inexiste EMPATE MORAL. Falsa Simetria. A dúvida é a arma do negócio * PORNÔ SÃO JOÃO *
A dúvida é a arma do negócio
Milhares nas ruas, apesar da pandemia, provam força da repulsa a Bolsonaro
A violência da PM em Recife e o perigo de conflitos em 2022
A casta ARISTOCRÁTICA ainda consegue se fantasiar como amiga do povo
Por que Lula não participou dos atos contra Bolsonaro
China limita viagens em sua província mais populosa após surto causado por variante indiana da Covid-19
Batata-inglesa ou mandioquinha: qual é mais saudável? Compare as duas
Uma tarde no cinema pornô 'escondido' na av. São João, em São Paulo

___________________________________________________
A dúvida é a arma do negócio
Nos anos 50, um maço de cigarro nas mãos era tão comum quanto um celular é hoje. Foi quando dois pesquisadores ingleses, Richard Doll e Austin Hill, perceberam que os casos de câncer no pulmão cresceram seis vezes no Reino Unido em apenas 15 anos. Suspeitaram do cigarro e iniciaram uma pesquisa que salvaria muitas vidas, mudaria a história da saúde pública e do marketing político.
Para muita gente, a razão do aumento de casos de câncer estava na fumaça de carros, ônibus e caminhões que se multiplicavam com as novas estradas do Pós-Guerra. Como quase todo mundo fumava, inclusive os pesquisadores e os médicos do sistema de saúde, fazia sentido achar um culpado que não questionasse o sagrado ritual do cigarrinho de cada dia.
O estudo publicado em 1954 provou, de forma irrefutável, que fumar aumentava em 16 vezes a chance de desenvolver câncer de pulmão, além de ser também a causa de um surto de doenças cardiovasculares. Os próprios Doll e Hill deixaram de fumar, assim como os médicos, que, expostos a uma avalanche de dados, foram os primeiros a largar o vício.
Parecia ser questão de tempo para o consumo de cigarros diminuir, mas a lógica é frágil quando bate de frente com os interesses de uma indústria bilionária. Com a publicação dessa primeira pesquisa, começou uma guerra de narrativas que duraria décadas. Os executivos da indústria do tabaco se reuniram para discutir como enfrentar a ameaça à saúde de sua galinha dos ovos de ouro: o cigarro. Durante um desses encontros foi criada a arma psicológica que, se injetada nas cabeças da população, ganharia a guerra: a dúvida.
A indústria não atacava os pesquisadores, mas questionava os dados. Contratava outras pesquisas relacionando a poluição à incidência de câncer, ou as doenças cardiovasculares à má alimentação. Profissionais de relações públicas inundando a mídia com resultados conflitantes e com alarmantes pesquisas sobre qualquer outro vilão da saúde que tirasse o foco do cigarro. A nicotina adicionada ao cigarro era uma aliada, fazendo do fumante um dependente ávido por duvidar de qualquer dado questionando o hábito que lhe dava tanto prazer.
Décadas depois, graças a vários vazamentos de documentos secretos, a indústria do tabaco acabou exposta. Produtos criados para criar dependência, dados e índices manipulados levaram os CEOs das companhias ao Congresso americano, onde confessaram, de cabeça baixa, saber, desde os anos 50, do mal que o cigarro provocava. A dúvida se dissipou, fumar virou pecado e foi proibido em espaços públicos.
Turbinada pela chegada das mídias sociais, a maior arma de manipulação de massas já criada, essa estratégia de marketing de combate renasceu nas mãos dos ideólogos e marqueteiros da extrema-direita, prontos para declarar a guerra santa contra o statu quo.
A tática continua a mesma: questionar certezas para criar dúvidas. Negar a ciência, embaralhar dados, reescrever a história, inundar a rede de fake news oferecendo uma realidade paralela a todos os que têm como hobby desconfiar de qualquer fato que contradiga suas próprias opiniões e certezas. O inimigo agora é a imprensa, a academia, a ciência, o liberalismo, todos parte de uma conspiração da elite intelectual de esquerda, que teria como único objetivo o domínio mundial.
A indústria do petróleo e do carvão gerando pesquisas conflitantes com a opinião unânime da comunidade científica sobre a influência do homem no aquecimento global, colocando a pulga da dúvida atrás das orelhas de muita gente e atrasando políticas para a mudança da matriz energética mundial.
O movimento antivacina e seus médicos de Facebook, criando o mito da cloroquina, da vacina com chips da Microsoft, DNA mutante, efeitos colaterais em números astronômicos, minando a confiança da população na única ferramenta disponível para erradicar a pandemia: a vacina.
O marketing da dúvida não conseguiu salvar a indústria do cigarro. Assistindo na CPI às mentiras de ministros sobre a má-fé do governo na condução da pandemia expostas por cartas, documentos, dados e fatos, não tenho dúvida de que, um dia, ser trumpista, negacionista, obscurantista, terraplanista ou bolsonarista será tão constrangedor quanto acender um cigarro num elevador.

Por Marcello Serpa
Análise: Reinaldo Azevedo - Milhares nas ruas, apesar da pandemia, provam força da repulsa a Bolsonaro

Reinaldo Azevedo
Colunista do UOL
30/05/2021 08h10
Todos sabem que me opus a protestos nestes dias em razão da pandemia. É arriscado? É. Mas a história não se faz só de quereres. Em certa medida, é evidente, o antibolsonarismo deixou-se pautar por Bolsonaro. Que se note, no entanto: a esmagadora maioria dos que foram às ruas neste sábado estava de máscara e levou uma pauta civilizadora, que expressa o consenso de quem adere à ciência e ao bom senso, apesar da óbvia aglomeração. Inexiste, assim, um empate moral, como a extrema direita está berrando nas redes sociais.
Fato: o presidente exibia um falso monopólio das ruas em razão do público irresponsável e negacionista que mobiliza. Como evidenciam as pesquisas, a maioria dos brasileiros, hoje, é crítica ao governo. E, pois, já o era antes dos protestos. O que se fez foi expressar essa verdade também na ocupação de espaços públicos.
O É DA COISA: Mundo inteiro ridiculariza o golpista Bolsonaro, que declina
A rua não era essencial para plasmar o sentimento antibolsonaro. Mas é claro que aqueles que se opõem ao presidente marcam um tento ao evidenciar que os antigovernistas podem organizar "protestos contra" bem maiores do que os "protestos a favor" — estes insuflados pelo próprio Bolsonaro. Mas é certo que os manifestantes de oposição terão de enfrentar críticas em face da terceira onda da doença que bate às portas. Que não venha. A primeira e a segunda já mataram mais de 461 mil pessoas.
"Muito bem, Reinaldo, então qual é a síntese?" Ela não é linear. Pode-se afirmar que:
1: o antibolsonarismo crescia sem manifestações de rua porque, em regra, os que se opõem ao presidente obedecem a restrições sanitárias;
2: opositores justa e prudentemente enclausurados contribuíam para alimentar a falsa impressão de que as ruas eram monopólio do governismo e do negacionismo;
3: não negacionistas foram protestar, apesar da resistência de muitos, e demonstraram o que já se sabia: são a maioria;
4: o antibolsonarismo, assim, evidencia superioridade numérica, mas vê esmaecido o seu exclusivismo moral no que respeita ao distanciamento social;
5: na plástica das ruas, a diferença essencial está no uso de máscara, que rechaçada pelos seguidores do presidente, e por ele próprio, até hoje ninguém sabe por quê;
6: na pauta, entre antibolsonarismo e bolsonarismo, há a distinção, com o perdão do clichê, entre a civilização e a barbárie;
7: demonstrado o potencial para concentrações gigantescas, a prioridade deve continuar a ser o combate à doença. E, definitivamente, as aglomerações não contribuem para isso, ainda que com o uso de máscaras.
PROTESTOS MITIGADOS
Notem que coisa curiosa: Bolsonaro fala até em recorrer aos militares para impedir que Estados e municípios adotem medidas de restrição de circulação. Contra a Constituição e o que já foi votado no Supremo, sustenta que só o governo federal pode fazê-lo -- e, como o presidente deixa claro, todos devem retornar à normalidade, embora o sistema de Saúde ainda esteja em colapso. Ele é assim mesmo: irresponsável.
O que este sábado deixou claro? Se todos decidissem seguir a pregação do "Mito", o país poderia assistir a alguns dos maiores protestos de sua história — e, no caso, contra o governo. Assim, é a resistência ao que prega o mandatário que o tem poupado de megamanifestações de repúdio.
Tanto é verdade que o antibolsonarismo se dividiu. O chamamento para o protesto deste sábado foi feito pelas frentes Povo sem Medo, Brasil Popular e Coalizão Negra por Direitos (que congregam dezenas de entidades). Partidos apoiaram, mas não estiveram na linha de frente da organização. A CUT e o MST, por exemplo, não convocaram sua militância, mas também não criticaram os atos. O PT nacional aderiu, mas o da Bahia estimulou o protesto virtual.
A oposição centrista e de direita — sim, existe — não estava nas ruas. E, mesmo entre aqueles mais à esquerda, houve às pencas os que preferiram manter o distanciamento social. Isso quer dizer, é evidente, que o potencial para ocupar as ruas contra Bolsonaro é muitas vezes superior àquele que se viu.
AGENDA
Os protestos tiveram uma agenda dispersa: a favor da vacina; em defesa da CPI; por um auxílio emergencial de R$ 600; por um governo sem Bolsonaro e sem Mourão; contra a violência policial (no caso do Rio) etc. Isso, em si, é um problema? Resposta: não! Afinal, nunca se pretendeu elaborar um programa de governo. O que se tinha e se tem é um conjunto de insatisfações que estavam reprimidas.
A adesão aos protestos, marcados com pouca antecedência, certamente surpreendeu até os organizadores. Como será no futuro próximo? Bolsonaro deve continuar a incentivar atos irresponsáveis — para ele, as pessoas "morrem sem sentir" e, afinal, "todo mundo morre um dia"...
Obviamente, não dá para entrar num campeonato de sandices. Mesmo correndo mais riscos do que seria desejável, os manifestantes deste sábado demonstraram que o repúdio ao governo é grande, como evidenciam as pesquisas. Mas cumpre estar atento: o governo pode estar vivendo o seu pior momento. Está combalido, mas tem instrumentos para reagir.
A violência da PM em Recife e o perigo de conflitos em 2022 | Malu Gaspar - O Globo

A comparação entre a postura da Polícia Militar nos protestos do último sábado, contra Bolsonaro, e na manifestação do final de semana anterior, a favor do presidente, traz um alerta preocupante para as eleições de 2022: o de que o bolsonarismo enraizado nas polícias e a insubordinação contra governadores de oposição ao presidente possa provocar ainda mais conflitos num ambiente político já polarizado e conflagrado.
Na motociata a favor de Bolsonaro, no Rio de Janeiro, havia mais de mil policiais militares, mas a única pessoa agredida foi um jornalista – e pelos próprios manifestantes, hostis à presença da imprensa.
No ato em Recife, a escaramuça começou sem motivo aparente, e foi desencadeada pela própria PM - contra a orientação do chefe da polícia, o governador Paulo Câmara (PSB), que recomendava apenas acompanhar a manifestação e evitar excessos.
Imagens registradas pelos manifestantes mostram que o ato transcorreu pacificamente até o final do trajeto, quando os policiais passaram a disparar balas de borracha e spray de pimenta sobre as pessoas.
Nas apurações preliminares, os PMs disseram ter disparado balas de borracha porque os manifestantes não se dispersaram no local combinado e seguiram caminhando por mais um trecho.
Nos dias anteriores à manifestação, o Ministério Público estadual notificou o governo para que o ato não fosse permitido, mas a decisão final foi de autorizá-lo.
O governador afastou os comandantes da operação, abriu um procedimento disciplinar e já determinou que as vítimas da PM sejam assistidas e indenizadas. Paulo Câmara também gravou vídeos em que repudia a ação violenta da PM. Mas não dá entrevistas, por exemplo, para não melindrar a polícia mais do que o que considera que seria razoável.
Câmara tem diante de si um desafio pelo qual já passaram seus colegas de São Paulo, João Doria (PSDB), do Ceará, Camilo Santana (PT), e da Bahia, Rui Costa (PT) – todos de oposição ao presidente da República.
Em maio de 2020, atos pró e contra Bolsonaro convocados para o mesmo dia em São Paulo terminaram com conflito entre a PM e manifestantes contra o governo federal.
Antes dos protestos deste final de semana, porém, Doria reuniu o Conselho de Segurança Pública de São Paulo e deu ordem expressa aos comandantes das polícias para que não houvesse agressão aos manifestantes. Desta vez, funcionou.
A preocupação de especialistas e de governadores é que o caldo de insatisfação e de politização das tropas Brasil afora provoque ainda mais conflitos à medida que as eleições se aproximarem, com mais manifestações contra e a favor do governo.
"As polícias militares são hoje um barril de pólvora", diz Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor do Departamento de Gestão Pública da FGV-EAESP. "Os policiais estão à flor da pele. Eles gostariam de estar reivindicando melhores salários, mas para fazer isso teriam que bater no Bolsonaro, porque os salários estão congelados por ação do governo federal", explica Lima.
Uma pesquisa publicada pelo Fórum no ano passado mostrou que 35% dos oficiais e 41% dos praças de todo o Brasil interagem em redes sociais bolsonaristas. Em geral, se posicionam de forma favorável ao presidente, que desde a pandemia alimenta conflitos com os governadores em torno da necessidade de isolamento social.
"Essa contradição só aumenta a tensão na tropa", explica Lima.
Situação semelhante aconteceu na Bahia, em março deste ano, quando um policial militar foi abatido depois de passar cerca de quatro horas dando tiros para o alto e gritando palavras de ordem no Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos de Salvador. Na ocasião, houve ameaça de greve, mas a paralisação acabou não acontecendo.
Nos dois casos, os governadores ameaçaram punir os policiais, mas até hoje não foi divulgada nenhuma punição.
A casta ARISTOCRÁTICA ainda consegue se fantasiar como amiga do povo
São “parasitas” que estão matando o “hospedeiro”? A sentença emitida por Paulo Guedes, como quase tudo que fala o já não tão poderoso ministro, é uma generalização estúpida. Nas suas desigualdades internas, o funcionalismo público é quase um microcosmo do conjunto da sociedade brasileira. Mas sua elite forma, de fato, uma casta aristocrática que extrai recursos vitais dos brasileiros comuns, amplificando a concentração de renda.
A casta está incrustada no funcionalismo federal: segundo o Ipea, em 2017, os servidores municipais tinham salário médio de R$ 2,9 mil, contra R$ 5 mil dos estaduais e R$ 9,2 mil dos federais. O Congresso e, especialmente, o Poder Judiciário formam os ecossistemas da casta: no Executivo, o holerite médio era de R$ 3,9 mil, contra R$ 6 mil dos funcionários do Legislativo e R$ 12 mil dos servidores do Judiciário.
Raymundo Faoro iluminou, nos idos de 1958, a relação intrínseca entre o poder estatal e o estamento dos servidores públicos. A conversão patrimonial do bem nominalmente público em propriedade privada — a prática sistemática de “tosquiar” a sociedade — expressa-se, entre tantas formas, na remuneração da casta. Os funcionários federais ganhavam, em média, 96% mais que os trabalhadores de empresas privadas, sempre em 2017. No Judiciário, 4,2% dos funcionários recebiam salários superiores a R$ 30 mil.
Getúlio Vargas esculpiu a transição para a economia urbano-industrial criando a moderna burocracia estatal e lançando as sementes da casta. Os filhos dos fazendeiros tornaram-se bacharéis. O PT, partido apoiado nos sindicatos de servidores, completou a obra varguista. Nos governos Lula e Dilma, o gasto com pessoal saltou de cerca de R$ 200 bilhões para mais de R$ 300 bilhões, já descontada a inflação.
O país existe para servir os servidores? Em 2019, o Brasil gastou 12,9% do PIB com o funcionalismo, um dos maiores dispêndios do planeta, superior ao do Canadá (12,1%) ou da França (11,8%), para não mencionar Reino Unido (9%), EUA (8,7%), Alemanha (7,6%) ou Chile (7,1%). Só o Judiciário — e sem contar o MP — consumiu 1,5% do PIB, um assalto à arca pública que fica evidente no cotejo com Itália (0,18%), França (0,15%) ou EUA (0,14%). Por aqui, terra de fidalgos togados, o vale-refeição dos juízes supera o salário mínimo em 24 das 27 unidades da Federação.
O lulismo impulsionou a casta a um novo patamar — e seus arautos nem sequer admitem a discussão de uma reforma administrativa capaz de limitar as rendas públicas destinadas a sustentar seus privilégios. O sociólogo Jessé Souza, o mais autêntico formulador da visão lulista sobre o Estado e a sociedade no Brasil, sintetizou a alegação da casta na seguinte sentença: “Os bancos querem enxugar os gastos do Estado, para que o Estado possa ter seu orçamento dirigido aos bancos”. Ficamos sabendo, então, que, segundo Jessé, propor uma reforma administrativa implica defender os interesses dos bancos.
A técnica de acusar o interlocutor de nutrir maléficas motivações ocultas, típica de espíritos autoritários, destina-se a circundar a argumentação histórica e factual, substituindo o debate informado por um torneio de insultos. Na maioria das nações democráticas, governos de diversos matizes políticos evitaram que a alta burocracia de Estado abocanhasse parcela da riqueza nacional similar à que alimenta a “nossa” casta. Seriam todos esses governos meros agentes do capital financeiro?
Na base do funcionalismo, especialmente nos níveis estadual e municipal, encontra-se a parcela dos servidores públicos de maior valor social. São, em grande parte, funcionários mal-remunerados da saúde e da educação que atendem à população de baixa renda. É a casta, não os malvados banqueiros, que desvia para si mesma os recursos necessários para a qualificação e modernização dos serviços públicos universais.
Uma reforma administrativa equilibrada — que, obviamente, não é a de Paulo Guedes — interessa à maioria dos brasileiros. Pena que, 90 anos depois de Vargas, os representantes políticos da casta ainda consigam se fantasiar como amigos do povo.

Por Demétrio Magnoli
Por que Lula não participou dos atos contra Bolsonaro | Bela Megale - O Globo

Com seu rosto e nome estampados em parte das manifestações realizadas contra Bolsonaro no último sábado, Lula preferiu não comparecer aos atos e nem se manifestar publicamente. A pessoas próximas, porém, o ex-presidente deixou claro que considerou o movimento positivo. Segundo aliados do petista, ele avalia que os atos mostraram que há capacidade de mobilização da esquerda.
Para integrantes da cúpula do PT, incluindo o próprio Lula, os protestos também evidenciaram menor capacidade de mobilização de bolsonaristas. Enquanto opositores de Bolsonaro foram às ruas em capitais de todos Estados e em muitas cidades do interior, os últimos protestos realizados pelos apoiadores do presidente, inclusive com a presença de Bolsonaro, aconteceram de forma mais isolada em Brasília e, semanas depois, no Rio de Janeiro.
Interlocutores de Lula relataram que ele optou por não participar dos atos para evitar aglomeração em seu entorno, em um momento em que especialistas alertam sobre riscos de uma terceira onda da Covid no Brasil. A avaliação é que esse comportamento ajuda a “blindá-lo”, se quiser seguir na linha se condenar os atos políticos e aglomerações de Bolsonaro. O problema é que, apesar de Lula não ter ido aos atos, vários líderes do PT foram às ruas.
O ex-presidente também disse a aliados que sua presença poderia dar um caráter eleitoral para os protestos contra Bolsonaro e que não é momento para isso.
China limita viagens em sua província mais populosa após surto causado por variante indiana da Covid-19

XANGAI, China - As autoridades chinesas impuseram nesta segunda-feira limitações de viagens, cancelaram voos e começaram a fazer testes em milhares de residentes da província de Guangdong, a mais populosa do país, após o registro de casos de coronavírus provocados pela variante detectada pela primeira vez na Índia.
Quem sair de Guangzhou, capital da província do Sul da China com mais de 100 milhões de habitantes, deverá apresentar um teste negativo da Covid-19 a partir das 22h locais desta segunda-feira, anunciou a prefeitura no domingo à noite.
Guangzhou, centro industrial de quase 15 milhões de pessoas, registrou 18 novos casos de transmissão local de coronavírus na segunda-feira, o que preocupou o país que conseguiu manter a transmissão interna do vírus sob controle. A China registrou, desde o início da pandemia, 91.099 casos de infecções e 4.636 mortes.
As autoridades locais ordenaram que residentes de distritos inteiros sejam testados para a Covid-19. As cidades vizinhas de Foshan e Shenzhen, limítrofes com Hong Kong, também lançaram programas de testagem em massa, depois da detecção de casos de coronavírus na semana passada.
Além disso, foram cancelados centenas de voos do Aeroporto Internacional de Baiyun, em Guangzhou, de acordo com o site de monitoramento de aviação VariFlight na tarde desta segunda-feira (madrugada no Brasil).
Os pacientes do foco de contágio em Guangzhou estão "infectados com a variante de rápida propagação descoberta na Índia", afirmou em entrevista coletiva no domingo a autoridade municipal de saúde, Chen Bin.
Um bairro no distrito central de Liwan foi posto em confinamento no sábado. Mercados e escolas foram fechados, e os moradores receberam ordens para não saírem de casa.
A China voltou a uma vida quase normal desde meados de 2020. Desde então, as autoridades foram respondendo aos surtos esporádicos com duras quarentenas e agressivas campanhas de testagem. Os viajantes que chegam ao país devem passar por quarentenas em hotéis designados pelas autoridades.
Batata-inglesa ou mandioquinha: qual é mais saudável? Compare as duas
Fabiana Gonçalves
Colaboração para o VivaBem
31/05/2021 04h00
A batata-inglesa é o tubérculo mais comum na mesa dos brasileiros. Praticamente universal, está presente sob a forma de purê, frita, na salada de maionese, na sopa, como acompanhamento de carnes. Mas quando o assunto é batata, outra entra em jogo: a baroa, também conhecida como mandioquinha. Ambas são facilmente encontradas na feira, mas qual será que traz mais benefícios à saúde?
Devido à maior concentração de fibras, a mandioquinha vence essa batalha. "Elas são as responsáveis por fazer com que o carboidrato do alimento entre mais lentamente na corrente sanguínea, enquanto que a grande concentração de amido presente na batata faz o efeito contrário, eleva mais rapidamente a glicose no sangue", diz Renata Dinardi Borges Liboni, médica endocrinologista e professora de medicina da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), campus Londrina.
Relacionadas

Vídeo mostra lanche de fast-food intacto após 24 anos; por que não estraga?
Comparando valores nutricionais ambas são ótimas e muito benéficas para o nosso organismo. Pelo preço, a batata-inglesa é mais em conta para se ter em casa dentro uma rotina alimentar. Mas embora ela seja um tubérculo de baixas calorias (apenas 52 em 100 g, cozida), seu índice glicêmico é alto. Isso significa que seu carboidrato é absorvido rapidamente pela corrente sanguínea, resultando em pico de glicose no sangue.
"Já a mandioquinha é mais calórica —tem 77 calorias por 100 gramas, cozida —, por outro lado, por ser mais rica em fibras, seu índice glicêmico é médio e leva mais tempo para ser absorvida pelo organismo", afirma Lara Natacci, nutricionista, mestre e doutora pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). A mandioquinha também tem uma concentração maior de minerais como fósforo, magnésio e ferro e possui betacaroteno, que é precursor de vitamina A. Ela também contém vitaminas C e as do complexo B.
"A mandioquinha ainda é mais recomendada do que a batata-inglesa para quem tem diabetes, porque ajuda no controle da glicemia e insulina, já que ela tem um índice glicêmico médio", lembra Débora Palos, nutricionista do Centro Médico do Hospital Nove de Julho (SP), especialista em terapia nutricional e nutrição clínica pelo GANEP Nutrição Humana (SP) e pós-graduada em nutrição clínica funcional pela VP Consultoria Nutricional (SP).

Quando se trata da batata-inglesa, ela também é rica fonte de carboidrato, vitaminas A, C, E e as do complexo B, e minerais como fósforo, cálcio e magnésio. E apesar de seu alto índice glicêmico, o modo de preparo é que pode influenciar no valor calórico e comprometer o resultado nas dietas para perda de peso ou no controle da glicemia. "Quando consumida frita, por exemplo, o valor calórico aumenta mais que o dobro da versão cozida. Mas se for acompanhada de uma fonte de proteína (carne, frango, ovos), ou de fibras, esse índice glicêmico já cai e a liberação da glicose ocorre de forma mais lenta", observa Liboni.
No fim das contas, ambos são legumes ricos em carboidratos, portanto, além da escolha pelo sabor, deve-se manter o equilíbrio na combinação com outras fontes alimentares, tais como proteínas, gorduras boas e fibras, para compor uma alimentação completa. "O ideal é escolher a fonte de carboidrato para cada refeição. Tanto a batata como a mandioquinha podem fazer parte do cardápio. Não há nenhuma contraindicação, desde que não misture um ou outro com arroz, macarrão ou outro alimento fonte de carboidrato. Todos os alimentos devem fazer parte da rotina alimentar, desde que sejam muito bem combinados, prestando atenção ao tipo de preparo e a quantidade a ser consumida", pondera Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP, membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e da Sociedade Europeia de Endocrinologia
Como aproveitar mais os nutrientes
Tanto a batata inglesa quanto a mandioquinha são aliadas da alimentação saudável, tendo apenas que controlar a quantidade, a combinação com outros alimentos e também o modo de preparo, já que quanto menor o teor de cozimento, menor o índice glicêmico. "Consumir os legumes com a casca aumenta o teor de fibras, da mesma forma que deixá-los al dente também auxilia para que a absorção do carboidrato ocorra de forma mais lenta, reduzindo o pico de açúcar que ocorreria logo após sua ingestão", afirma Liboni. Também é preciso evitar as frituras. Rica em gordura saturada, a batata frita pode comprometer a dieta não apenas pela grande quantidade de calorias (100 gramas de batata frita tem 267 calorias), como a saúde, já que a imersão em óleo faz com que o alimento aumente os níveis de colesterol e triglicérides no sangue.
Cuidado com quantidade
Para quem está de dieta ou mesmo para quem tem diabetes tipo 1 ,2 ou gestacional, a batata pode estar presente no prato, desde que tomando os mesmos cuidados com a quantidade a ser consumida e formas de preparo. "O ideal é que ela seja sempre saboreada em pouca quantidade e acompanhada de uma salada de folhas ou verduras refogadas, ou de uma leguminosa (feijão, grão-de-bico, lentilha ou soja) para reduzir a carga glicêmica da refeição", sugere Patrícia Cruz, nutricionista, mestre em saúde pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP, especialista em transtornos alimentares pelo Ambulim (Instituto de Psiquiatria da USP) e educadora em diabetes pela DIF (Diabetes International Federation). Ela ainda lembra que a indicação do total de carboidratos para diabéticos é de 45% a 60% do valor energético total por dia, segundo a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes).
Observações: a resposta glicêmica pode ser avaliada por dois índices: o IG (índice glicêmico) e CG (carga glicêmica). O IG é calculado a partir da glicemia encontrada no sangue em até duas horas após a ingestão de um determinado alimento fonte de carboidrato; é um índice qualitativo. A CG relaciona a qualidade do carboidrato do alimento e a quantidade consumida.
Fonte: TBCA (Tabela Brasileira de Composição de Alimentos).
Uma tarde no cinema pornô 'escondido' na av. São João, em São Paulo
Leandro Vieira
Colaboração para o TAB
31/05/2021 04h01
"A primeira é a sala dos filmes gays", diz Paulo Sperandio, 68, enquanto atravessa as pesadas cortinas da entrada. No interior, uma projeção com dois homens fazendo sexo anal ilumina uma sala estreita, com algumas fileiras de poltronas separadas por faixas de segurança para garantir o distanciamento. O ambiente é tão escuro que fica difícil andar sem testar o próximo passo, com medo de tropeçar ou pisar em falso num degrau inexistente.
Para além de outras cortinas duplas do outro lado do cômodo, fica um bar banhado de luz neon azul. A partir dele, Paulo indica o caminho para uma série de salas com banheiros e cubículos reservados para o sexo. As privadas são reforçadas com tijolos e azulejos, para impedir que casais afoitos quebrem a louça ao se apoiar sobre o assento na hora de transar. "Ali ficam os buracos para quem quer usar de glory hole", aponta, enquanto passa por outra salinha com furos circulares na parede.
Relacionadas

Pornô auditivo: conselheiro tiktoker vende masturbação guiada para mulheres
Outra sala, mais ampla e ainda menos iluminada, é usada como dark room. "Até tentei clarear com neon, mas o pessoal tira da tomada ou quebra para poder ter mais privacidade." No topo de uma escada de ferro vazada fica uma pequena sala, onde são exibidos filmes pornôs heterossexuais numa TV de LCD.
O tour pelas instalações vazias do Ponto Zen, cinema pornô meio escondido em plena avenida São João, em São Paulo, acontece no início da tarde de terça-feira (25), assim que as portas se abrem. Além do sábado e do domingo, terça é um dos dias de maior movimento, principalmente pelo valor promocional — de R$ 20, a inteira cai para R$ 15. O ingresso dá direito a permanecer no cinema ao longo de todo o dia.
No portão de entrada, assim como na porta de cada sala, fica um frasco de álcool em gel — em alguns casos, acompanhado de uma caixa de preservativos. O dono explica que segue todos os protocolos de saúde e não permite a entrada de ninguém sem máscara. Até o aperto de mão foi momentaneamente abolido. No lugar, o "fist bump", soquinho duplo em que os punhos se encontram brevemente, foi adotado como forma de cumprimento oficial entre os três funcionários e os donos, Sperandio e Luiz Sichieroli, 67.
Reaberto desde abril, após um novo período fechado pelo agravamento da pandemia, o cinema tem funcionado entre 13h e 21h. No passado, era das 11h às 23h. Embora a diferença pareça pouca, Sperandio reforça que o impacto é grande: o horário da noite era o mais requisitado pelo público. Agora, ele espera o governo afrouxar as restrições para que possa permanecer aberto até as 22h e recuperar parte das muitas perdas.

Os recém-chegados
Às 13h, quando iniciam as sessões, o cinema está praticamente vazio. A partir das 13h30, começam a chegar os primeiros clientes. É por esse horário que o bartender liga a trilha sonora do bar — bastante eclética, indo do funk ao rock, com passagens pelo pop, brega e sertanejo. A um lance de escadas da sala hétero, o som no último volume abafa os gemidos dos atores em cena.
A sessão homossexual vai ganhando audiência a partir das 14h. Poucos permanecem sentados. A maioria prefere ficar encostada na parede, mirando a tela — onde rola uma suruba entre jogadores de futebol americano — e lançando olhares aos outros ocupantes, alguns deles sem máscara. Os reservados seguem vazios, ainda cheirando a produtos de limpeza. Em determinado momento, dois homens se beijam e logo se largam.
"Ainda não estava no clima", diz o jovem estudante Miguel Vianna, 23. Ele vai ao Ponto Zen há cerca de três anos e já conhece boa parte dos frequentadores. Na sala escura, aproveita o brilho da tela para identificar conhecidos e descobrir novos alvos em potencial. "Fica mais difícil com a máscara, mas já estou me acostumando." Ao longo do dia, é um dos poucos que aceitam falar com a reportagem.


Gemidos no escuro
A sala vai enchendo conforme o filme avança e, às 15h, já conta com 14 ocupantes. O bar também fica mais movimentado ao longo da tarde, e muitos frequentadores trocam o breu das sessões por uma conversa com cerveja no balcão. "A clientela aqui é a melhor que tem, é o melhor lugar em que já trabalhei", diz o bartender Claudionor Barreto, 38. "O movimento diminuiu porque o pessoal ainda tem medo, mas já está voltando. E muita gente vem só pelo bar, para ouvir uma música, bater um papo", afirma o profissional, que trabalha há nove anos na casa.
A partir das 16h, os reservados vão ganhando público e, por volta das 17h30, a maioria está ocupada. Ao usar o banheiro, onde uma camisinha solitária brilha na lixeira, é possível escutar gemidos, apesar da música alta. Na sala do pornô gay, a parede já está tomada de gente. De vez em quando, dois homens se beijam e se encaminham para o banheiro/reservado próximo. Enquanto isso, a sessão hétero é um oásis de tranquilidade, raramente ultrapassando os três ocupantes. De vez em quando, alguém entra e, de pé ou sentado, coloca uma mão para dentro ou um pênis para fora da calça, se masturba rapidamente e deixa a sala em seguida.
"Quando o cinema fechou, fiquei sem ter para onde ir", conta um espectador de 68 anos. O aposentado, que frequenta o local há quase uma década, viaja quase todas as terças-feiras de Jundiaí até a capital para aproveitar o desconto no ingresso. "E também porque é o dia mais cheio." Fica a maior parte do tempo nas sessões gays, mas também frequenta a sala hétero e prefere não definir sua sexualidade. Quanto à pandemia, ele não se preocupa tanto e diz já estar vacinado. Mas confessa ter voltado a frequentar o cinema antes mesmo de receber o imunizante. "Não aguentava mais ficar em casa."


Da porta para dentro
No saguão de entrada, os sócios do Ponto Zen conversam com a reportagem. A fachada discreta, o letreiro desbotado e pichado, o vidro espelhado ("É para os maridos que não querem ser vistos", esclarece Luiz) e a falta de informações visuais tornam difícil reconhecer o cinema em meio à avenida São João. Ao contrário de outros estabelecimentos do tipo no centro de São Paulo, que apelam para letreiros em neon vermelho e fotos provocantes, os donos prezam pela discrição.
Os sócios chegaram a morar juntos e são amigos há mais de 40 anos. Paulo foi farmacêutico e Luiz, médico. Hoje, ambos são aposentados e estão vacinados. A ideia surgiu a partir de outro amigo. "No começo, fomos muito resistentes, porque não conhecíamos o negócio", conta Paulo. Após conhecer outros cinemas pornô da região, fecharam uma "proposta diferenciada" para o Ponto Zen, com um ambiente mais limpo, exclusivamente masculino ("Para não dar confusão", dizem os sócios) e sem prostituição. "Mergulhamos numa área sem nenhum conhecimento, mas foi um mergulho em águas boas", afirma Luiz.
Funcionando desde 2001 no local, o cinema ficou fechado de março a outubro de 2020 devido às restrições na pandemia. No período, a dupla gastou todas as reservas, mais empréstimos bancários e o crédito conseguido pelo Pronampe para pagar salários, manter o espaço e fazer reformas pontuais. Depois, houve novos fechamentos em janeiro e março. "Esperamos não ter que fechar novamente, porque a coisa está feia", diz Luiz.
Dos 150 visitantes que recebia diariamente, a frequência do cinema caiu para menos de 50. Na última terça-feira, dia mais "quente" da semana, foram 84. O principal público está na faixa dos 30 aos 50 anos, mas também há idosos e jovens de 20. A discrição do lugar é importante para os homens casados que "gostam de uma coisa diferente", parcela relevante dos frequentadores, diz Paulo. Em relação ao sexo, a orientação é a seguinte: "Da porta para dentro, com exceção do bar, está todo mundo livre."
As luzes se apagam
Por volta das 19h, com a maioria dos reservados ocupados, a sala do pornô hétero também começa a ter uma movimentação mais intensa. Enquanto na TV uma mulher geme, nos fundos um homem sentado começa a fazer sexo oral em outro, que permanece de pé. Quase em sincronia, dois homens entram juntos no banheiro. Acima dos gemidos da TV, a música no bar muda de "Un, Dos, Tres, Maria", de Ricky Martin, para "Pertinho de Você", sucesso de 1978 na voz da atriz Elizângela.
Dez minutos depois, o par deixa o banheiro, um deles no ato de recolocar a máscara. Lá embaixo, começam os primeiros gritinhos de Gretchen no "Conga Conga Conga". "Quantos maridos a Gretchen teve mesmo?", alguém pergunta, em voz alta, lá do bar. Minutos depois, a porta do banheiro se abre. Um dos ocupantes sai sozinho e lembra de lambuzar as mãos de álcool gel antes de deixar a sala. A partir daí, pouca coisa acontece. Até as 21h, o movimento vai caindo até que as luzes das telas se apagam e os últimos sobreviventes são convidados a se retirar.



Comentários
Postar um comentário