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Médico defende 3ª dose de vacina para idosos que receberam CoronaVac
Covid-19: o baluarte Nelson Sargento está muito grave no hospital
Conheça o personal trainer que está à frente de academia on-line com mais 40 mil alunos
Polícia Civil do Rio NÃO disponibiliza lista de dados SIGILISOS, como determina Lei de Acesso à Informação
O dia a dia de pessoas que escolheram viver em trailers no Rio
Mega-Sena: concurso acumula e prêmio sobe para R$ 100 milhões
Onda de perseguição a jornalistas e intelectuais aumenta sem parar
Pazuello é a face escancarada do intenso ativismo político do partido fardado
Partido Militar fabrica mais uma crise
Com as costas quentes, Pazuello peita comando do Exército
Tragédia da Covid confirma papel nefasto do bolsonarismo
Diante da encruzilhada histórica, é rua ou rua
Morre o sambista Nelson Sargento, aos 96 anos, em decorrência da covid-19
QVictor Hugo desabafa sobre vida pós-BBB: 'Até agora foi só desgraça'
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Médico defende 3ª dose de vacina para idosos que receberam CoronaVac
Do UOL, em São Paulo
26/05/2021 09h01
Atualizada em 26/05/2021 22h55
O médico imunologista Jorge Kalil defendeu hoje que idosos que tenham recebido a CoronaVac tenham o reforço vacinal de um terceiro imunizante. Estudo recente da Vebra Covid-19, que reúne cientistas de instituições nacionais e internacionais, descobriu que a efetividade da vacina cai conforme a idade avança.
Entre o grupo de 80 anos ou mais, a eficácia global da vacina contra covid-19 fica abaixo de 50,7%, proteção indicada nos estudos clínicos do Instituto Butantan. Na faixa etária próxima dos 70 anos, a efetividade coincidiu com o estudo.
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Ao UOL News, Kalil defende a aplicação de uma dose de reforço para pessoas acima dos 60 anos. "Acho, particularmente, que devemos dar reforço sim porque essas são as pessoas com mais chances de morrer, o que seria lamentável. O que queremos é salvar vidas e, depois, diminuir a transmissão do vírus."
Ele acrescenta que a 3ª dose deveria ser de outra vacina. "Temos visto que misturar as vacinas não é ruim, é até melhor."
Segundo Kalil, era previsível que a vacina CoronaVac teria "problema" entre os idosos. "Vacinas de vírus inativado não induzem boa resposta imune em idosos. Um exemplo é a vacina da gripe", afirmou. "A CoronaVac era a vacina que tínhamos quando começou a vacinação. Se não tivéssemos vacinado a população de risco, quem decidiu seria criticado porque não aplicou a vacina nos [grupos] prioritários. Era o que tínhamos, temos que vacinar na medida que chegam as vacinas."
Sempre há alguma proteção, mesmo que não seja alta, tem sido importante."Jorge Kalil, médico imunologista
"Há uma discussão se devemos dar uma 3ª dose [da CoronaVac] ou reforço com vacina mais eficaz entre os idosos ou se a vacinação deve continuar em pessoas que não foram atingidas ainda [pelo Plano Nacional de Imunização] para, depois, voltar a vacinar os idosos."
O médico ressalta que qualquer opção será alvo de críticas. "Existe um grupo, comitê assessor ao Ministério da Saúde onde essa discussão está começando para ver o que seria mais importante em termos de saúde pública."

Covid-19: o baluarte Nelson Sargento está muito grave no hospital | Ancelmo - O Globo

Piorou muito, de ontem para hoje, o estado do querido Nelson Sargento, baluarte da Mangueira, 96 anos. Ele foi internado sexta-feira passada, como publicamos aqui, com Covid-19, no Inca. Os médicos estão lutando para não intubá-lo, mas a situação dele está caminhando para a realização do procedimento. O pulmão do sambista, que sempre nos deu tanta alegria, piorou consideravelmente de ontem para hoje.
Sargento está sendo acompanhando pelos médicos diante do seu histórico de paciente oncológico - ele sofreu de câncer de próstata anos atrás. No comunicado, a família pede privacidade diante do momento de atenção e orações aos fãs. Que Deus o proteja e a nós não desampare jamais.
Conheça o personal trainer que está à frente de academia on-line com mais 40 mil alunos

A verve empreendedora do personaltrainer carioca Ricardo Lapa, de 39 anos, revelou-se já na infância, no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, onde nasceu e foi criado. A família de origem portuguesa era dona de uma carvoaria e de uma pensão, onde a mãe, cozinheira de mão cheia, também fazia comida para fora. Aos 8, ainda menino, teve a primeira responsabilidade. Cabia a ele conquistar os “fregueses” das redondezas e levá-los ao estabelecimento. “Ali eu entendi que precisava encantar as pessoas”, conta. Trinta e um anos depois, Ricardo mostra ter se esmerado na lição: à frente da academia on-line Foguete, o treinador está em 20 países e contabiliza mais de 40 mil alunos, entre eles, artistas como João Vicente de Castro, Chay Suede, Isabella Santoni e Fernanda Nobre. “Lapa não faz você amar o exercício, ele faz você amá-lo e, então, por querer estar com ele, você passa a amar o exercício”, declara João Vicente.

Mas nada caiu do céu. Na juventude, o desinibido Lapa alternava o trabalho na carvoaria e ao lado da mãe com a faculdade de Educação Física. Porém, aos 22, precisou interrompê-la quando soube que seria pai. “Virei taxista para poder ganhar mais dinheiro e sustentar a família. Como era acostumado com a malandragem do Rio, escolhi rodar de madrugada. Era da boemia, hoje sou diurno”, compara. Quatro anos depois, retomou os estudos e se formou em 2011.

A carreira teve início bem convencional, numa academia de bairro, no Grajaú, pertinho da querida Vila Isabel. Mas decolou quando Lapa conseguiu um espaço na Body Tech da Barra. “Foi uma verdadeira explosão. Cheguei a ter 30 alunos presenciais como personal trainer”, recorda-se. De forma intuitiva, o treinador passou a compartilhar as séries que dava para as alunas — algumas, mais tarde, vieram a ser tornar influenciadoras fitness — no ainda pouco explorado Instagram. A partir daquele momento, o mundo virtual se tornou seu plano B. “Comecei a receber mensagens de pessoas pedindo para eu montar séries parecidas. Formatava a aula, enviava o vídeo via WhatsApp e os alunos gravavam a execução dos exercícios por meio do telefone. Eu os orientava dessa maneira”, explica. “Na época, fui muito criticado. Os professores rejeitavam a ideia de atividades físicas realizadas no ambiente virtual. Mas eu acreditei e segui em frente.”
Em 2017, o personal deu mais um passo: concentrou toda energia nas aulas digitais e montou um site com treinos gravados para serem feitos em academias. Em março de 2020, foi obrigado a virar a chave novamente, só que dessa vez no susto. “Quando foi decretado lockdown no Rio, pensei: ‘Meu Deus, o que vou fazer com as academias fechadas?”. Passei a noite pesquisando exercícios que pudessem ser realizados com o peso do corpo”. No dia seguinte, convocou a equipe para reformular o site. “Na segunda-feira, lancei aulas gravadas que poderiam ser realizadas em casa. Saí de 6 mil para 22 mil alunos”, relata.
Em novembro, o treinador colocou o ao vivo dentro da plataforma e instalou um telão de LED na sala da própria residência, onde funciona um estúdio. “Ofereço, hoje, além do meu treino (que mistura exercícios aeróbicos com funcionais), 150 aulas on-line, por mês, de modalidades diversas, como ioga, dança e luta. Tenho dez professores trabalhando ao meu lado”, diz. “A aula do Lapa é diferente de tudo que já fiz. Ele transmite a energia que tem no presencial”, elogia Isabella Santoni. "Sem eu me dar conta, o Lapa revolucionou minha disposição", emenda a atriz Fernanda Nobre.
Para o personal, nem o mundo nem as academias voltarão a ser como antes. “Treinar em casa poupa tempo, é mais barato e dá para fazer de qualquer jeito, com qualquer roupa. É possível até se exercitar pelado com a câmera desligada.”
Para quem se animar, o plano completo custa R$ 85 por mês. A acessibilidade é uma bandeira levantada pelo professor, que admite estar com o saldo para lá de positivo. “Está ficando bom. Perto do Lapa de Vila Isabel, estou milionário.”
Polícia Civil do Rio não disponibiliza lista de dados sigilosos, como determina Lei de Acesso à Informação

RIO - A secretaria de Polícia Civil do Rio (Sepol) não disponibiliza uma listagem com todas as informações que foram classificadas como sigilosas, à exemplo do que ocorreu com os dados relativos a operações policiais no estado após solicitação via Lei de Acesso à Informação (LAI) feita pela Globonews. A exigência de disponibilizar a lista está prevista na LAI e no decreto estadual 46.475, de outubro de 2018, que regulamenta a aplicação da lei no Rio.
A lei e o decreto preveem que a autoridade máxima de cada órgão ou entidade publicará anualmente, em site na internet, rol das informações classificadas como sigilosas, "com identificação para referência futura", assim como aquelas que tenham sido desclassificadas nos últimos 12 meses. O decreto estadual prevê, ainda, que essa publicação ocorra até o dia 1º de junho de cada ano, prazo que se esgota na próxima terça-feira.
O GLOBO verificou que a listagem não está disponível no site da Polícia Civil do Rio. Questionada sobre a localização dessa lista, a assessoria de imprensa da secretaria informou que é preciso fazer a solicitação da mesma "via Transparência Passiva, seguindo as determinações da Lei de Acesso à Informação". A Polícia Civil informou ainda que a relação ficará responsável no portal da instituição e que a normatização ainda está em análise pela assessoria jurídica.
Nos sites das polícias de outros estados, como Goiás e Santa Catarina, além do Distrito Federal, essa listagem está aberta para consulta, assim como nas páginas das secretarias de Segurança Pública de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
A LAI permite que informações sejam classificadas como sigilosas, hipótese na qual há restrição de acesso público "em razão da sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado". A restrição imposta pode ser de 5, 10 ou 15 anos. No entanto, a legislação prevê possibilidade de reavaliação da decisão, podendo ocorrer a desclassificação do sigilo.
Diretora de operações da Transparência Brasil, Juliana Sakai afirma que apesar da previsão na LAI, o descumprimento da exigência das listas com os dados classificados ainda é comum. Para ela, a listagem é fundamental para que haja um acompanhamento daquilo qe está sendo colocado sob sigilo.
— A motivação de existirem essas listas e de ter uma regulamentação sobre a classificação é porque esses casos de sigilo são excepcionais. Temos que controlar como o sigilo vem sendo aplicado pois a regra é que a informação seja pública. Como podemos saber se a gestão dessa informação está sendo bem feita se essa lista não é disponibilizada? — questiona.
Juliana ressalta ainda as listagens são importantes também para que possam ser feitos pedidos de revisão das classificações de sigilo.
— É um instrumento mínimo de controle social desse instrumento que é a Lei de Acesso à Informação — avalia.
O advogado Saulo Stefanone Alle, especialista em Direito Constitucional, ressalta que a existência de uma lista clara, contendo todas os dados classificados, é necessário para garantir a efetividade do próprio acesso às informações.
— Se há esse rol claro e descrito daquilo que é sigiloso, é possível contestar caso alguma informação seja negada, por exemplo. A existência dessas informações é essencial.
Sigilo das informações sobre operações
No último dia 19, a Polícia Civil do Rio colocou sob sigilo, por cinco anos, informações sobre as incursões policiais realizadas no estado desde o dia 5 de junho do ano passando, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou que as operações só podem ocorrer em casos excepcionais.
A classificação dos dados como “reservados” aconteceu no último dia 19, após um pedido de acesso a dados feito pela Globonews, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).
A solicitação foi para que fossem fornecidas informações sobre todas as operações policiais desde o ano passado, quando veio a ordem do STF para suspendê-las, em razão da pandemia de coronavírus. Também foi pedido que fossem apresentadas suas respectivas justificativas, demonstrando a excepcionalidade de cada uma delas.
Em resposta, no último dia 19, a Polícia Civil negou o pedido, sob o argumento de que os dados são de natureza reservada. Na lista de operações, está a do Jacarezinho, considerada a mais letal da história do estado. Desde a decisão de Fachin, já aconteceram mais de 500 operações policiais no Rio.
Um pedido de LAI feito pelo G1 também foi negado pela polícia. O portal de notícias solicitou acesso ao documento encaminhado pela corporação ao Ministério Público estadual sobre a ação no Jacarezinho. Além de indeferir a solicitação, a Polícia Civil colocou ainda a informação em sigilo por cinco anos.
O dia a dia de pessoas que escolheram viver em trailers no Rio

Bruno Calixto
Colaboração para o TAB, do Rio
27/05/2021 04h01
Portas abertas, almoço "na varanda" do vizinho, chão de terra batida, gatos por todos os lados e árvores gigantescas em volta, fazendo sombra aos pés de acerola, pitanga e manga-espada. Alguns juram ter visto cobra jiboia e gambá, além de toda sorte de insetos. Tudo isso, sendo bastante otimista, é recompensado pelo silêncio e a proximidade do mar — são apenas dez passos até a Praia do Pontal.
Não, não se trata de um condomínio rural na orla carioca. A reportagem do TAB está em um camping no bairro do Recreio, zona oeste do Rio. O espaço, destinado a atividades de lazer e turismo, também serve de abrigo a 40 trailers de campistas por vez, além de motorhomes e barracas. É tudo temporário. Segundo a direção, não é permitido morar ali.
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"Quem acha esse estilo de vida estranho e muito desapegado se engana", conta Humberto Fidelix, 67. Ele mora num trailer há mais de 15 anos, e esse mês estacionou no camping. Barracas, trailers e motorhomes, cada grupo no seu quadrado, desconstroem a imagem de desajuste, solidão e falta de rotina destes nômades urbanos.
Engenheiro mecânico aposentado e vacinado, Fidelix saiu de João Monlevade (MG) nos anos 1970 com destino ao Rio. Decidiu morar num trailer depois de sofrer um assalto à mão armada. No instante em que teve uma arma apontada para si, decidiu mudar. "Você tem que ter pouca coisa. O mais bonito nisso tudo é a simplicidade, além da questão do tempo. Hoje, sei usá-lo de uma forma mais inteligente."
Ele trocou a casa de 75 m² onde morava com a mulher e os três filhos (a mais velha está em Portugal), em Guaratiba, pela vida itinerante. Vive acompanhado da gata Damares em um trailer de 15 m² que vale R$ 40 mil. A estadia no camping, por mês, custa de R$ 900 a R$ 1,3 mil, mais taxas de luz, água, TV a cabo e internet.
Magro, de estatura mediana, Humberto está de bermuda e chinelo. Diz acordar às 5h e correr por 30 minutos. Faz supermercado, cozinha e conversa com a "vizinhança". Duas a três vezes por semana, recebe a visita da mulher, que é enfermeira.
"Tem dias que ela vem e dorme aqui, é ótimo para namorar. Ajudou meu casamento a sobreviver. A rotina a dois desgasta. O casamento gira em torno de criar os filhos: depois disso a relação suporta diversos desenhos, entre eles o da distância, que é meu caso. Nosso amor é o mesmo. As pessoas precisam ter seu espaço. Duas pessoas envelhecendo juntas têm prazo de validade", opina.

Do lado de fora do avance, uma estrutura de barraca encaixada ao trailer amplia a área coberta. Humberto passa horas na varanda improvisada assistindo ao futebol na TV de LED, enorme, virada para fora, onde tem mesinha com cadeiras, churrasqueira, plantas, mangueira e chuveirão. A água é de poço. No avance ficam geladeira, freezer, máquina de lavar roupa, fogão e pia. O interior do trailer se resume a uma cama de solteiro, guarda-roupas diminuto e um banheiro — daqueles de ônibus intermunicipal — com chuveiro a gás, além de uma bateria e um carregador de energia.
Nas portas dos trailers, carros, motos, pranchas de surf, churrasqueiras e bastante repelente. Há dois supermercados por perto, mais o pequeno comércio local e a farmácia que entrega. O lixo é recolhido pela administração, que também cuida da segurança dos sócios.
Fidelix conta ter aumentado o número de acampados durante a pandemia. "A maioria diz que vai partir após a vacinação. O risco é gostarem e ficarem."
Seu maior desejo agora é comprar um motorhome e viajar a América do Sul inteira, dormindo cada noite num lugar.
Destino: mudança
A maioria dos atuais sócios do camping tem mais de 50 anos, embora a pandemia tenha aumentado as vendas de trailers ou casas sobre rodas entre adultos de 20 a 35 anos.
O lugar e o clima parecem uma tomada do filme norte-americano "Nomadland", que rendeu Oscar à protagonista, Frances McDormand. Há de trailers sofisticados — que apostam em cercas-vivas para garantir um pouco de privacidade, banheira de hidromassagem e ofurô — aos mais convencionais, como o da ex-secretária Rosângela Cardozo, 63, que adora receber a visita da filha e dos netos ao longo da semana e dos amigos e vizinhos para uma cerveja gelada aos sábados.

"A primeira vantagem de viver assim é que posso, enfim, ter bichos", diz Rosângela, aos risos.
Depois que o segundo marido morreu, em 2009, ela saiu do apartamento onde morava em Inhaúma, na zona norte do Rio, e se mudou para o trailer.
Sua rotina diária passa por varrer as folhas secas caídas, tomar banho de baldinho no mar ("não sei nadar") e ouvir música brasileira ao cair da tarde.
Nos fins de semana, é comum a vizinhança se juntar para fazer churrasco e beber ao ar livre, programa favorito de Rosângela, perfeito para o outono carioca, quando o calor não derrete ninguém fora do ar condicionado. Cada um leva sua cadeira.
Os terninhos da época do escritório e os mais de cem pares de sapato deram lugar ao trio bermuda, camiseta de malha e chinelo. "Quando você escolhe viver assim, é o que tem", resume ela, enquanto reforça o repelente nas pernas. "Se optei por uma vida assim, o jeito é se adaptar e pronto. Sou super feliz no meu trailer, e não pretendo sair dele tão cedo."
Além da decoração caprichada, a ex-secretária, organizadíssima, tem wi-fi, TV a cabo, uma varanda charmosa com mesinha e jogo de cadeiras que abrem e fecham ("mais fácil para guardar"), além de uma coleção de plantas e flores muito bem cuidadas na porta. Com o novo estilo de vida, velhos hábitos voltaram ao cotidiano, como o de cozinhar diariamente.
"Minha única dificuldade é consertar chuveiro ou algo assim. Mas quando dá ruim, sempre aparece um vizinho amigo para socorrer. Medo eu só tenho de ventania, porque pode derrubar árvores em cima do trailer."


Chamar de quê?
O cantor e compositor Dalton Amauri, 73, define a vida num trailer como o "portal da criação". Ele trocou a boemia carioca pela tranquilidade do trailer onde vive sozinho há 15 anos.
"Isto me trouxe sossego, melhorei minha saúde. Se continuasse naquela vida, já estaria morto. Me recuperei em todos os sentidos, passei a compor mais. Tinha 70 composições, hoje passam de 500", diz o músico.
Amigo da ex-mulher ("já casei demais"), Amauri é pai de quatro (um de criação), avô de cinco e bisavô de um. "Dá para namorar. Sempre tem alguém por alguns dias. Mas tudo com respeito, meu trailer não é bagunça, não."

Parceiro musical de baluartes do samba como Marçal, Zeca Pagodinho ("quando Zeca nem era famoso"), Moacyr Luz, Arlindo Cruz, Sombrinha e Jovelina Pérola Negra, ele é neto do maestro Paulo Silva e fez escola no lendário bloco carioca Cacique de Ramos.
A leva de nômades segue vivendo. "Sua cerveja gelou?" e "Já fechou [a janela] para não entrar pernilongo?" são algumas das perguntas mais frequentes. A vontade de aproveitar o clima familiar, a vibe segura e reunir a galera para um pôr do sol seguindo de muitos brindes são um inesperado convite para, quem sabe, ficar por mais uma semana estacionado e esticar a temporada.
Mega-Sena: concurso acumula e prêmio sobe para R$ 100 milhões

Do UOL, em São Paulo
26/05/2021 20h03
A Mega-Sena realizou na noite desta quarta-feira (26) em São Paulo, o sorteio do concurso 2375. Os números sorteados foram 02-06-44-46-53-58. De acordo com a Caixa, ninguém acertou todas as seis dezenas.
O banco havia divulgado que a quantia principal para quem acertasse as seis dezenas seria de R$ 79.590.065,50, mas como não houve vencedores, acumulou e será de R$ 100 milhões.
Timemania acumula e prêmio vai a R$ 4 mi; veja dezenas e time sorteados
Já a quina contou com 144 apostas vencedoras, que receberão R$ 42.488,96.
A quadra teve 8.909 apostas, que levarão R$ 981,09.
Quando será o próximo sorteio da Mega-Sena?
O concurso 2376 está marcado para o próximo sábado (29). O evento começará a partir das 20h (horário de Brasília) e terá transmissão ao vivo pela internet, no canal oficial da Caixa no YouTube, e com possibilidade de exibição simultânea pela RedeTV! (o calendário oficial de loterias não informa mais com antecedência qual sorteio será exibido em TV aberta, sendo sempre um por dia).
Como faço para participar do próximo sorteio da Mega-Sena?
Você precisa fazer uma aposta de seis a 15 números nas lotéricas credenciais pela Caixa, ou no site especial de loterias do banco. Participam do próximo concurso todas as apostas registradas até 19h de sábado.
Quanto custa apostar na Mega-Sena?
Depende de quantos números você pretende colocar no jogo. A aposta mínima agora custa R$ 4,50, e você tem direito de escolher seis dezenas de 1 a 60. Se quiser colocar um número a mais para aumentar as chances de acerto, o preço do jogo sobe para R$ 31,50. No cenário mais caro, com 15 números no volante, a aposta chega a custar R$ 22.522,50.
Quais foram os maiores prêmios dos concursos regulares da Mega-Sena?
- 2.150, 11/5/2019, 1 aposta vencedora; premiação total: R$ 289,4 mi
- 2.237, 27/2/2020; 2 apostas vencedoras; premiação total: R$ 211,6 mi
- 1.764, 25/11/2015; 1 aposta vencedora; premiação total: R$ 205,3 mi
- 1.772, 22/12/2015; 2 apostas vencedoras; premiação total: R$ 197,4 mi
- 1.655, 22/11/2014; 2 apostas vencedoras; premiação total: R$ 135,3 mi
- 2.161, 19/6/2019; 1 aposta vencedora; premiação total: R$ 124,2 mi
- 2.189, 18/9/2019: 1 aposta vencedora; premiação total: R$ 120 mi
- 1.220, 6/10/2010; 1 aposta vencedora; premiação total: R$ 119,1 mi
- 1.575, 19/2/2014; 1 aposta vencedora; premiação total: R$ 111,5 mi
- 1.953, 29/7/2017; 1 aposta vencedora; premiação total: R$ 107,9 mi
E quais são as minhas chances de ganhar na Mega-Sena?
Isso também varia de acordo com a quantidade de dezenas na sua aposta. Com a menor (R$ 4,50), com seis números, a chance de acertar todas as bolinhas sorteadas e faturar o prêmio maior é de uma em 50.063.860. Jogando uma dezena a mais (R$ 31,50), a probabilidade aumenta. Passa a ser de uma em 7.151.980. Quem estiver disposto a pagar mais de R$ 22,5 mil na aposta com 15 dezenas terá uma chance em 10.003 de cravar tudo e ficar milionário.
Como funciona o bolão que a Caixa vende nas lotéricas?
Esses bolões são organizados pelas próprias lotéricas credenciadas pela Caixa. São apostas em grupo com preço mínimo estipulado em R$ 10 no caso da Mega-Sena. A cota mínima obrigatória por participante é de R$ 5. Nessa modalidade, pode existir uma taxa de serviço adicional de 35% do valor da cota. O bolão da Mega-Sena permite de duas a 100 cotas. Em cada bolão, é possível fazer dez apostas diferentes.
Propagandista de cloroquina, remédio inútil, Bolsonaro diz que esquerda usa ciência para criar pânico
Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA (Reuters) - Jair Bolsonaro voltou a criticar nesta quinta-feira as medidas de restrição de circulação impostas por governadores e prefeitos para conter a disseminação da Covid-19 e disse que "caos e pânico" estão sendo criados por aqueles que querem retomar o poder.
"Sabemos que não há muito o que comemorar, mas é preciso restabelecer a verdade do que foi e está sendo feito na prática, para que o pânico e o caos promovido pelos que desejam retomar o poder e suas práticas nefastas não triunfem", escreveu Bolsonaro no Twitter, ao comemorar a criação de empregos este ano no país, apesar da pandemia.
O presidente voltou a repetir um mantra da equipe econômica, de que o Brasil foi um dos países que teve menor queda da atividade econômica em 2020. Apesar de ter encolhido apenas 4,4%, quando as projeções apontavam para uma queda do Produto Interno Bruto de até 10%, foi o pior número desde a década de 1990 e veio na sequência de crescimentos pífios por três anos.
"Sempre existiram dois desafios: o vírus e a economia. E apesar da mídia e da esquerda terem negado esse e outros fatos, adotando um discurso pseudocientífico para disfarçar a demagógica politização do vírus, nós priorizamos ambas as questões. Afinal, não há saúde na miséria", escreveu Bolsonaro.
O presidente voltou a dizer que o Brasil é um dos países que mais vacina no mundo e deve chegar em breve a 100 milhões de doses distribuídas. Bolsonaro usa o número bruto de vacinas, o que colocaria o país em terceiro no ranking de vacinação.
No entanto, na proporção de população vacinada, o país cai para 12º quando se leva em conta a proporção de pessoas que receberam ao menos um dose de vacina, com 20,09% da população, de acordo com o site Our World in Data.
Onda de perseguição a jornalistas e intelectuais aumenta sem parar

247 - A jornalista Malu Gaspar destaca, em sua coluna no O Globo desta quinta-feira (27), que “desde 2019, a Lei de Segurança Nacional — criada pela ditadura para coibir atentados à segurança e à soberania nacional — já foi usada para justificar a abertura de 77 investigações, bem mais que as 44 dos quatro anos anteriores.
Pelo menos 12 foram abertas a pedido do próprio Ministério da Justiça, contra políticos e jornalistas que manifestaram críticas a Bolsonaro”.
Segundo ela, o exemplo mais recente desta perseguição aconteceu com o sociólogo Celso Rocha de Barros, “convocado a depor pela Polícia do Senado por ter escrito um artigo criticando senadores que defendem o governo na CPI da Covid”.
“Num dia da semana passada, o telefone tocou na casa de um parente dele.
Na ligação, pessoas não identificadas “sugeriram”:
se ele apresentasse um pedido de desculpas por escrito, talvez desse para evitar as consequências legais do que publicara”, afirma a jornalista.
“Desde 2019, a Lei de Segurança Nacional — criada pela ditadura para coibir atentados à segurança e à soberania nacional — já foi usada para justificar a abertura de 77 investigações, bem mais que as 44 dos quatro anos anteriores.
Pelo menos 12 foram abertas a pedido do próprio Ministério da Justiça, contra políticos e jornalistas que manifestaram críticas a Bolsonaro”, ressalta.
A jornalista observa que “não voltamos (ainda) aos tempos da ditadura, quando professores universitários sofriam processos bizarros e eram afastados de seus cargos por razões políticas, e intelectuais recebiam ameaças veladas por suas opiniões e textos em telefonemas anônimos”.
“É uma lástima que os mesmos que se dizem preocupados com a imagem de instituições tão importantes para a República como o Senado ou o Ministério Público não se mostrem igualmente empenhados em impedir a disseminação de mentiras sobre remédios sem eficácia para o tratamento da Covid-19.
Que não se importem com a esculhambação patrocinada por um governante que promove aglomerações em meio a uma pandemia mortal.
Ou que finjam não ver quando o presidente da República ameaça “dar porrada” em jornalistas ou adversários políticos.
Para esses, só tem direitos quem tem poder.
É gente que age como na ditadura, mas no Brasil de 2021”, finaliza.
Pazuello é a face escancarada do intenso ativismo político do partido fardado - Jeferson Miola
Por Jeferson Miola

“E aí, galera […] eu não podia perder este passeio de moto de jeito nenhum. Tamo junto, hein. […]Parabéns pra galera que está aí, prestigiando o Presidente”.
Eduardo Pazuello, ministro da Morte e general da ativa do Exército Brasileiro em ato dos moto-fascistas no Rio de Janeiro, 23/5/2021.
A expulsão do general Eduardo Pazuello do Exército seria a medida disciplinar esperável, considerando-se a gravidade das suas transgressões: “faltar à verdade”, afetar “o pundonor militar”, “manifestar-se a respeito de assuntos de natureza político-partidária” e ofender a disciplina militar, que “é a rigorosa observância e o acatamento integral das leis, regulamentos, normas e disposições” [Regulamento Disciplinar do Exército].
É possível, entretanto, que se for punido, ele receba apenas uma punição branda: advertência, impedimento militar ou repreensão.
Não surpreenderá, porém, se anunciarem como punição a transferência dele para a reserva remunerada. A reserva não seria punição, mas sim o prêmio de aposentadoria polpuda para o general da “missão [genocida] cumprida”.
Como analisou Manuel Domingos Neto, “punição não representa necessariamente uma derrota, como muitos pensam. Pode até impulsionar o trajeto do político castrense. Vide Bolsonaro e Mourão” [aqui].
Chama atenção o delay entre a falta de posição do Comando do Exército e a data de ocorrência das transgressões, transmitidas em tempo real aos olhos de todos. O civil sujeitado ao Código Penal, no cometimento de crime de gravidade equiparável, seria preso em flagrante.
Alguém acredita que Pazuello, adestrado durante décadas sob os rígidos princípios da disciplina e da hierarquia, cometeria o deslize primário de participar de atividade político-partidária e pré-eleitoral em lugar distante mais de 1.100 km do local da sua lotação e sem o conhecimento ou a anuência prévia de superiores hierárquicos?
Os comandos militares fazem jogo de cena para enganar; fazem de conta que não têm nada a ver com a atitude premeditada do general transgressor tanto no domingo, como na condução criminosa do ministério da Morte. Na CPI, a estratégia dos militares para se desvincularem do morticínio e da barbárie causada por eles mesmos tem sido eficiente [aqui].
Eles agora plantam na imprensa que Pazuello agiu sem conhecimento militar prévio. Ora, o órgão que controla a segurança e a comitiva presidencial, o GSI, que, aliás, até hoje não explicou os 39 kg de cocaína traficados por militar em avião da frota presidencial, é dominado por militares e dirigido pelo general Augusto Heleno.
Os militares têm sido eficientes em ludibriar os órgãos de imprensa e a sociedade para editorializar falsos contextos. Fabricam perspectivas distópicas e versões distorcidas da realidade.
Na arena política, eles atuam da mesma maneira como foram treinados para atuar no teatro de operações: distraem e enganam tropas inimigas com mentiras, ardis, informações manipuladas e táticas diversionistas.
Com a mudança da conjuntura a partir da reviravolta da farsa da Lava Jato, que resultou na reabilitação política do Lula, somado ao aprofundamento da catástrofe humanitária e da crise de legitimidade do regime, os militares entraram em “modo reposicionamento” em relação ao “biombo” por eles instalado no poder [aqui].
Propagam a falácia de que as Forças Armadas são instituições profissionais e obedientes à Constituição, que não se envolvem em política [sic] e que se opõem frontalmente aos rompantes autoritários do Bolsonaro.
Esta narrativa falaciosa é facilmente desmascarada. Basta, para isso, um rápido olhar sobre o perfil militarista do governo, com ministérios comandados por generais, e com a inaudita colonização do aparelho de Estado por milhares de militares.
É útil lembrar, além disso, de momentos precedentes, como o lançamento da candidatura presidencial do Bolsonaro no pátio da AMAN em 2014, a participação do Alto Comando do Exército na conspiração que derrubou Dilma e na tutela do STF para barrar a candidatura do Lula, assim como a atuação da “família militar” na campanha eleitoral de 2018.
A presença do Pazuello ao lado do Bolsonaro na manifestação fascista é, neste sentido, a face mais escancarada do intenso ativismo político e da militância frenética dos militares. A atitude dele em nada se diferencia da postura dos generais ministros da Defesa Fernando Azevedo e Silva e Braga Netto que, ao tempo de cada um, acompanharam Bolsonaro em atos inconstitucionais com a matilha fascista. Sinal de endosso, portanto, dos arroubos ditatoriais.
Enquanto o poder político e as instituições civis continuarem alheios à intervenção intolerável dos militares na política, o futuro do pouco que resta de democracia no Brasil será uma grande incógnita.
Partido Militar fabrica mais uma crise - Carla Teixeira
Por Carla Teixeira

O Partido Militar é hoje o mais atuante e poderoso do nosso campo político. Militares da reserva e da ativa sentem-se à vontade para emitir opiniões políticas, ocupar cargos na administração pública e, consequentemente, matar brasileiros impunemente. Muito disso é alimentado pelo passivo deixado por nossa redemocratização acomodada e conciliada. A Lei da Anistia perdoou sequestradores, torturadores, assassinos e ocultadores de cadáveres que mobilizaram os discursos de “Pátria”, “Deus” e “Família” para manterem-se no comando de uma ditadura militar que durou 21 anos. Cessado o arbítrio, a atuação dos milicos junto ao poder civil ficou na Constituição de 1988 através do ambíguo artigo 142. Seguiram impunes e à vontade para fazer política na Nova República.
Recentemente, oficiais da ativa e da reserva apoiaram, participaram e seguem participando do governo Bolsonaro. Jair é apenas a criatura. O monstro é o seu criador (o comando do Exército) que agora quer manter aparente distância do rebento que trouxe à vida para atormentar o país. Convenceram os quartéis e a sociedade brasileira de que o verme era um mito e colheram todas as vantagens dessa manobra política: benefícios salariais e previdenciários, fatia maior de verba do orçamento (retirada da saúde e da educação) que passou à Defesa (?), sem contar os inúmeros cargos ocupados no governo e nas estatais por meio de indicação.
A verdade ululante que ecoa e alguns não querem ouvir diz que o Comando do Exército Brasileiro tem responsabilidade direta pelo genocídio em curso. Os generais permitiram que o governo se tornasse um poleiro de milicos oportunistas que ansiavam por poder e dinheiro. Ou alguém acha que o presidente da República passa na corporação e sai mobilizando oficiais para cargos civis sem a autorização do comando? Seria ingenuidade, para não dizer má fé, achar que uma instituição baseada na hierarquia, disciplina e obediência permite esse tipo de autonomia por parte dos seus integrantes.
A compra, produção e distribuição de cloroquina é só mais uma digital que o Exército deixa na sua parte de responsabilidade na atual tragédia. Ademais, é evidente que a nomeação do general Pazuello, da ativa, para o ministério da saúde contou com a aprovação dos seus superiores, aqueles que ensaiaram a farsesca crise militar de março de 2021. Naquela ocasião, a demissão do ministro da Defesa e dos três comandantes das forças armadas foi divulgada, pela mídia que apoiou a ditadura, como uma demonstração de que as forças armadas são instituições de estado, não de governo, portanto, estão comprometidas com a Constituição de 1988 e com a democracia (acredita quem quiser!).
A manobra criou a narrativa que buscava afastar a corporação do capitão, interpretando os erros como atitudes individuais que nada tinham a ver com o comando. Uma grandessíssima farsa. Não à toa, ao deixar a pasta da saúde após centenas de milhares de mortos pela covid-19, o general Pazuello anunciou “missão cumprida”. Veja, o próprio general denuncia que estava ali em missão dada por superior. (Provavelmente se referia à missão de matar o povo brasileiro, única a qual se dispõe os militares brasileiros desde as longínquas e legítimas revoltas populares do período Regencial).
Depois do show de mentiras que protagonizou em seu depoimento à CPI do Genocídio, o “gordo favorito” apareceu na “motociata” promovida por bolsonaristas, no Rio de Janeiro. Ali tirou a máscara, aglomerou e discursou como quem está em campanha. Pronto. Combustível para mais uma “fake” crise militar. O atual candidato dos quartéis ao planalto, Santos Cruz, fez questão de censurar Pazuello enquanto o próprio vice-presidente sentiu-se à vontade para criticar a atitude do general, como se ele próprio, Mourão, não tivesse agido de modo semelhante quando era o responsável pelo Comando Militar do Sul - que soma um quarto de todo o efetivo do país.
À época, Mourão, general da ativa, fez duras críticas à presidenta Dilma Rousseff, endossou homenagem ao torturador e assassino Brilhante Ustra e, em 2017, chegou a declarar que uma intervenção militar poderia ser adotada se “o Judiciário não solucionar o problema político”, referindo-se à corrupção praticada por alguns políticos. Conduta nada profissional também adotada pelo próprio Comandante do Exército, general Villas Boas, que acossou o STF, pelo twitter, às vésperas do julgamento que definiria o direito de Habeas Corpus a Lula, em 2018.Como se vê e os fatos mostram, a atitude do general Pazuello condiz perfeitamente com as práticas dos seus superiores em outros momentos da nossa vida política. Para disfarçar, o Exército abriu um processo administrativo, mas é importante registrar que ir para a reserva ou assumir função burocrática não é punição, mas encenação para dissimular mais uma jogada política dos milicos. A sociedade civil, principalmente o jornalismo, precisa questionar as versões e “vazamentos” de informações oferecidas por oficiais que querem controlar a narrativa para direcionar a interpretação dos fatos políticos de acordo com seus interesses. Vale reiterar: o problema não é o capitão, mas os generais que o utilizam como poste. Jair Bolsonaro é marmita de milico. Vencer o Partido Militar será o verdadeiro desafio da sociedade civil nas eleições de 2022.
Com as costas quentes, Pazuello peita comando do Exército - Helena Chagas
Por Helena Chagas

Por Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia
Constrangimento é pouco, e insatisfação também é uma palavra leve para descrever o sentimento entre oficiais da ativa do Exército neste momento. Afinal, o comandante da Força, general Paulo Sérgio Nogueira, e generais do Alto Comando acabam de ser ostensivamente peitados pelo três estrelas Eduardo Pazuello. O ex-ministro da Saúde respondeu com um redondo “não” aos pedidos para que ele passasse já à reserva para contornar a crise criada por sua presença — proibida pelo regimento disciplinar do Exército — em manifestação ao lado de Jair Bolsonaro no último domingo.
Obviamente, Pazuello peitou o Alto Comando de sua Força porque tem as costas quentes, ou seja, o apoio integral do presidente da República e comandante em chefe das Forças Armadas. Bolsonaro comunicou ao ministro da Defesa, Braga Netto, e a Nogueira, que revogará qualquer punição que venha a ser dada a Pazuello, e ainda proibiu-os de se manifestar a respeito do episódio. Ou seja, não deixou saída possível aos militares da ativa.
Mais dia, menos dia, essa panela de pressão vai estourar. Fica claro que o presidente da República não está apenas protegendo um ex-ministro leal, que na CPI negou tudo que todo mundo sabe que é verdade sobre ele. Bolsonaro está usando o episódio para enquadrar os militares, de quem se queixava de darem pouco apoio a seu governo quando se recusavam a se envolver nas disputas políticas.
Ao praticamente proibi-los de punir o general desobediente que subiu em seu palanque, Bolsonaro está tentando passar à população a ideia – totalmente equivocada, sabe-se - de que os militares estão a seu lado para o que der e vier, e entenda-se aí suas ameaças de atos autoritários e contra a democracia.
O que todo mundo se pergunta hoje é o que vão fazer as Forças Armadas encurraladas pelo presidente. O ministro bolsonarista da Defesa, ao que tudo indica, ficará lá em seu cantinho. Mas o comandante do Exército está diante de um claro dilema: ou pune Pazuello, confrontando Bolsonaro, ou cai na desmoralização institucional perante o país e suas tropas.
Tragédia da Covid confirma papel nefasto do bolsonarismo - Paulo Moreira Leite
Por Paulo Moreira Leite

Por Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia
Numa semana em que o país debate a presença de Jair Bolsonaro e do general Eduardo Pazuello no palanque de motoqueiros no Rio de Janeiro, um estudo que procura avaliar o impacto das ideias bolsonaristas no propagação da Covid-19 chegou a uma conclusão impossível de questionar.
Comparando o número de casos -- e de óbitos -- no conjunto dos 5570 municípios brasileiros com a influencia local do bolsonarismo no segundo turno da eleição presidencial, uma reportagem de Ricardo Mendonça publicada pelo Valor Economico chegou a uma verdade sustentada pela estatística.
"Quando maior o porcentual de votos obtidos por Jair Bolsonaro em 2018, maior é a taxa de contaminação pelo coronavírus. Quanto menor a adesão que Bolsonaro teve, menos frequentes são os casos de Covid-19", escreve Mendonça. (Valor Economico, 24/05/2021).
Simples assim. No único município brasileiro onde Jair Bolsonaro teve mais de 90% dos votos, os casos de Covid atingiram uma média recorde -- 11,4 casos por 100 000 habitantes. Nas cidades onde a votação de Bolsonaro ficou entre 80% e 89% dos votos, os casos atingiram 10,4 por 100 000. Quando a votação ficou entre 70% e 79,9%, a média ficou em 8,9 por 100 000, e assim até os 108 municípios onde a Bolsonaro obteve menos do que 10% dos votos. Neste caso, a presença de covid limitou-se a 3,7 pord 100 000 habitantes.
Em outra tabela, que reune os 15 municipios em que Bolsonaro obteve a maior votação -- um em São Paulo três no Rio Grande do Sul, os demais em Santa Catarina -- os índices são terríveis. Chegam a a 22,5 por 100 000 habitantes.
Já nos locais onde Bolsonaro teve menos de 10% dos votos válidos, a taxa é de 3,7 por 100 000 habitantes.
"Por qualquer angulo que se examine, as taxas de contaminação são sempre maiores nos locais em que Bolsonaro foi mais votado," escreve Mendonça, apoiado em inúmeros gráficos que ilustram a reportagem.
Quando se compara o número de óbitos, a conclusão é semelhante. Nas cidades onde a votação de Bolsonaro ficou abaixo dos 10%, as mortes ficaram em 70 por 100 000 habitantes. Nos locais onde recebeu 80% dos votos ou mais, "há 206 óbitos por 100 000".
Seria uma irresponsabilidade imaginar que esses dados traduzem uma simples casualidade. Apenas refletem, no drama de cada cidade, uma postura diretamente associada a decisões de natureza política.
Na verdade, os dados publicados na reportagem espelham uma realidade que há tempos intriga cientistas e pesquisadores. da pandemia.
“Esses dados são chocantes”, afirma o epidemiologista Pedro Hallal, ouvido pelo Valor Econômico, que meses atrás apurou dados compatíveis com o levantamento publicado pelo jornal. Professor da Universidade Federal de Pelotas e coordenador do Epicovid-19, o maior estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil, Hallal estabelece um paralelo histórico com uma tragédia ocorrida há décadas, com a epidemia da AIDS. “Da mesma forma como o negacionismo foi responsável pelo crescimento da epidemia de HIV na África do Sul algumas décadas atrás, agora o negacionismo é responsável por mais de 300 mil mortes no Brasil".
Como já se demonstrou na CPI, a marca de 450 000 mortos atingida pelo Brasil de nossos dias constitui o saldo inevitável da ação de um governo que desperdiçou todas oportunidades para vacinar a população e até hoje se recusa a fazer campanhas para estimular o uso de máscaras, evitar aglomerações e ensinar todo mundo a lavar as mãos com frequência.
Em vez disso, a prioridade é desfilar em motocicletas.
Alguma dúvida?
Diante da encruzilhada histórica, é rua ou rua - Bepe Damasco
Por Bepe Damasco
Sou favorável à ocupação das ruas pela esquerda porque não podemos seguir enfrentando só nas redes sociais os números aterradores do maior desastre sanitário da história do país. Já são mais de 450 mil mortos e um sem número de sequelados. O aumento de novos casos e de vítimas fatais da covid, especialmente em São Paulo, indica, segundo os infectologistas, que uma terceira onda se aproxima.
Abre parênteses: é perfeitamente possível seguir um protocolo rígido nas nossas manifestações e marcar profundas diferenças com os atos dos fascistas. Para isso, o uso de máscaras, álcool em gel e o mínimo de distanciamento, além de requisitos inegociáveis em termos de saúde, assumem importância política central para nós. Fecha parênteses.
Estarei na rua no dia 29 para exigir vacina para todos e protestar contra o presidente genocida, que jamais demonstrou qualquer empatia ou expressou solidariedade aos doentes e aos familiares dos que perderam a vida. Bolsonaro, em vez de visitar hospitais, promove micaretas para comemorar a tragédia; em vez de ocupar a cadeia nacional de rádio e TV, para recomendar o uso de máscaras e o distanciamento, debocha dos que não resistiram ao vírus.
A minha presença no Monumento a Zumbi dos Palmares, local da concentração no Rio de Janeiro, está confirmada no sábado porque não suporto mais acompanhar entre quatro paredes as rotineiras investidas de Bolsonaro contra a democracia e o estado de direito democrático. A tibieza das respostas das instituições até agora faz com que a ameaça de ruptura da ordem constitucional ganhe contornos cada vez mais graves.
A camisa vermelha já está pronta para ser usada porque, para além de enfrentar a gestão criminosa de saúde do governo federal, cujas vísceras estão sendo revolvidas pela CPI, precisamos radicalizar no combate à epidemia da fome que assola milhões de seres humanos em nosso país.
Embora a clausura para evitar a propagação do vírus seja uma decisão acertada e pautada pela ciência, o crescente sofrimento do povo leva à necessidade de quebrá-la pontualmente em nome da luta para evitar a destruição do Brasil como nação. A aglomeração controlada nesta situação excepcional não significa de forma alguma que as recomendações da ciência devam ser abandonadas.
Há outro aspecto relevante que merece atenção neste debate: o aumento da distância política e social entre a classe média intelectualizada, que teve o privilégio de fazer home oficce, e o povão, a quem não resta alternativa que não seja se espremer nos transportes públicos para chegar ao trabalho.
Gente respeitável tem apresentado bons argumentos contrários à retomada dos protestos de rua. Contudo, não posso esquecer o peso decisivo das enormes mobilizações da população dos EUA, por ocasião do assassinato de George Floyd, para acuar Trump e ajudar a preparar o terreno para sua derrota meses depois.
Isso em plena pandemia.
Morre o sambista Nelson Sargento, aos 96 anos, em decorrência da covid-19

Do UOL, em São Paulo
27/05/2021 11h30
Atualizada em 27/05/2021 12h56
Nelson Sargento morreu hoje (27) aos 96 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência da covid-19. Segundo a assessoria do artista e do INCA (Instituto Nacional do Câncer), a morte do sambista aconteceu por volta das 10h45 (horário de Brasília).
Apesar de todos os esforços terapêuticos utilizados, o óbito ocorreu às 10:45 minutos dessa quinta-feira, 27 de maio de 2021. Nelson Matos era paciente do INCA desde 2005, quando foi diagnosticado e tratado câncer de próstata.
Musa da São Clemente morreu de embolia pulmonar, diz laudo médico
Sargento havia sido transferido para a UTI no último sábado (22) após testar positivo para a covid-19. O quadro de saúde dele era considerado grave.
O cantor e compositor estava internado no INCA desde o dia 20, com um quadro de desidratação, anorexia e "significativa queda do estado geral", segundo o boletim médico divulgado nas redes sociais de Nelson.
Ele havia recebido as duas doses da vacina contra a covid-19 em fevereiro, no Rio de Janeiro. Um estudo da Vebra Covid-19 divulgado em 18 de maio aponta que a efetividade da vacina entre os que têm mais de 80 anos é menor que a eficácia global de 50,7% encontrada nos estudos do Instituto Butantan.
Nelson Sargento também era escritor, ator e artista plástico. Ele era o presidente de honra da escola de samba Estação Primeira de Mangueira.
Um dos principais nomes da cultura do samba e do Carnaval, Sargento compôs com reforço de Jamelão "Cântico à Natureza" (ou "Primavera"), samba-enredo da Mangueira em 1955 — ano em que a escola ficou em segundo lugar no Carnaval carioca.
Nelson chegou à Mangueira com 18 anos, quando se integrou à ala dos compositores da escola, por onde desfilou ininterruptamente até o Carnaval de 2020.
No Carnaval de 2019, quando a Mangueira conquistou seu último título com um enredo que enfocava personagens esquecidos pelos livros de história, Nelson desfilou representando Zumbi dos Palmares.
Nelson Sargento tinha cerca de 400 canções e 30 discos gravados.
Trajetória na avenida
Nelson Sargento morre aos 96 anos
Nelson Sargento foi José, pai de Jesus, durante desfile da Mangueira em 2020. Alcione foi a mãe negra de Jesus.
Leia maisNelson Sargento na Bela Vista, em São Paulo, em 1990
Nelson Sargento, em retrato de 1996
Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, Nelson Sargento, Anescarzinho e Jair do Cavaquinho, em 1965
Nelson foi vacinado no fim de janeiro. Ele esteve em uma cerimônia de abertura da vacinação no Rio de Janeiro
Leia maisEra do samba, mas também marcou presença nos bastidores do Rock in Rio, em 2019. Ele foi homenageado no Espaço Favela do evento.
Leia maisAos 94 anos, acompanhou o velório de Beth Carvalho, em 2019
Leia maisNo camarote CarnaUOL N1, de 2019, Nelson Sargento foi um dos nomes presentes
Leia maisNelson Sargento, de cadeira de rodas, curtiu o Carnaval ao lado de Dudu Nobre em 2019
Leia maisAos 92 anos, ele seguia firme e participou do desfile de Mangueira naquele ano
Leia maisNelson compôs o samba "Agoniza, mas não morre" em 1979
Leia maisNelson foi criado no morro do Salgueiro, onde teve contato pela primeira vez com o samba
Leia maisEm cima do palco, ele mostrava sua vitalidade e um samba versátil
Leia maisNa parte final de sua vida, trocou a bebida alcoólica em cima do palco pela água
Leia maisE usava seus shows para mostrar, como bom garoto-propaganda, as canecas que ele desenhava.
Leia maisO sambista nunca poupou sorrisos e canções que marcaram os cem anos de samba
Leia maisDurante o revezamento da tocha olímpica, no Rio de Janeiro em 2016, Nelson foi um dos nomes presentes.
Leia maisNo mesmo ano, saiu como destaque em um trono no carro-abre alas da Mangueira.
Leia maisNelson Sargento no Prêmio da Música Brasileira, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2014
Nelson Sargento faz show em homenagem ao sambista Cartola, em 2016
Nelson Sargento em sua casa, em Copacabana
Nelson Sargento em sua casa, em Copacabana
Nelson Sargento participa de bate-papo na Flip, em Paraty, em 2017
O sambista Nelson Sargento no coquetel de entrega do Premio Trip Transformadores no Auditório do Ibirapuera
Victor Hugo desabafa sobre vida pós-BBB: 'Até agora foi só desgraça'

Colaboração para o UOL, em São Paulo
26/05/2021 17h22
Atualizada em 27/05/2021 11h04
Ex-participante do "BBB 20", Victor Hugo usou as redes sociais na tarde de hoje para desabafar sobre as mensagens preconceituosos que vem recebendo em razão de ser assexual assumido.
O psicólogo usou os Stories, do Instagram, para expor algumas mensagens de ódio recebidas desde a sua entrada no reality show da Rede Globo e lamentou ser alvo de ataques.
Ex-BBB pede para ser 'best friend', e Gil 'ataca': "Queria fazer o trisal"
Todo dia tentam de várias maneiras me humilhar, me abater, me assustar (...). O problema não está em mim. Está nessas pessoas doentes que não têm nada para fazer e vem infernizar. Isso já passou dos limites. Tem mais de um ano que eu passo por isso todos os dias. A gente releva, depois a gente tenta esquecer, coloca panos quentes, (...), mas chega! Eu não vendi minha alma, não. Eu entrei no BBB para melhorar minha vida e da minha família. Até agora foi só desgraça e coisa ruim. Não sei mais o que é ser feliz! Não sei mais quem sou! Quando me dizem que eu não estou sozinho é mentira. Eu estou sozinho, sim.
O ex-BBB seguiu desabafando que a decisão de divulgar as mensagens era um 'último suspiro' para que parem de atacá-lo e explicou que a decisão de assumir a sua assexualidade foi um ato de coragem.
Esse não é o destino que sonhei para mim. Nem nos meus piores pesadelos eu imaginei que pudesse passar por isso, mas o que esperar agora? Não sei mais o que fazer. Eu sinto muita vergonha de estar me expondo, mas eu já estou no último suspiro. Não aguento mais. Eu quero saber o que eu fiz. Me digam pelo o que estou sendo acusado! É por ser assexual? Vocês queriam que eu fosse gay ou hétero? Eu não tenho controle sobre isso. Ter me assumido e me exposto foi um ato de coragem (...). Eu sou feio? Deixa eu ser feio! (...) Eu só quero terminar de gravar meu CD em paz! Se eu conseguir juntar dinheiro suficiente para concluir.
Eliminação do BBB 20
Victor Hugo foi o sétimo eliminado do "BBB 20". Em paredão disputado contra a cantora Manu Gavassi e o ator Babu Santana, o psicólogo recebeu 85,22% dos votos e deixou a disputa do prêmio de R$ 1,5 milhão.
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