Vacinação RIO DE JANEIRO

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Governo bolsonazóide expõe mentalidade CRIMINOSA, IGNORÂNCIA,  extrema ESTUPIDEZ e muita BURRICE.

ALÉM da covid, Brasil teve 55 MIL mortes por OUTRAS doenças ACIMA do previsto

Adotar 'tratamento precoce' foi um ERRO e ele se ARREPENDEU: o relato de secretário paranaense após morte do pai

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Vacina contra Covid no Rio: quem pode ser vacinado e o que deve fazer

Por G1 Rio

 


O Rio vacina até a próxima sexta (24) pessoas com 60 anos ou mais, segundo o último cronograma divulgado pela prefeitura.

O município também iniciou a imunização de profissionais de saúde com menos de 60 anos, seguindo a divisão por data, e começa neste sábado (17) a vacinar professores da educação básica, também de forma gradual começando pelos com 55 anos ou mais.

Idosos em geral

Homens e mulheres devem ir aos postos em dias separados. Aos sábados, há a repescagem para todos.

  • Dia 20 (terça) - Homens com 61 anos
  • Dia 21 (quarta) - Pessoas com 61 anos
  • Dia 22 (quinta) - Mulheres com 60 anos
  • Dia 23 (sexta)- Homens com 60 anos
  • Dia 24 (sábado) - Repescagem para pessoas com 60 anos ou mais

Profissionais de saúde

A prefeitura ampliou a vacinação para essa categoria, incluindo os não idosos. Já podem se imunizar:

  • Assistentes sociais
  • Biólogos
  • Biomédicos
  • Enfermeiros
  • Farmacêuticos
  • Fisioterapeutas
  • Fonoaudiólogos
  • Médicos
  • Médicos veterinários e seus respectivos técnicos e auxiliares
  • Nutricionistas
  • Odontólogos
  • Profissionais de educação física
  • Psicólogos
  • Terapeutas ocupacionais

Confira o calendário para esses profissionais:

  • Dia 19 (segunda-feira): profissionais com 49 anos
  • Dia 20 (terça-feira): profissionais com 48 anos
  • Dia 21 (quarta-feira): profissionais com 47 anos
  • Dia 22 (quinta-feira): profissionais com 46 anos
  • Dia 23 (sexta-feira): profissionais com 45 anos
  • Dia 24 (sábado): repescagem para profissionais com 45 anos ou mais
  • Dia 26 (segunda-feira): profissionais com 44 anos
  • Dia 27 (terça-feira): profissionais com 43 anos
  • Dia 28 (quarta-feira): profissionais com 42 anos
  • Dia 29 (quinta-feira): profissionais com 41 anos
  • Dia 30 (sexta-feira): profissionais com 40 anos

Professores

  • Dia 24 (sábado): profissionais em atividade com 50 anos ou mais.

É necessário levar documento original com foto e comprovante dos conselhos de classe e ir a qualquer posto, mas exclusivamente de 13h a 17h.

Trabalhadores lotados em hospitais e unidades de urgência e emergência ou que trabalham na campanha de vacinação deverão se imunizar nas unidades em que atuam, ao longo do mês de abril.

A vacinação durante a semana é feita nos postos de saúde e clínicas da família. Há ainda outros postos extras. Confira abaixo a lista:

  • Casa Firjan (Botafogo);
  • Hotel Fairmont (Copacabana);
  • Igreja Nossa Senhora do Rosário (Leme);
  • Imperator (Méier);
  • Jockey Club (Gávea);
  • Museu da Justiça (Praça 15);
  • Palácio Duque de Caxias (Central do Brasil)
  • Museu da República (Catete);
  • Planetário da Gávea;
  • Quadra do Cacique de Ramos;
  • Quadra da Portela;
  • Tijuca Tênis Clube;
  • Cidade das Artes (Barra da Tijuca).
  • Quartel dos Bombeiros (Humaitá - 1º GBM) - Rua Humaitá 126 – Humaitá
  • Quartel dos Bombeiros (Copacabana - 17º GBM) - Rua Xavier da Silveira 120 – Copacabana
  • Grupamento dos Bombeiros de Busca e Salvamento (GBS-Barra) - Av. Ayrton Senna 2001 - Barra da Tijuca

Para saber qual é a unidade de referência da sua residência, acesse o serviço "Onde ser atendido", da Secretaria Municipal de Saúde.

Drive-thrus

  • Parque Olímpico do Rio - acesso pela Rua Projetada após a Jeunesse Arena, no sentido Linha Amarela da Av. Embaixador Abelardo Bueno 3.401;
  • Sambódromo - Rua Marquês de Sapucaí - Santo Cristo;
  • Engenhão - Rua José dos Reis, 425 - Engenho de Dentro.

O drive-thru da Uerj está aplicando apenas a segunda dose até quinta-feira desta semana (1º), no portão 7.

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Agência Europeia identifica conexão entre vacina da Johnson e trombose, mas reitera benefícios

Regulador reiterou que o desenvolvimento de coágulos é "muito raro" e que os benefícios da aplicação do profilático superam os riscos - Reuters
Regulador reiterou que o desenvolvimento de coágulos é "muito raro" e que os benefícios da aplicação do profilático superam os riscos Imagem: Reuters

André Marinho

Em São Paulo

20/04/2021 12h36

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) informou, em comunicado hoje, que casos de trombose devem ser incluídos na lista de possíveis efeitos colaterais da vacina contra o coronavírus desenvolvida pela Johnson & Johnson (J&J). O regulador, contudo, reiterou que o desenvolvimento de coágulos é "muito raro" e que os benefícios da aplicação do profilático superam os riscos.

O parecer do comitê de segurança da entidade é semelhante ao do imunizante da AstraZeneca com Universidade de Oxford, anunciado no início deste mês. Também está em linha com decisão de autoridades sanitárias americanas, que recomendaram a suspensão temporária do uso do produto da J&J. A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos ainda investiga a questão.

Produção da vacina da Johnson & Johnson é interrompida em fábrica nos EUA

A EMA disse que levou em consideração os relatos dos EUA na definição de hoje. Segundo a nota, foram identificados oito casos de trombose em pessoas que receberam a dose única da vacina da J&J, entre mais de 7 milhões que receberam o produto em território americano. Todos os registros ocorreram em pessoas com menos de 60 anos, a maioria mulheres.

"A avaliação científica da EMA sustenta o uso seguro e eficaz das vacinas contra a covid-19. A utilização da vacina durante as campanhas de vacinação a nível nacional terá que levar em consideração a situação da pandemia e a disponibilidade da vacina em cada Estado membro", reforça o comunicado.

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Além da covid, Brasil teve 55 mil mortes por outras doenças acima do previsto

Com o isolamento social, houve dificuldade de atender pacientes crônicos, realizar exames e fazer diagnósticos precoces de doenças graves - smolaw11/Getty Images/iStockphoto
Com o isolamento social, houve dificuldade de atender pacientes crônicos, realizar exames e fazer diagnósticos precoces de doenças graves Imagem: smolaw11/Getty Images/iStockphoto

Pablo Pereira

Em São Paulo

20/04/2021 13h19

Em 2020, o Brasil registrou 275.587 óbitos a mais que o previsto para o ano. Desse total, 220.469 foram vítimas da covid-19, mas outros 55.117 morreram por outras doenças. Os dados constam de levantamento feito com base em números do estudo Excesso de Óbitos no Brasil, da organização em saúde Vital Strategies, no painel do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde). As estatísticas indicam que, além das perdas pelo vírus, a crise sanitária causou mortes de quem poderia sobreviver em outra situação.

Com o isolamento social, necessário para frear o novo coronavírus, houve dificuldade de atender pacientes crônicos, realizar exames e fazer diagnósticos precoces de doenças graves. A extensão desse problema no sistema de saúde brasileiro assusta a população e preocupa médicos e especialistas em outras enfermidades, que já trabalham com projeções de até 50 mil casos de câncer para este ano por causa do abandono de tratamento ou atraso na identificação da enfermidade.

Adotar 'tratamento precoce' foi um erro e ele se arrependeu: o relato de secretário paranaense após morte do pai

"A gente atribui isso, em parte, ao cancelamento ou adiamento dos procedimentos médicos que deveriam ter sido feitos, como exames", afirma a coordenadora do estudo e professora da UFMG, Fatima Marinho. "Quando os pacientes chegam ao hospital, já estão em situação mais grave". Segundo ela, as pessoas têm receio de ir ao hospital com medo de se infectarem com o coronavírus.

A pesquisadora explica que o pico até dezembro ocorreu na semana epidemiológica 20, virada de maio para junho, com 33.569 mortes, ante as 23.727 esperadas conforme o balanço dos anos anteriores. Foi um aumento de 46% das mortes esperadas naquela semana. Durante todo o ano, a linha da curva das mortes esteve acima da curva de dados projetados com base nas médias de anos anteriores.

Casos de câncer

Para oncologistas que acompanham a evolução da pandemia, a preocupação agora é com projeções que apontam 50 mil novos casos de câncer que deixaram de ser detectados no ano passado por causa da escassez de diagnósticos no período. Segundo Daniela Dornelles Rosa, diretora da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica) e oncologista do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, houve forte queda nas consultas. Só no centro de oncologia do hospital, houve desistência de 720 pacientes e mais 264 do centro de mama. "Se formos computar com fevereiro e março, são 3.436 desistências de consulta em três meses", argumenta a diretora da SBOC.

"O quanto isso vai acabar resultando em mais mortes, a gente ainda não sabe mensurar", afirma a oncologista. "Mas quando a gente pensa em outras doenças, como as cardiovasculares, existem publicações mostrando que há, sim, um maior número de casos de pacientes que podem, inclusive, acabar morrendo em casa", diz Daniela Rosa.

A projeção nacional de novos casos de câncer apontava, segundo estatísticas de 2019, para a ocorrência de 625 mil diagnósticos anuais no triênio 2020-2022. Para Daniela Rosa, o importante agora é que as pessoas procurem o médico para identificar a doença no estágio que ainda permite a cura. "Nossa recomendação é que não se cancelem exames", afirma a oncologista.

"Talvez se eu tivesse esperado um pouco mais não teria a sorte que eu tive", conta a advogada Mariana Peirano, de 40 anos, que descobriu um câncer em outubro e passou por cirurgia em novembro. Segundo ela, os protocolos do hospital a deixaram segura. "Convivi lá com pessoas na químio que sentiram o nódulo no seio e ficaram com medo de fazer o exame. Quando foram fazer, descobriram que já estavam com metástase. Vamos lembrar que é uma doença em que meses podem fazer diferença", completa.

O cirurgião oncológico Alexandre Ferreira de Oliveira, presidente da SBCO (Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica), não tem dúvidas do impacto da covid sobre as doenças crônicas. Ele cita levantamento da Sociedade Brasileira de Radioterapia que mostra redução de 46% nas radioterapias para mama no País. "Houve também queda de 47% na detecção de novos casos no Hospital AC Camargo, de São Paulo", afirma. São dados de pacientes de câncer de colorretal entre março e julho do ano passado, em comparação com o mesmo período de 2019.

Oliveira avalia que o principal problema é que as pessoas não estão fazendo os exames necessários para rastrear a doença. "O diagnóstico precoce é fundamental", diz. Ele lembra de casos recentes, como o de um professor dele que foi encontrado morto em casa, por complicações cardíacas. E de uma paciente, que é dentista, que não fez os exames de acompanhamento para rastreamento de câncer no último ano e que acaba de detectar o avanço da doença. "Isso é muito comum nos consultórios", afirma Oliveira.

"No Reino Unido, uma prospecção aponta que haverá 18 mil casos a mais de mortes por câncer neste ano devido à falta de diagnóstico precoce", diz o médico. "O nosso medo é que as doenças crônicas matem mais do que o covid", alerta.

Registro Civil

"É uma situação gravíssima, porque há forte impacto direto e indireto da covid sobre o sistema de saúde, e isso vai provocar alteração até no perfil da população e na economia", diz Gustavo Renato Fiscarelli, presidente da Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais). A entidade é parceira do grupo que trabalhou no estudo Excesso de Óbitos no Brasil, da Vital Strategies.

Segundo Fiscarelli, que dirige um cartório civil em Cotia, na Grande São Paulo, "verifica-se acréscimo absurdo no número de óbitos". Ele explica que a média anual de óbitos, desde 2003, era de 1,1 milhão de pessoas. No ano passado, por conta da pandemia, subiu para quase 1,5 milhão. "E aí fica claro que, mesmo somados os cerca de 250 mil da covid registrados até dezembro, há excesso de óbitos de pessoas que não tinham covid, mortos por outras doenças". Para ele, "isso é reflexo da covid, porque há o isolamento das pessoas, falta de tratamento, de leitos, hospitais lotados, abandono e adiamento de tratamentos regulares", enumera

Para a médica Clarissa Mathias, presidente da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica), as pessoas têm deixado também de fazer controles essenciais para a saúde. "E isso aumenta os fatores de risco de adoecer. As pessoas estão dormindo mais, voltando a fumar, ganhando peso", alerta. Ela explica que os dados do ano passado apontam que mais de 74% dos profissionais entrevistados relataram ter tido ao menos um paciente que interrompeu ou adiou tratamentos por mais de um mês na pandemia. E que, para 22,5% dos oncologistas, houve obstáculos para a realização de exames. Só 1% disse não ter notado resistência aos procedimentos.

O ator Tom Veiga, intérprete do papagaio Louro José na televisão, foi encontrado morto em casa, em novembro, vítima de um AVC. Pessoas próximas, porém, acreditam que a covid-19, doença que o artista contraiu em março do ano passado, pode ter contribuído para a piora na saúde do artista, que também era fumante. "Ele tinha só 40% da função pulmonar, mas estava tratando disso", contou Edson Sobrinho, advogado da família de Veiga.

Sudeste (38%), Nordeste (32%) e Norte (12%) são as regiões com mais excesso de mortalidade. O Centro-Oeste (10%) e o Sul (9%) tiveram menor impacto em 2020. As capitais foram mais duramente atingidas pelo excesso de óbitos, especialmente Manaus, Belém, São Luís, Fortaleza, Recife, Salvador, Rio e São Paulo. "O Amazonas, com aumento de 52% das mortes esperadas, é o mais impressionante, mostrando extermínio de parte da população do Estado, que continuou em 2021", afirma Fatima Marinho, coordenadora do grupo de estudos.

Ela destaca que o estado de São Paulo é afetado pelo alto número de mortes, mas não tem o excesso de mortes encontrado, por exemplo, em estados como Amazonas e Rio. "São Paulo teve excesso de óbitos de 41.986, mas isso é 15%. No Rio, o excesso de mortes foi de 25%, acima da média nacional (22%). Já o Amazonas tem 52% de excesso de mortes", explica. "E isso vai se repetir em 2021" alerta.

Luiz Fernando Ferraz da Silva, professor da Faculdade de Medicina da USP, também prevê piora este ano. Ele usa o colapso da rede de saúde em Manaus, em janeiro, para exemplificar as causas e consequências da alta de mortes por falhas de assistência. "O indivíduo tem enfarte em casa, chama o Samu, que o leva a um hospital. Mas, chegando lá, não tem leito. E o Samu não pode deixar o paciente se não houver leito. Ele, então, fica dentro da ambulância. Daí, outro paciente precisa da ambulância e já não tem carro suficiente, demora mais para chegar. E sabemos que a demora diminui a chance de sobrevida", diz ele, que é ainda diretor do Serviço de Verificação de Óbitos da capital paulista.

"É preciso que governo federal, estadual e municipal, e autoridades em geral, trabalhem para reduzir mortes e hospitalizações. Usar das lições aprendidas em 2020 poderia salvar milhares de vidas e muito sofrimento. O que estamos vendo no País é uma morte anunciada, uma crise humanitária sem precedentes", afirma a pesquisadora da UFMG.

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Cadela salva 'amigo' de se afogar em piscina e emociona donos; assista

O salvamento levou tempo, mas o cãozinho foi retirado da piscina - Reprodução/Facebook/Byron Thanarayen
O salvamento levou tempo, mas o cãozinho foi retirado da piscina Imagem: Reprodução/Facebook/Byron Thanarayen

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/04/2021 14h00

A cadela Jessie demonstrou ser uma companheira bastante obstinada quando se trata de salvar vidas.

A STAFFORDSHIRE BULL TERRIER passou quase 40 minutos tentando resgatar o pequeno Chucky, um SPITZ, que havia caído na piscina de sua casa, em Johanesburgo, na África do Sul, na sexta-feira (16).

As imagens são aflitivas e impressionantes. Chucky estava andando próximo à borda, quando cai na água e começa a nadar de um lado para o outro, tentando sair, mas sem sucesso. Então, Jessie aparece e tenta de todas as maneiras ajudar o amigo.

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A staffbull, raça conhecida como "cão babá", consegue depois de muitas e exaustivas tentativas retirar o outro cão, ao puxá-lo pela orelha, evitando, assim, o que poderia ter sido um final trágico, caso o animal estivesse sozinho.

As imagens foram registradas pelas câmeras de segurança e recuperadas por Byron e Melissa Thanarayen, que compartilharam o vídeo nas redes sociais para enaltecer a atitude de Jessie.

O casal havia achado estranho quando encontrou Chucky molhado, já que os cachorros nunca entravam na piscina sem eles, e decidiu checar as filmagens. Eles ficaram bastante surpresos com o que viram.

"Foi de partir o coração assistir. Ainda temos dificuldade em assistir a esse vídeo, só pensando no que poderia ter acontecido se Jessie não estivesse lá", disse Byron ao Sunday Times.

Ele também contou que Jessie foi adotada há quatro anos, após ter sido rejeitada por três famílias, por não ter tido uma boa convivência com outros cães.

Depois do incidente, Byron e Melissa decidiram instalar uma capa para piscina.

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Adotar 'tratamento precoce' foi um erro e ele se arrependeu: o relato de secretário paranaense após morte do pai

Ney Leprevost junto com o pai, o advogado Luiz: filho relata que pai se arrependeu de tratamento precoce após ficar com a saúde debilitada - ARQUIVO PESSOAL
Ney Leprevost junto com o pai, o advogado Luiz: filho relata que pai se arrependeu de tratamento precoce após ficar com a saúde debilitada Imagem: ARQUIVO PESSOAL

Vinícius Lemos - Da BBC News Brasil em São Paulo

19/04/2021 20h28

Em 9 de abril, o advogado Luiz Antonio Leprevost morreu após meses de complicações de saúde. Para a família, o uso de medicamentos do "tratamento precoce" e a demora na busca por atendimento médico piorou o quadro do idoso.

Em novembro passado, quando teve os primeiros sintomas de covid-19, o advogado Luiz Antonio Leprevost, de 69 anos, decidiu aderir ao "tratamento precoce".

Ele dizia que por meio de medicamentos como hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina poderia se curar da doença causada pelo novo coronavírus. Em razão disso, Luiz demorou para buscar atendimento médico.

O advogado somente foi a uma unidade de saúde quando o seu quadro de covid-19 piorou. Ele foi internado em estado grave, mas posteriormente melhorou e teve alta hospitalar.

Quando voltou para casa, o idoso estava debilitado. O estado de saúde de Luiz piorou cada vez mais, por complicações em órgãos como os rins e o fígado. Os médicos suspeitam que esses problemas estão relacionados ao excesso de remédios que ele tomou no "tratamento precoce".

Primogênito de Luiz, o secretário de Justiça, Família e Trabalho do Paraná, Ney Leprevost, se recorda de uma confissão feita pelo pai em uma das últimas conversas que eles tiveram. "Ele me contou que se arrependeu de ter feito esse tratamento e disse que foi um erro", relata. O idoso morreu no início deste mês.

Ney afirma que o pai foi enganado pela promessa de uma falsa cura. "A grande maioria dessas pessoas que adotam esse tratamento precoce não faz isso por mal. São pessoas desesperadas, que querem se proteger e acabam entrando nesse falso milagre que está sendo anunciado", diz à BBC News Brasil.

A família acredita que o advogado soube do "tratamento precoce" por meio das redes sociais, WhatsApp ou até informalmente por médicos conhecidos que defendem esses remédios contra a covid-19. "O que tenho certeza é que ele não foi ao consultório de um médico especialista para decidir tomar esses remédios", diz Ney.

Mesmo sem evidências científicas e com entidades médicas se manifestando contra, o "tratamento precoce" para a covid-19 tem sido difundido no país por muitos médicos e por parte da população. Além disso, já chegou a ser indicado pelo Ministério da Saúde e frequentemente é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Desde o início da pandemia, diversas cidades distribuíram medicamentos que fazem parte desse "tratamento precoce", como ivermectina e hidroxicloroquina, gratuitamente para a população. Até mesmo empresas entregaram esses fármacos a seus funcionários, afirmando que seria uma forma de prevenir a doença ou evitar que uma pessoa infectada tivesse um quadro grave.

Enquanto muitos ainda incentivam a adoção desse tipo de coquetel de medicamentos, cada vez mais têm se tornado comuns relatos de médicos sobre pacientes que tiveram o quadro de saúde agravado em decorrência de complicações causadas pelo uso de medicamentos que compõem o "tratamento precoce".

A esperança em tratamento sem comprovação científica

Desde os primeiros meses da pandemia de covid-19, no ano passado, o "tratamento precoce" é divulgado massivamente nas redes sociais e em mensagens compartilhadas no WhatsApp. Nos vídeos, há médicos e políticos afirmando que se trata da melhor forma de enfrentar a covid-19.

Mas estudos têm apontado, cada vez mais, que remédios como hidroxicloroquina (usado em pacientes com doenças como lúpus, artrite, reumatoide e malária) e ivermectina (usado para combater vermes, piolhos e carrapatos) não têm efeito de prevenção ou tratamento da covid-19.

A falta de comprovação científica não tem sido um problema para diversas autoridades, que continuam defendendo esses remédios.

Ney critica aqueles que atualmente defendem o "tratamento precoce" nas redes sociais. "É preocupante propagandear isso nas redes hoje em dia. Uma coisa é o médico receitar e o pacientes querer correr esse risco. Outra coisa é fazer apologia dessas drogas. Fazer apologia a uma droga, lícita ou não, é crime no Brasil", assevera.

No ano passado, Ney também defendeu o uso desses remédios sem comprovação científica. Porém, hoje admite que errou. "Confesso que tinha esperança de que ele funcionasse, porque na época não havia relatos de médicos sobre os riscos desse tratamento. A discussão ainda não era muito forte", afirma o secretário do Paraná.

A esperança no tratamento era tamanha que Ney admite que tomou ivermectina no ano passado, por acreditar que poderia prevenir uma possível infecção pelo coronavírus. Ele relata que o pai, meses antes de ter a covid-19, também tomou o fármaco para tentar evitar ser infectado pelo novo coronavírus.

Apesar de acreditarem que poderiam prevenir a contaminação por meio do vermífugo, o secretário do Paraná diz que ele e o pai sempre seguiram os cuidados sanitários para evitar a contaminação pelo vírus.

"O meu pai se cuidou muito, mas infelizmente acabou infectado. A família não sabe exatamente como ele pegou o vírus, porque é difícil saber isso (com a alta propagação do coronavírus)", diz Ney.

Quando apresentou os primeiros sintomas, junto com a esposa, Luiz optou por fazer todo o protocolo, sem qualquer respaldo científico, do "tratamento precoce".

"Ele seguiu à risca esse 'tratamento precoce': tomou hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina... tudo aquilo que costumam indicar", diz Ney.

Para os familiares, além do incentivo em publicações de amigos que defendiam o uso desses remédios, Luiz encontrou respaldo ao "tratamento precoce" nas declarações do presidente Jair Bolsonaro, que defende a prática mesmo com diversas entidades médicas se manifestando contra.

"Em Curitiba há muitas pessoas boas, mas com extrema admiração ao presidente, que repassam a centenas de outras pessoas as ideias daquilo que o presidente defende", afirma Ney. Para ele, assim como no caso do pai, há outros inúmeros casos de pessoas que acreditaram nesses medicamentos após declarações de Bolsonaro.

A esposa de Luiz, Jussara Abrão, também testou positivo e optou por buscar um hospital e foi internada. Ela não quis fazer o "tratamento precoce". Na unidade de saúde, seu quadro piorou e ela foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Em casa, Luiz ficou cada vez mais debilitado. O vereador de Curitiba Alexandre Leprevost, um dos filhos do advogado, relatou, durante uma sessão da Câmara Municipal, que o pai demorou para procurar um hospital em razão da "crença ferrenha" que tinha no "tratamento precoce".

Quando decidiu procurar um hospital, o advogado já estava com 80% dos pulmões comprometidos pela covid-19. Ele foi encaminhado diretamente para a UTI.

Médicos alertam sobre riscos do 'tratamento precoce'

Assim como no caso de Leprevost, um dos riscos do "tratamento precoce" é fazer com que a pessoa demore para procurar atendimento médico por acreditar que irá se curar da covid-19 por meio de remédios como hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina.

Médicos relatam que os pacientes que têm mais chances de sobreviver são aqueles que recebem máscara de oxigênio ou ventilação mecânica invasiva antes de chegar à insuficiência respiratória aguda. Porém, muitas pessoas que fazem o "tratamento precoce" buscam atendimento quando já estão em estado grave, com os pulmões severamente comprometidos.

Em reportagem recente da BBC News Brasil, médicos de hospitais de referência afirmaram que a defesa e o uso do "kit covid", como também é conhecido o conjunto de medicações do "tratamento precoce", contribuem de diferentes maneiras para aumentar as mortes no país.

Estudos apontam que entre 80% a 85% dos pacientes infectados pelo novo coronavírus não vão desenvolver forma grave de covid-19. Para essas pessoas que não devem precisar de internação, além de não ajudar no combate à doença, o "tratamento precoce" pode criar a falsa sensação de que foi o responsável pela cura, mesmo pesquisas apontando que esses medicamentos são ineficazes contra a enfermidade.

Esse tratamento sem comprovação científica pode trazer complicações até para quem não desenvolve quadro grave da covid-19, porque pode causar efeitos colaterais em diferentes órgãos em virtude de doses excessivas de medicamentos.

Para os 15% ou 20% dos infectados pelo coronavírus que vão precisar de internação, o uso dessas drogas do "tratamento precoce" pode prejudicar ainda mais o quadro de saúde. Profissionais que estão na linha de frente apontam que os efeitos desses fármacos são mais frequentes entre essas pessoas e, além de dificultar o tratamento, podem contribuir para mortes de pacientes, porque podem afetar as funções de órgãos vitais.

Os efeitos colaterais dessas drogas junto com as consequências de um quadro grave de covid-19 são extremamente preocupantes.

"Esses remédios não ajudam, não impedem o quadro de intubação, e trazem efeitos colaterais, como hepatite, problema renal, mais infecções bacterianas, diarreia, gastrite. E a interação entre esses medicamentos pode ser perigosa", disse, em recente entrevista à BBC News Brasil, a pneumologista Carmen Valente Barbas, que é professora de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e referência internacional em ventilação mecânica.

"A falta de organização central e as informações desconexas sobre medicação sem eficácia contribuíram para a letalidade maior na nossa população. Não vou dizer que representa 1% ou 99% (das mortes), mas contribuiu", afirmou, também em recente entrevista á BBC News Brasil, Carlos Carvalho, diretor da Divisão de Pneumologia Hospital das Clínicas de São Paulo e professor de Medicina da USP.

As complicações após a alta hospitalar

Na internação para tratar a covid-19, Luiz ficou pouco mais de dois meses em um hospital particular de Curitiba (PR). Ele passou parte desse período intubado.

Quando voltou para casa, o advogado estava com a saúde debilitada. Diariamente fazia acompanhamento com fisioterapeuta. Por diversas vezes, após o retorno ao lar, ele precisou voltar ao hospital por complicações de saúde.

Alguns dos médicos que acompanharam Luiz suspeitam que o quadro dele pode ter piorado em decorrência do "tratamento precoce". Isso porque a família diz que o advogado tinha apenas cardiopatia antes da covid-19, mas desenvolveu problemas em diferentes órgãos posteriormente. Os profissionais de saúde suspeitam que esses problemas podem ter sido causados ou agravados pelo uso excessivo de medicamentos.

"Não podemos afirmar categoricamente que os problemas que ele teve são oriundos do "tratamento precoce". Mas o que posso afirmar categoricamente é que o meu pai seguiu à risca esse tratamento, usou os medicamentos que são indicados, mas isso não evitou a internação dele, muito menos que ele fosse intubado", declara Ney.

"E depois de receber alta pela covid-19, ele teve complicações semelhantes às que médicos de grandes hospitais do Brasil têm descrito como relacionadas ao tratamento precoce", acrescenta o primogênito de Luiz.

O advogado teve complicações nos rins e hepatite (inflamação do fígado) que os médicos suspeitam que tenha sido medicamentosa, pelo uso desmedido de fármacos como hidroxicloroquina e ivermectina. "Mas não aprofundaram o estudo da biópsia dele", diz Ney.

Em um dos encontros que teve com o pai, antes da última internação do idoso, o primogênito ouviu o pai relatar o arrependimento por ter feito o tratamento sem comprovação científica.

"Ele teve tempo de dizer que estava arrependido. Ele me falou que por ter tomado esses medicamentos demorou muito para aceitar procurar um hospital. Essa demora influenciou bastante (nas complicações do idoso)", diz o secretário do Paraná.

Enquanto Luiz piorava mais em casa, a esposa dele estava recuperada da covid-19 após passar dias na UTI. "Quando eles foram diagnosticados com a covid, meu pai queria que ela também fizesse o "tratamento precoce", mas ela não fez. Além disso, ela aceitou ser internada muito rapidamente, diferente do meu pai. Hoje ela está ótima", diz Ney.

Junto com a família em casa, Luiz ficou cada vez mais fraco. Os parentes contam que a última internação dele foi após o advogado apresentar uma coloração amarelada. Ele foi levado às pressas ao hospital e o quadro foi considerado gravíssimo. O idoso foi para a UTI. Na noite de 9 de abril, ele não resistiu às complicações de saúde.

Na certidão de óbito consta que Luiz morreu em decorrência de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos.

"O problema dele não foi a covid-19, foram outras complicações. Meu pai acabou entrando nessa canoa furada. Foi, de certa forma, descuido. Se você me perguntar se eu acredito que meu pai estaria vivo se não tivesse feito o tratamento precoce e fosse mais cedo ao hospital, eu diria que acredito que sim"', afirma o primogênito de Luiz.

O advogado, que era vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), deixa a esposa com quem foi casado durante décadas, quatro filhos e seis netos.

'Tudo isso precisa ser passado a limpo'

Para Ney, tudo o que o pai viveu desde novembro passado se tornou uma lição sobre o "tratamento precoce". Ele afirma que mudou a visão sobre o tema após vivenciar a situação do pai e espera que histórias como a de Luiz sirvam de alerta para que as pessoas não acreditem em medicações sem respaldo científico.

"Quando alguém tem uma doença, deve procurar médicos sérios e confiar. É preciso avaliar os prós e contras do tratamento e devem ficar atentas a informações e a estudos científicos. Nosso país não suporta mais, em hipótese alguma, a negação da ciência. Acreditar na ciência é o melhor caminho para a prevenção da covid-19", afirma.

O secretário diz que espera que as aquisições de hidroxicloroquina pelo poder público e o incentivo ao uso desse fármaco se tornem alvos de investigações. Esses pontos estão entre os principais alvos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19.

"Em alguma hora vai acontecer uma investigação séria. Não sei se vai acontecer nessa CPI (da Pandemia) ou não. Mas penso que é necessário que a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e os Ministérios Públicos Estaduais verifiquem se autoridades federais, estaduais ou municipais tiveram alguma ligação com laboratórios de cloroquina e se tiveram acréscimos em seus ganhos pessoais no ano passado...", declara.

"Tudo isso precisa ser passado a limpo, porque é difícil entender ainda hoje, depois de todo esse tempo e de tantos estudos feitos, porque ainda há tantas autoridades e pessoas da área da saúde defendendo esse tipo de medicamento", completa.

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Brasileira é morta a facadas nos EUA, e ex-namorado é preso como suspeito

Deborah foi morta nos EUA - Arquivo Pessoal
Deborah foi morta nos EUA Imagem: Arquivo Pessoal

Rafael Souza

Colaboração para o UOL, em São Luís (MA)

20/04/2021 13h08

A brasileira Déborah Evangelista Brandão, de 34 anos, foi morta a facadas na cidade de Phoenixville, no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. O ex-namorado, também brasileiro, é suspeito do crime e foi detido. A família de Déborah, em entrevista ao UOL, disse que ele já havia tentado matar a namorada em outras ocasiões.

O caso foi registrado por volta das 16h30 no domingo (18), na porta da casa onde ela morava com os dois filhos, que presenciaram tudo.

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"Foi enquanto ela pegava as compras do supermercado no carro dela, com as crianças. Ele pegou ela pelo cabelo e a golpeou no tórax, deixando as crianças verem tudo", informou ao UOL a irmã de Déborah, Sarah Brandão.

Após o crime, o ex-namorado Danilo Sousa Cavalcante fugiu para o estado da Virgínia, mas foi preso pela polícia local menos de duas horas após o assassinato. Ele segue detido.

Déborah é maranhense, da cidade de Balsas, e morava nos Estados Unidos há cerca de cinco anos com os dois filhos, frutos de um outro relacionamento. A irmã de Deborah diz que o motivo do assassinato foi o Danilo não aceitar o fim do namoro.

"Ela vivia pros filhos e ele não aceitou o fim do relacionamento. Ele já tinha tentado matar ela duas vezes. Tinha medida protetiva e tudo", relatou Sarah.

Nas redes sociais, Sarah também tem compartilhado o apoio que tem recebido de muitos brasileiros em Phoenixville. Agora é ela e o marido que estão cuidando dos sobrinhos.

"Até quando as mulheres vão ter que passar por isso? Quando os homens vão entender quando uma mulher acaba o relacionamento e não quer mais? Agora estou sozinha, em outro país, sem a minha irmã e com os dois filhos dela. Eu quero agradecer o apoio de todos", concluiu Sarah.

Deborah informou que o corpo da irmã será cremado.

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Servidores do Ibama denunciam paralisação total do sistema de multas

Servidores do Ibama alegam que nova regra levou à paralisação na aplicação de multas contra infratores ambientais - Fernando Werneck/Ibama
Servidores do Ibama alegam que nova regra levou à paralisação na aplicação de multas contra infratores ambientais Imagem: Fernando Werneck/Ibama

André Borges

Brasília

20/04/2021 11h45

No momento em que o governo brasileiro se prepara para participar de uma Cúpula Internacional do Clima, para reafirmar seus compromissos no combate ao desmatamento ilegal, uma mudança feita pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, no processo de autuação por crimes ambientais tem sido criticada internamente por agentes de órgãos de fiscalização.

Segundo os servidores, a nova regra levou à paralisação total das emissões de multas por agentes do Ibama e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade). Procurada, a pasta não se manifestou.

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O "Estadão" teve acesso a uma carta enviada ao presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, assinada por mais de cem servidores do Ibama em todo o país. Trata-se de um protesto contra a instrução normativa publicada na semana passada para alterar o processo de punição de criminosos.

Pela nova norma, as infrações terão de passar por autorização de um superior do agente de fiscalização que aplicar a multa, passando por fases que, até então, incluíam a análise dos próprios fiscais.

No documento, os servidores afirmam que "viram com perplexidade a paralisação de todo o processo sancionador ambiental ocasionado pela publicação desta norma".

Os profissionais declaram que as medidas necessárias para implementação das mudanças nos sistemas internos não foram tomadas previamente pela administração central do Ibama e ICMBio, antes da entrada em vigor da norma. Em decorrência disso, todos os servidores que assinam a carta declaram que estão com suas atividades paralisadas pelas próprias autarquias.

Os servidores afirmam que as mudanças resultaram "num verdadeiro apagão no rito processual de apuração de infrações ambientais constatadas pelo Ibama e pelo ICMBio em todo o país".

"Todo este embaraço acabou resultando na orientação formal de alguns gestores junto ao Ibama Sede para que os servidores continuem utilizando os sistemas da forma em que se encontram disponíveis e que permaneçam seguindo o rito processual da Instrução Normativa Conjunta revogada", dizem os funcionários, no documento.

"Por óbvio, consideramos que se trata de orientações irregulares, uma vez que estão em conformidade com norma que já não existe no ordenamento, o que fere o princípio da legalidade do ato administrativo, posto que, mesmo estes atos sendo discricionários da administração pública, eles são dirigidos pelos princípios que conduzem o direito."

O efeito prático das mudanças, segundo os funcionários que lidam diretamente com essas atividades, soou como uma "tentativa de dividir com os servidores a responsabilidade pelas sérias consequências causadas pela publicação dessa INC (Instrução Normativa Conjunta) pela atual gestão do MMA, Ibama e ICMBio que sem qualquer medida prévia para garantir seu cumprimento, criou um ambiente de insegurança jurídica e administrativa para todos os servidores envolvidos neste rito, fiscais, técnicos, analistas ambientais e administrativos".

Por causa de riscos de responsabilização dos servidores e de forma preventiva, o documento afirma que será exercido o direito de "recusa em iniciar procedimentos com a norma vigente e, muito menos com norma administrativa revogada, tendo em vista que não há meios disponíveis para o cumprimento dos prazos e, com o não cumprimento, há sanções previstas na Lei Federal", o que poderia levar até à demissão do funcionário.

O tom é de indignação com a decisão do governo. "Num completo descompasso com a situação das autarquias executoras da Política Nacional de Meio Ambiente, que vem sofrendo há anos com a diminuição no quadro de servidores, ao invés de realizar concurso público e assim prover os cargos vagos, a administração aprova norma que, sem meios para cumprir, pode levar a demissão de mais servidores", declaram os profissionais.

Por causa da situação, alguns servidores já entraram com pedido para deixarem a função de fiscais e há uma movimentação crescente de novos pedidos.

"Isso representa um verdadeiro esvaziamento da força de trabalho da fiscalização ambiental federal, sendo de conhecimento que já é pequena tal força de trabalho diante das dimensões continentais do país e os crimes ambientais que vêm crescendo de forma exponencial nos últimos dois anos, fato comprovado pelo aumento do desmatamento e queimadas na Amazônia", informa o documento.

Prazos

Outra preocupação diz respeito aos prazos impostos para os procedimentos, desde a fase de constatação da infração pelo fiscal em campo, até as etapas de análises e julgamentos de infrações administrativas.

"Embora isso transpareça interesse pela celeridade do processo, tal preocupação cai por terra em outros dispositivos, uma vez que, segundo a norma, mesmo que o agente constate a infração em flagrante, este não deverá lavrar a multa ou qualquer outro termo e sim emitir um relatório, sendo que não há prazo para emissão da análise deste relatório pela autoridade hierarquicamente superior", alertam os profissionais.

A tecnologia atual disponível para as autuações foi criada para que a multa e os termos sejam lavrados pelo fiscal assim que constatada a infração, sendo o processo instaurado imediatamente e de forma automática após aprovação do relatório pelo coordenador da operação de fiscalização em campo, regra que garante a lisura e transparência necessárias.

"Não havendo harmonização entre a tecnologia disponível e a norma vigente e publicada, e, não se vislumbrando alternativa para a execução do trabalho, resta configurado um verdadeiro constrangimento e embaraço, que afeta os fiscais e, por consequência, toda a nossa sociedade, que espera ver o resultado do cumprimento do nosso dever", justificam os agentes.

Os fiscais lembram ainda que a norma traz, em sua "autoridade hierarquicamente superior", a existência de uma espécie de censor, com ampla e irrestrita discricionariedade, no âmbito dos órgãos de fiscalização ambiental. A comprovação de que todo ato praticado, a apuração de ilícito e imposição de sanções pelos fiscais devem ser "validadas" por esta figura administrativa, com o pressuposto de que todo trabalho realizado pelo fiscal deva ser saneado.

"Consideramos isso significativamente inovador e estranho aos resultados comprovados das atividades de fiscalização ambiental feitas por nós, servidores do Ibama e ICMBio imbuídos na função de fiscais, além de ser uma regra que inviabiliza ações de combate ao desmatamento na Amazônia, ações de fiscalização de pesca em mar aberto e zona costeira, de combate às infrações contra a fauna, entre outras, realizadas de forma costumeira em áreas remotas pela fiscalização ambiental federal", dizem os agentes.

Por fim, os servidores pedem "o comprometimento imediato e inequívoco do governo e seus gestores com o fortalecimento das instituições e das normas ambientais, e não o contrário, como vem sendo feito". Alegam que a situação é irregular, ilegal e "configura mera tentativa de arrefecer uma crise administrativa sem precedentes que se instalou com a alteração da norma".

Questionado sobre o assunto, o Ibama declarou que a nova norma segue vigente, mas que abriu um "processo de consulta" sobre o texto, que será analisado.

Protestos

Ontem, conforme informou o "Estadão", um grupo de parlamentares do PV enviou um Projeto de Decreto Legislativo que tem o propósito de sustar a Instrução Normativa Conjunta 01/2021, publicada no dia 12 de abril.

No documento assinado pelos deputados Israel Batista (PV-DF), Célio Studart (PV-CE) e Leandre (PV-PR), os deputados afirmam que "a presente Instrução Normativa Conjunta não defende e nem preserva o meio ambiente, ao contrário, praticamente, extingue qualquer ação neste sentido.

O Parlamento brasileiro não pode ser eximir deste enfrentamento, e nem ser conivente com este ato, e deve sustar as normas do Poder Executivo que extrapolem seu poder regulamentar."

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