PFIZER _ PL4754 fica entre assuntos mais comentados do Twitter
Impulsionada por bolsonaristas, #AprovaPL4754 fica entre assuntos mais comentados do Twitter; Entenda o que é o projeto

Filipe Vidon
Parlamentares bolsonaristas e a base aliada ao presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais movimentaram o Twitter na tarde desta segunda-feira em defesa do Projeto de Lei 4754/2016, que torna crime de responsabilidade a interferência na competência do Poder Legislativo pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O tema deve ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na sessão desta terça-feira e as manifestações nas redes alçaram a hashtag #AprovaPL4754 aos tópicos mais comentados da plataforma.
O texto, apresentado na Casa em 2016, é de autoria do deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e outros 22 parlamentares. O projeto pretende alterar a lei que regulamenta o processo de impeachment e adequar possíveis interferências do Judiciário como crime de responsabilidade. Caso seja aprovado, o PL 4754 também pode contemplar ministros e juízes de outros tribunais e instâncias inferiores.
Presidente da CCJ, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) designou a relatoria do tema para Chris Tonietto (PSL-RJ), ambas da base governista. A relatora apresentou um parecer que manteve o texto original sob a justificativa de que “o STF vem esvaziando completamente o sentido objetivo das palavras da Constituição, substituindo-o pelo programa ideológico de seus onze ministros”.
“O comportamento exemplar dos Ministros da Suprema Corte, durante muitas décadas de nossa história, mascarou esta lacuna gravíssima que pode colocar em xeque todo o sistema democrático. No entanto é exatamente esta a lacuna de que padece a nossa legislação. Ainda que nossos Ministros fossem impecáveis em seus julgamentos, mesmo assim, nosso ordenamento jurídico estaria dotado de perigosíssima falha a exigir a sanação imediata. É assombroso que possa ter-se construído uma democracia onde um juiz possa usurpar o Poder Constituinte.”, defende a deputada em seu relatório.
O avanço da pauta na Câmara é uma reivindicação para impedir que decisões monocráticas do STF se tornem efetivas quando tratam de casos de casos de declaração de inconstitucionalidade ou suspensão de eficácia de lei ou ato normativo, como decretos. Parlamentares da base governista argumentam que a Suprema Corte vem praticando ativismo judicial em suas decisões, e citam casos como a criminalização da homofobia e a permissão de pesquisas com células-tronco.
Por outro lado, integrantes da oposição e parlamentares independentes afirmam que a atuação do STF é necessária para a garantia de direitos fundamentais em momentos que o Legislativo se omite na análise de determinados temas. Quando pautado em 2019, a deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) questionou a amplitude do projeto, que “pode abrir margem para retaliações que podem impedir a própria função contramajoritária do STF”, como a defesa dos direitos das minorias.
No Twitter, a relatora Chris Tonietto lembrou que o tema está na pauta de amanhã e que “é de extrema necessidade para a manutenção da ordem democrática”. Carla Zambelli (PSL-SP) também fez um post convidando seus seguidores a cobrarem os deputados sobre o tema.
O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) afirmou que votará a favor da proposta e que “Alguém precisa colocar freios na Suprema Corte”. Bolsonarista, o deputado Daniel Freitas (PSL-SC) também declarou que vai votar pela aprovação do PL.
O caso PFIZER e as MENTIRAS do governo
A nova versão influente do governo Bolsonaro para se lavar da responsabilidade por não haver contratado a vacina Pfizer em agosto/setembro de 2020 é alegar que inexistia legislação — naquela época — capaz de cobrir a operação. É falso. Mais uma distorção num conjunto de mentiras que pretendeu desqualificar o imunizante — e o próprio valor da imunização.
A primeira mentira: as doses daquele laboratório demandariam uma rede de refrigeração impeditiva. A segunda: a contratação dessa vacina, antes do aval da Anvisa, como se alguém fosse aplicá-la sem a certificação sanitária, colocaria em risco a integridade do brasileiro — o levaria a se tornar jacaré. Lembremo-nos: sem aprovação da agência reguladora, o Ministério da Saúde contrataria, meses depois, os imunizantes Sputnik V e Covaxin. A terceira: a oferta da Pfizer seria modesta. A oferta: 3 milhões de doses até março de 2021, metade das quais a serem entregues já em dezembro do ano passado — volume que, segundo Pazuello, frustraria a população. Lembremo-nos: a malta que argumentara assim comemorou, no final da semana passada, a entrega de 1 milhão de doses dessa mesma vacina.
No curso dessa sucessão de embustes, registre-se, o governo — o presidente se dizia incomodado com alguns termos do contrato — jamais falou na necessidade de uma lei específica destinada a equacionar o que seria um problema. Nada. O Planalto apontava um suposto impasse formal. E nada propunha como saída. Ou poderia ter remetido um projeto em regime de urgência ao Parlamento; né? No entanto: nada.
E então a lei. Diante da crise, o presidente do Senado se reuniria com a Pfizer, colheria dados e formularia o que seria a Lei 14.125/21. Iniciativa do Congresso exclusivamente. Uma lei desnecessária, contudo. Como lei, para o que produz uma lei: desnecessária. Explico. Uma aquisição pública emergencial de vacinas, em meio a uma pandemia e sob a natureza calamitosa do período, ajusta-se às especificidades do que é, afinal, um mercado internacional, ademais tocado em circunstâncias excepcionais; de modo que caberia ao governo justificar a admissão da cláusula considerada excessiva como condição para transitar competitivamente, em nome do interesse do cidadão, no comércio mundial de imunizantes. Seria a Constituição Federal a se sobrepor. O próprio direito à saúde. Um direito fundamental cuja imposição — acima da existência de qualquer lei — deriva diretamente do texto constitucional.
A lei era desnecessária. Porém, vá lá, um governo que fosse genuinamente preocupado, ainda que mal assessorado juridicamente, poderia — uma vez inseguro, e dada a demanda urgente por vacinas — encaminhar e liderar a solução por meio de simples medida provisória; uma como essas tantas que edita para, por exemplo, facilitar a vida de grileiros. Nada fez.
A lei era desnecessária. Repito. O governo poderia ter firmado contrato com a farmacêutica no ano passado. Não quis. Preferiu desacreditar a cultura vacinal e investir na farsa do tratamento precoce. E só se converteu em vacinador convicto ante a imposição do mundo real no corpo da impopularidade crescente. A lei era desnecessária, mas teve um mérito político. Uma lei supérflua atuando como vara no lombo do Planalto. A iniciativa do Senado desamarrou, desnudou politicamente, as desculpas de Bolsonaro. Não haveria mais como rebolar para não assinar. Assinou-se. (Uma lei que deu respaldo para que o valente Bolsonaro se deixasse abusar pelas cláusulas escorchantes da Pfizer. Sei...)
Por outro lado: a lei desnecessária, que teve aquele mérito, desmontar as desculpas do governo, viraria desculpa ela mesma na mão dos narradores bolsonaristas. É onde estamos. Acossado pela CPI, o governo se escora na lei — a prova de que, mui responsável, não poderia ter contratado a Pfizer em 2020. Mentira.
Importante: os governistas alegam que haveria pareceres da AGU e da CGU contrários ao contrato com a Pfizer. Sim. Documentos datados, ambos, de 3 de março — curiosamente, um dia depois da aprovação da lei no Congresso. Uma mente maldosa poderia pensar mal dos órgãos, que teriam — sei que jamais o fariam — produzido pareceres para esquentar o discurso bolsonarista, como se o governo, de súbito zeloso e proativo, tivesse contribuído para a solução legislativa que, na verdade, o botou contra a parede, mas cuja onda ora surfa. AGU e CGU nunca fariam isso — insisto. Os pareceres, entretanto, estão na boca dos milicianos.
Os pareceres vieram tardiamente, incapazes de controlar os dois pesos e duas medidas do governo. Que, escudando-se na Fiocruz, importou — antes da lei, em janeiro de 2021, na correria improvisada para tentar competir com a primazia da CoronaVac — doses prontas do imunizante fabricado pela AstraZeneca. Doses prontas — não para ser envasadas aqui. Adquiridas ao instituto indiano Serum. Compra direta, importação pura — feita sob os mesmos “riscos” que haveria na aquisição junto à Pfizer. Nada a ver com o acordo para transferência de tecnologia pactuado com a AstraZeneca; cujo contrato, diga-se, ainda não foi assinado — sendo fato que a tão esperada produção autônoma pela Fiocruz, essa joia do Brasil, já vai com o calendário comprometido.
Aliás: o que há para que esse contrato — tão usado como propaganda — ainda não tenha sido firmado?
Após apresentação de Netinho em ato pró-Bolsonaro, veja outros cantores que apoiam o presidente | Sonar - A Escuta das Redes - O Globo

A interpretação de “Milla”, hit dos anos 1990, pelo cantor Netinho no último sábado rendeu críticas ao artista e não foi por causa de sua apresentação da música chiclete entoada pela banda Jamil e Uma Noites. O baiano participava de um ato a favor do presidente Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo, quando cantou a música. Entre outras reivindicações, a manifestação fazia críticas ao Supremo Tribunal Federal e aos governos estaduais, além de pedir a volta do voto impresso.
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Não foi a primeira vez que Netinho se manifesta publicamente a favor do presidente e do governo. Bolsonarista assumido, o cantor apareceu, no ano passado, em uma live transmitida por Bolsonaro no Facebook. Na ocasião, foi saudado por apoiadores do presidente em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, que cantaram em coro o refrão de "Milla".
Netinho não é o único cantor que apoia Bolsonaro. Veja aqui outros músicos que já declaram pró-governo.
Zezé di Camargo
Zezé di Camargo já saiu em defesa de Bolsonaro em diversos momentos. Em maio do ano passado, o sertanejo divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando ter votado no presidente e que votaria de novo. Na mesma gravação, defendeu Bolsonaro das acusações de interferência na Polícia Federal.
— Qual pai não defenderia o filho em qualquer circunstância? — afirmou.
O vídeo pode ser visto no canal da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), aliada do presidente
O cantor goiano com mais de 40 anos de carreira almoçou, em janeiro deste ano, com o presidente e outros artistas em uma churrascaria em Brasília. Não foi a primeira vez que Amado Batista e Bolsonaro se encontraram. Em maio do ano passado, os dois fizeram um churrasco juntos em Goias.
Fotos do encontro foram divulgadas nas redes sociais de outros convidados, como o ex-senador Wilder Morais. Nas imagens, Batista aparece sentado ao lado de Bolsonaro segurando um violão; nenhum dos presentes está de máscara, mesmo com a pandemia do novo coronavírus.
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Gusttavo Lima
A relação entre Gusttavo Lima e a família Bolsonaro é bem próximo. O próprio presidente já defendeu o cantor sertanejo em suas redes sociais após Lima ser atacado por fazer uma live sem respeitar as medidas restritivas contra a Covid-19, em abril do ano passado.
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Lima também já postou fotos ao lado do filho mais novo do presidente, Renan Bolsonaro, enquanto aproveitavam uma piscina com os amigos, no passado.
Henrique e Juliano
A dupla Henrique e Juliano participou, ao lado de outros cantores sertanejos, de um encontro de artistas do gênero com Bolsonaro, no Palácio do Planalto, em janeiro do ano passado. Na ocasião, os artistas levaram uma carta de apoio ao governo federal e ao presidente.
“Os artistas do Setor Sertanejo do Brasil expressam seu apoio ao governo do presidente Jair Messias Bolsonaro e reconhecem seus notáveis feitos no ano de 2019, nos diversos setores produtivos do país”, escreveram.
Os cantores de “Liberdade Provisória” e “Briga Feia” também já usaram o slogan de Bolsonaro — “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” — para encerrar uma live.
El Salvador vira modelo 'democrático' dos Bolsonaro | Vera Magalhães - O Globo

Muito se tem falado nos últimos anos a respeito das novas formas de minar a democracia, sem a necessidade de golpes de Estado clássicos, com tanques e tropas nas ruas. Regimes e governantes eleitos pelo povo, em processos que nem necessariamente são evitados de fraude eleitoral, passam a minar as instituições imediatamente após empossados, com o objetivo claro de blindar seus governos de críticas, fiscalização e oposição e se perpetuar no poder.
O processo está em curso, sem nenhuma tentativa de disfarce, em El Salvador. Eleito em 2019 para presidir o País, o jovem publicitário Nayib Bukele, obteve em fevereiro deste ano uma importante vitória legislativa, conquistando 61 das 80 cadeiras legislativas. O triunfo teve resultado imediata: empossada, a nova Assembleia Legislativa depôs todos os juízes da Suprema Corte e o procurador-geral que eram críticos ao regime de Bukele.
E foi aí que o presidente do pequeno país americano caiu nas graças do bolsonarismo, carente de espelhos desde a queda de Donald Trump. Na ausência de um primo rico num país grande e democrático, o jeito é se espelhar em alguém mais próximo.
Bukele reúne algumas das características caras ao bolsonarismo: é jovem, com perfil autoritário (já chegou a invadir o parlamento com força policial para pressionar por uma votação), teve ascendência meteórica na política, costuma atribuir a si mesmo desígnios divinos para tomar decisões, vem de um partido de extrema-direita que chegou ao poder depois de vencer a esquerda combalida por denúncias de corrupção e usa as redes sociais com maestria.
Sem esconder a inspiração, sobretudo depois que o Supremo Tribunal Federal virou a pedra no sapato para os arreganhos autoritários de Jair Bolsonaro, seu filho Eduardo, o suposto especialista em política externa da família, passou o fim de semana numa escalada de admiração por Bukele no Twitter. Chegou a exaltar a deposição da Suprema Corte: "Tudo constitucional", escreveu, com indisfarçada inveja.
"Juízes julgam casos, se quiserem ditar políticas que saiam às ruas para se elegerem", afirmou.
Fez a postagem em cima de outra em que o presidente salvadorenho convida os "amigos da América Latina" a uma espécie de intercâmbio político, um convite para a criação de uma "Ursal da direita", para usar um dos fetiches da direita nas eleições de 2018.
Não é de hoje que Eduardo Bolsonaro, Filipe Martins, Ernesto Araújo e o próprio Bolsonaro tentam emular regimes que corroem a democracia por dentro, implodindo suas instituições. As sucessivas manifestações, inclusive no último fim de semana, tendo o STF como alvo nada mais são do que investidas para plantar na sociedade a semente da insatisfação com o funcionamento do estado democrático de direito e tentar aumentar o apoio a saídas golpistas, como intervenção militar de alguma espécie.
Há, inclusive, narrativas que falseiam o que diz a Constituição a esse respeito, para criar a fantasia de que é "tudo constitucional", como diz Eduardo Bolsonaro, cuja inteligência limitada sempre faz com que deixe patentes todas as suas intenções.
Acontece que o Brasil não é El Salvador, e a popularidade combalida de Bolsonaro, graças à sua desastrosa condução da economia, não dá a ele algo nem próximo do aval que Bukele obteve nas urnas em fevereiro para colocar em marcha seu golpe branco.
Ainda assim, repito uma cantilena muito comum a esse espaço, mas que continuarei proferindo enquanto a ameaça golpista constantemente brandida pelo bolsonarismo prosseguir: ou as instituições ficam vigilantes para reagir a tentativas de fragilizá-las, ou só perceberão a infiltração quando ela tiver comprometido a estrutura do prédio da democracia constitucional.
Análise: Kennedy Alencar - Apesar de jogo de empurra, Renan tira de Mandetta munição contra Bolsonaro
Kennedy Alencar
Colunista do UOL
04/05/2021 12h33
É fato notório que mais gente morreu e adoeceu no Brasil por culpa do presidente Jair Bolsonaro. A CPI Pandemia não precisaria tomar nenhum depoimento ou apresentar pedidos de informação ao Executivo. Bastaria pegar os posts de Bolsonaro nas redes sociais.
Mas é preciso que a CPI formalize política e penalmente a responsabilidade do presidente, pois as instituições e pessoas que já poderiam ter feito isso se omitiram e se tornaram cúmplices do genocida.
Vírus vira álibi para a fuga do general Pazuello
O formalismo jurídico é uma garantia do cidadão. Ninguém será arrastado ao calabouço sem a demonstração formal de sua culpa. Daí a importância do processo, seja o civil, seja o penal.
No debate sobre impunidade no Brasil, são sempre apontadas as chicanas para postergar ao máximo a sentença final e o seu trânsito em julgado. Guardadas as devidas proporções, essa é a estratégia que restou ao Palácio do Planalto na CPI da Pandemia, que começou seus trabalhos no Senado.
O procurador-geral da República, Augusto Aras, poderia apresentar denúncia contra o presidente da República pelos inúmeros crimes comuns cometidos por Bolsonaro ao longo da pandemia. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), por exemplo, apresentou a Aras pedido para investigar Bolsonaro com base no artigo 132 do Código Penal ("expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente").
Engavetador-geral da República no que se refere a Bolsonaro, Aras não se mexe porque está interessado em ser indicado ao Supremo Tribunal Federal.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ignora a pilha de pedidos de impeachment apesar da montanha de crimes de responsabilidade do presidente da República. Lira já disse que não vê razão para dar seguimento a um pedido de impeachment enquanto é ouvido por Bolsonaro em indicações para cargos públicos.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), sofreu o constrangimento de ter recebido um puxão de orelha do STF, que mandou, por decisão do plenário, que ele respeitasse a Constituição e instalasse a CPI da Pandemia em respeito ao direito da minoria parlamentar.
Aras, Lira e Pacheco são personagens à altura de Bolsonaro. Na CPI da Pandemia, a bancada governista não fica atrás em termos de omissão e cumplicidade.
No dia do primeiro depoimento —o do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta)— senadores governistas insistiram na apresentação de requerimentos para investigar supostos desvios de verbas federais para estados e municípios. A intenção é embaralhar as investigações e atrasá-las durante os 90 dias de duração da CPI.
É um jogo que já foi visto em CPIs anteriores. Mas o governo está em minoria na CPI da Pandemia, o que dificulta o êxito dessa estratégia. O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), tem conseguido, com firmeza e educação, escapar desse jogo de empurra.
A "fuga" do ex-ministro Eduardo Pazuello se enquadra na estratégia governista. O general Pazuello, cuja fala estava prevista para amanhã, disse ter tido contato com dois coronéis que estão com covid. Logo, melhor mesmo não comparecer presencialmente à CPI.
Ótimo que finalmente o ministro que se acovardou perante todos os absurdos sanitários de Bolsonaro tenha se convencido de que precisa proteger outras pessoas.
Apesar da estratégia protelatória do governo, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), está empenhado em formalizar a culpa por mais brasileiros terem adoecido e morrido devido a um governo que nega a ciência. No depoimento de Mandetta, Renan obteve a confirmação formal de Mandetta de que discordava de como Bolsonaro queria conduzir a resposta à pandemia. O presidente negou a ciência e deu maus exemplos, como boicote à quarentena e ao uso de máscaras. O genocida continua nessa linha, apesar de o país ter hoje mais de 400 mil mortes.
Nesta terça, Renan conseguiu tirar de Mandetta munição contra Bolsonaro, inclusive que o então ministro da Saúde alertou o presidente da iminente tragédia, apresentando, no início da pandemia, um cenário pessimista de 180 mil mortes até 31 de dezembro de 2020. Na época, havia menos de mil mortos no Brasil por covid-19. De lá para cá, o país viu o que aconteceu.
Na CPI, Mandetta falou que Bolsonaro teve um "aconselhamento paralelo" ao do Ministério da Saúde e apostou numa narrativa que contrariava as medidas de governadores para evitar aglomerações. Apesar de Mandetta ter dito que nunca discutiu com Bolsonaro, o depoimento do ex-ministro da Saúde deixou o presidente mal na foto.
Com as perguntas de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o depoimento deu uma esquentada quando Mandetta falou das dificuldades criadas com a China pelo então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente. O Brasil depende de insumos chineses para combater a pandemia. Araújo e Bolsonaro criaram crises com a China.
Ficou evidente no primeiro dia de depoimento que será de formiguinha o trabalho do relator e dos senadores interessados em passar a limpo os crimes de Bolsonaro. Na formalização de responsabilidades, Pazuello terá lugar de destaque como cúmplice de Bolsonaro, o pai da tragédia por implementar uma política pública negligentemente homicida de imunidade de rebanho. Não há jogo de empurra capaz de tapar o sol com a peneira.
Opinião: Mauricio Stycer - Por que a participante mais popular do BBB 21 é também a mais chata
Mauricio Stycer
Colunista do UOL
04/05/2021 11h09
As enquetes indicam o amplo favoritismo de Juliette para vencer o "BBB 21" e faturar o prêmio de R$ 1,5 milhão nesta terça-feira (04). Um dos mais notáveis indicadores de sua popularidade é o Instagram. Ela tinha 12,1 mil seguidores ao entrar no reality e 100 dias depois ostenta 23,6 milhões de fãs.
No podcast UOL Vê TV da última semana, procuramos entender o fenômeno Juliette. Várias são as explicações para o sucesso que alcançou. 1. Foi humilhada por Fiuk na primeira semana. 2. Foi alvo de preconceito de Karol Conká na segunda semana. 3. Junto com Gil e Sarah, formou o G3, o grupo que antagonizou os vilões da edição e foi determinante para a eliminação de Conká, Nego Di, Projota e Lumena.
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Juliette é paraibana e ostenta com orgulho suas origens. Os gerentes de suas redes sociais exploraram esse aspecto com muita habilidade durante o programa, desenhando de forma simpática os traços que a identificam como nordestina.
Na visão de Aline Ramos (veja no vídeo acima), Juliette também atraiu simpatia do público por ter sido subestimada pelos colegas de confinamento. Sofreu perseguição no início, depois foi alvo de muitos comentários pelas costas e passou a impressão de que era menosprezada.

Ao mesmo tempo, não foi muito lembrada nos paredões - foi indicada apenas duas vezes (além de ter entrado automaticamente no último). E os seus defeitos, como lembrou Aline, foram "colocados debaixo do tapete".
Após a saída de Lucas, como lembrou Chico Barney, Juliette herdou o desejo do público de acolher os prejudicados pelas maldades e fofocas dos participantes.
Na visão do colunista do UOL, não há muitas explicações racionais: "o santo bateu", diz ele, que considera a trajetória de Juliette uma "vitória do carisma pelo carisma". Concordo com ele que a maquiadora não tem a melhor história entre os participantes, mas "se comunica muito bem com o público".
Para mim, ao contrário, o santo não bateu. Considero Juliette uma das participantes mais chatas da história do "BBB". Carente, autocentrada, ela passou o programa inteiro cobrando e questionando os sentimentos dos amigos de confinamento. Colocando-se como vítima em questões comezinhas, atraiu simpatia do público.
Na última festa, sábado (01), nada aconteceu de significativo com exceção de mais uma cobrança de Juliette. Ela reclamou com Gil, com Fiuk e com Camilla, sempre querendo esclarecer algum mal-entendido (na sua cabeça) no relacionamento com os colegas. Juliette ama uma DR.
Outro recurso retórico muito eficiente usado por Juliette é salientar verbalmente o exato oposto do que está fazendo. Por exemplo, quando passou um dia inteiro atormentando Pocah por ter desistido da prova que fizeram em dupla, ela repetiu inúmeras vezes: "Não estou culpando ela".
Ao longo destes 100 dias, em inúmeras das discussões vi Juliette recorrer a um mesmo artifício - acusar o debatedor de estar gritando com ela, quando na verdade ambos estavam falando no mesmo tom. Nas infinitas "discussões de relação" com todo mundo, Juliette provocou exaustão - e mostrou ser impossível vencê-la no diálogo. É campeã também em matéria de argumentação em DR.
Juliette, enfim, representa muita gente neste "BBB". Vai ganhar o programa com larga margem de votos. Respeito muito isso.
Opinião: Descomplique - R$ 1,5 milhão: com o prêmio do BBB, dá para ser rico para sempre?

Júlia Mendonça
04/05/2021 04h00
O BBB 21 está na sua reta final. O reality show termina hoje, dia 4 de maio, e a pergunta que fica é: quem será o novo milionário do país? Independentemente de para quem vai a sua torcida, o papo aqui é grana, e é sobre isso que vamos falar.
O prêmio do BBB é de R$ 1,5 milhão, e a pergunta que eu faço não é em quem você vai votar, mas por quanto tempo esse novo milionário conseguirá sobreviver com essa grana, o que pode ser feito para gerar ainda mais dinheiro para o vencedor e, se você quer se candidatar ao programa, o que esperar de todo esse dinheiro.
Quanto tempo rende?
Sabemos que os vencedores do programa mudam totalmente de vida. Sendo anônimos ou já famosos, saem com muito mais holofotes e atenções direcionadas a eles. A vida com certeza irá mudar e, claro, ficará mais cara também. Considerando que quem vencer vai morar em São Paulo, terá uma vida bem agitada. Fazendo uma base de cálculo, o gasto médio dessa pessoa será de R$ 15 mil por mês.
Em um ano, o grande vencedor irá gastar pelo menos R$ 180 mil do seu prêmio. Considerando R$ 1,5 milhão, em 100 meses, ou seja, menos de 8 anos e meio, todo o valor teria evaporado. Isso se a pessoa apenas gastasse e não investisse esse dinheiro. Não me parece ser uma opção muito boa essa, pois os finalistas têm por volta de 30 anos, e antes dos 40 já não teriam mais nenhum centavo desse prêmio em mãos.
Como render mais?
Cada um dos finalistas tem suas necessidades e prioridades. Não vou ser ingênua de acreditar que todos eles, assim que saírem da casa, investirão 100% do valor que vão ganhar. Então vou ser boazinha e considerar que R$ 500 mil serão gastos com dívidas, compras, viagens e presentes, entre outras necessidades.
Agora vamos fazer umas contas de quanto vai render R$ 1 milhão que sobrou. Considerando três tipos de carteira de investimentos distintos (uma conservadora, uma moderada e uma agressiva), e também considerando uma boa diversificação de carteira entre renda fixa e renda variável, vamos ver o quanto esse milionário vai conseguir por mês.
Investindo o dinheiro
Não existe uma regra para números e porcentagens, então vou considerar o seguinte:
- carteira conservadora com 80% em renda fixa (por exemplo Tesouro Direto, CDB, LCI) e 20% em renda variável (como ações, fundos imobiliários e ETFs)
- carteira moderada com 60% em renda fixa e 40% em renda variável
- carteira agressiva com 30% em renda fixa e 70% em renda variável
A carteira conservadora irá render 0,4% ao mês, o que vai dar ao vencedor o valor de R$ 4.000 mensais, sem comer o valor principal (mas é preciso lembrar que a inflação vai fazendo o principal perder valor também). Ainda está abaixo do que consideramos que o vencedor irá gastar no seu dia a dia.
Para uma carteira moderada, vou considerar que irá render todos os meses 0,7%, o que vai dar R$ 7.000 de salário por mês.
Para uma carteira agressiva, vou considerar que ela irá render 1% ao mês, e os ganhos serão de R$ 10 mil mensais. Todos esses números mostram alguns pontos importantes.
Ter R$ 1 milhão não significa que você é rico
O primeiro ponto: é extremamente importante investir o seu dinheiro, pois caso contrário você irá dilapidar seu patrimônio de maneira muito rápida e nem vai saber como fez isso.
A segunda coisa é que dificilmente você conseguirá juros favoráveis e ganhos de investimentos maiores do que os gastos e juros que paga em contas e dívidas. Então invista sempre.
Outra coisa: é muito mais fácil acabar com o dinheiro do que mantê-lo. Então se você é uma pessoa que está sonhando entrar em um reality show almejando vencer o prêmio maior, pois nunca mais na vida quer trabalhar, infelizmente essa ideia está bastante equivocada. Ser milionário por poucos meses não é o objetivo.
Minha dica para você que deseja participar da loucura que é um reality show para ganhar dinheiro, entre já com um plano bem claro do que fazer com a grana.
Saiba quais são suas dívidas, crie planos e desenhe uma estratégia coerente para gastar sem esbanjar. Lembre-se de que o dinheiro não é infinito e, dessa forma, se você ficar usando o valor principal, logo não será mais milionário. E mesmo que não gaste muito, o dinheiro perde valor por causa da inflação, se não for bem aplicado.
Conheça seu perfil de investidor
Se você optar pela carteira agressiva, poderá retirar todos os meses R$ 10 mil sem comprometer o seu principal, porém, também não fará seu dinheiro crescer.
Dessa forma, o melhor que você pode fazer é colocar um teto dos investimentos para gastar e pensar em outras formas para ganhar mais dinheiro. Por exemplo gastar R$ 15 mil por mês, sendo que pegará R$ 7.000 dos investimentos, e os outros R$ 8.000 serão fruto do seu trabalho mensal.
Se você está pleiteando uma vaga em um programa de televisão, lembre sempre de ter calma e não fazer planos gigantescos sem antes ter o dinheiro em mãos de verdade e fazer um plano de como se manter.
Opinião: Cris Guterres - Série sobre Karol Conká e "Them" mostram sofrimento negro como espetáculo


Cristiane Guterres
Colunista de Universa
04/05/2021 00h00
Assisti numa tacada só à primeira temporada de "Them", série da Amazom Prime lançada no mês passado. Maratonei em cinco horas seguidas. Olhos vidrados na tela. Saídas entre um episódio e outro só para ir ao banheiro e reabastecer o pote de pipoca.
Confesso que amei. Achei brilhantes as conexões históricas presentes na série de maneira subliminar. "Them" entrelaça experiências da vida real com a narrativa dos personagens. Explora de maneira profunda traumas raciais históricos. E demonstra como a brutalidade pode se esconder por debaixo de vestidos floridos e sorrisos amorosos.
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Piada de Rodolffo é o Brasil dando aquela espiada no reality do racismo
'Them' seria, para mim, uma série perfeita, não fosse por uma questão importante: a espetacularização do sofrimento humano, mais especificamente do sofrimento de pessoas negras
Depois que assisti "Them" e conversei com outras pessoas, percebi que estava tão acostumada a ver pessoas negras sofrendo e morrendo nas telas que a violência presente na antologia foi naturalizada por meus olhos.
A série escrita por Little Martin e produzida por Lena Waithe se passa em 1953 e conta a história dos Emory, família negra que migra para a Califórnia em busca de prospecção econômica e em fuga dos violentos ataques da Ku Klux Klan no sul dos Estados Unidos. No decorrer da trama, os Emory são violentamente assombrados por forças malignas e pelos novos vizinhos brancos que são capazes das piores atrocidades para não conviverem com uma família negra na vizinhança.
Tanto os filmes e as séries quanto os programas jornalísticos que reproduzem as histórias cotidianas de maneira manipulada contribuem por nos fazer acreditar que os negros merecem morrer e estão sempre fadados a um sofrimento de intensidade desumana

Outra produção lançada recente que também transforma sofrimento em espetáculo é "A Vida Depois do Tombo". O documentário parece uma tentativa de humanizar a rapper Karol Conká após a sua saída do BBB 21 com uma rejeição de 99,17%, a maior de todas as edições do programa pelo mundo, mas acaba expondo a cantora a um pedido de desculpas infinito.
Quantas vezes Karol terá que pedir desculpas? No programa do Faustão, na Ana Maria Braga, no "Saia Justa", no documentário. Onde mais vão colocar uma imagem de Karol Conká aos prantos pedindo perdão?
Ver mulheres negras chorando na televisão virou algo corriqueiro, esperado e naturalizado. A lágrima, clara e salgada destas mulheres pesa uma tonelada, mas aos olhos de quem assiste acaba se tornando só mais uma gota que pinga de uma infiltração sem controle. A gente coloca um balde debaixo da goteira e vai viver
Na produção, Karol é confrontada com as imagens dos abusos que cometeu dentro da casa. Rodeada por telões imensos, uma cadeira vazia ao seu lado marca a ausência de Carla Diaz e Bil Araújo, participantes com quem teve atritos no BBB e que se recusaram a participar das gravações. Lucas Koka Penteado alegou não estar preparado emocionalmente para se encontrar com a rapper e gravou um vídeo que foi acrescentado ao documentário.
Na verdade, nem a própria Karol estava preparada emocionalmente para essa gravação. Ela saiu de um "Big Brother" diretamente para outro e tentar construir uma imagem de arrependimento em tão pouco tempo pode soar falso e entregar munição para os haters.
Sabemos que a evolução pessoal necessita tempo. Estamos falando de um processo que precisa ser vivido pela cantora por um período longo e com muito acompanhamento psicológico. Ela se tornou a mulher mais odiada do país em poucos dias. Sua performance no BBB foi desastrosa e a tentativa de humanização no documentário pode estender este desastre por expor situações conflituosas de Karol no universo musical. Tentar justificar a falta de empatia e controle emocional de Conká pode ser ainda mais prejudicial para a própria cantora.
O documentário foi mais uma bela sacada comercial da Globo que é a grande ganhadora de toda essa espetacularização. Produzido em tempo recorde, "A Vida Depois do Tombo" já se tornou, em poucos dias, o programa mais assistido da plataforma de streaming da Globo. A rejeição em massa de Conká pode ter arruinado sua carreira, mas certamente encheu os cofres da Globo.
No fim, chegamos a um dado econômico do qual deveríamos nos envergonhar. Tanto em "Them" quanto e "A Vida Depois do Tombo", temos pessoas brancas ficando milionárias com o sofrimento de pessoas negras. Nada mudou em cinco séculos, lágrimas de pessoas negras continuam sendo comercializadas nesta sociedade onde o dinheiro escolhe a cor que tem valor.
Mãe de Paula Toller é encontrada morta em casa aos 85 anos no RJ

Laureana C. de Carvalho, mãe da cantora Paula Toller, morreu aos 85 anos no Rio de Janeiro. O Corpo de Bombeiros do estado confirmou ao UOL que ela foi encontrada morta no apartamento onde morava, na Taquara, na Zona Oeste.
Os bombeiros foram acionados para fazer o arrombamento da residência na rua Visconde de Asseca. O caso, que conta com investigação em andamento, foi registrado na 32ª Delegacia de Polícia da Taquara.
O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) para que a causa da morte seja identificada.
A morte de Laureana foi comunicada por vizinhos. Paula foi criada pelo pai e pelos avós paternos, não tendo contato com a mãe biológica desde a infância.
Não entendeu a fusão entre Americanas e B2W? Saiba o que está por trás do arranjo - 6 Minutos

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Não entendeu a fusão entre a Americanas e a B2W (dona da Americanas.com, Submarino e Shoptime)? Especialistas em varejo dizem que a operação cria uma empresa mais preparada e ágil para a disputa de gigantes travada dentro do e-commerce brasileiro.
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Diferentemente do Magazine Luiza, que desde o início optou pela integração das lojas físicas com o online, outras redes preferiram separar a operação física da digital, caso da Americanas.
“Havia uma tese, que prevaleceu por muito tempo, de que o e-commerce era tão disruptivo que se as empresas tentassem mantê-lo dentro da mesma estrutura organizacional haveria conflito de interesses e isso iria retardar sua evolução. Por isso, muitas empresas partiram para a criação de outra empresa, não foi só a Americanas com a Americanas.com”, afirma Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral da Gouvêa Ecossystem.
Por que as empresas preferiam separar as operações? Porque fazia sentido naquela época. “É importante lembrar que no início, as empresas .com não davam lucro. Então separar o negócio era uma forma de não contaminar a lucrativa operação física da deficitária operação digital”, afirma Eduardo Yamashita, COO da Gouvêa Ecossystem. “Todo mundo acreditava que era mais interessante ter operações separadas, porque era um mercado tão novo, com expertise tão diferente, uma cultura tão específica, que até o perfil de funcionários era diferente.”
Por que essa visão de negócio mudou? Primeiro, porque o Magazine Luiza mostrou aos concorrentes que era mais lucrativo unir os dois negócios do que mantê-los separados. “As varejistas perceberam então que a melhor estratégia era juntar as fortalezas dos dois modelos: pegar todo o dinamismo, amplitude de sortimento e economia de escala do digital e juntar com os pontos físicos, que permitem uma redução de custo logístico e conexão com o consumidor”, diz Yamashita.
E segundo, porque o e-commerce explodiu na pandemia e as redes que integraram primeiro o negócio físico com o digital ficaram em vantagem. O avanço da omnicanalidade (integração entre físico e digital) mostrou que não fazia sentido manter operações distintas.
“Aconteceu que elas perceberam que a falta de integração dividia atenção, dividia investimento e dividia clientes. O consumidor não quer saber se vai comprar na internet e retirar na loja, ele quer se relacionar com uma única marca”, afirma Gouvêa. “Daí vem o conceito do omni, que é atender o cliente onde, quando e como ele quiser.”
A estrutura separada atrapalhava? Passou a atrapalhar. “Enquanto outros concorrentes já estavam integrando operações para ter mais racionalização, redução de custos e eficiência, eles [Americanas e B2W] ainda fragmentavam a compra de produtos, relacionamento com consumidor, logística, crédito. O início de integração começou pelo AME, o programa de fidelidade”, diz Gouvêa.
O que elas ganham? Sinergia é só o começo. “A reorganização acionária é fundamental para destravar os grandes obstáculos que a B2W tinha para criar um ecossistema de negócios. A separação societária impunha um nível de governança nos dois negócios que impedia a exploração de muitas sinergias”, afirma Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail.
Com a reorganização, várias atividades poderão ser unificadas. “Eles ganham poder para integrar base de clientes, base de produtos, processos operacionais, sistemas. Poderão olhar para todos os ativos de maneira unificada, explorar toda base de lojas para potencializar a logística e o fulfillment (armazenamento de produtos do marketplace). Poderão integrar todos os canais de venda”, diz Serrentino.
Uma operação que melhora a capacidade de entrega e armazenagem de produtos é essencial para quem quer vencer a guerra do e-commerce. Afinal, o que pesa na decisão de compra do consumidor é o preço, prazo de entrega e custo do frete.
“Com essa reorganização acionária, a nova companhia tende a ser mais eficiente, mais produtiva. No final, o consumidor também se beneficia de uma estrutura logística melhor”, afirma Gouvêa.
O governo que odeia indígenas
Funai assumiu linha de frente do ataque aos índios, na contramão de sua obrigação
As intimações para que duas lideranças indígenas, Sônia Guajajara e Almir Suruí, prestem depoimento à Polícia Federal são o mais recente capítulo de um cerco permanente contra os indígenas desde que Bolsonaro chegou ao poder. Já na campanha ele deixara claro que iria persegui-los naquilo que lhes é mais essencial: seu direito à terra, matriz de sua existência e cultura. Tem cumprido a promessa à risca.
O inquérito da PF foi aberto a partir de uma queixa-crime apresentada pela Funai, que assumiu a linha de frente do ataque, na contramão de sua obrigação, qual seja, proteger os índios. A acusação é a de que as lideranças estariam promovendo “fake news” ao criticar o governo pelo péssimo atendimento às aldeias na pandemia.
A Funai mostrou-se particularmente irritada com a série “Agora é a vez do maracá”. O documentário foi produzido pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), da qual Sônia Guajajara é coordenadora-executiva. Exibida na internet, a série traça um roteiro de agressões aos povos nativos, num cenário bastante agravado pela Covid-19. Alguns dos mortos eram os últimos guardiões de tradições, língua e memórias de grupos já bastante reduzidos numericamente.
A pandemia também matou guerreiros que lideraram seus povos nas últimas décadas de confronto com o avanço de desmatadores sobre a floresta. Nesse contexto, as mortes podem se enquadrar nos crimes de genocídio e etnocídio. Até o momento, a Covid matou 1.060 indígenas, de 163 nações.
Além das denúncias, há um outro aspecto muito importante no documentário. Ele é a confirmação de que uma nova geração de indígenas é responsável por uma vibrante produção audiovisual, usando com naturalidade o arsenal tecnológico da sociedade “branca”. Nem por isso eles deixam de ser quem são. Ao contrário, é assim que “a tribo do iPhone” reafirma sua identidade e toma nas mãos o poder de contar sua própria história.
Pedro Hallal: Nossa bandeira está vermelha: de sangue
Alguns leitores desta coluna, seus familiares e amigos morrerão por causa da manifestação ocorrida na avenida Paulista no dia 1 de maio de 2021
Mais de 400 mil brasileiros já morreram de Covid-19, dos quais 300 mil poderiam estar vivos, não fosse a vexatória postura anticiência do governo brasileiro. Na semana que passou, perdi dois amigos, que não se conheciam, mas coincidentemente compartilhavam o apelido de “Bola”. Distantes pelos 4.300 km que separam Pelotas (RS) de Natal (RN), eles deixam familiares e amigos em luto. É em homenagem a eles que escrevo a coluna de hoje, com lágrimas nos olhos, de tristeza e de indignação.
Na sexta-feira, dia 30 de abril, um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas e da Universidade de Harvard trouxe dados animadores. As mortes nos idosos com 80 anos ou mais reduziu consideravelmente no Brasil, como consequência da vacinação. Como a ciência vinha dizendo faz tempo, a vacinação funciona, no mundo todo e, também no Brasil. Os dados da pesquisa mostram que mais de 14 mil vidas, só de idosos de 80 anos ou mais, já foram salvas pela vacinação.
Os resultados dessa pesquisa são daqueles que nos enchem de esperança. Começamos finalmente a enxergar a luz no fim do túnel.
E então chega o Dia do Trabalhador, 1º de maio de 2021. Vinte e sete anos após a morte de um de nossos maiores ídolos, o saudoso Ayrton Senna, o 1º de maio volta a nos entristecer. Milhares de pessoas fizeram uma manifestação na avenida Paulista, defendendo esquisitices como a volta do voto em papel, intervenção militar e fechamento do Supremo Tribunal Federal.
Por mais absurdas que sejam as próprias pautas defendidas por essa gente, nada se compara ao crime de causar uma aglomeração dessa magnitude em meio a uma pandemia. Alguns leitores desta coluna, seus familiares e amigos, morrerão por causa da manifestação ocorrida na avenida Paulista no dia 1º de maio de 2021.
Mesmo para um epidemiologista, leigo em direito, é evidente que não presenciamos crimes culposos (sem intenção), e sim crimes dolosos (com intenção). As pessoas que envergonharam as cores da nossa bandeira na avenida Paulista sabem que estamos em pandemia, sabem da necessidade do distanciamento, sabem da importância das máscaras, e agiram assim mesmo. Apertaram o botão do F..., não arriscando apenas suas próprias vidas, mas fazendo roleta russa com a vida de milhares de brasileiros.
Movidas pelo ódio, cada vez mais isoladas e incapazes de assumir o erro delas próprias, essas pessoas foram às ruas, usando seus corpos como armas, e protagonizaram um dos momentos mais ridículos da história desse país. As selfies compartilhadas com orgulho, por políticos e lunáticos, serão vistas e criticadas no mundo todo e provavelmente acabarão no Tribunal de Haia.
Falaram tanto que a nossa bandeira jamais seria vermelha, que agora conseguiram até isso –a bandeira brasileira está vermelha: DE SANGUE. Sangue das vítimas dessa gente que, voluntariamente, decidiu ir à avenida Paulista, no Dia do Trabalhador, promover a disseminação do vírus.
Em vários grupos de WhatsApp e nas redes sociais, é possível acessar a identidade e até o telefone dos organizadores do crime. As autoridades policiais, o Legislativo e o Judiciário precisam punir, exemplarmente, os envolvidos nesse assassinato em massa, ocorrido no dia 1º de maio de 2021 na avenida Paulista.




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