FUNDOS DE PENSÃO ESTATAIS
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INTERFERÊNCIA política de Bolsonaro chega aos FUNDOS de PENSÃO das ESTATAIS
Após dizer ter "SEXUALIDADE FLUIDA e LIVRE", Tico Santa Cruz é ATACADO nas redes sociais
Pazuello será PUNIDO para evitar que Bolsonaro implante a ANARQUIA MILITAR, diz Merval Pereira
Defesa da memória de Marielle contra Capitã Cloroquina toma as redes: 'protesto por assassinato não é falha de caráter'
Quarta do Bicho: beija-flor-da-fronte-violeta
Justiça mantém ação contra oito acusados de incêndio no NINHO DO URUBU, incluindo ex-presidente do Flamengo
GARIMPEIROS ATACAM indígenas e agentes da PF no Pará após operação; há ao menos dez feridos
A velha truculência da ditadura, em pleno século 21
Fundos de pensão como a Previ, alvo do Centrão, administram R$ 1 tri. Veja por que comando deles é tão disputado
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Interferência política de Bolsonaro chega aos fundos de pensão das estatais
Mudanças no comando dos fundos de pensão do Banco do Brasil e da Caixa abrem espaço para indicações políticas visando assegurar o apoio do centrão ao governo Jair Bolsonaro

247 - O jornalista Marcello Corrêa avalia que a interferência política de Jair Bolsonaro nas estatais “já afeta os bilionários fundos de pensão ligados a essas empresas”. “É o que indicam os bastidores das trocas de comando na Previ, do Banco do Brasil, e na Funcef, da Caixa Econômica Federal — efetuadas em um período de duas semanas”, afirma ele no Blog Analítico.
“A dança das cadeiras tem relação direta com o apetite do Centrão, força política cada vez mais relevante para entender os passos do governo”, observa. "Embora as indicações para os fundos precisem ser necessariamente técnicas, o remanejamento tende a abrir postos em cargos estratégicos no BB e na Caixa, historicamente vistos em Brasília como moeda de troca para apoio político", completa.
Para ele, ."o padrão que se desenha por trás das decisões dos últimos dias deixa cada vez mais distante a promessa de que o atual governo prezaria por indicações técnicas”. “Dos nomes indicados inicialmente para presidir as principais estatais em 2018, quando começou a se formar a equipe de governo, só Pedro Guimarães — o mais alinhado ao presidente da República — segue no cargo”, afirma.
Após dizer ter "sexualidade fluida e livre", Tico Santa Cruz é atacado nas redes sociais
Músico Tico Santa Cruz bateu boca com internautas após publicar nas redes sociais ter uma “sexualidade fluida e livre. O amor não tem preconceitos, o fascismo sim”. A postagem, porém, foi distorcida. "Sou tão bem resolvido sexualmente que vocês precisarão arrumar outro assunto pra tentar me trollar!", respondeu o cantor

247 - O músico Tico Santa Cruz bateu boca com internautas após publicar nas redes sociais uma imagem afirmando ter uma “sexualidade fluida e livre. O amor não tem preconceitos, o fascismo sim”. A postagem, porém, foi distorcida.
Muitos internautas afirmaram que o cantor teria dito, durante uma entrevista à Danilo Gentili, pertencer ao “gênero fluido” (quando a pessoa não se identifica com um determinado gênero e flui entre os vários). Apesar disso, não existem registros ou vídeos, da fala atribuída ao cantor.
Um dos internautas chegou a afirmar que Tico Santa Cruz “declarou ser travesti no Danilo Gentili. Em resposta, o músico disse ser alvo de fake news e disse ser "tão bem resolvido sexualmente que vocês precisarão arrumar outro assunto pra tentar me trollar! E fica aqui meu MÁXIMO respeito pela comunidade LGBTQIA+".
Confira as postagens de Tico Santa Cruz sobre o assunto.
Pazuello será punido para evitar que Bolsonaro implante a anarquia militar, diz Merval Pereira
"Não há dúvida de que a decisão — que pode ser advertência, censura, suspensão, até 30 dias de cadeia — vazará, para que a opinião pública tome conhecimento", escreve o colunista

247 – O jornalista Merval Pereira, colunista do Globo, afirma que o ex-ministro Eduardo Pazuello será punido por ter cometido infração militar ao subir no palanque de Jair Bolsonaro no último domingo. "Estamos vivendo um cabo de guerra entre a anarquia e a hierarquia dentro das Forças Armadas, especialmente no Exército. Quando o presidente da República passa o microfone para um general da ativa num palanque político, ele induziu e se associou à quebra de disciplina e da hierarquia. Por causa disso, impediu que o Ministério da Defesa e o Comando do Exército divulgassem uma nota oficial anunciando que fora aberta uma sindicância para investigar a atitude do general Pazuello", escreve.
"Nos próximos dias, os chefes militares continuarão calados, mas nos bastidores há uma reação dos membros do Alto-Comando do Exército, que exigem a punição. Ela virá e será registrada oficialmente, mesmo que não tenha divulgação pública. Não há dúvida de que a decisão — que pode ser advertência, censura, suspensão, até 30 dias de cadeia — vazará, para que a opinião pública tome conhecimento, não apenas os membros das Forças Armadas", aponta ainda Merval.
Defesa da memória de Marielle contra Capitã Cloroquina toma as redes: 'protesto por assassinato não é falha de caráter'
Após a secretária Mayra Pinheiro, do Ministério da Saúde, criticar atos pela memória de Marielle Franco, o comentarista do SporTV Sérgio Xavier Filho disse no Twitter que a Capitã Cloroquina agiu "como se o protesto por um assassinato fosse uma falha de caráter". "Acho muito estranho esse ódio dos bolsonaristas por Marielle", disse outro internauta. Veja as reações

247 - Internautas foram ao Twitter repudiar a declaração a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, que fez áudio criticando a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e, de acordo com a gravação, reprovou manifestações pela memória da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada pelo crime organizado em março de 2018. "Eles têm um pênis na porta da Fiocruz. Todos os tapetes das portas são a figura do Che Guevara, as salas são figurinhas do Lula Livre, Marielle Vive", disse a Capitã Cloroquina.
No Twitter, o comentarista do SporTV Sérgio Xavier Filho afirmou que a secretária fez uma referência à ex-parlamentar "como se o protesto por um assassinato fosse uma falha de caráter".
De acordo com o jornalista Palmério Dória, o áudio revelou "absoluta falta de empatia e confusão mental" de Mayra.
Caso Marielle
O ex-vereadora foi assassinada em março de 2018 pelo crime organizado. Ela denunciava a atuação de milícias nas favelas, bem como a violência policial. Os criminosos efetuaram os disparos em um lugar sem câmeras na região central do Rio e antes haviam perseguido o carro dele por cerca de três, quatro quilômetros.
Dois suspeitos de terem cometido o crime estão presos. O policial militar reformado Ronnie Lessa foi acusado de ter feito os disparos e o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz de dirigir o carro que perseguiu Marielle. Lessa morava no mesmo condomínio de Jair Bolsonaro, no Rio.
Quarta do Bicho: beija-flor-da-fronte-violeta
A espécie neon fascina tanto que até mesmo os astecas nomearam o deus padroeiro de sua capital como Huitzilopochtli, que significa "beija-flor azul"

247 - Nesta Quarta do Bicho, selecionamos o tradicional beija-flor-de-fronte-violeta. Mesmo que abundante no sul e sudeste do Brasil, esse animal não deixa de nos impressionar.
A espécie neon fascina tanto que até mesmo os astecas nomearam o deus padroeiro de sua capital como Huitzilopochtli, que significa "beija-flor azul".
Leia mais sobre este incrível animal abaixo, no documento criado pelo ilustre ornitólogo e apresentador da TV 247, Victor Castanho:
Justiça mantém ação contra oito acusados de incêndio no Ninho do Urubu, incluindo ex-presidente do Flamengo
3 dos 11 denunciados foram absolvidos pelo incêndio que matou 10 adolescentes das categorias de base flamenguista

Agência Brasil - A Justiça do Rio de Janeiro decidiu manter a ação penal contra oito dos 11 denunciados pelo incêndio no centro de treinamento do Flamengo, conhecido como Ninho do Urubu. A tragédia, ocorrida em fevereiro de 2019, deixou dez jovens atletas mortos.
O juiz Marcos Augusto Ramos Peixoto, da 36ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, rejeitou denúncia contra o ex-diretor de base, Carlos Noval, e o engenheiro Luiz Felipe Pondé. O monitor Marcus Vinícius Medeiros, que respondia por incêndio culposo qualificado e lesão corporal, foi absolvido da acusação.
Os outros oito denunciados continuam como réus no processo, entre eles, o ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, um ex-diretor e um engenheiro do clube. Eles vão responder por incêndio culposo qualificado, que provocou morte e lesão corporal grave. Na decisão, a Justiça considerou que o clube preferiu pagar multas recorrentes ao poder público em vez de se adequar às exigências feitas pelo Corpo de Bombeiros.
Além dos dez mortos, o incêndio no Ninho do Urubu, em Vargem Grande, na zona oeste da capital fluminense, na madrugada de 8 de fevereiro de 2019, deixou outros três atletas feridos. O fogo atingiu as instalações que serviam de alojamento dos jogadores da categoria de base do Flamengo, que tinham entre 14 e 17 anos.
Garimpeiros atacam indígenas e agentes da PF no Pará após operação; há ao menos dez feridos
Operação em Jacareacanga (PA) para combater o garimpo ilegal em terras indígenas foi surpreendida por protesto; aldeias foram incendiadas por manifestantes; dez garimpeiros e alguns indígenas ficaram feridos

247 - Dez garimpeiros e alguns indígenas ficaram feridos após agentes da Polícia Federal chegarem a Jacareacanga, sudoeste do Pará, em uma operação para combater garimpo ilegal em terras indígenas. Os feridos foram levados para o Hospital Municipal, segundo reportagem do G1.
A PF foi surpreendida por um protesto dos garimpeiros contra a operação. Uma estrada foi interditada, impedindo o andamento da ação. Aldeias foram incendiadas por manifestantes. Leia mais na reportagem do site Brasil de Fato:
PF intervém em garimpo ilegal e garimpeiros fecham município no Pará em protesto
No dia 13 de maio, Gilson Spier, que garantia a segurança nos garimpos, foi preso pela Polícia Civil dentro da cidade
Por Igor Carvalho - Após ação da Polícia Federal contra garimpos ilegais nas Terras Indígenas Munduruku e Sai Cinza, no sudoeste do Pará, na manhã desta quarta-feira (26), garimpeiros foram às ruas protestar e fecharam o município de Jacareacanga. Nos últimos dias, a corporação intensificou o cerco contra a mineração na região.
Em motos, os garimpeiros seguiram até o território Munduruku e incendiaram a casa de Maria Leusa Munduruku, além de cortarem a energia e a internet do local. De acordo com o relato de moradores da região, os homens ameaçam subir o rio Kururu até a Aldeia Santa Cruz, para atacar Ademir Kaba, liderança local que luta contra a presença dos garimpos na região.
Outra manifestação foi marcada para a tarde desta quarta-feira. Dessa vez, no município de Itaituba, também no Pará. Na imagem usada para divulgar o ato, entre as informações aparece a sentença: “Garimpeiro não é bandido”. Em áudios que circulam nos celulares dos moradores da região, os garimpeiros explicam o protesto.
“Só hoje, eles já destruíram várias máquinas na região de mineração. Jacareacanga depende do garimpo para sobreviver, se deixarmos mais um dia, amanhã são mais 15 máquinas que eles vão queimar. Quero ver se sai umas dez mil, trinta mil pessoas. Índio ou não-índio, hoje nós somos um povo só, todo mundo é igual. Vamos todos para o aeroporto. Já temos o apoio do vice-prefeito, o Valmar”, explica o garimpeiro, fazendo referência a Valmar Kaba (Republicanos).
“Temos que ir nos comércios amanhã e fechar a porta, todo mundo depende do garimpo. Fecha a porta e coloca todo mundo, todos os funcionários lá na praça. Está tendo operação hoje, ninguém está comprando”, explica outro garimpeiro.
No último dia 13 de maio, a Polícia Federal prendeu Gilson Spier, conhecido como Polaquinho, acusado de manter um esquema para extração ilegal de ouro na Terra Indígena Munduruku. Ele é filiado ao DEM de Jacareacanga desde 5 de outubro de 2011.
A Operação Mundurukânia da Polícia Federal conta com o apoio do Ibama, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Civil. A operação é consequência da decisão do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que os organismo de segurança garantam o isolamento dos povos indígenas durante a pandemia.
Em Jacareacanga e Itaituba, os agentes da Polícia Federal investigam os crimes de exploração ilegal de matéria-prima pertencente à União, delito contra o meio ambiente e associação criminosa.
Edição: Vivian Virissimo
A velha truculência da ditadura, em pleno século 21 | Malu Gaspar - O Globo

Parece coisa do Brasil da ditadura, mas aconteceu no Brasil de 2021. O servidor federal de carreira e sociólogo Celso Rocha de Barros foi convocado a depor pela Polícia do Senado por ter escrito um artigo criticando senadores que defendem o governo na CPI da Covid. Essa foi a parte da notícia que chegou aos jornais. O que não se sabia até hoje é que a truculência foi além.
Num dia da semana passada, o telefone tocou na casa de um parente dele. Na ligação, pessoas não identificadas “sugeriram”: se ele apresentasse um pedido de desculpas por escrito, talvez desse para evitar as consequências legais do que publicara. Em sua coluna na “Folha de S.Paulo”, Rocha de Barros disse que os senadores Eduardo Girão (Podemos-CE) e Luis Carlos Heinze (PP-RS) buscam tumultuar a CPI mentindo sobre medicina e cloroquina, formando um “consultório do crime” a favor de Bolsonaro.
Dias antes, foi o professor da Universidade de São Paulo (USP) Conrado Hübner Mendes que se surpreendeu com a represália a um artigo seu, também publicado na “Folha”. O professor, que costuma se referir ao procurador-geral da República, Augusto Aras, como “poste-geral da República” em suas redes sociais, escreveu que o PGR, que tem como função fiscalizar e investigar as condutas do presidente, é omisso e trabalha o tempo todo para impedir que se apurem as condutas de Bolsonaro na pandemia. Aras não gostou e entrou com uma queixa-crime na Justiça e com uma representação na USP, pedindo que o conselho de ética julgasse o comportamento do professor Mendes.
São os casos mais recentes, mas não isolados. Desde 2019, a Lei de Segurança Nacional — criada pela ditadura para coibir atentados à segurança e à soberania nacional — já foi usada para justificar a abertura de 77 investigações, bem mais que as 44 dos quatro anos anteriores. Pelo menos 12 foram abertas a pedido do próprio Ministério da Justiça, contra políticos e jornalistas que manifestaram críticas a Bolsonaro.
O próprio Aras já processou criminalmente outro jornalista que o criticou por ser leniente com o governo de Bolsonaro. Até agora, não ganhou. E a vitória deve ficar ainda mais difícil depois que o próprio ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes mandou realizar uma operação de combate à corrupção no Ministério do Meio Ambiente sem comunicar a Aras. Por confiar na combatividade da PGR para investigar o governo é que não foi.
A Constituição brasileira tem dois artigos que garantem a liberdade de expressão, de imprensa, de crença e de convicção política, mas os senadores e o poste, ops, o procurador-geral da República, se julgam acima da lei. Evocam respeito a suas autoridades e às instituições que representam, mas esquecem que, quando se dispuseram a exercer funções públicas, sendo remunerados com dinheiro público, (supostamente) para servir ao público, colocaram-se voluntariamente sob o escrutínio… público.
A eles é dado, como a todo cidadão, o direito à reparação e à indenização por calúnia e difamação na esfera cível. Mas, pelo menos até agora, não lhes é dado impedir que outros cidadãos lhes façam críticas, mesmo que ácidas ou supostamente injustas.
Até onde se sabe, não voltamos (ainda) aos tempos da ditadura, quando professores universitários sofriam processos bizarros e eram afastados de seus cargos por razões políticas, e intelectuais recebiam ameaças veladas por suas opiniões e textos em telefonemas anônimos.
Por enquanto, ainda é possível que 88 professores da USP subscrevam as críticas do professor Hübner Mendes num manifesto intitulado “Poste, Servo, Omisso” sem sofrer maiores consequências. Ainda não aconteceu nada ao sociólogo Rocha de Barros, que se recusou a prestar depoimento numa investigação que a Polícia do Senado não tem poder para realizar. E está claro que ainda há, felizmente, muita gente disposta a batalhar pela saúde da democracia brasileira.
Mas é uma lástima que os mesmos que se dizem preocupados com a imagem de instituições tão importantes para a República como o Senado ou o Ministério Público não se mostrem igualmente empenhados em impedir a disseminação de mentiras sobre remédios sem eficácia para o tratamento da Covid-19. Que não se importem com a esculhambação patrocinada por um governante que promove aglomerações em meio a uma pandemia mortal. Ou que finjam não ver quando o presidente da República ameaça “dar porrada” em jornalistas ou adversários políticos. Para esses, só tem direitos quem tem poder. É gente que age como na ditadura, mas no Brasil de 2021.
Fundos de pensão como a Previ, alvo do Centrão, administram R$ 1 tri. Veja por que comando deles é tão disputado

SÃO PAULO — Com um patrimônio que soma R$ 1 trilhão, o equivalente a cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, os fundos de pensão se tornaram agentes importantes da economia e do mercado de capitais brasileiro.
Os maiores são os de funcionários de estatais como Banco do Brasil (Previ), Petrobras (Petros), Caixa (Funcef) e Eletrobras (Real Grandeza).
Essas entidades de previdência estão atualmente entre os principais investidores de longo prazono país. São sócios e influenciam a gestão e o financiamento de grandes empresas.
Em muitas, nas quais têm participação acionária relevante, indicam representantes para os conselhos de administração, que tomam as decisões estratégicas das companhias, como investimentos.
Portanto, os fundos de pensão podem influir até mesmo na retomada da economia ou no impulso a um determinado setor.
É esse poder econômico que atrai a cobiça de partidos políticos por indicações em cargos chaves nos fundos.
A troca de diretores indicados pela Caixa na Funcef recentemente e o pedido de demissão, na última terça-feira, do presidente da Previ, José Maurício Coelho, evidenciaram a intervenção do presidente Jair Bolsonaro nas estatais que têm poder de indicar parte dos dirigentes dos fundos.

Esses cargos são cobiçados por partidos da base política do governo, como os do Centrão. Nas últimas décadas, essas entidades de previdência foram marcadas por escândalos de corrupção.
— Os fundos são grandes investidores tradicionais no Brasil. Se reforçaram durante as privatizações e participaram praticamente de todos os setores, da (mineradora) Vale à telefonia. Se tornaram tão importantes a ponto de serem alvo de interferências políticas — diz Sergio Lazzarini, professor do Insper, lembrando que os principais fundos, patrocinados por estatais, ficam sob influência do partido e do governo que está no poder.
Como funcionam os fundos de pensão?

Tire suas dúvidas sobre os fundos de pensão
Para que eles servem?

A função primordial dos fundos é a de complementar a previdência oficial de trabalhadores de empresas privadas, estatais, ou entidades de classe, associações e cooperativas, que não devem ter fins lucrativos na oferta de previdência.
No ano passado, as entidades de previdência complementar fechadas (que só permitem a admissão de funcionários e seus dependentes) encerraram com 2,7 milhões de participantes ativos, 3,9 milhões de dependentes e 837 mil aposentados.
Só em benefícios aos aposentados, foram pagos R$ 68 bilhões. São mais de 300 instituições, que juntas administram pouco mais de 1.100 planos de benefícios.
A Petros tem o maior número de participantes: 450 mil, com R$ 112 bilhões em ativos.
A Previ vem em primeiro em ativos sob gestão — R$ 230 bilhões — e em segundo em número de participantes: 430 mil.
Como é formado o patrimônio?
O patrimônio desses fundos é constituído das contribuições mensais dos empregados e também dos empregadores. Quase sempre, as empresas depositam o mesmo valor que os empregados no fundo, o que estimula a participação.
Como os fundos garantem que terão recursos para pagar as pensões complementares dos participantes quando eles se aposentarem?

Os fundos aplicam os recursos em ações, imóveis, fundos imobiliários, projetos estruturados de infraestrutura e ativos no exterior.
Os fundos também costumam fazer empréstimos a seus participantes, com taxas de juros mais baixas do que a cobrada nos bancos.
Por que eles fazem diferença na economia?

O objetivo dos investimentos de um fundo de pensão é multiplicar seus recursos para que eles se transformem no pagamento de benefícios no futuro, em prazos de até 30 anos.
Isso favorece o investimento dos fundos em negócios de longo prazo, como concessões de infraestrutura ou empresas em fase de expansão.
Como mobilizam montantes muito altos de dinheiro, eles conseguem viabilizar projetos que favorecem o desenvolvimento econômico e a geração de empregos.
— Os fundos são investidores de longo prazo, e podem ser mais pacientes — diz Lazzarini, do Insper.
O que chama a atenção é o montante disponível para investir: só a Previ tem R$ 55 bilhões em ações da mineradora Vale. A Previ investe na Vale desde que ela foi privatizada, nos anos 1990.
A partir dos anos 2000, fundos de pensão como Funcef e Petros participaram de vários projetos na área de energia, como a usina hidrelétrica de Belo Monte, e de mobilidade, como na concessionária que opera o metrô do Rio.
— Eles têm uma enorme capacidade econômica, capaz de alavancar setores considerados promissores — diz o professor Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de gestão financeira da FGV.
Os fundos de pensão correm riscos que podem prejudicar seus participantes?

Das decisões de investimentos dos dirigentes depende o pagamento de pensões no futuro. Por cautela com o patrimônio de seus participantes, os fundos aplicavam a maior parte dos recursos em títulos de renda fixa, como os do Tesouro Nacional.
No entanto, com a queda da taxa Selic nos último sanos, eles tiveram que fazer investimentos de maior risco para bater suas metas atuariais.
Isso deixa uma grande responsabilidade sobre os dirigentes na decisão de investimentos. Afinal, quando eles têm prejuízo, seus participantes são obrigados a aumentar a contribuição para garantir o equilíbrio entre os recursos no fundo e o que sai para as aposentadorias.
O professor Ricardo Teixeira, da FGV, afirma que os gestores precisam observar o quão agressivos podem ser para entregar um retorno que supere a inflação.
— Na pandemia, por exemplo, os gestores não sabiam como o mercado financeiro se comportaria. Eles acabaram sendo mais conservadores, indo para a renda fixa para proteger o capital investido — diz Teixeira.

Na Previ, por exemplo, os gestores diminuíram a posição em ações, no início deste ano, com o recrudescimento da pandemia em janeiro.
A Previ adquiriu R$ 5,7 bilhões em NTN-Bs, títulos públicos que pagam juros e a variação do da inflação (IPCA), nos primeiros meses de 2021.
No ano passado, o fundo já tinha comprado R$ 13 bilhões desses papéis, mostrando uma estratégia mais conservadora. Mesmo assim, também comprou ações de quatro empresas que abriram capital na Bolsa ano passado, entre as 27 que fizeram ofertas iniciais (IPOs).
Como os fundos de pensão influenciam empresas privadas?

Com a Bolsa ainda mostrando volatilidade por conta da pandemia, alguns gestores de fundos de pensão venderam participações acionárias para reduzir o impacto negativo em seu portfólio.
Em janeiro deste ano, por exemplo, a Petros vendeu ações da processadora de carnes BRF. Mas ainda assim tem quase 10% de participação na empresa e mantém a indicação de um representante no Conselho de Administração da companhia.
Por suas participações acionárias expressivas em algumas empresas, os fundos indicam representantes tanto no conselho de administração quanto no fiscal, influenciando na gestão e financiamento das companhias.
A Previ, por exemplo, tem 85 assentos nos conselhos de administração e fiscais de companhias como Ambev, Bradesco, Itaú, Itaúsa, BR Malls, B3, Coelba, Gerdau, Lojas Renner, entre outras.
Em 2020, a Funcef fez até um concurso para selecionar oito conselheiros (e oito suplentes) para companhias em que têm participação acionária relevante, entre elas Invepar, Norte Energia, Serra Azul Water Park e Statkraft Energias Renováveis.
A Petros tem representantes no conselho de administração e fiscal de empresas como Invepar, Marcopolo e Norte Energia.
Os fundos de pensão estão vulneráveis à corrupção?

O economista Sergio Lazzarini, do Insper, lembra que os principais fundos de estatais foram alvo de investigação na Lava Jato, que revelou investimentos feitos com viés político em algumas empresas.
Um exemplo foi a Sete Brasil. Os principais fundos de pensão ligados a estatais tiveram perdas nos investimentos feitos na companhia, criada em 2010 para construir, possuir e operar uma frota de navios-sonda para a Petrobras na exploração do pré-sal.
A Lava-Jato mostrou que os projetos foram superfaturados. A empresa entrou em recuperação judicial e frustrou os investimentos dos fundos de pensão.
Lazzarini observa que mesmo com o sucesso de investigações e leis que limitam as indicações políticas nos cargos-chave dos fundos, a governança dos fundos ainda precisa ser aprimorada.
Covid-19: aeroportos do Rio não têm inspeção sanitária em passageiros mesmo após chegada da variante indiana do coronavírus no estado

RIO - Na manhã desta quarta-feira, dia 26, horas antes de vir a público que o morador de Campos dos Goytacazes, de 32 anos, estava infectado com a variante indiana do coronavírus, passageiros que chegavam de voos internacionais não passavam por nenhuma inspeção sanitária no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Galeão. A 20 quilômetros dali, no Aeroporto Santos Dumont — local que recebe diariamente dezenas de pessoas vindas de conexões feitas em outros estados, como o de São Paulo — não era feita fiscalização, testagem das temperaturas ou higienização de quem entrava na cidade. Depois da confirmação da nova cepa no país, a Infraero propôs criar barreiras sanitárias nos aeroportos do Rio. No entanto, as autoridades de saúde terão que solicitar. O RIOGaleão, responsável pela gestão do Aeroporto Internacional, informou que segue os protocolos sanitários estabelecidos pela ANVISA e pelo Ministério da Saúde desde o início da pandemia.
O morador de Campos, que desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, vindo da Índia, e chegou ao Rio pelo Aeroporto Santos Dumont, está infectado com a variante indiana do coronavírus. A informação foi divulgada pouco depois das 9h desta quarta-feira pelo Instituto Adolfo Lutz, ligado ao governo paulista.
Às 8h20, dois voos chegaram no Galeão: o 7210, vindo de Houston, no Texas (EUA), da companhia ANA, e o 7009, também de Houston, da Azul. Mais de 300 pessoas viajaram nos dois aviões. Entretanto, nenhuma delas teve de apresentar os testes contra a SARS-Cov-2 às autoridades brasileiras. Muitos turistas e brasileiros, inclusive, estavam com a máscara abaixo do nariz.
O empresário Rodrigo Senra, que mora em Orlando, na Flórida, e que saiu de Miami para passar férias no Brasil com a família, contou que não precisou apresentar o teste negativo de Covid-19 ao descer no Rio.
— Fizemos os testes lá e pensávamos que eles pediriam aqui. Mas nada. Não teve controle nenhum por parte das autoridades desse país. É até preocupante, porque a pessoa pode ter sintomas durante uma viagem muito longa e passar despercebido. Eles também não testaram (a temperatura) e muito menos solicitaram os documentos para comprovar que não estamos com a doença. Inclusive, o voo estava cheio e houve muita aglomeração no desembarque — lembra Rodrigo.

A empresária Ingrid Borges de Freitas Wilson, de 50, fez questão de mostrar os exames que ela fez antes de embarcar para o Brasil. Morando na Virgínia há mais de 10 anos, Ingrid se disse surpresa com a falta de fiscalização por parte das autoridades brasileiras. Ela estava no voo 7009.
— Isso é Brasil, né? Peguei um avião de Virgínia para o Texas e tive de fazer o exame RT-PCR. Quando eu embarcava para o Rio, também exigiram. Passamos a noite toda dentro de um avião e nada. É muito preocupante, pois uma pessoa pode ter sintomas durante o trajeto e sair contaminando todo mundo, mesmo com um teste negativo. É preciso ter o mínimo de cuidado — destacou a empresária.

Segundo funcionários da Infraero e de algumas companhias aéreas que o GLOBO conversou, é atribuição de cada país pedir o teste de Covid-19 e fiscalizar a entrada e saída em seus respectivos territórios. Os profissionais lembraram ainda que as empresas de aviação também têm autonomia para exigir a testagem, mesmo que o país de destino não peça. No momento da passagem a pessoa é informada que precisa apresentar o documento no momento do embarque. Nos Estados Unidos e no Canadá, além de toda a Europa, é obrigatória a apresentação do comprovante.
Quem precisa viajar e não fez o teste da Covid-19 pode fazer nos aeroportos do Galeão ou Santos Dumont. No Galeão, o espaço médico fica no Terminal 2. A unidade do Hospital Israelita Albert Einstein disponibiliza o teste molecular RT-PCR, com emissão de laudo em até 4 horas. No entanto, é preciso que a pessoa agende um horário pela internet. Caso não consiga, o atendimento é feito por ordem de chegada.
A análise do material coletado é feita no próprio aeroporto. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o local funciona 24 horas, todos os dias da semana, e há atendimento em português, inglês e espanhol. Cada teste sai por R$ 350. O hospital afirma que, caso o paciente seja diagnosticado com a Covid-19, o Ministério da Saúde é informado imediatamente através da plataforma RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde). A base de dados troca informações com outras organizações de saúde da Rede de Atenção à Saúde.

Já no Aeroporto Santos Dumont, o passageiro pode fazer o exame na Veus Saúde, que fica em uma loja no Bossa Nova Mall. Segundo a unidade de saúde, o RT-PCR e o Teste Rápido Antígeno são os mais procurados. No entanto, o requisitado pelas companhias áreas é o RT-PCR. Esse exame no local custa R$ 680. Assim como no Galeão, é preciso que a pessoa agende um horário pela internet. Caso não consiga, o atendimento é feito por ordem de chegada. Segundo a Veus Saúde, caso a pessoa faça o exame antes da 10h, o resultado sai no mesmo dia às 23h. A análise do material colhido é feita pelo laboratório CETIQT.
Em nota, a Infraero propôs criar barreiras sanitárias nos desembarques dos aeroportos do Rio. Segundo o órgão, “desde o início da pandemia, vem aplicando os protocolos sanitários preconizados pela Anvisa, de forma padronizada, em todos os aeroportos sob sua gestão.” Ainda de acordo com o comunicado, “a empresa está à disposição para colaborar com medidas adicionais julgadas necessárias pelos órgãos sanitários públicos dos estados e municípios, a exemplo de implementação de barreiras sanitárias nas áreas de desembarque sob gestão daqueles órgãos”.
O RIOGaleão enviou a seguinte nota: “Desde o início da pandemia de Covid-19, o RIOgaleão segue os protocolos sanitários estabelecidos pela ANVISA e pelo Ministério da Saúde.
As medidas adotadas pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim permitiram ao terminal ser o primeiro no Brasil a conquistar o selo internacional Safe Travels, com o respaldo da Organização Mundial de Turismo. Além disso, foi certificado pela ACI (Airports Council Internacional) no seu programa de saúde.
O RIOgaleão está dando continuidade a todas as medidas preventivas de forma criteriosa para colaborar com a redução da expansão de novas cepas da COVID-19.
Os passageiros que desembarcam de voos internacionais são fiscalizados por agentes da Anvisa, dando sequência ao desembarque e posterior checagem de passaportes.
Na área pública em operação, mais de 30 dispensers de álcool em gel estão disponíveis em locais de fácil acesso. A área privada também conta com cerca de 30 locais para higienização das mãos.
O aeroporto também usa produtos hospitalares para desinfecção de áreas comuns, além de mapas de calor gerados a partir de sinais da rede wi-fi para identificar pontos com aglomeração e possíveis filas de passageiros.
Com o apoio deste recurso, equipes vistoriam áreas com excesso de pessoas e reforçam a conscientização sobre a necessidade do distanciamento social e da obrigatoriedade do uso de máscaras”.
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