IR 2021: Os 10 ERROS mais COMUNS que você TEM de EVITAR na sua DECLARAÇÃO

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IR 2021: Os 10 erros mais comuns que você tem de evitar na sua declaração

Extrema direita participa da democracia para destruí-la

O general no palanque | Bernardo Mello Franco

Defesa e Exército mantêm silêncio sobre transgressão de Pazuello em ato com Bolsonaro no Rio

Vigilância falhou em caso de suspeito de variante da Índia

Roubar, matar e destruir

Como moeda eletrônica da China fará dinheiro de papel virar peça de museu

Claudia Leitte e a resposta certa que só vem 48 horas depois: quem nunca?

A política do século 20 se foi para sempre. ________ Em algumas democracias, partidos SOCIAL-DEMOCRATAS parecem estar prestes a DESAPARECER por COMPLETO

Tico Santa Cruz diz ter 'sexualidade fluida' e é alvo de preconceito

Mangue recuperado: biólogo Mario Moscatelli mostra resultado de trabalho iniciado há 20 anos na Barra

Medina está dando voltas nos outros competidores no mundial de surfe

Alguns erros comuns no preenchimento podem levar sua declaração para a malha fina da Receita Federal - iStock/RyanJLane

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Extrema direita participa da democracia para destruí-la - Boaventura de Sousa Santos

Por Boaventura de Sousa Santos

Por Boaventura de Sousa Santos 

Um fantasma assombra o mundo: o regresso da extrema-direita. Trata-se de um movimento global com ritmos nacionais muito diferentes. Tem muitas semelhanças com o que aconteceu nas décadas de 1920 e 1930, mas também tem diferenças. Analiso umas e outras com a crença de que a história só se repete se deixarmos que tal aconteça. Estamos perante movimentos que emergem no bojo de crises sociais por vir e que explodem quando as crises rebentam. Nos anos de 1920, foi a Primeira Guerra Mundial e a crise financeira que se seguiu, a qual viria a explodir em 1929. Hoje, trata-se da crise de acumulação do capital em face das concessões que teve de fazer ao povo trabalhador depois da Segunda Guerra Mundial para poder competir politicamente e com paz social com a opção socialista do bloco soviético. A reação começou na periferia do sistema (golpes de estado no Brasil em 1964 e no Chile em 1973) e transformou-se num programa global quando em 1975 a Comissão Trilateral declarou que a democracia estava sobrecarregada com excesso de direitos. Foi o ataque aos direitos econômicos e sociais, à social-democracia, um ataque em que viriam a colaborar os próprios partidos socialistas, com a terceira via de Tony Blair. Depois do ataque às Torres Gémeas (2001) e da crise financeira (2008) começou o ataque aos direitos cívicos e políticos. Estavam criadas as condições para a emergência da extrema-direita. 

A crise pandêmica e o período de pandemia intermitente em que vamos entrar pode ser o detonador da explosão da extrema-direita. Para a evitar só há uma solução: impedir que a crise social se agrave, o que não foi possível nos anos 1930. Hoje, os EUA de Biden iniciaram um vasto programa de reconstituição dos rendimentos e de investimento público em contraciclo, contra tudo o que pregaram durante o período áureo do neoliberalismo. A UE, pateticamente, parece mais presa ao neoliberalismo que os EUA e sempre refém do capital financeiro internacional. A Alemanha cumpre na Europa o papel que os EUA cumprem a nível mundial: exporta o neoliberalismo mas neste momento não o segue internamente. É uma questão em aberto saber em que medida os programas de recuperação e resiliência conseguirão conter a grave crise social que se aproxima e que tem neste momento três pontos de ruptura: Colômbia, Brasil e Índia. Portugal teria condições privilegiadas de evitar o pior se soubesse agir como a Alemanha e os países nórdicos: servir-se da Europa como patrão sem servir a Europa como empregado. 

A segunda semelhança/diferença diz respeito à relação entre democracia e extrema-direita. A semelhança é que . Participamos numa realidade contribuindo para a construir, enquanto pertencemos a uma realidade já plenamente construída (nação, raça, etnia, casta), seja a construção real ou inventada. A pertença confere uma segurança a quem pertence na mesma proporção em que exclui quem a ela não pertence. Em períodos de crise, esta segurança é preciosa. As escolhas em que assentam a participação e a pertença são muito diferentes. Na participação escolhe-se entre; na pertença escolhe-se contra. O objetivo é chegar ao poder democraticamente para depois não o exercer democraticamente. Como, por agora, o objetivo ainda não foi atingido, a extrema direita alicia facilmente as forças de direita democrática a quem oferece o trampolim da chegada ao poder. A direita confia em poder domesticar a extrema-direita e esta, em subvertê-la. Foi assim na Alemanha na década de 1920; é uma questão em aberto o que pode hoje acontecer noutros países. Em Portugal, os intelectuais de direita, interessados ou não na promoção da extrema-direita, seguem todos a mesma linha discursiva: estamos a dar demasiada atenção à extrema-direita e isso favorece-a. Exactamente como na Alemanha no final da década de 1920.

A terceira semelhança/diferença diz respeito ao combate ideológico. Este combate tem quatro frentes: o discurso do ódio visando quem não pertence (seja judeu, cigano, negro, homossexual, comunista, de esquerda e, finalmente, democrata); a infiltração dos meios de comunicação; a substituição da política pela moral; aliciamento de estratos sociais descontentes e emergentes. Com diferenças, todas as frentes estão a ser accionadas. Em Portugal, o discurso do ódio teve um afloramento chocante durante os debates presidenciais e deu para entender que a comunicação social pública estava infiltrada. Essa suspeita converteu-se em realidade com o que se passou recentemente na agência pública de notícias, Lusa. Em notícia publicada, um jornalista identificou como “preta” uma deputada suplente do Partido Socialista. Em Portugal, o termo “preto” é um termo racista, altamente ofensivo. O substituto do discurso do ódio é a dramatização de todos os erros da governação, sobretudo se esta for de esquerda. Comparativamente, o governo português tem um dos melhores desempenhos na condução da pandemia e os portugueses entenderam isso cooperando civicamente com as políticas. No entanto, quem seguir os noticiários mais midiáticos (incluindo os da televisão pública) só vê notícias de fracassos grosseiros, uma dramatização que visa sustentar a ideia veiculada pela extrema-direita da “doença da democracia” e dos “cravos pretos”, que podem justificar “governos de salvação nacional”. Hoje, a extrema-direita dispõe das redes sociais, um poderoso instrumento, sobretudo porque o modelo de negócio que lhes subjaz não lhes permite intervir senão em casos extremos. Hoje, o discurso antipolítico e moralista é a luta contra a corrupção e, sobretudo nalguns países, o conservadorismo evangélico ou católico. Ambos os discursos são projetos globais e têm origem na extrema-direita norte-americana. Hoje, um dos grupos emergentes são as mulheres. Com vista às eleições autárquicas, o partido de extrema-direita (Chega) recruta nas redes sociais “mulheres dinâmicas e inteligentes”.

A quarta semelhança/diferença diz respeito à reinvenção do passado. Consiste em converter vitórias em derrotas e derrotas em vitórias. Na Alemanha, a paz possível depois da Primeira Guerra Mundial foi convertida em humilhação nacional; a derrota, em algo que só não foi evitado devido à fraqueza dos governantes democráticos. Hoje, em Portugal, os intelectuais da direita aproveitam subliminarmente o resvalamento da participação para a pertença para elogiar o colonial-fascismo salazarista porque devolveu o orgulho nacional aos portugueses, deu mais qualidade à direção política e, sobretudo, não foi corrupto. Nada disto tem de ser verdade para ser eficaz.  É surpreendente (mas com precedentes históricos) que alguns desses intelectuais se esqueçam ativamente de eles próprios terem sido excluídos da pertença à sociedade fascista precisamente por quererem exercer participação política. Por sua vez, o fim do colonialismo, a vitória fundadora da democracia portuguesa, é transformado numa derrota humilhante. Daqui a converter a revolução do 25 de Abril de 1974 num ato terrorista vai um passo. 

Para travar a deriva da participação em pertença, a história poderia ensinar alguma coisa se quiséssemos aprender. Eis um elenco realista de propostas. O agravamento das desigualdades e da crise social tem de ser evitado a todo o custo com políticas de coesão eficazes. Os serviços públicos têm de ser refinanciados e repensados, sobretudo nas áreas da saúde e da educação. A corrupção tem de ser eficazmente combatida. A oposição de direita democrática deve perder a ilusão de poder domesticar a extrema-direita. Os partidos socialistas que controlam governos de esquerda (em Portugal, PS) devem ajudar os outros partidos à sua esquerda (em Portugal, Partido Comunista e Bloco de esquerda) a poderem investir na participação, pois são estes serão as primeiras vítimas da deriva da pertença (as vítimas seguintes serão os socialistas). Por sua vez, os partidos à esquerda dos partidos socialistas devem assumir que o seu adversário principal é a direita e a extrema-direita, e não os socialistas. A comunicação social pública tem de ser escrupulosa em liquidar o ovo da serpente onde ele é chocado. Se a preguiça democrática acometer o sindicato dos jornalistas ou a entidade reguladora para a comunicação social, resta esperar que a comunidade dos PALOPs suspenda a autorização da Lusa de operar nos seus países até que o jornalista racista seja demitido. Se o não for, será em breve multiplicado por muitos. 

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Roubar, matar e destruir - Luciano Teles

Por Luciano Teles

Quem não conhece a famosa frase que diz que o diabo (o termo é ladrão, porém substituímos por diabo) vem para roubar, matar e destruir? Certamente muitos já ouviram isso. Pois bem, ao que tudo indica o diabo está solto, inclusive realizando aglomerações pelo Brasil afora, como se viu no Maranhão (onde foi devidamente multado) e no Rio de Janeiro. Mas vamos por parte. 

MATAR – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 tem demonstrado com depoimentos e documentos, a exemplo dos dez e-mails da Pfizer que não foram respondidos pelo governo da morte, que as ações/omissões realizadas por ele foram sempre a favor do vírus e, portanto, da própria morte. A ordem era matar. “Um manda e o outro obedece” e, nesse ínterim, o Amazonas viu a sua capital ser alçada à condição de cobaia, com a ideia fúnebre de promover a tal imunidade de rebanho e difundir o “kit covid”. Até mesmo as mortes por asfixia, que ocorreram tanto em Manaus quanto no interior (como em Coari, por exemplo) em função da crise de oxigênio, têm as digitais deste governo da morte. Matam por asfixia, mas querem matar também de fome!

ROUBAR – Diziam eles que eram contra a corrupção. Desviar dinheiro público, comprar produtos superfaturados, aumentar salários... Ah! Isso era coisa “do PT e da esquerda”. Que mentira... Jair Bolsonaro, Braga Netto, Augusto Heleno, Hamilton Mourão e Luiz Eduardo Ramos, para apenas ficarmos nestes, receberam uma turbinada nos seus salários, que ficaram quase o dobro do teto, o chamado “teto duplo” (com ganhos mensais acima de 60 mil reais). Que mamata hein! As rachadinhas (desvio de salário de assessores) realizadas pela família Bolsonaro, tanto a nível municipal, quanto estadual e federal, os enriqueceram. Picanha a R$1.799 reais o quilo. Lata de leite condensado a preço astronômico, isso sem falar no “orçamento secreto” que resultou até mesmo em compras de tratores superfaturados. Depois disso tudo, só umas férias presidenciais de 2 milhões de reais para “relaxar”, não é mesmo?

DESTRUIR – A Amazônia nos últimos anos vem batendo recordes de desmatamentos. Madeireiros, grileiros e fazendeiros ultimamente estão “passando a boiada”. Quem anda “passando a boiada” também é a elite nacional, que não poupou esforços para implantar um processo de precarização do trabalho (destruição das leis trabalhistas e desmantelamento da previdência e seguridade social). Se para a destruição da Amazônia existe um Ricardo Salles, para a destruição econômica tem o Paulo Guedes. Mas a ação destruidora é mais ampla, atingindo outros setores como o da cultura, da educação e da ciência. Querem destruir a própria democracia! 

Então, se o diabo está à solta para roubar, matar e destruir é importante dizer que ele não opera sozinho, pois conta com os seus anjos caídos, os quais recebem ordens e as cumprem à risca, com a finalidade de agradá-lo. Tem até um anjo caído que procura atuar como conselheiro do diabo. 

Enfim, em 2022 é preciso exorcizar o diabo, expulsando-o junto com os seus anjos caídos. 

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O racismo de Elvis Presley - Ricardo Nêggo Tom

Por Ricardo Nêggo Tom

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A revelação feita por Quincy Jones, um dos maiores produtores musicais de todos os tempos, dando conta de que Elvis Presley era racista, não deveria causar surpresas a muita gente. Em entrevista ao “The Hollywood Reporter”, o ex produtor de Michael Jackson disse que jamais teria trabalhado com o “Rei do Rock”, porque “ele era um racista filho da...”, interrompendo a óbvia conclusão da frase. Conhecido pelas polêmicas causadas por suas declarações, Jones já disse, entre outras coisas, que Michael Jackson roubava músicas de outros artistas e que os Beatles eram “terríveis”

Com relação ao racismo de Elvis Presley, é preciso contextualizar a fala do produtor, que também já afirmou ter tido um romance com Ivanka Trump, filha do ex presidente dos USA Donald Trump. O Rock, gênero no qual Elvis foi alçado à condição de expoente máximo, sempre foi visto com certo desdém pela sociedade norte americana. O motivo? Era música de preto. Com origem nos Spirituals (canto dos negros escravizados nos USA), passando pelo Gospel, Blues e R&B, toda a essência do Rock é coisa de preto. A expressão “Oh, Yeah! ”, por exemplo, remete à exclamação de dor dos negros durante as sessões de açoite as quais eram submetidos. O que, mais tarde, viria a se tornar uma afirmação de atitude e contestação, ideologia característica do Rock and Roll.

Elvis foi descoberto e lançado por Sam Phillips, um já conceituado produtor de Blues, R&B e Rock dos anos 1950. A ideia de Sam, era “estourar” um cantor branco que cantasse como um negro, aquele gênero que ele sabia que poderia ter uma excelente aceitação comercial, se não estivesse associado aos negros. E ele tinha razão. Provavelmente, por também compartilhar da mesma visão racista que a maioria de seus compatriotas estadunidenses. Como previsto e bem trabalhado, as primeiras aparições de Elvis foram arrebatadoras. A imagem do galã sedutor que balançava a pélvis enquanto cantava, caiu nas graças daquela sociedade que, até então, torcia o nariz para o bom e velho rock na roll.

Musicalmente falando, Elvis não fazia nada mais do que outros artistas negros, como Fats Domino, Chuck Berry, Bo Diddley e Little Richard já faziam. A grande diferença estava na cor da sua pele. É verdade, que o processo de “branqueamento” do rock já tinha sido iniciado com o cantor e compositor Roy Orbinson (Pretty Woman), um artista pouco convencional para os ambiciosos propósitos comerciais do gênero. Orbinson era meio “paradão”, não era considerado bonito e vivia escondido atrás de seus óculos escuros. Dizem que gostava mesmo era de compor baladas românticas, mas a potência e extensão de sua voz eram elogiadas até mesmo por Elvis, que teria se recusado a gravar uma composição sua, com receio de não estar à altura da voz de Orbinson na canção.

O carisma de Elvis falou mais alto e a indústria da música produziu uma de suas maiores galinhas dos ovos de ouro. Sam Phillips ficou com a fama de ter popularizado o Rock e Elvis vestiu a coroa que lhe foi oferecida, em detrimento de outros roqueiros negros que haviam labutado no gênero sem tanto reconhecimento. Quando Jones revela o racismo de Elvis, de certa forma, ele dá sentido à trama que consagrou o cantor do Mississipi como a maior estrela do gênero. O inventado não poderia ser diferente de seus inventores. Afinal, a sua carreira nasceu e se consolidou, com base numa idealização artística racista. Pensamento sistêmico predominante na era da segregação racial norte americana.

O talento e a voz de Elvis Presley não estão em questionamento. Embora, Quincy Jones também tenha revelado que, por vezes, o viu sendo orientado por Otis Blackwell, produtor musical e compositor, sobre como deveria cantar. Blackwell nega e afirma nunca ter estado com Elvis pessoalmente. O racismo de Elvis já teria sido exposto em 1957, quando no auge do seu sucesso. Dentro da comunidade negra haviam rumores de que ele era racista e de que sua moral era dúbia. A ele foi atribuída uma frase que dizia: “A única coisa que os negros podem fazer por mim, é comprar os meus discos e limpar os meus sapatos”, mas nenhuma gravação ou matéria escrita foi encontrada para comprovação.

Elvis acabou tendo um papel similar ao da Princesa Isabel na abolição da escravatura no Brasil. Graças ao sucesso do agora “seu” rock and roll, os artistas negros do gênero começaram a ser aceitos pela sociedade. Tanto, que até Little Richard e Chuck Berry o agradeceram por abrir as portas para eles no segmento. Reforçando a ideia do branco protagonista, cercado por amigos negros coadjuvantes. Elvis, assim como Sam Phillips, sabia que o rock como música negra, aliado ao talento dos artistas negros, apesar de gigantescos, estavam limitados a determinadas “tribos”. Ao apropriar-se dela, ele o fez com a intenção de se tornar um artista único, sabendo que o racismo da sociedade norte americana, independentemente de qualquer outra coisa, o elevaria a esta condição.

O rock era bom, mas os negros que o inventaram não. Se Elvis era ou não racista, tirem suas conclusões.

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IR 2021: Os 10 erros mais comuns que você tem de evitar na sua declaração

Alguns erros comuns no preenchimento podem levar sua declaração para a malha fina da Receita Federal - iStock/RyanJLane
Alguns erros comuns no preenchimento podem levar sua declaração para a malha fina da Receita Federal Imagem: iStock/RyanJLane

Colaboração para o UOL, de São Paulo

26/05/2021 04h00

Informações incompletas ou incorretas estão entre os principais erros que podem levar sua declaração de Imposto de Renda para a "malha fina". A Receita Federal cruza os dados informados na declaração com diversas fontes, como empresas, bancos, médicos e imobiliárias.

Se a Receita encontrar alguma inconsistência, a declaração é retida para uma investigação mais detalhada, o que pode provocar atraso na liberação da restituição ou até gerar imposto a pagar com multa.

IR 2021: Declaro o valor total do imóvel financiado ou só o que paguei?

Mesmo que você já tenha enviado a declaração do IR 2021, ainda dá tempo de corrigir eventuais erros. Basta fazer uma declaração retificadora. Aprenda como fazer a retificação nesta outra matéria.

Se a retificação for feita até 31 de maio, novo prazo limite para entrega do IR 2021, é possível mudar qualquer dado, inclusive o modelo da declaração, de completo para simplificado, ou vice-versa. Após o dia 31 de maio, o modelo tributário escolhido originalmente deverá ser mantido na declaração retificadora.

Veja a seguir os dez erros mais comuns que podem fazer sua declaração ficar retida na "malha fina" da Receita.

1) Erros de digitação

Tome cuidado na hora de digitar os valores. Ao digitar R$ 100,00, por exemplo, não esqueça de colocar a vírgula antes dos centavos. Caso contrário, o programa transformará o número em R$ 10.000,00.

Se uma despesa médica foi de R$ 100,00, mas você digitou R$ 10.000,00, o valor não será compatível com as informações declaradas pelo médico.

Valores divergentes levam a declaração para malha fina.

2) Não informar corretamente os dados do informe de rendimentos

Preencha os campos da declaração exatamente com os valores que estão nos informes de rendimentos fornecidos pelo seu empregador, pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), pelo banco, plano de saúde, entre outros.

A maioria dos informes indica o campo onde o valor deve ser lançado na declaração. Basta seguir o que está no documento.

Se você notar que o documento está incorreto, peça para a empresa ou instituição responsável pelo documento corrigir o valor e gerar um novo informe.

3) Omitir rendimentos próprios ou dos dependentes

Rendas de aluguel, de trabalho temporário ou autônomo precisam ser informadas, independentemente do valor.

Se você teve mais de um emprego ou ficou desempregado em 2020, não esqueça de pegar o informe de rendimentos da empresa antiga e declarar os valores recebidos.

Se você declarar dependentes, não se esqueça de informar os eventuais rendimentos recebidos por eles, como aposentadoria, pensão alimentícia, bolsa de estudo ou estágio.

4) Informar o mesmo dependente em mais de uma declaração

Casais que possuem um filho e declaram separadamente só podem colocá-lo como dependente na declaração de um dos cônjuges. Quem tem dois ou mais filhos pode optar por dividi-los entre as declarações ou colocá-los todos numa só. A lógica é a mesma para outros dependentes.

Em caso de separação, e somente no ano do divórcio, o ex-casal pode declarar o mesmo filho como dependente nas duas declarações. Se o pai for responsável pelo pagamento de pensão alimentícia, pode colocar o filho simultaneamente como dependente e alimentando no ano do divórcio.

5) Lançar despesas médicas indevidas ou sem comprovantes

Os gastos com saúde podem ser deduzidos integralmente do cálculo do IR, e por isso a fiscalização é maior neste caso. Somente lance as despesas que puderem ser legalmente comprovadas. Guarde todos os recibos por cinco anos a partir da data da entrega da declaração.

Cuidado para não declarar despesas que não são dedutíveis, como remédios comprados na farmácia, por exemplo.

6) Confundir PGBL com VGBL

Muita gente confunde o plano de previdência do tipo PGBL com o VGBL. Apenas as contribuições feitas a planos do tipo PGBL, fundo de pensão estatal ou FAPI, lançadas na ficha "Pagamentos Efetuados", podem ser deduzidas do cálculo do IR.

Já o VGBL deve ser declarado como uma aplicação financeira e seu saldo é informado na ficha "Bens e Direitos".

7) Atualizar o valor dos bens

Os bens (imóveis, veículos, ações) devem ser sempre declarados pelo valor pago na compra. Repita o valor de um ano para o outro. Nunca atualize o bem pelo valor de mercado.

A atualização do valor do bem é permitida em poucos casos, como na reforma, ampliação ou construção do imóvel. Guarde recibos e notas fiscais que comprovem as despesas.

Você também pode atualizar o valor do bem se ainda estiver pagando o financiamento do carro ou da casa. As prestações pagas no ano passado devem ser somadas ao valor do bem que constava na declaração do ano anterior.

8) Inquilino não declarar o aluguel pago

Não é apenas o proprietário do imóvel que deve informar a renda recebida de aluguéis. O inquilino também é obrigado a declarar os aluguéis pagos na ficha "Pagamentos Efetuados".

A omissão da informação pelo inquilino pode gerar uma multa de 20% sobre o valor do aluguel pago e não declarado.

9) Omitir compra e venda de bens dentro do mesmo ano

Se você comprou e vendeu um bem (como um carro) dentro do mesmo ano, a transação precisa constar da declaração do IR. Você terá que preencher a ficha de "Bens e Direitos" com os dados do bem, do vendedor e do comprador, além de informar na "discriminação" os valores de compra e de venda.

Porém, nos campos "Situação em 31/12/2019" e "Situação em 31/12/2020" coloque valor zero. Caso o negócio tenha gerado ganho superior a R$ 35.000,00, o contribuinte também terá que preencher o GCAP 2020, que é um programa auxiliar da declaração do IR 2021, e recolher o imposto específico sobre o ganho de capital.

10) Apresentar variação patrimonial incompatível com a renda

A Receita Federal parte do pressuposto de que o seu padrão de gastos deve ser compatível com a renda declarada. Imagine uma pessoa que declara um rendimento de R$ 60 mil no ano, mas informa a compra de um carro de R$ 100 mil à vista. Certamente chamará atenção do Fisco.

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Opinião: Felipe Zmoginski - Como moeda eletrônica da China fará dinheiro de papel virar peça de museu

WorldSpectrum/ Pixabay
Imagem: WorldSpectrum/ Pixabay
Felipe Zmoginski

26/05/2021 04h00

Grandes mudanças tecnológicas são difíceis de prever e, quando se insinuam, é igualmente difícil de acreditar que se tornarão um padrão. Nos anos 80, quando Bill Gates afirmou que em cada casa, em cada estação de trabalho, haveria um computador pessoal, a ideia parecia inexequível. Hoje, em cada residência, há uma dezena deles, se considerarmos os notebooks antigos guardados nos armários, os tablets e os smartphones.

Um novo estudo, publicado pelo conglomerado japonês Mitsui & Co, afirma agora que o dinheiro de papel e as Casas da Moeda serão peças de museu em algumas décadas. E o principal indício usado para sustentar a previsão é o fato de a China liderar a adoção de criptomoedas soberanas.

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Estas moedas nacionais eletrônicas funcionam como o Bitcoin, Ethereum e tantas outras, com a diferença de que possuem um lastro e uma entidade regulatória por trás, no caso, os Estados Nacionais.

No mundo, já existem a E-krona, usada na Suécia, e o Bakong, utilizado no Camboja. Nenhuma delas, porém, tem a projeção do e-RMB, nome dado à moeda eletrônica na China, país que detém a segunda maior economia do mundo.

A China testa, desde 2017, formas de criar uma plataforma para transacionar valores de forma eletrônica. Em 2019, os testes saíram do papel, de forma controlada. Em grandes cidades, como Shenzhen e Chengdu, por exemplo, é possível abrir uma conta digital em bancos públicos para receber, pagar ou fazer aplicações em e-RMB.

O e-RMB, por ser um meio de pagamento oficial, não pode ser recusado por estabelecimentos de varejo. O dinheiro digital, que nunca foi impresso, circula livremente nestas regiões, em formato de teste, e apresenta diversas vantagens para a sociedade.

Uma delas é a economia gerada pelos bancos centrais, que deixam de gastar com a impressão e distribuição de dinheiro físico.

Outra vantagem é permitir maior inclusão financeira. Criar uma carteira digital é muito mais simples —e barato— que ir a um banco, assinar papelada, obter um cartão de plástico e, enfim, ser um correntista. Em um único app, resolve-se tudo.

O aspecto mais importante, porém, é o aumento da eficiência e segurança financeira trazido pelas e-moedas.

As transferências são rastreáveis, uma vez que no código da moeda fica um registro encriptado de por onde ela passou, e a compensação é imediata.

Para quem faz transações à distância, como a compra e venda de produtos, as partes sabem, em tempo real, quando o vendedor recebeu o pagamento, por exemplo.

Um artigo publicado pelo diretor do Banco do Povo (equivalente ao Banco Central) da China, Fan Yifei, explica que a plataforma de tecnologia criada pelo país poderá ser oferecida a países terceiros.

O impacto de uma grande economia usando criptomoedas soberana, como a China, e sua disposição em compartilhar suas plataformas, deve gerar uma corrida cripto, incentivando outras economias a fazê-lo.

Para não ficar defasados do ponto de vista tecnológico, autoridades monetárias como o Banco Central Europeu e o Federal Reserve americano, devem se sentir impelidos a acelerar seus projetos cripto, em um movimento sem retorno.

A moeda de metal e o papel-dinheiro, tecnologias milenares, já podem vislumbrar seu ocaso definitivo.

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Opinião: Luciana Bugni - Claudia Leitte e a resposta certa que só vem 48 horas depois: quem nunca?

Claudia Leitte durante participação no "Altas Horas" neste sábado: a ficha caiu - Reprodução/TV
Claudia Leitte durante participação no "Altas Horas" neste sábado: a ficha caiu Imagem: Reprodução/TV
Luciana Bugni

Colunista do UOL

25/05/2021 14h50

Você é confrontado no sábado à noite e sai pela tangente porque não sabe muito bem que resposta dar sobre o assunto.

Aí você desce a escada do lugar onde estava já indo embora e tcharan... a resposta inteligente vem. 

Tarde demais, o interlocutor já foi embora. 

Tem variantes do momento em que a resposta brilhante chega. 

Geralmente é quando o bar já fechou, o celular não dá sinal no metrô, você já encerrou a reunião no zoom, já bloqueou o inimigo no Whatsapp (imagina desbloquear só pra dar a resposta final?).

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Será Paulo Gustavo o ícone que vai fazer o Brasil mudar a rota finalmente?

O fenômeno é antigo e tem até nome em francês: L'esprit de l'escalier. 

Ou, o Espírito da Escada. 

É ali nos degraus da saída que vem a resposta perfeita junto com um fantasminha cruel (você pode imaginá-lo como um emoji batendo a mão na testa) cheio de arrependimento: como é que não pensei nisso antes? 

Quem usou a expressão pela primeira vez foi o filósofo francês Diderot, lá no século 18. 

Chique demais.

Aconteceu com Claudia Leitte essa semana. 

Ela foi confrontada no Altas Horas, no domingo de madrugada. 

Se quiser ser fiel aos fatos, foi uns dias antes — Serginho Groismann não faz ao vivo. 

Ali perguntaram como ela se indignava a respeito do que vinha acontecendo no Brasil. 

Claudia não esperava ser confrontada daquela maneira: 

no país polarizado em que vivemos, a resposta pode render cancelamentos de ambas as partes.

A cantora tentou sair pela tangente. 

Falou da gratiluz, de ver o lado positivo da coisa, de tentar enxergar o que há de bom. 

Estranho que Claudia não veja o lado negativo da pandemia: além do meio milhão de mortes evitáveis que coloca o país entre os piores lugares do mundo para se viver, a doença abala especialmente o setor de trabalho dela.

Com a COVID-19, os shows deram uma estacionada. 

Ela é uma estrela do axé que tem investimentos e margem de lucro, além de seguir fazendo publicidade, para não ficar pobre. Mas tem músico passando fome, sim.

Se viver no Brasil em 2021 não é motivo para se indignar, eu não sei o que seria. 

O país continua morrendo de uma doença para a qual já há vacinas.

O mundo está se imunizando enquanto a gente espera a boa vontade externa já que, na hora de assinar os contratos com os laboratórios, lá em março de 2020, o presidente estava dizendo que vacina não prestava.

O presidente, aliás, continua com um discurso parecido. 

Até hoje não se vacinou em público para incentivar mais gente a ser vacinada. Essa é a única maneira de proteger a todos. Inclusive a própria Claudia, os filhos dela e seu marido. 

Não há torre no alto de um castelo de princesa que proteja o brasileiro da doença. Só estaremos seguros quando todo mundo estiver seguro.

A escada de Claudinha

Pois nada disso passou na cabeça de Claudinha na hora em que foi perguntada sobre o assunto. 

Ela preferiu falar sobre as coisas boas.

Mas, é aquilo: 

passa um tempo e a resposta vem. 

No caso dela, dois dias depois.

Quando a mídia já tinha caído em cima, quando a classe artística estava mais indignada que Gil do Vigor, quando todo mundo estava com cara de "não pode ser" há 48 horas, ela decidiu se desculpar em seu Instagram.

E aí, sim, lembrou na crise no setor cultural, da falta de incentivo às máscaras, da falta de vacinas. 

É bom quando acontece de a resposta certa vir.

Claudia pediu perdão por ter demorado tanto.

A cartunista Laerte tem uma tirinha clássica que mostra a ficha caindo — infelizmente tarde demais, como um meteoro que vai destruir a Terra. 

Ficha, para quem nasceu na era mobile, era o que a gente usava nos orelhões, telefones públicos de antigamente, para ligar da rua. 

A ligação demorava para completar porque a ficha metálica estava fazendo seu percurso dentro do aparelho até finalmente cair e completar a chamada. 

Quando cai a ficha é bom.

a grande - Laerte/ Reprodução - Laerte/ Reprodução
A grande ficha vai cair? Imagem: Laerte/ Reprodução

Às vezes a ficha demora para cair e não encontra mais ninguém na linha para atender a ligação. 

Ou o só vem quando o espírito da escada traz essa luz com um debochezinho "mas você nem para pensar em falar isso, hein?".

O problema mesmo é quando ela vem em forma de meteoro, pegando fogo, e destrói tudo.

A julgar pelo apoio que o governo ainda recebe da população, estamos mais perto da previsão de Laerte do que imaginamos. 

Aí vai ser pouca escada para tanto Brasil perceber que é hora de se indignar, sim.

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A política do século 20 se foi para sempre

Em algumas democracias, partidos social-democratas parecem estar prestes a desaparecer por completo

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Nos últimos anos uma sucessão interminável de autores previu a morte da social-democracia.

Eles tinham razão, em parte: os tempos áureos da social-democracia nunca vão voltar. Mas também estavam em parte errados: outros partidos-ônibus, como os democratas cristãos, também se encaminham para a lata de lixo da história.

Na era do pós-Guerra, partidos social-democratas conquistaram uma grande parcela dos votos em virtualmente todos os países europeus, em partes da América Latina e em países que vão da Austrália a Israel. Eles eram um dos dois principais “Volksparteien”, ou “partidos do povo”, na França, na Alemanha e no Reino Unido. Dominaram a política nos países escandinavos.

Desfrutaram períodos no poder no Reino Unido, na Austrália e em boa parte da América Latina. Na virada do século, ainda parecia provável que exerceriam um papel crucial no século 21.

Desde então, os partidos social-democratas se enfraqueceram significativamente em quase todas as grandes democracias. Em algumas delas, parecem estar prestes a desaparecer por completo.

Moça morena com máscara com a sigla AFD cortada por um X vermelho
Manifestante usa máscara de protesto contra o partido de direita radical Alternativa para a Alemanha em Kalkar, na região oeste do país europeu - Ina Fassbender - 27.nov.20/AFP

Na França, o Partido Socialista se viu reduzido a 25 cadeiras na Assembleia Nacional e mal tem chance de participar do segundo turno das eleições presidenciais do próximo ano. Na Alemanha, a parcela do voto dada ao SPD encolheu pela metade ao longo de 20 anos. No Reino Unido, Tony Blair ainda é o único político trabalhista em mais de meio século a ter conquistado um mandato para governar, e o Partido Trabalhista agora está sendo eviscerado em sua base tradicional do nordeste proletário do país.

Na Escandinávia, os social-democratas deixaram há muito tempo de ser o partido naturalmente governante. E, do Peru a Israel, os partidos tradicionais de centro-esquerda foram eviscerados.

Existem algumas razões específicas que motivam os estertores de morte da social-democracia. O proletariado deixou de ser um contexto social coeso. Como observou o político trabalhista britânico Douglas Alexander após a última eleição no Reino Unido: “Oferecemos aos eleitores um passeio até o museu local de mineração. Eles queriam ir à EuroDisney".

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Tico Santa Cruz diz ter 'sexualidade fluida' e é alvo de preconceito

Tico Santa Cruz disse ter sexualidade fluida - Reprodução/ Instagram
Tico Santa Cruz disse ter sexualidade fluida Imagem: Reprodução/ Instagram

Colaboração para o UOL, em Alagoas

25/05/2021 11h23

O cantor Tico Santa Cruz, vocalista de banda de rock Detonautas, revelou ter sexualidade "fluida e livre", e se tornou alvo de comentários preconceituosos nas redes sociais.

No Instagram e no Twitter, o artista postou uma foto e disse que sua sexualidade é "fluida e livre", e afirmou que "o amor não tem preconceitos, o fascismo sim".

Banda Detonautas rechaça os falsos cristãos em 'Mala Cheia'; veja o clipe

Após a postagem, alguns internautas distorceram a fala de Tico Santa Cruz, afirmando que ele teria dito ser "gênero fluido", que é quando a pessoa não se identifica com um gênero em específico, em uma suposta entrevista ao apresentador Danilo Gentili.

No entanto, a entrevista em questão não existe, e o próprio cantor fez questão de classificar a informação como "fake news" ao rebater o tuíte de um hater.

"A comunidade LGBT quer saber se o Tico declarou ser travesti ao Danilo Gentili por oportunismo apenas ou ele é homossexual. A questão não envolve o Bolsonaro... ser gay não é defeito, mas usar isso para se promover sim", escreveu um internauta ao disseminar a informação falsa, e foi rebatido pelo próprio famoso.

"Tira a foto do Lula do seu perfil cara! Você tá divulgando fake news e ainda usando a foto de um personagem político importante! Coloca tua fuça aí e mente a vontade", afirmou Tico Santa Cruz.

Além da entrevista falsa atribuída a Tico Santa Cruz, o cantor também foi alvo de comentários preconceituosos, com internautas chamando ele de "shana" e de "queima rosca".

Apoio

Tico Santa Cruz também recebeu elogios e apoio dos fãs, que parabenizaram o artista pela coragem de revelar sua sexualidade fluida de forma pública.

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O general no palanque | Bernardo Mello Franco - O Globo

O general Eduardo Pazuello e o presidente Jair Bolsonaro em ato no Rio

Na quinta passada, Eduardo Pazuello se penitenciou à CPI da Covid após ter sido flagrado sem máscara num shopping de Manaus. O general fingiu arrependimento por desrespeitar as regras sanitárias. “Peço desculpas por isso”, afirmou.

Três dias depois, o ex-ministro participou de um comício com Jair Bolsonaro no Parque do Flamengo. A exemplo do chefe, discursou sem máscara, lançando perdigotos sobre a plateia. Foi a menor das suas transgressões no palanque.

Diante do Monumento aos Pracinhas, Pazuello pisoteou o Regulamento Disciplinar do Exército. O texto proíbe militares da ativa de se manifestar, sem que estejam autorizados, sobre assuntos de “natureza político-partidária”. Ao ignorar a regra, o general rompeu a hierarquia e deu um novo incentivo à politização da tropa.

A provocação foi combinada com Bolsonaro, que viveu um dia de Mussolini com seus fanáticos de motocicleta. No passado, o capitão estimulou a anarquia militar para transitar dos quartéis ao Congresso. Agora investe na cooptação das Forças Armadas para fortalecer seu projeto autoritário.

No início da pandemia, o presidente levou seus seguidores para a porta do Quartel-General do Exército, onde discursou num ato que pregava o fechamento do Congresso e do Supremo. Nos últimos meses, passou a ameaçar o uso de tanques contra governadores e prefeitos que não se curvam ao negacionismo federal.

Pressionado pela CPI e pelas pesquisas de opinião, Bolsonaro aposta no golpismo para intimidar adversários e contestar uma possível derrota nas urnas. Pazuello já cumpriu a primeira missão quando virou ministro e sabotou o combate à pandemia. Agora sobe no palanque do chefe para ajudá-lo a semear a baderna em 2022.

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A nova política

Antes de ganhar o apelido de Capitã Cloroquina, Mayra Pinheiro foi candidata ao Senado pelo PSDB do Ceará. A médica bolsonarista passou por dois grupos que dizem formar quadros para a “nova política”: Livres e RenovaBR.

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Defesa e Exército mantêm silêncio sobre transgressão de Pazuello em ato com Bolsonaro no Rio

Força desistiu, sem explicar por quê, de divulgar uma nota sobre a abertura de um procedimento disciplinar contra o ex-ministro, que foi já notificado
Jussara Soares
26/05/2021 - 04:30
Pazuello participa de ato em apoio a Bolsonaro no Rio de Janeiro Foto: FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL
Pazuello participa de ato em apoio a Bolsonaro no Rio de Janeiro Foto: FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

BRASÍLIA — Apesar da repercussão negativa entre militares, o Ministério da Defesa e o Exército ainda não se posicionaram oficialmente sobre a participação do ex-ministro da Saúde, general da ativa Eduardo Pazuello, na manifestação em favor do presidente Jair Bolsonaro no último domingo, no Rio. O caso gerou a abertura de um procedimento administrativo contra Pazuello, que já foi notificado pela Força a justificar sua participação, sem máscara, no ato que também gerou aglomeração.

Fontes militares e interlocutores do ex-ministro afirmam que o general recebeu na segunda-feira o Formulário de Apuração de Transgressão Disciplinar (FATD), onde deverá, por escrito, apresentar sua defesa. O prazo, segundo o Regulamento Disciplinar do Exército, é de três dias a contar da data da notificação, mas a data limite pode ser estendida a pedido do general.

Inicialmente, o Exército cogitou divulgar uma nota sobre a abertura do procedimento contra Pazuello, mas desistiu sem maiores explicações. Na manhã de segunda-feira, o comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, se reuniu com o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, para discutir o caso. Uma semana antes, Braga Netto também foi criticado por discursar em um palanque em ao lado de Bolsonaro em Brasília.Ele, porém, é um general da reserva.

Após Pazuello apresentar sua justificativa, caberá ao comandante da Força decidir se o general receberá uma sanção ou não pelo seu comportamento. O Estatuto dos Militares diz que são “proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político”.

Se comprovada a transgressão, Pazuello poderá ser punido com advertência, repreensão, detenção ou prisão disciplinar. De acordo com fontes militares, o general deverá receber uma sanção mais leve para evitar um tensionamento com o Palácio do Planalto.

Mesmo diante do mal estar na Força, o general, segundo interlocutores, não tem a intenção de passar à reserva e conta com o apoio do presidente. A pressão para que ele pedisse aposentadoria já existia no comando do Exército quando Pazuello estava no cargo de ministro, mas agora se intensificou.

Auxiliares do Planalto dizem que “há exagero” no caso. O desempenho do militar na CPI da Covid foi comemorado no Planalto por ele ter tentado blindar o presidente.

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Vigilância falhou em caso de suspeito de variante da Índia

O caso investigado circulou por três cidade e teve contato com dezenas de pessoas
Felipe Grinberg
26/05/2021 - 04:30 / Atualizado em 26/05/2021 - 06:06
Inspeçao Sanitária no desembaque de passageiros no Terminal Rodoviário do Tietê Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Inspeçao Sanitária no desembaque de passageiros no Terminal Rodoviário do Tietê Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

RIO - Depois de desembarcar no sábado de manhã em São Paulo de um voo com origem na Índia, onde circula uma variante mais perigosa da Covid-19, um morador de Campos dos Goyatacazes pôde viajar até o Rio, onde chegou à noite e se hospedou num hotel, ao lado do Aeroporto Santos Dumont. No domingo, ele foi de carro para a cidade do Norte Fluminense e, depois, retornou para a capital na segunda-feira, onde voltou a se hospedar, em isolamento. Durante dois dias, o caso investigado circulou por três cidades e teve contato com dezenas de pessoas.

Tudo isso aconteceu porque, depois de fazer um exame RT-PCR no laboratório da Anvisa, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o viajante foi autorizado a embarcar em outro voo até o Rio, antes de o resultado da análise sair. Somente quando ele já estava na cidade, foi constatado que o teste dele era positivo. Outras duas pessoas que tinham viajado com ele foram testadas, mas o resultado foi negativo para a presença do vírus da Covid. O GLOBO apurou que o homem, que tinha feito teste 72h antes para embarcar na Índia, que dera negativo, procurou as autoridades sanitárias porque tinha um mal-estar.

De acordo com a Secretaria estadual de Saúde, a informação sobre o caso suspeito só chegou no domingo, através do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, de São Paulo, que teria dito que o homem não informou à Anvisa sobre a suspeita de Covid. Desde então, de acordo com a pasta, todos os passageiros do voo, que residem no Rio, já teriam sido identificados e orientados a fazer isolamento por 14 dias. Eles são acompanhados por equipes das vigilâncias sanitárias de seus respectivos municípios. Mas nem o estado nem a Latam, responsável pelo voo, informaram quantas pessoas estavam na aeronave e qual o destino delas. A empresa aérea afirmou ter repassado detalhes do voo e da lista de tripulantes e de passageiros.

No momento em que o estado foi avisado, o passageiro, já estava a 278 quilômetros da capital. A Secretaria municipal de Saúde não informou quando foi notificada oficialmente sobre a possível infecção de um morador do Rio pela cepa indiana. Ao chegar em Campos, o passageiro relatou os sintomas que tinha dor de cabeça e rouquidão a equipes médicas locais. Ele voltou ao Rio para ficar num hotel providenciado pela empresa para a qual trabalha.

As amostras coletadas do homem foram enviadas para o laboratório da Fiocruz, que vai fazer o sequenciamento genético para descobrir se o morador de Campos foi infectado pela variante. Procurada, a Anvisa disse que o passageiro embarcou com um resultado negativo de RT-PCR, que deu positivo na segunda testagem no Brasil. O órgão não explicou o motivo que levou à realização de um novo teste ou por que ele foi autorizado a embarcar em um outro avião mesmo antes de sair o resultado.

Para Lígia Bahia, especialista em Saúde Pública da UFRJ, houve falha na vigilância epidemiológica:

— O pior de tudo foi ele seguir viajando já com teste. A conduta é o pelo auto isolamento em locais adequados. Se a pessoa tiver condições, em um hotel com regras rígidas, com comida entregue no quarto e sem circulação. Se for um viajante sem dinheiro, as instituições públicas devem providenciar — diz.

Em SP, barreira no Tietê

No mesmo dia da chegada do morador de Campos em São Paulo, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga, disse que implantaria barreiras sanitárias com testes rápidos que identifiquem a contaminação por Covid-19 em rodovias e aeroportos. No domingo, após o Maranhão confirmar o primeiro paciente com a nova cepa, o ministério enviou para o estado 600 mil testes, que também terá 5% a mais de doses de vacina do que o previsto.

Ontem, a prefeitura de São Paulo instalou uma barreira sanitária na Rodoviária do Tietê, na Zona Norte, para fazer uma triagem de todos os passageiros que chegam do Maranhão.

Agentes de saúde vão medir a temperatura apenas dos passageiros com origem no Maranhão e, se detectado algum sintoma de Covid-19, como febre, a pessoa será levada a uma unidade de atendimento e submetida a um teste RT-PCR. Em caso de diagnóstico positivo, deverá ficar em isolamento obrigatório. A prefeitura reservou 30 vagas de um hotel próximo ao terminal rodoviário exclusivamente para essa finalidade.

Os passageiros do Maranhão que passarem pela triagem deixarão dados pessoais com vigilância sanitária para que sejam monitorados. A prefeitura informou que também vai fiscalizar desembarques clandestinos a caminho de São Paulo, para evitar que passageiros driblem a barreira sanitária.

Há previsão de que os aeroportos de São Paulo passem pelo mesmo tipo de controle, mas não há uma data estipulada. Os terminais precisam de aval federal para implementá-las.

Por meio de nota, a Anvisa afirmou que, em reunião ontem, foi elaborada uma proposta para incrementar medidas sanitárias. A manifestação técnica do órgão será enviada à Casa Civil da Presidência da República. Segundo a Anvisa, a implementação das barreiras sanitárias cabe aos ministérios da Saúde, Justiça e Segurança Pública e da Infraestrutura.

Colaborou Guilherme Caetano

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Mangue recuperado: biólogo Mario Moscatelli mostra resultado de trabalho iniciado há 20 anos na Barra

Ambientalista plantou mudas em trecho às margens da Lagoa da Tijuca com ajuda das filhas; vegetação ajuda a preservar fauna e purificar o ar
O Globo
26/05/2021 - 06:00
Mario Moscatelli. Biólogo no manguezal que começou a recuperar em 2004, com ajuda das filhas pequenas Foto: Maria Isabel Oliveira
Mario Moscatelli. Biólogo no manguezal que começou a recuperar em 2004, com ajuda das filhas pequenas Foto: Maria Isabel Oliveira

RIO — Voz que denuncia a degradação das lagoas da Barra da Tijuca e da Baía de Guanabara há mais de três décadas, o biólogo Mario Moscatelli, conhecido em toda a cidade por cobrar com veemência ações do poder público, está comemorando uma conquista pessoal: o ressurgimento do manguezal ao redor da ilha do Marina Barra Clube, na Lagoa da Tijuca. Ele conta que no início dos anos 2000 plantou mudas de mangues branco, negro e vermelho no local, com a ajuda de suas duas filhas, ainda pequenas. Assim como as crianças, observa, o manguezal cresceu, e já tem entre seis e oito metros de altura, o que o torna eficiente no combate à degradação do curso d’água.

— Onde não havia nada, hoje existem franjas de manguezal plenamente desenvolvidas ou em acentuado desenvolvimento. Apesar da degradação ainda existente, associada com a presença de esgoto e lixo, a biodiversidade ganha e há a expectativa de dias melhores. É um espetáculo que a cada dia se intensifica — orgulha-se.

Moscatelli explica que o plantio, em 2004, foi realizado em áreas de aterros ou de pedra e cimento. Ele teve a ideia quando o presidente do Marina o procurou preocupado com a erosão nas margens da ilha do clube, causada pela passagem de embarcações.

Moscatelli explica que o manguezal é capaz de sequestrar até quatro vezes mais carbono do que uma floresta Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo
Moscatelli explica que o manguezal é capaz de sequestrar até quatro vezes mais carbono do que uma floresta Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo

— Sugeri o plantio, que evitaria o agravamento da erosão e ainda melhoraria a paisagem, além de colaborar para a biodiversidade da Lagoa da Tijuca — conta.

Logo em seguida, na construção do Barra Private, próximo ao Marina, a área que era aterrada e usada como estacionamento também recebeu mudas, para a recuperação da faixa marginal de proteção:

— Fui chamado para criar condições para a recuperação do manguezal, que tinha sido suprimido.

Moscatelli recorda que, por conta própria, também fez plantios na mureta do Canal da Joatinga. Garante que em alguns anos será possível ver uma nova franja de manguezal na entrada da Barra.

— Além de ajudarem na biodiversidade e na manutenção da zona costeira e terem valor paisagístico, os manguezais são como supermercado e maternidade para peixes, crustáceos e uma variada fauna marinha. Também sequestram e armazenam carbono — explica.

De acordo com o biólogo, os manguezais sequestram quatro vezes mais carbono do que qualquer outro tipo de floresta e armazenam a substância dez vezes mais. Daí sua importância:

— O carbono faz mal à saúde, compromete o sistema respiratório do ser humano.

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Análise: Medina está dando voltas nos outros competidores no mundial de surfe

Brasileiro parece pilotar a Mercedes de Lewis Hamilton, mas WSL vai paralisar a corrida daqui a algumas etapas
Renato de Alexandrino
25/05/2021 - 15:28 / Atualizado em 25/05/2021 - 16:09
Gabriel Medina voando durante o evento de Rottnest Foto: Matt Dunbar/WSL
Gabriel Medina voando durante o evento de Rottnest Foto: Matt Dunbar/WSL

Dezembro de 2020. Um dia antes do início da etapa de Pipeline, que abriria a temporada de 2021 do surfe mundial, Gabriel Medina conversa por telefone com O GLOBO. Em meio às declarações de praxe sobre a expectativa quanto ao retorno das competições após um ano sem disputas devido à pandemia, o surfista de 27 anos não se segurou ao analisar a mudança no formato do circuito, com a criação do "WSL Finals":

— Achei injusto, sendo eu ou outro surfista no lugar. Perguntaram para os surfistas, teve votação, lembro que foi muita discussão para entrar em consenso. E lembro que muita gente foi contra.

Aqui faz-se necessário explicar o que é o tal WSL Finals. Neste ano, ao invés de coroar seu campeão de forma tradicional, somando a pontuação de todas as etapas, a World Surf League decidiu mudar. Criou essa "finalíssima" realizada em um único dia, em Trestles (EUA), reunindo os cinco primeiros nos rankings masculino e feminino. O formato será de mata-mata: o quinto colocado no ranking enfrentará o quarto. Quem vencer, avança para duelar contra o terceiro, e assim por diante, até a final contra quem terminou em primeiro na temporada. Uma fórmula que deve ter dado inveja em alguém na Ferj.

Ainda naquela entrevista, Medina perguntava hipoteticamente como ficaria estranho se um surfista ganhasse inúmeras etapas. Ele ainda fez uma comparação com outro esporte:

- Na Fórmula 1 o Lewis Hamilton foi campeão com várias provas de antecedência. Seria como ele, depois de ganhar oito, nove corridas, ter que esperar outros quatro pilotos para fazer uma final.

Maio de 2021. Cinco etapas após o início da temporada, Medina parece mais do que disposto a bancar suas declarações e deixar clara sua contrariedade com a WSL. Com a vitória no evento de Rottnest Island, sua segunda no ano, ele disparou no ranking. São oito mil pontos de vantagem para o vice-líder Italo Ferreira. Absurdos 16 mil para o terceiro colocado. Em um ano normal, ele já estaria com uma mão na taça de campeão.

O surfista de Maresias parece pilotar a Mercedes de Hamilton, enquanto os demais concorrentes (salvo algumas exceções) tentam acompanhar o ritmo em um carrinho popular 1.0. Medina está dando volta nos outros, mas em setembro a WSL vai acenar a bandeira vermelha, paralisar a corrida e mandar todo mundo de volta para os boxes. Os cinco primeiros iniciarão uma nova prova - e aí quem sabe o que pode acontecer? E se fura um pneu?

— Poderia ter uma regra mais específica, se o cara estivesse muito à frente, não ter essa final. Ainda mais no surfe, em que a gente depende da natureza. E agora com a Covid? Se o primeiro do ranking testar positivo no dia? - questionou Medina naquela entrevista.

Talvez alguém argumente que, para fins de entretenimento, será mais atraente. Melhor uma super final, com uma bateria decidindo tudo, do que um título conquistado com várias etapas de antecedência, quem sabe até com Medina fora da água, assistindo à derrota de seu concorrente mais próximo no ranking. Mas certamente não será tão justo.

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