2022: só há um EXTREMISTA
Centro não é o ponto entre dois extremos | Míriam Leitão - O Globo
Por Míriam Leitão

Na disputa entre Lula e Bolsonaro NÃO HÁ dois extremistas.
Há um: Bolsonaro.
O centro deve procurar seu espaço, seu programa, seu candidato, ou seus candidatos, porque o país precisa de alternativa e renovação.
Mas NÃO se deve equiparar o que JAMAIS teve medida de comparação.
O ex-presidente Lula governou o Brasil por oito anos e influenciou o governo por outros cinco.
Não faz sentido apresentá-lo como se fosse a imagem, na outra ponta, de uma pessoa como o presidente Jair Bolsonaro.
O PT jogou o jogo democrático, Bolsonaro faz a apologia da ditadura.
A frase que abre esse parágrafo eu disse em 2018, em comentários e colunas, no segundo turno das últimas eleições.
Era a conclusão da análise dos fatos e das palavras dos grupos políticos que disputavam a eleição.
Fui hostilizada por dirigentes petistas do Rio dentro de um avião, processei por difamação um servidor do Planalto no governo Dilma.
Sou vítima de constantes fake news e agressões do gabinete do ódio do governo Bolsonaro.
Já fui criticada em público pelo ex-presidente Lula mais de uma vez e fui vítima de mentiras sórdidas ditas pelo presidente Jair Bolsonaro.
Poderia com base nisso afirmar que os dois são iguais?
Objetivamente, NÃO.
Seria falso.
Posso concluir que ambos não gostam de mim, mas isso é o de menos.
Não é uma questão pessoal.
Em dois anos e quatro meses, Bolsonaro SUPEROU as PIORES EXPECTATIVAS.
Na pandemia, ele mostrou seu lado mais perverso.
A lista é longa.
Deboche diante do sofrimento alheio, disseminação do vírus, criação de conflitos, autoritarismo.
O país chegou ao número inaceitável de 400 mil mortos com um presidente negacionista ameaçando usar as Forças Armadas contra a democracia.
Em Manaus, no último fim de semana, ele repetiu que poderia lançar os militares contra as ordens dos governadores.
“Se eu decretar, eles vão cumprir”.
Esse clima de beligerante intimidação prova, diz um general, uma “necessidade doentia de demonstrar ter poder”.
Segundo essa fonte, “cada vez que se declara detentor dessa suposta força, demonstra na verdade não tê-la”.
Seja qual for a análise da MENTE DISTORCIDA do presidente, o fato é que ele ameaça o país com a ruptura institucional no meio de um doloroso sofrimento coletivo.
O ex-presidente Lula teve uma política ambiental de excelentes resultados na gestão da ministra Marina Silva e do ministro Carlos Minc.
O país viu avanços na inclusão de pobres e negros.
Na economia, houve erros e acertos.
No campo institucional, escolheu ministros do Supremo qualificados e nomeou procuradores-gerais da lista tríplice.
Bolsonaro quer devastar a floresta, capturar as instituições e seu governo exibe preconceito como se fosse natural.
Bolsonaro faz ataques sistemáticos aos veículos de imprensa e aos jornalistas.
Lula ameaçou impor o que ele chamou de “regulação da mídia”, mas recuou diante da resistência dos órgãos de comunicação.
Ameaças nunca devem ser subestimadas, mas as instituições sabem lidar com um governante que tenha um mau projeto.
Mais difícil é se defender de um inimigo da democracia como Bolsonaro.
As decisões recentes do Supremo Tribunal Federal tiraram as penas que recaíram sobre Lula e ele tem dito que foi inocentado.
Tecnicamente sim, porque não é mais um condenado pela Justiça.
O PT defende a tese de que foi tudo uma conspiração contra o partido.
Falta explicar muita coisa, mas principalmente a materialidade do dinheiro que foi devolvido por corruptos e corruptores ao poder público.
Bolsonaro usou o sentimento anticorrupção SEM o MENOR MÉRITO, como se vê na sucessão de rachadinhas, funcionários fantasmas, pagamentos em dinheiro vivo e transações imobiliárias que rondam a família.
Isso sem falar nas relações estreitas com personagens obscuros, como o miliciano Adriano da Nóbrega.
Partidos de outras tendências políticas devem trabalhar para oferecer alternativas ao eleitor brasileiro, porque a democracia é feita da diversidade de ideias e de propostas.
O erro que não se pode cometer é dizer que essa é a forma de fugir de dois extremos.
Isso fere os fatos.
NÃO existe uma extrema-esquerda no país, mas EXISTE BOLSONARO, que é de extrema-direita.
No governo, ele MULTIPLICOU as mortes da pandemia e sempre deixa claro que se puder CANCELA a DEMOCRACIA.
Miriam Leitão diz que Lula é inocente e rejeita a teoria dos "dois extremos"

247 – A jornalista Miriam Leitão publica artigo neste domingo, em que rejeita a tese criada pela direita tradicional brasileira, que se apresenta como "centro", de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro seriam dos "dois extremos" da política brasileira. "Na disputa entre Lula e Bolsonaro não há dois extremistas. Há um: Bolsonaro. O centro deve procurar seu espaço, seu programa, seu candidato, ou seus candidatos, porque o país precisa de alternativa e renovação. Mas não se deve equiparar o que jamais teve medida de comparação. O ex-presidente Lula governou o Brasil por oito anos e influenciou o governo por outros cinco. Não faz sentido apresentá-lo como se fosse a imagem, na outra ponta, de uma pessoa como o presidente Jair Bolsonaro", escreve a jornalista.
"O PT jogou o jogo democrático, Bolsonaro faz a apologia da ditadura", lembra Miriam. "Em dois anos e quatro meses, Bolsonaro superou as piores expectativas. Na pandemia, ele mostrou seu lado mais perverso. A lista é longa. Deboche diante do sofrimento alheio, disseminação do vírus, criação de conflitos, autoritarismo. O país chegou ao número inaceitável de 400 mil mortos com um presidente negacionista ameaçando usar as Forças Armadas contra a democracia."
A colunista também lembra que Lula, mantido como preso político por 580 dias a partir de uma reportagem do Globo, é um inocente. "As decisões recentes do Supremo Tribunal Federal tiraram as penas que recaíram sobre Lula e ele tem dito que foi inocentado. Tecnicamente sim, porque não é mais um condenado pela Justiça", afirma.
Novas exposições em espaços amplos, do Cosme Velho ao Jardim Botânico

Três importantes espaços culturais da cidade voltam a receber o público a partir de hoje: Casa Roberto Marinho, Escola de Artes Visuais do Parque Lage e Instituto Moreira Salles. Em comum, além das áreas expositivas, belos jardins ao ar livre que são boa alternativa para complementar o programa sem aglomeração e seguindo os protocolos de segurança.
Para entrar no Parque Lage, não é necessário agendamento — e, nos fins de semana, inclusive, não é raro ter fila no portão —, mas para visitar as exposições em cartaz, sim. Hoje, a EAV inaugura a coletiva “Hábito/Habitante”, que ocupa as Cavalariças e a Capelinha com 40 obras de artistas de diferentes gerações, como Anna Bella Geiger, Cildo Meireles, Ernesto Neto, Diambe e Ricardo Basbaum.
— Não é uma exposição sobre arquitetura, pandemia ou história da arte, mas sobre os indivíduos, o uso das imagens e dos espaços. É uma investigação sobre como o cotidiano dos espaços influencia e dá forma às pessoas — comenta Ulisses Carrilho, curador da mostra e também de “Parque”, que ocupa o palacete da EVA com fotos e documentos sobre o local, além de obras de artistas como Beatriz Milhazes e Luiz Zerbini.
No Cosme Velho, a Casa Roberto Marinho volta a exibir duas exposições que ficaram apenas duas semanas em cartaz, antes de o espaço ser fechado por causa das medidas restritivas contra a Covid. “Maria Martins” exibe esculturas e gravuras da artista mineira (1894-1973) e “A escolha do artista na Coleção Roberto Marinho” reúne trabalhos de Antonio Manuel, Beth Jobim, Cristina Canale, Raul Mourão e Waltercio Caldas que se relacionam com o acervo da casa. Além das mostras, o jardim do casarão neocolonial também é convidativo e reúne esculturas de nomes como Bruno Giorgi e Franz Weissman. Para curtir o jardim, também é preciso agendar.
Já o IMS, na Gávea volta a receber o público no jardim projetado por Burle Marx e no café Empório Jardim, mas ainda sem exposições. A abetura da nova mostra, “Arquivo Peter Scheier”, dedicada ao fotógrafo alemão, está prevista para 22 de maio.
Depois da CPI, Lira não segura mais Bolsonaro - Ribamar Fonseca
Por Ribamar Fonseca

Apesar das manobras de Bolsonaro e aliados para inviabilizá-la, revelando um medo exagerado das suas possíveis consequências, a CPI da Pandemia foi instalada no Senado por determinação do Supremo Tribunal Federal. Percebe-se, no entanto, que o medo maior dessa turma – verdadeiro pânico – é do relator Renan Calheiros. Já recorreram até à Suprema Corte para impedir o senador alagoano de permanecer na relatoria da comissão, apresentando as mais diferentes justificativas, mas ao que parece seus esforços serão infrutíferos porque não há clima para o STF interferir na estrutura da CPI. Na verdade, a CPI já aprovou o roteiro de trabalho apresentado pelo relator, que programou ouvir em depoimento primeiro os ex-ministros da Saúde Henrique Mandetta, Nelson Tech e Eduardo Pazuello, seguindo-se o atual ministro Queiroga. O depoimento mais esperado – e que mais preocupa o Planalto – é o do general Pazuello.
A julgar pela ação dos senadores governistas na CPI, empenhados em dificultar os seus trabalhos, há um temor incontrolável de que a comissão possa descobrir alguma coisa capaz de acelerar o impeachment de Bolsonaro, de onde se conclui que deve haver algo muito grave bem escondido. Tornou-se visível o desespero que se instalou no Palácio do Planalto, onde ninguém consegue esconder o nervosismo na cúpula do governo, cujos reflexos podem ser sentidos nas declarações de ministros e do próprio Presidente. As intimidações embutidas na fala do general Braga Neto, ministro da Defesa, quanto a uma possível reação militar no caso de afastamento de Bolsonaro, aparentemente produziram um efeito contrário ao esperado, pois ao que tudo indica ele deverá ser convocado pela CPI para dar explicações a respeito. Está claro que ninguém quer largar o osso e, por isso, naturalmente fica nervoso quando se vê ameaçado, o que explicaria toda essa movimentação no poder.
Outro depoimento que preocupa o governo é o do ex-secretário de Comunicação Wajngarten que, em recente entrevista à revista Veja, acusou o general Pazuello de incompetente à frente do Ministério da Saúde. A convocação dele ainda não foi aprovada pela comissão, mas tudo indica que ele será mesmo chamado a contar o que sabe sobre a gestão de Pazuello, inclusive quanto à compra de vacinas da Pfizer. Com esses primeiros depoimentos, antes mesmo da investigação tomar embalo, já se terá uma visão dos rumos da CPI e dos estragos que ela causará ao governo Bolsonaro que, apesar da fanfarronice com relação ao apoio das Forças Armadas, está a cada dia mais isolado da tropa, que já não esconde seu desconforto com as frequentes ameaças do Presidente. Se a situação continuar evoluindo nesse ritmo não vai demorar muito e o capitão pode acabar repetindo aquele velho apelo do então presidente Collor, no auge do processo de impeachment, quando disse: “Não me deixem só!”
O chefe da tropa de choque governista na CPI, senador Ciro Nogueira, declarou recentemente que “essa CPI não vai dar em nada”. Muito mais do que uma previsão, no entanto, a declaração revela um desejo, pois a verdade é que as nuvens no horizonte estão assumindo uma cara de tempestade, que se mostrou mais carrancuda após a descoberta de que sete requerimentos apresentados pelos senadores aliados na comissão foram elaborados no Palácio do Planalto, o que escandaliza a interferência do Executivo nos trabalhos do Legislativo. O pânico parece ter dominado completamente o centro do poder, onde não mais se preocupam nem mesmo em esconder suas tramas, revelando seu empenho em sabotar a CPI e impedir que ela alcance seus objetivos. A esta altura, porém, será muito difícil estancar a marcha das investigações, que serão adubadas com as descobertas do STF sobre o gabinete do ódio e a indústria de fake news. A coisa tá ficando feia para as bandas do Planalto.
O fato é que a CPI nem bem começou a funcionar e já está entulhada de informações que devem comprometer cada vez mais o Presidente, cuja queda se mostra a cada dia mais próxima. Acuado mas tentando mostrar confiança, recentemente ele afirmou que só Deus o tira da cadeira presidencial. É claro que tudo só acontece com a permissão de Deus que, assim como permitiu a sua eleição, também permitirá a sua destituição. Na verdade, muita gente dentro e fora do país estranha que ele ainda esteja no poder, com seu criminoso negacionismo, sobretudo depois das 400 mil mortes causadas pela pandemia. O jornal francês Le Monde, por exemplo, não esconde sua surpresa não apenas com a permanência de Bolsonaro no Planalto mas, também, com a passividade do povo brasileiro, que parece ter sido anestesiado pela covid-19. O periódico francês também se surpreende pelo fato de Bolsonaro ainda desfrutar de alguma popularidade, apesar do seu desgoverno, de mais de 14 milhões de desempregados, da falta de ações mais efetivas no combate à pandemia, etc. E atribui a sua presença no governo a acordos com parte do Parlamento mais preocupada com seus próprios interesses.
De qualquer modo, segundo observadores, Bolsonaro não chegará ao fim do ano como Presidente, pois afora o centrão e um punhado de seguidores fanáticos, não tem mais sustentação. Até os evangélicos, que era a sua principal base eleitoral, já estão divididos, assim como o partido que o elegeu, o PSL, e os militares, descontentes com o tratamento humilhante dado a alguns generais, como Pazuello, por exemplo. Para completar, o atual chefe da Casa Civil, general Ramos, confessou recentemente que se vacinou escondido de Bolsonaro, o que revela, no mínimo, que ele intimida seus auxiliares, os quais para não perderem os cargos preferem submeter-se aos caprichos dele. E com isso ele vai transformando velhos aliados em inimigos, conforme é possível constatar diante do comportamento crítico de ex-auxiliares, como o general Santos Cruz e Sergio Moro, entre outros. A esta altura dos acontecimentos, diante do atual panorama, Bolsonaro já poderia estar se preparando para voltar para a Barra da Tijuca, de onde nunca deveria ter saído. Afinal, depois dessa CPI, Arthur Lira não mais terá condições de permanecer sentado sobre os mais de 100 pedidos de impeachment que deram entrada na Câmara dos Deputados.
Decadente e em desespero, o jornal Estado de S. Paulo condena Lula em seu próprio tribunal e o compara a Maluf

247 – Administrado pelo sistema financeiro, o jornal Estado de S. Paulo demonstra certo desespero neste domingo, diante da força eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e nega que ele, sem nenhuma condenação judicial, possa ser declarado inocente, como qualquer outro cidadão brasileiro. Em seu próprio tribunal inquisitório, o jornal o condena e o compara a políticos como Paulo Maluf.
"Agora, observa-se a tentativa, por parte do ex-presidente Lula e de seus seguidores, de realizar outra extrapolação dos efeitos jurídicos da Lava Jato, em sentido inverso. Pretende-se que decisões processuais sobre o juízo da 13.ª Vara Federal de Curitiba realizem uma reabilitação política de Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se de uma manobra indecente, que faz troça com a memória da população. Todos os elementos descobertos pela Lava Jato em relação ao ex-presidente Lula continuam presentes. Nem sequer houve a tentativa de mostrar que o farto conjunto de provas apuradas contra ele está equivocado. Por isso, não faz sentido que uma decisão meramente processual (sem nenhuma afirmação sobre o mérito dos casos) tenha o condão de reabilitá-lo politicamente", aponta o editorial.
"Sejam quais forem os efeitos jurídicos que a Justiça vai dar às descobertas da Lava Jato, uma coisa a população já sabe. A conduta de Luiz Inácio Lula da Silva não diverge muito daquela que se viu em Eduardo Cunha, Sérgio Cabral ou mesmo Paulo Maluf, expert em alegar lisura moral com base em questões processuais", escreve ainda o jornal.
Há quatro dias, colombianos protestam contra governo de extrema direita, que em resposta militariza o país

247 - Na Colômbia realizam-se manifestações em todas as regiões do país. Em Bogotá, cidadãos manifestam-se nas ruas em repúdio às políticas repressivas contra o povo colombiano. “Aqui estão as pessoas nas ruas organizadas, lutando por uma vida digna”, expressaram os setores populares em Bogotá.
A organização social Congresso dos Povos por meio de sua conta no Twitter informou sobre a chegada neste sábado do índio Minga a Puerto Resistência, em Cali, um dos principais pontos de concentração da capital do departamento de Valle del Cauca.
O Congresso do Povo também especificou que neste "1º de maio no sul de Bogotá o povo ainda está nas ruas, apesar da ameaça da força pública e do governo nacional". A entidade denunciou a repressão da Polícia às concentrações na cidade de Pereira, localizada no departamento de Risaralda.
“Solicitamos que deem garantias de mobilização social. Protestar é um direito ”, destacou o movimento social. Da mesma forma, a mídia local destacou que o Esquadrão Móvel Antimotim (Esmad) continua reprimindo a mobilização em Barranquilla, violando os direitos humanos, impedindo as pessoas de exercer seu direito de protestar.
Em Catatumbo, são realizados bloqueios e atividades políticas de debate sobre a reforma tributária. Da mesma forma, o povo de Popayán, em Cauca, depois de mais de 80 anos, se mobilizou no dia primeiro de maio, contra a reforma tributária e contra as políticas repressivas do governo Duque, segundo Colômbia Informa.
O governador de Antioquia, Luis Fernando Suárez Vélez informou neste sábado sobre o novo decreto que rege o dito departamento colombiano, "o toque de recolher vai de 32 para 9 exceções (...) somente a compra de alimentos ou necessidades básicas será permitida através do domicílio" , ele adicionou.
Por sua vez, segundo o relatório apresentado sexta-feira pela Rede de Direitos Humanos Francisco Isaías Cifuentes, além das oito mortes registradas em Cali, a ação policial deixou um saldo de 84 pessoas levadas a delegacias, 28 feridos, três manifestantes desaparecidos, três pessoas que perderam um olho, bem como uma mulher abusada sexualmente por um agente da Esmad, segundo informações da Telesul.
O presidente da Colômbia, Iván Duque, de extrema direita, ordenou a militarização do país devido ao aumento dos protestos
O anúncio do presidente Duque veio logo depois que novas manifestações ocorreram na capital Bogotá, Cali e outras cidades.
A figura da Assistência Militar esconde a tentativa de militarizar o país para enfrentar a mobilização social. Duque afirmou em nota oficial que contará com a figura da "assistência militar", que continuará até que cessem as manifestações contra a reforma tributária.
Ele destacou que a "assistência militar" está consagrada na Constituição e acrescentou que será mantida em coordenação com prefeitos e governadores.
Organizações de defesa dos direitos humanos e movimentos sociais denunciaram a repressão das organizações de segurança contra os manifestantes.
Maior especialista dos EUA em covid recomenda que Índia aprenda com a experiência da China para combater a pandemia

Rádio Internacional da China - Na última sexta-feira (30), Anthony Fauci, conselheiro médico do governo dos Estados Unidos, afirmou em uma entrevista por telefone que um lockdown nacional de curto prazo é a primeira coisa que deve ser feita para controlar a propagação desenfreada do coronavírus na Índia.
O especialista norte-americano destacou que, quando a pandemia estourou na China, o governo chinês tomou medidas oportunas e eficazes para bloquear a propagação do vírus. Portanto, ele sugeriu que o governo indiano aprenda com a experiência da China o mais rápido possível, adotando um bloqueio abrangente de curto prazo para evitar que a atual disseminação do novo coronavírus no país piore.
Na entrevista, Fauci sugeriu também que o governo indiano construísse hospitais de campanha rapidamente para tratar um grande número de pacientes confirmados em um curto período de tempo e fornecer prontamente serviços médicos aos pacientes.
Pepe Escobar: “Brasil não é Porto Rico, é Porto Pobre”

247 - O jornalista Pepe Escobar, em entrevista à TV 247, repercutiu os comentários de que o Brasil teria ‘virado Porto Rico’, ou seja, um território não incorporado dos Estados Unidos, na prática. Na visão do correspondente internacional, a situação brasileira é ainda pior.
Ele chamou o país de “Porto Pobre” e ressaltou que, graças a Jair Bolsonaro e sua equipe, a “ex-sexta maior potência econômica do mundo” despencou para uma condição de vassalagem em relação aos EUA, país que chamou de “Estupidistão”.
“Um monte de gente começou a me falar que o Brasil está parecendo Porto Rico. Na verdade é ‘Porto Pobre’. Essa laia inominável que está no poder reduziu o Brasil que nós conhecemos ou sonhamos ou vivemos à condição de um ‘Porto Pobre’. E pior ainda: como é uma colônia do ‘Estupidistão’, é ‘Estúpio Porto Pobre’. Ou seja, é o reflexo deles, dos que estão no poder, do ‘generalito’, do capitão, do patético pinochetista. É muito triste”.
“Essa semana eu ouvi de amigos americanos, russos e alemães, entre outros, eles estão estarrecidos com o que está acontecendo no Brasil, completamente”, concluiu.
“Plano Biden é uma ruptura decisiva com o neoliberalismo”, diz Mercadante

247 - O ex-ministro Aloizio Mercadante, em entrevista à TV 247, afirmou que o plano trilionário para recuperação da economia norte-americana lançado pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, é uma “ruptura” com o neoliberalismo e tem inspirações no New Deal e no Plano Marshall.
“É uma ruptura com esse ultraneoliberalismo, com esse neoliberalismo que há 40 anos está presente, desde o [Ronald] Reagan, atravessou todos os governos, inclusive dos democratas. Se você pegar o [John F.] Kennedy, o governo Obama, o governo Clinton, dos democratas, eles não romperam com essa lógica neoliberal. O plano Biden é uma ruptura, uma ruptura decisiva. Ele se inspira e publicamente assume que foi beber no [Franklin D.] Roosevelt, foi beber no New Deal, na saída da crise de 1929”, afirmou Mercadante, destacando que o plano de recuperação econômica do senador Bernie Sanders, que disputou ao lado de Biden a vaga para candidato a presidente dos EUA pelo Partido Democrata, é ainda mais avançado.
Mercadante afirmou que o Brasil também precisa adotar um plano parecido para se recuperar, colocando o Estado como válvula de escape da crise. “Você pode olhar na história americana dois momentos parecidos, o New Deal e o pós-guerra, o Plano Marshall. Tanto que lá atrás, quando a gente discutia o nosso plano, eu até cheguei a falar: ‘olha, vamos ter que fazer uma mistura entre o New Deal e o Plano Marshall para reconstruir a economia brasileira’. O que é a mudança de atitude? O Estado passa a ser o grande indutor da recuperação econômica”.
Brasil paga o preço dos insultos de Bolsonaro a outros países, diz The Washington Post

247 - Reportagem do Washington Post sobre a pequena ajuda que o Brasil recebeu até agora para enfrentar a crise sanitária destaca que a resposta aos pedidos de ajuda do Brasil "tem sido basicamente um encolher de ombros, uma crítica aos erros do Brasil – e uma ação limitada , até agora".
“Para o Brasil, que enterrou cerca de 140.000 vítimas de coronavírus nos últimos dois meses, a resposta internacional foi mais silenciosa. O presidente Jair Bolsonaro em março pediu a ajuda de organizações internacionais. Um grupo de governadores de estado pediu “ajuda humanitária” às Nações Unidas . O embaixador do Brasil na União Europeia implorou há duas semanas por ajuda: “É uma corrida contra o tempo para salvar muitas vidas no Brasil”.
“O que está acontecendo no Brasil é uma tragédia que deveria ter sido evitada”, disse um parlamentar europeu ao embaixador brasileiro em audiência este mês. “Mas esta [é uma] tragédia baseada em decisões políticas erradas”.
“Em vez de declarar guerra contra o coronavírus”, disse outro, “Bolsonaro declarou guerra contra a ciência, a medicina, o bom senso e a vida”.
Desde terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tuitou três vezes sobre como ajudar a Índia. Ela falou pouco sobre o Brasil.
“O contraste entre a forma como a comunidade internacional lidou com as crises na Índia e no Brasil mostra como as crescentes lutas diplomáticas de Brasília complicaram a resposta do país ao coronavírus. A imagem internacional que passou décadas cultivando – com foco ambiental, amigável, multilateral – foi minada por um presidente cujo governo insultou grande parte do mundo no momento em que o Brasil mais precisava de sua ajuda”.
Márcia Tiburi: "Como o Brasil foi tomado por ignorantes, mentecaptos, oligrofrênicos e burros de todo tipo?"

247 - A professora de Filosofia Márcia Tiburi disse estranhar a razão pela qual o Brasil “foi tomado por ignorantes, mentecaptos, oligofrênicos e e burros de todo tipo."
A manifestação foi no Twitter (abaixo). "Para animar o domingo:como um país com intelectuais geniais em tantas áreas, um país de gente inteligente, culta e democrática, foi tomado por ignorantes, mentecaptos, oligofrênicos e burros de todo tipo? Como o Brasil se deixa governar por um espantalho descerebrado? Pensemos juntos!”.
A declaração foi tomada no mesmo dia em que o Washington Post diz que o Brasil recebe pouca ajuda para enfrentar a pandemia por causa dos insultos de Jair Bolsonaro a outros países.
A resposta aos pedidos de ajuda do Brasil "tem sido basicamente um encolher de ombros, uma crítica aos erros do Brasil – e uma ação limitada , até agora”.
Uma possível resposta ao tuíte de Márcia Tiburi é a ação organizada da velha imprensa para construir o ódio contra Lula e o Partido dos Trabalhadores.
Na véspera da eleição de 2018, o jornal O Estado de S. Paulo publicou editorial em que afirma que votar em Haddad ou Bolsonaro era “uma escolha muito difícil”.
Haddad era um professor universitária com atuação aprovada como ministro da Educação e uma administração municipal que elevou a cidade de São Paulo a grau de investimento.
Bolsonaro tinha quase 30 anos de atuação na Câmara dos Deputados e apenas dois projetos aprovados.
Tinha se destacado por manifestações agressivas em relação a mulheres e homossexuais.
Hoje o jornal volta a atacar Lula, e o considera símbolo da corrupção, embora se saiba que foi processado e julgado por um juiz parcial.
‘Não é possível que 63 países que estão usando a Sputnik V estejam errados e só a Anvisa certa’, diz virologista da USP

247 - O virologista e epidemiologista Eurico Arruda, da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, falou à TV 247 sobre a polêmica envolvendo a vacina russa contra a Covid-19, a Sputnik V, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A Anvisa negou pedidos de autorização para a importação do imunizante ao Brasil e o fato gerou repercussões muito negativas contra o órgão, que foi inclusive atacado pelos fabricantes da Sputnik V.
Uma das justificativas dadas pela agência para rejeitar a vacina foi a presença de adenovírus replicante na substância. Arruda, no entanto, esclareceu que o componente não é tão grave quanto diz a Anvisa. “Essa palavra virou subitamente um mito. Parece que é uma coisa gravíssima, e não é nada disso. Não existe esse negócio de que tem um adenovírus ali capaz de causar doença. Isso é sacramentado”.
Para o especialista, o que está ocorrendo é falha de comunicação entre o órgão brasileiro e os desenvolvedores russos. Ele diz acreditar que, mais cedo ou mais tarde, as dúvidas serão sanadas e o imunizante estará sendo aplicado nos brasileiros. “Eu acho que isso vai ser esclarecido porque não é possível que todos esses 63 países que estão usando a Sputnik estejam usando uma vacina defeituosa, errada. Pensem bem, as evidências são contra isso. A vacina está sendo usada na Argentina com redução larga no número de casos de Covid-19 por lá”.
“Milhões de pessoas estão sendo vacinadas com essa vacina. Essa vacina foi vendida para vários países. Vamos dar aos técnicos da Anvisa todo o crédito de que eles fizeram o trabalho deles honesto, de que eles não sofreram influência política, de que eles trabalharam tecnicamente e de que produziram aquela unanimidade porque, de fato, o processo estava cheio de problema. É a hora agora de pedir os esclarecimentos devidos e os esclarecimentos serem dados dentro de pouco tempo. Eu espero que isso aconteça amanhã, aconteça urgentemente, porque nós precisamos de vacina no Brasil”, completou.
Prisão do DF denunciada por tortura a Rodrigo Pilha é vista como local em que maus tratos a detentos são "práticas corriqueiras"

247 - A vítima mais conhecida das supostas agressões no CDP (Centro de Detenção Provisória) II de Brasília é o militante do PT Rodrigo Grassi Cademartori, o Rodrigo Pilha, 43 anos.
Segundo a família do ativista, Rodrigo e outros presos teriam sido atacados por policiais penais com chutes e pontapés e obrigados a dormir no chão. Mas não é o único caso.
“Pilha merece toda a atenção, e por esse viés político ele ganhará mídia e essa situação será averiguada, mas será muito injusto se o caso dele for tratado como isolado, sendo que essas práticas são corriqueiras”, afirma a irmã de Jonathan (nome trocado a pedido da família), preso de 32 anos que é soropositivo e que, segundo ela, teria sido agredido na unidade e ficado sem remédios no mesmo presídio, em janeiro. Após uma representação da defesa do jovem ao Ministério Público do DF, Jonathan recebeu os antirretrovirais, mas acabou infectado com Covid-19, quando já estava no presídio da Papuda, informa o Ponte Jornalismo.
Golpe com quem, cara pálida? - Moisés Mendes
Por Moisés Mendes

O voto impresso é o habeas da extrema direita insegura para as eleições do ano que vem. A defesa do comprovante do voto em papel, como pede Bolsonaro, apareceu com força nas manifestações de sábado.
O truque já está consagrado como arma de Bolsonaro e se disseminou como parte da estratégia golpista.
Defendem o voto impresso e, como sabem que o sistema não será adotado, não aceitarão o resultado da eleição, se forem perdedores. E já sentem que serão perdedores.
Mas se apresenta desde já a questão que inviabilizou o “golpe” da turba do homem das guampas nos Estados Unidos, depois da invasão do Capitólio: quem irá segurar o golpe?
No sábado, nas carreatas e passeatas, os bolsonaristas adotaram o bordão “eu autorizo”, ou “nós te autorizamos, presidente”, que significa: vá em frente, Bolsonaro, e faça a intervenção militar.
Mas vá em frente com quem, cara pálida? Essa gente que está nas ruas é que irá segurar um golpe? Nos Estados Unidos, Trump não teve apoio militar, porque ninguém imaginava que pudesse ter.
O homem das guampas e a multidão de fascistas que invadiram o Congresso, incentivados por Trump, ficaram sem ter o que fazer: invadiram e daí?
E aqui, como seria? Bolsonaro mandou embora os comandantes das três armas e o ministro da Defesa. E recrutou novos homens de confiança para a liderança da área militar.
Mas Bolsonaro pode contar com os chefes militares, quando decidir dizer que não aceita o resultado da eleição?
É um cenário ainda muito distante e impreciso. O que temos hoje são Bolsonaro, os filhos de Bolsonaro, os milicianos e a turba que vai às ruas.
Esse pessoal é suficiente para segurar um golpe? Há golpe sem apoio militar? Até as emas do Alvorada sabem que não há.
Há também uma armadilha na mensagem das manifestações de sábado. Se Bolsonaro aguardava mesmo um sinal do seu povo, como vinha dizendo, o sinal está dado.
Segundo o pessoal que foi às ruas, o sujeito tem autorização para agir. Se não agir, estará apenas blefando, como faz há mais de ano.
A estratégia do governo para tentar sabotar a CPI do genocídio - José Reinaldo
Por José Reinaldo

1) Soltar os cães hidrófobos que defendem o genocida nas redes sociais em cima dos senadores oposicionistas e independentes que compõem a comissão, a fim de intimidá-los.
2) Recorrer ao STF sistematicamente, mesmo sabendo que dará com os burros n’água, a exemplo da tentativa de impedir que o senador Renan Calheiros assumisse a relatoria. A ideia é ganhar tempo e cavar algumas manchetes na mídia.
3) Desviar o foco das investigações para governadores e prefeitos, disparando falsas acusações acerca de desvios de recursos federais. Não que irregularidades deste tipo não tenham ocorrido, mas elas estão longe, muito longe, de terem papel central na “carnificina humanitária”, que é como o jornal francês Le Monde se refere à tragédia brasileira.
4) Já circulam rumores de que o gabinete do ódio está elaborando dossiês contra depoentes incômodos. O ex-ministro Mandetta, que será ouvido esta semana, deve ser a primeira vítima da orquestração caluniosa do submundo a serviço de Bolsonaro.
5) As duas primeiras sessões da CPI revelaram que os quatro senadores bolsonaristas insistirão no mantra segundo o qual o presidente da República está sendo pré-julgado e que sua incriminação já fora decidida previamente pela oposição com o apoio de parte da mídia.
6) A bancada do governo na CPI planeja bombardear a mesa composta pelo presidente Osmar Aziz, o vice Randolfe Rodrigues e o relator Renan Calheiros com pedidos em série de questões de ordem e toda sorte de mecanismos regimentais protelatórios. Mas essa tática está sujeita a chuvas e trovoadas, porque fora o senador Ciro Nogueira, um dos campeões do fisiologismo do Congresso Nacional, os demais integrantes da tropa de choque governista são marinheiros de primeira viagem. Do lado da oposição, ao contrário, não faltam políticos tarimbados e com farta experiência nas escaramuças parlamentares.
7) Desmoralizar a CPI de antemão, vaticinando publicamente que ela não dará em nada e que Bolsonaro sairá ileso, é outra arma que vem sendo usada pelos apoiadores do serial killer.
8) Como já perdem o sono com o futuro relatório da CPI, os bolsonaristas, insuflados pelos generais do governo, ameaçam produzir um relatório alternativo com narrativa própria, partindo para uma disputa de versões na sociedade.
9) Negacionistas e sabotadores do isolamento social e da saúde pública, os necromilitantes das trevas seguirão promovendo manifestações públicas, como as deste sábado (1/5). Tudo para tentar passar a impressão de que a “força” das ruas é capaz de emparedar a CPI.
Entretanto, desde que os representantes da oposição na CPI sejam firmes, não se rendendo ao cretinismo parlamentar, e mantendo o foco e o compromisso em honrar os mais de 400 mil brasileiros mortos, a investigação tem tudo para atalhar o fim de Bolsonaro. Se não por impeachment, mas através de uma derrota acachapante em 2022.
Biden, Roosevelt, Getúlio, Trabalhismo - Vivaldo Barbosa
Por Vivaldo Barbosa

O Governo Biden lançou três projetos impactantes neste início de governo, de grande repercussão nos Estados Unidos e para o mundo. Foram um trilhão e 700 bilhões no enfrentamento da pandemia; depois, 2 trilhões e 500 bilhões para infraestrutura e avanços tecnológicos; agora, mais 1 trilhão e 800 bilhões para área social, saúde, educação, habitação, ajuda às famílias. Montanha de dinheiro para atuação do Estado no desenvolvimento e melhoria das condições de vida. Tudo financiado com aumentos dos impostos dos ricos e das empresas.
Somente uma potência econômica poderia fazer isto, dirão muitos. Dirão outros, ainda, que os planos poderiam ser melhores, o plano de Bernie Sanders para ser o candidato dos democratas, e que perdeu para o Biden, era melhor, mais abrangente. Claro, bem melhor.
Duas questões podem ser levantadas. Primeiro, Biden chamou para o governo, para o Estado, o centro das atividades, a aplicação dos recursos, os investimentos básicos. A história já provou: para infraestrutura, para o desenvolvimento, pesquisa e produção de ciência e tecnologia, o Estado tem que vir na frente, os investimentos públicos é que arrastam - o setor privado vem em seguida.
Questões desta envergadura não surgem do nada, não são bolações de uma ou mais cabeças, talvez nem mesmo de uma geração. São parte da construção da nação. E Biden teve a clarividência de enxergar isto: procurou inspiração para suas medidas no New Deal de Roosevelt, um dos momentos mais belos da história americana, comparável à Independência e fundação da República e à guerra contra a escravidão de Lincoln. Para simbolizar isto, Biden colocou em seu gabinete um retrato de Roosevelt.
A postura imperial americana talvez não sofra grandes alterações. Como se espera que as medidas de Biden provoquem grande crescimento da economia americana, a posição dos Estados Unidos no mundo ficará ainda mais dominante. Nos preparemos todos.
O Brasil se prepara para reencontrar o seu caminho, de desenvolvimento, de afirmação da nação com respeito, de menos crueldade com seu povo, pelo menos. Proclama-se, entre as melhores cabeças, a necessidade de um projeto de nação, que as forças progressistas e populares devem se unir em torno de um programa.
O projeto de nação não é um conjunto de folhas encadernadas, nem livros publicados. Deve ser o reflexo da luta do povo brasileiro. Aliás, Brizola dizia que projetos podem ser encomendados a muita gente. E qual é a luta do povo brasileiro agora? Recuperar seus direitos trabalhistas e a Previdência Social, surrupiados nos governos Temer e Bolsonaro, e avançar com as 40 horas, participação no lucro e na gestão, pelo menos; recuperar as estatais estratégicas para voltarem a ser o eixo de desenvolvimento; recompor o Estado Nacional com capacidade de intervir na economia e enfrentar os grupos econômicos daqui e de fora, afirmar a nossa soberania e estabelecer um sistema tributário que arrecade dos lucros e ganhos do capital excessivos, heranças, remessas para o exterior e outros, aliviando a classe média de grande peso e o povo consumidor que paga a conta; retomar a ideia do desenvolvimentismo que encerra coisa preciosa: o povo brasileiro ser capaz de superar o atraso.
Isto foi o trabalhismo no Brasil a partir de Getúlio Vargas. Brizola acrescentou a educação como questão número um do País, a “prioridade das prioridades”.
Lula, Dilma e o PT tiveram consciência disso. Assumiram todo o ideário do trabalhismo e acrescentaram a superação da miséria e da pobreza como projeto da nação brasileira – Lula sempre diz: colocar o pobre no orçamento. Agora, um passo a mais: o povo com seus direitos, pois os orçamentos são transitórios, vêm e vão.
Ricardo Salles e a “máfia das madeireiras” - Altamiro Borges
Por Altamiro Borges
A revista IstoÉ desta semana publica uma longa reportagem sobre "a misteriosa história do ministro Ricardo Salles com madeireiros ilegais". A matéria é bombástica e ajuda a reforçar o pedido dos partidos de oposição pela abertura imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os crimes ambientais deste devastador de fama mundial.
Segundo a reportagem, que apresenta vários documentos exclusivos, "a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) investigam a ligação do ministro do Meio Ambiente com integrantes da família de Walter Dacroce, suspeita de grilagem de terras públicas no Pará".
A fortuna de R$ 130 milhões em madeira ilegal
Essa sinistra família foi uma das fontes de abastecimento da empresa Rondobel Madeiras, a proprietária de parte dos 200 mil metros cúbicos de madeira ilegal apreendida pela Polícia Federal no Amazonas em novembro de 2020. A ação criminosa de desmatamento rendeu uma fortuna avaliada em R$ 130 milhões.
"Mesmo ciente de que as investigações da PF indicavam que a madeira era fruto de fraudes e de desmatamento ilegal, o ministro foi ao local nos dias 31 de março e 7 de abril defender os criminosos. Salles chegou a descer de helicóptero do Ibama em uma das fazendas dos Dacroce, usadas na extração ilícita de pelo menos 43 mil toras cortadas irregularmente, como demonstração de apoio aos exterminadores das florestas”, relata a revista.
Essa postura provocativa é que levou o delegado Alexandre Saraiva, responsável da PF pela investigação, a denunciar o ministro ao Supremo Tribunal Federal “por advocacia administrativa e por obstar a ação fiscalizadora do Poder Público”. A suspeita é de que Ricardo Salles obteve “vantagens de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais e crimes ambientais”.
Walter Dacroce, o grileiro profissional
"A revista IstoÉ teve acesso aos documentos que embasaram as apurações dos crimes contra o meio ambiente e traz, com exclusividade, quem são os personagens que estão no centro das investigações que colocam o nome de Salles como suspeito de participar do esquema mafioso de madeira ilegal".
O principal alvo da investigação é Walter Dacroce, “considerado um grileiro profissional. Ele serviria como uma espécie de ‘agente’ que localiza as terras devolutas e até de aldeias indígenas, viabiliza a grilagem por meio de parentes, incluindo seus filhos, e abre caminhos para que a madeireira Rondobel explore ilegalmente as áreas ocupadas”.
Outro alvo é Francine Cella Dacroce, nora de Walter Dacroce. Na sua propriedade – também visitada por Ricardo Salles –, a polícia encontrou parte da madeira ilegal que foi apreendida. “A PF suspeita que ela seja laranja de Walter, o grande capo do esquema mafioso na Amazônia. Outras propriedades da família estariam ligadas a Leonir Dacroce, filho de Walter, que chegou a ser candidato a prefeito de Palmitos (SC), em 2016”.
As "vantagens" do ministro bolsonariano
Segundo a bombástica reportagem da revista IstoÉ, o ministro ricaço e ambicioso do laranjal bolsonariano teria obtido “vantagens” nestas relações com a máfia das madeireiras. O delegado Alexandre Saraiva encaminhou ao Supremo uma notícia-crime contra Ricardo Salles, apontando-o como “integrante, na qualidade de braço forte do Estado, da organização orquestrada por madeireiros alvos da Operação Handroanthus”.
“Um dia após encaminhar a denúncia, Saraiva foi exonerado do cargo, dando contornos ainda mais nebulosos nesta história envolvendo o ministro com os madeireiros ilegais”. Em depoimento na Câmara Federal, o delegado foi categórico: “O ministro estaria atuando e favorecendo madeireiros. E isso foi feito de uma forma explícita. Tem vídeo dele apontando para a placa de uma empresa investigada que, segundo ele, ‘estava tudo certinho’, quando, na verdade, já existia em relação a essa empresa até laudo pericial apontando as irregularidades cometidas”.
Ainda de acordo com a revista, “investigadores apuram por que foram anuladas multas milionárias em nome de parentes de Walter Dacroce e que foram aplicadas pelo Iterpa e pelo Ibama. Os madeireiros investigados pela PF receberam 20 autos de infração, que resultaram em multas de aproximadamente R$ 8,4 milhões, mas muitas delas foram ‘perdoadas’ pelas autoridades ambientais. Os investigadores querem saber se houve interferência política para essas infrações terem sido anuladas”.
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