.
O homem que assinou o protocolo indefensável do tratamento precoce com cloroquina, que, segundo o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten, foi o grande responsável pela não aquisição de vacinas, que negligenciou os avisos sobre a falta iminente de oxigênio na mesma Manaus em que tira sarro na cara dos brasileiros enlutados, tem de se sentar logo no banco da CPI para prestar contas sobre sua ATUAÇÃO CRIMINOSA à frente de um ministério para o qual nunca poderia ter sido nomeado num país decente, por um presidente que levasse uma emergência sanitária a sério.
Não foi só Pazuello que tirou a máscara diante do país.
Guedes e Ramos, com suas falas indignas, também foram desmascarados, ainda que a contragosto, diante da sociedade.
O que mais se pode esperar deste governo, que, mesmo com uma investigação contra si instalada no Senado Federal, age com tamanha desídia?
NADA parece chamar esses homens à RESPONSABILIDADE.
Diante desse quadro de CINISMO de Estado, é sinal da nossa desgraça que seja alguém com o currículo de Renan Calheiros a comandar as investigações.
Não terá sido a primeira vez.
Os que hoje condenam Renan há muito pouco tempo chamavam Eduardo Cunha de herói pela condução do impeachment de Dilma Rousseff.
As máscaras estão todas no chão.
Que se punam os culpados.
Um dia grande e difícil para Bolsonaro e sua trupe | Míriam Leitão - O Globo
Por Míriam Leitão

Foi realmente um dia difícil para o governo Bolsonaro. Ele perdeu todas na CPI. O ministro-chefe da Casa Civil, Eduardo Ramos, admitiu que tomou vacina escondido, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez um duplo ataque à China. “A China inventou o vírus e tem a vacina menos eficiente”. Para completar, reclamou do aumento da expectativa de vida. “Todo mundo quer viver 100 anos.”0
Foi um ataque de sincericídio no mesmo dia em que na CPI o governo errava a estratégia. Tentou na Justiça impedir a “eleição” do senador Renan Calheiros, até lembrar que, pelo regimento, relatores não são eleitos. Insuflou uma candidatura alternativa que teve três votos. O senador Flávio Bolsonaro conseguiu pagar dois micos numa fala só. De máscara defendeu que só depois de todos os vacinados é que se poderia fazer a CPI. Foi elogiado por Renan Calheiros. “Devemos comemorar a declaração do senador Flávio Bolsonaro. Afinal é a primeira vez que ele se preocupa com aglomeração. Deve estar deixando a posição negacionista da ciência”. Tentou fazer uma ironia com as mulheres, que segundo ele, não estariam indignadas por não estarem na CPI e levou a maior bronca da senadora Eliziane Gama.
O ambiente na CPI não foi bom para o governo neste primeiro dia, mas certamente nada é pior do que o que saiu da reunião em que estavam Paulo Guedes e Luiz Eduardo Ramos. Era para ser apenas uma reunião técnica de saúde suplementar e foi um desastre de comunicação. A propósito, a vacina oculta do general Ramos foi a Coronavac?
Renan passa do ponto e atrasa CPI da Pandemia, dizem aliados | Malu Gaspar - O Globo

Integrantes da CPI da Pandemia avaliam que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) passou do ponto nas críticas ao governo em seu discurso na abertura da comissão. Para esses senadores, do mesmo bloco de Renan, se o tom adotado tivesse sido mais moderado, eles poderiam ter aprovado ainda hoje os requerimentos para a convocação dos quatro últimos ministros da Saúde — Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga. Até porque já era tratada como certa a convocação dos ministros.
Sem mencionar diretamente o governo, Renan disse que não foi o acaso que produziu a atual crise sanitária, que já levou a mais de 395 mil mortes por Covid-19 no país. Ele disse que há culpados que devem ser punidos e comparou as mortes a crimes contra a Humanidade.
Até o início da sessão, o bloco de oposição/independente costurava nos bastidores a tentativa de aprovar os requerimentos de convocação dos ministros ainda hoje. Como o discurso de Renan foi mais agressivo contra o governo, o líder governista Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) recorreu ao regimento e conseguiu adiar a votação para quinta-feira.
Se a ordem prevista pelo relator for confirmada, o primeiro a ser ouvido será Luiz Henrique Mandetta, na próxima terça-feira.
Numa discussão com Renan, no final da sessão, quando decidiam os próximos passos, Bezerra reclamou de politização na CPI.
“Abundaram adjetivos em relação à atuação do governo. Não quero ser muito crítico, nem severo, mas, em alguns momentos, percebeu-se até pré-julgamento”, reclamou Bezerra. Ele foi retrucado por Renan. "Se houve tentativa de politização, ela ocorreu na 1ª Vara de Brasília", rebateu o relator, referindo-se à ação movida por governistas contra sua indicação.
Senadores relatam, Renan não escondeu de colegas do chamado G7 (formado pelo bloco de oposição/independentes) que ficou contrariado e até ofendido com a iniciativa do governo de tentar barrá-lo até o último minuto na relatoria, apelando para uma decisão na Justiça que não tinha chance de prosperar. E que isso contribuiu para o duro discurso do alagoano.
À coluna, Renan disse acreditar que não vai haver atraso e que Mandetta será ouvido na terça.
"Esse governo acha que pode tudo. O que esperava um governo que na véspera subtraiu competência do Parlamento com uma liminar desinformada, a pedido, de juiz de primeira instância?", afirmou.
Para os articuladores do governo, a estratégia é ganhar prazo e, assim, o movimento de Bezerra pode ser visto como um fôlego. Eles trabalham com a expectativa de que a vacinação avance e, com isso, reduza o mal-estar contra Bolsonaro e companhia e diminua o interesse na CPI.
Qual o impacto da acusação da Human Rights Watch para Israel? | Guga Chacra - O Globo

Quem acompanha o conflito entre israelenses e palestinos sabe que existe uma tríade na qual Israel não pode ser ao mesmo tempo judaico, democrático e ter todo o território.
Para ter uma maioria judaica e ser democrático, é necessário que haja um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Caso queira ter todo o território e continuar uma democracia, Israel teria de conceder cidadania a todos os palestinos dos territórios (solução de um Estado). A terceira alternativa seria manter um Estado judaico e em todo o território, o que implicaria um Estado de Apartheid.
Em um relatório publicado nesta terça, a Human Rights Watch, que talvez seja a mais reconhecida entidade de direitos humanos do mundo, acusou Israel de já implementar uma política de Apartheid e de perseguição aos palestinos, no que seriam crimes contra a humanidade. Trata-se de uma acusação fortíssima a Israel, que sempre buscou se mostrar como a nação mais democrática do Oriente Médio, onde todos os demais países, com a exceção do Líbano, são governados por ditaduras (o Líbano tem um complexo sistema sectário).
Para maior detalhes sobre o relatório da Human Rights Watch, recomendo a leitura neste link. Israel respondeu afirmando que o relatório do grupo defensor dos direitos humanos é falso e ainda acusou a entidade de adotar uma agenda anti-israelense e promover boicotes ao país.
No caso de Israel e Palestina, a discussão sobre esta questão será eterna, com diferentes pontos de vista. O certo, no entanto, é que, Benjamin Netanyahu não se importará muito com a acusação da Human Rights Watch. Sua preocupação neste momento é lidar com seus processos por corrupção na Justiça israelense e tentar formar uma nova coalizão de governo.
Esta postura de Netanyahu tende a satisfazer uma parcela da população israelense. Mas Israel precisa reavivar o campo pró-paz, que chegou a ser dominante nos anos 1990. Pouco antes da pandemia, almocei em Nova York com Yossi Beilin, um dos arquitetos dos acordos de Oslo. É um israelense de um tempo em que ainda se podia sonhar com a paz. Quando Israel era liderado por figuras como Yitzhak Rabin, engajados em negociações com os palestinos. De um tempo que dá saudades. Sem pessoas pensando assim, no lado israelense, será extremamente complicado resolver o conflito. Claro, no campo palestino, é necessária uma renovação da liderança, com novas vozes dispostas a conversar. O Hamas é uma organização terrorista e o presidente Mahmoud Abbas, do Fatah, está mais do que ultrapassado — abordarei em detalhes a política palestina em outro post.
Infelizmente, não creio que uma coisa nem outra tende a acontecer. Israel deu uma guinada para a direita e simplesmente os incentivos para fazer concessões aos palestinos são muito baixos. No lado palestino, há uma fragmentação política e risco de as eleições marcadas para este ano serem adiadas. A tendência é a manutenção do status quo, sem a criação de um Estado palestino.
Sou defensor de uma solução de dois Estados. A Palestina seria na Cisjordânia, com o fim da ocupação, e na Faixa de Gaza, com o fim do bloqueio. Jerusalém seria uma municipalidade unificada, continuando como capital de Israel. A sede da Presidência palestina seria na parte Oriental da cidade, com a administração seguindo em Ramallah. Os habitantes de Jerusalém Oriental poderiam optar por qual nacionalidade quisessem. Os principais blocos de assentamento próximos à fronteira pré-1967, como Ma’ale Adumim, ficariam sob soberania israelense. Os assentamentos dentro da Cisjordânia passariam para a soberania palestina, com seus habitantes judeus tendo direito à cidadania palestina ou podendo viver como residentes com a cidadania israelense. O Estado palestino poderia ser desmilitarizado nos moldes da Costa Rica, com uma bem treinada força policial. Os refugiados poderiam voltar para o futuro Estado.
Neste cenário, tenham certeza, Israel seria uma das democracias mais admiradas do mundo, sem acusações de ser Apartheid. Os palestinos teriam a sua nação, que poderia ter todos os incentivos para ser democrática. Enfim, não custa sonhar. Admiro pessoas como Yossi Beilin, um verdadeiro defensor da paz.
Revista científica 'Nature' afirma que Bolsonaro provocou uma 'crise épica de saúde pública'

RIO — A revista Nature, uma das publicações científicas mais prestigiadas do mundo, dedicou uma reportagem de sua edição desta semana à frustração sentida por pesquisadores brasileiros, que enfrentam a "fase mais negra" da pandemia do coronavírus no país, diante do colapso do sistema de saúde pública e das atitudes negacionistas do presidente Jair Bolsonaro.
O Brasil tem apenas 3% da população global, mas registrou 13% de todos os óbitos por coronavírus, alertou a publicação. O elevado índice de mortalidade teria relação com Bolsonaro, que minimizou a pandemia, chamando-a de gripezinha, e afirmou que vacinas eram perigosas - sobre o imunizante da Pfizer, disse à população que, "se você virar um jacaré, é problema seu".
"Bolsonaro, uma figura polarizadora que foi comparada ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, vem contradizendo a opinião científica desde o início da pandemia", afirmou a revista, destacando que o presidente cortou fundos para as universidades públicas e os ministérios da Ciência e Educação após assumir o mandato, em 2019.
A reportagem destacou que Bolsonaro se recusa a usar máscara facial, mesmo após ter sido infectado, em julho. E, ainda, que não determinou o fechamento de negócios não essenciais, alegando que a medida seria prejudicial à economia. Já os governadores que tomaram esta medida foram chamados de "tiranos".
A microbiologista Natalia Pasternak,presidente do Instituto Questão de Ciência e colunista do GLOBO, revelou à reportagem que "nenhum de nós (cientistas) poderia prever que (a pandemia) seria tão ruim".
— É muito difícil implementar medidas preventivas quando a desinformação vem diretamente do governo federal — afirmou Pasternak, citada como um dos cientistas que preferiu "deixar de lado suas pesquisas para fazer aparições na TV nas quais promove práticas como o distanciamento social".
De acordo com a reportagem, o surto do coronavírus foi alimentado com a disseminação de suas variantes, principalmente a chamada P.1., que surgiu na Amazônia em novembro do ano passado.
De acordo com o virologista Mauricio Nogueira, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, o governo federal cortou recursos para fazer pesquisas que mostrariam a ação e o potencial de contaminação das variantes.
— Temos as ferramentas ou pelo menos a capacidade de ajudar o país, mas estamos sendo ignorados, e não apoiados — lamentou.
A "Nature" ressaltou, também, que apenas um em cada dez brasileiros recebeu a vacina contra a Covid-19 até agora.
Falas de Pazuello, Ramos e Guedes provam: Bolsonaro fez do governo hospício

Thaís Oyama
Colunista do UOL
28/04/2021 11h06
Logo no início da pandemia, em março de 2020, um grupo de advogados de Brasília encaminhou representação ao Ministério Público pedindo que o presidente Jair Bolsonaro fosse submetido a avaliação psiquiátrica.
Bolsonaro havia acabado de voltar de uma viagem aos Estados Unidos onde deu entrevista dizendo que a pandemia era "muito mais uma fantasia que a grande mídia propaga pelo mundo todo". Na volta, quando já se sabia que onze membros da sua comitiva haviam testado positivo para o coronavírus, ele desceu a rampa do Palácio do Planalto para juntar-se a um grupo de apoiadores, cujas mãos apertou despreocupado.
Na representação ao MP, o grupo de advogados dizia que o comportamento do presidente configurava "considerável grau de desorientação e confusão psíquica".
De lá para cá, Bolsonaro fez coisa muito pior, mas elas passaram a assustar cada vez menos. O extraordinário, de tanto se repetir, acaba virando paisagem.
Nos últimos dias, porém, saltou aos olhos um fenômeno novo envolvendo o comportamento do presidente.
Auxiliares próximos a ele passaram a demonstrar comportamentos preocupantemente embaraçosos.
No domingo passado, o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, decidiu passear em um shopping sem máscara e, cobrado, fez graça perguntando onde se comprava uma. Pazuello é o alvo número um da recém-instalada CPI que Bolsonaro tanto teme, e que vai investigar as omissões de seu governo no combate à pandemia.
Ontem, outro general importante do Planalto, Luiz Eduardo Ramos, afirmou em um encontro que tomou vacina "escondido" por recear levar bronca de seu superior. E também porque, afinal de contas, tem "uma mulher linda e dois netos maravilhosos" e pretende "viver, pô". Horas depois de dizer que tomou vacina escondido, Ramos postou mensagem negando ter dito que tomou vacina escondido.
Na mesma noite, num evento gravado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, acusou a China, o maior parceiro comercial do país, de ter "inventado" o coronavírus. Em sua fala, o comandante da economia pontuou ainda que a vacina fabricada pelo país responsável por 95% dos imunizantes e insumos dos quais depende o Brasil não é lá essas coisas (a "dos americanos" seria melhor). O ministro disse também que a Saúde está quebrada inclusive porque tem gente que quer viver "100, 120, 130 anos" (quanto egoísmo).
Como só loucos rasgam dinheiro, na segunda-feira, o Banco Central anunciou que os investidores estrangeiros retiraram 2,1 bilhões de dólares do mercado de ações e títulos públicos do Brasil, quebrando um ciclo de nove meses de resultados positivos no setor.
Os parâmetros de sanidade reinantes no Palácio do Planalto emanam do chefe. O chefe é Bolsonaro. Antes de quebrar o Brasil, portanto, Bolsonaro consumará o trabalho que iniciou, o de transformar o governo num grande manicômio.
Opinião: Descomplique - AUTOSSABOTAGEM: como os seus hábitos fazem você perder dinheiro

Júlia Mendonça
28/04/2021 04h00
Problemas financeiros existem na vida de quase todos os brasileiros. É impossível achar alguém que nunca tenha tido aperto com dinheiro pelo menos uma vez. Isso pode acontecer por milhares de motivos como desemprego, acidentes, mudanças na economia.
O que não percebemos é que muitas vezes somos os próprios responsáveis por essa situação. Esse comportamento tem um nome: autossabotagem financeira, e acontece quando nossas atitudes e nossos comportamentos nos colocam em dificuldades com o dinheiro.
Infelizmente, essas condições são muito mais comuns do que imaginamos e muitas vezes passamos anos sem saber que estamos fazendo isso. Por isso nunca conseguimos melhorar nossa condição. Separei algumas atitudes mais comuns de quem comete autossabotagem financeira.
Adiar o inevitável
Se você está endividado sabe que precisa urgentemente pôr as contas em dia e organizar as finanças. O problema é que sempre rola o medo de conhecer mais os detalhes desses problemas e entender qual é a sua real situação.
O fato é que, em algum momento da sua vida, se você quiser ter uma vida financeira mais tranquila, precisará abrir essa caixa-preta e descobrir qual é o tamanho real do buraco financeiro no qual está metido.
Quanto mais você adia essa ação, pior sua situação fica. Não espere até o próximo mês ou até o seu próximo salário cair para organizar suas finanças. Nada vai ser diferente amanhã do que é hoje.
Ter preguiça para as mudanças
Pode ser que seu trabalho não esteja pagando tão bem, ou que você gaste demais com coisas inúteis, ou se endividou com uma casa ou um carro caro demais para o seu padrão de vida. Enquanto não tomar a atitude de se afastar dessa fonte de problemas sua vida vai continuar na mesma. Mudanças são difíceis e quando falamos de dinheiro são ainda mais complexas.
Isso é normal, porém é preciso saber que as mudanças assustam muito mais quando estamos pensando em realizá-las do que quando estamos realmente no processo de executá-las. Por isso é muito importante que você comece, mesmo que não se sinta preparado.
Você nunca vai se sentir suficientemente preparado ou pronto para enfrentar todas as mudanças necessárias e tem muita coisa que vai somente aprender depois que começar a praticar o que deseja.
Desculpas para gastar
"Eu mereço!"; "Só desta vez!"; "Desta vez é diferente!". Quantas dessas frases já não usamos para justificar gastos desnecessários? O problema é que elas se repetem dia após dia e se tornam lugar-comum para justificar atitudes que não deveríamos repetir.
Fique muito atento às desculpas que usa para comprar coisas das quais não precisa. Elas podem surgir em momentos que estamos cansados, tristes ou frustrados com coisas do dia a dia e tendem a se repetir periodicamente.
Saiba que uma compra normalmente não é suficiente para fazer você se sentir melhor. É um prazer passageiro e muito provavelmente você vai ter a mesma atitude na próxima vez que não estiver bem.
O primeiro passo para a melhora é o reconhecimento do problema. Não tenha vergonha de admitir que errou. Todos erram em algum momento, principalmente quando o assunto é dinheiro.
Masculinidade tóxica foi a principal inimiga de Arthur no BBB 21
Colunista do UOL
28/04/2021 08h38
Em meio a uma edição conturbada e repleta de recordes de rejeição, Arthur conseguiu sair do BBB 21 de modo sereno. A tranquilidade do crossfiteiro com o feedback que tem recebido após a eliminação tem sido visível. Ele, que sempre se definiu como uma pessoa explosiva, demonstrou ter uma qualidade essencial nessa reta final do programa: a autocrítica.
Tiago Leifert foi certeiro ao dizer logo de cara que Arthur precisa revisitar a sua relação com Carla Diaz para entender melhor as atitudes que teve. O comportamento do agora ex-BBB com a atriz durante o programa pegou mal e foi considerado machista por muita gente.
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Mas não foi só isso que marcou a passagem de Arthur pelo BBB 21. Ele também foi bastante julgado por sua agressividade. Ainda que não tenha agredido ninguém fisicamente na casa, quando contrariado, o crossfiteiro reagiu de forma agressiva diversas vezes. E isso também é violência, mas verbal.
Mais que um "macho escroto"
Mesmo repudiando diversas atitudes de Arthur, a capacidade de autocrítica do brother fez o público dar novas chances a ele em alguns paredões. Isso é um privilégio, poucos tiveram essa oportunidade. Em muitos momentos, ele demonstrou arrependimento e vergonha por suas ações. Com isso, conseguiu demonstrar ser mais que um "macho escroto".
Arthur entrou no programa com inúmeros estereótipos colados nele. Por seu tipo físico forte e bombado, muita gente esperava que tivesse um comportamento agressivo e machista, e ele parece ter acreditado que parte disso era o certo em alguns momentos. O crossfiteiro demonstrou ter ideias equivocadas sobre o que é ser homem, o que prejudicou as pessoas que estavam ao redor e principalmente ele mesmo.
Masculinidade tóxica
A dificuldade para expressar sentimentos para Carla Diaz e também a outros participantes, a agressividade instantânea quando contrariado e a vergonha de chorar na frente das pessoas são alguns dos reflexos da masculinidade tóxica que se fizeram presentes na trajetória do crossfiteiro no reality.
Arthur já entendeu que homens, incluindo os crossfiteiros, também choram, mas ainda precisa trilhar um longo caminho para desconstruir os tabus que aprendeu ao longo da vida. Em vários momentos no programa, ele disse que o seu maior inimigo era ele mesmo. E tem razão, a masculinidade tóxica atrapalhou o seu jogo e minou algumas relações que poderiam ter mudado o seu destino no BBB 21.
O caos de Bolsonaro
No Brasil, ao padecimento sanitário juntou-se um governo negacionista e caótico
Outro dia, o capitão perguntou: “O que eu me preparo?”.
E respondeu: “Não vou entrar em detalhes, um caos no Brasil”.
Em março do ano passado, Bolsonaro reclamava da “histeria” diante do vírus, levantava o estandarte do Apocalipse, com uma a que explica seu comportamento diante da pandemia: “Vai ter um caos muito maior se a economia afundar. Se a economia afundar, afunda o Brasil (...) Se acabar a economia, acaba qualquer
governo. Acaba o meu governo”.
Entre as duas referências de Bolsonaro ao caos, morreram perto de 400 mil pessoas, e a população aguentou o tranco com sofrimento e paciência.
Todos os povos e governos sofrem com a pandemia. No Brasil, ao padecimento sanitário juntou-se um governo negacionista e caótico. Fritou três ministros da Saúde, combateu o distanciamento, menosprezou as máscaras e enalteceu as virtudes da cloroquina.
Uma coisa é um governo que se acautela diante do risco de um caos. (Nesse caso, os detalhes são bem-vindos.) Bem outra é apreciar o caos, até mesmo desejando-o.
Em apenas uma semana o governo de Bolsonaro produziu alguns episódios sinalizadores de um governo que, até mesmo por inépcia, patrocina o caos.
O programa Pátria Voluntária, aninhado no Palácio do Planalto com o objetivo de recolher doações para enfrentar a pandemia, gastou R$ 9,3 milhões para fazer propaganda de si e arrecadou R$ 5,89 milhões.
A Secretaria de Comunicação do Planalto não comentou a discrepância. Até bem pouco tempo ela era dirigida pelo doutor Fabio Wajngarten. Ele acabara de dar uma entrevista contando que em setembro tentou apresentar ao Ministério da Saúde uma proposta do laboratório Pfizer. Já haviam morrido 123 mil pessoas: “Se o contrato da Pfizer tivesse sido assinado em setembro ou outubro, as vacinas teriam chegado no fim do ano passado. (...) Incompetência e ineficiência”.
Dias depois, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello foi fotografado num shopping center de Manaus sem máscara, fazendo piada com a transgressão: “Onde compra isso?”

O general estava nas redes e seu sucessor, Marcelo Queiroga, de máscara, contava que havia falta de vacinas para a segunda dose em alguns estados porque eles seguiram a recomendação do ministério
de avançar sobre os estoques.
Bolsonaro sonhava com crises antes mesmo da pandemia. Com ela, transmutou-se num São Jorge cavalgando o cavalo branco para matar o dragão e salvar a princesa. Ela está lá, de máscara, e o dragão não apareceu. Os desconfortos que afligem o governo decorrem da armadura desconjuntada do Santo Guerreiro, de sua lança torta e de uma sela visivelmente desconfortável.
A marquetagem do Pátria Voluntária, as revelações de Wajngarten, a conduta de Pazuello e a falta de vacinas refletem um caos que está no governo, não vem de fora dele.
Lê-las é um passeio pelo caos da desarticulação e da falta de gestão do governo. Algum membro da CPI bem que poderia devolvê-las, perguntando por que a curiosidade só surgiu agora.
Nas próximas quatro quartas-feiras o signatário usufruirá o isolamento e o ócio, sempre pesquisando as virtudes da cloroquina.
Vencedor do Oscar, curta "Dois Estranhos" é uma paulada
Eduardo Carvalho
28/04/2021 06h00
"Hoje, a polícia vai matar três pessoas. Amanhã, a polícia vai matar três pessoas. Depois de amanhã, a polícia vai matar três pessoas. Porque a polícia dos EUA mata três pessoas ao dia", foi uma das mensagens de Travon Free, comediante vencedor do Oscar de Melhor Curta por "Dois Estranhos" (Netflix), em seu discurso. Digo uma das pois só nele havia a representação de várias: sua roupa trazia o nome das vítimas acometidas pela violência policial americana, e que foram pauta na película que garantiu a estatueta.
O curta é uma paulada. Em um frenético looping, conta a vida do jovem negro Carter James (vivido pelo rapper Joey Bada$$), que acorda ao lado de uma linda mulher após um encontro feliz. No movimento de saída do apartamento, em Nova York, o rapaz acende um cigarro na calçada e acaba sendo abordado por um policial branco (Andrew Howard), que o acusa de ser traficante. Alvo 'perfeito', é repreendido por reagir a tentativa de revista e acaba assassinado. Mas o desfecho não tem desfecho: ao abrir os olhos, está de volta à cama onde teve prazer. E tudo começa outra vez, num ir e vir de giro em círculos sem precedentes, onde o final já é sabido.
Não só as cenas causaram impacto, mas a constatação da realidade diária americana que vitimou pessoas que ficarão na história, como George Floyd e Breonna Taylor. O primeiro, personagem brutal de morte filmada em Minneapolis, no Minesota, um registro que marcará o século. Os joelhos do policial Derek Chauvin - agora condenado - o impedindo de respirar, deixando Floyd sufocado, sem ar. Um antes e depois cirúrgico do movimento #BlackLivesMatter/#VidasNegrasImportam.
A segunda, uma técnica de emergência médica e aspirante à enfermeira, com vida ceifada após uma batida de agentes para cumprir mandado de busca por atos de seu ex-companheiro (veja só). A profissional de saúde agora dá nome a uma lei, que desde junho bane a invasão de casas em operações de buscas em Louisville, no Kentucky.
Eles e tantos outros são peças de citação ao final do filme de Travon, que teve sua fala durante a cerimônia de entrega do prêmio amplamente repercutida nas redes sociais brasileiras. ''Chocou. E deveria chocar mesmo. No Brasil, a polícia mata 17 por dia: 80% negros'', enfatizou o jornalista Luís Adorno.
Os dados aos que Adorno se refere são os obtidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Numa comparação entre os dois últimos anos (2019-2020), a média de mortos pelas polícias no primeiro período foi de 17,4 por dia. Já no semestre inicial de 2020, 17,5. Os números apontam que, de todos os assassinatos registrados no país, 13,3% são provocados por policiais civis e militares.
Doídos, apontamentos que escancaram a tragédia pela qual o país passa, com embasamento histórico. Pessoas que perderam e perdem, enquanto você lê este texto, o direito de viver. Por serem reconhecidas pessoal e digitalmente pela cor da pele, o cabelo, altura, voz, a partir da visão geral de que trazem as mesmas características: são negras e negros, sua maioria, periféricos e ou favelados.
"Não sejam indiferentes à nossa dor", foi a fala final do roteirista no mais famoso prêmio da Terra, em relação aos Estados Unidos. Mas poderia ser também para o Brasil.
E como cito o Oscar, a trilha de uma saudação para não esquecer as vítimas de violência não será fúnebre, igual a do clipe durante a cerimônia: 'As', de Stevie Wonder.
Que assim seja.
P.S.: Onde estão os três garotos de Belford Roxo?
P.S2.: O Brasil não pode ficar sem Censo.
P.S3.: Tem gente com fome.
Pedro Hallal: Sem censo e sem bom senso
Não realização de levantamento prejudica economia e pesquisas populacionais
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
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A cada 10 anos, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística conduz o Censo Demográfico. Além de contar quantas pessoas vivem no Brasil, em cada estado, em cada cidade, o Censo identifica como vivem essas pessoas. Enquanto pesquisador, sempre aprendi que as perguntas são muitas vezes mais importantes do que as respostas.
Quantas pessoas vivem em área rural e urbana, e como isso vem mudando ao longo do tempo? Qual a pirâmide etária da população brasileira? Qual o impacto da pandemia na estrutura etária brasileira? Quais as taxas de fecundidade e de mortalidade no Brasil? Como se distribui a população em grupos étnicos? Quais bairros surgiram nas cidades brasileiras e quantas pessoas moram em cada um deles? Quantos brasileiros moram em comunidades? Em casas ou apartamentos? Quantos brasileiros possuem alguma deficiência física ou mental? Como vem mudando a escolaridade da nossa população ao longo dos anos? Quais as religiões predominantes no Brasil? Qual o percentual de desempregados no Brasil? Entre os empregados, quantos estão no mercado de trabalho informal? Qual o real impacto da pandemia sobre a economia brasileira?
Todas essas perguntas, que normalmente seriam respondidas pelo Censo Demográfico, ficarão sem respostas. Imaginem a onda de “fake news” decorrente da falta de informações. Já fico imaginando os grupos de WhatsApp lotados de mensagens falsas; e não teremos sequer a possibilidade de mostrar que as informações são mentirosas.
A não realização do Censo Demográfico prejudica muito a economia brasileira. Como investir ou decidir onde investir sem informações sobre o mercado? Isso sem contar nas milhares de oportunidades de emprego, mesmo que temporário, geradas pelo Censo. Onde essas pessoas buscarão trabalho?
A não realização do Censo Demográfico prejudica todas as boas pesquisas populacionais no Brasil –sejam eleitorais ou científicas, as quais baseiam-se nas informações coletadas no Censo. É com base nos dados do Censo que sorteamos estados, cidades, setores censitários (micro bairros), casas e pessoas para participarem de pesquisas populacionais, como o EPICOVID-19. É com base no Censo que os institutos de pesquisa sérios sorteiam brasileiros para responderam às pesquisas de opinião –para medir a aprovação do governo, por exemplo. É com base no Censo que as pesquisas eleitorais sorteiam suas amostras, seja em nível municipal, estadual ou federal.
Como muitas coisas no Brasil, o Censo Demográfico deveria pertencer ao Estado, e não poderia, jamais, ser cancelado por desejo de um governo. A falta de transparência é característica básica de qualquer governo corrupto e autoritário.
Por coincidência (ou não), fico lembrando da citação histórica do alemão Martin Niemoller:
"Quando os nazistas vieram buscar os comunistas, eu fiquei em silêncio; eu não era comunista.
Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu fiquei em silêncio; eu não era um social-democrata.
Quando eles vieram buscar os sindicalistas, eu não disse nada; eu não era um sindicalista.
Quando eles buscaram os judeus, eu fiquei em silêncio; eu não era um judeu.
Quando eles me vieram buscar, já não havia ninguém que pudesse protestar."
No Brasil atual, já buscaram a imprensa, já buscaram os cientistas, já buscaram o Judiciário, já buscaram os professores, já buscaram até o Censo.
Você que está lendo essa coluna: até quando permanecerá em silêncio?
Fã encontra suposto detalhe sexual em 'Shrek' após 20 anos; vídeo
Colaboração para Splash, em São Paulo
27/04/2021 16h53
Atualizada em 28/04/2021 12h22
Uma fã do filme 'Shrek' viralizou após encontrar (e divulgar) um suposto detalhe indiscreto do filme de 2001. O flagrante foi compartilhado em um vídeo no TikTok pela usuária @kathy_martinez05 e já foi visualizado mais de 8,5 milhões de vezes.
A sequência traz uma cena em que o vilão do filme, Lorde Farquaad, tem o que parece uma ereção após o Espelho Mágico exibir imagens da princesa Fiona. Assista ao momento abaixo:
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Na cena, o vilão está deitado em sua cama, sem camisa e segurando uma taça com um drink. Ao ver fotos de Fiona, a heroína do filme, o lençol da cama chega a levantar um pouco e ele derrama sua bebida.
"Como faço para 'desver'? Isso é demais para mim..." comentou uma usuária no espaço dos comentários do post com o flagrante. "O fato de que eles tiveram que animar essa cena... Chocante", lamentou outra.
Lançado em maio de 2001, o filme 'Shrek' foi um sucesso de bilheteria e crítica, vencendo o primeiro Oscar de Melhor Animação em 2002, logo no primeiro ano em que a categoria foi disputada.
Com Mike Myers, Cameron Diaz, Eddie Murphy e John Lithgow no elenco, o longa teve mais 3 sequências e é uma das franquias de maior sucesso da DreamWorks.
Três jornalistas que filmavam documentário sobre caça ilegal são executados

Colaboração para o UOL, em São Paulo
28/04/2021 08h58
Dois jornalistas espanhóis e um irlandês que gravavam um documentário sobre caça ilegal e estavam desaparecidos em Burkina Faso foram assassinados por homens armados que os sequestraram na segunda-feira (26), revelaram fontes oficiais ontem à AFP.
O ataque foi obra de homens armados que circulavam em duas caminhonetes e uma dezena de motos, segundo fontes de segurança, destacando que os autores do ataque levaram armas e equipamentos, inclusive duas caminhonetes e um drone.
Influenciadora diz ter sido agredida em condomínio por usar roupa curta
David Beriáin, ex-jornalista de guerra da CNN+ (braço espanhol da CNN, que deixou de operar em 2010), tinha fundado a produtora "93metros", especializada em "grandes formatos documentais que dão acesso a mundos clandestinos", segundo sua conta no Linkedin.
Roberto Fraile, que segundo veículos espanhóis tinha sido ferido em 2012 na Síria, trabalhava "há pouco" para o canal de televisão CyLTV (canal de Leão e Castela), segundo um tuíte do veículo mostrando fotos do jornalista atrás de uma câmera.
"Os três ocidentais foram executados por terroristas", declarou o chefe dos serviços de segurança de Burkina Faso. "As pessoas nas imagens divulgadas pelos grupos armados foram identificadas como os três ocidentais que desapareceram desde ontem", acrescentou.
"Confirma-se a pior das notícias", assegurou o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, ao informar pelo Twitter sobre o assassinato dos jornalistas espanhóis Beriáin e Fraile. Já o Ministério de Relações Exteriores da Irlanda, sem dar mais detalhes, disse que "esteve em contato com a família do cidadão irlandês e proporcionou todo o apoio consular possível".
Na noite de ontem, o Ministro da Comunicação de Burkina Faso e porta-voz do governo, Ousséni Tamboura, relatou "três pessoas de nacionalidade estrangeira mortas e um burquinense desaparecido", bem como "seis feridos", no ataque de segunda-feira contra "uma patrulha contra a caça ilegal" na região de Fada N'Gourma-Pama".
Segundo testemunhas, os três europeus e um burquinense - que continua desaparecido - foram sequestrados e eram intensamente procurados nesta terça-feira cedo pelas forças de segurança de Burkina Faso. Eles acompanhavam uma patrulha contra a caça ilegal quando foi atacada na segunda-feira na região de Fada N'Gourma-Pama, no leste do país africano.
De acordo com uma fonte de segurança no leste de Burkina Faso, o burquinense desaparecido "é um membro" dos serviços de segurança "que conhece a área da floresta classificada de Pama, perto de Natiaboani, onde o ataque ocorreu".
Repórteres experientes
A ministra espanhola de Assuntos Exteriores, Arancha González Laya, explicou durante coletiva de imprensa que os dois jornalistas espanhóis estavam "trabalhando em um documentário sobre as operações que Burkina Faso organiza para proteger os parques nacionais" e "seus recursos naturais contra a caça ilegal".
González Laya informou que Beriáin era originário de Pamplona em Navarra (norte) e Fraile, de Baracaldo, no País Basco (norte).
O chefe de governo espanhol expressou no Twitter seu "reconhecimento àqueles que, como eles, realizam diariamente um jornalismo corajoso e essencial nas zonas de conflito".
O chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, disse que "os terroristas mostraram mais uma vez sua covardia e seu rosto criminoso: os defensores de um obscurantismo que aniquila toda a liberdade de expressão".
"Esta tragédia confirma os grandes perigos que enfrentam os jornalistas no Sahel", disse em Paris Christophe Deloire, secretário-geral da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Tudo o que você precisa saber para assistir à quarta temporada de 'The Handmaid's Tale'
Mulheres tratadas como propriedades do Estado fundamentalista de Gilead, cerimônias de estupro, descarte de mulheres inférteis em colônias de lixo tóxico, crianças separadas das mães biológicas. Tudo isso volta nesta quarta, dia 28, com a quarta temporada de “The Handmaid’s Tale”.
Baseada no livro lançado em 1985 pela escritora canadense Margaret Atwood, a distópica série de TV só chega ao Brasil no próximo domingo pelo serviço de streaming Paramount+.
Dois anos e uma pandemia após o fim da temporada anterior, que foi ao ar em julho de 2019, a história finalmente retoma a saga da protagonista June, vivida por Elisabeth Moss, que depois de anos de servidão se torna uma espécie de líder rebelde e decide colocar o dedo na ferida ao tirar 86 crianças do país —mas é baleada no processo.
A seguir, confira tudo o que você precisa saber sobre o universo de “The Handmaid’s Tale” para não comer bola nesta nova temporada.
Gilead
A trama se passa em Gilead, um estado totalitário que substituiu os Estados Unidos após uma guerra civil e uma série de desastres ambientais.
A nova sociedade parte de interpretações extremas da Bíblia para estabelecer suas regras, que incluem a transformação das poucas mulheres férteis que restaram no antigo país em escravas sexuais —conhecidas como aias— que geram os filhos dos comandantes e de suas mulheres inférteis.
Aquelas que não podem engravidar trabalham com o tratamento de lixo contaminado ou o cuidado das casas dos comandantes.
A revolta das aias
Depois de ser separada de seu marido e filha na criação do regime, a personagem de Elisabeth Moss passa, na terceira temporada, a ser uma dissidente que trabalha por debaixo dos panos para uma revolta das mulheres subjugadas.
Ao longo dos episódios, ela mata um comandante que a tenta estuprar, participa de ações que resultam na prisão dos seus ex-amos e mobiliza a transferência de várias crianças nascidas e criadas em Gilead para o Canadá— que é a principal casa dos exilados e refugiados da nova nação.
O jogo vai virar?
Os trailers dão indícios de uma maior participação da ala canadense da série, o que pode significar mais interferências internacionais na blindada Gilead. Alguns trechos mostram, por exemplo, grupos de aias se rebelando e o que parece ser um depoimento de June pedindo justiça.
Por outro lado, a decisão da personagem de permanecer na nação para tentar reencontrar sua filha mais velha a deixa vulnerável aos que querem a sua cabeça após o começo da revolta.
Freestyle
A primeira temporada da série cobre a maior parte dos acontecimentos da obra de Atwood. Desde então, novas histórias e personagens foram criados pelos roteiristas, mas seguindo a consultoria da escritora canadense.
O serviço de streaming Hulu, responsável pela produção nos Estados Unidos, já adquiriu os direitos do novo livro da autora, chamado “Os Testamentos” e que foi publicado em 2019 —mas ainda não se sabe como a obra será usada na série, uma vez que ela se passa 15 anos após os momentos registrados na produção e tem outras personagens como protagonistas.

'Handmaid’s Tale' e o mundo
Como boa obra distópica, a série abusa de ícones que relacionam o mundo surreal com a realidade —cenários são frequentemente mostrados com alterações feitas pelo regime, caso do obelisco da esplanada de Washington, que aparece transformado em uma cruz pela teocracia de Gilead.
A discussão de temas debatidos atualmente, como a misoginia, os direitos reprodutivos, a crise de refugiados, a violência sexual e a interferência religiosa nos governos democráticos, são elevados à máxima potência na ficção e chegam a transbordar de volta para o mundo real —a capa vermelha e o gorro branco que identificam as aias são usados por mulheres em protestos até hoje, por exemplo. E isso só deve se acentuar na nova temporada.
Estados Unidos. Criação: Bruce Miller. Com: Elisabeth Moss, Yvonne Strahovski e Joseph Fiennes. 18 anos. Primeira a terceira temporadas: Globoplay. Quarta temporada: estreia domingo (2), no Paramount+.

Série sobre Karol Conká aposta em índice de rejeição dela no BBB
Documentário estreia nesta quinta, com quatro episódios

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Nos bastidores da Globo, a iniciativa de investir em um documentário sobre Karol Conká é atribuída à aposta de que o índice de rejeição gerado pela presença dela no BBB 21 há de gerar interesse de público.
Acredita-se que quem tomou ojeriza por ela no BBB será motivado passionalmente a assistir ao documentário e, quem sabe, engordar o saldo de assinaturas da plataforma.
Rafa Kalimann estreia talk show e diz que sonho de ser atriz não acabou
No mercado fonográfico, no entanto, acredita-se que Karol assinou um bom contrato para participar do BBB 21’ e terá direito a um contexto que outros participantes não tiveram.
Em quatro episódios de meia hora, o documentário estreia nesta quinta-feira (29), honrando a meta de chegar ao streaming antes do fim do reality. Na véspera, o Globoplay lançou o Casa Kalimann, com Rafa Kalimann, vice-campeã de 2020, reforçando a relevância do reality.
TIETAGEM
Angélica participa de episódio da 7ª temporada do “Vai que Cola”, humorístico do Multishow, que será exibida pela Globo nas noites de sábado, a partir do dia 8. A trupe estará em Miami, quando Ferdinando (Marcus Majella), empolgado com a presença da loira no hotel, veste-se como ela.

ROÇA
A próxima temporada de A Fazenda só estreia em setembro, mas a Record anunciou nesta terça (27) que já fechou três cotas de patrocínio para o programa. Além do Banco Original, o reality show contará com apoio da Americana e da Unilever, duas marcas muito presentes também no BBB 21.
Análise: Em seus primeiros 100 dias, Biden tenta enterrar décadas de reaganismo
Com pacotes ambiciosos de trilhões de dólares, democrata vai ressuscitando o 'governo grande'
“O governo não é a solução do nosso problema, o governo é o problema” é a famosa frase do ex-presidente americano Ronald Reagan em seu discurso de posse, em 1981. Aquele foi o início de 40 anos de ojeriza ao “governo grande” e ao aumento do papel do Estado na economia nos EUA. Até presidentes democratas como Bill Clinton e Barack Obama evitaram implementar políticas mais ambiciosas para ampliar o Estado de bem-estar social em um país onde não há acesso universal à saúde nem licença maternidade obrigatória.

Coube a um senhor de 78 anos, moderado a ponto de ser entediante, propor uma revolução: ressuscitar o papel do Estado como grande provedor de serviços e enterrar o reaganismo nos Estados Unidos. A pandemia do coronavírus, que deixou patente a diferença entre governo ausente e administração eficiente, foi essencial.
Em seus primeiros cem dias, Joe Biden conseguiu aprovar um pacote de US$ 1,9 trilhão de resgate a famílias americanas afetadas pela pandemia de Covid-19, com distribuição de cheques de US$ 1.400, propôs um programa de infraestrutura estimado em US$ 2,25 trilhões e se prepara para anunciar um plano para famílias no valor de US$ 1,8 trilhão.
O desempenho de Biden na administração da pandemia tem ajudado a combater a demonização do papel do governo. Quando ele assumiu a Presidência, em 20 de janeiro, os EUA tinham uma média diária de 195 mil novos casos e 3.000 mortes por Covid. Agora, a média diária de novos casos caiu para cerca de 57 mil, e a de mortes, para 700. O democrata prometeu aplicar 100 milhões de doses de vacina em seus primeiros cem dias. Dobrou: chegou a 200 milhões uma semana antes do prazo.
O democrata teve a sorte de herdar do antecessor um programa avançado de desenvolvimento de vacinas. Mas a logística foi mérito de Biden —Donald Trump deixara a distribuição totalmente a cargo dos estados.
Biden, que colocou um grande retrato do ex-presidente Franklin Delano Roosevelt (FDR) na frente de sua mesa no Salão Oval na Casa Branca, não esconde qual é sua inspiração. Em recente encontro com historiadores, foi flagrado dizendo à autora Doris Kearns Goodwin, uma das biógrafas de Roosevelt: “Eu não sou um FDR, mas....”.
Reagan e seus seguidores passaram décadas revertendo as políticas do New Deal, programa de obras públicas, reforma financeira e regulamentação adotado por FDR para tirar o país da Grande Depressão dos anos 1930, e do Grande Sociedade, plano de Lyndon Johnson que introduziu atendimento médico para idosos e pobres (Medicare e Medicaid), assistência alimentar (Cupons de Alimentos) e outros programas de combate à pobreza. Foram sucessivos governos focados em reduzir o déficit orçamentário e cortar impostos, na crença de que a iniciativa privada faria quase tudo de forma mais eficiente do que o Estado.
Biden sabe que não basta limitar a expansão do governo ao combate à Covid. Seu plano de infraestrutura visa a transformar o Estado como indutor de investimentos não apenas em estradas e pontes, mas na reinvenção dos EUA como uma potência da economia sustentável. Ele anunciará em breve o seu Plano da Família Americana, que mira investimentos em educação, assistência a crianças e licenças maternidade e paternidade, com grande influência na sociedade americana.
Os republicanos, como esperado, não se converteram ao credo de FDR. O republicano Mitch McConnell, líder da minoria no Senado, diz que o plano de Biden é um cavalo de Troia para uma gastança de esquerdistas que querem elevar impostos.
Mas Biden abandonou qualquer intenção de bipartidarismo. Está passando as legislações só com apoio democrata, com manobras como a da reconciliação, que permite aprovação de lei com maioria simples, em vez de 60 votos no Senado, como na maioria dos casos.
Ele não quer repetir o fracasso de Obama, que, à espera de apoio republicano, limitou-se a um pacote de estímulo mais tímido em 2009 —e, depois de perder a maioria na Câmara em 2010, teve grande parte de suas iniciativas bloqueadas.
Mas, ao contrário de FDR, que chegou a ter uma maioria de quase 200 assentos na Câmara e de 58 a 37 no Senado, Biden só controla o Senado (50-50) pelo voto de minerva da vice-presidente, Kamala Harris, e tem uma minúscula maioria na Câmara. É uma aposta muito arriscada tentar aprovar essa enorme expansão do Estado sem nenhum apoio republicano.
As pesquisas mostram como é difícil essa agenda em um país altamente polarizado, em que o oponente teve 74 milhões de votos e a maioria dos eleitores republicanos acham que a eleição foi fraudada, embora inúmeros tribunais tenham atestado o contrário.
Biden acumulou capital político com sua ação na pandemia. Segundo a mais recente pesquisa ABC News/Washington Post, 65% dos entrevistados aprovam o pacote de resgate da pandemia e 64% aprovam sua gestão durante a crise da Covid.
Mesmo assim, a mesma pesquisa mostra que 52% dos entrevistados aprovam a gestão de Biden —ele só não perde em popularidade para Gerald Ford (48% no mesmo estágio do mandato) e Trump (42%).
Por mais que ele tenha boa aprovação em relação à Covid, há flancos importantes em sua agenda. Suas ações em relação à crise da imigração na fronteira com o México, por exemplo, tiveram aprovação de apenas 37%.
Biden reverteu uma série de medidas de Trump cujo objetivo era bloquear a entrada de migrantes e refugiados. Mas isso ajudou a gerar uma explosão no número de crianças cruzando a fronteira, com enorme dificuldade para abrigá-las em meio à pandemia. Também a separação de famílias ainda não foi equacionada.
No seu boletim de promessas de campanha, ele ainda é cobrado por sua base por medidas mais assertivas em relação à desigualdade racial e econômica e restrição à posse de armas. Parte dos economistas aponta que a enorme injeção de dinheiro na economia com os programas estatais, e o aumento do déficit, pode gerar inflação no médio prazo. E Biden ainda não assegurou apoio nem entre os moderados de seu partido para elevação significativa dos impostos sobre empresas para bancar seus programas.
Ainda assim, a aposta é em rapidez. Se os democratas não conseguirem manter o controle da Câmara e do Senado nas eleições legislativas de 2022, algo bastante possível, tudo isso ficará ainda mais difícil. Sua equipe encara o governo como uma corrida contra o tempo —ao fim de cem dias, estão vencendo no quesito ambição. A ver se conseguem aprovar todos esses planos.
Moradia se aproxima do transporte em SP e arranha-céus surgem em áreas de casas na periferia
Após Plano Diretor, 33% dos lançamentos residenciais são nos eixos de transporte; apartamentos encolhem
Há alguns anos, quando se olhava para o alto no bairro Cidade Patriarca, na zona leste de São Paulo, só se viam pipas entre as nuvens. Agora, elas dividem espaços com cada vez mais arranha-céus.
Após o Plano Diretor aprovado em 2014, com incentivo para o adensamento ao longo dos eixos de transporte, os imóveis ficaram mais perto do metrô e corredores de ônibus. Algumas regiões da periferia paulistana onde praticamente só havia casas começaram a sentir mudanças em seu skyline.
Além dos bairros tradicionalmente cobiçados pelo mercado, a lista dos lugares que mais tiveram lançamentos residenciais verticais próximo dos eixos de transporte conta com distritos da periferia nas primeiras colocações, segundo dados da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento.
O distrito da Vila Matilde, onde fica a Cidade Patriarca, está em quinto lugar no número de lançamentos, quando se mede por metro quadrado. Está logo atrás de Pinheiros (zona oeste), Vila Mariana, Moema e Jardim Paulista, esses três na zona sul. O top 10 também traz outros distritos periféricos como São Lucas e Cidade Ademar.
O distrito da Vila Matilde é servido por três estações de metrô: Vila Matilde, Guilhermina-Esperança e Patriarca, todas na lotada linha 3-Vermelha, paralela à Radial Leste.
Naquela região, casinhas têm sido demolidas para virar empreendimentos de tipos variados: desde aqueles com espaço de lazer, para público com maior poder aquisitivo, até microapartamentos em condomínios sem garagem.
Bastante arborizada, cheia de praças e com ruas largas, a Cidade Patriarca foi planejada seguindo parâmetros dos Jardins. As casonas com quintais, porém, ficaram cada vez mais caras e cobiçadas por construtoras.
Após boa parte da vida em uma casa com quintal naquele bairro, o operador logístico Tiago Soares, 39, mudou-se para um condomínio de apartamentos pequenos próximo do metrô Patriarca.
O imóvel anterior, uma casa espaçosa pertencente à família dele, acabou vendido e transformado em outro prédio pequeno. Na rua do empreendimento, outros quintais desapareceram para dar espaço a edifícios.
Em uma casa recém-demolida, é possível ver uma placa avisando sobre um lançamento, com dois dormitórios e lazer completo.
Soares diz que pretende voltar a morar em uma casa um dia, mas que no curto prazo há mais chances de mudar para um apartamento maior. “Hoje, eu moraria num apartamento maior com área de lazer. Seria melhor para minha filha e para a segurança dela”, diz.
Para corretores de imóveis da região, havia uma demanda reprimida por apartamentos com espaço de lazer e voltado a um público com maior poder aquisitivo naquela região, atrás de mais segurança e de pontos melhor localizados.
Os novos empreendimentos, muitas vezes, são procurados por pessoas de bairros mais distantes e com pior oferta de transporte público.
"A região um pouco mais afastada, como Guaianases, Itaquera, tem uma deficiência de apartamentos mais novos, com lazer melhor. E a renda per capita da região deu uma aumentada. Então são pessoas que já têm um imóvel mais antigo, e acabam querendo migrar mais para a frente [perto do centro]", diz Rodrigo Correa, 36, que trabalha como corretor na imobiliária JD, que atende a região.
"A pessoa consegue dar um salto de região, ter um imóvel com lazer, tecnologia melhor, localização melhor e próximo do metrô", completa.
Apesar da cobiça pelo metrô, as linhas de São Paulo, principalmente a 3-vermelha, demonstram sinais de saturação nos horários de pico. De manhã, nas estações da zona leste no período pré-pandemia, era comum haver filas ainda nas passarelas do lado de fora. E o corredor de ônibus previsto para a Radial Leste, que poderia ajudar a desafogar o transporte público na região, ainda não foi entregue.
Atrasos nas obras do transporte estrutural ocorreram na cidade toda, enquanto os lançamentos de unidades residenciais nos eixos passaram de 10% do total, em 2014, para 33%, em 2018, segundo informações da Secretaria Municipal de Urbanismo.
Segundo o pesquisador Pedro Mendonça, do Labcidade, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, essa migração para os eixos foi desigual, sendo mais intensa nas regiões ricas da cidade. Mendonça pondera que na periferia, embora o adensamento perto da rede de transporte seja maior, também houve proliferação nos miolos dessas regiões, o que sinalizaria um efeito menos intenso do Plano Diretor e a possibilidade de outras dinâmicas imobiliárias envolvidas.
Dados da prefeitura confirmam que, nos bairros ricos, o boom próximo dos eixos foi maior. Pinheiros, Vila Mariana, Moema e Pinheiros concentraram 40% dos lançamentos verticais próximo do transporte (em m²).
Tomás Wissenbach, pesquisador do núcleo de desenvolvimento do Cebrap, explica que o Plano Diretor premia empreendimentos no eixo que usem o coeficiente máximo, ao mesmo tempo que limitou o aproveitamento de terrenos nos miolos dos bairros. "Eu avalio com positivo o fato de o Plano Diretor ter tido sucesso de fazer essa indução [para os eixos de transporte], porque a transformação da cidade de forma mais concentrada é mais positiva do que [de forma] dispersa", diz.
Professora do Insper e pesquisadora do Cebrap, Bianca Tavolari diz que a ideia é que sejam implementadas também outras medidas no Plano Diretor além da atração de moradores para os eixos, incluindo melhoria do transporte e geração de empregos na periferia.
"A questão dos eixos vem acompanhada no Plano Diretor de polos de incentivos de empregos longe do centro, porque a ideia toda não é só aproximar a pessoa do transporte e manter o mesmo padrão territorial em que tenho grande parte dos empregos no centro e as pessoas morando nas bordas. A ideia também é evitar esse movimento pendular", diz.
Do total de unidades licenciadas nos eixos na cidade toda, 40% são destinadas a habitação de interesse social e habitação de mercado popular —o plano urbanístico também tinha como objetivo estimular esse tipo de moradia, embora as faixas mais pobres ainda muitas vezes fiquem abaixo da régua quando o assunto é renda para conseguir a casa própria.
Além de ficar mais perto do transporte, os imóveis também encolheram nos eixos. Esse é um assunto que a prefeitura quer discutir na revisão do Plano Diretor, prevista para este ano, conforme sinalizou o secretário municipal de Urbanismo, César Azevedo.
A aprovação de unidades habitacionais de até 35 m² nessas áreas teve crescimento de quase 500% (veja quadro) na comparação do período 2014-2018 com os quatro anos anteriores. No mesmo período, apartamentos entre 90 m² e 120² caíram 46%.
Paulo Teixeira: “Impeachment passou a ser realidade e país vive tempestade perfeita”
Para o deputado, CPI do Genocídio deve criar "ambiente político" favorável para o impedimento de Bolsonaro. "Tudo vai contra o governo", afirma
O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou em entrevista ao Fórum Onze e Meia, nesta quarta-feira (28), que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, criada para investigar as ações e omissões do governo de Jair Bolsonaro na pandemia, pode criar “ambiente político” para o impeachment do presidente. Segundo ele, o país vive uma “tempestade perfeita” para isso.
“Estamos entrando no que os teóricos chamam de uma ‘tempestade perfeita’. Tudo vai contra o governo. Uma crise social imensa, crise econômica expressiva, dificuldade na ação parlamentar e queda de popularidade. Eu acho que pode ter um ambiente para um pedido de impeachment”, afirma o parlamentar.
Teixeira explica que a CPI da Covid-19, apelidada de CPI do Genocídio pela oposição, deve reforçar a insatisfação contra o governo, gerando maior pressão por parte da população para o impedimento do presidente.
“O processo de impeachment tem relação direta com o desgaste do governo nas ruas. Essa CPI terá um prazo de 90 dias, prorrogáveis por mais 90 dias, e ela pode criar o ambiente político para o pedido de impeachment. Hoje, o pedido não tramita porque o presidente da Câmara não põe para votar. Agora, com toda a sociedade pedindo, ele não tem como impedir”, destacou o parlamentar.
Em apenas um dia de funcionamento, a CPI da Covid-19 recebeu ao menos 173 requerimentos de senadores. Parlamentares pedem informações sobre colapso em Manaus, compra da vacinas e insumos, assim como a promoção de medicamentos que não têm eficácia contra a doença.
Entre os requerimentos há pedidos para que sejam ouvidos o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga e os seus três antecessores, Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello. O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, também foi convocado. Todos os pedidos precisam ser pautados pelo presidente eleito da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), para serem votados.
Inflação dispara para os mais pobres: arroz e feijão sobem mais de 60% em um ano

247 - Um levantamento feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que o preço de um prato feito aumentou, em média, 23% em um ano. A entidade teve como base as variações até março de 2021 capturadas pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela FGV. De acordo com a pesquisa, o preço do arroz aumentou 61%, e o feijão preto, 69%. O feijão carioca subiu 20%.
A entidade compilou dados levando em conta seis alimentos em um prato feito - arroz, feijão, carne, salada, ovo e batata frita.
O custo de comprar comida subiu mais que a inflação total: o IPC geral teve alta de 6,1% nos 12 meses até março. As estatísticas foram publicadas em reportagem da CNN Brasil.
Nos últimos 12 meses, os preços das carnes bovinas foram de 27,2% e do frango, de 13,9%. O ovo está 10% mais caro que há um ano. A batata subiu 19% e a cebola, 40%. O preço do tomate caiu 24%.
O dólar alto estimulou as vendas para fora e deixa os produtos ainda mais caros em reais. "Esse movimento do câmbio induz um aumento nas exportações, sobretudo dos cereais e das carnes, favorecendo a redução da oferta interna e pressionando os preços", disse o pesquisador da FGV Matheus Peçanha.
Randolfe: 'há manobras dispersivas para criar caos na investigação da CPI'

247 - O senador e vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que a base governista está promovendo “algumas ações que parecem claramente manobras dispersivas para tentar criar um caos na investigação para, como fim, não investigar nada". Declaração do parlamentar foi feita nesta quarta-feira (28), um dia após o colegiado que vai investigar a atuação do governo Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia ter sido instalado pelo Senado.
Segundo reportagem do UOL, Randolfe disse à GloboNews que ouviu "provocações" durante a reunião para a instalação da CPI, como o pedido para convocar o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello para depor na CPI. De acordo com ele, o pedido retrata um "desconhecimento cabal da Constituição Federal" porque o regimento interno do Senado, não pode convocar ministros do STF para depor.
“Então existe algumas ações que parece claramente manobras dispersivas para tentar criar um caos na investigação para, como fim, não investigar nada. Nós não podemos cair nesse tipo de provocação. Ao mesmo tempo nós também não podemos cair na provocação de que vamos investigar pessoas. Essa CPI tem um foco: investigar os fatos que levaram ao agravamento da pandemia. Os fatos, esses sim, levarão à responsabilização das pessoas", ressaltou Randolfe.
“A maior parte dos congressistas não tem nenhum interesse em destituir Bolsonaro”, diz especialista ao Libération

RFI - A CPI da pandemia no Brasil pode enfraquecer politicamente o presidente Jair Bolsonaro, mas as chances de levá-lo a um impeachment são quase nulas. Essa é a opinião do pesquisador francês Frédéric Louault, vice-presidente do Observatório Político da América Latina e Caribe, em Paris, e professor na Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica.
O jornal Libération traz em destaque no seu site, nesta quarta-feira (28), uma entrevista com o especialista em Brasil. “A maior parte dos congressistas não tem nenhum interesse em destituir Bolsonaro”, diz Louault.
A Comissão Parlamentar de Inquérito foi iniciada na terça-feira (27) para investigar eventuais omissões do governo Bolsonaro no combate à pandemia, explica Libération. Durante três meses, os senadores vão tentar esclarecer as falhas do presidente brasileiro na administração da pandemia. Para o o jornal, Bolsonaro “minimizou o perigo do vírus desde o início e atacou todas as restrições sanitárias, fazendo de seu país um dos mais abalados pela pandemia”.
A CPI da pandemia foi uma iniciativa do senador de oposição Randolfe Rodrigues, durante a crise de Manaus. O STF teve de intervir diante da reticência do presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, em iniciar a comissão, que foi finalmente instituída pelo Senado.
Onze senadores foram escolhidos para integrar a CPI. “Entre eles, há quatro próximos do presidente, dois opositores ferrenhos e cinco considerados independentes, mas que pendem para o lado da oposição. É uma composição que não favorece Bolsonaro e isso o preocupa”, explica Louault.
Dificilmente o resultado levará ao impeachment
O cientista político não acredita que a CPI possa resultar no afastamento de Bolsonaro. “A partir do relatório, alguns processos penais e um pedido de destituição podem ser abertos”, diz.
Louault lembra que cabe ao presidente da Câmara dos Deputados decidir sobre a abertura de um processo de impeachment pelo Congresso. No caso, já existem mais de 80 pedidos em curso, que certamente não serão acatados, “pois o presidente da Câmara dos Deputados é um próximo de Bolsonaro e ele o protege".
Para uma destituição, Louault acredita que “seria necessária uma pressão política enorme sobre Rodrigo Pacheco, que o relatório fosse verdadeiramente desmoralizador, que a popularidade de Bolsonaro caísse bastante e que ele se visse completamente isolado”.
Outros especialistas entrevistados pela RFI, como Glauco Peres da Silva, cientista social pela USP, também acreditam que a CPI vai, no máximo, desgastar a imagem do presidente, mas não a ponto de levar a um impeachment.
Loualt pensa que Bolsonaro tentará usar a estratégia clássica de diluir sua responsabilidade, cobrando contas dos repasses aos Estados, por exemplo. Além disso, as chances de que o presidente compareça ao Senado são mínimas, já que não existe essa obrigação.
“Ele é muito eficaz nas redes sociais, mas não sabe se defender quando o ataque é direto”, afirma o cientista político francês.
Rachadinha: Carlos Bolsonaro perde foro privilegiado

247- Após julgamento encerrado na segunda-feira (26), o STF declarou inconstitucionais trechos da Constituição do Estado do Rio que beneficiavam autoridades com o chamado foro privilegiado, entre elas vereadores. A informação é do jornalista Ancelmo Gois, em sua coluna no jornal O Globo.
Segundo o jornalista, a decisão afetou diretamente Carlos Bolsonaro, o filho 02 do presidente, investigado pelo MP do Rio por um suposto esquema de "rachadinha" em seu gabinete como vereador na Câmara do Rio.
O MP do Rio informou, ontem, que "os procedimentos investigatórios que implicavam atribuição originária do procurador-geral de Justiça (PGJ) foram endereçados às Promotorias de Justiça". São de atribuição do PGJ as investigações que têm como alvos autoridades com direito ao foro privilegiado.
O brasileiro viver mais não é um problema fiscal, é uma medida de sucesso

Aumento da expectativa de vida é um indicador síntese, que resume os acertos de um país, do seu governo e da sua sociedade. Por isso, não gosto da expressão “envelhecimento da população”. O melhor, como aprendi com demógrafos, é falar em “prolongamento da vida”. E por isso é tão ruim a declaração do ministro Paulo Guedes de que “todo mundo quer viver 100 anos”e tratando isso como um problema fiscal.
Quando o Brasil derrubou a mortalidade infantil nas últimas décadas, a expectativa de vida cresceu. Se a gente tiver sucesso em proteger a juventude negra, que tem índice de mortalidade altíssima no Brasil, vamos ampliar a expectativa de vida. A ciência quando chega com seus remédios e tratamentos mais modernos, também amplia o tempo da vida humana. Os bons hábitos, a queda do tabagismo e o trabalho dos professores de ginástica, também vão nessa mesma direção.
Se conseguirmos organizar o trânsito e reduzir os acidentes, se tivermos sucesso no combate à violência, vamos ampliar a expectativa de vida dos brasileiros. O avanço no saneamento será fundamental para isso. Países de renda per capita mais elevada têm maior expectativa de vida. As grandes tarefas têm esse desaguadouro: prolongar a vida. Pessoas quererem viver 100 anos não pode ser um problema, mas sim uma medida de sucesso.
Nesse momento o Brasil vive uma tragédia sanitária, está caindo a expectativa de vida e teremos que depois recuperar o terreno com muito investimento em saúde. É claro que uma população que viva mais exigirá mais recursos na saúde. No meu livro "História do Futuro", o economista André Medici diz isso: é preciso gastar mais e melhor com a saúde no Brasil. Mas isso se resolve fazendo boas escolhas com o dinheiro público.
Mesmo se formos olhar apenas pelo lado econômico, a conclusão é positiva. Um ministro da Economia pode ver esse processo como a oportunidade de estimular a poupança das famílias em produtos financeiros como os planos de previdência privada. Esses fundos normalmente fazem investimentos de longo prazo reciclando a poupança da população e isso gera um círculo virtuoso.
O reducionismo fiscal de ver a vida humana como gasto público é até caricato. Não é assim que bons economistas pensam.




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