COLÔMBIA, um país em EBULIÇÃO
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Niterói é fonte de inspiração para a exposição ‘Ressurgência’, no MAC
Moradores de Niterói aprovam mudança de nome de rua em Icaraí para Ator Paulo Gustavo
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Niterói é fonte de inspiração para a exposição ‘Ressurgência’, no MAC

NITERÓI — Quatro artistas com DNA de Niterói foram convidados para mostrar seus talentos para a fotografia e o design na exposição “Ressurgência”, que abre para o público na sexta-feira, às 11h, no Museu de Arte Contemporânea. A ideia do Entreartes — Coletivo de Arte é ressaltar que a cidade se reinventa quando desafiada a superar problemas e traumas. Daí o nome do encontro de Luiz Bhering, Mario Costa Santos, Pedro Vasquez e Renato Moreth fazer alusão a um ciclo oceanográfico de renovação das águas.
O visitante encontrará o centro do salão do MAC iluminado por projeções do mar, lembrando que a ressurgência ocorre quando ventos mudam de direção e águas mais frias e ricas em nutrientes vão para a superfície. Essa “realimentação” inspira os mais de 70 trabalhos reunidos, segundo a curadora Ana Schieck e a produtora Cacau Dias, do Entreartes. A exposição também é dedicada ao artista Cláudio Valério Teixeira, recém-falecido.
— Ele foi uma das referências na transformação da autoestima de Niterói pela cultura. O MAC é o maior símbolo disso — diz o escritor e fotógrafo Pedro Vasquez, que reuniu para a exposição fotos batizadas de “Imagens do mundo flutuante”, tendo o mar como foco.
O próprio MAC é a inspiração do fotógrafo Luiz Bhering. Para ele, expor os trabalhos no museu tem uma simbologia especial, depois de horas buscando a luz ideal e os melhores ângulos da obra de Oscar Niemeyer. A maioria das fotos foi produzida durante a pandemia.
Se não fosse o isolamento, Renato Moreth teria incluído personagens de mais um país na seleção dos 25 povos representados na exposição. É que ele teve que adiar para o ano que vem uma viagem à Namíbia. Ao trazer para o museu tantas pessoas retratadas nos mais variados pontos do planeta, Moreth expressa a vontade de vê-las circulando nas ruas, e de também colocar o pé na estrada com sua câmera.
A ideia das imagens do mar projetadas no salão levam a assinatura do arquiteto Mario Costa Santos, responsável pela cenografia da exposição e que também compartilhará com o público o desenvolvimento do processo criativo da linha de móveis Zanzar.
— Assim como a Janete Costa, minha mestra e mãe, tenho um trabalho que procura ir além do equilíbrio estético e funcional, abordando sempre as questões sociais, culturais e regionais. Procuro valorizar a mão de obra local e artesanal sem perder a conexão com a tecnologia — explica.
“Ressurgência” é a 11ª edição do Entreartes, em três anos de exposições em Niterói. Essa será a primeira vez no MAC, e a meta é fazer projetos em outros lugares do Brasil e do exterior, divulgando a cultura local. A mostra, que foi escolhida no edital de Incentivo Fiscal da prefeitura, ficará aberta até 18 de julho, de terça a domingo, das 11h às 16h, seguindo os protocolos sanitários.
Moradores de Niterói aprovam mudança de nome de rua em Icaraí para Ator Paulo Gustavo

RIO — Uma das ruas mais conhecidas do município de Niterói, a Coronel Moreira César, no bairro de Icaraí, passou a se chamar Ator Paulo Gustavo desde a noite desta quarta-feira. Quarenta e seis placas com o nome do humorista — que cresceu na cidade da Região Metropolitana do Rio — foram instaladas na via. Moradores e comerciantes da região passam pelo local e aproveitam para registrar a mudança. Essa é uma homenagem a Paulo Gustavo que morreu no começo do mês vítima de Covid-19.
A mudança do nome da rua foi aprovada em consulta pública com mais de 34 mil participantes e teve mensagem executiva do prefeito Axel Grael aprovada pela Câmara de Vereadores. Na última sexta-feira, o projeto de lei sobre a alteração do nome foi sancionado. A cidade também prepara um circuito cultural e uma estátua em homenagem ao artista no Campo de São Bento, também em Icaraí. No local, foram gravadas cenas da franquia "Minha mãe é uma peça".
A babá Marlene de Souza Dias, de 45 anos, passava pela Rua Presidente Backer e parou na esquina da Ator Paulo Gustavo parou para registrar a mudança de nome da rua.
— Minha filha é super fã dele e nós sempre gostamos de seu trabalho. Eu achei uma homenagem bonita para nós e para a família. Ele falava muito da cidade. Era comum a gente passear aqui por Icaraí e encontrarmos com ele. Um gênio no que fazia — disse Marlene.
A promotora de vendas Fabiana Rangel da Silva, de 39 anos, também aproveitou para registrar a mudança de nome da rua. Logo após fazer uma foto junto à placa, ela a enviou para o grupo da família:
— Não sabia que a troca seria imediata. Eu vi que eles trocaram e estou muito feliz. Eu gostava muito da Dona Hermínia — contou ela, se referindo ao mais famoso personagem de Paulo Gustavo. E completou: — Ele fazia parte da família do brasileiro. Era como se ele fosse da minha família. Quando ele morreu eu chorei muito. Essa é uma homenagem justa para uma pessoa que levou Niterói para o mundo.
As placas se dividem em dois tipos. Uma no padrão que já se vê pelas ruas da cidade, com o nome Rua Ator Paulo Gustavo, seguida pelas informações sobre o artista e o CEP da via. O outro tipo, que vai integrar o Circuito Turístico Cultural Paulo Gustavo, tem o rosto do ator e uma das três frases: "Rir é um ato de resistência", na esquina da Rua Presidente Backer; "Ame na prática, na ação. Amar é ação, amar é arte", na esquina da Rua Otávio Carneiro; e “O humor salva, transforma, alivia, cura, traz esperança pra vida da gente”, na esquina da Rua Lopes Trovão.
Na manhã desta quinta-feira, a professora aposentada Fernanda Ramalho, de 72 anos, passou pela Rua Ator Paulo Gustavo e se surpreendeu com a mudança. Dona Fernanda foi professora do artista há mais de 30 anos, quando ele estava primário. À época, o pequeno Paulo estudou no Centro Educacional de Niterói:
— Aqui é uma espécie de Visconde de Pirajá de Icaraí. (A rua) Era conhecida por outro nome, mas vamos fazer a Rua Paulo Gustavo ser uma tradição. Essa é uma homenagem bonita para uma pessoa importante.
Ela lembrou do ator quando criança.
— Ele foi o meu aluno quando era bem pequenininho. Infelizmente, ele foi logo embora, ficou pouco tempo no Centro Educacional de Niterói. Estudou comigo no 1º ano. Era um aluno lindinho, gostosinho. Mas a mãe não teve condições e acabou tirando ele da escola. Agora ele recebe essa homenagem justa — disse.
'Admiração pelo trabalho desse artista', diz prefeito
Para o prefeito Axel Grael (PDT), com esta homenagem, Niterói demonstra respeito pelo artista que, segundo ele, "enalteceu a cidade com sua genialidade e talento”:
— Niterói está homenageando, de várias formas, mais um de seus filhos. É muito justo que a cidade retribua e demonstre admiração pelo trabalho desse artista, que sempre retratou Niterói com carinho.
A secretária municipal de Conservação e Serviços Públicos, Dayse Monassa, também lembrou da paixão do ator pela cidade.
— Ao todo são 46 placas, sendo três esquinas com pontos especiais: a da Rua Presidente Backer, por conta da padaria Beira Mar, que ele frequentava, e as das ruas Lopes Trovão e Otávio Carneiro, que levam até o Campo de São Bento, nosso Central Park, como dizia o Paulo, local que ele tanto frequentou e o levou, nos seus filmes, a ser conhecido nacional e internacionalmente — explica Dayse.
Lançado há 20 anos, ‘Shrek’ teve um caminho espinhoso até o sucesso

Um ogro como herói romântico e a a falta de um príncipe tradicional não foram os únicos obstáculos enfrentados por "Shrek", a grande aposta do recém-formado estúdio "DreamWorks" em 2001. O filme teve um vai e vem de produtores e diretores, um dos principais papéis teve de ser reformulado e a tecnologia foi um desafio para que os personagens transmitissem os sentimentos necessários. Na verdade, o projeto era visto quase como uma "geladeira" entre entre os funcionários do estúdio.
— Ser designado para ‘Shrek’ era como ir para a Sibéria — lembra a codiretora Vicky Jenson.
Mas quando o filme foi lançado nos EUA, em 18 de maio de 2001 (chegaria ao Brasil em junho), imediatamente assumiu a liderança nas bilheterias, recebeu aclamação da crítica e se tornou o primeiro ganhador do Oscar de melhor animação. Vinte anos depois, “Shrek” ainda é um conto de fadas excêntrico e amado, com personagens e piadas que se tornaram parte da cultura pop, alcançandoa novas gerações de fãs.
— Não tínhamos realmente a noção de que seria grande — admite Jenson. — Havia alguns vislumbres, quando alguém comentava "uau, acho que nunca vimos isso antes", ou "isso é muito engraçado" ou "comovente".
Estrelas na dublagem
Dirigido por Jenson e Andrew Adamson, o filme é baseado em um livro infantil de William Steig. A sinopse fala sobre um ogro irritado e isolado, que parte em uma jornada épica com seu ajudante Burro, depois que seu pântano é tomado. Sua busca envolve um acordo com um senhor tirânico: resgatar uma princesa, Fiona, com quem o nobre quer se casar, e em troca, Shrek pode ter sua casa de volta.
Uma das chaves para o sucesso do filme foi o trabalho de voz cômico inesquecível feito por um elenco que incluía Mike Myers (Shrek), Eddie Murphy (Burro) e Cameron Diaz (Fiona).
O visual do filme também era surpreendente. Mesmo que a DreamWorks tivesse experiência com animação por computador, graças a “Formiguinhaz” (1998), os desafios de alcance e escala de “Shrek” eram outros. O cenário mágico do filme exigie uma renderização complexa, especialmente se a Fiona quisesse se mover com elegância. Esse e outros elementos, como a pele de burro, foram avanços tecnológicos. Na época, o supervisor de efeitos visuais de “Shrek” referiu-se a “um nível de complexidade nunca feito antes”.
Em seus primeiros anos, “Shrek” passou por alguns produtores e cineastas, incluindo Kelly Asbury, que saiu para co-dirigir outro projeto da DreamWorks. Jenson se juntou a “Shrek” em 1997, chegando finalmente a diretora. (Spielberg comprou os direitos do livro que inspirou o filme em 1991 e a produção começou em 1995)
Myers assume após morte de ator
O elenco ainda era um problema quando ela assumiu o cargo. Diaz e Murphy estavam a bordo, mas o personagem-título era uma dúvida. Chris Farley, estrela do “Saturday Night Live”, foi originalmente escalado e gravou muitas de suas falas antes de morrer, aos 33 anos, em dezembro de 1997.
Jenson e boa parte da equipe eram grandes fãs de “SNL” e pensaram logo em Mike Myers como substituto.
— Foi difícil convencer o estúdio porque ele ainda estava surgindo, não era o grande nome que é hoje — diz ela. (Myers não respondeu aos pedidos de entrevista; Murphy e Diaz se recusaram a comentar para este artigo.)
Enquanto isso, os diretores e a equipe de história trabalhavam, inspirados em filmes como “A princesa prometida”. Os roteiristas merecem o crédito de boa parte do humor ousado pelo qual o filme é conhecido, mas os atores também tiveram espaço para improvisar. Myers deu a Shrek um sotaque escocês que lembrava o de seu pai e trouxe muitas das citações mais memoráveis do filme, incluindo "Melhor fora do que dentro", após os arrotos de ogro.
— Depois de ter gravado tudo, Mike Myers quis testar uma performance vocal diferente, e foi tão bem-sucedido que Katzenberg (um dos chefes da Dreamworks) decidiu regravar tudo. — diz Rossio. No final, complementa, havia mais de 5 mil páginas em seu disco rígido para um roteiro final de 85 páginas.
Primeiro Oscar de animação

O filme competiu no Festival de Cannes antes de seu lançamento nos cinemas americanos. Estrou em primeiro lugar nos EUA e faturou quase US$ 500 milhões em todo o mundo, com um orçamento de produção de US$ 60 milhões. “Shrek” foi amplamente elogiado pela crítica e acabou ganhando o primeiro Oscar de melhor longa-metragem de animação, derrotando “Monstros S/A”, da Pixar
A própria Jenson só entendeu o sucesso de “Shrek” quando estava jantando em um restaurante japonês em North Hollywood e ouviu duas pessoas comentando: "Você viu 'Shrek'?", "Não, não, eu não vejo filmes infantis", "Não, não, não é para crianças. Você tem que ir ver."
O sucesso do filme se estendeu para outras áreas, como a música. “All Star”, do Smash Mouth, foi um sucesso dois anos antes, mas “Shrek” deu-lhe uma nova vida, enquanto a versão de “I’m a Believer”, dos Monkees, subiu para o 15º lugar na Billboard. Jenson se lembra de músicos da banda dizendo anos depois: “Todo mundo pede para tocar essa música. Eu não sei se te abraço ou te odeio."
O filme teve ainda várias sequências e desdobramentos, como uma atração num parque temático, um show da Broadway e uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.
Shrek se tornou um personagem-assinatura da DreamWorks, diz Jerry Beck, um historiador da animação, e inspirou o tipo de filmes que o estúdio faria dali para frente: histórias inusitadas que, ao contrário dos contos de fadas da Disney, tinham mais um toque especial.
— Posso me identificar com o Shrek, fico daquele jeito quando acordo cedo — diz Beck — Acho que muita gente se identifica. O filme serve a um duplo propósito, tirando sarro da vida, mas também dessas histórias que todos nós conhecemos.
Quinto filme?
Além disso, sua interpretação do amor verdadeiro, auto-aceitação, identidade e amizade, ao mesmo tempo que resiste ao típico tema da donzela em perigo, influenciou as gerações seguintes. Hoje, é difícil percorrer as mídias sociais sem passar por memes de "Shrek", que se tornaram uma linguagem própria. O ogro serve de exemplo quando uma pessoa se apaixona por alguém pela sua personalidade.
Um quinto filme está supostamente em desenvolvimento e, para comemorar seu 20º aniversário, a Universal Pictures está lançando uma edição especial em Blu-ray e outros formatos este mês.
Um cineasta, Grant Duffrin, até começou um Shrekfest anual. Tudo começou como uma piada da internet em 2014, mas desde então Shrekheads de todo o mundo têm se reunido anualmente em Madison, Wisconsin, embora o evento do ano passado tenha sido virtual.
Uma das principais metáforas do filme, “Ogros são como cebolas”, também pode refletir as camadas de significado que os fãs descobriram na narrativa. Ainda há discussões online sobre se o filme é um comentário sobre gentrificação ou racismo. Mas mesmo em sua superfície, “Shrek” captura a essência de amizades improváveis e romance não superficial, fazendo com que seu final feliz sempre pareça triunfante.
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