Bolsonazóidismo
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BOLSONARISMO: ideologia, psicologia, política
O fenômeno Bolsonaro e a nossa doença cognitivo-civilizatória
Sociedade se divide entre aplausos e repulsa ao banho de sangue
Uma esquerda insensível - Victor Assis
Rio-Colômbia: a esquerda que apenas lamenta e a esquerda que luta
General Luiz Eduardo Ramos exemplifica a verdadeira face obscurantista e elitista dos generais sem guerra
Wajngarten ofende a inteligência alheia em depoimento feito para blindar Bolsonaro
Bolsonarismo: ideologia, psicologia, política - Ricardo Musse
Por Ricardo Musse
Rubens Pinto Lyra ocupa uma posição ímpar no marxismo brasileiro. Por conta de determinadas características de sua produção intelectual, de sua inserção institucional e até mesmo de um recorte geracional pode ser considerado como um dos expoentes do marxismo acadêmico, tardiamente implantado no Brasil.
O marxismo acadêmico brasileiro só surge propriamente na década de 1960, tendo por marcos inaugurais a tese de livre-docência de José Arthur Giannotti “Alienação do trabalho objetivo” (1960) – publicada em livro, em 1966, com o título Origens da dialética do trabalho – e os artigos da mesma época de Ruy Fausto, reunidos apenas em 1983 no volume Marx: lógica e política. O marxismo filosófico uspiano se consolida na sequência com as teses de José Chasin e Emir Sader, alunos de Giannotti e Ruy Fausto.
Em comum, o esforço de promover uma reconstituição do pensamento de Karl Marx a partir de uma leitura “rigorosa” de suas obras, projeto semelhante e coetâneo ao empreendimento capitaneado, na França, por Louis Althusser que resultou na edição de Lire Le Capital (Maspero, 1965). A ideia pressuposta era que a divulgação e a própria ação política marxista – postas em parêntese – fossem antecedidas pela elucidação dos fundamentos metodológicos e lógicos do materialismo histórico, etapa considerada imprescindível para evitar o dogmatismo das versões impostas pelos partidos comunistas e os equívocos históricos dos regimes socialistas então existentes.
O marxismo uspiano, embora frequentemente apresentado como uma aclimatação local do marxismo ocidental contém muitos poucos elementos característicos dessa linhagem, afora a mencionada tentativa comum de estabelecer os fundamentos filosóficos da obra de Marx. Nele, não encontramos a preocupação com a questão da “cultura”, central para os autores dessa corrente. Tampouco os esforços, considerados imprescindíveis, em compreender o presente histórico e promover a crítica da ideologia específica de cada forma e regime de acumulação, isto é, de cada fase do capitalismo.
A associação de autores brasileiros com o assim chamado “marxismo ocidental” torna-se mais pertinente, no entanto, quando referida àqueles que concederam primazia à cultura, na maioria das vezes por conta de deglutições do pensamento do jovem Lukács e/ou de Antonio Gramsci. É o caso do grupo reunido, no Rio de Janeiro, em torno da revista Civilização Brasileira, no qual se destacam Leandro Konder, Carlos Nelson Coutinho e José Paulo Netto; do trio Bento Prado Jr., Roberto Schwarz e Paulo Arantes trafegando no circuito Paris-Maria Antônia; e no exílio francês, de Rubens Pinto Lyra.
O percurso intelectual de Rubens Pinto Lyra pode ser descrito como uma série de movimentos, aparentemente dispersos, mas na verdade estreitamente entrecruzados, que o aproxima cada vez mais das coordenadas formais e do repertório conceitual característico do marxismo ocidental. Na década de 1970, como resultado de sua formação escolar na França, Lyra publica dois livros sobre a história do movimento comunista e socialista. De volta ao Brasil, já como professor da Universidade Federal da Paraíba escreveu ininterruptamente, nos últimos quarenta anos, sobre questões de conjuntura e de ciência política; de teoria e filosofia do direito; de comunicação e jornalismo, de história e sociologia; de economia e psicologia; de educação e de religião.
Essa exuberância, a espantosa multiplicidade de áreas do conhecimento visitadas com a competência e o rigor do especialista, configura um perfil intelectual que transcende a divisão universitária do saber. Trata-se de uma demanda inerente ao marxismo, potencializada pelos marxistas ocidentais, em sua busca do conhecimento da “totalidade”. A exigência de uma compreensão não compartimentada decorre da própria organização, sistêmica, do modo de produção capitalista, que não se deixa apreender sem a tessitura de uma extensa rede conceitual. Como bem resumiu Jürgen Habermas, o “materialismo histórico” é também e sobretudo um “materialismo interdisciplinar”.
Neste livro, significativamente intitulado Ideologia, psicologia e política explicam o bolsonarismo, essas linhas de força convergem cristalizando numa peça unitária e múltipla resultados de décadas de investigação que surgem para o leitor, no entanto, com o encanto e o frescor de uma aparição súbita.
A renovação do marxismo, ensaiada por Rubens Pinto Lyra, faz-se perceptível em recorrentes instâncias de autorreflexão, momentos em que o texto se debruça sobre si, meditando e expondo seus pressupostos teóricos. Não se trata, porém, da procura pelos fundamentos originários da obra de Marx como se fez na alçada do marxismo acadêmico uspiano. Trata-se, antes – nas pegadas de Marxismo e filosofia, de Karl Korsch e de História e consciência de classe, de Georg Lukács – de proceder a uma reconstituição histórica, na chave de um balanço comparativo, dos acertos e equívocos teóricos e práticos de concepções, interpretações, partidos, correntes e movimentos autodeclarados marxistas.
Esse procedimento pode ser encontrado em grande parte dos comentários dedicados a assuntos específicos que compõem os cinco blocos do livro. Desdobra-se de forma explícita e com maior desenvoltura, no entanto, no longo artigo que aborda a crítica de Karl Kautsky a Lênin e ao bolchevismo. Salienta-se lá a singularidade do marxismo de Lyra que, além de demonstrar a atualidade e advogar em favor de um autor esquecido e “renegado”, não teme abraçar, sem rodeios, a defesa da opção pelas “reformas”.
Em sintonia com os preceitos do “marxismo ocidental”, o objetivo central do livro, salientado inúmeras vezes pelo autor, é compreender o presente histórico. O fenômeno aí destacado – simultaneamente ponto de partida e de chegada da investigação – é o “bolsonarismo”. Este é apreendido não como uma onda momentânea, conjuntural, mas como o resultado de processos de longa duração enraizados na sociedade. A ascensão de Jair M. Bolsonaro à Presidência da República não é encarada como um acidente, uma excrescência ou uma exceção; é explicada como expressão de uma tendência recorrente de regressão autoritária, inerente ao processo de acumulação do capital.
Rubens Pinto Lyra, como bom marxista, não prescinde das determinações econômicas na interpretação da ressurgência mundial de movimentos neofascistas. Detalha cuidadosamente a hegemonia neoliberal, o poder das grandes corporações e a predominância do capital financeirizado no âmbito do capitalismo mundializado. Insurge-se, porém, contra o economicismo, recorrendo à distinção destacada por Marx e Engels em A ideologia alemã: o “modo de produção” desdobra-se em um “modo de vida”. Marx anos depois retomou esse ponto em Para a crítica da economia política, com outra terminologia, ressaltando que o condicionamento econômico, a base, se manifesta sob o manto da ideologia – de forma abstrata, mas nem por isso menos efetiva – nos amplos domínios da superestrutura: na política, no direito, na filosofia, na religião, etc.
Não é, portanto, por acaso que o autor inseriu logo no início do livro um conjunto de quatro artigos que abordam a questão da “ideologia”. Nesse grupo destaca-se “Ideologia: conceito e aspectos essenciais”, no qual Lyra reconstitui – de forma didática – a discussão sobre esse termo e apresenta uma interpretação própria e original do conceito. Elucida as conexões do termo “ideologia” com as noções gramscianas de “senso-comum” e de “hegemonia” e ressalta o teor político dessa categoria, expressão em última instância da luta de classes.
O livro desenvolve-se a partir daí como uma incisiva crítica da ideologia contemporânea em suas diferentes formulações e esferas de abrangência. Não escapa ao seu crivo o liberalismo, o neoliberalismo e o neoconservadorismo, presentes em campos tão diversos como a política, o direito, o Estado, a comunicação, a educação e a religião.
A explicação do bolsonarismo exige, porém, um passo além: a investigação dos efeitos da ideologia na subjetividade, no âmago da formação psicológica dos indivíduos. Uma parcela do voto e principalmente a adesão aos movimentos neofascistas destoam do padrão “decisão racional motivada por interesses materiais”. A perda da autonomia individual, a fixação num ideário regressivo e conservador, decorre de fatores psicossociais, da presença, ressaltada pela psicanálise, de forças irracionais e inconscientes na determinação do comportamento humano. Nessa direção, Lyra mobiliza de forma criativa o arsenal conceitual desenvolvido por Erich Fromm.
Por fim, uma análise erudita e refinada do pensamento de Maquiavel deixa ainda mais claro porque “a política explica o bolsonarismo”, ao mesmo tempo em que esboça as premissas de uma prática emancipatória, de uma autêntica ação transformadora.
*Ricardo Musse é professor do Departamento de Sociologia da USP. Autor, entre outros livros de Émile Durkheim: Fato social e divisão do trabalho (Ática).
Referência
Rubens Pinto Lyra. Apresentação do livro Bolsonarismo: ideologia, psicologia, política. João Pessoa, Editora do CCTA/UFPB, 2021, 314 págs.
Sociedade se divide entre aplausos e repulsa ao banho de sangue - Ronaldo dos Santos
Por Ronaldo dos Santos
Por Ronaldo dos Santos
E as opiniões seguem divididas na sociedade.
Claro que repudio a chacina do Jacarezinho. Eu repudio qualquer chacina, pois entendo que ninguém tem o direito de decidir quem vive ou quem morre. E não estou sozinho. Muita gente compreende que o Estado promover uma chacina através hegemonia da força que tem é inadmissível. Mas, para além disso, tem várias coisas aí que precisam ser desmistificadas:
– Não é verdade que bandido bom é bandido morto. Bom é não ter bandidos; bom é bandido ressocializado; bom é sociedade com educação e trabalho, onde o sistema de justiça e o sistema de polícia dão conta das suas demandas, todas as vezes que se fizer necessário.
– Não é verdade que os meninos negros e favelados são os donos do “negócio”. O tráfico de armas e de drogas, como qualquer tráfico, é um negócio altamente rentável. É um negócio internacional onde muitos, mas muitos poderosos lucram com isso. São empresários renomados, são políticos do alto escalão, são pessoas ligadas ao judiciário, representantes diretos da burguesia, moradores da Zona Sul e da Barra da Tijuca. Todos de pele branca e são os chamados “cidadãos de bem” (sempre eles). A chance desses darem um disparo é quase zero, e a chance de receberem uma rajada não é quase não, é zero mesmo.
– E os policiais... Ah os policiais! Eles não são filhos da elite. Em sua maioria são negros, filhos da periferia, trabalhadores de baixa valorização dentro do sistema, e estão a serviço de uma engrenagem feita pra dar errado. Logo se corrompem, abastecem e armam a boca, e oferecem-na cobertura em troca de “arrego”. Não, não estou generalizando. Eu nunca generalizo, como faz a direita perversa, mas sei que grande parte deles mata por ódio, e em algum momento passa a ser por prazer, pelo poder. Assim surge um miliciano. Mas eles também morrem... E o que faz o pessoal dos Direitos Humanos quando eles morrem? Reage do mesmo jeito, pelo simples fato dos policiais também serem humanos, portanto não estão fora desse lugar no mundo.
Enfim, a chamada guerra às drogas nada mais é do que a bala trocada entre pretos e pobres, enquanto a burguesia branca enriquece ainda mais, e ostenta com o sangue do nosso pessoal. Num dia a chacina, a dor, a revolta. No outro a normalidade. Quem vende, vende. Quem compra, compra. Quem abastece, abastece. Quem dá cobertura, dá cobertura. Quem pega arrego, pega arrego. Quem recolhe os lucros, recolhe os lucros. E pra quem ainda não morreu, a vida segue.
Do outro lado o linchamento. Estamos divididos mesmo enquanto sociedade.
Vi figurinha de WhatsApp com cadáver, vítimas da chacina. Vi meme com um trompete na boca de um cadáver tocando uma musiquinha qualquer. Insensíveis. Estamos nos tornando insensíveis. Hoje a mortandade se ignora, se comemora, se clama e se desdenha.
Parte desses não aguenta mais ser refém dentro de sua própria casa, não suporta mais o domínio territorial dos meninos armados comerciantes de ilícitos, que impõem regras através do medo. Esse acredita que terá o seu território de volta, em paz, com a presença efetiva do Estado. Só que não. Ele está tomado pelo medo e o instinto animal diz que quando se está acuado se contra-ataca. Não havendo força o suficiente pra isso, comemora-se quando o Estado, através da polícia, vai lá e faz.
Outros são consumidores, sonegadores, enganadores, ladrões de toda espécie que da forma mais hipócrita e deslavada acredita e prega que bandido bom é bandido morto.
Enfim, temos que furar a bolha minimamente para perceber que a defesa da chacina está aí e precisamos fazer essa discussão de forma lúcida e pedagógica, pra minimamente tentarmos sobreviver. O que já é muito desafiador numa sociedade doente e enlouquecida, como a que temos hoje. Precisamos curar, reconstruir, juntar, mas juntar do lado que prega o amor, que prega a solidariedade, que prega a humanidade e a dignidade. Para que nossos netos encontrem um lugar viável, pois se falharmos dessa vez podemos ser a geração que vai entregar às gerações futuras o inviável.
A sociedade está dividida, mas nós temos que juntá-la pelo direito à vida!
Uma esquerda insensível - Victor Assis
Por Victor Assis

Depois de ver mais de 420 mil corpos enterrados sob solo brasileiro, a esquerda pequeno-burguesa, aquela mesma que inventou o “erundinamóvel” para fazer campanha eleitoral durante a pandemia, e até anunciou que havia se infectado na desesperada corrida por votos, ainda se encontra escondida de baixo da cama. Vez ou outra, quando acha que está a sós, ela ainda se levanta, e, de pijama, aparece em uma live com algum bandido como Fernando Henrique Cardoso ou João Doria.
O “fique em casa”, que já está indo para o seu segundo aniversário, já ultrapassou todas as fases de uma discussão honesta. O argumento de que é preciso ficar trancado em casa para evitar a transmissão do vírus caiu por terra a partir do momento em que os “cientistas” se calaram diante da reabertura da economia. No fim das contas, o “fique em casa”, em vigor há mais de um ano, só serviu para duas coisas: reprimir os pequenos comerciantes, que já eram desempregados ignorados pelas estatísticas do IBGE, e aterrorizar aqueles que querem protestar contra o regime político; porque milhões de trabalhadores (ainda empregados ou subempregados) continuam saindo todos os dias de casa para tentar garantir o sustento de suas famílias.
É uma campanha, portanto, abertamente reacionária, dirigida unicamente contra os setores explorados. E que, ainda por cima, serve de propaganda para as autoridades que não moveram uma palha para enfrentar a crise sanitária. Para impedir que as 420 mil mortes deem lugar a muitos outras centenas de milhares de mortos, bastaria, portanto, que a esquerda não se manifestasse e que os comerciantes se trancafiassem em suas dispensas vazias! Ao Estado, caberia apenas guardar o dinheiro dos capitalistas…
Para entender esse comportamento criminoso da esquerda de ficar em casa enquanto o mundo vem abaixo, pode-se recorrer a todo tipo de explicação. É inegável, por exemplo, a influência da política de colaboração de classes, que arrastou todo um setor da esquerda nacional para a defesa dos governadores e da direita nacional em troca da ilusão de uma vitória das “luzes” contra as “trevas”. Tem de tudo: ignorância, cretinismo, oportunismo, ingenuidade. Tudo aquilo, em resumo, que está em oposição àquilo que brota do movimento operário: um programa classista e independente e a luta intransigente por esse programa.
Chamo a atenção, neste artigo, para um dos vários aspectos da loucura da esquerda pequeno-burguesa histérica: a sua mais absoluta insensibilidade. E há razões para isso: como a pequena burguesia não é uma classe social bem definida, seus elementos não possuem interesses coletivos bem definidos. O egoísmo é, portanto, o sentimento predominante desse setor. Em uma situação de crise, a pequena burguesia entra em uma espiral de desespero e se torna ainda mais insensível. Foi o que aconteceu na Alemanha nazista e é o que acontece hoje no Brasil: na histeria, a classe média apoiou o massacre daqueles que eram apontados como os culpados pela situação econômica e hoje apoia que centenas de milhares morram para que possa, em tese, fazer seu isolamento social.
Mas se a pequena burguesia é insensível, ela é, também, incrivelmente hipócrita. Pois, para viver em um mundo cheio de contradições em que você é cúmplice das mazelas, nada melhor do que a hipocrisia para que aquilo que é podre pareça minimamente cheiroso. Assim, mesmo a pequena burguesia ignorando completamente a morte de quase meio milhão de pessoas, ela procura, vez ou outra, uma forma de mascarar sua insensibilidade.
Na última semana, vimos um desses grotescos espetáculos hipócritas. A Rede Globo, uma das principais responsáveis pelo genocídio durante a crise sanitária, resolveu, por motivos puramente comerciais, organizar uma campanha em torno do comediante Paulo Gustavo, severamente infectado pelo coronavírus. O comediante acabou falecendo e recebeu homenagens do mundo inteiro, bem como elogios de que seria uma das maiores figuras de sua geração, um marco para a cultura nacional etc. Obviamente, não se tratava de nada disso: a Globo, que muito faturou com os filmes encenados por Paulo Gustavo, viu em sua morte uma última grande oportunidade de fazer marketing em cima de sua obra. Isto é, não bastasse pisar em cima dos milhares de brasileiros que morreram durante a pandemia, apoiando a política genocida da direita, a Globo ainda resolveu pisar dobrado em cima de seu próprio funcionário para extrair um último trocado.
Aquilo que era para ser denunciado como algo nojento, como a expressão da podridão da imprensa burguesa, caiu como uma luva para a pequena burguesia hipócrita. Já que não chorou pelos 420 mil mortos de então, resolveu chorar todas as suas lágrimas para uma única pessoa, somente por que foi assim que a Globo quis. Não se trata, nem mesmo, de uma homenagem ao ator, mas tão somente de propaganda para a Globo. Afinal, como a esquerda pequeno-burguesa aprendeu a estalar os chicotes para todo aquele que o Fantástico acusa de ser criminoso, agora também adquiriu o hábito de só levar flores para os funerais que a Família Marinho patrocina.
Rio-Colômbia: a esquerda que apenas lamenta e a esquerda que luta - Antônio Carlos Silva
Por Antônio Carlos Silva

Na última quinta-feira (5), a Polícia do Rio de Janeiro realizou o maior massacre policial da história da cidade. Em uma operação em um único bairro, Jacarezinho, fuzilou pelo menos 24 pessoas sob o velho e carcomido pretexto de combate ao tráfico de drogas.
Para justificar que havia passado por cima de uma inútil decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que só são cumpridas quando se trata de atentar contra os direitos democráticos do povo (como no caso da prisão ilegal de Lula), a Policia anunciou solenemente que se tratava de uma ação com o objetivo de “combater o aliciamento de crianças pelos traficantes de drogas”. Assim, para “defender as criancinhas”, a Polícia que mais mata no Brasil, que tem recordes de assassinatos de crianças etc., entrou na Comunidade atirando, invadiu casas, executou pessoas nas frentes dessas mesmas crianças e espalhou o terror em um bairro operário onde vivem mais de 40 mil pessoas, em sua maioria negros. Coisa que obviamente nunca fez e não faria em um antro de marginais brancos, da burguesia ou da classe média carioca.
O episódio, infelizmente, não é uma “novidade” ou uma exceção, mas o modus operandi dos órgãos de repressão no Rio e em todo o País. Entraram para matar:
A situação se agravou nos últimos anos em meio ao regime golpista, com a Polícia matando uma média de cinco pessoas por dia, estimulada pela política fascista dos governos estadual e federal, dentre os quais mais de 75% são negros.
O número anunciado de civis mortos no massacre de Jacarezinho, 24, é o mesmo do total de vítimas de uma semana de violenta repressão do governo direitista de Ivan Duque, contra a revolta do povo colombiano contra o genocídio constante a que vem sendo submetido em meio à pandemia (80 mil mortos), ao recorde de desemprego (mais de 20% da população) e aumento exponencial da fome e da miséria que atinge mais da metade dos 50 milhões de habitantes do País.
No país vizinho, desde as vésperas do 1º de Maio, o povo está rebelado contra a política do governo direitista, aliado de Bolsonaro, que massacra o povo pobre e suas lideranças em favor dos interesses do capital internacional, servindo de aríete do governo dos EUA na provocação contra a Venezuela, que tem 30 vezes menos casos de infecção por coronavírus que a Colômbia e 200 vezes menos que o Brasil, apesar do brutal embargo que sofre de todo imperialismo.
A combativa mobilização do povo colombiano passou por cima da orientação reacionária da esquerda e da burocracia sindical de não lutar e “ficar em casa”, obrigando o governo Duque a retirar do Congresso sua proposta de “reforma” tributária – de expropriação dos trabalhadores e da classe média – e a demitir o ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla.
No Rio, a imensa maioria da esquerda, como em todos os massacres anteriores e até mesmo diante da morte de seus militantes (como a vereadora Marielle, do PSOL) se opõe a realizar qualquer mobilização real contra os massacres e a miserável situação da maioria do povo e se dedica apenas a fazer demagogia eleitoral e pedir que o povo espere pelas eleições e vote nos candidatos que supostamente irão resolver tais problemas.
Na Colômbia, superando, ainda que com limitações, a desorientação conservadora da esquerda e da burocracia sindical, o povo explodiu. Foi às ruas e fez o governo recuar. E continua reagindo com bravura à repressão que vitimou centenas de companheiros colombianos nos últimos anos.
Essa esquerda que defende a “coragem de ser covarde” faz discursos e escreve textos na internet sobre os atos dos negros norte-americanos, mas por aqui prega que é hora de recuar e esperar passar a pandemia, “ficar em casas”; adotando uma política de paralisia que bloqueia, por hora, uma reação diante da ação genocida.
Na Colômbia, parte dos trabalhadores e da juventude chegaram à correta conclusão de que é preciso não apenas lutar contra os ataques do governo e sua violência como colocar abaixo o governo da direita, fazendo crescer o grito de “fora, Duque!”.
No Rio, no Brasil e em toda a América Latina, é preciso avançar na superação da política de conciliação, de frente ampla com a direita golpista e genocida, preconizada pela maioria das direções da esquerda, e ganhar as ruas.
General Luiz Eduardo Ramos exemplifica a verdadeira face obscurantista e elitista dos generais sem guerra - Davis Sena Filho
Por Davis Sena Filho

Eles são os generais sem guerra, que fizeram o contribuinte brasileiro gastar milhões em suas formações desde jovens, em escolas militares de segundo grau até saírem formados da Aman, bem como uma parte menor desses oficiais consegue alcançar o generalato, a exemplo de Luiz Eduardo Ramos, Augusto Heleno, Braga Netto, Eduardo Villas Bôas e Eduardo Pazuello, dentre muitos outros.
Trata-se da pior geração de generais de todos os tempos, mas com uma fome imensa de poder e por cargos que remonta à República Velha, a ter como arma política a velha e surrada cantilena da "corrupção" e do "comunismo". A mesma cretinice, hipocrisia e cinismo de sempre, que tem por finalidade efetivar golpes e aparelhar o Estado, afinal são oito mil militares a ocupar cargos no Governo Bolsonaro.
Esses oficiais generais são irremediavelmente divorciados das realidades da população, porque praticamente alienados socialmente e distantes indelevelmente das demandas e necessidades do povo brasileiro, cuja maioria não vive, pois sobrevive com dificuldade até para se alimentar e ter acesso à dignidade, ou seja, ao emprego.
Os militares oficiais são essencialmente arrogantes e prepotentes, principalmente quando estão no poder central a ocupar cargos como verdadeiras boquinhas e a somar aos seus salários o que é e se faz comissionado, além de se sentirem recompensados e deslumbrados em participar do high society, por causa dos altos cargos que ocupam, momentaneamente, no centro da República.
Trata-se do sonho dos militares de alto escalão participar desse mundo, muitos deles analfabetos políticos e sem qualquer empatia com as necessidades mais prementes da população, que paga-lhe os salários por intermédio de impostos recolhidos pela Receita Federal e por outros órgãos em âmbito federal.
Não possuem projeto de País e programas de governo, porque são vazios de ideias no que concerne à administração e à soberania do País. Não sei, realmente, o que fazem em suas escolas, porque são visíveis e lamentáveis as ações, atos e pronunciamentos dos militares do governo socialmente e economicamente mais fracassado e incompetente de todos os tempos.
O desgoverno do extremista de direita e arranjador de política econômica ultraliberal que levou grande parte do povo brasileiro à fome, à pobreza, ao desemprego e à ultraviolência, sem qualquer possibilidade de melhorar de vida, nem que seja um pouquinho, de maneira a vislumbrar uma saída para escapar da miserabilidade humana que se tornou viver no Brasil dos bolsonaristas.
Confraternizam-se, os militares que adoram mordomias e status, de forma fortemente corporativa em um círculo vicioso, que é composto por interesses de classe e categoria, que se aliam, sobejamente, com os interesses da burguesia, que possui os meios de produção e o controle dos empregos e da circulação do dinheiro.
Os oficiais generais, em todos os tempos, flertaram com as "elites" escravocratas deste País, que explora secularmente a labuta de quem trabalha e paga mal os trabalhadores, um lugar onde ainda se encontram pessoas submetidas às condições de trabalho similares à escravidão.
Sempre foram intervencionistas e são prejudiciais à política e à democracia brasileiras, porque a intenção é impor seus desejos de mando e poder, assim como atender às demandas e aos objetivos dos ricos e muitos ricos, a considerarem-se tutores da Nação, mas intervencionistas com imenso desprezo pelos pobres, trabalhadores, negros, índios, gays, universitários, quilombolas e mulheres, no que tange às pautas e reivindicações feministas e das minorias em geral.
É dessa forma que a banda toca para as "elites" de militares, seja no Exército, na Marinha ou na Aeronáutica, sendo que a Marinha, historicamente, consegue ser mais elitista do que seus coirmãos de armas. Trata-se de uma formação profissional e universitária militar anacrônica, perdida no tempo pretérito e ultrapassada no que é relativo ao desenvolvimento moral, cultural, educacional e humanista da sociedade brasileira.
Os generais estão presos na Guerra Fria, como se o tempo tivesse sido congelado e, de repente, acontece um descongelamento que propicia a mobilidade e ação dos dinossauros daquele tempo, que foi enterrado no passado. É inacreditável o atraso dessa gente que está no poder e o retrocesso deste país fadado ao fracasso por causa das ações contrárias ao desenvolvimento desta Nação. Parece um filme de terror... É simplesmente surreal!
Por isto e por causa disto, e em pleno século XXI, o Brasil tem a infelicidade de formar oficiais do baixo nível intelectual do general e chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, que tem, tal qual seus colegas de farda e de governo, a sensibilidade de um crocodilo quando vê sua presa ao tentar atravessar o rio, apesar de seu proselitismo barato quando está em reuniões de ogros desse governo meramente de essência fascista e mercantilista.
Para o general e ministro Ramos, que esteve com sua mulher há alguns anos no Equador, abrir hospitais militares bem equipados, como bons profissionais e com todas as condições estruturais para atender seus pacientes (militares) e abri-los ao público, ou seja, à população civil é um acinte ou despropósito, quiçá uma decisão revoltante... Para ele, obviamente, o general elitista e sectário.
Ele disse em reunião do Conselho de Saúde Suplementar entre os ogros do desgoverno fascista, no mesmo encontro sombrio em que o chicago boy dos números e índices super-negativos, Paulo Guedes, atacou irresponsavelmente a China, quando o general começou a dizer sandices de conotações preconceituosas, a criticar a determinação do governo do Equador de abrir os hospitais da casta militar privilegiada aos cidadãos civis equatorianos.
A reunião dos próceres da República bananeira do Brasil aconteceu no dia 27 de abril. E continuou o general de republiqueta e pleno de preconceitos a falar pelos cotovelos, a contar aos convivas que sua mulher, que ele "pensa em trocar, pois ela só dá problema, viu", sentiu-se mal e ele resolveu levá-la aos hospital militar e, ao estar lá, "jogá-la", talvez para ser atendida...
Contudo, o que mais incomodou o general que toma vacina contra a Covid-19 ridiculamente escondido de seu chefe que tem o apelido de Bozo foi o governo socialista do Equador abrir o hospital militar à população civil, o que para ele, evidentemente, é o fim da picada, pois o oficial afirmou que viu um cenário horrível, cuja culpa era do governo de esquerda do Equador, realidade que, segundo o general, fez com que a unidade de saúde ficasse pior que o INSS brasileiro, e completou: "E querem fazer o mesmo aqui".
"Aqui" é o Brasil e, para o general de "elite" social usar os hospitais para atender o povo brasileiro é algo inadmissível, porque ele e seus iguais pertencem a uma casta privilegiada, que historicamente serve aos interesses da burguesia nativa, à casa grande de tradição escravocrata, desde os tempos de uma época já remota em que o Exército Brasileiro foi organizado.
Enquanto isso, as Forças Armadas, cuja maioria dos oficiais servidores públicos é incrivelmente privatista e entreguista, pois muitos de seus integrantes servem a um desgoverno ultraliberal que vende o Brasil a preço de banana ao tempo que batem continência à bandeira nacional, teve de divulgar os dados sobre a ocupação de leitos nos hospitais militares por parte dos pacientes de Covid-19.
Abro parenteses para dizer que os generais de prontidão desaprovaram a divulgação, mas foram obrigados a fazê-la por causa de determinação do TCU. Conforme as planilhas, os hospitais militares tiveram unidades de terapia intensiva e leitos bloqueados, porque a ordem é esperar pelos militares que porventura sejam infectados pela doença.
A questão primordial é que existem unidades de saúde com 85% de vagas ociosas, mas mesmo assim tais vagas não são franqueadas aos cidadãos e pacientes civis, mesmo sendo os hospitais militares sustentados com o dinheiro público. A verdade é que os chefes militares não querem abrir as unidades, pois consideram que são donos de um quinhão do Estado nacional, que são as Forças Armadas.
Contudo, parece que o ministro do Ministério da Defesa, general Braga Netto, e os comandantes de Exército, Aeronáutica e Marinha continuarão em suas trilhas elitistas, a fazer do País um clube privé, como sempre foi a praxe no Brasil dos generais Ramos da vida, que achou um absurdo e insulto o povo equatoriano ser atendido em hospitais militares no Equador de um presidente socialista.
Entendeu cara pálida? Percebeu que a direita das "elites" quando se junta em torno de uma mesa de reunião expõe sem o mínimo de vergonha o que pensa e o que quer e deseja? O general Luiz Eduardo Ramos não deixou dúvidas quanto ao seu pensamento elitista, de forma alguma.
A verdade é que o generais das três forças historicamente consideram a sociedade organizada pelo povo brasileiro como inimiga interna. Se dúvida, cara pálida, leia e estude história e, consequentemente, compreenderá o porquê de as Forças Armadas serem aliadas umbilicais da burguesia e dos interesses do grande capital. Trata-se do generalato sem guerra e que se concentra, equivocadamente, na política nacional.
Ah, já ia esquecer. Depois os generais vão bater continência à bandeira nacional e à Pátria para enganar os idiotas vestidos de papagaios verdes e amarelos, como fazem os bolsominions de classe média e média alta de almas golpistas, de maioria branca, nos fins de semana, em bairros nobres das cidades brasileiras... É isso aí.
O fenômeno Bolsonaro e a nossa doença cognitivo-civilizatória
A pesquisa Atlas deste último dia 10 de maio não é exatamente boa para o campo democrático por si mesma. Embora fique evidenciado a potência do ex-presidente Lula da Silva, consagrando-se como o único que possa ainda ter alguma possibilidade de vencer Jair Bolsonaro e retornar o Brasil ao trilho da racionalidade necessária (viramos uma republiqueta da morte, da dor, do medo e da desesperança), o que realmente fica evidenciado é a capacidade, a competência da equipe que pensa o processo de comunicação do atual Presidente do Brasil. Bolsonaro é inegavelmente um fenômeno! E isso é comunicação, nada mais que isso. Não há ali atributos outros que não esse no líder da Nação.
Ilustrando apenas dois dados aqui[1], Bolsonaro “reconquista” parte do eleitor. Em março, a aprovação de seu desempenho pessoal era de 35%; agora em maio sobe para 40%. Se a eleição fosse em março, Bolsonaro teria no 1º turno 32% dos votos; em maio esse número subiu para 37%. Ele tem mesmo que comemorar no seu churrasco com picanha que vale cada peça R$ 1.800,00 e rir na nossa cara…
Isso é grave! A queda seria a lógica; não a subida. Ou não vemos a fome das pessoas, a morte de quase 430 mil humanos por omissão do Chefe do País e o escárnio de sua turma governamental?
O “Jair Se Acostumando” é (ou era para ser) como um castelo de areia que rompe a rotina do vento e a paisagem convencional da praia, doravante, volúvel, sem qualquer possibilidade de ser perene, contudo, causa enorme impacto neste mesmo cotidiano dos que vieram “curtir” a grandeza do mar. Bolsonaro não pode ser ignorado como um produto imagético, um evento semiológico, uma potência narrativa. E somente é possível combater “comunicação” com “comunicação”. Isto é, ou as mentes progressistas se reinventam na mobilidade das ruas, das redes e das redações, portanto, torna-se capaz de produzir conteúdos densos, intensos, sobretudo, atraentes a mostrar efetivamente aos “desavisados” que aquele castelo de areia não passa de tragédia arquitetônica no caminhar da praia, ou iremos sucumbir, assistindo atordoados ao tsunami destruindo tudo na costa deste País.
Retomando o assunto (segundo escopo) principal deste modesto texto, a pesquisa Atlas, mostra que Bolsonaro retomou parte de sua popularidade quase aos níveis dos tempos de águas tranquilas para o fascista tupiniquim. Porém, o horripilante disso tudo é que, quanto mais vemos o descontrole do Brasil no enfrentamento da COVID-19; escândalos da família cada vez mais assumida nas facetas das milícias e dos crimes; mansões e picanhas superfaturadas que debocham da miséria de parte dos brasileiros que desceram degraus na estratificação social; o “Bolsalão” oriundo das já visíveis faz tempo negociatas com o Centrão; enfim, quanto mais crimes Bolsonaro e sua família comentem, mais o “seu” povo o adora, o devota, o protege. E sua popularidade retorna a pontos inimagináveis – se falássemos de uma sociedade séria, de um povo atento, de uma República de verdade[2].
Dito tudo isto, não podemos esconder um problema que também precisará ser debatido pelos especialistas e proposto intervenções num futuro breve: trata-se da nossa baixa cognição política, nossa formação bastante tacanha para interpretação de nossa própria cultura, de nossa história e de nossas conjunturas (em cada evento fático). Um povo que não é capaz de entender os princípios que norteiam (ou suleiam) uma civilização, certamente caminha para o fim. Pior: um fim interminável; um fim à conta gotas; um fim regado por mortes paulatinas, seja pelo coronavírus, seja por chacinas ordinárias nas favelas brasileiras, seja de fome nos rincões de miséria, seja no dia-a-dia dentro do ônibus lotado indo para o trabalho.
Precisamos conversar acerca de nossa situação cognitivo-civilizatória como uma doença a ser tratada. Doença que gera sucesso a uma leva de políticos oportunistas, como o atual governador do Rio de Janeiro – quem nem me lembro do nome –, um pulha, um ser humano hipócrita que canta e reza à noite, e ao dia autoriza o assassinato de tanta gente, assim a geração de medo e inação em milhões de cariocas; ou como o Presidente do Brasil[3], responsável direto pela casa das centenas de milhares de mortes por COVID – evitáveis, reles desconhecidos a ascenderem ao Poder com tanto impacto. É uma doença; não ignoremos isso em nós, o povo brasileiro.
Ao que chamo por “cura” aqui não é outra coisa senão Educação. Entretanto, educação é fundamental ser vista pelo processo formativo e informativo. Isto é, precisa se repensar as bases efetivas de currículo para consolidar de vez uma formação em todas as instâncias da cognição do sujeito. Não algo meramente técnico, ou funcional, ou instrumental, todavia, uma educação completa que coadune o entendimento histórico-político-cultural do Brasil. Quanto à informação, além de se estruturar elementos semiológicos e estéticos que atraiam a efetiva mobilização das mentes receptivas-ativas, é necessário também mudar a matriz normatiza que regulamenta rádios, tevês, jornais, internet etc., a fim de superar o enviesamento dos fatos e artefatos sociais e referendar as fake news, pós-verdades e o falseamento da própria identidade do povo brasileiro. Sem isso, somos meras marionetes neste sistema que reitera por séculos seu caráter e princípio colonial.
Precisamos buscar essa cura para nossa sociedade, para nossa gente. Somente assim, encontraremos a real mudança de nossas instituições, estruturas e política[4], e nos ressignificaremos enquanto civilização.
[1] Veja mais números da pesquisa Atlas aqui: https://brasil.elpais.com/brasil/2021-05-10/bolsonaro-tem-alta-na-popularidade-e-so-lula-o-venceria-no-2-turno-em-2022-mostra-pesquisa-atlas.html
[2] Frise-se aqui que as cínicas instituições brasileiras regidas por castas podres e ainda coloniais, os poderes que teriam como interditar esse criminoso hipócrita à frente da Presidência da República, não o fazem. É conveniente. Ganham muitos privilégios com esse modelo cruel de sociedade.
[3] Bolsonaro, um moleque na Presidência de um dos estados nacionais mais importantes do mundo, acaba de achincalhar a China, o país que detém praticamente toda a capilaridade dos insumos para a vacina da COVID-19. Resultado: a China começa a pisar no freio em enviar para cá a matéria-prima da única esperança de termos vida; de a vida voltar a ter seu fluxo contínuo, sem tantos bloqueios. Uma crise diplomática ignóbil por um conjunto de falas completamente desnecessárias. Isso aí é o Presidente do Brasil? E isso aí tem toda esta popularidade? Isso aí é querido por um terço dos seres humanos brasileiros? Não tem como dizer que não há algo errado em nossa cognição?
[4] Bolsonaro somente é um fenômeno [de votos e de comunicação – a um público significativo] porque o próprio campo progressista, vencendo quatro eleições seguidas, não ousou prover a Regulação dos Meios; não repensou como realmente devia o Sistema Educacional brasileiro. Agora existe possibilidade de nova chance. Que não deixemos passar a história novamente ensimesmados em nossa mentalidade colonial eterna.
Wajngarten ofende a inteligência alheia em depoimento feito para blindar Bolsonaro | Míriam Leitão - O Globo

A frase do ex-secretário de Comunicação, Fabio Wajgarten, “não sei qual o alcance de uma fala presidencial” é ofensiva à inteligência de quem ouve e, principalmente, é ofensiva à CPI. O ex-secretário de Comunicação do Planalto e que se apresentou como especialista em análise de mídia, não sabe o que a fala de um presidente pode impactar na formação da opinião pública.
Ele foi à comissão para blindar o presidente Jair Bolsonaro, e é essa missão que ele está seguindo hoje, mesmo se for necessário distorcer os fatos. Wajngarten quer apresentar a versão de um governo que fez campanhas sucessivas a favor de medidas de isolamento, medidas de proteção e vacinação. Evidentemente não foi isso que o país viu.
Depois acabou se desdizendo sobre os documentos que à "Veja" ele disse que teria “guardado” documentação sobre o atraso na vacinação. E ele respondeu que estavam no computador da Secom.
Ele entrou em contradição várias vezes com o que disse à revista, quando chamou o Ministério da Saúde de incompetente e o responsabilizou pela demora da compra da vacina da Pfizer, mas entrou em contradição com o que ele mesmo disse na CPI. Ora se apresentava como um negociador na compra de vacinas descrevendo reuniões e providências, ora afirmava que não negociara.
O momento de maior tensão foi quando ele deu uma resposta arrogante ao relator. Mandou perguntar ao presidente sobre as declarações do presidente contra as vacinas: "Pergunte ao presidente".
Depois de muitas respostas evasivas, a tensão fez a sessão ser interrompida. Os senadores integrantes da CPI estão irritados com essa atitude de Wajgarten e o presidente da CPI, Omar Aziz, alertou que seu comportamento poderia ter consequências. "Se continuar tangenciando eu vou dispensar seu depoimento", disse o depoimento.
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