ATAQUE CIBERNÉTICO
FBI confirma que o DarkSide é o responsável pelo ataque cibernético ao oleoduto dos EUA

Sputnik - O Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês) confirmou nesta segunda-feira (10) que o grupo de hackers DarkSide é responsável pelo ataque cibernético a um dos maiores operadores de oleoduto dos Estados Unidos, o Colonial Pipeline.
"O FBI confirma que o ransomware do Darkside é responsável pelo comprometimento das redes Colonial Pipeline. Continuamos trabalhando com a empresa e nossos parceiros governamentais na investigação", disse o FBI hoje (10) em um comunicado.
A Colonial Pipeline, empresa que opera um dos pipelines mais importantes dos Estados Unidos, foi vítima de um ataque de hacker usando ransomware.
A Colonial Pipeline disse na sexta-feira (7) que interrompeu todas as operações de pipeline e colocou alguns sistemas fora do ar para "conter a ameaça de um ataque cibernético". Apesar dos esforços, quase cem gigabytes de dados internos foram, de alguma forma, roubados.
O Oleoduto Colonial transporta 2,5 milhões de barris por dia, quase metade de gasolina, diesel e outros combustíveis usados na Costa Leste. De acordo com o The Washington Post, o ataque cibernético ao oleoduto poderia ter sido executado pela gangue de ransomware DarkSide, que teria sua base na Europa Oriental.
O que é Ransomware?
Ransomware é um malware que pode ser baixado em seu computador ou em toda a rede da empresa, por exemplo, abrindo anexos de e-mail maliciosos. Nesse caso, o ransomware clássico criptografa arquivos e unidades.
Os perpetradores oferecem às suas vítimas, em troca do pagamento de um "resgate", o fornecimento de uma chave com a qual os arquivos podem ser descriptografados.
Existem ataques generalizados nos quais usuários de computador individuais ou empresas entram em contato com o ransomware por acaso, bem como ataques direcionados nos quais os invasores selecionam cuidadosamente seus alvos com antecedência.
Nos últimos anos, tem havido uma tendência para que os invasores não tentem mais apenas chantagear as empresas criptografando seus arquivos.
Há também uma ameaça crescente de que as informações vazadas sejam publicadas se nenhum resgate for pago - as empresas de segurança de tecnologia da informação (TI) falam em "dupla chantagem".
Esses golpes funcionam melhor quando as empresas lidam com dados secretos ou muitos dados pessoais, ou seja, quando um vazamento significaria danos permanentes à sua imagem.
O que se sabe sobre os invasores?
De acordo com relatos da mídia norte-americana, um grupo relativamente novo de criminosos cibernéticos chamado Darkside está por trás do ataque a Colonial Pipeline.
Parte da mídia nos EUA sustenta que o grupo está na Rússia, mas a verdade é que nunca foi provada a origem dos ataques, sendo mais provável que sua base esteja localizada na Europa Oriental.
Plano Biden assenta bases da disputa pela hegemonia e poder imperial dos EUA no mundo
Por Jeferson Miola

“[…] o New Deal realmente mudou os Estados Unidos quando terminou não em um estado de bem-estar, mas em um estado de guerra – e isso provou ser uma catástrofe para o tipo de reforma ambiciosa que Biden diz desejar”. (Samuel Moyn, New York Times, 2 de maio de 2021).
No discurso no Congresso no dia 29 de abril por ocasião dos primeiros 100 dias de governo, o presidente Joe Biden assentou as bases do ambicioso projeto hegemônico e de poder imperial dos EUA no mundo.
Biden começou o discurso de 1 hora e 6 minutos de duração saudando a realização de mais de 220 milhões de vacinas neste curto período do mandato, e o compromisso de vacinar de imediato toda a população acima de 16 anos. Não é pouca coisa. Virando rapidamente a página da pandemia, os EUA aceleram a retomada da trajetória do seu autodeclarado Destino Manifesto.
Para isso, Biden ancora sua estratégia num tripé que rompe o paradigma neoliberal do Estado minimalista e da austeridade fiscal “a qualquer custo”: [i] o plano de resgate estadunidense, [ii] o plano de emprego estadunidense, e [iii] o plano das famílias estadunidenses.
Estes 3 planos, que deverão acarretar um dispêndio de 5 trilhões de dólares – mais de 3 vezes o PIB do Brasil –, representam um processo articulado para enfrentar simultaneamente, e num esforço de guerra, a fome, a miséria, o desemprego, o empobrecimento, a quebradeira, a desproteção social, os investimentos, a infraestrutura, as perdas salariais, a defasagem tecnológica e a perda de influência no comércio mundial.
Somente em garantia de renda familiar, o governo federal já concedeu 1.400 dólares a 160 milhões de lares estadunidenses, o equivalente a 85% dos domicílios do país.
Em artigo no New York Times [2/5], o professor de Yale Samuel Moyn assinala que “Se os primeiros 100 dias de Biden diferem significativamente do New Deal; no entanto, o medo que motivou os democratas naquela época é a melhor explicação para suas ações iniciais, especialmente quando se trata de repensar o contrato social americano. Em sua primeira posse, Roosevelt alertou contra o próprio medo. […] Mas o terror sobre os riscos à estabilidade e à riqueza está por trás de uma redefinição da justiça social e da ascensão de um novo tipo de Estado”.
O professor aponta que “o reequilíbrio de Biden quanto à justiça tributária para indivíduos leva o país de volta, como o presidente reconheceu na quarta-feira, aos níveis de George W. Bush, de menos de 40% para a faixa mais alta de impostos, não aos níveis de Roosevelt, de 94% em seu auge, ou mesmo antes de Reagan, aos níveis de 70%”.
Trata-se, ainda assim, inequivocamente, de um pujante esforço para garantir a coesão social e evitar conflitos que poderiam assumir consequências incontroláveis, sobretudo desde a emergência do movimento antirracista pós-assassinato de George Floyd. Para o diretor do Conselho de Política Econômica Brian Deese, a capacidade do Biden “de sustentar uma boa política está ligada à sua capacidade de sustentar o apoio político para essa boa política”.
Aquilo que entusiastas apressados das propostas de Biden saúdam como um “giro humanista” do capitalismo ou um “novo” New Deal – e alguns, inclusive, lunaticamente proclamam o fim do neoliberalismo –, é, na realidade, o posicionamento hegemônico dos EUA no contexto da competição geopolítica com a Rússia e, principalmente, com a China, na disputa pela hegemonia e pelo poder mundial.
O lema de Trump América First! está bem vivo em Biden: “O dinheiro dos impostos dos estadunidenses será utilizado para comprar produtos estadunidenses feitos nos EUA!”, ele declarou.
Numa alusão ao bipartidarismo da política externa estadunidense, o colunista do NYT destaca que Biden está “adotando tão vigorosamente o modelo de competição de grandes potências com a China que Trump adotou – talvez até uma nova Guerra Fria”.
Em matéria de política externa, aliás, e numa prova do caráter bipartidário e estamental quanto a conflitos sensíveis, até o presente Biden não se diferenciou de Trump em relação ao apoio ao esdrúxulo autodeclarado presidente Juan Guaidó, assim como a respeito da sede da embaixada dos EUA em Jerusalém e do bloqueio a Cuba, para ficar somente nestes exemplos.
O discurso de Biden sobre medidas domésticas é entremeado com referências da disputa geopolítica e da proclamação do papel “divino e civilizatório” dos EUA no mundo [Destino Manifesto]: “Estamos competindo com a China e outros países para ganhar o século XXI”; “Não há razões para que os trabalhadores estadunidenses não possam liderar o mundo na produção de veículos elétricos”; “Temos a população mais inteligente e melhor capacitada do mundo”; “Temos que desenvolver e dominar os produtos e tecnologias do futuro, as baterias avançadas, a biotecnologia, os chips, a energia limpa”; “Não podemos estar tão ocupados competindo entre nós esquecendo a competição que temos com o resto do mundo para ganhar o século XXI”; “Estados Unidos é uma ideia, a ideia mais única da história. É o que somos”.
O dispendioso Plano Biden será pago não com impostos arrecadados do povo estadunidense, mesmo que o mandatário imperial tenha anunciado projeto de tributar algumas centenas de multibilionários, porque será pago através do endividamento infinito da potência imperial mediante a emissão de dólares sem lastro.
Ou seja, países e povos da periferia do capitalismo serão chamados a financiar esta festança no império, que não hesitará em lançar mão de guerras, se este também for um expediente necessário para viabilizar seus objetivos na competição geopolítica por hegemonia e poder.
Como recordou o colunista do NYT Samuel Moyn, “o New Deal realmente mudou os Estados Unidos quando terminou não em um estado de bem-estar, mas em um estado de guerra – e isso provou ser uma catástrofe para o tipo de reforma ambiciosa que Biden diz desejar”.
Romantismo, ingenuidade ou o desejo pueril de que o capitalismo se humanize ou de que o neoliberalismo acabe por si mesmo são sentimentos que até podem aplacar aflições intelectuais, mas em nada ajudam na compreensão sobre o imperialismo e a dominação imperial desempenhada pelos EUA no mundo.
"Tratoraço” atropela Bolsonaro

Por Alex Solnik
Minha cota”; “fui contemplado”; “recursos a mim reservados” são alguns comentários de deputados e senadores que, mediante 101 ofícios e em troca de apoio a Bolsonaro direcionaram um total de R$3 bilhões do orçamento do Ministério do Desenvolvimento Regional e da Codevasf para suas bases eleitorais em forma de tratores e outros equipamentos agrícolas superfaturados em até 259%.
O esquema, revelado hoje pelo repórter Breno Pires no “Estadão”, foi montado no fim do ano passado, a tempo de beneficiar, dentre muitos outros parlamentares, ao então presidente do Senado Davi Alcolumbre, que foi contemplado com R$ 277 milhões.
O escândalo do “Tratoraço”, também chamado de “orçamento secreto” ou “orçamento paralelo” funcionava de forma a permitir que bolsonaristas estipulassem os preços dos equipamentos, o que levou a superfaturamentos como o caso do deputado Lúcio Mosquini que fixou em R$ 359 mil o preço de um trator que na realidade custa R$ 100 mil.
Há quem o compare ao escândalo dos “Anões do Orçamento”, ocorrido em 1993, na Câmara, que resultou em CPI, com seis deputados cassados e quatro renúncias.
A enorme repercussão do caso neste fim de semana indica que o governo não terá como varrer a sujeira para debaixo do tapete.
Somente uma CPI do Tratoraço poderá revelar ao país os responsáveis por essa farra bilionária.
Uma CPI incomoda muita gente; duas CPIs incomodam muito mais.
A pergunta incômoda: o que está acontecendo com os jovens?
Por Moisés Mendes

Por Moisés Mendes, para o Jornalistas pela Democracia
As esquerdas, dentro e fora de partidos, movimentos sociais, sindicatos, entidades estudantis e todas as organizações militantes da democracia têm alguns constrangimentos que não conseguem resolver. São os déficits de organização, resistência, narrativa e de comunicação tratados (ou ignorados) hoje quase como tabus.
O caso mais recente de constrangimento é o da reação à chacina do Jacarezinho. Até a indignação retórica, que nem sempre significa algo consequente, ficou aquém da dimensão da matança.
O déficit que mais constrange é o da incapacidade de mobilização, de ação e mesmo de imposição física nas ruas. Por causa da pandemia? Sabemos que não.
Foi brava, mas numericamente minúscula, a participação no protesto que moradores da favela organizaram diante da Cidade da Polícia, no dia seguinte ao massacre.
A valentia dos que foram às ruas conseguiu reunir pouco mais de cinco dezenas de moradores. Não chegaram a uma centena. Mas eles estavam lá.
Quem imaginava que o morro desceria como há muito tempo não desce, indo pra cima da polícia e do governo, viu rostos que os cariocas devem ver e rever a cada mobilização depois de atos de violência do Estado contra pobres e negros.
Quase só os negros participaram do protesto. O simplismo vai dizer que é assim mesmo, que a maioria dos favelados é de negros. Mas não explica tudo, só repete desculpas.
Onde se meteram os brancos, e não só os moradores dos morros? Onde se enfiou a classe média branca da zona sul que protesta nas redes sociais?
Há um desconforto com as ausências, mas apenas desconforto. As esquerdas lidam mal com a incapacidade de mobilização dos jovens, sabendo que os velhos estão cansados.
Para as esquerdas, em algum momento algo irá acontecer contra o genocídio da pandemia, contra o desemprego, a inflação, o desalento, as chacinas e a destruição do país por Bolsonaro.
Chile, Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e agora a Colômbia exercitam de tempos em tempos a capacidade de mobilização dos jovens. Avançam, recuam, mas vão engrossando o caldo e se mantêm de prontidão.
No Brasil, as grandes manifestações de estudantes, que se iniciaram no verão e se estenderam ao inverno de 2013, estão completando oito anos.
As ocupações de escolas, talvez as últimas manifestações relevantes no meio estudantil no Brasil, completam agora cinco anos. Nunca mais aconteceu nada capaz de mobilizá-los, nem muito antes da pandemia.
A esquerda autoindulgente pode dizer que tivemos manifestações contra o golpe de agosto de 2016 e contra o assassinato de Marielle. Tudo muito pontual, sem o caráter da permanência e da insistência.
A comparação é inevitável, para que se tente entender o que se passa no Brasil. Os jovens colombianos erguem skates nas caminhadas nas ruas de Bogotá, para que fique claro: nós estamos aqui, não só para lutar contra reformas liberais, mas para derrubar o governo de direita de Iván Duque.
Há inquietações, algumas hibernando, em toda a América latina. No Brasil, Bolsonaro destrói a universidade pública com método, incluindo os institutos federais fortalecidos por Lula e Dilma. ProUni, cotas e todo tipo de suporte à afirmação de pobres e negros no ensino superior gratuito estão ameaçados.
Nos faz falta hoje a dedicação de quem tenta entender inação e apatia nesse momento que as esquerdas, impotentes, preferem deixar passar, à espera de uma faísca e do imponderável.
Todas as frustrações com o desfecho de 2013, a apropriação das ruas pela direita, o golpe de 2016 e a ascensão de Bolsonaro são peças ainda desencaixadas de uma tentativa de explicação.
Falta muito para que se vislumbre um entendimento, e esse não pode esperar pela paciência dos historiadores que não têm pressa.
A renovação da representação política pelas esquerdas (Congresso, Assembleias estaduais, Câmaras de Vereadores) tem sido precária.
Mesmo assim, ainda há quem se proteja na citação das exceções.
Entidades estudantis, sindicatos, partidos, coletivos, blocos e todas as estruturas que mobilizavam os jovens foram precarizadas no Brasil. Qualquer observação sobre a paralisia esbarra no contraponto dos que entendem, pela acomodação que só faz média com os jovens, que não devemos esfolar a juventude.
Não devemos e não é disso que se trata. Mas precisamos tentar compreender o que se passa, ou fingiremos que a manifestação com 50 pessoas diante da Cidade da Polícia significa alguma coisa, depois do massacre de 28 moradores encurralados na favela.
Os jovens não conseguem respirar e não conseguem reagir. E não há reação sem eles. Tentar entender essa apatia é também tarefa dos adultos maduros e ainda habilitados a interpretar sentimentos.
Claudio Castro continua com as mãos sujas de sangue
Por Marcelo Auler

Por Marcelo Auler, em seu blog
Carismático como é, certamente ao ingressar em uma igreja – o que pode até ter ocorrido neste domingo, uma vez que tem o hábito de assistir às missas na Paróquia Santa Rosa de Lima, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro -, o governador Claudio Castro certamente molha os dedos na água benta existente na entrada de cada templo. Será em vão. Mesmo que ocorresse um descuido e algum padre trocasse o líquido santo por removedor, Castro dificilmente apagará de suas digitais as marcas do sangue que a polícia do governo que controla fez jorrar na quinta-feira, dia 06/05, nas ruas, becos, vielas e residências da Comunidade do Jacarezinho, Zona Norte do Rio.
Ainda que seja cedo para se cravar que a operação policial responsável pela morte de 28 pessoas tenha sido autorizada antecipadamente pelo governador – cabe o direito da dúvida e a presunção de inocência -, decorridos quatro dias da maior chacina provocada por forças oficiais que se tem notícia no Estado, não há mais como inocentá-lo e deixar de responsabilizá-lo.
A responsabilidade lhe cai não apenas pelo pouco que já disse, seja por meio de nota oficial na própria quinta-feira – ocasião em que alegou que “a ação foi pautada e orientada por um longo e detalhado trabalho de inteligência e investigação, que demorou dez meses para ser concluído” -, seja através de áudio, no dia seguinte, quando expôs que “a operação de ontem realizada pela Polícia Civil foi o fiel cumprimento de dezenas de mandados de prisão”. Não foi, nem uma coisa, nem outra.
Mais grave, porém, foi Castro omitir-se, como se estivesse concordando com tudo o que ocorreu. Omitiu-se, como lembra a deputada estadual Daniella (Dani) Monteiro (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (ALERJ), no decorrer da própria operação que perdurou por cerca de 10 a 11 horas. Ele poderia, desde cedo, ter dado ordens para suspendê-la, mas nada fez.
Delegados provocam STF, Castro se omite
Na entrevista, os delegados Rodrigo Oliveira (esq.) e Felipe Curi provocaram o STF.(Reprodução da TV)
Também se omitiu diante das provocações de delegados que se acharam empoderados o suficiente para criticarem e questionarem à autoridade da mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal. O governador calou-se, consentindo, após o subsecretário Operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, disparar pérolas como: “o ativismo judicial prejudica a ação policial e fortalece o tráfico”; “a Polícia Civil não irá se furtar a garantir o direito de ir e vir da sociedade de bem”. Tão grave quanto as “pérolas” foi o silêncio do governador.
Os delegados, porém, não conseguiram expicar qual foi a “excepcionalidade” que os fez desrespeitarem as ordens do Supremo Tribunal Federal impedindo operações policiais em comunidades durante a pandemia. Não havia nenhum risco eminente naquele dia. Prender traficantes, não se encaixa nas hipóteses admitidas para descumprir a ordem da mais alta corte do país.
Isto, porém, não é tudo. Até o domingo (10/05), o governo não explicou a demora em mais de 48 horas para identificar 27 das 28 vítimas da operação. Afinal, se a ação foi fruto de inteligência, no “fiel cumprimento de mandados de prisão”, seria razoável imaginar que a polícia sabia de antemão quem seriam as suas vítimas, os seus alvos. Mas o único identificado foi o agente policial André Frias, um dos primeiros a tombar naquela manhã.
Ocorre que entre os 27 mortos, como constatou um levantamento preliminar feito pelas Comissões de Direitos Humanos da ALERJ e como afirma Álvaro Quintão, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados (OAB) seccional do Rio, ao menos um terço dos assassinados sequer tinham passagem pela Justiça. Entre os mortos, segundo aqueles que estiveram na comunidade, há os que simplesmente transitavam pelas ruas com destino certo, sem ligações com o submundo do crime. Sem falar nos dois passageiros da Linha 2 do Metrô que sequer estavam na comunidade – talvez nem a conheçam – e foram feridos dentro de um trem em circulação.
Não pode o governador endossar um discurso de “um longo e detalhado trabalho de inteligência e investigação, que demorou dez meses para ser concluído” quando se descobre que dos 21 “alvos” desejados pelas forças policiais apenas seis foram encontrados e somente três acabaram presos. Outros três engrossam a lista dos chacinados. Que inteligência existe em uma operação na qual se invade uma comunidade com um número bem superior de policiais e acaba não se conseguindo encontrar aqueles a quem se procurava.
Tais fatos, por si só, já deveriam deixar ressabiado o chefe do Executivo fluminense, superior hierárquico desses policiais, levando-o a desconfiar do serviço feito por seus subordinados. Mas Castro calou-se. Endossou. Está passando o pano”.
Pior ainda, permanece calado – “passando o pano” – quando surgem versões conflitantes com a oficial. Relatos de famílias denunciando que a polícia matou aqueles que se renderam. Que pessoas que entraram vivas no Caveirão surgiram depois no Instituto Médico Legal (IML) com tiro no estômago. Ou duvidaremos do desesperado morador da comunidade que, chorando, demonstrou toda sua preocupação com o futuro da filha de 9 anos que viu assassinarem um “procurado”, já ferido na perna – logo, sem condições sequer de fugir – ser morto junto à cama que ela dorme?
Surgem dúvidas sobre a morte do policial
São relatos que colocam em dúvida a versão oficial e, ao levantarem suspeitas sobre a mesma permitem que se vá mais longe nos questionamentos. Terá mesmo o agente policial André Frias, último que desceu do blindado, morrido por disparo dos supostos traficantes? Quem garante que ele não foi vítima, ainda que ocasionalmente, de um “fogo amigo”?
É possível se afastar a possibilidade de queima de arquivo, quando se sabe que ele esteve envolvido na apreensão de 60 fuzis no Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, em 1º de junho de 2017. Um armamento que, pelo que se deduziu, abasteceria milicianos?
Todas essas apurações que surgem esparsamente em um trabalho conjunto das comissões de Direitos Humanos da ALERJ, da OAB e o esforço de defensores públicos do estado e da União começam a indicar que a versão oficial é falaciosa.
Apesar disso, ela continua sendo endossada pelo governador que deveria, em nome da total imparcialidade das apurações, afastar os policiais envolvidos na desastrosa e mortífera operação. Mantê-los na geladeira enquanto perdurarem investigações feitas por outros e pelos demais órgãos de controle da ação policial. Apurações sérias e descomprometidas. Uma decisão que permitiria até, futuramente, direito a pedidos de desculpas caso se comprove que os policiais não mentiram, o que é pouco provável que aconteça. Mas o governador ainda não deu sinais de que assim agirá.
Com isso, Castro mantem seus dedos sujos do sangue derramado na Comunidade do Jacarezinho e alimenta ainda mais as suposições que ligam a chacina ao encontro que teve na véspera com o presidente Jair Bolsonaro, um intransigente defensor das milícias e das operações policiais violentas. Um político que, acuado, precisa manter seu discurso de ódio e de violência para agradar seu público, cada vez mais reduzido.
Biden: Virada à esquerda?
Por Marilza De Melo Foucher
Por Marilza De Melo Foucher
Esta reflexão surge depois de assistir às reações de alguns jornalistas e intelectuais brasileiros e franceses classificando o novo presidente americano Biden de esquerda… De esquerda ou não, os 100 dias de Joe Biden no cargo da presidência americana teve anúncios surpreendentes! Seu plano de relance é o mais social de todos os tempos nos Estados Unidos. Ele não se limita aos estímulos econômicos, ele rompe com o tabu da dívida pública e redesenha o papel do Estado providência americano numa virada Keynesiana que põe em causa os 40 anos de neoliberalismo. Bastou uma frase de Biden para despertar uma enorme curiosidade e empolgar a ala esquerda do partido democrático. Joe Biden afirma que a teoria do “trickle-down” nunca funcionou! O presidente Biden quer acabar com o tratamento fiscal preferencial que beneficia os ricos. No dia 28 de abril, o presidente dos Estados Unidos propôs uma série de medidas com o objetivo de aumentar os impostos para o 1% mais rico, preservando a classe média. Joe Biden disse que havia chegado hora das empresas americanas e o 1% mais rico dos americanos começarem a pagar sua parte justa. Tributar o capital financeiro era coisa impensável no império.
Para explicar ao grande público do jornal, essa teoria econômica não comprovada e criticada por uma maioria de economistas defende uma redução dos impostos para os mais ricos. O Estado deve permitir o enriquecimento dos que estão em melhor situação (os mais ricos) para que eles reinvistam no sistema econômico – através da poupança. (investimento) ou consumo - renda auferida. Isso ajudaria a estimular a atividade econômica e o emprego para o resto da sociedade. M. Biden com seu plano de relance enterra a teoria do “tricle-down”.
A pergunta então surge: Joe Binden é hoje de esquerda?
Vejamos que as principais medidas do plano Biden prioriza as famílias de baixa renda com créditos fiscais substanciais; Uma das medidas mais marcantes previstas é sem dúvida, a ampliação dos créditos tributários para as creches, que até então não eram acessíveis às famílias mais modestas. Um novo cheque de US$ 1.400 para a maioria dos americanos, a extensão dos benefícios de desemprego ou as dezenas de bilhões de dólares alocados para vacinas e escolas Covid-19 – já são bem conhecidas. Mas segundo o jornal britânico The Guardian, dentro das principais medidas a lei também prevê "o maior investimento da história para os nativos indígenas americanos" (US $ 31 bilhões) e "as maiores provisões para fazendeiros negros em meio século" (5 bilhões). Um plano digno do "legado de Roosevelt", afirma o jornal.
O Presidente Biden martelou que o Estado deve investir para trazer soluções aos problemas da sociedade, ele deve ser o motor para transformar a sociedade! Seja de esquerda ou não, ninguém pode criticar as medidas sociais contidas no plano de relance do presidente americano.
Os fatos mais relevantes a serem levados em conta, é que a pandemia Covid-19 trouxe para a realidade a dureza das desigualdades nos Estados Unidos. Neste grande país mais rico do mundo, não existe rede de segurança social e a taxa de poupança é baixa ou mesmo inexistente para as famílias mais modestas, principalmente para as minorias negras e hispânicas. Joe Biden denunciou o "escândalo" da crise da fome, por esta razão ele assinou dois decretos em 22 de janeiro para fortalecer a ajuda alimentar e os direitos sociais.
O certo é que este Plano de relance nos questiona. Infelizmente, não houve a mesma reação quanto a virada da esquerda para a direita. Para ser mais explicita, por que não questionar quando os governos ditos de esquerda põem em pratica medidas de direita, tal como as políticas de austeridade? Vale ressaltar que todos os governos socialistas da Europa nos últimos anos aceitaram a governança mundial que defendia uma concepção de estado empresarial e a morte do Estado providência. Nenhum desses governos, com raríssimas exceções, contestou os Acordos gerais de serviços da OMC que eliminava serviços públicos considerados como bem comum (educação, água, eletricidade, saúde, cultura entre outros). O acordo pregava a privatização desses serviços. Estava também dentro desse acordo a mudança da propriedade intelectual etc. O governo Biden quando diz que ele é favorável a quebra das patentes das vacinas contra o Covid 19, ele balança os alicerces da propriedade intelectual atualmente...Chegou a hora de reativar o debate sobre esta instituição da governança mundial!
O notório é que os governos de esquerda nas últimas décadas, na sua maioria, não percebe que o modelo neoliberal com a governança mundial estava lançando as bases da ideologia neoliberal...Para entender melhor, vamos aos exemplos da União Europeia, os 27 países que integram a UE, estão sujeitos à austeridade orçamentária decretada pelos critérios de Maastricht, segundo os quais, por exemplo, as instituições não podem exceder 3% do déficit. Os Estados cumprem esses requisitos e isto vem colocando, há mais de uma década, os serviços públicos sob pressão, ao ponto de torná-los completamente desvitalizados. A pandemia retirou a máscara do neoliberalismo econômico em sua prática e ideologia. A criação da governança mundial, nessas últimas décadas, orientava que os Estados deveriam abandonar o seu papel na gestão dos serviços públicos, deixando às empresas a responsabilidade dessa missão. A governança mundial decretou a falência do Estado Previdência para dar lugar ao Estado Empresarial. A privatização dos serviços públicos seria então inevitável.
As políticas neoliberais da França, (meu país de adoção) na última década, afetaram consideravelmente seu modelo social. Em nome da eficácia econômica, muitos hospitais na França foram fechados, havendo diminuído o número de leitos e serviços de urgência. Há pouco meses, antes da pandemia, todos os chefes de serviços dos hospitais públicos na França se demitiram coletivamente, em protesto às políticas neoliberais do governo Macron. A nova pandemia trouxe à tona as desigualdades que estruturam nossas sociedades em todos os níveis.
A questão principal não deve ser centralizada na questão de Biden ser ou não ser de esquerda.
O fundamental é verificar que a postura política de Joe Biden enquanto Presidente pode fornecer à esquerda muitos elementos de reflexões sobre a passagem do modelo econômico neoliberal em ideologia. Os intelectuais de esquerda não podem ficar vendo a banda passar...Ficamos focalizado no modelo econômico e não questionamos a governança mundial que vai legitimar o neoliberalismo como ideologia. Nesse período eleitoral tanto na França como no Brasil devemos tomar o exemplo dos Estados Unidos para lançar um alerta pós-pandemia para que os países não sejam tentados novamente pelas instituições da governança mundial em nome da austeridade voltem a corroer suas redes de proteção social.
O que esta pandemia revelou é que existe uma urgência de revitalizar o Estado Providência, nesse sentido o Presidente americano percebeu que a teoria do “trickle-down” nunca havia funcionado, os ricos não investiram na economia real, a desindustrialização a galope, as infraestruturas americanas estão quase toda deterioradas, as desigualdades territoriais explodem com um sistema de proteção inadequado. O país mais rico do mundo tem hoje uma pobreza enraizada... Entre os 40 países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), os Estados Unidos estão em quarto lugar na taxa de pobreza, com quase 18% dos americanos cuja renda está abaixo da linha da pobreza.
Quem pode ser contra Joe Biden que quer que as creches americanas sejam gratuitas, que o estado venha ao socorro para consertar a infraestrutura dilapidada do país? Que os ricos devem pagar mais impostos ? Não podemos negar que Biden e os democratas, estão promovendo outra prioridade muito mais ambiciosa e há muito negligenciada: a luta contra a pobreza e a desigualdade, entre outras prioridades raciais. Eles incluíram um plano de moradia, alimentação, saúde e até mesadas de família no estilo europeu, de até US $ 3.600 por ano por criança.
No máximo podemos provocar os Estados Unidos e dizer que o Biden é o Lula americano! Ele também tem o seu plano de inclusão social!
O que temos que levar em conta é que Biden entendeu os mecanismos de "financeirarização" da economia americana que destruiu a economia real americana. Ele age para restaurar a potência americana priorizando resolver os problemas internos causados pela ideologia neoliberal apropriada hoje pela extrema direita mundial. Ele busca também restaurar a imagem internacional dos Estados Unidos deteriorada pelo governo de Trump.
Biden é apenas um centrista que pressionado pela ala esquerda do partido e pela ascensão de movimentos populares no Estados Unidos, graças a esta correlação de forças, diga-se de passagem bem diferente da época de Obama, adota medidas bem progressistas e tem repercussão positiva junto à população marcada também pela pandemia do Covid19. De acordo com o Pew Research Center, 70% dos americanos aprovam, incluindo 42% dos eleitores republicanos.
Vamos ficar atentos! Ser ou não de esquerda. Esta não é a questão!
1. (https://data.oecd.org/fr/inequality/taux-de-pauvrete.htm#indicator-chart)
Notas do manicômio
Por Carlos Castelo
§ Toda sociedade, ao chegar em seu ápice agônico, revela um fato emblemático. Foi assim desde Nero tocando harpa, enquanto Roma ardia, até o suicídio de Adolf Hitler. O Brasil dos bolsominions não é diferente. O Véio da Havan, com Tirullipa, bailando a “Dancinha do carpinteiro” nas redes sociais. Certamente é o maior indicador de nosso fracasso civilizatório.
§ NOTIFICAÇÕES
O restaurante está preparando seus pratos.
O entregador chegou ao restaurante.
O entregador continua aguardando no restaurante.
O entregador se irritou com a demora no preparo dos pratos.
O restaurante continua preparando seus pratos.
O entregador e o restaurante envolveram-se numa briga.
O entregador ateou fogo no restaurante.
O restaurante chamou a PM.
A PM chegou ao restaurante.
O restaurante, o entregador e os frequentadores estão apanhando da PM.
Seu pedido sofrerá atraso.
§ Na noite do dia em que tomei a Oquisfór passei uns miniperrengues. Febre (baixa) e tremedeira ao deitar. Já tenho uma tendência ao delírio, como sabem. Então, o lado bom da paulada vacinal foi poder imaginar algumas histórias, versos, frases, etc. No dia seguinte estava como o Maguila depois da luta com o Holyfield: sem saber onde estava. O que, no momento presente, não deixa de ser lucro. Agora, já me encontro firme como o pudim de sempre. Enfim, a contabilidade com a imunização foi positiva. Obrigado, SUS e vai catar coquinho, Bozo.
§ Nossa lava-louças, depois de anos de contribuição doméstica, feneceu durante a pandemia. Um casamento necessita de três coisas: amor, resiliência e lava-louças. Não seria possível sustentar uma relação sem a presença do utensílio entre nós. Foi assim que contactei a Magalu e encomendei com ela, em regime de urgência, uma nova. Magalu foi legal e conseguiu frete grátis. A alegria durou pouco. Hoje entregaram a máquina às 6h30 da manhã. Até os galos ainda estavam de pijama.
Sugiro que a Magalu faça algumas alterações no campo do frete em seu site. Por exemplo, frete grátis: 6h30. Opção 2: 7h30 por 5 reais. Opção 3: 9h30 por 25 reais. E assim por diante.
Assim, o cliente poderia limpar seus pratos e talheres sem virar um zumbi durante o resto do dia.
§ RECEITA DE PROGRESSO
1. Pegue um idiota.
2. Coloque o idiota de presidente.
3. Peça ao idiota que reúna todas as medidas do atual governo e faça tudo ao contrário.
4. Em poucos meses voltaremos a ser a sexta maior economia mundial.
A direita quer se matar
"A elite não pode se justificar alegando desinformação. Bolsonaro é o problema para essa direita esclarecida, não a esquerda, com seus valores, lideranças e eleitorado. Quem impede que se consolidem novas candidaturas à direita é Bolsonaro, com sua truculência, falta de escrúpulos e disposição ilimitada a jogar sujo", escreve Marcos Coimbra

Por culpa de nossa elite econômica, política e administrativa, temos o pior presidente da história e um dos piores chefes de governo do mundo. Ela é responsável pela tragédia que vivemos e cúmplice de Bolsonaro.
Falta ainda um ano e meio de seu desgoverno. Tempo demais. Cada dia que passa é um custo pesado, mensurável em vidas perdidas e vidas comprometidas pela pobreza, a fome e as consequências da doença nos sobreviventes.
Essa elite olha a devastação e não vê. Como disse, outro dia, um dos próceres do Centrão, talvez comovido pelo dinheiro que Bolsonaro destina à compra de seu apoio: “É o político mais bem intencionado que conheci desde que entrei na politica”. Ou lamentamos o azar do cidadão, que o destino não permitiu que conhecesse uma única pessoa de bem, ou constatamos que lhe falta um pingo de vergonha na cara.
A elite não pode se justificar alegando desinformação. Houve quem votasse no capitão com esperança, acreditando que era uma possibilidade de mudança e temendo escolher alguém contra quem coisas assustadoras eram ditas. Gente do povo, intoxicada pelo que via na televisão, pelo sermão do bispo e confundida pelas mensagens que recebia no telefone, pensou assim. Não teve como conhecê-lo melhor, pois se escondeu dos concorrentes na reta final da eleição.
Os ricaços da economia, os chefes militares, a nata do Judiciário, os barões da imprensa e, especialmente, a liderança política, sabiam quem era Bolsonaro.
Dois anos e meio depois de colocar, por ações e omissões, o capitão no poder, nossa elite se divide em dois grupos. De um lado, os que gostam de ter um desclassificado como Bolsonaro no governo, querem que ele fique até o fim do mandato e continue por outro, cuja contraparte na sociedade são os basbaques que batem continência para a Estátua da Liberdade do shopping center. Do outro, os que têm consciência do que está acontecendo e do perigo que corremos.
Esses buscam uma candidatura de centro, conversa que circula há tempo nos ambientes da direita esclarecida, horrorizada com a incompetência e a brutalidade do capitão (que, por estranho que pareça, não enxergavam antes). Defendem que é necessário, para um projeto liberal (ou mesmo conservador), moderno, superar a excrescência bolsonarista e consertar seus erros.
Estão certos. Conhecemos o que significa ter um governo desse nível. Escolhas eleitorais não são gratuitas e seu preço pode ser elevado. A direita esclarecida sabe, assim como o restante do país, o que o bolsonarismo representa.
A pergunta é por que, então, não passam à ação. Se pensam, corretamente, que Bolsonaro não pode vencer em 2022 e que há diversos candidatos à direita que assumiriam sua agenda econômica e administrativa, por que não tomam a providência de tirar logo o capitão do caminho? Não querem um governo liberal com gente competente e um presidente que não seja um cafajeste? O primeiro passo é remover o principal obstáculo ao que buscam, através de um processo de impeachment.
Bolsonaro é o problema para essa direita esclarecida, não a esquerda, com seus valores, lideranças e eleitorado. Lula não é o inimigo dos liberais, é apenas seu adversário político. Quem impede que se consolidem novas candidaturas à direita é Bolsonaro, com sua truculência, falta de escrúpulos e disposição ilimitada a jogar sujo. Enquanto permanecer à frente do governo, se utilizará de qualquer recurso para não permitir que uma alternativa a ele se afirme.
Se existe uma direita civilizada, que pensa o Brasil e nossa vida política no médio e no longo prazos, está mais que na hora de ela se engajar no esforço de tirar Bolsonaro. Caso não o faça, não adianta inventar cinco, dez ou quinze candidatos, para ver se algum desponta. Com seus 15% de base na sociedade, a chave do cofre e as trapaças de que é capaz, ele vai inviabilizá-los todos.
A dúvida é se há uma direita que quer mesmo a civilização, ou se, frente à perspectiva de uma vitória da esquerda, aceita a barbárie. Tentando evitar a volta de Lula, que parece hoje quase irreversível, a direita brasileira, como um todo, pode ferir-se de morte. Atrelar-se a Bolsonaro, no longo prazo, é muito pior que perder mantendo a respeitabilidade e investindo no futuro. Talvez seja um suicídio.
Presidente do PSOL critica manifesto que lança Glauber à presidência: “momento inoportuno”
“É hora de lutar pela unidade das esquerdas e por um programa anti-neoliberal para 2022. Essa é nossa prioridade”, defendeu Juliano Medeiros, após Glauber Braga aceitar a proposta de uma ala do PSOL

247 - O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, se posicionou contra a iniciativa de uma ala do partido em lançar o deputado federal Glauber Braga (RJ) como candidato à presidência da República.
“Hoje um grupo de lideranças do PSOL divulgou manifesto defendendo candidatura do partido à Presidência da República. Considero o momento inoportuno para esse debate. É hora de lutar pela unidade das esquerdas e por um programa anti-neoliberal para 2022. Essa é nossa prioridade”, defendeu Juliano no Twitter.
“Obviamente, é direito de todo filiado ou filiada manifestar suas opiniões sobre qualquer tema que diga respeito ao partido. Mas, como presidente, me oriento pelas posições oficiais do PSOL. E como definiu nosso Diretório Nacional, essa é a prioridade”, complementou em outra postagem, compartilhando um manifesto do Diretório Nacional.
Glauber candidato
Uma ala do PSOL - entre os quais 6 dos 10 integrantes da bancada federal - lançou nesta segunda-feira um manifesto de defesa de candidatura própria à Presidência da República, encabeçada por Glauber Braga, indo de encontro ao que prega o deputado Marcelo Freixo, que se encontrou com o ex-presidente Lula na última semana em Brasília: dialogar com partidos e políticos mais ao centro para formar uma aliança contra Jair Bolsonaro.
Os signatários do documento se mostram contrários a uma aliança ampla com o campo liberal, como defende Lula, que se encontrou nos últimos dias com Rodrigo Maia, Gilberto Kassab e outros políticos em Brasília.
Glauber Braga diz que aceita o desafio de ser pré-candidato à Presidência pelo PSOL: “Eu topo”
O deputado disse ainda que uma pré-candidatura neste momento tem que ter como prioridade número um o enfrentamento a Bolsonaro
O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) afirmou, durante entrevista ao Fórum Onze e Meia, nesta segunda-feira (10), que se as instâncias do partido decidirem, ele aceita o desafio e será, sim, pré-candidato à Presidência.
“A decisão será tomada em suas instâncias, tem o congresso que está marcado pra setembro, uma conferência eleitoral que acontece ainda no ano que vem, e eu passei a ser procurado por um conjunto de militantes, de mais de dez correntes do partido pedindo que eu pudesse colocar o nome à disposição para essa tarefa”, disse.
Glauber lembrou que, num primeiro momento ainda não era o caso, que tinham etapas, “mas foi se organizando uma articulação muito firme, com bastante embasamento, e hoje sai de fato, às 19h, um manifesto com aproximadamente mil representações. Essa é a posição da maioria da bancada federal, inclusive, com seis assinaturas nessa mesma linha política e eu agradeço imensamente ter sido lembrado”.
O deputado ressaltou ainda que, além de ser uma tarefa de enorme responsabilidade, é preciso deixar claro para que serve uma pré-candidatura no atual momento que a gente tá vivenciado. Tem que ter como prioridade número um o enfrentamento a Bolsonaro. Hoje então eu assumo o compromisso de poder estar levando essa tarefa. Sim, eu topo”, encerrou.
Novo diretor-geral da PF confronta negacionismo de Bolsonaro, usa máscara e lamenta mortes
Paulo Maiurino, que tomou posse como diretor-geral da Polícia Federal em 8 de abril, tem usado máscara constantemente e tratado as infecções por Covid-19 como prioridade

247 - O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, que tomou posse no cargo em 8 de abril, tem confrontado cotidianamente a visão negacionista de Bolsonaro em relação à pandemia de Covid-19. Ele tem usado máscara todo o tempo, tomado providências para proteger os agentes e lamentado publicamente as mortes.
O primeiro discurso público de Paulo Maiurino no cargo aconteceu na última quarta-feira (5), na posse do novo superintendente da Polícia Federal de São Paulo, Rodrigo Piovesano Bartolamei, onde prestou solidariedade às famílias dos que morreram de Covid-19.
Em reuniões internas, Maiurino tem usado máscaras. Bolsonaro, além de usar máscaras raramente, poucas vezes lamentou as mortes na pandemia, em geral menosprezou a dor das famílias e chegou a ironizar os doentes e mortos. Bolsonaro criticou, em 2020, nota da Polícia Rodoviária Federal que lamentava a morte de um servidor. Um mês depois, Adriano Furtado, que tinha autorizado o texto, foi tirado do comando da PRF.
"Não poderia deixar de prestar minha solidariedade a nossos servidores e família que de alguma maneira tenham sido atingidos por essa pandemia que ainda provoca mortes e sofrimento ao redor do mundo. Que Deus traga algum conforto nesse momento penoso de nossa existência", disse Maiurino em São Paulo, segundo o Painel da Folha de S.Paulo.
Samantha Schmütz critica celebridades alheias ao genocídio de Bolsonaro: “não adianta usar a nossa voz para fazer dancinha”
Amiga de Paulo Gustavo, Samantha Schmütz critica futilidade de artistas em meio à pandemia:
“Não adianta a gente usar a nossa voz para fazer dancinha”

247 - Amiga de Paulo Gustavo, a comediante Samantha Schmütz criticou artistas que ignoram sua visibilidade nas redes para reivindicar questões essenciais, como o acesso à vacina.
Segundo ela “Não adianta a gente usar a nossa voz para fazer dancinha no Tik Tok.”
“Não adianta a gente usar a nossa voz para fazer dancinha de TikTok.
Não sei se dá para fazer revolução por aqui [nas redes sociais], mas é a maneira que a gente tem de se comunicar, mostrar o que está pensando em um momento de tanta indignação. […]
Não dá para a gente ficar postando, nós que temos milhões de seguidores, nada mais que não seja em prol da p*rra da vacina, em prol de alguém fazer alguma coisa… porque quem pode fazer, não vai fazer.
Então assim, a gente precisa se unir.
Acabou a brincadeira aqui, não dá para postar look do dia, sensualizar”, disse.
Ela completou sua fala criticando a negligência do governo e cobrou engajamento dos artistas para que algo seja feito.
Luísa Sonza detona governo: "Bolsonaro, eu te odeio”
"Nesse momento eu PRECISO desabafar sobre uma coisa q é: Bolsonaro, eu te odeio”, disse a cantora Luísa Sonza

247 - A cantora Luísa Sonza criticou o governo de Jair Bolsonaro em um desabafo nas redes sociais.
"Ver o Brasil nesse estado é desesperador. Como seguir vendo tanta gente morrendo nesse país por causa do descaso de um governo genocida?", disse a cantora no Twitter.
"Estou com tanta raiva. Tanta tristeza. Não consigo parar de pensar no Paulo, e em todas as vidas que perdemos por um vírus que tem vacina. Todas essas mortes poderiam ter sido evitadas por um governo minimamente decente.", acrescentou Luísa.
Ela disse ainda que “acredito muito que o ódio NUNCA resolve nada. Que odiar alguém nunca é a solução, independente de qualquer coisa. Porém, nesse momento eu PRECISO desabafar sobre uma coisa q é: Bolsonaro, eu te odeio”.
Fachin cita risco do 'populismo autoritário' e alerta: 'é antessala do golpe'

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ) Luiz Edson Fachin alertou para o risco do crescimento do “populismo autoritário” no Brasil e disse temer pela integridade do sistema eleitoral brasileiro nas eleições do próximo ano.
"Lamentavelmente, há mais parasitas do que hospedeiros. O populismo totalitário ronda a democracia brasileira. É fundamental esse alerta, porquanto é antessala do golpe. O mais grave é essa visão personificada do povo em contraste com as instituições. Precisamos sair da crise sem sair da democracia," destacou Fachin em entrevista ao jornal Correio Braziliense.
"As eleições de 2022 trazem à tona um imperativo categórico: preservar o sistema eleitoral brasileiro," completou. Ainda segundo ele, o Brasil passa por uma “recessão democrática agravada na pandemia” e é preciso “manter e consolidar a democracia representativa, melhorar a qualidade dos processos nas consultas (eleições, plebiscitos, referendos), e não normalizar o depois como se fosse apenas um rascunho do tempo precedente".
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