ALERTA FIOCRUZ
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Pandemia vai se intensificar no Brasil nas próximas semanas, alerta Fiocruz
Estudo com CoronaVac em Serrana mostrou queda de 70% da Covid em idosos, diz Dimas Covas
Mutações internas do coronavírus preocupam mais que variante indiana, diz especialista que prevê piora no Brasil
Senador erra ao citar Stênio Garcia para questionar eficácia da CoronaVac
“Poderíamos ter evitado NO MÍNIMO 250 mil óbitos, só com a Coronavac”
Depois de criar nova crise militar, Bolsonaro faz ameaça de golpe
Girão espalha fake news na CPI e fala em células de fetos abortados na Coronavac
“Impeachment é POUCO para Bolsonaro, ele merece CADEIA ”, diz Freixo
Em nova TRAPALHADA na CPI da Covid, tropa de choque ATIRA em BOLSONARO
Pai da vacina brasileira, Dimas Covas ENQUADRA TROPA da CLOROQUINA na CPI
O que a pergunta indigesta de Enzo Celulari diz sobre fome e alienação
Dimas Covas humilhou negacionistas com a verdade na CPI da Covid, diz Doria
Guerra de PLAQUINHAS ilustra EMBATE entre oposição e governo
Os 4 obstáculos do governo federal à vacinação, segundo Dimas Covas
Dimas Covas contradiz Pazuello, Araújo e Wajngarten, diz relator da CPI
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Chioro: “Poderíamos ter evitado no mínimo 250 mil óbitos, só com a Coronavac” | Revista Fórum
Ex-ministro fez a conta da irresponsabilidade do governo Bolsonaro a partir de depoimento do diretor do Instituto Butantan
O ex-ministro da Saúde Artur Chioro afirmou, ao comentar um trecho do depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, nesta quinta-feira (27), na CPI do Genocídio, que “poderíamos ter evitados no mínimo 250 mil óbitos, só com a Coronavac”, se ela tivesse sido comprada a tempo pelo governo de Jair Bolsonaro (Sem Partido).
Chioro disse que, “de acordo com o depoimento de Dimas Covas, perdemos três meses e meio para oferecer vacinas pela interferência do Governo. Ou seja, poderíamos ter evitados no mínimo 250.000 óbitos, só com a Coronavac. Imagine se somarmos a isso o que deixamos de oferecer da Pfizer, Janssen, Sputnik, entre outras?”, pergunta o ex-ministro.
“Somando informações obtidas na CPI até agora, teríamos condicões de ter antecipado 18 milhões de doses da Pfizer até março e 100 milhões da CoronaVac três meses e meio antes. Somando isso às doses já distribuídas, teria sido possível vacinar toda a população vulnerável (78 milhões de pessoas), mais 74,5 milhões de brasileiros não vulneráveis”, afirma Chioro.
O ex-ministro ainda completa: “Ou seja, teríamos 152 milhões de brasileiros vacinados (71,2% da população) e já estaríamos na imunidade de rebanho vacinal”.
Dimas Covas afirmou que o Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a começar a vacinação se a instituição não tivesse tido entrave nos contratos com o Ministério da Saúde.
Os testes da vacina no país começaram em julho de 2020 em seis Estados, além do Distrito Federal. A primeira oferta de vacinas ao ministério, disse Covas, foi feita em julho de 2020. Nesse momento, foram ofertadas 60 milhões de doses que poderiam ser entregues ainda no último trimestre de 2020.
Segundo Covas, não houve uma resposta positiva. O contrato com o ministério foi fechado apenas em janeiro de 2021.
Depois de criar nova crise militar, Bolsonaro faz ameaça de golpe

247 - Depois de criar uma crise militar ao levar o ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello a um ato político no Rio de Janeiro no último domingo (23), Jair Bolsonaro, em viagem nesta quinta-feira (27) a São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, voltou a ameaçar a democracia brasileira com um eventual uso das Forças Armadas para fins políticos.
A presença de Pazuello no comício bolsonarista suscitou uma grande polêmica, visto que um militar da ativa, de acordo com regimento do Exército, não pode manifestar-se politicamente. O vice-presidente, Hamilton Mourão, também general, defendeu punição ao colega: "a regra tem que ser aplicada para evitar que a anarquia se instaure dentro das Forças".
O comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ameaça renunciar ao posto diante da tentativa de blindagem de Pazuello por parte de Bolsonaro.
Confira reportagem da Reuters sobre as declarações de Bolsonaro durante viagem ao Amazonas:
Por Lisandra Paraguassu (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro voltou a ameaçar usar as Forças Armadas contra políticas de restrição de circulação adotadas nos Estados, dessa vez em um discurso durante almoço em um quartel em São Gabriel da Cachoeira (AM).
Falando a militares que servem no município --o mais ao norte do Amazonas, em região de fronteira com Colômbia e Venezuela, em meio à floresta amazônica--, Bolsonaro não citou diretamente as medidas e a atuação dos governos estaduais, mas repetiu a cobrança de "volta à normalidade", ignorando a pandemia de Covid-19 e os mais de 450 mil mortos no país.
"Mais do que obrigação e dever, tenho certeza que vocês agirão dentro das quatro linhas da Constituição, se necessário for", disse. "Espero que não seja necessário, que a gente parta para normalidade. Não estamos nela ainda, estamos longe dela. Mas ninguém pode acusar o atual presidente de ser uma pessoa que não seja democrática que não respeita as leis e que não haja dentro da Constituição."
Bolsonaro tem repetido que tem um decreto pronto para "fazer valer a Constituição". O texto, preparado pelo advogado-geral da União, André Mendonça, pretende impedir que governadores implementem medidas de restrição de circulação, como fechamentos de lojas ou toque de recolher. Até agora, no entanto, não foi editado.
O presidente repetiu, também, que está nas mãos dos militares a liberdade no país, uma afirmação que já causou mal-estar em outras vezes quando falada por ele. Dessa vez, ainda deu um tom mais político ao citar a eleição presidencial de 2022, em que pretende disputar a reeleição.
"Na política estamos polarizados. Cada um pode fazer o seu juízo sobre quem é o melhor ou o menos ruim. Mas eu duvido que, no fundo, quem porventura fizer uma análise do que aconteceu no Brasil nos últimos 20 anos, que essa pessoa erre no ano que vem", afirmou.
"O que queremos é paz, queremos progresso e acima de tudo, liberdade. A gente sabe que esse último desejo passa por vocês. Vocês que decidem em qualquer lugar do mundo como aquele povo vai viver."
Bolsonaro está em São Gabriel da Cachoeira para, oficialmente, inaugurar uma ponte construída pelo Exército no rio igarapé Ya-Mirim. De madeira, com 18 metros de comprimento e apenas seis de largura, a ponte fica em uma estrada de terra a 85 quilômetros da área urbana de São Gabriel da Cachoeira.
De acordo com líderes ianomâmis, as tribos foram informadas de que Bolsonaro iria visitar uma das aldeias na terra indígena, que fica próxima, mas o Palácio do Planalto não confirmou a visita, especialmente depois de protestos. O presidente constantemente critica o tamanho da área ianomâmi, que tem 96,6 mil km².
Depois de inaugurar a ponte, Bolsonaro não tem nenhuma programação oficial divulgada, mas deve pernoitar em São Gabriel
Girão espalha fake news na CPI e fala em células de fetos abortados na Coronavac (vídeo)

Sputnik Brasil - Senador da base governista, Eduardo Girão questionou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, sobre a presença de células "extraídas de fetos abortados" na CoronaVac.
As fake news continuam viralizando nas redes sociais durante as investigações da CPI da Covid.
Nesta quinta-feira (27), o senador da base governista, Eduardo Girão, insinuou que a CoronaVac é feita com células de fetos que foram abortados.
O boato de que vacinas são feitas com fetos abortados é antigo, tendo sendo desmentido em outras oportunidades.
A CoronaVac, por sua vez, nunca utilizou esse tipo de material.
Ela é feita com o SARS-CoV-2 inativado e replicado em em outra família de células, as Vero.
Essas são derivadas do rim de um macaco dos anos 1960.
Pandemia vai se intensificar no Brasil nas próximas semanas, alerta Fiocruz

Sputnik - A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou que a média de mortes diárias pelo coronavírus devem alcançar 2.200 nas próximas semanas.
Em seu relatório Observatório Covid-19, a entidade disse ainda que a ocupação de leitos de UTI para a doença aumentaram ou continuam em patamares elevados em quase todo o Brasil.
De acordo com o documento, houve uma estabilização das taxas de mortalidade da Covid-19 entre 16 e 22 de maio, em torno de 1.900 óbitos por dia, nível considerado alto. Até 10 de maio, a tendência era de queda.
No entanto, está ocorrendo um aumento do número de casos, o que vai se refletir em uma alta nas mortes nas próximas duas semanas.
"Esse contexto vai gerar novas pressões sobre todo o sistema de saúde. O aumento no número de internações, demonstrado pelo crescimento das taxas de ocupação dos leitos de UTI, é resultado desse novo quadro da pandemia no Brasil", diz o relatório.
O Observatório Covid-19 ressalta ainda o rejuvenescimento da pandemia, o que, "associado à circulação de novas variantes do vírus no país e ao relativo sucesso da campanha de vacinação entre populações mais idosas, torna mais crítico o tratamento para casos graves entre grupos mais jovens".
“Impeachment é pouco para Bolsonaro, ele merece cadeia”, diz Freixo

247 - O deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ) defendeu a prisão de Jair Bolsonaro, após o diretor do Butantan, Dimas Covas, revelar que o governo federal sabotou a compra de vacinas. “Se Bolsonaro não tivesse sabotado a Coronavac, o Brasil poderia ter sido o primeiro país a vacinar no mundo. Quem diz isso é Dimas Covas, diretor do Butantan. Impeachment é pouco, o lugar do presidente é na cadeia”, postou o deputado em seu twitter. Saiba mais e confira vídeo da TV 247:
BRASÍLIA (Reuters) - O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, manifestou nesta quinta-feira à CPI da Covid a expectativa de concluir rapidamente estudos clínicos da vacina ButanVac assim que houver autorização da Anvisa, para disponibilizar ao menos 40 milhões de doses do imunizante no último trimestre deste ano.
Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), o diretor do instituto afirmou que na quarta-feira ocorreu uma conversa inicial entre representante do Butantan e o Ministério da Saúde sobre a vacina, mas ainda em fase preliminar.
Covas defendeu o uso do imunizante, principalmente a países pobres, por ter baixo custo e por integrar uma "segunda geração" de vacinas, além de poder incorporar novas variantes do coronavírus com facilidade.
O diretor do Butantan alertou ainda que o instituto, assim como outros laboratórios e desenvolvedores de vacinas, já consideram a possibilidade de reforços anuais da imunização contra o coronavírus.
Covas negou que o governo federal tenha direcionado recursos ao instituto para apoio ao desenvolvimento da vacina, assim como também disse não ter havido suporte ao desenvolvimento dos estudos clínicos da CoronaVac promovidos no Brasil.
Análise: Tales Faria - Em nova trapalhada na CPI da Covid, tropa de choque atira em Bolsonaro
Tales Faria
Chefe da Sucursal de Brasília do UOL
27/05/2021 12h51
A inclusão dos governadores na CPI da Covid foi pensada pelos aliados do presidente jair Bolsonaro (sem partido) como uma estratégia para tirar o chefe do foco das investigações sobre a má gestão da pandemia. Mas, depois que a comissão aprovou a convocação de nove chefes de Executivo estaduais o Palácio do Planalto concluiu que cometeu um erro.
Errou por quê? Vamos por partes.
Em primeiro lugar, porque a convocação dos governadores pode acabar obrigando Bolsonaro a depor na CPI. Sim, é isto mesmo. Os governadores já estão discutindo se recorrem ao Supremo Tribunal Federal contra a convocação.
Tomarão como base a Lei 1579, de 1952. O seu artigo 50 diz que o Congresso pode convocar ministros e titulares de órgãos subordinados à Presidência da República. Mas excluiu o chefe do Executivo. Motivo: preservar o princípio da separação de poderes. O que é confirmado pelo artigo 146 do Regimento do Senado, que diz expressamente que as CPIs não podem investigar (aspas) "matérias pertinentes" (...) aos estados.
É praticamente certo que o STF dê ganho de causa aos govenadores. Mas, se os ministros decidirem que eles têm que depor, segundo os juristas, estará aberto o caminho para as CPIs convocarem todos os chefes de Executivo. E já tem um requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) cobrando a convocação do presidente Jair Bolsonaro.
Ou seja, depois de defender a convocação dos governadores - como fez Bolsonaro naquela famosa conversa gravada com o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO), o Planalto agora torce para o Supremo derrubar a medida.
Mas se os ministros do STF decidirem manter as convocações ainda tem o segundo problema: dos nove governadores convocados, sete são aliados do presidente da República.
Isso significa que a tropa de choque do governo estaria expondo governadores amigos do Planalto a depor numa CPI com ampla maioria de senadores da oposição. Será praticamente uma arapuca contra seus próprios aliados.
E aí vem o terceiro problema causado pela convocação, se o STF confirmar o depoimento dos governadores: os dois oposicionistas convocados - Wellington Dias, do PT, e Helder Barbalho, do MDB - terão ganho da CPI um palanque para revelar detalhes das idas e vindas do governo na gestão da pandemia e das promessas do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, feitas nas reuniões fechadas com os governadores e que não foram cumpridas.
Falei nessa manhã com quatro dos nove governadores. Todos disseram reservadamente que o recurso ao STF é praticamente certo. Só não sabem ainda se será uma ação conjunta ou individual.
Em outras palavras: a estratégia da tropa de choque na CPI revelou-se mais uma trapalhada do governo contra o presidente da República
Opinião: Balaio do Kotscho - Pai da vacina brasileira, Dimas Covas enquadra tropa da cloroquina na CPI

Ricardo Kotscho
Colunista do UOL
27/05/2021 17h32
De um lado, estava o professor Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, o médico e cientista que comandou o desenvolvimento da vacina Coronavac, a primeira a ser aplicada no Brasil e, até hoje, a que mais imunizou a população. .
De outro, um grupo de senadores leigos em medicina e em qualquer outra ciência, conhecido como " tropa de choque", um bando de ignorantes fundamentais dedicados unicamente a defender o governo federal e a cloroquina receitada pelo doutor Bolsonaro.
Presidente Bolsonaro recebe dono e CEO da CNN e dono da Jovem Pan
Ouvir um cientista respeitado como Dimas Covas, mostrando didaticamente na CPI como o governo federal boicotou a compra de vacinas do Butantan, renova as nossas esperanças de viver num país civilizado.
É como se o paciente professor e os senadores governistas pertencessem a dois países diferentes _ um que estuda e defende a vida, outro que ignora a ciência e corteja a morte.
Poupo-me de citar o nome desses senadores, que não têm vida própria, todos eles iguais em seus discursos negacionistas, um retrato da degradação da política brasileira.
Depois de passar um mês ouvindo as mentiras e sandices de ministros, ex-ministros e funcionários do governo, todos eles responsáveis ou cúmplices pelas mais de 460 mil mortes na pandemia, hoje foi um divisor de águas na CPI do Senado.
Sem se fazer acompanhar de um advogado de defesa, porque de nada era acusado, falando pausadamente e mostrando documentos para provar o que dizia, sem levantar o tom de voz, Dimas Covas ouviu as maiores bobagens em silêncio e enquadrou a tropa da cloroquina na sua mediocridade sabuja.
Desta vez, nem o filho Flávio Bolsonaro, com o braço na tipoia, apareceu para defender o indefensável.
Se não fossem o Instituto Butantan e o governo de São Paulo, que marcaram data para iniciar a imunização, e assim obrigaram o governo federal a se mexer para comprar vacinas, quando elas já estavam em falta, o número de mortos pela pandemia seria muito maior.
Se o presidente Bolsonaro não tivesse proibido a compra de vacinas do Butantan em outubro do ano passado, desautorizando o general Pazuello, e boicotado as várias propostas da Pfizer, o Brasil poderia dispor de milhões de doses já em dezembro de 2020.
O resultado dessa irresponsabilidade federal é a maior crise sanitária da nossa história, que ainda está longe de acabar.
Aos que não conseguiram sobreviver e os mais de 16 milhões de contaminados, somam-se nesta tragédia 14,7 milhões de desempregados e metade da população ameaçada pela fome.
O "efeito Bolsonaro" é devastador, por suas palavras e obras, mas ele ainda não está satisfeito.
Agora mesmo, entrou com uma ação no STF contra as medidas de restrição adotadas por governadores e prefeitos para evitar a disseminação do vírus. Só ficará faltando baixar um decreto para proibir o uso de máscaras.
Enquanto isso, Dimas Covas e sua brava equipe do Butantã trabalham dia e noite para desenvolver a Butanvac, a primeira vacina a ser fabricada totalmente no país, com insumos próprios, que não recebeu nenhum centavo de investimento do governo federal.
Tudo foi feito, das instalações da nova fábrica à compra de equipamentos, com doações da iniciativa privada.
Ao final deste encontro entre o progresso futuro e o atraso, que durou quase sete horas, fiquei pensando como seria o enfrentamento da pandemia no Brasil se, em vez de um general Pazuello, o obediente, nosso ministro da Saúde fosse alguém como Dimas Covas, mas logo me dou conta de que isso seria impossível.
Ninguém com a história e o currículo dele se submeteria a trabalhar sob as ordens de alguém como Bolsonaro,
Vai levar algumas décadas para reconstruir o Brasil devastado por um governo sádico, que odeia o saber, a ciência, a cultura, a vida.
Vida que segue.
Opinião: André Santana - O que a pergunta indigesta de Enzo Celulari diz sobre fome e alienação
André Santana
Colunista do UOL
27/05/2021 14h10
A pergunta feita pelo empreendedor social Enzo Celulari sobre o consumo de carne no Brasil evidencia o abismo que há entre aqueles que podem escolher o que comer e as milhares de pessoas que acordam sem saber como vão matar a fome, com a qual se deitaram para dormir.
É grave que pessoas privilegiadas —com acesso a boa alimentação e a informação— ainda ignorem o drama dos mais de 58 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar, que correm o risco de não terem o que comer por falta de dinheiro.
Mortes após furto: Comprar carne é caro, abater corpos negros sai barato
Enzo questionou em uma rede social se a atual queda do consumo de carne seria em decorrência da alta dos preços ou de uma maior consciência dos consumidores.
O fato revela que há ricos no Brasil que, além de não baixarem os vidros blindados de seus carros, não leem jornais. Não é doença, é fome
Denunciar a fome tem sido a prioridade de movimentos sociais, que se arriscam mesmo desprezados pelo atual governo e seus apoiadores em campanhas de difamação.
É também pauta diária de veículos de imprensa, que abordam com histórias reais o que pesquisas de diferentes universidades e institutos conceituados têm diagnosticado.

Há poucos dias, reportagem do El País trouxe relatos de médicos e profissionais de saúde da capital federal sobre pacientes que procuram as unidades se achando doentes, mas que ao serem examinados, descobre-se que 'não é doença, é fome'.
São pessoas com sintomas de tontura e fraqueza que, além da baixa imunidade para enfrentar outras doenças, como a covid-19, sofrem crises de ansiedade e pânico pelo desespero de não poder comer tampouco alimentar seus familiares.
A indignação com a pergunta do empreendedor social se dá pelo desconhecimento de situação que, apesar de agravada pela pandemia e pelo desmonte de políticas públicas de segurança alimentar do governo federal, não é nova.
Em 1947, o poeta pernambucano Manuel Bandeira já escreveu sobre "O Bicho" que viu:
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade
Bandeira revelou espanto pelo fato de o bicho ser um homem.
A esse "bicho" não é dada a possibilidade de escolha "consciente" diante daquilo que come e nem de ser "consumidor" das diversas opções que há nas prateleiras dos supermercados para substituir a proteína de origem animal.
Algumas novidades inclusive simulam desejáveis tipos de carne, como hambúrguer e bacon, para o prazer e alívio da consciência daqueles que podem pagar.
A reposta para Enzo
A resposta para Enzo é que no Brasil real há 14 milhões de desempregados, auxílio governamental de R$ 150 e altas nos preços dos alimentos, em especial da carne bovina, e também do gás para cozinhar a pouca comida que os pobres conseguem levar para casa
Organizações sociais têm feito campanhas para alertar que "tem gente com fome". Por isso é urgente a necessidade de arrecadação de alimentos e "dá de comer".
No Brasil de 2021, devastado pelo desemprego e pela falta de perspectivas, tem gente sendo morta por roubar pedaço de carne em supermercado.

A transformação desta realidade poderia ser mais acelerada com o engajamento daqueles que possuem comida na mesa, poder financeiro e influência midiática.
É absurdo que na crise política, econômica e de valores que o país vive, quando os limites entre a civilização e a barbárie parecem tênues, ainda sejam preservados os privilégios de quem prefira não encarar a realidade.
Há inclusive um pacto de proteção entre os afortunados contra cobranças por posicionamento político e engajamento social. Os cancelados passam a ser os que cobram por apoio daqueles que possuem milhões em reais e seguidores.
O ataque aos que criticam a "isenção" de certas celebridades é desproporcional e injusto diante das desigualdades do país.
É como se o dinheiro e a fama os colocassem em um patamar elevado de onde têm o privilégio de só enxergar o que quiserem e não podem ser criticados por suas escolhas e omissões.
Que todo esse debate feito nas redes sociais ajude Enzo a tomar consciência da sua função como empreendedor social e sua capacidade de ajudar os milhares de Enzos do Brasil, cujos pais puderam oferecer o mesmo nome, mas não a mesma herança em dinheiro e prestígio social.
Dimas Covas humilhou negacionistas com a verdade na CPI da Covid, diz Doria
Lucas Borges Teixeira
Do UOL, em São Paulo
27/05/2021 17h09
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), exaltou a ida do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, à CPI da Covid em Brasília hoje. Em discurso no Palácio dos Bandeirantes, o tucano disse que o pesquisador "humilhou os negacionistas" em seu depoimento.
Nesta tarde, Doria anunciou o investimento de R$ 580 milhões em dois anos para a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Em meio ao discurso, ele voltou a atacar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em tom mais exaltado que o usual e disse que o país "andou 20 anos para trás".
Tese da imunidade de rebanho foi descartada há muito tempo, diz Dimas
Um cientista brasileiro, de São Paulo, Dimas Covas, falando a verdade e humilhando, com a verdade, as mentiras dos negacionistas, a mentira de um governo que se distancia cada vez mais do povo que o elegeu."João Doria
Covas foi o convidado de hoje na CPI da Covid. Em seu depoimento, ele defendeu as vacinas, entre elas a CoronaVac, desenvolvida pelo Butantan com a chinesa Sinovac, e acusou o governo de não ter comprado o imunizante no ano passado.
O diretor do Butantan contradisse o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e culpou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo atraso nas negociações da compra da vacina CoronaVac pelo governo federal.
[Dimas Covas] está demonstrando pelos dados o que é a verdade e confrontando negacionistas e mentirosos que tentam defender o indefensável.João Doria
À imprensa, ele voltou a elogiar o depoimento do diretor do Butantan. "Ele foi brilhante porque falou a verdade — e a verdade sempre dói àqueles que são contrabandistas da mentira, que são defensores do negacionismo", afirmou o governador.
Doria, que apoiou a eleição de Bolsonaro em 2018, rompeu com o governo desde o início da pandemia e tem sido cada vez mais rígido nas críticas ao presidente. Enquanto exaltava o investimento para a Fapesp em entrevista coletiva, declarou que a União fez "exatamente o oposto".
"Ano após ano, este governo [promoveu] a redução de recursos para a ciência, a negação da ciência à pesquisa. Um desastre completo. O Brasil não andou dez anos para trás, andou duas décadas. Vinte anos o Brasil retroagiu em inovação, educação e pesquisa", declarou Doria.
R$ 580 milhões para Fapesp
O governo de São Paulo anunciou um aporte de R$ 580 milhões para a Fapesp em iniciativas voltadas para ciência, tecnologia e inovação. O investimento será distribuído em várias frentes, desde o incentivo à inovação em empresas até o financiamento de pesquisa básica.
Nesta quinta, já foi aberto um edital voltado de R$ 120 milhões, revertidos para a Fapesp, voltados a projetos de inovação em oito áreas: Saúde; Eficiência Energética; Agricultura e Abastecimento; Manufatura Avançada e Materiais Avançados; Cidades Inteligentes e Segurança Pública; Conservação do Meio Ambiente e Sustentabilidade; Cultura e Economia Criativa; e Esportes.
CPI da Covid: Guerra de plaquinhas ilustra embate entre oposição e governo

Hanrrikson de Andrade e Luciana Amaral
Do UOL, em Brasília
27/05/2021 16h48
Plaquinhas com números da pandemia se tornaram marca da CPI da Covid, no Senado Federal, instalada para investigar se houve erros da gestão federal durante a crise sanitária e atos de corrupção em estados e municípios.
O artifício foi lançado originalmente pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL), que é crítico do governo Jair Bolsonaro (sem partido). Posteriormente, aliados do chefe do Executivo responderam na mesma moeda.
Dimas: Brasil podia ter sido precursor, mas governo jogou contra a vacina

Na audiência realizada hoje, na qual presta depoimento o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, há plaquinhas de parte a parte.
À frente do vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues, um dos líderes da oposição, há um cartaz de identificação que, em vez do nome do parlamentar, exibe o número de vítimas desde o início da pandemia do coronavírus: 454.623 mortos.
Já o gaúcho Luis Carlos Heinze (Progressistas), uma das vozes da "tropa de choque" bolsonarista, reagiu com uma plaquinha que mostra o número de "vidas salvas" —em referência aos brasileiros que se recuperaram da covid-19. Seriam pouco mais de 14,7 milhões de pessoas.

Fora do plenário da CPI da Covid, a moda das plaquinhas também já se faz presente. Durante o expediente de hoje na Comissão de Meio Ambiente, a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) expôs dessa mesma forma números que, segundo a parlamentar, se referem a inquéritos e processos contra o relator da comissão no Senado.

Depoimento de Dimas Covas
Renan Calheiros disse hoje considerar que o depoimento de Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, contradiz os dos ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e do ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten.
Em documento, Calheiros cita o momento em que Covas relatou a existência de um acerto informal, ainda em 2020, entre o Butantan e Ministério da Saúde para que o instituto entregasse 100 milhões de doses da vacina CoronaVac.
As negociações esfriaram, segundo o diretor, após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dizer que "toda e qualquer vacina está descartada", em outubro daquele ano. O contrato entre o governo federal e o Butantan só seria assinado em janeiro de 2021, em condições diferentes das propostas anteriormente.
"O depoente [Covas] contradiz Pazuello, que afirmou: 'Acreditem, nunca o presidente da República me mandou desfazer qualquer contrato, qualquer acordo com o Butantan — em nenhuma vez'. (...) O depoente contradiz Pazuello, que afirmou que já teria assinado o protocolo de intenções com o Butantan, e que esse acordo não havia sido desfeito", apontou o senador.
Dimas Covas, continuou Calheiros, ainda contradisse o ex-ministro da Saúde ao afirmar que as declarações de Bolsonaro atrasaram, sim, a compra de vacinas contra a covid-19.
"Prova disso foi a assinatura do contrato do Ministério da Saúde com a AstraZeneca em agosto de 2020 e, com o Butantan, em janeiro de 2021", acrescentou.
Em outro trecho do documento, o relator da CPI faz menção à declaração de Covas de que os posicionamentos de autoridades brasileiras acabam repercutindo na imprensa chinesa e podem, como consequência, atrapalhar as tratativas pelas vacinas.
"Cada declaração que ocorre aqui no Brasil repercute na imprensa da China. As pessoas da China têm grande orgulho da contribuição que a China dá ao mundo neste momento. Então, obviamente, isso se reflete nas dificuldades burocráticas, que eram normalmente resolvidas em 15 dias, e hoje demoram mais de mês", afirmou o diretor do Butantan à CPI.
Esta fala, de acordo com o senador, contradiz os depoimentos de Araújo e Wajngarten.
"[Dimas Covas] Contradiz Pazuello, Ernesto Araújo e Fabio Wajngarten ao afirmarem que as relações com a China sempre foram salutares e não teriam sofrido impactos negativos por conta das atitudes do governo federal e de declarações do presidente da República", avaliou Calheiros.
Estudo com CoronaVac em Serrana mostrou queda de 70% da Covid em idosos, diz Dimas Covas
27/05/2021 16h30
Estudo sobre os efeitos da vacinação em massa com a CoronaVac na cidade de Serrana (SP) mostrou uma redução de 70% no número de casos de Covid-19 em idosos após a aplicação de duas doses, confirmando a eficácia da vacinação para enfrentar a pandemia, afirmou o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, nesta quinta-feira.
Os resultados do estudo, que serão divulgados ainda esta semana, apontam uma redução de casos em todas as faixas etárias vacinadas, acrescentou o presidente do Butantan em depoimento à CPI da Covid no Senado.
Tese da imunidade de rebanho foi descartada há muito tempo, diz Dimas
"Vem caindo progressivamente, mostrando que o efeito da vacina quando se vacina em massa é direto sobre a evolução da epidemia", afirmou Covas.
"E é isso que é o objetivo, enquanto não tiver essa vacinação de 97% das pessoas em risco, como foi o caso lá em Serrana, nós não vamos ter esse decréscimo natural da epidemia e ela poderá ficar sofrendo essas indas e vindas e, principalmente, quando surge uma variante nova", acrescentou.
O Butantan iniciou em fevereiro a vacinação de toda a população adulta da cidade de Serrana (cerca de 30 mil pessoas) com a CoronaVac como um estudo para avaliar o impacto da imunização na pandemia de Covid-19.
Segundo ele, o estudo ocorreu já com a presença da variante mais transmissível P.1 na cidade, o que aponta para a eficácia do imunizante desenvolvido pela chinesa Sinovac contra a linhagem do vírus originada em Manaus.
Mutações internas do coronavírus preocupam mais que variante indiana, diz especialista que prevê piora no Brasil

27/05/2021 15h36
Wanderson Oliveira, que esteve na linha de frente do combate à pandemia nas gestões de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich no Ministério da Saúde, sugere que empresários doem máscara N-95 aos empregados e diz que o Natal dos brasileiros será melhor se país conseguir vacinar 150 milhões de pessoas até outubro.
O epidemiologista Wanderson Oliveira diz que a variante indiana, que provavelmente está ligada ao crescente número de mortos no país asiático, já circula no Brasil, mas avalia que mutações do vírus originadas na América do Sul representam um risco maior à população.
Saúde diz que 2,3 milhões de doses da Pfizer devem chegar na semana que vem
"Não se trata apenas de aspectos regionais. Mas também de uma disputa entre os vírus. Não temos certeza se nesse caso haverá essa disputa, mas temos observado, por exemplo, que a P1, que agravou a situação no Brasil, não teve o mesmo padrão de comportamento em outros países onde já foi detectada. As variantes sul-africana e a do Reino Unido não prosperaram por aqui. Parece que onde há uma mutação dominante, a outra não avança".
Ele diz que a P4, identificada no interior de São Paulo, tem semelhanças com a P1 de Manaus, que já se espalhou, e pode ser um fator de agravamento: "Posso queimar a língua e a variante indiana dominar, mas acho que mutações como a P4, que surgiram aqui, têm um potencial maior ".
O ex-secretário de vigilância em saúde do governo federal diz que, embora o país não tenha hoje mortes diárias na casa dos quatro mil óbitos, os números continuam altos e é difícil saber se estamos entrando numa nova onda ou se é uma oscilação dos quadros anteriores, que, segundo ele, nunca arrefeceram no país de forma mais firme. "Foram registradas ontem mais de duas mil e trezentas mortes, o que é muito para uma quarta-feira. Geralmente na terça se tem o que foi represado do fim de semana. Eu esperaria para uma quarta 1.800 mortes, por exemplo, o que seria ainda muito alto, mas indicaria uma tendência de queda. Então devemos ter um agravamento da situação. Não sabemos a intensidade, se é algo como o Everest ou Mont Blanc. Será grave nos dois casos, mas esperamos que não seja um Everest."
O clima no Brasil deve contribuir, diz o especialista, para o prognóstico mais grave. "Estamos entrando no inverno, quando os vírus respiratórios circulam mais e as pessoas ficam em locais mais fechados. Se no verão tivemos alta, é de se esperar nova piora agora".
Ele diz que é possível tomar medidas sanitárias para minimizar esse cenário. "Isolar quem tiver sintomas de gripe. Acelerar a produção de vacinas, pois precisamos de dois milhões de doses por dia. Também precisamos melhorar a qualidade das máscaras. Usar uma cirúrgica junto com uma de pano. E, se der, a N-95, ou como é conhecida aqui, a PFF2, que protege mais. Empresários conseguem comprar mais barato e poderiam doar cinco máscaras dessas a cada funcionário. Ele usaria uma por dia e repetiria o uso delas, num rodízio por dois meses. Empresários também poderiam trazer para cá testes de farmácia para a Covid, como os de gravidez".
O epidemiologista diz que, se houvesse coordenação nacional integrada, todo comércio poderia funcionar 100 por cento em agosto. "Um lockdown agora, bem planejado, organizado, com ajuda social e também linhas de crédito e outras medidas para o setor produtivo. Seriam três semaninhas de fechamento mesmo. Junto com vacinação e máscaras. E em agosto as lojas poderiam abrir normalmente. Mas será que é isso que a sociedade brasileira quer?", questiona.
"Nossa perspectiva hoje é melhor que a do ano passado, pois temos vacina. Precisamos de coordenação nacional e vontade. Para termos um Natal melhor, temos de vacinar 70% da população. São 150 milhões de pessoas, 300 milhões de doses até outubro. Como a maioria das vacinas não é indicada para menores de 18 anos, que no Brasil são 30% da população, temos de imunizar todos os maiores de idade. É possível, mas é um grande desafio ", finaliza.
Senador erra ao citar Stênio Garcia para questionar eficácia da CoronaVac

Do UOL, em São Paulo
27/05/2021 15h29
Atualizada em 27/05/2021 16h21
O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) errou ao usar como exemplo o ator Stênio Garcia para sugerir a ineficácia da vacina CoronaVac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, contra a covid-19.
Em fala que aconteceu durante a sessão de hoje da CPI da Covid, Girão citou que o ator foi diagnosticado pela doença causada pelo novo coronavírus mesmo após ter recebido a segunda dose do imunizante.
Morre o sambista Nelson Sargento, aos 96 anos, em decorrência da covid-19
Presidente, só para complementar, porque a gente não pode considerar como eficácia essa questão do que aconteceu hoje. Inclusive, acabei de receber aqui. O próprio Stênio Garcia também, o ator Stênio Garcia, que recebeu as duas doses e, mesmo assim, foi infectado. Disse
O senador, porém, não apontou que Stênio Garcia foi infectado apenas quatro dias após ter tomado a segunda dose da vacina. Ou seja, o ator contraiu o vírus antes do tempo necessário para que o corpo produzisse uma reposta imunológica completa.
Vale ressaltar ainda que a vacina não evita a contaminação, mas, sim, a manifestação grave da doença. Ou seja, mesmo quem já foi vacinado pode ter covid-19, mas de forma branda.
Girão ainda citou o caso do sambista Nelson Sargento, que morreu hoje pela manhã aos 96 anos em decorrência da covid-19, mesmo com tendo tomado as duas doses.
O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, esclareceu na CPI hoje que as vacinas contra o coronavírus, como a CoronaVac, não formam um "escudo contra a doença e nem contra a mortalidade", sendo necessário levar em conta os fatores individuais de cada paciente.
Nelson Sargento estava internado no INCA (Instituto Nacional do Câncer) desde o dia 20 com um quadro de desidratação, anorexia e "significativa queda do estado geral", segundo o boletim médico divulgado nas redes sociais.
Nas redes sociais, a fala de Eduardo Girão causou revolta. Confira algumas reações:
Relembre o caso
Stênio Garcia tomou as duas doses da CoronaVac em 9 de fevereiro e 9 de março, respectivamente.
O anúncio de que o ator estava com covid-19 foi feito pela mulher dele, Marilene Saade, em publicação no Instagram no dia 9 de abril. Ela informou que o artista não apresentou sintomas graves, e apenas passou a espirrar com maior frequência.
Marilene ainda compartilhou o progresso do quadro clínico do marido, que se manteve sem sintomas até se curar completamente.
Ela explicou que o ator provavelmente se contaminou no dia 13 de março, quando foi visitado por uma pessoa que estava contaminada e não sabia.
Análise: Diogo Schelp - Os 4 obstáculos do governo federal à vacinação, segundo Dimas Covas

Diogo Schelp
Colunista do UOL
27/05/2021 15h26
O depoimento de Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, à CPI da Covid no Senado é um tiro de misericórdia na versão de que o governo federal não atrapalhou ou atrasou a vacinação da população brasileira contra a covid-19.
De maneira muito objetiva, com números, datas e documentos, Covas deixou evidente que, se não fossem obstáculos criados por omissões e até mesmo por ações deliberadas do Ministério da Saúde e do presidente Jair Bolsonaro, a vacinação no país teria começado antes e atualmente o número de brasileiros imunizados seria muito maior.
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Os principais obstáculos, pelo que se pode depreender do depoimento de Covas, foram os seguintes:
1) Demora do Ministério da Saúde em demonstrar interesse em adquirir a CoronaVac, o imunizante desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac, com o qual o Instituto Butantan firmou parceria em 8 de julho de 2020.
Dimas Covas apresentou à CPI um ofício enviado ao Ministério da Saúde, aos cuidados do então ministro Eduardo Pazuello, informando sobre a parceria e sobre o início dos estudos clínicos de fase 3, no Brasil, que já contava então com aprovação da Anvisa e da comissão de ética da pasta.
"O Instituto Butantan comunica a esse Ministério da Saúde a disponibilidade de fornecimento de 60 milhões de doses da vacina contra a covid-19 no último trimestre de 2020", informa o penúltimo parágrafo do ofício.
É isso mesmo: segundo a proposta feita em 30 de julho do ano passado, se o governo tivesse sido rápido em manifestar interesse pela oferta do Instituto Butantan, as doses e os insumos teriam sido encomendados à Sinovac e 60 milhões de brasileiros poderiam começar a ser vacinados ainda em 2020. Isso é o dobro dos cidadãos que receberam pelo menos a primeira dose até agora, maio de 2021, no país.
Mas o ministério foi lento. Só em outubro, portanto dois meses depois, houve uma "sinalização de que a vacina poderia ser considerada", nas palavras de Covas na CPI.
No dia 7 de outubro, o Instituto Butantan, segundo o depoente, fez nova proposta, dessa vez para 100 milhões de doses, mas com um novo cronograma.
Só no dia 19 de outubro o Ministério da Saúde produziu um documento manifestando a intenção de compra das doses da CoronaVac, para sua inclusão no Programa Nacional de Imunização (PNI).
2) O presidente Jair Bolsonaro congelou as negociações dois dias depois. No dia 20 de outubro, segundo o relato de Dimas Covas, o diretor do Butantan saiu "satisfeito" de um evento com Pazuello. Porém, "no outro dia de manhã, as conversações não prosseguiram", afirmou ele. "Houve uma inflexão" depois que Bolsonaro se manifestou publicamente contra a compra da CoronaVac.
"Voltamos ao Butantan e voltamos ao projeto, mas com algumas dificuldades", afirmou Dimas Covas.
O motivo era simples: o Ministério da Saúde, por meio do PNI, sempre foi o comprador e destinatário primordial dos produtos do Butantan. As vacinas do instituto são feitas para serem usadas pelo SUS, portanto via governo federal.
Sem a confirmação de compra pelo Ministério da Saúde, passou a existir "uma incerteza de financiamento", afirmou Covas. Ou seja, como o instituto poderia encomendar insumos para a vacina sem ter um comprador garantido?
Isso foi contornado de alguma forma com negociações com outros países e com os termos de aquisição assinados diretamente por dezessete estados da federação. Mas a incerteza permanecia.
"Nunca recebi um ofício dizendo que a intenção de compra não era mais válida. Mas, na prática, não avançou", disse Covas.
Só no início de janeiro deste ano, quando ficou evidente que a CoronaVac estaria disponível para os brasileiros antes da vacina de Oxford/AstraZeneca, distribuída pela Fiocruz (instituição do governo federal), o Ministério da Saúde entrou em contato com o Instituto Butantan para firmar um contrato de compra.
3) O governo federal negou-se a apoiar os testes de fase 3 da CoronaVac, solicitado, segundo Covas, em ofício enviado no dia 18 de agosto de 2020, que também reforçava a oferta de 60 milhões de doses até o fim do ano.
O estudo clínico custava caro, cerca de 100 milhões de reais, e o apoio do governo federal permitiria fazê-lo com maior rapidez, de maneira que fosse possível entrar com o pedido de autorização emergencial para uso da vacina junto à Anvisa mais cedo.
Sem o apoio do governo federal para acelerar os testes clínicos, a aprovação da Anvisa saiu apenas em 17 de janeiro.
Mas a falta de apoio financeiro não foi o único problema. Covas disse na CPI que a campanha que Bolsonaro e seus apoiadores vinham fazendo contra a CoronaVac dificultou inclusive o recrutamento de voluntários para os testes de fase 3: "Havia um embate contrário à vacina nas redes sociais, e isso dificultou a velocidade do estudo clínico."
4) A antidiplomacia do governo Bolsonaro em relação à China atrapalhou o acesso do Butantan aos insumos para a vacina. Dimas Covas contou que o embaixador chinês no Brasil deixou claro, em reunião com ministros de Bolsonaro e com o próprio diretor do Butantan, que as "posições contra a China causam desconforto".
Covas disse que outros países que importam a vacina chinesa não enfrentam a mesma dificuldade que o Brasil para desembaraçar o envio de insumos. "Dificuldades que antes resultavam em atrasos de 15 dias e agora chegam a 30 dias", afirmou Covas.
Segundo o diretor do Butantan, a Sinovac tem cumprido os acordos de produção de insumos, mas os atrasos são de ordem burocrática. As declarações ou insinuações ofensivas à China são veiculadas na imprensa estatal do país e abalam a boa vontade dos burocratas chineses com o Brasil. "Outros países não enfrentaram a mesma morosidade" na liberação dos insumos, avaliou Covas.
O quarto obstáculo, exposto acima, é o mais subjetivo e o mais difícil de comprovar. Mas os três primeiros são como pólvora na mão de um suspeito de assassinato.
O governo federal desperdiçou a oportunidade de disponibilizar ainda em 2020 não só vacinas da Pfizer, como já ficou evidente no depoimento do representante da farmacêutica à CPI, como do Instituto Butantan — o que poderia ter mitigado os impactos da segunda onda da pandemia.
Milhões de brasileiros deixaram de ser vacinados mais cedo, e muitos morreram e estão morrendo, apenas porque Jair Bolsonaro não quis dar ao governador de São Paulo, João Doria, o gostinho de uma vitória política.
Dimas Covas contradiz Pazuello, Araújo e Wajngarten, diz relator da CPI
Anaís Motta e Luciana Amaral
Do UOL, em São Paulo e Brasília
27/05/2021 15h24
Atualizada em 27/05/2021 16h24
Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse considerar que o depoimento de hoje de Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, contradiz os dos ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e do ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten.
Em documento, Calheiros cita o momento em que Covas relatou a existência de um acerto informal, ainda em 2020, entre o Butantan e Ministério da Saúde para que o instituto entregasse 100 milhões de doses da vacina CoronaVac. As negociações esfriaram, segundo o diretor, após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dizer que "toda e qualquer vacina está descartada", em outubro daquele ano.
Doria: 'CPI coloca às claras quem foi o responsável por metade das mortes'
O contrato entre o governo federal e o Butantan só seria assinado em janeiro de 2021, em condições diferentes das propostas anteriormente.
"O depoente [Covas] contradiz Pazuello, que afirmou: 'Acreditem, nunca o presidente da República me mandou desfazer qualquer contrato, qualquer acordo com o Butantan — em nenhuma vez'. (...) O depoente contradiz Pazuello, que afirmou que já teria assinado o protocolo de intenções com o Butantan, e que esse acordo não havia sido desfeito", apontou o senador.
Dimas Covas, continuou Calheiros, ainda contradisse o ex-ministro da Saúde ao afirmar que as declarações de Bolsonaro atrasaram, sim, a compra de vacinas contra a covid-19. "Prova disso foi a assinatura do contrato do Ministério da Saúde com a AstraZeneca em agosto de 2020 e, com o Butantan, em janeiro de 2021", acrescentou.
Em outro trecho do documento, o relator da CPI faz menção à declaração de Covas de que os posicionamentos de autoridades brasileiras acabam repercutindo na imprensa chinesa e podem, como consequência, atrapalhar as tratativas pelas vacinas (veja no vídeo abaixo).
"Cada declaração que ocorre aqui no Brasil repercute na imprensa da China. As pessoas da China têm grande orgulho da contribuição que a China dá ao mundo neste momento. Então, obviamente, isso se reflete nas dificuldades burocráticas, que eram normalmente resolvidas em 15 dias, e hoje demoram mais de mês", afirmou o diretor do Butantan à CPI.
Esta fala, de acordo com o senador, contradiz os depoimentos de Araújo e Wajngarten.
"[Dimas Covas] Contradiz Pazuello, Ernesto Araújo e Fabio Wajngarten ao afirmarem que as relações com a China sempre foram salutares e não teriam sofrido impactos negativos por conta das atitudes do governo federal e de declarações do presidente da República", avaliou Calheiros.
Integrantes do governo federal ouvidos na CPI têm insistido que suas declarações sobre a China não tiveram impacto sobre a obtenção de insumos para o combate a covid-19, notadamente da vacina. Os fatos trazidos pelo dr. Dimas Covas mostram que, ao contrário, a campanha difamatória produzida pelo presidente da República criou uma imagem ruim e indevida sobre a CoronaVac.Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI



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