A TERCEIRA ONDA
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Aos 96 anos, Nelson Sargento é internado após testar positivo para Covid-19. Baluarte da Mangueira já havia recebido as DUAS DOSES da vacina;
Mesmo após DUAS DOSES, ex-presidente José Sarney, 91 anos, NÃO É IMUNIZADO contra a Covid-19. O de Marly Sarney, de 88 anos, deu ALTO. O dele, NENHUM.
Transmissão da Covid ROMPE TETO em todo o país e TERCEIRA ONDA, a mais TERRÍVEL, está chegando
Instituto confirma perigosa variante indiana da Covid em passageiro que transitou por SP, Rio e Campos dos Goytacazes
Primeiro caso de variante INDIANA do coronavírus é confirmado em morador do RIO DE JANEIRO
Amazon compra MGM por US$ 8,45 bilhões e acirra concorrência no streaming
Perto de completar 80 anos, Erasmo Carlos revela cura de câncer no fígado, até então sob sigilo: 'Meu maior presente'
Ex-namorada de Harry diz que RELAÇÃO era 'ASSUSTADORAMENTE LOUCA e DESCONFORTÁVEL
MOREIRA CÉSAR: O coronel SANGUINÁRIO que dava nome à Rua Ator PAULO GUSTAVO, em Niterói
9Os mortos também falam: Bolsonaro pode ter feito 41 milhões de inimigos
Origens | Kenia Maria faz teste de DNA e descobre de onde veio. A dor de saber que o opressor está no seu sangue
257 tiros: "Exército matou meu marido, mas para o pobre a justiça demora"
Pesquisa feita durante a CPI mostra que rejeição a Bolsonaro volta ao recorde de 59%
O que morrerá com o general Villas Bôas?
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Transmissão da Covid rompe teto em todo o país e terceira onda, a mais terrível, está chegando

247 - Pela primeira vez em dois meses, a taxa de contágio (Rt) da Covid-19 ultrapassou o teto em todo o Brasil.
Isso indica que a terceira onda da pandemia está chegando e ela pode ser mais terrível que as anteriores, segundo o presidente do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), Carlos Lula.
Os dados sobre a taxa de contágio são da Info Tracker, pesquisa da Unesp e USP que monitora a pandemia.
O teto da taxa de contágio é o índice 1, quando cada pessoa pode contaminar uma outra.
Se for maior do que 1, cada doente poderá contaminar mais de uma pessoa.
A taxa está agora em 1,12 em todas as regiões do Brasil.
Isso indica que a cada grupo de 100 doentes, 112 pessoas podem ser infectadas.
Essas, por sua vez,infectam ao menos 125 numa progressão exponencial.
Para que a transmissão do novo coronavírus seja contida e caia o risco de uma terceira onda de infecção, a taxa de Rt precisaria ficar abaixo desse patamar de 1.
O aumento da Rt "reflete as consequências da vacinação lenta, da flexibilização do isolamento social e das novas cepas do coronavírus", diz Marco Aurélio Sáfadi, infectologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, entrevistado pelo UOL.
Segundo o médico, o país está "muito longe de ter a população imune.
Se essa tendência de aumento no Rt se mantiver, é esperado na sequência aumento de novos casos e, em 20, 30 dias, aumento dos mortos".
Ele prevê UTIs novamente cheias em breve.
Graças ao avanço da Rt e à manutenção de internações em alto patamar, o presidente do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), Carlos Lula, teme que "a terceira onda seja mais virulenta do que a do começo do ano", embora ela ainda pudesse ser evitada com uma aceleração da vacinação e adoção de medidas de restrição de circulação e incentivo ao uso de máscara e álcool gel.
No entanto, a velocidade da vacinação está estagnada e corre o risco de diminuir nas próximas semanas, as medidas de restrição de circulação foram suspensas em quase todo o país e não há campanha governamental efetiva pelo uso de máscara e álcool gel.
Instituto confirma perigosa variante indiana da Covid em passageiro que transitou por SP, Rio e Campos dos Goytacazes
Primeiro caso de variante indiana do coronavírus é confirmado em morador do Rio

SÃO PAULO — O Instituto Adolfo Lutz, ligado ao governo paulista, confirmou que o caso suspeito de variante indiana do coronavírus, de um morador de Campo dos Goytacazes, de 32 anos, que desembarcou no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, vindo da Índia, no último sábado, se trata mesmo da nova cepa. É o primeiro registro da variante em solo brasileiro.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou a secretaria estadual sobre o caso positivo quando o homem já havia viajado até o Rio, onde chegou à noite e se hospedou num hotel, ao lado do Aeroporto Santos Dumont.
No domingo, ele foi de carro para a cidade do Norte Fluminense e, depois, retornou para a capital na segunda-feira, onde voltou a se hospedar, em isolamento. Durante dois dias, o caso investigado circulou por três cidades e teve contato com dezenas de pessoas.
Tudo isso aconteceu porque, depois de fazer um exame RT-PCR em laboratório no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o viajante foi autorizado a embarcar em outro voo até o Rio, antes de o resultado da análise sair.
A Secretaria de Saúde de São Paulo informou ter solicitado, após o informe da Anvisa, a lista completa dos passageiros do voo ao terminal de Guarulhos e dos funcionários do laboratório por onde passou o viajante. A pasta deve monitorar quem teve contato com o homem infectado.
Não há registros de casos de transmissão local dessa linhagem no Estado de São Paulo, segundo o Adolfo Lutz. A Secretaria municipal de Saúde começou a implementar na terça-feira barreiras sanitárias no terminal rodoviário do Tietê para fazer uma triagem de passageiros que chegarem de ônibus vindos do Maranhão, onde um caso da cepa indiana foi detectada num tripulante indiano de um navio vindo de Hong Kong.
Variante no RJ
As variantes que estão mais presentes no Estado do Rio de Janeiro são a P1, a B.1.1.7, a P2 e a P.1.2, segundo o último levantamento da Rede Corona-Ômica-RJ. No entanto, 93,09% dos casos analisados entre 24 de março e 26 de abril foram apenas da P1, também conhecida como a variante de Manaus.
Como todo vírus, o coronavírus sofre mutações, mas algumas delas são mais transmissíveis e oferecem mais riscos que outras. Por isso, algumas variantes são classificadas como variantes de preocupação, ou VOC - sigla do inglês Variant of Concern. Esse é o caso da P1 e da B.1.1.7, que são consideradas VOC pela Organização Mundial da Saúde (OMS), assim como a nova variante indiana (B.1.617) e a variante sul-africana (B.1351).
Já as variantes que não apresentam aumento na transmissibilidade, na carga viral e não podem ser diretamente associadas a uma diminuição na efetividade de medidas de saúde pública, segundo a OMS, são classificadas como variantes de interesse, ou VOI - sigla do inglês Variant of Interest. Este é o caso da P2 e, até então, da P.1.2.
Aos 96 anos, Nelson Sargento é internado após testar positivo para Covid-19

Aos 96 anos, Nelson Sargento foi internado na última sexta-feira no Inca (Instituto Nacional de Câncer) após testar positivo para Covid-19. Segundo a coluna de Ancelmo Gois, o cantor, compositor e baluarte da Mangueira está sendo acompanhando na unidade por seu histórico de paciente oncológico (em 2005 ele tratou um câncer de próstata).
O sambista foi vacinado contra Covid no dia 31 de janeiro, em uma cerimônia no Palácio da Cidade, na qual o prefeito Eduardo Paes deu início à campanha de vacinação para a terceira idade no Rio. Ao lado dele, estavam outros quatro idosos, entre eles o ator Orlando Drummond, de 101 anos. Mesmo tendo recebido as duas doses do imunizante, o sambista foi infectado.
Em um comunicado, a família disse que o estado de Nelson Sargento é estável: "A família do mestre Nelson Sargento comunica a todos os amigos e fãs que o sambista foi diagnóstico e internado na última sexta-feira (21/5) com Covid-19. O quadro do paciente é estável e a família pede privacidade e orações neste momento difícil".
Amazon compra MGM por US$ 8,45 bilhões e acirra concorrência no streaming

WASHINGTON — A Amazon fechou a compra do MGM estúdios, anunciaram as duas empresas nesta quarta-feira. Com o negócio, de US$ 8,45 bilhões, a companhia de tecnologia terá direito sobre uma série de filmes e programas de sucesso, de James Bond e Pantera Cor de Rosa a O Silêncio dos Inocentes.
A compra de um dos mais emblemáticos estúdios de Hollywood marca a maior incursão da gigante do comércio eletrônico no setor de entretenimento. E visa a reforçar o serviço de streaming da empresa, o Prime Video, acirrando a concorrência no setor.
A MGM tem um catálogo com mais de quatro mil filmes e 17 mil programas de TV, de acordo com Mike Hopkins, que dirige a Prime Video e a Amazon Studios.
— O valor financeiro real por trás deste negócio é o tesouro no catálogo profundo que planejamos reimaginar e desenvolver junto com a talentosa equipe da MGM. É muito empolgante e oferece muitas oportunidades para narrativas de alta qualidade — acrescentou.
As duas empresas disseram que a conclusão do negócio "está sujeita a aprovações regulatórias e outras condições habituais de fechamento".
Na semana passada, foi anunciada a união entre Warner e Discovery, a maior fusão da indústria de mídia em anos. A operação, que também visava a reforçar o streaming, criou um gigante com valor de US$ 150 bilhões (quase R$ 800 bilhões), maior que a Netflix.
No portfólio da Warner-Discovery encontram-se séries aclamadas pelos fãs, como Friends, The Big Bang Theory e Game of Thrones, assim como a saga de filmes Harry Potter.
O valor pago pela Amazon para adquirir o MGM é 40% maior que as ofertas pelo estúdio feitas nos últimos meses. Entre os interessados estiveram Apple e Comcast. A cifra também é a segunda maior já paga pela empresa de Jeff Bezos na história da companhia.
Em 2017, a Amazon desembolsou US$ 13,4 bilhões pela Whole Foods, uma grande rede de varejo na área de alimentos nos Estados Unidos.
Mas, afinal, por que a Amazon se dispôs a pagar tanto pelo MGM?
Fundado há 97 anos, o estúdio encarna o espírito de Hollywood. Grande parte de suas produções, porém, já foi vendida. A Sony Pictures detém direitos sobre um pedaço e a Warner se tornou dona de clássicos como "Cantando na chuva", "O mágico de Oz" e "E o vento levou".
Ações sobem
Após o anúncio da negociação, as ações da Amazon, negociadas em Nasdaq, subiam 0,32%, por volta de 11h45, no horário de Brasília. Empresas concorrentes como Netflix e Diseney também tinham altas de 0,31% e 0,72%, respectivamente.
Potencial para publicidade
A joia da coroa do MGM, hoje, é James Bond. Mas nem a franquia do mais popular espião do cinema será 100% da Amazon. Metade dela pertence aos irmãos Barbara Broccoli e Michael G. Wilson. É deles a decisão de lançar ou não um novo filme sobre o personagem. O próximo está previsto para outubro.
Mesmo assim, a Amazon vê no negócio uma oportunidade de deslanchar o Prime Video. O serviço tem cerca de 200 milhões de membros e potencial para crescer muito mais. Na pandemia, o streaming bombou com as pessoas passando mais tempo em casa.
— Mais e mais membros do Prime passam mais horas vendo vídeos. (A aquisição) é uma forma de ampliar o conteúdo para os usuários - disse ao New York Times Brian Yarbrough, analista da consultoria Edward Jones.
Ele completa:
— Mais membros se traduz em potencial maior para publicidade.
Restrições ao licenciamento
De acordo com o NYT, embora a videoteca do MGM tenha sido reduzida com vendas de coleções anteriores, o estúdio é dono de 4 mil filmes antigos, incluindo Rocky, vivido por Sylvester Stallone, e RoboCop, o policial robô interpretado por Peter Weller.
Deter os direitos sobre esses e outros títulos vale ouro num momento em que os estúdios estão mais restritos para licenciar as produções para serviços de streaming que não sejam do mesmo grupo.
A Warner, a Walt Disney e a Paramount, agora, abastecem os canais HBO Max, Disney + e Paramount +, respectivamente. E os estúdios indendentes vêm fechando mais e mais contratos. A Sony Pictures, por exemplo, licenciou seus filmes antigos para Netflix e Disney por mais de US$ 3 bilhões.
Perto de completar 80 anos, Erasmo Carlos revela cura de câncer no fígado, até então sob sigilo: 'Meu maior presente'

Perto de completar 80 anos, o cantor Erasmo Carlos exalta que o seu maior presente é mesmo a saúde. Ao EXTRA, ele revelou ter se curado de um câncer no fígado, descoberto há quatro anos, e que ele não havia divulgado publicamente até então. A entrevista completa com ele estará na revista Canal Extra do próximo domingo.
— Este câncer foi descoberto por acaso. Fui fazer um exame de pedra no rim e apareceu este tumor no fígado. Aí já fomos tratando. Fiz um procedimento chamado ablação, mas o câncer voltou depois. Então repetimos este tratamento e esta segunda vez foi arrasadora — conta vitorioso o Tremendão.
A ablação é mais comum para tumores neste órgão. Neste tratamento, uma sonda é inserida na pele, emitindo uma corrente de ondas de rádio de alta frequência que destroem as células cancerígenas. No caso de Erasmo, os exames já apontam a sua cura, mas a resposta oficial virá em consulta marcada para o dia 5 de junho, justamente o dia do seu aniversário.
Perto desta data, ele também poderá se considerar totalmente imunizado contra a Covid-19, já que recebeu a segunda dose da vacina na última segunda-feira.
— Sou um sobrevivente. Eu fico aqui torcendo para tudo, para cada lote de vacina que chegua. A urgência de vacinar as pessoas é que vai liberar mais cedo tudo — ressalta ele, que também está acompanhando a CPI da pandemia no Senada Federal.
Este não foi o primeiro câncer do cantor da Jovem Guarda. Há 20 anos, ele enfrentou um câncer na garganta. Hoje, ele explica porque preferiu não tornar a doença pública.
— Minha vida é muito discreta. Já fui deslumbrado, não sou mais. Experiência e sabedoria vão vindo com a idade. Anuncio agora, porque estou bom. É hora de falar com alegria. Não gosto de tristeza na minha vida, não — completa Erasmo.
Ex-namorada de Harry diz que relação era 'assustadoramente louca e desconfortável'

Depois de fatos bombásticos envolvendo o príncipe Harry e a família real virem à toa, Chelsy Davy revelou que sua relação com o neto da rainha Elizabeth II era "assustadoramente louca e desconfortável".
Segundo o jornal britânico "The Mirror", eles terminaram o namoro em 2011, após sete anos.
"Eu não pude lidar. Eu era jovem, estava tentando ser uma criança normal e foi horrível", disse a empresária.
De acordo com a publicação, Chelsy e Harry se conheceram ainda na adolecência, quando a moça era interna na escola Stowe School.
Mesmo com o fim do relacionamento, a dupla mantém contato.
Mas hoje são apenas bons amigos.
O namoro foi acompanhado de perto pela imprensa.
Aliás, o duque de Sussex falou sobre como sua ansiedade ao cumprir as tarefas reais.
"Antes de sair de casa, eu ficava suando, entrava em modo de luta ou vôo.
Ataques de pânico, ansiedade severa.
Dos 28 aos 32anos, foi um pesadelo para mim.
Pirava toda vez que entrava em um carro e toda vez que via uma câmera", disse ele.
Harry ainda acrescentou:
"Onde quer que eu vá, toda vez que encontro alguém, é quase como se minha energia estivesse sendo drenada, captando a emoção de outra pessoa."
Moreira César: O coronel sanguinário que dava nome à Rua Ator Paulo Gustavo, em Niterói | Blog do Acervo - O Globo

Apulco de Castro não poupava ninguém. Fundador do "Corsário", um dos jornais mais populares no fim do Brasil imperial, ele atacava em seus textos autoridades da monarquia, escritores, rivais jornalistas e até abolicionistas como ele, devido a diferenças na forma como se opunham à escravidão. Suas ofensas eram feitas com calúnias e linguagem chula, o que o qualificava como expoente da "imprensa pornográfica" do Rio no fim do século XIX. Mas mesmo aqueles que foram alvos de suas críticas repudiaram o jeito como Castro foi assassinado.
Em outubro de 1883, depois de publicar artigos difamando oficiais do 1º Regimento de Cavalaria Ligeira, o jornalista entrou na mira dos militares e foi buscar proteção na própria chefatura de polícia da cidade, então capital do país. Dizendo-se ameaçado, ele saiu do prédio sob custódia do capitão Ávila, ajudante de ordens do Visconde da Gávea, então o comandante do Exército. Os dois estavam na Rua do Lavradio, no Centro do Rio, quando foram encontrados por um grupo de militares "encarregados" de se livrar de Castro.
No clássico "Os sertões" (1902), Euclides da Cunha descreve a cena que se sucedeu naquela tarde. Segundo o escritor, para se vingar do jornalista, "foi infelizmente resolvido por alguns oficiais, como supremo recurso, a justiça fulminante e desesperadora do linchamento". Ainda de acordo com Cunha, "entre os subalternos encarregados de executar a sentença", estava o ainda capitão Antônio Moreira César, militar em seus 30 anos de idade, "o mais afoito, o mais impiedoso, o primeiro talvez no esfaquear pelas costas a vítima".

O crime teve repercussão nacional. Mesmo adversários de Apulco de Castro condenaram a atitude, afirmando que o imperador Pedro II, a quem o "Corsário" se referia sempre como "Pedro Banana", poderia ter sido mandante daquela execução sumária. Segundo alguns historiadores, o assassinato colaborou para o fim da monarquia no Brasil, em 1889, quando o país virou uma república. Análises também argumentam que o crime só aconteceu daquela forma, sob as barbas de um oficial do Exército e em plena luz do dia, porque a vítima era um homem negro.
- Apulco era um redator inescrupuloso, que colecionava desafetos, e a violência contra jornalistas não era incomum. Mas o aspecto racial não deve ser menosprezado. Assim como acontece hoje, a vida negra valia menos naquela época, então a cor da pele pesou na decisão de matá-lo - explica o historiador Rodrigo Cardoso, professor do Instituto Federal do Sul de Minas e autor de "Pasquins: submundo da imprensa na corte imperial" (2012). - O crime termina em pizza. Ninguém foi punido pela morte do fundador do "Corsário".

Treze anos separam o homicídio do Centro do Rio e a Guerra de Canudos (1896-1897), tema principal do livro-reportagem "Os sertões". Na obra, Euclides da Cunha relata a morte de Apulco de Castro como um elemento para descrever a "energia selvagem" de Antonio Moreira César, o oficial que comandou a terceira expedição à Bahia com objetivo de massacrar o Arraial de Canudos. De um episódio a outro, o militar construiu reputação de homem certo do Exército para conduzir missões violentas durante um período de muita instabilidade no país.
Em 1891, já como tenente-coronel, ele era comandante do 9º Batalhão de Infantaria, em Salvador, quando da queda do então governador da Bahia, José Gonçalves da Silva. Em abril do ano seguinte, assumiu a liderança do 7º Batalhão, no Rio, e, em dezembro, sufocou uma sublevação contra o governo do estado, em Niterói. Entre 1892 e 1893, Moreira César combateu tropas rebeldes da Marinha que promoveram a Revolta da Armada. Ele planejou e liderou a retomada da Ilha de Villegagnon e da Ilha do Governador, então ocupadas pelos amotinados.

Anos mais tarde, na Revolução Federalista, o oficial mostrou sua face mais cruel. Enviado para conter a insurreição no Sul do país, Moreira César desembarcou com suas tropas legalistas na cidade de Desterro, atual Florianópolis, em Santa Catarina, no dia 19 de abril de 1894. Nomeado interventor do estado pelo presidente Floriano Peixoto, ele reprimiu a revolta com mão de ferro e promoveu o chamado "ajuste de contas", ordenando dezenas de execuções. Entre os mortos, havia deputados estaduais e até mesmo militares, como o Barão de Batovi, um herói da Guerra do Paraguai, que morreu fuzilado, abraçado a seu filho.
"Os fuzilamentos que ali se fizeram, com triste aparato de imperdoável maldade, dizem-no de sobra", escreveu Euclides da Cunha ao traçar em seu livro o perfil do algoz nascido no município de Pindamonhangaba, São Paulo, em 1850, filho de um padre e uma beata.
No dia 6 de fevereiro de 1897, Moreira César desembarcou em Salvador para atacar o Arraial de Canudos, no interior da Bahia, onde ficava a comunidade independente de cerca de 25 mil moradores liderados por Antonio Conselheiro. O oficial comandava a terceira expedição com a missão de massacrar o povoado. Em "Os Sertões", o autor o retrata como um homem "de figura diminuta" e "organicamente inapto para a carreira que abraçara". O livro atribui ao militar adjetivos como "tenaz, paciente, dedicado", além de "impávido, cruel e vingativo".

"Em sua alma a extrema dedicação esvaía-se no extremo ódio, a calma soberana em desabrimentos repentinos e a bravura cavalheiresca na barbaridade revoltante", afirma Euclides da Cunha. "Tinha o temperamento desigual e bizarro de um epilético provado, encobrindo a instabilidade nervosa de doente em placidez enganadora".
Moreira César havia sido diagnosticado com epilepsia anos antes, mas, segundo textos históricos, sua condição piorou durante a campanha contra Canudos. De acordo com estudos da neurologista e pesquisadora Elza Maria Targas Yacubian, aquele foi um dos casos em que a doença de fundo nervoso pode ter mudado o curso da história. Na linha desta hipótese, as crises epiléticas prejudicaram o julgamento do coronel, que teria ordenado uma ofensiva precipitada ao arraial baiano, causando a derrota das tropas legalistas.
Os soldados invadiram o povoado e chegaram perto de conquistá-lo, mas foram repelidos no contra-ataque dos locais. Em meio a um encarniçado combate, o sanguinário militar, lutando na linha de frente, foi alvejado no abdôme. Ele morreu doze horas depois, na madrugada de 4 de março de 1997, afirmando que a ofensiva deveria continuar. Há quem diga que, não fosse esse fracasso em Canudos, e sua consequente morte, Moreira César poderia ter substituído Floriano Peixoto na Presidência da nossa ainda infantil República.

Análise: Thaís Oyama - Os mortos também falam: Bolsonaro pode ter feito 41 milhões de inimigos

Thaís Oyama
Colunista do UOL
26/05/2021 10h58
Em áudio que circula desde a semana passada na internet, o advogado José Roberto Feltrin, de 55 anos, chora: "Eu acho que eu não vou aguentar. Eu estou mal pra caramba. Tá feio, cara. A culpa é desse "capitão bunda suja" que não comprou vacina (...) Eu acho que eu estou com covid". Feltrin morreu da doença no último dia 18. Tinha sido assessor do deputado bolsonarista José Medeiros (Podemos-MT), a quem também responsabilizou pelo avanço da covid-19 no país.
Exército quer se livrar de Pazuello; Bolsonaro testa general Paulo Sérgio
Enquanto taxou a pandemia de "histeria" e "gripezinha", defendeu o uso de cloroquina, promoveu aglomerações e ignorou o uso de máscaras, Bolsonaro foi chamado de "negacionista".
Mas, desde dezembro do ano passado, quando a vacina chegou para boa parte do mundo e o Brasil ficou para trás, cada nova morte por covid-19 passou a suscitar a mesma dúvida: ela teria acontecido se a vítima tivesse tomado a vacina?
Ou, como disse o advogado Feltrin dias antes de morrer: "Esse cara vem sabotando essas vacinas desde o início. Já era pra ter vacina pra nós, para pessoas da minha idade, e não tem".
"Esse cara", claro, é Bolsonaro.
Um estudo recente publicado pela Proceedings of the National Academy of Sciences, revista oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, mostra que cada morte por coronavírus impacta em torno de nove pessoas.
Os pesquisadores incluíram na conta apenas familiares próximos da vítima - pais, irmãos, cônjuges e filhos. Caso levassem em conta o impacto da perda também em amigos, colegas e parentes mais distantes do morto (como primos, tios e sobrinhos), o número de pessoas atingidas por cada morte por coronavírus chegaria a pelo menos 90, afirma um dos autores do estudo, o sociologista e demógrafo Ashton Verdery.
Aplicada ao Brasil, a fórmula indica que as mais de 452 000 mortes por covid-19 registradas até o momento afetaram, em maior ou menor grau, 41 milhões de pessoas.
Isso é quase 20% da população brasileira.
Não por coincidência, Bolsonaro vive seu pior momento nas pesquisas de opinião. Segundo o último Datafolha, divulgado no último dia 13, a aprovação ao seu governo caiu de 30% para 24% desde março. É o índice mais baixo de todo o mandato do ex-capitão.
E isso porque a CPI da Covid, que o governo achava que "daria em nada", mal começou.
Os mortos também falam, e o que eles dizem é que a conta está chegando para Bolsonaro.
Origens | Kenia Maria faz teste de DNA e descobre de onde veio
A dor de saber que o opressor está no seu sangue
Kenia Maria | Por Guilherme Tagiaroli, repórter de Tilt
O exame de DNA se popularizou. Mais barato e fácil de fazer, ele virou uma importante ferramenta para resgatar a ancestralidade negra do povo brasileiro. Tilt propôs, e 20 personalidades toparam fazer o teste e olhar para essa cicatriz histórica gerada pela escravidão no Brasil (veja abaixo).
Se você quer entender o papel da ferramenta genética e como o Estado brasileiro moeu memórias, leia o texto "Quando o DNA diz de onde vim", que dá início ao projeto documental Origens.
Agora, é hora de elas contarem o que descobriram e de onde vieram. Com a palavra, Kenia Maria:
Eu odeio ter sangue português e o nome 'da Gama', porque provavelmente era do cara que estuprou a minha avó."
Este é um capítulo da série
Origens
Quem não sabe de onde veio não sabe para onde vai?
- 25/05 - Kenia Maria
"A gente cresce achando que a gente veio do nada, mas o anseio de todo mundo é ser livre"
"Caramba, quase que eu corro dessa entrevista." Foi assim que a nossa conversa com a ativista, atriz e escritora Kenia Maria, 45, começou. Era um sinal do turbilhão de sentimentos que vinha a seguir. Sem dúvida, ela foi a personalidade do projeto Origens que reagiu de forma mais enfática ao resultado do exame de DNA e, como você vai perceber, tem motivos para sentir tanta dor. Olhar para seus detalhes genéticos foi como cutucar feridas deixadas pelos antepassados.
"Quando abri o exame, foi muito forte. Pensei: não vou falar disso nunca, porque me doeu muito."
Depois de decantar um pouco as informações, ela decidiu abrir e analisar o resultado para a reportagem, embora tema que a discussão em torno das porcentagens possa tomar caminhos desonestos sobre o racismo no Brasil.
"Ainda estou curando isso, mas estou aqui rasgada e nua."
Kenia conta que viveu no subúrbio do Rio de Janeiro, onde as referências africanas predominavam: Del Castilho, Realengo, Catumbi. Sua família sempre esteve muito envolvida com movimentos culturais negros e tinha alta consciência racial. Ela foi iniciada no candomblé logo cedo, conviveu com o tio-avô, mestre Celso, um dos mais respeitados capoeiristas do Brasil, e se orgulha de ser sobrinha da Dida, que dá nome ao Bar da Dida, um famoso ponto de encontro na praça da Bandeira.
Ainda jovem, foi morar em Laranjeiras, bairro da elite carioca, porque o pai virou segurança particular de uma família da alta sociedade. "Claro que não deu certo. Nos colocaram num lugar que minha mãe, educadora, muito consciente das questões de raça, não aceitou", diz. De volta ao subúrbio, entendeu o que a cercava: os negros estão nos locais de maior violência e vulnerabilidade, mas também é ali na comunidade que a cultura negra está concentrada —no candomblé, no samba e nas tradições.
Na adolescência, sentiu o que significava ser uma menina negra no país que está sempre "caçando uma Globeleza". "Eu era a imagem tão adorada pelo Brasil colonizador, que desumaniza o nosso corpo". Foi nesse movimento de se afastar daquilo que impunham que começou a estudar história, reviver registros e buscar quem realmente era. "Os brancos vão te classificando, você precisa descobrir o que é ser negro e o que te compõe". Um dia, ao visitar uma colega, se deparou com um tipo de decoração que até então nunca tinha visto.
Agora ligue o som, no canto superior direito.
Sobre seus ancestrais, Kenia tinha algumas pistas, passadas pela oralidade, mas nada muito detalhado. Por parte de mãe, sabia que tinha uma mistura mais indígena, um avô que foi importante na luta sindical pelos direitos trabalhistas da era Vargas e alguma origem europeia. Já por parte do pai, ouviu histórias misteriosas sobre seu bisavô, aquele que comprou o terreno no subúrbio.
"Uma bisavó foi laçada por um italiano na Bahia. Quando quis saber quem ele era, não quiseram me contar."
Ela ressalta que os negros crescem achando que vieram "do nada", porque as informações da família são mantidas em sigilo. "A religião era proibida, o samba era proibido, não sei o que era proibido. A nossa história causa desconforto e vergonha", diz.
"Quando falam que meu avô tinha um dom de magia, eu acredito, porque carrego isso. Essa magia nada mais é do que tecnologia, conhecimento das ervas, do ar, da água. Isso tudo que o branco chama de magia, para nós, é respeito à natureza."
Duas questões preocupavam a escritora antes de fazer o teste: ter pouca ligação com a África e carregar sangue português. A primeira não se confirmou, mas a segunda foi a informação que a fez chorar diversas vezes durante a entrevista. "Sou muito sensível. Meu marido tentava me mostrar todos os povos antigos [que também estão no seu DNA], mas eu nem conseguia ouvir. Quem conhece muito a história, fica assim como eu."
"Era um desespero. Quando eu abri o exame, só olhei 'Europa'. Foi assustador saber que tenho quase 30% de sangue português e estou tão próxima desses opressores. Eles estão no meu sangue."
Como já contamos aqui, o projeto "DNA do Brasil", encabeçado pela USP (Universidade de São Paulo), analisa o genoma de milhares de brasileiros e mostra que a relação entre europeus, africanos e indígenas foi violenta e deixou descendentes marcados geneticamente por esse passado de opressão. Grande parte da herança genética materna das pessoas é indígena e negra, enquanto a herança paterna é 75% europeia. Ainda que pudesse haver relação consensual, estes números apontam para um sistema de estupros.
"Para mim, isso é prova de um crime. É um registro da violência dentro do meu corpo. Não foi romance, não tinha pétalas de rosas nem Dia dos Namorados, era estupro. Eu sei por que o sangue branco entrou no meu sangue, por isso tenho vergonha de carregar isso, tenho nojo."
"Até ontem a gente se orgulhava de ter sangue ou nome italiano. Para você ver a sofisticação do racismo brasileiro: ele faz com que eu tenha um nome, um orgulho, mas 'da Gama' era provavelmente o cara que estuprou, que laçou a minha avó. Esse Gama que eu vou trocar, com certeza, me faz muito mal."
O outro lado do mapa genético, no entanto, foi "só felicidade", diz. Ela percebeu, por exemplo, que tem um pouco de DNA do país que leva o seu nome, muita ancestralidade de Togo, Benim, Nigéria e Angola, países de onde vieram grande parte dos escravizados que desembarcaram no Brasil, um pouquinho de Etiópia, um povo que nunca foi colonizado, e uma pitada dos incas, que trazem a América Latina para seu sangue. "Eu morei dez anos em Peru, Equador, Venezuela, onde minha filha nasceu. Sempre admirei esses povos, sentia atração."
Para Kenia, estes exames de DNA poderiam servir para ter um debate honesto no Brasil sobre o racismo. Por muito tempo, houve um orgulho de se ter linhagem europeia, mas quase nunca foi discutido de forma clara a violência da colonização, como a população negra foi impedida de saber sobre sua própria história e o processo de "clareamento" do país com o incentivo da imigração europeia.
Nos EUA, houve segregação entre brancos e negros, e isso fez com que lideranças do movimento criassem instituições para eles próprios, criando um ambiente para explorar suas identidades e culturas coletivas. A atual vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, estudou na Howard University, que é uma faculdade historicamente negra. No Brasil, a miscigenação torna a situação mais complexa, e o "colorismo" (a discriminação que se intensifica conforme o tom de pele escurece, mas que nem por isso estende privilégios aos mais claros) cria diferentes níveis de racismo, complicando uma união e a criação de identidade entre os negros.
O jeito, acredita ela, é discutir mais racismo no Brasil e o que significa ser negro por aqui, num debate entre pessoas conscientes, ativistas e pesquisadoras. "No Brasil, ainda é uma questão de melanina. É cor. A cadeia está cheia de pardos, porque os retintos são mortos antes de entrar", ressalta. "Antes de incentivar esse exame de DNA, precisamos discutir o que é ser negro socialmente e o que é ser negro geneticamente."
Testes de DNA:
- Como o teste é feito: o DNA é coletado pela própria pessoa que esfrega uma haste flexível com algodão na parte de dentro da bochecha. Na sequência, este material deve ser enviado para a empresa;
- O que o teste mostra: As empresas fornecem detalhes da ancestralidade, que pode retroceder de cinco a oito gerações, e pode mostrar a linhagem de pai e mãe ou até busca de parentes;
- Quem oferece no Brasil: Genera, meuDNA (Mendelics) e MyHeritage;
- Quanto custa: os testes variam de R$ 200 a R$ 500.
Publicado em 26 de maio de 2021.
Reportagem: Guilherme Tagiaroli
Coordenação e Edição: Fabiana Uchinaka e Helton Simões Gomes
Produção: Barbara Therrie
Arte: Deborah Faleiros
Fotos: Julia Rodrigues
Este é um capítulo da série
Origens
Quem não sabe de onde veio não sabe para onde vai?
- 25/05 - Kenia Maria
"A gente cresce achando que a gente veio do nada, mas o anseio de todo mundo é ser livre"
257 tiros: "Exército matou meu marido, mas para o pobre a justiça demora"

Luciana Nogueira, em depoimento a Luiza Souto
De Universa
26/05/2021 04h00
"Sou técnica em enfermagem, tenho 43 anos e há dois perdi o meu marido, o músico e segurança Evaldo dos Santos Rosa, enquanto estávamos indo para um chá de bebê, em Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro. E o mais surreal é que meu marido foi assassinado pelas mãos do Exército.
Foram 257 tiros disparados na direção de um carro onde tinha uma família com criança. Oitenta e três acertaram o carro, e o catador Luciano Macedo também morreu tentando ajudar.
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Os 12 militares que atiraram falaram que estavam reagindo a um assalto. Mas eles foram acusados pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio e omissão de socorro. O julgamento deles estava marcado para o início de abril, mas adiaram. Também espero indenização por danos morais. Hoje meu filho, David, de nove anos, recebe uma pensão do Estado, mas porque consegui advogado para brigar pela gente.
Até hoje, inclusive, o Estado nunca entrou em contato comigo para saber se precisamos de ajuda. Fui demitida de uma empresa durante a pandemia e só vou conseguir pagar plano de saúde até agosto próximo. Não sei como darei continuidade. Eu e meu filho fazemos acompanhamento psicológico de 15 em 15 dias com ajuda e apoio de amigos e familiares. Eles são a base de tudo. E o David é a minha força. Creio que eu seja para ele também.
Mas tem sido muito difícil, em especial para meu filho, lidar com tudo isso. Primeiro pela perda do pai, e depois veio a pandemia. Ele fica em casa estudando online. Eu trabalho na linha de frente contra a covid-19 num hospital.
O David é uma criança tranquilona e o Duda [como Evaldo era conhecido] preparava bem ele. Às vezes, levavam papo de adulto.
Mas hoje ele tem crise de ansiedade, e às vezes percebo ele estranho, um pouco agressivo. Ele perdeu o grande amigo dele. Foram sete anos de pura harmonia ao lado do pai. Eu, os tios e avós tentamos suprir esse amor para que ele se torne uma criança feliz.
"Não estamos preparados para perder alguém de forma tão brutal"
Deixamos nossa casa em Guadalupe e estamos morando de aluguel no Colégio (zona norte). Não tivemos condições de ficar porque lá foi um local de muita alegria. Às vezes converso com meu filho sobre a nossa volta, mas ele não está preparado.
Por mais que a gente saiba que todos vamos partir um dia, não estamos preparados para perder alguém, principalmente de uma forma tão brutal como foi a do Duda. Não desejo isso para ninguém. Nenhuma esposa ou mãe.
Nunca tinha sofrido violência. Se tivesse condições, me mudaria do Rio para criar meu filho num ambiente bem mais calmo. Todas as vezes que saio de casa, fico com aquela imagem gravada do carro, com medo de se repetir. É surreal viver sempre com medo de ser a próxima vítima.
Foi uma coisa tão bárbara que é inacreditável que nossa Justiça demore tanto para julgar. Começo a pensar que para o pobre as coisas são mais difíceis.
Porque você é pobre, negro e não tem recurso, não sabe por onde começar. Acompanho outros casos tão graves quanto o meu, mas que andam mais rápido. Está tudo invertido, onde o errado sai como certo. Os pobres não têm cuidados necessários, enquanto os brancos e ricos andam com carro blindado e não passam pela Baixada Fluminense, onde a segurança é tão precária.
Você se sente num descaso muito grande, totalmente abandonada. Eu me sinto impotente. Um coração num corpo morto.
Por mais que eu venha tentando seguir, preciso de uma resposta. Temo que o caso caia no esquecimento ou que os militares saiam impunes, porque muitas vezes a gente escuta que não vai dar em nada. E o próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falou na época que o Exército não matou ninguém, que foi um incidente.
Preciso muito que essa história se resolva, porque não consegui tocar a vida. Todos os dias dói, e tem dia que dói mais. Procuro ter forças, mas tem momentos em que esmoreço. Minha sogra estava ansiosa também por esse julgamento, mas morreu dias antes da data marcada. Se sou a mulher e sinto tanto por tudo isso, imagine ela, que enterrou o filho.
Espero que a audiência seja logo remarcada para que eu possa ter um pouco de paz e comece a pensar no meu futuro.
Foram 25 anos sendo acalentada por ele. Uma pena mesmo que essa violência ter tirado ele de mim. Se tivesse certeza que um dia iria encontrá-lo, sairia correndo. Sou grata por terem deixado meu filho vivo."
*Luciana Nogueira, 43, é técnica em enfermagem e vive no Rio de Janeiro (RJ)
Mesmo após duas doses, ex-presidente José Sarney não é imunizado contra a Covid-19
O ex-presidente fez junto com a sua esposa no Distrito Federal o teste que indicaria o grau de imunização de cada um. O de Marly Sarney, de 88 anos, deu alto. O dele, nenhum

247 - O ex-presidente José Sarney, 91 anos, tomou duas doses de vacina, mas não chegou a ser imunizado. Ele tomou a coronavac e mais recentemente a segunda.
Depois o ex-senador fez junto com a sua esposa no Distrito Federal o teste que indicaria o grau de imunização de cada um. O de Marly Sarney, de 88 anos, deu alto. O de Sarney, nenhum. "Simplesmente não funcionou", afirmou Sarney. O relato foi publicado pelo site Metrópoles.
Nem a Coronavac nem a Oxford-AstraZeneca, os dois imunizantes aplicados no Brasil atualmente, divulgaram dados da eficácia em idosos acima dos 80 anos.
Pesquisa feita durante a CPI mostra que rejeição a Bolsonaro volta ao recorde de 59%

247 - Fragilizado pela CPI e outros escândalos simultâneos - como o que envolve o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles - Jair Bolsonaro voltou a ser alvo do maior nível de desaprovação, segundo pesquisa PoderData realizada entre os dias 24 e 26 de maio.
É o maior nível desde junho de 2020, quando a pergunta passou a ser feita pelo instituto a cada 15 dias.
A pesquisa mostra também que 35% dos entrevistados aprovam o governo - um ponto a menos em relação à última pesquisa (empate técnico), há duas semanas.
O levantamento revela que há um recuo na proporção dos indiferentes - que respondem não ter opinião. Há 15 dias, 10% diziam não saber se aprovavam ou desaprovavam o governo Bolsonaro. Agora, são 6%.
A pesquisa inclui 2.500 entrevistas por telefone em 462 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
O que morrerá com o general Villas Bôas? - J. Carlos de Assis
Por J. Carlos de Assis
O livro do general Villas Boas, coordenado por Celso Castro, recua até sua infância e perpassa por toda a formação militar de uma geração de oficiais. De cadete a general de quatro estrelas e, enfim, comandante do Exército, ele descreve, focado em sua carreira, as transformações por que passou a Força desde a redemocratização. Nesse sentido, é um testemunho histórico do esforço de profissionalização dos militares, depois da ditadura e cobrindo as relações com os sucessivos presidentes, de valor incalculável.
Para quem, como eu, não conhece as entranhas dos quartéis - talvez intuídas entre esquerdistas e progressistas apenas pelo rancor do golpe de 64 e da ditadura -, é um testemunho importante do que acontece hoje no meio militar em termos de conhecimentos do que ocorre ali, hoje, em termos profissionais e de delimitação do espaço entre militares e civis. Os contornos ideológicos do pensamento do general apontam, por exemplo, para o afastamento definitivo do risco de um golpe militar ideológico no Brasil. E param por aí.
A questão central, a evolução da ideologia militar nas últimas três décadas, depois da Guerra Fria, não fica clara. Há demandas específicas dos militares, não atendidas pela esfera política, que são mais do que justificadas: a ausência de um claro projeto nacional apontando para onde o país quer ir nesse momento de reordenamento do mundo. Há queixas pontuais deles, como a demarcação contínua de Raposa Serra do Sol, sem que tenham sido ouvidos, embora se acreditem, creio que com razão, os principais conhecedores daquela área.
Entretanto, naquilo que se refere ao meu campo de conhecimento, a economia, os poucos palpites que o general dá são precaríssimos. Não entendeu a política fiscal do governo Fernando Henrique, que atingiu profundamente seus orçamentos, como expressão do domínio sobre nós da hegemonia norte-americana expressa pelo neoliberalismo e pelo consenso de Washington. Naturalizou-a como fruto de austeridade e responsabilidade governamental, e não da extensão do domínio sobre nós da geopolítica americana na área econômica.
Também não entendeu o oposto disso, numa digressão sobre nossa história econômica. Entre 1930 e 1980, disse, tivemos um grande sucesso econômico. Daí em diante, a estagnação. Desconheceu que, nesse período e em 2010, tivemos altas taxas de crescimento. E isso justamente porque, nos governos de Getúlio, de JK e na ditadura, não nos submetemos ao liberalismo econômico; e no intervalo de 2009 e 2010, o governo Lula, passando por cima da crise financeira de 2008, suspendeu a política neoliberal que hoje nos escraviza.
Além disso, o general esquece que, mesmo no governo militar, o sucesso em termos de crescimento só aparece depois que o liberal Roberto Campos deixa o governo e entra Delfim Netto, intervencionista, em fins dos 60. Em termos econômicos, podemos dizer que a economia ignora a política, se é ditadura ou democracia. Por isso é justo considerar que, nas entrelinhas do general Villas Boas, estão expressas uma insuficiência de formação econômica de nossos oficiais e uma submissão clara à geopolítica econômica norte-americana.
Não só isso. Em política, e especialmente em relação às últimas eleições presidenciais em que foi um aberto cabo eleitoral de Bolsonaro, Villas Boas emite conceitos que seriam assimiláveis pelo últimos dos grandes nacionalistas brasileiros, o senador Roberto Requião. Num trecho diz, evocando o inequívoco sucesso econômico da China: “A meu ver esse processo foi alavancado pela visão de futuro, disciplina social, o interesse coletivo prevalecendo sobre o individual e o sentido de projeto, tanto global como setorial.”
Como conciliar isso com o ódio da família Bolsonaro à China, ao ponto de atrapalhar e atrasar o programa de vacinação contra a Covid, custando milhares de vidas de brasileiros?
Noutro trecho, cita André Roberto Martins, geógrafo brasileiro: “Nenhuma potência consegue se afirmar sem uma ideologia definidora de sua posição no mundo”. Como conciliar isso com a posição geopolítica subalterna de Bolsonaro e outros militares aos Estados Unidos, ao ponto de pretender fazer guerra contra a Venezuela para empossar um impostor a fim de atender aos propósitos golpistas de Washington? Nessa questão, saúdo outros militares do Planalto por se oporem à aventura, talvez por medo de atrair a Rússia para o conflito.
Enfim, outro trecho: “estamos carentes de valores universais, que igualem as pessoas pela condição humana, acima da classificação aleatória que se lhes atribui”. Como conciliar essa posição do general em relação aos ambientalistas, e, em sua única citação de um ministro civil no governo Bolsonaro, Ricardo Salles, apontá-lo como exemplar na política ambiental? Desculpo-o, porque até então, no início deste ano, não era claro que um inquérito da Polícia Federal viesse a apontar indícios fortes de que Salles é um ladrão do meio ambiente!
O entrevistador recordou que, no dia da posse, Bolsonaro dirigiu-se a Villas Boas, na fila de cumprimentos, dizendo para todos ouvirem que, se não fosse por ele, não estaria ali. Ou seja, não ganharia as eleições, conforme todos entenderam. Mas Bolsonaro acrescentou: “O que a gente conversou morrerá entre nós”. O entrevistador perguntou: O que conversaram? E o general Villas Boas Corrêa, ex-comandante do Exército, negando que se tratava de uma conspiração, respondeu simplesmente: “Morrerá entre nós!”
About Bob Dylan: Não só o que ele vê, mas como ele vê! - Ricardo Mezavila
Por Ricardo Mezavila
Na capa do álbum The Freewheelin' Bob Dylan de 1963, o músico está de braços dados com a ativista norte-americana Suze Rutolo, que era sua namorada.
Suze vinha de uma família ligada ao pensamento de esquerda, o que foi determinante para o despertar político e social de Dylan.
Quando Dylan compôs a canção Blowin’ In The Wind, em 1962, que possui versos que indagam, por exemplo,
“Por quantos anos algumas pessoas devem existir, antes de poderem ser livres”? disse:
“Isso aqui não é uma música de protesto ou qualquer coisa do tipo".
Ao passar a se relacionar com Suze, sua percepção sobre a música mudou e ganhou outro significado.
A partir de então, Bob Dylan passou a escrever canções com mensagens políticas, de protesto e denúncias como em “The Death of Emmett Till".
Suze Rutolo contou a Dylan sobre o assassinato brutal de Emmett Till, um menino afro-americano acusado de ofender uma mulher branca.
Na época em que escreveu a canção, disse: “Acho que foi a melhor coisa que já escrevi".
Bob Dylan passava a noite acordado fazendo canções e mostrando à Suze.
“Isto está certo”? perguntava.
A mãe de Suze era muito associada a grupos que defendiam a liberdade, por isso ele checava antes de considera-las prontas para gravar.
Quando se conheceram Dylan era apolítico e seu repertório, na maioria, composto de músicas antigas de folk.
Suze o convidou para um encontro do Congresso de Igualdade Racial, onde ela trabalhava e participava das ‘Marchas da Juventude pelo Direitos Civis’.
"Muito do que dei a ele foi o olhar de como a outra metade vivia - coisas da esquerda que ele não sabia", disse ela.
Bob Dylan completou oitenta anos.
Sua música e poesia são inspiradas e inspiram músicos, poetas, pintores, atores, artistas que perambulam pelas ruas, como pedaços de papel inquietos soprados pelo vento.
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