O Brasil está “na VANGUARDA da ESTUPIDEZ mundial”

Pazuello feriu regulamento do Exército e terá de explicar ida a ato com Bolsonaro

Pazuello, o general genocida, fez os senadores de idiotas. E agora? 

Bolsonaristas expulsam jornalista da CNN e sobem a hashtag #CNNlixo

"Lula é o centro das soluções para o Brasil", diz Jean Wyllys

Cada palavra de Bolsonaro contra prevenção é uma agressão às famílias das vítimas da Covid, diz senador Alessandro Vieira

Haddad: "se Bolsonaro puder criar as condições objetivas para um golpe, ele irá fazê-lo"

Demissão de secretária que criticou a cloroquina foi ordem direta de Bolsonaro

Nada se salva no governo de Jair Messias

O cenário trágico em que o Brasil foi mergulhado pelo pior governo da história da República nos deixa, além de angustiados a não mais poder, atordoados. 

Para onde quer que se olhe, o que se vê são sinais claros da aberração que o Brasil virou. 

Afinal, a doutora Luana Araújo havia deixado mais que clara sua lucidez e visão do óbvio. 

Mostrou aversão radical 

xaropadas 

“neocurandeirismo” o que Jair Messias e seus sequazes fazem dia sim e o outro também. 

o Brasil está “na vanguarda da estupidez mundial”.

bando de aberrações que saltitam ao redor de Jair Messias? 

a dar exuberantes mostras de que é a pessoa certa no lugar certo.

Sua cretinice só pode ser comparada à sua mais vexaminosa ignorância em relação a tudo que se refere às artes e à cultura.

Dá sobradas mostras de tenacidade para destruir toda a estrutura cultural erguida ao longo de décadas, 

PTB e PDT negam o trabalhismo

Lula pode ser o nosso Mandela: o lado bom e o lado ruim da equiparação


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Bolsonaristas expulsam jornalista da CNN e sobem a hashtag #CNNlixo (vídeo)

Repórter da CNN é escoltado em ato bolsonarista no RJ

247 - Bolsonaristas presentes no ato com motos no Rio de Janeiro neste domingo (23), que teve a presença do próprio Jair Bolsonaro, xingaram, gritaram e expulsaram um jornalista da CNN que trabalhava no local fazendo a cobertura da manifestação.

Ele precisou sair com escolta policial para evitar que fosse agredido, aos gritos de “CNN lixo”. Nas redes sociais, os apoiadores do presidente, irritados com a emissora, subiram a hashtag #CNNlixo acompanhada de frases como:

“Recebem do povo o que vc plantam!”, “Quem gosta de mentir precisa ouvir a verdade!”, “a dor de cotovelo dos jornalistas é de dar dó” e “a #CNNLixo ñ aceita a popularidade do Presidente Bolsonaro”.

O vereador bolsonarista Douglas Garcia, de Niterói, debochou do tratamento agressivo dado ao repórter: “CNN recebendo o carinho do povo”, postou, com cara de riso. 

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Pazuello feriu regulamento do Exército e terá de explicar ida a ato com Bolsonaro

Eduardo Pazuello

247 - O general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello feriu o regulamento do Exército ao participar de ato no Rio de Janeiro com Jair Bolsonaro, neste domingo, 23. Segundo a CNN, a instituição “deverá pedir explicações ao ex-ministro”.

Reportagem assinada pelo jornalista Caio Junqueira informa que “Pazuello, de acordo com fontes das Forças Armadas, não pediu autorização ao Comando do Exército para ir ao ato”.

O Regulamento Disciplinar do Exército prevê punição para quem  "manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária". O artigo 24 do Regimento prevê seis tipos de punição, “advertência”; “impedimento disciplinar”; “repreensão”; “detenção disciplinar”; “prisão disciplinar”; e “licenciamento e a exclusão a bem da disciplina".

Além disso, a reportagem informa que o general também poderia se enquadrar em outras transgressões como "desrespeitar, retardar ou prejudicar medidas de cumprimento ou ações de ordem judicial, administrativa ou policial, ou para isso concorrer", "portar-se de maneira inconveniente ou sem compostura"; "frequentar lugares incompatíveis com o decoro da sociedade ou da classe" e "desrespeitar, em público, as convenções sociais".

Da mesma forma, Pazuello, assim como Bolsonaro, desrespeitou decreto em vigor no Rio de Janeiro, que estabelece o uso obrigatório de máscaras em todos os locais públicos.

Ao participar da manifestação no Rio, o ex-ministro confirmou que mentiu em depoimento à CPI da Covid, no Senado, nesta semana. Em depoimento, Pazuello falou ser a favor de medidas sanitárias de distanciamento e uso de máscaras, mas se aglomerou sem o equipamento na capital fluminense.

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"Lula é o centro das soluções para o Brasil", diz Jean Wyllys

Lula e Jean Wyllys

247 - Em entrevista à revista Focus Brasil, da Fundação Perseu Abramo, Jean Wyllys afirmou que o ex-presidente Lula "é o centro das soluções para o Brasil".

Na entrevista, Wyllys disse que vai mergulhar de cabeça na campanha presidencial de Lula para combater o presidente de extrema direita

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Cada palavra de Bolsonaro contra prevenção é uma agressão às famílias das vítimas da Covid, diz senador Alessandro Vieira

247 - O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) cobrou o comportamento de Jair Bolsonaro, que neste domingo (23) participou de um ato com motociclistas no Rio de Janeiro organizado por ele. 

“Bolsonaro deveria se dedicar a salvar vidas, mas gasta seu tempo em passeios de moto, aglomerações, ofensas e ameaças”, comentou o senador em postagem no Twitter.

“Cada palavra sua contra medidas de prevenção ou vacinas representa uma agressão às famílias das vítimas da COVID e àqueles que sofrem com a fome e o desemprego”, completou.

Apesar de não ser membro da CPI da Covid, Alessandro Vieira está frequentemente presente na comissão e neste sábado (22) anunciou que pedirá a convocação da ex-secretária Luana Araújo, médica infectologista que deixou o cargo de secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 dez dias após ter sido anunciada.

Luana era crítica do tratamento precoce contra a Covid, como a cloroquina. Em coletiva, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se negou a responder sobre o motivo de sua saída. Vieira quer que ela explique os motivos de sua saída. Informações de bastidores dão conta de que a demissão tenha sido ordem direta do Planalto.

Após mentir à CPI, Eduardo Pazuello aglomerou sem máscara

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello esteve presente, sem máscara, no ato bolsonarista organizado pelo chefe do Planalto. O general, que durante a semana mentiu à CPI da Covid, subiu no carro de som da manifestação e acenou aos manifestantes que gritavam seu nome.

Ao ir à manifestação política, Pazuello feriu o regulamento do Exército, que “deverá pedir explicações ao ex-ministro”. O Regulamento Disciplinar do Exército prevê punição para quem “manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária”. O entendimento é de que o ex-ministro deveria ter pedido autorização prévia à instituição.

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Haddad: "se Bolsonaro puder criar as condições objetivas para um golpe, ele irá fazê-lo"

Victor Castanho para o 247 - “Bolsonaro não é um raio em céu azul” – assim o ex-ministro da Educação e ex-prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, inicia sua resposta à pergunta “Haverá um novo Brasil?”, título do mais recente episódio do Forças do Brasil, novo programa do jornalista Mario Vitor Santos na TV 247.

Explicando o que quis dizer com a metáfora, o também professor de ciências políticas da Universidade de São Paulo (USP) afirma que “Bolsonaro é uma espécie de recidiva de vários problemas insepultos da história do Brasil, [a qual] é marcada pela escravidão, pelo patriarcalismo, pelo patrimonialismo, pelo sexismo, pela misoginia, pelo racismo...”.

Haddad desenvolve a visão de que o país encontra em Bolsonaro o ápice da inércia histórica que nos leva à violência e, dessa forma, não se pode tomar sua eleição como evento anômalo, mas sim como o resultado lógico de uma sucessão histórica extremamente visível.

Mantendo o mesmo tom de fuga a lugares-comuns imposto por Haddad, Mario Vitor realiza uma série de perguntas a respeito da visão de Haddad sobre as eleições de 2022 e a possibilidade de um golpe militar no Brasil, a farsa do PIB, a manipulação midiática promovida pela Rede Globo sobre a segurança pública no país, geopolítica e imperialismo estadunidenses. Além disso, ao longo da conversa, Haddad falou sobre a possibilidade de candidatura em 2022 ao governo de São Paulo e sobre revolução.

Eleições 2022, impeachment e golpe militar

A respeito da corrida presidencial que nos espera no futuro próximo, o ex-ministro afirma: “eu acho que em 2022, de alguma maneira, o Brasil vai responder à seguinte pergunta: vamos fazer um novo esforço para sepultar, de uma vez por todas, esse atraso que nos acompanha há 500 anos, ou vamos abraçar o nosso passado de violência por mais quatro?”.

Haddad acrescenta ainda que a eleição de 2022 “é uma eleição muito diferente de todas as outras, porque o clima de anti-política em 2018 favoreceu muito a aventura Bolsonaro. Porém, passados quatro anos, a questão irá se colocar de uma maneira muito mais decisiva e muito mais transparente, até pelo fato de que o ex-presidente Lula muito provavelmente participará da eleição e, nessa condição, as alternativas vão estar colocadas de maneira muito mais eficaz do que em qualquer outro período da nossa história”.

O ex-prefeito acredita, portanto, que o que está em jogo em 2022 é um teste para ver se a população está disposta a optar pela violenta barbárie ou pela quebra da inércia da intolerância. Está claro para o professor que as consequências da aventura Bolsonaro trouxeram consigo danos cujas dimensões mal podemos compreender. “O país efetivamente não aguenta o Bolsonaro por mais seis anos”, diz Haddad. Assim, a escolha lógica é tirá-lo do poder e abandonar os 500 anos de violência, porém ficamos à mercê da capacidade do brasileiro de quebrar essa inércia.

Quando questionado a respeito da possibilidade de Bolsonaro sofrer um impeachment antes das próximas eleições, Haddad afirma já ter sido mais otimista. “Eu não entendia como é que as pessoas poderiam manter na presidência uma pessoa comprometida com o caos, com o genocídio, com a morte deliberada. Eu não entendia como é que o Congresso poderia suportar os últimos 12 meses”, disse. Ainda acrescentou que pelo menos três quartos dos 400 mil mortos na pandemia poderiam estar entre nós caso “a gestão da crise sanitária fosse minimamente responsável”.

Apesar dos danos causados pelo governo Bolsonaro, Haddad diz: “eu acredito que o arranjo que [Bolsonaro] fez com o centrão dificultará muito a tramitação de um processo de impeachment, porque é um acerto orçamentário como nunca se viu na história do Brasil. [...] Até aqui o Congresso tem dado respaldo para toda sorte de irresponsabilidades desse governo”. O professor afirma, porém, que é completamente favorável ao impeachment.

Já no que diz respeito à possibilidade de um golpe, o ex-ministro da Educação afirma que “se Bolsonaro puder criar as condições objetivas para um golpe, ele sem dúvida alguma irá fazê-lo”. Haddad diz que “Bolsonaro não tem o menor problema de atacar as instituições democráticas, acabar com o estado democrático de direito”, porém se demonstra cético quanto ao êxito de um movimento como esse. “Com a eleição do Biden, com a eleição do Alberto Fernandez, com uma série de mudanças na geopolítica mundial, ficou mais difícil desafiar as instituições no horizonte do Bolsonarismo. Isso não significa que ele não vai tentar, mas a chance de êxito diminuiu”, disse.

A ilusão do PIB

Conversando sobre as perspectivas de crescimento do PIB para 2021, Mario Vitor pergunta ao ex-prefeito como ele acha que isso impactará as eleições de 2022. “Até por uma questão de estatística o PIB vai subir. As pessoas precisam compreender que quando o PIB sobe ele pode estar carregando uma inércia estatística do passado recente. Isso não significa que o desemprego está diminuindo – pode significar pouco em termos de bem-estar social. Então eu não acredito que o bem-estar social vai melhorar”, diz Haddad.

Dessa forma, o ex-prefeito explica de maneira sucinta que o crescimento econômico previsto para esse ano não significa que houve melhores resultados na taxa de desemprego ou diminuição da fome no país. É meramente uma consequência matemática e não deve ser interpretado como índice de efetividade do governo.

Eleições ao governo de São Paulo

“Quanto a São Paulo, minha posição é bastante transparente: eu entendo que temos que constituir uma frente para derrotar o candidato do Bolsonaro (por razões óbvias), mas também promover uma alternância de poder no comando do estado. São 28 anos de PSDB – está na hora de São Paulo viver uma nova experiência”, diz Haddad quando questionado sobre sua possível candidatura ao governo. O petista também diz que “no que depender [dele], faremos todo o esforço para que a gente consiga criar uma frente anti-BolsoDoria. Isso está acima de qualquer interesse pessoal”.

No entanto, de forma clara e simples, Haddad faz questão de dizer: “quando você se senta à mesa para discutir um projeto e alguém já entra colocando seu próprio nome como uma coisa importante para ela mesma, sem que ninguém tenha dito antes, eu acho ruim”. O ex-prefeito, assim, explicita que busca o melhor para o estado e não a execução de uma agenda própria.

Manipulação midiática

A última pesquisa divulgada pelo Datafolha diz o seguinte: Lula está a 3 pontos percentuais das intenções de voto necessárias para vencer no primeiro turno. No entanto, essa pesquisa não foi noticiada pela TV Globo e, segundo o jornalista Mario Vitor, “parece haver um manto de silêncio na emissora a respeito desse assunto”. Diante disso, Fernando Haddad apontou: “o concessionário de um serviço-público (como o realizado a Rede Globo) pode ter suas preferências partidárias [...] porém se ele contamina a informação com a linha editorial, ele está rompendo uma cláusula contratual importante de uma concessionária de um serviço de comunicação”. O professor demonstrou que há uma contradição entre o dever de informar e uma agenda própria dos concessionários do serviço da Rede Globo.

“Quando você fala em fazer jornalismo por uma concessão pública, isso exige um tipo de comportamento que nem sempre se observa. É necessário separar a linha editorial da informação, das reportagens”, disse. E ainda apontou as raízes históricas para essa problemática: “essas concessões nunca passaram por um processo que garanta o direito do cidadão à informação fidedigna. Foi tudo fruto de compadrio”. O professor afirma que grande parte desse processo concessivo se deu ao longo da ditadura militar, durante a qual o governo buscava sustentação e através das concessões a membros de famílias poderosas tentava atingir esse objetivo.

Dessa forma, Haddad lança as provocações: "Quem é que retransmite há 50 anos a Globo na Bahia? Em Alagoas, quem retransmite?”. Sem citar nomes, afirma que são as mesmas famílias de sempre – fortalecendo a ideia de que muito se segue por inércia no país.

Segurança pública no Brasil

“Eu acho que nós temos que abrir um capítulo na Constituição Federal a respeito de segurança pública”, disse o professor quando perguntado sobre sua visão diante da política higienista de Bolsonaro, a qual mais recentemente se refletiu na chacina do Jacarézinho. Haddad defende que “temos que ter um sistema único de segurança pública” e passa a enumerar algumas ações que ele crê que devam ser tomadas:

  • Federalização de alguns crimes;
  • Alteração do modus operandi da polícia civil dos estados para permitir o ciclo completo – não apenas ficar encarregadas dos inquéritos. Sua atuação deveria estar presente da repressão do crime até a investigação;
  • Concessão aos governadores a autonomia de organizar as forças policiais como ele entender que seja o correto;
  • Recriação do Ministério da Segurança Pública.

Quando questionado sobre possíveis manifestações policiais contrárias a essas mudanças, o professor defende: “Tem muito policial militar que concorda com essas mudanças”. Ainda adiciona: “Você acha que policial gosta de morrer do jeito que estão morrendo? A quantidade de policiais brasileiros que morrem é um negócio extraordinário. É a polícia que mais mata, mas é a polícia que mais morre. Então não pense que o policial está feliz”.

Haddad também afirma a gradualidade e positividade da reforma da segurança pública nacional. “Nós não estamos falando em extinguir nada. Estamos falando de uma transição lenta de desenho institucional para beneficiar todo mundo”, disse. Segundo sua visão, a forma como está desenhada a segurança pública na Constituição Federal é um dos fatos mais ricos em consequências para a violência no Brasil. “Eu garanto que se mudar o desenho [da segurança pública na Constituição] a gente muda a cara desse país”, afirmou o petista.

Geopolítica e imperialismo estadunidenses

“Os norte-americanos estão organizados de forma nem sempre coerente interna e externamente”, diz Haddad a respeito do modo de ser dos Estados Unidos. Com isso, o petista convém a ideia de que o discurso progressista interno não acompanha de igual medida as ações no globo, onde os EUA ainda agem de forma sumamente imperialista segundo Haddad. Além disso, o ex-prefeito desmente a afirmação de que “o país liberal não possui política industrial”.

“A política bélica americana é a política industrial dos Estados Unidos. É isso que as pessoas precisam entender: os Estados Unidos fazem política industrial pelo orçamento militar, não é pelo BNDES (que eles não tem). É o investimento em tecnologia militar que gerou as principais inovações da terceira e quarta revoluções industriais dos Estados Unidos”, disse. Dessa forma, Haddad desconstrói uma das maiores falácias neoliberais e demonstra o forte papel do Estado na economia estadunidense.

Quando perguntado sobre o possível fim do imperialismo, o professor se demonstra cético e discorre ainda mais sobre as contradições dos Estados Unidos. “Os Estados Unidos foram, a seu tempo, um país anti-imperialista. Eles eram anti-coloniais, anti-monárquicos e depois vieram a ser anti-escravocratas. [...] Durante o século XIX inteiro, os Estados Unidos representaram uma luz de modernização das estruturas arcaicas da Europa”, apontou Haddad. O fim dessa postura ocorreu, segundo ele, com a Guerra Hispano-Americana de 1898.

Mudanças na geopolítica latino-americana e revolução

“É necessária uma integração radical latino-americana para forçar um acordo continental americano. Se a América latina não tomar iniciativa de se integrar radicalmente, as chances dos norte-americanos olharem para cá com algum interesse decente, não simplesmente extrair as matérias-primas e os bens primários, é mínima”, disse Haddad. O acadêmico da ciência política acredita na necessidade de criar uma integração inter-latinoamericana que transcenda os erros da União Europeia e forme uma instituição forte.

“A União Europeia não é um modelo propriamente, pois apesar de ela ter dado muito certo, ela tem problemas técnicos em sua formulação, em seu desenho”, disse o professor da USP. Ele se demonstra confiante de que esses problemas podem ser superados através da observação da experiência europeia e é necessária a ocorrência dessa revolução.

Entrando no mérito da revolução, o petista disse que "a diferença entre reforma e revolução é o tempo histórico”. Dessa forma, Haddad defende uma revolução, defende a catalisação de mudanças estruturais no país. Mas reitera: “Dá para fazer isso em ambiente democrático, com respeito às pessoas, como respeito às regras do jogo, sem colocar em risco as conquistas democráticas”. O professor afirma que “o gradualismo não tem feito bem ao país. Precisamos acelerar o tempo histórico”. Ele ainda aponta que outros países não estão “lentos como o nosso” nessas transformações. “Se a gente não entrar nessa vibração, fica cada vez mais difícil de alcançar [o resto do mundo]”, finaliza Haddad.

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Demissão de secretária que criticou a cloroquina foi ordem direta de Bolsonaro

Luana Araújo e Marcelo Queiroga

247 - Jair Bolsonaro obrigou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a demitir a médica Luana Araújo, que assumira há menos de 10 dias a Secretaria de Enfrentamento à Covid-19.

A secretária sempre criticou severamente o uso da cloroquina como remédio para a covid e defendeu a ciência, algo que o ocupante do Palácio do Planalto só percebeu depois da posse da médica no ministério. 

Neste sábado (22), em entrevista coletiva à imprensa, Queiroga negou que tenha sido obrigado a demitir Luana. Ante a insistência de um repórter em querer mais detalhes, Queiroga foi ríspido: “Já falei sobre a doutora Luana. Esse é um assunto que nós consideramos encerrado. Não vou mais abordar esse assunto”, informa o jornalista Ricardo Noblat no site Metrópoles.

Em nota divulgada no seu perfil no Instagram, Luana Araújo escreveu: “Em meu discurso de apresentação, fiz questão de evidenciar minha postura técnica, baseada em evidências, pautada pelo juramento médico que fiz e que norteia todas as minhas atitudes. Vejo a ciência como ferramenta de produção de conhecimento e de educação para a priorização da vida”.

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Nada se salva no governo de Jair Messias - Eric Nepomuceno

Por Eric Nepomuceno

Luana Araújo e Marcelo Queiroga

Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia

O cenário trágico em que o Brasil foi mergulhado pelo pior governo da história da República nos deixa, além de angustiados a não mais poder, atordoados. Ainda assim, é possível registrar sinais cada vez mais claros do grau de deterioração a que o país chegou ou foi jogado.

Para onde quer que se olhe, o que se vê são sinais claros da aberração que o Brasil virou. Dois exemplos contrários, em todo caso, são esclarecedores do que vivemos. No sábado soube-se que a doutora Luana Araújo foi demitida do cargo de secretária de Enfrentamento à Covid-19 do ministério da Saúde. Ela tinha sido nomeada dez dias antes. Não chegou a esquentar a cadeira. Como não sou do ramo e ela ainda não se tornou conhecida fora do seu ambiente, confesso que jamais tinha ouvido falar da doutora Luana Araújo, com seu currículo significativo.

Logo após ter sido nomeada, foram divulgadas algumas de suas posições com relação à pandemia. E de imediato tornou-se evidente que ela não tinha a mais remota condição de integrar o ministério encabeçado pelo doutor Queiroga no governo de Jair Messias.

Afinal, a doutora Luana Araújo havia deixado mais que clara sua lucidez e visão do óbvio. Mostrou aversão radical ao uso de cloroquina, ivermectina e outras xaropadas no combate à peste que só pode ser contida por vacina e medidas de distanciamento social. Chegou a cometer a heresia máxima de chamar de “neocurandeirismo” o que Jair Messias e seus sequazes fazem dia sim e o outro também. Também disse que o Brasil está “na vanguarda da estupidez mundial”.

Ou seja: como alguém assim poderia ser aceita pelo bando de aberrações que saltitam ao redor de Jair Messias? Com semelhante lucidez, seria a única e rutilante exceção em um governo no qual ninguém, absolutamente ninguém, vale coisa alguma. Também por esses dias outro integrante do governo mostrou-se o avesso da doutora Luana Araújo. Estou me referindo ao secretário de Cultura do ministério do Turismo, Mario Frias, de quem – apesar de ser do ramo há décadas – tampouco havia ouvido falar até que aportasse na cadeira deixada vazia após a patética passagem de Regina Duarte. Soube de sua participação como galã em séries juvenis da Globo, e nada mais. Uma vez, porém, instalado em Brasília, passou a dar exuberantes mostras de que é a pessoa certa no lugar certo.

Sem o estrondo provocado por um de seus antecessores, Roberto Alvim, e sem a bizarrice de Regina Duarte, Mario Frias vem cumprindo sua missão de maneira exemplar. Sua cretinice só pode ser comparada à sua mais vexaminosa ignorância em relação a tudo que se refere às artes e à cultura.

Dá sobradas mostras de tenacidade para destruir toda a estrutura cultural erguida ao longo de décadas, distribui fartas e polpudas mostras de uma ignorância apenas comparável à sua estupidez, e ao andar de arma na cintura age em consonância azeitada com o mais bizarro dos filhos presidenciais, o deputado Eduardo. Enfim, outra pessoa certa no lugar certo para o trabalho coletivo de destroçar o país.  Parabéns a ele, parabéns a Jair Messias, parabéns a todos que merecem estar no governo Genocida. Não havia, claro, lugar para alguém como a doutora Luana Araújo. Ainda bem que o doutor Queiroga percebeu a tempo.

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Pazuello, o general genocida, fez os senadores de idiotas. E agora? - Mauro Lopes

Por Mauro Lopes

O general e o capitão desfilando no Rio

Por Mauro Lopes

O Exército brasileiro tem apreço pelos genocidas. Fez do até agora maior  deles, Caxias, seu patrono. Caxias matou brasileiros, 10 mil na Balaiada, mais de mil no massacre de Porongo, e mais de 300 mil homens, mulheres e crianças na Chacina do Paraguai, chamada de “Guerra” pela historiografia oficial militar -levando 100 mil brasileiros pobres, em sua maioria negros, igualmente à morte. Quando imaginava-se que os feitos do general Luís Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias, seriam insuperáveis, eis que surge a figura do general Eduardo Pazuello a ombreá-lo como co-autor do genocídio contemporâneo, ao lado de Bolsonaro. 

Pazuello assumiu o Ministério da Saúde em 15 de maio de 2020, quando o país tinha 14.817 mortos notificados pela Covid. Deixou a pasta 10 meses depois um rastro de 132.006 mortes -os números são bem maiores, mas esta é a numerologia macabra oficial. É patente na conta de Pazuello e Bolsonaro devem ser incluídos todos os mais de 316 mil mortos que vieram depois da gestão pazuellina -num total, até este domingo, de mais de 450 mil mortes (estima-se que devido à subnotificação, pode ter morrido mais de 600 mil pessoas em razão da pandemia).

Sim, pois como o demonstrou a professora Deisy Ventura, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora de uma série de estudos ao lado da Conectas Direitos Humanos sobre a existência de uma estratégia institucional de propagação do coronavírus adotada pelo governo do presidente Bolsonaro e que teve em Eduardo Pazuello seu principal sócio. O estudo enumerou 3.049 normas federais produzidas em 2020 que identificam sem margem a dúvidas “a estratégia intencional do governo Bolsonaro” (nas palavras de Ventura) e propagação do vírus. Assista aqui à entrevista da jurista à TV 247 em 25 de janeiro de 2021 onde ela apresenta o estudo.

Responsável maior pela chacina ao lado de Bolsonaro, Pazuello foi à CPI na última quarta-feira (19), voltando no dia seguinte. Seu desempenho oscilou entre a truculência, uma torrente de mentiras e o cinismo.

Qualquer testemunha que tivesse comportamento similar ao de Pazuello no confronto com os senadores teria saído preso da sessão -de fato, não há registro de algo semelhante na história das comissões parlamentares de inquérito.

Pazuello não saiu preso porque é general e, apesar de trajar terno, todos o viram sentado no banquinho da CPI com a farda de um general do Exército brasilleiro.

Só por isso saiu incólume aos seguidos atos de truculência e desrespeito aos senadores: disse que as perguntas do relator eram “simplórias”; em determinado momento, com ar de irritação, afirmou "Eu já respondi isso n vezes" e, logo depois, em outro assunto desafiou: "Isso já foi respondido centenas de vezes". Numa pergunta sobre as vacinas da Pfizer, ousou: "Não, até porque não houve decisão de não responder a Pfizer, digo isso pela quinta vez". Se fosse civil, teria saído para a prisão.

Mas a truculência não foi a pior agressão do general. Ele mentiu vezes sem conta, como os serviços de checagem das diferentes mídias o comprovaram. O cinismo, entretanto, foi o cume de seu comportamento.

Diante dos senadores e senadoras, Pazuello jurou sua adesão à necessidade comprovada de distanciamento social durante a pandemia e ao uso de máscara em ambientes públicos -o verbo “jurar” aqui não é em sentido figurado; o general e toda pessoas que depõe numa CPI para juramento formal de dizer a verdade e incorrer em crime de falso testemunho se rompe o compeomisso .Pois três dias depois de seu juramento, o general desfilou no Rio ao lado do capitão, sem máscara e aglomerando sorridente.

O general não foi, portanto, apenas truculento ou mentiroso ou cínico.

Neste domingo, fez mais: tratou os membros da CPI como idiotas. 

E agora? 

O presidente da CPI, senador Omar Aziz, garantira no sábado que Pazuello será convocado mais uma vez. Os senadores passarão recibo de idiotas e verão a comissão desmoralizada ou irão reagir?

Ser ou não ser idiotas institucionais.

Eis a questão. 

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PTB e PDT negam o trabalhismo - Vivaldo Barbosa

Por Vivaldo Barbosa

Por Vivaldo Barbosa

Notícias entristecedoras da vida política nacional.

1 – O fim definitivo do PTB, o velho Partido Trabalhista Brasileiro, filho da revolução do 1930, criado por Getúlio Vargas. 

Não é novidade, claro, pois desde a redemocratização transformou-se em linha auxiliar do conservadorismo, do fisiologismo, da direita, evidenciado em seu apoio a Collor. 

Mas revive a tristeza. 

Agora, Roberto Jefferson escancarou e mudou seu programa para dar cobertura ao conservadorismo.

Para receber Bolsonaro, dizem.

Isto já é sabido há muito, mas desperta para o que está vindo mais recente: o descaminho do PDT, o partido fundado pelo Brizola para abraçar as bandeiras do trabalhismo abandonadas pelo PTB.

2 – Parte da Bancada do PDT votou pela privatização da Eletrobras. 

Já havia votado antes pela reforma trabalhista, isto é, retirada de direitos dos trabalhadores, e pela reforma da Previdência Social, ruptura do sistema público de proteção social, questões fundadoras do trabalhismo no Brasil, juntamente com a criação das estatais estratégicas, reorganização do Estado nacional e a ideia do desenvolvimentismo, a capacidade do povo brasileiro superar o atraso.

Além da prioridade na educação acrescentada por Brizola.

A Eletrobras reveste-se de caráter especial neste quadro. 

Foi concebida pelo segundo Governo Getulio Vargas, na sua Assessoria Econômica, dirigida pelas grandes figuras de Rômulo de Almeida e Jesus Soares Pereira e enviada ao Congresso Nacional, com a ideia de que, para o Brasil se desenvolver e sobreviver como nação, tem de dominar suas fontes de energia. 

Petrobras e Eletrobras. 

O Governo Juscelino Kubstcheck não conseguiu aprová-la devido a fortes pressões no Congresso, especialmente de fora, embora tenha se jogado na construção de importantes hidrelétricas, Furnas à frente. 

João Goulart consegui vencer no Congresso e implantou a Eletrobras. 

Os governos militares compreenderam o papel estratégico da Eletrobras e a expandiram.

Não haverá maior negação do trabalhismo do que votar pelas reformas trabalhista e da Previdência Social e pela privatização da Eletrobras. 

Parte da Bancada do PDT o fez. 

A direção do PDT deu cobertura. 

Justificou que era para não perder parte do Fundo Partidário. 

Infelizmente, muita gente na política gosta muito de dinheiro, acima dos princípios e valores.

3 – Assistimos, ainda, o PDT contratar marqueteiro a peso de ouro, com Fundo Partidário, e utilizar ampla rede social para Ciro Gomes atacar o Partido dos Trabalhadores e a maior liderança popular do Pais, Lula. 

Os ataques de Ciro são desfechados para tentar atingir e minar as forças populares e as políticas de esquerda. 

Servem ao conservadorismo no momento que vive grandes dificuldades:

como enfrentar Lula. 

O PDT e Ciro atuam como linha auxiliar.

O Fundo Partidário não foi feito para isto: 

deve ser aplicado na formação dos quadros dos partidos e no estudo e desenvolvimento das suas doutrinas; no conhecimento do brasil e da vida do povo brasileiro para formulação e aperfeiçoamento das suas propostas.

A cobertura aos Deputados que votam em desrespeito ao trabalhismo e os ataques às políticas de esquerda mostram o triste caminho que o PDT está seguindo. 

Alias, outro dia, o ACM Neto. Presidente do DEM, o sucessor da ARENA, disse que o entrosamento com o PDT é muito grande, já estão juntos em muitos lugares e estarão juntos no ano que vem.

Triste de se ver.

Mas o trabalhismo resistirá. 

Ninguém se surpreenda, mas já está visível que o povo brasileiro se prepara para dar o troco e consagrar, no ano que vem, a linha política que defende os seus direitos e interesses. 

Foi assim em 1950, com Getúlio, depois com as eleições de Juscelino e Jango e mais adiante com Lula e Dilma. 

Já está claro no horizonte que o povo brasileiro sabe quem mais defendeu seus direitos e quem mais abraçou o trabalhismo:

Lula e o Partido dos Trabalhadores:

nenhum Deputado votou pelas reformas trabalhista e da Previdência Social, nem pela privatização da Eletrobras.

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O ódio e o amor ao PT - Emir Sader

Por Emir Sader

Lula

Colocou os filhos dos pobres nas universidades.

As trabalhadoras domésticas tiveram carteira de trabalho.

Todos os novos empregos tiveram carteira de trabalho assinada.

Distribuiu renda para os pobres.

Fundou novas universidades em todos os lugares do Brasil.

Gerou empregos com carteira assinada e não sem vínculo empregatício nenhum.

Gastou mais recursos públicos para fortalecer o SUS.

Contratou mais servidores públicos para atender à população.

Os pobres passaram a viajar de avião.

Os aeroportos passaram a se parecer com rodoviárias.

Elegeu e reelegeu um trabalhador presidente do Brasil.

Vai eleger de novo um trabalhador presidente do Brasil.

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Lula pode ser o nosso Mandela: o lado bom e o lado ruim da equiparação - Jair de Souza

Por Jair de Souza

Mandela e Lula

Por Jair de Souza

Neste momento de calamidade em que o Brasil se encontra devido aos descalabros produzidos por aqueles que desfecharam o golpe de 2016 e seus sucedâneos da praga bolsonarista que chegou ao governo, parece que o nome de Luiz Inácio Lula da Silva se vislumbra como o único capaz de retirar a nação do lamaçal no qual ela foi lançada.

Nessa volta fulgurante, sendo visto e sentido como um possível salvador da pátria, muitos têm equiparado a figura de Lula e o papel que ele deve desempenhar por aqui àquele que há algumas décadas fora exercido pelo saudoso líder sul-africano Nelson Mandela no processo de transição que pôs fim ao odiento regime de segregação racial conhecido como apartheid que vigia na África do Sul.

Realmente, é muito positivo que o povo brasileiro conte com uma liderança tão responsável, cativante e motivadora como o é Lula. Assim como Mandela, Lula também preferiu sofrer prisão e perseguição a trair os ideais com os quais ele havia conquistado a confiança de seu povo. Não é à toa que o nome de Lula aparece disparado em primeiro lugar em todas as pesquisas eleitorais que vêm sendo realizadas. Mesmo entre aqueles que nunca simpatizaram com seu nome, Lula passou a ser visto como o único capaz de liderar o Brasil num caminho que nos tire da imensa tragédia em que o bolsonarismo nos lançou. Porém, também precisamos recordar o que ocorreu com a transição liderada por Mandela na África do Sul e aprender com sua lição.

Precisamos recordar que a luta contra o maldito apartheid foi travada durante décadas pelo povo sul-africano. O principal órgão dirigente daquela luta foi o Congresso Nacional Africano (CNA), em cujo seio a principal força era representada pelo Partido Comunista Sul-Africano (ao qual o próprio Mandela esteve vinculado). É fato que Mandela permaneceu encarcerado e incomunicado por mais de 27 anos e, portanto, estava impossibilitado de exercer o comando prático dos embates travados contra as poderosíssimas forças de choque dos racistas sul-africanos. Embora o papel simbólico de Mandela tenha sido enorme, no dia a dia prático, foram outros os que exerceram as mais importantes funções: Winnie Mandela, Joe Slovo, Oliver Tambo, Steve Biko, etc., muitos deles filiados ao PCSA.

Foram esses militantes que conduziram a luta contra o aparelho de repressão do regime racista e o derrotaram na prática. Quando da libertação de Mandela no começo da década 1990, as forças sustentadoras do apartheid estavam fragorosamente derrotadas política e militarmente. Assim que, Mandela era visto como o grande nome que seria capaz de recompor os pedaços daquele país que havia sido destroçado pelos racistas e os beneficiários de sua política segregacionista e excludente. Politicamente, não havia nenhuma outra força capaz de se contrapor ao CNA em toda a África do Sul.

Infelizmente, nem Mandela e nem os outros dirigentes que estavam mais próximos dele naquele momento se aperceberam do que estava sendo tramado por aqueles que acabavam de ser derrotados no campo de batalha. Ao perceber que não poderiam ter o domínio das instituições políticas do Estado, os representantes dos interesses da elite racista se deram conta de que lhes seria mais conveniente tratar de manter seu domínio através do controle da economia.

Assim que, enquanto aceitavam fazer concessões a nível de formalidades políticas, deixando os cargos políticos do governo para o CNA, trataram de aferrar-se no comando dos órgãos que controlam o funcionamento econômico. Também se empenharam e conseguiram impedir que qualquer lei que alterasse de fato a injusta situação econômica do país fosse implementada. Daí que deu-se ampla abertura para tudo o que tinha a ver com o neoliberalismo: Banco Central independente, nada de reforma agrária, legislação trabalhista favorável ao patronato, etc.

Como consequência, independentemente de que caras negras passassem a ocupar os cargos políticos de governo, a situação concreta do conjunto do povo trabalhador acabou por se tornar ainda pior. É lamentável, mas o fim do apartheid gerou uma acentuação da desigualdade social e a África do Sul veio a se transformar num dos países de maior nível de desigualdade social do mundo, superando até o Brasil nesse quesito.

É fundamental que frisemos, não foi pelo fim do apartheid que isso ocorreu. Foi sim devido ao negligenciamento pelos representantes populares das questões que dizem respeito diretamente ao nível de vida da população. E aqui vale a pena voltar ao caso brasileiro. É muito bom que Lula receba apoio de todos os setores de nossa sociedade, até dos capitalistas, dos banqueiros, dos donos de terras. Se eles quiserem ajudar a pôr fim à desgraça representada pelo bolsonarismo, bem-vindos sejam.

Mas não devemos deixar de considerar que são as forças populares que representam a essência do bloco transformador neste processo e neste momento. Todo e qualquer apoio deve ser recebido de bom grado, desde que não nos impeça de exigir que as reivindicações básicas dos setores populares estejam na primeira linha de objetivos.

Devemos receber de braços abertos a todos os que aceitem a revogação das medidas que retiraram direitos dos trabalhadores depois do golpe de 2016; que aceitem lutar pelo fim da limitação do teto de gastos; que apoiem a luta pela recuperação de nosso pré-sal; que concordem com a recuperação e revitalização da Petrobrás; que defendam a volta do Banco Central ao controle governamental; que se empenhem na recuperação da Eletrobrás e impeçam sua privatização; etc. Ou seja, todos os que se disponham a participar conosco nas lutas por esses objetivos podem e devem ser vistos como nossos aliados. Mas não podemos abdicar dos mesmos sob pena de condenar nosso povo a novas derrotas.

É neste sentido que a lição de Mandela nos deve servir. Não caiamos no mesmo golpe que o valoroso líder anti-apartheid não soube detectar.

Para uma análise mais detalhada dos acontecimentos que marcaram a transição na África do Sul, recomendo a leitura do capítulo 10 do livro A Doutrina do Choque, de Naomi Klein.

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