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7 coisas que acontecem no corpo quando paramos de comer fast-food

Reduzir o consumo de alimentos ricos em gorduras e sódio melhora a saúde física e mental - iStock
Reduzir o consumo de alimentos ricos em gorduras e sódio melhora a saúde física e mental Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

13/04/2021 04h00

Resumo da notícia

  • O consumo de lanches e comidas prontas aumentou após o início da pandemia
  • Mas reduzir o consumo de alimentos ricos em gorduras e sódio melhora a saúde física e mental
  • Cortar esses alimentos ajuda a melhorar o humor, evitar doenças como diabetes e Alzheimer e até reduz o risco de infarto

Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e carnes magras, é a recomendação de todos os especialistas médicos para manter o corpo funcionando bem e saudável por mais tempo. Mas, para muitas pessoas, não é tão fácil assim seguir esse padrão alimentar, principalmente após a chegada do novo coronavírus.

Em pesquisa online realizada em fevereiro de 2021 pelo UOL AD LAB em parceria com o VivaBem, 38% dos entrevistados afirmaram que o consumo de lanches e comidas prontas aumentou após o início da pandemia.

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Apesar da praticidade, o consumo de fast-food é um hábito que precisa ser deixado para trás em nome da saúde. Cortar esses alimentos oferece diversos benefícios, como melhorar o humor, evitar doenças como diabetes e Alzheimer, e até reduzir riscos de um infarto.

Confira a seguir o que acontece quando melhoramos nossos hábitos alimentares e eliminamos essas comidas prontas de nossas vidas.

Comer pizza - iStock - iStock
Imagem: iStock

1. Você vai sentir MUITA falta

Alguns especialistas comparam o consumo frequente de alimentos gordurosos e ricos em açúcar ao uso de drogas. Isso porque esses ingredientes são rapidamente absorvidos pelo corpo e provocam uma sensação prazerosa —para, logo depois, a pessoa se sentir culpada ou arrependida, o que vai estimular mais uma vez a busca por essa recompensa rápida.

Essa conclusão é corroborada por estudos como um feito pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. A análise, publicada no periódico Appetite, mostrou que os participantes que tentaram retirar itens como bolos, batata frita ou pizza da dieta sofreram sintomas semelhantes aos da abstinência, como tristeza, irritabilidade e até mesmo um forte desejo para comer os alimentos novamente.

O estudo mostrou que o pico dos sintomas aconteceu entre o terceiro e o quinto dia. É preciso, portanto, um pouco de paciência e força de vontade no começo para conseguir seguir firme em seu propósito.

Mulher mais velha fazendo feira, comprando legumes, idosa, terceira idade - iStock - iStock
Imagem: iStock

2. Seu paladar vai mudar

As comidas industrializadas são gostosas por terem na composição uma carga alta de temperos, sódio, gorduras e açúcar. Com o tempo, se o consumo for frequente, o paladar fica limitado a esses sabores e acaba deixando de aceitar outras opções mais naturais.

Mas essa situação é reversível. Ao inserir novas —e saudáveis — opções no cardápio, e persistir nessa meta, o paladar será exposto ao sabor natural dos alimentos, ou de temperos mais naturais, e irá se adaptar. Com o tempo, isso se tornará um hábito e você vai aceitar melhor esses alimentos, inclusive desejando comê-los.

Saúde do coração, saúde cardiovascular, saúde cardíaca - iStock - iStock
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3. Você terá menos risco de morrer do coração

Há inúmeros estudos ligando o consumo de fast-food com problemas cardíacos. Um deles, da Universidade de Newcastle, da Austrália, mostrou que as áreas com maior concentração de restaurantes desses tipos de alimentos têm uma alta taxa de ataques cardíacos, indicando que o fácil acesso a essa alimentação pode aumentar o risco para esse tipo de evento.

Em outra análise, dessa vez publicada no periódico The Lancet, os pesquisadores concluíram que, globalmente, 1 em cada 5 mortes em 2017 estava associada a uma dieta pobre, com as doenças cardiovasculares no topo das causas mais comuns.

A maioria dos alimentos de fast-food são ricos em sódio, gordura e muitas calorias. Em grandes quantidades, esses itens contribuem para o aparecimento de doenças cardiovasculares, como a hipertensão, e aumentam os riscos para eventos cardíacos, como infarto.

Dessa forma, reduzir o consumo desses itens e incluir alimentos frescos e saudáveis (frutas, legumes, verduras, cereais etc.) pode reduzir os riscos desses eventos.

emagrecer; alimentação - iStock - iStock
Imagem: iStock

4. Você vai reduzir a inflamação do seu corpo

O excesso de gordura, sal e calorias estimula no corpo a produção de substâncias que o deixam em um constante estado inflamatório. Isso cria um efeito em cascata no organismo e o deixa vulnerável para o aparecimento de outras doenças, como obesidade, diabetes e até asma.

O estado inflamatório do corpo também pode prejudicar a estrutura dos neurônios, favorecendo o aparecimento de doenças como demência (em especial, Alzheimer) e Parkinson.

Meditação - iStock - iStock
Imagem: iStock

5. Sua saúde mental vai melhorar

Um dos resultados do estado inflamatório crônico do organismo é a falta de energia e desânimo para realizar atividades do dia a dia. Isso pode prejudicar a rotina do indivíduo, levando até mesmo a estados depressivos.

Por outro lado, incluir alimentos saudáveis no dia a dia melhora o funcionamento do corpo —em especial, a produção de neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar, como a serotonina e a endorfina, melhorando o humor e reduzindo a ansiedade.

Com o humor equilibrado, as chances de a pessoa ter mais disposição para as atividades do dia a dia e até incluir uma atividade física na rotina aumentam, o que só eleva os benefícios para o corpo.

sono, dormir - iStock - iStock
Imagem: iStock

6. Você vai dormir melhor

Um estudo da Universidade de Adelaide, na Austrália, e publicado no periódico Nutrients, mostrou que indivíduos com consumo de alimentos ricos em gorduras têm maior propensão a dormirem durante o dia, ter problemas durante o sono da noite e ainda mais risco de sofrerem de apneia do sono.

Uma noite de sono ruim e a sonolência do dia ainda aumentam o desejo por comidas calóricas e gordurosas —transformando o problema em um ciclo vicioso.

Protetor, hidratante e esponja: Produtos para manter a pele bonita no verão - Getty Images/Tetra images RF - Getty Images/Tetra images RF
Imagem: Getty Images/Tetra images RF

7. Sua pele vai melhorar

O maior órgão do corpo humano também sofre com o estado inflamatório: é comum que o alto consumo de fast-food aumente a oleosidade da pele e acabe estimulando o surgimento de acne.

Além disso, o aumento dos radicais livres no corpo acaba acelerando o envelhecimento das células do tecido. Resultado: começam a surgir mais rugas e linhas finas, e a pele pode perder o viço rapidamente.

Por fim, alguns estudos ligam o estado inflamatório provocado pela má alimentação ao surgimento de dermatites e alergia de pele.

Quando o fast-food é permitido?

Se você não tem problemas de saúde, o peso está dentro do ideal e os hábitos de alimentação são saudáveis durante as refeições diárias, não há problema em abrir uma exceção e comer um lanche ou outro alimento de fast-food uma vez por mês.

Nessa ocasião, vale tentar equilibrar a refeição: comer um lanche menor para consumir a batata frita, ou trocar o refrigerante por um suco. A ideia não é passar vontade, mas não exagerar na quantidade de calorias ingeridas na refeição.

Mas, se você começou sua reeducação há pouco tempo, se os exames ainda estão alterados e a rotina saudável ainda é um desafio, o melhor é esperar que os novos hábitos estejam bem estabelecidos para abrir essa exceção.

Fontes: Angelica Grecco, nutricionista do Instituto EndoVitta; Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e da SEE (Sociedade Europeia de Endocrinologia); Raquel Penha e Silva, nutricionista da ON-Centro Integrado de Evolução Corporal.

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Alopecia frontal: uso de cosméticos pode prejudicar quem tem predisposição

Homem careca - mediaphotos/IStock
Homem careca Imagem: mediaphotos/IStock

Sarah Schmidt

Da Pesquisa FAPESP

11/04/2021 12h11

Há 20 anos, em seu consultório em Curitiba, a dermatologista Fabiane Brenner, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), atendeu uma mulher de 87 anos queixando-se de que o cabelo estava caindo e "andando para trás", como ela dizia.

A causa, descobriu a médica, é a alopecia frontal fibrosante, um tipo de queda de cabelo ainda sem cura. Em geral ocorre em mulheres na pós-menopausa, mas tem sido diagnosticada em jovens e às vezes em homens.

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É o resultado de um processo inflamatório e a consequente destruição dos chamados folículos capilares, que contêm a raiz do cabelo: a cicatrização da pele ao redor dos folículos impede que os fios nasçam ali.

A linha do couro cabeludo regride - em média 1 centímetro por ano - e torna a testa cada vez mais alongada. É um fenômeno distinto da calvície, que tem origem diferente.

Brenner reuniu esse e outros cinco casos, provavelmente os primeiros descritos no país, em um artigo publicado em 2007 na revista Anais Brasileiros de Dermatologia.

Nos últimos anos, como outros médicos, ela tem observado um aumento no número de casos - atualmente, cinco novos por mês, em seu consultório e no Ambulatório de Desordens do Cabelo do Hospital de Clínicas da UFPR.

Pesquisas mais recentes associaram a alopecia frontal ao uso de cosméticos, que poderiam desencadear processos inflamatórios em quem já tem predisposição genética.

Brenner participou de uma delas, resultando em artigo científico publicado em março de 2021 na revista Journal of the American Academy of Dermatology, que indicou o uso contínuo de hidratantes ou sabonetes faciais comuns, não receitados por dermatologista de acordo com o tipo de pele, como responsáveis por aumentar em duas vezes o risco de desenvolver a inflamação.

"Os compostos químicos do sabonete ou hidratante que tocam a linha do couro cabeludo poderiam penetrar nos folículos capilares, induzindo o processo inflamatório que resulta na queda de cabelo", propõe o dermatologista Hélio Miot, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu e coautor do estudo.

Segundo ele, compostos de cosméticos como os hidratantes, que precisam ficar na pele, sem enxágue, teriam condições ainda mais favoráveis para chegar aos folículos.

As conclusões desse trabalho se apoiaram em informações de 902 pacientes de 11 centros dermatológicos do país, integrando grupos de pesquisa de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Brasília.

Os participantes responderam a um questionário on-line sobre eventuais alergias e desequilíbrios hormonais, alimentação e cuidados com os cabelos e a pele durante os cinco anos anteriores aos primeiros sintomas (além da queda de cabelo, falhas na sobrancelha e em outros pelos do corpo, sensibilidade e coceira no couro cabeludo).

Em seguida, eles foram divididos em dois grupos: metade com alopecia frontal fibrosante (96% mulheres, com idade média de 53 anos) e metade, o grupo-controle, com outros tipos de queda de cabelo. Nas pessoas com alopecia frontal, o diagnóstico foi feito, em média, aos 47 anos (pré-menopausa) e 9% tinham histórico da doença na família.

"Encontramos uma família no estado de São Paulo com sete pessoas com esse problema", relata Miot. "Estudos anteriores já haviam apontado uma base genética para o desenvolvimento da doença, que estaria ligada ao HLA [antígeno leucocitário humano], uma molécula que dispara as reações contra agentes externos e, nesse caso, poderia causar a inflamação responsável pela destruição dos folículos."

Para a dermatologista Cristina Figueira de Mello, do Ambulatório de Cabelos e Unhas do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), "os resultados poderiam decorrer do uso intensivo de cosméticos nas últimas décadas". Segundo a médica, que não participou do estudo, esse tipo de queda de cabelo deve decorrer do uso combinado de "produtos que desencadeiam uma reação inflamatória em pessoas geneticamente predispostas".

Descrita pela primeira vez em 1994 na Austrália, a alopecia frontal tem sido associada ao uso de protetores solares, embora não exista consenso entre os dermatologistas. Em pesquisa publicada em abril de 2019 na revista British Journal of Dermatology, dermatologistas australianos entrevistaram 260 mulheres, metade com alopecia frontal, e constataram que 92% das que tinham esse problema usavam filtro solar de forma regular, ante 40% do outro grupo.

As que usavam hidratantes faciais eram 62% e 55%, respectivamente, em cada grupo. Os pesquisadores concluíram que a alta frequência no uso de protetor solar apoiaria a hipótese de que seu uso na região da testa poderia estar associado ao problema.

Pesquisadores espanhóis, com base em um questionário respondido por 770 pessoas, também associaram esse tipo de queda de cabelo com o uso de filtros solares em mulheres e o emprego de creme anti-idade em homens, como relatado em um artigo em junho de 2019 na revista Clinical and Experimental Dermatology.

Eles concluíram que a alopecia frontal parece estar associada à utilização de protetores solares e cremes anti-idade, além de questões hormonais e comorbidade como rosácea e hipotireoidismo.

Já no estudo de Brenner, os pesquisadores não encontraram essa mesma relação observada na Austrália e Espanha: 40% das pessoas com alopecia pesquisadas no Brasil relataram a aplicação de protetor solar de forma regular há mais de cinco anos, enquanto 35% das do grupo-controle o usavam - uma diferença mínima entre os dois grupos.

"O efeito dos filtros ainda é um assunto controverso", afirma Miot. Para ele, o resultado do estudo brasileiro poderia ser explicado por diferenças na composição dos produtos.

"Cada país tem uma legislação própria sobre o emprego de conservantes e estabilizantes em protetores solares e outros cosméticos. É uma hipótese. Isso não quer dizer que aqui exista uma regulação melhor, apenas que elas são diferentes", diz. "Em uma próxima etapa da pesquisa, tentaremos avaliar separadamente os efeitos das substâncias dos sabonetes e hidratantes."

Brenner destaca que, apesar de alguns estudos internacionais sinalizarem uma correlação do uso do filtro solar com alopecia frontal fibrosante, ela não recomenda a suspensão de seu uso.

"No Brasil, especialmente na região Sul, com muitas pessoas de pele clara e alta incidência de câncer de pele, a suspensão do uso do filtro solar pode ser mais prejudicial do que protetora da alopecia frontal", afirma.

Alisamento com formol

Outro produto relacionado à alopecia frontal fibrosante é o alisante capilar com formol, que poderia aumentar em três vezes o risco de desenvolver a inflamação, concluiu o grupo da UFPR e da Unesp. "Isso não significa que o formol cause a doença, mas que ele poderia favorecer seu surgimento em pacientes geneticamente predispostos.

É um fator de risco e não uma causa", pontua Brenner, que coordena o Departamento de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). "O alisamento com formol é uma peculiaridade do estudo brasileiro."

Em 2019, 35% dos agentes de fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de 21 estados e do Distrito Federal relataram ter encontrado cosméticos com mais formol do que é permitido.

A legislação brasileira limita a 0,2% a concentração dessa substância, como conservante, em produtos cosméticos. Seu uso como alisante é proibido porque precisaria necessariamente ter uma concentração maior para proporcionar o efeito desejado. Além de causar a queda de cabelo, o formol é cancerígeno e irritante para a pele, entre outros efeitos indesejados.

"Os componentes de alisantes e das tinturas de cabelo poderiam ter um efeito similar aos do filtro solar, ativando a resposta inflamatória nos folículos", afirma a dermatologista Letícia Kusano, primeira autora de um estudo de maio de 2019 da revista Anais Brasileiros de Dermatologia. Nesse trabalho, 86% de 39 mulheres entrevistadas, todas com alopecia frontal, usavam tinturas e produtos para alisamento dos cabelos e 39% empregavam protetor solar de forma rotineira.

Usar xampus antirresíduos poderia proteger contra esse tipo de queda de cabelo, segundo o estudo do grupo da UFPR e da Unesp.

Segundo Miot, outra forma de prevenir o problema seria usar sabonetes infantis ou próprios para o rosto, cujos componentes não causam irritação, alergias e, em consequência, inflamação dos folículos.

Uma vez diagnosticada, a alopecia frontal pode ser tratada com anti-inflamatórios e bloqueadores de hormônios, que podem parar a queda dos cabelos. Se o folículo não foi destruído, os fios podem voltar a crescer.

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Professora de ioga acha mofo em casa; fungo oferece sérios riscos à saúde

@yoga_girl/Reprodução Instagram
Imagem: @yoga_girl/Reprodução Instagram

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

11/04/2021 15h52

A professora de ioga sueca Rachel Brathen, também conhecida como Yoga Girl, descobriu que alguns dos problemas de saúde que ela estava enfrentando foram causados devido a presença de mofo em sua casa.

O mofo é um fungo que vive em locais escuros e úmidos. Sua presença indica que o local tem grande umidade, o que pode causar a proliferação excarcerada de outros microorganismos, como o ácaro. Na residência da professora, o fungo estava atrás das paredes e por isso, não era facilmente notado.

Tosse, eczema, problemas de sinusite, fadiga e desequilíbrio endócrino foram alguns dos quadros citados por Rachel.

Mauro Gomes, médico pneumologista chefe de equipe de Pneumologia do Hospital Samaritano de São Paulo, aponta que é possível que o fungo tenha causado os problemas respiratórios na esportista. O mofo também pode desencadear asma e provocar dermatites.

Mas principal risco, de acordo com Gomes, é a pneumonia por hipersensibilidade — do qual Rachel provavelmente conseguiu se proteger a tempo, descobrindo que a condição em que a casa se encontrava.

"Trata-se de uma doença muito grave, que se não identificada, leva à fibrose do pulmão, uma condição irreversível pela qual a pessoa perde a capacidade respiratória. Pacientes com o quadro precisam usar cilindro de oxigênio e podem precisar de transplante", diz.

"Às vezes o mofo é visível, outras vezes não. Pode dar para sentir o cheiro, mas às vezes quem mora em um ambiente assim se acostuma com o odor", diz Mauro.

Em seu Instagram, Rachel disse que passou 20 minutos em seu carro chorando com a experiência. "Estranhamente são anos de alívio porque consegui a afirmação de que não sou eu; não está na minha cabeça, parece que estou respirando fundo há muito tempo."

Controle do ambiente é o mais importante

De acordo com o médico alergista Marcello Bossois, é possível diagnosticar se o paciente está sensível a fungos — o que pode indicar a presença deles nos ambientes — com um teste de punctura, também conhecido como "Prictest".

"Um alergista ou imunologista é capaz de realizar diagnóstico e começar a tratar o paciente, mas o mais importante é que haja o controle de ambiente", aponta Bossois, que é pesquisador na Universidade Laval, no Canadá, e coordenador técnico do Projeto Brasil Sem Alergia.

A dica do alergista é redobrar a atenção em ambiente naturalmente úmidos, como residências perto de praias.

"Algumas ações que ajudam é pintar as paredes com tinta antimofo, comprar móveis impermeáveis ou proteção para eles (um plástico grosso fechado com fita já basta) e realizar a limpeza com frequência."

Sinais de que você pode estar convivendo com o mofo

  • Espirros e tosse e crises de asma frequentes sem causa aparente
  • Cansaço e falta de ar
  • Cheiro forte
  • Manchas escuras nas paredes, móveis e roupas
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7 coisas que acontecem no corpo quando paramos de comer fast-food

Reduzir o consumo de alimentos ricos em gorduras e sódio melhora a saúde física e mental - iStock
Reduzir o consumo de alimentos ricos em gorduras e sódio melhora a saúde física e mental Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

13/04/2021 04h00

Resumo da notícia

  • O consumo de lanches e comidas prontas aumentou após o início da pandemia
  • Mas reduzir o consumo de alimentos ricos em gorduras e sódio melhora a saúde física e mental
  • Cortar esses alimentos ajuda a melhorar o humor, evitar doenças como diabetes e Alzheimer e até reduz o risco de infarto

Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e carnes magras, é a recomendação de todos os especialistas médicos para manter o corpo funcionando bem e saudável por mais tempo. Mas, para muitas pessoas, não é tão fácil assim seguir esse padrão alimentar, principalmente após a chegada do novo coronavírus.

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Confira a seguir o que

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'West Side Story', incrível, aos 60

Há quem o considere hoje o maior musical do cinema, maior até que 'Cantando na Chuva'

"West Side Story", o filme —no Brasil, "Amor Sublime Amor"—, vai fazer 60 anos. Estava em trabalho de parto nesta exata época do ano, em 1961, sendo rodado em Nova York e Hollywood, montado e mixado. Estreou em novembro e, um mês depois, chegou ao Rio, no cinema Vitória, na Cinelândia —dois meses antes de Londres, três antes de Paris, nove antes de Roma. Tínhamos prestígio.

O maestro Julio Medaglia me disse que, hoje, acha-o o maior musical do cinema, maior até que "Cantando na Chuva". Não é absurdo, mas, em 1962, quando o mundo efetivamente se encantou com "West Side Story", nenhum crítico importante teve essa opinião. O maior, então, era "Sinfonia de Paris" (1951). "Cantando na Chuva" estava fora das telas desde seu lançamento, em 1952, e só voltaria em 1975, quando a MGM o relançou. Muitos o viram ali pela primeira vez e, desde então, sua cotação disparou. Ninguém mais votou em "Sinfonia de Paris". Mas "West Side Story" pode, sim, disputar o título.

O filme, dirigido por Robert Wise e Jerome Robbins, tem as maiores sequências de dança coletiva que conheço, principalmente "Cool", aquela da garagem. As canções de Leonard Bernstein e do jovem Stephen Sondheim são extraordinárias e a serviço da ação —nenhuma tem função decorativa. Revi o filme há dias, numa edição restaurada de 2002, em DVD, e só lamento por quem nunca vibrou com ele numa tela de cinema, maior que a vida.

Wise e Robbins já morreram, assim como Natalie Wood, mas Richard Beymer (Tony), Russ Tamblyn (Riff), Rita Moreno (Anita) e George Chakiris (Bernardo) estão vivos e ativos. Eram também jovens e nunca mais fizeram nem sequer parecido.

E por que "West Side Story" se tornou aqui "Amor Sublime Amor"? Por causa da valsa-canção "Rosa", de Pixinguinha e Otavio de Souza, de 1937: "Tu és/ A forma ideal/ Estátua magistral/ Oh, alma perenal/ Do meu primeiro amor/ Sublime amor".

Livro, roteiro, anúncio de jornal e LPs e CDs originais com a música de “West Side Story”
Livro, roteiro, anúncio de jornal e LPs e CDs originais com a música de “West Side Story” - Heloisa Seixas

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"Sou submisso, masoquista e podólatra": adepto do BDSM conta experiências

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Imagem: iStock

Colunista de Universa

18/04/2021 04h00

O universo BDSM é diverso e praticamente impossível de ser 100% compreendido e mapeado. Ele segue algumas diretrizes universais, como a necessidade de consenso para realização das práticas, mas fora algumas regras básicas, ele é cheio de variações e nuances.

Tenho aprendido muito conversando com dominatrixes profissionais e recentemente tive curiosidade de começar a entender as pessoas "atendidas" por elas.

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Recebi a indicação do Schiavo Renato, engenheiro, do interior de São Paulo. Ele é casado, tem filhos e faz questão de comentar que tem uma relação maravilhosa com a sua esposa, que não é praticante de BDSM, mas sabe das suas práticas desde o início e as aceita com tranquilidade e respeito.

Aprendi muito nessa conversa, sobre a experiência de um submisso e sobre mim também. Percebo como é fácil a gente se apegar a esteriótipos e definições simplistas a respeito de pessoas que tem a coragem de viver os seus desejos. O Renato não tem nada do submisso inseguro que eu, de certa forma, desenhei em minha cabeça!

Aproveitei a nossa conversa para entender um pouco mais sobre as suas experiências. Tem mais curiosidades sobre a vida de um homem submisso? Deixa nos comentários e quem sabe rola uma parte 2 :)

Para começar, o que é ser submisso?

Considero que é a pessoa que sente prazer em servir, idolatrar e se submeter às vontades e desejos da parte dominante (lógico que na prática limites precisam ser determinados e respeitados).

Quando se interessou pela primeira vez por algo com a temática BDSM? Como foi?

Acredito que o praticante de BDSM já "nasce" BDSMer. O que quero dizer é que estes desejos intrínsecos sempre estiveram dentro de nós.

No meu caso, tenho inúmeras lembranças de infância onde eu gostava de brincadeiras onde eu era mandado pelas meninas, brincadeiras de "castigo" onde eu sempre fazia de tudo para perder e receber os castigos delas, ser maltratado ou preso por elas. Lembro também de ficar vendo fotografias de mulheres de botas em revistas femininas, ficar olhando os pés de amigas, etc.

Como foi a transição de se interessar pelo tema para realizar alguma prática?

Quando fiz 18 anos vi um anúncio nos classificados de um jornal que dizia algo como: "Sua dor é meu prazer, venha beijar meus pés, vou baforar a fumaça de meu cigarro na sua cara..." Fiquei encantado com aquilo, prontamente liguei para a anunciante, combinamos de nos encontrar e tive minha primeira sessão.

Dentro do BDSM, quais práticas te interessam?

Eu me considero submisso, masoquista e podólatra. Curto práticas como podolatria (adoração de pés, botas, sapatos femininos, ser pisado, massagear e idolatrar pés, etc), servidão doméstica (mandado a fazer serviços domésticos), spanking (apanhar com acessórios como chicotes, bambu, tapas, etc), velas (queimado com cera das velas), bondage (ser amarrado, preso), ponyplay (ser montado como cavalo), humilhações de forma geral, entre outras.

Como você encontra pessoas para realizar as práticas?

Antigamente era mais complicado, mas com a chegada da internet o acesso e conexão entre pessoas do meio ficou fácil e rápido. Hoje existem diversos canais específicos, como websites, comunidades, redes sociais de relacionamento e plataformas direcionadas ao tema.

Sempre parto do pressuposto que antes de qualquer encontro, o ponto crucial no BDSM é o alinhamento das expectativas das partes, uma conversa num local público e seguro é um caminho que busco seguir antes de me entregar fisicamente a alguém.

Há algum equívoco comum que as pessoas pensam sobre ser um submisso que você pode apontar o que está errado?

Na minha visão, o conceito normalidade é relativo, "o que é normal da aranha é o caos para mosca" já dizia Morticia Addams. Se a pessoa se sente confortável, se a submissão (ou mesmo a dominação) levar a felicidade, ao prazer, por quê reprimi-la?

Ser submisso é algo que se relaciona com todos os aspectos da sua vida (familiar, pessoal, profissional) ou há uma separação entre eles?

Tenho duas vidas e amo as duas. Amo minha vida baunilha (baunilha = convencional/não praticantes de BDSM) e amo minha vida BDSM. São pessoas diferentes e de comportamentos diferentes. Uma vida de uma pessoa lotada de tomada de decisões e outra que apenas obedece e segue ordens.

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Xuxa é detonada por dizer que queria ser negra em papo com Taís Araújo

Taís Araújo entrevista Xuxa no "Superbonita" - GNT/Reprodução
Taís Araújo entrevista Xuxa no 'Superbonita' Imagem: GNT/Reprodução

Do UOL, em São Paulo

18/04/2021 14h56

Um vídeo de uma entrevista de Xuxa para Taís Araújo, exibida no "Superbonita" do GNT em março, acabou viralizando no Twitter na tarde de hoje. A apresentadora foi duramente criticada nas redes por dizer que gostaria de ser uma mulher negra em uma próxima encarnação.

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"Taís, eu gostaria de vir com a sua cor, seu cabelo, sua pele", disse Xuxa, ao ser perguntada como gostaria de vir em outra vida. Taís, então, rebateu. "Ser preta não é mole não. Depois te conto o que é vir preta nesse país e nesse mundo", alertou a atriz.

"Eu ia me amar muito, ia me olhar no espelho toda hora", continuou Xuxa. "Eu também me amo, mas o problema não sou eu. É o mundo lá fora", explicou Taís. "Quando eu olho as pessoas com a cor da sua pele, o seu cabelo... Eu tenho pouco cabelo. Tenho uma pele que queria muito que fosse dourada, morena, negra. Se pudesse escolher, queria vir assim", reforçou Xuxa. "Pede pra vir com o espírito preparado pra aguentar bomba também", concluiu Taís.

No Twitter, o vídeo foi compartilhado milhares de vezes e levou o nome de Xuxa aos assuntos mais comentados do momento. "A Taís foi muito paciente, eu teria deixado ela falando sozinha", reclamou uma. "Alguém interdita essa mulher", pediu outro. "Cada vez sinto mais vergonha de ter crescido fã da Xuxa", lamentou mais um.

Recentemente, Xuxa também foi criticada nas redes sociais após afirmar, durante uma live, que gostaria que presidiários fossem utilizados para testes de produtos ao invés de animais. A apresentadora se desculpou.

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Adnet usa vídeo de ex-BBBs para criticar aglomerações: 'Show de horrores'

Marcelo Adnet critica aglomeração de influencer durante a pandemia - Reprodução/Instagram
Marcelo Adnet critica aglomeração de influencer durante a pandemia Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/04/2021 13h31

Atualizada em 18/04/2021 16h35

Marcelo Adnet criticou influenciadores digitais que fazem aglomerações para criar vídeos virais durante a pandemia do novo coronavírus, que aflige o país desde março do ano passado.

O humorista postou, em sua conta no Twitter, uma reclamação sobre o assunto: "Chocante entrar no Instagram e perceber que influencers seguem aglomerando para fazer dancinhas e coreografias em meio a propagandas de shakes e chás emagrecedores. Lipo, rino, harmonização, bichecto. Um show de horrores. Talvez eu esteja apenas velho", escreveu.

Marcelo Adnet fala sobre a paternidade: 'Muda tudo'

Em seguida, ele postou um vídeo gravado no começo do mês, onde ex-BBBs como Flayslane, Munik Nunes, Hariany Almeida e Paula Sperling, além da ex-A Fazenda MC Mirella, a influencer Lais Bianchessi e outras fizeram uma coreografia para o canal do youtuber Rezende, sem respeitar o distanciamento social e sem usar máscaras de proteção. "Pandemia, quase 400 mil mortos", legendou.

A crítica feita por Adnet recebeu apoio de outros artistas. Ingrid Guimarães chamou a situação de "inacreditável, deprimente". Maria Bopp também se manifestou: "Gente ruim", escreveu ela em resposta ao tuíte do humorista. Armando Babaioff ironizou: "O mundo que está de pernas pro ar, mas com os dentes cada vez mais brancos".

Ontem, a pandemia da covid-19 registrou 2.865 mortes em 24 horas. Desde o começo da emergência sanitária no Brasil, o país já teve 13.900.134 casos confirmados da doença, e 371.889 óbitos.

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'Elite poluidora': ricos do mundo precisam reduzir consumo para conter mudanças climáticas, diz grupo científico

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Estilo de vida dos mais ricos, com voos de avião e carros grandes, resulta em uma emissão de carbono muito maior Imagem: PA Media

Roger Harrabin

BBC News

18/04/2021 16h35

Atualizada em 18/04/2021 16h58

O 1% mais rico da humanidade produz o dobro das emissões de carbono dos 50% mais pobres do mundo juntos e, por isso, precisa mudar radicalmente seu estilo de vida para ajudar no combate às mudanças climáticas, aponta um relatório britânico publicado na última semana.

Um grupo um pouco maior, o dos 5% mais ricos do mundo — a chamada "elite poluidora" —, contribuiu com mais de um terço (37%) do crescimento das emissões de carbono entre 1990 e 2015.

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Por conta disso, os autores do relatório defendem reduções drásticas no "excesso de consumismo", desde evitar o uso de veículos utilitários esportivos (SUV) poluidores até redução nas múltiplas viagens aéreas em voos comerciais ou jatos particulares.

O relatório é da Comissão de Cambridge para Mudanças Comportamentais de Escala, um painel de 31 pesquisadores que estudam comportamento humano relacionado ao meio ambiente e que se dedicam a encontrar formas eficientes de escalonar iniciativas que combatam a emissão de carbono.

Críticos dessas conclusões afirmam que a melhor forma de conter as emissões de carbono é por melhorias tecnológicas, em vez de por medidas impopulares.

Mas o principal autor do estudo, Peter Newell, professor da Universidade de Sussex (Reino Unido), afirmou à BBC News que, embora seja "totalmente a favor de melhorias tecnológicas e produtos mais eficientes, está claro que será necessária uma ação mais drástica, porque as emissões (de carbono) continuam subindo".

"Temos de conter o excesso de consumo, e o melhor lugar para começar é com o excesso de consumo entre as elites poluidoras, que contribuem com muito mais de o que lhes caberia nas emissões de carbono", agregou.

"Essas são as pessoas que mais viajam de avião, dirigem os carros maiores, vivem nas maiores casas, para as quais podem facilmente pagar o aquecimento, então não tendem a se preocupar muito quanto a se essas casas são bem isoladas (termicamente) ou não. E também são as pessoas que poderiam adquirir um bom isolamento térmico e painéis solares, se quisessem."

Newell afirmou que, para enfrentar o aquecimento global, todas as pessoas precisam se sentir parte de um esforço coletivo - o que significa que os ricos precisam consumir menos e dar o exemplo aos mais pobres.

"Ricos que viajam muito de avião podem achar que compensam suas emissões com projetos de plantio de árvores, para capturar o carbono do ar. Mas esses projetos são altamente contenciosos e não têm comprovação a longo prazo. (Os mais ricos) precisam simplesmente viajar menos de avião e dirigir menos. Mesmo que eles tenham um carro utilitário elétrico, ele ainda é um dreno ao sistema de de energia, e há todas as emissões emitidas na construção do veículo", prossegue o pesquisador.

Em resposta, Sam Hall, da Rede Ambiental Conservadora, afirmou que "é importante enfatizar a importância da igualdade (nos cortes de emissões) - e políticas podem facilitar que pessoas e negócios se tornem mais ambientalmente corretos por meio de incentivos e regulação direcionada. Mas encorajar tecnologias limpas é provavelmente mais eficiente e tem mais chance de conquistar consenso entre o público do que penalidades ou restrições ao estilo de vida".

No entanto, Newell argumenta que as estruturas políticas atuais permitem aos mais ricos fazer lobby contra mudanças necessárias na sociedade que possam interferir em seu estilo de vida.

Um exemplo recente é o da Assembleia do Clima do Reino Unido, iniciativa que propôs uma série de medidas para conter comportamentos de alta emissão de carbono — como desincentivos ao alto consumo de carne vermelha e derivados de leite, veto a utilitários poluidores e taxas a viajantes aéreos frequentes.

Um empecilho citado pela Secretaria do Tesouro britânica é que, para taxar viajantes frequentes, seria necessário que o governo coletasse e armazenasse dados pessoais dos passageiros, abrindo debates em torno da privacidade.

Mas, para a comissão de Cambridge, só será possível alcançar as metas do Acordo Climático de Paris com "mudanças radicais em estilos de vida e em comportamentos, especialmente entre os membros mais ricos da sociedade".

"Para haver mudanças na velocidade e na escala exigidas para o cumprimento das metas, precisamos encolher e dividir: reduzir o carbono e distribuir (a riqueza) mais igualmente".

O relatório é o mais recente dentro de um amplo debate em torno de o que significa ser "justo" no âmbito do combate às mudanças climáticas.

Países mais pobres, como a Índia, costumam argumentar que deveriam poder aumentar sua poluição, uma vez que sua emissão de carbono per capita é menor do que a de países ricos.

Essas questões são parte da intrincada negociação que fará parte da conferência climática marcada para a semana que vem e organizada pelo presidente americano, Joe Biden. E também da conferência COP, que será em novembro no Reino Unido.

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ICMBio fica sem recursos para atividades básicas e pode paralisar de vez

Ligado ao ministério do Meio Ambiente, o ICMBio vive uma fase de extrema restrição de recursos - Agência Brasil
Ligado ao ministério do Meio Ambiente, o ICMBio vive uma fase de extrema restrição de recursos Imagem: Agência Brasil

André Borges

15/04/2021 21h55

A situação de penúria financeira do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) deverá paralisar boa parte das operações do órgão federal nas próximas semanas. Ligado ao Ministério do Meio Ambiente, o ICMBio vive hoje, sob o comando do ministro Ricardo Salles, uma fase de extrema restrição de recursos, o que levou o próprio órgão a elencar uma série de paralisações que terá de executar, devido ao corte de recursos.

Em um ofício enviado no dia 29 de março ao presidente do ICMBio, Fernando Cesar Lorencini, a Diretoria de Planejamento, Administração e Logística do órgão afirma que, dada a situação atual, terá que suspender os serviços de aeronaves para combate a incêndios florestais a partir deste mês. O órgão alerta sobre a necessidade de suspender a circulação da frota de carros do ICMBio ainda em abril, afetando diretamente as operações de fiscalização, prevenção e combate a incêndios, além de monitoramento de espécies ameaçadas.

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A partir de maio, afirma no ofício, será preciso fazer o fechamento das brigadas de incêndio, "medida que pode prejudicar os trabalhos de prevenção e combate a incêndios florestais nas unidades de conservação federais, o que poderá acarretar em elevado dano ao meio ambiente".

Outro corte diz respeito à limitação imediata de diárias e passagens para atividades administrativas e, por fim, atividades de fiscalização e combate a incêndios. A diretoria do ICMBio chama a atenção para o fato de que, durante o processo de construção do Orçamento de 2021, informou que o recurso previsto para o órgão "não seria capaz de cobrir as despesas mínimas para a manutenção de suas atividades básicas, o que poderia causar prejuízo às suas atividades finalísticas".

O ICMBio é o órgão responsável pelas unidades de conservação federais e foi criado em 2007, a partir da cisão de uma área do Ibama. A autarquia do MMA cuida de 334 unidades protegidas em todo o País. Já o Ibama é responsável pela fiscalização ambiental em todo o País e processos de licenciamento federais, entre outras funções.

A partir de maio, afirma no ofício, será preciso fazer o fechamento das brigadas de incêndio, "medida que pode prejudicar os trabalhos de prevenção e combate a incêndios florestais nas unidades de conservação federais, o que poderá acarretar em elevado dano ao meio ambiente".

Outro corte diz respeito à limitação imediata de diárias e passagens para atividades administrativas e, por fim, atividades de fiscalização e combate a incêndios. A diretoria do ICMBio chama a atenção para o fato de que, durante o processo de construção do Orçamento de 2021, informou que o recurso previsto para o órgão "não seria capaz de cobrir as despesas mínimas para a manutenção de suas atividades básicas, o que poderia causar prejuízo às suas atividades finalísticas".

O ICMBio é o órgão responsável pelas unidades de conservação federais e foi criado em 2007, a partir da cisão de uma área do Ibama. A autarquia do MMA cuida de 334 unidades protegidas em todo o País. Já o Ibama é responsável pela fiscalização ambiental em todo o País e processos de licenciamento federais, entre outras funções.

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'Existe no país um projeto ecocida', diz Araquém Alcântara

 Araquém Alcântara tem 50 anos de carreira, boa parte dedicada a mostrar a paisagem brasileira - Reprodução/Facebook/araquemoficial
Araquém Alcântara tem 50 anos de carreira, boa parte dedicada a mostrar a paisagem brasileira Imagem: Reprodução/Facebook/araquemoficial

João Prata

Em São Paulo

17/04/2021 14h41

O fotógrafo Araquém Alcântara já foi quase uma centena de vezes à Amazônia e perdeu as contas de quantas outras esteve no Pantanal. São 50 anos de carreira, boa parte dedicada a mostrar a paisagem brasileira. Nos dois últimos anos, registrou duas tragédias ambientais nesses biomas.

Em 2019, ele sobrevoou a Floresta Amazônica em chamas, com mais de 15 mil focos de incêndio, e ficou chocado, também, com a invasão das mineradoras nos rios da região. "Mais uns anos assim e não vai ter mais nada", avaliou. No ano passado, entre agosto e setembro, Araquém fotografou o Pantanal, a maior planície alagada do mundo. A paisagem lhe lembrou a terra seca, rachada, do sertão nordestino, com centenas de animais mortos e outros desesperados à procura de alimento. "Os riachos totalmente secos. Os bichos desorientados me impressionaram. Deu para perceber a gravidade da aridez. Elas chafurdavam no resto de lama."

A preocupação de Araquém agora é que tudo se repita em 2021 e se tornem rotina as queimadas por causa da ausência do poder público. "Passamos de março, já era para deputados da região estarem criando brigadas de proteção permanente, alertando para o início da seca, mas não se vê nada. A única atitude tem vindo de ONGs, moradores, fazendeiros e donos de pousadas."

Em suas redes sociais, Araquém divulgou as imagens que fez nesses 21 dias. Mas na comemoração de seus 50 anos de carreira, completados em 2020, optou por lançar livros que mostrassem também as belezas da natureza do Brasil, como uma advertência sobre a importância de preservar. Em dezembro, ele lançou um livro sobre a Serra do Amolar, no Pantanal, e criou o projeto Pindorama. Em outubro deve sair o livro sobre os 50 anos de carreira, com imagens dos trabalhos e fotos inéditas.

Por que decidiu lançar um livro sobre as belezas do Pantanal logo após sua maior tragédia?

Saiu muita coisa sobre as queimadas do Pantanal no ano passado. Eu já estava fazendo o livro sobre os meus 50 anos de fotografia, pela editora Vento Leste, que trata sobre os dois lados, a beleza e o fogo, o verso e o reverso. O do Pantanal é da minha editora, Terra Brasil. E agora vai sair um projeto digital, "on demand", chamado Pindorama, com imagens como se fosse o Brasil antes de Cabral. É um canto de amor ao País. Tenho sempre a beleza como fator fundamental porque a fotografia é uma serva da beleza, como diria Carlos Drummond de Andrade.

Você já tinha finalizado o livro quando aconteceu o incêndio?

Estava editando quando 28% do Pantanal foi embora. A área que foi queimada em 2020, segundo pesquisadores, supera em dez vezes a área de vegetação perdida em 18 anos. Em 2020, queimou 23 mil km².

Acredita que em 2021 pode haver nova tragédia na região?

Estamos no pico de seca e tudo pode acontecer de novo. Precisa de pelo menos cinco anos sem queimadas para recuperação do bioma perdido.

No seu livro você conta que há uma espécie fotografada que ainda nem havia sido registrada pelos biólogos.

As florestas são um grande laboratório de conhecimento. Tenho acompanhado a velocidade de desertificação nos últimos 50 anos. Estamos em um ponto crucial de mutação da floresta. Hoje ultrapassa 20% o perigo de, juntamente com as mudanças climáticas, vir a savanização.

O que acha que pode se feito para mudar esse cenário?

Só a opinião pública mundial e a abertura de estudos científicos nas florestas podem salvar do desmonte total. Quiseram acabar com áreas de manguezais, liberar garimpo. Existe um projeto ecocida no País. É um crime de lesa-humanidade.

Quais as soluções para evitar incêndios dessa proporção?

Há muito se fala em ter brigadas de incêndio permanente, conscientizar os moradores, realizar exercícios de combate ao fogo. Essa atitude precisa da intervenção e gerência do Estado, do poder público. E vai ter de ter uma movimentação da sociedade organizada.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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'Não foi uma absolvição', diz Gilmar sobre caso de Lula

Gilmar Mendes durante julgamento da anulação - Reprodução/Youtube
Gilmar Mendes durante julgamento da anulação Imagem: Reprodução/Youtube

Rafael Moraes Moura e Andreza Matais

Brasília

18/04/2021 16h00

Atualizada em 18/04/2021 18h23

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, avalia que a Operação Lava Jato provocou um "colapso" no Judiciário que atingiu da primeira instância até o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em entrevista ao Estadão, Gilmar disse que essas instâncias sucumbiram a "pressões políticas" da força-tarefa que comandou a operação em Curitiba. "O STJ não cumpriu adequadamente seu papel", afirmou.

Expoente da ala garantista, Gilmar reconhece que a correção de rumos imposta pelo STF coincide com o momento em que a Lava Jato caiu em desgraça, mas afirma que isso se deve à "estrutura hierárquica do Judiciário", em que o Supremo é o último a se manifestar.

O ministro ressalta que o Supremo anulou as condenações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por questões meramente processuais, ao concluir que os casos não deveriam ter ficado em Curitiba. O STF não entrou no mérito se o petista cometeu corrupção passiva e lavagem de dinheiro. "Não foi uma absolvição", observou.

Gilmar já fez duras críticas a posições adotadas pelo novato Kassio Nunes Marques que coincidem com os interesses do presidente Jair Bolsonaro, responsável por sua indicação. Mesmo assim, disse não ver riscos de uma Corte "bolsonarista" e afirmou que os vínculos políticos dos magistrados vão se "esmaecendo com o tempo".

Anular as condenações de Lula legitima o discurso do PT de que ele não praticou corrupção?

Não. O que o tribunal está mandando é para o juiz competente processar e julgar as denúncias. É isso. Não foi uma absolvição. Claro que cancela as condenações, mas manda que o juiz competente prossiga no seu julgamento.

Lula ainda tem um novo encontro com a Justiça?

Com certeza. Você viu que surgiu a dúvida sobre a vara competente, São Paulo ou Distrito Federal. Definida a competência, essa vara vai prosseguir (o trabalho).

O Sr. vê espaço para o plenário derrubar a suspeição do Moro?

Essa questão está resolvida. Porque, de fato, nós julgamos o habeas corpus (da suspeição de Moro na Segunda Turma). Nós temos que ser rigorosos com as regras processuais. Não podemos fazer casuísmo com o processo, por se tratar de A ou de B.

O julgamento de Lula pode provocar um efeito cascata e beneficiar outros réus?

Não vejo assim. O caso do Lula, no que diz respeito à suspeição, é muito delimitado. É uma situação muito personalista.

Lula ficou 580 dias preso, acabou afastado das eleições de 2018 e só agora o plenário do STF decidiu que Curitiba não tinha competência para julgá-lo. O Supremo dormiu no ponto?

Acho que não. Na verdade, o processo judicial é muito complexo. E ele segue toda essa escala: o juiz de primeiro grau; o tribunal intermediário, no caso deles, o TRF-4; o STJ; e o Supremo. Desde 2015, o STF vem afirmando que a competência de Curitiba não é universal.

Como explicar à sociedade que o Judiciário cometeu um erro que levou à prisão de uma pessoa?

Isso é fruto, primeiro, dessa estrutura hierárquica do Judiciário. O Supremo só fala por último. Essa questão do Lula (da competência de Curitiba) só aportou no Supremo em novembro. Agora, o Supremo, no caso do "quadrilhão do MDB", já tinha decisão. O caso da Gleisi (Hoffmann, presidente do PT) e do Paulo Bernardo é um antecedente, de 2015, e ali se assentaram balizas muito interessantes. Dizendo, por exemplo, que não bastava que um delator informasse vários fatos para justificar a competência de Curitiba.

Por que instâncias inferiores não foram na mesma linha?

Havia uma ânsia de decidir rapidamente, de acordo com aquilo que a Lava Jato tinha estabelecido. Se nós formos olhar, havia uma certa opressão dos tribunais que eram suscetíveis de serem oprimidos. O STJ, nesse período, foi submetido a uma pressão político judicial. Uma perseguição judicial. Por conta daqueles episódios ligados à nomeação do Marcelo Navarro (alvo de acusação na delação de Delcídio Amaral). O tribunal, ele próprio, perdeu a ossatura. Ele não cumpriu, adequadamente, seu papel.

O STF impôs uma correção de rumos à Lava Jato?

A Lava Jato sofreu inúmeras derrotas ao longo desse tempo. Mas por seus próprios méritos. Ou deméritos. Ela causou isso, na medida em que avançavam sobre competências que não tinham. A pergunta básica é: como que se deu tanto poder a uma força-tarefa? Em que lugar do mundo haveria isso? É alguma coisa que precisa ser explicada. Virou um esquadrão.

O Sr.. utilizou as mensagens de hackers como reforço para declarar Moro parcial.

Isso sugere uma subversão institucional. Houve, de alguma forma, um colapso aí, em termos de gestão administrativa. Esses problemas se multiplicam. De alguma forma, estão ocorrendo episódios semelhantes na 7.ª Vara do Rio de Janeiro. Em que aparece um super advogado (Nythalmar Filho, alvo de mandados de busca da PF), que teria relacionamento com o juiz (Marcelo Bretas), que teria trânsito com os procuradores, que faziam todas as delações... E tudo mais. Nesse mundo obscuro que é o Rio de Janeiro. O combate à corrupção não pode ser instrumento de corrupção.

No julgamento da suspeição de Moro, o sr. ficou frustrado com o voto de Nunes Marques, que foi contra declarar o ex-juiz parcial?

Eu saio do julgamento, o tema se encerra, e a vida segue com a mesma normalidade. Sou bastante enfático, como vocês sabem. Posso até ter adversários, mas não tenho inimigos, não.

O Sr. destacou que "não há salvação para o juiz covarde". O voto dele foi covarde?

Não estava falando sobre isso. É um artigo de Ruy Barbosa, que diz: "O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde". É uma expressão clássica. Estimula-se muito a técnica do não conhecimento (rejeição do processo por questões técnicas), para evitar enfrentar determinadas questões, especialmente em matéria criminal. Eu sou crítico disso, porque depois nós acabamos por chancelar brutais injustiças.

Após a indicação para o STF, qual deve ser a relação do ministro com o chefe do Executivo?

Tenho a impressão de que esses vínculos políticos vão se esmaecendo com o tempo. É natural e surge até um distanciamento...

Bolsonaro riu ao ser informado por um apoiador de que uma ação contra Alexandre de Moraes ficou nas mãos de Nunes Marques. Essa "bancada bolsonarista" que pode se formar dentro do STF não preocupa?

Acho que não. A vida é tão dinâmica, e as pessoas vão se conscientizando do seu papel. O que acontece é que talvez o momento político está tão crispado e acaba acontecendo que muitos políticos ficam falando para os seus convertidos: 'Ah, estou atuando nisso', mas o ministro Kassio simplesmente encaminhou para o arquivo essa matéria. Portanto, aqui não sinaliza nenhuma subordinação hierárquica ao presidente da República. Ao revés, mostra que simplesmente ele está seguindo a jurisprudência do STF.

O Sr. vê risco de um "Supremo bolsonarista"?

Não vejo, acho que as pessoas (os indicados) começam a fazer uma autocrítica do seu papel.

O senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) divulgou áudio de uma conversa reservada com Bolsonaro. O sr. vê crime nesse tipo de conduta?

Tudo isso é muito estranho. De fato, a gente tem de resguardar a figura do presidente da República. A impressão que ficou é de que um órgão que detém um tipo de soberania está muito vulnerável. A interdição do debate público e a criminalização da política estimularam aventureiros, que hoje compõem bancadas no Congresso, mas que não têm cultura política parlamentar. Espero que esses aventureiros não renovem mandato.

A Lei de Segurança Nacional é uma herança maldita da ditadura?

Nós temos muitas leis de ditadura. O próprio Código Penal e o Código de Processo Penal são de uma ditadura hoje considerada mais "soft", do Estado Novo, período Vargas. Mas eu torço para que, de fato, haja a substituição da Lei de Segurança Nacional. Que o Congresso faça um novo projeto, e a previsão expressa de uma lei de defesa do estado democrático de direito.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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